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Entendido, Houston, vamos a isso.
Meu Deus, ele é lindo!
Lá estão os tiros.
O que fez dos anos 80, os anos 80?
Foi uma época empolgante. Muito brilho, muita conversa.
Novos começos.
Quem enriqueceu, fê-lo em grande.
Olhem, estou na televisão.
Novas ambições.
Costumam pensar no que gostariam de fazer ao vosso patrão?
Nova Coca-Cola.
Correram-se grandes riscos.
Novo dinheiro.
Bebia cinco garrafas de champanhe por dia.
Novas liberdades.
Mr. Gorbachev...
Tivemos uma grande falha.
... derrube o muro.
O que mais houve nos anos 80? Dê-me uma pista.
Imensa energia.
Os anos 80, a década que nos criou.
OS ANOS 80
Os anos 80. Para alguns, 10 anos de brilho, lixo e demasiado dinheiro.
Pois sim, mas muito mais se passou
durante aqueles 10 anos de transformação.
Quando os 80 começaram, para muitos o mundo parecia um lugar tenebroso.
É uma crise de confiança.
O início dos anos 80 ainda é a década de 70.
Ou seja, o mal-estar ainda era a situação reinante.
Começam a faltar os combustíveis fósseis, começava a faltar a comida,
começava a faltar a energia,
mas, sobretudo, começava a faltar o futuro.
A América sente-se atacada.
As importações japonesas invadem auto-estradas e lojas de electrónica.
Um aiatola quer desligar-lhe o petróleo,
e a União Soviética está a aquecer a Guerra Fria.
A América quer ripostar.
A América quer...
... sentir-se bem novamente.
Um grupo nova-iorquino torna-se mundialmente famoso.
Para nós, começou como uma libertação. Era uma festa.
Desordeiros de Hollywood.
Thomas Jefferson disse que as revoluções podem começar com a força.
E improváveis amadores.
Creio que, como país, procurávamos algo que nos animasse.
E a 22 de Fevereiro de 1980, a América encontrou esse algo.
LANÇAMENTO
Éramos apenas um grupo de gajos da classe operária.
Éramos amadores e uns putos.
Basicamente, tipos oriundos de belas famílias da classe operária
e tínhamos uma incrível ética de trabalho.
Julgo que éramos um grupo de gajos por quem os seus pais,
as suas cidades e as suas comunidades tinham feito um grande sacrifício.
Antes das Olimpíadas pintava pontes. Era como ganhava dinheiro no verão.
A minha mãe morrera há pouco, o meu pai perdera o emprego.
Os russos estavam no Afeganistão, havia a situação dos reféns.
Estávamos fartos de andar às ordens dos outros.
Estávamos fartos da economia estar como estava.
INFLAÇÃO NOS EUA - 13,6 POR CENTO TAXA DE JURO - 21 POR CENTO
O desemprego era ridículo, a gasolina estava cara, as pessoas cansadas.
Jogos Olímpicos de inverno, 1980, Lake Placid, EUA.
Na pista de gelo, as tensões da Guerra Fria estão prestes a aquecer.
A União Soviética manda no ringue.
2 EMPATES
4 DERROTAS
39 VITÓRIAS
Tendo vencido medalhas de ouro nas últimas quatro Olimpíadas,
usaram uma arma não muito secreta.
Eram soldados do Exército Vermelho, era disso que viviam.
É assim que o Exército Vermelho ensina as tropas a perder o medo.
Recrutados pelas forças soviéticas,
estes supostos amadores treinam 11 meses por ano.
13 de Fevereiro. Os jogos têm início em Lake Placid.
NENHUMA OUTRA CIDADE SE OFERECE PARA ACOLHER OS JOGOS
Mas, em 1980, a recessão nos EUA faz-se sentir
até nas instalações olímpicas.
Quarenta mães, pais, irmãs e irmãos dos jogadores, ficaram nesta casa.
Não tiveram propriamente uma estadia digna.
Não haverá medalhas de ouro para a limpeza.
Conduzidos pelo treinador Herb Brooks,
os novatos saem-se melhor do que seria de esperar.
5 JOGOS
1 EMPATE
4 VITÓRIAS
Quando se pensa em 1980, havia muito pouca televisão por cabo.
Certamente que estava muito longe da que existe agora.
Não há um jornal nacional.
O telemóvel ainda não funcionava nessa altura.
Não havia internet.
Vivia-se quase na Idade das Trevas, embora não tenha sido há muito tempo.
PRIMEIRO SMS 1985
E acho que isso ajudou a equipa e o Herb Brooks
a concentrarem-se no que tinham pela frente.
Não é fácil concentrarem-se, considerando o adversário.
O Muro de Berlim ainda não caiu, o Kremlin é liderado pela linha dura
e a III Guerra Mundial é um medo muito real.
Duas superpotências prestes a confrontarem-se.
Abri um telegrama de uma senhora do Texas e dizia apenas:
"Arrasem com os sacanas dos comunas".
