All language subtitles for Pororoca.2017.720p.WEB.H.264.MKV

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Original subtitles

POROROCA

Mexa os braços, mexa as pernas!

Vamos! Você não tomou o café da manhã?

Tomou? Pois não deveria.

Veja, agora está se afogando.

Respire!

Nós queremos profissionais, você não está aqui a lazer.

Ou você terá problemas! Vamos!

Mexa esses braços, mexa essas pernas!

Vamos!

Respire.

Ei, você! Respire ou vai se afogar.

Respire, respire...

Nós, andando de novo. De costas.

A moça perto de mim estava roncando.

No final, minha esposa ficou furiosa porque eu não aplaudi de pé.

- Mas eu não dou a mínima! - Olha como fala!

Agora é fácil.

- Quer um pouco de suco, querida? - Espere, você recebeu a mensagem?

- Eu não entendi. - Obrigado, mas chega de teatro pra mim.

- Você nunca mais vai? - Não.

Você não vai com certeza. Obrigado.

Está tudo bem, docinho?

Tem uma mensagem pra você.

De quem?

Deve ser a Diana, ela deixou o pote dela aqui.

É uma chamada.

Um número com 435.

Tudo bem, deixe tocar.

Bem, quem é?

Um imbecil, um ex-cliente.

Se ele é "ex", o que ele quer?

- O que você acha? - Ah, querida!

- Devo me preocupar? - Claro!

E se eu ligar e disser pra ele o quanto somos uma ótima família,

com lindos filhos,

como ele vai pagar suas universidades e casamentos?

- É que você é boa, hein? - Pare com isso.

Não, é sério.

É uma boa ideia, eu não precisaria trabalhar tanto.

Férias em ilhas. Ele é rico?

Ele está falido.

Ele vai esfriar em algum momento.

Eu fiz um teste de compatibilidade ontem.

Não brinca! Você faz testes de compatibilidade? É tão inseguro assim?

- Não seja tola. Ouça. - Você é que é o tolo!

- Só ouça. Eu tenho uma questão. - Não diga.

Era... você seria infiel se eu estivesse em uma cadeira de rodas?

Se você estivesse em uma cadeira de rodas?

Jesus!

Você não poderia levantar? É isso?

- E nós ainda seríamos casados? - Sim.

Não.

Eu acho que não.

Espere, há quanto tempo você estaria na cadeira de rodas?

- Um ano. - Um ano?

Claro, eu teria feito isso muito antes!

Eu sabia. Saia. Tire seus pés daqui. Você me enche o saco.

Que vergonha! Quem te ensinou essas coisas nojentas?

- Você tem uma ligação. - Quem é?

Seu amigo do 435. Sapatos.

- Está bem. - Como assim, está bem?

Deixe tocar!

Certo, danadinha. Pegue seus sapatos.

É um chute de futebol

Esperem aqui.

Por que você não atende?

Eu sei quem você é e onde você mora.

Ligue de novo e eu vou ferrar com toda a sua família, babaca.

Desgraçado!

- O que houve, querida? - O que está fazendo?

Estou pronto pra ir, princesa!

- Cristina, vamos sair. - Certo, vão.

Venha aqui. Me dê seu sapato.

- Assoe o nariz. - Que desajeitado. Deixa que eu faço.

Ilie? Vá buscar os lenços na mesa.

- Pra quê isso? - É da Maria. Leve.

Ela vai ficar com muito calor.

Não deixe ela suar. Pegue o boné do Ilie.

- Não quer seu boné? - Não, está muito quente.

- Não estou te perguntando. Leve. - Eu peguei.

Pegue um lenço, querida.

- Só tem mais três. - Perfeito. Me dê um.

- Sua carteira? - Já peguei.

Vamos, ou não voltaremos até de manhã.

- Por quê? Está de noite? - Quero dizer amanhã de manhã.

Assoe.

Vamos, mais forte.

Pronto, assim. Calma, espere.

Vamos.

Tchau.

Pai, quando faço xixi e cocô, por que não dizemos "xicocô"?

- Xicocô? - Sim.

Se quiser, você pode, querida.

- Sim, eu quero. - Ótimo.

Pai, você sabe por que os elefantes têm olhos vermelhos?

- Eu sei. - Eu perguntei pro papai.

- Não, por quê? - Pra se esconder nas cerejeiras.

Por que nas cerejeiras?

- Já viu algum numa cerejeira? - Não.

- É porque estão bem escondidos. - Certo.

Podemos ir à Disney? A Ana vai.

- Agora não, amor. - Então quando?

Agora não, vamos ver.

- Mas por que não? - Porque é caro.

Mesmo se só formos olhar?

- Eu vou no tobogão. - Tobogã.

- Tobogão. - Tobogã. Fique com a Sandra.

- Sandra, você cuida dela? - Sim.

Nessa idade é tudo tão simples.

Eu sei.

Pelo menos não é o Alasca!

Tudo é possível.

Sim.

Estou no parque.

E aí?

Certo.

Não as taxas da semana passada, as taxas da data do contrato.

Isso não está certo.

Mude, Radu. Então veja com a contabilidade.

Diga a ele que eu sou o gerente, é meu trabalho checar as coisas.

Sim, exatamente.

No final do mês.

Sim, querida. Espere. Sim, é um cachorro.

Docinho? Venha aqui.

Espere um segundo. Você está jogando futebol?

- Você é o goleiro? - Claro que não, sou o Keseru!

- Tente não se sujar. - Certo.

O que estava dizendo?

No último dia do mês, na data do contrato.

- O que foi, querida? - Nada.

