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Original subtitles

CRASH

- Estamos prontos. - Muito bem.

Ando � procura do James Algu�m viu o James Ballard?

Sabem a quem me refiro? O produtor deste �pico?

Acho que o vi na sala das c�maras.

James?

James, est�s a�?

Pod�amos ter a tua aprova��o para o plano com a steadycam?

Claro.

� s� um minuto...

Onde estiveste?

Num hangar de avi�es privados.

Podia ter entrado algu�m.

Vieste-te?

N�o.

E a tua mi�da das c�maras? Veio-se?

Fomos interrompidos.

Tive de voltar para o est�dio.

Coitada...

Talvez para a pr�xima.

Talvez para a pr�xima...

Merda.

N�o h� muita ac��o por aqui.

Isto � considerado o hospital do aeroporto.

Esta sala est� reservada para v�timas de acidentes a�reos.

As camas s�o reservadas.

Bem, se me magoar durante a aula de voo no S�bado

talvez acordes e me encontres ao teu lado.

Vais sair da cama em breve.

Eles querem que andes.

O outro homem, o homem morto...

A mulher dele � m�dica.

A Dra. Helen Remington.

Ela est� algures por aqui, como paciente, claro.

Talvez a encontres nos corredores durante uma das tuas caminhadas.

E o marido dela? O que fazia?

Era engenheiro qu�mico numa empresa de comida.

Onde... Onde est� o carro?

L� fora, no estacionamento para visitas.

O qu�?

- Trouxeram o carro para c�? - O meu carro, n�o o teu.

O teu est� completamente destru�do.

A policia teve de o rebocar para a sucata.

Est� por tr�s da esta��o.

Depois de ter sido bombardeado constantemente

com uma campanha de seguran�a rodovi�ria,

� quase um alivio

ter um acidente real.

Dra. Remington.

- James Ballard? - Sim.

- V�tima de acidente de autom�vel? - Sim.

Depois tratamos disto.

Ambas as rodas dianteiras e o motor

foram projectados para tr�s para o banco do condutor.

E o ch�o...

O sangue ainda est� marcado no capot

como pequenos ribeiros negros

que avan�am na direc��o do p�ra-brisas.

Pequenas manchas espalhadas pelo acento e pelo volante.

E o painel de instrumentos foi...

completamente dobrado para dentro partindo o rel�gio e o veloc�metro.

A carro�aria ficou deformada.

Havia p�, vidro

e peda�os de pl�stico espalhados por todo lado no interior.

Os tapetes estavam ensopados.

Tresandava a sangue

e a outros fluidos corporais e de m�quinas.

Devias ter ido ao funeral.

Quem me dera ter ido.

Enterram os mortos t�o depressa.

Deviam deix�-los por a� alguns meses.

E a mulher, a doutora? Foste visit�-la?

N�o. N�o pude.

Senti-me demasiado pr�xima dela.

N�o gosto muito da ideia de conduzires t�o cedo.

N�o posso ficar sentado neste alpendre para sempre.

Come�o a sentir-me como uma planta.

Como podes conduzir, James?

Mal consegues andar.

O tr�nsito est� mais intenso?

Parece haver tr�s vezes mais carros do que antes do acidente.

Tenho de ir trabalhar.

Depois de uma coisa destas, como pode algu�m olhar para um carro,

quanto mais conduzi-lo?

Estou � procura do carro do Charles.

N�o est� aqui. Talvez a pol�cia ainda o tenha.

Disseram-me esta manh� que estava c�.

Este � o seu carro?

Pode rasgar as luvas.

Nunca devia ter c� vindo.

Estou surpreendido pela pol�cia n�o dificultar a entrada.

Esteve gravemente ferido? Acho que nos vimos no hospital.

N�o quero o carro.

Ali�s, fiquei espantada ao saber que tenho de pagar

para o mandar para a sucata.

Posso dar-lhe boleia?

De alguma forma, consegui voltar a conduzir.

- N�o me disse para onde vamos. - N�o disse?

- Para o aeroporto, por favor. - Para o aeroporto?

- Porqu�? Est� de partida. - Ainda n�o.

N�o suficientemente cedo para algumas pessoas.

Uma morte na fam�lia de um m�dico deixa os pacientes inquietos.

Presumo que n�o esteja vestida de branco para confort�-los.

Visto a merda de um quimono se quiser.

Ent�o, porqu� o aeroporto?

Trabalho no departamento de emigra��o.

- Quer um cigarro? - N�o.

Comecei a fumar no hospital.

� um pouco est�pido.

Todo este tr�nsito...

- N�o sei se consigo lidar com isto. - Est� muito pior agora, notou isso?

Sim.

