All language subtitles for El Marginal S01E03

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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

Vamos.

Levantem-se, merdas.

Se vires a opressão dos pobres

e a negação da justiça, não te surpreendas.

O que ama dinheiro nunca tem suficiente,

e o que ama a abundância nunca ganha o suficiente.

É ambição e vaidade, também.

Quanto mais tens, mais consomes.

E qual é o benefício para os donos,

para além de olharem para ele e se regozijarem?

O sonho do homem pobre é doce,

porque a fartura do homem rico impede-o de dormir.

Vamos.

Vi, debaixo do sol, o que é bom e conveniente. Comer, beber

e desfrutar dos frutos do trabalho

e do tempo que Deus te deu nesta terra.

Mas, em vez disso, vi grandes males,

a riqueza guardada pelos donos para seu próprio benefício.

Ouviste-me?

Cheira a cus e a tomates concentrados aqui.

Levantem-se, merdas.

Vamos!

Levantem-se!

Vamos, merdas.

Quero-vos todos alinhados para o duche.

Levantem-se, todos.

Levantem-se, todos.

48 HORAS ANTES...

Querem que o Lunati pague pelo que roubaram ao Borges.

É mais de três milhões de dólares.

Que raio tem isso a ver connosco?

É óbvio.

É melhor que o Lunati não sonhe

que vamos resolver isto e entregar a filha numa bandeja de prata

por uns tostões.

-Como é que soubeste isso? -Também tenho trabalhado.

Olha.

Tenho estado a montar este puzzle.

Mexericos,

documentos,

notícias.

O Lunati interveio na operação

que enviou os irmãos Borges para a prisão.

Estavam a traficar cocaína líquida

em implantes mamários que eram enviados para a Europa.

-E então? -Mais de três milhões de dólares.

O Lunati ficou com o dinheiro.

Anos mais tarde, os Borges vingaram-se

ao raptar a filha para reaverem o dinheiro.

Porque é que brincas aos detetives?

Tens a oportunidade

de fazer um grande negócio.

Não penses só em ti, pensa no Lucas.

Não me digas no que devo pensar.

O teu trabalho é tratar dos pedidos.

Sai daqui e liga ao Lunati.

Percebeste?

Percebeste?

Diga-me, o que se passa com ela?

Nada de nada.

Esta rapariga está mais saudável do que todos nós.

Não vê que está inconsciente? Desmaiou há séculos.

Não tenho dúvidas de que está a fingir.

Os sinais vitais estão perfeitos.

Não há nada de errado com ela.

Tem é uma carreira brilhante de atriz à sua espera.

Ela que se lixe!

Tanta confusão por nada.

Metemos todos ao barulho. Ela está a fazer-nos de parvos.

Eu vi-a de longe, mas tu examinaste-a.

Quanto é que lhe devo pelo incómodo, doutor?

Mil e oitocentos.

Graças a Deus que ela está bem ou teria de voltar a hipotecar a minha casa.

Sabes porque te chamei?

Tenho de te contar o que está a acontecer.

O Panza Sosa está desaparecido.

Já soube.

Foi fazer um trabalho e não regressou.

Sabes qual é o problema?

Isto está a criar uma grande confusão.

Uma confusão que nos implica a todos.

Ao Capece,

a mim

e a ti, mais do que ninguém.

Porque eu caio sempre de pé. Eu arranjo-me.

Mas se se souber que estamos com menos um recluso,

serás o primeiro a cair.

Não faço ideia de onde está ou do que lhe aconteceu.

Estás a mentir-me, vi-te no ecrã

com um médico, que não foi enviado pelo tribunal, na oficina.

O Panza magoou-se e eles estão a tratar dele.

Não, juro que não é isso.

Não?

Muito bem.

Sabes o que é que eu acho?

Que me estás a mentir.

Achas que sou um idiota.

Como acabei de dizer,

acabei de te ver com o médico

na oficina.

-É verdade, veio um médico. -Então, é verdade.

Mas ele não veio por causa do Panza.

É pior.

"Pior" como?

Calma.

O médico disse que ias ficar melhor.

Graças a Deus pela quimioterapia.

Sabes que mais?

Tenho uma cura melhor.

Amor.

O amor cura tudo.

Vou aquecer-te até ficares muito excitada.

