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Olhem!
Simão!
Simão!
Sabem porquê é que se chama Simão?
Não, não, não... É uma história mais antiga do que o tempo.
É uma história com mais de 3.500 anos.
A história que vos vou contar é a história do colar mais poderoso do mundo.
O colar de São Cajó.
Há mais de 3.500 anos havia na Ibéria uma ordem
secreta com poderes sobrenaturais e fumo o rasteiro.
Fundiam cobre com esteño e chamavam-se...
Orifes Celtiberos.
Olha, César!
É a luz!
A luz do que falava a profecia!
Conseguimos, Ilérnio!
César!
Conseguimos puxar o colar!
O colar!
O colar?
Um colar que é o mais poderoso talismã que alguma vez existiu.
O colar de São Cajó?
Não.
Nessa altura ainda não era esse o seu nome.
Quando foi criado o colar chamava-se... O colar do nosso senhor do Coicinho.
Aúnia!
Olha que a tua filha está a mostrar o rabo a quem der azeite!
Raça da miúda é igualzinha à mãe dela!
Aúnia!
E agora que o colar do nosso senhor do Coicinho foi forjado, o que se segue,
mestre Viltó?
Simples, Ilérnio.
Vamos usar o colar para conseguir dinheiro.
Muito dinheiro.
Mas ainda não inventaram o dinheiro, mestre Viltó.
Ah, não.
E a profecia diz que o colar deve ser entrega ao mais puro dos corações,
mestre Viltó.
Para proteger a sua família?
Pelo menos é o que está escrito nas estrelas e nas paredes das grutas onde urinamos.
Eu é que sou o enviado nosso do Coicinho à terra!
Eu é que vos disse como forjar o colar!
E eu é que uso a saia de broada!
Mestre, mestre!
Mas pronto, também não quero passar por teimoso.
Enquanto não inventarem o dinheiro, o colar fica à guarda do mais puro dos corações.
Obrigado, mestre Viltó.
Encontrem o homem com o coração mais puro de toda a Ibéria.
E assim, durante séculos, o colar e a missão de percorrer a Ibéria em busca do
mais puro dos corações foram transmitidos de pais para
filhos através de gerações e gerações de orifes Celtiberos.
Até que passados dois mil seiscentos e vinte e um anos depois dos orifes
Celtiberos terem feito um rebranding para orifes de cistern...
Vitor!
Encontrámo-lo, Cosme.
Encontramos o mais puro dos corações.
Olá, pessoas misteriosas em cavalos.
Quem és tu?
Sou iluminada por uma luz que te favorece.
Sou o Sancho, neto do primeiro Bourbon de Lenhaça da História.
Sou por decoração e louco por fabas.
Esperámos dois mil seiscentos e vinte e um anos para lhe entregar este colar.
Não, obrigado.
Eu não sou de acessórios.
O colar de São Cajó não é um acessório, D.
Sancho.
O colar de São Cajó?
O que nunca esteve na família Bourbon de Lenhaça?
Esse mesmo.
O colar de São Cajó protege a família do mais puro de coração, D.
Sancho.
Enquanto o colar estiver na posse dos Bourbon
de Lenhaça nada de mal vos poderá acontecer, D.
Sancho.
Que luz tão bela!
Parece o reflexo da lua nas nádegas de uma serva.
Mas terão de o guardar com a própria vida, D.
Sancho.
Com a própria vida e indivíduos desconhecidos?
Sim, D.
Sancho.
Se deixarem que o colar seja roubado a bater-se-á sobre
a família Bourbon de Lenhaça à maldição de São Cajó.
À maldição de São Cajó?
Sim, D.
Sancho.
A família Bourbon de Lenhaça será vítima de várias traições, ceguinhas,
de Pedro Granger...
Pessoas que mudam de cara, raptos, cerejas com
sabor amarisco e cavalos que correm para trás.
Não!
Por isso perguntamos, D.
Sancho.
Está preparado para assumir a responsabilidade do colar de São Cajó?
Ai, missão cumprida, Eitor.
Posso finalmente dedicar-me à minha paixão, o gin artesanal.
Isto é só o início, o cósmico.
Agora temos de garantir que o colar de São Cajó
fica na família Bourbon de Lenhaça para sempre.
Para sempre?
Para sempre.
Ou até que alguma coisa termine a humanidade inteira, como a falta de velhas.
Isso quer dizer que vamos passar o resto dos
nossos dias ao serviço do colar de São Cajó?
Não, se eu o puder evitar.
Mons Jacó, o único descendente de nosso senhor do coisinho na terra.
Aqui, numa floresta?
Sim, eu sinto-vos há bastantes anos disfarçados de valia.
Eu sabia.
Eu sabia que não podia haver tantos javelins a cavalo.
O que é que quer de nós, Mons Jacó?
O colar.
O colar de nosso senhor do coisinho, que vocês rebatizaram de colar de São Cajó.
O colar não foi só rebatizado.
São Cajó abençoou-o e colocou-lhe uma VPN.
O colar não vos pertence!
O colar não pode ser usado para o mal.
O colar tem de ser usado para o bem ou no mínimo para a indiferença.
O colar só tem um propósito.
O propósito?
Ganhar dinheiro.
Quem o tiver ganhará muito dinheiro.
E agora ainda mais, que o dinheiro já foi inventado.
Dê-me o colar!
O colar já foi aceito por D.
Sancho, mais puro de coração.
Toda a família Bourbon de Lenhaça está sob sua proteção.
Não!
E se aproximar, o colar vai sentir que está ameaçar a família Bourbon de Lenhaça
e fará cair sobre si todo o seu poder de adorno de pescoço!
E o que é que me impede entrar no castelo e matar toda a família Bourbon de Lenhaça?
Só protestar a vossa teoria.
Nós!
Vá, rapaz!
Vá, rapaz!
Já não tens 12 anos.
Eu sempre chamei de pai, rapaz.
Que todos os meus filhos fossem como tu, Esteban.
Que soubessem lutar, que já violassem sozinhos.
Violar é errado, pai.
O que é isso, Sancho?
É o colar, tio.
Agora que volares.
Mas por que é que tu não te interessas por coisas de homens, Sancho?
Eu gosto de coisas de homens.
Eu gosto de fantoches.
Eu gosto de fantoches.
Se ao menos eu conseguisse inervar-me.
Enquanto eu for líder dos Bourbons de Lenhaça,
não vou permitir que o Sancho seja humilhado.
Não permitas.
Sancho é meu filho.
E eu sou herdeiro da casa Bourbon de Lenhaça a quem tu juraste obediência, Rafael.
Mas por que é que nós não podemos dar-nos bem como todas as famílias do meu avaz?
Por quê?
Não penses que abusarmos é um esforço de algum tipo de privilégio nesta família,
Rafael.
Eu odeio-te, Isaac.
Se eu tivesse nascido uns segundos mais cedo... Mas não nasceste, Rafael.
O primeiro a passar os grandes lábios da mãe foi eu.
Música!
E eu poderia!
Matem uma serva para animar!
Por do sol.
Por do sol.
Por do sol.
Por do sol.
Por do sol.
Por do sol.
Eu não vou sobreviver.
Eu perdi muito sangue.
A única razão para ainda estar vivo é porque algo te cheia bem.
Por favor, não morre.
Não podes morrer sem deixar de descender -nos, por favor.
Assim os orífices externos deixam de ser uma dupla, por favor.
Não te preocupes, Cosme.
Eu engravidei a tua mulher.
Já contaram que podia morrer.
Deixa-me ver o colar.
É o colar de São Cajó, tio.
O colar de São Cajó.
O que nunca esteve na família bourbona da linhaça.
É-se mesmo.
Os orífices de cistern dizem que só o guardaram.
Que esteve conosco durante 2.621 anos.
O colar de São Cajó.
Sempre achei que fosse uma lenda.
Como os aias que fazem cu.
Quem é São Cajó, tio?
São Cajó.
É o santo a quem os outros santos assentem velas.
Ele é tão poderoso que quando morreu, que é um lágrima de doces do céu.
Não seria chuvante, tio?
Pois agora não interessa.
Com o colar de São Cajó, os bourbons de linhaça vão
ser uma das famílias mais poderosas de Portugal.
Poderosas?
Poderosas como?
Tipo embaixadores da Prósies no Vaticano?
E quem sabe, forne-se duas oficiais de cerejas para as cruzadas.
Mas há um preço a pagar, tio.
Se deixarmos que o colar seja roubado, uma
maldição a bater-se-á sobre os bourbons de linhaça.
A maldição de São Cajó?
Isso.
Seremos amaldiçoados com infortúnio, mortos e empregados respondões.
Eu e os meus descendentes vamos garantir que o colar de
São Cajó nunca seja roubado da nossa família, Sancho.
Nunca.
E foi assim que o colar de São Cajó entrou na família bourbón de linhaça.
E desse dia em diante foi passando de pai para filho
de herdeiro para herdeiro de geração para geração.
E as luas foram passando.
E os dias ficaram meses, depois anos, depois décadas, depois séculos.
Pai!
Pai, o Brasil!
Pai!
O Brasil, pai!
Descobrimos o Brasil!
Oh, perone!
Parece que nunca viu o Brasil.
Oh, pera cruz!
Trazemos xerejas e pouco jeito para dançar!
