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- O Almirante Pennington, senhor? - Sim, senhor.
Está à sua espera.
Quartel-general da Marinha Real Portsmouth, Inglaterra 1717
Almirante.
Tenente Robert Maynard, apresentando-se ao serviço.
À vontade.
Está aqui, Tenente, porque Sua Majestade precisa dos seus serviços.
Estou à sua disposição, senhor.
Um perito naval fez a cartografia das rotas marítimas entre Barbados e os mares do sul.
Infelizmente estes mapas são inúteis, exceto para
os navios da marinha de guerra e da marinha mercantes mais bem armados.
Piratas?
Sua majestade quer restaurar a segurança nestas vias marítimas.
A sua missão é encontrar o famoso barco pirata Queen Ann's Revenge
e destruí-lo.
O seu capitão é Benjamin Hornigold,
que outrora navegou com o Capitão Kidd
e deve saber onde ele enterrou o seu fabuloso tesouro.
O seu braço direito é um patife chamado Edward Teach
que se auto-intitula de Barba Negra.
Têm de ser detidos.
Aqui estão as suas ordens.
Incluem cartas de corso que servirão como apresentação.
Em casos especiais elas permitem requisitar
o que for preciso para a execução da sua missão.
A missão deverá ser mantida em segredo, senhor?
Obviamente. Não confie em ninguém.
Irá viajar para as Américas num navio mercante
para passar despercebido.
Mais uma coisa, Tenente.
Será responsável por escoltar um menor até New Providence.
Será esse dever compatível com uma missão de tal importância e secretismo?
Com todo o respeito, senhor.
Srta. Ormand, se não se importa.
Srta. Ormand, permita-me que lhe apresente o Tenente Robert Maynard
da Marinha Real de Sua Majestade.
Tenente...
...permita-me que lhe apresente Srta. Charlotte Ormand.
Srta. Ormand.
Tenente.
Estou muito agradecida pela sua amabilidade.
Tentarei não ser um incômodo.
Prevê que seja um dever muito árduo, Tenente?
Não, de modo algum.
Vão com Deus. Srta. Ormand. Tenente.
Índias Ocidentais perto da costa de St. Vincent
Senhor Teach.
Barco à vista.
Senhor Howard.
Chame o Capitão Hornigold ao convés.
- Recolher aos aposentos, senhor Howard. - Sim, senhor Teach.
Todos para os aposentos.
É um dos grandes.
Agrada-me e muito.
Precisamos dos seus mantimentos.
Os homens estarão do seu lado.
Quem são, senhor Teach?
Achamos que seja o barco de escravos francês Le Concorde, capitão.
No ano passado nesta mesma ocasião vi-o no porto.
Tem muitas armas, mas homens insuficientes para as dispararem.
Não precisamos de escravos, senhor Teach.
A mim parece melhor dormir de barriga cheia esta noite.
Ice a bandeira francesa, senhor Hands.
Ignore essa ordem, senhor Hands.
Vamos deixá-lo ir.
Podemos tomá-lo, capitão.
Também o podemos deixar ir, senhor Teach.
E é isso que vamos fazer.
Navegam com cores francesas.
Talvez negociem conosco? Precisamos de mais vinho.
Capitão, parece que desde que ficou sem esse olho
não perdeu só a visão.
Agora que é rico, joga pelo seguro.
Todos sabemos que esteve naquela festa muito fina quando aportamos.
Já chega, senhor Teach. A minha decisão está tomada.
E a minha também.
Sugiro que façamos uma votação, aqui e agora.
Se me elegerem capitão
vamos tomar aquele barco francês
e vamos comer a sua comida
e beber a sua bebida hoje à noite.
E se me elegerem seu capitão
vamos encontrar o tesouro, há muito tempo perdido, do Capitão Kidd.
E vamos dividi-lo e todos receberão uma parte.
O Capitão Kidd não enterrou nenhum tesouro.
Isso é o que você diz.
E acho que o faz porque o quer só para você.
Mentiroso.
Fiquem onde estão!
Não me agrada.
Não podemos perder a nossa mercadoria.
Dêem a volta.
Está tudo bem.
Se quisermos tomar aquele barco terá de ser agora,
uma vez que o nosso mestre está morto.
Foi pedida uma votação.
Segundo o nosso código, deveremos respeitá-la.
Os que estiverem do meu lado que venham para bombordo.
Os que estiverem do lado do senhor Teach que vão para estibordo.
Sempre foi um excelente pirata, senhor.
Mas como diz o senhor Teach, já deixou de ser.
Está do nosso lado, Hobbs?
Estou contigo, Capitão Teach.
Está do nosso lado, senhor Redsherm?
Conte comigo, senhor Teach.
Doutor Bruce, o que faz aí sentado?
Capitão.
Está com o Hornigold ou comigo, senhor Leavitt?
Agora que vai ser o capitão, lutarei ao seu lado.
Então não fique aí sentado. Faça algo de útil, homem.
Vire para estibordo, senhor Hands.
Preparem-se para o ataque!
Prendam o Hornigold! Ponham-lhe as correntes.
Ali está ele, senhor Leavitt.
3, 4, carreguem-nos!
Vêem-se apenas alguns homens no convés.
Talvez estejam perdidos.
Devemos ficar em posição, capitão.
Coloque-nos em posição, senhor Hobbs.
Meus Deus! Piratas!
Capitão! Temos de nos render!
Não podemos! Se o fizermos, vão nos matar!
Bombordo, disparar!
Vamos a eles!
A minha perna!
Hands, me ajude!
Dê a sua espada.
Renda-se ou morre.
