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Sua Luftwaffe, sua Wehrmacht e sua Marinha n�o existem mais.
Seu Estado n�o existe mais.
Senhor G�ring, o senhor � um prisioneiro.
E o senhor est� na pris�o.
Todos de p�!
Em 20 de novembro de 1945,
come�ou o primeiro tribunal para crimes de guerra da hist�ria.
Vinte e um dos mais famigerados nazistas foram julgados sob pena de morte.
Claro que nos rearmamos. Eu rearmei a Alemanha at� transbordar.
Sem arrependimentos e implac�vel,
o mais fan�tico deles era Hermann G�ring,
o sucessor escolhido por Hitler.
Voc�s conheciam o F�hrer.
Eu preferiria morrer dez vezes
a ver o soberano sujeito a essa humilha��o.
Qualquer coisa que acontecer, o mundo inteiro assistir�.
O julgamento foi uma grande aposta dos Aliados.
Em jogo, estava nada menos que o veredicto da hist�ria ao nazismo.
O tratamento brutal dado a essas pessoas
� quase inacredit�vel.
Estou preparado para lutar.
E, se n�o conseguir convencer o tribunal,
convencerei o povo alem�o
de que tudo o que fiz foi pelo grande Reich.
Teria sido muito mais r�pido seguir a sugest�o de Churchill:
simplesmente levar os degenerados l� fora e fuzil�-los.
Poderia G�ring ter sucesso onde Hitler fracassou
e, da sala do tribunal, reacender o orgulho nazista?
Esta testemunha adotou, no banco das testemunhas e no dos r�us,
uma postura arrogante e desdenhosa em rela��o a este tribunal.
Excel�ncia, queira ir para o inferno.
NUREMBERG Nazistas no banco dos r�us
Olhe.
-� ele l�. -Olhe, � G�ring.
No dia em que a Alemanha se rendeu,
Hermann G�ring entregou-se � 36� Divis�o dos EUA.
Estranhamente, foi marcada uma entrevista coletiva em sua honra.
Ei, marechal, sorria!
Queira andar logo, estou com fome.
Obrigado.
Muito bem, primeira pergunta.
-New York Times! -Voc�.
Quando o senhor percebeu que havia perdido a guerra?
Muito pouco depois dos desembarques na Normandia
e de os russos romperem a linha de defesa no leste.
-Por favor, Daily Times! -New Yorker!
Voc�.
Quem foi o respons�vel pelos campos de concentra��o?
Hitler nunca discutiu os campos com pessoas na minha posi��o.
Ele s� os discutia com aqueles diretamente respons�veis pelos campos.
-London Times! -Aqui, Rede das For�as Americanas.
O senhor sabe que est� na lista de criminosos de guerra?
N�o.
Essa pergunta me surpreende muito.
N�o consigo imaginar por qu�.
Por tr�s de sua imagem p�blica de brincalh�o,
G�ring era um nazista reacion�rio.
Obsessivamente leal a Hitler,
unidos, eles destru�ram a democracia alem�.
No poder, G�ring foi brutal.
Ele criou a Gestapo, a temida pol�cia secreta.
Redigiu minutas de leis contra os judeus
e levou o rearmamento alem�o � condi��o de guerra.
G�ring foi comandante-em-chefe da For�a A�rea
e Hitler nomeou-o Reichsmarshall,
o militar de mais alta patente da Alemanha.
O que impressionava ao conhec�-lo era sua atitude.
Tinha uma personalidade dominante, marcante.
Percebia-se que ali havia algu�m importante.
Ele n�o era como alguns,
muito lamurioso, choraming�o, cheio de autopiedade.
Ele comandava.
Mantido em solit�ria, G�ring aguardava o julgamento.
Mas, para os Aliados, dar-lhe uma tribuna p�blica
significava um risco enorme de ele us�-la para propaganda nazista.
A promotoria precisava urgentemente saber o que ele pretendia fazer.
Sou o capit�o Gilbert, seu novo oficial de liga��o.
Bem-vindo. Sente-se, por favor.
Por favor.
Estou vendo que j� recebeu seu indiciamento.
Recebi.
H� apenas uma pequena se��o sobre mim.
Afora isso, as acusa��es contra n�s, criminosos, s�o iguais.
Gostaria de registrar sua rea��o �s acusa��es contra o senhor.
O senhor escreveria algo para mim?
Sim, claro.
''O vencedor sempre ser� o juiz e os vencidos, os acusados.''
