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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

Como estás, Élida?

Estou bem.

Sabes que dia é hoje?

Hoje é dia 29 de setembro.

É um dia especial para ti, de acordo com os teus registos.

Quem faz anos neste dia?

-O meu filho. -Muito bem.

Isso. E como é que ele se chama?

Miguel.

Lembras-te de quando ele nasceu?

Recordas-te do parto?

É ele.

O meu filho mais velho.

-Era bonito? -Era igual ao pai.

E ele era bonito?

Não?

Eu gostava dele.

Tens aí muitas fotografias.

Hoje é o seu aniversário.

Posso ver?

Que engraçado! Ele é charmoso.

Não acredito que fosse feio.

Pensas muito nele?

Gostava de saber onde ele está.

Puta que pariu!

Traíram-me!

O primeiro que vir o Antín e falar sobre este assunto

vai levar um tiro nos cornos, entendido?

Perceberam?

Não vos estou a ouvir.

-Sim. -Muito bem.

Só eu é que posso falar com o Antín.

Sim?

Está bem.

Eles chegaram. Abram!

Levem-no.

Porra. Aqueles cabrões lixaram-nos!

Vinham de todos os lados. Eu avisei.

Eu avisei que era uma armadilha, não foi?

Ninguém ligou ao que eu disse.

Porra. Sai daqui.

Deixa-me fazê-lo.

Vem, meu irmão.

Acalma-te.

Relaxa, mano. Isso.

Fernando.

O que dizes, Pastor?

-Sou eu, o Diosito. -Eu sou o Miguel.

Para isto resultar, temos de jogar na lotaria. Que dia é hoje?

Dia 29 de setembro.

-Dia de Gnocchi. -E de São Miguel.

Como é que sabes? Engoliste um calendário religioso?

Sei porque o meu pai chamava-se Miguel.

A que horas é que isto tem de estar terminado?

Saímos quando começar o jogo. Não sei para onde, e tu?

Não, é um mistério. O Borges é um desses técnicos

que só confirmam o equipamento à última da hora.

Isto não parece bem por causa desta merda de vinil.

-É como é. -Não me quero lixar à conta disto.

Bela luta com o Capece, ontem à noite.

Foi giro.

Tem cuidado com esse cabrão, ele é vingativo.

Emprestas-nos a carrinha? Olha só,

nem passamos do primeiro posto de controlo.

Estás doido? Como é que queres que te empreste a carrinha para isto?

Então não poderemos sair.

-Arranjaremos outra solução. -Está bem.

Tu tens uma perspetiva diferente.

Tens algumas ideias?

A melhor maneira de esconder algo é deixá-la à vista de todos.

Como fazia o Maradona.

O que queres dizer?

É uma bela metáfora, mas eu não compreendo.

Podemos usar a carrinha da prisão?

A daqui?

Mais um maluco.

Podes baixar o volume?

Estás muito calmo, hoje.

Come.

Come enquanto podes, porque não terás nada esta noite.

Não nos vamos ver mais.

Para onde me vão levar?

Para um lugar mais confortável.

Para uma casa. Depois disto, vai-te parecer um hotel de luxo.

-Estás estranho. O que se passa? -Nada, estou tranquilo.

Toma um presente.

Adoro.

Aqui também podemos receber presentes.

-Compraste? -Não.

Ensinaram-me a fazer aqui.

Obrigada.

Vão-me levar para longe?

Mais ou menos.

Eu confio em ti.

Sei que me vais apoiar.

Prometeste-me.

Estou a ligar porque tenho más notícias para te dar.

O Carlos estava muito mal.

Estava muito deprimido e com medo.

Ontem à noite, suicidou-se.

Eu tenho alguns dos seus pertences.

Não, nada de valor material, só de valor sentimental.

Algumas fotografias e uns objetos pessoais.

Está bem.

Tens o meu número de telefone e sabes onde me podes encontrar.

Obrigada.

Ela está-se a borrifar.

Ela perguntou se havia algo de valor. Quando lhe disse que não,

ela disse que não estava interessada, como se lhe estivesse a vender algo.

Por alguma razão

ele estava preocupado com ter de voltar a casa da irmã.

Emma, não te aflijas.

Fizeste tudo o que podias.

Sabes disso, certo?

Olá. Esqueci-me de umas coisas. Estou de saída.

Olá, como estás?

Ouviste o que se passou?

O quê?

