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- Art Subs - 15 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - Vekka -
Legenda - zumBRAL -
Revis�o - Vekka -
Sei que voc� n�o est� dormindo.
Voc� fez aquilo ou n�o?
Voc� gosta da Martina?
� isso?
O que �, ent�o?
Me conta.
N�o confia em mim?
- Vem, levanta. - N�o quero ir ao povoado.
E eu n�o quero que sua escola me ligue o tempo todo.
Vamos, levanta!
N�o.
Vamos!
Ainda falta apanhar Nerea e temos pouco tempo.
Minha barriga est� doendo.
Ponha isso.
Eu n�o quero ir. E n�o vou vestir essa roupa.
Olha, n�o come�a, por favor.
Mas eu n�o gosto.
- Oi. - Bom dia.
Antes de apanhar Nerea, vamos passar na casa de Martina.
Gorka, por favor, esquece isso.
- Esque�o nada. - Vamos perder o trem.
Bom, n�o podemos esperar voc�s voltarem em setembro.
- Temos que fazer agora. - Nem v�o se ver nesse meio tempo!
Ele disse que n�o acontecer� novamente, pronto.
Fiquei parecendo um imbecil!
� coisa de crian�a! Voc� sabe que Be�at sempre distorce tudo.
Ir chorando pra casa todo dia � coisa de crian�a?
N�o, � claro que n�o.
Voc� pegou a roupa de banho de Martina?
Responda. Sim ou n�o?
Se o problema continuar, serei a primeira a vir aqui resolver.
Porque voc� tem o pavio curto.
E no final, sou eu quem pago o pato.
N�o � como se eu fosse ficar aqui de f�rias...
- Boa viagem. - Chega pro lado.
Escreva quando chegar.
Como foi ontem, querida? Foi bonito o recital?
N�o sei. Pe�a o v�deo a algum pai que assistiu.
- Nerea... - O qu�?
Voc�s foram os �nicos pais que n�o apareceram.
Est�vamos a caminho, mas a escola ligou.
- J� te falamos isso. - Tudo bem. Relaxa, Gorka.
- Cocoliso sempre estraga as coisas. - N�o me chame assim!
Cala a boca.
Vem, sai.
Ei, ei, espera.
Venham.
- Toma, Eneko. - Pai, por que n�o desligou o motor?
Eu n�o vou com voc�s.
Por que n�o?
- Por que ele n�o vem? - Ele n�o pode, meu bem.
- Mam�e, ent�o tamb�m n�o vou. - Eneko, vamos fazer assim:
Quando voc� voltar, faremos algo juntos, s� n�s dois.
- Vai l�. - Combinado.
- Ei, Eneko! Por favor, n�o comece! - Eneko, ou�a o seu pai.
Me d� um beijo. Um beijinho.
- Agur (at� logo), Nerea. - Agur, Gorka.
- Aproveitem. - Agur.
Eneko! Eneko, por favor. Vai l�!
Eneko, vem!
Ei...
Uma semana passa muito r�pido.
Voc� vai ficar o dia todo na piscina.
E hoje tem a fogueira de S�o Jo�o.
Para.
Voc� � surda? Pedi pra parar.
- Bom dia. - Bom dia.
- � a sua bagagem? - Sim. Tem problema ficar a�?
Est� um pouco no caminho, mas tudo bem. Passagens, por favor.
- Empresta seu fone. S� um pouco. - Me deixa em paz, Coc�!
- N�o sou Coc�! M�e, fala com ela! - Empresta logo.
"N�o sou Coc�! M�e, fala com ela!"
Toma! D� voc�.
- D� para ele! Ele n�o quer os fones? - Chega! J� deu!
- "Coc�". - Tudo certo?
Para, Eneko.
- Obrigado. - Obrigada.
As passagens, por favor.
- Essa � a ponte? - Sim.
A ponte? J�?
Ah, verdade.
Essa � a fronteira, m�e?
Sim.
Ent�o, ali � Hegoalde.
Tr�s...
Dois...
Um...
20.000 ESP�CIES DE ABELHAS
- Tudo bem? - Sim.
- Vai, leva essa. - Por que eu?
Porque sim. � sua vez de levar. Pega.
Est�o bem a�?
Isso.
Ane!
- Como vai? - Ol�!
- Veio para ficar? - Sim, alguns dias.
Que bom.
Lita n�o est�.
- N�o est�? - N�o.
- Deve estar na fogueira. - Est� na fogueira.
- Entendi, obrigada. - Como est�o bonitos seus filhos!
Sim, est�o grandes, n�?
- Agur. - N�o tem ningu�m aqui.
Deve ter uma chave.
Bingo!
Achei a chave. Vamos.
Vamos l�.
Muito bem.
Me d� sua mochila.
- Vamos indo para a fogueira. - Est� bem.
- Vamos! - J� vou.
Tia!
- Peio! - Oi, querida!
- Tudo bem? - Como est�?
Tudo bem.
Me d� um beijinho? S� um beijinho?
Ele n�o gosta de beijos.
- M�e! M�e! - Que foi?
- Posso ir brincar com eles? - Claro, querido. Vai l�.
- Leire, e a prima Amaia? - Ela est� em Edimburgo.
H� quanto tempo voc�s n�o v�m aqui?
- Como mudou o corpo de Nerea! - Sim, ela j� � uma mulher agora.
Vamos, hora de limpar o piu-piu do meu menininho.
- Ele � igualzinho a voc�! - Na beleza, n�?
E voc�, como est�?
Bem... Cansada.
Com o sal�o de beleza, o batismo
e Peio sem dormir ultimamente...
- Voc� vai mesmo batiz�-lo? - Sua m�e n�o te disse?
N�o fa�a que nem minha m�e agora. J� basta uma.
- E como est� sua m�e? - Nos neg�cios dela, como sempre.
- Sim... - Voc� acha engra�ado, mas...
Sua tia est� ficando maluca.
Falo s�rio. N�o se pode contar com ela.
Ela fica com as abelhas todo dia. J� com o pr�prio neto...
E quando ser�? N�o trouxemos roupa para isso.
- Em 10 dias. - Veremos...
Pois �. Se n�o adiarem por causa do santo.
Que santo? S�o Jo�o? Outra vez?
Desapareceu de novo, sim.
Sua m�e n�o te conta nada?
Est�o procurando por ele dia e noite.
Titia!
Sua m�e est� desconsolada, j� aviso. "Um batismo sem Jo�o Batista."
Aitor, que cabel�o!
N�o vai dizer nada a sua tia?
- Voc� vai � fogueira depois, n�? - N�o.
- Tente colocar algum ju�zo nele. - M�e, a fuma�a...
Antes de fazer o pedido, temos que dar 3 voltas na fogueira.
- Quem quer a caneta? - Eu quero.
Ah, e se voc� n�o � nativo, tem que revelar seu desejo.
Por qu�?
Por que eu disse que sim e ponto final.
E se eu n�o quiser?
Ent�o vai embora.
- Para onde? - De volta para sua cidade.
N�o vamos revelar o nosso.
