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A Lei n�o deveria imitar a natureza...
Mas sim melhor�-la.
DEC�LOGO, Epis�dio V
A Lei � uma inven��o humana, para regular suas rela��es interpessoais.
A Lei determina como somos e vivemos...
N�s podemos acat�-la ou infringi-la
As pessoas s�o livres.
Ainda que sua liberdade seja restringida aos direitos e liberdades dos outros.
E o castigo...
O castigo significa vingan�a,
sobretudo se for dirigida a causar danos ao criminoso...
...e n�o � preven��o do crime.
Mas, a quem realmente vinga, a Lei?
Vinga os inocentes?
Foram eles que elaboraram a Lei?
Sr. Piotr Balicki.
Entre, por favor.
Vai tirar esses trapos?
Pode ser que ainda sirvam.
Algu�m me tomou-os.
E devolveram?
N�o. Viu algu�m com estes trapos?
O filme � bom?
N�o, � chato.
De que trata?
De amor, mas � chato do come�o ao fim.
De qualquer forma, n�o vamos projet�-lo agora. S� mais tarde.
O que est� fazendo?
Arrancando os cabelos brancos.
Sabe se tem...
Algum ponto de t�xis aqui perto?
Na Pra�a do Castelo.
Um concerto,
organizado pelo ministro de arte e cultura...
A verdade...
Hesitei, n�o porque n�o saiba o que dizer,
j� que me perguntaram a mesma coisa duas vezes anteriormente.
Quando ingressei na universidade a resposta parecia bastante simples.
Quatro anos depois,
j� n�o estava t�o clara.
Senhora, a partilha!
Beata! Apresse-se.
Bom dia.
Quer um retrato?
N�o.
� por aqui a Pra�a do Castelo?
Por a� mesmo.
Na minha opini�o, em nossa profiss�o
pode-se corrigir os erros desta maquinaria gigantesca...
...que chamamos "administra��o da justi�a".
Ou ao menos tentar...
Uma das coisas que acho mais interessante...
� ter a oportunidade de conhecer e entender pessoas
que n�o conheceria, se houvesse me dedicado
a uma outra profiss�o.
Saia daqui! Est� assustando as minhas pombas!
Saia daqui!
Idiota!
Est� livre?
N�o v� que n�o?
Esperaremos no quiosque. Que frio est� fazendo!
As pessoas se perguntam com freq��ncia...
... se aquilo pelo que se dedicam tem algum significado.
Mas...
acho que a resposta se torna mais evasiva conforme passa o tempo.
Cada vez temos mais d�vidas...
...sobre aquilo a que nos dedicamos.
E talvez tamb�m, sobre nosso planos e nossa forma de entender a vida.
Acho que houve uma queda de crit�rio e de valores
Senhora, esquecemos de cobrar as verduras.
Como v�o as coisas, Beata?
Espere!
Boa tarde.
O que deseja?
Olhe, tenho aqui...
Voc� � das pessoas que fixam as presilhas na parede?
N�o.
Oh, achei que era um deles.
Tenho aqui uma foto...
Poderia ampli�-la?
Mas os defeitos ser�o vis�veis mesmo assim.
N�o importa.
Est� bem.
Com licen�a...
� verdade que d� para ver pela foto...
se a pessoa est� viva ou morta?
Isso � besteira.
A atua��o sobre o prisioneiro,
ou mais precisamente sua influ�ncia sobre os os outros,
ir� dissuadir, ou simplesmente assustar, as pessoas a n�o cometerem delitos.
Isto est� no artigo 50 do c�digo penal.
Eu n�o gosto de seu tom ir�nico. A preven��o do crime...
... � uma duvidosa justificativa para a severidade de certas senten�as...
Em ocasi�es injustas.
Quer um pouco?
Minha mulher que fez.
Pegue um pouco, vamos.
Um ch�, por favor.
N�o temos ch�.
E o que t�m?
Caf� e bolinhos...
Pois ent�o um caf� e um bolinho.
Qual?
De creme.
N�o esse... aquele outro.
Desde os tempos de Caim, nenhum castigo...
deu prova de ser um elemento de dissuas�o eficiente.
E agora, as not�cias do tr�nsito. Come�ando pela previs�o do tempo,
As condi��es das estradas s�o bastante ruins.
