All language subtitles for Il Treno di Lenin (Damiano Damiani_ 1988_ 103 minutos_ CD1)

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Original subtitles

LENIN... O TREM (1988)

Pelo Kaiser!

Pela Pátria!

Pelo Kaiser!

Pela Pátria!

Pelo Kaiser!

Pela Pátria!

Pelo Kaiser!

- Viva a França! - Viva!

- Viva a França! - Viva!

- Viva a França! - Viva!

Quando avançarmos, fique atrás de mim.

Atacar!

Atacar!

Mexam-se! Avancem!

O que está fazendo? Pega na tua espingarda!

Pega na tua espingarda ou te mato!

Pega na tua espingarda!

FEVEREIRO DE 1917 A Europa está em Guerra.

A Alemanha e o Império Austro-Húngaro de um lado...

... Grã-Bretanha, França, Itália e Rússia do outro,

... com os Estados Unidos prestes a se unir a eles.

Na Rússia, o moderado Kerensky...

... substituiu o regime repressivo e cruel do Czar.

... por um Governo Provisório liderado por outro Príncipe.

Os milhares de refugiados que haviam fugido da Rússia...

... estavam espalhados por toda a Europa.

Politicamente divididos em vários grupos...

... eles sonhavam com o regresso para casa...

... e com a construção de um novo futuro.

Ambas as Frentes, a Ocidental e a Oriental, estavam num impasse sangrento.

Três milhões de russos tinham morrido.

É uma Guerra que ninguém consegue vencer.

Berlim: Ministério da Guerra.

Continuamos na mesma posição,

... passados 3 anos e quase 2 milhões de mortos,

... encurralados por uma guerra que tem sido combatida em duas Frentes.

Os nossos soldados estão paralisados nas trincheiras.

Cavalheiros...

Na reunião desta manhã, o General Ludendorf deixou bem claro...

... que temos de encerrar a 'Frente Russa' o mais rapidamente possivel.

Com vista a transferir 80 das nossas divisões para a Frente Ocidental...

... para que possamos derrotar os britânicos e os franceses,

... antes que, e enfatizo isto...

Antes que os EUA se juntem a esta Guerra contra nós.

... inundando a Europa com as suas tropas.

Por outras palavras,

... a questão russa tem de ser resolvida pacifica e imediatamente.

Eu não perderia um minuto de sono...

... a pensar nas capacidades militares dos americanos.

Isso é a sua opinião.

Ainda não terminamos as nossas negociações com os russos.

O Czar foi deposto,

... mas o Governo Provisório...

... tem mantido o país em guerra.

Von Berger...

... o seu Ministério,

o qual se chama de 'Ministério da Subversão',

... até à data ainda não obteve grandes sucessos.

Você diz que tem um plano decisivo para tirar a Rússia da Guerra.

Bem, vamos lá ouvi-lo.

Acho melhor que o homem que teve a ideia,

... um tal de Dr. Helfand, a explique ele próprio.

Helfand?

- O homem que é conhecido por Parvus? - Exatamente.

É um subversivo judeu russo...

... que fugiu para cá em busca de proteção.

Teve sucesso enquanto homem de negócios...

... tendo-se envolvido em vários assuntos com potências estrangeiras.

Conselheiro do governo Turco.

Tentou liderar um levante na Ucrânia, o qual falhou!

Até tinha um plano para iniciar uma rebelião contra os Britânicos na Índia.

Um fiasco atrás do outro!

Mas conseguiu sempre arranjar dinheiro.

Dr. Helfand.

Bom dia, cavalheiros.

Sente-se, Dr. Helfand.

Também posso fumar?

Explique-nos o seu plano.

O atual Governo Provisório, na Rússia...

... não tem qualquer intenção em fazer a paz.

Mas o líder da ala extremista dos Revolucionários russos...

... está no exílio...

... na Suíça.

Damos-lhe um salvo-conduto para atravessar o território alemão...

... até Petrogrado, de comboio.

Uma vez lá, ele irá liderar a Revolução...

... e uma vez consolidada a sua posição no poder...

... ele assinará um armistício com a Alemanha.

Pelo menos é o que eu acho que ele fará.

Talvez devesse expressar as minhas opiniões com mais cautela...

... e dizer que ele tentará fazer uma Revolução...

... e tentará tomar o poder.

Você está falando do líder dos Bolcheviques?

Vladimir Ilyich Ulyanov.

Sim, conhecido por Lenin.

Ele esteve por detrás de levantes fracassados noutros tempos.

Juventude.

Está a querer dizer que este homem...

... será agora bem sucedido no que em outros momentos falhou?

Agora é o momento certo.

Não será por acaso que você nutre grande admiração por esse Lenin...

... e só por isso está tão confiante.

Confio nele de uma forma racional, eu o conheço muito bem.

Quanto dinheiro espera ganhar desta vez?

Já sou um homem rico. Todas as pessoas sabem disso.

Então, por qual razão está fazendo isto?

Quero que o meu país ganhe a Guerra.

O Dr. Helfand tem cidadania alemã.

Desde quando?

Desde há três semanas.

Muito bem, cavalheiros...

Tenho muito trabalho a fazer.

Acho que deviam considerar seriamente a minha proposta.

O Ministro está a par dos detalhes e sabe onde me encontrar.

Cavalheiros, muito obrigado pelo vosso tempo.

Sr. Ministro.

Eles devem aceitar...

... ou perderão a guerra.

Mas até que ponto dependemos da inteligência dos homens?

Tenho comigo os balanços atualizados...

... do Banco de Estocolmo.

Sabe, Fürstenberg...

Esta é a nação mais importante do Mundo.

Tudo é decidido aqui, na Alemanha.

Não é na Rússia?

Esta Revolução de camponeses,

... que Lenin está a dar inicio,

... é meramente acidental.

É aqui, na Alemanha, por entre a classe trabalhadora...

... que a Revolução mundial irá começar.

Não quero com isto dizer...

... que aquilo que o Lenin está fazendo não é importante...

... mas terei que guiá-lo com muito cuidado.

... de modo a preparar o terreno para o grande passo, o meu.

Mas o homem tem um registro de derrotas atrás dele.

Ainda não teve oportunidade de se pôr à prova.

Mas quando ele estiver no terreno irá agir muito rapidamente.

Certificarei disso eu mesmo.

Todo este tempo que passou na Suíça...

... sem saber que um dia lhe iria bater à porta...

... e dar-lhe a conhecer o seu novo destino.

Achou graça a quê?

Ao fato de lhe ir bater à porta.

Recorda-me algo que o Lenin dizia acerca de si.

O que era?

Ele chamava-o "o moço de recados da Revolução".

- O Lenin dizia isso? - Dizia...

- Era o que ele dizia. - Isso não é verdade.

Repetiu essa mentira para mais alguém?

Não.

Dr. Helfand, o Ministro está aqui.

Temos um acordo.

Vamos!

Faz alguma ideia de quanto esta operação vai custar?

Nunca menos de 50 milhões de marcos, isso é certo.

A Alemanha está a morrer à fome.

É capaz de ser demasiado para o governo suportar.

Demasiado para ganhar a Guerra?

Será você a entregar o dinheiro?

Na certeza de que Lenin não entende nada de finanças.

Amanhã, no meu gabinete estudaremos o plano.

Quando serão feitos os pagamentos e o resto.

Pode desde já falar com o seu homem.

Antevê algum problema?

Certamente que não. Lenin esperou por este momento toda a sua vida.

Quanto mais cedo esse comboio partir, melhor.

Quem vai tratar da escolta?

O major Von Planetz.

Um herói? Esplêndido.

Este é o modelo de mão artificial mais avançado que existe.

Espero que se sinta confortável.

O tempo está a mudar.

Dói?

Obrigado, Fritz.

Sei que preferias estar na Frente do que sentado a uma secretária.

Mas já viste ação que chegue.

Além do mais, acho que te consigo tirar daqui se estiveres interessado.

