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Devia ter me contado.
- Que suspeitava do meu marido? - Sim.
Como alguém conta isso, Shane?
Joe matou minha irmã porque ela descobriu a verdade sobre ele.
Eu não queria acreditar.
Achei que fosse um grande erro.
4 MESES ANTES
A GRANDE ILUSÃO DE HARLAN COBEN
Ele era o pai da minha filha.
Não era um assassino.
Não dividi minha cama e meu coração com um assassino.
Maya, sou eu.
É a sua irmã.
Aconteceu algo terrível.
Ela foi assassinada na própria casa.
Pode imaginar como deve ter sido assustador?
Por que alguém a mataria?
Provavelmente não era a intenção.
Não esperavam que ela estivesse na casa.
Não tinham nada de valor.
Não sei por quê, Maya.
Sente falta dela?
Claro que sinto.
- Por quê? - Vocês trabalhavam juntos.
Você a via mais do que eu.
Parece estar lidando bem.
Cada um lida com essas coisas de um jeito, Maya.
Você tem armas, não tem, Maya?
Sim. Todas autorizadas e com licença.
Mais alguém tem acesso?
Não. O Joe tinha.
O que é isso?
É antiga. Está desativada.
- Uma Glock 17? - Sim.
- É sua única pistola? - Sim. A única.
Por que queria acesso ao cofre de armas,
se as odeia tanto?
Com tudo que está acontecendo, você fora, a Lily em casa...
Era só por precaução.
Maya, está pronta? Precisamos ir.
Preciso que cheque uma bala.
Uma bala?
Preciso que compare
com a bala que matou a Claire e está com a polícia.
Onde conseguiu?
Preciso saber se é da mesma arma que matou a Claire.
Pode checar?
Posso pedir pra um colega.
Preciso saber se tenho razão
ou se estou louca.
Maya?
Preciso falar com você. Sei o que fez.
Do que está falando?
Boa noite.
Sabe do que estou falando.
Não faço ideia.
Sei o que aconteceu, Joe.
- Preciso falar com você longe da Lily. - Maya.
Me encontre no lugar de sempre no parque.
Às 21h.
Eu não queria acreditar.
Achei que tinha algum engano.
Mas quando a bala coincidiu...
Se eu confrontasse o Joe, descobriria que...
estava enganada.
Troquei as armas.
O Joe pegou a desativada do cofre,
e fiquei com a que funcionava.
O que foi aquilo, Maya?
"Eu sei o que você fez."
"Me encontre no parque".
Quer conversar em casa?
Na frente da babá?
Sobre o quê?
Por que matou a Claire.
Vai negar?
Vai olhar nos meus olhos e negar, Joe?
Sim, meu amor, vou negar, porque é uma acusação ridícula.
Você está louca?
Eu te conheço, Joe.
Não vou descansar.
Vou infernizar a sua vida...
até revelar o que você é.
E o que eu sou?
Um assassino.
Ainda tinha uma chance de haver alguma explicação.
Até ele puxar o gatilho.
- Nunca provará que eu a matei. - Não?
Não.
Tem razão.
Eu o feri com os dois primeiros tiros para parecer um roubo que deu errado.
E o matei com o terceiro.
Eu me cobri com o sangue dele pra parecer que o segurei enquanto ele morria.
Vi dois caras de moto no parque.
Sabia que contar à polícia sobre eles desviaria a atenção de mim.
No seu primeiro depoimento,
você disse que dois jovens mascarados apareceram de moto no parque.
Sim.
E você disse que desceram da moto e tentaram pegar sua bolsa.
Correto.
Quem te pagou pra matar Joe Burkett? Fala!
Tá bom!
Ninguém me pagou, cara. Eu não o matei, tá?
Mas sei quem foi.
Socorro! Por favor, alguém ajude!
Saiam.
A casa é pra lá!
Não nos deixe aqui!
É a minha caminhonete.
- Kierce, não pode me ligar. - Preciso que localize uma placa.
Está suspenso.
Foda-se.
Maya Burkett matou o marido.