Vá para nós, homens!
O Brasil, pai!
O tempo e a proteção do colar de São Cajó os bourbón de
linhaça tornaram-se os maiores produtores mundiais de xerejas.
Mas a sua sorte estava prestes a mudar.
E tudo começou quando, pela primeira vez, o primogénito
da família não foi o irmão bom, mas sim o irmão mau.
Não podes continuar a fazer doping com as nossas xerejas, Miel!
Não é doping, Duarte.
As nossas xerejas sempre foram caparrosas.
Mentira!
As nossas xerejas têm tantos esteroides que não há porrada umas com as outras.
Eu sei que custa não seres o líder dos bourbón de linhaça, Duarte, mas,
apesar de sermos gémios falsos, eu nasci primeiro.
Não, olha bem para mim.
Tu achas que conseguias vencer-me a sair de uma vagina?
Mas venci, Duarte.
E tenho o filme de Super 8, do Pardo, como prova.
Pois, o filme de Super 8.
Sempre o filme de Super 8.
E então, pai?
Conseguiu vender a xereja toda?
Consegui.
6 quilos por 15 mil milhões de euros.
Parabéns, meu sobrinho.
Vender xerejas é um domingo, meu pai.
Caso não sebas, é a xereja que paga o teu envisaline, Simão.
Eu não preciso de jumolas, meu pai.
Eu faço o meu próprio dinheiro como estálice de campinos.
Simão!
Não tem de mim que fales assim.
O pai não alpenda, ouviste?
Calma, Eduardo.
Olha para isto.
Nem se conseguem de nervar.
Eu odeio ser um urbão de lenhaça.
Odeio!
Quem me dera ter nascido um homem em si, mas que gosta de almoçar ao balcão!
Simão!
Simão!
Deixa-o ir.
A culpa é da tua falecida mãe, que até aos 6 anos ouve-te-o de minhota.
Pobre criança.
Felizmente, o filho que nós temos e que não tem gêmeas.
Não tenhas post-traumas, Eduardo.
Lourenço!
Estou aqui, na minha faculdade.
Olá, menina Matilde.
Como está?
Estou-ne a seguir-me, Lourenço.
Nem tu o teve a consigo, menina Matilde.
Vim só entregar palha ao departamento nanotecnologia.
Não me mintas, Lourenço.
Sabias que eu acho que vou apresentar-me até sobre Betos na mesa optânea.
O que é que eu tiro daqui, Matilde?
Está calado, oh, Betinho!
Eu manto-te abaixo mais depressa do que um pacote de batatas fritas.
Vamos.
Vamos embora antes que o Mened lhe trinque os meméles.
Esteja descansada, menina Matilde.
Eu preferia morrer a deixar que me trincaça enquanto eu a beijava.
Olha, meta-me uma coisa na tua cabeça, Lourenço.
Eu nunca terei sexo contigo vestida de Catwoman.
Ouvi-te?
Nunca!
Olá.
Olá.
Está tudo bem?
Hã?
Sim.
Sim, está tudo bem.
Eu...
Eu estou só um bocado tonto.
Eu sou do campo e não estou habituado a ver tantos alistar.
Tenha cuidado com o pai do Vicente.
Ele é um terapeuta da fala muito rico.
Rico?
Encontrou a cura para a malta que dizes odorizante.
Quem és tu?
Sou o Lourenço.
O responsável pela palha.
Na herdade de Porto Céu.
Uau!
E vocês?
Diogo, Jimmy e Vera.
Somos a turna mais exclusiva da faculdade.
A turna não entras?
Sim.
Conheces?
Claro.
Claro que conheço.
Então, eu tenho todos os vossos MP3 e VHS.
Eu também sou músico.
Sério?
Uau!
Lourenço!
Devíamos falar.
Queria saber o que é que tu tocas.
Jimmy?
Eu acredito em bruxas, tarotas, piocas e coisas desse género?
Não.
Qual é que é a única cena sobrenatural em que eu acredito, Jimmy?
No teu clitoris.
Completamente.
E o meu clitoris diz que aquele é o amor da minha vida.
O colar de São Cajor não pode ir parar.
O cofre de um banco.
O colar de São Cajor?
O que está na família Bourbon de Nhança há mais de 3.500 anos?
É esse mesmo, Madalena.
E ficará mais seguro no Banco Europeu do Ribatés do que aqui.
Quero que lhe guarde o colar, meu pai.
Tu?
Eu a ti, Néstru, me confiava, seu inútil.
Miquel!
Inútil?
Eu não sou inútil, pai.
Por muito que lhe custe.
Eu sou vice-campeão Ribatés de Lambada.
Eu já vos disse que nunca tive gêmeas.
E a maldição, pai?
A maldição é uma lenda para assustar criancinhas, Eduardo.
Não!
A maldição do colar de São Cajor é verdadeira.
A maldição de São Cajor?
Sim, Madalena.
Reza a lenda que, se o colar for roubado, a maldição
de São Cajor a bater-se-á sob os propósitos de linhaça.
Seremos vítimas de infortúnio, morte e empregados respondões.
Ouvi-te, Eduardo?
Empregados respondões!
É isso que queres?
Viver como se estivéssemos no Algarve?
Em rosto?
A maldição é mentira.
Como é que o pai sabe que é mentira?
Como?
O pai também achava que eu gostava de homens e eu gosto muito de mexer nas maminhas.
Pai, tenho certeza que o colar não fica mais seguro aqui dentro de casa.
Nós temos vidros duplos.
E o filho do Márcio?
O filho do Márcio está um latagão.
O que é que ele desfaz?
Qualquer mulher na cama... Não!
A minha decisão, como líder dos borbões de linhaça e pessoa teimosa, está tomada.
O colar de São Cajor vai para o banco.
António!
Chamou o Sr. Comitador?
A chave do helicóptero.
E assim, o colar de São Cajor foi confiado ao banco europeu do Ribatejo, o primeiro
no mundo a ter uma linha de crédito para patilhas.
E se a lenda dizia que a maldição só aconteceria se o colar fosse roubado,
a partir deste momento o destino começava a escrever-se.
Se o colar de São Cajor for roubado, seja a vossa rede,
seja feita à vossa vontade, assim no curso como no sovaco.
Perdoai os nossos atletes, assim como nós perdoamos os que temos que atuar.
E não nos deixe a experimentação, mas livraremos de ser.
Amém.
Então, então, minha filha, o que é que me está assim a atormentar?
É por ser ceguinha?
Não, Madre.
Ser cega já faz parte de mim.
O que eu penso não, Sr. Tutopoluto, já nem é o dom da visão.
É o cartão da macro.
Oh, filha, mas então o que é que se passa?
São as minhas visões, Madre.
E ainda ontem tive uma comigo e vi o meu futuro.
Um futuro cheio de cerejas e morte.
Oh, filha, tu tens de parar de preocupar -te com o teu futuro.
Tu agora, a partir de agora, tens de preocupar-te
com o que vai acontecer de aqui para a frente.
Vá.
Jérôme, foi o meu rasteiro.
Olá, Salomé.
Ei, quem está aí?
É o Padre Tarago, mãe da minha idade.
Não, Salomé, somos nós.
Os ourivos de Cistern.
Os ourivos?
Mas eu não tenho jóias.
A única coisa que eu tenho de valor é o meu pipi bejudo.
Nós sabemos que tens visões, Salomé.
Fomos nós que te demos esse dom.
Mentira!
O meu dom foi uma dádiva do nosso senhor todo peludo.
Não, Salomé.
A dádiva do nosso senhor todo peludo foi o teu jeito para temperar cabrito.
Toca-me, Salomé.
No braço, Salomé.
Eu consigo ver.
Já acreditas em nós, Salomé?
Eu consigo ver.
Fomos nós que te demos o dom das visões quando nasciste, Salomé.
Quando eu nasci?
Vocês conhecem a minha mãe?
A Rosa Mota?
Não podemos dizer.
Se vocês não dizerem, é porque a Rosa Mota.
Por que isto?
Isto é longe.
É verdade que viste cerejas e morte no teu futuro, Salomé.
E cerejas... e... e morte...
e uma herdade de gente rica com piscina e 5G.
Herdade do pôr do sol.
Mas a pior coisa...
foi que vi alguém pôr de coração transformar-se na...
Na quê, Salomé?
Diz-nos.
Na mais maléfica das criaturas.
Não!
Oi, não.
Salomé?
Oi, não.
Eu deixei de ver.
Oh, filho, tu nunca viste.
Não, não, não.
Não, não, eu vi, eu vi.
Eu vi, madre.
Vi água...
e dois homens com roupas esquisitas.
Estavas a sonhar como a Iami vai-se, querida.
Mas parecia tão real, madre.
É pela primeira vez na minha vida... eu senti que a minha vida não era um acaso.
Senti que tinha uma missão.
E tanto, meu amor.
Ser a melhor cocinheira de cabritos do mundo.
Este ano vou levar-te aos europeus em Versóvia.
Não!
Não!
Eu sou farto de ser tratado como um burro ou de linhaça de sunda.
Só porque saí mais tarde da vagina da mãe.
A certezalha está mal contada, Duarte.
Como é que o Miguel te venceu numa corrida outra, pipi?
Infelizmente é verdade, Elsa.
O Miguel tem um filme do parto em super oito que o prova.
