Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
UMA S�RIE DOCUMENTAL ORIGINAL NETFLIX
Tenham piedade de mim
Tenham piedade de mim agora
O Sam tinha uma voz m�gica.
Quero dizer, querida, que tu...
Tu mandas-me...
O Sam �, sem d�vida, o pai da m�sica soul moderna.
Este � o Sam a cantar para um p�blico negro.
� um tipo de Sam Cooke diferente a que o p�blico geral,
isto �, o p�blico branco, est� acostumado.
Eu amo-te por...
... raz�es sentimentais
As pessoas recordam-se do Sam Cooke como aspirante perfeito a Frank Sinatra.
Na realidade, ele era um negro complicado num mundo complicado.
As editoras discogr�ficas n�o queriam
um negro a falar sobre os problemas que se passam no pa�s.
Queriam apenas que entretivesse e isso n�o chegava para o Sam Cooke.
Quantas mortes ser�o necess�rias
Para perceberem Que morreram pessoas demais?
Numa altura onde tudo era t�o opressivo,
ultrapassou muitas desigualdades raciais e n�o tinha medo de ser o primeiro.
Emancipa��o: foi isto que o levou a falar com Malcolm X e Muhammad Ali.
Ele era t�o destemido.
Se tivessem medo e andassem com o Malcolm,
o FBI arranjava maneira de se livrar de voc�s.
Foi a primeira fase do poder negro.
A energia de homem negro que o Sam Cooke tinha,
infelizmente para algumas pessoas do poder no pa�s,
representava uma amea�a que tinha de ser travada.
� uma morte misteriosa, foi uma morte improv�vel para o Sam Cooke.
O que aconteceu, porque estava l�, quem era a mulher com ele
e porque foi alvejado, estas quest�es s�o mais importantes
do que: "Que estava ele prestes a alcan�ar?"
� um duplo homic�dio.
� o homic�dio da pessoa que era Sam Cooke,
mas tamb�m o homic�dio do seu legado.
Foi um dos maiores choques que j� tive.
Estava na via r�pida em Detroit com o r�dio ligado.
Disseram que o Sam Cooke foi morto a tiro na noite passada.
M�SICO / AMIGO
Em Compton ou qu�.
MORTO EM MOTEL: SAM COOKE, CANTOR FAMOSO
Fiquei destro�ado.
Andei perdido durante uma semana.
Foi horr�vel.
Quando o meu pai me contou que ele estava morto, perguntei:
"Num acidente de carro?
Num acidente de avi�o?"
N�o acreditei quando ele disse que tinha sido alvejado.
Quase desmaiei.
Questionei-me sobre quem haveria de querer matar o Sam Cooke.
Fiquei triste e confuso.
As outras pessoas, principalmente da comunidade negra,
tamb�m ficaram tristes e confusas em rela��o ao sucedido.
CAPELA
As pessoas tinham frio, mas esperavam ansiosamente.
Queriam ver o Sam Cooke.
Queriam saber se era mesmo verdade.
Havia uma combina��o de incredulidade e m�goa.
Mais de 200 mil pessoas apareceram no funeral dele em Chicago,
apesar da forma como morreu.
Despido num hotel s�rdido em Los Angeles.
Era uma das estrelas pop mais famosas dos EUA
e morreu de forma misteriosa, n�o faz sentido nenhum.
Muhammad Ali, com sofrimento e raiva, basicamente disse:
"Se tivesse acontecido ao Frank Sinatra, aos The Beatles ou ao Ricky Nelson,
o FBI iria investigar."
Pareceu que tudo foi esquecido muito rapidamente.
E Muhammad Ali falou para toda a comunidade
que achava que estavam a trat�-lo como outro negro morto.
O Sam Cooke, na altura da sua morte,
era algu�m bastante importante para a comunidade negra.
A comunidade negra adora-o.
Ele n�o tinha o mesmo significado para o povo branco.
Eles n�o reconheciam a import�ncia do Sam Cooke.
A morte do Sam Cooke, ou a maneira como foi tratada nos m�dia,
roubou o resto da carreira dele.
As pessoas n�o pensavam no Sam Cooke assim,
mas era tanto um her�i racial como um her�i musical.
Entre a forma que morreu
e esta representa��o dele, � quase uma personagem unidimensional
que perde a ess�ncia de quem ele era.
Temos que nos questionar
porque � que as editoras discogr�ficas suprimiam os seus ideais.
O meu amor volta para casa amanh�
N�o s�o boas not�cias? S�o mesmo boas not�cias
Sim, boas not�cias
Boas not�cias
N�o s�o boas not�cias?
S�o mesmo boas not�cias
- Senhora Elinor Harris. - Ol�.
- Sente-se aqui. - Fant�stico.
- S�o boas not�cias. - S�o mesmo.
Qual a vers�o resumida da hist�ria do Sam Cooke?
A vers�o resumida...
Nasci, o meu pai era pastor.
Comecei a cantar na igreja, porque, primeiro, fui exposto ao gospel.
O Sam Cooke nasceu em 1931, no Mississ�pi.
Enquanto ele crescia, durante a Grande Depress�o,
no final dos anos 30, in�cio dos 40,
a escravatura ainda estava na mente de muitas pessoas.
Estamos a falar de uma altura
em que os negros, especialmente os homens, estavam a ser linchados.
De certeza que as pessoas como a fam�lia do Sam Cooke,
incluindo o pai, que era pastor,
queriam estar onde pudessem ter uma vida, n�o apenas sobreviver, mas tamb�m vingar.
A minha bisav� era escrava, no Mississ�pi.
Ela n�o estudou e o meu pai tamb�m n�o.
Ele venceu por conta pr�pria,
mas conhecia as desvantagens para uma crian�a negra no Sul,
por isso, foi para Chicago.
Sou como o meu pai em v�rios aspetos.
Tenho a mesma determina��o intensa que ele.
O pai do Cooke comprou uma igreja em Chicago
por isso, toda a fam�lia ia � igreja.
Bronzeville era um local lindo.
No trajeto desde a 43rd e State Street at� � 51st Street,
havia cerca de 200 ou 300 neg�cios din�micos de negros.
Segregados, s� para negros.
Era tipo a Wall Street para negros.
Havia igrejas em todos os quarteir�es.
Naquele momento, n�o havia ideais negros sem a igreja para negros.
Um cantor famoso de gospel, como o Sam Cooke acabou por se tornar,
convivia com o jovem Martin Luther King.
Saberia quem era o reverendo C.L. Franklin,
pai de Aretha Franklin, geralmente considerado
um dos maiores pregadores do s�culo XX.
Em Chicago, as pessoas tinham de fazer pela vida
e n�o penso que seja uma coincid�ncia algu�m como o Sam Cooke dizer:
"Quero ser dono de uma editora discogr�fica."
Era isso que se via em Chicago, neg�cios em todo o lado.
De certeza que isso o influenciou.
O pai do Cooke sabia que ele era talentoso.
Na verdade, todos os filhos dos Cook eram, era assim que lhes chamavam.
Ele levava-os a igrejas para cantar.
Bom...
Apesar de nunca l� ter estado...
Conheci o Sam num concerto, no Indiana.
Eu tinha cerca de 16 anos
e o Sam tinha cerca de 13 ou 14.
Eu fui ter com ele e disse: "�s espetacular, rapaz!
Nunca ouvi nada assim na vida."
Ser� que Jesus se importa?
The Soul Stirrers era um grupo de topo, um dos mais famosos.
Foi muito importante quando o Sam foi selecionado, em adolescente,
para substituir R.H. Harris,
que era adulto e j� tinha experi�ncia no meio.
N�o irei tolerar mais
Pergunto � minha m�e como...
Ele come�ou por tentar cantar algumas can��es como o Harris cantava.
A can��o avan�ou e ele tentou atingir uma nota alta,
mas n�o o conseguiu fazer como o Harris fazia.
Ent�o, instintivamente, fez o seu flutter,
onde alcan�ou a nota e, depois, foi descendo.