Mas voc� � do Pa�s Basco franc�s.
E qual � o seu nome?
Coc�.
- Coc�? - Sim.
- Isso n�o � um nome. - �, sim.
Se ele disse que �, ent�o � e pronto.
- Coc�? - Sim, � assim que me chamo.
Nunca tinha ouvido antes.
- Vamos para a fogueira. - Vamos.
Querido! Voc� cresceu muito! Onde est�o os outros?
Aitor est� ali.
Ol�, meu querido.
- Vov�! - M�e, a vov� est� aqui.
Eu n�o te reconheci com esse cabelo.
- N�o vai dar um beijo na vov�? - N�o.
- M�e. - Por qu�?
- Ol�. - Ol�.
- Oi, v�. - Nerea, querida.
- M�e, estou com frio. - Toma, se agasalhe.
E Aitor, que n�o me deu um beijo...
N�o pode obrig�-lo, n�?
- � s� um beijo na vov�. - Mas se n�o quer, n�o vamos for��-lo.
- N�o podemos ficar um pouco mais? - Eneko, vem.
Vamos jantar primeiro e depois voltamos.
- Por que n�o quer dormir comigo? - Porque n�o quero!
Se n�o quer dormir comigo, vai deitar no ch�o, ent�o!
� melhor dormir no ch�o do que com voc�, seu porco.
Vai l�, ent�o.
O que est� havendo?
Seu filho � um porco.
Mas o que � isso, por favor?
E ele, que � um chato insuport�vel.
Levanta a cabe�a.
Aitor, para com isso. Deita.
Sabe o que ele est� me dizendo?
- Ou�a, n�o... - Na verdade...
Sabe que horas s�o? Fale baixo, por favor.
Est� bem.
- Vai � merda. - Fala baixo, chatonildo.
Chega. Parou!
- M�e, ouviu o que ele disse? - Parou!
- Voc� ouviu? - Escuta, j� encerrou.
- Mas voc� ouviu... - Acabou!
Para baixo do len�ol.
Deixa eu botar o len�ol. Se sentir frio, voc� se cobre.
Eneko, por favor.
Eu vou dormir com voc�. Com ele, n�o posso dormir.
Ent�o o santo desapareceu de novo?
N�o desapareceu. Foi roubado.
N�o respeitam nada.
Se tiverem jogado de novo no rio,
n�o sei ele vai sobreviver desta vez.
J� estava bastante deteriorado.
Aposto que foram as mesmas pessoas.
- Vou jogar isso fora. - T�.
Bem...
Tamb�m n�o era a melhor escultura do papai, n�?
N�o, n�o era a melhor, mas era a mais querida no povoado.
E o que houve que voc� veio assim? Me ligou t�o de repente.
Por causa do batismo.
- O batismo? - Sim.
Est� se separando?
Claro que n�o, m�e.
Se importa se terminarmos a limpeza amanh�?
N�o sei, pergunto porque voc� veio para c� da �ltima vez.
- Eu vim para usar o ateli�. - � mesmo?
- Sim. - Isso � �timo.
Por que h� ferramentas do lado de fora?
- Ah, as coisas que est�o ali? - Sim.
Porque um rapaz trabalhou no ateli� recentemente,
e ele tem que passar para busc�-las.
Ele est� pagando para us�-lo?
Est� precisando de dinheiro, Ane?
N�o.
Quando Gorka vai vir?
Gorka est� ocupado. N�o sei se ele vai vir.
Tudo bem em Baiona? Est�o conseguindo levar?
M�e, estou muito cansada. Continuamos amanh�, tudo bem?
- Claro. - �timo.
- Boa noite. - Boa noite.
Ane...
- Pode me dar um beijo? - Claro.
Bom descanso. Amanh� nos falamos.
Tudo aqui tem o mesmo cheiro de sempre.
A casa e tudo mais...
"S�lfides... Um."
"S�lfide...
Um, um, um"?
- M�e, o que significa "s�lfide"? - S�lfide.
M�e.
S�lfides � o nome dessa s�rie de esculturas.
Seu av� quem as fez.
E s�lfide � como uma mulher alta, esbelta.
- Assim est� bom, m�e? - Est� bom.
O vov� fez tudo isso?
Seu av� fez aquelas e essas prateleiras s�o minhas.
- Ol�, bom dia. - Ol�, vov�.
N�o toque nisso, Eneko. Vai brincar com o Aitor.
Oi, m�e. Que surpresa ver essa escultura!
- Pois �. - Eu n�o a via h� muito tempo.
Eu guardo as que valem a pena. Estou arrumando aqui.
- O que fez com as outras? - Tive que liberar espa�o, filha.
- Voc� se livrou delas? - O que � isso?
Nada.
M�e, n�o.
N�o vai me contar o que est� fazendo?
N�o estou fazendo nada, m�e!
Eu sou a �nica que n�o posso usar o ateli� ou o qu�?
Onde esteve? Achei que �amos tomar caf� juntas.
Eu j� tomei caf�.
Eneko, querido...
N�o brinque com isso.
Ane, j� sabe que aqui n�o � lugar para as crian�as.
Relaxe, m�e. Leire vai lev�-los para a piscina.
- Aonde voc� vai, vov�? - Buscar uma coisa. Quer vir comigo?
- Sim. - N�o, voc� vai � piscina.
- N�o, vou com a vov�. - N�o quero que o leve � missa.
N�o estou indo � missa.
Vou ver sua tia e depois procurar o santo no rio.
- Certo. - E se ele quer ir comigo, deixe-o.
N�o devemos for��-lo.
Tudo bem.
- Ele pode vir comigo, ent�o? - Sim, claro.
At� mais, Eneko.
Agur!
- Voc� vai de carro? - Sim, claro.
Posso ir com voc�s? Preciso de cera de abelha.
- Chegamos cedo? - Um pouco.
Estou descendo. J� terminei.
Oi, rapazinho.
Deixe-me sair, Tibet. Vamos.
Vem.
- Sabe o que � isso? - Sim.
E voc�, seu danado?
- O que �? - Cera.
Essa est� mais dura.
Isso esfria super-r�pido.
E ent�o fica s�lido.
� superforte.
Olha.
Toma.
Caramba.
- � muito male�vel, n�o �? - Sim.
D� para fazer uma escultura com isso.
Parece que o tempo est� melhorando.
�, parece que sim.
O Padre Esteban voltou a perguntar das velas.
Se n�o vai ter, melhor dizer a ele, para ele ter uma ideia.
Voc� � m�dica?
Eu n�o, as abelhas que s�o.
As primeiras que minha av� me apresentou.
Sua tatarav�.
� simples assim.
N�o tinha essa besteira de batismo.
Tudo bem, chega dessa hist�ria.
O carvalho de Juli�n est� com fungo.
Teremos que remover as colmeias antes que a �rvore caia.
Pronto.
Tudo certo.
Com licen�a, tia. Tem mais cera?
N�o sei se ficou alguma coisa ali dentro.
Mas se tiver, vai ter que derreter e limpar.
Niko, como est� o trabalho com o vov�?
