All language subtitles for The.Mephisto.Waltz.1971.DVDrip.x264-AC3

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Original subtitles

Balada Para Satã

Myles.

Que barulho horrível é este?

É o gaio.

Por quê?

Está infernizando a vida da mulher.

Aquela coisa linda?

Ela deixou o gato entrar no jardim.

- Amor, amor, amor? - Amor, amor, amor.

- Myles. - Estou dormindo.

Que horas são?

Ou faltam 15 para as 16h ou são 9h20.

Querida, pode atender ao telefone?

Não precisa ter medo.

- Quem está falando? - Sou eu. Abby.

Posso falar com o Sr. Clarkson?

Bom, Myles está dormindo. Paula também. Os dois estão.

Estão sempre dormindo.

- Quem gostaria de falar com ele? - Duncan Ely.

Espere aí.

Pode soletrar para mim?

D...

U...

N...

C...

A...

N.

E...

L...

Y.

Myles. Myles.

Esqueceu o gravador. Eu amo você.

Quer dizer que me ama mesmo assim?

- Sim? - Myles Clarkson. Tenho hora marcada.

Sim, claro. Por aqui, por favor.

Posso ajudá-lo?

Vai ter que esperar até o Sr. Ely acabar de tocar.

Ah, sim.

Podemos entrar agora. Por aqui.

- Clarkson? - Sim, senhor.

Deixei que viesse porque li seu artigo sobre o gênio russo.

- Como se chama? - Stravinsky.

Sim, não ficou bom.

Mas também não ficou ruim.

Obrigado.

Reconheceu a obra que acabei de tocar?

É do fim do romantismo. Liszt, acho.

Nada mal. " Mephisto Waltz."

O diabo dançando com as suas amantes.

Está bem, você tem 30 minutos, nada mais.

Jogue fora este cigarro nojento.

Sr. Clarkson?

Posso ver as suas mãos?

Vire-a.

Agora a outra.

Estique os dedos.

Já tocou piano?

Estudei por quatro anos na Juilliard.

E?

Fiz o primeiro concerto, como de praxe.

Metade família, metade críticos.

Fui aplaudido de pé, e tive sete críticas.

A frase mais gentil foi: "Indecentemente imaturo".

Não gostei. Tinha 20 anos.

Críticos! São estúpidos até quando estão certos.

Não entendem que, depois de um concerto, deixamos sangue no piano.

- E devia ser assim. Sim, Bennet. - Para o senhor.

Por favor, peça à Sra. Delancey para vir aqui.

Sim, senhor.

Quero que a minha filha veja as suas mãos.

- Continue, por favor. - Bom, no ano seguinte...

tentei dar um fim a tudo com uísque com gelo.

Então, você seguiu o destino comum aos almirantes aposentados...

esposas infelizes e poetas exaustos.

- Tornou-se um escritor. - Um jornalista de música.

Pode esticar um pouco os dedos?

Não, aqui no piano.

Roxanne. Ele tem mãos incríveis. Mãos de Rachmaninoff.

Ei...

- Esqueci o seu nome. - Myles Clarkson.

Eu sou o maior pianista vivo, e lhe digo uma coisa, Sr. Myles Clarkson.

Mãos como as suas...

são raríssimas, uma em cem mil.

Não concorda, Roxanne?

Sim.

Nosso pai não está mais no céu, querida.

Deus existe. E o diabo é o seu vice-presidente.

Ou será que é o contrário?

Tem uma brincadeira horrível aí.

Não foi proposital.

Roxanne, já visitou a nova casa de Kurt em Cap Ferrat? É linda.

Não. Passei uns dias na América do Sul.

Temos um rancho no Chile, coisa de família.

Ah, que interessante.

Eu... Eu vi o seu último filme. Ao menos, espero que seja o último.

Meu caro, deveria pedir que usassem dublês.

Especialmente nas cenas de nu.

E muito chato.

Descobri que a praia, no inverno, em Coney Island...

é encantadora. Ninguém sabe disso ainda.

Sei. Tenho um axioma ótimo: "O clichê manda".

- Não concorda? - Não.

A morte. Não há nada mais popular do que a morte.

A morte é banal. Mesmo.

Absurda, ridícula e banal.

Como você era, quando criança?

Na idade de Abby, eu era linda e precoce.

