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Se voc� tivesse que tentar dar outro nome ao rock 'n' roll,
voc� bem que poderia chamar de Chuck Berry. lsso mesmo.
Nos anos 50, toda uma gera��o tinha sua m�sica como um objeto de adora��o.
E, quando voc� o v� no palco hoje em dia,
o passado e o presente se fundem
e a mensagem � ''Viva! Viva o rock 'n' roll!''
Viva! Viva O ROCK 'N' ROLL!
A �nica can��o dele que eu j� tentei cantar
� ''Maybellene''. Primeiro, � o Cadillac l� em cima, no topo da montanha.
- Da�... - Voc� deixa o danado ''subir'' sozinho?
N�o deixei, mas ele subiu assim mesmo.
Lembro de passar de carro por um lugar em Nashville.
Bem, eu devia ter uns 16 anos e estar voltando para casa de um encontro.
E ''Maybellene'' estava tocando... a gente podia escutar
o som vindo do clube,
enquanto a gente passava.
� a� que voc� abaixa a janela e para pra escutar.
Ele � o rei do rock 'n' roll.
At� a minha m�e chegou a dizer isso.
Eu disse: ''E quanto a mim, m�e?''
Ela disse: ''Bem, meu filho...
bem, voc� varia. Voc� � diferente.
Voc� cantava can��es lentas r�pido,
mas Chuck Berry � rock 'n' roll.''
Eu disse: ''E eu que pensei que era o rei esse tempo todo.''
Ela disse: ''Bem, voc� e o Elvis s�o muito bons,
mas n�o s�o nenhum Chuck Berry.''
A minha can��o favorita com o Chuck
s�o todas elas. Eu gosto de todas elas.
Eu sempre... o Chuck... � s�rio. Para dizer a verdade,
sem querer desvalorizar o Bo ou o Fats,
mas se eu n�o dissesse isso, Deus saberia que eu estaria mentindo.
Ao Deus de Abra�o, lsaac e Jac�,
o meu Deus, que eu amo tanto, cujo santo Sabbath eu observo todos os s�bados,
do p�r do sol na sexta-feira ao p�r do sol do s�bado, eu devo dizer o seguinte:
ele � o meu astro favorito do rock e sempre foi.
E eu acho que... eu nunca disse isso ao mundo,
mas o ritmo dele � o �nico que eu posso acompanhar cantando o meu lance.
E se encaixa.
Eu vou dizer, para todo mundo: o Chuck �...
se o Chuck n�o subir no palco, vai ser muito dif�cil para mim.
Uau, ent�o � isso o que voc�s queriam ver.
Esse � o lugar.
O Cosmopolitan Club.
lsso � o que 30 anos podem fazer por voc�.
Ver o lugar de nascimento de ''Maybellene''.
Est� bem.
Meu Jesus, olha s� isso. Uau.
Puxa, cara, � de partir o cora��o.
Deve ter acontecido uma enchente aqui ou algo do tipo.
Olha s� para esse lugar.
O meu bonito Cosmopolitan.
E tantas noites bonitas que tivemos aqui.
Olha s� para isso. Que coisa!
Est� longe de ser como era quando eu estava por aqui
em 1951, 1952.
Atra�a cerca de 300 a 400 pessoas todo fim de semana -
sexta, s�bado e domingo, $21.
Toquei aqui por tr�s anos... tr�s anos.
O Johnnie Johnson Trio,
at� eu assumir o comando,
passando a se chamar o Chuck Berry Trio.
O Chuck Berry veio at� a mim e me pediu para mudar o nome
de Johnnie Johnson Trio para Chuck Berry Trio,
algo que eu encarei completamente na boa,
pois o Chuck era um batalhador de verdade
e parecia saber sobre os neg�cios mais do que eu.
Eu vi que, com ele no comando,
n�s ter�amos mais trabalho e um maior sucesso.
�, eu tinha dois trabalhos diurnos. Eu trabalhava com o meu pai
sempre que eu n�o tinha outro servi�o.
Por�m, quando eu comecei a trabalhar na f�brica de autom�veis,
foi quando o dinheiro realmente come�ou a entrar: $91 por semana.
Eu estava administrando tudo muito bem, pois eu tinha uma fam�lia.
E $21 aqui, $91 l�.
$100 por semana, voc� pode fazer muita coisa.
A m�sica era s� um bico. Eu era carpinteiro.
E tamb�m pintor.
Mais ou menos um ano depois de come�ar a trabalhar aqui...
eu, bem... eu comecei a pintar, a fazer consertos.
Eu tive a ideia de come�ar a pintar os tetos de preto.
E, enquanto eu os pintava de preto, eu tive a ideia -
e decidi concretiz�-la, por minha conta -
a ideia de pintar o topo do teto bem escuro, azul escuro em formas ovais.
E, da�, no ponto alto da forma oval,
eu pintei uma montanha com o cume cheio de neve.
E a pintura se espalhava por todos os lados,
por todos os lados, ao redor do pr�dio inteiro,
com exce��o do bar, onde havia espelhos.
Eu consegui $450 naquele trabalho.
E, comparado a $21 por semana,
era tipo seis meses tocando.
Era por isso que eu nunca abandonei a pintura e decora��o.
Significava dinheiro. Aquele neg�cio dava dinheiro.
Mas tem que ter havido algo que levou voc�
a tentar a vida como m�sico profissional.
Ah, quando o dinheiro cresceu, eu aposentei o pincel,
peguei a palheta e comecei a tocar para valer.
Verdade. A coisa come�ou a crescer.
De fato, eu sa� daqui
ganhando $42 por noite,
indo direto para o Gleason's Bar em Cleveland,
onde eu ganhava $800 por semana.
