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Aqui � o meu est�dio.
Tamb�m gravo aqui. Quando quero estudar,
isto � como...
Como um bloco de notas. Se quiser uma batida...
Dou-lhe um clique. Decido fazer um ritmo.
Vamos p�r bateria.
O baixo.
C� est�. � muito funky? Tudo bem.
Aqui est�!
� o meu primeiro per�odo, o per�odo funk.
Massimo!
P�e m�sica.
O meu dia come�a sempre com o Maestro Pergolesi.
- Claro! - O Maestro Pergolesi � importante.
Aumenta um pouco.
N�o muito, est� bom.
Um pouco mais, mais... � isso, para!
Enzo, por aqui.
- Vamos, Vincenzo. - N�o � um passeio f�cil.
Rapazes, ele est� ali, com a c�mara.
O Jonathan j� chegou.
Ol�, prazer em ver-te.
- Enzo, querido. - Como est�s?
Como est�s?
Enzo.
� uma pe�a muito simples, s� com dois acordes.
Fala das crian�as do mundo.
Ele alterna a minha pe�a com canto livre
que pode ser ligado � minha letra ou a algo que ele queira dizer.
As crian�as s�o todas iguais Ningu�m � filho de ningu�m
Todas nascem do amor
Sabemos como nascemos Mas n�o como morremos
As crian�as s�o todas iguais Ningu�m � filho de ningu�m
Ningu�m...
Solo.
O final.
Um, dois, tr�s, quatro.
Duas repeti��es.
Estamos prontos.
Vamos olhar um para o outro. Maestro!
Vivem debaixo de terra em Bucareste
Cheiram a cola dos embrulhos
Enquanto nos muros de Bagdade
Est�o desenhados os olhos de crian�as
Os meninos das favelas Est�o todos retalhados
Estrelas emaranhadas E luas espezinhadas
Tufos negros de m�es africanas
Sujas e famintas Nunca ver�o o amanh�
As crian�as s�o todas iguais Ningu�m � filho de ningu�m
Todas nascem do amor
Sabemos como nascemos Mas n�o como morremos
As crian�as s�o todas iguais Ningu�m � filho de ningu�m
Ningu�m
Ele � um filho alban�s Nasceu no mar
Cuidado ou os tubar�es comem-no
Com ranho no nariz E uma espingarda na m�o
Deve ser um homem Se � s�rvio ou afeg�o
No Curdist�o nunca trocam de roupa
No Haiti tiram comida da lixeira
Flores com olhos de am�ndoa Espalhadas na estrada
Pagam ao leste Por fantasias estranhas
As crian�as s�o todas iguais Ningu�m � filho de ningu�m
Todas nascem do amor
Sabemos como nascemos Mas n�o como morremos
As crian�as s�o todas iguais Ningu�m � filho de ningu�m
Ningu�m...
Se tudo fosse verdade Ideias nuas e palavras a p�
Se tudo fosse cru
Na verdade Estou de mau humor desde ontem
Se fosse sempre tudo
Pessoas com falta de cora��o Que n�o olham para dentro
Se voltasse a ser tudo
�gua nas m�os Quando o sol se p�e
As crian�as s�o todas iguais
Ningu�m � filho de ningu�m
Todas nascem do amor
Sabemos como nascemos Mas n�o como morremos
As crian�as s�o todas iguais
Ningu�m � filho de ningu�m
Ningu�m...
� aqui que guardo o segredo
da minha vida, que � esta m�sica que compus.
� um prazer mostrar-vo-la hoje.
Vamos usar a cama.
S�o umas 300 obras compostas
que nunca vou ouvir.
Vamos p�r isto � vista.
Esta, por exemplo, � uma fantasia para dois fagotes.
Esta � uma pe�a s� para um violino, "Diversidade".
� dedicada ao hip-hop europeu que flui no interc�mbio cultural.
Isto � um concerto para obo� e guitarra.
Concertos para flauta e orquestra...
H� m�sica para todos os instrumentos,
para todos os tipos de forma��es,
m�sica de c�mara...
Perdi-me neste rio de m�sica.
