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ANGEL OF DEATH
Assustaste-me.
O teu autocarro vai partir.
E eu procuro as minhas ovelhas desaparecidas.
Tive de ser logo. Não tinha onde fazer isto.
Sou assim sem a máscara.
Muito bonita.
Havias de me ver sem maquilhagem.
Devo ser a única rapariga
que tem de ir a um retiro para se aperaltar como quer.
Em casa, sou mais uma virgem santa.
Os teus pais controlam-te assim tanto? Já és maior de idade.
Os meus pais morreram.
Vivo com a minha irmã.
Não precisas de me contar se não quiseres.
Acompanhas-me?
A Agata perdeu o juízo após a morte dos pais.
Meteu na cabeça que a culpa foi dela
e que algo de mau está para me acontecer.
Eu vivo uma vida monástica. Sem viagens, festas, namorados.
A tua irmã não te devia proibir de nada.
E não proíbe. Posso fazer o que quiser.
Mas, depois, chora à noite e reza por mim.
Isso é chantagem emocional.
Eu sei.
Mas ela não o faz de propósito.
Só se preocupa muito comigo.
E suga-te a vida.
Posso sempre ir à missa ou fazer um retiro espiritual.
Vieste mesmo para engatar um rapaz.
De certeza que não vim ouvir as tuas tretas sobre São Paulo.
Foste a única que me escutou.
Posso enviar-te alguns livros, se tiveres interesse.
Está bem.
Sabes o que é engraçado? O rapaz, o Kamil, escreveu-me.
Nem sabia que tinha o meu número.
E então? Vais responder-lhe?
Não sei.
Podes sempre perguntar a São Paulo.
Muito obrigada.
Vou ter saudades tuas.
A tua irmã é muito importante.
Mas tu és mais.
Lembra-te disso.
Sê tu mesma, ou Deus não te reconhecerá no Juízo Final.
Estás a ver isto?
Sim, enviaste-me sete fotos dessa cruz.
E vou continuar a enviar até admitires que fizeste asneira.
Sim, lixei tudo ao não encontrar uma cruz de prata num buraco no chão.
- Poupa-me. - Sim, isto pode ser uma prova.
Vi todas as fotos dele, conheço-o.
O Wolnicki nunca usou uma cruz assim. Então?
É um sinal de que não é o Wolnicki.
Passou a usar. Não quer dizer nada.
Como te safas na Polícia com esse tipo de abordagem?
Dormindo com pessoas.
Vá, tenho de ir tratar da carreira.
Diverte-te. Amanhã continuo a procurar este fulano.
Onde vais dormir?
Num sítio agradável perto da floresta.
Até breve.
Quando Noé saiu da Arca,
plantou uma vinha.
Certa vez, bebeu demasiado vinho
e adormeceu nu.
O seu filho Cam, em vez de o ajudar, fez pouco dele.
Noé amaldiçoou-o por isso e expulsou-o da sua terra.
Felizmente, não estava nu quando o ajudei a deitar-se, padre.
Também não bebi demasiado vinho.
A igreja estava abafada.
- Além disso, está bastante velho. - Sim, e julgava conhecer as pessoas.
Não o investiguei, não pedi referências.
Tive pena de uma pobre alma. Deixei-me cegar pela misericórdia!
Bem-aventurados os misericordiosos. Serão objeto de misericórdia.
Não me provoque!
Não tenho provas de que... me drogou,
mas apesar de o proibir expressamente, deu uma palestra aos jovens!
Alguém tinha de cuidar da vinha enquanto Noé estava bêbedo e nu.
Basta!
Está despedido!
Tem até amanhã para desocupar o quarto!
Está bem. Eu saio.
Obrigado por tudo.
Por favor, diga-me. Para onde devo ir agora?
O mais longe possível daqui.
Isto não é lugar para si.
Estava a pensar em Biały Dunajec.
Parece que também procuram um organista.
Acho que conhece a paróquia.
Telefonei para lá. Todos falam de si com muito carinho.
Uma mãe solteira em particular.
E o seu filho, Krzyś.
Lembra-se deles?
Mandaram cumprimentos.
E não foi Cam que foi amaldiçoado, mas o seu filho Canaã.
Por algumas interpretações,
foi um castigo por relações sexuais pecaminosas.
Ou estou enganado?
Vá com Deus.
Sr. Paweł...
Fique, por favor.
E tudo será esquecido.
Achas que ela foi à cabana do vagabundo?
É capaz...
Estão à minha procura?
Ena, ena!