Quanto ao julgamento,
� um jogo pol�tico de cartas marcadas,
mas estou preparado para as consequ�ncias.
Que s�o...
Ora, tenha d�,
eu sei que serei enforcado, voc� sabe que serei enforcado.
Mas estou preparado para lutar.
E, se n�o conseguir convencer o tribunal,
convencerei o povo alem�o
de que tudo o que fiz foi pelo grande Reich.
O capit�o Gustave Gilbert era judeu de ascend�ncia austr�aca.
Psic�logo de forma��o,
durante a guerra trabalhara como oficial do servi�o secreto,
tendo se especializado em interrogar prisioneiros alem�es.
Eu havia visto a crueldade nazista
em lugares como o campo de concentra��o de Dachau.
Queria descobrir o que levava seres humanos
a fazer o que aqueles homens fizeram.
Os l�deres nazistas estavam na pris�o de Nuremberg
e aquele era o �nico lugar onde eu queria estar.
O problema, para os Aliados,
era que nem todos os l�deres nazistas estavam presos.
Em L�neburg, jaz o corpo do homem mais odiado da Europa:
Heinrich Himmler,
chefe da pol�cia secreta nazista e das violentas tropas SS.
Himmler levava consigo min�sculos frascos de veneno...
O suic�dio de Himmler,
criador dos campos de exterm�nio nazistas,
foi um desastre para os Aliados.
Com Hitler e G�bbels mortos, G�ring era o nazista mais graduado.
Vou lhe mostrar uma coisa.
Com exce��o de um ataque armado � pris�o,
isto � o que me mant�m acordado � noite.
Encontramos no meio das joias de G�ring.
� um cartucho, o calibre � alem�o.
Perfeitamente.
Mas d� para abri-lo.
Com cuidado.
Cianeto de pot�ssio.
Em quantidade para matar 12 homens.
Ampola de suic�dio distribu�da regularmente pela SS.
Himmler usou uma.
-G�ring � suicida? -Vou lhe falar sobre G�ring.
Quando ele chegou aqui, malcuidado e sorridente,
com duas malas de diidrocode�na,
achei que fosse um vendedor de rem�dios.
Ele � viciado em drogas?
Sem d�vida.
O h�bito vem de quando ele foi ferido numa disputa nazista.
Tomou drogas por causa da dor.
Se voc� acha que o gorducho � um sujeito grande,
devia t�-lo visto antes de o colocarmos de dieta.
Nossa tarefa, capit�o,
� garantir que esses homens estejam saud�veis
para irem a julgamento perante o mundo.
E eu n�o quero que virem loucos de pris�o.
Um sujeito pode enlouquecer de ficar sentado numa cela
com o que alguns desses rapazes t�m na cabe�a.
Quero que seja nossos olhos e ouvidos, capit�o.
Familiarize-se com os prisioneiros,
informe-me regularmente sobre seu estado psicol�gico,
principalmente de G�ring.
Se o perdermos, n�o temos julgamento.
Nada pode acontecer com G�ring.
Sim, senhor.
Chamem o m�dico!
Quatro semanas antes do julgamento,
Robert Ley,
criador da organiza��o nazista de lazer For�a pela Alegria,
suicidou-se.
Fui um dos respons�veis.
Renunciamos a Deus e, por isso, ele nos abandonou.
lsso n�o pode mais acontecer.
Aordem foi dada e foi tomada uma s�rie de medidas.
Sempre que os prisioneiros estavam na cela,
ficavam sob constante vigil�ncia.
O tempo todo.
Eles n�o podiam dormir com as m�os sob as cobertas.
Tinham sempre de dormir com as m�os por cima das cobertas.
E tinham de dormir de costas, nunca de lado, nem de bru�os.
Melhor assim, com ele morto.
Porque eu tinha minhas d�vidas sobre como me conduzir no julgamento.
Tenho certeza de que ele faria um papel rid�culo.
Voc� acha que algu�m est� ligando?
O povo alem�o parece bem desiludido com a lideran�a nazista.
N�o importa o que o povo diz agora.
� a �nica coisa que n�o me incomoda.
Porque eu sei o que disseram antes.
Sei quanto eles nos aplaudiram e elogiaram
quando as coisas estavam indo bem.
E v�o voltar a fazer isso.
Ley.
Estou determinado,
determinado a entrar para a hist�ria da Alemanha
como um grande homem.