Um filme do parto em super oito que o prova, Duarte?
Sim, Elsa.
Todos os nascimentos de verbons de linhaça são filmados para o canal YouTube da
Comissão Nacional de Proteção de Acrobatos.
Ah, claro.
Eu esqueço-me que tu és um verbom de linhaça.
E eu sou uma simples mãe solteira com dermatite.
Elsa... É verdade.
Tu és um agrobento.
E eu sou uma mulher do povo que trabalha como
stripper para pagar as contas do streaming.
Não é por ser stripper que eu te amo menos.
Apenas te amo de pé atrás.
Só isso.
É por isso que tu não queres que ninguém saiba da nossa relação, Duarte.
Tu tens vergonha.
Vergonha?
Eu já fui noivo de uma jornalista de lifestyle, Elsa.
Ah, não mintas.
Não mintas, Duarte.
Por favor.
Eu só te quero proteger de meu irmão.
O Miguel é um homem muito perigoso.
Eu tenho a certeza que ele já matou.
Eu suspeito que ele não se separa ao lixo.
Oh, Elsa, vem cá.
Eu acho que o teu pai novo está na linguagem do cadela.
Deslaga a cadela ali, amiga.
O Miguel!
Ele lembra isto.
Com oito anos e já gosta mais de mamada da boca que a mãe.
Aquela porca.
Então, Ivone, continua solteira.
Ah, menina, e com uma fominha.
Olha, que ainda ontem fui correr da Veianas só para matar soldados do sumo.
Oh, Ivone, estás cá com uma cobertura de rede que
eu mal te vejo ao longe e fico logo com um pauzinho.
Oh, Bardajão, julgas quando eu converso a homens casados?
Casado, mas não morto.
Não?
Olha, a Lena que te ouça com essa slámireza, vê se não que ina já.
Deves achar que eu tenho medo dela.
Ou vai, eu fiz a recruta toda sem meias.
Que fado!
Já para cá, para a minha frente.
Lena, queres ver toda a gente?
Aqui, queres por trás?
Andorre, vamos embora.
Para!
Cala-te que é melhor.
Ah, fazeram-se estes tsunamis, menino Simão.
São estião.
Origamis.
Origamis é japonês.
Ori quer dizer dobrar e kami quer dizer papel.
Origamis.
Não percebo nada de japonês.
Já para conduzir o Toyota me vejo aflito.
E tu, querida Celeste, como estás?
Mal, menino.
Os adenoides cresceram tanto que me atacaram as pernas e fiquei de moleta.
E o pior é se não arranjarmos dinheiro para operar, vai ficar cega.
Cega?
Sim, menino.
É que os adenoides podem sair-me pelo nariz e tapar-me a vista.
Estão tão grandes.
Eu não percebo.
Não percebo como é que o meu pai não vos dá dinheiro para operação.
Não percebo.
E ele também faz falta para outras coisas, menino Simão.
O seu paizinho gosta de ir a aqueles restaurantes caros.
Tem as árvores e as paredes.
Se eu pudesse.
Se eu pudesse para este homem.
Vá lá, menino.
Não tente indravar-se.
Já sabe que não conseguem ir e depois ainda se magula.
Eu não percebo.
Não percebo como é que um para-cados como vocês
têm de implorar por dinheiro para operações.
Não percebo.
Não é justo.
E a vida é justa, menino Simão.
Talvez não seja.
Mas isso é o meu sonho.
E o meu sonho é que a vida seja como na pornografia.
Quem nos dera, menino?
Quem nos dera?
Mas eu vou fazer por isso.
Como eu sou puro de coração e não tenho horários.
Vou dedicar a minha vida a lutar pela justiça e pelo respeito pelas danças latinas.
Sala dos cavalos que eu e o Vicente fomos a Charneca ter sexo católico.
Eu não sou seu criado, menina Matilde.
As minhas funções são tratar da palha e andar em tronco-luo.
Mais nada.
Como é que te atreves a responder-me assim à frente do menino de Salamandra?
As nossas famílias juntas são responsáveis
por mais de 70% de faturação na Range Rover.
Eu ouvi isto, Lorenzo.
O que é que se passa aqui?
O que se passa, António?
É que o seu filho está a recusar-se a obedecer-me.
Eu não sou um pão mandado como os seus namorados
com franja de amaciador, menina Matilde.
Por que tu me errasse sempre com os meus namorados, Lorenzo?
Desde ciúmes, é?
O ar é de todos!
Menina Matilde, fique descansada.
Eu, próprio, vou selar os cavalos.
Tente.
Ciúmes dela...
Tu gostas da menina Matilde?
Eu?
Da betinha estúpida?
Então porque é que andas a mandar emojis de brinjela com pingos de água na ponta?
Não tens vergonha?
Eu te testo a Matilde, pai.
E o seu mundo de privilégios com peixes sem espinhas e saladas à parte?
Iguais.
Ninguém vai perceber que trocaram o colar de São Cachó.
Só eu e quem me paga.
E assim, sem que ninguém se apercebesse, o colar de São Cachó foi roubado e abateu
-se sobre os Bourbon de Linhaça a tenebrosa maldição do colar de São Cachó.
O declínio do império Bourbon de Linhaça era inevitável.
Uma perturbação na energia de São Cachó?
A maldição de São Cachó foi libertada?
O destino ficou traçado.
Um destino de traições, vinganças e... Morte!
Eu vejo morte.
E polos com golas levantadas.
Não!
Não pode ser!
O que é que foi, Duarte?
Por que tu estás para aí a gravar áudios aos berros?
Meu irmão costumou ser só dinheiro.
A palavra passe-tu a um banking já não é um, dois, três bala-salto sem merengue,
Maria.
Calma, Duarte.
Há muita gente a viver sem duzentos milhões de euros à ordem.
Não é por mim, Elsa.
Eu posso perfeitamente viver com um milhão
de euros por mês se me controlar no uberiz.
Mas e tu, Elsa?
E tu?
É simples, Duarte.
Eu vou ter que ganhar mais dinheiro como stripper.
Mas a única maneira de ganhar mais dinheiro
como stripper é perder a dignidade e aceitar.
Não.
Ser influenciado.
E depois que vender os alvarios para poder comprar o curio apronte, vai.
Podemos falar, Maria da Piedade?
Claro que sim, Padre Vittor.
Minhas senhoras, minhas senhoras, mencinhe.
Até logo.
Padre Vittor, fico tão contente que tenho a não vir nales.
Nosso senhor de coisinho acolhe todos os que pagam, Maria da Piedade.
E não é pouco.
Ao contrário das outras igrejas, onde as pessoas deixam um décimo daquilo que ganham.
O dízimo.
Nós aqui deixamos tudo o que ganhamos.
O túsimo.
Não que eu me queixe, Padre Vittor.
O senhor do coisinho mudou a minha vida.
Ainda me lembro do quão agarrada a panada eu estava quando aqui cheguei.
E agora, como é que está?
Tão bem, Padre Vittor.
Vai trabalhar dia e noite para ganhar bitcoins
para conseguir fazer a minha operação plástica.
Ainda não desistiu do sonho de ser loira e cheinha?
Não, Padre Vittor.
Não desistiu do sonho.
E também é importante por causa de colar o filme com a série, não é?
Maria da Piedade.
Eu queria falar com Ciro porque...
eu acho que você dava uma ótima diácona do coisinho.
A diácona?
Do coisinho?
Sim, Maria da Piedade.
Mas para adolhar eu terei de viver consigo lá na
herdade do Porto do Sol sem ninguém saber quem eu sou.
Eu fiz um bote escondido aqui.
Claro, Padre Vittor.
Isto será o meu honro.
Diga, Maria da Piedade.
Se os seus patrões estivessem um colar precioso onde é que eles o guardem?
No gabinete do Sr. Comendador, que é onde
está a FHM com a Maia e tudo o que é valioso.
Mas por que é que perguntam?
Por nada.
Foi uma pergunta do trivial que me calhou ontem.
Ao que tu chegaste, Sebastião roubar para pagar uma operação enquanto pensas em voz
alta.
Joias, ouro, FHM, Maia, castão de dinheiro que o Sr. Comendador guarda de emergências
para Santos do aeroporto.
O Sebastião aqui a mexer no tonheiro das Santos do aeroporto.
Quem está aí?
Sou eu, Simão.
Minho Simão, vai espiar-me com o teu roubo.
Eu peço desculpas, Sebastião.
Foi sem querer.
Não chega humilhação de roubar.
Ainda tem que ser apanhado, minimo Simão.
Foi um acidente, Sebastião.
Eu juro.
Fica com este rolex comorativo do pontapé do Marco.
Vale milhões.
Simão, eu tenho a minha dignidade.
Eu só quero aquilo que roubem com o meu esforço.
Que mundo é este?
Onde alguém precisa de roubar para remover tecido linfático do nariz da sua mulher?
Isto é tão injusto!
Tão injusto!
Eu consegui.
Eu consegui enervar-me.
Eu tenho morro.
Eu tenho...
sangue.
Poxa!
Insista!
Isso mesmo!
Quero ver esses cortes a suar!
Quer desistir?
Quer ir para casa vestir o pijaminha do Star Wars e mexer na pilinha?
Não pega!
Incha!
Tudo a sair!