A sensa��o era maravilhosa. De fato, quando mostrei o contrato ao meu irm�o,
ele disse: ''Est� me dizendo que est� ganhando tudo isso?''
lsso mesmo. � assim que funciona.
E, da� em diante, eu descobri que voc� ganha mais e mais, e mais,
na medida em que os anos v�o passando.
Foi o que me fez pensar que eu podia tentar a vida como m�sico profissional,
pois a galera que receb�amos nos fins de semana era enorme.
Bem, se eu consigo aqui em Cleveland,
eu posso conseguir em Miami.
Da�, quando eu fui a Chicago,
a cidade de Leonard Chess e da gravadora Chess Records,
foi a� que aconteceu o lan�amento da minha carreira.
Bem, eu levei uma grava��o de $79 comigo
e a toquei para ele, pois eu n�o ia tocar guitarra
na frente de um estranho, entende?
Ele disse que o som era legal. Estava prestando aten��o na letra.
E o t�tulo da can��o... eu tinha posto o t�tulo de ''lda Red''.
Bem, eu n�o sabia que n�o se pode usar
o mesmo t�tulo de uma can��o j� existente.
E, obviamente, em termos de ritmo, ''Maybellene'' parece com ''lda Red'',
de modo que escolhi o t�tulo ''Maybellene''.
Evidentemente, ele gostou, pois me falou para voltar,
trazer a banda e voltar, e que consideraria um contrato...
um contrato de grava��o. Eu disse: ''Quando? Ontem?''
Ele disse: ''N�o, quando voc� puder.''
Da�, na sexta-feira seguinte, eu acho, quando Johnnie saiu do trabalho,
n�s fomos at� l� e, no s�bado, gravamos ''Maybellene'',
''Wee Wee Hours'', ''Too Much Monkey'' -
a prop�sito, eu compus todas aquelas can��es
durante aquela semana -
''Too Much Monkey Business'' e, acho, ''Roll Over Beethoven''.
E fizemos todas as quatro
em menos de seis horas.
A prop�sito, lembro de fazermos 36 takes com ''Maybellene''.
Voc� comp�s quatro can��es em uma semana?
lsso mesmo. Bem, n�o foi muito dif�cil,
pois eu tinha o h�bito de fazer can��es - versos, na verdade -
com base em can��es de outras pessoas quando eu tocava.
Assim, eu pego os meus versos e os ponho no mesmo ritmo
e era meio caminho andado.
Bem, poesia � a minha corrente sang��nea.
Vamos ouvir alguns blues hoje � noite.
Pois sinto por deixado o Cosmopolitan.
Mas fico feliz de ter ganhado dinheiro.
Ajudou e muito, sabe?
n�s a gravamos no Chess Studios.
Naturalmente, eu era o �nico compositor. A can��o veio do Missouri...
do por�o da minha casa.
E, quando o �lbum foi lan�ado,
era Russ Fratto, Alan Freed e Chuck Berry.
Tipo, quem eram esses caras? Letra e M�sica de...
Eu conhecia Alan Freed, pois o tinha escutado no r�dio.
Ele era o DJ que tocou o �lbum em Nova lorque.
Quem � Russ Fratto?
Ele � o dono de uma papelaria...
que fornecia o papel timbrado do Leonard.
Eu n�o me importei em saber por que eles apareciam como compositores,
mas eu n�o sabia que significava que dividir�amos o dinheiro.
Mas quando eu recebi meus royalties, eu vi um ter�o.
Qualquer pessoa veria facilmente - e eu sou bom em matem�tica -
que eu s� estava recebendo um ter�o, entende?
Aquela era a �poca do jab�, quando...
quando voc� fazia algo para algu�m, voc� ficava com uma parte
de seja quanto fosse o total.
Bem, o dinheiro...
eu ficava sentado a noite inteira olhando para o contrato,
tentando ver como era que eu ia conseguir ganhar algum dinheiro
na base de... dois...
- N�o, metade de um centavo por �lbum. - Metade de um centavo.
- Metade de um centavo por... - Espera a�...
Voc� tinha que vender dois �lbuns para ganhar um centavo.
- Exatamente. - O �lbum custava $0.59, n�o era?
- lsso. - Bem, havia 58 outros centavos...
- Que desapareciam. - ...indo para outros lugares.
- Eu, eu... puxa, cara. - lsso mesmo. Me formei em matem�tica.
Eu fiquei de olho nos outros 58 centavos.
Bem, eu me formei em ''ter um boc�o''!
Eu conversava demais, e n�o caminhava nada.
- N�o fazia nada. - O �lbum foi todo com voc�.
Eu nem sequer entendia o contrato. Quando o recebi, olhei para ele,
e tudo o que eu queria ver era ''Little Richard''.
Quando vi o meu nome, eu disse: ''Consegui um contrato.''
Eu nem sequer li a outra parte.
Voc� se sente como quer quando n�o sabe.
�s vezes, voc� trope�a nas pedras; �s vezes, acertam na sua cabe�a.
Mas n�o duas vezes. lsso � que � um homem inteligente.
N�o deixe o mesmo cachorro morder voc� duas vezes.
Como vai, Chuck?
O Chuck criou um show business completamente novo,
fazendo coisas na estrada, ao ''modo Chuck Berry''.
Como artista e empres�rio de entretenimento,
ele simplesmente faz as coisas diferente da maioria das pessoas.
O Chuck n�o tem uma grande equipe, n�o tem uma banda consigo.
Ele gosta de ir sozinho, sai do trabalho sozinho.
Tipo, os patrocinadores oferecem limusines
e ele n�o est� nem a�, basicamente.