Revistem o barco. Quero a mercadoria.
Depois vai ao fundo.
Cuidado onde põe os pés.
Obrigada pela sua amabilidade.
Charlotte,
gostei do tempo que passamos juntos.
Eu também, Robert.
Em muitos aspectos.
Vou acompanhá-la até o seu pai.
- Não é necessário. - Claro que é.
Este não é um lugar onde uma jovem deva andar sozinha.
Farei com que chegue em segurança.
Mas o Governador Eden já está aqui.
Robert, por favor não pense que sou desonesta,
mas o governador veio me receber, não a você.
Lembra-se que lhe falei do homem que aceitou adotar-me
e administrar a minha herança até eu ter idade para o fazer?
O Governador Eden é o meu pai adotivo.
- Pai. - Charlotte, minha querida.
Está tão linda.
Governador Charles Eden, permita-me que lhe apresente
o Tenente Robert Maynard, da Marinha Real.
É uma honra.
É o Maynard de quem eu estava à espera vindo da Inglaterra?
Sim, senhor. Fui passageiro no mesmo barco em que veio a sua filha.
Fui escoltada pela Marinha Real até New Providence, pai.
Bem te disse para não se preocupar.
Deve estar exausta, minha querida.
Vamos te levar imediatamente para casa.
Bom dia, tenente. Ficamos à espera de uma visita sua, quando estiver instalado.
Certamente que a coroa pode oferecer acomodação ao Tenente
durante a sua estada.
Você é o representante da coroa em New Providence.
Muito bem.
Por favor, nos acompanhe.
Como é que vocês franceses dizem?
"Au revoir"?
O seu capitão vai pagar o preço por ter defendido o seu barco.
E vocês também.
Vamos lá, traduz.
Vamos lá.
Há muitos bandidos nesta estrada?
Nenhum suficientemente idiota para assaltar o governador.
Tenho a certeza de que não vai precisar disso.
Não saiam daqui.
O que está havendo?
A árvore foi cortada recentemente. Tem outra pistola?
- Já atirou alguma vez, senhor? - Não, claro que não.
- Eu atiro. - O quê?
Segure-a com as duas mãos e aponte para o peito.
A moça vem conosco.
Não, não vou!
Ela disparou contra mim.
E eu farei pior.
Robert, atrás de você!
Robert.
Obrigada por salvar as nossas vidas.
Srta. Charlotte, está tão crescida.
Este é o Tenente Robert Maynard.
Tenente, não quer juntar-se a mim no escritório,
assim que estiver instalado?
Claro.
Governador, posso sugerir que coloque um guarda na entrada da propriedade?
Apenas como precaução.
Big John. Fique aqui de guarda até segunda ordem.
Sim, senhor.
Dá-lhe mais.
Senhor Sanborn.
Agüenta como um homem.
O seu lugar agora é na cozinha. É lá que vai ficar.
E vai ter direito a receber a sua parte e mais meia.
Deus o abençoe, senhor Teach.
É um homem justo.
E depois me faça uma refeição decente.
Uma perna de carneiro, não é senhor?
Não gostei da última que fez.
Abra.
Vocês, voltem ao trabalho.
Ward, volte ao seu posto.
Isto aqui é um verdadeiro tesouro.
Sem uma coisa destas, uma pessoa não sabe por onde vai.
O Tenente, é claro, fez o seu dever.
Sim?
O Tenente Maynard, senhor.
Peço desculpas, estou interrompendo?
De modo algum, Tenente Maynard.
Estava apenas dizendo ao senhor Knight da sua habilidade com a espada.
Pode agradecer a Sua Majestade.
O meu nome é Tobias Knight, e sou o juiz e cobrador de impostos
de New Providence.
Pedi ao senhor Knight para se juntar a nós e ouvir o que tem para nos dizer.
Senhor Knight, governador,
com o fim da guerra, Sua Majestade é de opinião que é do interesse da coroa
acabar com a pirataria.
Isso não é nenhuma novidade.
Apenas mais palavras ocas.
É esse o motivo da minha visita.
Transformar palavras em ações.
Já parece o Spotsword falando, não parece?
Sim, mas o governador tem uma atitude bem diferente no que se refere a este assunto.
É verdade. O Governador Spots queixou-se em Londres.
New Providence tornou-se um porto seguro para os piratas.
Isso afeta a chegada de barcos à sua colônia.
Que ousadia!
O problema, Tenente, é que os piratas estão bem armados
e nós não.
Isso pode mudar.
Devo informar que vários navios de guerra foram enviados
para nos ajudar.
Devem também continuar a dar anistia a todos os piratas que façam juramento
de nunca mais voltar à sua atividade anterior.
Sim.
Irei guardar a sua Carta de Corso durante a sua estadia.
Como queira.
Pergunto
se aquilo que está fazendo não é apenas mexer num ninho de vespas.
Os piratas podem simplesmente ir para outro local.
É possível.
Mas pelo menos deixarão de ser seu problema.
Um brinde ao Tenente.
Por me poupar o trabalho de enforcar pelo menos um desses foras-da-lei covardes.
- Ao Queen Ann's Revenge. - À escória dos mares.
A guerra com os franceses pode ter acabado por ora,
mas o meu desdém por eles cresce diariamente.
Já deu para ver que não vamos ser sócios, nem amigos, por isso
porque não me dá o que preciso e
acabamos com isto aqui e agora.
E o que eu tenho que o grande Barba Negra precise?
A última carta do seu amigo, capitão Kidd.
Antes dele se retirar.
Se eu a tivesse e soubesse onde está o tesouro
não acha que já teria ido atrás?