Tudo a sair!
Quarta-feira há mais!
Regardas tu?
Zulipa.
Chara!
Chara!
Gangsta rap, não.
Lembrem-me que moram em celas.
Eu tenho a cura para isso.
Eu preciso dizer uma coisa.
E tem de ser agora que nós ainda estamos oufgantes.
Agora?
Sim.
Ricardo...
Eu sei que tu me mentes.
Não, filho.
Não, não, não.
Deixa-me falar enquanto o Belys ainda está a bater.
Eu sei que isto tudo não passa de uma transação comercial.
Tu dás-me dinheiro e botas de cano alto.
E em troca eu dou-te o meu pipi que ainda não está pingosso.
E há algo irado nisso, Zulipa?
Não, Ricardo.
Mas ao menos eu gostava de saber quem tu és.
Eu já te disse que eu sou... Para!
Tu não és gerente bancário do BP e da trafaria.
Eu liguei para lá.
Um gerente bancário Eu não tenho dinheiro para
uma suite maior que o meu centro de saúde.
Tu chegas sempre ao pé de mim a cheirar helicóptero, Ricardo.
Quem é que tem dinheiro para andar de helicóptero ainda esta semana, Ricardo?
Quem?
Diz-me quem.
Ok, eu não sou gerente bancário.
Tu sabia?
Mas eu não te posso dizer mais, Zulipa.
Apenas que sou o líder de uma família poderosa e ser concisado.
O quê?
Sim, o meu propúcio é falso.
É parte de um kit de disfarça para pênis que eu comprei na Holanda.
Traz o propúcio, óculos...
Estou, Ricardo!
Deixe-me cair!
Larga-me, imbecil!
Nunca mais me agasa, bruta!
Sei sempre a javar disso!
O que fiz, Zulipa?
Nunca mais!
Queridos, começar negócios em garagens é tão anos 80.
Cristina?
Não, querido.
Cristina são as que têm o Instagram aberto.
O meu nome é Cristina Kreisler, de Alarcão e Catota.
Raul Pimenta.
A outra?
Estão ótimas, pode guardar.
Tenho cinco minutos, senão ficou a roupa cheirar a trocos.
Nós temos um bloco de investigação criminal e estamos à procura de dinheiro
para conseguir transformá-lo numa revista.
Cristina, espera!
Nós somos jovens de risco.
Se o nosso bloco terminar, o mais certo é esta malta que dá nos podcasts.
Se quiserem ser uma revista de moda, talvez eu consiga arranjar investigações.
Claro!
Podemos fazer investigação de crimes de moda, acusamento de padrões, malta com os
asleep... Uma revista de moda, mesmo.
E tem que chamar-se Plays para bater certo com a série.
Olha lá, Raul, mas como é que ela te arrasou o dinheiro?
Ela me arrasou.
Acho que falou com Business Angels.
Ui, camones!
Cuidado que isso é dinheiro da droga.
Olha, cheira-lhe o cabelo que é onde fica entranhado o pivete da gansaria.
Mãe, tu sabes o que são Business Angels?
Então pronto.
Mas sei o que é que é vaquete.
E uma mulher que dá dinheiro é porque quer que tu vas lá gasalhar o croquete.
Homem!
Homem nada!
Que não sou parva.
Tenho 52 anos e nunca ninguém me veio ao rabo.
Homem!
Não é por falta de tentativa que os homens têm uma mania...
Ô povo da madrugão!
Vem ao baristo da sofrária!
Vem ao cabelo deste escândalo!
Um homem apanha a mulher na cama com o outro, ainda em farda, hã?
O outro não, olha lá.
O outro tem nome.
O que é que queres pá?
Olha que eu fui cozinhar na tropa, viste?
Olha então!
Pute mansa!
Olha que eu viro-me!
Não me queres ver descalço, pô não?
Calou, calou!
Fui para a cama com o Narciso, sim e pois!
Ai, não admites!
E tu também devias admitir que já não consegues levantar a antena.
Por causa do histamínio que cheguei eu nunca perdi a vontade, sabe?
Isso muito bem!
Há dois anos que nem as joalhas na relva!
E a tua solução é ir para a cama com o outro!
Cala o palhaço!
Voltas a falar de mim?
Estou a tomar castanhada nos dentes, nunca mais comes no hogar!
Deves!
Para casa deves!
Deixe-me só apanhar uma pedra a ver se eu não te faço a barba daqui, pá!
Olheninha!
Não!
Diz lá ao Estevão de Cegal para vir à general ver se eu não lhe porto a fuça!
Diz-lhe tu que ele vai a descer!
Félix!
Alguém sabe que estou aqui?
Não!
Claro que não, Duarte!
Eu sou barba mas não sou estúpida!
Eu vou lá!
Meu Deus!
Se alguém descobre que quando uma mulher não tem um cavalo o Conselho de Juristas e
São Agropéu pode forabir-nos à boina!
Já não vim bem!
Já não vim bem!
Tocaram e fugiram!
Mas deixaram... deixaram isto!
Uma pena?
Aqui?
Na Madragoa?
Duarte, a tua vida é uma mentira!
Não!
Eles descobriram que eu sou alérgico com as cerejas!
Tu és alérgico com as cerejas, Duarte?
Não!
Mas isso descobriram!
Eu vou buscar o pedatil para... Não!
Isso é um vírus!
Ou nudes pessoas como corpos reais!
Eu levo-a e abro-a no meu portátil que só tem jogos e batalhos.
Mas abre devagar, Duarte!
Abre devagar!
Bom dia!
Estás muito bem disposto!
Há assalos nas assessorais?
Ontem consegui enervar o meu pai.
Não vai conseguir tirar mais de alegria.
É papai, há gomos de sal, doutor Simão.
A Madalena, teve outro ataque?
Pai!
A tua mãe é chalupa, Matilde.
Toda a gente sabe.
Só o teu pai é que finge não saber.
Sim, pai.
A Madalena sofre de depressão.
E tem dias que acha calmo todo, mas eu amo-a!
Eu também gosto de mulheres!
Parem de discutir à frente, empregados!
Parecemos novos ricos numa marisqueira!
Eu vou para dentro.
Tieta!
E quando eu for o líder dos Borbão de linhaça, nenhum empregado sai sem minha
permissão e ninguém se levanta da mesa sem minha autorização.
Simão!
Simão, senta-te imediatamente.
Não!
Eu estou farto que o pai me trate como um
empregado telemarketing que liga depois das oito.
Simão, senta-te, por favor!
Não, Eduardo!
Como dizem nas daças latinas, que elas chupem e elas sigam chupando.
Pai, por favor!
Miguel!
Não, tio!
Por favor!
Tu tens coragem de me apontar serejas do arte?
A tua tirania termina aqui.
Não, tio!
Ele pode ser um monstro que nunca põe likes em postos de gatos, mas é meu pai!
Não preciso da tua ajuda, idiota.
Fui!
Fui!
Parkinson!
Já foste!
Pai!
Lorenço!
É o chamado que é manchado, pai!
Bus!
Anda, pai!
Começou!
A ira do colar!
Começou!
A máquina da roupa já está!
Estás no céu!
Sanficaz, faz as tuas coisas!
Apanhem as serejas antes que caiam com a trepida de sal!
Ainda não estão maduras, pai!
Cala-te!
Eu não quero morrer dentro!
Sacaram os vestidos do Dr. Duarte!
Pressa!
Venham por aqui!
Ele fez um guarda-chuva de origami para nos proteger!
Apanaram todos!
O ramo que limita-se à zona de Santarém e já acreditou a 7.6 na escala terrestre!
Tanta jarda!
Estamos lá a fazer muito!
Cala-te!
Você acha que eu cheguei a segundo ferroelapontador
morta-chente e vinte a comer as latas com a testa?
Até a tamborada dos hipars eu tinha de saber!
7, 9, 11!
11 vezes 1!
Pois é!
Eu não vou ter mais armados quando haver o terremoto!
Não se ponhas mais no depósito de água!
Tony!
O pai vai tentar apagar o terremoto!
Apagar o terremoto, Eduardo!
O que é isso, Madalena?
Está de cabeça perdida!
Salva-se, mamãe Firenze!
Não gosto, filha!
Firenze, escuta-me!
Obrigada!
Obrigada por salvar-se a única filha que eu alguma vez tive!
Não precisa nem dizer, dona Madalena!
Eu só cumpri o meu dever enquanto pessoa muito humana!
O terremoto!
O terremoto terminou!
Mãe!
Meu Deus!
Será que isto é o fim dos pormons do Niás?
Só mais uma coisa, Filipe.
Vivo de quê?
Vivo às custas.
Às custas de quem?
Importante.
Não sei, você é quem o conhece.
Filipe, nós depois contactamos.
Muito bem.
Desculpe.
Acho que eu lhe posso tirar umas fotos das mamas.
Eu pergunto sempre, para não ir para casa naquela da... devia ter perguntado.
Muito obrigada.
Esta gente não tem moção.
Quer ser diretor e não sabe dar três exemplos de fracos fiscais?
Eu gostei.
Quando eu acho que as consigo fazer, eu gosto.
Não sei se é de segurança ou preguiça, mas... Doutor!
Eu peço desculpas se não perceberam, mas é que eu estou cheia de... raioca.
Carla, 37 anos.