Durante muitos anos, n�o consegui ver.
Fiz dois transplantes de c�rnea porque perdi a vis�o
e deixei de poder compor.
Quando recuperei a luz que nos deixa ver as coisas,
voltei a compor
e apaixonei-me por este programa inform�tico.
Criei um arquivo
com toda a minha m�sica.
No total, tem 600 faixas,
das quais pelo menos 300 s�o in�ditas.
Adoro quando abro a partitura de uma obra,
por exemplo, "Exeredati Mundi",
e est� tudo aqui, a orquestra toda.
Vou aumentar. Violinos, timbales, tudo.
Ent�o, pensei:
porque n�o levar este requiem
pelas Esta��es da Cruz,
as 15 esta��es... Com licen�a.
N�o fa�am tanto barulho!
Nesta esta��o, a n�mero cinco,
"Sim�o de Cirene ajuda Jesus",
os rapazes de Castel Volturno morrem, s�o massacrados.
Imaginem isso e ou�am esta m�sica.
Aqui est�o as flautas.
� fabuloso!
E conduzimos a nossa pr�pria orquestra.
Ouvimos aquilo que compomos.
Est�s aborrecido? Queres que pare?
� lindo. Piccolo!
� lindo.
Temos uma orquestra em casa.
Escuta, � lindo.
� assim...
Num pa�s africano long�nquo, a atravessar mares e montanhas,
em busca de liberdade entre os rochedos, a escapar a uma escravatura sem fim.
Deixam lar e fam�lia para construir um futuro.
Quem diria que ele acabaria assim?
Tambores negros, um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis...
Na Domiziana, em tomatais e estradas de terra.
Mas esta nossa f� � a esperan�a que se aproxima.
Esta dor � vermelha como o sangue na estrada da vida.
Enfrentando bombas e armas, m�sculos de ferro e um cora��o de guerra.
Animais entrincheirados sem toca, vento e juncos neste p�ntano.
E entre vistos recusados e direitos negados,
mais um dia que passa.
E entre um negro e outro, numa c�mara frigor�fica...
Trinta tinidos e uma campainha.
Uma campainha.
Tambores negros, um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis...
Na Domiziana, em tomatais e estradas de terra.
Mas esta nossa f� � a esperan�a que se aproxima.
Esta dor � vermelha como o sangue na estrada da vida.
E outro Martin Luther King.
E outra marcha pela paz.
Tenho um sonho
Hoje, tenho um sonho
Tenho um sonho
Tive este sonho, hoje
Toda a gente se sente triste
Toda a gente sente o mesmo
Hoje, tenho um sonho
Em napolitano diz-se...
Tenho um sonho
Tenho um sonho
Tenho um sonho
Na minha alma, tenho um sonho
H� muitos m�sicos dentro de um m�sico.
Com os Bottari, termina-se um concerto que � um ritual popular
realizado entre o povo,
e, quando chegamos a casa, tornamo-nos outro m�sico
porque entramos na partitura,
e � algo completamente diferente.
�s vezes, pergunto-me: "Quem sou eu?"
Lua, lua B�beda com vinho mau
Lua, lua B�beda com vinho mau
Abre, � bom para ti
Abre, � bom para ti
Abre, � bom para ti
Abre, � bom para ti
Uma dan�a antiga
Da hist�ria das hist�rias
Da hist�ria das hist�rias
Abre, � bom para ti
Abre, � bom para ti
Estas duas obras s�o especiais para mim.
Todas as escalas do mundo,
as modalidades musicais dos povos do planeta.
Decidi desenvolver estas escalas, todas as escalas que existem,
a Maqam �rabe, a escala arabesca, a escala Bachian, Bantu...
As escalas raras que nunca tinham sido desenvolvidas.
Agora, podem ser tocadas em qualquer instrumento.
Gostaria de fazer o mesmo com ritmos de todo o mundo.
Gostei disto nos ritmos dos p�s.
Os ritmos dos p�s do Sud�o, da Nig�ria, da Tanz�nia.
O ritmo original, dos p�s...
