All language subtitles for A.Lesson.In.Love.1954.1080p.BluRay.x264-[YTS.AM]

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Original subtitles

''UMA LI��O DE AMOR''

UMA COM�DIA PARA ADULTOS DE INGMAR BERGMAN

Esta com�dia poderia ter sido uma trag�dia.

Mas ela acabou bem.

Nem o autor, nem os atores s�o os professores dessa li��o...

mais a pr�pria vida com suas reviravoltas e mudan�as absurdas.

Podem assistir a essa li��o de amor com um sorriso indulgente...

por ela ser elementar...

e por voc�s terem h� muito tempo passado dessa fase.

N�o passaram?

Voc� � um desgra�ado.

Voc� � mimado, grosseiro e c�nico.

Voc� se acha um ginecologista? Nunca entendeu uma mulher.

Se eu tivesse coragem, zombaria de tudo isso.

Voc� � extremamente ing�nuo.

Ent�o, n�o quer se casar comigo? Meu Deus, que tempestade!

-S�o os anjos chorando. -O rapaz tem consci�ncia.

Talvez. Arrependimento e dor na consci�ncia s�o irm�os siameses.

Posso continuar sendo sua amante.

Por favor, n�o me agrade�a o tempo todo!

-Ent�o, realmente acabou? -Sim. Obrigado por tudo.

Eu devo gritar?

De fato a minha sa�da � deselegante, mas n�o sou um super-homem apaixonado.

Sou apenas um homem cansado, entediado e com dor de cabe�a.

-Podia ser mais triste? -Voc� est� ficando velho.

� verdade. Estou um pouco velho, um pouco velho...

um pouco velho.

Volte para o abra�o clemente de sua clemente esposa.

Certamente, ela o est� esperando na estante para voc� tirar o p� dela.

O velho e querido cachimbo!

Enfermeira, acompanhe a Sra. Verin at� a sa�da e traga a pr�xima paciente.

-Para fora! -N�o vou demorar.

Adeus, David.

Sinto-me triste por voc�. Quem sempre v� as mulheres de �ngulos estranhos...

acaba de maneira estranha.

Ali�s, onde est� a chave da minha casa?

Voc� � sublime, seu chato!

Pr�xima.

Pr�xima!

Bom dia. Tenho um problema terr�vel, doutor...

que n�o me deixa dormir.

Preciso falar contigo, pois o senhor animou o meu marido da outra vez.

Tenho tanta confian�a no senhor. Nossa, como est� chovendo!

Meu marido e eu estamos pensando em nos casar novamente.

Ap�s 10 anos juntos e dois filhos...

nos divorciamos quando eu conheci um rapaz...

que me deu alegria, se o senhor me entende.

Ele era jovem e estava prestes a ir para o Ex�rcito...

ent�o o meu marido voltou...

Sim, � claro... Com licen�a, com licen�a.

-Tenho um caso de vida ou morte. -Mas, doutor...

O senhor tem tr�s pacientes esperando.

-Minha vida ou minha morte! -Doutor, o que devo fazer?

Um conselho. A cama conjugal � a morte do amor.

-Nossa, doutor o senhor est�... -N�o estou, de modo algum!

Tchau!

-Pensei que o doutor estivesse mesmo... -� mesmo?

Se eu n�o fosse uma mulher crist�, eu diria perdi��o!

Sam, nunca teve problemas com as mulheres?

-N�o desde que matei minha noiva. -Voc� n�o est� falando s�rio.

Depois o seu pai, o velho professor, operou a minha cabe�a.

-Foi uma boloto... -Uma lobotomia.

Talvez tenha sido isso.

Eu sou grato a ele. S� fico furioso duas vezes por ano.

Quando fico assim, n�o fa�o nada. Deixo de comer e beber.

Que pr�tico.

� a tempestade.

Deve ter algo mesmo assim.

Vou tirar um cochilo. Estou cansado.

E um pouco velho...

Um pouco, pouco velho.

A primeira vez que ela me visitou foi na primavera.

Ela parecia nervosa...

mas de um modo que tamb�m me deixou nervoso.

Seus sintomas n�o parecem especialmente alarmantes, Sra. Verin.

Mas a examinaremos mesmo assim, s� por seguran�a.

Dispa-se atr�s do biombo.

Voc� me acha bonita?

-Qual � a sua idade? -Por que pergunta?

-Preciso fazer a sua ficha. -Eu nasci em 1 932.

-21 anos e j� est� casada? -Lamenta o fato de eu ser casada?

-Dispa-se e pare de tagarelar. -Voc� tem m�os t�o bonitas.

-Gentileza sua dizer isso. -E um pesco�o muito lindo.

-� mesmo? -Como � ver as mulheres sem roupa?

-N�o � divertido, posso lhe garantir. -Estou com tanto medo.

-Voc� ser� gentil comigo? -Pare de falar...

e dispa-se.

Tenho uma confiss�o a fazer.

-Uma confiss�o? -Sim...

-n�o fique bravo. -Isso depende.

-Ent�o n�o vou falar. -Certo, n�o vou ficar bravo.

N�o h� nada de errado comigo. Pronto, eu j� disse.

-Eu queria lhe conhecer. -Conhecer-me... por qu�?

Eu te amo, Dr. Erneman.

Entendo... � muito gentil de sua parte.

Minha cara, Sra. Verin...

-Eu n�o sei o que dizer. -Eu o vi todos os dias no ver�o passado.

-No campo. Voc� n�o me viu. -Eu estava trabalhando.

Voc� trabalhava...

e se debru�ava sobre sua mesa todos os dias at� tr�s e meia.

Ent�o, tomava ch� com tr�s biscoitos amanteigados.

Depois, nadava todos os dias independente do tempo.

-Viu tudo isso? -Eu j� estava apaixonada por voc�.

-� claro... -Eu tinha fantasias com voc�.

-Sou apenas uma garotinha. -Voc� � casada.

-Aquele grande chato! -Por favor, v�. N�o tenho coragem.

-N�o me mande embora. -Eu preciso, por v�rias raz�es.

-Voc� ama sua esposa? -Sim, e n�o � da sua conta.

Agora v� embora.

-Voc� n�o a ama. -Sra. Verin... � muito meiga.

Pode-se dizer quase atraente. Estou tocado por seus galanteios.

Que homem n�o estaria? Mas sou no m�nimo t�o chato quanto o seu marido.

Tenho certos princ�pios com rela��o ao casamento e � fidelidade.

-E assim por diante... -� t�o...

encantador quando briga comigo.

Tenho uma esposa extremamente atraente que amo sinceramente h�...

deixe-me ver, 1 5...16 anos em outubro.

Nunca fui infiel.

Qual era o nome daquela mulher bonita que atracava no seu p�er?

-Ela era amiga da minha mulher. -� mesmo?

� por isso que tentou beij�-la ao luar...

depois que sua esposa foi dormir?

-Eu chorei a noite inteira. -N�o chore aqui, por favor.

Voc� me beijar� agora, e eu irei embora.

-N�o tenho a menor vontade de beij�-la. -Que mentiroso.

Est� com uma vontade irresist�vel de me beijar e isso n�o � tudo...

Isso � totalmente absurdo, minha jovem senhora!

-Eu protesto veementemente. -Parece um representante da ONU.

-Estou lutando por minha vida. -Eu sou t�o perigosa assim?