No dia que deixei o hospital,

tive a sensa��o extraordin�ria

que todos estes carros se juntavam por uma raz�o especial,

uma raz�o que eu n�o entendia.

Parecia haver dez vezes mais tr�nsito.

Estamos a imaginar coisas?

Comprou novamente o mesmo carro.

� o mesmo modelo e a mesma cor.

Estamos perto do estacionamento do aeroporto.

N�o deve haver muito movimento a esta altura do dia.

"N�o te preocupes. Esse tipo tem de nos ver."

Estas foram as ultimas palavras cheias de confian�a da brilhante

e jovem, estrela de Hollywood James Dean

ao entrar no seu Porsche 550 Spyder

para um encontro com a morte

ao longo de uma solit�ria estrada de asfalto na Calif�rnia,

a estrada 466.

"N�o te preocupes. Esse tipo tem de nos ver."

O ano: 1955.

O dia: 30 de Setembro.

O momento: agora.

A primeira estrela do nosso espect�culo

� o "pequeno bastardo", o Porsche de corrida de James Dean.

Baptizou-o com a sua alcunha

e pintou-lhe o seu n�mero de corrida, 130...

Quem � o apresentador? Eu conhe�o-o?

� o Vaughan.

Falou consigo no hospital.

Pensei que era um fot�grafo m�dico

a fazer uma esp�cie de investiga��o sobre acidentes.

Queria todos os detalhes poss�veis do nosso acidente.

Quando conheci o Vaughan

ele era um especialista em sistemas internacionais de tr�nsito.

N�o sei o que � agora.

O que nos leva � nossa segunda estrela.

O duplo e ex-automobilista Colin Seagrave.

Colin Seagrave!

Ele vi conduzir a nossa r�plica do carro de James Dean.

- Est�s pronto para isso? - Podes crer.

Eu farei o papel de mec�nico de corrida do James Dean,

o Rolf Vudrich que foi enviado pela fabrica da Porsche na Alemanha.

O pr�prio mec�nico estava destinado a morrer num acidente na Alemanha,

vinte e seis anos mais tarde.

O terceiro, e de alguma forma,

o int�rprete mais importante,

� o estudante universit�rio, Donald Turnipseed,

interpretado pelo duplo de filmes Brett Trask.

Brett Trask!

Turnipseed estava a caminho de Fresno,

de regresso a casa para o fim-de-semana.

James Dean estava a caminho de uma corrida de autom�veis em Salinas.

Salinas era apenas uma cidade poeirenta na Calif�rnia do Norte.

Eles iriam encontrar-se apenas durante um instante,

mas foi um instante que criou uma lenda de Hollywood.

Reparem que n�o estamos a usar capacetes

ou qualquer tipo equipamento de seguran�a.

Os nossos carros n�o est�o equipados com barras de protec��o

ou com cintos de seguran�a.

Dependemos apenas da habilidade dos nossos condutores

para garantir a nossa seguran�a

para lhes mostrar algo �nico e aut�ntico.

Muito bem.

Aqui vamos n�s. O acidente fatal de James Dean.

Muito bem, vamos recuar.

Vamos.

Isto faz parte da actua��o ou est�o realmente feridos?

N�o sei. Com o Vaughan nunca podemos ter a certeza.

Este � o espect�culo dele.

O Rolf Vudrich foi retirado do Porsche

e passou um ano no hospital...

...a recuperar dos ferimentos.

O Donald Turnipseed foi encontrado a vaguear,

mas praticamente ileso.

O James Dean morreu com o pesco�o partido

e tornou-se imortal.

O que se passa?

Ajuda-me a sair. Estou tonto, n�o aguento.

Conhe�o aquele homem, o Seagrave.

Acho que est� mesmo ferido.

- Como est�s? - Estou bem.

- O que aconteceu ao Seagrave? - Bateu com a cabe�a acho eu.

N�o consegue equilibrar-se.

Porque que a pol�cia leva isto t�o a s�rio?

N�o � a policia, � o departamento de tr�nsito.

� uma grande piada.

N�o fazem ideia de quem somos realmente.

N�o estive brilhante?

"James Dean morreu com o pesco�o partido e tornou-se imortal."

N�o consegui resistir.

Oh, meu Deus.

O que aconteceu?

Aqui. Deita-te.

Fizemos o acidente do James Dean.

Parecia que estava a correr bem,

mas depois ele come�ou a sentir n�useas no caminho para c�.

Deve ser s� uma contus�o.

J� � habitual, n�o � verdade?

Seagrave.

Seagrave, eu gostava de...

discutir contigo os pormenores...

do acidente de Jayne Mansfield.

Pod�amos fazer a decapita��o

com a cabe�a incrustada no p�ra-brisas

e com a cena do c�o, tu sabes.