És da região do Báltico...

... devias saber como lidar com isto.

Temos uns exilados russos dos quais temos que tratar.

- É este o homem? - Sim, senhor!

Jogou fora a espingarda durante o ataque...

... e recusou-se a lutar.

- É tudo? - Sim, senhor.

Pode ir.

Felicito-o, Capitão, pelo sucesso do seu ataque.

- Perdeu muitos homens? - Quarenta por cento deles.

Mas estamos 300 metros mais perto de Paris.

Recebemos ordens para abandonar o campo de batalha...

... e retirarmos para as posições anteriores.

Os franceses estão prestes a lançar um contra-ataque com tanques...

... e nunca o aguentaríamos naquela posição.

Está a dizer que foi tudo em vão?

Claro que não, Capitão.

Capturamos 18 prisioneiros.

Sim, senhor.

Apontar armas!

Preparar e...

Fogo!

Descansar armas!

Esquerda, volver!

Em frente, marchar!

Encontramos isto com o rapaz.

Reconhece-o?

Propaganda subversiva.

Destinada a causar insatisfação entre as tropas...

... e encorajar a desobediência.

É um insulto ao conceito de patriotismo!

- Não sabia de nada? - Não, senhor.

Absolutamente nada.

Como pode um panfleto desta gravidade...

... circular entre os seus homens sem o seu conhecimento?

Não verifica a moral dos seus homens, capitão?

O que eles leem?

Sabe do que isto se trata, não sabe?

É uma cópia do denominado 'Manifesto Kiental'.

A denúncia socialista da guerra.

Veneno pacifista!

O medo toma conta de todos nós, soldado,

... quando nos são tirados os princípios,

Quando perdemos o respeito pelos verdadeiros valores que nos guiam.

Dúvida.

É isso que o Kaiser receia.

Chegou esta manhã um agente, há algumas horas...

... vindo do Quartel General.

Você vai retirar-se do seu comando...

... e apresentar-se ao major Von Planetz.

Vai diretamente para Arvene.

Se não estou errado, ele foi o seu comandante anterior.

E abandono os meus homens no meio de uma batalha?

- Porquê? - São ordens, não pergunte a mim.

Tem de escrever uma carta aos pais daquele rapaz,

... e lhes dizer que ele morreu heroicamente em combate.

Boa sorte, von Bühring.

Ouviu as noticias?

Os americanos nos declararam guerra hoje.

Por que razão temos de ir buscar um revolucionário russo à Suiça...

... e levá-lo para a Escandinávia, como se fosse uma criança?

Porque ele é a nossa arma secreta.

Se o caos se instalar na Rússia...

... eles serão forçados a sair da guerra.

Quem é essa maravilha revolucionária?

Chamam-lhe Lenin.

Como disse?

Lenin.

Eu conheço esse nome.

Ei-lo!

É um dos que assinou...

... este pedaço miserável de propaganda pacifista.

O que esperava? É o trabalho dele, não é?

Devo confessar-lhe que anseio...

... conhecer esse tal feiticeiro.

O temível Lenin que, segundo dizem, nos permitirá ganhar a Guerra.

Onde está ele escondido?

Em Zurique.

Pronto.

Já terminei, Volodya.

Receio que não seja uma obra-prima.

O tecido está tão fino.

Mal dá para cozer.

Seja como for, não sou muito boa com agulhas.

Está ótimo.

Vais precisar de dinheiro para o jornal.

Vou passar pela biblioteca...

... e depois...

... vou ter com os nossos companheiros ao Atlas.

Vou ter convosco mais tarde,

... tenho que terminar os envelopes.

- Bom dia, Sr. Ulyanov! - Bom dia!

Depuseram o Czar...

... e substituiram-no por um Príncipe de sangue real!

Nada mudou.

E o que fizeram os Mencheviques?

Aliaram-se nesta farsa de Revolução...

... da qual o Kerensky sabia de tudo.

Nasceram na mesma aldeia miserável.

Sacanas calculistas, calcularam mal.

Mestres do oportunismo.

Vejam o que se passa no mundo!

E nós aqui sentados!

Incapazes de arranjarmos uma maneira de chegar a Petrogrado!

Alguma notícia do tal barco que vai para Odessa, Radek?

Ainda não.

Ninguém sabe quando é que ele parte e quando chega lá.

Para além disso, as passagens são caras.

... e sabe o estado das nossas finanças...

Os nossos camaradas mais fiéis estão a esmorecer!

O Kamenev e o Stalin...

... já falam em colaborar com o Governo Provisório!

Depois de eu lhes ter escrito a dizer que existe apenas um caminho a tomar.

O país pertence aos Sovietes!

Os bolcheviques devem ter o controle absoluto.

Quando é que iremos arranjar o dinheiro suficiente para a viagem?

Alguém tem alguma ideia?

Receio que precisemos de alguém como o Stalin.

Lembram-se de quando ele assaltava bancos para o Partido?

Isso passou-se na Georgia, onde não havia a Polícia Suiça para o prender.

Fala-se em trocar prisioneiros de guerra alemães por russos exilados.

Incluindo Bolcheviques!

Sim, já todos ouvimos falar do plano do professor Martov.

Tudo dentro da legalidade e acima de qualquer suspeita, imaginem só!

Isso é treta.

Imaginem que essa oportunidade nos punha em Petrogrado!

Era bem melhor do que apodrecermos aqui.

O que lhe parece, Vladimir Ilyich?

Discutiremos isso logo à noite.

Ele nem sequer estava ouvindor.

- Volodya! - Passa-se alguma coisa?

Não, nada.

Raios! Feche as cortinas.

- Não ligue a luz! - Trabalhas em excesso.

- Raios o partam! - E não dormes o suficiente.

Venha para a cama.

Tenha calma. Devagar.

- Vai passar. - Sim.

- Tem de passar. - Sim.

Pronto, acalme-se.

Por favor, não chames o médico.

Nadya, por favor, não chames o médico!

Acalme-se. Isso.

Muito bem.

- Vais ficar bom. - Desculpa.

- Desculpa. - Deita-te.

Estás bem?

Todos estes anos...

... têm sido..

E quando a Revolução por fim aparece...

Agora que parece estar a chegar,

... provavelmente eu não estarei aqui para ver.

Sabes, a vida tem um senso de humor perverso.

Tu esperaste pela Revolução...

... e a Revolução esperou por ti.

Gostaria de ter essa tua confiança.

Fui buscá-la em ti.

Agora descanse um pouco.

Volodya...

Desculpa, Volodya.

Talvez estejamos separados por muitos anos.

Agora já não teremos a oportunidade de nos conhecermos melhor.

Fui preso com os meus amigos.

Eramos tão inocentes, tão despreparados.

Os juízes riram de nós.

Fiz uma bomba que não explodiu.

Por isso o Czar continua vivo.

Intocável.

Imortal.

E nós estamos mortos, querido irmão.

Sascha!

Achas que estás com febre?

- O Sasha... - O quê?

Não digas aos outros que eu não estava me sentindo bem.

Alguma vez o fiz?

Sabes, acho que estás apenas cansado.

Tem sido uma empresa tão longa.

Não te preocupes.

É que os meus adversários me veriam de outra maneira...

... se soubessem que a minha saúde é periclitante.

- E se chegasse aos jornais... - Se, se, se...

Fazes as coisas parecerem piores com os teus "ses".

Não te tortures!

Temos que chegar a Petrogrado, Nadezda!

Tenho de arranjar uma maneira, seja como for!

E arranjarás!

E arranjarás! Agora, bebe o chá enquanto está quente.

- Bom dia, camarada. - Bom dia, camaradas.

O camarada Lenin está?

Está. Entrem, por favor.

- Esperamos não estar incomodando. - Não, não.

- Entrem, por favor. - Obrigado.

Vou chamá-lo. Só um momento, por favor.

O Grim e o Platten estão aqui.

Não me sinto muito bem...

