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A PROSTITUTA
Ei, vem c�.
Como est�s?
Bem. �s b�fia?
N�o, porqu�? Tu �s?
N�o. Queres l� ir?
Quanto?
Quanto tens para gastar?
Depende do que tu fazes.
Fa�o sexo. Fa�o broches, meio por meio... E fa�o domina��o.
� tudo?
O que queres dizer com isso? Queres o qu�, uma punheta?
Quero foder-te o cu.
Enfia em ti mesmo, parvalh�o.
Enfiava, se conseguisse... Puta!
Sacana! Vai-te foder, punhetas!
Cristo, viram a conversa daquele gajo?
D� para imaginar como seria se estivesse sozinho comigo?
� assim, se n�o me podem tratar como uma senhora, aqui na rua,
n�o me tratar�o como tal quando eu estiver sem cuecas, certo?
Oh, Deus.
O qu�? O que � que est�s a olhar?
Porque n�o procuras um w.c?
Porque n�o procuras uma cama?
Estou a tentar, mas tu n�o �s uma grande ajuda, est�s a ver?
Vamos l�?
Eu n�o te ia beijar.
Jesus Cristo!
Este lugar � um maldito antro.
Quem me dera nunca ter vindo para aqui.
Tens uns trocos para um Rasta?
N�o!
N�o te chateies comigo, mana, tenho uma coisa para ti.
O qu�?
Vem... Vem ao meu espet�culo.
- Anda, olha... - O que est�s a fazer?
O que se passa contigo?
S� por um d�lar, mana, andarei sobre cacos de vidro.
N�o! N�o fa�as isso.
D�s cabo da minha concentra��o.
Aqui, toma... toma! N�o me importa, fica com isto.
Vai ter com o gajo do outro lado da rua, ele deve gostar disso.
Jesus!
Se h� duas coisas que n�o preciso,
� v�mito de um lado da rua e sangue do outro.
D� para acreditar no que ia fazer por...
Sabem, este n�o � o meu territ�rio.
Estou tipo, a fugir desde ontem.
Trabalho no centro da cidade, l� tenho os meus clientes habituais.
Sabem, onde vendem os frangos Toma e Leva?
Sim, por isso as mi�das chamam-no de foda � galo.
L� os carros fazem filas por minha causa, meu.
Voltarei para l� assim que as coisas acalmarem.
O frango l� tamb�m n�o � mau.
Bem, � um pouco gorduroso e salgado, acho, mas...
se estiverem com fome...
Vamos ser realistas, ningu�m l� vai pelo frango.
Anda, amor, anda. Vem ter com a mam�, isso.
Outro parvalh�o.
Ol�, querido. �s b�fia?
Pare�o um b�fia?
N�o. Queres sair?
No momento s� estou a olhar. Quanto queres por mais?
Cinquenta, para come�ar.
Isso inclui o qu�?
Hoje a oferta � sexo convencional, broche, ou um combinado meio por meio.
- Algum extra? - Ele � o extra.
Certo.
Como est� hoje o broche?
� a especialidade.
Vou l� por quarenta?
Quarenta e cinco.
Incluindo a gorjeta.
Entra.
�s bonita.
Qual � o teu nome?
- Liz. - De Elizabeth?
N�o, s� Liz.
Ent�o, "s� Liz", tens um lugar?
N�o, vamos ao teu lugar.
Num quarto, num beco, onde quiseres.
N�o percas isto, pap�.
Podes esquecer, n�o fa�o incestos.
N�o sou o pai dele.
Calma, ele s� fica a ver.
- Vai-te foder. - Mas tem um caralho jovem.
Bem pequeno, como uma batata frita.
Mentira, tenho um caralho do tamanho de um m�ssil Pershing.
Deixem-me sair, por favor.
Ele vem-se r�pido, n�o te preocupes.
Como � que sabes?
- Ouvi dizer. - Por quem?
Por quem � que achas?
Pela �ltima puta que apanh�mos ali?
Vou mat�-la.
Deixem-me sair, por favor!
Vou encontrar aquela puta de merda.
Est�s a assust�-la.
N�o estou assustada, s� n�o fa�o com dois.
Esquece.
Por dinheiro nenhum.
N�o fazes com dois brancos?
S� com pretos sozinhos.
Deixa-a sair, perdemos o nosso maldito tempo.
Sair a merda, estamos s� a come�ar a divers�o.
Vais mamar agora!
Ei, talvez a conhe�as, a mo�a...
- Uma portorriquenha... - V� chupa. EU disse chupa!
- Mais ou menos 1,65m, olhos azuis. - Estou a tentar vir-me.
N�o te estou a interromper, s� quero falar com ela.
N�o fales enquanto ela me est� a chupar.
Jesus.
Ela foi fundo, meu.
Esque�am, est� bem?
Vai � merda, n�o vou desperdi�ar a minha esporra em ti.
Clientes... s�o t�o imprevis�veis.
Se entram no carro, pertencem a ele.
Nunca entrem numa carrinha.
Uma vez quase que morri.
S� uma vez.
H� uns anos andava pelo centro...
Foi antes de ter um chulo que tomasse conta de mim.
Pensei que naquela noite n�o ia conseguir ningu�m.
Com licen�a, mo�a.
�s prostituta, n�o �s?
N�o, sou um sonho molhado com pernas.
Quanto custa?
O que procuras?
N�o sei... algo � volta dos vinte d�lares.
Por vinte d�lares, compras um filme porno.
Dobra o valor e fa�o-te um broche, eu fa�o uns belos broches.
Certo, entra.
Tens um lugar para ir ou queres aqui mesmo?
Vai meu, d� uma boa foda por mim!
Vai-lhe ao cu!
Vai, meu! Vai por mim, meu!
Enfia-lhe no raio da garganta, meu!
Deviam ser uns cinco.
Come�aram ao mesmo tempo.
Pareciam uns animais, grunhiam, ofegavam, riam-se.
Nunca mais acabava, n�o sei quanto tempo durou.
Quando se fartaram, livraram-se de mim.
Meu Deus!
N�o tenhas medo...
Ofereceu-se para me levar ao hospital mais pr�ximo.
Devia ter ido, mas no hospital teriam chamado a pol�cia,
e eu n�o queria ter de lidar com b�fias.
Ent�o disse-lhe que tive uma briga com o meu namorado,
e que me levasse para casa.
Acho que me disse que era professor.
Eu chorava, estava toda arrebentada.
Deu-me o seu len�o, e perguntou-me se eu precisava de alguma coisa.