Daqui a 50 ou 60 anos,
haver� est�tuas de Hermann G�ring por toda a Alemanha.
Est�tuas pequenas, talvez.
Mas uma em cada lar alem�o.
Agressivo, extrovertido, narcisista...
Gilbert estava sempre numa posi��o bem dif�cil,
tentando ganhar a confian�a daquelas pessoas
e tentando aconselh�-las.
Ele tamb�m fornecia ideias � promotoria,
�s vezes at� sugerindo linhas de ataque.
Um aventureiro impiedoso e realista c�nico em pol�tica.
Basicamente, sem escr�pulos.
Deve-se perguntar-lhe se levou em conta a vida de milh�es de alem�es
ao preparar-se para a guerra.
Ent�o, ele estava sempre numa posi��o amb�gua,
ao mesmo tempo tentando ganhar a confian�a daquela gente
e, por outro lado, traindo essa confian�a
para quem lhe pagava o sal�rio.
Encabe�ava a promotoria o juiz da Suprema Corte dos EUA,
Robert Jackson.
Junto com uma equipe de advogados da Gr�-Bretanha, Fran�a e URSS,
o objetivo de Jackson era destruir os nazistas e suas ideias para sempre.
Jackson queria um registro que permanecesse na hist�ria
do que os nazistas haviam feito.
Ele seria de tal forma irrefut�vel, que todos o aceitariam.
O objetivo secund�rio, claro, era punir os culpados.
Sir David.
Atese de Jackson era ambiciosa.
Seu enfoque era provar que houvera um ''plano mestre nazista''.
Modifiquei o resumo das provas no que toca � acusa��o de conspira��o.
Os promotores brit�nicos haviam reivindicado uma abordagem mais simples.
Parece que ficou um pouco mais longo.
Como disse, quero um processo judicial completo contra o governo nazista.
Mostrando como eles conspiraram para ferir a paz mundial
e exterminar minorias.
Ah, claro, entendo.
Ainda assim, provar que cada ato nazista desde 1933
foi parte de um grande plano para iniciar uma guerra com a Europa
ser� muito dif�cil, se n�o imposs�vel.
Sir David, precisamos contar toda a hist�ria do movimento nazista.
Sua deslealdade e sua barb�rie.
Pode demorar meses.
N�o queremos perder o interesse do p�blico.
Claro, teria sido muito mais r�pido seguir a sugest�o de Churchill:
simplesmente levar os degenerados l� fora e fuzil�-los, certo?
COME�AM OS JULGAMENTOS EM NUREMBERG
Pal�cio da Justi�a de Nuremberg, na Alemanha.
A outrora cidade sagrada do nazismo
torna-se palco de um acontecimento �pico.
Aqui, sob os olhos vigilantes da pol�cia militar aliada,
os 20 integrantes mais importantes do bando de Hitler que sobreviveram
ir�o a julgamento.
Em 20 de novembro de 1945,
o primeiro tribunal internacional de crimes de guerra
teve in�cio em Nuremberg.
Ap�s tr�s meses de confinamento em solit�ria,
todos os 21 acusados sentaram-se juntos em um grande banco dos r�us.
lsso deu a G�ring oportunidade de influenciar os demais prisioneiros
e liderar uma frente em sua defesa.
Acho que a promotoria deve ser parabenizada
pela divis�o do processo.
Aos ingleses, coube a quest�o da coloniza��o for�ada de territ�rios.
Ningu�m melhor qualificado.
E vejo que os franceses ficaram
com a quest�o da pilhagem de objetos de arte.
Ora, se eles t�m toda a arte pilhada do mundo,
imagino que sejam especialistas.
Os integrantes da minha equipe que t�m observado os r�us de perto
afirmam que n�o h� d�vida:
G�ring tentar� atrapalhar o julgamento.
Uma coisa � certa:
qualquer coisa que acontecer, o mundo inteiro assistir�.
G�ring tentou passar a impress�o de um realista jovial
que, ap�s apostar alto e perder,
estava encarando a coisa com esp�rito esportivo.
Seu humor �gil era calculado para dar a impress�o
de que um tipo cordial como ele n�o podia ser mal-intencionado.
Naturalmente, os russos ficaram com os crimes contra a humanidade.
E, como sempre,
os americanos montam o espet�culo e pagam todas as contas.
Todos de p�!
G�ring foi indiciado com quatro acusa��es:
ordenar guerras de agress�o,
participar de crimes de guerra,
crimes contra a humanidade
e conspirar, junto a Hitler, para lev�-los a cabo.