Ele deu-lhe e n�o estava no po�o
Quando ouvimos uma m�sica como "Jesus Gave Me Water",
ouvimos o Sam a acompanhar o coro, a controlar o tempo,
mas, depois, ele passa ao canto � tirolesa.
Que demonstra que a can��o passou a ser do Sam Cooke.
�gua, �gua, �gua, �gua E n�o estava no po�o
A Aretha Franklin � a minha amiga viva mais antiga, crescemos juntos.
�s vezes, ia � igreja deles.
Mas quando o Sam e os The Soul Stirrers foram para aquela igreja,
parecia que iam dar um concerto de rock,
porque, especialmente para as mulheres...
Havia mulheres que nunca foram � igreja
at� o Sam e os The Soul Stirrers estarem l�.
E faziam fila � volta do quarteir�o. Porque o Sam estava l�.
Reza quando te sentires em baixo
Quando os maus ventos sopram N�o te esque�as de rezar
Penso que foi na Igreja Baptista Abiss�nia em Newark
onde os The Soul Stirrers faziam parte do programa.
Achei-o gir�ssimo.
Tinha 11 anos e estava perdida de amores.
M�SICA / AMIGA
No fim da adolesc�ncia, o Sam Cooke junta-se aos The Soul Stirrers.
Tinha 19, 20 anos quando foi para o Sul em digress�o.
Havia o Chitlin Circuit onde os artistas negros atuavam,
principalmente, pelo Sul.
Chamava-se Chitlin Circuit, porque v�rios locais eram muito funky,
funky como chitlins.
Foi na altura em que est�vamos no fim do vaudeville
e no in�cio do rock and roll,
aquele tipo de R&B, rock and roll.
Muitos dos locais onde atu�vamos n�o eram muito maiores do que esta sala.
Tinham um microfone para n�s os cinco cantarmos.
Ela � uma rapariga rebelde...
Cantei "Bad Girl" para o peito de um tipo, porque o p�bico estava mesmo perto.
N�o havia palco, atu�vamos no ch�o.
Cantei "Bad Girl" para o peito de um tipo
e as pessoas atr�s dele gritavam: "Sai da frente, n�o conseguimos ver!"
Isto � um exemplo de como as coisas eram.
SALA DE ESPERA PARA NEGROS
NEGROS
BRANCOS
Ao viajar pelo Sul, os The Soul Stirrers tinham de ver
onde podiam ficar, comer e o p�blico para quem podiam atuar.
Naquela altura, ele era um mi�do.
Ele tinha de aceitar as circunst�ncias, mas sofria muito com as Leis do Jim Crow.
Ele n�o estava muito habituado a isso,
mas tinha de se habituar rapidamente.
As condi��es eram muito dif�ceis e preconceituosas.
Havia locais no Sul onde n�o pod�amos ficar em hot�is.
T�nhamos de ficar em pens�es.
Costum�vamos dormir em morgues.
Dorm�amos em camas de campismo com seis cad�veres nos caix�es.
O Sam n�o gostava do Chitlin Circuit,
porque ele queria ir onde lhe apetecia.
APENAS PARA NEGROS
Ele foi na digress�o at� ao Sul.
Ele voltou e disse que era uma vergonha como as pessoas s�o tratadas
e que algu�m devia fazer alguma coisa.
Eu sei a que ele se referia,
porque eu passei pelas mesmas coisas.
Vinha da escola e estava a caminhar no passeio.
E ele bateu-me e tirou-me do passeio, disse que ia ensinar um preto
a caminhar num passeio com um branco.
Estamos a falar de uma altura
onde um rapaz negro com 14 anos, que tamb�m era de Chicago,
com ra�zes em Mississ�pi, como o Sam Cooke,
Emmet Till, alegadamente, assobiou para uma mulher branca
e foi espancado violentamente em Money, no Mississ�pi.
Prenderam-lhe uma ventoinha ao pesco�o e mataram-no.
Eu e o Sam fal�mos muito sobre Emmett Till.
N�o consegu�amos perceber como era poss�vel.
N�o compreend�amos.
Quando vimos a foto, penso que o Sam se sentiu magoado.
O Sam achava que se podia fazer alguma coisa.
Vivemos num mundo onde pagamos impostos e cumprimos a Lei.
Isto n�o devia ter acontecido a um rapaz de 14 anos.
Fosse onde fosse, por isso, ele ficou muito ressentido.
Foi um despertar.
E foi o come�o do movimento dos Direitos Civis.
O Sam tinha em mente as coisas que queria fazer.
Acima de tudo, queria ajudar o povo dele e estava determinado a fazer isso.
Ele disse-me: "Scoe, um dia destes, o mundo vai conhecer o Sam Cooke.
E eu vou ajudar o meu povo."
Comprei uma avioneta nova...
O Sam era da gera��o do in�cio do rock and roll
por isso, estava a superar Chuck Berry e o Little Richard.
Lawdy, Lawdy, Lawdy, Miss Clawdy!
Mi�da, �s muito bonita para mim!
Conheci o Sam no escrit�rio da Specialty Records.
Em 1953.
Estavam a celebrar "Lawdy, Miss Clawdy".
Foi o primeiro disco de rock and roll a vender um milh�o de c�pias.
O Sam esgueirava-se para espet�culos de rock and roll,
porque via algo mais nisso.
O Sam conhecia todos os locais onde eles iam.
Os The Soul Stirrers sabiam que �amos sair at� �s tr�s da manh�.
T�nhamos de cantar no dia seguinte e ele estaria pronto.
Quando ele me foi ver a atuar no Apollo, eu disse-lhe uma coisa.
Eu disse: "Tiveste cerca de trezentas, eu tenho 1700 pessoas aqui.
Est�o a fazer a mesma coisa aqui que na igreja em Richmond.
N�o h� qualquer diferen�a.
Mas ele n�o quis trocar.
Mas, na altura, nenhum cantor de gospel quis trocar.
Acho que tinham medo de Jesus.
Na igreja dos negros, dizem-nos logo
que cantamos a m�sica de Deus ou a m�sica do Diabo.
H� um certo sentimento de culpa associado a isso, porque pensamos:
"Quero cantar a m�sica de Deus, mas a m�sica do Diabo faz-me dan�ar.
E a m�sica do Diabo pode tornar-me famoso, posso fazer mais coisas na vida."
Ele admitiu que, no in�cio, teve medo,
porque sabia que, se trocasse
e n�o resultasse, n�o podia voltar para os The Soul Stirrers.
As pessoas eram assim e, depois de sair, n�o eram compreensivas.
O pai do Cooke era como o meu pai.
Ele disse ao filho:
"Podes ganhar o mundo e perder a tua alma.
Est�s bem com os The Soul Stirrers, todos te adoram.
�s conhecido em todo o pa�s."
O Sam disse-lhe que queria ser conhecido em todo o mundo.
Desde cedo, o Sam quis fazer v�rios tipos de m�sica
e agradar a v�rios tipos de pessoas.
Mas porqu�? Trata-se de liberdade.
Acho que ele sabia que o que fizesse naquela altura
influenciaria as pessoas que viriam depois dele.
Maravilhoso...
Havia uma can��o chamada...
Maravilhoso!
O meu Deus � t�o maravilhoso!
Ele � maravilhoso
Ele pegou na can��o e disse:
Ador�vel!
Ela � t�o ador�vel!
Ela � t�o ador�vel!
Ele n�o usou Sam Cooke no primeiro disco que lan�ou.
Usou Dale Cook.
Porque tinha medo das rea��es.
N�s diz�amos: "S� pode ser o Sam! Mais ningu�m canta desta forma."
A certa altura, ele aceitou o facto de que ia fazer a m�sica que queria
e que ia usar o nome dele: C-O-O-K.
Decidiu adicionar um "E" para ficar apelativo, um toque de Chicago.
E assim lan�ou uma can��o, em 1957, chamada "You Send Me".