- Tem lugares para os cães. - Sim, Deus!

Você o deixa fazer cocô onde as crianças brincam.

Eu adoraria ir pescar, mas prometi ficar com a família.

O parque dos cães é imundo.

Eu prometi.

Nunca limpam. É nojento.

Seria ótimo. Cerveja, um churrasco.

Tenho um pouco de dor de cabeça.

Você deveria levar seu cachorro lá.

- Eu te convidei! - Acha que eu levaria meus filhos lá?

- Sim. - Você não vai lá porque é sujo.

Você deveria ter vergonha.

Na verdade eu não quero ir pescar.

- Sim, querida? - Estou com sede.

- Espere. O quê? - Ainda estou com sede.

Cachorros são um estorvo.

Uma criança foi morta em um parque por um.

Maria? Você quer um sorvete?

- O quê? - Sim. Ada perguntou se quero sorvete.

- Nós vamos almoçar logo. - Sim.

Você não vai almoçar.

Sim?

- Não vamos contar pra mamãe. - Eu não vou.

- Que tipo de sorvete? - De frutas e sem açúcar.

- Está bem, obrigado. - Espere um pouco.

- Só um pequeno. - Sim.

Sim.

Minha filha quer sorvete. Está indo comprar com uma mãe.

Claro que não! Ela não está usando uma mãe para pagar.

Uma mãe no parque vai comprar sorvete pra ela.

Você quer um ou dois?

Sim.

Certo. Tenho que ir. Eles estão por aqui. São donos do parque.

Certo, até mais. Tchau.

Eu pego o cocô dela.

Eu sou civilizado.

Você está infringindo a lei.

É discriminatório eu não poder andar com meu cão no parque

- só porque tem algumas pessoas. - Eu não me importo!

- Estou vendo isso. Sinto muito! - Sente nada!

Deveríamos proibir as bicicletas também.

E patins!

E os carteiros. Eles podem derrubar as crianças.

Sério, eles são perigosos.

E então? Está bom?

- Quanto te devo? - Nada.

- Eu insisto. - Da próxima vez você paga.

- Obrigado. - Vamos.

Sinto muito, a vida é assim na cidade.

Não preciso que me dê lições.

Você tem que cumprir a lei.

- Senhora... - Chega!

Então não volte ao parque!

Você é que não deveria voltar ao parque.

Alô?

No parque com as crianças. Você pode falar?

- Papai, estou com sede. - Sim, querido.

Espere um segundo.

- Obrigado. - É a lei, fim de papo.

Se a lei me autorizasse a te estrangular...

- Vamos. - ... no parque com uma coleira...

- A água está quente! - Verdade.

- seria loucura, nós aboliríamos. - Você está de brincadeira.

Desculpe, meu filho estava com sede.

Sete.

Maria tem cinco e meio.

Sim, eu sou bom nisso.

Eu produzo os dois, meninas e meninos.

Eu pensei em você, não diga isso.

Nós vamos nos ver, de todo modo, certo?

Cães vadios, abandonados por hipócritas como você.

Sim, vamos falando. Até mais, tchau.

Meça suas palavras, jovem!

Desculpe, eu não trouxe uma régua. Foda-se.

Que raiva! Eu nunca vi tanto desrespeito.

- Maria? - Foi fazer xixi.

- Onde? - Tudo bem, ela está com minha filha.

Lá com a Ada?

Tentei te falar. Ela precisava. Você estava no telefone.

- Eu vou ver. - Não precisa se preocupar.

Você é tão tacanha, senhora!

A vida é assim, e não como você quer que seja.

Você não passa de um idiota com seu cachorro velho fedorento.

Meça suas palavras.

Maria? Você está aí, querida?

- Vocês são duas bruxas idiotas. - Tudo bem?

Obrigado pela ajuda.

Por aqui.

- Ainda quer brincar? - Sim.

Certo.

- Querida? Querida? - Sim?

Vou pegar um café. Você tomou sorvete pelo nariz.

Eu estarei no quiosque. Fique aqui.

- Promete? - Sim.

Sandra, Cris, vamos.

Vamos, meninas.

Podemos voltar depois?

Nós voltamos. Vamos.

- Tudo bem? - Quero brincar com Maria depois.

Certo. Ande, vamos.

- Ada. - Sim?

Vamos, querida.

Vamos, veja se está mais fresco na sombra.

Seu filho está jogando futebol.

Ele só está sendo um menino.

Você está indo? Tchau.

Sua filha tomou sorvete também.

Bem, ela me implorou!

Verdade, caprichosa como o pai.

Vamos ficar um pouco mais.

Não tenho ideia. Você escolhe.

Vou perguntar, mas você sabe que eles dirão batata frita.

Certo, até mais tarde.

- Ilie, onde está a Maria? - Não sei, ela estava brincando com balões.

Fique aqui. Maria?

Gatinha?

- Chame ela também. - Maria!

- Ei, sapinha! - Vamos, querida, onde está?

Onde ela está? Maria?

- Onde a viu por último? - Perto da casinha.

Ela não está lá.

- Vocês não estavam juntos? - Sim, perto da casinha.

Venha comigo.

Na verdade, espere... Pode ficar um pouco aqui?

Fique com a moça, não se mexa.

Querida!

Gatinha!

Docinho!

Onde você está, meu amor?

Gatinha!

Apareça, querida.

Querida? Cadê você, passarinha?

Querida!

Querida!

Onde diabos vocês estavam? Minha filha desapareceu.

Eu estava aqui, e você?

Aqui, mas é seu trabalho. O parque não é seu?

- Meu parque? Se quer agir assim... - Minha filha está desaparecida!