Se eu tivesse uma aventura contigo, Sra. Verin...

uma terr�vel rea��o em cadeia teria sido causada...

por um momento de imprud�ncia.

Ningu�m precisa saber.

Prefiro minha vidinha com suas pequenas alegrias e aborrecimentos.

Prefiro meus chinelos e o am�vel e indiferente fogo da lareira...

ao seu corpo perfumado. Um tipo de fogo completamente diferente...

que � perigoso e sufoca tudo o que chamamos de lar, filhos e dec�ncia.

E que leva absolutamente a nada.

V�, Susanne...

v� e me deixe em paz.

-Voc� me ama. -N�o, eu n�o te amo.

Mas eu quero toc�-la, deixar o seu fogo apagar minha apatia e meu t�dio.

Deix�-la esconder o lixo da massa cinzenta enraizada no meu c�rebro...

que eu n�o me preocupo em tirar.

Isso foi banal, est�pido, bobo e rid�culo?

N�o fale mais, apenas me beije.

N�o, n�o, n�o...

� meu direito incontest�vel ser um chato.

Minhas tentativas passadas acabaram desastrosamente. Eu n�o quero mais.

-Pense nisso como divers�o! -� claro que vejo como divers�o!

Estou louco de desejo, quem n�o concordaria com isso?

Eu ainda estou esperando.

Recusei uma oferta excelente. Devo ficar com vergonha?

-H� 15 anos, minha esposa... -16 anos em outubro.

Ela n�o lhe � fiel. A fidelidade s� existe se voc� for fiel.

A infidelidade � inven��o dos moralistas e dos fofoqueiros.

Se eu vou ser infiel...

ter� de ser sem remorso ou peso na consci�ncia.

Se � para ir ao inferno, voc� � a melhor companhia.

Os homens precisam de raz�es para tudo...

at� para ir para a cama.

N�o acha que eu lhe vi no ver�o passado?

Eu lhe vi todos os dias. Eu fiquei com o seu cheiro...

sonhei com voc� � noite, tentei me aproximar de voc�.

-Voc� era como o pr�prio ver�o. -Ele est� virando um poeta...

N�o � rid�culo?

H� tr�s pacientes esperando o senhor.

N�o acho que o homem foi criado primeiro, � claro que foi a mulher.

Numa manh� de domingo.

� luz do sol. Ele estava de bom humor.

A mulher foi criada da terra com a eternidade em sua narina.

Mas ficou louca numa noite de s�bado por n�o ter ningu�m com quem sair.

Ent�o, Deus criou o homem, logo ap�s o jantar e no meio de um bocejo.

Ele usou o mesmo talhe, mas ao lado de um homem para n�o ser exigente.

-E a costela? -Talvez tenha escorregado para baixo.

-Talvez Nosso Senhor seja uma mulher? -Mulheres, Sam...

Elas s�o a pr�pria vida com suas trapa�as e prazeres.

� isso mesmo... elas nos deixam confusos e nos d�o dor de cabe�a.

-S�o os horm�nios transbordando. -Sim, � bom.

Susanne era forte... forte desde...

-Quem? -Ningu�m. Estou falando sozinho.

Aquele ver�o com Susanne.

No final, esquecemos a amargura e as palavras duras.

S�o as lembran�as delicadas que permanecem. Sim, aquele ver�o...

A �gua est� morna. Vamos tomar banho.

-N�s j� tomamos. -� claro, eu esqueci.

Eu vejo uma, duas, tr�s... quatro estrelas.

-Est� cansado? -Sim, e voc�?

-Eu tamb�m. -Navegamos, pescamos, tomamos banho.

-Dormimos, comemos, discutimos. -Brigamos.

-Voc� brigou. N�s celebramos o ver�o. -Que ver�o...

-Sim... agora estou saciado. -Eu n�o. Sou insaci�vel.

-O homem n�o pode vegetar apenas. -N�o se pode vegetar apenas.

-N�o, quero pesquisar um pouco tamb�m. -Isso � de t�o pouca import�ncia.

-Uma rotina interessante e banal. -Que rotina?

-Fome, comer, satisfa��o. -E depois?

T�dio...

-Est� cansado de mim. -N�o quis dizer isso.

Sim, isso foi exatamente o que voc� quis dizer.

-N�o tente se esquivar disso. -E voc�?

Quanto mais eu descanso, mais pregui�osa eu fico.

Ent�o est� cansado de mim?

Posso ficar t�o cansado de voc� que consigo at� cuspir.

Mas voc� est� sob a minha pele... na ponta dos meus dedos.

-Voc� pulsa atr�s de minhas t�mporas. -Eu sou uma esp�cie de veneno.

Chame como quiser. Por que sempre pega meu cachimbo? Devolva.

Voc� cuspiu nele.

-Poderia cortar sua garganta. -Vou lhe mostrar como, para ser r�pido.

Colocarei sua cabe�a na minha mesa com uma l�mpada atr�s dos olhos.

-Est� vindo um barco. -Voc�s est�o com pressa?

-N�o mesmo... -Ent�o, podem nadar!

-Tchau! -Esse est�pido maldito!

-Voc� o conhece? -Se eu o conhe�o? Ele foi meu marido.

-Esse � o nosso trem. -N�s vamos conseguir?

-Quero dizer vivos. -Eu tamb�m. Pr�xima parada, Mj�lby!

Fa�a exatamente o que est� nessa lista.

Depois, me encontre em Havnegade em Copenhagen a uma da manh�. S�brio!

-Obviamente. -N�o � t�o �bvio... tchau.

Passageiros do trem expresso para Malm� das 14:45...

por favor embarquem agora. Fechem as portas.

Por favor, embarquem agora. Fechem as portas.

-Esse lugar est� ocupado? -N�o, est� desocupado.

Posso sentar aqui? N�o gosto de vento no meu rosto.

Com certeza.

� muito gentil de sua parte.

O tempo est� horr�vel.

Sim, est� chovendo.

Geralmente vou de carro, mas ele est� no conserto.

� mesmo? Que ruim.

Ao contr�rio, o trem � mais divertido. Podemos conhecer pessoas legais...

e senhoras bonitas...

Que livr�o de capa preta, hein. Provavelmente � literatura moderna.

Pode-se dizer que sim.

Posso perguntar o t�tulo dele?

''Estudo Introdut�rio da Circula��o Arterial no �tero...

e das Gl�ndulas Sexuais Secund�rias, incluindo Transtornos''.

-Tem fotos? -Sim, mas nenhuma divertida.

Um dos cavalheiros tem isqueiro?

-Isso sempre funciona. -Obrigada.

-Que mulher! -� mesmo.

Que postura, que modo de andar, que peitos...

-Ela parece interessada. -No qu�?

Em mim. Conhe�o as mulheres. Ela est� indo para Copenhagen.

-� mesmo? -Por que n�o tentar uma aventurazinha?

-Talvez. -A menos que algu�m chegue primeiro.

-Voc� pode tentar! -Sim, eu vou para o corredor.

-N�o ficar� triste de ficar sozinho? -Pelo contr�rio.

Vamos apostar cinco pratas que a beijo antes de Tranas?

-Est� apostado. -At� logo.

Passagem, por favor.

PARA O PAPAI, DE PELLE. EU MESMO A TIREI.

PARA O PAPAI, DE NIX, NO MEU ANIVERS�RIO DE 15 ANOS.

Minha esposa e filhos tinham uma casa de veraneio perto Helsingborg.

Estava indo v�-los. Eu tinha tempo de sobra e dirigia devagar.