Éramos nós contra eles. Era o comunismo contra a democracia.
Dia do jogo. Mais de 8000 pessoas enchem o estádio
para ver uma batalha renhida entre homens armados com sticks e discos.
Cá vamos nós. O jogo começou.
A União Soviética veste de vermelho e os Estados Unidos de branco.
Uma tacada certeira e o disco entrou
e a União Soviética lidera por um a zero.
Novo ataque e a União Soviética volta a marcar.
Tínhamos que manter o resultado equilibrado.
Se a diferença fosse superior a dois, três golos, o jogo acabava.
Faltam apenas alguns segundos.
Para os soviéticos, vencer o período parece uma conclusão inevitável.
Mas os americanos aguerridos são de outra opinião.
Enquanto me dirigia para o banco, o Mark Johnson passou por mim
e pensei: "Aonde vai ele?"
Uma tacada longa, defendida por Tretiak, mas Johnson consegue marcar,
quando falta apenas um segundo para o fim do período.
EUA 2 URSS 2
Agora sim, era um jogo de hóquei, porque tudo poderia acontecer.
O GUARDA-REDES TRETIAK É MANDADO PARA O BANCO
Mas os universitários dos EUA têm de aguentar soldados profissionais,
em média cinco anos mais velhos e com mais três quilos do que eles.
Como a Guerra Fria, o jogo torna-se um impasse tenso.
Mas os americanos mantêm o 3 a 3.
Até que...
Ao chegar à linha vermelha, tinha um defesa soviético à minha frente...
... e atirei.
Eruzione marca! Mike Eruzione!
Foi uma balbúrdia. Oito mil pessoas não fazem assim tanto barulho.
O tecto parecia que vinha abaixo.
EUA! EUA!
Creio que foi aí que começou o cântico "EUA! EUA!"
Foi naquele edifício, em Lake Placid, em 1980.
Mas a celebração pode ser prematura.
EUA 4 URSS 3
É quase como bater numa colmeia. Dizemos: "Oxalá não acordem".
Vai-se para o gelo, joga-se um bocado,
olha-se para o relógio e diz: "9:59". Nunca mais acabava.
Os soviéticos não largam o guarda-redes dos EUA.
Não paravam de atacar.
Parecia uma grande onda vermelha a vir na minha direcção.
A contagem final tem início.
Para os EUA, cada segundo dura uma eternidade.
Estamos em contagem final. Morrow passa a Silk.
Faltam cinco segundos. Acreditam em milagres?
Sim! Inacreditável!
A emoção... O pessoal a abraçar-se e a chorar.
Lembro-me de olhar para cima e ver toda aquela gente, tantas bandeiras,
todos tão orgulhosos.
Não parava de pensar: "Vencemos os russos, vencemos os russos!"
Se tivesse podido guardar aquilo,
gostaria de ver o nosso país voltar a sentir-se assim.
Não se tratava de um mero jogo. Era algo mais.
Não foi um jogo de hóquei. Foi um milagre.
Dois dias depois, após derrotar a Finlândia,
a equipa dos EUA vence o ouro olímpico.
O Presidente Carter liga para dar os parabéns a Herb Brooks e à equipa.
Só queria dizer-vos novamente que todos no nosso país estão orgulhosos
e que vimos tudo. Tentámos trabalhar, mas ninguém conseguiu
porque víamos TV com um olho e tratávamos do Irão e da economia...
Contra todas as probabilidades,
20 novatos mostraram que a sua nação podia levar a melhor.
Diga à equipa o quanto gosto deles e vemo-nos amanhã na Casa Branca.
Muito obrigado e lá estaremos.
- Boa sorte para vocês. - Boa sorte para si.
- Vão celebrar. - Não iremos.
Entrevistei o primeiro desertor do KGB.
Falei-lhe de 1980 e ficou destroçado.
A Rússia ficou deprimida. As vendas de vodka aumentaram.
"Olhem para estes putos.
"Se conseguem vencer a poderosa equipa do Exército Vermelho russo,
"então posso fazer tudo".
As pessoas estavam fartas. Queriam algo que as fizesse sentir bem.
E, em 1980, fomos nós.
Foi o regresso da vanglória.
A América pode ter recebido um novo impulso,
mas será preciso mais do que um jogo de hóquei para mudar o rumo do país.
Acontece que Ronald Reagan acaba de iniciar a sua campanha eleitoral
quando o ânimo do público começa a melhorar.
Podemos voltar a fazer da América grande.
Tantos são os que nele crêem, que vence por uma margem esmagadora.
Farei o possível para justificar a vossa confiança.
Minutos após tomar posse,
os 52 reféns dos EUA são finalmente libertados do Irão.
É a melhor sensação dos últimos 444 dias.
DURANTE OS DEPOIMENTOS
MOSTRAM AOS REFÉNS O MILAGRE NO GELO
Ronald Reagan tornar-se-á um símbolo americano da década,
com um sentido de oportunidade que nunca o abandona.