-Que o Verruga se suicidou. -Sim.

-Sim. -É terrível.

-Não tens vergonha? -O quê?

-Não sentes remorsos? -Porquê?

Porque te pedi que falasses com ele.

-Baixa o tom de voz. -Podíamos tê-lo evitado.

És um filho da puta.

-Larga-me, cabrão. -Queres que te bata?

-Não me importa que sejas mulher. -Para!

-Vais-me bater? -Para com isso.

Vai-te foder antes de me bateres.

Vem cá, seu sacana!

És um merdoso. Larga-me.

-Seu merdoso. -Deixa lá. Vamos embora.

Acalma-te. Está tudo bem. Tudo bem.

Filho da puta.

Acalma-te. Não vale a pena.

Que menino mais bonito. Quem é?

É o Lucas, o meu neto. O filho do Miguel.

Vive com o Fernando.

Com o Fernando ou com o Miguel?

Vive com o Fernando.

Com o tio. Não estou assim tão doente.

O Fernando é o teu filho mais novo, certo?

Tens alguma fotografia dele quando era mais novo?

Que bonito. Como é que ele era?

Portava-se bem?

-Não. -Não?

Ele foi um desastre em criança e em adulto.

Muito invejoso do irmão, muito inseguro.

Tornou-se advogado.

Que tonto.

As leis são feitas para serem violadas.

Ele estudou, Élida. Devias estar orgulhosa dele.

O Miguel.

O Miguel é polícia, como o pai.

Ele é esperto.

-O Lucas é advogado. -Não, o Lucas é teu neto, Élida.

O teu filho advogado é o Fernando.

Este.

Onde estavas aqui? Lembras-te desta fotografia?

Bem.

Por hoje é tudo, Élida.

Vemo-nos em breve.

Isto de deslocarmos a rapariga deixou-me tenso.

Tenho um mau pressentimento.

Como quando mataram o meu primo. Eu contei-te, lembras-te?

Sim, claro que me lembro. O teu primo César.

Sim, o César.

Vai ser bom, sair daqui por uns tempos.

Se não fosse a Molinari, aquela vaca. Ela lixou tudo.

Não penses nisso. O importante é que tenhas paciência.

O Antín também, o catavento.

Voltemos atrás.

É natural que estejas nervoso com a deslocação.

O teu irmão confiou-te uma posição com muita responsabilidade.

Era algo que querias faz algum tempo. Mas talvez estejas com medo.

Um pouco de medo.

Tretas. Hoje é só conversa.

O teu irmão começa a dar-te ouvidos.

Querias ter o Pastor no grupo e agora já o tens.

Recomendaste-o para este trabalho e o teu irmão anuiu.

Não sei sobre o Pastor.

O que se passa com ele?

Ele é estranho.

Nunca fala.

Que tipo de amigo é ele?

Ele diz coisas que não são verdade.

Diz que não tem irmãos, e aparece uma irmã para o visitar.

Diz que não se mete em nada, mas parece um capanga da máfia.

Devias vê-lo a lutar.

Então porque lhe deste uma oportunidade?

Porque ele é esperto. Entendemo-nos.

Achas que ele te está a usar para se aproximar do teu irmão?

Espero que não.

Quero-te pedir desculpa por o que se passou com a Kalina.

-Desculpa. -Não te preocupes.

Pelo menos agora sabes que estás a falar com uma pessoa normal.

Hoje devemos ter a terceira entrevista, um pouco mais formal.

Não estás em condições. Porque não tiras uma folga?

Não te preocupes. Vai-me distrair.

Além disso, se não a fizer, acumulo muito trabalho.

Lá porque o Verruga morreu daquela maneira, não o deixa mais longe de Deus.

Sei que te preocupavas com ele e que a situação te afetou.

Ele era boa pessoa. Agora está com Deus.

Não sei. Não acredito em Deus.

Estou a ouvir-te e pareces uma pessoa diferente.

Nem todos somos o que parecemos.

E como és tu?

Humano. Mesmo que não pareça, eu tenho sentimentos.

Perturba-me ver alguém como o Verruga a sofrer aqui dentro.

No outro dia, disseste-me que aqui ninguém tem salvação.

Continuo a pensar o mesmo.

Então que faço eu aqui?

Ou todos os que aqui estão a tentar melhorar?

Talvez estejas a ser ingénua.

Sabes o que tens de bom?