A partir do sudeste, � poss�vel encontrar chuvas ocasionais no resto do pa�s.
Madzio!
� um prazer lhe informar de que passou com �xito no exame.
A partir de hoje, depois de ter estudado quatro anos na universidade de direito,
pode-se considerar como um de n�s.
Eh, senhor...
Desculpe-me.
Vai para Mokotow?
N�o, vou � Wola.
Veja, estamos com muita presa...
Por favor, � Motokow.
Onde eles queriam ir?
A Wola.
Pode subir um pouco a janela?
Est� frio.
Gire � esquerda aqui.
Chegaremos mais r�pido � rua Fogel se irmos reto.
Prefiro ir por aqui.
Como queira...
� aqui, pode parar.
De qualquer forma, n�o podemos ir mais longe, a estrada est� interditada.
N�o poderia nem tentar.
Cristo...
No porta-luvas...
tem dinheiro...
Minha mulher...
O dinheiro...
D� a ela...
Por favor...
Esta � a hist�ria de um le�o.
Que era muito belo e valente
Todos os le�es adultos lhe diziam...
que um verdadeiro le�o tamb�m tem de ter um cora��o de corajoso.
A Corte se levanta.
Terminou tudo, senhor?
Sim, j� terminei.
Sim, sou eu...
Perdi o caso... N�o h� rem�dio...
N�o sei.
Vou dar um passeio.
N�o, n�o venha.
E voc�, como est�?
Tem dormido bem? Sim?...
Bem, ent�o at� logo.
Cavalheiro!
Jacek!
Desculpe, Excel�ncia.
Eu sei que isso n�o � de costume...
Certo.
N�o �.
Mas agora que tudo acabou, gostaria de lhe perguntar,
se teria havido alguma diferen�a no veredicto se a causa tivesse sido...
...defendida por um advogado mais experiente,
ou de maior renome?
Nem uma coisa nem outra.
Talvez pudesse ter defendido...
minha causa de outra maneira...
Sua alega��o por escrito...
contra a pena capital foi a melhor que ouvi em anos.
Mas a senten�a tinha que ser essa, irremediavelmente.
N�o foi culpa sua,
nem no ponto de vista profissional, nem no ponto de vista humano.
E embora tenha sido nestas circunst�ncias,
me alegro de haver lhe conhecido.
Adeus, senhor.
Talvez coubesse perguntar se este caso poderia ter tido um juiz melhor que eu.
O que vai acontecer agora �, na verdade, minha responsabilidade, se isso lhe consola.
N�o, n�o me consola.
Pode ser que seja irrelevante,
mas aquele dia,
quando ele estava enrolando a corda ao redor da m�o
naquela cafeteria,
Eu estive...
L�.
Onde?
Naquela mesma cafeteria, na mesma hora.
H� um ano, o dia que passei no meu exame como advogado.
Poderia ter feito algo...
Voc� � muito sens�vel para este trabalho.
J� � muito tarde...
Agora voc� � um ano mais velho.
O diretor ir� receb�-lo em seguida.
Como vai?
Faz calor.
Bom dia.
A cortina emperrou.
Prepare tudo.
Adiante!
Tudo preparado, senhor.
Obrigado.
Obrigado.
J� esperava isso.
Eu tamb�m.
Voc� tem meia hora.
Meia hora?
Est� bem.
Adiante!
Queria me ver, senhor?
Acompanhe-o.
Ol� advogado.
Vou v�-lo. Quer falar comigo.
Uma tarefa dif�cil.
Sim, � sim.
� minha primeira vez.
E esperemos que a �ltima.
Talvez n�o seja o melhor momento, mas...
J� que nos vemos pouco....
Quero lhe dar os parab�ns por ter sido pai.
Sim... recentemente... obrigado.
Queria me ver?
Viu a minha m�e?
Sim.
Chorava?
Sim.
Talvez ela estivesse querendo...
que me dissesse algo ou...
N�o
S� estava chorando.
Sente-se.
Voc� poderia...
Poderia...
Ir ver a minha m�e...
Mais uma vez?
Claro
Depois... sabe, depois que...
Pe�o a voc� porque... no tribunal,
quando me colocavam no cambur�o...
Voc� me chamou de Jacek.
Sim, disse seu nome.
Queria...