Um homem que vos diz que aprecia um duche frio pela manhã,
mentirá sobre outras coisas.
Creio que Ronald Reagan era, simultaneamente, causa e efeito.
Chegou na altura exacta, com o seu "América és boa,
somos bons, somos óptimos, somos maravilhosos. Toca a levantar."
Muito obrigado.
Fez os americanos acreditarem ser o povo eleito.
Restaurou a confiança americana.
MAIS 20 % DOS AMERICANOS ESTÃO OPTIMISTAS EM RELAÇÃO A 1981
DO QUE ESTAVAM EM RELAÇÃO A 1980
Nos anos 80, o patriotismo não só se tornou popular,
como também uma comodidade política.
Tornou-se uma comodidade cultural.
A América começa a sentir um novo optimismo.
Mas, no Reino Unido, é um evento imbuído de história e tradição
que eleva o ânimo do público.
A 29 de Julho de 1981, a Grã-Bretanha está em alta.
Mais de meio milhão de pessoas alinham-se nas ruas de Londres.
O Príncipe Carlos vai desposar Lady Diana Spencer.
Reina a sensação que, ao casar com a Princesa Diana,
o Príncipe Carlos assegurou o futuro da monarquia.
Ela é extremamente atraente, ele é o herdeiro do trono,
está um belo dia, é uma ocasião fantástica.
Estavam todos muitíssimo entusiasmados.
Todos os olhos estão postos em Lady Diana, de 20 anos,
uma antiga ajudante de educação,
prestes a tornar-se Princesa de Gales, um ícone global
e a mulher mais fotografada em todo o mundo.
Três mil e quinhentos convidados enchem a Catedral de São Paulo,
para ver o casal a contrair matrimónio.
Declaro-vos marido e mulher.
Uma audiência recorde de 750 milhões de telespectadores também assiste.
Naquela época ainda não houvera
muitos eventos televisivos globais e este era um evento muito feliz.
Embora já tenha sido muito dito, era um conto de fadas.
Um casamento de conto de fadas e um presidente estrela de cinema...
Assim Deus me ajude.
... ajudam a levantar o moral das pessoas.
Mas o próximo passo na revolução em prol do ânimo
usa a tecnologia para fortalecer e entreter o indivíduo.
- Quantos anos tens? - Catorze.
- Qual a tua semanada? - Sete dólares.
- Quanto gastas nas máquinas? - Uns 5.
Outubro de 1980, América.
O Pac-Man engole um número recorde de moedas.
PAC-MAN FOI JOGADO MAIS DE 10 MIL MILHÕES DE VEZES NO SÉCULO XX
O Pac-Man era uma espécie de Angry Birds dos anos 80.
Antes dele, os jogos de vídeo eram sobretudo sobre o espaço ou desporto.
O Pac-Man foi o primeiro jogo que as mulheres também queriam jogar.
Um ano depois, uma importação japonesa,
mascarada de faz-tudo italiano, estreia-se no Donkey Kong.
O Super Mario melhorará consolas domésticas e jogos manuais.
Ao tornar coisas, como a electrónica e os carros, mais pequenas,
o Japão crescia. A sua economia florescia.
O transístor, o microchip,
muitas coisas que antes só eram acessíveis a grandes empresas,
tornaram-se coisas pessoais.
A mais individualista de todas é o walkman da Sony.
O primeiro leitor áudio portátil estéreo e pessoal
quebra novos recordes na América.
Ouve-se a música suficientemente alta para esquecer o mundo à nossa volta.
Ligados aos seus temas favoritos.
O produto áudio mais popular de sempre.
VENDEM-SE 200 MILHÕES
Como se os jogos de vídeo não fossem distracção suficiente,
agora o entretenimento doméstico podia seguir-nos para todo o lado.
O que o walkman fez foi envolver-nos na nossa própria banda sonora.
É como se fôssemos a estrela do nosso próprio filme.
E é uma verdadeira estrela de cinema que dá início à etapa seguinte
dessa revolução pessoal.
A revolução é também alimentada por outra invenção japonesa,
que transforma as salas de estar em clubes de fitness,
salas de cinema e, sim, cinemas para adultos.
Jane Fonda, lendária actriz,
figura política discordante e símbolo de revolução.
Mal sabe ela que nos anos 80
tornar-se-á o símbolo da revolução do bem parecer e do bem estar,
que os radicalistas dos anos 60 nem sequer imaginariam.
É um facto, não é ficção!
Quer seja amada ou detestada,
Jane Fonda defende as suas crenças revolucionárias.
Diria que defendemos uma saída imediata da energia nuclear
e um programa de conversão para energias alternativas e renováveis.
E isso leva-a ao cenário de "O Síndroma da China",
um thriller contra a energia nuclear.
