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VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS

BANCO DE INGLATERRA

Parem esse homem! Agarra que � ladr�o!

Agarre-o, seu idiota!

- Quem, senhor? - Aquele homem! Apanhe-o!

55 MIL LIBRAS ROUBADAS DO BANCO DE INGLATERRA

Entre, Forster.

- Chamou, Sr. Fogg? - S�o 10h32, Forster.

Lamento imenso, senhor. Vou buscar as suas roupas imediatamente.

Reparou no term�metro hoje de manh�?

A temperatura da �gua do banho estava precisamente a 30�C.

Sabe quais s�o as minhas instru��es, Forster?

28,8�C. Pe�o imensas desculpas, senhor.

Obrigado, Forster.

- S�o 11:59, Grimes. - Sim, senhor?

- Pode servir o almo�o ao Sr. Fogg. - Mas ele ainda n�o chegou.

Vai chegar dentro de um minuto, ao meio-dia em ponto.

Sendo ter�a-feira, vai pedir o eglefim com molho Reading.

Sim, senhor.

E a tarte de ruibarbo e groselha, com um pouco de queijo Cheshire.

Vou j� tratar disso, senhor.

Bom dia, Sr. Fogg.

Hoje, o eglefim est� divinal.

- Mas n�o exagere no molho, Wilson. - Sim, senhor.

V�, continue. E depois, o que aconteceu?

As notas estavam empilhadas, na minha secret�ria.

- Virei costas por um segundo... - Virou costas?

E as notas desapareceram!

Lembra-se do aspecto do sujeito?

Bem... estava vestido como um cavalheiro.

Muito bem.

McBaines, interrogue todos os funcion�rios que estavam no banco

na altura do roubo.

Sim, senhor. Vou informar a Scotland Yard.

A Scotland Yard? Uns incompetentes! Acha que vou confiar neles?

- N�o, senhor. - Vamos contratar gente nossa.

- Sim, senhor. - Preste bem aten��o,

isto � um esc�ndalo terr�vel.

Quero que o criminoso seja apanhado ainda esta semana.

- Percebeu? - Perfeitamente, senhor.

Um minuto e seis segundos.

Vai chegar � hora certa.

O que � que o Fogg faz na vida, exactamente?

Ningu�m sabe. Mas n�o tem um cargo p�blico.

Acho que viajou muito. Parece conhecer v�rias partes do mundo.

Uma coisa � certa em rela��o a ele. Vai fazer amanh� aquilo que fez hoje.

Meus senhores, creio que s�o seis horas.

Vamos come�ar?

Boa noite.

Se bem se lembra, na sexta-feira acordou-me �s 08:07.

No domingo, o ch� da manh� estava t�pido.

Hoje, como sabe, a temperatura do banho n�o estava a contento.

Nessa medida, ap�s aturada pondera��o,

lamento inform�-lo que vou dispensar os seus servi�os

a partir de amanh� de manh�, �s 09:00 em ponto.

Senhor...

H� coisas que s�o imperdo�veis, Forster.

Como � �bvio, receber� o equivalente a duas semanas de sal�rio.

O senhor � muito generoso.

N�o me agrade�a, Forster. N�o me agrade�a.

Bonjour, Mademoiselle. Esta morada...

� ali.

Bonjour, Monsieur. Permita que me apresente.

Jean Passepartout, ao seu dispor.

Sim? O que deseja?

Vim responder ao an�ncio onde era pedido um criado.

- � franc�s? - Oui.

Bem... veremos.

Alguma vez trabalhou como assistente?

Aqui est�o as minhas refer�ncias.

- � solteiro, presumo. - Sim, senhor.

- Quem foi o seu anterior patr�o? - Napole�o III.

Servi-o fielmente na corte imperial, Monsieur,

antes da queda do II Imp�rio. - N�o me diga.

Sou um admirador da vossa monarquia, Monsieur.

Viva a Inglaterra!

Sim... Bem, n�o sou Napole�o III,

mas tenho alguns preceitos b�sicos que devem ser seguidos...

Eu sei.

Desejo apenas poder servir um cavalheiro sossegado,

de h�bitos rigorosos, mas amenos, num ambiente tranquilo.

Adoro a vida pacata.

Permita-me que lhe pergunte, que horas tem?

S�o exactamente dez horas, Monsieur.

A partir deste momento, est� ao meu servi�o, Passepartout.

Merci, Monsieur.

Obrigado. Aqui est� uma lista das suas tarefas.

A prop�sito, o seu rel�gio est� um minuto adiantado.

O senhor.

- Sr. Fix. - Detective Fix, se n�o se importa.

Siga-me, por favor.

O Detective Fix, senhor.

- J� foi informado? - Sim, senhor.

E prezo-me de conhecer a fundo os meandros da mente criminosa.

Se me confiar esta miss�o,

estou disposto a calcorrear os quatro cantos do mundo

� procura deste bandido.

- Brindisi. - Sim... Perd�o?

Estou a enviar detectives para os principais Portos da Europa

e das Ilhas Brit�nicas. O senhor ficar� aqui, na It�lia.

Na It�lia?

Vai vigiar atentamente todas as partidas e chegadas.

Aceito o desafio, senhor. Sei falar a l�ngua... um pouco.

Duas mil libras para o homem que o capturar.

- Duas mil libras...? - Pode ir, Fix.

Pode contar comigo, senhor!

Uma vergonha para a Rainha e para o Imp�rio!

N�o exagere. Havemos de recuperar o dinheiro.

Recuper�-lo? Como?

Quem assalta o Banco de Inglaterra n�o se deixa apanhar facilmente.

