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DEC�LOGO, Epis�dio IV
"Para ser aberto depois de minha morte".
Anka, pare, maldi��o! Por favor, n�o!
Pare, est� ouvindo?
� Domingo de P�scoa!
N�o...
O que quer dizer com "n�o"? Abra a porta!
N�o!
Por favor, deixe-me entrar. Estou com pressa
N�o.
Abra a porta, maldi��o!
Domingo de P�scoa, h�?
Deixe-me entrar!
N�o terei tempo de secar se estiver muito - Oh!
Sim, sou eu... S� um momento.
Poderia desligar a extens�o, Pai? Eu atendo do meu quarto.
Ok.
Ele j� desligou?
Sim.
J� desligou, pai?
Sim.
E ent�o?
Est� tudo bem, alarme falso. A menstrua��o veio de manh�.
Gra�as a Deus!
Quer que v� ao Aeroporto?
O que foi?
O meu bilhete, droga.
Est� com medo?
Voc� n�o acreditaria se eu dissesse que n�o.
Certo, eu n�o gosto da sua maneira de ser.
Est� molhado, porcaria!
Adeus, Pai.
Adeus e tenha cuidado!
Anka...
Esqueci-me de pagar o imposto e a conta do telefone.
Aonde est�o essas contas?
Numa das gavetas do arm�rio. Vai encontr�-las.
Pai!
"Para ser aberto depois de minha morte."
O seu nome, por favor?
Anna.
Idade?
Vinte.
� uma estudante?
3� Ano PWST...
O Col�gio Teatral.
Eu sei.
Imagino...
O meu filho quer estudar l�. Quais testes deve fazer para ser admitido?
Literatura, prosa, poesia, m�sica.
Deixe-me ver... Elliot, Herbert?
Elliot? Estou vendo que ele n�o tem chance.
Voc� tem problemas com a sua vis�o?
Sim, ontem olhei para um avi�o de uma certa dist�ncia.
Eu deveria t�-lo visto claramente, mas s� enxergava uma forma emba�ada.
E ent�o lembrei-me que s� consigo ver os n�meros dos �nibus...
...bem de perto.
Aqui temos...
P-A-I, Pai.
Tem adivinhado pelo menos as �ltimas 3 letras.
Sim.
E voc� fala Ingl�s?
Sim.
Por que arrumou as letras assim?
Eu vi o seu Q.I., tamb�m.
O meu pai estava naquele avi�o que n�o consegui ver ontem.
"Para ser aberto depois de minha morte."
Fiz alguma coisa de errado?
Fiz?
N�o...
Voc� n�o est� no centro de tudo.
De mau humor?
N�o gosto que papai esteja fora.
Se sentir-se triste ou assustada,
eu n�o posso estar contigo o tempo todo.
"Para a minha filha Anna"
Bem, quem � o pr�ximo?
Eu sei que vou ser eu...
E eu.
Bem, fiquem de frente um para o outro.
Boa noite.
N�o teremos mais jogos esta noite.
Boa noite.
Que maldade, voc� o ama, lembre-se.
Voc� o ama e voc� � ofendida. Uma princesa ofendida, concentre-se!
Por que eu devo am�-lo?
Est� brincando? N�o consegue ver o sentido impl�cito?
� poss�vel amar algu�m. Todos n�s sentimos uma coisa boba por algu�m.
Tudo bem, mas por que eu o amo?
N�o sei, pense em alguma coisa.
Digamos...
Voc� o ama porque ele ficou olhando para voc�.
Tudo bem, senhor, se me permitir...
N�o leve para o lado pessoal. Deite-se a� na mesa.
Vamos imaginar a seguinte situa��o:
S� o texto.
Boa noite.
Bom.
N�o teremos mais jogos esta noite.
Que o anjo ponha as suas asas azuis � sua volta...
N�o seja t�mida.
Boa noite.
Que os seus olhos que choraram muito...
tenham descanso por fim.
Deixe o sorriso desvanecer, e agora chegue at� ele.
Boa noite.
Vire os seus doces olhos para mim...
Olha para mim mais uma vez.
Vire a sua bochecha para mim...
Boa noite.
N�o est� se concentrando, n�o �?
Deixe-me te beijar.
Boa noite.
Vai embora assim?