"O SÍNDROMA DA CHINA" 1979
OCORRE UM ACIDENTE NUCLEAR EM THREE MILE ISLAND
12 DIAS APÓS A ESTREIA DO FILME
Eu usava sapatos de plataforma muito altos, por vaidade.
Queria que as minhas pernas parecessem mais compridas.
Estava a correr e caí. Já tinha partido o pé antes,
por isso voltei a parti-lo no mesmo sítio.
Para uma actriz de primeira, manter-se em forma é um requisito.
Já não podia praticar ballet
e ia fazer um filme chamado "Um Apartamento na Califórnia"
e tinha que usar biquíni. O que fazer?
Até agora, Jane mantivera-se em forma praticando ballet,
mas com um pé partido precisa de uma alternativa.
A minha madrasta disse-me:
"Dão umas aulas no estúdio da Gilda Marx".
Por isso, fui.
Era uma hora e meia ao som de música muito fixe.
Nunca tivera uma aula daquelas.
Fiquei encantada.
Jane Fonda decide abraçar uma nova causa
e leva a oportunidade de exercício às massas.
Não se esperava que as mulheres transpirassem.
Não havia quaisquer aulas de exercícios.
Podíamos ir a um ginásio e ficar de pé numa coisa,
com uma banda à volta do rabo, que o punha a abanar,
mas nada mais do que isso.
Com tão poucos ginásios a servir mulheres,
Fonda decide criar um próprio.
Dava a aula das 6 da manhã, antes de ir para as filmagens
e a aula dela estava a abarrotar.
O simples facto de estarmos ao lado de Jane Fonda e transpirarmos com ela
tornava tudo muito mais divertido.
Mudou a minha vida.
Thomas Jefferson disse que as revoluções podem começar com a força.
Jefferson pode tê-lo dito ou não,
mas alguém sugeriu que ela usasse a última tecnologia
para exibir o seu exercício físico.
Nunca vira um vídeo.
Não conhecia ninguém que possuísse um leitor de vídeo ou vídeos.
CUSTO DE UM LEITOR DE VÍDEO EM 1981:
EQUIVALENTE A 3500 DÓLARES HOJE
O mercado do vídeo é minúsculo.
Ninguém sabe sequer se é legal gravar a partir da TV.
O SUPREMO TRIBUNAL LEGALIZA OS LEITORES DE VÍDEO EM 1984
Em 1981, apenas dois por cento dos lares americanos possuem um vídeo,
e esses dois por cento não estão todos a ver filmes de Jane Fonda.
Trata-se de um mercado quase inexistente há uns anos.
Cinquenta por cento destes vídeos são pornográficos.
Mais uma razão para Fonda recusar-se a passar a barreira do vídeo.
Disse: "Nem pensar! Sou uma actriz. Não farei tal coisa".
Pensei que iria arruinar-me a carreira.
Mas em 1981 decide levar a revolução do bem parecer e do bem estar
a um público mais vasto.
Aceita emprestar a sua voz a um vídeo dos seus exercícios físicos.
Pronto, podemos... Desculpem, podemos recomeçar essa parte?
Obrigada.
Achava que se me vissem todos os dias de body,
como acreditariam nos meus diferentes personagens no grande ecrã?
Mas o realizador Sid Galanty não aceita um não como resposta.
Tive de convencê-la que comprariam o vídeo por ter lá o nome dela
e esperavam vê-la no vídeo.
Continuou a chatear-me de tal modo que, finalmente, pensei:
"Não sei quem o comprará, mas poderemos conseguir uns 10 mil"
e ajudaria a organização política, por isso cedi.
Mas o político está prestes a tornar-se pessoal.
Assim mesmo!
As mulheres adoravam o exercício,
e quase toda a gente se dedicou à ginástica.
O vídeo "Workout" é um enorme sucesso,
vendendo 17 milhões de cópias em todo o mundo.
É seguido por mais 23 vídeos de grande sucesso.
Em Chicago ou Nova Iorque podia-se fazer exercício com a Jane Fonda
e fazer o mesmo que fazíamos nos estúdios.
Foi uma ideia genial.
Jane Fonda torna o pessoal político.
Parecer bem torna-se a nova ideologia dos anos 80.
PRIMEIRAS BICICLETAS FIXAS 1987
De repente, as mulheres perceberam que não tinham de passar fome,
não tinham que ter perturbações alimentares ou algo do género.
Podiam fazê-lo na privacidade dos seus lares
e alterar-lhes-ia o corpo, mudar-lhes-ia a mente.
Modificaria o que sentiam sobre elas próprias.
Como estão? Toca a levantar depressa.
Sou a Kerry e esta é a Patty Rice e somos a Corporate Sports Unlimited.
Logo no início dos anos 80, é-nos dito que temos de parecer em forma.
Porquê? Porque isso mostra que se é uma pessoa dedicada e concentrada.
Estar em forma é um símbolo de prestígio.
Muitas empresas americanas estão a aceitar a ideia
de que a boa forma faz bem ao resultado final.