Ritmo dos p�s significa que n�o tem uma superestrutura,
como os gregos diziam, um ritmo...
Gente l� fora, est� a chover Sinto-me perdido, chove h� 15 minutos
Tenho uma ideia a partilhar Esta ideia de viver
Tenho saudades de casa O meu cora��o � um ouri�o na rua
Se Deus n�o estivesse aqui, n�o estaria E se n�o estivesse aqui, eu n�o estaria
Abre, � bom para ti
Aqui est� toda a minha vida.
Eis o grande Maceo Parker,
um grande m�sico, saxofonista.
Depois h� a Ces�ria �vora, um grande encontro.
Randy Crawford, Manu Dibango...
Afrika Bambaataa. A primeira vez que fui a Nova Iorque a um concerto no Apollo.
Estive com ele no Bronx
para um dos primeiros telediscos em 1980.
Esta foto � de uma gala de pr�mios com a Tina em Riva del Garda.
Foi uma experi�ncia linda,
foi quando conheci o budismo de Nichiren Daishonin.
Porque, inicialmente,
eu era cat�lico,
depois tornei-me budista, converti-me.
Na minha segunda viagem � Am�rica, fui a S�o Francisco.
Conheci o Sri Chinmoy, um guru, um mestre espiritual,
que me ensinou medita��o, outro tipo de investiga��o.
Mas depois,
quando a Maria faleceu,
fiquei muito abalado
e parei essa investiga��o,
por isso, voltei ao cristianismo.
No entanto, foi a um tipo de cristianismo meu.
A Angela ia formar-se amanh�, no dia 16.
E eu disse "n�o". A Connie � investigadora.
Diz-lhes que publicaste um artigo muito importante.
Um artigo num jornal cient�fico.
Ela � formada em Qu�mica e � investigadora.
Ele � a nossa refer�ncia e o nosso guia. Apesar das nossas diferen�as,
sabemos que estar� sempre do nosso lado, tal como estaremos do dele.
Somos muito unidos.
Para mim, ele � uma pessoa muito especial.
Ele � como um pai para mim, sempre me encorajou.
Por isso, quero agradecer-lhe por tudo o que fez para mim.
- Obrigado, Enzo. - Obrigado.
O Murad � de Marrocos,
� o namorado da Angela. Vive em Turim com a fam�lia.
� uma pessoa importante para mim. Deu-me isto
e tenho muito apre�o por isto,
� uma prenda especial. A m�e dele trouxe-a de Meca.
O Rosario � marido da Connie.
� uma pessoa especial, um homem extraordin�rio.
Al�m de ser pai, � tamb�m um amigo.
Tem estado sempre do nosso lado, sempre a tentar equilibrar tudo.
Mesmo quando se ausentou por longos per�odos,
sempre esteve presente.
Ele � tudo para mim.
Para mim e para a minha irm�, ele � tudo.
Adoro-o imenso.
O que est�s a fazer, mano?
As minhas costas.
Diz-me, o que podemos fazer?
Tens raz�o.
Neste percurso pela vida,
uns cantam, outros jogam, outros correm por a�... O que fazemos?
- Chamo-me Aldo. - Enzo.
Admiro-te, �s um m�sico vanguardista espetacular.
- Obrigado. - Tudo de bom.
- Volta para as tuas coisas. - Tem um bom dia.
� um desafio constante.
Isto n�o s�o os habituais instrumentos cl�ssicos,
com centenas de exemplos
e uma longa hist�ria
que nos ajudam a compreender como os devemos gravar.
Os instrumentos que gravamos aqui
raramente s�o vistos.
Assim, perguntamo-nos: "Conseguirei captar a ess�ncia deste som?"
Conseguirei fazer esta energia
e esta emo��o serem transmitidas?
Se puseres o microfone no s�tio errado,
perdes aquela emo��o.
S� h� um s�tio certo
e temos de o encontrar em poucos segundos.