... para lidar com socialistas neste momento.

Mas foram tão simpáticos.

Bem...

Vamos lá ver o que eles querem.

A que devo o prazer, camaradas?

Temos boas noticias. Ótimas noticias!

Estamos aqui em nome do Embaixador Alemão.

Estão dois agentes à espera na fronteira...

... para escoltá-lo da Alemanha até à Suécia.

Daí será livre para viajar até Petrogrado.

Se vier comigo o Embaixador Alemão poderá dar-lhe mais detalhes.

Preferia não ter qualquer contato com o Embaixador Alemão.

Não podem dizer-me o que se passa?

É por uma boa razão.

Os Alemães acham que Lenin pode tirar a Rússia da guerra.

Sim?

O Embaixador Alemão espera uma resposta urgente.

A minha resposta urgente é não.

Não?

Poderia estar em Petrogrado numa questão de dias.

- Talvez não tenhamos sido claros. - A resposta é não.

Se tiver de aceitar sem qualquer condição.

Bem, se tem condições, vamos ouvi-las.

A seu tempo, informá-los-ei.

Isto é da parte do camarada Helfand...

... do qual partiu toda esta ideia.

Se a ler, talvez mude de ideias.

Do Parvus, virá mais mal do que bem?

É um enigma.

Não sei o que ele espera da Revolução.

Mas vamos ao cerne do problema.

Se eu apanhar este comboio alemão...

... todos os meus adversários políticos acusar-me-ão de ser um traidor.

Que me vendi aos alemães.

Mas será que me posso dar ao luxo de desperdiçar quaisquer meios...

... de chegar a Petrogrado?

É uma oferta dos diabos.

Sim, mas uma que poderá ter um custo demasiado alto.

A não ser...

... que o comboio não leve apenas Lenin,

... mas um grande grupo de exilados Russos...

... no qual Lenin estará incluido.

- Até os mencheviques? - Toda a gente!

Uma repatriação generalizada.

Será fácil prender um homem isolado.

Será fácil acusarem-me de traição. De me enforcarem!

Mas um grande grupo de pessoas de variadas afiliações políticas...

... é muito mais dificil.

Acho que encontrou a única solução possivel.

Vou convocar uma reunião com os mencheviques,

... com o Martov em pessoa.

Ele virá aqui? O Martov?

Um acordo com que bases?

A negociar, Zinoviev. A negociar.

Temos que nos certificar que este comboio partirá...

... com representantes de todas as facções políticas.

É isso que por ora nos interessa.

Camarada Lenin?

Vim a pedido do professor Martov.

Sim?

Ele quer que vá conversar com ele.

O Prof. Martov não se está a sentir bem?

Não, ele está de ótima saúde.

Ótimo.

Diga-lhe que daqui a pouco vou ter com ele.

O Martov mantém que os Mencheviques...

... são uma larga maioria.

E que nós, Bolcheviques, não passamos de uma gota no oceano.

Pelo que és tu, Lenin, que tens de vir ter comigo, é lógico!

Encontra-me o Rublov!

Camarada Lenin!

Sabe que anda por aí muita conversa.

Há quem diga...

... que a sua proposta para que os dois Partidos partam juntos...

... foi sabiamente engendrada.

Abrimos a porta da Rússia...

... você entra e eu seguro-lhe o casaco.

É assim?

O que acha, caro camarada Martov?

Eu consigo compreender um ato de oportunismo político.

Agradeço-lhe.

Não gostaria de ser chamado de traidor.

Está preparado para arriscar?

Os burgueses chamar-me-ão de traidor, não quero saber.

O povo não, e é isso que me importa!

Compromissos e contradições existem...

... na luta tal como na vida,

... mas há um limite.

E é isso que nos separa... camarada.

O modo como combatemos.

Não perca o foco do nosso verdadeiro adversário...

... o Sistema que cegamente leva milhões de jovens para a morte.

Como podem os socialistas combater tamanha loucura...

... com a conduta criminal imaculada que você lhes impõe, Martov?

- Acorde! - Já acordei!

Não quero emular os nossos opressores.

Primeiro, temos de destrui-los.

Se usarmos o método deles seremos iguais a eles.

Só estamos a fazer o que eles nos ensinaram!

Estamos infectados com a corrupção que eles nos inculcaram.

Acredita verdadeiramente que quem quer que se revolte...

... se transforma imediatamente...

... num novo homem?

Não somos máquinas.

Já passou tanto tempo, camarada,

... que podemos morrer antes de a ver.

Quantas vezes já discutimos isto?

Como está a Nadya?

Corajosa, como sempre.

E a sua família?

Tão bem quanto se podia esperar.

Estar tão longe de casa afeta-nos a todos.

Não posso tomar qualquer decisão...

... sem consultar os meus camaradas.

Talvez a sua resposta chegue demasiado tarde.

Depois do comboio já ter partido.

Temos que respeitar as regras democráticas.

Em qualquer dos casos, boa sorte.

- Martov e os Mencheviques. - Dificeis como sempre?

Noticias do Rublov?

Encontrá-mo-lo. Está no Atlas.

Anarquistas. Antes perdê-los que achá-los.

São exilados como nós e não são propriamente anarquistas.

São mais uns a se unir ao grupo.

Agora mudou de opinião acerca dos Socialistas Revolucionários?

Surpreende-me muito que queira falar comigo.

Nós os bolcheviques também somos Revolucionários e Socialistas.

Afinal de contas é só uma questão de palavras.

E que tem causado tantos mal entendidos.

Embora, admito, tenhamos as nossas diferenças.

Mal talvez o tempo de unirmos esforços tenha finalmente chegado, camarada.

Quem dá as ordens, você?

Presumo que já tem um plano altamente detalhado.

Por vezes, Rublov, você lembra-me o meu irmão, Sasha.

O terrorista idealista.

Ele foi enforcado por causa disso.

Presumo por isso que ache que ele estava errado?

Ele era o meu modelo.

Pela entrega, pelo caráter, mas não pelo modo como fazia política.

Quando foi executado,

... percebi que a estratégia dele estava errada, era corajosa, mas ingénua.

Apercebi-me que a vitória teria de ser por outro caminho.

- Nomeadamente? - Através da organização.

Talvez eu esteja novamente errado, camarada Rublov...

... mas é nisso que acredito.

A luta é o que temos em comum...

... e é por isso que lhe peço que se junte a nós.

Colocar-me nas mãos dos alemães?

Daqueles militares sacanas, miseráveis e nojentos?

Você confia neles?

Confio.

Porque eles estão a fazer isto por motivos exclusivamente egoistas.

- Tal como nós. - Não!

Recuso-me a ser usado como mercadoria que o inimigo pode transacionar...

... enquanto me aponta uma pistola para a cabeça.

Algum de vocês está preparado para aceitar a oferta do Lenin?

Boa sorte, camarada.

Boa sorte para vocês, camaradas.

Espero que chegue a Petrogrado.

Para o Grim e para o Platen?

É a lista com nossas condições para participarmos da viagem.

Quero que sejam do conhecimento do Embaixador Alemão.

Eles também querem levar um grupo de mulheres e crianças no comboio,

... num total de 30 a 40 pessoas, Sr. Embaixador.

Tudo bem.

Conquanto Berlin pare de me bombardear com este assunto, mande-os.

Dois agentes já estão à espera deles na fronteira.

Continue... Que mais?

Insistem em pagar os próprios bilhetes.

Gosto dessa.

Concedido.

Querem trazer a sua própria comida para a viagem.

Por outras palavras,

... não querem quaisquer favores do inimigo.

Concedido.

Quando estarão prontos para partir?

Quando reunirem pessoas suficientes.

E quanto à paz?

Pode esse Lenin garantir-nos a paz?

Já fez alguma declaração?

Não.

Continue.

Não querem ser escoltados por oficiais alemães.

Mas eles são russos!

Nós estamos em guerra com a Rússia!

Querem atravessar o nosso país sem uma escolta?