Podes estar rodeada de maças podres que não te deixas contaminar.

E que lutas por uma vida melhor aqui dentro.

-Nem todos o fazem. -Obrigada.

Ajuda-me ouvir-te dizer isso.

Ouvi dizer que defendeste o Verruga à frente do guarda.

-Eu queria agradecer-te. -Não tens de quê.

Não, a sério. Obrigada.

Ele partiu com a ideia de que havia alguém do seu lado.

Ele tinha família?

Sim, uma irmã.

Ela nem veio reclamar o corpo dele.

Vão enterrá-lo numa vala comum.

Como se ele nunca tivesse existido, exceto para mim.

Fica tranquila.

O teu signo é Peixes?

Sim, sou. Adivinhaste.

Eu sabia. Tenho uma ligação com os nativos de Peixes.

Por um lado, deixam-me desequilibrada,

por outro, contêm-me.

É engraçado?

Não!

Eu respeito as crenças dos outros.

Fico feliz por não te desequilibrar o tempo todo.

Bem.

Obrigado por me conteres e por me ouvires.

Agora temos de nos concentrar nisto.

Pensaste nas celas?

Não te faz bem ficar tanto tempo no pátio.

Ainda não pensei nisso.

-Então pensa. -Está bem.

Para a semana, terei de recomendar para onde hás de ir.

Está bem.

Primeiro, a tua irmã, agora isto.

Tu és Escorpião, não és Peixes. Nasceste dia 13 de novembro.

Tens razão. Menti. Desculpa.

Parecia que querias que fosse Peixes.

Não te queria contradizer hoje.

Desculpa.

Temos novidades acerca do juiz?

Parece que ele está mais calmo.

Ele veio ver-te.

Como é que sabes?

Eu sei tudo.

Habitua-te.

-O que é que ele te disse? -Ele queria assustar-me.

Ele queria dar-me a entender que sabia que eu era o raptor.

Queria mostrar que tem uns grandes tomates.

E quem os tem maiores?

Precisas de perguntar? Sou eu.

Não. Quem os tem maiores sou eu.

-Tenho-os bem grandes. -Não sei nada disso.

Vou disponibilizar a unidade móvel para o transporte.

E assegurar-vos os uniformes. Para que não haja problemas.

Não te preocupes.

Nunca caí em nenhum esquema. Para de te preocupares.

Concentra-te em conseguires o dinheiro pela miúda.

Não quero surpresas.

Vamos deslocar a miúda.

E vamos dar 24 horas ao juiz.

Se ele não pagar, está tudo acabado.

Toma.

Toma.

Tu sabes muito sobre isto.

Fiz alguns trabalhos com armas de grande porte.

-Estou a ouvir. -Todos os caminhos estão livres.

O carro está pronto. As armas estão carregadas com munições extra.

O depósito do carro está cheio.

-Meu querido irmão. -Sim.

Um telemóvel para todos, sem Internet nem nada do género.

Eu enviei-vos os números por mensagem.

Começaremos a transferência em uma hora.

Ótimo.

Se ninguém se armar em herói,

tudo deve correr bem.

Se algo correr mal, deitamos o "lixo" fora e regressamos a casa.

Ótimo.

Preciso de esclarecer uma coisa para os que não sabem.

Esta transferência consiste em deslocar uma pessoa

daqui, de São Onofre, para uma quinta na província.

É tudo o que precisam de saber.

Quando o jogo começar, os corredores ficam livres.

Então, levamos a miúda para a carrinha

e partimos. Entenderam?

-A miúda está pronta? -Ela está nervosa, mas vai-se comportar.

Que bem que lhe fica a roupa.

É isso, a Colômbia.

Estás encarregado da transferência.

-Está bem? -Entendido.

Obrigado, Mario.

-Vai correr tudo bem. -Hoje, tornar-te-ás um herói.

Aqui estão os mapas.

A informação está no GPS.

Mesmo à saída, no cruzamento,

um carro irá juntar-se a vocês e acompanhar-vos-á até ao final.

É do Lagartija. Calambre, tu vais passar para o carro do Lagartija.

-Está bem? -Certo.

O Upite irá por outro caminho

e irá chegar ao destino ao mesmo tempo que vocês.

Quando chegarem, fazem a entrega e regressam.

Estarei a controlar tudo daqui.

Quero que comuniquem comigo. Por favor. Comuniquem comigo.