- E aos 17 anos? - Eu era só linda.

- Ainda estava em Londres? - Por que tanto interesse por mim?

- Você não tem? - Não.

- Por que não? - Eu já sei demais.

Obrigado. Estou bebendo um belo vinho.

É delicioso. Obrigado, obrigado. É delicioso.

Está vendo este calo no meu dedo?

Isso só prova que a minha mulher datilografa tudo.

Acho que devia ser ator ou pianista.

- É o que o grande Duncan me diz. - Ele está certo. Sempre está.

Mas ele é meio insuportável.

Forçou-me a tocar piano com ele hoje. Fazer um dueto.

Perdão, Mozart, não sei o que faço.

- Bravo! - Bravo!

- Foi lindo. - Parabéns, meu jovem.

- Muito obrigado. - Agora entendo Duncan.

- Temos que discutir a sua carreira. - Obrigado, obrigado.

Como eu fui? Horrível?

Com muito esforço, você poderia ser um pianista de terceira.

Tão bom assim?

Mas, Myles, digamos que escrevesse por oito horas, diariamente.

- Podia ser um bom romancista. - Já fiz isso, e não sou.

Myles, você me dá dor de cabeça.

- Vou pegar uma coisa para você. - Quero ir embora.

- Boa noite. - Boa noite, Myles.

Boa noite, Roxanne, querida.

Espero revê-lo, em breve.

Muito em breve.

Robin, senta.

Este é Robin. Não é uma bela criatura?

Robin, quero lhe apresentar a Sra. Clarkson.

ABERTO

Pare com isso, não sou cliente.

Que horas são?

Faltam 11 dias para o Natal.

Sabe qual é o nosso total de vendas? Incluindo impostos?

Não, não quero saber.

Onze dólares e vinte e cinco centavos.

- Bem, a vizinhança é boa. - O aluguel também.

Em cinco minutos, vamos fechar...

ir para casa, servir o jantar, dar uma desculpa aos nossos maridos...

tomar 100 comprimidos para dormir e nos enforcar no armário de cima.

Esperemos até amanhã. Acho que aí vem um cliente.

Paula, tínhamos de vir e conhecer a sua loja.

- Oi, Sr. Ely. - Olá.

Linda.

Esta é a minha sócia, Maggie West. Duncan Ely e Sra. Delancey.

- Como vai? Trouxe uns amigos. - Que bom.

Queria que o seu primeiro dia fosse um sucesso.

Paula, é lindo.

- Quanto gastaram? - Mais de US$ 500.

- O que querem? - Quem liga?

Vendi o lenço Hermês para ele por US$ 29,95...

e ele nem pechinchou.

Quer mais três.

Estão gastando muito. Não gosto disso.

Por que estão fazendo isso? Por quê?

Duncan Ely. Agora lembrei.

Sua mulher foi morta...

por um cachorro.

Myles.

Estou preocupada.

- Por quê? - Porque sim.

É um grande motivo.

Eles gastaram muito na minha loja, compraram coisas ridículas.

- Quem? - Roxanne, Duncan e seus amigos.

Sabe que ele vai lá dia sim, dia não?

Por quê? Qual é o motivo?

Ele gosta de você. Isso assusta?

Sim.

Ele fez muitas perguntas sobre você, sobre mim, sobre Abby.

Está nos estudando, como ratos brancos em um labirinto.

Não quero passar o Ano Novo lá.

Tarde demais. Já disse que iríamos.

Ligue para ele e diga que está doente.

Por que não fazemos como sempre, fazemos uma lua-de-mel mexicana?

- Beber tequila e jogar damas? - É, sim.

Por quê?

Para que ao menos uma vez eu o deixe ganhar.

- Você não deixa. - Não.

Ouça, querida...

eu quero muito ir àquela festa.

É importante para mim.

Está bem, vá sozinho.

Você está com ciúme?

- Sim. - De quem? Da Sra. Delancey?

De quem mais?

Na verdade...

o que ela faz, eu faço.

- Amor. - Amor.

Ah, que delícia!

Se todas fossem como você, trocaria de sexo.

É bom que tenha opção.

Como vai, meu amor?

Terrível. Estou bêbada, e detesto isso.

- O que houve, estou com caspa? - Quero ir para casa dormir.

O sucesso a deixa triste, não?

Aonde vai?