N�o precisa de me dizer isso.

Lembre-se que sou um dos directores do Banco de Inglaterra.

Mas digo-vos uma coisa. O assaltante � um cavalheiro.

Chama cavalheiro a algu�m que rouba 55 mil libras?

Meus senhores, por favor. Podemos continuar a jogar?

A vaza � sua, Sr. Ralph.

Desculpe.

Este ladr�o deve ser bastante astucioso.

Acho que vai conseguir escapar.

N�o tenho essa certeza.

N�o h� um �nico pa�s no mundo onde ele possa estar em seguran�a.

O mundo � bastante grande.

- Era. - Disse alguma coisa, Fogg?

Foi grande, outrora. Podemos continuar a jogar?

Foi outrora?

Acha que o mundo est� mais pequeno?

Ele tem raz�o.

Hoje em dia, podemos dar a volta ao mundo em seis meses.

80 dias.

- Perd�o? - Em 80 dias.

N�o diga isso, Fogg. S� pode estar a brincar.

Todos sabemos que houve avan�os nas locomotivas e nos barcos a vapor,

mas h� que ter em conta os naufr�gios,

as tempestades, os descarrilamentos e por a� adiante.

- Est�o inclu�dos. - Senhor!

Em teoria, penso que � poss�vel, mas na pr�tica, nem pensar.

80 dias.

Nunca, senhor. Imposs�vel!

80.

Muito bem.

Pela minha parte, estou disposto a apostar...

...dez mil libras

em como uma tal viagem n�o pode ser realizada nesse espa�o de tempo.

- Vai perder, senhor. - Nunca na vida!

Se acha que � poss�vel,

desafio-o a tentar, senhor.

Est� a sugerir que fa�a uma viagem ao mundo em 80 dias, Sr. Stuart?

Exactamente, senhor.

Pois saiba, caro senhor, que nada me daria mais prazer.

Meus senhores, isto � um absurdo! Porque n�o continuamos o jogo?

Meu caro Stuart, n�o percebe que foi apenas uma brincadeira?

- Ele n�o est� a falar a s�rio. - Estou, sim.

�ptimo.

Neste momento, tenho depositadas...

...30 mil libras no Baring's Bank

e estou disposto a apostar toda esta quantia.

30 mil libras? C�us!

Meu caro amigo, podia perder tudo face a um atraso imprevisto.

Sr. Flanagan, o imprevisto n�o existe.

Pense bem. Vai andar a saltar de comboio para barco a vapor

para sabe Deus o qu�, at� cair para o lado!

Vamos acabar com isto agora. E uma p�ssima brincadeira.

Um verdadeiro ingl�s nunca brinca com algo t�o s�rio como uma aposta.

Se mais algu�m acreditar no meu fracasso, pode pronunciar-se.

80 dias?

920 horas ou 115200 minutos.

- Por Deus...! - Ou ainda menos.

Aposto o mesmo que o Stuart, Fogg.

- Dez mil libras. - E eu tamb�m.

Muito bem.

- Acham que podemos continuar? - Quando pretende partir?

O comboio para Dover parte de Charing Cross, �s 21:00.

- Partir� ainda esta noite? - Obviamente.

E regressarei a esta mesma sala, �s 21:00, daqui a 80 dias.

Ou ainda menos.

O meu cheque do Baring's Bank ficar� aqui durante a minha aus�ncia.

Ou�a, Fogg, n�o queremos que fique em desvantagem.

Estamos dispostos a interromper o jogo

para que possa ir tratar dos preparativos para a viagem.

Interromper o jogo?

Mas porqu�?

Recordo-vos que o trunfo � ouros.

Tenha a bondade de jogar.

- Prepare-se para partir. - Partir, Monsieur?

Imediatamente.

Perd�o, Monsieur, disse "partir"?

Dentro de 20 minutos.

- Vai fazer uma viagem? - Vamos apanhar o comboio para Dover.

- Para Dover? - E da�, � volta do mundo.

O mundo... � volta do mundo, Monsieur?

Em 80 dias. Ou ainda menos.

Vamos levar arcas, Monsieur?

Arcas, n�o. Apenas esta mala de m�o.

Duas camisas, dois pares de cal�as e tr�s pares de meias para mim

e o mesmo para si.

Vamos comprando o que precisarmos no caminho.

Os seus sapatos s�o resistentes? Podemos ter de caminhar bastante.

Como partimos daqui a 19 minutos, sugiro que v� fazer as malas.

Estou pronto, Monsieur.

Aqui est� o itiner�rio.

Levaremos 20 mil libras connosco.

N�o...

Mais vale levar tudo.

Cuide bem disto.

Guardarei o dinheiro com a minha vida, Monsieur!

Jean! Jean!

Madelaine!

N�o me deixes sozinha!

DOVER, INGLATERRA

PARTIDA ATRASADA

Chamo-me Phileas Fogg e este � o meu assistente, Passepartout.

Exijo saber o motivo do atraso na partida.

H� 28 anos que fa�o a travessia do sanai.

Apenas uma vez na vida vislumbrei um tal raio de sol.

E atreve-se a pedir-me que a ponha em terra?

Nunca!

Garanto-lhe que n�o a incomodarei. Em nenhuma circunst�ncia.

- Posso perguntar quem... - N�o revelei a sua identidade

a nenhum dos passageiros que estava a bordo.

Ela assim o quis.

Os seus passageiros de Calais j� desembarcaram.

Monsieur, por certo pode confiar em n�s.

Sarah Bernhardt.

Mon Dieu! N�o acredito!