Eu toco seus seios...
Eles est�o escondidos debaixo da roupa,
com la�os de amor.
Eu n�o te deixarei dormir.
Veja: Voc� sabe como olhar para ele. Agora est� se concentrando!
Obrigado, agora faremos uma pausa.
Pausa...
"Para a minha filha Anna"
"Para a minha filha Anna"
Ol�.
Desculpe n�o ter telefonado, mas eu estava passando pelo bairro...
E Michal pediu-me para vir buscar uns desenhos.
Estou com pressa.
Algu�m est� me esperando l� em baixo.
Diga-me, Adam...
Sim?
Voc� conhece meu pai h� muito tempo, n�o �?
N�s estud�vamos juntos.
Conheceu a minha m�e?
Sim. N�o muito bem, na verdade.
Como � que ela era?
Voc� se parece com ela.
Quero dizer, como ela era realmente?
Voc� parece com ela. Ela era uma pessoa intuitiva, como voc�.
Acha que ela podia ter um segredo?
N�o sei.
Alguma coisa que ela queria que eu soubesse.
Ela teria te dito. Ela era como voc�.
Eu tinha 5 dias quando ela morreu.
Ah, sim...
Ela teria escrito uma carta ou coisa do g�nero
Desculpe. Tenho de ir
Eu te ligo qualquer dia depois do Michal chegar, tchau.
Obrigado.
Oi, por qu� justo aqui?
Bem sim, � muito bom.
Bonito, arma��o s�pia.
H� alguma coisa errada?
N�o.
Na escola?
Ent�o o que foi?
"Minha querida filha..."
Como?
"Minha querida filha"
"N�o sei como ser� quando ler esta carta.
Deve ser uma mulher bem crescida agora, e o Michal j� deve estar morto.
Quando escrevi isto, voc� era s� um beb�... S� te vi uma vez.
Eles n�o quiseram mostrar voc� mais vezes, j� que vou morrer em breve, creio eu.
H� uma coisa importante que tenho que te dizer.
Michal n�o � seu pai.
Mas n�o importa tamb�m quem � o seu pai.
Bastou um momento de descuido e o mal estava feito.
Eu sei que Michal ir� te amar como um pai e voc� estar� confort�vel com ele.
Estou pensando em voc� neste momento... Imaginando como ser�...
...quando ler esta carta.
Tem o cabelo preto, n�o tem?
E uma m�o...
e um pesco�o...
Eu gostaria tanto de...
M�e..."
Boa tarde, Jarek est� casa?
N�o, ele saiu.
Mas ele vai voltar, entre.
Ele te disse que queria casar comigo?
Eu pensei nisso, mesmo.
Eu posso casar com ele imediatamente.
E o seu pai?
N�o importa.
Ele n�o � meu pai, na verdade.
Estive � sua procura.
Esqueci-me das chaves.
� este o nosso andar?
Desculpe.
Boa tarde?
Vai descer?
Sim.
Voc� sabia?
E voc� primeiro...
Diga-me.
Sim, eu acho.
Oh, desculpe-me. Parece que te trouxe at� aqui abaixo...
N�o, n�s n�o �amos descer.
Mas isto � o por�o, Pai.
Esquece, venha!
Reconhece a sua m�e?
Bem, sim.
Um deles pode ser o seu pai.
Pai?
Pertenceu � sua m�e.
Eles me deram de volta no hospital.
Sim, desde quando soube?
Nunca soube com certeza.
S� suspeitei.
Me decepcionou.
Nunca importou para mim. Sempre foi a minha filha.
Deveria ter me dito.
Primeiro, planejei te mostrar esta carta,
Quando voc� tinha 10 anos.
Mas voc� ainda era muito pequena, afinal.
Depois, decidi esperar at� voc� ter 15 anos.
Mas ent�o j� era muito grande.
Ent�o coloquei a carta nesse envelope amarelo.
T�o simples...
Pensei que as coisas iriam ser as mesmas entre n�s dois.
Mas est� mentindo.
Sim, est�.
Veja...
Tenho 2 velas.
Esta � minha...
E a outra - sua.
A pessoa para qual a vela acabar primeiro far� uma pergunta, Ok?
Ok.
� uma escolha.
Tem um cigarro?