- Como ela se perdeu? - É uma loirinha?

Sim, de macacão azul. Ela estava aqui!

- Quantos anos ela tem? Chame a polícia. - Cinco.

- Talvez tenha ido pra casa. - Impossível.

- Aconteceu conosco uma vez. - Ela estava ali.

Ela não iria pra casa tão rápido. Minha esposa teria ligado.

- Eu vou procurar. Espere aqui. - Passarinha!

Ilie, venha.

Sandra, segure minha mão, vamos.

- Você pode esperar? - Sim, vai.

Fique com a moça.

- Chame a polícia. - Não deveríamos estar procurando?

Se ela estiver perdida, ela vai nos ouvir.

Onde você está, meu bebê?

Meninas! Sandra, Cris, venham aqui, rápido.

Não consigo encontrá-la.

Talvez ela tenha caído em uma vala.

Eu olhei, ela não está lá. Ilie, não se mexa!

Mihai, vamos começar a procurar também.

- Ela pode estar no lago? - Por favor, fique aqui.

Aonde você vai?

Eu não sei o que dizer.

Minhas pernas estão tremendo.

Minha boca está seca.

Gatinha!

- Ela está doente? - Quem?

Maria.

- Não. Por quê? - Talvez ela tenha passado mal.

Talvez ela tenha feito xixi e tenha se escondido. Minha sobrinha fez isso.

Acontece.

Eu conheço minha filha, ela foi sequestrada!

Quem a sequestraria? Estamos todos aqui. Isso não é uma selva.

Então onde ela está? Ela estava aqui!

Talvez tenha se perdido e esteja em algum lugar, assustada.

- Me diga, vocês estavam brincando? - Não.

Me fale, é sério. Veja como o pai dela está preocupado.

Nós não estávamos brincando de nada. Ela queria um apito.

- Que apito? - Eu não sei!

Diga-nos, que apito?

Não sei. Foi o que ela disse. Ela foi por ali.

Ela voltou dizendo que queria um.

Que apito? Quem?

- Que tipo de apito? - Eu não sei.

Por favor, pense e me diga onde vocês brincaram.

Deixe-me perguntar, por favor. Acalme-se. Eu vou cuidar disso.

Que apito, querida?

Onde diabos está o cara com os balões?

Ele foi embora. Eu não o vi.

Acalme-se. Eu vou encontrá-la.

- Maria, certo? - Sim.

Vamos encontrá-la. Onde ela pode ter ido?

- Gica, venha aqui. - Chame a polícia.

- O que houve? - Uma criança sumiu.

Onde?

- Apenas venha. - Onde, no nosso parque?

Ligue para o 101!

Sim, no nosso parque, onde mais? Venha.

- Mas onde e quando? - Não sei, só venha.

- Ela pode estar no lago? - Alô. Minha filha sumiu.

- O que ela estava vestindo? - No parque.

Eu não sei. O "Round Park."

Setor 2.

Certo, vou esperar.

Meu nome é Ionescu. Minha filha desapareceu.

No Round Park, setor 2.

Sim, eu sou o pai.

Cinco e meio.

- Ilie, venha. - Vão mandar alguém?

Sim.

Papai, por que você não liga pra mamãe?

Eu vou ligar pra ela, querido.

Cristina?

Nós vamos precisar de uma foto da criança.

Sim, claro.

Ela deve ter seguido alguém, ou um cachorro, ou um brinquedo de criança.

Ela não foi pra lugar nenhum.

Eu perguntei aos outros pais que estavam lá.

Eu chamei, procurei nas valas, nos arbustos.

Fui até o lago, pra saber se ela havia caído.

Eu sabia que não, mas verifiquei, de qualquer forma.

Nossa equipe de mergulhadores está procurando no lago agora.

Ela não está lá! Foi o primeiro lugar em que olhei.

- Ela não poderia ter ido lá na minha frente. - Mas passou pela sua cabeça.

Temos que considerar tudo, não estou dizendo que aconteceu.

Mas esses são os procedimentos.

Eu me lembro de uma coisa.

A menininha que levou a Maria ao banheiro

disse que Maria mencionou apitos, ou um apito.

O cara dos balões vende esse tipo de porcaria.

Eu o procurei, mas ele tinha ido embora.

Ela pode ter ido...

Talvez não seja nada, uma pista falsa, como dizem.

Talvez ela quisesse um apito e o tivesse seguido?

Ela não segue ninguém.

Ela não vai a lugar nenhum sem a minha permissão.

Entendo.

Você tem conflitos com alguém?

- No trabalho, em casa? - Não.

- Seus filhos são de outra relação? - São nossos.

Sua mulher está tendo um caso? Vingança de amante?

Não.

- E você? - Não.

Sua esposa não precisa saber por hora.

Não.

- Existem casos não resolvidos? - Acontece.

Diga-me, você suspeita de alguém?

Consegue pensar em alguém em particular?

Algum conflito, mesmo que pequeno?

Alguém que quisesse te prejudicar?

Uma brincadeira de mau gosto ou algo parecido?

Não, é impossível. Ao menos ninguém que eu conheça.

- Um membro da família? - Não.

Mas um cara andou ligando pra minha esposa recentemente.

Bem, eu percebi há alguns dias.

Ela disse que ele era um cliente, ela é contadora e eu acredito nela.

Mas... eu liguei pra ele esta manhã e o insultei.

Se você acreditou nela, por que ligou pra ele?

Não sei. Instinto, eu acho.

- Quando ligou pra ele? - Hoje de manhã, do banheiro.

Do seu telefone?