Se não voltar em dez minutos, chame a polícia.

Ah, ótimo. Muito obrigado.

Livro de Calles

Aí está você, menino malvado. Malvado.

Ah, sim. Seu bobão. Ele adora perfume.

Deve tê-lo assustado. Ele é um covarde, sabe?

Robin, deita.

É isso aí. Role, isso, isso.

Ele é um bebezão. Não é, Robin?

Ele é um hipócrita, isso sim.

- Gostou do meu trabalho? - Francamente, não.

Sou de uma geração preocupada. Gosto de formas belas e abstratas.

- As suas são muito reais. - É verdade. E muito perceptivo.

Quero fazer uma máscara de Myles.

- Por quê? - Pelos seus ossos.

Aqui e aqui. São lindos. Não concorda?

Não. Mas ele é bonito.

Então está tudo certo, posso fazê-lo?

Não sou dona do meu marido.

Eu me casei duas vezes. Uma, aos 15 anos, com um homem de quase 30.

Duncan conseguiu a anulação.

Foi muito caro.

Sempre o chamou de Duncan?

Acho que sempre foi assim.

Chamar um homem como ele de " pai" seria doméstico e trivial demais.

Houve muitos casos no meio.

Depois, casei de novo e me divorciei.

Acho que deveria ter ficado com ele. Era tão legal...

simples e inteligente.

Ele é o vice-presidente da Western Oil.

Duncan, o que houve?

Desmaiei.

É um daqueles...

Não se preocupe. Vai ficar tudo bem.

Aquelas escadas...

giram muito.

Suas mãos estão geladas. Quer o seu remédio?

Não, obrigado. Já tomei. Não adianta.

Sinto muito que não esteja bem.

Mas quem parece doente é você.

Espero que fique melhor...

assim que tirar o molde e virar gesso.

As pessoas deviam nascer aos 70 anos.

E viver ao contrário.

As coisas como são não fazem sentido.

Estou acordada.

Você se divertiu?

Foi demais. Acabamos com três garrafas de champanhe.

Com a Roxanne?

E o Duncan.

Ei, quer saber?

Ele me pediu para tocar Mozart de novo.

E eu fui muito bem.

Talvez seja melhor viver bebendo champanhe.

Myles, você está todo rosa.

Ah, é o gesso.

Eu odeio a Roxanne.

É claro.

Não quero mais ir lá. E não quero que você vá, também.

Por quê? Pode me explicar isso?

- São muito simpáticos. - Não grite.

Tem certas coisas que não posso dizer sem gritar.

Eles gostam de nós. Gostam de você.

Acham que a Abby é a criança mais maravilhosa do mundo.

- E gostam de mim, também. - Claro.

- Mas é tudo muito repentino. - Amor, o que houve?

O que houve mesmo?

Estou com medo.

Que ridículo!

- Sou o filho que ele nunca teve. - Está bem.

Ele é o pai que você nunca teve?

Myles, quero lembrar que você já tem pai.

Ele é farmacêutico, em Providence, Rhode Island. Lembra?

Qualquer coisa diferente disso é bigamia, sei lá.

Duncan Ely está morrendo.

O quê? Não!

Sim, ele mesmo me disse, hoje.

Está com leucemia há oito meses.

Trocam o seu sangue a cada 15 dias.

Mas não adianta, ele vai morrer.

Sinto muito, sinto mesmo.

Ele me pediu para não contar, mas acho que tudo bem.

Ele é um grande homem.

É um grande artista.

Deve ser o maior artista desde a invenção do pianoforte.

E nunca mais vai dar concertos.

Abra a mão, Sr. Clarkson.

Segure isso com força por dois minutos.

- Como ele está? - Bem melhor, eu acho.

- Dormindo? - Sim, está tranqüilo.

Ele tem muita coragem. É uma inspiração.

Por que não vai à cozinha e pede comida ao Bennet?

Obrigada. Vou, sim.

Eu levo isso para você.

Trouxe um líquido quente para você beber.

- Vamos. Vai fazer bem. - Está bem. Obrigado.

Doei sangue ontem.

Você vai ficar cansado por uma hora. Por que não dorme?

Quando o Duncan acordar, eu o chamo.

Sei que quer falar com você.

Sim, faça isso, por favor.

Adeus, Myles.

Já são quase 12h?