Eu pr�prio a acompanhei � nossa melhor cabina, "La Celeste".

E � l� que ficar� at� decidir desembarcar.

Comandante, o Capit�o do porto deseja falar consigo.

Tenha paci�ncia, Monsieur Fogg. Havemos de partir.

Se n�o for hoje, ser� amanh�.

Presumo que esta mulher seja uma pessoa importante.

Ser� poss�vel que nunca tenha ouvido falar dela, Monsieur?

Da grande Sarah Bernhardt?

Bernhardt... Da �pera?

Do teatro, Monsieur! � a maior actriz do nosso tempo.

De todos os tempos!

A divina Sarah Bernhardt!

� francesa, obviamente.

Vamos ver se a consigo apressar.

Apress�-la?

Apress�-la, Monsieur?

N�o, Monsieur!

Pe�o-lhe que n�o a incomode, Monsieur! N�o!

� aqui mesmo.

Como franc�s, n�o o posso permitir!

N�o diga disparates.

Como ser humano, Monsieur, jamais de la vie!

Passepartout, lembro-lhe que se encontra ao meu servi�o,

e, enquanto assim for, dever� cumprir as minhas ordens.

Afaste-se!

Mon Dieu! Ela est� a tomar banho!

- Temos de sair imediatamente! - Que disparate.

Ol�...

Bom dia.

Monsieur, por favor, a toalha...

O senhor � muito gentil. E ingl�s, n�o � verdade?

Oui... Ou melhor, sim. Sou ingl�s, se � isso que quer saber.

Um horror! N�o imagina como Paris est� horrorosa, nesta altura.

Uma revolta popular... Chamam-lhe a Comuna de Paris.

Eu chamo-lhes communard... � uma pena. Estou estafada.

Seja como for, agradecia-lhe que desembarcasse imediatamente.

- Desembarcar? - Tem uma carruagem � sua espera.

Sim, claro.

Monsieur,

tenha a gentileza de me servir um copo de vinho.

Pretende desembarcar em Franca numa altura destas?

O meu tempo urge, senhora.

Fique � vontade, Monsieur.

Vamos discutir o assunto.

Tem um rosto muito interessante, Monsieur.

Aproxime-se um pouco mais.

Oui...

Os olhos... A curva dos l�bios...

Perd�o, minha senhora, mas pe�o-lhe que se apresse.

A Fran�a n�o foge, Monsieur.

Mas n�s os dois... Foi o destino que nos uniu.

Vamos desfrutar de uma tarde sossegada.

- S� n�s os dois. - Pe�o imensas desculpas.

Porque tem de ser t�o ingl�s?

Que compromisso � esse que requer tanta urg�ncia?

Vou dar uma volta ao mundo.

O mundo, deveras.

Nesse caso, deve ter todo o tempo do mundo.

- 80 dias. - Perd�o?

Fiz uma aposta. 80 dias. Nem um segundo a mais.

Mas que panorama t�o sinistro.

Talvez agora perceba a minha pressa em deixar Dover o mais cedo poss�vel.

N�o percebo nada, Monsieur.

Nada, excepto...

Merveilleux...!

Sem d�vida, a curva dos l�bios...

Que pena... Que desperd�cio.

Nunca compreenderei os ingleses.

BRINDISI, IT�LIA

Buon giorno.

Gostaria de saber se, quando o criminoso aparecer aqui,

o Governo italiano est� disposto a det�-lo para extradi��o.

N�o, Signore, j� lhe disse. Isso � imposs�vel.

N�o temos uma descri��o do sujeito, n�o temos nada.

Niente. Nem sequer um mandado de captura.

Sim, eu sei. Quero apenas uma garantia de coopera��o

para quando ele chegar a Brindi. - Pronuncia-se Brindisi.

Ao s�tio onde estamos! Eu sei o que disse.

- Pedirei o mandado via tel�grafo. - Como sabe que ele vir� para aqui?

Sei que sim. Ele pode ser astuto, pode ser terrivelmente astuto,

mas h�-de chegar a altura em que vai perceber

que o Detective Fix est� sempre um passo � frente.

Onde pensa que ele est� agora? Em Franca?

Em Fran�a, hoje? N�o.

S� se fosse louco.

Nem o ladr�o de bancos mais inepto pensaria em entrar em Fran�a hoje.

N�o, uma coisa � certa, ele n�o est� em Franca.

ARREDORES DE PARIS

- Monsieur, viu aquilo? - O qu�?

Ele voltou a olhar para o rel�gio.

Est� a preparar alguma. Tenho a certeza.

Diz que s�o a Brigada Victor Hugo da Comuna de Paris

e que v�o apreender o comboio.

Vive la Commune de Paris! Vive Paris! Vive la France!

Monsieur, n�o sei como dizer isto,

mas se insiste em entrar em Paris, teremos de seguir a p�.

Sim, compreendo.

Bem, vamos andando?

BOLETIM DE PROGRESSO DA VIAGEM DE PHILEAS FOGG

Senhores jornalistas, por favor!

Temos alguns membros na biblioteca que est�o a tentar ler!

Um pouco de respeito, por favor.

Acho que j� vos transmitimos todas as informa��es de que dispomos.

O Sr. Phileas Fogg, um dos nossos ilustres membros,

decidiu empreender uma viagem que...

Bem, ao que parece, despertou a curiosidade dos londrinos.

Decidimos fixar as apostas, para benef�cio dos nossos membros.

Como v�em, as probabilidades est�o 20 para um a desfavor do cavalheiro.

Onde est� ele neste momento?

Temos aqui aquilo a que cham�mos "Di�rio Fogg".