Isto � "You Send Me".
Tu mandas-me
Queria, tu mandas-me...
Apesar de ser apresentado de uma forma mais polida em "You Send Me",
ouvimos aspetos da sua experi�ncia com o gospel.
A s�rio que sim
No momento em que ele faz...
� simplesmente fant�stico, � a assinatura dele.
"You Send Me" � uma das m�sicas pop mais perfeitas da �poca.
� uma m�sica talvez demasiado pop para o Elvis Presley.
Quando anunciaram que iam receber o Sam Cooke no The Ed Sullivan Show,
soubemos que o disco era um �xito.
Os afro-americanos tinham muito orgulho nele.
Nem todos tinham televis�o, por isso, era perfeitamente normal
haver uma ou duas fam�lias com televis�o num bairro de negros.
Todos apareciam nessas casas s� para ver um negro na televis�o.
Senhoras e senhores, Sam Cooke!
Querida...
Est�vamos todos � espera, 30 ou 40 pessoas � frente da televis�o,
para ver o Sam.
Foi como ver Deus.
A s�rio que sim
� um disco de ouro para comemorar a venda de um milh�o de discos
do teu grande �xito "You Send Me", aqui est� ele.
Obrigado, Steve. Muito obrigado.
Certa noite, estava a cantar na igreja e pensei em arranjar um segundo emprego.
Tinha ouvido as hist�rias de sucesso de cantores como o Elvis Presley,
mas nunca pensei ser um desses t�o bem-sucedidos.
"You Send Me" entrou diretamente nos tops.
Por isso, ele decidiu fazer o que queria
e ir para onde queria.
O Dick Clark do American Bandstand tamb�m promovia concertos por todo o pa�s
e contratou o Sam Cooke para ir a Atlanta e dar um espet�culo ao vivo.
O Dick Clark influenciava muito a forma como os jovens ouviam m�sica americana.
O Sam Cooke tinha de ir �quele programa.
Na altura, o Sam foi o �nico cantor negro a ir ao programa
e os membros do Klan n�o gostaram disso.
De repente, surgiram amea�as do KKK
que sugeriam que talvez fosse melhor ele n�o atuar.
O Ku Klux Klan tinha acabado de bombardear uma sinagoga judaica,
sab�amos que n�o brincavam.
O Sam disse-nos que o Dick queria cancelar por receber muitas cartas amea�adoras
e por as pessoas dizerem que eles iam bombardear o est�dio,
se convidassem um negro, as coisas eram assim.
O Dick Clark fez o que um homem branco poderoso faria.
Ligou � Guarda Nacional para proteger as pessoas do KKK,
mas o Dick Clark n�o sabia,
o que os negros de Atlanta sabiam,
que tamb�m n�o se podia confiar na Guarda Nacional.
Era penetrante a este ponto.
Bem-vindo a bordo! � bom t�-lo c�, num s�bado � noite.
O Sam estava chateado, mas n�o tinha medo de ir a lado nenhum.
� o Sam Cooke!
O Sam foi na mesma.
Foi muito corajoso e destemido,
porque quebrou barreiras.
O Sam apercebeu-se logo que aquilo ia al�m dele.
O Sam Cooke diria que era um homem.
E que, enquanto homem negro, tinha a responsabilidade
de ir ao programa e quebrar as barreiras que conseguisse,
as barreiras que ajudasse a dissipar, mostrando o seu talento.
Ele era talentoso e podia competir com os melhores.
Havia um p�blico, entre os americanos brancos,
que tinha interesse em v�-lo l�.
LOS ANGELES, CALIF�RNIA 1957
SAM COOKE CASA-SE
Los Angeles, Calif�rnia, quando vivemos em Cleveland, Ohio...
... � o para�so.
Ele mudou-se para a Calif�rnia com todas as estrelas de cinema,
por isso, olh�vamos para ele como um homem de sucesso.
Ele podia ser o pioneiro.
The Arthur Murray Party!
Para come�ar, convid�mos um jovem cantor
que j� tem uma lista longa fant�stica de �xitos
e merece cada um deles!
� o Sam Cooke!
Mary, Mary Lou
Porque tens de fazer
As coisas que sempre fazes?
Lembro-me quando ele assinou com a RCA Victor.
Ele disse: "Acreditas que fiquei em segundo lugar,
a seguir ao Elvis Presley nas vendas?"
Gost�vamos do Elvis Presley, mas nunca pensei que o ia conhecer.
Um dia, o Sam disse: "O Elvis vem c�."
N�s fic�mos tipo: "O Sam est� a gozar!
O Elvis Presley n�o vem c� ter connosco."
Mas a verdade � que foi at� ao est�dio
e eu pensei: "O Sam conhece toda a gente!"
Vamos dar uma festa
Dan�ar ao som da m�sica
As pessoas pensam no Sam Cooke enquanto cantor.
Acho que n�o � reconhecido o suficiente como compositor.
Se ouvirem uma m�sica como "Having a Party"...
A Coca-Cola est� no frigor�fico
... t�m algumas vis�es da vida dele.
Queremos ir �quela festa.
Sentimos a alegria e a emo��o do que acontece.
Querida...
Estamos na pista de dan�a...
O Sam gostava do facto de, de repente, fazer parte de grupos exclusivos
com pessoas brancas influentes
que o podiam ajudar e com quem podia aprender.
Come�ou a mudar a ideia de quem ele era e da influ�ncia que podia ter.
A RCA construiu o est�dio na Sunset & Vine,
e eu fui o primeiro t�cnico a ser contratado.
Era muito f�cil trabalhar com o Sam.
Ele escrevia as can��es, cantava-as e sabia exatamente o que queria.
Pass�mos muito tempo juntos
e o Sam come�ou a fazer parte de mim, era como um irm�o para mim.
A casa em que vivo
Um terreno, uma rua...
Ele chegou a um ponto na carreira em que podia limitar-se a atuar
nos bares mais famosos de Nova Iorque, Los Angeles e Chicago.
Teria sido mais f�cil n�o voltar ao Sul.
Mas acho que era importante para ele manter essa liga��o
por ele, pelo p�blico dele, mas tamb�m para estar a par
do movimento dos Direitos Civis,
que n�o estava a acontecer da mesma forma no Norte e no Oeste.
� a Am�rica
Para mim...
A minha primeira digress�o foi com ele.
Est�vamos na Carolina do Sul.
O Sam perguntou se t�nhamos fome e n�s dissemos que sim.
Entr�mos num local pequeno e sent�mo-nos.
Mandaram-nos levantar.
Certo.
N�s pergunt�mos se nos iam atender e disseram para nos calarmos e esperar.
E eu, como sou desbocada, disse: "Sabe o que pode fazer?
Anote os pedidos e enfie-os..."
E viemos embora.
Dez minutos depois, um pol�cia veio em dire��o ao autocarro
e entrou no autocarro.
O Sam perguntou: "Em que posso ajudar?"
Ele respondeu: "Quero saber quem foram as duas gajas
que foram malcriadas para a empregada da taberna."
O Sam disse: "Primeiro, n�o h� gajas no nosso autocarro.
H� senhoras e senhores.
Este autocarro � meu, � propriedade privada,
por isso, pe�o-lhe que saia, por favor."
Ele pensou em quem era
e quem eram aqueles que o rodeavam.
E eles n�o iam aproveitar-se das pessoas que ele gostava.
Nunca esquecerei o dia em que n�o consegui cumprir
uma atua��o de uma noite, na Georgia.
Porque eu n�o andava nos autocarros do Jim Crow
e nenhum condutor de t�xi branco me levaria do aeroporto at� � cidade.
E os condutores de t�xis negros n�o podiam entrar no aeroporto.
Costum�vamos tocar em locais do Sul onde os p�blicos,
apesar de estarem integrados, estavam segregados.
As pessoas brancas ficavam em cima
e os negros ficavam em baixo ou vice-versa.