Que linda! És toda gira!
Relaxa, não te fazemos nada.
- Não tenho medo, filho. - Talvez devesses ter, mamã.
Não és da Polícia. Não podes fazer nada.
Vai uma aposta?
- Vai. - Calma.
Queremos ajudar.
Não vais encontrar nada no Artur.
- Conheciam-no? - Não.
Mas sabemos onde vivia.
Tirámos coisas valiosas antes dos porcos.
- Podemos vender-te o material dele. - Que material?
Verás quando pagares.
- Quanto? - Dez mil. Em dinheiro.
- Isso é muito. - Pede mais. Vá, pede mais.
Muito bem, 15 mil.
Depressa, ou passa a 20 mil.
Ando com pouco dinheiro.
Encontramo-nos aqui às 19h, sim?
Boa. Foi assim tão difícil?
KAMIL: E UM PASSEIO? NATÁLIA: DEPENDE DO SÍTIO.
K: JUNTO AO LAGO? N: NÃO GOSTO DE MOSQUITOS.
K: EU PROTEJO-TE.
N: COMO? K: EU ENCANTO-OS
N: XD K: EU MOSTRO-TE.
N: ENCONTRO? K: CAÇA AO MOSQUITO.
N: LOL K: PREFERIAS?
Tocou muito bem hoje.
Muito obrigado.
A partir da próxima missa, também gostaria de cantar.
Não, não, não. Nesta igreja, eu canto sempre.
Devia descansar, depois daquele incidente.
É uma chamada importante. Tenho de atender.
Faça favor.
É muito importante.
Dá-me um momento a sós?
Com certeza.
Olá, Natalia. Como estás?
Preciso de conselhos sábios.
E ligaste para mim.
Mais ninguém sensato atendeu.
Chuta. Este humilde organista vai tentar ajudar.
Respondi ao Kamil e ele convidou-me para um encontro perto do lago.
Quando escrevemos um ao outro,
sinto que ele me conhece bem.
Cuidado, não te apaixones muito depressa.
Não sou uma adolescente idiota.
Quero tentar, mas...
Não sei o que dizer à Agata. Se lhe digo a verdade, passa-se.
E, se mentires, admites que tem razão e revelas-te uma cobarde.
Mostra-lhe que és adulta e que decides por ti própria.
- Afinal, não és assim tão burro. - Tu também não.
E não precisas de conselheiros.
Tenho de desligar.
Com quem falavas?
Uma companheira de retiro.
Quando foste, sonhei com a mamã.
Disse que o mal paira sobre ti.
Agarrei-lhe na mão. Estava tão fria...
Depois acordei.
E já só adormeci de manhã.
Estás a tomar os comprimidos para dormir que o médico receitou?
Querida, eu não me vou drogar.
Quando estás em casa e segura,
durmo descansada.
Queres beber um chá comigo?
A nossa estrela local.
O pároco tem medo de ti,
as idosas só perguntam pelo homem misterioso e bonito.
Logo eu, tão despenteado?
Nada pior do que ser um estranho numa terriola.
Todos observam, a desconfiar do pior.
Talvez precises de um aliado, não?
E o que dizem de mim?
Várias coisas.
Primeiro, que és pedófilo.
Alguns dizem que é só gay.
O pároco nem pia, aterrorizado, como se lhe tivesses matado a mãe.
Também passaste pelo mesmo?
É óbvio que sim.
Uma artista, uma herbalista.
Meu Deus, uma maluca.
Mas não estava sozinha.
E aqui, tendo alguém, sentimo-nos mais ou menos normais.
E, agora, estás sozinha.
É por isso que preciso de um aliado.
Talvez parassem de falar por trás.
Pelo contrário. Só falariam mais.
"Ainda agora o marido desapareceu e já arranjou outro."
Talvez.
Mas alguém me defenderia.
De quê?
O que propões?
Um casamento branco?
Porquê branco?
Monika?
Monika?
Desculpa, não consigo.
Desculpa.
Acho que ainda não estou preparada.
Sabes que ele morreu.
Não, não sei.
Ninguém sabe.
Mas sentes, por dentro.
Ele foi-se embora e não vai voltar.
Ele morreu.
Não.
Eu traí-o.
Deixei-me levar pela tentação.
Foi por isso que foi.
Caíste em tentação?
Isto não tem nada a ver com o Artur.
Qual é o teu verdadeiro medo?
Por favor...
Fica cá esta noite.
Podes dormir no sofá.
Primeiro, terias de me dizer a verdade.