- �timo. - Bom, muito bom.
Arrumei uma �tima assistente.
A melhor, com certeza.
Vamos ver, o que tem a� dentro?
S�o as sobras da cooperativa.
- Quantas tem a�? - Oito.
- Isso j� serve. - Livraram-se de algumas.
- Queriam que eu pegasse mais. - Muito bem.
Pega.
- Est� viva. - Sim, estou vendo.
- Voc� acha nojento? - Acho.
Posso segurar?
- N�o deixe escapar. - Por favor.
- Tudo bem. Com cuidado. - Pode deixar.
Deixa que eu seguro.
N�o, n�o...
Cuidado.
Ainda est� se mexendo.
Olha, est� sangrando.
- Est� vendo isso? - Vejo, sim.
� um tronco, n�?
Para ser honesto, n�o tenho certeza.
Tem sereias aqui?
As sereias vivem no mar, n�o nos rios.
Esteban, por favor.
Sereias n�o existem.
Bem, depende do ponto de vista.
As sereias s�o parte da imagina��o
e a imagina��o tamb�m � parte da realidade.
- Est� bem. - N�o h� nada aqui.
Da outra vez, estava perto dos po�os, mais acima.
Vamos at� l�?
Conchita, ele n�o vai aparecer duas vezes no mesmo lugar.
- Por que n�o? - Porque seria um milagre, mulher.
Tamb�m n�o vamos perder a f� a essa altura.
O que � f�?
F� � acreditar em alguma coisa
que voc� sente aqui dentro.
E que por isso mesmo, bem...
te impulsiona para frente.
� ter uma certeza.
Cuidado, Esteban, se n�o tombamos.
- Sim, fique tranquila. - Cuidado.
� uma convic��o de algo em que voc� acredita.
� isso.
Por exemplo:
De que cor s�o seus olhos?
Castanhos e lindos.
- Tem certeza de que n�o s�o azuis? - N�o, azuis, n�o.
Isso � ter certeza de algo.
Mas a f� vai mais al�m
do que nossos olhos f�sicos podem ver.
� algo que temos aqui dentro.
Entendeu?
Acho que sim.
Vem, vamos continuar procurando.
- N�o viu nada? - N�o.
- N�o sei o que estamos procurando. - Uma imagem muito bonita.
A �gua est� transparente ali. D� uma olhada.
- N�o, n�o h� nada. - Nada?
At� logo, Isabel.
- At�. - � Lita com a neta.
- Ol�. - Oi, como est�?
- Bem e voc�s? - Como cresceu, hein?
N�o �? Daqui a pouco, estar�o maiores do que eu.
- Aproveite essa idade dela, porque... - "Dele".
Porque crescem r�pido.
- Eu sei disso. - Ela est� muito bonita.
- Ele � lindo. - E de f�rias, que beleza!
Minha nora est� de f�rias e deixou as netas comigo.
S�o bem pequenas, mas eu aproveito tamb�m.
- Voc� fica doida com elas. - J� me conhece.
- Eu adoraria uma menina assim. - Agur.
At� amanh�. Estou indo preparar o jantar.
Mam�e.
Meu bem, voc� n�o cabe voc� aqui.
Mam�e.
O qu�?
Quando eu crescer, vou ser como o papai?
Por que me pergunta isso?
Porque eu n�o quero ser como ele.
Voc� pode ser o que quiser.
Agora v� dormir, meu bem.
Excelente, tia.
Sua alfaiataria teria sido um sucesso.
Bem, seu tio precisava de ajuda com o ateli�.
Os pedidos come�aram a chegar e...
- Tive que tomar uma decis�o. - Certo.
- Mas voc� gostava era disso. - Bem, sim, sim.
Eu gostava de v�rias coisas.
Com a costura, por exemplo, eu n�o teria viajado tanto,
nem conhecido tanta gente.
- N�o �, Peio? N�o � verdade? - Fala para a tia.
Bom, vou te mostrar como vou colocar a renda.
- Est� bem. - Vem c�.
Mam�e, vou brincar l� fora, t�? Vou levar a bola.
- Assim voc� amassa ele todo. - Cuidado.
Olha, esta vou botar aqui, e esta, que sei que voc� gosta...
Nossa, gostei muito.
- Peio vai ficar lindo, n�? Um charme. - Precioso.
- Vov�... - Diga.
O que � batismo?
Batismo significa submergir.
- Aposto que n�o sabia disso. - Mas n�o v�o submergi-lo.
V�o derramar �gua na cabe�a dele enquanto falam seu nome.
Para qu�?
Para limp�-lo dos pecados.
Peio tem pecados?
N�o, ele n�o tem pecados.
Eneko poderia ajudar em algo.
Ent�o por que v�o derramar �gua na cabe�a dele?
Para refresc�-lo. Por causa do calor.
E n�s tamb�m, vamos para a piscina.
Esse vai servir.
Depois, vamos ao sal�o para cortar esse cabelo.
- N�o. - Para voc� tamb�m ficar fresquinho.
E voc� pode pintar esses cabelos brancos...
Isso. Se n�o vai parecer que tenho duas netas em vez de uma.
Que bobagem � essa, m�e? Ele tem uma juba linda.
Sim, claro, ele tem um cabelo lindo,
mas pode aparar um pouco e fazer um corte de menino.
N�o.
Mas cabelo grande � assim mesmo, e ele gosta, n�?
�.
N�o �, Peio?
Estou pronta.
�timo.
Voc� n�o vai � piscina?
N�o querida, n�o posso.
Voc� vai passar o ver�o inteiro no ateli�?
Venha. Assim voc� passa mais tempo com ele.
N�o posso. Preciso trabalhar na garagem.
Leire, pode me deixar na mercearia? Preciso comprar uns bot�es.
Eu vou com a vov�.
N�o, voc� vai para a piscina.
- Eneko! - Vamos nessa.
Eneko, vamos, desce.
Por que n�o?
Porque n�o.
Al�m do mais, minha barriga est� doendo.
Outra vez, sua barriga?
Temos que ir a um m�dico para ver isso.
Vai, me conta...
Por que voc� n�o quer ir � piscina?
Por que eu fico com vergonha.
Vergonha?
- Vergonha de qu�, querido? - Meus dedos dos p�s.
Seus dedos dos p�s?
Deixe-me v�-los.
Estes dedos dos p�s? Vai, me mostra. Deixa eu ver.
Estes dedos?
Quando eu vejo estes belos dedos dos p�s,
me d� uma vontade de com�-los.
Eles s�o lindos.
Sim, s�o lindos. E os das m�os, nem te falo.
Vamos ver.
Olha s� esses dedos. S�o lindos.
- S�o horr�veis. - S�o lindos. Olha.
- Como s�o? - Horr�veis.
Lindos.
- S�o lindos, amor... - Vamos trocar.
Olha os meus.
Tem certeza?
Sim?
Vamos, vai para a piscina. Voc� vai se divertir.
- Vem comigo. - N�o posso.
Voc� pode, mas n�o quer.
Oi, campe�o. Qual � o seu nome? Para eu fazer sua ficha.