O julgamento que est� para come�ar
� �nico na hist�ria da jurisprud�ncia mundial
e � de suma import�ncia para milh�es de pessoas no mundo todo.
Estar l� sentado,
assistindo, de n�o mais que seis ou sete metros de dist�ncia,
a G�ring, Hess, Keitel, Kaltenbrunner
e todos os 21 r�us,
a alta lideran�a do que sobrara dos nazistas,
encabe�ada por Hermann G�ring.
E eu ali, sentado.
Uma satisfa��o diferente de tudo que eu podia imaginar:
ver a justi�a ser feita.
G�ring e os demais r�us
declararam-se inocentes de todas as acusa��es contra eles.
Era a hora de Robert Jackson iniciar a acusa��o.
Excel�ncias.
Demonstraremos que esses prisioneiros
s�o s�mbolos vivos do �dio racial,
de terrorismo e viol�ncia
e da arrog�ncia e crueldade do poder.
Esses r�us fizeram uma guerra de agress�o.
Uma guerra que violou tratados.
O rearmamento da Alemanha superou em tanto os pa�ses vizinhos
que, em cerca de um ano,
ela conseguiu esmagar a for�a militar da Europa Continental.
Eu podia poupar muito aborrecimento para a acusa��o.
Claro que nos rearmamos.
Eu rearmei a Alemanha at� transbordar.
Sinto n�o termos nos rearmado mais.
E tratados!
Quanto papel hig�nico, hein?
Ent�o, atacou pa�ses que n�o representavam amea�a?
Ora, tenha d�!
Os americanos n�o se apoderaram da Calif�rnia e do Texas?
Foi guerra agressiva para expans�o de territ�rio.
Mas quando s�o os alem�es que fazem,
de repente vira crime.
Nunca ouviram falar dos americanos massacrando os �ndios?
-Ora, n�o est� querendo comparar... -Veja, veja.
lsso vem acontecendo h� s�culos.
Na ldade da Pedra, eles arrancavam-se os c�rebros a golpes de clava,
e os vivos comiam os mortos.
lmagino que eu daria uma refei��o para dois, hein?
Desde o in�cio do julgamento,
a agressividade insolente de G�ring sobressaiu.
O desafio de reescrever o �ltimo ato do drama nazista
foi um est�mulo revigorante.
lmediatamente, ele tomou conta dos prisioneiros.
Acho que, quase at� o fim, G�ring acreditou
que seria reconhecido como l�der do governo alem�o
e acabaria conseguindo lidar com os Aliados com tranquilidade.
Ele demonstrou isso, nunca falou a respeito,
mas � a impress�o que eu tive quando o vi em Nuremberg.
Mas, no tribunal, o autonomeado l�der dos nazistas
estava enfrentando uma quantidade de provas cada vez maior.
Se este tribunal concordar, a promotoria dos EUA exibir� agora
um filme-document�rio sobre os campos de concentra��o.
A inten��o � provar que cada um destes r�us
sabia da exist�ncia desses campos,
instrumentos por meio dos quais os r�us mantinham seu poder
e suprimiam a oposi��o a suas condutas.
Dachau, f�brica de horrores.
Os trens de prisioneiros chegam, trazendo mais mortos do que vivos.
Outros morreram depois da liberta��o.
Eles foram enterrados por outros prisioneiros.
lsto � o que os libertadores encontraram dentro do pr�dio.
O tratamento brutal que essa gente recebeu
nos campos de concentra��o alem�es � quase inacredit�vel.
Os nazistas mantinham no campo
instala��es para experimentos m�dicos e vivissec��es,
que usavam prisioneiros como cobaias.
Poucos dos que entraram nesses pr�dios de experimentos
sa�ram vivos.
Uma usina de descarte de cad�veres.
Dentro, est�o os fornos que davam ao cremat�rio
uma capacidade m�xima de descarte de 400 corpos por jornada de dez horas.
Os corpos eram reduzidos a cinza de ossos.
Em Belsen, a mesma hist�ria.
As condi��es sanit�rias eram t�o horripilantes,
que foi necess�rio usar equipamento pesado
para acelerar o trabalho de limpeza.
Este era Bergen-Belsen.
-Eu n�o acredito. -Fique quieto.
Quando o filme foi exibido, teve um forte efeito sobre os r�us.
Fez-se total sil�ncio na sala do tribunal.
A conversa entre eles parou.