De certeza que já não és virgem.

De certeza que já andaste por aí.

Mas não te preocupes,

quando abrires os olhos, vais suplicar-me para que continue.

Sai, filho da mãe.

Graças a Deus pelo milagre!

Ela ressuscitou.

És doentio.

Calma.

Calma.

Calma, não sou um pervertido.

Calma, estava a fingir.

Vou soltá-la.

Acalme-se.

E não volte a mentir.

Ouviu-me?

-Olá. -É o Dr. Lunati.

Já sabes alguma coisa da minha filha?

Não, talvez amanhã.

Mas ia mesmo ligar-lhe.

Acho que devíamos rever o nosso acordo.

De que estás a falar?

Eu e o Miguel sabemos as razões por trás do rapto.

Está ligado à operação silicone, certo?

Estás a fazer chantagem comigo?

Nada disso.

Estou a pedir um pagamento que se adeque ao trabalho.

Tínhamos um negócio, Palacios.

Não, tínhamos um acordo

quando era um rapto normal, mas já não o é.

De qualquer modo, chegaremos depressa a um acordo.

Todos queremos encontrar a sua filha sã e salva.

Isto soa-me a abuso.

Como queres que o façamos?

Voltarei a contactá-lo.

Surpreende-me que eu seja a única

com um relatório desfavorável sobre o Diosito.

Ele é o tipo mais conflituoso da prisão. Sabem do que estou a falar.

Não o acho conflituoso.

Cumpriu dois terços da sentença e devia ter liberdade condicional.

Está no seu direito.

Parabéns, Capece.

Já era tempo de fazeres valer os direitos dos presos.

Isso é muito encorajante.

Pronto, Emma. Não comecem. Peço-vos.

O que interessa é que Diosito Borges é um preso bem comportado.

O que não podemos fazer é mandar ao juiz

um documento com opiniões tão contraditórias.

Como é possível, Emma,

que todos concordemos com o facto do Diosito

poder sair em liberdade, menos tu?

Não sei, pergunto-me o mesmo.

Estou no pavilhão dele todos os dias e nunca o vi começar uma confusão.

Até pelo contrário.

No teu relatório, Emma,

descreves o Diosito como um psicopata.

O Dr. Kalina pensa exatamente o oposto. Não é, doutor?

De acordo com as entrevistas que fiz ao Juan Pablo,

consigo perceber claramente que não é perigoso para a sociedade.

Recentemente, tem feito grandes progressos.

Amadureceu muito.

Perdão, estamos a falar da mesma pessoa? Do Diosito?

O irmão do Borges? A pessoa mais perigosa desta prisão?

Sim, estamos a falar da mesma pessoa.

Ele controla toda a prisão, por isso, não tem de arranjar confusões.

Já para não falar do vício de cocaína.

Estás enganada.

O Borges não controla a prisão, eu controlo a prisão.

E estás a ir longe demais.

Não podes dizer ou relatar coisas que não podes provar.

Eu posso prová-lo.

De qualquer modo, não sei porque estamos a discutir a condicional,

já que são vocês que decidem quem entra e sai.

Estás a passar das marcas, Emma.

Estamos a falar em privado.

Não estou a fazer uma denúncia.

O que não compreendo

é porque me pediram uma avaliação se já tinham tomado uma decisão.

Digam-me onde assinar e decidirei o que fazer.

Como é que te vou dizer... O que se passa?

Pronto, vou já.

Tenho de ir.

Calma.

Onde está o teu chefe?

Momentos de paz na prisão são tão raros como boas pessoas.

Há que saboreá-los.

-Outro momento de paz. -Com boas pessoas.

Somos todos pecadores.

Há pecados e há injustiças.

O meu irmão, por exemplo.

Ele é mesmo bom rapaz.

É demasiado bom para estar aqui.

Quando cuido dele, acha que o trato como se fosse estúpido.

Mas quando houve confusão, todos fugiram

e ele veio falar comigo sobre ti.

O que se passa? Houve beijos? O que aconteceu? Como está ele?

O que te disse ele?

Que és uma boa pessoa.

Mas eu penso mais como tu.

Somos todos pecadores.

Custa-me a acreditar que possa haver outra boa pessoa para além do meu irmão.

Não se trata do que penso, mas do que Deus diz.

Olha.

