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ANGEL OF DEATH
Não se mexa!
Mãos na cabeça.
Devagar!
Ela está morta.
Tem a certeza que quer chamar alguém?
Cale-se!
A câmara está ali.
Apanhou tudo.
como o vinho que se tornou o sangue de Cristo
de muitas videiras foi feito
como o pão
de grãos de ouro
que o amor que oferecemos como sacrifício
Sr. Józef.
Lamento, mas não vai dar.
Eu disse ao senhor padre que não conseguia substituir o organista.
Sim, obrigado. Vou ter de me desenrascar.
Deus o acompanhe.
- Deus o abençoe. - E a si.
Louvado seja Cristo.
Sempre. Ámen.
Fiquei sem organista. Em que posso ajudar?
Agnieszka Polkowska, detetive privada.
Fui contratada pela família da Natalia Barańska assassinada.
Foi uma tragédia.
A Polícia já veio cá. Não sei como ajudar.
Tudo bem, só tenho algumas perguntas.
Reconhece isto?
São Paulo com uma espada.
Há muito tempo que não via um.
A irmã diz que a vítima a recebeu de um padre.
De mim?
Não, é impossível.
Há mais algum padre na paróquia?
De momento, só eu.
Iam mandar alguém, mas...
Crise vocacional.
Minha senhora...
Eu não tive contacto com a jovem.
Durante o retiro, estive...
doente.
Então, quem liderou o retiro?
O Paweł Nowicki, o organista. Ele tem formação teológica.
O organista que desapareceu?
Porque diz que desapareceu?
Pode ter sido por assuntos familiares. Há de aparecer.
É este homem?
De facto, são parecidos.
Mas o Sr. Paweł não tem cabelo e tem barba.
- Tem medo dele. - Desculpe?
Ele é um homem muito perigoso.
Uma ameaça para qualquer pessoa. Ele tem de ser preso. Já.
- Não o encubra! - Não o estou a encobrir!
Desculpe, mas preciso de me preparar para a missa.
Quando voltar, digo-lhe que anda à procura dele.
Deus a acompanhe.
Deus te abençoe.
Deus a abençoe.
Estou à procura do Paweł Nowicki, o vosso organista.
O padre disse
que se foi embora.
- Não atende o telemóvel. - Onde é que ele vive?
É urgente, sou irmã dele e é sobre os nossos pais.
Na casa paroquial.
Na cave.
Obrigada.
Apanhei-te!
- Ela disse que era irmã dele. - És tão ingénuo...
Sr. Paweł?
- Então, quem é? - Uma detetive, só a farejar.
- É por causa da morta? - Cala-te!
Não vale a pena falar disso.
Senhor padre!
Anda.
O que aconteceu?
É uma tragédia! E logo a seguir à outra!
- A encarnação do diabo! - Calma. Do que está a falar?
Mataram a Sra. Karolina!
O carteiro encontrou-a de manhã.
Esmagaram-lhe a cabeça!
Quem?
Andam atrás do Sr. Paweł, o organista.
Ele estava lá de visita.
O que está a fazer? Não pode passar.
- É o responsável? - O que faz aqui?
Tenho informações.
Deixe-a passar.
Força.
Comissária Mira Janik. A investigação é minha.
Comissária Agnieszka Polkowska. Ex-comissária, infelizmente.
Ouvi dizer que o Paweł Nowicki, o organista, é suspeito.
Isso cabe ao MP decidir.
Claro.
É este homem?
Este é o Paweł Nowicki?
Quem é esse homem?
Piotr Wolnicki, um assassino em série.
Suspeito que simulou a própria morte e escondeu-se na cidade.
Provavelmente, também matou a Natalia Barańska.
Raios, é ele...
Estava mesmo debaixo do meu nariz. Até o interroguei, mas...
Nunca pensei que pudesse ser ele.
- Pensei que estava morto. - Todos pensaram.
Sim, já a estou a reconhecer.
Tentou apanhar aquele sacana.
Tem o meu respeito.
E então? Deixou a Polícia?
Infelizmente, despediram-me.
Idiotas.
Estamos a perder os melhores.
Tem alguma pista sobre o paradeiro dele?
Ouça...
Não posso falar consigo aqui.
Nem devia estar aqui.
Dê-me o seu número. Podemos falar à noite.
Tem noção de que pode ser tarde? Ele vai voltar a fugir.
Conheço bem este tipo. Posso ajudar.
Claro que sim.
Mas se alguém nos denuncia, ambas estaremos em sarilhos.
Eu ligo-lhe.
Até breve.
Gaita.
Por amor de Deus...
Então?