Quase, Duncan.

Myles?

Como vai o Duncan?

Sinto muito. Muito mesmo.

Mas a vida dele foi ótima.

Ninguém tem o bastante.

O que é?

Essa roupa.

Ah, não tenho roupa limpa.

- Fiquei com frio esperando você. - Só na parte de cima, é?

- Não, deixe. - Por quê?

Quero vê-la.

Amor, amor, amor?

Não seja cabeça-dura, diga.

- Como assim? - Como assim o quê?

Quer ir lá para baixo?

Não.

Não podemos esperar?

Não. Não posso esperar.

Que monte de bobagem foi essa?

Achei que ele fosse levantar do caixão.

As pessoas têm direito a uma religião.

"Eu, Duncan Mowbray Ely...

residente da cidade de Los Angeles, no condado de Los Angeles...

no estado da Califórnia...

dono de uma mente sã e memória perfeita...

faço, publico e declaro este como meu último testamento...

assim revogando quaisquer outros testamentos...

feitos anteriormente.

Artigo um...

Em reconhecimento da minha afeição por Myles Clarkson...

eu lhe deixo como herança...

um dos meus pianos Steinway...

e toda a minha coleção de composições...

para que se divirta e use...

para manter vivo o seu interesse pela música...

para a qual tem um talento extraordinário.

Além disso, peço que uma semana após a minha morte...

meus testamenteiros paguem ao referido Myles Clarkson...

a quantia de US$ 100.000 em dinheiro...

a ser retirada da minha conta pessoal."

Myles, não acredito!

" A quantia que deixo em herança para Myles Clarkson...

é para que se mantenha.

Mas espero que ele a use para seguir a carreira musical...

se assim quiser.

Artigo dois...

Para a minha filha, Roxanne Delancey...

deixo a minha casa em Los Angeles, Califórnia...

e tudo o que lá estiver."

Esse dinheiro todo o deixou muito atraente.

Sabia disso?

Lembra-se de mim?

Não. Ainda não.

O que é isso?

Há 42 catedrais nesta cidade, lembra?

- Não. - Claro que sim.

Espere aí. Ouça isto.

Agora você lembra?

Feche esta droga.

Você era mais educado. Mais gentil.

Isso foi antes, quando eu era pobre.

Você me ama?

Qualquer bobo pode amar.

O que vale é o que vem depois.

Ah, Myles.

Robin.

Robin.

Robin, cachorro malvado!

Que vergonha!

Vamos.

Você podia ter me machucado.

Agora vou amarrá-lo.

- Oi, Abby. - Mamãe!

- Senti tanta saudade! - Mamãe!

Que bom que voltou!

- Veja, mamãe! Tenho um cachorro. - Já vi.

Abby, ele é um belo cão.

Devolva-o à bela senhora que o deu para você.

Sem ofensa.

- Por favor, mamãe, não posso... - Não.

Vamos, Robin. Vamos.

- O quê? Lágrimas, já? - Sim. Tudo voltou ao normal.

- Olá, Maggie. - Olá.

- Como ela estava? - Horrível.

- Normal. - Onde está o ricaço?

Estacionando o carro de rico.

As férias foram legais?

Foram loucas.

Isso não pode continuar.

Na verdade, parece que sou infiel.

É como se ele fosse três homens.

- Esse anel é novo? - Caríssimo!

Deixe-me ver.

Ele quer o papai.

Todos querem, não?

O papai vai me deixar ficar com ele.

- Você vai ver. - Olá, belezinha.

Papai! Papai!

Papai, escute. Quero muito este cachorro.

Ele vai ficar no meu quarto.

Por favor! E não vai comer mais os seus lápis. Eu juro.

Lápis!

Você o deixou entrar na sala do papai?

Quando conheci este cachorro, não gostei dele. Mas tudo mudou.

Aos poucos, passei a odiá-lo.

- Ele fica. - Não, Myles!

- Não quero cães em casa. - Ele precisa de uma criança.

Obrigada, papai.

Ainda sinto cheiro de tabaco.

- Abra a janela, sim? - Já está aberta.

Se isso for martíni, quero provar.

Podíamos comprar outro uísque.

Este tem gosto de um kilt de pobre.

- O que temos para jantar? - Ainda temos cachorros-quentes.

Muito obrigado.