O Rambo, cúmplice do PJ, testemunhou.
Ela está no carro do Joe. É um Range Rover Evoque preto.
Kierce, não pode fazer isso. Você será demitido.
Marty, por favor.
Ninguém vai saber.
Por isso preciso que me faça esse favor.
- Kierce. - Só preciso dessa informação.
Me dê cinco minutos.
Foi visto aqui pela última vez.
A que horas?
Às 12h40. Foi...
- Há dez minutos. Obrigado, Katherine. - De nada.
- Recebeu a localização? - Sim, obrigado.
Estou indo para lá e quero que fique no telefone.
Não quero que desmaie. Vamos conversando até chegarmos lá.
Você é um bom homem, mas, se tem algo que vai me fazer desmaiar,
é ouvir você falar.
- Nos vemos quando você chegar. - Ki...
Fala sério...
DELEGACIA DE WINHERST
Vamos!
Saiam!
Saiam da frente!
Alô?
Marty, é a Katherine.
Recebemos uma nova atualização.
Marty.
Maya está perto da Creche Pequeninos na Pleasance Drive.
Ela vai buscar a filha.
O que foi?
- Cadê a Maya? - Me pediu pra pegar Lily.
- Ela está bem? - Está com o carro dela?
- Ela pediu pra trocar. - Por quê?
Ela disse...
- Disse que tem gente atrás dela. - Merda!
- Faz ideia de onde ela possa estar? - Não.
- Meu carro tem rastreador. - Me mostra.
"CARRO DO EDDIE" - V70 ESTATE
- Ela foi pra casa. - Pra casa?
Disse que ontem foi a primeira vez que viu Tommy Dark,
vivo ou morto.
Sim.
Como explica encontrarmos sangue AB positivo
na mala do seu carro?
- Pegou meu carro? - Sim. O meu deu problema.
Vou mandar arrumar de manhã. Eu precisava resolver umas coisas.
Por que fizeram isso?
Judith acha que você está mentindo sobre a morte do Joe.
PARA LILY
Maya Burkett, está presa por suspeita de assassinato.
O que está fazendo?
Não precisa dizer nada, o que disser poderá
prejudicar sua defesa.
Vou contar tudo. Vou explicar tudo. Por favor.
É a isso que me refiro quando falo de desempenho
e transformação.
Ser guiado por um propósito e impulsionado pelo desempenho.
A Burkett Pharmaceutical está indo bem para os investidores,
e nossos medicamentos fazem a diferença no mundo.
Espero ter começado bem,
e agradeço seu apoio.
Eu dou valor a isso.
- Ao próximo ano. - Ao próximo ano!
Não quis contar pelo telefone.
Está virando um teórico da conspiração?
Agora sei a verdade
e preciso da sua ajuda.
Obrigado por vir.
Muito obrigada. Venha nos visitar em breve.
Tchau.
Foi um prazer vê-lo.
- Vá com cuidado. - Dirija com cuidado, Sven.
Tchau.
Uma noite de sucesso?
Sim. Seu discurso correu bem. Eu reparei na cara deles.
- Douglas foi meio inflexível. - Foi.
Exatamente, mas valeu a pena. Acho que valeu a pena.
- Conhaque, mãe? - Não, obrigada, querido.
Maya?
O que está fazendo aqui no escuro?
Queria que eu achasse que estava enlouquecendo.
A farsa da câmera-espiã foi obra sua.
Disse ao Luka e à Izabella que eu estava envolvida na morte do Joe.
Foi um dos seus experimentos psicológicos?
Não. Eu nunca usaria meu trabalho para algo tão baixo.
Ainda me menospreza.
Mesmo agora.
Nunca fui boa o bastante para você, não é?
- Acha que matei seu filho? - Maya.
E aí?
Acha?
Acho.
Pensou em mexer com a minha cabeça?
Um passo em falso, e me prenderia pelo assassinato do Joe?
A câmera-espiã.
As roupas desaparecidas.
Os telefonemas.
Caroline mentindo que o detetive estava na sua folha de pagamento.
Eu não sabia que era mentira.