Agente do Chuck T�pico Chuck Berry.
E pronto. � simplesmente o Chuck Berry fazendo tudo ao seu pr�prio modo.
Contratos de apenas uma noite, � tudo o que eu fa�o.
Contratos de apenas uma noite.
Cad� a sua bagagem?
Nada de bagagem - apenas uma guitarra.
Pente, escova de dentes, e s�. � assim que funciona comigo.
Voc� leva a guitarra na mala do avi�o?
lsso mesmo. Uma vez a cada seis meses.
Depois disso, compro outra nova.
Gastos dedut�veis, entende? lnstrumentos de trabalho.
O Chuck sempre atraiu a aten��o da imagina��o dos mais jovens -
n�o s� dos jovens negros, mas tamb�m dos jovens brancos -
isso desde o in�cio de sua carreira.
E ele tem conseguido manter os mais antigos,
mas sempre atraindo a nova gera��o.
Eles se tornam f�s aos 15, 16 anos, ao escutarem o Chuck
nas r�dios de m�sicas antigas e ver que se trata de boa m�sica,
e resolvem ficar com ele. DESTINO: COLUMBUS
Ele sempre vai em frente. DESTINO: COLUMBUS
Quer dizer, o cara � um guitarrista nato, um empres�rio nato.
Ele considera isso uma parte muito importante de sua vida e carreira
e cuida dela muito bem.
Acho que o meu primeiro contrato foi de $800 por semana.
Era um contrato de seis noites.
Assim, come�ou mais ou menos com $100 por noite
e, agora, estou conseguindo $1000 por noite.
- Est� vendo? - Quanto?
- Ou � um segredo? - Ah, o IRS sabe.
�, eles sabem tudo certinho agora.
Sem d�vida. N�o tem problema.
Quantos shows voc� faz por ano agora?
Bem, � s� multiplicar seis vezes 12 meses.
Tipo entre 70 e 100, no m�ximo.
E o n�mero est� diminuindo, pois agora estou quase completando 60 anos.
Eu consegui o que chamo de extremo sucesso
a partir do que contemplei na vida.
E tamb�m quero curtir um pouco da vida.
Eu quero ir a alguns clubes, a alguns shows de rock
e sentar l� e... ''E, a�, meu irm�o!
Toca essa m�sica, garoto branco.''
Quando o contrato diz ''X'', seja o que for, ele vai estar l�,
fazendo exatamente o que o contrato diz.
As pessoas tentam ajud�-lo, a supor coisas para ele
e � a� que come�am os problemas.
Ele chega ao local do show e � parte do contrato
o comprador fornecer uma banda de rock.
O �nico prerrequisito � que conhe�am os maiores sucessos de Chuck Berry.
Sr. Berry, prazer em conhecer.
- Bem vindo a Columbus. - Vamos em frente?
- Est� bem. Vamos. - Vamos agitar o rock 'n' roll.
- Est� bem. Vamos. - A�, Chuck!
Eu me encontrei com o Chuck Berry uma vez.
O meu agente disse: ''Puxa, sabe de uma coisa?
Voc� vai abrir o show do Jerry Lee Lewis e Chuck Berry.''
E n�s achamos aquilo... mas � claro, entende?
Eu tinha uns 23, 24 anos e esses caras eram nossos her�is,
e... e... ficamos muito empolgados.
E o cara diz: ''Da�, ele vai escolher uma banda
para acompanhar o Chuck Berry.'' N�s dissemos: ''N�o, n�o.
N�o diga a ele, certo? N�o pegue uma das bandas locais.
Diga a ele que n�s o acompanharemos.
Acho que o meu primeiro �lbum
devia ter acabado de ser lan�ado na �poca.
Da�, n�s fomos para Maryland. CHUCK BERRY e JERRY LEE LEWlS
Chegamos de um show de madrugada... junto com Bruce Springsteen
n�o lembro de onde, mas lembro que tocamos por uns 30 minutos,
o tempo que geralmente se dava
para o show de abertura naquela �poca.
E n�s nos sa�mos muito bem. Deu tudo certo.
Da�, Jerry Lee entrou no palco
e fez a parte dele e, bem,
acabou em p� em cima do piano.
Nada de Chuck Berry. Certo?
N�o... ele n�o est� l�.
Da�, � mais ou menos...
n�o lembro a hora que era para ele come�ar,
mas estava muito perto da hora que ele deveria come�ar
e n�o vimos nenhum sinal dele.
O patrocinador estava come�ando a ficar nervoso de verdade.
Ele vira para mim e diz: ''Olha,
voltem para o palco, pois o Chuck Berry ainda n�o chegou.
N�o acho que ele venha mais.''
Eu falei: ''Eu n�o vou entrar l� de novo.''
Est�o esperando pelo Chuck Berry, n�o vamos voltar l�.
E...
uns cinco minutos antes da hora programada para o in�cio do show,
a porta de tr�s se abre e ele entra.
E ele est� sozinho.
Ele est� com uma caixa de guitarra e foi isso.
Acho que ele veio no pr�prio carro.
N�o tinha ningu�m com ele.
Da�, ele passou meio que perto de mim
e foi direto para o escrit�rio,
com o patrocinador.
Onde, eu suponho, o boato era...
acho que o boato era de que ele receberia 11 mil
e, no fim da noite, devolveria mil,
se a banda fosse boa e se o equipamento funcionasse.
N�o sei se isso � verdade, mas � o que escutamos.
Assim, direto para o escrit�rio
e, da�, ele sai do escrit�rio
e entra no camarim da banda.
E n�s dissemos: ''�timo.'' Ent�o, � quase...