Vista-se, vamos sair.

Vamos? Para onde?

Comer comida japonesa. Eu adoro.

- Vou fazer as reservas. - A Maggie também?

E o bom doutor?

Não sei, ainda está no hospital. Só sai depois das 21 h.

Vamos esperar por ele.

Não é muita gentileza minha?

Veja só quem está aqui.

Roxanne, que prazer em vê-la!

- Maggie, conhece a Roxanne? - Sim. Olá.

Dr. West, Roxanne.

Não, não. Não se levante. Este é o Richard.

- Richard... - Ela não sabe o sobrenome dele.

- Entendo. - Tirem os sapatos e fiquem conosco.

Garçonete, pode pôr umas almofadas aqui, por favor?

- Prazer em revê-la. - Abby, levante-se.

Encolha os cotovelos.

Os cotovelos dela são como lâminas.

- Pensei que outros tinham esta sala. - Sim, mas estamos sozinhos.

- Não sabia que voltara. Está tocando? - Sim. Tocando Brahms em uma espineta.

Mas você tem o Steinway.

Preciso de uma escavadeira para colocá-lo em casa.

Então use o meu.

Boa idéia.

Richard, dê a chave que lhe dei ao Sr. Clarkson.

- Está na sua bolsa. - Ah, sim, está mesmo.

Terá a casa só para você. Richard e eu vamos às Bermudas.

Mesmo?

Estou feliz. Você não?

- Telegrama. - Por que não me ligou?

- Podia ter lido por telefone. - Eu sei.

- Está surpreso? - US$ 400? Nem um pouco.

Myles, eu adorei!

Só por escrever sobre Duncan Ely.

Os geniais, escrevem. Os idiotas fazem pequenas entrevistas.

Igualmente divididas entre maliciosas e elogiosas.

Por que quer ser outra pessoa?

Porque não sou ninguém sendo quem era.

É verdade, você mudou.

É muito excitante.

Mas não é mais confortável como era.

Ainda assim...

não suporto a idéia de você se afastar de mim de manhã.

Fico me sentindo vazia.

Era você ao piano há pouco?

Por quê? Não gostou?

Gostei. Mas foi assustador.

Era uma das últimas fitas do Duncan.

Myles, por que disse isso?

O gravador está gelado.

Ora, olá, Roxanne.

Olá, Paula.

Que dia lindo!

Olá, Myles.

O que houve com Bermudas?

Houve um furacão lá, então o Richard não quis ir.

Eu também não vou, não com um covarde.

Sabe, todos os homens interessantes estão casados ou não valem o esforço.

Não, não pare. Continue.

Foi você que ouvi lá de fora, não foi?

É inacreditável.

- Por quê? Toco 18 horas por dia. - Vinte e quatro.

- Você toca dormindo. - Mas não é só técnica.

Também é fé.

Duncan me deu esta fé, ninguém mais.

Então não é surpreendente eu tentar imitá-lo, é?

Não.

Você está certo, eu errada.

Acho que deve fazer o que quiser.

Vou ligar para meu amigo, o Sr. Hurok.

Myles pode tocar no lugar do Duncan, daqui a uma semana.

Eu aceito.

Myles, é você?

Não tenho escolha.

Ele quer que seja feito agora.

Abby? O que quer com a Abby?

Não quero machucá-la.

Ela é linda, de verdade.

Mas preciso fazê-lo.

Não, por favor, não.

Não.

Sinto muito, faz parte do pacto.

Mamãe!

Mamãe!

Mamãe?

Mamãe?

Mamãe?

O que foi?

- Tive um pesadelo horrível. - Eu também.

Não é nada. Não é real.

Não é real. Vai passar.

Você está quente.

Vou ver se você tem febre, está bem?

Vamos. Vamos.

Prontinho, amor.

Onde está aquele cachorro louco?

Ele se foi.

Infelizmente, vai voltar.

Não.

Não, ele foi para casa.

Pulou da janela. Estava aberta.

Você o odiava, então ele pulou e foi para casa.

Roger, o que está havendo? Preciso saber.

Temos que identificar o inseto antes de matá-lo.

Paula, ela vai ficar bem. É forte.

Como você.

Então?

Ele não sabe. Ainda não.

Penicilina não adiantou.

Ela teve convulsões.

Mas estão controladas.