Uma linha vermelha vai tra�ar todo o percurso confirmado da viagem.

S� temos confirma��o de que chegou a Dover.

Como todos concordar�o, Fogg n�o tem a m�nima hip�tese.

Contudo, se um feito desta envergadura

puder um dia ser realizado,

nesse caso, por Deus, que seja realizado por um ingl�s!

V�, chegue-se � frente.

- Ningu�m lhe vai morder. - Sim, senhor.

Ao que parece, tem informa��es importantes para n�s.

Ele estava l�. Eu vi-o!

No banco, quando roubou as notas!

- Viu quem? - Ele, o Fogg!

- O homem do jornal! - O Fogg?

Vi a fotografia dele no "Standard".

Tenho a certeza que � ele. O que vai dar a volta ao mundo!

Phileas Fogg? O cavalheiro do Reform Club?

Esse mesmo! Posso at� jurar!

- Achei melhor avis�-lo. - O Fogg?

Por Deus, senhor, tudo se encaixa.

Um "cavalheiro" rouba 55 mil libras do Banco de Inglaterra

e, sob o pretexto de uma aposta,

faz uma viagem � volta do mundo para despistar a Pol�cia!

Envie uma fotografia do Fogg para todos os detectives em campo.

- � para j�, senhor. - O homem � mesmo esperto.

Deve andar � procura de uma villa no Mediterr�neo

para poder acabar os seus dias rodeado do maior luxo.

O que estou a fazer aqui?

- Deve ser aqui, � direita. - O qu�?

- Thomas Cook & Son. - Cook? Cook?

A ag�ncia de viagens. E aqui mesmo.

Diz aqui que est�o fechados at� nova ordem, Monsieur.

Deveras?

Ao menor ind�cio de agita��o, decidem fechar a porta.

Devo confessar que estou um pouco desiludido.

Muito bem, temos de seguir caminho.

Para onde, Monsieur?

N�o compreendo, Monsieur.

J� estamos atrasados e vimos sentar-nos num caf�?

- Estamos aqui por uma raz�o. - Estamos?

Diz-me a experi�ncia, que as informa��es mais fi�veis

podem ser sempre obtidas junto do barman local.

Diga-lhe que pagamos qualquer meio de transporte que nos tire de Fran�a.

E sublinhe o car�cter de urg�ncia...

...com uma pequena aten��o. - Vou tentar, Monsieur.

Posso fazer-lhe companhia?

Perd�o, minha senhora, n�o falo uma palavra de franc�s.

Mas o senhor � um belo homem!

Acredito que podia agradar-lhe muito.

Acha que n�o sirvo?

Est� a insultar-me!

Se n�o se importa, prefiro ficar sozinho. Sozinho!

- Ingl�s! Voc� insultou-a! - N�o, de todo.

D�-lhe 20 francos pela sua insol�ncia!

Nem um franco, caro senhor. Est� fora de quest�o.

Pardon, Monsieur. Sou o criado deste cavalheiro.

Posso perguntar porque o agrediu?

Meu caro senhor!

Sou levado a pensar que h� aqui um mal-entendido!

50 francos! 50!

Monsieur, proponho que partamos imediatamente.

J� falou com o barman a prop�sito do transporte?

- Oui. - Ent�o, est� bem.

Depressa, Monsieur.

Obrigado, senhor. Devo salientar, contudo,

que a sua freguesia deixa muito a desejar.

Vamos por aqui.

Deixe-me dizer-lhe, Passepartout, os franceses s�o muito estranhos.

J� reparou no tratamento que estamos a ter em Paris?

- � escusado. - Escusado?

- Tudo isto! - Obteve as informa��es?

- Oui. - �ptimo. O que disse ele?

- Que n�o h� sa�da poss�vel. - Como assim?

N�o h� transportes para entrar ou sair de Paris.

Nada! Nada, Monsieur!

Tenha calma, meu caro. Com licen�a.

Outra vez!

Teremos de pensar numa solu��o.

A minha Madeleine bem me avisou!

Ela disse-me para arranjar um emprego calmo,

numa resid�ncia sossegada, junto de um cavalheiro recatado...

- Aqui est� ele! Veja! - Signore...

Conseguimos identific�-lo. Tem a� uma fotografia e o nome.

- Est� nas minhas m�os. - Fogg. Phileas Fogg.

- N�o parece muito perigoso. - Nunca parecem.

Pelo menos, os mais astutos. Temos de os desmascarar.

Reconhe�o que, por vezes, pode ser uma tarefa dif�cil,

mas, e digo-o com toda a mod�stia,

sou um mestre nessa t�cnica.

Meus senhores! Preciso da vossa ajuda!

Foi ferido na cabe�a. Tenham muito cuidado, por favor.

Ele � meu criado.

Isso mesmo... � franc�s, tal como voc�s.

Tenham muito cuidado, senhores.

A� em baixo, n�o! � s� na cabe�a!

Sim, eu compreendo, mas...

Afastem-se. Saiam daqui.

Saiam imediatamente!

Perd�o, Monsieur, n�o falar franc�s...

Infelizmente, o meu ingl�s tamb�m n�o � muito bom,

mas vamos tentar.

- O senhor � m�dico? - N�o exer�o medicina,

mas fa�o investiga��o m�dica.

Uma bala raspou-lhe a cabe�a. Ele vai ficar bom?

� uma pequena contus�o. Penso que n�o � nada de grave.

- O que o trouxe a Paris? - Estou apenas de passagem.

Estou a viajar pelo mundo.

Vou fazer uma volta ao mundo em 80 dias.