Ele diz: ''Vamos come�ar.'' N�s dissemos: ''Bem, Chuck...''
E ele: ''O que �?''
''Que can��es vamos tocar? Ele diz: ''Bem,
faremos algumas can��es do Chuck Berry.''
Foi tudo o que ele disse.
N�s dissemos: ''Est� bem.''
N�s entramos no palco.
A galera est� indo � loucura. D� para todo mundo v�-lo.
Ele entra, abre a caixa da guitarra, afina a guitarra...
As luzes se acendem, o lugar est� explodindo.
E n�s dizemos tipo:
''Com o que vamos come�ar?''
''Chuck!'' E ele n�o est� prestando muita aten��o a n�s ou nos escutando.
E, da�, tudo o que eu vejo �...
� isso! Sabe?
Tipo, a banda tipo: ''lsso!''
N�s estamos em um estado de completo p�nico.
Estamos tentando sacar que can��o estamos tocando.
Que nota �? E o Chuck toca um monte de notas esquisitas,
tipo si bemol, mi bemol.
E o nosso baixista, que era... ele � tipo o historiador
da banda, entende? Assim, todo mundo corre at� ele
e ele tem a nota certa, n�?
Assim, n�s come�amos a tocar a nota
e estamos nos saindo muito bem, eu acho.
N�o lembro qual era a can��o,
mas estamos tocando e a galera est� uma loucura
e o Chuck vem at� n�s e diz: ''Toque por aquele pagamento, garotos.''
Esquecemos de dizer a ele que n�o est�vamos sendo pagos.
Est�vamos fazendo isso de gra�a. De todo jeito, o show acaba
e tem uma grande briga bem na frente do palco.
As luzes acenderam e acho que o amplificador dele explodiu.
Acho que naquela altura est�vamos tocando ''Johnny B. Goode''.
Estamos meio que...
s� ali, tocando aquele ritmo.
E ele simplesmente saiu do palco e parou bem do lado do palco,
p�s a guitarra na caixa em frente de todo o audit�rio,
todo mundo a maior loucura.
Ele acenou com a m�o e pronto.
Ele saiu do palco, entrou de volta no carro dele e foi embora.
N�o sei se... duvido que ele lembraria de n�s.
Provavelmente, n�s �ramos apenas mais uma banda
que ele usou na estrada na epoca, mas...
foi simplesmente o tipo de noite que... que...
bem, quando eu tiver 65 ou 70 anos
e estiver l� com os meus netos...
''Chuck Berry. lsso, eu conheci o Chuck Berry.''
Na verdade, eu toquei para o Chuck Berry uma noite.''
''Tocou mesmo?'' ''Toquei.''
� uma hist�ria que sempre contaremos.
Esta � a nossa pedra angular, colocada aqui no outono de 1957.
Pelo menos, eu queria que fosse uma pedra angular, quando comprei.
Depois, descobri que era uma l�pide.
Bem, morte de uma planta��o de milho e nascimento de um parque de divers�es.
Eu queria que fosse como a Disneyl�ndia ou como o Six Flags ou algo assim,
mas acabou um Six Flags de ''uma bandeira'' s�.
Eu realmente queria um lugar maravilhoso onde eu pudesse pescar.
O meu pai era um grande pescador.
A fam�lia toda tem grandes pescadores.
Assim, logo quando come�amos a melhorar esse lugar,
toda essa �rea era um vale, um grande vale.
N�s terminamos de cavar e encher o lago
em menos de um ano.
Logo em seguida, n�s tivemos os festivais.
Nos anos 60, em um dos festivais, n�s tivemos 40 mil pessoas.
Em outro, tivemos 60 mil pessoas.
No geral, o parque � um tanto parecido com Hyde Park.
Na verdade, eu nunca vi Hyde Park.
N�s simplesmente o chamamos Hyde Park - no sub�rbio de Missouri.
Se voc� planeja ir visitar, agora � s� vir ao Missouri.
Venha visitar o Berry Park.
Esse � o bar do clube
que n�s constru�mos aqui durante os anos 50,
quando eu estava em turn� com todos os meus colegas profissionais.
Eu queria que todo mundo viesse para ver.
Eu queria que todo mundo viesse, de LaVerne Baker a Elvis Presley,
a Everly Brothers, e muito mais gente.
E eu acho que...
Na verdade, aqui dentro, eu...
eu previ que tocaria aqui
nos meus ''anos caducos'', na cadeira de balan�o.
� aqui onde eu me estabeleceria para continuar fazendo o meu lance.
Na verdade, nunca conseguimos terminar,
pois eu vivia de uma turn� para a outra. Agora, n�s nos perguntamos:
ser� que um dia ser� como eu planejava antes?
S� precisamos de um t�rmino.
Eu queria oferecer uma boa banda ao Chuck,
pois eu nunca o vi tocar afinado.
E estou sempre t�o frustrado
nas apresenta��es ao vivo do Chuck Berry, h� v�rios anos,
sempre que eu vou assistir.
Pois ele nunca ligou para isso. Ele simplesmente...
e se a banda... e se ele cometesse um erro, ele culpava a banda.
E ele simplesmente improvisava e chegava at� o fim.
E ele tem uma personalidade t�o poderosa
que ele conseguiu se dar bem com isso.
Eu sei que todo mundo disse que eu s� podia
estar louco em aceitar participar da apresenta��o.
N�o tenho a menor d�vida de que disseram o mesmo a voc�.
Mas... assim, eu encomendei a camisa de for�a.
Estar� chegando dentro de seis a oito semanas.
E, se era para algu�m fazer isso, eu queria que aquela pessoa fosse eu.
N�o se trata tanto de um diretor musical,
mas sim de um diretor S&M...