N�o queria pedir, mas precisava de algum dinheiro.
Ele deu-me vinte d�lares, o seu nome e o endere�o.
Deve ter pensado que n�o ia tornar a ver o dinheiro, mas eu devolvi-lhe.
Com um len�o novo e uma nota de agradecimento.
S� para que ele soubesse que eu estava bem, mas ele nunca respondeu.
N�o devo ter muita import�ncia, especialmente para um professor, sabem?
Parece meio vazio.
Precisas de uma m�ozinha para encher?
Fazes sem camisinha?
Prefiro sem camisinha.
Preferes o qu� sem camisinha?
Tudo.
�s o qu�, meu? Um suicida?
Sim, sou isso tamb�m.
N�o quero saber de suicidas, uso sempre camisinha.
Pago mais.
N�o tens como pagar mais.
Ele quer, mas n�o quer usar preservativo.
Quero dist�ncia desses homens.
Nem pagando mais, nem mesmo pelo dobro.
Isso � realmente est�pido.
Porque n�o d�o dinheiro �s suas mulheres?
Alguns nunca desistem, n�o �?
O Charlie, por exemplo.
Esse homem valia ouro.
O Charlie era um cliente ass�duo, mas n�o queria sexo.
N�o o sexo convencional, de certo modo.
Tudo o que eu tinha que fazer era dar-lhe umas bengaladas.
Da primeira vez, tipo que me deixei levar.
Mas acho que l� no fundo ele gostou.
Engra�ado, da primeira vez que o vi,
deitado na cama, com as pernas magrinhas como um frango,
e o rabo enrugado,
quase que me mijei.
Seis pancadas, era s� o que precisava,
Dinheiro f�cil!
Devo ter talento para isso.
Eu devia abrir uma c�mara de torturas.
Vou faz�-los implorar por piedade.
Quando cheguei, ele meteu-me dentro da casa dele,
apresentou-me como sendo assistente social e mostrou-me a casa toda.
Deixamos as crian�as a verem TV e subimos.
N�o pudemos fazer no quarto, pois a fechadura estava partida.
Ent�o, fizemos no w.c.
N�o consegui estar bem, aquilo era t�o estreito...
Partimos a porcaria do candeeiro.
Ele era um doce, dava-me sempre alguma coisa.
Sabem, al�m do dinheiro.
Quase sempre algo do jardim.
Sei que � est�pido envolver-me com clientes, mas...
� um cliente, mas �s vezes � preciso quebrar as regras.
Um dia, o Charlie teve um enfarte.
D�-me as m�os, Bobo.
Ele est� bem, agora est� numa casa de repouso,
mas n�o significa que tenha de descansar.
O Charlie ainda � meu cliente.
Levei um abacate, n�o � do seu jardim,
mas o que os olhos n�o veem, o cora��o n�o sente.
Mas... ele deve ter percebido.
Desculpa! Um mosquito.
O que queres fazer, matar-me de susto?
N�o h� problema, n�o h� problema, mana.
Muito obrigada, mas da pr�xima vez deixa que chupe o meu sangue.
Mas foi gr�tis.
Merda gr�tis.
Gostas, querido?
P�ssima t�tica. N�o fica nenhum tipo de mist�rio no ar, viciada!
� uma cabra drogada, n�o aceita dinheiro, s� crack.
Reparem? Prostitutas assim n�o t�m respeito por si pr�prias.
Eu jamais mostraria as mamas em p�blico.
E nem sairia com uma roupa colada,
assim, s� com uma roupa colada.
Nunca abriria as minhas pernas no meio da rua.
Nunca faria nenhuma dessas merdas.
Tamb�m n�o usaria cal��es.
Bem, at� usaria, mas sem um rasgo no rabo, percebem?
Nem usaria durante o dia.
Bem, acho que as mais jovens fazem merdas dessas, sei l�.
Quanto mais velhas, mais dif�cil se torna, acho.
Porra! Que grande merda!
Um martini seco, por favor.
Bastante seco, com uma cereja, uma azeitona n�o.
Sim, ele realmente n�o pensa que vou deix�-lo.
Sei o que ele pensa.
Pensa que estou aprisionada a este trabalho.
Como disse, deixei ontem o lugar onde morava,
deixei as minhas coisas num quarto de hotel.
E ele pensa nisso. Que vai ficar com o meu dinheiro.
E em alguns dias, terei que correr atr�s de um empr�stimo.
Isso � o que ele pensa.
Mas n�o, n�o desta vez.
Vou gastar o meu dinheiro.
Olhem estas unhas...
Costumava ter umas unhas bonitas.
N�o me vai deixar em paz, � como um c�o agarrado a um osso.
Talvez pensem que nos agarram assim.
Que podem agarrar-se a n�s como uma maldita Super Cola.
� um tipo de loucura, sabem?
De uma forma doentia e distorcida, eles...
eles fazem-nos acreditar que nos amam.
Conheci o Blake h� um ano, nunca me convidou para nada.
Nunca me tocou com um dedo.
E ainda hoje me pergunto, porque nunca o fez?
E, naturalmente, quando comprou para mim um vestido lindo...
e apareceu em minha casa elegante e com bom h�lito...
perguntei-me a mim mesma, que merda � esta?
Podemos sentar noutra mesa?
Tenho este problema com cozinhas.
Trabalhei numa bastante gordurenta e cheia de baratas.
Bem, a noite � tua.
Entendo, madame, por favor, sigam-me.
N�o quis dizer que a vossa cozinha tamb�m tenha baratas, � s� um tipo de fobia. Sim!
Eu estava meio nervosa.
Sabem, como temos de falar com o chefe, ou algo assim?
Eu n�o pensava que ia ser promovida, mas uma puta pode ser despedida?
Mas ent�o ele nunca ia usar elixir dent�rio,
nem ia comprar um vestido para mim. N�o �?
Ent�o, agora vais contar-me o que estamos a celebrar?
Ent�o, o que queres comer?
Um bife, tenho tanta fome que comia um cavalo.
N�o h� nenhum aqui, h�?
"Biffe T�rtaro"...
� um belo lugar, mas acho que n�o sabem escrever "bife".
B-I-F-F...
� um restaurante franc�s.
E porque n�o h� batatas fritas? (batatas fritas = french fries)
Eles dizem "pommes frites".
Bem, vamos dividir um desses e um belo bife suculento.
"Bife T�rtaro" � carne crua, misturada com cebola, ovos e outros ingredientes.