- 80 dias! - Ou ainda menos.

Imposs�vel, Monsieur!

Reconhe�o que estamos a ter um in�cio atribulado no vosso pa�s.

O que o levou a fazer tal coisa?

Uma aposta, senhor. E a minha palavra de honra.

As apostas s�o meras quest�es de dinheiro, Monsieur,

mas temo pela sua honra.

Acredita no destino?

N�o posso dizer que acredito. Porqu�?

Posso muito bem ser o instrumento da sua salva��o.

Desculpe, mas pode ser mais preciso?

Um colega meu, um g�nio da ci�ncia,

est� a trabalhar num aparelho que funciona a g�s.

Com uma enorme pot�ncia.

Um aparelho capaz de transportar pessoas?

� esse o objectivo.

Um motor a quatro tempos ligado a um ve�culo muito peculiar.

Pode ter o privil�gio de realizar o primeiro teste.

- Quer dizer que nunca foi testado? - N�o.

Porqu�?

Para ser sincero, nunca houve volunt�rios.

� apenas um prot�tipo,

mas pode ser o meio de transporte de que precisa.

- Ele vive em Paris? - Nos arredores, em Proven�a.

N�o � muito longe. Ele chama-se Lenoir.

Se quiser, posso dar-lhe indica��es.

Sim, por favor. Digo que vou da parte de quem?

Pasteur. Louis Pasteur.

Au secours!

Onde estou?

- Sente-se bem? - � apenas um galo na cabe�a.

Monsieur Lenoir?

- Monsieur Lenoir? - Oui?

Perd�o, eu...

Em que posso ajud�-lo?

Estou interessado no seu motor a quatro tempos.

Talvez possa esperar um pouco. E que estou ocupado...

Sim, claro.

- E ent�o? - Vamos ver a propriedade.

- Mon Dieu! O que � isto? - Mas que estranho...

Aqui est�.

C�us!

J� viu isto?

Ao que parece, cada v�lvula tem um ciclo a quatro tempos.

Extraordin�rio!

E isto?

- H� aqui umas tubagens. - Curioso...

Veja, Monsieur, o tubo est� ligado � carpete.

Au secours, Monsieur!

Socorro!

Incr�vel!

- Sabe que mais, Passepartout? - Oui?

Come�o a compreender estes mecanismos.

Vouleurs!

Ele pensa que somos ladr�es! Attendez! Ne tirez pas!

- O que lhe disse? - Disse-lhe para n�o disparar!

- Queriam roubar-me, gatunos? - N�o era essa a minha inten��o!

Fomos enviados por um amigo seu.

- Quem? - Pasteur.

Sim, Louis Pasteur.

Desculpem.

Disse-me que talvez quisesse testar este... Como se chama o aparelho?

Le nuage de pourpre.

Le nuage de pourpre.

Ele disse Le nuage de pourpre.

Sim.

A nuvem p�rpura.

- At� onde acha que nos pode levar? - At� onde quiserem.

- At� ao Mediterr�neo? - Claro que sim!

Querem v�-lo? Venham da�!

Cuidado... Por aqui.

Voil�!

Entrem, entrem!

Mais confort�vel, imposs�vel.

- O motor est� preso � cabina? - Exactamente. Aqui.

J� tive in�meras discuss�es com o Conde Ferdinand Von Zeppelin.

- Zeppelin? - Um alem�o.

Obviamente, nunca est�vamos de acordo.

Por isso, segui em frente com o meu pr�prio Motor Lenoir.

Perd�o, Monsieur, est� a querer dizer...

Esta coisa voa como um bal�o?

Um bal�o? Est� a insultar-me?

Para que serve um bal�o? N�o consegue pilotar um bal�o.

Os bal�es voam ao sabor do vento.

V�o para onde querem ir, n�o para onde queremos que v�o.

- Dev�amos pensar melhor... - Aqui, no Le Nuage de Pourpre,

pode voar at� ao fim do mundo. Est� sempre sob o seu comando.

N�o vou engan�-lo. Devemos deixar a Fran�a o mais depressa poss�vel.

Eis o meu cart�o. Sou membro do Reform Club e prometo o seguinte:

Se permitir que testemos a sua aeronave,

enviarei um relat�rio da viagem para a Royal Geographic Society

conferindo-lhe todo o m�rito do �xito que possamos alcan�ar.

Neg�cio fechado, Monsieur.

Porque nunca testou a Nuvem P�rpura?

� uma boa pergunta. Mas � muito simples.

Perdoe a imod�stia, mas uma mente como a minha,

a mente de um g�nio da ci�ncia, deve ser preservada a todo o custo,

a bem de toda a Humanidade. - Ou seja, n�o � segura.

Muito bem.

Estupendo, muito bem. �ptimo, deveras.

- D� uma volta. Funciona. - Muito bem.

Esta alavanca para cima e esta para baixo... Certo?

Pe�o desculpa...

- Posso experimentar? - Oui, oui, Monsieur.

Depressa! Soltar amarras!

Depressa!

Suba a bordo, depressa!

O que faz a�, Passepartout? Venha c� para dentro, imediatamente!

Afaste-se, Monsieur!

Afaste-se! Afaste-se!

Bravo! Muito bem, Passepartout! Boa malha!

- Sugiro que feche a porta. - Sim, claro.

Est� a voar!

Adeus, caro senhor! Adeus!

Est� confirmado. Nem sinal dele em Paris.

J� leva dias de atraso.

- O que foi? - Ela...

Quem?

Acho que adormeci, Monsieur.

N�o quero parecer rude, mas coloca-nos numa situa��o prec�ria.