Chamam Diosito ao meu irmão.

Pensava que era uma alcunha estúpida.

Mas, dos dois, eu sou o mais burro.

Às vezes, não vejo o que está à minha frente.

É por isso que acredito nele.

Diosito diz que és a melhor pessoa para controlar o pátio.

O Morcilla é um parvalhão, nem os cães o respeitam.

O maricas nem defende o que fode.

Podias resolver facilmente a confusão no pátio.

Foste à escola ou aprendeste a falar assim a ler a Bíblia?

A ler a Bíblia.

O que se passa é que os cabrões de hoje não são como os de antes.

Estou atento ao meu irmão, porque é o que devo fazer.

O que ganho com isso?

Passas melhor aqui.

Ninguém aqui sabe nada sobre ti.

Às vezes, isso é bom,

porque ninguém repara em ti.

Mas, aqui,

aqueles em que ninguém repara saem daqui num caixão.

Pensa nisso.

É uma oportunidade.

Está bem.

E reza.

Reza.

Mario, temos um problema.

O Antín veio ter comigo. Sabem onde temos a rapariga.

Está à tua procura. Sabe tudo.

O momento de paz na prisão acabou.

Que merda.

Vá lá, chefe, acelere um pouco.

Ponha a primeira, mas não largue a embraiagem.

Não sou estúpido.

Muito bem. Perfeito. Vá, tente.

Vamos. Vem comigo.

Olá lindinho.

Vês como te prestámos atenção?

Como?

As coisas do roubo estão à porta do pátio.

Isso é bom.

Toma uns cartões.

Espero um gesto do outro lado ou isto vai correr mal.

Tu não precisas de ser demasiado honesto aqui, fica com isso.

Olha para ti, desenhas bem.

Pena não teres continuado.

O que é isso? A prisão antiga?

Sim.

É como a imagino

após ouvir tantas histórias.

Que histórias?

Os prisioneiros costumavam dizer que havia um túnel

que ia até à antiga prisão. Dava para escapar por aí.

Que túnel? Onde é?

Não sei.

Pergunta ao Verruga. Ele costumava contar a história. Ele sabe.

Porque é que raptarias a filha de um juiz

e a porias numa prisão? Na minha prisão?

-Que merda. -Foi uma solução de recurso.

-Uma solução da treta. -E então?

Tretas. Quando isto se souber, a minha carreira vai pelo cano abaixo.

Ninguém vai descobrir, Antín.

O pai daquela cabra

precisa que isto não se saiba.

Não sabes nada. Estás completamente desatualizado.

As coisas mudaram, anormal.

Mudaram, são diferentes.

Agora, ligam-te a dizer: "Leve-nos lá."

Vêm sem avisar e inspecionam-te.

Tenho demasiadas pontas soltas. Demasiadas.

-Não queríamos passar por cima de ti. -Mas passaram.

Queríamos manter-te afastado desta confusão.

As coisas descontrolaram-se.

Mas tens razão. Vou ver como é que tiro a rapariga daqui.

E, depois, acabou-se.

Como raio te meteste nesta confusão?

Fi-lo pelo dinheiro.

Pelo meu dinheiro, que o pai da cabra roubou.

Enquanto estiver cativa, não pode dizer nada.

Quanto é que ele te roubou?

Três e meio.

Tudo isto, por três e meio?

Milhões, Antín.

Três milhões e meio.

Queres dizer 45 milhões de pesos.

Faz as conversões que quiseres.

-Não tenho cigarros. -Está ali um quiosque.

Compra cigarros e amendoins cobertos com chocolate.

Amendoins cobertos com chocolate? És velho para isso.

Despacha-te, idiota.

Vai-te lixar.

Viste o tipo de que te falei de manhã?

O que me pôs de mau humor.

O giro.

Estou a falar a sério.

É muito estranho, é como se não existisse.

Não está nas redes sociais. Não tem morada, antecedentes, nada.

Estás obcecada.

Se não gostas dele, esquece-o.

Ocupemo-nos dos que gostamos.

Trouxe os reclusos. Vou deixá-los entrar.

-Com licença. -Olá, como estão?

-Olá. -Bom dia.

-Como está a professora? -Bem.

Fiz um desenho do Romeu e da Julieta para uma tatuagem.