Se precisares de mim, estarei na igreja.
Rezarei por ti.
O que foi?
Quem era?
Talvez um vizinho.
- Olá. - Olá.
Quem é este?
O Wolnicki não é de certeza.
Mas gosta da mulher dele.
- Manda-me isso e eu vejo. - Está bem.
E o nosso rapaz?
Escola, escalada, encontros com amigos. Nada de interessante.
Consta que tem um segundo cartão SIM que esconde da mãe.
- Não vi nada disso. - Está bem.
- O chefe sabe? - Vasculha primeiro o lixo deles.
- O quê? - É uma ordem.
Estás acordado?
A Helenka teve 38,5 °C de febre.
Marquei uma teleconsulta para as 8h da manhã.
Obrigada, filho.
Estás tão crescido!
Quem era aquele?
Um colega de liceu.
É o do cemitério?
Sim, o Leszek.
Ele gostava de vos conhecer.
Talvez possamos estar com ele este fim de semana.
Como quiseres.
Sai da minha cidade. Ouviste?
Sai da minha cidade ou eu mato-te.
És um zé-ninguém.
És um zero.
Paweł?
Já não está aqui.
- Sou o único que te resta. - O que lhe fizeste?
Vai... Não...
Eu sei o que queres.
O que é isso?
As coisas do vagabundo.
- Tens o dinheiro? - Tenho.
Ela não estava com os porcos.
E não está. É peta.
- Caneco! - Caraças!
Larga isso!
E desapareçam!
Os próximos são nos joelhos!
Tive medo que ele te tivesse feito mal.
Que te tivesse matado.
Como matou o teu marido?
Não...
Não sei se o fez.
Talvez só o tenha assustado.
Ou talvez o Artur... simplesmente se tenha ido embora.
Mas tudo isto...
Tudo isto é por causa do Maciek.
Eu dormi com ele.
O Artur descobriu e tudo começou a desmoronar-se.
Porque fizeste isso?
Não sei.
Há algo nele.
Algo que... Faz com que seja impossível recusar.
Algo...
Diabólico.
Tenho muito medo dele.
Quero afastar-me dele, mas não o consigo fazer sozinha.
Ajuda-me a libertar-me.
- Bloqueia! - Corda bloqueada!
Continuas ou devo baixar-te?
Vou continuar.
Bloqueia! Bloqueia!
Leszek!
- O que tens? - Algo partiu...
Porque é que o deixaste cair?
Ele era pesado.
Temos de o levar às Urgências. Vamos!
Viste o e-mail que te enviei?
Não.
Antes de nascer, tenho de declarar que é meu.
Fala baixo!
Já todos sabem.
E é do teu interesse.
Terias problemas com as autoridades.
Então, assina essa declaração.
Falta muito até nascer.
Algo importante: enviei-te clínicas de testes de paternidade para grávidas.
Eu cubro metade dos custos.
Quais testes?
Como sei que é meu?
Achas que andei com outros?
Eu andei. Também podias ter andado.
Seria mau criar o filho de outro.
Levanta-te antes que eu te bata.
Onde raio está o Mrówiec?
Aqui, comissário!
Ao meu gabinete.
O aspirante Jackie afirma
que o instruíste a vasculhar o lixo dos Wolnicki.
- Eu só... - Caluda!
Explica-te.
Temos uma suspeita fundamentada
de que o Wolnicki está vivo e em contacto com o filho.
Como foi fundamentada? Por quem?
Pela Polkowska?
- Só queria dizer... - Caluda!
A Polkowska não tem voto.
Ainda não encontrámos o tipo que terá matado o Wolnicki.
Isto levanta suspeitas e põe-nos em maus lençóis.
Pois, agora já te preocupas.
A boa imagem da Polícia sempre foi a minha prioridade.
Sim?
Eu digo-te como somos vistos agora.
- Somos espetaculares. E sabem porquê? - Porque batemos com menos frequência?
Não, Mrówiec.
Porque ninguém anda por aí a matar raparigas.
O Wolnicki está morto.
E nós devemos deixá-lo ficar assim!
Entendido?
Claro. Lamento o excesso de zelo. Não volta a acontecer.
Chamada urgente.
Já posso falar?
Podes, mas primeiro sai.
Não posso falar.
Arranja maneira. Tenho uma bomba.
O diário daquele gajo, o Artur.
Onde é que o arranjaste? Varremos aquela cabana.
Alguém foi lá primeiro.
Ele diz que conheceu
um tipo que encaixa na descrição do Wolnicki.