Prec�ria? O que quer dizer "prec�ria"?

Adoro viajar...

- O peso. - O peso?

O peso adicionai vai colocar-nos em perigo. Os Alpes.

N�o vamos conseguir atravessar os Alpes?

� um risco que n�o podemos correr.

Ele tem raz�o, Madame.

� uma pena perder uma companhia t�o encantadora,

mas teremos de a largar. - Largar-me?

� imposs�vel, Passepartout.

Vamos ter de seguir em frente.

Que estranho... Parece que perdemos pot�ncia.

Tenha calma, Monsieur. Vamos cair e talvez morrer.

Mas ningu�m vive para sempre. Oui?

Monsieur, aterr�mos num Alpe!

- � poss�vel. - Aterr�mos mesmo!

- Monsieur? - Deveras.

Se me permite a pergunta, deveras, o qu�, Monsieur?

� muito simples. Elementar.

- Sabe o que se passa? - E b�sico.

� uma quest�o de consumo de combust�vel.

Acabou-se o combust�vel?

Ao que parece, os c�lculos de Lenoir estavam errados.

Preciso de tomar nota disso no meu di�rio.

- Meu Deus! Acabou-se o combust�vel! - Receio bem que sim.

Estamos perdidos! � o nosso fim!

Estamos presos!

Estamos encurralados nos Alpes!

Vamos morrer!

O Fogg n�o d� sinais de vida.

N�o se pode esconder para sempre.

E voc� verificou os mesmos s�tios, dia ap�s dia,

vezes sem conta.

� a rotina que faz um grande detective.

Tem sido toda a minha vida... esta rotina.

Toda a minha vida, n�o.

A minha vida � a minha Millie.

A sua Millie?

Mildred Hapsworth.

Vamos casar-nos com o dinheiro da recompensa.

Sim, construir uma casinha perto de Maidstone.

- Os meus p�sames, Signore. - Muito obrigado.

Mas tem sido um osso duro de roer. Custa-me a acreditar.

- Em qu�? - Que ele ainda esteja em Fran�a.

Acho que a Comuna de Paris n�o ia segurar um homem daqueles.

Acho que partiu para outro lugar...

...e que nos passou a perna. Sim, passou-nos a perna.

O qu�?

Acalme-se, por favor!

- Pe�o desculpa. - Tenha calma.

Se lhe pudesse p�r as m�os em cima, s� uma vez... Bastava uma vez.

Sentir-me-ia melhor...

Monsieur, se n�o se importa...

Estou a ficar gelado. Posso abrir o Brandy?

O Brandy, por favor.

- Quer mais um pouco? - Quero a garrafa.

- A garrafa inteira, Monsieur? - Sim.

Se me permite a sugest�o, acho que a dev�amos fazer render.

D�-me a garrafa!

O que vai fazer?

Monsieur!

N�o...!

Meu Deus...

Para tr�s.

Foi tudo... N�o ficou uma gota.

J� n�o h� mais Brandy. Isto � uma loucura.

Porque fez tal coisa, Monsieur?

Estamos no cimo de um Alpe sem uma gota de Brandy.

- D�-me um empurr�o. - Um empurr�o? Quer um empurr�o?

Vou contar at� tr�s. Um, dois, tr�s...

Empurre! Empurre!

Depressa, Passepartout! Depressa!

Aconte�a o que acontecer � Nuvem P�rpura, Monsieur,

deve haver uma maneira mais f�cil de descolarmos.

- Veja, Monsieur, Bolonha. - O que foi?

Precisamente 103 horas e meia at� este momento.

Quase que recuper�mos todo o tempo perdido.

- � um milagre! - Nada disso.

Daqui a 31 minutos devemos estar a sobrevoar Roma.

Em seguida, mais uma hora at� Brindisi,

onde apanharemos o vapor at� Suez e Bombaim.

E depois, creio que...

O Brandy, por favor.

Acabou.

Perdemos o controlo!

- Vamos despenhar-nos! - Deveras!

Preciso de apontar o tempo exacto.

Mon Dieu! Vamos bater!

Vejam como � bonito...

- Est� bem, Monsieur? - Sim.

Chi siete? Cosa e questo?

Che fate qui?

Parlate italiano?

Obrigado, meus senhores. Muito obrigado. Bom trabalho.

Buon giorno, signore.

Passporto, per favore.

Sim, claro, o meu passaporte. Aqui est�.

- Siete inglese? - Sim, sou ingl�s.

Tem algo a declarar?

Para ser sincero, nada.

Fizemos uma viagem estupenda nesta aeronave fant�stica

e gostaria de lhe confiar o relato dessa viagem

e pedir que o encaminhasse para a Royal Geographic Society de Londres.

Devo inform�-lo que devassou um monumento nacional.

Mil perd�es. Pode indicar-me o caminho da estac�o ferrovi�ria?

Devo dar-lhe voz de pris�o.

- Quantos s�o? - Dois.

Temos ainda uma passageira que est� agora a comer qualquer coisa.

Uma mulher?

Como pod�amos ter reservado? Descemos agora do comboio!

Ou�a, deve ter qualquer tipo de alojamento dispon�vel.

Todas as cabinas para Bombaim est�o reservadas.

- A menos que... - Sim?

Esteja disposto a partilhar um camarote.

- Com quem? - Com sete pedreiros eg�pcios.

Sete?

Em apenas um camarote, Monsieur? Nove pessoas?

Serve perfeitamente.

- Obrigado. - Obrigado.

O seu navio, o "Mongolia", parte dentro de 15 minutos.