Ventos de amanh� Eco de vozes, vozes distantes
Tesouros imensos, segredos imensos Ventos de amanh�
Mar� alta, mar� baixa Ventos de amanh�
Cabe�as baixas e cabe�as erguidas Ventos de amanh�
Prontos a procurar pedras preciosas Perdidas para sempre
Escondidas entre a roupa Ventos de amanh�
A sussurrar passado e futuro Ventos de amanh�
O launeddas existe h� mais de 3000 anos.
Parece ser o primeiro instrumento polif�nico na zona do Mediterr�neo.
Sempre acompanhou
os sardos nas suas dan�as
e nos seus rituais religiosos.
Essa tradi��o persiste, mas n�o como era.
H� alguns grupos que dan�am, mas j� n�o � igual.
Era uma coisa ritual.
Chegavam a dan�ar dentro das igrejas.
Mas, em 1600, um arcebispo espanhol proibiu isso.
N�o queria dan�a dentro das igrejas, s� l� fora, � frente.
� uma tradi��o que queremos continuar.
Tudo aqui tem uma hist�ria.
Muitas destas flautas do Norte de �frica
foram presentes do Murad.
Quando comecei a tocar,
fui inspirado pelo James Brown.
Lembro-me de ouvir...
Agora, compreendo. Eu ouvia, por exemplo...
Quero entrar-te na alma Se entrar vou ganhar
Precisamos de alma Venham busc�-la
Ent�o saber�o de onde venho
Um homem, eles v�m e v�o
Mas eu continuo atento E o meu rap � forte
Salta para o meu comboio Quando estiver fora da vista
Concentra-te e diz Sim, tens raz�o
Ama-me com meiguice, ama-me devagar Se isso n�o resultar, volta por mais
O pap� n�o aceita porcarias
O pap� n�o O pap� n�o aceita porcarias
Adorava James Brown.
Ap�s algum tempo, percebi uma coisa.
Sentia-me atra�do pela m�sica porque gostava disto.
Ent�o, perguntei-me qual seria a l�ngua das minhas origens.
Era semelhante e movia-se na mesma dire��o.
Ele come�ou pelo gospel, pela devo��o do seu povo,
que claramente se tornou uma devo��o secular.
Assim, pensei... Onde est� a devo��o do meu povo?
Onde � que o meu povo reza de maneira secular?
Na devo��o antiga. Uso o mesmo ritmo.
At� a�, cantava "estilisticamente",
com uma linguagem que tinha aprendido.
Este ros�rio que recitei Foi escrito no c�u e na terra
Que chegue � Virgem Maria E que lho entreguem
Que ela o receba com amor Escandalize o pecador
No meu leito de morte Que eu seja feliz e forte
Sa�dem-na e rezem por mim � Virgem
Sa�dem-na por mim
Ave Maria, sou de Scampia.
Onde havia can�bis, agora h� seringas e coca�na nas ruas.
Sentimentos exaltados, dias confusos.
Nunca uma car�cia, filhos escondidos de Deus.
Santa Maria, n�o h� nada a compreender. � um mundo enganoso.
Quanto mais queres, mais confuso ficas.
S�o desejos, caprichos, perfumes malcheirosos,
sob o suor, uma alma estagnada faz um lama�al e um fedor.
A peste!
O medo torna-nos selvagens
e m�e, pai e irm�o matam-se uns aos outros.
Mas quem quis isto? Quem nos mandou a peste?
N�o podes morrer jovem, d�-nos o resto.
Fomos e viemos e correu como correu.
Somos homens e n�o suportamos e pedimos a Tua ajuda.
Nossa Senhora Negra
A rezar ao som deste tambor
A rezar, a rezar, nunca sozinho
Nunca sozinho, vens e vais
Fazer uma promessa por uma ferida
Por uma ferida que tem de sarar
� guerra e � fome
S�o d�vidas, melancolia
� o teu medo, � o meu medo
Mam� Schiavona, turcos e marroquinos
Negros, filhos da guerra, clandestinos
Patr�es, le�es, trabalhadores
Todos amontoados sob a mesma lua
Nossa Senhora Negra
A rezar ao som deste tambor
A rezar, a rezar, nunca sozinho
A rezar, a rezar
Nunca sozinho
Nossa Senhora Negra
Perfeito. Vinho Falanghina para todos!