Muitas perguntas.
E já estou farto.
Devia ter visto, Tobias.
Fiquei estupefato quando a Charlotte apontou a minha pistola para aquele bandido.
Você me empurrou, pai. Se não tivesse me empurrado, o resultado teria sido diferente.
É verdade.
Poderia ter ficado sem uma orelha.
O tenente é um homem da Marinha. Não deveria sentir-se perdido
longe da água?
Por acaso não. Cresci numa quinta.
Quando recrutaram o meu pai para a guerra com a França,
para nunca mais regressar,
fiquei responsável por tudo o que ele fez pela minha mãe.
Alguma vez já teve de matar alguém antes de hoje?
Nunca matei um homem que não o merecesse.
Tenho muito respeito pela amizade que existiu entre nós.
Só tirei os que não vai precisar.
Ainda tem alguns dedos, Hornigold.
E você sabe que o Doutor Bruce gosta de cortar coisas.
Já lhe disse. Não há nenhum tesouro, nem nenhuma carta.
- Isso é carnificina. - Isso fica para mais tarde.
Vou arrancar-lhe o outro olho. Não precisará dele para onde vai, senhor Hornigold.
Não, não, não. Pare, pare.
Existe uma carta.
Foi uma carta que o Kidd enviou à mulher depois do seu julgamento em Londres.
Está sob a quinta tábua do chão,
debaixo das tartarugas lá em baixo, dentro de uma caixa de lata.
Está se referindo a esta caixa de lata?
Não tem nenhum tesouro, senhor Hornigold.
Eu pergunto, porque a escondeu tão bem?
Pela mesma razão que você o fará.
Talvez seja importante ou talvez seja apenas uma carta.
Talvez você não devesse rir tanto.
Como a conseguiu?
Tirei-a da mulher do Kidd quando fui lhe dar as condolências.
E teve de a consolar muito?
O suficiente para a manter quente numa noite fria de Fevereiro.
Senhor Hornigold, roubou-a da viúva com quem dormiu.
Afinal ainda está ai para as curvas, não está?
Cesar, vai buscar o jantar do senhor Hornigold.
Coma.
Vai precisar de todas as suas forças.
Então a moça impediu o nosso rapto?
A Charlotte está ainda mais teimosa do que quando foi embora.
E aquele oficial intrometido
já estava interessado nela e não estava disposto a desistir.
Por isso, não teve outra alternativa, a não ser fingir que não sabia de nada.
- Graças a Deus que está vivo. - Sim.
Sim, mas um dos nossos homens está morto e outro ferido.
Enquanto que a teimosa da minha filha e aquele patife do Maynard estão bem.
- É uma situação horrível. - Exatamente.
Na próxima semana ela faz 21 anos
e estará viva para reclamar a sua herança.
É inaceitável.
Acho que devíamos regressar e nos preparar para o baile.
Não acha?
21 anos. É maior de idade. Pode decidir sozinha.
Quem me dera que os meus pais verdadeiros tivessem vivido para gastar o seu dinheiro,
em vez de deixarem para mim.
Uma esmola para uma pobre alma, senhora?
Lulu.
Não vai gastá-lo com bebidas. Ouviu?
Presumo que não tenhamos vindo aqui apenas para comprar maçanetas.
- Senhor Bridges? - Srta. Ormand.
Permita-me que lhe apresente o Tenente Robert Maynard.
- Bom dia. - Bom dia.
Gostaria de lhe mostrar...
Claro. Entre.
O meu pai pensa que sou só palavras no que refere a isto.
Um consultório médico?
Tal como ele pensa, eu estudei na Inglaterra.
Contudo, estive aprendendo medicina
com um médico muito bom.
Ainda não tenho o meu certificado.
Mas apenas porque, na Inglaterra, as mulheres não estão autorizadas a exercer medicina.
Mas aqui, as necessidades da população não nos permitem esperar por tal autorização.
O meu trabalho manterá viva a memória dos meus pais.
E se puder,
irei lutar contra a febre amarela que os matou,
com todas as minhas forças.
Ficariam muito orgulhosos de você.
Tenho certeza.
Tal como eu.
Fique de olho nele, senhor Hands. É o meu tesouro.
Claro. Vou guardá-lo com a vida.
Vamos ao trabalho e num instante estaremos com as senhoritas.
Capitão?
Agora que o Redsherm está morto, vai precisar de um novo navegador.
É verdade. Tem idéia onde posso encontrar algum?
Aqui está ele, senhor, pronto para trabalhar.
Senhor Hands,
o senhor é tão leal como qualquer outro. Eu sei disso.
Mas para planejar a rota de um navio é preciso ter cabeça, não coração.
Mas além disso, preciso que trate de outros assuntos.
Venha cá.
- Estão todas formidáveis. - Sim, eu sei.
Meus amigos,
obrigado por partilharem conosco esta noite tão especial
para uma jovem adorável.
A minha adorável filha adotiva, Charlotte,
que regressou recentemente da Inglaterra,
uma mulher culta e requintada.
Uma mulher de 21 anos.
Obrigada pai.
E obrigada a todos por terem vindo.
Agora preciso apresentar alguém.
O tenente Robert Maynard salvou a minha vida e a do meu pai há alguns dias.
Se não fosse a sua coragem, não estaríamos aqui.
Por favor, dêem-lhe as boas-vindas a New Providence.
Senhor, senhor?
A você, Charlotte Ormand,
vou me dedicar de cabeça, e antes de tudo, coração.
Ainda com duas pernas esquerdas, Tenente?
Acho que sim.
- Tenho de ir. - Não.