Se eu fosse o Romeu, tatuá-la-ia em mim.

Obrigada.

-Conselheira. -Como está?

-Queria vê-la. -De que precisas?

Queria saber porque tem uma opinião tão má de mim.

E porque quer lixar a minha liberdade condicional.

Não sei o que sabes nem quem tem andado a falar contigo,

mas ninguém pode revelar informações sobre os relatórios dos reclusos.

-Sozinhos? -O quê?

Temos de os contar separadamente, um a um.

Vamos fazer uma coisa.

Conheces este sítio?

Duas histórias.

Apartamento 5C, certo?

Temos de adivinhar o que é mentira e o que é verdade.

És o Verruga?

Estás a bloquear a luz.

O que queres?

Disseram-me que conheces a antiga prisão abandonada.

-E então? -Quero saber como chego lá.

Se estás a pensar fugir, digo-te já que é impossível.

-Não é possível? -Não.

E as lendas das fugas por lá?

-Já lá estiveste? -Sim.

Como foste lá?

Já vi muitos tentarem a porta do pátio,

mas não é possível.

-Não tenho nada para te oferecer. -Porque queres saber?

Quero ir.

Tenho de ver.

Muito bem.

Vou contar-te.

Resta-me pouco tempo aqui.

-Bom dia, lourinha. -Bom dia.

Estes comprimidos dão-me cá uma dor de cabeça.

Mas continuo a querer dar uma queca.

Se a minha mulher descobre estes comprimidos...

Para. Não quero começar o dia assim,

a ouvir-te falar da tua mulher.

Por favor.

-Sabes do que precisarias? -De dar uma queca.

-Não, ir a um psicólogo. -Nem pensar.

O meu irmão diz o mesmo.

Mas se ficar bonzinho, tenho de voltar para a minha mulher.

-Isso não é conveniente para ti. -Nada mesmo.

Certo, querido. Vou trabalhar.

-Nem pensar. -Como assim? Preciso de trabalhar.

Não, trouxeste este comprimido.

-Vamos, cabra. -A tua mulher faz-te isto?

Às vezes.

-Ela trata-te assim tão bem? -Não.

-Isto? Assim? -Não, vamos, cabra.

Sim, por favor.

Assim.

Sim.

Mude os lençóis da cama do meio.

Mario.

São familiares de alguém?

Não olhe para ele. Responda-me. Quem?

Sou irmã do Chuenga.

O que é que eu disse? Desaparece.

Mario, para.

Tiraste-me do pátio.

Já nem queres falar comigo.

Disse-te que sou um homem livre.

Ela é a minha namorada, já esclareci isso.

-É namorada dele? -Diz-lhe.

Sim.

Diz-me a verdade, querida.

Prometo que ele nunca mais te incomoda.

Vens fazer sexo porque ele lhe deve dinheiro.

-O teu irmão deve-lhe dinheiro? -Não.

Não me enganes.

Não me interrompas. Estou a falar com a senhora.

Vá lá.

Vamos fazer uma coisa. Não tens de dizer nada.

Mas se foste forçada a vir aqui, eu tratarei disso.

Sou o Mario Borges. Vou tomar conta do Chuenga.

Prometo que nada lhe vai acontecer.

Estás livre. Pensa nisso.

Fala comigo.

Para ti, a campa é um paraíso, não?

Não me estou a meter com ninguém,

mas as coisas que tu fazes estão a pôr-me doido.

Vamos a acalmar, Mario.

Temos de falar, de homem para homem.

Calma, somos amigos.

Não me podes afastar dos negócios assim, da noite para o dia.

Já cá estava, muito antes de chegares.

Tenho aguentado com a tua gente, mas não sou um dos teus soldados.

E eu também não sou teu amigo.

Se quiseres falar comigo, sabes onde estou.

Anormal.

-Assustaste-me. -Desculpa.

Olha para a tua cara.

-Estiveste a chorar? -Não.

-O que se passa? -Nada.

Vi-te a falar com o Diosito.

É sobre o relatório? Ele disse-te alguma coisa?

Sim.

Ameaçou-me.

-O quê? -Mostrou-me uma foto do meu apartamento.

Para me assustar. Para achar que me estão a seguir.

O que vais fazer?

Não sei.

Nada. O que vou fazer?