Certamente que não!

É melhor resignarmo-nos à ideia da existência de uma escolta.

E os Mencheviques? Qual foi a resposta deles?

O Martov ficou de consultar os camaradas dele.

O Martov irá dizer "Não" a tudo o que nós possamos sugerir ou oferecer.

Se não está connosco, está contra nós!

Pareces o amigo dele, o Kerensky. Tu sabes como ele é.

"Cuidado, vêm aí os Bolcheviques. Prendam-nos, enforquem-nos!"

Veremos.

O sentimento geral é que pode ser muito perigoso.

Muita gente está com medo de entrar no comboio.

Mas nós iremos, seja como for.

Mesmo que ninguém venha connosco.

Nada de heroísmos, Kartonov. Nada de heroísmos.

Tenho que chegar inteiro a Petrogrado.

Somos apenas oito.

Muito poucos.

Alguém já se lembrou de perguntar ao Avramovici?

Os judeus?

Eles são maioritariamente polacos e lituanos, mas podem querer vir.

Partilhamos muitos dos ideais,

... porque não também o comboio?

Falem com todos os que estão em Genebra, Berna e Lausanne.

O Parvus espera por si do lado de lá da fronteira, em Zejtonov.

O Parvus... Pergunto-me de que lado estará desta vez?

Onde quer que haja dinheiro e champanhe disponíveis.

E, claro, mulheres bonitas.

Vais tu.

Eu?

Sou um cidadão austríaco.

Um desertor.

Se ponho o nariz do outro lado da fronteira me prendem.

Pede ao Embaixador um salvo-conduto para o Radek.

Muito bem.

Ponto um...

O Parvus tem os alemães na mão...

... o que significa que ele tem um papel decisivo neste assunto.

Ele não pode suspeitar, nem por um segundo, que pensamos fazer isto sem ele.

Ponto dois...

Têm que fazê-lo acreditar que eu não posso contatá-lo pessoalmente...

... porque posso fragilizar-me politicamente.

Ele tem de ser paciente. Só isso.

Já te ocorreu que o Parvus pode ter organizado tudo isto...

... só para te desacreditar?

É muito ao estilo dele.

Há poucas dúvidas que o nosso amigo Parvus tem uma mente retorcida...

... mas acho que seria ir demasiado longe, até mesmo para ele.

Acho apenas que o Parvus quer ser aquele que puxa os cordões nos bastidores,

... Mas nós não somos marionetes, Camaradas!

Pois não?

Mandas tantos telegramas para os nossos camaradas...

... a convidá-los a juntarem-se a nós nesta viagem,

... mas há alguém de que te esqueceste.

Como assim?

A Inessa.

A Inessa?

Porquê deixá-la de fora,

... depois de todos estes anos que ela passou connosco?

Escrevi-lhe uma ou duas vezes nestes últimos anos,

... mas ela nunca respondeu.

Ela desapareceu. Isso acontece.

Este caso é diferente, não é?

Não podes convocar todos os nossos camaradas...

... e ignorar a Inessa Armand.

Ficaria feliz se a Inessa voltasse para junto de nós.

Ela merece o lugar dela.

Afinal de contas ela lutou e sofreu tal como nós.

Também esteve presa.

Dá-me uns trocados, vou mandar-lhe um telegrama.

Compra pão no regresso se te sobrar algum dinheiro.

Está bem.

Más noticias, Sra. Armand?

Ajuda-me a fazer as malas, Matilda.

Tenho de ir para Genebra.

Vamos estar muito tempo fora, Senhora?

Pode ser o caso de nunca mais voltarmos.

Sabem o que fazemos a crianças como vocês...

... no lugar de onde eu venho?

Comemo-las com ossos e tudo!

Sou o grande urso russo!

Não tem ninguém em casa?

- Misha! - David.

Onde está hoje o Kapinsky?

Teve noticias de Zurique?

Está acolá com a Olga.

Também recebeu um telegrama do Lenin, não foi?

Se recebi um telegrama...?

Eu sou o Misha, fui o primeiro a receber!

Onde está a Olga Kapinsky?

Aqui estou eu, queridos Camaradas!

Misha!

Misha, nós vamos para casa!

Não achas maravilhoso?

Já tinha perdido a esperança há muito tempo.

Para casa. Pensa só... A 'Mãe Rússia!'. Sem o czar!

Que diferença isso faz?

Temos um Príncipe à frente do Governo.

Quanto tempo demorará até termos novamente os Romanov no poder?

Lenin e os seus Camaradas vão varrer esse lixo dali para fora!

Muito em breve!

Até agora o lixo é que tem andado a varrer.

Deixa-o em paz, Misha. Não vez que ele é um pessimista?

Provavelmente ele não quer perder o seu café.

Nós não vamos a lugar nenhum, isso garanto-te.

O quê?

O camarada Lenin pediu-vos para irem e vocês querem ficar aqui?

Não me digas o que fazer, rapaz.

E veste o casaco.

Agora, volte ao trabalho.

Posso ajudá-la, senhora?

Quem é você?

Nunca o tinha visto aqui.

Sou novo.

Já está familiarizado com a loja?

Se está à procura de algo em especial...

... posso chamar o Sr. Kapinsky.

Talvez seja melhor.

Prestem atenção, primeiro têm de ir a Zurique...

... ouvir o que Lenin tem a dizer.

- Ele não me vai convencer... - Está ali uma senhora que é muito incomum.

- Não estou certo do que ela pretende... - Inessa!

Inessa, que prazer em te ver! Estás mais bonita que nunca!

Inessa?

Sim, a Inessa Armand, em carne e osso.

A senhora que sempre trabalhou com o Lenin e Nadya Krupskaya?

Sim.

E eu a pensar que era apenas mais uma cliente.

Inessa, o que decidiste?

Onde é o meu quarto?

- Ao fundo do corredor. - Obrigado.

De momento, é tudo um pouco incerto.

Mais do que incerto.

Eu vou a Zurique com vocês.

Do fundo do coração, se houver a oportunidade, tu queres voltar?

Não a pressiones.

Para casa?

Seria maravilhoso.

Veremos.

Quem é este rapaz?

Um bom camarada.

Um novo recruta?

É o David Suljashvili.

Podemos confiar em absoluto nele.

- Da Georgia, certo? - Das montanhas.

Cumprimentos, camarada David.

Cumprimentos, Inessa Armand.

Então, mantemo-nos em contato.

Credo, o meu hotel é muito longe daqui.

- E a minha mala está muito pesada! - Eu lhe ajudo!

Ele é forte.

Obrigado, camarada da Georgia.

Olhando para ela, pensaríamos tratar-se de uma senhora muito delicada de Paris.

Nunca ninguém suspeitaria que se trata de uma Revolucionária da 'velha guarda'...

... procurada pela Polícia.

E que esteve presa.

Mas eu não acredito em algumas coisas que dizem dela.

O quê?

Que havia algo mais entre ela e o Lenin que apenas Política.

São apenas boatos.

É um cenário tão pacifico que até custa a acreditar...

... que o mundo está a ser devastado por uma Guerra.

O que fazes na Suiça, David?

Não quis combater na guerra do Czar,

... pelo que desertei.

Depois, tentei roubar um banco com dois amigos,

... para financiar a nossa célula terrorista.

Conheço alguém da tua região do país...

... que é muito bom nesse tipo de coisa.

O camarada Stalin. Temos quase o mesmo nome.

O dele é Djugashvili...

... e o meu é Suljashvili.

Mas essa é a nossa única semelhança.

O nosso assalto ao banco correu mal.

Eu consegui fugir...

... mas os meus dois amigos foram mortos.

Andei foragido durante 6 meses.

E por fim...

... vim para cá.

O que te fez ficar?

É aqui que vive o Camarada Lenin.

Estou vendo.

Alguma vez foste a Zurique conhecer o grande homem pessoalmente?

Não podia simplesmente aparecer por lá.