- Vamos, voc� � o pr�ximo. - J� vou te dar o de Eneko.
� s� um cart�o.
Para com isso, t�? O que houve? Vamos parar, por favor.
Chega!
Falta o dele.
Qual � o problema agora?
- S�rio. D� para parar? - Toma aqui o seu.
- Para. - Posso pegar?
Valeu.
Mam�e, peguei o meu!
Viu? Eneko j� tem o cart�o dele.
- Pode entrar e nos esperar l� dentro. - Est� bem.
Vamos, � s� dizer o seu nome, que vamos fazer o seu cart�o.
- Ane, estamos entrando. - Ei, escuta aqui...
- Est�o todos nos esperando. - Mas eu quero ir para casa.
Voc� me disse que se eu viesse, voc� viria tamb�m. N�o foi?
Eu larguei o ateli� porque voc� me pediu.
Se for pra voc� ficar assim, te mando para Baiona com seu pai.
Quer anotar num papelzinho?
- Por favor, vamos l�. - Precisamos dos seus dados.
Se n�o, n�o posso fazer o seu cart�o
para voc� acessar a piscina no ver�o.
- Vamos. - Vou te dar um papelzinho.
Pode escrever seu nome?
Vamos.
Eu escrevo.
- Tia... - Sim?
Voc� queria um menino?
Bem, eu queria que viesse com sa�de.
Mas sim, depois de Amaia, eu queria um menino.
Por qu�?
Bom, eu j� tinha uma menina, ent�o queria um menino.
Mas...
E se ele n�o gostar do nome dele?
Peio? � um lindo nome, n�o �? Eu gosto.
Vamos ver, ali � o vesti�rio das meninas.
E ali � o dos meninos.
- Beleza. - Beleza.
- Ent�o voc� vai ser a faxineira. - De jeito nenhum.
- Eu quero um cart�o de s�cia. - Qual � o seu nome?
- Maddi. - Quantos anos voc� tem?
5 anos, ent�o a entrada � gratuita pra mim.
De jeito nenhum voc� tem 5 anos.
Beleza, eu tenho 7. Quanto custa?
10 euros.
Toma.
Eu tamb�m quero um cart�o de s�cia.
- Voc� � Coc�, n�o �? - Isso, Coc�.
E por que n�o tira o seu roup�o?
N�o estou a fim.
N�o pode entrar na piscina, ent�o. S�o minhas regras.
Coc�?
Que cheiro tem isso?
Isso me lembra alguma coisa.
- Ele dormiu? - Ele apagou.
- Ane, eu estava pensando... - O qu�?
N�o se preocupe com o dinheiro. Eu arrumo sua roupas para o batismo.
Ent�o Leire, � que n�o tenho certeza se vamos.
Como n�o?
Voc� tem que ir, quase nunca vem para c�.
- Por favor. - N�o quero que gaste seu dinheiro.
N�o se preocupe com isso. Est� tudo em promo��o...
Agur, Nerea.
Na loja da Maider.
Voc� vai ficar linda. Vamos l�, por favor.
- Diz que sim. - Vou pensar e te falo.
- Certo, mas diga sim. - T�. Te falo em breve.
June, ficou livre, se quiser entrar.
Voc� podem entrar comigo.
- � muito pequeno, n�o cabemos n�s 3. - E se formos em um maior?
Voc� quer?
Est� bem.
- Depois nos falamos. - Est� bem.
Mas diga que sim, hein.
Esse � bem grande mesmo.
Que sorte o seu pai trabalhar na piscina.
- Voc� est� aqui todos os dias? - Sim.
Sim?
- Voc� gostaria disso? - N�o.
N�o?
- N�o. - N�o quero mais fazer xixi.
Vai l�...
Sabia que estudei na escola com o seu pai?
Eu n�o sabia.
Desde novinhos.
Desde os 6 anos.
Por que ele mija sentado?
- Meninos tamb�m mijam sentados. - M�e, para.
O que foi, querido?
Ent�o Coc� n�o � uma menina?
Ele n�o se chama Coc�, ele se chama Aitor.
Cala a boca, m�e!
- Eu sabia... - M�e, cala a boca!
Se � um menino, por que est� no vesti�rio das meninas?
Porque ele quer, e eu sou m�e dele e deixei.
Voc� pode sair, por favor?
Fofucho...
Ei...
O que foi, meu bem?
Vamos l�.
Cala a boca!
- Ei, qual � o seu problema comigo? - Nada!
Por que est� gritando? O que houve, amor?
Vem aqui.
Vem aqui.
Ei, focucho...
Pode parar?
Olha, n�o fala assim comigo.
J� pedi a voc�. E voc� continua.
Mas o que � que te incomoda? Eu te abra�ar?
- N�o estou entendendo... - Voc� est� me importunando!
Estou dizendo para parar, mas voc� continua!
Voc� continua.
O que est� fazendo aqui?
N�o quero dormir com Eneko.
Mas por qu�?
Porque na Fran�a, eu durmo com a mam�e.
E onde seu pai dorme?
No sof�.
Deixe isso a�.
Venha aqui.
Venha aqui.
Deite com a vov�.
Cuidado...
- Que colar bonito. - N�o � um colar.
- O que �? - � um ros�rio.
- Ficaria bonito como pulseira. - Mas n�o � para isso.
� um ros�rio e serve para rezar.
- Vov�? - Diga, meu amor.
Por que eu sou assim?
Assim como, querido?
Deus nos fez perfeitos.
Somos perfeitos.
O que est� fazendo a�?
N�o posso resolver, se n�o me disser o que eu fiz de errado, querido.
� porque eu expulsei ela do banheiro?
June pode dizer o que quiser,
mas voc� sabe que n�o existem coisas de meninos ou meninas, n�?
Certo?
- Ela deve estar a�... - Sim, l� dentro.
Olha, ali est� ela! Venha! Vamos coloc�-la aqui.
Se a rainha estiver a� dentro, as outras seguir�o.
Sim, vamos l�.
M�e, o que � isso? Quem fez?
Isso � um invent�rio.
Sua av� que gerenciava.
Cuidava de todos os detalhes.
- Eu achava que era o vov�. - N�o.
Seu av� s� fazia as esculturas.
A contabilidade e tudo mais, era a sua av�.
As vendas tamb�m.
Os fornecedores...
As rela��es p�blicas, tudo isso.
Na verdade, a ideia de fazer...
r�plicas em cera das esculturas para vender mais
foi da sua av�.
Olha esta foto, o vov� e voc�.
M�e.
O que � isto?
Deixe-me ver.
De onde s�o todas essas meninas? S�o aqui do povoado?
Sim, algumas daqui e outras de fora.
S�o as S�lfides.
E o vov� tirava fotos delas nuas?
A vov� n�o se incomodava?
Suponho que sim.
- Falta s� um pouco. - Sim.
- Pronto. - Voc� gosta de fazer isso, n�?
- Te deixa feliz. - Sim.
O vov� fez essas tamb�m?
N�o, essas s�o minhas.
� mesmo?