Tem a ver com a minha missão. Não quero que se preocupe.
Prometo.
Até lá isto vai ter que chegar.
O meu medalhão mais precioso.
Big John, sabe quem saiu com o senhor Knight?
- Não, senhor. - Sabe para onde foram?
Também não sei, senhor.
Troque de roupa comigo.
Senhor Hands?
Não o esperávamos tão cedo.
Vamos carregá-lo?
Onde está o Capitão Hornigold?
O barco não é mais do Hornigold.
Agora pertence ao Capitão Barba Negra.
Barba Negra?
Ele está disposto a manter o acordo que fez com o Hornigold.
Claro que está. Porquê acabar com algo de bom?
Snake, vamos lá pegar uma bebedeira daquelas.
Mostre-se!
Algum problema, cavalheiros?
Esteve vendo coisas que não devia ter visto.
Meu bom homem, a única coisa que vi foi uma garrafa de gin.
Não querem ter a gentileza de me pagarem uma bebida?
Está vazia.
É melhor que venha conosco.
Bem, bem, bem.
Pensei que conhecia todos, mas não me lembro de você.
O meu nome é Maynard.
- Encantada. - Isso digo eu.
Estava na viela bebendo
durante o negócio.
- Como se chama? - Maynard.
Senhor Maynard ?
- Como está? - Muito bem, obrigado. E você?
Barba Negra. Vejo que está bebendo com os meus amigos.
Barba Negra, o maior pirata de todos os tempos.
Bêbado que nem um gambá.
Continue.
Já alguma vez andou pescando, senhor Maynard?
Trabalho por conta própria, sabe o quero dizer?
Nunca experimentei a pirataria, não.
Fui corsário durante a guerra com a França.
Ainda na semana passada apanhamos um barco francês.
E quem diz qual é a diferença entre um pirata e um corsário?
Um pedaço de papel de um rei francês.
Ou de um inglês? Em que barco está?
Neste momento não estou em nenhum.
O último em que naveguei foi o Singing Merchant.
Fazendo o quê, posso saber?
Claro que pode. Era navegador.
Andamos à procura de um navegador.
Desisti de tudo para vir para as Bahamas.
Em busca de sol e vento, se é que me entende.
Vem para o paraíso e acaba bebendo numa viela escura?
Estava passando o tempo.
- Quando lhe pagavam? - 3 libras.
3 libras?
Ganhava mais se trabalhasse para mim.
O nosso lema é: sem presa, não há dinheiro.
Mas ficamos com a nossa parte do saque, se é que me entende.
- Não é, Hobbs? - É sim, Capitão.
- Não me diga que quer pendurar as botas? - Claro que não.
Um marinheiro tem que ser para alguém.
Mais vale que faça por ele próprio, do que para alguns mercadores de Londres.
Beba.
Meu Deus.
Alguém que eu conheço.
Isto é embaraçoso.
Não confio nele.
Vai pedir para outro lado, amigo.
Não sou teu amigo.
Ouçam todos.
Este cara é...
O seu amigo sabe lutar.
Deixe-o em paz, Sally.
Parece que o conhece.
Só estou farto de ouvi-lo dizendo mentiras a torto e a direito.
Onde aprendeu a lutar assim?
Vou só dizer as regras, querido.
Pode lutar com quem quiser,
mas sem facas e sem pistolas.
Entendeu?
Entendi.
Sally, arranja-nos uma bebida.
- Não sem isto. - Pólvora?
Nos faz pegar fogo.
Vamos lá, experimenta.
Que mal tem mais uns goles, não é?
Vamos lá, seus preguiçosos, vamos trabalhar.
Velas içadas, senhor Howard.
Muito bem, senhor Hands.
Sigam a rota.
Descansou bem, senhor Maynard?
Tenho de sair deste barco.
Já é tarde demais.
Vamos para alto mar.
Vai dormir mais um pouco e depois vemos o que pode fazer.
Eu sei que beber aquela bebida do Capitão pode acabar com a cabeça de um homem,
se ele a experimentar uma vez, quanto mais cinco.
Não está entendendo. Não posso ficar. Tenho uma pessoa me esperando.
Então vai ter de esperar muito tempo.
Tenho de falar com o Capitão.
Quer que alguém lhe assegure os seus direitos.
Rapazes, temos aqui um advogado.
O Capitão irá ler os direitos.
Quando esta iniciação acabar, senhor Maynard,
vai ver as coisas de modo diferente.
Agora é um pirata.
Hoje
irá juntar-se à irmandade da costa.
Receberá uma parte e meia de todos os saques.
Navegará este barco pela costa.
Homens temerários irão respeitá-lo.
Estes homens que aqui vê,
viverão consigo
e consigo morrerão.
Esqueça a sua família.
Esqueça os seus amigos.
Agora não tem nenhum.
Dêem-me uma ajuda.
Um chá, senhora?
Não, obrigada, Lulu.
Vou deixá-lo aqui.
Caso lhe apeteça.
Mais alguma coisa, senhora?
Não é preciso.
Assim que o Tenente Maynard regressar
estes pensamentos desaparecerão.
Em breve estará de volta, Srta..
Vai ver.
O senhor Maynard está aqui, Capitão.
Perdeu a língua?
A dor desaparecerá dentro de alguns dias.
As cicatrizes demorarão algumas semanas.
Que quer de mim?
Que quero de você?
Devido a uma reviravolta inesperada
ficamos sem o nosso navegador.
E agora
o Queen Ann's está com uma pequena desvantagem, dirigindo-se para o alto mar.
Mas agora temos um novo navegador.