Você conhecia-o bem, não conhecia?

Partilhámos um pouco de pão no exílio.

Achas que eu deveria voltar à Rússia com vocês?

Ele chamou-a, não foi?

Mandou-lhe um telegrama?

Podia voltar para Paris. Nasci lá, sabias?

Os meus pais não eram de todo revolucionários.

Adivinha o que eles eram.

Cantores, atores.

Acreditas?

Minha senhora...

Muito bem, camarada David, eu vou pensar nisso.

Obrigada!

Rosa Luxemburgo continua presa.

É o que eu pensava, andam mesmo atrás dele.

Vamos só dar um passeio pelo jardim, não demoramos muito.

Seja bem vindo, major Von Planetz.

É uma grande honra conhecer um soldado tão galante.

Sente-se, por favor.

Presumo que quem o acompanha é o capitão von Bühring?

Têm de experimentar alguns destes vinhos, são tão dificeis de resistir.

Muito bem, cavalheiros...

Parece que o nosso pequeno projeto está a ganhar forma.

Houve uma pequena alteração ao plano original que foi aceita.

Lenin não viajará sozinho,

... estará acompanhado por um grupo de exilados russos.

- Quantos? - Cerca de 30.

Passará mais despercebido numa multidão. Acho-o bastante astuto.

Já foi a Zurique tratar dos preparativos?

Não, Lenin virá até aqui dentro de pouco tempo.

Aqui?

- Ele já recebeu o passe? - Sim, por minha indicação.

Dr. Helfand, o cavalheiro que esperava acabou de chegar.

- Onde está ele? - No andar de cima.

- Numa sala privada? - Sim.

É ele.

Queiram desculpar-me, cavalheiros.

Traga-o aqui, para que possamos conhecê-lo.

Ele espera ver apenas a mim.

Receio que ele seja um pouco temperamental,

... um pouco imprevisível.

Acho melhor deixarem-me lidar sozinho com ele.

Não se pode fumar.

Dr. Helfand!

Vai deixar-me à espera?

Não estava à espera de um palhaço.

Lenin achou desaconselhável...

... verem-no acompanhado de um Capitalista alemão fumador de cigarros...

... pelo que pede desculpa.

Estou certo que compreenderá.

Se eu não fosse cidadão alemão...

... não teria a influência que tenho hoje em dia.

Lenin conhece o meu sentido de oportunidade,

... o mesmo que me permitiu oferecer-lhe o sucesso...

... num tabuleiro dourado.

Lenin sabe o quanto lhe deve.

Devo então falar consigo?

Esta viagem é apenas a primeira etapa das muitas que planejo para ele.

Obviamente que terá muitas coisas para falar com ele,

... mas com discrição, claro.

Que tipo de Judeu é você, Radek?

Podia perguntar-lhe a mesma coisa.

Você pertence àquele tipo de gente...

... pouco confiável, que se veste mal, não toma banho, cheira mal e que eu não suporto.

Então você deve pertencer a outro tipo.

Pessoas como você lucram com a desgraça alheia.

Olhe só para si, a justificação viva para o antissemitismo.

Pelo menos tem uma resposta pronta e eu gosto disso.

Talvez eu possa fazer uso de si.

Que é mais do que eu posso dizer dos seguidores do Lenin.

O Zinoviev, por exemplo.

É uma total não entidade. Não concorda?

Ouvi dizer que a Inessa Armand reapareceu.

A musa inspiradora do grande homem.

Desde que não hajam complicações suponho que...

- Acha que possam haver? - Não nos desviemos do assunto, hã?

Quanto dinheiro nos prometeram os alemães?

O Ministro das Finanças do Kaiser...

... ainda não recuperou do choque que teve ao saber o valor em causa.

Que é?

É o suficiente.

Virá nos jornais.

Como vai ser pago?

Através da minha agência em Copenhague...

... ou em Estocolmo...

... ou onde for mais conveniente.

Vamos receber tudo, ou...?

Radek, você evidentemente não está familiarizado...

... com o modo de funcionar dos meios financeiros.

Vamos?

Receberão fatias do bolo do dinheiro em intervalos regulares.

Mas gostaria de ver Lenin o mais breve possível...

... para perceber como será gasto o dinheiro.

Nos manteremos em contato.

Lenin continua a devorar jornais?

Continua.

Temos dificuldades em arranjar estes jornais alemães na Suíça.

É você o Sr. Ulyanov?

Não, este é o Sr. Radek...

... um dos homens mais próximos de Lenin.

Porque não veio o Sr. Ulyanov, Lenin, pessoalmente?

O camarada Lenin não entra em território alemão...

... a não ser que esteja protegido por imunidade extra-territorial.

Isso será resolvido o mais brevemente possivel.

Existem motivos políticos, as preparações são bastantes complexas,

... mas fiquem tranquilos que Lenin estará lá.

Eu acompanho-o à porta, Sr. Radek.

O que queria ele dizer com "razões políticas"?

Então, ele não suspeitou de nada?

Acho que estará tudo bem até Estocolmo.

Mas sempre que era abordada a questão do dinheiro...

... ele evitava todas as questões de maneira muito ágil.

Aposto que serão os alemães a fornecer os instrumentos...

... e ele conduzirá a orquestra.

Não me agrada a ideia de ser ele...

... a conduzir-nos com uma corda à volta do pescoço.

Que ele pode apertar sempre que lhe apetecer.

Por que razão não nos livramos dele imediatamente?

- Pô-lo fora de pista, digamos assim. - Eu digo-te porquê...

Se ele se voltar contra nós...

... facilmente convenceria os alemães que podia tomar o meu lugar.

Aquele corrupto?

- É absurdo. - Quem é Lenin para um alemão?

Não, não temos outra alternativa...

... que nos alinharmos com ele até atravessarmos a Alemanha.

Podemos começar a fazer as malas.

- Mamãe, onde fica a Rússia? - Muito longe daqui.

Nós vamos morrer?

Demoramos muito tempo a chegar lá?

- Ainda não estás pronta? - Estou.

Vais fazer com que nos atrasemos.

Sabes que eu quero ser o primeiro a chegar.

Sem chance!

O Radek é sempre o primeiro a chegar.

O quer isso quer dizer?

Aquele polaco é perito nisso.

Por que razão quis o Lenin que ele fosse visitá-lo e não tu?

O Lenin manda o Radek lhe passar os recados.

Tens-me guardado para coisas mais importantes.

- O Radek tem-no onde o quer. - Sou eu o braço direito de Lenin.

O seu sucessor natural.

Infelizmente, a saúde dele não é a melhor.

Está doente? Qual é o problema dele?

Ele não quer que se saiba. Esquece o assunto, está bem?

Só leva isso?

Pão e uma muda de roupa.

É tudo o que preciso.

Tenho de cumprimentar o grupo dos judeus.

Camaradas!

Posso cumprimentar este grupo de socialistas?

Inessa!

- Também vai? - Talvez.

- A minha mulher... - Este é o David.

- Olá, David. - Olá.

Como você cresceu!

- Você é mesmo uma camarada? - Que mais poderia eu ser?

Olá, Davidovich.

Olga?

Onde está o Alex?

O Sr. Kapinsky não vem.

- Onde está o Misha? - Ele desapareceu esta manhã.

Temos de pagar os bilhetes.

Foi o que o velhote do Lenin decidiu,

... mas eu não tenho como fazê-lo, Olga.

Os judeus pagam-lhe, pelo menos até Zurique. Venha comigo.

O seu marido deve ser provavelmente o único com bom senso.

Esqueçamo-lo.

O que trazes aí escondido?

Não é nada, é algo pessoal...

Jurei que um dia haveria de desfraldá-la do topo do Palácio de Inverno.

Do topo do Palácio de Inverno?

Você se satisfaz com pouco!

Não seria mais um jovem se não pensasse assim.

Camaradas!

Ele quer desfraldar isto do topo do Palácio de Inverno.

Adeus, Genebra! Adeus!