Erva-cidreira
Que linda
� a que sabe cantar
Que linda � a erva-cidreira
� linda para quem a canta
E para quem a ouve
Sempre a erva-cidreira
Quando estou com quatro ou cinco amigos
Perto da ponte do rel�gio
Quando � de noite, � alvorada aqui
� verdade que nos divertimos
Divertimo-nos...
A "Erva-cidreira" era cantada
nas trattorias.
Portanto...
As pessoas n�o iam jantar fora,
iam l� beber um copo de vinho e um peda�o de bacalhau.
Depois de comerem e beberem, cantavam "Erva-cidreira".
E se algu�m n�o cantasse,
acabava em briga.
Tio Giannino, porque lhe chamam "canto arrastado"?
N�o ouviste como era arrastado?
Por outro lado, a tammurriata � mais ritmada.
O canto arrastado � arrastado.
Meu amor, d�i-me o p�
Vamos alugar uma carro�a Para ir � Via Tavani
E quando estivermos Na ponte de S�o Miguel
A carro�a parte-se E rebolamos pelo monte at� Nola
Os trav�es partem-se E vamos acabar no mar
Virgem Maria, parecia um jardim
E os peixes vieram cumprimentar-me
E os peixes vieram cumprimentar-me
E adoraram o meu bonequinho
E estou l� no fundo
No fundo debaixo do mar
Muito bem, bravo!
Podemos salv�-lo?
A ac�stica aqui � boa.
- Sim, tem reverbera��o. - Eu ou�o-a.
Rapazes, vamos come�ar para ela ouvir.
N�o. A segunda parte.
Sim.
- Parte da tua... para fazer... - Depois do saxofone.
Como v�o altas as estrelas em Bel�m
Como v�o altas as estrelas
E como est�o fumadas as janelas
Estas janelas fechadas
E canta, canta, canta
Canta com o tambor
E canta, canta, canta
Canta a Palestina, canta a esperan�a
Quem vive com esperan�a N�o morre desesperado
Canta a Palestina
Est� um dia lindo aqui na Palestina
E vemos a cara de algu�m querido
E h� uma nova can��o
E h� uma flauta linda
Para dar um sorriso � m�e e ao filho
E estamos todos aqui para cantar
Como est�o molhadas As flores esta noite
ATIVISTA PELA PAZ
O sol e a lua misturam as cores
E canta, canta, canta
- Cantamos com o tambor - Cantamos pelo Vittorio
- Cantamos esperan�a - Cantamos pela liberdade
Quem vive com esperan�a N�o morre desesperado
Canta a Palestina, canta pelo Vittorio
Canta, Enzo.
E h� uma nova can��o
E h� uma flauta linda
Para dar um sorriso � m�e e ao filho
E estamos todos aqui para cantar
Cantamos pela vida
Cantamos pela liberdade
Juntos iluminamos o caminho da vida
E canta, canta, canta
Canta pelo Vittorio
E canta, canta, canta
Canta a Palestina
Cantamos esperan�a
Quem vive com esperan�a
N�o morre desesperado
Canta a Palestina
Canta a Palestina
Canta, canta, canta
Canta, Enzo!
Pelo Vittorio, pela Palestina, por mim, por ti, por n�s, pelo mundo.
Adoramos-te, Vittorio. Adoramos cantar pela vida.
Esta pe�a chama-se "Quando o Ves�vio Enlouqueceu".
Fala sobre a N�poles romana,
instalada nos portos de Baia e Capo Miseno.
Pl�nio, o Jovem fala de quando o tio, Pl�nio, o Velho,
viu um estranho fen�meno da colina no Capo Miseno.
Viu uma nuvem preta e branca a espalhar-se
e zarpou para ver o que era.
A hist�ria fala da viagem do tio, Pl�nio, o Velho.
Ele d�-te uma ideia da primeira.
Ele chega l�, fica como h�spede em casa do Pomponiano.
Na verdade, eles n�o sabem do evento, est�o a comer,
depois sentem o fumo e o cheiro do enxofre incomoda-os.