E capricórnio.
Portanto, cuidado comigo.
Acaba.
É da febre.
Desculpa.
Uma casa com mais de 12 mil anos completamente destruída.
Talvez ainda possamos salvar os guardapés e uma tostadeira, sua comandadora,
para de rastro.
A maldição!
Isto só pode ser sido provocado pela maldição de São Cajó.
Mas a maldição não é só.
Seu plano foi roubado, Eduardo.
Não sei mais, Helena.
Eu acabei de ver o corpo do velho Arnaldo esmagado por uma caneca.
O velho Arnaldo e o Tony.
O que?
O filho do Márcio?
O Tony Letagão!
O meu melhor amigo morreu, ouviram?
Morreu!
A única pessoa que me fazia feliz!
Que achava normal eu assumir as escórpias na cama!
Cala-te!
Miguel!
Miguel!
Não envergonhe mais esta família, Simão.
Porquê?
Ter amigos muito amigos é uma vergonha, pai?
Amigos que nos apoiam, que nos abraçam, nos beliz com as nádegas enquanto dorme?
Não, já percebemos.
Eu odeio ser um morbó de lenhaça!
Odeio!
Quem me dar a ter nascido, pobre, é vestir-me na primar!
Silvio!
Silvio!
Está tudo bem.
Está tudo bem, menino.
Estou habituado.
O meu sobrinho é segurança não me roubando.
O Simão já se consegue enervar.
Será que esta destruição é fruto da maldição de São Cajol?
Não, Matilde.
O velar de São Cajó não foi roubado.
Tivemos muita sorte, Madre Pluda.
Se a estátua do António Sala tivesse caído em cima de alguém...
É aqui, filha.
Não foi sorte, Salomé.
Não, Sr. Pluda, olhe para nós.
O que tu achas que nunca tivemos candidato?
Eu tenho um segredo para lhe contar, Madre.
Eu acho que eu sei qual foi o motivo do terramoto.
Então diz-me, Salomé.
Orificister, vocês aqui?
Toquem-me, Salomé.
Mais para cima, Salomé.
Não.
Minhas mãos são tão sapudas.
Qual foi a causa do terramoto, Salomé?
Eu não sei.
Não sei, Sr. Oreves, não sei.
Só sei que eu senti assim...
uma força que parecia... uma praga... que acabava em alma.
Uma maldição.
Sim, sim, sim.
É isso, é uma maldição.
Uma maldição de São Cajou.
Tu viste alguma coisa durante o terramoto, Salomé?
Não, Sr. Oreves.
Para deste longe, eu sou muito ceguinha.
Pensa, Salomé, pensa.
Tu viste alguma coisa, viste um colar a ser roubado?
Não, não, não.
Diz-me.
Não, Sr. Oreves, não, eu juro.
Enrique, Enrique.
Desculpa-se.
Vamos dir à herdade ver se o colar foi roubado, Enrique.
Que capalinho.
É diferente aqui.
É tudo igual.
Como os bairros à volta de Lisboa.
Adeus, Salomé.
Não, não, não.
Não, não, não.
Não, antes de eu voltar a ser ceguinha, não vou embora.
Há uma coisa que eu quero muito ver.
Que eu...
Mostrem -me um conjunto de fontes.
Que eu sempre quis ver como são os conjuntos de fontes.
Para, para, para, para, para, para, pessoal.
O que foi?
Isto faz cada vez menos sentido.
O quê?
Isto o quê, Didi?
Tudo, verinha.
Estas roupas, as pandeiretas, estas letras.
A minha gorda a mim não me convém.
Há imensa gente que curte imenso minhas gordas.
Completamente.
No Pornhub, gordas é uma categoria normalíssima.
Tipo madrastas ou pés.
Lourenço!
Então?
Então?
Já ouvimos falar sobre o terramoto.
Estás bem?
Já, já passou.
Não curti nada, a ver.
Pessoas que conhecem a morrer lentamente, são os pais de escombros.
Malditos terramotos.
A culpa de tudo isto é dos vegans.
É o quê?
Faz parva, Jimmy.
Nos equilibra o planeta.
Se comer uns muitas ervas, a terra fica compiladas.
Há imensos documentários no YouTube.
Malta.
Posso mostrar-vos um tema estrangeiro que escrevi?
Claro.
É sobre o quê?
Amor, Diogo.
Uau.
É sobre o amor proibido entre uma agrobeta e um
rapaz do campo que não sabe pagar com o telemóvel.
Lindo.
Tirando-me a padrasto, nunca conheci ninguém tão romântico como tu, Lourenço.
Eu sabia.
O colar de São Cajor não foi roubado.
O colar de São Cajor?
O que está na família Bourbon de linhaça há mais de 10 anos?
Há um outro.
Se o terramoto não foi causado pela maldição, lá foi a razão.
A terra não treme assim, se é mais nem menos.
Será que foi de trazer o colar para aqui?
Vou levá-lo.
Desculpe, disse que ia levá-lo, senhor comandador.
Sim, dê-me o saco.
O banco agora cobra pelos sacos, senhor comandador.
Papel ou juta?
Opa, foda-me.
Minhas senhoras, bem-vindas aos futuros escritórios da Blase.
O quê?
Eu vou ser direto para... E a cara da tua secretária.
300 metros quadrados do melhor edifício de escritórios com plantas por fora,
o Orgas Parque.
Oh, obrigada.
Olha, e não se preocupem com isto de apessoria, porque isto é uma questão nervosa.
Se eu tiver um homem que me dê atenção, já não.
Oh, Filipe, eu espero que saiba que eu estou a correr um grande risco ao
contratar uma doutorada do técnico para diretora.
Doutorada do técnico?
Sim, tu?
Claro.
Ah, é do técnico de que curso?
Fius.
E eu digo-lhe porquê que decidi apostar em si.
Gostei que tivesse assumido no seu CV que não gosta de camané.
É desse tipo de coragem que nós precisamos.
Parabéns.
Obrigada.
Coisinha.
Carla.
Coisinha.
Eu vou já dizer do que é que eu penso de ti, que
é para não ver mal entendidos entre nós, pode ser?
Sim, sim.
Eu acho que a tua mãe devia ter-te deitado fora e ficado com a seconha.
Já tem a sua casa reconstruída, dona Madalena.
Obrigada, Sebastião.
Ai, tão bom.
Até parece que tenho menos menopausa.
Ai, Sebastião, nem parece que tivemos um terremoto há dois dias.
Isto agora com os sapos e petes, é um estante.
Mas quem é você?
Mãe.
É o Sebastião.
Eu vou me entregar do feio tito.
Vai, eu vou para o quarto de mostrar-me.
O Sebastião me importa se tire com ele.
Ela quando está assim, não vai se calhar, mas torpe-se assim.
Claramente.
Celeste, eu não sei o que é pior.
Se é depressão ou se é a medicação que eu deixo neste estado.
É depressão, menina, é depressão.
Olha que fala quem salve.
Só esta semana já tive duas.
Fora, menina, força, força!
Não é possível que... Eu também não queria acreditar, António.
Onde é que o senhor doutor arranjou este vídeo?
Tinha naquela pena anónima alguém quis que eu soubesse que o filme sobre o herói foi
forjado e que eu nasci primeiro que o Miguel.
O senhor doutor tem a certeza que estas imagens são do vosso parto.
É que em tempos houve aí um vídeo em que toda
a gente dizia que era o Castelbranco que...
Não, António.
Não reconhece as manchas das costas do Miguel e o pipi da mãe.
Ah, sim, o pipi da sua mãezinha é inconfundível.
O pipi é incompatível.
O António e o tio do Arte fazem transplantes de pipis.
Isto faz com que o verdadeiro líder dos Bourbon de
Lenharça seja o senhor doutor e não o senhor comandador.
Estas imagens têm que ser reveladas.
Estas listagens têm de ser duplicadas.
Eles declaram mais pipis para ficar com o IVA.
Quem está aí?
Sou eu, o Simão.
Simão.
Espinhar... Calma, seu choro, calma.
Eu só...
Eu só vim mostrar-lhes a história que a minha mãe... Simão... Não!
Você matou-me!
Nem quando eu pus caça ali no Ferrari e tu me bateu!
Calma!
Calma!
Simão!
Simão!
Algo está muito errado com o Simão.
Esqueça o menino de Simão, Doutor.
A barba dele está a ficar branca.
Ele já não usa cores alegres.
Esqueça o menino de Simão!
Doutor, é agora o que é importante é desmascararmos o senhor comandador e o
senhor como verdadeiro por volta de menhaça tem o dever de o fazer.
Então, Madalena, como é que está a sua depressão?
Olha, a última vez que me diz estava há 12, 8.
Mas uma mulher que carrega tantos segredos nunca está em paz, Eduardo.
Segredos?
Coisas minhas, Eduardo.
Coisas minhas.
A única coisa que não é segredo é que só tenho uma filha.
Fala nisso!
A tese de Matilde foi a diada?
Foi.
Estavam com falta de betos para o júri.
Já?
O meu pai só devia vir à noite?
É cada vez há menos betos.
Anda-se por Lisboa e já não se vêem com as suas bejas.
Não acha, Eduardo?
Ahn?
Você nunca ouve o que eu digo.
Só a palavra do seu pai conta.