Acolheste-me quando eu estava faminto.

Não te esquecerei!

Como é que ele é?

Quem?

O Misha chama-lhe velhote. Outras pessoas chamam-lhe tio.

O Lenin, como é que ele é?

Agora não.

Teremos muito tempo para conversar.

Não te esqueças dos teus comprimidos.

Põe o dedo.

Aí.

Por favor.

Quase que me afeiçoei a este quarto.

Serviu os seus propósitos.

Pergunto-me se algum dia teremos a nossa própria casa.

Eu levo estes, tu trazes o resto. Vamos lá!

- Mandamos chamar uma carruagem? - Não é longe.

Está bem.

Sim, vamos chamar uma carruagem.

Temos como pagá-la?

Sra. Nadya, fiz-lhe uns biscoitos para a viagem.

- Para dar-vos boa sorte. - Obrigada.

Camarada, separei alguns livros para si.

Tome, encontrará aqui tudo aquilo que temos falado.

- Quero que fique com eles. - Obrigado.

Por favor, parta amanhã para que eu possa acabar os seus sapatos.

Tenho que ir embora hoje,

... pois amanhã não haverá outro comboio.

Sr. Ulyanov!

Pare-os! Os soldados têm que se revoltar!

Têm de abandonar as armas. A chacina tem de acabar!

- Já tivemos o suficiente! - Nós vamos pará-los.

Obrigada!

Muitas vezes me pergunto...

... como se deviam parecer as pessoas do nosso novo mundo.

Parece-me que vocês seriam o modelo perfeito.

E um homem como você...

... não pode andar por aí com umas botas neste estado.

Espere mais um dia. Só um.

Um dia nos mandará.

Adeus, meus amigos.

Sou muito agradecido por tudo o que fizeram por nós.

Por toda a ajuda que nos deram.

Obrigado.

- Posso ajudá-lo? - Não, não.

Leia os livros.

Adeus.

Lenin?

É o Lenin.

Eis o passageiro mais importante!

Viva Lenin! Viva o Partido Social-Democrata!

Olá.

Viva os Bolcheviques Sociais Democratas!

- Falta alguém? - O grupo de Genebra!

Mas ainda temos tempo.

Prazer em vê-los.

Olá, meus amigos.

Hoje é... um grande dia.

- O grande dia chegou! - Sim, Nadya!

Pode viajar nessa condição?

Quero que o meu bebê nasça na Mãe Rússia.

Depende de nós o mundo em que ele irá nascer, minha querida.

Depende de nós. Camarada.

A minha mulher acabou de sair da prisão.

Nós também vamos consigo.

A sua mulher é uma heroína. Uma heroína.

- Cumprimentos, camarada Lenin! - Camarada!

Camarada, prazer em vê-la!

Camaradas!

O grande "urso branco" está a contorcer-se em agonia.

E nós estamos aqui para lhe dar o golpe de misericórdia!

Doida!

Olá, estou aqui!

Quem chamou a charrete! Quem chamou a charrete, por favor!

- Vai connosco? - Adeus, camarada Lenin!

Sempre disse,

... se Lenin me chamar segui-lo-ei até ao inferno se for preciso!

Pode ser que te leve até ao inferno, meu amigo!

Onde está o Kapinsky?

Pode ser que venha mais tarde. Ou não.

- Este é o David Suljashvili. - O nosso novo recruta.

David...

Ouvi coisas boas a teu respeito.

Mikhailov, como estás?

Inessa, fico muito feliz que estejas aqui!

Bem-vinda.

Vamos para casa.

Fico feliz que venham connosco.

Consideramo-lo um dever.

Camarada Lenin!

Camarada Zhukov!

Aqui o tem por escrito.

Viajaremos com o sancionamento dos Socialistas Internacionais.

Isto é uma grande ajuda.

Estou-vos profundamente agradecido.

Queiram desculpar-me, tenho de cumprimentar a camarada Armand.

Agora estamos novamente juntos.

Prontos para fazer alguma coisa.

É tão bom ter-te de volta, Inessa.

Inessa...

Esta, no seu tempo, fez as suas viagens.

Não fez?

Não estavas à minha espera, Volodya?

Não estava a contar com isso.

Nadya, vê quem está aqui!

- Nadya. - Inessa.

Nadya...

Estou muito contente por te ver.

- Estás? - Estou.

Camarada Lenin, peço desculpa.

Aquele alemão diz que quer vir connosco.

Aquele homem é um espião.

Educadamente, digam-lhe que não pode.

Muito bem.

Estão todos à sua espera.

Para que nos diga algumas palavras, Camarada.

- Camaradas! - Silêncio, ele vai falar.

Acabou o exilio, nós vamos para casa.

Não vos posso garantir...

... que cheguemos às fronteiras da nossa Pátria.

Não vos posso garantir...

... que o Governo Provisório nos deixe entrar se lá chegarmos.

É um risco que teremos de correr.

Com uma Revolução em curso na Rússia.

A Revolução dos pobres...

... na qual não temos podido participar.

Mas temos intenção de colaborar com o Governo Provisório.

... e oferecermos a nossa contribuição...

... para o progresso do nosso povo.

- Sim. - Muito bem.

Quem são aquelas pessoas?

Suiços não são.

Olha para eles, as caras, as roupas.

Suspeito que são estrangeiros, eslavos, judeus.

Eu sei.

Esperavas ouvir um discurso bem mais inflamado de Lenin.

Algo do género:

"Kerensky, fica atento, viemos para te cortar a garganta!"

Às vezes...

... até os grandes homens têm de agir cautelosamente.

O que fazemos?

Não os deixes te provocar, seja em que circunstância for.

Camaradas, não se deixem provocar.

Não se deixem provocar.

Não se deixem provocar.

Traidor, devias ter vergonha!

- Até levam rameiras com eles! - Como se atreve!

Vamos embora! Esquece.

David, fica com a Inessa.

Sacanas, o nosso povo a ser chacinado pelos alemães e vocês apunhalam-nos pelas costas.

Qual é o teu preço, traidor?

Quanto vos pagaram?

Vamos. Vamos!

Mexam-se! O comboio tem de partir!

Estes lugares estão todos ocupados.

David...

Não pode fazer isso, o transporte é público!

Tire as mãos de cima de mim!

- Tire as mãos! - Volte para o lugar de onde veio!

Tire as mãos...

Vou processá-los por isto! Vão ter noticias minhas!

Eu o avisei!

Vocês não valem uma merda! Que tipo de socialistas são vocês?!

Não lhe admito!

Dou-lhe uma lição que nunca mais se esquecerá!

Adeus, caros camaradas!

Adeus.

Podem sempre contar comigo.

Sempre.

Se houver alguma coisa que eu possa fazer.

Viva a Revolução! Viva o Socialismo!

O comboio com os russos.

Vou informar a fronteira alemã.

Os revolucionários!

O que é aquilo?

Biscoitos, diria eu.

- Confisquem-nos. - Confiscá-los?

A minha mulher está grávida? Do que está ele a falar?

Como assim? Como pode dizer isso?

Quem de vós tiver produtos pereciveis na bagagem...

... deve desde já entregá-los.

Quem não o fizer será preso.

Um momento, estas pessoas vão ter de atravessar a Alemanha toda!

E não encontrarão nada que comer durante o caminho!

- Morre-se à fome na Alemanha. - Exatamente, Sr. Platten.

Sr. Platten, não sei como são as coisas na Rússia,

... mas explique a estas pessoas...

... que aqui na Suiça, a lei é a lei.

Aqui tem, sr. agente.

Não queremos privar os nossos amigos suíços do pão de cada dia.

Franz, traz o cesto.

Camaradas, comam o que puderem.

Ponham a comida no cesto.

Um telegrama ao Ministro e você será rebaixado por isso.

Faça o favor!

Despachem-se!

Aí tens a tua arma secreta.

Despachem-se! Mexam-se!

Venham por aqui!