De tal forma que deitam cá para fora uma elite de Schwarzeneggers de fato.
A revolução do bem estar passa de marginal a dominante
e a transpiração torna-se sexy.
Do Rio a Níger,
mantenham-se finos.
Os exercícios de Fonda ajudam a instigar uma revolução paralela
no sector tecnológico.
Num só ano, a venda de leitores de vídeo quase duplica nos EUA.
É um fenómeno comercial.
O negócio não podia correr melhor.
Uma em cada dez famílias nos Estados Unidos já tem um videogravador.
Os primeiros donos de videogravadores fizeram parte de uma nova indústria,
a indústria do vídeo caseiro, que disparou como um foguete.
PRIMEIRO DVD 1995
PRIMEIRO BLU-RAY 2006
Passámos de um punhado de gente com videogravadores no início da década
para praticamente todos terem um videogravador no fim da década.
O vídeo "Workout" torna-se o mais vendido nos anos 80.
A queda de Fonda durante a rodagem torna-se uma corrida para a vitória.
Quem me dera dizer que era uma brilhante mulher de negócios.
Seria mentira. Foi um golpe de sorte.
Nos negócios o timing é tudo
e o timing ajudou a transformar alguém que abandonou a faculdade
no homem mais rico do mundo.
As coisas acontecem muito depressa na indústria
e foi a pressa de entrar nela e ser o primeiro
que me fez deixar a faculdade.
No início da década, os escritórios funcionam a papel químico,
corrector líquido e máquinas de escrever.
Na sua maioria, os computadores são gigantescos.
Então, a IBM cria um computador que é pessoal.
O PC revoluciona o trabalho e, depois, a casa.
250 MILHÕES DE VENDAS PREVISTAS VENDEM-SE 3 MILHÕES
A IBM decidiu criar uma divisão, mais ou menos em segredo,
para fazer um produto de consumo.
Foi preciso uma grande visão para ver que este mercado iria ter êxito.
A IBM tem o hardware, mas Bill Gates tem o software de que necessita.
Faz o que parece ser um mau negócio
e fornece o sistema operativo Microsoft à IBM,
por uma quantia única de apenas 50 mil dólares.
Mas parece apenas um mau negócio.
A Microsoft forneceu o sistema operativo à IBM,
mas também à Sanyo, à Sony, à Hitachi,
e a todas as empresas do mundo.
O que Bill Gates se esquece de referir
é que o acordo com a IBM não era exclusivo.
A Microsoft remedeia a situação,
fornecendo o MS-DOS a toda a concorrência da IBM.
Por muito que a IBM nos batesse nos mercados,
não era a IBM, mas a Microsoft.
HOJE HÁ MAIS DE MIL MILHÕES DE PCs
Os computadores pessoais a entrarem-nos em casa
foi, provavelmente, a grande novidade dos anos 80.
Bem, tudo depende de com quem se fala.
Outra grande novidade está prestes a surgir.
No início, a MTV tem apenas 120 vídeos,
apenas algumas horas de emissão, mas é um êxito imediato.
A MTV ESTREIA-SE EM 1981
É O PRIMEIRO CANAL DE ROCK DO MUNDO
Quando começámos, não tínhamos muitos vídeos,
por isso havia muitas repetições.
Olá, sou a Nina Blackwood.
Era inacreditável poder ver este novo formato a partir de casa.
Aqui, na sua MTV.
O canal emite 24 horas por dia, 7 dias por semana na América,
mas nem todos nos EUA conseguem vê-lo.
A TV por cabo dava ainda os primeiros passos.
Nova Iorque nem sequer tinha TV por cabo quando a MTV começou.
WICHITA, KANSAS, TEVE A MTV ANTES DE NOVA IORQUE
Esquecemo-nos que a TV por cabo não começou como meio de entretenimento.
Era apenas uma forma das pessoas que viviam em lugares isolados,
longe de bons sinais de radiodifusão, verem televisão.
Para estimular as assinaturas, a MTV recorre a um anúncio dos anos 50.
Quero os meus cereais.
Quero a minha MTV.
"Quero a minha MTV" torna-se um dos mais famosos
e esclarecedores slogans da década.
Na América, nos anos 80, "Quero" torna-se algo muito bom.
Quero, quero isto, quero comprar aquilo, quero ter isto...
A minha MTV.
Eu, para ser mais exacto. E o que quero?
Não penso se o que quero afecta mais alguém.
HOJE, A MTV CHEGA A MAIS DE 500 MILHÕES DE LARES
A TV do rock and roll veio para ficar.
Mas a playlist exclusivamente rock da MTV é criticada por Rick James,
David Bowie e pelo director da CBS, Walter Yetnikoff.
A MTV não tem por hábito difundir artistas negros.
Nem sequer Michael Jackson.
- A MTV não os tocava. - A MTV não os tocava?