De acordo com os resultados das entrevistas

e do acompanhamento ao recluso Juan Pablo Borges,

também conhecido como Diosito,

declaro que tem um comportamento e uma conduta excelentes.

É um modelo a seguir

pelos outros reclusos que se querem reintegrar na sociedade.

Recuperou-se com sucesso do vício da toxicodependência.

E já não consome cocaína ou qualquer outra substância ilegal.

Nem tem contacto ou trafica essa substância dentro da prisão.

Como o seu irmão mais velho, outro modelo de recluso,

ele não faz parte de nenhum gangue da prisão ou grupo ilegal.

Pelas razões acima explicadas, na minha opinião profissional,

aprovo a liberdade condicional deste recluso.

Conselheira Emma Molinari.

Vamos ao banho, vadio.

Cheira a cu, anormal.

-Porque te estás a rir? -Ele cheira sempre a cu.

Ontem à noite, sonhei com a Mirtha Legrand.

Disse que tinha sonhado.

Foi um sonho.

Não havia comida, havia baratas.

Picachu, tu és o místico. O que significa?

Tens de parar com as drogas pesadas.

O armário de limpeza tem uma parede falsa.

Vais por aí e encontrarás umas escadas que te levarão à cave.

Chegas ao fim e há uma saída para o pátio.

E, pronto, estás na antiga prisão.

Belo rancho, não?

Muito bonito.

Olha para esta piscina.

Vês? A propriedade está bem longe da estrada.

Ou seja, não é fácil chegar aqui.

O acesso é complicado, o que é bom.

Há um pequeno bosque que esconde tudo.

A casa do caseiro é bastante longe da casa principal.

Posso dizer ao tipo que vêm alguns amigos e para ele não os incomodar.

Que belo rancho tens.

Tu é que tens tudo tratadinho.

Não gozes comigo.

Isto custou-me muito trabalho.

Não é fácil lidar com filhos da mãe como tu.

Não. Não faz mal.

É mesmo do que precisamos.

É ótimo. Perfeito.

Vou dar-te uma pen drive

com fotos e um mapa para chegares lá.

Está bem?

Como está a correr a negociação com o pai da rapariga?

Não sei que raios este anormal está a pensar.

-Porquê? -Ele está a brincar com a vida da filha.

-Porquê? -Não quer pagar.

Ainda não denunciou o rapto.

Está a especular. Está a tentar ganhar tempo.

Só sei que tu, eu, e qualquer outro tipo aqui,

daria tudo pelos nossos filhos, faríamos tudo.

Mas aquele merdas não tem coração.

É um merdas.

O que fazemos com o Panza Sosa?

O Panza não vai voltar.

-O que queres dizer? -Perdemo-lo durante o rapto.

Que merda.

Vamos precisar de um substituto como fizemos com o Galindez.

Vamos ter de tomar conta da família.

Já o fiz.

No outro dia, a mulher veio ver-me.

"Onde está o meu marido?"

Tive de lhe dar uns pesos para comprar tempo.

Então, quando disse que o Sosa estava com a família,

sabias que te estava a enganar.

-A cara. -Que cara?

Só tenho cara de anormal.

Leva isso em conta da próxima vez.

A tua pen drive.

Luna, chamo-me Miguel, sou polícia. Trabalho para o teu pai.

Trabalho para o teu pai.

Acalma-te.

Acalma-te. Não grites.

Vou tirar a mão da tua boca, mas não grites.

Há guardas lá fora. Se gritares, matam-nos.

Percebes?

Como estás?

Bateram-te? Estás ferida?

Consegues andar? Consegues correr?

Estou bem.

Cansada, mas estão a tratar-me o melhor possível.

Isso é bom.

Onde estamos?

Têm mais pessoas presas aqui. Oiço vozes.

Era eu. Estava preso aqui perto.

Estamos numa prisão.

Quero ir para casa. Por favor, leva-me.

-Por favor. -Vou ajudar-te.

Ainda não te posso libertar.

Preciso que sejas paciente.

-Prometo que volto, está bem? -Está.

Vou voltar e tirar-te daqui. Mantém-te calma.

Só mais um pouco e, depois, acabou-se.

Obrigada.

Bom dia.

Não se finja de morta outra vez.

Não, já percebi.

O que é que se diz?

Bom dia.