Ganhou.
Pode perguntar e ter� uma resposta sincera.
Por que eu li a carta?
Eu li porque...
Eu primeiro a vi...
durante o retiro, acidentalmente.
Ca�ram uns pap�is de uma pasta sua.
Eu tinha 16 anos, ent�o.
15 e meio.
Est� bem, quinze e meio.
Coloquei a carta outra vez na pasta, mas j� sabia que ela existia.
Foi muito excitante no in�cio, saber que havia alguma coisa...
que s� poderia saber depois da sua morte.
Eu notei que voc� tinha tirado a carta quando foi embora.
Mas n�o a levou junto na �ltima vez.
Voc� fez de prop�sito.
Bem, ent�o tirou-a.
Andei 3 dias com ela.
Uma semana se passara e acabei abrindo a carta.
Uma resposta muito cansativa...
Alguma vez a leu?
N�o.
N�o foi assim t�o exaustivo, na verdade.
Tal como eles dizem na escola: "Pensem...
quando dizem as coisas que dizem, pensem no sentido ou no que est� impl�cito".
N�o quer saber sobre o sentido impl�cito?
O sentido impl�cito �...
Eu senti, ou adivinhei, as palavras desta carta h� muitos anos.
Quando tive o meu primeiro namorado eu sabia que estava decepcionando algu�m.
N�o conseguia perceber,
que esse algu�m era voc�.
Continuei � procura de uma pessoa,
outra pessoa,
mas quando uma pessoa me toca eu penso na sua m�o...
Quando estou perto de algu�m, n�o estou realmente com essa pessoa mas...
Como vou te chamar?
N�o sei.
Anka...
Ah, ent�o voltou. Ol�.
Bem, como foi?
N�o muito mau.
Aqui est�o os seus desenhos, eu copiei e mandei. Eles gostaram.
Oh...
Ouvi dizer que aqui h� esbo�os.
Sim...
Esse ai?
Sim.
Exatamente o mesmo.
Ajuda?
Olha s� a Anka.
Apenas um m�s depois de lev�-los. N�o acredita em mim?
Experimente.
Oh, estiveram bebendo juntos?
Sim, Anka...
Como est�o as coisas na escola? Quando se forma?
Em maio.
E quanto aos sonhos que tinha?
Ent�o eu...
N�o, obrigado. Vou andando. Voc� nem desempacotou as suas coisas.
V� v�-lo com ele.
Ele foi embora.
Eu sei.
Pegue o �nibus e v� v�-lo.
Ou pegue um t�xi. N�o importa aonde quer falar, n�o?
Anka, querida.
N�o estou ouvindo!
Deixe-me em paz!
De quem � que tem medo?
De mim ou de voc�?
N�o h� raz�o para ter medo.
Vou me casar.
Responda!
Pode ser Krystyna ou a Marta.
Ou o Jarek, me responda!
Sim?
N�o sei.
N�o, n�o tenho dormido.
Me ligue amanh�, Ok?
Ele n�o sabe como vai ser carregado, n�o?
N�o, mas a m�e dele disse.
N�o tem medo?
Quer falar?
S�rio?
Pode fugir.
V� embora , case-se...
Mas n�o ir� ajudar.
O que eu disse antes do Adam vir era a verdade.
Sempre me senti culpada na cama.
Agora eu sei porque eu estava te decepcionando.
N�o o sentia...
Vamos fazer um acordo.
Se voc� mentir e eu te pegar, voc� admite, Ok?
Est� bem.
Mentiu quando disse que nunca tinha sentido isso.
Sim.
Voc� sentiu, afinal?
Sim.
Voc� vive a sua pr�pria vida.
� livre para fazer o que quer.
E eu fa�o de conta que est� tudo bem.
Mesmo que queiras se casar com aquele rapaz Jarek,
n�o lhe direi para n�o o fazer. N�o importa o quanto voc� gostaria que eu fizesse.
N�o tenho direito de te proibir nada.
Se eu te proibir alguma coisa ou te for�ar a fazer qualquer coisa,
me considerarei ciumento.
N�o do modo que um pai sente ci�me da sua filha.
Isso seria um ci�me normal. Mas tal como entre um homem e uma mulher.
Entende o que eu digo?
N�o quero que seja assim, nunca quis.