Pela primeira vez, os r�us deram-se conta
de que estavam envolvidos numa iniciativa totalmente criminosa
e que teriam de responder pelas consequ�ncias.
Atarde estava t�o boa.
At� eles passarem aquele filme. Aquilo estragou tudo.
As provas s�o bem incriminadoras, n�o acha?
Ainda n�o consigo entender tudo aquilo.
Voc� acha que se viessem me dizer:
''Ei, est�o fazendo experimentos de congelamento com cobaias humanas,''
ou que estavam obrigando as pessoas a cavar sepulturas
para depois fuzil�-las aos milhares.
Eu teria dito: ''Ora, deixe disso!
Que tremenda bobagem!''
Se tirassem dois zeros desses n�meros,
eu poderia t�-los achado conceb�veis,
mas, meu Deus, isso, sim, � execr�vel.
N�o parece poss�vel!
lgnorei aquilo como propaganda inimiga.
N�o se sente de nenhum modo pessoalmente respons�vel?
Olhe,
posso dizer a eles que estava preparado para fazer a guerra
para devolver o poder � Alemanha,
mas tenho de me defender em um aspecto relativo a minha honra:
nunca ordenei a realiza��o de nenhuma dessas atrocidades.
Hermann G�ring. Postura no julgamento e defesa.
Esse pretenso Aquiles tinha um calcanhar vulner�vel:
as atrocidades.
Elas anulam o efeito de sua pose de her�i patriota e exemplo de oficial.
Deve-se perguntar a ele:
por que ele n�o investigou os relatos de atrocidades.
lsso d� a seus inimigos a chance de o atacarem com uma boa raz�o
e estraga sua pose.
Mas Jackson precisava provar
que G�ring estava pessoalmente envolvido
com as atrocidades nazistas.
Gilbert continuou a observ�-lo.
Queria que o F�hrertivesse ficado do lado de seus seguidores
e assumido a responsabilidade por seu comando.
Pense na posi��o dele!
Ah, claro.
A posi��o dele como criminoso-mor de guerra, certo?
Ele era nosso soberano.
Para mim, seria intoler�vel v�-lo diante de um tribunal estrangeiro.
Voc�s conheciam o F�hrer.
Ele seria o primeiro a levantar-se e dizer:
''Dei as ordens e assumirei total responsabilidade''.
Eu preferiria morrer dez vezes
a ver o soberano sujeito a essa humilha��o.
Salve a vit�ria! Salve a vit�ria! Salve a vit�ria!
G�ring fizera um juramento de lealdade a seu F�hrer.
E fez uma declara��o memor�vel:
''N�o tenho consci�ncia; Adolf Hitler � minha consci�ncia''.
Esse forte v�nculo significava que qualquer prova contra Hitler
podia ser usada como muni��o contra G�ring.
Aacusa��o come�ou a chamar ao banco das testemunhas
outros nazistas importantes,
preparados para relatar em primeira m�o
suas atividades durante a guerra.
Pode explicar ao tribunal
como essas execu��es eram realizadas?
Um comando local tentava recolher todos os judeus em sua �rea,
com o pretexto de reassent�-los.
Eles eram transportados at� o local da execu��o,
geralmente, uma vala antitanque.
As execu��es eram feitas ao modo militar,
por pelot�es de fuzilamento.
O senhor chegou a conversar com Himmler
a respeito dessa ordem?
Sim, em meados de 1941,
Himmler reuniu os l�deres e soldados dos Eisatzkommandos.
Enfatizou o fato de que os l�deres e soldados
que participavam das execu��es
n�o tinham responsabilidade pessoal ao executar as ordens dele.
A responsabilidade era s� dele.
E do F�hrer.
-O senhor ouviu-o dizer isso? -Ouvi.
O que esse porco esperava ganhar vendendo a alma ao inimigo?
Ele vai ser enforcado, mesmo.
Diabo, eu s� queria que tiv�ssemos a coragem
de restringir nossa defesa a tr�s palavrinhas:
''V� pro inferno!''
Excel�ncia, queira ir pro inferno!
�, a guerra seria uma grande piada.
Se, ao menos, n�o morresse tanta gente por causa dela.
Quem est� ligando para isso?
V� pro inferno.
Elsie, est�o com voc� minhas anota��es
sobre o contrainterrogat�rio de G�ring?
Est�o, Bob.
Ap�s tr�s meses juntando provas,
G�ring e Jackson iriam se enfrentar no tribunal.