A s�rio?
Porque n�o sugeres algo?
Certo, para a entrada que tal um "Gravadlax Marinade"?
O que � isso?
� salm�o cru, � marinado...
Cru?
Tudo neste restaurante est� cru, tiram do frio e servem?
A comida crua faz muito bem, n�o sabes nada?
Querem fazer o pedido.
Encontraste algo?
Qual � a gra�a no "Crabe Gel�e"?
Lembras-te da tua querida puta Juliette?
Tinha uns chatos inacredit�veis, lembras-te?
Sim, madame?
Realmente n�o sei, senhor, eu...
Chamas a ele de "empregado". Chamas-me a mim de "senhor".
Pedirei para n�s dois.
"Tr�s bien", senhor.
Queremos "Calamars � la Chinoise".
O senhor deseja algum vinho?
Podemos beber champanhe? N�o bebo.. champanhe h� muito tempo.
Traga uma garrafa de "Gleau de Vichy". Bem gelada.
Presumo que o senhor quis dizer "Eau de Vichy".
Sim, foi o que eu disse.
Ent�o, vais contar-me para qu� isto tudo?
A madame tem algum pedido? Tenho uma lista extensa.
Que tal "Don't It Make My Brown Eyes Blue"?
Temo n�o estar muito familiarizado com os cl�ssicos contempor�neos.
Claro que n�o.
Que tal a marcha do 3� Ato da "Lohengrin", de Wagner?
Acho que se refere ao 2� Ato.
Estava a pensar quando ficar�amos juntos, mas...
isto � alguma proposta ou coisa parecida?
Coisa parecida a merda! N�o me digas que n�o te lembraste do nosso anivers�rio.
J� fazemos um ano. Um ano justamente hoje.
- Est� bom, senhor? - Pode servir.
- Ao nosso anivers�rio. - � mais antiga das profiss�es.
A qu�?
A prostitui��o � conhecida como a mais antiga das profiss�es.
Com certeza que me fizeste sentir mais antiga, um brinde a isso.
Isto sabe a �gua!
A �gua mineral com g�s � boa para o f�gado.
Afasta-te do �lcool, cont�m muitas calorias...
N�o, apaga, estamos na zona de n�o fumadores, apaga.
Porque n�o mudamos para a zona de fumadores?
N�o queres tratar de ti mesma? Fumar faz mal � sa�de.
Tal como foder com doentes.
E o que � isto?
Calamares com lichias. O que mais poderia ser?
N�o sei, mas j� vi isto antes.
O que s�o calamares?
� um tipo de polvo, est�pida idiota! � a merda de um polvo!
Eu devia de saber, afinal parecem test�culos, n�o �?
Sei que n�o costumo com�-los, mas n�o h� muita diferen�a.
Parece uma pichota.
Sabe a pichota!
Tudo o que eu quero � uma antiquada fatia de torta de ma��,
com montes de gelado em cima.
- Esquece! - Disseste o qu�?
Est�s surda? Disse para esqueceres, est�s gorda como uma porca.
Estou?
Acho que ele tinha raz�o, fumo demais,
como muitas porcarias e bebo muito � grande.
Tinha que ter alguma satisfa��o na vida.
Reparem, a minha atividade...
n�o � exatamente um trabalho com futuro.
E fazer 50 abdominais quando podia estar a dormir n�o era o meu conceito de divers�o.
Mas adorava aqueles momentos, acho.
O nosso primeiro ano juntos como chulo e puta...
incluiu um presente de anivers�rio.
Notar�s uma grande mudan�a em ti.
Psicol�gica, f�sica.
Ser�s mais consciente do teu corpo.
�timo, desde que inclua o meu est�mago.
Ser�s muito mais comprometida contigo mesma.
E com quem amas, ter�s uma conex�o espiritual especial.
Porque as tatuagens s�o para sempre.
Tamb�m os diamantes, mas s�o menos dolorosos.
Foram os trinta minutos mais dolorosos.
Mas o Wally tinha raz�o, at� que me senti especial.
At� que pouco a pouco descobri que todas as suas ex-meninas tinham uma.
E nem todas na mesma parte do corpo.
Eu n�o era especial, era s� uma cabe�a de gado marcada.
Vejam o que o chulo faz, primeiro ergue, depois derruba.
� como ser uma ref�m.
Eles sabem como fazer precisarmos deles.
Eles n�o nos amam, os chulos n�o amam ningu�m.
Outro martini, por favor. Bem seco.
Quem podia superar o Bill? Que se foda!
Todas ficavam a olhar para ele. Eu achava-o muito atraente.
Ia ao bar perto de casa, havia m�sica e cerveja,
fic�vamos por l�, a jogar snooker.
J� falei da minha amiga Martha? De volta aos dias em que eu era direita.
- Acho que vou morrer! - Porque n�o vais apostar?
- Achas que devo? - O que � um d�lar?
N�o achas que ser� estranho chegar l� e meter dinheiro na frente dele?
N�o, ele s� vai pensar que �s uma puta de bar que quer foder com ele.
Queria casar-me com ele.
� melhor eu fazer a aposta.
10, 9, 8, 7, 6...
5, 4, 3, 2, 1.
Bem, foda-se. Afinal ele n�o � do meu tipo.
N�o te vou mais ouvir.
Obrigado por acreditares em mim. Isto � para ti.
- Parab�ns. - Aquilo n�o foi nada.
- Foi sim, a s�rio! - Achas mesmo?
Sim. Podias te dedicar a isso, sabias?
� um talento heredit�rio. O meu pai � um grande bebedor.
A s�rio? O meu tamb�m.
N�o brinques!
Sim, bem, foi o que a minha m�e me disse.
Queres dan�ar ou algo assim?
- Ganhaste este pr�mio. - Obrigada.
Bem, foi �timo. Realmente am�vamo-nos.
Sabem, quando era pequenos e imaginavamos como seria o amor?
O que a nossa m�e contava sobre como seria o amor.
Ent�o, pensei que o casamento tinha sido o melhor que me tinha me acontecido.
Pensei que fosse durar.
Isso foi uma coisa que a minha m�e n�o me contou.
Merda!
Acho que brincar �s casinhas deve ter gra�a quando se tem sete anos.
Mas quando se est� gr�vida de sete meses, esque�am!
Come�ou a chegar a casa cada vez mais tarde,
e cada vez mais b�bado, deixava o ordenado no bar.
Quando descobri que foi despedido e que andava a enganar-te.
Bem, isso � mau para qualquer relacionamento.