Ah, Madalena, é por causa do helicóptero.
Eu ainda pensei que podia se mexer daqueles casais,
ter o seu próprio mundo e alterna a dominância na cama.
Mas você só ouve o seu pai.
Madalena, meu pai é a pessoa mais importante da minha vida.
Você sabia disso quando casou comigo.
E o que é que eu sabia da vida nessa altura, Eduardo?
Eu achava que o Iman era um cantor sueco.
Ah, Madalena, mas o que é que quer de mim?
Quer que eu renega o meu pai?
A única pessoa que mantém esta família e o imperio das serejas vivos?
E como, Eduardo?
Através do medo, da exploração dos trabalhadores e do topping de sereja.
Não, Madalena, isso é mentira!
Será que eu estou cego pelo facto de o meu pai serem o meu pai?
Então... Uma vagante e duas salsichas em lombardo.
Exato.
Posso falar a vontade de uma falha?
Claro, Miguel.
Miguel...
Não comas palme, que isso dá pegasses.
A diferença entre isto e um vibrador é a duração da bateria.
É como esta.
Eu não sou um joguete sexual.
Eu fui figurante no Inspector Max.
Eu quis jantar consigo, porque eu acho que ando a
ser investigado por causa do topping de serejas.
Hum...
E quer a minha opinião como advogada ou como amiga?
Como advogada, que nós não somos amigos.
Certo.
Isso é gestora de body pump, não é?
Sim.
E isso é profissão?
Não.
É de mil você que é.
Mas há vontade.
Sabe-se que quando você vai bater, você nunca vai livre.
Olha...
Coisinho.
Sabe-se o que eu chamo homens como tu?
Mores a bebês.
Saia de baixo.
Eu não consigo, Lourenço.
Não pode ser.
Não posso enrolar-me com o tipo de poder que você me fez.
Não é justo.
Mas eu não ligo mais lhes justiças.
Eu ando no ginásio com 3 anos de vitilização.
Eu...
Eu amo outra mulher.
Eu nunca quis admitir-me.
Mas é verdade.
O quê?
Desculpa.
Isto foi só pela pica de ter sexo com uma mulher que amas a fora.
Desculpa.
Mas quem é Lourenço?
Quem é essa mulher que tu amas?
Mas o que é que se passa aqui?
Matilde.
Lourenço.
Tu aqui no meu quarto?
No teu quarto?
Sim, Lourenço.
Ela tem bolsa porque o pai dela declara o salário mínimo.
Somos milionários.
Mas como ela nunca está cá e eu moro na moita, era a única maneira de...
Tu não estás a desesperar que eu feche a porta e me
esfregue na tua briguilha porque isso não vai acontecer.
Eu vou-me já embora.
É só ao tempo de me vestir sem pensar no que
faria ao teu corpo com uma pena de ganso.
Nunca, nunca vais prosseguir-me nesta cama.
Janela Merta, Lourenço.
Meti-se na tua cabeça.
Sabes o que é que tu merecias?
Que eu me relaxe contigo só para ver o nojo que estás.
Tio... Tio... Eu vim a pedir desculpa por...
Tio... Uma pena?
Mas porquê que o tio quer uma pena?
Se tem o plano nós, mega exagero, com 900.000 gigas de armazenamento na
cloud e os cintos em mais rápido de todos os tempos infinitos.
Tio, não se me manque.
Pai me rendeu estes anos todos.
Não pode ser.
Este deve ser um daqueles vídeos de parte dos gêmeos falsos que há na net.
Espera.
O pipi da avó Lídia.
O vídeo é verdadeiro.
Você sabia, Madalena?
Você sabia?
Eu desconfiava, Simão, a gostar tanto de que elas sois de ganga.
Mentira!
O meu pai ouvi o mestor, o meu irmão despreza, a minha sobrinha ignora-me e
você metade das vezes nem me fala, Madalena!
É da medicação, Simão.
Há dias em que eu penso que sou no vidro.
Mentira!
Tudo da minha vida é uma mentira!
Esta família, os homens que choram que me amam, as
mulheres que dizem que tenho um pênis bonito, tudo mentira!
As únicas coisas que são verdade nessa vida são o amor do tio Duarte e o meu
jeito para comer chocos sem desujar, mais nada!
Tu pões nos corpos e depois erris e despares de mim, é isso?
Deve ter sido logo no dia que começaste a pinar de meias.
Ai, que lindo que eu tenho aqui!
Espera, espera!
Olha, uma surpresa!
Está quente!
Desgraçada, pá!
Estou-me a medos em cada uma!
Por amor de Deus, a culpa é dele.
Ele é que só lhe falta ter uma portagem no joelho.
Eu preciso falar contigo.
É para desmontar camões?
Claro que não é.
Eu só tenho um troné de matéria.
Espera, eu preciso a tua ajuda.
Eu tenho que fechar um casa antes do bloco terminar e preciso de ti porque...
é uma investigação perigosa.
Ser perigosa encapona-nos, estás a entender?
Então, o que é que vamos investigar?
Explica-lá.
Toppings de cerejas.
Obrigado!
Opa!
Não dá as catedraças não!
Não me estoures as catedraças deste mundiais!
A Leda, não!
A Leda, para com isso!
Já chega, seu resto.
Chama-me, menino.
Chamei, Sebastião.
Sebastião...
Eu começo a desconfiar que o meu pai anda a fazer toppings de cerejas.
Não, não.
Sim, sim.
Por isso eu encontrei nodos de mandrolona nos fracos.
O meu pai tem que ser parado, Sebastião.
Eu começo a perceber-me do mal que fiz a esta família
por o ter apoiado e por fazer bullying ao Simão.
E esse do bullying?
Não é nada, Sebastião.
O bullying é uma coisa grave.
À vez que até tem nomes estrangeiros e tudo.
Mas como é que o menino agora vai provar que o seu pai faz toppings de cerejas?
Não sei, não sei.
Vamos testá-las uma a uma?
Uma a uma?
Sim.
São seis bilhões de cerejas, menina.
E eu só tenho três pipetas.
Maldição!
Já para não falar no dinheiro.
Uma coisa assim?
Um patrocínio?
Não, não.
Nem pensar, Sebastião.
Em oito séculos de história, a família por bom de linhaça nunca se vendeu a marcas.
Não é vender, menino.
É associar-se.
É uma marca.
Mas que marca, Sebastião?
Não sei.
Deixe-me pensar.
Nós não somos uma família qualquer, Sebastião.
Nós temos uma bula para pala e isentar-nos de pagar caracóis em agosto.
Já sei.
Quem tem o prestígio para vos poder patrocinar.
Uma bebida única e refrescante.
Uma bebida?
Uma bebida que é fruto da nossa imaginação.
Mas qual a bebida fantástica é essa?
Sepurcola.
Já não há sepurcola, Sebastião.
Ah, pois não.
Mesmo que houvesse, não me vendo assim.
O que é isto?
É um testículo.
Sabem que ela embirra com jipes a gasolina, foram estacionar-o do Arnaldo ao pé dele.
Tirem o carro do Arnaldo ao pé do bispa!
Meu Deus!
É o cavalo mais bonito que alguma vez vi.
Cinco anos.
Já ganhou duas vezes o globo de ouro, mérito e excelência.
Melhor que ele, só o falecido propúcio.
E se está aqui porquê se partiu?
É um engenheiro fogacho.
Podíamos para guardar este mês, porque ele vai com a mulher uma expedição a boticas.
Acho que encontrei o amor da minha vida.
E o seu nome é... Testículo.
Onde é que vais, Duarte?
Já disse, Miguel!
Não!
Eu não posso deixar de fazer a justiciária de anunciar o topping das seranjas, Duarte.
Meu irmão, eles até helicóptero têm.
E mesmo há patrão.
Estás a brincar?
É um helicóptero comprado com o lucro do topping de seranjas.
Meu irmão, eu nunca critiquei o topping de mamas.
Também não sou ninguém para criticar o topping de seranjas.
Estás a entender?
Há pessoas a morrer, Miguel.
Sente que buscam das seranjas um escape das vidas tristes que levam.
E que morrem engasgadas, porque as seranjas estão muito grandes.
Eu só faço o que é preciso para sobrevivermos
na indústria da fruta com o garoto, Duarte.
Pai, o tio Duarte vai discutir com o helicóptero ligado.
Faz-me arrasar atrás com o helicóptero e mete-me na garagem.
Eu é que mando desta família.
Mentira!
Eu sei que forjaste.
O filme superou e que fui eu que deixei primeiro.
Mas se puder, eu.
O tio Duarte é mazão.
Não.
Sim, Miguel.
Enquanto eu voltar do departamento que queremos futilos da judiciária,
eu vou-te expor a tua mentira e assumir-me o
papel como líder do teu esporte bom de lanhaça.
Nunca!
Uma pistola?
Será que vão as tortas por cima?
Eu sei que tu não vais conseguir-te disparar.
Por que não, Duarte?
Porque dos 13 aos 16, quando mais precisavas, sou eu
que te prestei meu baralho de cartas com mulheres ruas.
Deu-lhes lá.
Já está aí!
Blasphome!
E era o mesmo para jogar as cartas, seu porco.
Algo importante no helicóptero que ele acabou de lavar.
Ai, filha!
Tanto tempo e tem pra ir um cabrito, filha!