Não, da Cristina, pra ter certeza de que ele atenderia.

Eu não contei pra Cristina.

Teremos que falar pra ela, isso poderia ser uma pista.

Mas casos assim são raros.

E os eventos estão muito próximos.

- A ligação e o desaparecimento? - Sim.

Você sabe quem ele é?

Cliente da minha esposa. Ela é contadora.

Mas eu não o conheço. Ela tem muitos clientes.

Conte-me como aconteceu.

Não sei.

Eu posso te dizer o que acho que aconteceu.

- Não foi isso que quis dizer. - O que você quis dizer?

Você estava no parque. O que estava fazendo quando percebeu?

Conte-me.

Que horas você chegou ao parque?

Logo depois das 11h. Eu te falei.

Nós vivemos a dez minutos do parque.

Saímos de casa às 11h.

- Tomaram café da manhã? - Sim.

O que comeram?

- Eu? - As crianças. Sua filha.

Uma tigela de cereais? Certo?

E meia fatia de pão com manteiga e mel.

E o seu filho?

- Também comeu cereal? - Sim.

E pão com queijo.

- Que horas? - Umas 9h30.

Você notou alguém te seguindo?

Não. Eu vivo em um bairro tranquilo.

Eu não fico olhando pra trás quando saio.

Você vê o mundo em que vive.

Vejo.

Eu preciso fazer essas perguntas.

Um detalhe aparentemente insignificante pode ser crucial.

Confie em mim.

Quanto mais rápido você refizer seus passos, melhor.

Detalhes desaparecem com o tempo, nossa memória os apaga.

Inevitavelmente esquecemos.

Qual é o seu endereço?

Rua Crinul de Munte, 5, prédio G5, escadaria A, 8º andar, apto. 41.

Me mostre a sua identidade, por favor.

- A minha? - Sim, a sua.

Você não está usando aliança?

Eu tirei. Meus dedos incharam.

Entendo.

Nós não brigamos, se é o que quer dizer.

- Eu não quero dizer nada. - É claro que quer.

Eu não sou seu inimigo. Estou aqui para ajudá-los.

Nós não rompemos.

Não tem câmeras no parque?

Receio que não. Eu verifiquei.

Há câmeras em todo lugar, exceto nos parques.

- Qual é a lógica? - Tem, mas não em todos os parques.

E não nesse?

Alguma marca particular? Problema de fala?

Ela tem cinco anos e meio.

- O que eu posso dizer? - Ela tem língua presa?

Não, ela é bem inteligente.

Alguma cicatriz? Machucados?

Ela está com um machucado no joelho esquerdo. Caiu da bicicleta.

- O que ela estava vestindo? - Um macacão jeans.

Uma blusa florida e sandálias.

- De que cor? - Eu não reparei.

De camurça amarela mostarda

com pedrinhas brilhantes amarelas.

Uma camiseta

branca com flores azuis,

verdes e rosas.

Uma pulseira rosa

com pedras de turquesa rosas e transparentes e um coração.

Ela estava de tranças e...

um grampo de cabelo rosa em forma de melão.

Seu marido falou sobre alguém que fica te ligando.

É irrelevante. Ele é só um cliente.

- O que eu quis dizer é... - Eu entendi, mas não.

Não existem conexões.

Até onde eu sei, ele está no exterior esse fim de semana.

E mesmo se não estivesse... Não existe conexão.

Mas posso te dar o número dele.

Mas ele não tem nada a ver com isso.

É pura coincidência. Meu marido está...

com tanto medo quanto eu.

- Qual é o nome dele? - Nimerea Cipriam.

Aqui está o número dele. Só um segundo.

Você estava jogando futebol?

Viu sua irmã brincando? Teria que nos dizer.

Se você viu, nos diga, querido.

Nós discutimos isso.

Se tivesse visto, ele diria. Ele é muito protetor com a Maria.

Ele cuida dela, ele teria nos dito imediatamente.

Você viu alguém vendendo apitos?

Viu a Maria comentar sobre apitos?

- Uma menininha... - Ada.

Ada. Você a conhece?

Certo, Ada disse...

que ouviu Maria dizer que queria um apito.

Não tenha medo, querido, o senhor está só perguntando.

Não é culpa sua, meu amor.

Ele só está perguntando, então podemos entender o que aconteceu.

Está tudo bem, querido.

Ele não sabe, ele teria dito.

Vamos, termine.

- E o escalope? - Eu não quero.

Como está, querida? - Você não gosta?

- O que eu posso dizer? - O trânsito estava lento?

- Eu também não. - Me dê os chinelos.

- Pare, pai, não seja bobo. - Me dê.

Onde estão seus chinelos? Quer também?

- Olá. - Olá.

Como está o meu tesouro? Meu pequeno tesouro?

Tudo bem?

Comam um pouco enquanto ponho o Ilie na cama.

Como aconteceu isso? Você não estava olhando?

Mãe!

Quer que o Ilie fique conosco por alguns dias?

Não.

Por quê?

Pensei que poderia ajudar.

Ele tem escola, é impossível.

Certo.

Como for melhor.

Olá.

Uma criança sumiu no sábado, você a viu?

Sozinha ou com alguém?

Não, eu não a reconheço.

- Desculpe. - Obrigado.

Olá.

Uma criança sumiu no parque no sábado.

Você, por algum acaso, viu essa garotinha?

Sozinha, ou dando a mão pra alguém?

Não sei.

- Eu não quero ser um fardo. - Você não é.

Se precisar de ajuda, eu posso vir.

Talvez comprar umas guloseimas.

- Tem comida pra alguns dias. - Certo.