- Não tinha certeza. - São farinha do mesmo saco.
Por que está aqui, Maya?
Armou pra mim,
esperando que eu cedesse.
Responda, Judith.
Por que acha que matei o Joe?
Eu só sabia.
- Uma mãe sabe. - Mentira.
E aí?
Matou?
Você sabia, porque eu tinha motivo.
Não sabia?
O Joe matou minha irmã.
- Que bobagem! - O Joe matou a Claire.
- Talvez não queira enxergar, Neil. - Não preciso ouvir essa merda.
Joe matou Claire, e sua mãe sabia.
- Não dê ouvidos. - Não.
- Claire sabia da sua corrupção. - Claire roubou de nós.
Ela era um veneno.
É de família. Ela queria destruir nosso negócio.
Porque ela descobriu que você falsifica resultados de ensaios clínicos,
coloca remédios perigosos no mercado, deixando as pessoas doentes.
Mas o Joe a deteve,
torturou,
matou.
Imagina o que os filhos dela passaram?
O marido?
O que eu passei? Tudo para proteger sua empresa perigosa e corrupta.
Joe entrou em pânico, Caroline.
Claire não devolveu os documentos, não disse o que ele precisava saber.
Sua irmã começou isso.
Ela atacou esta família.
Deveria saber melhor do que ninguém,
quando um inimigo ataca, você tem o direito de se defender.
- Ela era minha irmã, sua maldita! - Certo, já chega.
- Já, Neil? - Sim.
Já? Porque acho que não está nem perto.
Você não entende, não é?
O Joe matou pessoas.
Não foi só a Claire.
Teve mais gente.
O Christopher Swain me contou sobre o Theo Mora.
- Mãe. - Não há provas.
E o Tommy Dark.
Ah, e não vamos esquecer
o próprio irmão.
- Andrew? - Andrew cometeu suicídio.
- Mentira! - E você sabe.
Foi o que a Claire descobriu. Por isso o Joe a matou.
O Joe empurrou o Andrew do iate para se salvar.
Não é verdade!
É tudo mentira deslavada!
O Christopher Swain disse que, depois da morte do Theo,
o Andrew não aguentou.
Ele queria se entregar.
Ele contou aos outros no iate, mas o Joe não permitiu.
Isso é bobagem. Pura ficção. O Andrew pulou.
O Joe matou o Andrew e a Claire.
Quantos mais, Judith?
Você criou um assassino.
Você se casou com um e depois o matou.
Matou a sangue-frio,
como se tivesse voltado àquele país.
- Admita. - Sim!
Eu matei o Joe.
Matei o homem que matou minha irmã.
Eu não deixaria aquele monstro criar minha filha.
Agora tudo virá à tona, não é?
Três testemunhas?
Ficarei feliz em vê-la atrás das grades o resto da vida.
Tudo bem. Sabe o que mais vai vir à tona?
Suas mentiras.
Os ensaios clínicos.
E tudo isso
vai acabar.
É o fim, Judith.
Ninguém acreditará.
Acredite, o mundo está descobrindo.
Você já era.
- Qual é a prova? - É mentira.
- E a prova? - Acha que o dinheiro protege vocês.
Acha que faz tudo desaparecer
e cria essa bolha em que você vive,
onde basta estalar os dedos para conseguir o que quer.
Maya, você quer justiça pela sua irmã.
Tudo bem.
Você conseguiu.
O Joe morreu. Não podemos fazer nada.
Não quer ir para a prisão. Não queremos um escândalo.
Por que não fazemos um acordo?
Um acordo?
Culpamos o Joe.
Culpamos pelos problemas com os ensaios clínicos,
insinuamos que ele foi morto por causa disso.
E recomeçamos.
Ninguém precisa saber a verdade.
E talvez, Maya,
às vezes eu questione a forma como criei o Joe.
Eu o criei para ser superior, mas...
o Joe se foi, e o Andrew.
Não faz sentido arruinar mais vidas.
Pense na Lily.
É a solução lógica para tudo isso. Não acha?
Não.