Olha para ele isto!
E a mulher de cadeira de roda?
Amigo da Lete apanhou-lhe a coluna.
Coitadinha!
De caixa ao fechado.
Tanto sítio onde se podia despinhar e vai cair em cima de uma faca rica.
Terremoto.
A febre do beatbox.
E agora a morte do tio.
Eu vou ter a mesma certeza que isto não faz parte da maldição do colar de São Cajol.
Como, se o colar não for roubado, Matilde?
Consegue explicar-me?
Não.
Porque também não consigo explicar a loucura que a Bárbara atinou, porque ela existe.
Ainda há dias me ensinou a sacar torrents e agora está morto.
Eu sei, Madalena.
Só há duas certezas na vida, Eduardo.
A morte e que se uma mulher de peito grande dormir com top de alças,
acorda com uma mama de fora.
Não!
Abra o caixão!
Eu quero dar-lhe o meu troféu de vice -campeão rima de charme lampado!
Não, Simão!
Não vai escrever assim, Simão!
O tio teve certezas para encher o fato.
Eu quero... Eu não vou ter morrido, não!
A Jeanier confundeu o corpo do teu tio com o ensopado, Simão.
É isso que queres ver?
O ensopado de Eduardo.
Simão!
Simão!
A partir de hoje eu não quero mais nada de si!
A não ser a mesada e o triplex do Guarujá!
Ai, amor!
O que é que aconteceu?
Ele morreu?
Mas quem é que morreu?
Não importa!
Não importa, Ivone!
O que importa é que ele foi o único homem que eu amei!
O único?
Então e os sete anos que andaste com o Joca que foi a fazer o quê?
A esfoliar as coixas?
Nunca mais vou encontrar um homem como ele!
Eu nunca mais vou encontrar um homem como ele!
Não digas isso!
Os homens são como os pontos negros.
Esperemos um, aparece logo outro!
Vale!
A soa-te, neném!
Morreu-lhe um namorado!
E depois?
Nós temos virmos e deixámos-nos um neck -neck a meio!
Só um neck-neck?
Eu sou alguma besina.
Não, mas a tua pica está bomba de...
Descarga também!
Fírio!
O que é que tens?
Tu vês o branco Macaulay?
O que é que foi?
Homem, eu ando com medo.
Andas com medo de quê, Raul?
É aquele tipo de medo que nos faz arfar metas de frases.
Filho, o que é que foi?
Eu acho que te fotografei uma coisa que não devia.
Olha lá, o que é que se passa com a malta da tua idade?
Mais as fotografias badalhocas.
Vocês não sabem pinar, uma boa pinadela, Raul.
Mas esquece, esquece, esquece.
Queria falar contigo, Simão.
Querias?
Já não queres.
O humor de empregado, Eduardo.
Que no fundo é o que sempre foi nesta idade.
Diga-se isso, Simão.
Tu és um purpão de alcança.
O terceiro na sução, outrando a seranja.
A ser simpático comigo, Eduardo.
Ganhaste consciência com a morte do teu Eduardo?
Sempre tive, Simão.
Apenas ignorei porque o guardia e medo de ser visto como um babaca bobalhão.
E o que queres de mim, Eduardo?
Perdão?
Quero que me ajudes a fazer com que o pai pare com o topo de cereja.
Até agora!
Depois de te ter enviado milhares de votos de cerejas, com o acno, com a retenção de
líquidos, com alterações menstruais, Eduardo.
Eu sei, Simão.
Mas ajuda-me, se não por mim, pelo futuro dos purpão de lenhaça.
O único purpão de lenhaça por quem valeria a pena lutar.
Está morto.
Não me deixes sozinho nesta batalha, Simão.
Faça o que está certo, como sempre fizeste.
Quem é que isso me levou, Eduardo?
Nunca fui respeitado.
Nunca tive poder.
Nunca fui a alta definição, nada.
Mas mantens o coração puro.
Já não, Eduardo.
Já não.
Porque desde que consigo enervar-me, sabes o que percebi?
Percebi que quem fala alto no cinema, quem buzina
nas filas, quem dá pons nos elevadores, é respeitado.
Se não é respeito, seja o que for, é bom, o Eduardo.
A raiva e o mal-criatismo, sabem bem.
Obrigada por me deixar enxergar a morte do meu tio com o fosco.
Cara, anda boa.
Eu também gosto imensos de tios.
Eu também como ela boa.
E aí, obrigada pela pulseira da Pandora.
Eu sei que tu gostavas muito da dra.
Eduardo.
Muito, Orelso.
Ele também gostava muito de ti.
Ele gostava mesmo muito de ti, Matilde.
Dizia sempre que tu eras a filha que ele nunca teve por causa dos preservativos.
Eu, pronto.
Não cheia daqui.
O que foi?
Foi a polícia.
Acreditou-me neste dedo.
Como?
Morres, pontapés, balas de borracha, só não morri porque tinha as mãos nos bolsos.
Fones.
Se calhar a polícia não é a força respeitável que eu sempre julguei.
Se calhar a polícia...
É só a bófia.
Estás a gozar?
Tu sempre foste a favor da autoridade musculada do Estado.
Não volta a andar enganado, Jimmy.
Na volta o Estado é opressor.
E a minha missão é combater aqueles que abusam da farda para
maltratarem pessoas que têm piercingos em sítios esquisitos.
Não, Diogo.
Não tu és atinado.
Tu deixas-me pressona a partir das 11, não é, Lourenço?
Cala-te.
Finalmente, recuperei o colar.
Agora sou eu quem controla o poder de acessório que vai bem contuno.
Para, Vitor.
Olives de ester?
Mas como?
Se nem há fumo rasteiro.
A máquina foi para arranjar na Alemanha.
Não queremos cá ajeitosos a mexer.
Como é que vocês fizeram isso?
No TikTok aprende-se tudo, Vitor.
Mas por que é que vocês estão mais poderosos do que eu?
Porque nós estamos do lado do bem.
Não.
O mal vem sempre.
Gengis K.
Nero.
A Perpétua da Tieta.
O mal ganha sempre.
Deus, Vitor.
Espero que não haja rooming no inferno.
Chupa!
É impossível segurá-lo, ele é muito independente.
Não, César, não.
Não é isso que me preocupa.
O que me preocupa é...
Como é que o Vitor tinha o colar de São Cajó sem ser destruído por ele.
Não sei, Henrique.
Não sei.
Mas se for para ali pensar com as mãos atrás das costas talvez descubra.
Mãe, tudo bem.
Tomaneia vem cá para casa e viver conosco.
Está pronto?
Não.
Se tu não estivesse de acordo, ele não vinha e acabou-se.
Se eu não estivesse de acordo, fica de acordo.
Eu não tenho gente para sair a briga.
Eu acordo com os alarmes.
Se te faz confusão, a gente está a pinar aqui no quarto ou lá, tu diz-me.
A gente pina na sala.
Já estiveste mais longe de voltar a dormir na varanda da tua madrinha?
Mãe, está tudo bem.
Tomaneia vem cá para casa e viver conosco.
Espero que vocês estejam muito felizes.
Chaval, o madrinha é bacano.
Tu não te vais arrepender, Chaval.
Sabe porquê?
Porque eu vou ser um daqueles padrastes muito afichos que
te vai enviar vídeos de achoncharia e outras badalhas.
Cala-te!
Salte!
Não estás bem.
Não estás o que conheço.
Eu sou tua mãe.
Deita cá para fora.
Deita.
Sabe-te se diz que não ando bem?
Tenho medo.
Tenho medo de quem tem atrás de mim por causa de
minhas fotos que tirei com aquela máquina ali.
Qual máquina?
Bem... A máquina para a qual eu apontei-se a olhar foi roubada.
O meu ganda urso!
Voltaste a deixar a janela aberta?
Claro, eu não consigo pinhar com a janela fechada,
começo a suar das verilhas e desconcentro -me.
Tu sabes, Ivone.
E agora?
Será que as pessoas que roubaram a máquina veem atrás de mim?
Será que vou tentar matar-me?
Será que eu posso continuar a falar assim sem
que as pessoas à minha volta ou se eu digo?
Léo!
Espera, Lourenço.
Antes de termos sexo, há uma coisa que eu quero que tu saibas.
Já expressas?
O quê?
Sei lá.
Como usas tantas camisolas de malha?
Lourenço...
Eu ganhei medo ao bico.
Medo?
Eu era miúda e... eu achava que eram tudo facilidades, que eram...
Eu amo-te como tu és, Matilde.
Até podia ser feminista.
Sério?
Sério?
Tenham medo e se chegue a máquina, também posso chegar a vocês.
Por isso, se querem continuar vivos, esqueçam o que viram.
Quem é que te deu este tieto?
Ninguém, meu irmão.
Estava numa chamuça.
Uma chamuça?
Foi um bartouco que apareceu lá no bairro, deu-me uma chamuça.
Tu tens que prometer que não vais contar isto a ninguém.
Não twists, hablas.
De chamuça's não, Ganze?
Dequilo que vimos!
Seta cat�, está aqui toda esberratada.
Por que não existe?
Esta é a gente pod spectacular.
Esta é a gente do que faz uma chamada tão remolido.
Tu tens que réflדי que vamos esquecer aquilo que vimos.