Disse o que precisamos?
Não.
Como sempre, sou eu a fazer tudo.
Que fazes aí especado?
Fizeste trampa, agora tens de a resolver.
Vens ou não?
Dá-lhe água.
Se não der luta, custa menos!
Pronto...
Já temos a arma do crime.
Só falta uma confissão.
O que quer que diga?
Que matou a Karolina e a Natalia Barańska, nas suas palavras.
Sabe muito bem quem matou a Karolina.
Há um vídeo.
O cartão de memória?
Não gosto de violência,
mas sei usá-la.
Dê-me o cartão e eu solto-o.
Se lhe der o cartão,
você mata-me.
Ou o seu filho.
Dispenso o seu cadáver.
Mal tenha a arma e as imagens, prometo que o solto.
Será perseguido pela Polícia, mas já está habituado, não é?
Talvez tenha de voltar a partir, mudar a cor do cabelo, o nome...
Não é verdade, Sr. Piotr Wolnicki?
A sua amiguinha está cá.
Anda atrás de si. Tem pouco tempo.
Mira, uma testemunha afirma ter visto o organista. Podes vir?
Vou já para aí.
Vai ficar tempo suficiente para entender que não há alternativa.
Vamos.
Assim gosto mais.
Deves saber o teu lugar.
Recebeu a minha baixa?
Sei lá, o que interessa é que ouviste a mensagem.
Qual mensagem?
Não importa.
Esquece.
Qualquer um voltaria depois de um apertão.
Como assim?
- Não queres falar? Está bem. - De quê?
Ouvi o chefe a massacrar-te e a apertar contigo para voltares.
Eu não falei com o chefe ontem.
Não queres falar, não é da minha conta.
- Que foi? - Tenho cara de quem come a própria mãe?
Um bocado, sim.
Então, porque ages como ela?
Estás a falar do chefe?
Claro! Como é que sabias?
Ele queria despedir-te, a ti e à Wrońska.
- Ele ia despedir a Ewelina? - Sim.
Se fosse a ti, não vos punha a jeito.
Sobretudo na vossa situação.
Obrigado pelo conselho, tia. Agora dobra-te e mete-o no cu.
Talvez o faça.
E quando vir a Wrońska, pode bater-me outra vez.
Até que gostei.
Dessa vez, bato-te eu.
- Com prazer. - Ótimo.
Por falar em favores,
pesquisa a Mira Janik de Srebrna Góra por mim.
Ela esconde algo.
Vai-te lixar, mãezinha.
Vai tu, paizinho!
Raios me partam...
Gaita!
Já te decidiste?
Preciso de ir à casa de banho.
Devo gravar a tua confissão?
És mesmo assim tão psicopata?
Olha para ti.
Por favor.
Não te ouço.
Podes desamarrar-me e levar-me à casa de banho, por favor?
A lata está ali.
Lamento, a sério. Pela Karolina. Eu...
Não sabia que ela era tão...
O que vais fazer agora?
Eu matei-a porque ela foi marota.
E também te vou castigar.
Vai-te embora.
Helenka...
Quero que saibas que podes contar-me tudo.
Não precisas de ter vergonha.
Olha para mim.
O Leszek tirou-te alguma fotografia?
- Não. - Não tenhas medo, querida.
Podes contar-me tudo.
O Leszek não me fez nada!
- Não o defendas! - E isto é para ele.
Vou levar-lhe à prisão.
Helena!
- Não sabes bater à porta? - Vai-te embora! Ouviste?
O Leszek não me tentou fazer mal!
Só abriu uma coisa no computador!
Miúda, a mãe tem razão.
O Leszek tentou fazer-nos coisas terríveis.
Armou-se em nosso pai.
Coisa que nunca será.
Não passa de um pedófilo.
O chefe deu-me os parabéns. Diz que me preferiste à Polkowska.
Escapou-me alguma coisa?
Está a dizer trampa, como sempre.
Não vale a pena mentires.
Eu estava a ajudar a Aga.
- Diria mais a comê-la no chuveiro. - Infelizmente, não desta vez.
Descobrimos uma coisa, o sacana soube e quer-me fora daqui.
- Idiota! - Foi o que eu disse.
E porque estou metida nisso?
Não sei.
Sabes, sim.
Ele também te queria despedir.
- Não podes... - Ele não me pode despedir!
Mas, se quiser, que me despeça.
Meto um advogado e os Assuntos Internos.
Não aceito chantagens!
Se a Polkowska tem algo, não fiques aqui e vai ajudá-la!
Não posso.
Estou?
Bom, pesquisei aquela Mira por ti.
Obrigada.