Sabe, acho que navegador é o trabalho perfeito.
Está vendo?
Bem te disse que o conseguíamos convencer.
É claro que há algo que é preciso que saiba.
Só uma? Posso dar graças.
- Para onde vamos? - Para onde vamos?
Vamos em direção a uma oportunidade única.
Senhor Maynard.
Um tesouro.
E esse tesouro tem latitude e longitude?
Não se importa de me deixar sozinho com ele?
Que acha disto, senhor Maynard?
Olhe para isto.
Estes mapas são os mais detalhados que já vi.
- Onde os arranjou? - Tiramos das mãos dos franceses.
Estão aqui todos os portos, rios, cabos
e as costas das ilhas Bahamas e muito mais.
São inestimáveis.
Podem ser do Capitão Kidd?
São superiores aos do Kidd.
E acho que até aos da Marinha Inglesa e Francesa.
E como sabe isso?
Sabe, é que não foi o único a ter o prazer de ser aborrecido por um marinheiro bêbado.
Há coisas aqui que eu nunca vi, em todos estes anos,
e eu já naveguei por todos estes mares.
E fala francês o suficiente para ler estes nomes?
Em inglês.
Ponte, ponte Taho.
Ilha do Jardineiro.
Posso confiar em você, senhor Maynard?
Posso confiar em você?
Fui eu quem acordou no seu barco, não você no meu.
Eu é que deveria fazer essa pergunta.
Ilha do Jardineiro, senhor Maynard.
Fumaça.
Senhor Maynard?
Leve o barco para o outro lado da ilha.
É melhor vê-los antes que eles nos vejam.
Dois graus para estibordo, senhor Hobbs.
Capitão, os homens querem saber porque estamos aqui.
Tesouro. Apenas pelo tesouro.
Desculpe, senhora Charlotte?
- Mas pensei que... - O que terá acontecido?
Parece que o Tenente Maynard deu isto ao Big John na outra noite
em troca das roupas do Big John.
Porque faria isso?
O Big John disse que ele queria seguir alguém por aqui.
Ele realmente disse que tinha de ir com urgência.
Acho que há outra explicação.
Eu vou andando.
Mas ele disse que me amava.
Então talvez não passe de um patife
tentando subir na vida pelo casamento. Só estava interessado no seu dinheiro.
Não acha que face às circunstâncias
o seu desaparecimento torna-se menos misterioso?
Eu sei o que vi e o que senti.
E sei que ele sentiu o mesmo.
Minha querida.
Não agrada ser o portador de más notícias.
Também eu fiquei impressionado com a boa aparência do senhor Maynard.
Não tem provas. Tem de lhe dar o benefício da dúvida.
Tem de enviar homens à sua procura.
Não nos precipitemos.
Antes de partir ele me fez perguntas sobre a sua condição financeira.
Estava muito interessado em saber se o seu aniversário
significaria a sua independência financeira.
Seja como for,
eu lhe disse que eu continuaria a administrar os seus bens
e que quaisquer fundos seriam gastos em favor da Charlotte, pela Charlotte,
e que, até mesmo o seu marido teria de falar comigo
antes de gastar um centavo.
E o que ele disse?
Nem uma palavra.
Partiu nessa mesma noite, como sabe.
Lamento muito, querida.
Alguém andou escavando aqui.
Algum pobre desgraçado nos poupou muitas bolhas.
Quem transportou o tesouro, acho que só deve ter cavado um buraco.
Ali está um caminho.
Senhor Howard?
Vá à frente.
Espalhem-se.
Fique quieto, senhor Howard.
Mantenha a perna quieta, senhor Howard.
A minha perna!
Tire isso.
Senhor Howard, parece que vamos ter de deixá-lo aqui.
Vai ser uma festa para os canibais.
Esta perna pode infeccionar.
- Talvez fosse melhor... - Não corte a minha perna.
Vou sair desta ilha andando, doutor.
Com as duas pernas.
É isso mesmo, senhor Howard.
De qualquer maneira, corte-a.
Preciso de ajuda.
Porque não vai indo à frente? Ver se há alguma coisa.
Parece boa idéia. Levarei o Thatch comigo.
Não, não. Acho que vou deixá-lo ir sozinho com um escravo?
Não me parece. Snake!
Venha aqui!
- Não confio nele. - Ele também não confia em você.
Vai.
Mantenha-se atento. Tenha cuidado com ele.
Vai na direção errada.
Vamos em direção a fumaça que vimos.
Tem um plano melhor?
Só quero dizer que não pense em me levar para uma armadilha.
- E de que forma eu saberia como fazer isso? - Não sei.
Mas não ficou surpreso quando o senhor Howard
se feriu na perna, não é?
Pelo amor de Deus, fiquei tão surpreso como você. se feriu na perna, não é?
Pelo amor de Deus, fiquei tão surpreso como você.
Isso é o que diz.
Não!
Aquela fumaça significa que há gente nesta ilha
e agora sabem que estamos aqui.
Alguns de nós rezamos todos os dias para que vocês viessem.
Rapazes, peguem as pistolas.
Obrigado, Senhor.
Agora...
dêem as suas armas.
Depois vamos nos conhecer.
O meu nome é Calico Billy.
E vocês quem são?
Robert Maynard.
Vieram nos salvar?
Não foi o Senhor que me mandou.
Eu fico com isso.
Foi o Diabo.
Chegou finalmente o dia.
Encontramos visitas.
Ou talvez as visitas nos encontraram.
Até agora não fizeram nenhum mal, por isso é melhor
que se mantenham afastados.
Por favor, senhor. Tenho um filho.