Mas tem sido assim.
N�o sei porqu�.
Lembra-se de tr�s anos atr�s,
quando me pegou na cama com Marcin?
Foi por causa disso que foi embora?
Sim.
Tentei encontrar uma desculpa, tamb�m.
Nenhum pai gosta quando a sua filha come�a a dormir com homens.
Mas eu n�o era sua filha.
N�o sei...
Eu muitas vezes pensei que a sua m�e podia ter...
Mas eles dizem que as mulheres sempre sabem.
Mas ela podia estar errada.
N�o, n�o podia.
As mulheres sabem.
Como sabe?
Simplesmente sei.
Alguma vez ficou gr�vida?
Quando � que foi?
O ano passado.
Deixe-me dizer uma coisa.
Eu costumava ir embora, passar a noite fora, deixando-a sozinha porque...
porque queria que alguma coisa acontecesse.
Alguma coisa irrevers�vel.
A princ�pio pensei que iria acontecer com o seu primeiro homem, mas n�o aconteceu.
Depois simplesmente sonhei que iria ter um beb�, ainda sonho...
Por isso � que abortei, n�o queria que fosse me dizer que estava "tudo bem".
Por essa mesma raz�o, n�o te disse que ia abortar.
Tinha medo que dissesse, "Ah bem, fa�a como quiser, garota".
"Est� tudo bem."
Nunca te ocorreu que eu n�o queria que nada de irrevers�vel acontecesse?
Para qu� queria um filho meu?
S� quer que esteja tudo resolvido sem a sua presen�a outra vez, tal como nessa carta.
"Para ser aberta depois de minha morte."
Vou coloc�-la de volta no lugar.
� pra voc�.
N�o quero.
Eu n�o...
Eu n�o quero.
Quando eu era pequena, voc� costumava acariciar minhas costas.
Algumas vezes eu chorava de prop�sito...
...para voc� vir debaixo do meu pijama para me acariciar.
Dava-me uma sensa��o estranha.
Voc� queria que eu fosse sempre uma crian�a, n�o � verdade?
Ser um beb�.
Voc� me proibiu de usar biqu�ni, apesar de eu j� ter seios.
Quando eu ia menstruar, voc� me levou para as montanhas, com medo.
E nunca se casou, com a Marta ou outra mulher.
Tinha medo que voc� ...
Mas n�o havia nenhuma raz�o.
Voc� n�o se casou de novo.
Tem me esperado, n�o tem?
Tem?
Sim...
Era pra ser assim.
Eu n�o sou sua filha,
e sou uma mulher.
Quer me tocar?
Quer?
Est� bem.
Ent�o responda s� mais uma pergunta.
S� uma.
Por que queria que eu lesse aquela carta?
Eu queria o imposs�vel.
Eu queria...
O imposs�vel.
Foi por isso que bati em voc� pela primeira vez, no aeroporto.
Era porque voc� iria ler a carta,
e porque eu queria que a lesse.
Por causa da mam�e...
Porque ela escreveu coisas que nunca me disse.
Porque eu te amo...
Mas eu n�o sou sua filha.
Porque tudo poderia ter acontecido de outra maneira...
E por causa dos dias que nunca voltar�o.
Sempre que esfregava as minhas costas quando eu chorava...
"Rei do Doce
P�o de Canela
Princesa Marzip�"
Pai?
Pai!
Papai!
Eu menti, papai.
Eu n�o li aquela carta, eu nem sequer abri.
Pai, eu escrevi o que voc� leu, o que eu te disse no aeroporto.
Eu reparei na letra da mam�e no envelope e forjei aquela carta...
Pai, o que a mam�e escreveu?
Eu n�o sei.
Onde estava?
Fui buscar leite para o caf�.
Eu sei o que dev�amos fazer com a carta.
Esta � a verdadeira.
Me ajuda?
Sim.
"Minha querida filha...
Eu gostaria de..."
�: "dizer"?
"Eu gostaria de te dizer...
uma coisa...
muito importante.
Michal...
O Michal n�o �..."
O resto est� queimado...
Tradu��o: Vander Colombo
Revis�o: Gianfranco
MOVIMENTO CINEMA LIVRE
Sincronia: Distan�sia
Making Off www.makingoff.org
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