Tu sabes, do chihuahua no acento de tr�s.

Tenho tudo planeado.

Estarei pronto, Vaughan.

Quero umas mamas muito grandes.

At� aqui.

Para que a assist�ncia as possa ver todas cortadas

e espalhadas pelo tablier.

Sim, vamos fazer isso.

Ballard, preciso da tua ajuda.

Vives aqui com o Seagrave?

N�o, vivo no meu carro. Esta � a minha oficina.

Este � o meu novo projecto.

Reconhece-la?

Esta � a Gabrielle.

Est� mesmo a� por tr�s da porta.

Achei que isto vos estaria a fazer falta.

Aqui est�, no centro nevr�lgico.

O Vaughan faz com que tudo pare�a a cena de um crime, n�o �?

Qual � exactamente o teu projecto, Vaughan?

Um livro sobre acidentes de autom�vel?

Um estudo m�dico?

Um document�rio sensacionalista?

O tr�nsito global?

� algo...

...ao qual estamos todos intimamente ligados.

A reformula��o do corpo humano atrav�s da tecnologia moderna.

Ele deve ter comido muitas mulheres naquele carro enorme.

� como uma cama sobre rodas.

Deve cheirar a s�men.

Cheira, sim.

- Acha-lo atraente? - � muito p�lido.

Est� coberto de cicatrizes.

Gostarias de o comer naquele carro?

N�o.

Mas quando ele est� naquele carro, ele...

J� viste o p�nis dele?

Suponho que esteja cheio de cicatrizes

devido a um acidente de mota.

Ele � circuncidado?

Podes imaginar como � que o �nus dele?

Descreve-mo...

Gostavas de o sodomizar?

Gostavas de enfiar o teu p�nis no �nus dele?

Diz-me... Descreve-me.

Diz-me o que farias.

Limitavas-te a beij�-lo naquele carro?

Descreve como o seduzirias,

como baixarias as suas cal�as sebosas

e lhe tiravas o p�nis para fora.

Beijava-lo? Chupava-lo logo?

Com que m�o o seguravas?

Alguma vez chupaste um p�nis?

Sabes qual � o sabor do s�men?

Alguma vez provaste s�men?

Alguns tipos de s�men s�o mais salgados que outros.

O s�men de Vaughan deve ser muito salgado.

J� te vieste?

Estou bem.

Acaba l� a tua hist�ria.

O jovem patologista do Hospital de Ashford.

Depois o marido de uma colega minha.

Depois um estagi�rio de radiologia

e o director de servi�o da minha garagem.

Fizeste sexo com todos esses homens em carros?

S� em carros?

Sim. N�o o planeei dessa forma.

Fantasiavas que o Vaughan te fotografava

em todos esses actos sexuais?

Como se fossem acidentes de carro?

Sim.

Sentia como se fossem acidentes de carro.

Temos de acumular todo o papel que podermos, Ballard.

Algumas coisas que a Helen trouxe s�o espantosas.

A toler�ncia da face humana nos impactos do acidente,

mecanismos de...

Onde est�...

De certeza que vemos isso em c�mara lenta...

Isto �, com a imagem ampliada.

Ao pormenor.

Podemos ver outra cassete. Trouxeste montes delas.

N�o, n�o. Nesta cassete. Eu sei que est� nesta.

O teu videogravador est� todo lixado.

� isso que se passa. Est� sempre a fazer isto.

Est� sempre a fazer isto.

- Sentes-te perturbada? - N�o. Estou bem.

Agora estou bem.

Sempre quis conduzir um carro acidentado.

Podes realizar esse desejo a qualquer momento.

N�o, quero dizer um carro acidentado com hist�ria.

O Vega de Camus, o mono volume de Nathaniel West,

o Rover 3500 da Grace Kelly.

Arranj�-lo apenas o suficiente para que ande.

N�o limpar o carro, n�o tocar em mais nada.

� por isso que conduzes este carro?

V�s o assassinato de Kennedy

como um tipo especial de acidente de carros?

Esse caso poderia ser reproduzido.

D� uma vista de olhos nisto. Diz-me o que pensas.

Sim, reconheces essa. � do James Dean.

Este � o pr�ximo que Seagrave e eu vamos fazer, Jayne Mansfield.

� tudo muito satisfat�rio,

mas n�o sei bem se entendo porqu�.

Este � o futuro, Ballard e tu j� fazes parte dele.

Est�s a come�ar a ver isso pela primeira vez.

Existe uma sociopatologia benevolente que clama por n�s.

Por exemplo, um acidente de carros � muito mais um fertilizante

do que um evento destrutivo.

� uma liberta��o de energia sexual

que media a sexualidade daqueles que morreram

com uma intensidade que � imposs�vel de outra forma qualquer.