Ou havia um palco no centro de um recinto
e os brancos ficavam de um lado e os negros, do outro,
sem olhar uns para os outros.
Havia placas que diziam: "Entrada geral: 2,50 d�lares.
Espetadores brancos: 1,50 d�lares."
Eles sentavam-se nos lugares de cima e viam os negros a dan�ar.
Era repugnante.
Algu�m ama-te de verdade
Adivinha quem �
Ele tinha um amigo, o Jesse Belvin.
Em fevereiro de 1960,
o Jesse fez a primeira atua��o integrada, no Arkansas.
Foi muito importante.
Ap�s a atua��o terminar, cada um foi para o seu lado
e, ap�s meia hora na estrada, o Jesse Belvin teve uma colis�o frontal.
E foi fatal.
O Jesse Belvin, a mulher e tr�s pessoas morreram.
Primeiro, pens�mos que tinha sido um acidente.
Mas, mais tarde, descobrimos que o pneu foi cortado por pessoas locais.
Foi um grande choque, porque ele tinha um futuro promissor.
� �bvio que foi uma mensagem.
Acho que o Sam viu o potencial e queria que ele fosse mais famoso
e, daquela forma terr�vel, ele foi travado, ele morreu.
J� n�o tinha com ele apenas o Emmett Till,
tamb�m tinha o Jesse Belvin com as coisas que queria fazer
e as formas como queria acabar com o racismo.
MEMPHIS LIMITES DA CIDADE
No dia 12 de maio de 1961,
atu�mos no Memphis Civic Auditorium.
O Sam Cooke, o Jackie Wilson. Eram, pelo menos, 12 artistas.
Por isso, o Sam perguntou ao respons�vel se os negros se iam sentar no audit�rio.
O tipo disse que iam ficar atr�s e na bancada, n�o podiam estar � frente.
Ent�o, o Sam disse:
"N�o posso atuar aqui."
O Sam disse:
"Que aspeto d�?
Sou uma estrela.
Sou conhecido no mundo inteiro...
... mas no meu pa�s...
... aguento este tipo de merdas.
N�o vou atuar enquanto o meu povo est� na bancada.
As pessoas na parte de baixo podem dan�ar e divertir-se,
mas o meu povo n�o pode dan�ar?
N�o quero saber dos outros, n�o alinho nesta merda."
O Sam reuniu todos os artistas
para boicotar o espet�culo.
Todos concordaram.
"Sim, tens raz�o, Sam. Tens raz�o. N�s apoiamos-te."
Volt�mos para o hotel.
Eu passei por Beetle Street para comprar bourbon.
Deitei-me e dormi uma sesta.
Mais tarde, levantei-me...
... e todos tinham desaparecido.
Tinham voltado para o audit�rio.
Fui at� ao quarto do Sam.
Estava no quarto e tinha, nunca me vou esquecer, uma t-shirt branca
e estava a ver televis�o.
Eu disse-lhe que tinham todos ido embora,
apesar de dizerem que o apoiavam.
Ele respondeu: "Eu sei, mas eu n�o vou."
N�o sei se a morte do Jesse Belvin
influenciou o desfecho do boicote que o Sam tentou organizar,
porque eles tinham medo do que lhes podia acontecer.
Ele arriscou muito.
Podia ter sido ferido ou ter morrido l�, naquela altura.
Foi ent�o que o vi num estado diferente. Nunca o tinha visto assim.
O hotel chamava-se Lorraine.
O mesmo hotel onde o Martin Luther King foi assassinado uns anos depois.
Sempre detestei pessoas de qualquer cor, religi�o ou nacionalidade
que n�o t�m coragem de se impor e fazer alguma coisa.
� algo dif�cil de fazer.
Espero que, ao recusar atuar para um p�blico segregado,
ajude a acabar com a segrega��o racial aqui.
E, se me voltarem a contratar, n�o ser� necess�rio fazer o mesmo.
O Alabama deixou-me chateada
O Tennessee n�o me deixou descansar
Todos sabem sobre o Mississ�pi, raios!
Durante aquela altura, havia grandes artistas.
Por exemplo, a Nina Simone.
A m�sica era banida de algumas partes do pa�s
devido �s posi��es pol�ticas.
Por isso, o Sam arriscou muito ao dizer que n�o atuava num espa�o segredado.
Especialmente por ser t�o famoso.
� o som dos homens Nos trabalhos for�ados
As pessoas n�o entendiam que o Sam tinha preocupa��es pol�ticas.
S� o ritmo da m�sica "Chain Gang" tem logo impacto
nas gera��es de pessoas negras que conhecem s�tios como Parchman
e outras pris�es.
E, no entanto, h� fotos do Hugo e Luigi, os dois produtores dele, e do Sam Cooke
vestidos comicamente com uniformes pretos e brancos.
� uma forma de pegar nesta can��o e lev�-la at� aos americanos brancos,
mas tamb�m expressa uma cr�tica muito espec�fica
ao complexo prisional industrial no final dos anos 50,
que � ouvida de forma muito diferente pelo p�blico branco e negro.
Houve poucos exemplos de artistas negros
que conseguiam mudar assim
e ser reconhecidos no mundo dos negros e dos brancos e ainda serem homens.
As pessoas brancas t�m de procurar nos seus cora��es
por que raz�o foi necess�rio criarem os negros.
Eu n�o sou um negro.
Sou um homem.
Se n�o sou o negro aqui,
e se voc�s, as pessoas brancas, o inventaram,
ent�o t�m de descobrir a raz�o.
O James Baldwin era um dos autores preferidos dele.
Chamou a aten��o dele.
O Baldwin era um escritor profundo.
Eu compreendo
porque � que o Sam o respeitava e captava o seu significado e contributo.
Ele dizia-nos para ler.
N�s n�o quer�amos saber de livros nem nada.
S� quer�amos cantar e aparecer na televis�o e assim.
Mas ele insistia que isso n�o era tudo, que t�nhamos de ser instru�dos.
O pa�s declarou arbitrariamente
que o cabelo afro, pele escura, nariz largo e l�bios grandes
s�o coisas horr�veis para se ter.
O Sam fez com que os homens negros come�assem a usar afros.
O meu amor n�o sabia dan�ar o chachach�
Eu disse-lhe...
Antes, trat�vamos do cabelo.
Us�vamos o cabelo penteado para tr�s e coisas do g�nero.
O Sam disse que n�o ia ser assim.
Ela gosta do chachach�
Ele apareceu na televis�o e a m�e dele quase desmaiou por causa do cabelo!
Ela n�o gostou e disse:
"Vejam o meu rapaz!"
IRM�O
O Sam falava com o L.C.
para deixar de tratar o cabelo e andar com ele ao natural.
Ele sentia que fazia parte da hist�ria dele.
Da cultura dele.
A mudan�a foi imediata.
Todos os homens negros come�aram a usar afros.
O Sam era influente.
Est�vamos em Atlanta
e, entre concertos, ele ia ao quiosque e comprava todas as revistas.
Um dia, comprou uma revista de boxe.
E viu um homem.
Eu disse: "Sam, este mi�do � brutal."
Ele disse: "Tr�-lo c�."
Eu perguntei: "Como assim?" E ele: "Diz que eu te mandei."
Meu Deus!
Bati � porta dele, o irm�o Rudy abriu-a e eu disse:
"Vim pelo William Morris." Ele fechou a porta na minha cara.
E eu disse:
"Sam Cooke!"
E a m�e dele disse:
"Deixa o rapaz entrar."
A m�e dele n�o parava de falar no Sam.
Por isso, concord�mos fazer um �lbum
e eles deram-se mesmo bem.
O Sam � que orientava.
Este � o Sam Cooke, terrivelmente bonito como eu.
Estamos a trabalhar num disco chamado "The Gang's All Here".
Querem mostrar-nos um pouco desse disco?
Seria melhor se tiv�ssemos a m�sica aqui, mas vamos tentar.
Ei, ei, o gangue est� todo aqui
Junta-te � divers�o!