Mas eu n�o conseguia deixar de amar o desgra�ado.
Ent�o, continuei a tentar agrad�-lo, deixava tudo pronto para o jantar,
arrumava a mesa direitinha, fazia a sua salada preferida.
Tudo o que eu queria era uma boa noite de sono.
N�o dava para saber como ele iria reagir.
Quem � que gosta de estar perto de um vulc�o?
Cala-te.
Chrissy.
Vamos, beb�, vamos ver a av�.
Vamos sair deste chiqueiro.
Aceitei o facto. Casei com um falhado, fiz uma asneira, muita gente o faz.
Ent�o, deixei o Bill e fui morar com a minha m�e.
Ent�o, arranjei o trabalho dos meus sonhos num snack bar imundo.
Quando ia dormir, estava exausta, e as gorjetas eram uma merda.
E ainda fazia dois turnos.
E n�o contratavam outra.
Quem gostaria de trabalhar no Restaurante Durand?
Qual � o menu desta noite?
O Chef Pierre j� saiu, e vamos fechar em cinco minutos.
S� sobrou uma fatia de torta.
- E como est� a torta? - Boa.
� tudo o que quer?
Quero antes uma bebida.
Desculpa, n�o servimos...
O que dizes de bebermos algo juntos?
Comigo? N�o sou muito de beber.
Na verdade, n�o bebo mesmo nada. Desculpa.
Guarda o troco.
Obrigada.
Sou bom em gorjetas.
Tenho que ir para casa, tenho que...
Tens o qu�?
Um gato. Tenho de lhe dar comida, mas...
Mas acho que n�o tenho pressa de lhe dar comer.
Tinha que sair com ele, de qualquer forma.
Era mais do que eu ganhava numa semana.
Al�m disso, e depois? O que eu tinha a perder?
Vou s� fechar. � s� um minuto.
Fazer por dinheiro?
� como perder a virgindade.
Da pr�xima vez � muito mais f�cil.
Masturbar estes idiotas, debaixo da mesa do �nico bar de classe da cidade,
n�o era a felicidade, acreditem.
Mas era melhor do que servir �s mesas.
Pelo menos pude pagar � minha m�e por fazer de ama.
Sabia que o meu menino estava a salvo com ela.
Foi um arranjo decente. Comigo j� estaria morto.
�s vezes queria estar morta.
Mas n�o sou suficientemente corajosa para fazer isso sozinha.
E n�o tenho medo de morrer.
Assim, mesmo que n�o exista nada...
Nenhum c�u, quero dizer,
o c�u que dizem existir, com santos e anjos...
Mesmo que fosse s� paz e tranquilidade.
Como queria algo assim.
O inferno n�o pode ser pior que isto, pode?
A grande sedu��o... Eles adoram.
E pensam que gostamos tamb�m.
Querem ouvir tudo a respeito...
"Fode-me", dizem eles.
Agora sei o que querem ouvir, mas no in�cio n�o sabia.
"O que queres que eu diga?", perguntava eu.
"O que gostas de fazer?"
N�o sei, gosto de ver TV.
"N�o, isso n�o, o que estou a fazer contigo".
O que est�s a fazer comigo?
"Sim, diz-me, diz-me! O que estou a fazer contigo?".
Ainda era jovem.
N�o sabia o que queriam que eu dissesse.
Agora, nem pergunto. Sei o que querem.
Assim que lhes tiro o caralho para fora, digo logo que gosto dele.
"Oh, querido, tens um caralho lindo".
"T�o grande e duro"...
"O que queres que eu fa�a com ela?", dizem eles.
Gostava de dizer a verdade.
Mas em vez disso digo: "Oh, a minha cona est� doida
e h�mida pelo teu caralho grando e rijo".
"V� l�, enfia-mo enfia-mo. Sim... "
E h� aqueles que querem ser eles a falar.
Quero dizer, falam ordinari�es.
�s vezes acho que s� me querem rasgar toda.
N�o sejas t�o bruto, sim?
Cala essa boca de merda!
� melhor calar-me e deixar que fa�am o que querem,
fecho os olhos, n�o quero ver o �dio em seus rostos.
Devem ter vidas horr�veis. Os homens que falei.
Algo aconteceu para serem assim. N�o nasceram assim, nasceram?
Talvez sejam postos de lado, l� em casa.
Ou passados para tr�s no trabalho. Sentem-se humilhados.
E querem humilhar algu�m para descarregar.
Com isso sentem-se melhor. Mais importantes.
N�o � nada pessoal, eu sei.
E nem querem sexo, sabem?
� mais como... uma vingan�a.
Sim, � isso.
S� querem vingan�a.
Lamento pelas suas esposas.
A maioria dos que aqui v�m devem ser casados.
E v�m c� porque fazemos coisas que as suas mulheres e namoradas n�o fazem.
Um broche. � o que a maioria pede.
N�o entendo qual o problema das mulheres
em meter o caralho de um homem na boca?
Garanto que se ele n�o o enfiar na boca delas,
vai enfiar na boca de outra.
Pode ser na boca delas ou na minha.
Somos substitutas.
Aposto que ele est� de olhos fechados, a pensar na sua mulher neste momento.
Se fosse eu,
n�o quereria ver mais nenhum caralho enquanto vivesse.
Perdi a conta de quantos tive...
Devem ser milhares.
Eu adorava sexo.
Adorava tudo relacionado a ele.
Agora, quando vou para a cama, s� quero saber de dormir.
Aposto que fiz mais sexo em lugares assim...
do que numa cama.
Podia escrever um livro sobre...
"As Casas de Banho Que Conheci".
S� tenho uma grande amiga.
Bem, tinha...
PUTAS DO ESPA�O V�O � FACULDADE
Estava a trabalhar no centro, � toa, atr�s de clientes,
quando apareceu esta mi�da, parecia b�bada ou ganzada, algo assim.
Ent�o vi o sangue e olhei para ela...
e disse, "foda-se!".
Ela s� disse, "Blake".
E vi que o desgra�ado a tinha esfaqueado mesmo no est�mago.
E pensei: "N�o posso deix�-la assim, vai sangrar at� morrer".
Levei-a para dentro do cinema e gritei para a bilheteira: "Chama uma ambul�ncia".
Acho que ela s� chamou a gerente,
porque depois a vaca apareceu com tudo e come�ou a gritar connosco,
chamou-nos de putas vadias e imundas.
Estava a tentar estancar o sangue, mas ele n�o queria parar de sair.