É tarde demais.
Ela tem razão. Tarde demais para acordos.
Ela invadiu nossa casa, admitiu ter matado nosso irmão e ameaçou nos matar.
Você ouviu. Nossa vida corre perigo.
Matou meu irmão.
- Você não é nada. - É um homem fraco e patético.
Não tem coragem de atirar. Está com muito medo.
Abaixe a arma.
Eu juro...
Meu Deus! O que você fez?
Meu Deus!
Acabou.
É.
Meu Deus!
Meu Deus!
O que estava pensando?
Meu Deus...
Meu Deus...
Meu Deus!
Não!
Ela morreu! Não!
Eles a mataram
na frente do mundo inteiro!
BOCA NO TROMBONE AO VIVO
Merda...
- O QUE ACABEI DE VER? - ELA MORREU? CHAMEM A POLÍCIA!
BOCA NO TROMBONE EXPÕE A FAMÍLIA BURKETT
Judith, Neil e Caroline Burkett foram levados sob custódia pela polícia.
Os Burketts não sabiam que a conversa...
Milhões assistiram à transmissão ao vivo em que Maya Stern
foi baleada por Neil Burkett,
CEO da Burkett Global Enterprises.
Eu deveria...
ter ido com ela.
Não deveria ter deixado a Maya sozinha.
Ela sabia o que estava fazendo.
Deixou a arma de propósito.
Kierce, a Maya deve ter planejado isso.
Ela matou o Joe. Matou aqueles civis.
Ela sabia que isso só acabaria de um jeito.
18 ANOS DEPOIS
BEM-VINDO AO HOSPITAL GERAL DE WINHERST
Siga em frente e vire à direita. Vai encontrar a Ala E.
Oi.
- Oi. - Imagino que...
Sim. Estou muito feliz por ela.
- Você deve estar... - Muito orgulhoso.
- Sim. - Sim.
- Parece bem. - Obrigado. Você também.
Não falei só porque falou primeiro.
- É sério, você está ótimo. - É.
- Como seu garoto está? - Ele já é um homem.
- Mais alto do que eu. - O quê?
Todos os clichês são verdade.
Como o tempo voa, não é?
Voa mesmo.
E como estão os seus?
Ambos bem. A Abby tem dois. Eles vêm ver a Lily mais tarde.
Ainda bem, Eddie, que você ficou ao lado da Lily.
Foi bom pra ela.
Foi um privilégio ver a Lily crescer.
Ela é como a mãe.
Forte.
Não, mandona.
Parece que foi há muito tempo.
- Mas também... - Que foi ontem.
QUERIDO EDDIE
POR FAVOR, ESTEJA AO LADO DA LILY E FAÇA PARTE DA VIDA DELA
Sim.
Vamos.
Se eu for para a prisão, tudo bem.
Só quero mostrar ao mundo o que aqueles malditos fizeram.
Quero mostrar quem eles são.
Preciso te contar uma coisa
sobre o que houve comigo.
Achei que eu estava morrendo. Eu tinha apagões.
Fiz exames.
Achavam que eu tinha
problemas neurológicos.
Mas era o remédio deles.
O remédio dos Burkett.
Apagões,
alucinações, e era tão ruim fui
a uma ponte...
e quase...
Todo aquele tempo,
os desgraçados estavam encobrindo tudo.
Sim.
Está tudo bem.
Escuta.
Eu te ajudo.
Você está bem?
- Obrigada. - De nada.
Veja quem encontrei.
- Obrigado. - Kierce.
- Oi! - Oi!
- Oi. - Bom te ver.
- Bom te ver. Parabéns. - Obrigado.
Lily, olha só ela.
Meu Deus!
Oi.
Ela é linda.
- Quer segurar? - Não. Eu não.
- Acho que vou derrubá-la. - Vai se sair bem.
Tudo bem. Vem cá.
- Faz tanto tempo... - Boa menina.
Peguei você.
Olha essa carinha.
Oi.
- Já pensou no nome? - Já.
Vamos chamá-la de Maya.
Oi, Maya.
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