Ei, ei, o gangue est� todo aqui
Vamos ser como um s�!
Toca a repetir!
A alegria e o riso que fizeram sobressair um no outro,
mostraram v�rias emo��es juntos.
Uma esp�cie de homens negros livres.
N�o era algo...
... que v�ssemos muito na Am�rica, naquela altura.
At� ent�o, v�amos sempre imagens muito cru�is e estereotipadas
de pessoas negras que eram bobos e palha�os
com express�es faciais exageradas e olhos arregalados.
Vamos ser como um s�!
Gostaram?
Vamos pensar no Michael Jackson ou no Prince Rogers Nelson em crian�a,
que teriam cinco ou seis anos
e sentavam-se a ver estes dois homens na televis�o.
O Ali e o Sam Cooke representavam uma possibilidade.
Havia outra forma de eles estarem no mundo,
al�m da forma que o mundo estabeleceu que os homens negros tinham de ser.
Transformou as perce��es sobre o que masculinidade negra era.
Muito discretamente, o Cassius Clay estava a ser orientado por Malcolm X,
um l�der negro destemido e muito temido na Am�rica
que dizia a verdade ao poder.
N�o � �dio dizer que fomos raptados e trazidos para c�,
que fomos controlados pelo Jim Crow, discriminados e segregados, � verdade.
O Sam Cooke ainda n�o conhecia o Malcolm X,
mas tinha visto como a Na��o do Isl�o agia,
como lidava com a supremacia branca e achou aquilo muito interessante.
Come�ou a prestar aten��o ao Malcolm X e acabaram por se tornar amigos.
Os homens negros deviam ajudar a controlar a economia
da suposta comunidade negra.
Deviam estar a desenvolver conhecimento que os permita
ter e operar os neg�cios e, assim, serem capazes de criar empregos
para o seu povo, para a sua ra�a.
Tal como o movimento dos Direitos Civis, dizia: "Porque n�o n�s?"
Acho que o Sam dizia a mesma coisa como empres�rio negro:
"Porque n�o n�s?"
O meu homem tem um cora��o...
Cantores negros de blues, jazz e artistas de rock and roll
que n�o ganhavam nada com a m�sica.
Era tipo uma parceria, n�s faz�amos o trabalho todo.
Invest�amos a nossa criatividade e energia e, depois, outra pessoa beneficiava disso.
As editoras vigarizavam os compositores.
Compravam as m�sicas deles por 25 d�lares que se tornavam �xitos.
No sil�ncio da noite...
Os m�sicos negros n�o eram tratados de forma justa.
Em vez de receber royalties, recebiam coca�na.
Era assim que as coisas eram, na altura.
Um rapaz de Filad�lfia disse:
"Sam, a RCA Records, provavelmente, est� a roubar-te, sabias?
Tenho um amigo contabilista que te quero apresentar."
O Allen Klein era contabilista em Nova Iorque.
O Klein tinha ouvido conversas sobre o desagrado do Sam
com os pagamentos de royalties da RCA.
Ent�o, o Allen Klein fez uma auditoria � RCA Victor...
... e deu muito dinheiro ao Sam.
O Sam era muito generoso e sempre tomou conta,
n�o s� da mulher e dos filhos, mas tamb�m da fam�lia em Chicago.
Ele podia ter tido uma excelente carreira como cantor,
mas ele sempre achou que havia mais e estava sempre � procura de mais,
porque pensava no panorama geral.
O J.W. Alexander era membro dos Pilgrim Travelers
e quando o grupo acabou,
ele criou uma editora discogr�fica.
Ele disse: "Sam, escreves muitas m�sicas.
Tens de criar uma editora, porque � onde est� o dinheiro e o poder."
O Sam respondeu: "Se vamos criar uma editora,
porque n�o tamb�m criar um est�dio e gravar os nossos artistas?
E assim come�ou a parceria.
- Johnnie? - Ei!
Quero que digas isto.
Mas todos t�m um sorriso!
- Mas todos t�m um sorriso! - Muito bem, estamos prontos.
Ele foi o Berry Gordy antes do Berry Gordy.
Quando o Sam come�ou a SAR Records com o J.W. Alexander.
O objetivo da SAR Records era dar, a artistas de gospel que o Sam conhecia,
uma oportunidade para gravar discos pop, talvez fazer crossover.
Teve o Johnnie Taylor e o Mel Carter.
E eu adorava os The Valentinos, adorava-os.
Na m�sica "I'm Lookin for a Love", o Bobby parecia mesmo o Sam.
Estou � procura, � procura, � procura � procura de um amor para mim
Algu�m para acordar comigo de manh�
O Sam Cooke e o J.W. Alexander eram bons homens de neg�cios,
mas eu sei que o mais importante
era tentar ajudar os artistas.
Eu sei que ter uma editora discogr�fica �, muitas vezes, um mau neg�cio.
Mas a minha editora foca-se em gravar artistas negros
que eu acho que t�m potencial para ter tanto �xito como eu.
Se perder alguns d�lares neste percurso, no final, vai valer a pena para mim.
Moralmente, � um projeto compensador.
O primeiro �xito dos Rolling Stones n�o foi "Satisfaction".
Foi "It's All Over Now".
Porque eu amava-a
Mas agora acabou
Poucas pessoas sabem que essa m�sica foi escrita
pelo Bobby Womack,
que era membro dos The Valentinos,
um grupo que tinha contrato com a editora do Sam Cooke.
O facto de eles conhecerem o Sam Cooke e admirarem tanto a m�sica dele
e o facto de quererem gravar algo de um artista ligado ao Sam Cooke
n�o � surpreendente.
A SAR Records e o Sam Cooke...
... eram uma amea�a para as outras editoras do pa�s.
O objetivo da editora era tornar os artistas t�o importantes como o dono
e n�o os tratar como cidad�os de segunda categoria.
Ele era muito progressista em rela��o � ind�stria e controlo do dinheiro.
� o que tornava o Sam Cooke t�o perigoso.
O que queria que lhe acontecesse, se pudesse escolher?
O que mais queria
era que todos os meus artistas tivessem �xitos!
Mas apesar de ele ter feito coisas consideradas como emancipa��o dos negros,
criou o est�dio e a editora discogr�fica,
ao mesmo tempo,
ele debatia-se com: "Como posso ser aut�ntico e dizer a verdade
em rela��o ao que se passa?"
Quantos caminhos Tem um homem de percorrer
Antes de lhe chamarem "homem"?
� dif�cil cantar "Everybody Likes to Cha-cha-cha"
quando havia can��es como "Blowing in the Wind".
A combina��o de um irm�o judeu, o Bob Dylan, e aquela m�sica,
e a jun��o de pessoas negras e brancas e outras pessoas,
em locais como a Marcha de Washington
deram for�a ao Sam
para, nas atua��es, come�ar a cantar m�sicas como "Blowing in the Wind".
Quantas vezes pode uma montanha existir
Antes de ser levada pelo mar?
Digam-me
Quantos anos podem algumas pessoas existir
Antes de poderem ser livres?
Apesar de ter um ritmo acelerado, para n�o apanharem facilmente a letra,
aqueles que percebiam sabiam que estava a cantar um tema pol�tico.
A resposta, meu amigo Voa com o vento
A resposta voa com o vento
O Sam ficou comovido com as ideias de "Blowing in the Wind",
mas tamb�m envergonhado.
Porque � que � o Bob Dylan, um artista branco,
que fala para multid�es sobre uma mudan�a social neste momento,
durante o movimento dos Direitos Civis?
Porque n�o vemos artistas negros a fazer isso?
Houve alturas em que pensei
Que n�o aguentava tanto tempo...
Eu estive presente quando gravaram "A Change is Gonna Come".
Fiquei todo arrepiado.
Ele queria escrever m�sicas assim
e foi fant�stico o qu�o bem ficou.
J� esperamos h� muito, muito tempo
Mas eu sei que vem a� uma mudan�a
� medida que um cantor envelhece, as suas ideias tornam-se mais profundas,
porque ele vive a vida e compreende melhor o que quer dizer.