Perceberam?

Estejam atentos, estamos perto de ter o dinheiro.

Vamos embora!

Vamos!

O que se passa? O que estão a fazer?

Relaxa, querida.

-Temos de te pôr isto. -O que estão a fazer?

-Põe isto e não faças barulho. -Não!

-Acalma-te. -Não! Não!

-Acalma-te. -Larguem-me!

-Acalma-te, querida! -Larguem-me!

Não falaste com ela?

Luna! Acalma-te.

Tem calma. Olha para mim.

Vamos para um lugar mais confortável, como tínhamos falado.

Confia em mim!

Podes confiar em mim. Escuta-me.

Precisas de pôr isto. Está bem?

Vamos.

-Estou? -Sou eu.

Estamos quase a sair de Chascomús.

Chascomús. Certo.

-Tens a morada exata? -É uma casa de campo chamada "La fuga".

Espera, deixa-me apontar.

Estrada 2, quilómetro 123.

Estaremos lá em três horas.

Perfeito. Agora vou ver a mãe, como me pediste.

Liga ao Lunati, para ele parar com as brincadeiras.

Ele vai-me pagar às 14:00, e então dar-lhe-ei as informações.

Foi o que acordámos.

Não te preocupes, está tudo bem.

E não me esqueci. Parabéns, irmão.

Vamos ter uma pipa de massa para celebrar.

Escuta. Não faço isto pelo dinheiro.

Faço-o para ser livre.

-Vê se percebes isso. -Não te preocupes.

Não se pede desculpa?

Merda.

Arruma as tuas coisas, meu amor.

Arruma-as. Vai procurar o teu casaco.

Traz um casaco quente.

Lucas!

Espero que esta merda não corra mal.

Queres um pouco?

Um cheirinho?

Vá.

-Para um bocado, idiota. -Não me chateies.

Estou a oferecer-te, não estou a pedir permissão.

Isto é trabalho, não estamos de férias.

-Tens de estar concentrado. -Vai-te foder.

Não sei por que não gostas. É branca como a hóstia.

É como ir à missa.

Põe mais alto.

Isto é um atrofio.

Ele precisa de se acalmar. Ele vai lixar tudo.

Estás enervado por causa da tua roupa?

Ou porque eu é que estou a mandar?

Ordeno a todos que ninguém me chateie.

Podias estar tu a comandar, mas visto que estás apaixonado pela miúda,

não tens discernimento.

Para com isso. Gosto dela como de uma irmã.

Ela tem a mesma idade da Mirella.

É impossível ela ter a mesma idade da Mirella.

A Mirella, com aquelas mamas e rabo grandes.

Devias ver o quão puta é a irmã dele, e como ela faz mamadas.

-Não fales da minha irmã? -O que vais fazer?

-Parto-te a cara. -Tu e que exército?

-Falta muito? Tenho de ir à casa de banho. -Não grites.

Tira-lhe os auscultadores para ela não gritar.

Luna, precisas de fazer o "número um ou número dois"?

Vês? Olha lá como o pervertido fala com ela.

O que queres que diga?

-Queres mijar ou cagar? -"Número um."

Por que não paramos em algum lugar para que ela possa sair?

Não vamos parar.

Estamos no meio de uma operação.

Faz aqui ou aguenta-te, como quiseres.

-Não vou fazer aqui. -Porquê? Ninguém vai olhar.

Exceto o James, ele é um pervertido.

-Não vou fazer aqui. -Então não me chateies.

Mario.

-Como estão a correr as coisas? -Bem. Estamos perto do quilómetro 100.

Sim, estou a acompanhar-te com o dispositivo de localização.

O onde estão o Upite e o seu grupo?

Não sei. Vou-lhe ligar.

-Onde estás tu? -Estamos atrasados.

Havia algumas operações stop e tivemos de mudar de percurso.

E por que não me disseste?

Tens de me manter a par de tudo.

Despacha-te.

-Ouviste? -Sim, eu disse-te que ela era um idiota.

Eu disse lhe para ir pela estrada 6 e agora não sei em qual ele está.

Ele estragou tudo.

O que se passa? Estás a dar na branca, outra vez?

Mandaste uma mensagem ao meu irmão?

O que se passa contigo?

Não disse a ninguém. Não sou um bufo.

Vai para o inferno.

Porra.

-O que foi agora? -Se voltas a desligar, estás tramado.