Não passava o "Beat It" ou o "Billie Jean",
com a desculpa de ser um canal de rock.
Yetnikoff ameaça retirar do canal todos os artistas da CBS.
A MTV depressa cede e toca o "Billie Jean".
A música disco não presta! A música disco não presta!
Início dos anos 80. América.
A música rock e a música negra estão a mundos de distância.
A queima de discos na campanha contra a música disco em 1979
levara muitos brancos fãs de rock a rejeitar a música negra.
A polarização racial vai muito mais longe.
Um ano depois, em 1980,
Miami vive os piores motins numa geração.
Morreram 15 pessoas e os hospitais estão cheios de feridos e receosos.
Mas, saída do campo de batalha do gueto,
uma nova forma de arte musical está a tomar conta das ruas.
Agora o protesto torna-se uma festa.
Para três jovens, a revolução começa
no pátio de uma escola católica de Nova Iorque.
Aos 12 anos, Darryl McDaniels,
está prestes a ouvir uma cassete que nunca ouviu.
Ouvimos uma voz dizer: "Quando não há que fazer em Nova Iorque,
"alinhas com Cheeba, o palhaço do disco.
"Não pares até chegares ao cimo da montanha
"e, uma vez lá, terás chegado ao topo".
E parou. Ficámos tipo: "Repete lá isso!"
O que o Darryl está a ouvir é uma gravação do DJ local Eddie Cheeba.
Queríamos mais 30 segundos do que quer que aquilo fosse.
Passámos uma meia hora a rebobinar.
Fazia-nos sentir bem, soava bem. Tocou-nos bem fundo.
Darryl e os amigos Joseph "Run" Simmons e Jason Mizell
também querem fazer aquilo.
Para nós, começou como uma libertação, como uma festa.
No início dos anos 80, passam a adolescência no sótão de Joey,
onde Darryl escreve rimas de rap.
O D é porque o fazemos o dia todo
O M é para a música que fazemos sem medo
O C é por sermos cool, o mais cool possível
- E porque usas óculos? - Para ver.
E em 1982, o irmão de Run, Russell Simmons,
um promotor musical de festas de bairro, dá-lhes um nome: Run-DMC.
Não são precisos instrumentos, só dois gira-discos,
um palco, um público e dois rimadores.
Russell grava-os numa cassete demo,
mas se os rapazes brancos odiavam o disco, abominam o rap.
O Russell levou a demo a todas as grandes editoras e recusaram-na.
O estilo hip-hop era tão novo
que as pessoas achavam ser uma moda de um só verão.
E potencialmente ilegal.
O hip-hop usa a música dos outros, a maioria com direitos de autor.
JAMES BROWN É O ARTISTA MAIS COPIADO DE SEMPRE
Quebrando as regras, os Run-DMC concentram-se num riff
de uma das maiores bandas brancas de rock do mundo.
Era ritmado, áspero.
Íamos fazer uma sample, misturá-la,
e eu e o Run íamos gabar-nos até não podermos mais.
Mas o produtor em ascensão, Rick Rubin, tem uma ideia diferente.
Quer que os Run-DMC façam mais
do que usar o riff de guitarra de "Walk This Way".
Quer que apostem na corrente dominante,
ao gravarem toda a canção com os Aerosmith.
O Rick tirou o disco do gira-discos e deu-o a mim e ao Run.
"Vão para a cave do D e aprendam a letra".
Pusemos a agulha no disco.
Tínhamos as canetas e os blocos de notas prontos para anotar a letra.
Começa.
Nunca tínhamos ouvido a letra.
A voz entra. "Amante de costas, escondido sob os cobertores..."
Pegámos no telefone e "Nem pensar!
"São tretas de pacóvios!
"Soa-nos assim...
É uma porcaria! Não vamos gravar o disco!"
A banda recusa-se terminantemente a gravar a faixa.
Achámos que a ideia de fazer uma versão integral de "Walk This Way"
era a coisa mais ridícula de sempre.
Não era o único obstáculo.
Estávamos em digressão e constou que uns gajos queriam o "Walk This Way"
e que andavam a usá-lo num rap.
Pensei nisso e foi tipo "Mas que raio andam a fazer à nossa canção?"
Parece que o rap não entrará na corrente dominante.
Existe a música rock.
Existe a música rap.
Mas a música não se quer juntar.
Até que o produtor discográfico Rick Rubin engendra um plano louco.
Põe os novatos do rap, Run-DMC, e as lendas do rock, Aerosmith,
no estúdio, juntos.
No estúdio, as câmaras filmam o encontro dos génios da música,
que quebram definitivamente as regras.
Não paravam de repetir a introdução da bateria.
Entregaram-se completamente.
Lançaram-se ao som dos gangs
e foi muitíssimo bom.
O Jay mostrou ao Steve o que costumávamos fazer com o disco,
como o misturava para poder fazer um rap.
De todas as vezes que o Jay fazia...