- Olá. - Olá, Tudor.

Você já voltou?

- Estou com fome. - Sim, querido.

Troque de roupa e lave as mãos.

- Então vamos comer. - Mas eu estou com fome.

Lave as mãos, então vamos pôr a mesa.

Ande. Vamos lavar as mãos.

Não deixe sua mochila aqui.

Ilie, você me ouviu? Estou falando com você.

Ilie?

Venha trocar de roupa.

Eles ligaram?

Não.

O que tem pra jantar?

A Gabi fez frango e sopa.

Você não foi trabalhar?

Não consegui.

Tirei uns dias de folga.

Por que não cancelou com ela?

Ela ajuda nas tarefas. Eu só decidi hoje de manhã.

- Quer que ela vá embora? - Não.

Tanto faz.

Eu falei com um amigo, um jornalista.

Quem é?

Cristi Nitescu. Nós jogamos polo aquático juntos.

Nossas filhas estão na mesma sala.

Ele sugeriu que colocássemos uma foto no jornal.

Nos Estados Unidos, eles colocam fotos em caixas de leite.

Sério, Lulu...

Que "sério, Lulu"? O quê?

- Quando você o viu? - Hoje. Eu te contei.

É uma boa ideia.

Falo sobre as caixas de leite. Mal não vai fazer.

Só porque ela está em uma caixa de leite, não significa que você está procurando.

Essa não é a ideia. Você se lembra dela.

Eu entendo, mas não acho que funcionaria.

Se você vê uma criança de cinco anos sozinha e desorientada,

você a leva até a polícia.

Você não precisa vê-la em uma caixa de leite.

Isso se ela estiver sozinha.

E se ela estiver com alguém e você não souber como ela é?

Você não sabe, não é?

Se ela estiver sozinha e chorando...

Isso é bobagem.

Os mecanismos de autocontrole das crianças não estão desenvolvidos nessa idade.

Quando estão com medo, elas dizem:

"Eu quero a minha mãe! Eu quero ir pra casa!"

Se você ameaçá-las, elas não choram.

Pare, Lulu!

Eu acho que é uma boa ideia.

Não tenho certeza sobre o jornal.

Eu odeio o Facebook, é uma perda de tempo, mas...

nesse caso, poderia ser útil.

Precisamos fazer um post imediatamente.

Podemos postar um link, as pessoas compartilham, a informação se espalha.

Todo mundo está na internet hoje em dia. O impresso está morto.

- Onde está sua irmã? - Com o Ilie.

- Você está bem? - Sim.

- Quer uma cerveja? - Eles estão vendo desenho.

- Você quer uma? - Não.

Amanhã vou perguntar ao policial o que ele acha.

Sobre o quê?

Sobre o jornal, as caixas de leite.

- Quero imprimir a foto dela. - Ah, a polícia... como posso dizer?

Eles encontram seu filho se ele estiver na sua porta sangrando e sem vida.

- Jesus Cristo! - Cala a porra da boca!

Qual é o seu problema? Pra que dizer isso?

- Sabe o que quero dizer? - Você sabe como ser um idiota.

Eu só estou tentando ajudar.

O que quer que a gente faça? Só ficarmos sentados aqui?

Isso foi muito idiota!

- Me dá um gole. - Se fosse a sua filha,

você estaria comendo casca de árvore no parque, seu idiota!

Idiota do caralho!

- Não foi o que eu quis dizer. - Por favor, cale a boca!

- Você deveria... - Chega!

Puta merda...

Há um alerta nacional. A foto dela foi distribuída por todo o país.

Ela não pode ter cruzado a fronteira.

Vamos encontrá-la com certeza.

Eu sei que isso é difícil, você tem que ter paciência.

Estamos fazendo nosso melhor, dadas as circunstâncias.

Que circunstâncias?

Dado que não temos nenhuma pista verdadeira.

- E o lago? - Foi dragado,

nossos mergulhadores não acharam nada. Eu teria te falado.

E quanto ao cara que ligava para a minha mulher?

Nós continuamos interrogando, mas parece que não há conexão.

Ele esta no exterior, como ela disse.

E os pais do parque?

- Você pediu fotos a eles? - Sim.

- Nada? - Nada significativo no momento.

Cinco de nós estão investigando o desaparecimento da sua filha.

Por que só cinco?

Considerando o número de casos e a população, isso é bastante.

Também temos agentes de campo. Estamos fazendo tudo o que podemos.

Olá.

Olá.

Eu vi as fotos. Nenhuma novidade?

Não. Ainda estão procurando. Posso te pedir um favor?

No domingo você tirou fotos com seu telefone?

- Ou eu imaginei? - Não, é verdade.

Isso não me ocorreu.

Um segundo.

Aqui. Deslize para a direita.

Obrigado.

A que horas elas foram tiradas?

Como posso saber? Acho que perto das 11h.

Você se importa de enviá-las para o meu telefone?

- De forma alguma. - Não consigo ver bem. O sol está forte.

Quero colocá-las em ordem cronológica.

Vou criar um folder com todas as fotos dos pais.

Tudo bem. Eu não sei como fazer, mas se você souber...

Sim, pelo bluetooth.

Cris!

Venha aqui um segundo, querida!

Vá até a mãe da Simona no quiosque e peça para ela vir aqui.

- Onde? - No quiosque.

A moça de blusa verde e chapéu amarelo.

Peça para ela vir aqui, por favor.

Ela está sempre tirando.

- Fotos? - Sim.

- Talvez as dela sejam mais úteis. - Obrigado.

- Com o que você quer sonhar? - Que eu sou um astronauta

voando nas costas de um dragão.