Se um cantor tentar descobrir o que se passa na vida,
tem uma no��o melhor sobre como contar a hist�ria da m�sica que quer cantar.
Eu disse-lhe que a m�sica era sinistra.
Fazia lembrar a morte ou assim.
Ele disse: "De certa forma, � a morte, a morte do velho eu
e o nascimento do novo eu."
Ele disse: "Foi nisso que pensei, quando escrevi esta m�sica,
vai acontecer, mas eu quero ajudar isso a acontecer."
N�o h� d�vida de que o Sam se focou mais no movimento,
porque a satisfa��o dos �xitos n�o era suficiente.
Tal como os touchdowns n�o me chegavam.
Jimmy Brown dos Browns vai diretamente pelo centro
com uma bela corrida.
E as pessoas famosas que se transfiguravam
tinham uma certa press�o: v�o ser cuidadosas?
Ou v�o ser verdadeiras? V�o ser reais?
T�TULO MUNDIAL DE PESOS-PESADOS SONNY LISTON CONTRA CASSIUS CLAY
Preparem-se!
CLAY CONTRA LISTON, PESAGEM 25 DE FEVEREIRO, 1964
Eu sou o campe�o!
Eu, o Sam e v�rias pessoas fomos ver o combate.
De repente, havia mu�ulmanos � nossa volta.
O Malcolm X estava l�, eu cumprimentei-o.
O Malcolm X, o Sam Cooke, o Ali e eu.
Era uma experi�ncia rara para todos, estar juntos no mesmo lugar.
Est� quase tudo pronto para o combate do T�tulo Mundial de Pesos-Pesados!
Quando soube que o Jim Brown, o Sam Cooke,
o Muhammad Ali, ou Cassius Clay,
e o Malcolm X estavam ligados,
pensei que era uma liga��o fant�stica,
mas uma grande amea�a para a Am�rica, naquele momento.
O Malcolm X era o mais velho, o te�rico pol�tico.
O Sam Cooke tinha apenas 33 anos,
era um cantor famoso, mas tamb�m um g�nio dos neg�cios, certo?
Os outros dois eram atletas profissionais na casa dos 20
que eram jovens e adorados pelas pessoas brancas.
Vemos aqui um momento interessante numa primeira fase do poder negro.
Eu sou o maior!
Que se passa? Isto n�o...
Esta � a lenda de Cassius Clay!
O lutador mais bonito do mundo!
Vejam-no a bocejar!
Este ousado jovem pugilista � algo de especial
e o T�tulo Mundial de Pesos-Pesados � o seu destino!
Ele � o maior!
Talvez acabem com isto. Talvez fiquemos por aqui!
Levanta-te, Joe!
O Sam Cooke estava � frente
e viu o Clay a tornar-se Campe�o Mundial de Pesos-Pesados.
O Clay gritou para os jornalistas de desporto:
"Eu disse-vos!" Apontava o dedo.
E gritou:
"Sam Cooke! O Sam Cooke � o maior!
Vem, Sam. Vem c�!"
Deixem esse homem passar, � o Sam, � uma estrela do rock and roll.
Este � o Sam Cooke.
� o Sam Cooke, um grande amigo do Cassius, com licen�a.
Afastem-se, por favor.
- �s lindo! - Abalei o mundo?
Naquela noite, acab�mos num motel para negros.
Tornou-se hist�rico.
Partilh�mos pensamentos.
Marcar uma posi��o era muito importante para n�s,
porque nos op�nhamos � cidadania de segunda classe
e a sermos considerados inferiores.
Ao sermos frontais arrisc�vamo-nos a perder dinheiro
e popularidade no centro da Am�rica...
Mas aqueles que l� estavam,
naquela noite, n�o queriam saber disso.
Fal�mos sobre tomar uma posi��o como ser humanos e exigir os direitos.
A energia de homem negro que o Sam Cooke tinha,
que o Malcolm X tinha, que o Cassius Clay tinha,
infelizmente para alguns no poder, neste pa�s,
representava uma amea�a que tinha de ser travada.
Por isso, havia informadores � volta deles.
E mal n�s sab�amos que, um ano depois disso,
tanto o Sam Cooke como o Malcolm X estariam mortos.
O Malcolm X e o Muhammad Ali eram vigiados pelo FBI.
Por isso, o Sam Cooke foi apanhado no meio disso.
Nestes documentos do FBI, ele � uma estrela negra de Los Angeles
que passa tempo com os mu�ulmanos, era o Sam Cooke.
Queriam saber se fazia algo amea�ador em termos pol�ticos.
O J. Edgar Hoover estava sempre preocupado e com receio
da radicaliza��o das pessoas negras.
Ao olhar para estes quatro homens, o Sam Cooke � o mais perigoso para ele,
porque j� est� nas salas dos americanos brancos.
No dia seguinte, o Cassius Clay anunciou que se passou a chamar Muhammad Ali.
Clay era um nome de branco, um nome de escravo.
J� n�o sou o Clay, j� n�o sou um escravo.
Agora, sou o Muhammad Ali.
Ele � um jovem com uma vida honesta
e isto � o principal que o honrado Elijah Muhammad
ensina ao espalhar a religi�o do Isl�o entre o nosso povo, neste pa�s.
Vimos uma foto do Sam com o Malcolm X
e pergunt�mos-lhe se estava a pensar tornar-se mu�ulmano.
Ele disse que n�o.
O Sam foi atra�do pela parte econ�mica.
Ser dono e senhor de si pr�prio.
N�o v�amos os mu�ulmanos de forma espiritual.
Era mais educacional.
Sobre independ�ncia.
Era disso que se tratava.
De certeza que as pessoas do marketing estavam preocupadas
por o Sam andar com o Malcolm X.
Deviam recear perder grande parte do p�blico do Sam.
A RCA n�o queria que o seu principal artista
falasse desse tipo de pol�tica.
Por isso, um segundo verso de "Change is Gonna Come"
ficou conhecido por ser eliminado quando a m�sica foi lan�ada.
Falava, explicitamente, sobre a segrega��o
e a segrega��o do Jim Crow no Sul.
E eu vou at� ao centro
Est�o sempre a dizer-me "N�o andes por aqui."
Isto explica muita coisa.
A editora eliminou esse verso, porque estavam preocupados
com a rea��o do p�blico em rela��o ao verso pol�tico da can��o.
Naquele momento, na carreira dele, o Sam era um �cone da m�sica,
um her�i cultural que tinha alcan�ado as audi�ncias dos brancos.
Ele tinha esse tipo de audi�ncia garantida
e podia fazer uma atua��o como o Copa e obter muito sucesso.
No entanto, ele nunca deixou a audi�ncia dos negros.
Ouvimos isso em "Live at the Harlem Square"
e "Bring It On Home To Me",
� um momento fant�stico e poderoso naquele disco.
Serei sempre o teu escravo
At� estar enterrado Enterrado na minha sepultura
Mas enquanto viver Tr�-lo at� mim
H� algo especial no �lbum Harlem Square que � muito mais sombrio e negro.
Est�o todos comigo, esta noite! Quero ouvir-vos a dizer que sim
H� algo terrivelmente tr�gico
no facto de n�o termos ouvido o �lbum Harlem Square at� 1985.
Acho que h� v�rias raz�es pelas quais n�o foi lan�ado na altura.
A RCA n�o se relacionava com ele a n�vel comercial.
Esque�am o demasiado R&B, demasiado negro, o que fosse.
N�o era aquele homem que queriam que tocasse Vegas e The Copa.
O Sam tamb�m queria fazer isso,
mas achava que havia espa�o para ambas as coisas.
A ind�stria n�o.
Quanto mais afastavam isso, mas o Sam insistia nisso,
porque ele tinha de ser quem era, tinha de fazer isso.
Estas coisas foram importantes para ele por muito tempo.
O Sam queria construir um imp�rio.