Tu ervas me nervar também, irmão.
Lembras-te daquela deputada que o Mano engravidou?
Não.
Eu também não.
Estás a entender?
O Nando é bom a esquecer.
Vá, fui.
Claro, aberta.
Ablece.
Tão bem.
Coisinha, não sabe?
Ai... Ai, eu vou descer em champanhe.
Ai, gostava tanto que o meu pai fosse vivo para ver isto.
Não.
Morreu de quê?
De susto, quando olha para essas unhas?
Sai.
Ai, vai.
E então, Cristina, não vai discursar?
Com licença.
Discursar?
Desparado.
Isso já era intimidade das mães.
Além disso, eu tenho pilates das duas às oito.
Mas discurso a Filipa.
Filipa!
Filipa!
Filipa!
Filipa!
Filipa!
Raul...
Coisinha... e precários.
Eu prometo-vos que farei da Blaise a revista mais
vendida ali um ano ou dois antes das revistas acabarem.
A nota.
Longe dali Simão transformava-se num monstro hora após hora dia após dia
maldade após maldade Era como se uma inesorável e gigantesca força do mal não
parasse de crescer O homem de coração puro Que todos conheciam e se iam no Twitter.
Desaparecia debaixo de uma barba cada vez mais cumprida e bem tratada.
Parem com o doping durante um tempo.
O que sobrar de esteroides façam um giveaway no Insta da Hirdade.
Sou só eu, papá.
Whisky?
Estou a aprender a gostar.
Dizem que é um gosto adquirido como os pipis peludos.
Whisky é a bebida de homens, Simão.
Eu não sou homem, pai.
Não, Simão.
Alguém que dorme com mulheres e com homens é um pervertido.
Eu não sou pervertido.
Cala-te.
Até com o pato já te vi.
Era um pato adulto.
Éramos os dois adultos.
Se ao menos fosses forte.
Mas nem isso.
És pervertido e fraco.
O que é que vais fazer com isso, Simão?
Não sei.
Talvez o mesmo que o pai fez com o tio Eduardo.
O jogo foi.
Achava que ninguém tinha visto que podia matar
impunemente o único homem que me amou como um filho.
Calma, Simão.
Me ensinou a andar de bicicleta... de skate... de saltos.
Simão, não estou contando que irá dignidade a fatacil!
Para, Simão!
Eu sou teu pai.
Um pai... ama e respeita.
Já esqueceu o que usou comigo quando fui ao Gotland.
Fazer a dança do vento.
Não interessa!
O que é isso?
O origami de noite?
Eu fiz esse origami... para usar quando ganhasse coragem.
Ficar a morte do tio Eduardo!
Só soa assim porque eu sofri na infância.
Percebe, Simão?
Eu fui abusado pela amiga Olga.
Desde que percebi que o prazer era respeitado... eu tenho de ser com ela.
O que é que pode ser mais com ela... do que matar o próprio pai?
Tanta coisa, meu filho.
Ofrecer livros de autoajuda, vestir cães...
Por mim... o teu Eduardo...
Agão!
Salve, Portugal!
Perde uma piscina com clara mais.
Amor, ganhaste.
Ganhamos mesmo com a semana de pulá.
Olha o senhor, olha o senhor.
Calma, calma.
É só uma medalha, amor, é só uma medalha.
Calma, calma, calma.
A morte passa.
..
e o bulbo cabrito fica em nossa memória para sempre.
Conseguimos!
Somos a primeira túna rock!
Obrigado por me deixarem fazer parte disto.
Obrigado por me convidarem para fazer parte de uma túna...
quando a única ligação que eu tenho ao ensino de superior...
é a darem o resto português.
É, família!
Putos... já que estamos numa de sentimentos e assim...
eu quero assumir algo... que escondi de vocês e de mim próprio.
De nós?
De ti próprio?
Não, Diogo, não sou Bófia... mas vivo uma mentira desde os 15...
e é a altura de ser verdadeiro e sair do armário.
Puto, tu és...
Sou vegan.
Tive as primeiras experiências conceitando um verão em Tavira...
e desde aí nunca mais toquei em produtos animais.
Estás-te a passar, man?
Eu estou a ir os hambúrgueres e os santos de carne assada.
Era tófila envernizada.
É o porquê de ontem?
Era de quinoa.
Fónix!
Jimmy!
Não.
Titi, não faças isso.
Não, Diogo.
Não, não, não.
Diogo, é muito alface.
É por ti, man.
É por ti.
Somos todos vegan, man.
Da bem que a senhora já recuperou da travadinha.
Traz-lhe um miminho para não pintar de barriga vazia.
Pintar?
Eu estou a pintar.
Então não está, dona Madalena.
Eu estou cada vez pior.
Nicação, terapia, poker online.
Nada resulta.
Já tentou shots, minha senhora.
Nada me pode curar, Maria da Piedade.
Eu carrego muitos segredos dentro de mim.
Descarregamos, minha senhora.
Se o mundo soubesse, a minha alcanheia avisa.
Eu não aguento mais, Maria da Piedade.
Eu vou ter que lhe confessar uma coisa em flashback.
Eu fiz-me sócia da Dark Web para procurar provas de
que a minha sogra era o criminoso que eu sempre soube.
Mas depois de meses de horrores e alguma pornografia
com anões, o que descobri foi ainda mais grave.
Descobri que o Duarte tinha nascido primeiro que a minha sogra.
Foi então que peguei nessa informação.
Coloquei-a numa pênula SB3.1 128 GB e fui -la chegar a quem tinha o direito de saber.
Dr. Miguel sabia que o Dr. Duarte tinha nascido primeiro.
Sabia.
E acho que foi por isso que ele o assassinou.
Ele?
Ele quem?
A Daniela.
Uma paz suicidou-se com seis tiros na cabeça.
Vai-me acionar do caisinho.
O que é isto?
Fogo rasteiro?
Não.
Sim, Vitor.
A máquina já veio da Alemanha.
O que é que vocês querem de mim, ourives?
Vocês não vêm que eu já te assisti do pular?
Existir do pular não o chega, Vitor.
O mundo só estará seguro quando retirarmos os
teus poderes de pessoas extremamente maléficas.
E como é que vocês pensam retirarmos os poderes?
Com esta montagem de labradores bebés.
Não!
Chega de focinhos amorosos!
Chega, chega, Henrique.
Chega.
Faz muito tempo que ele pode ficar um frouxo bobalhão.
Agora és um mortal que também pode apanhar sarampo.
Vocês podem ter-me retirado os poderes.
Mas há outro herdeiro do nosso senhor de coisinha da terra.
Outro?
Sim, ourives.
E tenho protegido-me desde que percebi todo o potencial de maldade que tenho.
A maldade que vai fazer com que destruo-os por bondo de nhaça por dentro,
como um pulgão.
E fui eu que permiti que essa maldade crescesse,
alimentada à dor, raiva e ressentimento.
Tal como fui eu que distribui fritos picantes para encobrir os seus crimes.
Diz-me quem era esse monstro!
Diz-me, Vitor!
Nunca!
Agora que sou humano, vou ser empirrente como eles.
Olá, Simão.
Bem-vindo ao final do filme, Eduardo.
O que é isso aqui?
Como pai?
Essa é a grande tragédia.
Transformei-me em quem mais odiei.
No nosso pai.
Não digas isso, Simão.
Eu digo o que eu quiser, Eduardo!
Eu já não sou com ninhas!
Simão, ajuda-me a liderar os bondo de nhaça.
Vamos salvar as cerejas juntos como irmãos frutícolas.
Não.
Não posso fechar os olhos às humilhações que esta família me fez passar durante anos.
Nunca te humilhei, Simão.
Tu puseste cola nos meus preservativos, Eduardo.
Eu tive o pênis plastificado durante um ano.
Um ano!
Não desculpa, Simão.
Não, Eduardo.
Eu não me desculpe nem a ti.
Por bom da nhaça.
Vocês fizeram de mim um monstro agróberto.
Não, Simão.
Não.
Se queres viver como um demónio escalamitano, assume essa escolha!
Escolha!
Eu sempre fui um trouxa vacilão, Eduardo.
E vocês transformaram-me um assassino!
Assassino?
Quem é que tu mataste, Simão?
Quem?
Eu matei o velho Simão.
Mas posso matar muito mais.
A começar por ti, Eduardo.
Tu não eras capaz de matar o teu próprio irmão, Simão.
Trouxa!
O vacilão ainda está dentro de ti!
É verdade.
O velho Simão ainda viva.
Mas com a altura de matar... ...te vejo.
E é por isso... ...que nós dizemos que uma estrela cadente é um Simão.
Uma inofensiva rocha perdida...
...transforma-se numa destruidora bola de fogo... ...devido à fricção na atmosfera.
Não se nasce estrela cadente.
E o colar?
Quem é que fica com o verdadeiro colar de São Cajó?
Ninguém sabe.
Outra vez a contar essa história.
A tua, a tua história.
Nossa!
E do pobre de Narciso, coitado.
Claro, uma revista de moda.
Podemos investigar caras de moda?
Eu peço desculpas se estou a perceber... ...mas é que estou cheia de...
Eu, tu... ...o Narciso... ...e o colar de São Cajó.
O quarteto mais improvável do mundo.
É fácil enganá-los...
...quando acham que somos belos.
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