De repente, eu vi Nix e Tax.

Nix! Passeando com esse vento?

Ol�, papai!

-Entre no carro que vou lev�-la. -Pode me levar uma parte do caminho.

Tax... eu quase lhe esqueci.

-Onde eu devo lev�-la? -Para a cidade.

Obrigada.

Hei, Nix... vamos tomar um chocolate com chantilly?

Ou um sorvet�o. O senhor est� com tempo?

-Sempre tenho tempo para voc�. -Tem?

Beba um pouco de �gua, Tax.

O senhor pode operar uma mulher e transform�-la em um homem?

-Acho que n�o. -Dizem que sim nos jornais.

-Isso � impressionante. -Eu gostaria de ser operada.

-Voc�? -Estou cansada de ser mulher.

-Que triste. -Olhe para mam�e.

-Ela � t�o infeliz? -Depender de um homem.

-Quer dizer financeiramente? -O senhor sabe bem o que quero dizer.

Pobre Tax, meu �nico amigo no mundo e voc� j� est� cansado.

-E ainda temos de ir longe. -Ir longe? Como assim?

-N�o � da sua conta. -Sente-se para que possamos conversar.

Diga-me o que est� aprontando.

-Tax e eu fugimos. -Fugiram?

De casa? Como assim?

� simples, n�o consigo ag�entar o clima l�.

-N�o estava se divertindo? -Que divers�o!

N�o seja t�o mordaz, Nix. Pai e filha precisam conversar.

-Viu minhas m�os, papai? -S�o bonitas m�os de trabalhadora.

Preciso fazer algo para melhor�-las ou mold�-las.

N�o posso apenas ler revistas e pensar no amor.

Sabe minha melhor amiga, Eva...

Foi por isso que fugiu?

Voc� n�o � a �nica com problemas.

A linguagem existe para que possamos nos comunicar.

Tente me ver como um ser humano apesar de eu ser o seu pai.

-O senhor n�o entenderia mesmo. -Por que n�o?

O senhor � muito ing�nuo.

Sim... sei que meu mundo � extremamente limitado.

Lamento se eu o ofendi.

Tenho uma id�ia, Jacqueline. Vamos passar o dia juntos.

-O senhor n�o tem tempo. -Vou arrumar. Sabe o que faremos?

-N�o. -Vamos at� a olaria do tio Axel.

� t�o bom v�-los aqui. Deveriam vir mais vezes. Sa�de!

-Sa�de, Nix. -Nix?

O senhor e a mam�e v�o se divorciar?

-Eu n�o sei, Nix. -A mam�e est� t�o nervosa.

N�o � saud�vel para uma mulher madura viver sem um homem.

� tudo t�o nojento! Tenho pena de todas as mulheres.

-� por isso que foi embora? -� o amor que � t�o nojento.

T�o est�pido. N�o quero amar nunca mais. Nenhum homem mais...

Sabe Eva, a minha melhor amiga? Sempre andamos grudadas.

Realmente, �ramos muito pr�ximas.

Ela estava vindo passar o ver�o e eu estava muito feliz.

N�s �amos nadar e construir uma casa sobre as �rvores.

Ela chegou h� pouco e j� mudou muito.

Ela se tornou uma mulher f�til que pinta a boca e usa modelador.

Na praia, ela andou rebolando para mostrar a bunda...

num mai� muito justo.

Ela parecia uma louca com sua bundona!

Ent�o, ela achava bobo tudo o que eu sugeria para fazermos.

Ela se comportou como uma garota totalmente diferente!

Depois, ela se apaixonou por um idiota para quem eu n�o daria a m�nima.

-Quando mam�e estava em Copenhagen... -Desculpe, Nix. Ela vai muito para l�?

V�rias vezes por semana. Eva queria ficar sozinha com ele para beij�-lo.

Depois, ela me contou tudo o que eles fizeram. � nojento!

-Ent�o, n�o ag�enta mais isso? -Odeio a Eva, mam�e e esse jogo amoroso.

Elas se comportam como vacas e galinhas ou eu n�o sei...

Quer dizer tamb�m que a mam�e tamb�m tem um ''jogo amoroso''?

Sim, � claro...

-Sabe com quem ela est� saindo? -Sim. Ele � muito gentil e inofensivo.

-�s vezes, ele janta conosco. -Quem �?

-Carl-Adam, � claro. -Est� dizendo o Carl-Adam?

-O Carl-Adam n�o tem nada de mais. -O escultor? De Copenhagen?

-Bem, estou ferrado! -E o que importa?

Eu entendo...

Se voc� tem uma amante, � natural que a mam�e tenha o dela...

-N�o diga isso, Nix. -Como? Est� chocado?

-Ent�o quer viver sua pr�pria vida? -Preciso ficar sozinha.

Mas quando voc� se apressa em ficar sozinho, percebe que � igual a outros.

-Acho isso ruim. -N�o � t�o ruim.

O melhor da vida parece ser uma colabora��o.

Mas o amor � idiota.

Nem o amor nem o erotismo s�o idiotas.

Mas praticar o erotismo � para babu�nos.

-E o senhor � um babu�no. -Ah!

Sim...

talvez eu seja.

O senhor despreza a si mesmo, papai?

Sim, Nix. Eu me desprezo.

Eu acho que tudo � infinitamente incoerente.

Tamb�m acha incoerente o que acontece com a mam�e, Pelle e eu.

N�o, n�o mais. � a �nica coisa com que me importo.

Estamos fechando a loja. Stina est� nos esperando para jantar.

-Gostaria de ficar aqui. -J� acertei tudo para isso.

Pode virar aprendiz aqui e ficar com seu tio e sua tia.

-O senhor pode ficar tamb�m. -Eu n�o tenho tempo.

-A Susanne � bonita? -Ela � muito bonita.

Sentaremos aqui a noite toda at� o nascer do sol. Vamos?

-Se voc� quiser. -N�o consigo dormir com o luar.

Nix? Est� com frio?

Est� me ouvindo, Nix?

Entendi que voc� est� viajando para Copenhagen?

� isso mesmo.

Voc� sempre viaja para Copenhagen?

-Depende. -Talvez voc� trabalhe l�.

-Estou apenas me divertindo. -H� muitas pessoas legais l�.

Est� quente.

-Vamos abrir uma janela? -� claro.

-Estou com algo no olho. -Isso � ruim.

Eu sou m�dico, talvez possa ajud�-la. Vamos ver...

-Aqui, em algum lugar... -Aqui?

-Realmente tem uma m�o delicada. -Sou conhecido por meu toque delicado.

Veja, aqui est�. Est� bem agora, n�o est�?

Sempre pensei sobre o imenso poder que um ginecologista tem...

sobre nossos cora��es e nossa confian�a.

� dif�cil manter dist�ncia das pacientes?

-Pode-se perder a cabe�a. -N�o � dif�cil ficar sem uma?

�s vezes, � relaxante.

Sua esposa tamb�m acha isso relaxante?

Ela aproveita a oportunidade para perder a pr�pria a cabe�a.

-Que casamento ideal. -�s vezes, casamentos precisam disso.

-Sen�o eles morrem. -A sua esposa pensa o mesmo?

-Eu tamb�m n�o concordo. -A cama conjugal � a morte do amor.

-Isso � muito vulgar. -Mas � verdade.

Tem certeza que sua esposa sempre gosta de se sentir como esposa?