Mas continuo zangado.
Está bem, mas tens algo sobre ela?
Sim e não.
Oficialmente, nada, mas manda em Srebrna Góra há 15 anos.
Há dois anos, o filho foi acusado de agressão agravada.
Massacrou a cara de um tipo, cegou-o.
Quanto tempo apanhou?
Zero. Foi arquivado por falta de provas.
Está a brincar...
A mamã deu um jeitinho?
É o que consta.
As provas desapareceram, as testemunhas perderam a memória.
Está bem, obrigada. Pode ser útil.
E, já agora,
quero pedir-te desculpa por aquela confusão com o chefe.
Devia ter-te dito.
Estou? Estás aí?
Sim. Estou a assimilar. A Agnieszka Polkowska pediu-me desculpa.
Não foi a Agnieszka, foi o avatar dela.
Também acho.
Ela não bebe, não se enrola...
Tudo o que resta da Polkowska é esta obsessão com o Wolnicki.
Vai acabar em breve. Estou quase a apanhá-lo.
- E depois, Abóbora? - Não sei bem. Volto a beber?
E aos engates aleatórios?
Tenho de desligar.
Interrompo?
Não.
Quem era?
- A Agnieszka Polkowska. - O quê?
Estou a ajudá-la na investigação.
Ela manda beijinhos.
Mrówiec!
Não tínhamos um acordo?
De todo. Nem vê que não percebe.
Quero apanhar assassinos e o chefe vive de aparências.
Ignora procedimentos, omite provas, não admite erros.
Não te dei confiança para isso.
Não tem vergonha?
À sua conta, o Wolnicki anda por aí a matar quem quiser.
- Ele está morto. - Sabe que não.
Não é assim tão burro.
E despediu a única pessoa que o apanharia!
Vais já juntar-te a ela.
Vais ser dispensado por desobedecer à cadeia de comando
e por divulgar informação confidencial!
- Até que enfim! - Vais esfregar sanitas de estações!
- Eis um trabalho que não me envergonha. - Todo teu.
E, agora, desaparece!
Fiquem bem, malta.
Quase me esquecia. Desculpe.
Por ameaçar uma grávida.
Porque é que ainda não me mataste?
Preciso de ti.
Para assumir a culpa por ti?
Sabes a história de São Paulo?
Fez coisas horríveis.
E nunca foi punido.
Arrependeu-se e redimiu-se.
E espalhou a palavra de Deus.
Quando Nero incendiou Roma, acusou Paulo e outros cristãos.
Eles não fizeram nada.
E, no entanto, foram condenados à morte.
Paulo sofreu um castigo pelos crimes de outra pessoa.
A sério que arranjas gajas com essa conversa de chacha?
Foram esfaqueadas por historietas?
Não são historietas.
Não?
Deus criou o homem à Sua imagem...
Não acreditas?
Não existe Deus.
Não existe Satanás.
Não existem regras.
Só nós existimos.
E nós criamos o nosso mundo.
A não ser que a mamã proíba.
Só não me matas porque ela não deixa.
É a única razão.
Não és livre.
Só fazes o que ela manda.
"Eu sou o bom pastor.
O bom pastor sacrifica a vida pelas ovelhas.
Quem é contratado
para guardar o rebanho,
vê um lobo aproximar-se,
deixa as ovelhas e foge.
O lobo salta sobre elas e espalha o rebanho.
Tal homem foge porque é contratado e não se preocupa com as ovelhas.
Eu sou o bom pastor e conheço as minhas ovelhas
e elas conhecem-me a mim."
Eu fui um mau pastor.
Não protegi as minhas ovelhas.
Deixei o Diabo entrar pelas portas da nossa igreja.
E matou as minhas ovelhas...
Fui fraco.
Perdoem-me...
Ele deu as palestras aos jovens
por mim.
Ele procurava vítimas.
E eu não fiz nada.
Ele chantageou-me.
Sabia o meu segredo.
Não se martirize com isso.
O Wolnicki é um psicopata cínico.
Simulou a morte, enganou o tribunal e a Polícia.
Não admira que também o tenha manipulado.
Enganou-nos a todos.
A mim, à Karolina...
Qual era a relação deles?
Ela acolheu-o em casa.
Serviu de álibi para a noite...
... em que a jovem morreu.
Ela ajudava-o?
Pensou que ele também a ajudaria.
- Que a protegeria. - De quê?
A Karolina tinha medo do Maciek, o filho da comissária.
Porque tinha medo dele?
Não sei o que aconteceu entre eles, mas o Maciek...
... andou à bulha com o Paweł.
Quer dizer...