Ele achava que conseguia
e n�o tinha receio de o fazer.
O Sam tinha imaginado juntar todos os artistas importantes,
como Jackie Wilson e James Brown,
para juntar dinheiro para criar uma editora discogr�fica
e uma ag�ncia num s� espa�o.
A m�fia esteve sempre envolvida na ind�stria discogr�fica.
Porque � um neg�cio lucrativo.
Ele recebia chamadas e tinha visitas de pessoas da m�fia
que queriam uma parte dos neg�cios dele.
Uns homens apareceram no camarim do Sam
e ele n�o nos deixou sair de l�.
Ele disse: "O que tiverem para dizer, digam � frente dos meus irm�os."
Eles disseram: "Escuta, Sam,
soubemos que queres come�ar um sindicato dos m�sicos
e queremos que esque�as isso."
Ele disse: "V�o-se foder!
N�o quero saber dessa merda.
Eu vou fazer o que quiser."
O Sammy Davis at� ligou ao Sam e disse:
"Tens de os levar a s�rio, eles n�o est�o a brincar."
Foi muito corajoso e assustador tamb�m, porque muitas pessoas pensaram:
"N�o, meu, n�o te metas com eles.
Eu n�o quero morrer."
Recebi uma chamada.
Queriam que ele fosse para casa.
Imediatamente. Havia um problema.
Ele foi para casa e soube que o filho morreu.
O Vincent estava...
... ao p� da piscina.
A mulher do Sam foi a casa, durante um bocado,
ele caiu � piscina...
... e morreu.
Isso afetou imenso o Sam.
S� conseguiu falar sobre o assunto passado muito tempo.
Era um assunto delicado.
N�o gostamos de falar dessas coisas com ningu�m.
Sempre que entrava em casa, passava pela piscina,
pelo jardim da frente onde o filho morreu.
Ele n�o teve muitos dias tranquilos em casa, depois disso.
Afetou imenso o casamento dele.
Muitas vezes, sentava-me na mesa de jantar
e o Sam levantava-se para sair.
A Barbara suspeitou do que ele fazia. Todos sab�amos.
Ele era mulherengo.
Come�ou a beber mais Beefeaters.
Ele...
Aquilo mudou-o.
Ap�s a morte do Vincent, ele dedicou-se totalmente ao trabalho.
Quis ir em digress�o de imediato.
Eu sei, eu sei, eu sei Um anel que roda
N�o tem fim
E...
Quando um beb� dorme
N�o chora
Um beb�...
Ele escondia a dor e a perda da sua vida, a perda do filho.
Juntamente com a press�o adicional por ser o Sam Cooke,
por ser famoso, por ser uma celebridade, por ser,
o que a maioria dos brancos achava, um exemplo para a ra�a.
Isso tem um pre�o.
Chegou a altura de renegociar na RCA,
por isso, o Allen Klein, o manager do Sam, disse: "Vamos fazer assim.
Vou renegociar o contrato."
E assim surgiu a ideia de criarem a sua pr�pria editora
separadamente da RCA
e, depois, alugar o material � RCA.
A editora chamava-se Tracey Limited
e Tracey era o nome da filha do meio do Sam.
O que explicaram ao Sam
foi que que este seria um neg�cio
cujo propriet�rio seria ele.
O Sam teria os direitos dos materiais gravados
e seria respons�vel pelo est�dio, que era algo que ele queria muito.
Naquela altura, o Sam estava acamado.
Tinha gripe.
Esse per�odo de tempo deu-lhe a oportunidade
de ler os documentos
e ele percebeu que havia coisas que estavam mal
em rela��o � posse do seu neg�cio.
Ele apercebeu-se de que as coisas estavam muito mal.
Imagino que tenha sido um grande choque
quando ele percebeu que todos os documentos
faziam do Allen Klein o propriet�rio da Tracey Limited,
fazendo com que o Sam
fosse um empregado do Allen Klein.
Antes de morrer, o Sam disse-me: "Vou deixar aquele anormal."
Naquela quinta-feira, ele disse que ia para Nova Iorque na segunda.
Ia fazer muitas mudan�as, incluindo despedir o Allen Klein,
mas n�o sobreviveu ao fim de semana.
Eu e o Sam t�nhamos combinado encontrar-nos para jantar, naquele dia,
no Martoni's, um local frequentado por m�sicos em Cahuenga.
Tinha levado a minha esposa da altura comigo, a Joan.
O Sam tinha bebido alguns mart�nis.
Ele gostava muito de mart�nis.
Est�vamos a falar
sobre fazer um �lbum de blues.
O Sam tirou um grande ma�o de dinheiro do bolso,
mesmo muito dinheiro,
e disse ao Al:
"Acabei de chegar e olha o que tenho."
Ou "olha o que ganhei". Algo do g�nero.
E o Al disse-lhe: "N�o exibas o teu dinheiro aqui.
Volta a guard�-lo no bolso, n�o o exibas."
O Sam riu-se, porque ele pensava
que ningu�m iria tentar roubar o Sam Cooke.
Na mente dele, ele era invenc�vel.
Quando �amos embora, o Sam foi at� ao bar
e estava l� uma mulher.
Quando fomos embora, lembro-me que ele ficou no bar.
A conversar, a rir e assim.
Bom...
Passaram-se v�rias coisas
depois do que aconteceu.
O n�mero � PL79984.
- � 79984? - � o n�mero da cabina onde estou.
Em que rua est�?
- N�o sei. - Qual � o seu problema?
Bom, eu fui raptada.
- Foi raptada? - Sim.
N�o faz ideia de onde est�?
N�o, est� muito escuro aqui.
Pode ficar na cabina telef�nica?
- Sim. - Vou descobrir onde est�.
- N�o saia da�. - Est� bem.
- Pronto. - Adeus.
Como se chama?
Eu e a Joan cheg�mos a casa, fomos dormir e o telefone tocou �s 5h.
Disseram que o Sam Cooke foi alvejado.
Fui para a esquadra
para saber mais detalhes do que se tinha passado.
O sargento perguntou: "Que se passa aqui?
Recebemos chamadas de todo o lado! At� de Londres.
Quem � o Sam Cooke?
Mais um negro assassinado em Watts. O que tem de especial?
Eu disse-lhe que era um idiota.
Fui para o departamento policial de Los Angeles em maio de 1959.
A postura da Pol�cia de 77th Street em rela��o � comunidade negra
era simplesmente repressiva.
Os negros e os asi�ticos s�o todos iguais, certo?
A hist�ria oficial � que o Sam saiu na noite do dia 10 de dezembro
e conheceu uma mulher chamada Lisa Boyer,
num restaurante chamado Martoni's.
Eles foram embora juntos e foram para o Motel Hacienda.
E ele arrastou-me para o quarto.
Eu comecei a falar muito alto e pedi para me levar para casa.
Ele fechou a porta a trinco
e...
... empurrou-me para a cama.
Ele disse: "Vamos apenas falar."
Eu sabia que ele me ia violar.
Quando ele foi � casa de banho, peguei na minha roupa, sapatos e mala,
abri o trinco e fugi.
Ela pegou nas cal�as dele...
... e fugiu.
Por isso, ele foi ter com a gerente
e come�ou a bater na porta, porque pensou que a rapariga estava l�.
A senhora Franklin declarou que o falecido foi at� � porta
e come�ou a bater e a gritar, perguntando se a sua amiga l� estava.
Naquele momento, o falecido...
... arrombou a porta.
Agarrou os meus bra�os, torceu-os e perguntou pela rapariga.
Eu comecei a dar pontap�s e talvez o tenha mordido, n�o sei,
mas tentei mord�-lo atrav�s do casaco.
- Tentou morder o Sr. Cooke? - Sim, eu debati-me, arranhei e mordi.
Fiz isso tudo.
Por fim, levantei-me e fui buscar uma arma.
Comecei a disparar.
Quantas vezes disparou?
Tr�s vezes.