Onde o dragão está voando?

No espaço, entre as estrelas e as naves espaciais.

- Mãe? - Sim, querido.

Onde está a Maria?

Eu peguei as fotos

das mães do parque.

Tiradas no domingo.

Talvez haja uma pista.

Você quer dar uma volta?

Eu não quero ir a lugar nenhum.

Mal posso me mexer.

Não vamos sair e deixar o Ilie dormindo.

Talvez devêssemos mandá-lo para os meus pais na costa por algumas semanas.

Não é uma ideia tão má.

Então?

Estou pensando.

Não sei o que dizer.

Eu vou deitar, talvez consiga dormir um pouco.

- Aqui está. - Não tenho garfo.

- Suco ou leite? - Suco.

Não se esqueça de tomar o iogurte.

Não tenho colher.

- Pra quê? - Para o iogurte.

Pão.

Eu não gosto de tomate.

Não vou fazer outro. Coloque do lado.

Alô.

Eu não vou hoje.

Sim.

Sim.

Certo, tchau. Eu não sei.

Certo.

Olá.

Você vende apito?

Não, só balões.

- Então o que é isso? - É pra fazer barulho.

Pras crianças saberem que eu estou aqui.

- Tenho te visto por aí. - Eu venho muito aqui.

Minha filha desapareceu há três dias.

Sinto muito.

Uma criança que estava com ela a ouviu dizer que queria um apito.

Pensei que talvez você pudesse tê-la visto.

A polícia me interrogou. Eu presumi que fosse sobre isso.

Eu venho muito, mas não me lembro dela. Eu disse a mesma coisa aos policiais.

É impossível de lembrar.

Vendo balões pra muitas crianças... e para os pais também.

E em outros parques também.

Não posso me lembrar. É impossível.

Imagine.

Ela é uma menina loirinha.

Talvez você a tenha visto saindo do parque com alguém?

Mesmo se eu a tivesse visto, como eu saberia?

Desculpe.

Eu gostaria de poder ajudar, mas eu não notei nada.

Eu não estou sendo idiota, mas realmente...

Alô. Sr. Pricop?

Aqui é o Tudor Ionescu.

Não. Digo, sim.

Alguma novidade?

A garotinha que desapareceu no domingo.

Nós fomos ao cinema.

Vocês foram ao cinema?

Sim.

Venha aqui.

Veja, papai.

Venha aqui. Veja!

Você comeu?

Não, estava te esperando.

Você viu?

Está com fome?

Coma uns biscoitos.

Ei te disse um milhão de vezes. Pratos com pratos,

e copos com copos!

- Vá para seu quarto, por favor. - Está bem.

Vou ficar um pouco com a mamãe.

Eu liguei para aquele imbecil e disse para ele não ligar.

Desculpe.

Desculpe. Foi... patético.

Não foi patético.

Eu entendo.

Ele que se foda. Não dou a mínima.

Ele não está envolvido nisso. Eu teria te contado imediatamente.

Ela queria ser bailarina e marionetista.

Quer dizer, fazer roupas pra marionetes.

E astrônoma e princesa.

Ilie queria ser varredor, lembra?

Por que isso? Não sei de onde veio isso.

Ele reduziu a lista pra carateca, piloto e jogador de futebol.

Nós teremos uma vida interessante.

Você foi malvado com ela.

- Você bateu nela. - Quando?

Semana passada, quando ela estava brincando de boneca.

Você estava de péssimo humor.

Eu disse no balé que ela não ia mais e paguei.

Como assim, pagou? Por quê?

Como assim, por quê? Nós tínhamos que pagar. Eu paguei.

A culpa não é deles.

Não deveríamos ter pagado?

Acha que se sentiriam mal

e não cobrariam o dinheiro?

Eles queriam o dinheiro deles, então eu paguei.

Por que pagaríamos se ela não vai mais?

Ela vai.

O que há com você? Nós temos que pagar, devíamos dinheiro a eles.

- Não foi isso que eu quis dizer. - Então o quê?

Estamos discutindo pelo dinheiro do balé? Que porra!

Eu quero ir pra casa dos meus pais.

Não consigo mais lidar, Tudor.

Não sei o que fazer.

Me perdoe, querido.

Me perdoe.

O que houve, querido?

- Estou brincando com o Hector. - Hector?

Esse é o nome dele?

O Anto também tem um cachorro chamado Hector.

Bem. Hector é um belo nome.

- Só que ele é branco. - Ele é branco?

Vamos ficar com o vovô?

- Quando? - Amanhã ou depois. Logo.

O papai também vai?

O papai tem que trabalhar, ele não pode ir agora.

Podemos levar o cachorro?

Sim, querido.

- Ainda está brabo comigo? - Não.

Um beijo?

Vamos vestir seu pijama.

Fique aqui. Levante os braços.

Sim?

Oi.

Não, eu não vou. Preciso de mais tempo.

Uma semana... não sei.

Como está a vida?

Sério?

Sem brincadeira?

Tenho certeza.

Você comeu?

Sim, sobrou um pouco.

Sim, é normal.

Nos seus pais?

Que bom.

Você precisa de alguma coisa?

Não sei, roupas, talvez?

Diga alguma coisa.

Nada.

Não chore, por favor.

Por favor.

Por favor, querida.

Eu não... por que dizer isso?

Eu não bati nela! Por que continuar falando isso?

Você disse no telefone que tinha uma suspeita.

Você já o viu no parque antes?

É incomum suspeitar de alguém?

Não, acontece. Tome um café.

Estou tentando acompanhar seu raciocínio.