�ptimo. Tenha um bom dia.

- Como se chama aquele homem? - Signore?

O ingl�s que comprou uma passagem para o "Mongolia"!

N�o posso revelar os nomes dos passageiros.

J� viu um cart�o destes? Fix. Detective Wilbur Fix, em miss�o.

Chama-se Fogg. Phileas Fogg.

Tem de o deter!

- O navio vai zarpar, Signore. - Interrompa a partida!

� propriedade da Companhia Peninsular e Oriental.

N�o temos autoriza��o para o deter. seja por que motivo for.

- Ent�o, d�-me uma passagem! - Lamento, Signore, est� cheio.

Sabem quem � aquele? E um criminoso internacional!

N�o tenho nada, Signore.

A menos que queira partilhar alojamento com um "torco".

O que � um torco? Esque�a o torco! Ponha-me a bordo do navio!

Quero enviar um telegrama para Inglaterra.

- Pode ditar, Signore. - Quero um mandado de captura.

- Que o enviem para Suez. - S�o 600 liras, por favor.

- Pelo telegrama? - E pelo bilhete para o vapor.

Pelas duas coisas? � um pre�o razo�vel.

600 liras... Pode ficar com o troco.

Grazie, Signore. E melhor despachar-se.

Sim, tem raz�o.

Aqui em baixo?

Isto?

O caminho todo? Isto?

� pequeno, concordo.

Mas � adequado.

Acompanhe-me, por favor.

- Camareiro? - Sim?

Estamos no por�o. Deve haver um engano, n�o?

N�o, senhor.

Vai partilhar a cela com o prisioneiro Mustafek.

Prisioneiro?

Se precisar de algo, Signore, estarei ao seu dispor.

Camareiro!

Boa tarde.

Percebeu? �ptimo. Muito bem.

Escondam as cartas contra o peito, n�o as mostrem.

Vamos continuar.

O trunfo � espadas.

Esta vaza � do Sr. Abbisid.

Percebeu?

Com a sua licen�a, Sir Forbes. O caso Fogg.

E ent�o?

O nosso contacto informou-nos

que o Sr. Phileas Fogg aterrou algures em It�lia.

- Como conseguiu fazer isso? - Foi uma situa��o bizarra.

Ao que parece, emergiu de um enorme objecto roxo.

O que est� para a� a dizer?

Ao que parece, emergiu de um enorme objecto roxo

que foi avistado no c�u por milhares de pessoas em toda a It�lia.

Esque�a isso. Envie um mandado de captura em nome de Phileas Fogg

para o nosso detective em Brindisi, o Hicks.

- Fix. - � igual.

Temos pena de o deixar, Sr. Fogg.

Est� escrito que deixar um amigo

� deixar uma parte de n�s pr�prios para tr�s.

Muito obrigado, meus senhores...

Chamo-me Commarty. Principal ge�grafo de Calcut�.

Se quiser saber algo sobre a �ndia, basta perguntar.

Phileas Fogg. E muito simp�tico da sua parte.

Mas h� uma coisa que os indianos n�o sabem fazer, um Brandy decente.

- Franc�s? - � o melhor.

Mas j� provei o Brandy de Bombaim. Santo Deus, fiquei escarlate!

Era vis�vel a 30 quil�metros de dist�ncia!

Desaparece daqui!

Desculpe, vai desembarcar em Suez?

N�o. Porqu�?

� uma cidade fascinante. Adorava fazer-lhe uma visita guiada.

- Fica para a pr�xima. - Vejo que n�o � o vosso destino.

N�o, n�o.

Para onde v�o ent�o, se me permite a pergunta?

Vamos dar a volta ao mundo.

Em 80 dias.

Acho que foi uma aposta.

Uma aposta? Tem a certeza que � apenas isso?

O que quer dizer com isso?

N�o quero dizer nada. H� lojas espl�ndidas aqui.

Posso ajudar-vos, se quiserem comprar alguma coisa.

Camisas. Precisamos de mais camisas.

- Camisas? - Partimos � pressa.

- Trouxe apenas uma mala de m�o. - Partiram � pressa, foi?

Posso perguntar-lhe h� quanto tempo est� ao servi�o do cavalheiro?

H� poucos dias.

� um senhor muito rico, n�o �?

N�o me compete saber isso a respeito do Sr. Fogg, Monsieur.

- D�-me licen�a. - Com certeza.

Deus do C�u! � ela!

N�o h� d�vidas quanto a isso!

O que foi?

� Madame Sarah Bernhardt.

C�us! Ela vem para aqui?

Uma mulher no Reform Club?

Ela n�o se atreveria!

- Perd�o, minha senhora... - Bonjour, Monsieur.

Como � emocionante estar junto de cavalheiros t�o distintos.

E pensei que gostariam de saber que tive o privil�gio

de passar muitas horas encantadoras

com o vosso corajosos Sr. Fogg

no meu camarote, no barco que faz a travessia do sanai.

Partilh�mos momentos inesquec�veis.

Implorou-me que o acompanhasse na viagem � volta do mundo,

mas a minha agenda n�o o permitiu.

Madame, acredita que ter� �xito?

Meus senhores...

Nunca conheci um homem

cuja determina��o igualasse a de Phileas Fogg.

Trato-o por Phileas.

Estou convencida que nada se interpor� no seu caminho.

E � por isso que aqui estou.

Para fazer uma aposta.

20 mil libras.

Mas, minha senhora, vai alterar as probabilidades sobremaneira.

A minha confian�a � inabal�vel.

Um homem que � capaz de entrar nos aposentos de uma senhora sem...