''diretor social e musical'' � a coisa educada a se dizer.
Era a banda S&M, sabe?
O que foi que, quando voc� escutou Chuck Berry pela primeira vez,
fez voc�... que mudou a sua vida?
Tem algo a ver com o som...
o som como um todo...
eu nem sequer sei se Chuck se d� conta do que ele fez.
Eu n�o acho... eu n�o acho que ele se d� conta.
�s vezes, as pessoas n�o se d�o conta, sabe?
Michelangelo provavelmente tamb�m se considerava terceira categoria.
Mas foi simplesmente o som como um todo,
um grande som, um grande ritmo e tudo o mais.
Mas, acima de tudo isso, um grande som, como um todo,
sa�a pela agulha, vindo daquele �lbum.
O �lbum inteiro. A primeira, eu acho, foi ''Johnny B. Goode''.
Mas...
foi a� que eu descobri o que eu realmente queria fazer.
Eu n�o sabia se poderia viver da m�sica. E nem sonhava sobreviver da m�sica,
mas eu sabia que era aquilo o que eu queria fazer na vida.
Eu faria como um hobby, mesmo que eu fosse um contador agora.
Se bem que seria melhor abandonar a profiss�o, se fosse o caso.
Deixe o amplificador do jeito que eu ajustei.
O amplificador � meu e eu ajusto como eu quiser.
- N�o estou falando com voc�. - Estou respondendo a sua pergunta.
N�o estou nem a� para como vai soar na grava��o.
Vai ficar assim mesmo na grava��o.
S� quero saber como vai soar aqui.
Vai soar do jeito que eu quiser.
� assim que vai soar, se quiser que eu continue tocando.
Agora, se eu n�o for tocar, pode ajustar como voc� quiser.
Ent�o, d� uma olhada no v�deo, Chuck.
- Estava soando ruim? - lsso.
Se deixar o meu amplificador em paz, o som ficar� bom.
Ele j� disse que n�o mexeu.
Bem, ele j� disse por que est� ruim.
Est� ruim porque n�o est� gravando bem.
E � isso que vai acabar no filme.
- Hein? - � por isso que est�o fazendo isso,
porque � assim que vai ficar no filme.
Se ficar assim no filme, � assim que o Chuck Berry toca.
Est� entendendo?
Estou entendendo. Eu entendo.
- Eu estava falando com qualquer um. - Mas ter� que viver com isso depois.
H� 60 anos que estou vivendo com isso.
- Eu sei. - Est� bem. Ent�o, tente entender.
Mas vai ser aqui ou depois que estivermos mortos?
N�o � s� voc� e eu. � todo mundo.
Bem, eu n�o vou morrer coisa nenhuma. N�o vou morrer.
Pode ir em frente e cante a sua can��o.
Acho que ele tem um lado meio louco.
Ele � o �nico que me deu um soco e eu n�o tentei revidar.
Bem, talvez eu esteja guardando para a hora certa.
- Mas �... - Me conta essa hist�ria.
Foi em um camarim como esse.
Ele tinha acabado de dar um show em Nova lorque
e eu fui dar um oi a ele. Ele j� estava saindo do pr�dio
com uma jovem branca.
E eu cometi o erro de bater de leve no ombro dele.
Eu disse: ''A�, Chuck, n�o se manda assim, sem me dar um oi.''
Pois eu j� o conhecia. Eu tinha sido apresentado a ele em 1965.
lsso, e...
ele simplesmente se virou e me deu um murro bem no meio da minha cara.
Tipo, ''bam''.
Eu fiquei muito orgulhoso de n�o ter ca�do.
Vai saber. Talvez tivesse acontecido alguma coisa antes
e ele decidiu descontar no resto do mundo.
Acho que, desde que ele saiu da cadeia por causa daquele lance,
ele meio que saiu com uma ferida aberta.
Eu s� tentei deixar aquilo de lado.
Bem, eu n�o sei se consegui ou n�o,
mas eu respeito o cara,
e sempre o respeitarei pelo que ele fez.
E tamb�m por mim mesmo, entende? Eu vivi na sombra
dos Rolling Stones durante uns 20 anos.
De certa forma, talvez num cen�rio t�o isolado quanto o do Chuck.
Este deve ser um dos shows mais dif�ceis para mim.
Se eu conseguir fazer isso,
n�o vou precisar me preocupar com mais nada no futuro.
Se voc� cantar e apenas tocar o ritmo,
eu posso tocar os fills e...
entre os versos de vocal.
- Repete, por favor. - Se voc� cantar
e apenas tocar o ritmo...
Assim, eu n�o preciso ficar pulando, tentando cobrir os dois lados.
- Preciso da guitarra de ritmo ao menos. - Est� bem.
Pois seria demais para voc�, cantar
e tocar os fills principais ao mesmo tempo.
Bem, n�o estava sendo demais.
Para mim, tanto faz. Posso tocar o ritmo.
Se quiser tocar os fills, s� s�o essas duas linhas.
Quer dizer, em...
Mas eram nas paradas e entradas que est�vamos nos concentrando.
lsso, n�s j� demos conta delas. Desde que eu...
Desde que n�s tenhamos...
E voc� vai tocar o solo, n�o �?
Se ele quiser que eu toque.
- Quero, sim. N�s precisamos. - Est� bem.
Eu preciso dessa guitarra.
Aquela ligadura come�ou bem aqui.
Come�a na superior.
Escuta s�.
Est� certo.
Est� vendo? J� come�a fazendo assim.
Perfeito. Perfeito.
E da�... da�, tem outra parte.
Espera a�, espera a�.
Se quiser acertar, vamos acertar de verdade.