Experiment�-lo, viv�-lo,

� o meu projecto.

Que � feito da "reformula��o do corpo humano pela tecnologia moderna"?

Pensava que era esse o teu projecto.

Esse � um conceito cru de fic��o cientifica.

� como se flutuasse � superf�cie e n�o amea�asse ningu�m.

Eu uso-o para testar os meus potenciais parceiros

em sociopatologia.

- O que se passa, querida? - O que se passa contigo?

- Queres vir dar uma volta? - Tu e o teu amigo?

- S� eu e o meu amigo. - Muito bem, fixe.

- N�o fujas. - N�o fujo. Que tens a� de baixo?

- Estou limpo. - Tens lugar?

Ali mesmo, no banco de tr�s do meu carro.

- No teu carro? - Ele conduz. Est� tudo bem.

- Ele � bom condutor? - Absolutamente. Sessenta d�lares.

- Sessenta d�lares? - D�s um passeio panor�mico.

- 150 para os dois. - N�o, s� eu.

- S� tu? - E se ele se envolver, dou-te 150.

- Talvez. - O que queres dizer?

Estou a perguntar se ele fica bem.

Anda c�, meu doce.

- Abre a tua boca. - Sim, pap�.

Aqui est�. N�o te quero a soprar isto pela minha uretra.

James, tu conduzes.

James, vamos embora. Queres boleia?

N�o, obrigado.

A Catherine vem buscar-me.

O que se passa?

Est�o a interrogar o Vaughan devido a um acidente no aeroporto.

Mataram um pe�o.

Acham que foi atropelado intencionalmente.

O Vaughan n�o est� interessado em pe�es.

N�o te parece que ele est� um pouco abalado?

Talvez seja melhor ser eu a conduzir.

- Onde est� o teu carro? - Em casa.

N�o consegui enfrentar o tr�nsito.

Porque n�o conduzo eu?

Vens?

Isso, sim.

Sim. Vamos gravar isto.

Isto � uma obra de arte.

Uma absoluta obra de arte.

Sim, sim!

Abranda. N�o v�s t�o depressa.

Abranda... P�ra.

Seagreave? N�o podias ter esperado por mim?

Fizeste o acidente de Jayne Mansfield sem mim?

O c�o. O c�o est� brilhante!

Devo ter batido nalguma coisa.

Est� sangue no carro

Aqui de lado, na roda,

e tamb�m no p�ra-choques.

V�s.

Se a policia te apanhar outra vez, podem confiscar-te o carro.

Tens raz�o, Ballard. Tens raz�o.

H� uma lavagem de carros na �rea de servi�o do aeroporto.

Cuidado.

Est� a ver algo que lhe interesse?

Este interessa-me.

Gostava de ver se consigo entrar num carro

concebido para um corpo normal.

Pode ajudar-me a entrar, por favor?

Sim, claro.

- Estes carros s�o seguros? - Sim, claro. S�o muito seguros.

Estou presa.

Merda.

Merda! Isto � mau. Isto � muito mau.

James, � um tipo chamado Vaughan. Atendes?

Estou? Ballard.

Preciso ver-te. Preciso falar-te do projecto.

Onde est�s?

Acho que est�s a fazer isto demasiado limpo.

� suposto as tatuagens m�dicas serem limpas.

Isto n�o � uma tatuagem m�dica, � uma tatuagem prof�tica.

E as profecias s�o porcas e sujas.

Portanto, f�-la porca e suja.

Prof�tico? � uma profecia pessoal ou uma profecia global?

N�o h� diferen�a.

Deixa-me ver. Onde est�? James.

Quero que a deixes fazer-te esta.

Onde acha que isto ficaria bem?

- Pensava que eras tu l� em cima. - N�o...

A minha �ltima aula � para a semana.

James...

James o meu carro est�...

O que foi?

Poder� ter sido deliberado?

Um dos teus pretendentes.

Foi o Vaughan.

O tr�nsito. Onde est�o as pessoas?

Desapareceram todos.

Quero voltar James...

Queria registar o levantamento de um Black Lincoln de 1963.

Tenho de preencher algum formul�rio?

Posso dar-lhe os formul�rios agora,

mas tem de voltar entre as 7:30h e as 4:30h

para registar um levantamento.

Qual a afinidade que t�m em rela��o ao carro?

Era de um amigo pr�ximo.

� uma perda de tempo.

N�o imagino o que poder�o fazer com aquilo.

Catherine? Est�s bem?

James...

N�o sei.

Est�s ferida?

Acho que estou bem...

Acho que estou bem.

Talvez para a pr�xima, querida.

Talvez para a pr�xima.

Legendas ripadas por: milesaway

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