Alinhem-se aqui!

- É você o Ulyanov? - Não.

Ulyanov?

Qual de vocês é o Ulyanov?

- Que fale. - Sou eu o Ulyanov.

Os seus documentos. Avance!

Segundo o nosso acordo você deve dirigir-se ao Sr. Platten.

... caso tenha algo a comunicar-me.

Capitão, o Fritz Platten sou eu. Posso ajudá-lo?

Os passaportes.

Os homens para a esquerda, as mulheres e as crianças para a direita.

Para quê?

- Não argumentem! - Para facilitar a identificação.

Despachem-se, por favor.

Por aqui.

Alinhem-se aqui, por favor.

- Nome? - Inessa Armand.

Os vossos documentos serão devolvidos...

... assim que sairmos do território alemão.

Número um. Número dois.

Quanto custa o bilhete?

32 francos cada.

Mas, Vladimir Ilyich,

... os camaradas suiços reuniram 1.000 francos para esta viagem.

Nadya, dá 64 francos ao homem.

Agora já podemos entrar no comboio?

Permita-me.

Isto serve perfeitamente.

Não tenham pressa, há lugar para todos.

Camaradas, proponho que o camarada Lenin...

... tenha um compartimento só para ele.

Não posso aceitar privilégios.

Tem trabalho a fazer.

Irá lhe servir como escritório, inclusivé para reuniões.

Diga-lhe, Nadya.

Se é o que todos acham, quem sou eu para discordar?

- Claro. Inessa, venha conosco. - Obrigada.

- Vladimir Ilyich? - Sim?

O major Von Planetz pede que se pode ir ter com ele...

... pois gostaria de lhe dar uma palavrinha.

Sr. Ulyanov?

Espero que não tenha nada contra em posar ao meu lado para uma fotografia de recordação.

Preferia não o fazer.

Entendo que tenha receio que a fotografia possa vir a circular por aí,

... mas prometo-lhe que a guardarei apenas para mim.

Gostaria de acreditar que não duvida da palavra de um oficial alemão.

Tire lá a sua fotografia.

Estão prontos, cavalheiros?

Quietos. Não se mexam.

Muito bem. Mais uma, por favor.

Pronto.

Sr. Ulyanov, fico-lhe muito agradecido.

De nada.

Para que serve esse pedaço de giz?

Isto? É a garantia da extra-territorialidade.

Entre no comboio e eu mostro-lhe.

Entre no comboio e verá.

Na Rússia as coisas estão cada vez mais confusas.

Do que estava à espera?

Isto... é a linha divisória.

Os vossos direitos extra-territoriais terminam aqui.

Daqui para a frente a carruagem é alemã.

Vocês devem permanecer atrás desta linha...

... e nós aqui onde estamos.

Sr. Platten...

Você é o responsável por esta gente,

... certifique-se pois que eles cumpram as regras.

- Já foram? - Já estão na Alemanha!

Daqui a uns dias estarão em Petrogrado...

... enquanto estamos aqui sentados à espera de autorização.

O homem joga à política como se jogasse à roleta, arrisca tudo.

O homem vai liderar a Revolução, a não ser que o paremos...

... e é nosso dever avisar Petrogrado e o Kerensky!

Está bem, mas não nos deixemos enganar por esta iniciativa do Lenin!

- Alguém tem de fazer alguma coisa. - Por que não pedimos também um comboio?

- Não nos podem recusar. - Sim, temos que regressar rapidamente!

Não consegues dormir?

Nem ele.

Ele é sempre assim?

Bem, ele é conhecido por dormir ocasionalmente.

Não.

O que eu quis dizer foi...

Ele só pensa na Revolução?

Eu te percebi, David. Eu gosto de provocar.

É uma pena que o Kerensky se tenha antecipado a ele.

Kerensky e o seu Governo Provisório?

Chama aquilo de Revolução?

Bem... é um assumir do controle, se preferes.

Sim, mas com o Príncipe no poder. Que tipo de mudança foi aquela?

Quando Lenin lá chegar as coisas serão diferentes.

Claro que serão.

Mas já te deste conta de quão poucos são os Bolcheviques, David?

E ele está cansado, está a perder o gás.

Não faças caso, cheguei a uma idade que duvido de tudo. Só isso.

O ar está frio.

Mas se tem dúvidas...

... por que razão embarcou neste comboio?

Sabes quantos filhos eu tenho?

Cinco.

Estão em Moscou,

... e eu já não os vejo há vários anos.

Quatro do meu marido...

... e o último do irmão dele.

Como vês,

... sou o que se costuma chamar "uma mulher tempestuosa".

- Bom dia. - Bom dia.

Bom dia, Inessa.

- Bom dia. - O Volodya quer dar-te uma palavrinha.

- Temos chá. - Nadya...

Qual de vocês dois decidiu enviar-me o telegrama?

Eu.

Porquê?

Porque não?

- Bom dia. - Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

- Conheces a Inessa há muito tempo? - Não.

Ela ainda é casada?

É pois.

Com um homem muito rico.

Ela deixou-o há alguns anos atrás para seguir Lenin.

Viveram juntos ainda algum tempo, sabias?

Em Paris.

E a Nadya?

Ela também estava lá.

Lenin nunca a deixou.

Era um "menage a trois", politicamente falando, claro.

A Inessa vem de uma família de atores, fala fluentemente o francês.

Fez muito sucesso nos comícios em Paris.

Não sei o quão próxima foi a relação dela com Lenin.

Era isso que querias saber?

Eu?

Não.

Não me parece que tenha algo a ver com tudo isso.

Onde pára o teu barrete vermelho?

Tens o cabelo todo desalinhado.

Deixei-o em Genebra.

Tens tido noticias da tua família?

Ultimamente não.

Inessa, eu reparei...

Já não pareces estar feliz na nossa companhia.

Admiro-vos a ambos e estimo-vos mais do que nunca.

É que por vezes sinto-me farta. Um bocado cansada.

Agora?

Quando estamos prestes a fazer...

... o que há tanto tempo esperamos?

Juntos.

Sinto-me velha.

Volodya...

A Inessa é agora uma senhora com um coração magoado.

E com pouca vontade de lutar.

Mal cheguemos lá, vamos remodelar o jornal do Partido.

Estou trabalhando em material para o novo Pravda...

... e gostaria de ter a tua opinião.

Tens a Nadya.

E o Radek.

Sempre gostaste do estilo dele.

Dizias que era o melhor repórter que tínhamos.

Ainda que fosse um bocado maluco.

Tens algo que ele não tem.

Intuição política.

Porque achas que te mantive tão próxima de mim?

Lê e depois falamos.

Mamãe, olha! Soldados e armas.

Platten! Platten, pelo amor de Deus!

Digam-lhes para pararem com essa cantoria em Francês imediatamente!

Camaradas, façam o favor de parar de cantar.

Relembrem esses russos que nós estamos em guerra contra a França!

Camaradas, eu disse-vos para pararem!

Não causemos atritos!

Ela nasceu em Paris.

- Já lá esteve? - Não.

- Você esteve? - Estive.

- Como eu a invejo. - Foi maravilhoso.

- O que acha, Misha? - Na minha opinião, o Martov é um covarde!

- Está enganado. - Não. Prefiro casar com um médico.

Andava à tua procura.

Que cara é essa?

Então?

A única razão porque está aqui...

... é porque quer ver os seus filhos em Moscou.

Não te parece uma razão mais do que suficiente?

Pelo amor de Deus, você é a Inessa Armand!

Não sou assim tão importante.

Somos todos dispensáveis.

Todos, exceto um.

Isso não é verdade e você o sabe.

Os outros ficarão aliviados quando eu desaparecer.

Como pode dizer isso?

Que podem ter eles contra si?

Acham que eu posso ser uma má influência para Lenin.

Ainda não chegámos lá, mas eles já estão a lutar pelo poder.

Receiam a fé que ele tem em mim.

Receiam que possa arranjar-lhes problemas.