Me formei com louvor na universidade com a s�rie "Cisternas".
O que � isso?
O que voc� quiser.
- E esta aqui? - Essa se chama "Pudor".
Por qu�?
Voc� fica muito bem no traje de Niko.
Venha.
Des�a do carro e vamos l�.
Aquela ali � a cera, ela cai no balde.
- Cuidado, n�o se queime. - Certo.
Voc� sabe o que � isso?
Isso � pele de abelha.
Olha.
Est� vendo isto?
S�o c�lulas.
Quando as larvas se transformam em adultas,
elas deixam as peles.
Por que estamos queimando elas?
Existe uma doen�a chamada Loque Americana.
Ela afeta as abelhas menores, as larvas.
E elas n�o se desenvolvem bem.
Ela pode se disseminar e matar todas as abelhas.
Por isso que queimamos os favos.
� uma pena, mas � assim que funciona.
Calma. Com cuidado.
- Coc�, voc� tem medo das abelhas? - Sim.
Meu av� estava doente,
mas as abelhas o curaram.
Meu av� disse que existem muitas esp�cies de abelhas
e todas elas s�o boas.
Migueltxo est� vindo no fim de semana. Ele quer te ver.
- Migueltxo, que ajudava o papai? - Claro.
E para que ele est� vindo?
Porque eu quero vender.
- A casa? - N�o.
O que quer vender?
- A obra do seu pai. - Como?
N�o pode vender a obra dele, m�e.
- N�o precisa de dinheiro? - N�o, n�o preciso de dinheiro.
Vale muito mais manter as esculturas aqui
- do que vend�-las por uma ninharia. - N�o � ninharia.
- J� pesquisamos. - Foi? E quanto �?
Olha, Ane, conservar a obra dele custa tempo e dinheiro.
- E ocupa muito espa�o. - E para que quer mais espa�o, m�e?
E voc�? Posso saber o que est� fazendo no ateli�?
Abriu uma sele��o para professora de arte
em uma escola de Baiona.
E eu sou uma das candidatas. Tenho que apresentar uma obra.
Isso � muito bom, n�o?
As miniaturas contam como obra?
N�o, elas n�o contam para a sele��o.
E o que vai apresentar?
Quero fazer uma escultura e tirar boas fotos das Cisternas.
E por que n�o apresenta sua exposi��o de Paris?
N�o vou apresentar a exposi��o de Paris.
N�o pode ter mais de 15 anos.
As Cisternas vieram antes da universidade.
Mas as pessoas n�o sabem disso.
Dessa s�rie, "Pudor" � a �nica pe�a que vale a pena.
O que voc� sabe sobre o que merece ou n�o ser apresentado?
Voc� n�o faz ideia, mam�e. Voc� s� se dedicava aos n�meros.
� verdade.
Mas n�o era eu quem dizia isso.
Quem dizia, ent�o?
Seu pai.
O papai n�o dizia isso, voc� sabe. Ele gostava da minha obra.
Bem, como eu n�o sabia nada sobre a arte de voc�s,
s� podia confiar no que ele dizia.
Tudo o que ele dizia era:
"Muito bonito, filha! Muito bonito!"
E depois?
Como era bom... Como seu pai era bom.
M�e, poderia tomar conta das crian�as?
Ou isso � pedir muito?
- � claro que eu posso. - Mesmo? Obrigada.
Mas se lembre do que eu disse:
se queria se dedicar a isso, um filho era suficiente.
Mas voc�, n�o. Teve que ter tr�s.
O que h� em Baiona?
N�o h� nada em Baiona.
Eu aprendi com voc�. N�o foi?
Se n�o se importasse com o que diriam,
teria deixado o papai ap�s o drama das S�lfides.
Cale-se! Cale-se!
E voc� ainda estranha que eu n�o visito.
Se tanto te importa a opini�o das pessoas,
fique de olho no Aitor.
Est�o confundindo-o com uma menina com aquele cabelo...
N�o fale do Aitor! Deixe ele em paz, ouviu?
Ponha limites, filha. Ponha limites.
O menino est� muito confuso.
Como est� confuso? Ele tem 8 anos.
Entende? � um menino de 8 anos com uma sensibilidade especial,
que est� explorando. N�o est� confuso.
Explorando? Voc� n�o se d� conta que a culpa � sua?
Consentindo absolutamente tudo.
N�o, obrigada.
N�o corte mais, m�e. Ele j� � grandinho.
Vamos. Corte sozinho.
Eu liguei mais cedo.
Deu uma olhada nos apartamentos que te mandei? Voc� poderia checar.
E o seu telefone tamb�m.
Eu olhei, sim, Gorka.
Voc� n�o conseguiu ver aquele que tinha um pequeno ateli� embaixo?
Imposs�vel. Est� fora da nossa al�ada.
Como est�o as coisas a�?
Vai conseguir terminar a tempo?
Sim, com certeza.
Se soubermos em uma semana se voc� conseguiu a vaga,
posso tentar ganhar tempo.
Escuta, voc� chegou a pensar sobre vir para o batismo?
N�o sei. Acho que n�o.
Mais cedo ou mais tarde, vamos ter que contar a eles.
Mas n�o sei, eu ir agora complicaria tudo.
A crian�as v�o se revoltar.
N�o sei, Ane...
N�o tenho for�as para dar explica��es para a fam�lia toda.
Voc� n�o tem que ficar a�.
Eu sei, mas agora j� � tarde.
J� � tarde.
Bom, isso � com voc�.
Como est�o as crian�as? Posso falar com elas?
Sim, claro.
Vou passar para eles agora.
S� um segundo, eles n�o est�o no quarto.
Pra mim, tanto faz.
Droga, deixei cair.
Gorka, te ligo depois.
� o papai?
O que est�o fazendo?
- Respondam! - Estamos brincando.
- Brincando? - Sim, brincar � proibido agora?
Se sua av� vir voc�s mexendo nas coisas dela... Tira isso.
Tem um fecho.
Escuta uma coisa. Escuta aqui.
Apanha isso e dobra direito.
� para dobrar direito!
Assim?
Te mostro como guardar as roupas? Como estavam antes?
- Aqui. - Deixem tudo como estava.
Olha o que ela esqueceu.
N�o tem senha.
Eneko.
Eneko.
Outra vez?
Escapou.
Levanta e me ajuda.
Eneko.
O qu�?
Desde quando voc� soube que era um menino?
Desde sempre.
Por que pergunta isso?
Eneko.
O qu�?
Acha que algo deu errado quando eu estava na barriga da mam�e?
Por que pergunta essas coisas? Tudo correu bem.
Vamos. Troca de roupa e volta para a cama.
Bela cera de abelha
Me ilumine
Nesta longa jornada
Preciso que me guie
As abelhas vir�o se deixarmos comida para elas.
E... qual � o nome desta flor?
A minha � o tomilho-lim�o.
Voc� sabe qual � a sua?
Lavanda.
Uma abelha.
Elas s�o parecidas, mas t�m cheiros diferentes.
Olha.
Venha c�.
Cheire esta.
Cheire aquela agora.