V�o para perto do mar, onde morrem asfixiados.
De facto, pela descri��o
da viagem de Pl�nio, o Velho a Castellammare,
Pl�nio, o Jovem est� a falar de uma das primeiras erup��es
do Ves�vio, em 79 d.C.
O meu tio em Miseno
Comandava as frotas e as legi�es
Naquele dia, a minha m�e
Viu uma nuvem gigante
Grande como uma montanha
Como um pinheiro
Que abre os seus ramos
O mar era um jardim
Um banho de sol Depois, um banho de �gua fria
D�-me as minhas sand�lias, quero sair
O que se passa, podes contar-me
Prepara a minha liburna para zarpar
Esta � a carta de um amigo
Para quem l� vive S� de barco se pode sair
Nuvem branca
Nuvem suja
Nuvem de terra
Que n�o est� a bater � porta
Nuvem de pedras
Nuvem de fogo
Nuvem de cinzas
Nuvem torta
E eles esperaram de bra�os abertos
Como o vento
E sentaram-se � mesa Com a ira de Deus por cima deles
Ap�s comerem e beberem
Com almofadas nas cabe�as
Coisas choviam do c�u E a terra estremeceu no mar
E depois o cheiro a enxofre
Dizia que o fogo se aproximava
E lentamente a vida saiu dele
Ele estendeu um manto
Um gole da lua cansada
E a acariciar a �gua Ele adormeceu para sempre
Da carta de Pl�nio, o Jovem
que escrevia a T�cito acerca do seu tio.
Herculano, Pompeia, "Quando o Ves�vio Enlouqueceu".
Ol�.
Esta � a minha malta.
O Gabriele e o Gerardo s�o meus amigos desde que eu tinha quatro anos.
Tonino, vem c�.
- As minhas coisas est�o seguras no carro? - Est�o.
Porqu�? O que acontece por aqui?
Tenho de tocar mais logo.
- Enzo, o Padre Nappo. - Padre Nappo.
- � o nosso Monsenhor. - Monsenhor!
- Saiam da frente! - Havia aqui uma jukebox.
Faziam concursos de dan�a.
Os homens dan�avam com outros homens.
Dan�avam rock and roll e a nova m�sica psicad�lica.
Rita!
- O teu caf� � uma bomba! - Est� bom?
DAS PESSOAS DESTE BAIRRO
AO CIDAD�O S. ALFONSO M. DE LIGUORI
NASCIDO EM MARIANELLA H� 300 ANOS 27-9-1996
Est�o a filmar-nos.
- Claro, somos lindas! - N�o aproximem!
A m�e dela era atriz.
Ela gostava, eu n�o.
N�o disseram ol� ao Enzo?
� claro que dissemos. Foi um prazer.
- Onde est� o Ciro Piazza? - Porqu�? Ele tamb�m vinha?
N�o sei.
- N�o sonho com isso. - V�s?
Esta � a minha... casa. E da Marianna.
Estudei aqui.
O meu est�dio privado.
- Estudas m�sica? - N�o.
Estudava saxofone.
- Ela que des�a. - Tenho de me arranjar, estou velha.
Tenho de me arranjar.
Fa�o 83 anos em mar�o.
Tenho de me arranjar. Como me podem fotografar?
Esperem, vou buscar a fotografia.
A fotografia.
Explica-lhe, ela n�o est� preparada.
- Como descemos daqui? - Pelo elevador!
Des�a!
Eu estudava aqui entre oito a dez horas.
Como os esgotos corriam aqui em baixo,
a minha roupa ficava toda h�mida e com aquele cheiro.
Por isso, antes de subir, tinha de trocar de roupa
e tomar um duche ou n�o me deixavam entrar.
Tinha duas op��es.
Podia ser m�sico ou arranjar esgotos.
O saxofone tamb�m � um tubo... Fiquei melhor assim.
O Enzo tocava nesta pra�a. Vejam esta p�rola!
A senhora est� toda arranjada!
Eu era uma boneca, agora, sou uma velha.
Olha o que te trouxe.
Vejam o Enzo, e o Carletto.