Ele só conhece esta ilha.
Se nos levar para onde vai...
eu sei cozinhar.
As mulheres dão azar num barco pirata.
Deixe o Capitão Barba Negra em paz. Afaste-se.
Senhor Maynard.
Venha aqui.
O Capitão Kidd parou nesta ilha a caminho de Nova Iorque.
Ia se render.
Iam enforcá-lo e ele escreveu essa carta à mulher.
E o que quer que eu faça?
Leia-a.
Pode ser que tenha escapado algo.
Peça ao Doutor Bruce que a leia.
Aquele homem só serve para uma coisa, cortar pessoas.
Não é nenhum pensador.
Você, sim.
Quer a sua parte? Faça por merecê-la.
Minha querida Sarah,
Dizem-me que, na melhor das hipóteses, vou ser enforcado amanhã.
Agora compreendo que assim é melhor.
A prisão de New Gate é um poço de violência.
Por acaso o seu nome verdadeiro não será John Gardner?
Não.
O Gardner morreu.
No caminho para cá não vi nenhuma arara.
Não são naturais desta ilha.
Pertencia ao Gardner.
O Capitão Kidd deixou o Ruby com ele.
Então esta ave pertenceu ao próprio Capitão Kidd?
É isso mesmo.
Agora estamos fazendo progresso, não estamos passarinho?
Se isso acontecer
deve se aconselhar com o John Gardner,
com quem negociei por algumas vezes.
Estimo muito a sua amizade.
Com ele encontrará uma ave estranha, com muito para dizer.
Ainda continuam fazendo buracos, ou já encontraram o que estavam procurando?
O Gardner estava aqui quando naufragamos e essa foi a condição. Algo em que acreditar.
Seja como for, ele foi abandonado aqui pelo Kidd.
O Capitão Kidd deixou-o ficar com o tesouro aqui?
Assim parece.
Mas não lhe disse onde estava.
Disse-lhe que quando limpasse o nome dele em Nova Iorque, regressaria
e ele e o Gardner o dividiriam.
Nunca regressou porque o enforcaram em New Gate.
Suponho que sabe onde ele está.
Levem-no.
Senhor Maynard, venha cá!
Numa gruta escondida.
Barba Negra. Diz o meu nome.
O pássaro veio com os náufragos?
Chama-se Ruby.
Não aprende nada de novo.
- O Calico Billy disse alguma coisa? - Falou, falou, mas não disse nada.
E a carta?
Não, nada. Pelo menos, por enquanto.
Vamos lá, desembucha.
Diga algo que eu não saiba.
Vamos lá.
Senhor Governador, o senhor Knight está aqui.
Pode ir.
Como está, Charles?
Como acha?
- A Charlotte ainda está amuada? - Quase não sai do quarto.
Fica à janela, impávida
esperando o regresso do seu corajoso Tenente.
Parece que ultrapassou o medo de sair do quarto sem dificuldades.
O que há com esta moça?
O que descobriu?
Sabe que ele disse ao seu escravo, Big John,
que ia me seguir até à cidade.
Eu disse ao Big John que se ele contasse isto a alguém
o mandaria enforcar.
Parece que funcionou.
Devemos partir do princípio que o Maynard viu você
recebendo o nosso "imposto" pelo contrabando.
Não há meio de saber, mas ele foi visto pela última vez no Bowl and Fishle.
Alguns dos meus homens ameaçaram a prostituta que o serviu.
Ela disse que ele foi levado, muito bêbado, por uns piratas.
Talvez o tenham morto.
Não duvido que o tenham feito, mas já partiram.
Não permitirei que aquele patife interfira nos nossos assuntos.
Esses piratas são amigáveis, homens razoáveis?
Servem o homem que tomou o lugar do Hornigold.
Chama-se Barba Negra.
E o que sabemos deste Barba Negra?
O seu nome verdadeiro é Edward Teach.
Disse que quer te conhecer quando regressar.
Ainda bem.
Mas certifique-se de que ele tome um banho primeiro.
Senhor Maynard.
Neste passo, 40 buracos por dia.
Mesmo assim pode demorar 100 anos.
Tem uma idéia melhor?
Tem? Pois tem.
Vamos lá. Desembuche.
Se eu o ajudar a encontrá-lo
você leva estas pessoas para New Providence ?
Está outra vez tentando negociar com o Barba Negra.
Não há motivo para que não o faça. Há espaço no Queen Ann.
Desde que fiquem o tempo todo no porão.
Tenho a certeza de que ficarão muito agradecidos.
É o pássaro, não é?
O pássaro parece ter sido treinado pelo Gardner. E ele não sabia onde estava.
É a carta.
O Gardner, o tesouro, tudo aponta para esta ilha. Nisso acertou.
Mas a mensagem não é essa.
Não é o pássaro e não é a carta.
São as letras.
O ABC, o que ele escreveu à mulher está escrito em código.
Veja.
Cada letra tem um número associado.
Cada linha somada faz um total, a esse total corresponde a uma letra
e essas letras são uma mensagem.
Senhor Maynard, tem toda a minha atenção.
Não abuse da minha paciência.
A mensagem é:
"Com a maré baixa, escondido na gruta."
Estava alta.
Esperou pela maré baixa para enterrá-lo
e será nessa hora que vamos procurá-lo.
Não devíamos ir procurá-lo com a lua cheia, como diz a lenda?
Senhor Hands, vou buscar o meu tesouro quando me apetecer.
Ele pensou que podiam estar aqui durante anos e nunca se lembrariam disto.
Sim. Você é algum idiota?