-As mulheres gostam de serem casadas. -Que ingenuidade...

� a terceira. A terceira que me chama de ing�nuo em pouco tempo.

Voc� � muito ing�nuo de n�o perceber que uma mulher...

n�o quer se sentir como esposa, mas como mulher.

-E como � isso? -� o homem que precisa determinar.

-Um emprego para milion�rios. -Um hobby... para homens.

-Vamos fechar? -Agora, n�o sou um homem.

-Meu caro doutor, eu lhe ofendi? -Eu conhe�o os argumentos.

O homem nunca cresce, n�o suporta crian�as, mas brinca com armas.

Afora a reprodu��o, o homem � um fator insignificante...

no mundo da mulher.

-Agora, est� realmente rabugento. -De maneira alguma.

Voc� � muito bonita, extremamente espirituosa...

uma admir�vel representante do seu sexo.

Admito minha inferioridade sem rancor, eu s� posso balbuciar...

que eu te amo. Eu sempre te amei. Eu sempre vou te amar...

Pare por a�.

N�o ache que ser� mais f�cil para voc� do que para o vendedor com quem apostou.

Dinheiro f�cil, pois sei que sua virtude � t�o intrat�vel como o Monte Everest.

O que sabe de minha virtude? Por natureza, as mulheres n�o s�o virtuosas.

Voc�s, homens, misturam a imaculada concep��o junto com Nosso Senhor.

E virgindade, virtude, castidade e inoc�ncia. N�o!

Nada de am�m.

O homem pode ser t�o lascivo quanto quiser...

e ele se torna um ''garanh�o'', na sua est�pida g�ria masculina.

Mas se a mulher tem desejo no corpo...

e a vontade de saci�-lo, ela � uma prostituta.

-Pode me dar um cigarro? -S� estou com meu cachimbo.

-Vou para o vag�o-restaurante. -Com licen�a, eu j� volto.

Espero que goste do turco, como sempre?

-Voc� se lembra disso? -N�o s� isso, minha amada esposa.

Desculpe-me pelo meu comportamento. A senhora � uma dama e eu um grosso.

Se quiser continuar nossa conversa, estou na cabine do lado.

Ent�o, ainda est� no trem?

Sim.

Foi melhor deixar o campo. A senhora l� dentro � uma dama.

N�o estou t�o certo disso. Vamos apostar?

-N�o, obrigado. -Voc� me entendeu mal.

Vamos dizer 1 0 coroas se eu beijar a dama antes de �lmhull?

-Voc�? -Isso mesmo. Combinado?

Combinado.

-Vou comprar f�sforos tamb�m. -N�o perca peso andando por a�.

-� um prazer, senhora. -Desde quando voc� � cort�s?

Hoje � o meu dia.

N�o, n�o � t�o simples. Acha que a fruta vai cair na sua m�o.

Nesse caso, ser� uma ma�� bem amarga, eu lhe garanto.

H� certas coisas que eu n�o esque�o t�o facilmente.

Est� sendo infiel, David.

O que � isso?

Voc� ouviu muito bem.

-Nosso casamento era harmonioso. -Muito harmonioso.

-Morreu de t�o saud�vel. -Est� brincando com as palavras.

S� estou nos descrevendo. A felicidade � uma massa paralisante no dia-a-dia.

Voc� se defende, mas no final � sufocado por ela.

�s vezes, d� vontade de lhe estapear. Fala como uma crian�a mimada.

-Voc� faz acusa��es terr�veis. -David...

se for honesto comigo, tudo vai dar certo.

Mas se mentir e evitar o assunto, n�o h� nada a fazer.

Recuso-me a ser interrogado. N�o tenho nada a censurar em mim.

Por favor, v�. Pe�a aos seus espi�es que se calem em nome da higiene.

Est� tarde e estamos cansados. Vamos comer algo?

-Desculpe, Marianne, n�o tenho tempo. -Entendo, est� sem tempo.

SALA DE LEITURA, HOTEL HAVSIK. S�BADO, DOMINGO.

Que tal amanh�? N�o podemos ir para algum lugar no final de semana?

Irei a Uppsala para a confer�ncia mensal do professor Franz�n.

-Voc� sabe disso. -Ah, sim. Professor Franz�n.

Parece cansado e chateado, meu amigo.

Sim.

N�o posso trabalhar o tanto que eu queria. N�o consigo, n�o d� tempo.

-Nada. -David?

Se n�o mentisse para mim, seria mais f�cil para n�s dois.

V� embora antes que eu perca minha paci�ncia.

Consigo manter o equil�brio na maioria das situa��es, mas h�...

limites.

Precisa consertar os seus �culos. Uma das pernas est� caindo.

Desculpe, um momento...

� mesmo?

Com licen�a...

DR. ENERMAN E ESPOSA

Com licen�a, um momento.

Ajude-me.

Hei!

O que est� fazendo?

Volte aqui!

Entre!

Pediram ch�, senhora?

Bom dia!

N�o parece misericordiosa. Vamos brigar?

Devo confessar, estou irritada com sua ida repentina para Copenhagen.

N�o tenho o direito de usar a ferrovia estadual?

Voc� est� me espiando.

Eu quero voc� de volta, essa � a doen�a.

� muito tarde.

H� infinitas raz�es para continuar.

H� infinitas raz�es para acabar com essa par�dia de casamento.

De todos, o Carl-Adam?

Vejo que isso aborrece voc� e sua vaidade.

Acusa-me de ingenuidade. Mas o Carl-Adam � o qu�?

Um homem adulto � raro, caro David.

Assim, a mulher escolhe a crian�a com quem mais bem se adapta.

-Uma crian�a com genitais. -Que vergonha.

Al�m do mais, Carl-Adam mudou nos �ltimos anos. Sim!

E tem sido muito bom comigo nesse momento dif�cil.

-Agora voc� vai se casar? -Talvez sim.

Meu Deus! O Carl-Adam ser� o pai de meus filhos.

-Ser� melhor do que voc� tem sido. -Aquele famoso beberr�o.

Ele n�o bebeu uma gota desde que nos encontramos na primavera.

Meu Deus do c�u. Oh, Deus!

-Primeira chamada para o jantar. -Oh, Deus!

Pare com isso.

N�o h� nada mais para falar.

D�-me outra chance.

N�o.

Voc� � ing�nuo, imaturo, egoc�ntrico...

malicioso, vol�vel e imprevidente.

Voc� � incompetente no casamento.

Voc� � mimado, pregui�oso e bobo.

-N�o sou pregui�oso! -Pregui�oso com a fam�lia.

Marianne... estamos come�ando a ficar velhos.

Seja educado e n�o fale por mim.

Temos nossos filhos.

Voc� realmente os abandonou.

-Nosso passado em comum. -Que � de fato passado.

-Se voc� interromper... -Voc� tem argumentos t�o gastos.

No come�o, era s� eu e voc�. Uma companhia para o futuro.

-Uma companhia em fal�ncia. -Formaremos uma nova.

Nossas experi�ncias dolorosas podem ser o nosso capital inicial.

�s vezes, me pergunto se eu cheguei a lhe amar.

-E isso � muito lament�vel. -Amou? � claro...

Bem... o que � o amor mesmo?

Uma careta cansativa que acaba num bocejo.

-Isso � extremamente c�nico. -Suas pr�prias palavras, caro David.

Bobagem. Tolice infantil.

N�o quero que percamos um s� dia, uma s� noite, uma s� hora.