Tenho boas notícias.

-Vou voltar para casa? -Não tão boas.

Mas vai sair deste sítio

para um mais confortável.

Para onde me levam?

Não pense que somos assim tão burros.

Percebemos que uma princesa do seu nível não pode estar numa pocilga.

O único lugar para onde têm de me levar é a minha casa.

Isso não depende de nós.

Depende do seu pai, que se recusa a fazer um compromisso.

O que lhe fez? Porque é que ele não a ama nem um pouquinho?

É muito malandra, não é?

Queres que me sinta mal?

Porque quereria isso? Sabe que me afeiçoei a si.

Sou o único que a suporta.

Além disso, já lhe disse,

quando for mais velha, vamos casar

e construir um lar cheio de amor.

Ao contrário do que tem agora.

O que é isto?

O quê?

Isto é sangue. Está com o período?

-Quem esteve aqui? -Não vi ninguém.

-Esteve aqui alguém. -Não esteve ninguém, juro.

Diga-me quem esteve aqui!

Filho da mãe.

Esteve alguém na cela da Luna.

Mesmo agora.

-O que dizes? -Não sei, está lá sangue.

Ele foi pela antiga prisão.

-Onde estão os outros? -Na oficina.

Para. O Mario não gosta que tomemos decisões sem ele.

Não me chateies. Quando o meu irmão não está cá, sou eu que decido.

Vê se a conduta da cozinha ainda está selada.

Vou ver a sala das limpezas.

Rancho, deu porcaria.

Estou a ir.

Porra.

O que se passa?

O que se passa? Onde estiveste?

Nada, estive por aí.

Só isso?

O relatório da assistente social, conselheira Emma Molinari.

Documento... Borges, Juan Pablo. Diosito.

O recluso Juan Pablo Borges, também conhecido como Diosito,

tem um comportamento e uma conduta excelentes.

Não tem vestígios de cocaína no seu organismo.

Nem tem contacto ou gere o tráfico de drogas ilegais na prisão.

Tal como o irmão, Borges, Mario.

Ele não faz parte de nenhum gangue da prisão ou grupo ilegal.

Deves estar a brincar.

Suponho que não o saibas. Pelo menos, quero acreditar nisso.

-No quê? -O Diosito ameaçou-me a sério.

Ele sabe onde vivo e não quero arriscar a minha vida por isto.

-Como sabe ele onde vives? -Sim.

Ele mostrou-me fotos do meu apartamento.

Ou ele tem alguém lá fora a seguir-me.

Ou, pior ainda, alguém aqui deu-lhe a minha morada

e mandou alguém tirar fotos para me intimidar.

Não. Estás a brincar, isto é muito grave.

É claro que é grave. Gravíssimo.

Como é que um recluso pode saber que escrevi um relatório desfavorável?

Independentemente da importância do recluso.

O que Diosito fez é muito grave.

Vou descobrir quem é que trata dos serviços dele lá fora.

Certo.

Em relação ao relatório, o que queres que escreva?

Não me interessa a liberdade condicional do Diosito.

Esquece.

Eu, como diretor, vou apresentar queixa e acabou-se.

Esse filho da mãe acha que nos controla. Mas está enganado.

-Muito bem. -Não te preocupes.

Obrigada.

Diga-nos quem a veio ver, Luna.

O meu chefe não tem tanta paciência como eu. Fale.

Não sei. Não vi ninguém. Estava a dormir.

O sangue pode ser teu?

Rapariga.

Não sejas espertinha.

Até agora, tratámos-te bem.

Não me chateies.

Já não suporto o teu velho.

Tenho-me estado a conter há dias,

mas tenho vontade de lhe mandar a tua cabeça, embrulhada em papel.

Na tua idade, trabalhava num matadouro,

por isso, não me assusta cortar alguém aos pedacinhos.

De facto, nos dias que correm, incomoda-me mais matar uma vaca.

Coitadinha.

Estou a ouvir.

Foi um tipo gordo.

Gordo?

Como?

Gordo e cabeludo como tu.

Que queria ele?

Diz-me o que queria.

-Larga-me. -Que disse ele?

Que queria ele?

Ele não disse nada, entrou e saiu.

Cabrão.

Cabra.

Não percamos mais tempo.

Se ela não quer ajudar, muito bem.