Viu?
Olha, olha, olha...
Calma, calma! Calma...
Calma!
Respire profundamente.
Entendeu?
E elas n�o v�o te machucar.
�timo.
Muito bem, com calma.
Agora diga a elas o que eu disser:
"Eu vim na amizade.
Eu n�o vou machucar voc�s.
S� quero ajud�-las."
Muito bem.
Muito bem.
Viu? Muito bem.
- Sente-se melhor? - Caramba.
Voc� viu aquilo? Agi como uma menina nervosa,
mas escutei o que voc� disse e fiquei supertranquila.
Como uma menina nervosa?
Voc� parecia calma...
Olha, meu cora��o estava acelerando.
A abelha enfermeira,
que alimenta as larvas, as abelhas beb�s,
quem seria ela?
Quem voc� acha?
- A tia Leire. - Muito bem.
E as que vigiam a entrada da colmeia
para que s� os familiares possam entrar?
- Quem seriam? - Aquelas velhas do bairro.
- Quem? - Aquelas velhas do bairro.
Isso mesmo.
Aquelas que est�o sempre sentadas no banco, n�o �?
- Sim. - Pois �.
E o zang�o?
- O que � isso? - O zang�o...
� o macho da colmeia.
Quem seria ele?
Hein?
- Vamos. - Meu pai.
Muito bem.
Abra espa�o.
Foram todos?
- Eneko. - Muito bem.
E...
- A rainha? - Eu.
- Voc� � a rainha? - Sim.
Eu achava que fosse eu.
- Voc�? - Sim, eu.
Voc� n�o pode ser uma abelha.
Por que n�o?
Porque voc� � uma apicultora.
Tudo bem...
Voc� toma conta da gente.
Oi.
Eneko.
Se ela pegar voc�...
Agora voc� � totalmente c�mplice.
- A �gua est� fria... - Est� nada!
Vamos fazer mais espuma.
Tem muita aqui.
Um cavanhaque.
H�-h�-h�!
A vov� gosta muito dessa banda.
- "Sergio e Estibaliz." - Vov�?
Diga.
Quem � esta?
Quem �?
- Sua m�e. - Com o cabelo raspado?
- Sim. - N�o acredito.
- N�o � a mam�e. - � sim, querido.
Deixa eu ver, Eneko.
- N�o � a mam�e. - �, sim.
- Est� caindo um tor�! - Leire.
Eu fiz uma faxina e trouxe algumas roupinhas.
- De Amaia? - Sim.
Deixa eu ver.
- � do meu tamanho? - Sim, vai ficar �timo em voc�.
- Olha esta aqui. - Que beleza!
Gostou? Fica para voc�.
Olha este, Nere.
- Uau, � lindo. - E ela usou pouqu�ssimas vezes.
- Est� praticamente novo. - � s�rio?
- Mas tudo isso � para mim? - Tudo o que voc� quiser.
Essas s�o roupas de Carnaval.
Muito bem. � isso a�! Agora...
Eu me lembro disto.
Essa � um pouco maior, n�o?
- N�o. - Ou ser� que fica bom?
Aproveitei que Amaia est� fora para fazer uma limpa.
Olha esta cal�a jeans.
- N�o � muito grande para mim? - Acho que n�o. N�o.
- Voc� pode dobr�-la. - Sim.
- O que � isso? - Umas roupinhas que eu trouxe.
- E agora... - E esta?
- Essas s�o para a vov�. - Gostou desse?
Pra mim, tanto faz.
- Certeza que Amaia n�o vai ligar? - N�o, ela n�o se importa.
Obrigada, Leire. Est�o �timas.
� tudo lindo. Eu amei.
E tenho mais coisas em casa.
Isso vai ficar melhor quando eu me depilar.
- N�o faz mal. - N�o me depilei hoje.
E com as cal�as, � s� fazer como eu disse.
Sim, mas essa � melhor costurar.
- Porque se n�o, pode cair. - Ficou boa ou n�o?
Que rabo de sereia lindo, n�?
Est� lindo.
Achei que n�o gostasse de nadar.
Vem. Vem c�, vem.
Vem aqui.
Opa, assim eu caio.
Vamos ver esse rostinho lindo.
Ei...
N�o vai me contar por que gritou comigo no vesti�rio?
Por que eu tenho que contar a voc�?
Porque estou preocupada. Quero saber.
Porque voc� me chamou de "Aitor".
Prefere ser chamado de "Coc�"?
Pensei que detestasse esse nome.
Como quer ser chamado?
De nenhuma maneira.
Pronto. Deixe a pedra aqui.
Me passe minha pochete.
O que � isto?
N�o sei.
- N�o sabe? - N�o.
Foi Juli�n que me deu.
Niko disse que Coc� deu a ela.
Voc� � Coc�?
N�o.
Eu n�o tenho nome.
Isso n�o � poss�vel.
Minha m�e costumava dizer:
"O que n�o tem nome n�o existe."
Mas voc� existe, n�o existe?
- Sim. - Pois �.
Voc� est� bem aqui, na minha frente. Estou te vendo, certo?
Certo.
Ent�o escolha um nome para voc�.
E coloque isto onde voc� achou.
E se algu�m perguntar, vou dizer que foi Coc�.
Combinado?
Por que est� se co�ando tanto?
Est� pinicando.
O que est� fazendo a�? Venha c�.
Venha, entre.
Estou com medo.
Medo de qu�? Vamos.
Venha, eu seguro voc�.
Muito bem. Viu como n�o est� t�o fria?
Venha, meu bem.
Venha.
- Vamos mais fundo. - N�o.
Deixe disso. Afunda mais um pouco.
Muito bom, muito bom.
Isso a�.
Escuta, n�o quer nadar um pouco? Precisa de ajuda?
- N�o. - Vai sim!
- Tudo bem. - Vamos, eu te ajudo.
- Espera, � assim. - Assim mesmo. Muito bem.
Olha como � corajosa! Bom trabalho!
Muito bem!
�timo. Foi muito bem.
Olha, que estou indo te pegar!
Vou te pegar!
Pronto.
- Eu te seguro e voc� esfrega bem. - T�.
O piu-piu de uma menina deve estar sempre limpo, certo?
Bom trabalho.
- Pronto. - Pronto.
Muito bem, vamos l�.
Vai!
Sim.
Cuidado.
Espera. Cuidado a�!
Muito bem. Vamos l�.
- Agora com uma m�o s�! - Est� bem.
Muito bom!
- Vou te levar ao circo! - Tamb�m consigo fazer isto.
Tem certeza de que vai suportar?
N�o parece seco.
Ainda est� �mido.
Essa � Santa Luzia.
- E est� rezando para Santa �gata. - Por qu�?
Para que ela lhe conceda um desejo.
E qual � o desejo dela?
O desejo dela � ajudar os pobres.
- Ela n�o quer nenhum pretendente. - Ela � pobre?
N�o, por isso querem cas�-la com um rico.
E por que ela usa maquiagem?
N�o � maquiagem, meu amor.
Castigaram Santa Luzia
por defender o que ela acreditava.