Est� bem.
Legal, legal.
N�s pintamos no peda�o e a coisa toda mudou.
De repente, nos tornamos algo proibido.
O que � isso? � m�sica demon�aca.
E o Elvis me perguntou:
''Acha que estou tocando m�sica do Diabo?''
Eu disse: ''Voc� � o Diabo em pessoa, rapaz.''
N�o tocavam os nossos �lbuns nas r�dios.
Lembro de ouvir Phil Chess, Leonard e os outros dizerem:
''Sabe de uma coisa? Se arranj�ssemos um garoto branco para tocar essa can��o,
eles tocariam nas r�dios.''
� que as esta��es de r�dio pertenciam a caucasianos
e eles n�o tocavam m�sica negra.
Ent�o, eles disseram... tudo bem... ent�o, de repente,
Carl Perkins apareceu do nada,
Elvis Presley,
Gene Vincent.
Todos vieram do... qual era o nome? Sun Records,
em �... algum lugar em Nashville?
A base era o jab�.
Era a base da Sun Records.
Judd Phillips e eu mesmo...
tenho que admitir que tivemos que nos dar por vencidos pelo jab�
e come�amos a pagar DJs
para que tocassem nossos �lbuns.
Eu disse: ''Sr. Phillips, voc� n�o deveria fazer isso. lsso � pecado.''
Ele disse: ''Vai dar bons resultados, filho.''
Da�, ele acabou na cadeia.
Mas aqueles �lbuns eram grandes �lbuns.
Voc� ainda precisava pagar para que os tocassem?
Precisava, mas todo mundo quer o dinheiro.
Todo mundo quer ser pago para ser apreciado.
N�o apenas ganhar $80 por semana para tocar �lbuns.
Um astro, seja qual for, consegue fazer $100 mil com um �lbum,
e a� ganhar $80 por semana?
Havia um mau press�gio no ar,
quando a coisa ficou toda separada.
Ficou uma coisa muito separada. O R&B passou a...
passou a ser o que n�s est�vamos fazendo,
e o rock 'n' roll passou a ser o que os garotos brancos estavam fazendo.
�, eu acho que voc� quer dizer que n�s nos estabelecemos separados.
N�o nos classificavam como m�sica popular.
N�o nos colocavam naquela classe. Nos chamavam de ''rhythm and blues''.
Mas quando eu comecei com...
e Pat Boone com a vers�o dele...
�... eu cantava... todo agitado.
E lembro que Art Rupe diz...
Arthur Goldsberg, ele diz...
ele diz que colocaria o meu �lbum na r�dio de maior audi�ncia
e, da�, l� vem Pat Boone.
A galera branca queria a minha, porque era brutal e crua,
e Pat Boone com sua vers�o suave...
E eu...
tipo, a minha vers�o era visceral.
Assim, a galera branca colocaria a minha na gaveta,
deixando a dele no topo da c�moda...
Para que seus pais vissem.
Eu estava na mesma casa.
Mas eu fiquei louco. Quando Pat Boone fez aquela vers�o,
eu fiquei louco de raiva. Eu queria peg�-lo de verdade.
Eu falei: ''Estou indo procur�-lo em Nashville.''
Eu queria peg�-lo naquela �poca, pois para mim
ele estava impedindo o meu progresso. Eu queria ser famoso.
E a� vem esse cara pegar a minha can��o.
- Um homem branco. - E pegou...
e ele n�o s� pegou ''Tutti-Frutti'',
mas tamb�m ''Long Tall Sally''.
E ele nem sequer sabia onde era o limite!
Filho de uma m�e.
Eu disse: ''De jeito nenhum. Vou ter que fazer algo a respeito.''
Alguns anos mais tarde, eu pensei sobre o assunto e achei
que, no fim, foi positivo, mas na �poca, eu pensei: ''N�o suporto esse cara.''
Mas, sabe, � medida que fui envelhecendo, eu fiquei mais audacioso.
- lsso. - E comecei a ser mais soci�vel.
Johnnie Johnson, o pianista do Chuck,
at� mesmo o Chuck n�o tinha trabalhado com ele por uns 20 anos.
Aqueles dois t�m uma rela��o esquisita.
Ele entrou na banda do Johnnie
em um pequeno clube em East St. Louis um dia
e assumiu o comando.
Est� sacando?
E Johnnie sendo o cara que �...
ele � tranq�ilo.
Eu acho que Johnnie ainda n�o se deu conta
de que ele � t�o reverenciado quanto o Chuck.
�, eu digo ao Johnnie: ''Toca um boogie.''
Quer dizer, ele vai fluindo naturalmente...
E ele n�o improvisa uma can��o do tipo Chuck Berry. Eu conhe�o o estilo dele,
� o tipo de refr�o mel�dico dele, que o Chuck adaptou na guitarra.
Eu tamb�m sei por causa da nota em que � tocada.
Est� ''em piano'', na notas do Johnnie, em notas para piano.
Se fosse uma guitarra,
voc� sabe, uma guitarra, rock 'n' roll,
voc� toca em l�, mi e r�,
por serem as cordas soltas.
Pode ser t�cnico demais, mas para uma guitarra...
numa banda com guitarras, voc� toca nessas notas
porque s�o notas melhores para guitarras.
Assim, acima de tudo,
eles est�o tocando em notas para piano, notas para corneta, notas de jazz...
as notas de Johnnie Johnson.
Entende? E, quer dizer,
no minuto que ele toca ''School Days''...
Ele n�o est� copiando os refr�es mel�dicos do Chuck no piano.
O Chuck adaptou a coisa na guitarra
e acrescentou suas grandes letras.