Tem uma coisa bizarra em relação a ele.

Muito bizarra.

É um palpite, não estou te pedindo para prendê-lo...

só pra falar com ele.

Ele pode dizer alguma coisa. Você é o especialista.

- Você pode pegar algum detalhe. - Deixe eu entender...

ele é suspeito porque estava sozinho no parque àquela hora?

Porque ele estava sozinho? Porque ele estava no parque?

Ou ele fez alguma coisa que te fez acreditar

que ele está ligado ao desaparecimento da sua filha?

Ele agiu de forma estranha?

O que motivou essa suspeita?

Desculpe, mas o fato de ele estar em algumas fotos

e no parque, não é o bastante

Precisamos de evidência para apoiar a sua intuição.

Não podemos interrogá-lo só porque ele estava no parque.

Muitas pessoas vão a parques hoje em dia.

O que te leva a essa conclusão?

Eu sinto. Não é só um capricho.

Eu sei que muitas pessoas vão ao parque, não sou estúpido.

Alguma coisa me diz que esse cara está ligado ao desaparecimento dela.

Não é como se houvesse um tom de suspeita e eu acusasse alguma velha.

Por que você não está no parque brincando com as crianças agora?

Não com seus filhos, mas com os de outras pessoas.

- Ele brincou com elas? - Sim.

Como pai da criança, eu digo

que tenho um palpite. Isso não basta?

Ele tem que ser pego com ela?

Eu não disse isso. Talvez ele seja triste por não ter filhos...

- Triste? - Sim.

Você não pode impedir as pessoas de irem ao parque.

Será que outros pais o conhecem? Há muitas possibilidades.

Você falou com outros pais? Alguém o conhece?

Não, ninguém o conhece.

Uma mãe disse que pode ter visto ele.

O que eu devo fazer? Pegá-lo em flagrante?

Veja, eu não disse isso.

Por favor, tente entender.

- Só me escute. - Estou escutando.

Às vezes, os pais têm suspeitas,

e presumem coisas sobre as pessoas.

Na maioria dos casos, acredite em mim,

essas acusações são infundadas.

Somos apenas idiotas cegados pelo sofrimento, certo?

Eu não disse isso. Acalme-se.

- Eu estou calmo. - Vamos tentar conversar.

Eu quero ouvir seus argumentos, mas tente entender.

- Eu não posso ir aleatoriamente... - Isso não é aleatório.

- Deixe-me terminar. - Não é aleatório.

Por favor.

Por favor, espere. Não interrompa.

Eu não posso dizer para alguém:

Vamos conversar porque acham que você tem relação com uma menina desaparecida.

- Por quê? - Por quê?

Porque ele te viu no parque.

Aparentemente, você estava lá no dia, embora as fotos estejam desfocadas.

Essa é recente, digo, as que foram tiradas no dia.

Desfocadas? Eu o reconheço.

Ele e muitos outros! Vamos ser lógicos.

Pode ser pura coincidência.

Se eu o encontrasse na rua, eu não o reconheceria.

Você está emocionalmente envolvido. Isso é diferente...

Você acha que estou cego? Olhe pra ele!

Você está sofrendo. Geralmente quem sofre, suspeita de todo mundo...

família, amigos, vizinhos, conhecidos. Isso é um fato.

Temos que filtrar tudo.

Você não pode só falar com ele? É só o que estou pedindo.

É possível. Podemos fazer isso.

Nós vamos falar.

Veja, eu levei em conta as suas considerações

como pai da criança.

Mas não posso fazer acusações.

Não existe solo firme pra isso.

Eu entendo isso, não fale comigo como se eu fosse louco.

Só fale com ele.

Certo. Deixe a foto, nós vamos chamá-lo para uma conversa.

Mas ele não tem obrigação de vir.

Me diga...

Com que frequência esse tipo de suspeita é resolvido?

- Não tenho números precisos. - Aproximadamente.

Já aconteceu.

Em porcentagem, quantas crianças são encontradas?

Acredite em mim, cada caso é diferente.

Estou pedindo uma porcentagem, não uma comparação.

É difícil de dizer.

Alô. É o Sr. Ionescu. Estive aí mais cedo.

Posso falar com o Inspetor Pricop?

Pensei que ele tivesse voltado. Ele não atende o celular.

Entendi.

A pessoa para quem ligou não está disponível...

Furiosa, a rainha ordenou que a matassem na floresta.

Ei, homenzinho.

Ela fez donuts?

É tão gostoso!

Acho que não. Um donut não fará mal a ele.

Pode dar um pra ele.

Certo, homenzinho.

Te amo. Tchau.

Oi.

Eu não sei o que dizer.

Comi alguma coisa.

Um pouco de peixe.

Eu pensei que aí iria te ver.

Por que não?

Você acha que é fácil pra mim?

Que merda, Cristina...

Você perdeu minha filha! Você percebe?

Você a deixou com duas crianças... Cadê a Maria?

- Cadê a Maria? - Perdão.

- O que mais eu posso dizer? - Nada. Não diga nada.

Até você trazer minha filha de volta, não diga nada.

Uma foto dele no parque não é uma prova.

Havia muitas pessoas no parque. Racionalmente, ele não pode ser suspeito.

Eles não são todos suspeitos...

até que, com um álibi, sejam descartados?

- Não. - Ou tanto faz...

Não, nós sempre operamos presumindo a inocência.

Mesmo para os suspeitos.

São chamados de suspeitos porque estão em uma lista.

- Mas isso não os torna culpados. - Eu não disse isso.

- Eu entendi mal. - Sim.