O Carletto � este aqui.
O meu filho, a minha filha,
e depois o Enzo e o Carletto.
- E o meu sobrinho, Enzo Mulo. - O sacana!
Eu queria telefonar-te.
Carletto, j� viste isto?
Que giro. Eles andavam por aqui, nunca brigavam.
Claro!
A m�e deles perguntava onde estavam.
Ele tocava com o meu filho.
Foi o Ciro quem me p�s o instrumento na m�o.
Guardei as fotos todas.
Ele ensinava na minha escola.
Eu estava no gin�sio, ele passava e dizia:
"Que cheirinho a caf�!"
"Professor Avitabile, venha c�."
"Dona Giuseppina, porque me chama professor?
A senhora criou-me." "Quando estamos s� n�s, chamo-te Enzo,
mas � frente dos teus colegas e alunos,
vou chamar-te sempre professor."
- Que honra. Obrigado. - N�o � assim?
�s vezes, quando fazia um bolo, chamava-o.
- E ao Ciro. - E o diretor dizia...
"O que � essa confian�a toda e os beijos?"
- � verdade ou n�o? - Aquela senhora...
Murad, passa-me o saxofone.
- Queres tocar? - N�o.
- Que alegria o Enzo Avitabile estar c�. - Anita, abre.
Toca!
N�o vamos entrar.
- Vim fazer barulho. - Como est�s?
Vou descer.
- O que fazes aqui? - Um filme.
Gerardo, chama o Ciro.
Aqui era o meu est�dio.
Estudava aqui e depois ia para casa do Ciro,
do Ciro Piazza, um grande m�sico.
A fam�lia dele fez muito por mim, pela minha m�sica.
O irm�o dele, Michelangelo, � um grande trompetista.
A Fiorenza quer ver o est�dio.
Neste momento, h� latas de tinta em todo o lado.
Esta casa era minha, e tinha um est�dio privado l� em baixo.
N�o era muito confort�vel, mas era fant�stica! Eu dormia aqui
e no meio...
Eu dormia aqui, o Carlo dormia ali
e aqui no meio tinha os meus saxofones.
A minha irm� estava aqui...
E outro irm�o aqui, o Rino.
O gira-discos estava aqui.
Eu punha discos a tocar e imitava.
Era doido pelo Charlie Parker,
o Coltrane, todos eles!
Eu, o meu saxofone e os saxofonistas.
Para os saxofonistas, � natural...
Comecei com Sidney Bechet,
passei do clarinete para o saxofone,
e estudei-os todos, Coleman Hawkins e Ben Webster.
� a eterna controv�rsia no jazz,
entre o lirismo e o tecnicismo, entre a express�o e a t�cnica,
at� ao Miles, que era uma encruzilhada.
Depois, os artistas menos consagrados que faziam o melhor bebop:
Cannonball Adderley, Sam Rivers...
... Buddy Collette, todos eles.
A seguir, o hard-bop com o Coltrane,
que foi um grande inventor da linguagem.
A segunda fase introspetiva dele foi ainda mais importante.
Com a revolu��o do Malcom X
e o regresso � africanidade, � liberdade de escolha...
Muitos tornaram-se mu�ulmanos, e isso foi importante.
Esse tipo de percurso abriu caminho � nova sonoridade,
e o Miles, o Zawinul, o Shorter,
eles abriram-se e disseram que o jazz � n�o jazz.
Vamos para l� do jazz, num regresso � m�sica pura.
Era bom. O Ciro espreitava para c�
e dizia: "Sobe, vamos ter uma aula!"
Eu era novo, tinha sete ou oito anos.
Ia tocar todos os dias.
Ensinaste-me a n�o apertar, mas manter sempre a mesma posi��o
e respirar corretamente.
Agrade�o-te por esse conselho.
Era fundamental para conseguir as notas altas.
- Obrigado. - Eu � que te agrade�o.
CONSERVAT�RIO DE M�SICA DE N�POLES
Hoje, � um dia especial.
Voltei ao Conservat�rio "San Pietro a Maiella",
um conservat�rio hist�rico em N�poles.