E? Admitiu que o matou?
Pelo contrário.
Tinha medo dele e o Wolnicki ameaçou-o.
Esta é a última entrada.
Mas isso não prova que o matou. Lutou com o Artur e perdeu.
Mas talvez a família saiba mais.
- E sabes onde os encontrar? - Não propriamente.
Tenho uma descrição da aldeia, mas não tenho o endereço exato.
Então já sei porque ligas. Sabes o apelido, ao menos?
Sei.
Vira-te para a frente.
- Tocou lindamente. - Obrigado.
Louvado seja Cristo.
Olha.
Olha!
É a última oportunidade de bazares.
- Senão, o que fazes? - Senão, eu mato-te.
Quem? Tu?
Conheço pessoas como tu.
Eu sei do que gostas, menino da mamã.
Então, o espetáculo excitou-te?
Então! Deixa-o em paz!
Chamem a Polícia!
Larga-me!
Chega!
Eu disse que já chega!
Estás parvo? À pancada à porta da igreja?
O seu filho quer matar-me.
Ontem, tentou estrangular-me.
É uma acusação muito grave!
Pois é!
Acuso o seu filho de tentativa de homicídio!
Calma.
Foi uma mera briga.
O Maciek atacou-o. Eu vi tudo.
Mas não justifica acusar de tentativa de homicídio.
Acredito no Sr. Paweł e deve ter sido como afirma.
Ou controla o seu filho, ou...
Escusa de vir à igreja.
Com licença.
Passas a noite comigo?
Sim.
Mas no sofá.
Podemos ir com calma.
- Descobriste alguma coisa? - És terrível. Sim.
Menos presunção, caro colega.
- Desculpa... - Dá-me um minuto.
O que é que queres, bufo?
Chamaram a Polícia enquanto vasculhava o lixo dos Wolnicki.
Não quero saber. Estou a falar com um amigo.
- Queria mostrar algo... - Agora não.
Sayonara.
Tenho a morada que pediste.
Podes apontá-la?
Lazurowa 5/3.
Liguei à Marian.
Um miúdo saiu de uma obra. Tens o lugar dele.
Em Hamburgo.
Tens autocarro amanhã às 8h. Já te fiz a mala.
Esquece. Não vou a lado nenhum.
Vais, vais.
Talvez o trabalho te faça bem.
Eu nunca vou mudar.
Serei sempre assim.
Assim, ao menos, não terei de olhar para ti.
És tão fraca!
Tens medo do pároco.
Tens medo
do que as pessoas vão dizer.
Não tenho medo de nada.
Não tinha medo do teu pai e não tenho medo de ti!
E vais amanhã porque eu mandei. Entendido?
O que queres para o jantar?
Não janto em casa.
Tenho um encontro.
O que te pareço?
Uma prostituta.
Diz isso à mãe, se te aparecer nos sonhos.
Natalia...
Natalia!
Se saíres agora, vais partir-me o coração!
Adoro-te, mas tenho de viver a minha vida e ser eu mesma.
Caso contrário, Deus não me reconhecerá no Juízo Final.
O rapaz chama-se Kamil Chojecki.
Vive fora da cidade, junto a um lago.
Vamos dar um passeio e ele traz-me a casa.
Não tens de te preocupar.
"Quando a princesa viu,
ficou muito assustada, correu..."
Mamã...
Desculpa.
Está bem.
Falei com o Leszek.
Ele não está zangado.
Talvez lhe pudesse ligar,
a pedir desculpa.
Podes pedir pessoalmente.
J: ONDE ESTÁS? FALA.
SEI QUE NÃO ESTÁS MORTO. DÁ UM SINAL. A MÃE TRAI-TE.
TEMOS DE FAZER ALGUMA COISA.
Kamil?
Até que enfim!
Paweł?
Era tu.
Escreveste-me desde o início.
Olá.
Boa noite.
É comigo?
- Procuro o Sr. Artur Wojtasik. - Sou eu.
Agnieszka Polkowska, detetive privada.
O que lhe aconteceu?
Nada. Já nasci assim.
Detetive Polkowska?
Só um minuto. Espere um pouco.
Chegou há uns dias.
A minha mulher quis deitar fora,
mas tive o pressentimento de que viria buscar.
E tinha razão. Aqui tem.
Obrigada.
Adeus.
Adeus.
FLORESTA DE TUCHOLA
QUE TAL O MEU NOVO LIVRO? P.
Raios partam!
Desgraçado!
Legendas: Ana Filipa Vieira plint.com
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