Ele sente que eu estou prestes a sair do ninho.

Ele não consegue conceber que um da sua ninhada levante voo.

Ele sabe quando e como eu lhe posso ser útil.

Sempre foi um organizador astuto.

Ele quer que eu leia o primeiro artigo dele para o jornal do Partido.

É um estratagema para me atrair de volta.

O que está a fazer?

Isto foi escrito por Lenin.

Não quer lê-lo?

Já li.

É maravilhoso.

Não estou contra ele. Ele é um grande homem.

Mas não quero ser aquela que ele chama sempre que não tem mais ninguém.

Mas se ele tem tamanha fé em si, como pode dizer isso?

Não lhe chega isso?

Ou o que pretende?

- Onde estamos? - Porque parámos?

São ordens.

Podem dar-nos comida? As crianças têm fome!

Nós também!

Obrigado.

Bom dia, cavalheiro.

- Ali tem o meu colega deputado. - Bom dia, major.

O Sr. Jansan e Sr. Renkl,

... Deputados socialistas do Reichstag,

... estão autorizados a falar alguns minutos com o Sr. Ulyanov.

O vosso Governo proibiu-nos qualquer contato com os alemães.

Não diga disparates. Nós conhecemos muito bem Lenin.

E nós a si.

O camarada Lenin mandou-me dizer-lhe que não quer falar consigo.

Queriamos falar-lhe acerca do Manifesto dele e do que ele pretende fazer.

Porquê?

Também somos Socialistas.

Sim, nós somos Socialistas. Devia saber disso.

A sério?

Vocês votaram a favor da guerra que transformou o mundo...

... num banho de sangue.

Era o nosso dever para com a Pátria.

Então vá lamber as botas ao Kaiser!

Não vos permito que falem nesses modos de sua Excelência, o Kaiser!

Basta! Não discutam!

Lenin não falará convosco, logo o assunto está encerrado.

Vou reportar aos meus superiores.

Ele não nos pode fazer isto!

Que tipo de Socialistas são vocês quando ainda nos falam da Pátria?

Não passam de palhaços, tal como o resto do Reichstag!

Livraram-se dos Socialistas alemães?

Foram embora com o rabo entre as pernas.

Inessa, uma palavrinha, por favor.

Ouviste aquilo?

Insultaram os políticos alemães!

Cuspiram-lhes virtualmente na cara!

- Gozaram com o Kaiser... - As minhas ordens foram para escoltar esta gente.

E estou a borrifar-me para os deputados do Reichstag.

Se queres que as coisas corram bem entre nós,

... pára de te preocupares com assuntos totalmente irrelevantes.

Fui claro?

Trabalhar pela paz é uma coisa,

... mas publicar isto no jornal oficial do Partido não será perigoso?

Não temos tempo a perder. Não concordas?

Os patriotas terão um dia para celebrar.

Contra os derrotados, os traidores, os colaboradores dos alemães, o habitual.

A paz imediata e separada com a Alemanha...

... é a única maneira de derrotar o Kerensky e os seus comparsas.

É um risco, um risco mortal, mas nós não temos outra opção.

Certamente que não queres que falhemos neste momento crucial.

Certamente não quererás mudar o nome do Partido neste momento crucial?

Temos que fazer a ruptura com o passado.

Se nos continuarmos a apresentar como Sociais-Democratas...

... confundir-nos-ão com o Plekhanov, o Kerensky e o Martov. Pensa nisso!

As pessoas que sustentam esta guerra devem manter-se? Não!

Sociais-democratas. Lutámos por essa denominação.

Muitos sofreram e morreram por causa disso.

Não, Volodya, o nome é uma parte central da causa Proletária.

Esse nome, minha querida, é uma cortina.

- Que esconde o quê? - Reformistas e fantoches capitalistas.

- É isso o que pensa? - É necessária uma mudança.

Já disseste aos nossos camaradas?

Direi, antes de chegarmos a Petrogrado.

Preciso de ti.

Vou precisar muito de ti quando chegarmos a Petrogrado.

Só contigo, junto de mim e da Nadya tal como antigamente,

... conseguirei lidar com o que temos pela frente.

Onde ficarei em Petrogrado? A minha casa é em Moscou.

E se ficar, qual será o meu papel, a minha posição?

Vou te colocar no Comité Central.

Até agora é composto apenas por duas pessoas, o Zinoviev e eu,

... mas quando chegarmos a Petrogrado irão se unir a nós o Kamenev, o Rykov e o Bukharin.

Em que posso contribuir para o Comitê Central?

Serás o elemento congregador, que nos manterá juntos.

E tu mereces, Inessa.

Ter uma mulher no Comitê encorajará outras mulheres.

Tu irás representá-las.

E tu sabes a importância que eu dou às mulheres na estrutura do Partido.

E a camarada Kollontai? E a Nadya?

Elas merecem este tipo de conhecimento.

A Nadya é a minha mulher!

Certamente que não queres que seja acusado de sentimentalismo!?

Ou nepotismo!?

Devemos estar em Frankfurt.

Talvez aqui consigamos arranjar alguma comida.

Frankfurt.

Espero que encontremos comida.

Hey, Fritz, precisamos de algo para comer.

Querem que morramos de fome ou o quê?

Espero que não nos queiram jejuando até à Suécia!

A minha mulher está grávida e precisa de comer por dois, ouviram?

Camaradas, por favor, sejam pacientes.

Não estamos na Suíça! Morre-se de fome na Alemanha!

Eu vou sair.

Com ou sem guerra eu não vou morrer de fome!

Cala-te! Venham!

Venham ver isto!

O que é?

- O que é? - Ali!

De onde vêm?

De França. Os franceses estão a matar-nos como se fossemos moscas.

Mas nós vamos fazer-lhes o mesmo!

- Que consolação! - Você! Cale-se!

Mostre algum respeito! Tire o chapéu!

- Precisamos de comida! - Precisamos de comida!

Queremos pão!

Precisamos de água!

O que nos querem fazer?

Estamos a morrer de fome!

Você é um soldado ou um espantalho?

Olhem para este, parece que é cego.

Atenção!

Este 'voucher' é válido para 32 rações militares.

Onde fica a cantina?

- Ao fundo à esquerda, major. - Escoltem este homem.

Precisamos de comida! Há dias que não comemos!

- Onde é a messe dos oficiais? - Ali ao fundo.

Volto já!

Montem guarda ao comboio e não deixem ninguem chegar perto dele!

Tenho um 'voucher' para 32 rações militares.

É para as pessoas que estão no comboio.

Está ali um comboio cheio de mulheres e crianças.

Anda, vamos ver o que se passa.

E desculpe... Um pouco de leite, se puder.

- Temos crianças no comboio. - Crianças?

Este 'voucher' é para rações militares.

Quem são os desgraçados que vão ali amontoados como se fossem gado?

Por qual razão está a milicia a guardar aquele comboio?

Que história é essa de crianças prisioneiras?

- Tome, é para as crianças. - Muito obrigado.

Quem são vocês?

Sou um Socialista suíço.

- Ponha-se a andar! - O que faz naquele comboio?

Acompanho um grupo de exilados russos de volta a casa.

- Com a benção do vosso Governo. - Como assim?

Por qual razão os mandamos de volta?

Você é mesmo um Socialista?

Algum de vocês ouviu falar de um homem chamado Lenin?

Lenin? Quem é ele?

Eu ouvi, eu ouvi falar dele.

E o mundo precisa dele, nas fábricas.

Não posso dizer-vos o quê,

... mas algo de muito importante irá acontecer em breve.

Acreditem. Paz e Igualdade para todos.

Paz? Como assim?

Quem é esse Lenin?

Um revolucionário russo.

Então vão Socialistas no comboio.

Socialistas como nós!

- Venham, vamos! - Vamos!

Venham cá! Venham cá! Vamos!

Vamos! Venham daí!

Socialistas?

Vamos, sigam-me!

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