Mas sem algu�m para dar a ele aqueles refr�es mel�dicos,
voil�: n�o existiria can��o nenhuma,
mas s� um monte de palavras no papel.
N�o, n�o compus a m�sica com ele.
Eu s� estava ali presente �s vezes, quando ele estava compondo,
mas � isso. Ele compunha a letra
e, da�, n�s... ele e eu nos junt�vamos
e toc�vamos algum tipo de m�sica em que ele pudesse encaixar a letra
e tudo sa�a simplesmente perfeito, entende?
Algumas m�sicas eram r�pidas, outras eram lentas,
como no caso de...
''Havana Moon'', por exemplo,
que era tipo um calipso lento.
Assim, tivemos que achar algum tipo de melodia tipo calipso
para combinar com a letra do que ele estava...
de sua ''Havana Moon'',
assim como outras can��es como ''Baby Doll''
e ''Roll Over Beethoven''.
Todas elas eram r�pidas, de modo que precisamos bolar melodias r�pidas
que se fundiriam com a letra que ele estava compondo,
para ele manter todos os versos, mas encaixando no tempo certo.
Ent�o, foi assim que ele fez.
Dizem que � uma can��o de Chuck Berry porque � assim...
Bem, a primeira vez que eu ouvi isso foi em Carl Hogan...
nos refr�es mel�dicos de Carl Hogan, na banda de Louis Jordan.
Temos T-Bone Walker - eu adoro as ligaduras de T-Bone Walker,
e � bem blues.
Assim, um pouco de Carl Hogan, um pouco de T-Bone Walker
e um pouco de Charlie Christian, o guitarrista
da banda de Tommy Dorsey, todos juntos -
veja s� a variedade de pessoas que voc� vai acabar agradando.
E foi isso o que eu fiz
em ''Johnny B. Goode'' e ''Roll Over Beethoven''.
Outro fator importante � fazer tudo de uma forma simples, eu acho,
que teve como resultado
o fato de muitos artistas entenderem a minha m�sica
e, portanto, conseguindo toc�-la.
Se � que podemos cham�-la de minha m�sica,
pois n�o h� nada de novo sob o sol.
Tudo bem, pessoal, vamos s� cantar � capela.
Um, dois, tr�s, quatro.
Espera a�.
Voc� est� cantando certo.
Espera a�, vamos repetir bem devagar.
Parece que estamos fora do tom.
Segura o ''it''.
Vamos agora, devagar.
Certo.
Certo, consegui. ''lt don't take'' de cara.
Um, dois, tr�s, quatro.
� ''to understand each other''.
Ser� que eu vou conseguir lembrar isso?
Foi voc� quem comp�s.
Vou dizer uma coisa: se eu n�o lembrar, eu vou enrolar, assim...
Tem toda uma mistura de coisas.
Eu ou�o elementos latinos, country, jazz...
A coisa toda fica uma mistura linda.
Mas parece n�o haver compreens�o por parte dele
de que ele � um grande compositor.
Ele simplesmente desconversa.
N�o inteiramente. N�o tenho plena certeza.
Eu acabei de conhec�-lo. � dif�cil dizer com certeza
conhecendo-o por t�o pouco tempo,
qual � o tipo real de aceita��o da coisa toda por parte dele.
Primeiro, eu pensei... eu ouvi hist�rias de que ele era muito amargo
e que as pessoas tinham roubado o estilo dele.
Para pensar algo assim, voc� precisa estar ciente
da dist�ncia que a sua influ�ncia abarcou.
Eu n�o sei com certeza se ele est� completamente ciente
de quanta gente ama a m�sica dele, entende?
Pois eu sei que ele � mais... ele gosta muito de ser ''o artista'',
o que pode ser um sinal de que a pessoa n�o se sente segura
com o que a pessoa realmente faz bem.
Eu gosto de ouvi-lo tocar aquelas baladas e coisas do tipo.
Sei que � algo que vem do fundo de seu cora��o.
E se ele estivesse fazendo aquilo no palco,
eu acho que ele estaria mais...
que ele realmente estaria ciente de quanta gente realmente o ama.
Voc� sem d�vida toca uns acordes lindos
para ser um roqueiro.
- Voc� tamb�m. - � verdade, meu irm�o: acordes lindos.
Voc� tamb�m.
Voc� deveria ter sido um m�sico de jazz, camarada.
N�o se ganha dinheiro com jazz, Chuck. Nenhum dinheiro!
Chuck � um compositor lindo.
Tem uma coisa nele,
as coisas sobre as quais ele escreve,
sobre as quais ele estudou
ou que ele veio a aprender.
Pois com ''Beethoven'' e todas essas outras can��es que ele comp�s,
d� para ver que ele estudou em escola.
PAI DO CHUCK Conta sobre a sua vida escolar, querido,
e sobre a forma��o que voc� tem.
Oh, Deus, eu perdi todas essas coisas.
Ele n�o perdeu nada.
Est� vendo a mam�e... a mam�e saiu da faculdade...
- onde foi? Em Oklahoma? - lsso.
A mam�e estudou para professora na faculdade.
E o papai veio da fazenda.
lsso mesmo. Al�m do mais, ele era cego, at� os 12 anos de idade.
Ele era cego at� os 12 anos de idade. E furaram as orelhas dele.
Furaram as orelhas dele e, da�, tudo se abriu.
Ent�o, quando o papai conheceu e se casou com...
ali�s, ela o chama de Henry.
E tem mais: ela � seis meses mais velha que ele
e nunca o deixa esquecer disso.
''Eu sou mais velha do que voc�, Henry. Escute o que estou dizendo.''
De todo jeito, o papai n�o conseguiu viver com aquilo.