Lembro-me desta sala.
Entr�vamos e v�amos se o maestro tinha chegado.
�s vezes, esper�vamos que n�o tivesse chegado!
Se a pe�a fosse dif�cil, esper�vamos que se atrasasse.
Esta era a nossa sala.
Muitas recorda��es.
Muitas notas!
O que disse o arquiduque a Mozart?
"Demasiadas notas, digo eu."
Depois, virou-se para Salieri e disse: "N�o � verdade, maestro?"
A verdade � que s�o demasiadas notas.
A resposta de Mozart foi:
"Digam-me quais est�o a mais e eu tiro-as."
Mas aqui havia demasiadas notas e muito sofrimento.
Demasiadas notas e muito sofrimento.
Volume m�ximo!
Experimenta tocar.
Soa bem!
Baixa.
Don Salvato, visto a� de cima
Devemos parecer rid�culos
Com tantos v�us � frente dos olhos
N�s, os filhos desta terra Desta vida
N�s, que falamos vezes de mais
Mesmo quando n�o nos pedem
N�s, cheios de problemas e azar
Parece que estamos habituados
Don Salvato, as �rvores choram
A fruta apodreceu
Veneno, fumo e c�u cinzento
Quando a tua m�o n�o veio
E depois o medo e a carne nua
Entre desertos de mis�ria
Carca�as, porcos e sangue cru M�os sujas
Fome e sede
Don Salvato, de que serve tanta educa��o
Todos os sapatos ficam velhos
Se n�o morrem, ficam gastos
E se seguirmos o cora��o Ningu�m nos vai ajudar
Somos escravos da vergonha
Isso torna-nos tolos felizes
Com um espinho no cora��o Don Salvato
Don Salvato, de que adianta acreditar
Na f�, esperan�a e caridade
Se o nosso destino � decidido por si
E nunca acertamos
E os �rabes, os balc�nicos
Tempos modernos ou tempos antigos
Don Salvato, seja paciente
Se ainda n�o compreendemos nada
Don Salvato, debaixo da sua mesa Quando cai uma migalha de p�o
Um gole do vinho do seu filho
Sangue e unhas nas suas m�os
E se seguirmos o cora��o Ningu�m nos vai ajudar
Somos escravos da vergonha
Isso torna-nos tolos felizes
Com um espinho no cora��o
Don Salvato
Don Salvato
Ave verum corpus
Natum de Maria Virgine
Vere passum
Immolatum in croce pro homine
Cuius latus perforatum
Unda fluxit et sanguine
Esto nobis praegustatum
In mortis examine
Passemos � estrutura.
Preparados? Vou contar...
Gianluigi, toca.
Uma estrela olha para o mundo
E � no mundo que se perde
Uma tempestade � noite
Transforma-se no mar
E a �gua ensopa a roupa
E enferruja os canh�es
Neve do deserto, areia do Ves�vio
De m�os dadas
Neste frio
Vento que vem e vai
De m�os dadas
Debaixo de um c�u Zulu
Vento para sempre, vento nunca mais
O mundo inteiro sabe
Que s� os homens se juntam Para darem as m�os
O mundo inteiro sabe
Que os homens se podem juntar
Para fazer o caminho da paz
Quem n�o conhece a escurid�o N�o consegue compreender a luz
Ningu�m conhece ningu�m Todos est�o sozinhos
Uma estrela olha para o mundo
E move-se pelo mundo
E a erva de prata transforma-se em gelo
E a �gua bate nos navios
E enferruja as correntes
Malas com corda
Medos do passado
Homens e mulheres com fome Eles conhecem a pobreza
Por causa da guerra
O meu povo est� doente e sofre Porque foi exilado
Vamos pensar nisso e parar
Esta guerra destruidora
De m�os dadas
Neste frio
Vento que vem e vai
De m�os dadas
Debaixo de um c�u Zulu
Vento para sempre, vento nunca mais
Todos os homens sabem Que � poss�vel vivermos juntos
Todos os homens sabem Que � poss�vel vivermos juntos
De m�os
Dadas
Legendas: Paulo Montes
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