Eles acham que é um tipo de lesão espinhal...

Myles?

Os sonhos dizem a verdade?

Do que está falando? Que sonhos?

Como ela está?

Infelizmente, ela não resistiu.

Meu Deus!

Tentamos de tudo.

A verdade é que não...

tivemos um diagnóstico certo.

Eu tive.

Você não vê?

Puseram óleo na testa dela.

Paula? Paula!

Paula, pare.

Paula, não fuja. Por favor. Por favor.

Paula, pare.

Do que está fugindo? Isso não vai ajudar.

- Estou com medo. - Eu sei, mas eu estou aqui.

Não fuja de mim.

- Myles, virou realidade. - O quê? O quê?

Ele disse que precisava matá-la.

- Por algum pacto. - Quem?

Duncan Ely.

Ele disse que você tinha mãos como as de Rachmaninoff.

E agora o Duncan morreu.

Mas você toca como ele.

Tão bem quanto ele.

Eu o ouvi.

Como o cérebro dele veio parar nos seus dedos?

Paula, pare de falar assim.

Ele está morto. Eu sei que está.

Desde a noite em que ele morreu, tudo mudou.

Você. Você mudou. Até no jeito de fazermos amor.

Paula, você vive um pesadelo.

- Precisa acordar. - Eu sei. Pensa que não sei?

É horrível.

E se for verdade?

Aquele livro dela. Roxanne.

- De gente que reza para o diabo. - Paula.

Será possível? Essas coisas acontecem?

Aqueles rostos na biblioteca...

e a minha filha.

Precisa se acalmar.

Talvez o médico possa lhe dar um remédio. Algo para dormir.

Por que ele a matou?

Foi mesmo um pacto?

Eles põem o óleo aqui.

- Foi isso que houve? - Paula, pare.

Ah, Myles, diga-me a verdade.

Diga-me a verdade.

Pare.

Obrigada.

Cão Assassino Linchado por Suíços

Pegadas claras...

de um cão gigante na neve.

Marcas de patas levaram ao corpo da mulher morta.

Mas não havia mais marcas.

O marido da vítima...

era o renomado pianista Duncan Ely.

A morta deixa uma filha casada...

a Sra. Roxanne Delancey.

Sim, eu fui casado com Roxanne.

Há muito tempo.

- Como ela está? - Linda.

Eu também não gosto dela.

Agora lembrei o seu nome.

Você fez o artigo sobre Duncan Ely.

Não, o meu marido fez. Eu só datilografei.

Bem, Duncan Ely era um grande homem.

Também era arrogante, cruel e chato.

Não vai achar isso no artigo, Sr. Delancey.

Mais importante ainda, o meu marido esqueceu de mencionar...

o assassinato.

Foi verdade?

Sua sogra foi morta por um cachorro?

Não. Não, isso é ridículo.

Os suíços não pensam assim.

Enforcaram o animal...

da viga de uma ponte de madeira, em um rio nas montanhas.

Acho que as pessoas acreditavam que o diabo não sabia nadar.

Ou não acredita no diabo?

São camponeses que ainda moram na Idade Média. Nós, não.

Acho que está enganado.

Existem pessoas que vivem hoje, como Roxanne, a sua talentosa ex-mulher...

que não sei como, nem por quê...

mas acho que ela foi responsável pela morte da minha filha.

Sra. Daley, a Sra. Clarkson já vai.

Pode levá-la ao elevador?

Bravo! Bravo! Bravo!

Ele nunca tocou assim na vida.

Ele é maravilhoso. Maravilhoso!

É sensual. Não o acha sensual? Você o conhece mais do que eu.

O corpo me é familiar.

Tem um homem lindo encarando você.

Se quiser mudar.

- Onde? - Ali. Uma fileira abaixo.

Eu vou, eu vou.

Sensacional!

Gina.

- Myles, foi sensacional. - Obrigado.

Obrigado. É muito gentil.

Obrigado.

- Oi, linda. - Bom vê-lo de novo.

Sra. Clarkson, o bar está cheio.

Tome o meu. Por favor.

Está mais sociável do que na última vez em que o vi.

Também estou menos sóbrio.

Tudo isso para ter coragem?

Não. Não tenho medo desta gente.

Minha ex-mulher e os seus amigos.

- Eu tenho. - Nossa, eles vão adorar...

saber disso.