Tenho quase 21 anos...
Mas meus olhos se encheram de l�grimas...
Quando voc� disse meu nome.
Tamb�m disse durante o julgamento...
N�o sei...
N�o prestei muita aten��o.
S� quando voc� disse naquela hora.
L� estavam todos contra mim.
Todos eles, como aqui.
Contra o que voc� fez...
D� no mesmo.
Quer que eu v� ver sua m�e?
Sim.
Quero ser enterrado no jazigo de meu pai.
H� um lugar vago.
Posso ser enterrado num cemit�rio?
Claro.
Um padre me disse que sim.
� �bvio.
No jazigo de meu pai ainda h� um lugar.
Acho que minha m�e...
Ia ser enterrada l�.
Mas quero que a pe�a que me ceda o lugar...
Sim, diretor.
O diretor quer saber se j� terminaram...
Ainda n�o...
Estava dizendo...
J� n�o lembro mais.
Sobre o jazigo...
Marysia est� l� enterrada com papai, resta ainda um lugar.
Marysia est� l� h� cinco anos.
Faz cinco anos que foi atropelada...
Por um trator.
Na vila...
Estava indo para a sexta s�rie...
Tinha s� doze anos.
Tinha acabado de entrar na sexta.
O condutor do trator era um colega meu.
T�nhamos bebido antes do ocorrido.
Bebemos juntos.
Bebemos vinho e vodka.
Depois ele partiu e foi quando a atropelou.
...num prado, perto do bosque.
Tinha um prado ali, sabe?
Sempre acreditei que...
Se ela estivesse viva, as coisas seriam diferentes.
Talvez eu n�o tivesse sa�do de casa, tivesse ficado na vila...
Era minha irm�.
Tinha tr�s irm�os, mas s� uma irm�.
Eu era seu preferido.
E ela era minha preferida, tamb�m.
Talvez tudo fosse diferente.
Talvez...
Talvez...
Nunca tivesse acabado desta maneira
Sim.
E eu n�o estaria aqui.
O diretor e o juiz de senten�a perguntam se j� est�o prontos.
Diga-lhes que eu nunca direi que estou pronto.
Nunca dir� que est� pronto?
Nunca!
Compramos a tumba...
Tem a senten�a?
- Tudo pronto? - Pronto, tenho todos os documentos.
Vamos.
Pode deixar sua pasta aqui.
Por aqui.
Tirem o detento.
Sim senhor.
O Sr. Diretor insiste que acabem a conversa agora.
Entre meus pertences pessoais, que entregar�o a voc�,
encontrar� o recibo de um fot�grafo.
Levei uma foto para ampliar...
...e n�o tive tempo de peg�-la.
Pegue-a e entregue para minha m�e.
O que h� na foto?
� uma foto da minha primeira comunh�o.
Peguei-a quando sa� de casa, sempre carreguei comigo.
Estava t�o danificada...
Vamos!
Digo-lhe, senhor...
N�o queria que...
Agarrem-no!
Vamos, cavalheiros...
Abra a porta!
Um certificado de �bito.
Nome e sobrenome?
Lazar, Jacek.
Data de nascimento?
17 de mar�o de 1967
Nome dos pais?
Jan e...
Luc... Lucja.
Leia-se a senten�a...
Em nome da Rep�blica da Pol�nia,
em 27 de Novembro de 1987,
O tribunal provincial da Vars�via, no caso contra Jacek Lazar...
...acusado do latroc�nio de Waldemar Rykowski em 16 de mar�o de 87,
Considerou o acusado...
...culpado
...das acusa��es impostas.
E, segundo os artigos 148 e 44
...do c�digo penal
...� condenado � morte...
...e � perda de seus direitos civis � perpetuidade.
O tribunal supremo ratifica esta senten�a,
devido ao conselho estatal ter recha�ado sua peti��o de indulto.
A pena ser� executada, com todos os seus efeitos.
Um cigarro?
Preferia um sem filtro.
As m�os...
Executem a senten�a!
Segurem-no!
Bem, levantem-no, levantem!
Assim est� bom?
Mais, mais.
Te odeio!
Eu te odeio!
Tradu��o: Vander Colombo
Revis�o: Gianfranco
MOVIMENTO CINEMA LIVRE
Sincronia: Distan�sia
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