D�-me novamente o seu cora��o e o tratarei como uma rel�quia sagrada.

Nunca olharemos para tr�s nem a tristeza e a melancolia nos tomar�.

Marianne, meu amor...

posso beij�-la?

Eu ouvi sua aposta com o vendedor h� pouco.

Beije-me e ganharemos 1 0 coroas. Mas eu quero metade.

Voc� � muito desonesta...

Eu n�o quis...

Meu Deus!

Quase perdi a f� em mim mesmo. Como conseguiu?

-Foi meu devastador sex appeal. -Certo...

Percebi que os homens magros e baixos s�o a moda agora.

-Aqui est� sua nota de dez. -Guarde. Compre flores para sua esposa.

Coitada!

Marianne.

N�o se empolgue com um beijo.

Mantenho a minha decis�o. Nunca, nunca de novo...

-Nunca de novo o qu�? -Eu n�o sei, mas nunca de novo!

Vamos comer alguma coisa?

N�o, obrigada.

Um bife � Chateaubriand e uma ta�a de vinho?

-Nem tente. -Uma vez disse que amava.

-Voc� se lembra? -O est�gio ''natural''.

-Iria se casar com Carl-Adam. -Disse que n�o adianta tentar.

N�o sou seduz�vel, meu homem.

15 anos atr�s. Ver�o em Copenhagen.

�ramos como os tr�s mosqueteiros. Marianne, Carl-Adam e eu.

Para consterna��o geral, ele pediu a m�o da Marianne.

Ela aceitou no susto.

Ent�o esper�vamos pela noiva...

David, deve ter acontecido algo, tenho certeza. Desculpe, pastor.

-Desculpe. Estou nervoso. -A noiva se atrasar n�o � nada demais.

-Acha isso? -Ela precisa pensar em muitas coisas.

Precisa refletir, analisar o passado, dar adeus � virgindade.

Cale-se, n�o percebe que ele est� tentando me tranq�ilizar.

Vamos esperar mais um pouco, certo? Desculpe, pastor.

David, meu �nico amigo. N�o pode pegar o carro e ir busc�-la.

Console-a se estiver triste. Sabe que tem uma influ�ncia tranq�ilizadora.

Marianne est� dando um passo importante hoje.

Pessoalmente, n�o me sinto muito bem. V� e esperaremos por voc�.

N�o quero me casar com Carl-Adam.

N�o quero me casar com Carl-Adam!

O que est� dizendo? O casamento j� come�ou.

-N�o podemos... o pastor! -Quero morrer!

Eu quero morrer.

Posso fazer algo por voc�?

N�o quero me casar com Carl-Adam!

Mas por qu�? Por qu�?

Eu n�o o amo.

N�o � um pouco tarde para dizer isso agora?

-Se vai me repreender, � melhor ir. -O Carl-Adam te ama.

N�o posso estar cansada dele, o b�falo?

-N�o fale assim de nosso amigo! -Voc� � t�o est�pido quanto ele.

N�o estou entendendo nada.

Mas suspeito que h� algo que voc� quer que eu entenda.

Lembra-se daquela manh� de domingo no inverno passado?

Quando eu estava posando para ele e voc� chegou com um cachorrinho?

E da�?

Lembra-se como olhou para mim?

Eu a vi nua pela primeira vez.

-Ficou t�o bonito quando corou. -Ent�o?

Carl-Adam... Carl-Adam, o b�falo, gargalhou e disse...

''Ele vai ser ginecologista''.

Foi extremamente embara�oso!

Lembra-se do ver�o passado?

Quando voc� ajudou tirar uma formiga de mim?

Por favor, n�o fale disso.

Foi uma indiscri��o. Ainda me envergonho ao pensar nessa... formiga.

-Traidor! -Eu!

Sim. E idiota tamb�m!

Vamos ao casamento e acabaremos com essa discuss�o!

-Prefiro me enforcar. -Marianne!

Marianne. Levante-se agora e se arrume.

N�s... voc�, eu e ele... �...

Eles... o padre. Vamos.

Eu te amo, David Erneman.

-Eu te amo, Marianne. -Eu te amo h� mais de dois anos.

Eu te...

estou com vontade de chorar agora...

-Tome. -Segure isso.

-Precisamos falar com Carl-Adam. -Ele vai te matar.

Com raz�o. Somos melhores amigos.

-Precisamos fazer amor agora. -Um momento mal escolhido.

-Primeiro o dever, depois a divers�o. -Que personalidade forte.

Eu tamb�m estou surpreso. Estou perdido...

-Por que diz isso? -Foi meu �ltimo suspiro de solteiro.

-� para toda a vida, David. -Por toda a vida, Marianne.

Caro Carl-Adam, n�o consigo lhe dizer o qu�o chateado...

estou por vir aqui estragar seu casamento.

� duplamente doloroso j� que somos melhores amigos.

-Mas n�s nos amamos. -Como ''n�s''?

David e eu.

Vamos brindar aos novos noivos!

Meus mais sinceros parab�ns!

-Fico feliz que voc� aceitou bem. -Est� com medo, seu c�o.

-N�o posso negar. -Est� sempre com a barba t�o bem feita.

-Eu tamb�m estou surpreso. -Eu entendo. Eu entendo.

Um homenzinho saud�vel muito surpreso.

-Grosso! -Bruxa!

Vai bater em mulher? S�dico!

Vou lhe dar o que merece, seu canalha!

Paz, meus amigos, paz. Paz, eu disse!

Quem foi injusti�ado? De que lado est� a justi�a?

Na minha inoc�ncia, n�o pensei mal dos outros.

Que inoc�ncia?

E as vadias que usou de modelo, verticalmente e horizontalmente?

-Pastor, eu lhe imploro! -Voc� � um bode sujo!

-Porca! -Velho safado!

Eu ia me casar com essa megera, pastor, eu que sou um homem de paz...

Beije-me onde n�o bate sol! Todo mundo viu essa marca?

Paz, em nome de Deus.

Eu fiquei com isso quando ele me for�ou a subir na �rvore de Natal.

-Protesto, � propaganda enganosa! -Voc� protesta!

Um chute no traseiro � que voc� precisa, seu bolinho de porco!

Desculpe, pastor.

Tenho sido uma empregada para esse pretenso g�nio h� tr�s anos!

''Marianne fa�a isso, Marianne fa�a aquilo! Costure minhas meias.

Essa comida est� ruim, saia da cama, fa�a um caf�, eu lhe beijarei.

� uma honra para voc� me servir, o maior escultor do mundo.

Eu, que sento no lado direito do Senhor...

e converso com Michelangelo''.

-Eu nunca disse isso! -Voc� est� b�bado!

Voc� sempre esteve b�bado. E no nosso casamento tamb�m!

Eu estava s�brio quando o casamento come�ou, n�o estava, meus amigos?

Voc� e seus amigos nunca estiveram s�brios.

Passei sua cal�a pela �ltima vez.

E lhe deixei desenhar o meu peito tamb�m pela �ltima vez.

E eu cago na sua arte...

sua imortalidade, sua ostenta��o, sua insuport�vel e idiota virilidade!

Estou muito zangado com suas impreca��es!

Quem lhe tirou da sarjeta? Quem lhe tornou famosa com sua arte �nica?

Eu! Voc� n�o merece nem lamber meu... perd�o, pastor...

a sola do meu p�.

Eu lhe dei casa, comida e bebida!