-Percebeste? -Desculpa.

Idiota.

Drogado.

Otário.

Limpa o nariz.

Vou levar a Mirella, e pôr-lhe no rabo.

-Começamos? -Sim.

-As críticas... -Como te chamas?

-Julieta. -Certo.

A questão da segurança levanta as maiores críticas ao sistema prisional.

-Sim. -Bem como a corrupção.

Não me venhas falar de corrupção.

Combinámos falar do que estava a ser melhorado.

Está bem.

Sobre os serviços e sobre o que deve ser melhorado, certo?

-Certo. Podemos voltar à questão... -Sim.

Vamos a isso.

Bem-vindos. Fizeram boa viagem?

Quem és tu?

Chamo-me Anabela. Sou filha do Don Gervacio, o caseiro.

O meu pai foi à cidade buscar mantimentos.

Ele disse que, se quiserem, ele pode trazer carne para grelhar.

Não, não te preocupes, não vamos ficar muito tempo.

É a primeira vez que vêm aqui?

Vai procurar um quarto para a miúda.

Não pareces a filha do caseiro.

Eu vou com ele. Ele precisa da chave.

Com licença.

Por aqui.

-Vou ver a casa. -Sim, tudo bem.

-Moras com o teu pai? -Não, moro na cidade.

Em Villa Cañás, conheces?

-Não. -É linda. Muito pacífica.

Que bom.

O teu pai disse-te alguma coisa acerca de hoje?

Que vêm da prisão?

-Sim. -Sim.

E ele deixou-te sozinha para nos receber?

É assim que tratamos das coisas.

Quem são vocês?

Os funcionários da casa.

O teu colega sente-se bem?

Sim, porquê?

Ele parecia nervoso.

Não, ele é mesmo assim. Tem a pressão arterial elevada.

-Não te preocupes. -Está bem.

Não estou a gostar disto.

Ninguém disse nada sobre uma filha, ou sobre um tipo num trator.

Por que não a levamos para uma das nossas casas?

Todos foram investigados. Mas se não, então não continuamos.

Envia-me uma fotografia da rapariga para eu mostrar ao Antín.

Barny.

Vai lá.

Mario, que sorte estares aqui. O Mario é detido... Para um pouco.

O Mario Borges é uma instituição de São Onofre.

-Não me filmes. -Para.

-Não me toques. -Acalma-te.

O que estás a fazer?

O que se passa?

Isso pergunto eu, o que se passa?

Estamos metidos numa confusão e tu estás aqui a brincar.

Não fales tão alto.

Ou fecho-te durante 20 dias.

-Não sejas idiota. -Escuta-me.

O caseiro não estava em casa. Esta rapariga diz que é filha dele.

Essa é a minha quinta.

Conheces a rapariga?

Não, lembro-me que o caseiro tinha uma filha com essa idade, mas...

Luna, sou o Miguel. Sou polícia. Não te preocupes.

-Onde estamos. -Numa casa no campo.

O teu pai sabe onde estás.

Vão-me matar.

-Não. -Vão-me matar. O James estava estranho.

-Não. -Sim, eu sinto-o.

O teu pai vem-te buscar.

-Vão-me matar. -Calma. Está tudo bem.

Acalma-te.

Não faças barulho.

Escuta, Luna.

Acalma-te. Ninguém te vai matar. Estão para te vir resgatar.

Mas precisas de te acalmar.

Estás armado? Vai matá-los a todos e fugimos juntos.

-Por favor. -Não posso.

Por favor.

Fica quieta.

Não faças barulho.

O teu pai vem-te buscar. Aguenta.

Relaxa.

Luna, escuta-me.

Acalma-te. Eu já volto.

Fica tranquila.

-Não grites. -Por favor.

Acalma-te.

Diz-me para quem trabalhas ou eu disparo.

Tem calma. Está tudo bem.

Só cá viemos para abrir a porta.

Para quem trabalham? Respondam ou eu mato-vos.

Tem calma. Está tudo tranquilo.

Só viemos para vos abrir a porta.

-Porque é que não há sinal? -Houve uma tempestade ontem à noite.

Ontem havia. Enviei a tua fotografia.

-São da Polícia? -Podemos ir embora. se quiseres.

-Ele é doido. -O que se passa contigo?

Eles vieram a mando do Lunati. Tenho uma boa intuição.

-Olha, ele não parece jardineiro. -Ele não é jardineiro.