Com o Piotr.
Acho que foi por causa da Karolina.
Tive de intervir.
E novamente, acabei por ficar do lado errado.
A Karolina não era nova, pois não?
Devia ser da sua idade.
Então, ele usou-a.
Não tinha motivos para a matar.
Desculpe?
Diga-me: qual era a relação entre a Karolina e o filho da comissária?
Não sei muito sobre isto. Era uma paixão estranha.
O casamento desmoronou-se.
- A Karolina era casada? - Sim.
Com o Artur, o antigo organista.
Ele partiu de repente.
Como se chamava?
Artur.
Que foi?
Quero confessar.
Força.
Confesso que matei a Karolina com uma condição.
Tens de admitir que a tua mãe manda em ti
e que não fazes nada sem a permissão dela.
- Engraçadinho. - Pensa nisso.
Safavas-te, não ias preso.
Só precisas de dizer a verdade, que és pau-mandado de uma bófia velha.
Eu fui como tu.
Toda a minha vida.
Controlado por mulheres que me queriam castrar.
Uma delas também é polícia.
Uma degenerada.
Uma alcoólica.
Matou o meu pai e, agora, anda atrás de mim.
Costumava temê-las a todas.
Agora, são elas que me temem.
Também podes ser assim.
Só precisas de te libertar,
antes que a mamã te corte os tomates por amor.
Ou corto eu os teus.
Ninguém me pode impedir de te matar.
Eu faço-o à minha maneira.
És um infeliz à conta da tua mãe.
Por causa dela, sofres e desperdiças a tua vida.
Cala-te!
A polícia que anda atrás de mim é mil vezes pior do que a tua mãe.
Ela odeia pessoas como nós!
Quer prender-nos para o resto da vida!
Ela não vai desistir!
Eu não sou teu inimigo.
São elas que querem privar-te da liberdade.
Olá.
Ainda não o encontrámos, mas temos testemunhas.
Belo carro.
É bom para andar na floresta.
Tenho de ir para a esquadra.
E a água e as sandes? São para os seus amigos?
Tire o carro ou amolgo-o.
O seu filho matou a Karolina.
Depois, telefonou-lhe e fugiu.
O Wolnicki chegou primeiro e encontrou o corpo.
Como sabia que seria o suspeito, escondeu bem as imagens.
E eu encontrei-as.
Quieta com as mãos.
Este território é meu.
Está a apontar uma arma a uma agente. Eu sei porque a despediram. Por ser burra.
E eu sei porque vão despedi-la.
Onde está o Wolnicki?
- Não sei. - Não sabe?
Como queira.
Vou à esquadra levar-lhes o cartão.
Vai ser despedida.
E o seu filho vai preso.
Se algo acontecer ao Maciek, nunca encontrará o seu assassino.
Entendido? Eu certifico-me disso.
Ele tentou queimar a sua filha, certo?
Sim.
Prefere o Maciek ao sacana que tentou matar a sua menina?
Por favor...
Consegue controlar o seu filho, para que não volte a acontecer?
Prometo que não voltará a magoar ninguém.
Ele é bom miúdo, só se perdeu. Ainda é jovem. Eu posso curá-lo.
- Tem a arma do crime? - Tenho.
Até tem as impressões digitais do Wolnicki.
Assim, fica resolvido.
O Maciek sai em liberdade
e o Wolnicki vai para a prisão.
Ele merece.
Dê-me o cartão.
Primeiro, dê-me o Wolnicki.
Mostro-lhe o Wolnicki e apaga as imagens.
Vou detê-lo oficialmente
e dizer que o localizou e levou a Polícia até ele.
A não ser que queira fazer de outra forma.
Não, está ótimo.
Desde que o Wolnicki seja preso.
Vamos dar algum tempo ao Maciek. E uma ou duas horas para ir embora.
Ninguém sabe que voltou. Vamos deixar assim.
Eu entendo.
Entendes o tanas.
Conheço tipas certinhas como tu.
Achas que és melhor?
Nunca irás cumprir e deixar o rapaz ir.
A viagem acabou para ti!
Até que a morte nos separe...
Nunca te deixarei.
Nunca.
NÚMERO DESCONHECIDO
Enviei-te uma localização...
Uma casa na floresta onde o Wolnicki está retido.
Agnieszka, calma. Respira.
O que aconteceu?
Envia uma equipa.
O Wolnicki sabe que ando atrás dele.
Deixou migalhas de propósito.
Aga, por favor, espera! Não...
Manda uma equipa!
Agnieszka, por favor. Que raio aconteceu?
Legendas: Ana Filipa Vieira plint.com
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