- Lembra-se do que � f�? - Sim.
� isso.
Ela se chama Santa Luzia de Siracusa.
Venha, vamos acender umas velinhas.
E quem estava l� em cima? Santa Luzia?
N�o, era S�o Jo�o Batista l� em cima.
O santo que estamos procurando no rio.
- Venha... - Essa � Santa Luzia?
Essa, sim, � Santa Luzia.
Em nome do Pai,
do Filho e do Esp�rito Santo.
Am�m.
Olha, fa�a isto.
- Faz c�cegas? - Faz.
Em mim tamb�m.
O que � aquilo?
- O qu�? - Aquilo.
Vamos pegar.
- � bonita sua roupa de banho. - Vamos ver a sua.
Quer trocar? A minha entra no meu bumbum.
Certo.
Meu nome verdadeiro � Luzia.
- N�o � Coc�? - N�o conte a ningu�m.
Um menino da minha sala tem periquita.
E como ele �?
Ele � fofo.
Vamos.
Est� um pouco fria.
Muito bem, vamos entrar. Um, dois, tr�s...
Vou afinar isso um pouco.
- N�o tem bra�os. - Vou esculpi-los agora.
- Voc� fez duas? - Sim.
Quem � esse, ent�o?
O papai e eu.
� o papai?
Muito lindo, querido.
N�o est� quente o bastante.
Pode esquentar isso?
Certo.
Droga!
- Assim est� bom, obrigado. - De nada.
- E o outro lado. - Sim, claro.
Vamos ver a sua, Nerea.
Olha, � o corpo que eu idealizo para mim.
Seu corpo � perfeito como �. Voc� n�o precisa idealizar,
mas voc� tem um olho incr�vel em rela��o ao volume.
Eu herdei.
De verdade, a propor��o est� muito boa.
- Obrigada. - Muito bem.
E a sua, Aitor? Me mostra?
Deixa eu ver.
- � uma sereia, n�o �? - Sim.
� o seu autorretrato?
Mais ou menos.
Combinamos que far�amos autorretratos.
Bem, eu fiz o que eu queria.
Est� muito bom. Muito bem.
- O que foi? - Nada.
S� queria saber se esculpiu algo de que realmente gosta muito...
- e n�o um autorretrato. - Eu fiz eu mesma.
- Ent�o � voc�? - Estou bonita, n�o?
- Isso � imposs�vel. - Pois �.
� isso.
Que bom que chegou a tempo.
Sim, certamente.
Estou ansiosa para come�ar.
Fico muito feliz.
Me avise quando eu for come�ar.
Perfeito.
At� logo.
Obrigada.
Eu falei para voc� n�o mexer, mas voc� n�o me escuta.
S�o vestidos muito delicados, voc�s v�o ter que pagar.
- O que est� havendo aqui? - Est� avariando todos os vestidos.
- Mande ele parar, ent�o. - J� mandamos...
Dissemos v�rias vezes para ele n�o mexer.
- N�o somos a m�e dele. - A m�e dele sou eu. E a�?
- Ane! - Eneko, tire essa roupa.
- Ajude-o, Nerea. - � que...
N�o entendo por que isso tudo por causa de um vestido.
Pois sabe quanto custa apenas um desses vestidos?
Quem vai pagar por isso?
Voc� quer me fazer pagar por isso? S�rio mesmo?
- Olha, Leire... - Ane, n�o � um, s�o dois.
- Basta. - N�o se preocupe.
Vou pagar pelo vestido e pela roupa de Eneko.
Leire, ele n�o para. Est� me deixando louco.
E minhas tetas, que est�o me matando?
D� um banho nele, que j� estamos indo.
- � verdade. Est� bem. - Sim, pois �.
Merda!
Voc� veio que nem um touro.
N�o precisavam ter falado com ele daquela forma.
- As duas em cima dele. - Mas que forma?
- Voc� � muito ruim nisso, sabia? - O que est� dizendo?
Bom, quando voc� chegou, j� t�nhamos falado com ele mil vezes.
Fique tranquila que vou pagar pelas roupas.
A quest�o n�o � essa, Ane.
Como foi?
Muito obrigada por cuidar dele esses dias, tia.
De nada.
� bonita.
- � pequena. - Melhor.
O que eu iria fazer com uma daquelas esculturas enormes?
Esta eu posso levar comigo.
Olha, Ane, eu...
Bem...
Eu queria falar com voc� sobre Aitor.
L� em cima, nas colmeias,
vi que ele ficou bem.
Sim.
Ou melhor dizendo...
Ela pareceu tranquila.
O que voc� disse?
Ela fala assim.
"Estou tranquila, estou cansada, estou entediada..."
Era s� o que me faltava.
Estou tentando ensinar a ele que n�o h� coisas de menino e menina.
N�o quero voc� botando ideias na cabe�a dele.
Eu n�o fiz nada disso.
Eu s� escuto.
E eu n�o escuto?
Francamente...
Tudo bem que, nos �ltimos meses,
com isso da sele��o, n�o andei muito presente.
Mas, acredite, tia, est�o descompassados.
E todo mundo julga, falar � muito f�cil,
mas quem tem tr�s filhos sou eu.
Tudo o que sei � que Niko...
A neta de Juli�n, que � amiga dele agora,
acha que ele � uma menina, e ele n�o a corrige.
Ele refere a si mesmo como "Coc�" quando est�o juntos.
E eu vim aqui te agradecer...
N�o quero que me agrade�a.
Basta que voc� sente e converse com ele.
Ou ent�o, pode fazer que nem a sua m�e...
Fingir que n�o est� vendo.
E o que eu pergunto a ele, tia?
Voc� j� sabe.
De que tem medo?
Sabia que consegui a vaga?
Bom... Isso � �timo. N�o?
Eu consegui com S�lfides.
Como com S�lfides?
Voc� submeteu o trabalho do seu pai para conseguir o emprego?
N�o sei o que estou fazendo, tia. N�o me reconhe�o.
Fa�a o que quiser da sua vida.
Mas n�o deixe seus filhos viverem a vida deles com vergonha.
- Voc� trouxe o papel? - Sim.
Eneko, me ajude.
� pesado.
Voc� vai botar? Espera.
- Toma. - N�o, faz voc�.
Est� bem.
O que voc� vai pedir?
- � segredo. - Voc� pode me contar.
Que o papai venha.
E voc�?
Ser chamada de Luzia.
Caiu tudo, estragou tudo.
O p�.
J� para a cama! Agora mesmo!
Lita, as obras de arte e as esculturas
s�o as menores das nossas preocupa��es agora.
- O que houve? - S� escute. � importante.
Ane, com quem voc� conversa coisas importantes?
- M�e, deixa disso. - Com sua tia ou com sua m�e?
Por que eu n�o entendo. S� voc�s duas podem opinar?
Isso tamb�m diz respeito a mim.
Tamb�m gostaria de discutir isso com Gorka.
Qual � o problema se ele se sente como uma menina?
Uma menina? O que � isso?
Do que est� falando, Lourdes?
Voc� ouviu bem.