-Ele nunca usou uma pá na vida dele. -Ele veio ajudar-me.

-Disseste que ele trabalhava aqui, puta. -Tem calma.

Tem calma.

Porque me olhas assim? És parvo? Não vês que é uma cilada?

Acalma-te. Está tudo bem.

Barny, vai ver as traseiras.

Tu também, Calambre. Vamos. Mexam-se!

Leva estes dois.

-Obriga-os a contarem tudo. -Está bem.

-Vamos embora. -Anda, puta, mexe-te.

Vá, despacha-te.

Isto não pode estar a acontecer.

-Está tudo a correr mal. -Está tudo bem, Dios.

Está tudo bem. Disparamos se for necessário. Mas acalma-te.

Relaxa um pouco.

Relaxa. Está tudo bem.

O teu amigo está completamente pedrado.

Deixa-nos ir embora. Só viemos ajudar o meu pai.

E a que horas é que ele vem?

-Não sei. Em breve. -Em breve, quando?

Quando acabar de fazer as compras.

E por onde é que ele vem? Há mais do que uma entrada?

-Só há uma. -Não te armes em parva.

Não acredito em ti.

-Do que estás a falar? -É a primeira vez que estás nesta casa.

Estás paranoico como o teu amigo?

Ambos vocês sabem que eu sou.

Estamos do mesmo lado.

Onde está o Lunati? Quero falar com ele.

Como é que posso falar com ele?

O público tem muitos preconceitos relativamente aos presos e às prisões.

É verdade.

Você, que lhe dedicou toda a sua vida. Que significado tem a prisão para si?

Estou muito ligado ao sistema prisional.

Considero que um homem que se consiga emendar depois de ter cometido um erro,

é muito mais forte do que um homem que nunca tenha errado.

Onde está o comando? Aumenta o volume.

-O que se passou? -Aquele é o carro do Upite.

Estamos fodidos.

É tudo por hoje. Obrigada.

-Não, vamos embora. -É tudo por hoje.

Vamos! Por aqui.

Por aqui.

Chama o Lunati. Agora.

Onde está o Lunati? Sabem que eu sou.

-Onde está ele? -Para, Palacios.

Viemos por ordem do Lunati. A propriedade está cercada.

Por que não esperaram até irmos embora? Estão mais pessoas a chegar?

Não está mais ninguém a chegar.

Porque não disseste nada, se sabias quem eu era?

Tem calma, daqui a pouco estarás em liberdade.

Vai matar o Diosito e o seu grupo.

Vais-nos deixar amarrados?

Filho da puta.

Vira-te.

Grande maricas.

Não fales tanto.

Vai correr tudo bem.

Estás a deixar-nos nervosos.

-Disseram-te alguma coisa? -Eles não sabem de nada. Trabalham aqui.

Estavas errado. Tem calma. Estás a ficar louco.

-Eu estou louco? -Estás um pouco nervoso.

Eu também. Estamos todos nervosos. Eles são os caseiros.

Tens razão. E eu bati no jardineiro.

Vai buscar a miúda para irmos embora.

Luna, estes homens foram enviados pelo teu pai.

Vamos a rastejar até à casa de banho. Agacha-te.

Vou ver o que se passa.

Não me deixes sozinha, por favor.

Prometo que não te vai acontecer nada.

Palacios.

Relaxa. Não dispares.

Tens um carro lá fora. És um homem livre.

Aqui está a chave.

Onde está a Luna?

No último quarto.

Puta que pariu.

Traíram-me.

Sim?

Está bem.

Eles chegaram. Abram!

Levem-no.

Porra. Aqueles cabrões lixaram-nos!

Vinham de todos os lados. Eu avisei.

Eu avisei que era uma armadilha, não foi?

Ninguém ligou ao que eu disse.

Porra. Sai daqui.

Deixa-me fazê-lo.

Vem, meu irmão.

Acalma-te.

Relaxa, mano. Isso.

Fernando.

O que dizes, Pastor?

-Sou eu, o Diosito. -Eu sou o Miguel.

Deixa-o comigo.

-O que se passou? -Nada.

-Nada? -Não se passou nada.

Lunita.

Como desejar.

O MARGINAL É UMA OBRA DE FICÇÃO. QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS REAIS,

PERSONAGENS, NOMES E/OU CIRCUNSTÂNCIAS É COINCIDÊNCIA.

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