O papai disse... ele voltou para a escola
depois que eles me tiveram, eu estava com nove anos.
O papai vai para a escola - � o que ele diz:
''N�s costum�vamos ir � escola''... ele estava indo � escola,
para tentar alcan�ar a mam�e.
E a mam�e, relaxada, com sua educa��o: ''Ele nunca vai me alcan�ar.''
Puxa, como essa bilheteria sempre me traz uma recorda��o,
uma recorda��o espec�fica.
Quando eu tinha onze anos de idade,
eu vim exatamente at� esta bilheteria para comprar um t�quete,
para ver ''Um Conto de Duas Cidades''.
O meu pai queria que n�s assist�ssemos,
por ter um monte de qualidades art�sticas.
A mo�a disse:
''Ah, por favor. N�o vamos vender-lhe um t�quete.
Voc� sabe que voc�s n�o podem entrar aqui.
V� embora.''
Levou dois anos para o filme entrar em cartaz no nosso cinema,
no nosso bairro.
As coisas mudaram. Mudaram de verdade.
Aquilo me fez pensar que um dia eu voltaria.
''Eu voltarei.''
Esse teatro era a Broadway de St. Louis,
o modelo da ind�stria art�stica em St. Louis.
E...
o pai do rock 'n' roll, uma pe�a secund�ria da grande engrenagem,
est� se apresentando aqui hoje � noite.
Eu.
� uma fase muito diferente daquela de tantos anos atr�s.
E os meus ancestrais,
a alguns blocos daqui,
eram vendidos nos degraus da corte municipal.
Vendidos.
Agora, essa sim � uma grande mudan�a.
Obrigado.
Obrigado. Obrigado, St. Louis.
Obrigado. Obrigado.
Obrigado.
O que me inspira a tocar aqui
� o que isso representa, n�o o que �.
Poderia ser um bar de esquina. � o que representa:
eleg�ncia, dec�ncia,
a luta por uma forma de vida melhor.
No cinema onde eu vi ''Um Conto de Duas Cidades'',
n�o t�nhamos essa eleg�ncia.
N�o estou me referindo � decora��o, mas sim � clientela.
Havia gritaria vindo do balc�o.
Uma cena era mostrada e as pessoas expressavam seus sentimentos.
Aqui, voc� tem o seguinte...
e � suficiente.
Eu quero ouvir voc�s gritarem ''ol�''!
Ol�! Ol�!
Mas seja onde for, no que diz respeito � minha m�sica,
eu gero o sentimento que n�s t�nhamos no nosso bairro,
porque essa � uma coisa do rock 'n' roll...
� liberdade.
No meio de ''Roll Over Beethoven'',
no Fox Theater, Chuck vem at� mim durante o solo e diz:
''Depois do refr�o, vamos mudar de nota'' -
n�s est�vamos em d� - ''para si bemol.''
E eu disse ''n�o''. E ele s� reagiu como quem n�o esperava aquilo.
N�o � muita gente que diz ''n�o'' ao Chuck.
Mesmo quando est� tudo indo uma maravilha, ele quer algo diferente.
Ele vai mudando at� haver um risco
de dar tudo errado, entende?
Mas ele � assim mesmo.
Eu n�o acho... ele n�o faz por maldade ou crueldade,
n�o � nada planejado. Ele � simplesmente ele pr�prio.
E voc� precisa estar... quando voc� trabalha com o Chuck,
voc� precisa estar preparado para qualquer coisa a qualquer hora.
N�s ensaiamos durante 10 dias.
Essa can��o � em compasso tern�rio, tem o solo de piano aqui,
da� voc� para e...
chega no palco, bum!
Vai tudo por �gua abaixo. O jeito � improvisar.
Todo mundo no palco fica olhando para mim.
Arranjos totalmente diferentes, alguns em notas diferentes.
Eu simplesmente olho para eles e digo: ''lmprovisem, rapazes.''
Qual � a pr�xima?
- ''Almost Grown.'' - Vou tentar.
- Pode contar comigo. - Voc� sabe.
- Hein? - ''l'm doing all right in school.''
Algu�m...
- ''l'm doing all right in school.'' - Certo.
Mais uma vez.
Ele � o primeiro compositor/cantor, at� onde eu saiba.
Havia outros,
mas n�o com tanto ritmo e tanto...
n�o do jeito que as letras sa�am t�o naturalmente pela garganta,
daquele jeito cortante, como uma pontada,
e daquele jeito tipo parecendo fundir-se com a batida da bateria.
Era tudo letra, express�o de forma livre.
E a mesma coisa que ele fazia com a voz e composi��o l�rica,
ele fazia com a guitarra.
� imposs�vel achar um exemplar anterior do cantor/compositor/guitarrista.
Antes de 1956...
um cantor cantava can��es e um compositor as compunha
e os dois nunca coincidiam.
Se fosse uma grande can��o,
15 pessoas faziam diferentes vers�es dela,
criando os chamados ''standards'',
pois � assim que as coisas funcionavam.
Um cara compunha a can��o e, se fosse uma grande can��o, todo mundo gravava.
Mas ele voltou � era dos trovadores, podendo cantar suas pr�prias can��es.
E ele � o �nico que consegue cant�-las daquele jeito.
Senhoras e senhores, eis uma jovem...
ela � uma garota para mim, ela � uma dona e tanto...
que eu conheci no ''Merv Griffin Show'' em Hollywood, no in�cio de sua carreira.
N�o vamos terminar sem um aplauso.
Vem para c�, Linda Ronstadt.
''Back in the USA''. Vem, querida.
Puxa, como voc� est� linda.
Aposto que sim.
Canta mesmo.
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