Sim. Eles adoram Satã, é claro. Para poderem fazer tudo...

o que bem entenderem.

Escute, eu... Eu só queria...

esquecer o que houve depois da morte da Sra. Ely...

porque estava feito.

Entende? Estava acabado.

Mas comecei a pensar na sua filha.

E decidi não ser tão egoísta.

Oi!

Meu número está aqui dentro.

Nossa, que perfume bom, este seu. Qual é?

Shalimar.

Não é lindo? Deve estar paralisada de alegria.

É visível, não?

Ofereceram ao Myles o resto da turnê do Duncan. Ele contou?

Chicago, Salt Lake City. Vinte e quatro concertos em seis semanas.

- Ora, Billy, como vai, amor? - Desde que me largou, bem.

É estranho vê-lo aqui. Abandonou o squash?

Ele jogava squash toda sexta-feira.

Agora eu só ganho dinheiro. Não está arrependida?

Estou, querido. Muito.

É melhor ficar com o uísque. Vai precisar.

Ela vai lhe contar a história da minha vida.

Ex-maridos são tão chatos!

- Já notou? - Eu gosto dele.

Não goste.

- Eu o acho engraçado. - Ele é perigoso, um ladrão.

Talvez seja isso o que sempre quis.

Foi muita gentileza sua vir. Mesmo.

Só quero lhe garantir...

que não há interesse amoroso da minha parte.

Que pena.

Comecemos com os fatos. O diabo não existe.

- Existe, sim. - Onde ele está? Apresente-me.

Nos meus pesadelos.

Sim, mas são seus.

O que você sonha é seu. Você inventou.

Ninguém mais. Não vê isso?

Não, mas não são como outros sonhos que já tive.

São... assustadores.

- Porque dizem a verdade. - Que verdade?

Minha filha foi morta por esta gente.

Mas por quê? Por que fariam isso?

Porque negociam corpos humanos.

Na minha opinião, o mundo é um bom lugar para se estar.

Por que alguém tentaria fazer uma religião de ódio...

é o que eu não entendo.

Deus não está na moda. Temos que ter alguém.

Paula.

Qual é a graça?

Sempre penso que você é o Myles.

- Mas a forma é diferente. - Eu sei.

Às vezes, sinto o mesmo com a Roxanne.

A verdade é que, quando você tem um deles...

nada mais é satisfatório.

- Então você acredita. - Acredito que eles acreditem.

Por que se divorciou dela?

Por causa da criança.

Teve um filho com a Roxanne?

No mesmo dia em que a Sra. Ely foi morta, Roxanne desapareceu.

Encontrei-a na neve, subindo a montanha.

Tinha abortado.

Não. Foi sorte nossa o bebê ter morrido.

Era um monstro.

Pensei que isso poderia uni-los mais.

- É. Mas... - O quê?

O filho não era meu.

Não percebe?

Eles fazem bruxaria porque assim podem fazer o que quiserem.

Paula, não tenho provas, mas tenho certeza absoluta de uma coisa.

O pai daquela criança morta...

era Duncan Ely.

Ei...

Vou pegar mais lenha.

Bill?

Bill?

Bill?

Bill!

Bill!

Não estávamos bêbados. Não estávamos drogados.

E não éramos amantes.

O que mais não eram?

Eu não estava com ele quando morreu.

Ele estava aqui fora, sozinho.

Você disse uma coisa.

Disse que sabia como ele morreu.

Agora, não importa se acha que vamos entender...

ou não...

vai ter que me explicar o que quis dizer.

Acho que Bill Delancey foi morto pelo meu marido.

Disse que ele estava viajando.

Seria um bom truque.

Matar um homem lá de Chicago, Illinois.

Ele não é o meu marido.

Por quê?

Tem alguém usando o seu corpo.

Acho que isso resolve o caso.

Querida Paula, O concerto de Chicago foi um sucesso.

Passei aqui para vê-la a caminho de São Francisco.

Que pena que não estava. A turnê acaba em três semanas, até lá...

fique com o meu amor. Myles

Querida!

- Ela sabe. - O que eu sei?

Que você não é o Myles? Que é Duncan Ely?

E que está apaixonado por ela. Pela sua filha.

Eu avisei para ela se afastar do Bill, mas ela não ouviu.