... e voltava ao início do disco, o Steve Tyler perguntava-lhe:
"Quando me ouvem a mim?"
E o Jay respondia: "Ora aí está, Steve. Nunca te ouvirão"
e o Steve ficou tipo "Ena!"
Sei quando algo é bom e sou o primeiro a aproveitar algo melhor.
Porque será esta versão diferente do original?
Porque faremos parte dela.
Os opostos não só se atraem como fazem magia.
E não apenas no estúdio de gravação,
mas num clássico teledisco feito para a MTV.
Tínhamos que fazer um teledisco e tivemos a ideia
de derrubar as paredes entre negros e brancos e... viva!
Agarro no suporte do microfone, aproximo-me e zás!
Foi como nos desenhos animados antigos, pois fez...
Quase dei cabo de todos os músculos das costas
e fiquei tão fulo por achar que se estavam a meter comigo
que voltei atrás e dei-lhe com força e foi então que começou a partir-se.
Depois penetrou a luz e foi perfeito.
Levou-nos a um outro nível e tornou-nos estrelas de rock.
Tornou-nos estrelas de rock.
O mais recente álbum dos Run-DMC vendeu mais de um milhão de cópias
em apenas 13 semanas.
Foi tão bom participar no derrubar de paredes. Estava destinado.
EM 1987 OS RUN-DMC ASSINAM UM CONTRATO
DE 1,6 MILHÕES DE DÓLARES COM A ADIDAS
Consta que houve putos que foram para a faculdade
e, por terem o "Walk This Way" nos dormitórios,
os negros e os brancos puderam sentar-se e ouvir música juntos.
Em 1988, os Run-DMC mostram até que ponto as paredes foram derrubadas...
Como vai isso? Somos os Run-DMC e bem-vindos ao "Yo MTV Rap".
... ao apresentarem o primeiro programa de hip-hop da MTV.
Jay, o mestre do improviso, disse que sabia que o hip-hop se expandiria
e que iria tocar e mudar o mundo.
Porque era o que havia de mais importante para mim,
no meu pequeno quarto, no meu pequeno quarteirão.
O que começa como uma animada festa de quarteirão conquista o mundo.
Começámos a aprender a cantar juntos, a dançar juntos,
a jogar à bola juntos e a votar juntos.
Logo, uma nova América começou a surgir.
Dizem querer uma revolução? Pois cá está ela.
Em Inglaterra, o rock and roll está prestes a atingir novos patamares,
graças a um homem de negócios inconformista.
Começa com um telefonema.
"Fala Richard Branson. Tenho uma companhia chamada Virgin.
"Produzo os Rolling Stones e os Sex Pistols.
"Tem um 747 em segunda mão para venda?"
Uma casa flutuante em Little Venice, Londres,
não é o local mais indicado para encontrar um pioneiro da aviação,
mas esta é a sede da nova companhia aérea mundial.
Richard Branson, o milionário pop
que levou Boy George e os Sex Pistols ao estrelato,
está prestes a lançar o seu mais recente empreendimento:
voos transatlânticos baratos.
Financeiramente, os anos 80 foram uma época catastrófica,
mas felizmente não leio jornais financeiros
e se me palpita que posso fazer algo, arrisco.
Branson viu uma lacuna no mercado.
As viagens aéreas no início dos anos 80 eram inacreditavelmente dolorosas.
Não havia entretenimento, o pessoal de cabina não sorria,
os assentos eram desconfortáveis. Era uma experiência horrível.
Levar a capacidade de entretenimento da indústria discográfica
ao transporte aéreo foi o que nos fez ter êxito.
Não tardámos a florescer.
A 22 de Junho de 1984, a Virgin Atlantic faz o seu voo inaugural
entre Londres e Nova Iorque.
Bebemos mais champanhe que em qualquer outro avião
na história dos transportes aéreos.
As pessoas divertiram-se imenso e não podia ter começado melhor.
Lembro-me de todos se embebedarem.
Estavam todos a beber,
como se fosse uma enorme passagem de ano no ar. Foi muito fixe.
O lançamento é um êxito.
Diz a Virgin Atlantic que vende mil bilhetes por dia,
com 25 mil já previamente vendidos.
Porém, alguns crêem que a Virgin Atlantic está destinada a falhar.
O New York Times disse que, com um nome como "Virgin",
obviamente não irá até ao fim e não terá oportunidade de ter êxito.
Mas, felizmente, provámos que o New York Times estava errado.
Às vezes, o pequeno pode sobrepor-se ao poder das grandes companhias.
Hoje, a Virgin Atlantic transporta 5,5 milhões de pessoas por ano
em todo o mundo.
Os anos 80 começaram com uma crise de confiança.
Em 1980, a maior economia mundial continuava em apuros.
A era Reagan estava apenas a começar
e a América estava sob ameaça, não apenas da União Soviética.
A produção industrial, liderada pela indústria automóvel,
baixou como nunca em sete anos.
A indústria siderúrgica está em forte declínio.