E a pobre mi�da estava a entrar em choque,
e a gerente gritava connosco,
falava de sida, tentava expulsar-nos,
sem chegar muito perto, claro, mas o sangue continuava a sair.
Nisso, a Katie chegou.
Ela tomou as r�deas rapidamente.
At� conseguiu que a gerente ajudasse, disse a ela
para que imaginasse se fosse a sua pr�pria filha.
Se n�o fosse a Katie, n�o creio que a mi�da sairia daquela.
A Katie queria saber porque ela n�o chamou a pol�cia.
Eu ri-me.
Disse que o Blake pagava aos b�fias para desviarem o olhar.
De qualquer forma, ele atacou-a passado algumas semanas,
mas desta vez, a faca atravessou o corpo dela.
Foi uma semana terr�vel.
N�o sei que diabo teria feito sem a Katie.
Cuidava de mim como se fosse minha irm�.
Se tivesse tido uma.
�s vezes pergunto-me, porque os meus pais me tiveram?
Deviam estar b�bados.
Acho que fui o motivo do meu pai ter ido embora.
A Katie? A Katie foi a �nica pessoa que conheci que nunca exigia.
Eu exigia, eu precisava, havia noites que eu precisava tanto s� de um abra�o.
No meu anivers�rio, a Katie comprou-me um livro.
Nunca ningu�m me tinha dado um livro.
Chama-se "Quinta dos Animais"" e digo,
� igual � realidade.
� sobre animais, mas n�o � para crian�as.
O melhor livro que j� li.
Bem, � o �nico livro que j� li.
E ela escreveu uma dedicat�ria...
"Para a Liz, com amor e todas as coisas lindas. De Katie".
�s vezes abria s� para ler isso.
Eu adorava ficar com ela.
Durante um tempo tentou ensinar-me a ouvir m�sica s�ria.
Era t�o inteligente, podia fazer quase tudo parecer interessante.
A Katie trabalhava num bar, ganhava bem, mas que desperd�cio!
A s�rio, podia andar numa faculdade.
Ela podia ter um bom emprego, como professora ou parecido.
Podia ser uma �tima professora.
Quem me dera ter o seu c�rebro, e disse isso a ela.
Ela disse-me que n�o havia nada errado com o meu c�rebro, s� com a minha educa��o.
A minha educa��o? Isso n�o pode ser, pois mal terminei a escola.
A s�rio, n�o vou � escola h� tanto tempo que n�o me lembro de mais nada.
Foi tudo entre mim e a Katie.
Afiada como uma navalha, e sei us�-la tamb�m.
Cheguei a pensar em usar em mim mesma.
Mas agora respondo de volta.
Pela Katie.
Dignidade...
Ah, �s tu. Ainda n�o gostas de camisinhas?
Pensei que tu talvez n�o gostasses mais delas.
N�o nesta vida.
Mas sou extremamente limpo.
Tenho a certeza que sim.
Mas n�o adianta ficares a�, pois n�o mudarei de ideia.
N�o importa quanto me pagues.
E n�o posso fazer nenhum neg�cio contigo a� parado, ent�o sai fora!
E leva a tua corneta contigo.
Porque insistes na camisinha?
Chatos, gonorreia, s�filis, herpes, sida, clam�dia.
� o suficiente para ti ou queres mais?
A s�rio, com tudo isso, o que podes ter contra uma camisinha?
N�o tenho nada contra, � que no geral s�o muito pequenas para mim.
Est�s a brincar.
N�o, n�o estou. Tenho um membro muito saud�vel.
Foi a melhor not�cia que ouvi hoje. Estou felic�ssima por ti. Parab�ns!
Obrigado, mas o prazer seria teu.
Jesus... Ainda acreditam nessa merda, n�o �?
Numa pesquisa recente, oito em cada dez prostitutas demonstraram...
a prefer�ncia das suas vaginas por pequenos... membros.
Parece que isso � excitante para ti, mas para mim n�o significa nada, percebes?
� a b�fia, sugiro que saias daqui.
� descer esta rua e virar � esquerda, chega-se � via-r�pida, � l� � direita.
N�o h� como errar. As bombas de combust�vel est�o abertas a noite toda.
Obrigado. Voc� � muito am�vel.
Vem aqui, querida.
Ouve tens duas op��es, amor.
Podes ir por vontade pr�pria, ou n�s podemos arrastar-te e levar-te dentro.
Sim, senhor.
Sinto muito, senhor, mas perguntava a mim mesma,
O que t�m a� embaixo funciona ou � s� para enfeitar?
Merda.
B�fias...
Querem sempre confundir.
N�o sabem o que querem, ent�o d�o sempre uma escolha.
Como uma vez, um b�fia me disse...
"Ou fazes-me um broche ou meto-te na cadeia".
Ent�o fiz-lhe um broche.
A seguir prendeu-me por atravessar fora da passadeira.
N�o passei na passadeira para lhe chegar ao caralho.
"Desculpe, Sr. agente, mas se o seu caralho fosse maior...
n�o precisava de ter atravessado a merda da rua".
Quem me dera que aqueles putos me tivessem prendido.
Dava-me jeito uma noite na cadeia.
S� para descansar, sabem?
Ei!
Senti a tua falta, querida.
Quanto faturamos esta noite?
Tem estado fraco, meu.
A s�rio? E quanto ganhaste?
J� disse, tem estado fraco.
Pegaste por 30 d�lares? Ou por 50?
Vejamos, por 30, estamos a falar de 120 d�lares.
Eu disse o qu�?
Disseste por 30, mas...
Quatro de 30, duas de 50...
Mas estava fraco, certo?
Sim.
Ent�o, vamos dizer que fizemos...
150... Deves ter ganhado um extra, vamos p�r mais 20.
Ei, espera a�, onde � que eu tenho a cabe�a?
Esqueci-me de ontem.
Ontem bazaste.
Ent�o, o que andaste a fazer desde ontem?
O que andas a fazer por aqui?
Trabalhos sociais?
Estiveste outra vez com aquela rata de biblioteca.
- Aquela l�sbica, a Katie. - N�o, n�o, n�o.
J� disse uma vez que ler faz-te mal � vista.
Meu, juro, n�o vi a Katie...
Peguei um cliente e ele trouxe-me a este motel.
Ele era incans�vel, acabei por adormecer, n�o tive culpa, meu.
Planeaste tudo, certo?
- Ele roubou-me. - Tretas!
Disse-te que estava fraco.
Tens uns trocos, meu?