Fui como um pai todos esses anos!

Marianne, voc� me retribui mal. O mundo � um lugar ingrato.

Criei uma cobra no meu peito.

Na verdade, duas malditas cobras!

Saia daqui ou eu matarei voc� e esse seu bom amigo!

Vou levar tudo que � meu!

Pegue seus pratos e saia!

Eu n�o esquecerei disso, seu maldito camelo!

N�o acha que j� houve briga demais?

Que mulher, meus amigos, que mulher!

A festa continua. Diabo, as garrafas est�o vazias.

Por favor, se sirvam. N�o haver� mais brigas, agora acabou.

N�o fique parado a� com boas inten��es. Venha, pastor.

Desculpe, meu irm�o. Fiquei um pouco nervoso.

Bem, em nome do Senhor.

Passagens, por favor.

Obrigado.

Bem...

como fomos infantis ao imaginar que iria durar a vida toda.

� a dolorosa experi�ncia de todos os amantes, Marianne.

A impossibilidade do amor eterno.

Se essa � a sua opini�o...

n�o entendo por que voc� quer continuar nosso casamento.

-Estou com medo. -Ah, est� com medo.

Eu lhe direi qual � o seu medo.

Est� preocupado com sua solid�o ego�sta e...

ent�o apela para meu sentimento de m�e e minha compaix�o.

� desconfort�vel ser solteiro, n�o �?

N�o tente nada sentimental, porque � perder tempo.

Deixe de ser t�o petulante. Voc� tamb�m est� numa situa��o ruim.

Sua fuga para Copenhagen � um sinal de seu estado de esp�rito ruim.

Nunca serei esposa de novo. Cansei de interpretar esse papel.

-Al�m do mais, � um papel ruim. -Seja amante at� voc� cansar.

Todas as manh�s, come�arei com uma �ria sobre sua beleza e charme.

No almo�o, eu lhe oferecerei flores de joelhos e...

todas as noites irei me refazer para interpretar o amante apaixonado.

Vamos ver por quanto tempo voc� ag�enta essa vida.

Alguma vez, poderia ter falado da minha beleza, dado-me uma flor...

e em algum momento...

poderia ter me amado e n�o seu jornal noturno...

ter me dito que eu era uma boa amante, mesmo que soub�ssemos que n�o sou.

Por que sempre ficamos nesse jogo, David?

N�o se pode representar uma comediazinha de vez em quando?

N�o em um pa�s com inverno onze vezes por ano...

e com um homem envergonhado dos bra�os finos e de sua barriguinha.

N�o se tem disposi��o num ambiente t�o frio e opressivo como esse.

Bem... n�o h� muito a se fazer sobre isso, ent�o.

Que mau humor!

Quero que vivamos na realidade. N�o tenho imagina��o para essa com�dia.

Fico sem gra�a quando voc� quer dan�ar samba...

na sala de visita.

-E se as crian�as nos verem? -Sei que elas ficaram entre n�s.

-Pelo contr�rio! -Sim, sou muito maternal.

-Voc� tem sido ciumento. -Ci�me das crian�as? N�o.

-N�o? Acabaram com seu lado amante. -Marianne, est� sendo indecente.

Quero um lar com voc� e as crian�as.

Muitas vezes, os homens s�o convencionais.

Nossa melhor fase foi a s�s.

-N�o sou esse tipo de homem. -� exatamente esse tipo de homem.

-N�o. -Sim!

N�o!

Sim!

O pior vai ser falar sobre o div�rcio para os seus pais.

Sim, n�o podemos manter as apar�ncias por muito tempo.

Eles est�o juntos h� 50 anos.

-Sempre me perguntei... -Eu tamb�m.

-Lembra-se de um ano atr�s? -O anivers�rio do vov�?

-Ainda �ramos felizes. -Acordando de manh�...

J� amanheceu!

Que horas s�o?

O que � isso?

Bom dia. S� queria saber se voc�s j� estavam acordados.

Faz sentido acordar algu�m de 73 anos com caf� da manh�?

Sabe que seu pai gosta de nosso jeito de celebrar o anivers�rio dele.

Ele levantou �s tr�s da manh�, trocou de roupa e escovou os dentes.

Pode apostar que ele gosta de ver a gente sofrer.

N�o seja infantil e se vista.

Meu Deus, tenho 42 anos ou n�o?

Quando est� em casa, � nosso filho, mesmo se fosse o imperador da China.

Vai tentar ser um pouco gentil hoje, n�o vai?

Sabe como seus pais gostam de nos ter aqui.

Ela quer me ver de vestido e com flores no cabelo!

-Fa�a como a vov� diz, querida. -Pelle ca�oar� de mim o dia inteiro!

-Voc� fica bem de vestido. -Bem! Eu fico horr�vel!

Nix, se usar o vestido, eu usarei as flores no cabelo, certo?

Se a nossa filha tivesse um pouco de senso de humor!

Como voc� foi t�o humorado quando falou com a vov�.

Vov�, veja que desenho bonito eu fiz para o vov�.

� magn�fico. Isso � o qu�?

N�o consegue ver?

Papai com touca de banho e calcinha.

N�o, n�o �. � o Fantasma ca�ando lobisomens na floresta.

Ah, � isso?

Ah, Nix...

-H� uma mancha no seu vestido. -� do Tax.

Seu vestido novo! Quando aprender� a ter cuidado?

Quando vai parar de agir como menino?

Eu quero ser menino, n�o menina!

N�o quero comemorar nenhum anivers�rio nem usar vestido!

N�o quero viver. Quero sentar na macieira...

N�o quero que Pelle tire sarro de mim. N�o tire sarro!

-Hei, crian�as! -Foi ele que come�ou!

Sejam bonzinhos agora. Se querem brigar, saiam para que n�o vejamos.

Agora deixem de bobagem!

Pegue isso, Pelle... Voc� leva isso...

N�o, n�o leve isso... Nix vai levar. N�o, eu vou levar isso... aqui...

-Est� quente! -N�o est� quente, n�o seja fresca.

Sam, venha cantar para o professor.

Claro, como quiser, madame.

-Estava indo aprontar o carro. -N�o, tem de celebrar conosco.

Eu levarei essas flores, e o Sam levar� a bandeja.

Certo, pode levar o bolo, pois a bandeja est� muito pesada.

Vamos, venham todos. Vamos l�.

N�o empurrem, crian�as.

N�s estamos aqui, parab�ns Pois esse � o seu dia

Temos a honra Temos a honra de participar

Desejamos que ele viva Desejamos que ele viva

Desejamos que ele viva Para comemorar 1 00 anos

Desejamos que ele viva Desejamos que ele viva

Desejamos que ele viva Para comemorar 1 00 anos

Parab�ns pelos seus 73 anos, Henrik.

-Parab�ns, vov�. -Parab�ns.

-Parab�ns. -Que barulho infernal � esse?

-Isso � fogo? -Olhe! Que bolo bonito!

O que voc�s querem zombando de um velho...

quando ele est� na beira da cova.

-Parabenizem-se. -Sim, Henrik. Tente ser gentil.

Estou emocionado, estou encantado!

Tolero esse pequeno desconforto pelo bem da vov�...

pois eu sei que ela adora festas.

Henrik, acho que voc� trocou seu camis�o de dormir.

Ah, entendo, sim... Tive um pouco de ins�nia...

acho que me sinto mais fresco num camis�o limpo...

-Sente na frente, mam�e senta aqui. -Quero sentar na frente!