Vocês mataram o Bill. Vocês mataram a Abby.

Agora querem me matar.

Mas eu não vou deixar.

Soltem-me. Soltem-me. Soltem-me.

Não me toquem. Não me toquem. Não me toquem.

Essa letra não é a dele. Eu sei que não é.

Meu Deus!

- Como se sente, Paula? - Ótima.

Maravilhosa.

- Ainda tem dor de cabeça? - Não.

Mas quando me mexo, parece que tudo gira.

Acho que vai ficar bem. Melhor do que nunca.

O que achou na minha cabeça?

Espaço sobrando?

Não, você teve um pequeno derrame.

Que ótimo.

O que provocou isso?

Nem sempre dá para saber a causa disso, principalmente na sua idade.

Isso acontece. Ou você morre, ou melhora.

Não foi o acidente, foi?

Não. Foi o oposto.

O que aconteceu na sua cabeça causou o acidente.

- Que dia é hoje, Mag? - Hoje é terça, à tarde.

- Duas semanas. - Três.

Tenho que sair daqui.

Há muitas maneiras de matar alguém.

Às vezes, tenho medo de beber água.

Pode estar envenenada.

Não é bobagem?

Paula.

Eles não desistiram. Eu sei que não.

Mataram a Sra. Ely, Abby e Bill.

Depois, tentaram me matar. Mas eu sou durona.

Paula, se não soubesse que é sã, pensaria que enlouqueceu.

Eles fizeram um pacto com o diabo.

Para poderem ter suas relações.

Pai e filha.

Então perceberam que eu sabia o que faziam...

- e tentaram me matar. - Paula.

Por que não encara a verdade?

Qual é?

Eles estão dividindo a mesma cama.

O seu Myles e a tal Roxanne.

Escute...

Abby teve um vírus raro.

Bill Delancey bebeu demais, só isso.

Quanto à Sra. Ely, talvez tivesse um coração muito fraco.

Só sei de você.

Paula.

Você está doente.

E vai continuar assim, a menos que se decida...

a pedir o divórcio.

Não.

Eu quero Myles.

Quem quer que ele seja.

Eu ainda o quero.

Mesmo se for...

só mais uma vez.

Livro de Calles

Não venerarei outros deuses...

a não ser Tu, ó Mestre.

Irei onde quer que me mandes...

e estarei às Tuas ordens.

Mestre.

Estou pronta para o pacto.

- Sou a Sra. Clarkson. - Boa noite.

- A Sra. Delancey está? - Sim, mas está...

Claro que sim. Eu vi a luz no estúdio.

Alguém quebrou um dos faróis. Não deixe o Rolls à vista.

A vizinhança está cheia de adolescentes vândalos.

Sim, sim, obrigado. Tem razão.

Ora, Paula, que alegria!

Ia descer para tomar alguma coisa. Quer algo?

- Não, obrigada. - Chá ou coisa assim?

Não tenho tempo.

Ele não está aqui. O que quer?

Fiz um pacto com o Mestre.

Do que está falando?

Ele está do meu lado agora.

Você enlouqueceu.

Bennet.

Ah, Myles! Por favor, ajude-me.

- Paula, atenda. - Crisântemos, margaridas...

- Perfeito se é de virgem. É de virgem? - Eu duvido.

Quer incluir um cartão? Temos mensagens lindas.

- Recupere-se rápido? - Não, escute...

eu mesma vou entregar.

Obrigada. Ponha na minha conta?

- Sim, senhora. - Obrigada.

Paula?

Paula?

Paula?

Paula?

Paula?

Eles fizeram isso. Eles fizeram com que se matasse.

A tal Roxanne e o Myles.

Eles fizeram com que acreditasse em satanismo.

Ora, Maggie. Isso não é meio forçado demais?

Será?

O que é isso?

Estava no seu rosto quando a encontrei.

Não quero que ninguém saiba que ela acreditava nessa loucura.

Roxanne.

Boas notícias!

- Ela morreu? - Sim.

- Tem certeza? - Estive na delegacia.

Eles foram solidários.

Deram-me a notícia.

- Suicídio. - Que horror!

É mesmo, não é?

O que você pôs nas mãos?

Troquei de perfume.

Shalimar.

Gosta?

Não. É o que nossa dona-de-casa costumava usar.

Mesmo?

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