- Não são culpados até serem descartados? - Não, são todos inocentes.

Temos que provar que são culpados por algum crime.

Se ele estivesse em casa sozinho, eu teria de encontrar a ligação

entre o momento e o local do crime. Isso não parece normal?

Não é normal perguntar a ele por que estava lá?

Na verdade não. Você também estava lá, com muitos outros.

- Nós tínhamos motivo. - Talvez ele tivesse motivo.

Talvez goste de ir ao parque.

Parques não são só pra crianças.

Não fale comigo como se eu fosse débil mental.

Mas pra responder sua pergunta, eu o interroguei como todos os outros.

- Então ele é um suspeito? - Claro.

Como todos os outros que identificamos. Sim, nós checamos.

Mas eu não diria que ele é suspeito, estamos apenas conversando.

Tanto faz. Ele tem um álibi?

Não é um álibi até sabermos com o que estamos lidando.

Mas o que ele disse fez sentido.

O que quer dizer?

Ele estava no parque e depois foi pra casa.

Estava com o filho de uma vizinha que não tem pai.

Ele não se comportou de forma suspeita.

Ele cooperou bem. O que posso dizer?

Não havia nada suspeito.

Onde está a prova de que ele estava em casa? Isso é um álibi?

- Ele foi até o parque. - Isso não vai levar a nada.

Eu te falei que ele nunca negou isso.

De que provas você está falando?

Sr. Ionescu, o procedimento não funciona assim. Quer dizer...

Há alguma evidência comprovada.

Ele está na câmera de uma loja, em um supermercado.

- Qual mercado? - Um perto do parque.

- Isso confirma a declaração dele. - A que horas?

Às 14h.

Maria desapareceu às 12h30.

Eu sei, mas é improvável que ele a tenha sequestrado e ido fazer compras.

Estatisticamente falando.

Não é impossível, mas altamente improvável.

Eu acho que é bastante provável.

Principalmente se ele mora perto do parque.

Entre o que achamos e os fatos, existe a evidência.

E agora sério, como você sabe onde ele mora?

Eu perguntei.

É estranho levar o filho de outra pessoa ao parque.

Ele é babá? O que ele faz?

Está aposentado por motivos médicos. Ele estava na alfândega.

Então por que a criança não está com ele em nenhuma das fotos?

Como você pode dizer? Talvez você não o tenha reconhecido.

- Sua filha também não está em nenhuma foto. - Está sim.

Eu te disse que ela estava nas fotos.

Isso não é prova.

Nem todos no parque estão nas fotos. Isso é normal.

Isso acontece. Do que os estamos acusando?

Não serem fotogênicos? Se esconderem? Vamos!

O que essa vizinha disse? Você perguntou?

Por favor, se acalme.

- Estou calmo. Você perguntou? - Sim, nós perguntamos.

- Ela confirmou? - Sim.

Você não pode testá-lo com um detector de mentiras?

Sr. Ionescu, podemos pedir a ele, mas ele não tem obrigação de aceitar.

Mesmo se ele aceitar, pela lei, ele não é obrigado.

O polígrafo não é prova no tribunal.

Então ele pode mentir e não ser acusado.

Não mentir. Mesmo se os testes forem inconclusivos, sim.

O estresse pode provocar que as pessoas falhem no teste...

não necessariamente uma mentira. É para os especialistas dizerem.

E eu não sou obrigado a revelar informações.

Estou fazendo isso porque sei o que você está passando.

Não pense que não sabemos fazer nosso trabalho.

Eu tenho dúvidas.

Minha filha desapareceu há 47 dias.

Sim?

Olá. Me disseram para vir. Sr. Ionescu.

- Primeiro nome? - Tudor.

Olá. Ela estava a caminho daqui quando eu liguei.

A descrição bate, mas ela está em choque.

Não são as mesmas roupas, mas quem sabe?

Nós a encontramos no subúrbio, em uma estrada

perto da Academia de Polícia.

Um amigo me ligou imediatamente e a mandou pra cá.

Ela disse o nome? Alguma coisa assim?

Não, nada. Ela não está falando.

Ela está suja e assustada, não sabemos nada sobre ela.

Nenhuma outra criança parecida com ela foi reportada, então não temos certeza.

Por aqui.

Espere. Só um minuto.

Eu sinto muito.

Não tinha como saber sem você.

Não desista.

Eu sei o quanto é duro.

Você falou com aquele cara?

Sim, Sr. Ionescu.

Ele está com medo. Sabe quem é você, disse que você o está seguindo.

- Pelas ruas, pelos parques. - Mentira.

Eu quero que ele passe pelo detector de mentiras.

Vamos discutir isso com ele, está bem?

- Eu realmente entendo... - Por favor...

Pare de dizer que você entende. Você não entende.

Por favor, deixe-nos fazer nosso trabalho.

Eu sei que é duro. Acredite em mim.

Eu também tenho filhos. Entendo totalmente.

Mas nós não podemos acusar as pessoas sem provas.

Ele estava prestes a dar queixa contra você.

Por favor, esqueça essa ideia.

Pare de investigar assim.

Deixe-nos cuidar disso. É nosso trabalho.

IDIOTA

Quem é?

Estourou um cano na casa de Boldeanu. Precisamos desligar a água.

Maria...

Maria!

Cadê você, minha filha?

Maria!

Cadê você, meu docinho?

Cadê você, meu amor?

Cadê você?

Saia.

Maria...

Docinho, cadê você?

Cadê você?

Cadê você?

Maria!

Onde está tocando?

Sr.?

Sr. Raul, o Sr. está bem?

Tradução: pami www.makingoff.org

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