Pode sentar na frente. N�o, pode sentar aqui na volta.

-Ent�o, todos est�o felizes. -Bem, vamos.

Esperem! Est� usando ceroula comprida?

Sim, estou.

Est� mentindo. Est� com a ceroula curta.

N�o podemos evitar de discutir isso...

na frente das crian�as, dos netos e dos empregados?

Levante sua cal�a e deixe-me ver.

Est� bem... estou com ceroula curta.

-Hoje � meu anivers�rio. -Amanh� voc� sofrer�, e n�s tamb�m.

Se voc� n�o se trocar agora, eu n�o vou.

Mas � meu anivers�rio, afinal de contas.

Voc� ouviu o que eu disse. Vamos.

Apresse-se.

As mais finas est�o na segunda gaveta da c�moda.

-Sim, sim! -V� ajud�-lo a achar na c�moda.

Veja como ela corre. Quando vai aprender a ser mais feminina?

Essa tolice com a ceroula comprida...

-Espere, vov�. Aqui est�o. -Ah, aqui...

-Aqui est�. -Obrigado, querida.

Bem, voc� gosta de ficar com a vov� e o vov�?

A vov� me pede para eu me comportar como menina.

N�o se preocupe, Nix.

A vov� � uma grande reformadora de pessoas.

Ali�s, o que voc� quer ser?.

-Uma pesquisadora polar. -Boa escolha, devo dizer!

-N�o h� pessoas por l�. -Detesta tanto as pessoas assim?

-Todos querem me deixar para baixo. -Saiba que isso � apenas uma parte.

Vov�, n�o tem medo de morrer?

N�o, de maneira alguma.

-Acredita em Deus? -Se Deus � tudo que � vida...

ent�o eu acredito em Deus. Eu acredito nessa vida...

na pr�xima vida e em todos os tipos de vida.

-Mas e a morte? -A morte � s� uma partezinha da vida.

Imagine como seria chato se tudo continuasse sempre o mesmo?

Portanto, h� a morte para dar vida nova.

Por toda a eternidade, imagine como seria horr�vel para mim...

ficar andando de ceroula comprida por 1 00 mil anos?

Parece simples. Mas quando estou sozinha, � terr�vel e complicado.

� compreens�vel que uma crian�a tenha medo e se preocupe.

Somente quando se � velho como eu...

que se come�a a resolver o manual da vida.

Por que tem de ser assim?

Tudo tem come�o, meio e fim.

Talvez essa vida seja apenas o come�o.

Vamos nos juntar aos outros?

-Vov�! -Depressa, a vov� vai reclamar.

Aqui est� seu presente de anivers�rio. Queria lhe dar a s�s.

Eu mesma que fiz.

Sam, precisa faz�-lo andar. O professor ficar� irritado.

� pior do que se estivesse doente. R�pido, o professor est� chegando.

-O que devemos fazer? -Aconteceu alguma coisa?

Todos est�o parecendo com pacientes com �lcera estomacal.

N�o fique bravo. O carro n�o d� partida e o Sam n�o sabe por que.

Ah, � isso? Pode me dar a chave inglesa?

Estragou o anivers�rio.

Eles podem descobrir o problema num minuto.

-O David vai me auxiliar. -Eles v�o operar!

Pode ser um abscesso no carburador?

Tome isso...

e isso...

-E isso... -E isso.

Vou lhe dar uma bebida agora que jamais esquecer�.

Se n�o voltar � vida... vamos escrever o atestado de �bito.

Eu recomendaria repouso na garagem por um ou dois meses.

-Ele morreu. -O fim foi r�pido.

N�o h� nada a ser feito. Vamos ficar em casa.

Eu lamento, senhoras, teremos de cancelar a excurs�o.

Isso �... Sam...

fez um excelente trabalho.

A pane do carro foi totalmente realista.

-Mas a madame n�o vai gostar. -Deixe-me contar aos dois.

H� 49 anivers�rios...

eu tive de ag�entar piqueniques no campo.

S� nos �ltimos anos que eu descobri o truque.

Deixar o carro quebrar.

Tive uma id�ia maravilhosa. Sam!

Prepare os cavalos. Vamos de carruagem como na juventude.

-N�o � maravilhoso? -Imediatamente.

Ent�o o vov� ter� a excurs�o t�o desejada!

N�o � maravilhoso, Henrik?

Maravilhoso...

-Voc� ainda me ama? -Essa � uma pergunta idiota.

-Responda. -Eu te amo.

-Tanto como h� 1 5 anos? -Mais.

-Imagine se acabar um dia. -Como poderia acontecer?

Nunca se atrai por suas pacientes?

-Minha Marianne, est� com ci�mes? -N�o, responda minha pergunta.

Ningu�m � t�o bela como voc�. Estou falando s�rio.

Ningu�m sorri como voc�, tem pele t�o bonita, cheira t�o bem...

-Sim, mas se... -Sou muito pregui�oso, Marianne.

Quando � t�o bom assim, evita-se confus�o.

Tenho medo �s vezes.

-N�o se pode ser t�o feliz como eu. -Voc� tamb�m poderia ser apaixonar.

-Voc� ficaria com ci�me? -Com muito ci�me.

Quando est� longe de mim, apenas por um dia ou numa viagem curta...

sinto-me vazia por dentro. Sinto-me...

como se tivesse ficado pequena e triste e como se tudo morresse ao meu redor.

Isso n�o � estranho?

O que voc� mais deseja?

Manter as coisas como est�o.

Que nada mude.

-E ent�o... -Diga-me.

-N�o podemos ter outro beb�? -Mas, Marianne...

S� um pequenino...

eu n�o lhe causaria nenhum problema, eu prometo.

Seria t�o divertido.

Mas, Marianne. Voc� e eu... n�s...

�s vezes, meu corpo realmente pede um beb�.

Imagine o cheiro.

Imagine segurar aquela vida que se mexe...

e deix�-la aninhar-se e mordiscar o peito.

Fico arrepiada s� de falar nisso.

-Se fosse como quer, ter�amos 1 0. -Isso seria errado?

Assim, o que aconteceria com a minha amante?

Voc� � meigo, mesmo assim.

-O que mais voc� deseja? -Voc� n�o vai rir?

Prometo.

Bem... gostaria de ter um sino de mergulhador.

Ent�o, desceria nos mares tropicais e procuraria o tesouro submerso.

E lutaria com tubar�es e lulas.

-Entendo... -N�o conseguiu deixar de rir.

Onde eu me encaixaria nessa aventura?

Bem, voc�...

Voc� estaria a bordo, ajudando-me.

Meu garoto est� corando!

Voc� tem um jeito de sorrir...

-O que est� fazendo? -Eu te amo.

Eu sempre te amei e eu te amarei por toda a eternidade.

Am�m.

Pr�xima parada, esta��o central de Malm�.

� f�cil sentar com sua esposa num trem e falar sobre div�rcio.

-Obrigado pelos 1 5 anos. Tchau. -Voc� n�o hesitou.

N�o sabia que eu n�o tinha a crueldade para fazer isso.

Sempre voc�! Eu n�o tinha a crueldade, mas voc� me ensinou.

Eu rejeito o retorno do pecador arrependido.

Eu tomei conta da minha vida e das crian�as. N�o preciso de voc�.

-Precisamos um do outro como antes. -N�o, agora j� sou crescidinha.

-Vou decidir com quem brincar. -Aquele maldito Carl-Adam!