Eu também nunca pensaria nisto sem ter uma pista.
Imaginem escrita em código.
Sim, senhor Maynard. Um feito notável.
Em vinte anos, nunca ouvi falar de uma coisa dessas.
Eu já.
A Marinha Real, ao que me parece, usa vários tipos de códigos.
Sabe que tem razão?
Eu ouvi o mesmo.
Estive com alguns ex-marinheiros que os usaram na última guerra com a França.
O Kidd era muito esperto.
Mas agora somos nós que vamos ficar com ele e o Kidd já está morto há muito tempo.
Afinal, quem é que é esperto?
As suas rosas, Charles, são tão bonitas.
Não me dão prazer nenhum, Tobias.
Mas ter a certeza que o Maynard está morto,
isso sim, me deixaria feliz.
Bem, sabemos que saiu daqui com roupas velhas,
que foi ao Bowl and Fishle e que saiu de lá com alguns piratas.
Devem ter descoberto quem ele é. Nesta altura já estará no fundo do mar.
Espero que tenha razão.
Mas o maior problema é a Charlotte.
Em breve irá pedir para transferir todos os bens para o nome dela
e eu não posso empatá-la para sempre.
Claro.
Mas outro atentado com ela levantaria suspeitas,
especialmente se for tão próximo ao anterior.
Podemos fazer outra coisa.
Ela quer praticar medicina.
Vou permitir que o faça.
Isso irá mantê-la ocupada.
Se ela quiser o dinheiro, faremos uma opção.
Cuidado.
Amarrem-no.
Senhor Dow. Thatch.
Dêem uma olhada.
Thatch, olhe para aquilo.
Encontrou alguma coisa, não foi?
Capitão, não temos muito tempo.
A maré está subindo.
É humano, sem dúvida.
O Kidd sabia bem a lição.
Que quer dizer com isso?
Quem o visse, pensaria ter encontrado uma sepultura pouco profunda
e não procuraria mais.
Ele nunca ouviu falar do "Dead man's chest".
Você não é nenhum pirata!
Calma.
Só queria fazer ver que isto é rocha.
Aqui ninguém consegue enterrar nada.
Dow, Thatch, cheguem aqui.
Meu Deus.
Vamos ficar podre de ricos com esta fortuna.
Capitão, a maré está subindo rapidamente.
Se não formos agora, morremos afogados.
Tirem as mãos do meu dinheiro.
Tirem as suas mãos imundas do meu dinheiro.
Vejam.
Seja o que for, vamos ver mais tarde.
A maré está subindo.
O que é que fazia antes de eu o trazer para o Queen Ann,
senhor Dy?
Era batedor de carteiras em Londres. Está sempre contando essa história.
Sério?
E o que tem agora no bolso, senhor Dy?
Apenas esta coisa linda.
E gosta dela, não gosta?
Tire as mãos do meu ouro.
O senhor conhece as regras.
Thatch?
Quer ser pirata? Mate o senhor Dy.
Não. Não vou matá-lo.
Vamos lá.
- Capitão, temos de ir já, senão nos afogamos. - Cale-se!
Não obedece a uma ordem direta do seu capitão?
Não quer matá-lo? Não quer ser pirata?
Não navega mais com o grande Barba Negra.
Fique nesta gruta.
Snake, Colico Billy...
tragam o tesouro e vamos embora.
Senhor Maynard, vá à frente.
Maynard, vá à frente.
Os homens morrem, senhor Maynard. A vida dos piratas é assim.
O navio dele já se foi. De qualquer modo, não ia dividir isto com ele.
- O Maynard vai ter saudades dele. - Deixa-o.
Eu disse para o deixar.
Agora não posso. Não sem tirar satisfação.
Snake, o homem gosta de cães vadios. Esqueça isto.
Por favor. Snake, o homem gosta de cães vadios. Esqueça isto.
Por favor.
Não posso, capitão.
Está vendo o que arranjou, senhor Maynard ?
- O quê? - Começou uma coisa que ele vai querer acabar.
Porque o código é assim.
Mas não agora.
Senão mato os dois e jogo aos tubarões.
Vamos embora.
Estão todos com medo. Querem viver e ser ricos.
Não quero ir nadando.
Onde pensa que vai?
Aposto que a sua mãe não te ensinou a nadar.
Até à morte.
Luta.
Como quer que seja a luta, senhor Maynard?
Outra morte, a minha ou a do Snake,
não trarão de volta o Thatch nem o Dy.
Mas é uma diversão.
Detesto um homem que tem medo de morrer
porque é fraco.
Você não vai ganhar.
E depois o Snake o mata.
Comecem.
Senhor Hands,
vai nos levar de volta a New Providence.
O Cord e o Brand querem ver luta
e eu também.
Regras são regras, senhor Maynard.
Pistolas
ou sabres?
- Pistolas. - Pistolas serão.
É um gesto muito cavalheiresco.
Senhor Hands,
as pistolas.
Luta!
Tenho algo de urgente para dizer antes do duelo.
O Barba Negra não deixará você e a sua família saírem desta ilha.
Não cumprirá a sua palavra.
Mas se eu ganhar este duelo, escaparemos no escaler.
Enquanto eu estiver lutando eles vão estar distraídos.
Leve a sua família para a costa
e mantimentos para duas semanas.
Irei nos levar até às rotas comerciais.
Os navios mercantes vão nos encontrar e nos levar até New Providence.
Como vai fazer isso?
Sou Tenente da Marinha Real.
Fui obrigado a servir neste barco infernal e eles não sabem a minha missão.
Depois de escaparmos juntos,
vou requisitar um barco para acabar com eles de uma vez por todas.