N�o me venhas com essa merda de "fraco", s� cheiras a bebida.
Estou a dizer a verdade.
Que tal um d�lar, meu irm�o?
Desaparece daqui!
O que � isto? O resto?
Aqui, meu, toma este d�lar, deixa a mulher em paz!
Desgra�ado, vais com�-las!
- N�o lhe fa�as mal. - Escuta a mulher.
Deixa-o em paz.
N�o tenho mais nada, juro pela minha m�e.
A tua m�e morreu, � melhor jurares por outra pessoa, ela j� n�o serve.
Voltarei noutra hora.
� melhor arranjares o dinheiro at� l�,
n�o me importa o que tenhas que fazer para pegar uns caralhos.
Deita-te na rua com o raio das pernas abertas, mas arranja o dinheiro.
Foi o dedo do meio da m�o esquerda, ou o da m�o direita?
Podes escolher!
J� escolhi.
Ela pensa que � quem, caralho?
N�o se pode ter uma como ela.
Uma ma�� podre estraga o cesto todo.
Se ela acha que me pode enganar com um dos seus velhos truques, bem...
Vai ter uma grande surpresa.
Prote��o, ele � a minha prote��o.
Ele nem anda mais com a faca,
pois se a pol�cia o apanhar, � acusado de porte ilegal.
Para trabalhar nesta �rea, � preciso um intermedi�rio...
Ou pode-se acabar num saco, na morgue.
Acho que h� algu�m que vai ficar arrebentada.
E bem arrebentada, n�o conseguir�o identific�-la.
E mesmo que identifiquem, e da�? Ela � uma puta.
Foi um cliente, n�o foi?
H� um monte de clientes malucos por a�, sabes?
�s vezes, os clientes... eles passam-se.
O que se pode fazer?
Havia um, era jovem mas muito pequeno.
Era um tarado, come�ou logo a met�-lo dentro de mim.
De repente, come�ou a beijar-me.
Nunca beijo ningu�m, nunca mesmo.
Fa�o broches, podem lamber-me, foder-me, mas sem beijos.
E nem dedos tamb�m, devias ver as unhas deles.
Quem sabe onde estiveram aqueles dedos?
Nem que me chupem os peitos, tamb�m.
Bem, o gajo come�ou a tentar beijar-me,
ent�o disse-lhe... "Ei, meu, eu n�o beijo".
Pareceu n�o se importar, e de repente disse-me...
"Ei, est�s a gostar?"
Perguntei a ele... "A gostar do qu�?"
Ele disse... "Disto"!
E meteu ainda com mais for�a.
Ent�o percebi o que queria que eu dissesse...
Eu ainda era bem nova no ramo, n�o tinha entendido.
Ent�o eu disse... "Est� bom, acho".
"Est� bom? Isso � tudo?"
Ent�o ele tirou-o l� de dentro, e perguntei-lhe porque o tirou.
E ele disse... "Porque tu n�o est�s a curtir".
Eu disse... "N�o tenho que curtir, tu pagaste, tu curtes".
E ele: "N�o d� para curtir, se sei que s� fizeste isto porque paguei".
"Bem, se quiseres paix�o, eu cobro mais".
"Entretanto, o tempo acabou". Perguntei-lhe, "j� terminaste?"
"Terminei? Ainda nem comecei. Beija-me".
Ent�o, agarrou-me pelos cabelos e come�ou a tentar beijar-me.
Tentei afast�-lo, e ele come�ou a berrar.
"Malditas putas, s�o todas iguais, est�o mortas, n�o t�m sentimentos".
Ent�o come�ou a tentar beijar-me de novo.
E pediu-me o seu dinheiro de volta.
Eu disse: "Desculpa, n�o fa�o reembolsos".
Tentei levantar-me e sair... Do nada, agarrou a bolsa com uma m�o
a minha cabe�a com a outra e come�ou a bater com ela no piso.
Achei que a merda do meu c�rebro ia explodir.
Deve ter batido com a minha cabe�a umas seis vezes,
at� que a maldita porta finalmente se abrisse.
Devias ser mais cuidadosa com os clientes.
Foi a� que percebi, n�o se pode trabalhar sem um chulo.
Ent�o, tornei-me numa das meninas do Blake.
Tenho a impress�o que este chulo te armou uma cilada, dona.
Sim, tamb�m pensei nisso.
E um dia vou exp�r isso a ele diretamente.
E diretamente, ele vai negar.
Claro, o mais certo � enfiar-me os dentes garganta abaixo.
Eu e as minhas meninas...
Cuido delas, estou sempre � disposi��o...
para andar de olho nelas, s� para saber que est�o a salvo.
Eu ando por a�, s� no controlo.
Conhe�o todos os lugares aonde v�o com os seus clientes.
�s vezes, eu sigo-as.
Somos como... s�cios.
Elas fodem e eu administro.
Diz-me uma coisa...
Quanto ele ganha contigo?
Qual � a margem de lucro dele?
Sei l� calcular isso.
Toma uma erva.
O chulo paga o aluguer, paga as malditas taxas.
Paga as roupas, os exames m�dicos, paga as camisinhas.
Mesmo com toda a receita, ainda assim sai caro.
As putas, garanto, n�o saem baratas.
- Quanto � que ele leva? - Cem por cento.
Meu, � como seres fodida duas vezes.
Vejam, � como eu estivesse a administrar uma f�brica,
acontece que por acaso � uma f�brica de conas.
Essa � exatamente a raz�o pela qual quero afastar-me dele.
At� as f�bricas tratam os seus empregados melhor.
Pelo menos t�m benef�cios.
Mas at� uma f�brica, com empregados, h� algu�m como eu a gerir as coisas.
Tenho o que chamam de faro para neg�cios.
Posso perceber uma necessidade, e reconhe�o uma demanda.
O gajo � um feitor de escravos.
Que merda! Olhem s� para aquela ali. Menina est�pida.
Devia estar a vender sexo e parece que est� � espera do autocarro.
Est� bem, est� calor, os sapatos aleijam,
fez um aborto a semana passada.
Adivinhem quem foi que pagou.
Muita gente acha que ganhamos muito dinheiro.
E que sa�mos passados alguns anos.
Mas isso nunca acontece, continuamos na mesma vida.
Vi mi�das lindas ficarem com as fei��es de um c�o,
em apenas seis meses.
Dizem que se reconhece uma mulher que anda nesta vida.
Nota-se na cara.
Quero dizer... olha para a minha. D� para notar?