Ol�, minha garota! Ol�, minha garota!

Com licen�a. Como pensei em voc� e como te esperei!

Algumas flores. Est� surpresa?

Como sabia que eu estava nesse trem?

-Era para nos vermos em Copenhagen. -Voc� me telegrafou. Esqueceu?

-Notou o meu marido? -Praga, ele est� aqui? Sim, est� aqui.

Quase n�o o reconheci. Ol�, meu velho! Como voc� est� abatido!

Encontramo-nos no trem e ele tamb�m est� indo para Copenhagen.

Que id�ia maravilhosa!

A mulher, o amante e o marido...

navegando pelo canal!

Venham, meus amigos. Voc� pode levar isso.

-Sa�de. -Sa�de.

Marianne disse que voc� ficou s�brio durante v�rios dias.

Sim, n�o bebi um gole desde... quando mesmo?

-Estou impressionado. -Certo, mas hoje � noite � festa.

Sa�de, David, meu velho amigo. Sa�de, Marianne, minha garota.

-Ent�o, voc� voltou. -As mulheres s�o realistas.

-Escolhem os mais fortes. -Tenho grandes m�sculos. Sinta-os.

-Quis dizer os fortes espiritualmente. -Sim, � claro.

Voc� criou obras de arte imortais que ser�o descobertas daqui a 2 mil anos.

Ent�o, dir�o: ''Esse � um Carl-Adam''.

Est� sendo ir�nico, mas tem raz�o.

As mulheres amam os grandes artistas. N�o acha, Marianne?

O qu�? � claro, querido, de fato gostamos.

Voc� � perfeito, contido por seu pr�prio poder.

Exatamente. Alguns usam 50�/% ou menos. Eu uso pelo menos 95�/%.

Falando nisso... vamos beber mais uma?

Sa�de.

-Est� balan�ando. -Voc� fica enjoado no mar?

Eu! Voc� est� louca!

Com licen�a.

Ele � um velho marujo, esse a�!

Tchau, David, obrigado pela companhia. Marianne est� um pouco cansada.

-Voc� entende. -� claro, Carl-Adam.

Obrigado pela companhia. Muito gentil.

-Tchau, David. -Tchau, Marianne.

-Tchau, David. -Tchau, Carl-Adam.

Como diz�amos...

Sim, como diz�amos. Tchau, David.

Por que n�o tomamos uma saideira?

N�o � sempre que entregamos a esposa a um amigo.

Devolve, devolve, meu caro irm�o. A decis�o � da Marianne.

N�o, voc� decide.

N�o devemos tomar muito o tempo do David, ele deve ter muito a fazer.

Talvez um drinque n�o seja uma m� id�ia.

Prometam-me que vamos num inferninho. Quero ver algo excitante.

Levemente imoral. Algo chocante.

-Tente entender as mulheres se puder. -N�o consigo.

Motorista?

-Pois n�o? -Para o cais.

-Ent�o, voc�s v�o se casar? -Casar?

-N�o somos loucos. Quem disse? -Foi a Marianne.

Marianne � uma mulher independente. Ela n�o � burguesa n�o.

-Posso dar uma olhada? -Sim.

Isso � conveniente j� que voc� gosta de sair com v�rias.

N�o h� nada disso. S� homens impotentes s�o fi�is.

-As esposas os traem sem demora. -Sa�de.

-Sa�de. -Sa�de, Carl-Adam.

-Vamos dan�ar? -N�o dan�amos h� 1 0 anos.

Ent�o, est� na hora.

Uma ''farm�cia'' para o homem de �culos.

Vou beber uma garrafa de u�sque.

-Carl-Adam! -Lise!

-Quanto tempo! -Meu Deus, Lise!

-Fica mais bela a cada ano. -Mas os neg�cios est�o mal.

-Era diferente na nossa �poca. -Carl-Adam...

Ou�a...

tem de me ajudar com uma coisa.

V� o homem de �culos l�?

-O do narig�o? -Dan�ando l�...

-Ele � muito atraente. -Est� dando em cima da minha noiva.

-Voc� est� noivo? -N�o, n�o...

fique quieta!

Quero que cuide dele, tire-o do meu caminho.

Ele � muito t�mido ent�o eu mandei fazer uma ''farm�cia''.

Ele se chama David.

Responda-me honestamente. Como soube que eu estava vindo para c�?

-Sam espiou para mim. -E voc� telegrafou Carl-Adam?

-Por que fez isso? -N�o a deixarei nem por 5 minutos.

-Mesmo que tiver de dividir a cama. -Est� louco? O que h� com voc�?

Essa dan�a me deixou t�o excitado.

David. Voc� n�o me viu? Que bom que voc� est� aqui.

-Faz tanto tempo. -O qu�?

D� um beijo na sua Lise.

Que bom que David tamb�m achou uma companhia.

-N�o acha? -Parece ser uma velha conhecida.

Bem?

N�o est� com sede, David?

-Voc� � uma paciente minha? -Pode-se dizer que sim.

O que voc� faz?

-Eu sou professora. -Entendo... � mesmo?

-Quer uma li��o? -O que voc� ensina?

Amor, � claro... O que voc� achou?

Onde ser� que a Marianne est�?

Sou um idiota, Lise. Sabe de uma coisa? Sa�de!

Sa�de, como quiser.

-N�o estava muito forte. -N�o, � rem�dio.

Uma po��o do amor?

Sim, � boa.

Mais uma. � muito, muito boa.

Pode me dar a receita? D� um calor bom nos joelhos.

Agora, perdi os �culos. Por que fiz isso?

-H� um bichinho no meu pesco�o. -Fica mais bonito sem �culos.

Ou�a, minha garota, voc� � linda de morrer.

Mas n�o deve prender o cabelo. Ele deve ficar solto e livre.

Como corredeiras sobre seus belos ombros. Assim.

-Vamos dan�ar? -Estou com um bichinho no pesco�o.

Vamos dan�ar?

-N�o? -Sim.

-Beije-me, David. -O que � isso?

Beije-me, David!

Antes preciso tirar o palet�. Passando!

Agora, vou beijar a garota mais bonita da Dinamarca!

Nem mesmo o rei poderia desaprovar! Saiam do caminho, preciso de espa�o.

Ol�!

Pol�cia!

Solte-me! Vou fazer picadinho de carne dela!

Espere s� para ver! Solte-me! Solte-me!

Solte-me!

Quero gritar!

Como p�de beijar aquela vagabunda nojenta e vulgar?

E bem na minha frente! Suas promessas n�o valem nada.

Tudo aquilo no trem! Voc� � grosso, infiel, ego�sta e cruel!

-Quero te esganar! -Est� com ci�me?

Que ci�me o qu�! N�o me toque!

Estou triste, com frio e deprimida.

Se houvesse �gua aqui, iria me afogar.

-H� �gua profunda � sua direita. -Vou lhe estapear primeiro!

-Pare de choramingar! -N�o estou chorando! Estou brava!

Minha amada Marianne. Que dia, que noite!

Estou muita cansada tamb�m, por isso estou chorando.

Est� tudo bem...

Procurei por voc�s em toda a cidade.

Est� tudo pronto.

Onde estamos indo?

Vamos.

David, seu pilantra. Voc� tinha tanta certeza?

Um bom estrategista tem de prever todas as possibilidades.

N�O PERTURBE!

SIL�NCIO! UMA LI��O DE AMOR

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