O problema do menino � que ele est� cercado de mulheres.
Voc� n�o tem a m�nima sensibilidade...
para entender o que est� passando com essa crian�a?
Est� querendo me ensinar?
Voc� vai me ensinar
como lidar com meus netos, com minha filha?
- Claro que n�o. - Muito bem, ent�o.
Estou apenas perguntando se voc� quer que seu neto ou sua neta seja feliz.
Francamente, Lourdes...
Eu agradeceria se voc� nos deixasse em paz.
- M�e, por favor... - N�o tem problema.
- Tia, n�o vai. - Tudo bem, eu te ligo depois.
Desculpe, querida.
N�o deixe que sua tia te manipule.
Por que voc� pode saber quem voc� � e eu n�o?
Quero que me chame de Luzia.
- Oi! - Papai!
Pula aqui!
Como est�?
- Bem. - Mesmo?
Sim.
- Papai, voc� vai ficar? - Vou.
- De verdade? - Sim, vou ficar.
Que maneiro.
O que � isso?
S�o argizaiolas, um suporte para velas.
Elas s�o estranhas.
Essas velas s�o especiais.
S�o compridas.
Elas iluminam os caminho para os mortos.
Coloque isso na mesa.
E quem s�o essas mulheres?
A da esquerda � minha av�.
- Est� vendo as velas que elas levam? - Sim.
Para elas, as abelhas eram parte da fam�lia.
Nossa av� e bisav� tamb�m tinham colmeias.
Quando eu nasci,
minha m�e bateu nas colmeias tr�s vezes com um peda�o de pau.
E disse a elas: "Abelhas, Lourdes nasceu."
Deixou a porta do favo aberta, para elas produzirem mel.
Fizeram o mesmo com a sua av�.
Vou te contar uma coisa.
Quando minha m�e morreu, eu fiz a mesma coisa.
Eu bati nas colmeias tr�s vezes.
Eu disse: "Abelhas, preciso de cera...
para iluminar o caminho para minha m�e."
Para onde ela foi?
Bom, eu n�o sei.
O corpo dela foi embora,
mas eu ainda a sinto, aqui dentro de mim.
- Tia. - Sim, querida?
Eu posso morrer
para nascer outra vez sendo menina?
Mas por que voc� precisa morrer?
Voc� j� � uma menina.
E uma muito bonita.
A mais linda de todas.
Minha querida.
Ele � muito pequeno, n�o tem no��o disso ainda.
Em casa � uma coisa, mas...
colocar um vestido, Ane?
Acho que fomos muito permissivos com ele.
Outro dia, apareceu uma amiguinha dele para busc�-lo.
Voc� tinha que v�-lo.
Ele nunca trouxe amigos para casa, Gorka.
E n�o demos import�ncia a isso.
Est�vamos muito cegos para ver o que estava acontecendo.
Por que n�o voltamos para casa e pensamos melhor sobre isso?
E com o dinheiro que voc� vai receber da sua m�e...
N�o sei, podemos conseguir.
Com esse dinheiro, vou comprar um ateli�.
Como assim vai comprar um ateli�?
Mal damos conta dos apartamentos, e voc� vai comprar um ateli�?
Ane, acho que temos que sentar e conversar sobre muitas coisas.
N�o vai nem esperar para saber da vaga de professora?
Me deram a vaga, Gorka.
Por que n�o me contou?
Porque eu n�o vou aceitar.
Voc� gosta?
Vai vir toda a fam�lia?
Sim.
Se preferir, podemos deixar para outro dia.
N�o precisa ser hoje.
Tem certeza?
Ele n�o vai aparecer naquilo.
- Vai, sim. - N�o, assim, n�o.
- Vai sim, Gorka. - N�o vai, porra!
Ele n�o est� em casa, Ane!
Voc� n�o esteve aqui nos �ltimos dias.
Se voc� me falasse as coisas... Mas voc� nunca me conta nada!
Esse � o problema.
Ele pode vestir o que quiser em casa, mas aqui, n�o.
J� te disseram como voc� est� linda? Fica de presente.
- Viu Aitor? - N�o.
Tia, voc� viu Aitor?
Por que tirou o vestido?
Porque n�o quero que fique chateada.
Como a vov�.
Quero ficar sozinha.
Nossa, voc� me assustou!
Venham, vamos fazer uma foto.
Vamos, juntem todos para a foto.
Venham para a foto!
Juli�n, Niko, voc�s chegaram!
Venham para a foto.
Richard, junte-se a n�s.
Os mais altos atr�s, por favor.
Um pouco mais para tr�s. E Nerea, agache aqui.
Peio!
Crian�as, um pouco mais para c�.
�timo. Vamos l�. Todos prontos?
Todos posicionados? Muito bem, vamos l�.
Um, dois, tr�s.
- Batata! - Cheese.
- Ol�. - Voc� viu Coc�?
N�o.
Voc� n�o sabe onde ele est�?
- N�o. - N�o?
Aitor!
Aitor!
Aitor!
Aitor!
Aitor!
Aitor, cad� voc�?
Aitor!
Aitor!
Aitor!
Cad� voc�, Aitor?
Aitor!
Aitor!
Aitor!
Aitor!
Aitor!
Onde voc� est�?
Aitor, cad� voc�?
- Aitor! - Aitor!
Aitor!
- Aitor! - Aitor!
- Aitor! - Gorka...
Assim, n�o.
O que quer que eu diga? Como eu devo cham�-lo?
Tudo o que eu quero � que ele apare�a.
- E chamo ele como ele quiser. - Gorka...
Aitor!
Luzia!
Luzia!
Aitor!
Aitor!
Luzia!
Aitor!
Aitor!
- Luzia! - Aitor.
Aitor!
Luzia!
Aitor!
- Aitor! - Aitor!
Luzia!
Cad� voc�? Aitor!
Luzia!
Abelhas, eu sou Luzia.
Abelhas, eu sou Luzia.
Abelhas, eu sou Luzia.
Mam�e.
Est� acordada?
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[CENA P�S-CR�DITOS]
�, noite!
O que acontece com voc�?
O que acontece com voc�...
No sil�ncio?
Voc� entristece meu cora��o
Voc� escurece nossas mentes
Na solid�o
O vento chora
O mar fica silencioso
Quando voc� vem
�, noite!
O que acontece com voc�?
O que acontece com voc�...
No sil�ncio?
Voc� me faz recordar
Que tamb�m � escuro aqui
No mundo em que vivemos
H� tanto medo, �dio
H� maldades e tristes injusti�as
Sim, como h�
�, noite!
O que acontece com voc�?
O que acontece com voc�...
No sil�ncio?
� noite
Eu sonho
Que amanh� de manh�
O mundo estar� melhor
Que na noite escura dos homens
A paz
A esperan�a e um novo amor
Nascer�o de novo
Que na noite escura dos homens
A paz renascer�
Na noite
No mais absoluto sil�ncio
A promessa de luz
Amanh� de manh�
Na noite
No mais absoluto sil�ncio
A promessa de luz
Na noite escura dos homens
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