Nos olhos, � onde come�a, dizem,
nos olhos e tamb�m na boca...
Est�o errados.
Sim, s�o tretas de merda.
Deves acreditar que s�o tretas de merda.
Sim, s�o tretas de merda, e sabes porqu�?
Porque come�a aqui dentro... � como um cancro.
Que te devora at� sobrar apenas uma concha vazia.
S�o obcecadas por sexo. Nasceram dessa forma.
Rejeitadas pela natureza desde o momento em que chegaram a este mundo.
Tudo o que t�m a oferecer � o pr�prio corpo,
ent�o mais vale encontrar quem pague por ele.
Nasceram com uma etiqueta de pre�o.
Se algu�m lhes pagasse um milh�o, voltavam �s ruas uma semana depois,
n�o conseguem evitar.
N�o h� nada que se possa fazer a esse respeito.
� como nascer branco ou preto. � assim que elas s�o.
Devo ter alguma utilidade para algu�m.
Quero dizer, deve haver uma raz�o para mim.
Certo?
Sabem, h� uns anos atr�s quando eu estava no in�cio,
antes de meter aqui as coisas no lugar,
prendiam-me sempre por causa de bebedeiras, por andar a chular.
Achas que o que fa�o � errado?
Acho que o que um chulo faz � errado.
Acho que a lei est� errada.
N�o lhe podemos chamar de parasita.
Parasita... parasita... Gosto dessa palavra.
Parasita.
Se fosse legal,
haveriam dezenas de padres a dizerem que � um ataque � moral.
E as ag�ncias de emprego estariam ocupadas com os chulos.
Abriria minha pr�pria ag�ncia mas n�o estou legal.
N�o quero que seja legal.
Sabes, devia ser legal.
Assim n�o havia necessidade dele.
Se legalizassem, abria um escrit�rio.
Mas at� l�, este � meu escrit�rio,
os clientes mais ass�duos ligam-me, dizem-me o que querem e eu entrego.
Talvez eu n�o seja mais do que "comida para fora".
F�cil, r�pido e barato.
Sou um tipo de servi�o expresso.
E sou tamb�m generoso. Asseguro-me sempre de dar algo em troca.
At� fa�o doa��es frequentes ao fundo de pens�es da pol�cia.
Ser� que alguns homens, mesmo que poucos,
procuram uma cura para a solid�o?
Talvez uma cura de pouca dura��o.
Quanto mais penso, mais realmente quero mudar a minha vida.
Quero encontrar um homem decente.
Mesmo que seja um homem que s� queira uma... Como se chama?
Sabes, j� t�m esposa, ent�o arranjam uma...
Amante, sim, � isso.
Realmente adoraria isso.
E onde vou encontr�-lo?
Ei, queres entrar?
Podes pagar?
Quem sabe? Vem aqui.
- De que signo �s? - De que signo sou?
R�pido.
Sou deste signo.
�s Escorpi�o, �s Escorpi�o, n�o �s?
Sim, sou Escorpi�o. Como � que sabes?
Merda, preciso de uma de virgem. Sabes onde posso encontrar uma?
Serei uma virgem por quarenta.
N�o, preciso de uma a s�rio. E o meu hor�scopo diz que s� posso pagar dez.
Tens uns olhos muito lindos.
Apanho-te noutra vida, adeus.
Que gajo esquisito!
Pergunto-me no que anda metido.
N�o me importo de provar algo diferente de vez em quando, mas...
N�o fa�o nada sujo.
Sabem, n�o recebo chuvas douradas, nem dou chuvas douradas.
Mas, bem, havia um gajo, certo, ele gostava de me ver cagar, est� bem?
Usava uma lanterna.
O problema foi que aparecia sempre depois de eu j� ter feito.
N�o o vejo h� algum tempo.
Queria que fosse mais frequente.
Tenho um cliente, meio velho, com uma voz suave.
Tem pinta de ser juiz, doutor, ou algo assim.
E temos encontros frequentes, todas as quintas, �s tr�s horas.
E paga-me sempre com notas novas.
"O meu lema �, primeiro o dinheiro".
Mas antes que eu tirasse as cuecas,
ele balan�ou a cabe�a.
Ent�o, ofereci-lhe as minhas mamas. Segunda tentativa.
Quando percebi que ele n�o queria convencional, "oh, n�o, outro maluco"...
e disse-lhe que n�o fazia nada sujo...
N�o fa�o nada sujo.
Ele s� acenou com a cabe�a e apontou para o meu sapato.
Pensei que me quisesse foder com ele.
N�o acreditam nas coisas que j� me quiseram enfiar.
Depois deu-me um peda�o de papel,
e disse para que eu n�o lesse at� que ele mandasse.
Finalmente tirou o caralho para fora.
O que queres que eu fa�a?
L� o bilhete.
Naquele momento, come�ou a ter uma ere��o.
Johnny, meu menino malcriado, menino malvado,
a mam� est� muito, muito chateada contigo?
Mais alto.
E quando dei por isso, estava a bater uma e a lamber o meu sapato.
Johnny, seu menino malcriado, seu menino malvado,
a mam� est� muito, muito chateada contigo.
Johnny, seu menino malcriado, seu menino malvado,
a mam� est� muito, muito chateada contigo.
Johnny, seu menino malcriado, seu menino malvado,
a mam� est� muito muito, muito muito chateada contigo.
Johnny, seu menino malcriado, seu menino malvado,
a mam� est� muito, muito chateada contigo.
Cenas diferentes para pessoas diferentes.
Quem podia imaginar? � como o nosso Johnny se vem.
Sim, tenho andado ocupada... Mas � sempre r�pido.
� como quiserem, r�pido.
Alguns demoram uma eternidade, aqueles mais nervosos.
Podem ser uma verdadeira merda.
�s vezes nem conseguem ficar de pau feito.
E ficam muito envergonhados para pedir o dinheiro de volta.
De qualquer forma n�o devolveria ...
Se for a um restaurante e pedir um prato, mas de repente perder o apetite,
a culpa n�o � minha, certo?
Os melhores s�o aqueles da hora do almo�o.
T�m sempre pressa.
Ou os mais velhos, s�o bons tamb�m.
�s vezes, colocam a camisinha e, de repente... Ups, acabou.
"Oh, querido, devias ter-me avisado,"
"e termino com a minha m�o... "
Finjo ficar decepcionada, e tal.
Sabem, s�o quase como enganados.
Sabem quais s�o os piores?
Os mais novos.
V�m sempre com a mesma treta...