Sabia que tinha atingido o Sr. Cooke?
Sim, porque ele disse: "Senhora, alvejou-me."
N�o acreditei que o Sam tinha morrido como diziam.
N�o fazia sentido para mim nem para o pai dele.
Eu n�o acredito nessa hist�ria.
N�o parecia algo que ele fizesse, de todo.
Nunca o vi a ser agressivo com uma mulher.
O Sam n�o era assim.
� tudo treta.
Ele n�o era o tipo de homem que tinha de dominar os outros.
Nunca vi o Sam a agir assim.
Viemos a saber que ela era uma prostituta de Hollywood.
Surgiu a ideia de que a mulher tinha l� ido antes
e atirou as cal�as dele pela janela, com o dinheiro todo, da cama.
Os cinco mil d�lares de que fal�mos.
Algu�m estava l� fora, o chulo dela,
que agarrou as cal�as e ela fugiu com essa pessoa.
Dizia-se que a Bertha estava metida com a m�fia.
Que era uma chula ou algo assim.
O disparo de Bertha Franklin sobre Sam Cooke
foi considerado homic�dio justificado.
E ningu�m acreditou.
N�o parecia que ele era o tipo de pessoa que fosse alvejado da forma que foi.
Tinha de haver mais alguma coisa
e isso alimentou a ideia de isto ser uma conspira��o.
MILH�ES REJEITAM VEREDICTO
O Elvis acreditava
que a ind�stria da m�sica achava que o Sam estava a ficar muito poderoso
e tinha de ser travado.
Era isso o que muitas pessoas da comunidade negra achavam.
Que ele era um homem negro que n�o sabia qual o seu lugar
e para ser travado tinha de ser assassinado.
Eles n�o se importavam que o Sam passasse despercebido
e fosse bem-sucedido sozinho.
O problema � que demasiados artistas estavam a observar e a escutar o Sam.
Era esse o problema.
MANAGER CONTRATA DETETIVE
H� outra teoria de que o Allen Klein matou o Sam Cooke.
Bom, segundo soube...
... ele discutiu com o Allen,
talvez dois, tr�s dias antes.
O Allen Klein adorava o Sam Cooke, mas tamb�m era um ladr�o.
Usou o amor dele para lhe roubar as can��es.
O Klein ia tirar-lhe tudo.
Fez uma coisa parecida com os The Rolling Stones
e foi um dos respons�veis pelo fim dos The Beatles.
O problema � que, em 1964,
o Allen Klein n�o tinha o poder suficiente para preparar um homic�dio complexo,
onde a Pol�cia tamb�m fazia parte.
E o procurador.
O Allen Klein ainda n�o tinha esse poder.
Regressava de Nova Iorque de avi�o,
j� n�o via a Barbara h� algum tempo
e recordo-me que ela disse: "Vendi o trabalho do Sam.
E deram-me 50 mil d�lares."
Uma quantidade rid�cula de dinheiro.
� �bvio que vale milh�es e milh�es de d�lares.
Kags, uma editora discogr�fica, e a SAR Records
foram para o Allen Klein.
O J.W. Alexander morreu falido.
� desigualdade.
Algu�m estava numa posi��o de se aproveitar e foi o que fez.
� sofrimento a dobrar.
O sofrimento de perder o Sam
e o sofrimento de perder aquilo pelo qual trabalhou,
aquilo que ele era, aquilo pelo que lutou.
TRAG�DIA DE SAM COOKE ENVOLTA EM PROCESSOS, INTRIGA, VIOL�NCIA
Quer tenha havido ou n�o uma conspira��o,
n�o saberemos, porque n�o fizeram uma investiga��o minuciosa.
Para muitas pessoas da Pol�cia de LA, que estavam a investigar este caso,
vou ser muito sincero,
o Sam Cooke era s� mais um negro e isto era apenas mais merda de negros.
E n�o merecia mais aten��o do que aquela que teve.
Quando vemos algu�m t�o importante como o Sam Cooke
ser assassinado daquela forma em circunst�ncias misteriosas,
e nem a vida dele � valiosa o suficiente para ser feita uma investiga��o a s�rio
pela Pol�cia de Los Angeles,
n�o � surpreendente que, at� hoje, haja muitas pessoas que acreditam
que houve uma esp�cie de encobrimento, uma conspira��o
� volta da morte do Sam Cooke.
Que mais podemos pensar, dado o nosso passado na Am�rica,
a nossa rela��o com a Pol�cia em todo o pa�s
e o facto de que se formos uma pessoa negra que diz o que pensa,
seja como for,
que faz qualquer coisa que emancipe a comunidade negra
somos, automaticamente, um alvo.
Se transport�ssemos o presente para aquela altura,
dir�amos que as vidas dos negros importam.
Certo?
Em 1964, nem a vida do Sam Cooke importava.
Certo?
Por isso,
� dif�cil ultrapassar isso.
Se acho que os eventos do Sam Cooke
e a atitude da institui��o contribu�ram para os motins que se seguiram?
Bom, sem d�vida.
Sem d�vida.
N�o quero dizer que a morte do Sam Cooke causou os motins de Watts.
N�o quero dizer isso.
Mas a morte do Sam Cooke � um grande exemplo de um milh�o de coisas
que causou a insatisfa��o das pessoas negras na Am�rica.
As pessoas que foram assassinadas, escravizadas e detidas,
tudo isso � a raz�o.
E o Sam Cooke � outro exemplo disso.
Os negros n�o confiam na Pol�cia.
Por uma boa raz�o.
Para muitas pessoas, n�o � totalmente inconceb�vel
que o FBI esteve, de certa forma, envolvido na morte do Sam Cooke.
Que lhe armaram uma emboscada,
que ele foi assassinado porque se estava a tornar amea�ador
devido ao trabalho que fazia, �s pessoas com quem estava associado
e a m�sica que ia come�ar a fazer.
Uma pequena reuni�o � uma coisa.
Outra coisa � lan�ar uma m�sica que vender� milh�es de discos,
que passa na r�dio e toda a gente vai ouvir e interiorizar.
Fosse verdade ou n�o...
... as pessoas acharam que o governo esteve envolvido.
Em pouco tempo,
Medgar Evers, Sam Cooke,
Malcolm X,
e, um pouco mais tarde, King,
Langston Hughes n�o � assassinado pelo estado,
mas s�o perdas reais.
Algo muito...
... poderoso, importante e �ntimo dos negros
se perde com essas mortes.
� uma coisa que os americanos brancos nunca v�o entender.
O que sabemos � que nunca o vimos no seu potencial m�ximo como artista,
pensador e ativista
que, se tivesse vivido, teria influenciado muito a pr�xima gera��o
de artistas, pensadores e ativistas.
Pod�amos ter tido um monumento do que estava para vir.
"A Change is Gonna Come", � isso. Mas � tudo o que temos.
A m�sica s� foi lan�ada ap�s a morte dele.
"A Change is Gonna Come" � o final perfeito
para uma carreira demasiado curta,
para uma vida demasiado incompleta.
J� esper�vamos h� muito, em 1964,
e � a vergonha desta na��o
que aquela m�sica ainda continue a ser relevante.
O ativismo � uma coisa, mas a m�sica � poderosa.
"A Change is Gonna Come" retrata a vida dos negros na Am�rica
e o Sam Cooke explora isso com muita poesia.
Houve alturas em que pensei
Que n�o aguentava tanto tempo...
Esta m�sica foi feita para testar a alma, � disto que se trata.
Agora, acho que sou capaz
De continuar
J� esperamos...
� o tributo dele, o maior presente que nos podia ter dado.
J� esperamos h� muito, muito tempo Mas eu sei
Que vem a� uma mudan�a
Sim, vem
Sim, vem.
Tudo o que posso dizer � que o Sam Cooke � vosso.
Ele nunca envelhecer�.
- Sam, foi um prazer. - Foi fant�stico.
- Obrigado, Sam. - De nada.
Legendas: Ruben Oliveira
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.