Detroit começou a afundar-se
e a não conseguir manter-se e fazer bons carros por volta de 1980.
Foi quando os títulos começaram a surgir.
"Meu Deus, os japoneses, os alemães estão a levar a melhor".
EM 1980 OS FABRICANTES DE CARROS DE DETROIT
PERDEM 4 MIL MILHÕES DE DÓLARES
Os carros podem vir do Japão e da Europa,
mas a maior parte do combustível continua a vir do Texas.
O negócio prospera e as pessoas vão para onde há trabalho.
Em 1980, o elevado preço do gás dos EUA
significa um bom momento para os barões do petróleo do Texas.
De ficção ou não.
"Dallas" representava a riqueza e a arrogância
e creio que foi isso que ecoou por todo o mundo,
foi essa a mensagem transmitida, e as pessoas também queriam isso.
Consta que os ricos são diferentes de nós
e "Dallas" mostrava bem essas diferenças.
Crescemos na América, a dizer que o dinheiro não era tudo
e todos os programas de TV eram como "Os Waltons".
Eram esses os nossos valores.
Passou a poder dizer-se que era tudo uma questão de dinheiro.
Quero poder.
Creio que as pessoas queriam ver a vida dos ricos na mesma casa.
Os extremamente ricos. Tudo era maior que a própria vida.
"Dallas" é uma série que diz, basicamente:
"Isto é algo de normal que acontece nos Estados Unidos".
Ficar rico, como os Ewing.
O problema é que não é normal.
Ninguém se importava.
As audiências de "Dallas" começam a subir, ajudadas pelo anti-herói,
que se torna a estrela da série.
- Tramaste-me. - Desde o início.
Mas não o fiz sozinho. Para além do Von Leyland,
fui ajudado pelo teu enorme ego e estupidez inacreditável.
Por volta de 1980, as coisas mudaram nos EUA e talvez no resto do mundo.
Homens poderosos e homens gananciosos
tornaram-se expressões habituais e ele como que representava ambos.
O JR é alguém que os homens adorariam ser.
Tem as mulheres, tem o dinheiro e tem o poder.
"Dallas" torna-se um fenómeno mundial
e, depois, passa a ser mesmo popular.
21 de Março de 1980.
De Londres a Hong Kong, todos querem saber quem matou JR?
Até a família real inglesa procura a resposta.
Senhoras e senhores, apresento-vos Mr. Larry Hagman.
Depois do espectáculo, a Rainha Mãe foi aos bastidores cumprimentar-nos
e disse-me: "Será que me pode dizer quem o matou, JR?"
e eu respondi: "Não, senhora. Nem mesmo a si".
Então, a vida imita a arte.
Quando renegoceia o contrato,
Hagman age como JR e atira-se ao dinheiro.
Pessoalmente, achei que seria boa altura para pedir um aumento.
Achei que seria a maior jogada da minha vida,
porque se a perdesse, nunca mais voltaria a trabalhar neste ramo.
Hagman acaba por obter uns colossais 100 mil dólares por episódio
e estabelece a fasquia para os futuros contractos de talentos.
Os putos do "Friends" devem-me 10 por cento do que ganharam,
porque fui o primeiro a consegui-lo.
Naquela noite foste ao escritório com a arma do JR.
Quando o episódio "Quem matou o JR?" vai para ar,
a 21 de Novembro de 1980,
não é visto apenas por 83 milhões de americanos.
Foste tu, Kristen.
É visto por mais de 350 milhões de pessoas em 57 países,
tornando-se o programa americano com maior audiência de sempre,
incluindo na Roménia, o isolado país comunista,
onde o brutal ditador Nicolae Ceausescu permite que seja emitido,
porque crê que mostrará ao povo como o dinheiro corrompeu o Ocidente.
Se houvesse um estudo de caso sobre a lei das consequências indesejadas,
poderia bem ser este.
Uma instituição de caridade em prol das crianças levou-me à Roménia
e um homem abordou-me na rua, com lágrimas no olhos, e disse:
"JR, salvou o nosso país".
As pessoas viram a série e disseram:
"Porque não temos aqueles carros, aquelas roupas, a comida, as jóias?"
Se não fosse o "Dallas", estariam completamente isolados do mundo.
Levaram-no para a rua e deram-lhe 500 tiros.
A morte de Ceausescu e a derrocada do seu regime despótico
fechariam os anos 80.
Mas, no início, aprender a voltar a sentir-se bem
torna-se um pilar da década,
construída sobre auto-realização, lucro pessoal,
consumo notável e um optimismo duradouro.
Sentíamos que poderíamos voltar a criar o mundo.
Havia muita impetuosidade e autoconfiança.
Poucas foram as décadas da história moderna
com tantas coisas importantes
a acontecer ao mesmo tempo.
Será uma década de surpresas constantes.
Não é brincadeira.
Tradução e Legendagem Teresa Silva Ribeiro
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