Meus senhores, um brinde!

Ao meu ador�vel e encantador Phileas Fogg!

N�o pretende ficar em Bombaim?

N�o, vamos seguir de imediato para a esta��o ferrovi�ria.

O expresso de Calcut� parte dentro de... Vejamos...

- 42 minutos. - Co'a breca! Vou no mesmo comboio.

- Dividimos um transporte? - E uma espl�ndida ideia.

Vamos por aqui.

Tem a certeza que n�o recebeu um telegrama?

- N�o recebi nada! - Enviei um telegrama de Suez!

J� lhe disse que n�o recebemos nenhum mandado de captura.

- Ent�o, emita um! - Com que autoridade?

- Com a minha autoridade! - Pedido recusado.

N�o percebe ingl�s?

Neste momento, ele est� na estac�o ferrovi�ria!

Eu preciso...! Preciso de um mandado.

Se e quando o mandado chegar a Bombaim, poderei ajud�-lo.

J� ser� tarde! T-a-r-d-e!

Vim de muito longe para isto.

- Estou muito perto... - As minhas condol�ncias.

Tenho um comboio para apanhar. Com licen�a!

- Qual � o expresso de Calcut�? - Ali.

� aquele? Obrigado.

- O bilhete? - Compro um bilhete no comboio!

N�o tenho tempo... J� viu o que fez?

J� se foi embora! Partiu sem mim!

Apanhe o Vestra local, Sahib. Vai por um caminho diferente.

Vai chegar a Calcut� 12 horas antes do expresso.

O comboio local chega 12 horas antes do expresso?

�ndia...

Onde est� ele? � por aqui?

Paus. �s de paus. Esta vaza � minha, meus senhores.

Rothal! Rothal! Fim da linha! Todos l� para fora!

O que significa isto? Porque par�mos?

- Fim da linha. - Estamos no meio do nada!

Faltam construir 80 quil�metros de carris at� Allahabad,

onde recome�a a linha. Ter�o de arranjar transporte at� Allahabad.

Deveras? Muito curioso. Chamam a isto o expresso de Calcut�?

Ser� um dia, Sahib, quando a linha estiver constru�da.

N�o, n�o! Saia daqui!

- Tocou-lhe? - N�o.

� Kali, a deusa da morte dos tugues. Dizem que atrai o azar.

- Os tugues? - Vamos entrar em territ�rio Tugue.

Costumavam estrangular as v�timas em homenagem � deusa.

- Deus do C�u! Mas isso j� acabou. - O Governo Brit�nico p�s fim a isso.

Passepartout!

Aqui! Estou aqui em cima!

N�o � lindo? Chama-se Kiouni.

N�o � poss�vel alug�-lo, mas pode compr�-lo por 6 libras.

- E o guia � gr�tis. - Compr�-lo?

Para que raio haveria eu de querer um elefante indiano? Que disparate!

Foi simp�tico da sua parte dar-me boleia, Fogg.

- O que se passa? - Mujeni Paka!

- O que disse ele? - Disse que n�o sabia.

N�o podemos fazer o paquiderme andar outra vez?

- O que lhe parece? - N�o fa�o a m�nima ideia, Fogg.

Vamos esperar aqui.

Kali, a deusa da morte.

� um sacrif�cio humano.

A jovem ser� imolada e queimada viva.

Mon Dieu! Scandaleuse.

Primeiro, foi o marido, e agora, deve juntar-se a ele.

- Selvagens! - Pior ainda...

Se a deixassem viver, seria tratada como escrava.

A Princesa Aouda.

Aouda?

A vi�va do antigo Raj�...

- Para onde a levar�o? - Para o templo de Pillaji.

- E depois? - V�o mat�-la.

Ao amanhecer. Ser� queimada viva. E mesmo uma pena.

Mas n�o podemos fazer nada. Proponho que sigamos caminho.

N�o.

- Perd�o? - Temos de a salvar.

Salvar a mulher, Sr. Fogg?

Tenho 12 horas de avan�o. Posso dedic�-las ao salvamento.

Meu caro amigo, o que sugere � imposs�vel.

- Temos de salvar aquela jovem. - Monsieur!

Ser� poss�vel que afinal seja um homem com sentimentos?

� apenas o meu dever, Passepartout.

H� guardas por toda a parte.

- Temos de a libertar primeiro. - Isso � imposs�vel.

- O templo est� cercado por guardas. - Temos de aguardar uma oportunidade.

V�o busc�-la.

Onde est� o Passepartout?

- Acho que nos abandonou. - O cobarde...

Acho que ela foi drogada.

Para onde vai?

N�o! N�o! N�o!

Largue-me!

N�o! Ordeno-vos que parem!

CONTINUA

A seguir, na viagem de Phileas Fogg � volta do mundo em 80 dias...

O Sr. Fogg n�o pode fugir �s malhas da justi�a brit�nica.

Estamos a lidar com um homem com uma ast�cia tal

que vai com certeza figurar nos Anais do Crime.

Estamos a bra�os com uma situa��o delicada, Fogg.

Espero que n�o pense que tenho outras pretens�es...

Obrigada.

Lamento inform�-la que a sua cabe�a ser� cortada.

Uma trag�dia. Uma verdadeira trag�dia...

Concordo.

� t�o encantador...

De p�, por favor.

Ser� fuzilado e atirado ao Nata Watwah.

Meu Deus!

O barco... � t�o pequeno.

- Sei exactamente onde estamos. - O senhor � louco!

Vamos ganhar!

Est� preso em nome da Lei.

Cheg�mos tarde de mais.

Legendagem : Thor

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