Posso contar com vocês?
Conte conosco, senhor.
Se eu morrer hoje à noite
e vocês conseguirem chegar a New Providence
entreguem esta carta à Srta. Charlotte Ormand.
Ela vai ajudar a arranjar outro barco
para virem resgatar os outros que ficaram na ilha.
Devolvo-lhe esta carta quando partirmos ao amanhecer.
Por ordem da irmandade dizemos
que Snake Leavitt e Robert Maynard
devem resolver o seu desentendimento num duelo.
O Snake é que começou, por isso,
o senhor Robert Maynard escolheu as armas.
Pistolas.
Se nenhum dos homens morrer,
a luta até à morte, continuará com sabres.
Senhor Hands, entregue as armas.
Sim, senhor.
Vamos lá, Snake!
Quando eu contar até quatro, virem-se e disparem.
1, 2
3, 4.
Separem-nos!
Senhor Hands...
...sabres.
Vamos lá, Snake!
Mate-o, senhor Maynard.
Regras são regras, senhor Maynard.
Ninguém irá sentir a falta dele.
Você não é um pirata, Maynard.
É um grande pirata, senhor Maynard. Dos pés à cabeça.
Fique aqui, Big John.
- E a Srta. Charlotte? - Eu sei tomar conta de mim.
Se não ficar com o cavalo, ele será roubado.
Sim, senhora.
Procuro o dono deste estabelecimento.
Sou eu.
Pare!
Sally Dunbar.
O que a traz aqui, querida?
Boa comida ou companhia agradável?
Posso saber se esteve aqui há duas noites atrás?
Vamos sentar e agir como se fossemos todos amigos.
Porquê?
Porque se vem aqui à procura de um amigo
é melhor sair por onde entrou, querida.
Vamos, desapareça! E você também.
Quem me incomoda ou aos meus amigos
nunca mais volta a beber aqui. Entendem?
Estive aqui. Porque quer saber?
Um amigo meu veio à cidade nessa noite e não regressou.
E era esperado onde?
Na casa do Governador Eden, o meu pai.
Deve ser engano, querida. Não costumamos servir a classe alta.
Não. Ele não estava vestido como um homem rico.
Trazia um sobretudo velho
e calças esburacadas.
- Sim, eu o vi. - Viu-o?
Lutou no bar e saiu com piratas.
Saiu com piratas?
Foi o que eu disse.
Onde posso encontrá-los?
- Tem alguém à sua espera? - Lá fora.
Vai. Saia daqui.
Esqueça-o, está bem?
Está perdendo tempo.
Capitão!
Capitão!
Capitão, alguém levou o seu barco.
O que está dizendo?
Alguém levou o seu barco.
Annie?
Não, capitão. O escaler.
- A minha Annie? - O escaler, Capitão.
Se ela continuar naquela direção,
nós vamos na direção oposta.
- Içar as velas! - Sim, Capitão.
Içar as velas! - Içar as velas! - Sim, Capitão.
Içar as velas!
Está preocupado, Doutor Bruce?
Vamos lá.
Mais velocidade.
Aquele traidor pode esconder-se, mas não anda mais depressa do que nós.
Vamos encontrá-lo e depois você mesmo poderá matá-lo.
Eu mesmo vou matá-lo.
Olhem!
É o Thatch, senhor. Ali.
É mesmo o Thatch. Rápido.
Temos de nos apressar.
- Dê a volta, senhor Hands? - Porquê?
Porque se tivessem vindo nesta direção, já teríamos visto.
Dê a volta, senhor Hobbs.
Dê a volta, senhor Hobbs.
Dêem a volta!
Mais depressa!
Dê o meu barco, Maynard,
senão rebento contigo.
O que diz na carta?
É uma carta de amor.
Para a amiga dele, senhor.
Srta. Charlotte Ormand, de New Providence.
Nada mais, nada menos que a filha do governador.
Diz que é marinheiro da marinha mercante.
Pensaria um marinheiro da marinha mercante
que podia roubar um barco do Barba Negra e continuar vivo?
O que foi que ele te disse?
Ele só queria ajudar a minha família, Capitão.
Encoste uma pistola na cabeça da mulher.
Ela não lhe fez nada.
Deixe-a em paz.
Vou contar até três.
Um,
dois...
A sua luta não é com ele.
É comigo.
Não sou marinheiro da marinha mercante.
Sou um tenente da Marinha Real.
Se levar estas pessoas, são e salvas, até New Providence,
farei com que receba um salvo-conduto, para o caso das autoridades o tentarem deter.
Eu sou "as autoridades"!
Se me implorar, senhor Maynard.
É graças a mim que tem o tesouro.
O tesouro não me interessa.
Implore-me
pela vida do Colico Billy e da sua tribo acorrentada.
E o Maynard?
Senhor Maynard.
Vou tratar dele.
Vou tratar bem dele
para que nunca mais possa mentir a ninguém.
O tribunal lhe dá mais uma oportunidade.
É melhor aproveitá-la para não morrer de fome
e ao mesmo tempo enlouquecer.
Traiu-me, Maynard.
E você traiu a decência humana.
Sabe, é essa a diferença entre nós.
Um homem olha nos meus olhos
e me diz como as coisas são.
De homem para homem. Nesse homem posso confiar.
Toda a sua "honra" e o seu "dever" não me dizem nada.
E que tipo de confiança é essa quando se matam inocentes?
Doce Charlotte. Em breve irei vê-la.
É o seu fim, Maynard.
Comida para vermes.
Poderia ter sido um grande pirata.
(Continua)
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