"Normalmente n�o preciso de pagar".
N�o quero ouvir isso. N�o tenho tempo para essa merda.
Ent�o, come�am a enrolar, como se estivessem a fazer um grande favor.
"N�o, obrigado".
Para eles, preciso de algo como um tax�metro.
N�o, eu gosto daqueles que est�o com pressa, acabam e v�o para casa.
Sim, estou a ir para casa.
Este � o Chris. � bonito, n�o �?
� t�o esperto. Agora tem seis anos.
Sim, nessa idade, bem...
Sabem, est� a crescer e...
Se vivesse comigo, como lhe ia explicar?
Trabalho � noite e podia dizer que tenho um trabalho noturno.
Mas se me levarem presa ou se n�o apare�o durante o dia, como explico?
Todos dizem que � esperto.
Deviam v�-lo a ler...
Conhece os animais todos.
Eu ensinei-lhe ele. Ele ama os animais.
Mandou um desenho da sua gata.
"Esta � a Mand", escreveu atr�s.
"Ela dorme na m�quina de lavar roupa".
Est� com um casal am�vel, eles n�o t�m filhos pr�prios.
Ele foi adotado, depois da minha m�e morrer.
O tribunal decidiu que eu era uma m�e inadequada.
Sim, n�o foi f�cil.
O Chris parece feliz na foto.
Queria que estivesse comigo, mas...
Posso v�-lo quando quiser.
Mas tenho de ligar antes.
N�o vou l� muito...
Isso perturba-me um pouco.
Da �ltima vez que fui v�-lo, n�o avisei que ia.
Fiquei perto da escola, � espera que as aulas terminassem.
Ele vestia as cal�as que mandei no seu anivers�rio.
Talvez estejam muito grandes, mas ele cresce r�pido.
A suposta m�e Rachel, estava l� para lev�-lo para casa.
N�o quero parecer fria, mas...
acho que n�o vou voltar l� mais, sabem.
Pelo menos por um tempo.
N�o quero que o Chris cres�a a odiar-me.
N�o quero que tenha vergonha da sua m�e.
Sei que ele chama a Rachel de m�e, mas...
Ele sabe quem � a sua verdadeira m�e.
O que eu daria por um belo duche frio...
O Chris est� melhor assim. Por enquanto, sei disso.
� parecido com o seu pai.
Ainda somos casados.
Se por acaso ainda estiv�ssemos juntos, continuava a trair-me.
Nunca o tra�.
Ei, o que eu fa�o n�o � exatamente fazer amor, pois n�o?
�dio ficava mais pr�ximo da realidade.
Nem sequer � sexo, porque sexo tem alguns sentimentos.
Quero dizer, se gostam de algu�m, isso � sexo.
E eu n�o gosto de nenhum desses merdas.
N�o, deve haver uma palavra que expresse melhor o que fa�o.
Mas n�o sei qual �.
� mec�nico. Sem sentimentos.
Talvez se quiser entrar mesmo na onda possa sentir qualquer coisa.
J� passei por isso.
Quando era mais jovem, acreditava que algu�m se podia apaixonar por mim.
Mas cheguei a um ponto em que odeio os clientes.
Odeio-os.
Nem eles gostam de n�s.
Quero dizer, gostar de verdade.
Eles desejam-nos, tudo bem, mas gostarem? N�o. Claro que n�o.
E nunca se sabe com quem est�.
Um desconhecido pode ser o pr�prio pai, n�o se sabe.
S�o como o Jekyll e Hyde. � preciso ter cuidado, andam sempre tramar alguma.
Vinte d�lares, querido, Vinte d�lares? Est� bem.
Isso, vai com ela, deve ser para vales de alimenta��os, parvalh�o.
Estou pronta. �s giro.
Pobre puta velha.
Posso ser eu no futuro.
N�o, antes suicido-me.
Na tua opini�o profissional, quais s�o minhas hip�teses?
Diria que as tuas hip�teses s�o de cinquenta por cento.
E por cinquenta eu entro no jogo.
Vamos.
A� vamos n�s.
Mas que grande caralho e duro l� dentro...
Sim, � isso mesmo... Ora a� est�.
Oh, sim amor, sabe t�o bem...
Querido, estou cheia de tes�o por ti. Isso, d�-mo...
Sim, amor, vai, vai...
Sim, � assim mesmo que eu quero, d�-mo amor, sim...
Ups! Isso mesmo matul�o...
V� l�, enfia-o l� dentro.
A� est�, est� tudo bem, amor... Espera a�...
Isso mesmo, n�o te preocupes, a mam� vai tratar de ti...
Vai amor, vai, sei que consegues...
Sei que consegues, sim, querido...
Sim amor, � isso, isso mesmo, isso mesmo, sim!
Sim...
Vejo-te na igreja, querido.
N�o fiques a� sentado, sai da�.
Sei que sou boa, mas isto � rid�culo.
V� l� meu, para de brincar.
Ei, isso n�o tem piada, meu.
Ei, ei! Oh, Deus. Oh, Deus!
-Respira! -Porque raio est�s a beij�-lo?
Vai-te foder!
N�o o beijes, caralho!
Larga-me!
Estavas a beij�-lo para qu�, caralho?
Que merda � que fizeste?
- Nada! - Est� morto.
Temos que fazer alguma coisa.
Temos de chamar uma ambul�ncia.
Para com isso, cara�as!
Onde est� a carteira dele?
Deixa-o em paz!
N�o.
Para, para!
N�o fa�as isso!
Agora � a tua vez.
N�o era s� um cliente, tinha uma vida.
Era descart�vel, como tu.
Que dedo era? Qual dedo?
- Podes escolher! - Ah, posso?
Puta est�pida do caralho.
Ent�o escolho os dois.
Primeiro parto este, e depois parto o outro.
Pode parti-los, n�o percebes que n�o vou mais...
Est�s-te a cagar para ti mesma, mas e quanto ao teu filho?
E ele?
N�o sabes onde ele mora.
N�o? Eu sempre soube.
Tretas.
Fiz o meu trabalho em saber.
2627, Holly Drive. A casa azul da esquina.
Sabes o que vou fazer?
Vou esperar alguns anos, e vou met�-lo nas ruas.
Ele vai render mais do que tu.
Mato-te primeiro!
Tretas!
Nunca soubeste quando parar, n�o foi?
Algu�m certamente vai ter problemas com a pol�cia.
A licen�a dele acabou de expirar.
Obrigado pelas pipocas.
Sim, obrigado pelo filme.
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