Acabou-se o tratamento especial.

Prende-lhe a outra mão. Amordaça-a.

Não lhe dês nada para comer ou beber.

Se ela quiser cagar, pode cagar nas calças.

Como é que tenho culpa, anormal? Eu não o vi bem.

Estou farto de ti. Sabes porque ainda estás viva?

Porque preciso de gravar uns vídeos para mandar ao teu pai.

Por isso, fica grata por cada sopro que dás.

Agora, percebo porque é que o Lunati se está nas tintas.

Fizemos-lhe um favor ao termos trazido este monte de merda.

Qual é a câmara que segue a porta do armazém?

A número 12.

-Tens a certeza? -De que és um idiota?

Gosto de homens corajosos e determinados.

Mario, cheguei.

Se não vim mais cedo, não foi por estar assustado.

Eu sei que não lixei as coisas.

Não vim porque o teu irmão

disse para me manter afastado uns dias.

Roubaram-me, como podiam ter roubado qualquer outra pessoa.

O que queres?

Quero...

Quero voltar ao meu lugar no pátio.

Este negócio também é meu. Pertence-me.

Não te rias. Falemos como iguais.

Ninguém se importava com o pátio. Eu desenvolvi-o.

-Não me desrespeites. -Não estaria aqui se o fizesse.

Teria feito tudo sozinho.

O que te aconteceu? Magoaste-te?

Foram os tipos da vila.

Bateram-me com uma garrafa no outro dia.

A porta.

Porque não está a sarar?

Não fui à enfermaria porque não era grave,

mas ainda não cicatrizou.

O Morcilla está a dizer a verdade e este tipo é pior do que ele.

O Pastor? Como é que vai ser pior? O que estás a dizer?

Podes calar-te? Não me interessa o teu amigo.

Vai buscar o pica-pau.

Leva-o à oficina. Para uma conversa cara a cara.

Quero as duas versões.

O que achas?

-Olá, Picachu. -O que foi?

Pastor?

Acho que está aqui.

Pastor.

O Diosito está à tua procura.

O que fazes? Está tudo bem?

Onde estiveste?

Aqui, nada de mais.

Não te vi o dia todo.

Vi o teu irmão, mas a ti não.

Estive metido numas coisas.

O meu irmão quer ver-te.

-Agora? -Sim. Agora.

Pronto.

Cá estamos.

Podes ir.

Porquê? Porque tenho de ir?

Que vais fazer?

Nada. Volta à tua vida.

E devolve ao Antín as coisas dele.

Está bem. Estou a ir.

O que diz a Bíblia sobre as mentiras?

Bem-aventurados os que lavam a roupa

para terem direito à árvore da vida e a entrar na cidade.

Mas, lá fora, ficam os cães, os feiticeiros,

os fornicadores, os assassinos e qualquer um que diga mentiras.

Sempre me fascinou a memória daqueles que acreditam em Deus.

Sempre.

Percebeste alguma palavra do que disse?

Algumas.

Sim.

Por isso, é perigoso mentir.

Porquê?

Porque se dizemos uma mentira, temos de a tapar com outra,

e outra, sem parar.

E, depressa, acabamos por nos afogar nelas.

É por isso que os melhores mentirosos são os que falam menos.

Percebido?

Sim.

Aqui, tratamos de negócios. Todos sabem isso.

Mas

estamos tranquilos.

Quero dizer, comemos.

Vivemos.

Deixamos viver.

Até que, de vez em quando,

alguém morre.

E nós dizemos: "Claro, nada na vida é grátis."

Até Jesus, na cruz, deve ter pensado o mesmo.

"Troquei a minha vida por estes parvalhões?"

Mas apercebeu-se demasiado tarde.

Tarde.

É por isso que, às vezes,

é melhor só matar um, mesmo que seja o Cristo,

em vez de matar um monte de parvalhões.

Continuas a perceber?

Sim.

Acho que não.

Toma lá isto, filho de 1.000 putas.

Toma!

Achas que estás a meter-te com quem?

Filho da mãe.

Toma.

Lava o carro do Sibinski.

Não quero problemas de religião aqui.

ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO. QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS,

PERSONAGENS, NOMES E/OU CIRCUNSTÂNCIAS REAIS É PURA COINCIDÊNCIA.

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