O sucesso de todo o julgamento dependia do contrainterrogat�rio de G�ring.
Se Jackson e sua equipe n�o conseguissem convencer o mundo
da culpa de G�ring,
havia o s�rio risco de um ressurgimento do apoio aos nazistas na Alemanha.
Pelo menos, voc� representar� com casa lotada.
Gilbert aconselhara que atacassem abordando as atrocidades dos nazistas.
Quero chamar o r�u Hermann G�ring ao banco das testemunhas.
Mas, em vez disso,
Jackson concentrou-se em explorar a vaidade de G�ring,
estimulando-o a falar sobre sua import�ncia
para a ditadura nazista.
Foi a �ltima chance para G�ring defender seu lugar, e dos nazistas,
na hist�ria.
Quando chegou a vez de G�ring testemunhar,
ele havia sido tirado das drogas, tinha emagrecido,
e estava envaidecido.
Ele se gabava.
Voltara a ser o G�ring do passado.
Ele irradiava energia, irradiava desprezo por Jackson.
O senhor deve estar ciente
de que � o �nico homem vivo que pode nos esclarecer
sobre os reais prop�sitos do partido nazista
e sobre o funcionamento de sua lideran�a.
Estou perfeitamente ciente disso.
Ao assumirem o poder,
os senhores aboliram o regime parlamentar na Alemanha.
Consideramos que ele n�o era mais necess�rio.
N�o acreditavam e n�o permitiram
o governo com consentimento dos governados?
A afirma��o n�o � inteiramente correta.
Mesmo um governo formado dentro do ''princ�pio do F�hrer''
s� consegue se manter se estiver baseado
na confian�a do povo.
Posso lembrar-lhes que seu pr�prio presidente Roosevelt declarou:
''H�, na Europa, quem tenha abandonado a democracia
porque a democracia gerou homens fracos demais
para dar p�o e trabalho a seu povo e para satisfaz�-lo''.
G�ring havia se preparado para sua defesa.
Ele partiu para a ofensiva imediatamente.
E ofuscou o juiz Jackson.
...do Pal�cio da Justi�a, em Nuremberg. Os 300 jornalistas e observadores
que assistiram � sess�o de hoje do Julgamento por Crimes de Guerra
tiveram uma boa no��o de por que G�ring
estava abaixo s� de Hitler
na hierarquia da Alemanha nazista.
Gordo, inchado, G�ring certamente � um gorducho astuto.
Jackson, ent�o, tentou uma t�tica diferente:
confrontar G�ring com provas documentadas
e provar que ele conspirara com Hitler
para violar tratados de paz internacionais.
No discurso de 21 de maio de 1935,
o F�hrer declarou que a zona desmilitarizada
seria respeitada.
O senhor est� vendo o par�grafo seguinte?
''Uma vez que, no momento,
complica��es internacionais devem ser evitadas de qualquer maneira,
todos os preparativos urgentes
devem ser mantidos no mais absoluto sigilo.''
O senhor est� vendo isso?
Estou.
Esses preparativos eram preparativos militares, n�o?
Eram preparativos gerais de mobiliza��o,
como os de qualquer outro pa�s.
Mas tinham um car�ter
que devia ser mantido em total sigilo das pot�ncias estrangeiras.
N�o me lembro de ter lido com anteced�ncia
a publica��o dos preparativos de mobiliza��o dos EUA.
Respeitosamente,
submeto a este tribunal que a testemunha n�o est� cooperando
e que n�o esteve presente a seu interrogat�rio.
Pode repetir a pergunta, por favor?
E que � totalmente in�til perdermos nosso tempo
se n�o for para obter respostas pertinentes.
Com licen�a!
Parece-me que esta testemunha adotou e est� adotando,
no banco das testemunhas e no dos r�us,
uma postura arrogante e desdenhosa em rela��o a este tribunal,
que est� lhe dando um julgamento
que ele nunca deu a uma alma, viva ou morta.
Talvez seja melhor suspender a sess�o, nessas condi��es.
Se voc�s forem duas vezes menos bem-sucedidos do que eu,
ter�o ido bem.
-Muito bom. -Muito bem, Reichsmarshall.
A arrog�ncia de G�ring na sess�o de hoje
corrobora o que sempre disseram os opositores da ideia deste julgamento:
se derem a essas pessoas a oportunidade de falar,
elas usar�o de propaganda e far�o dele uma farsa.
Se permitirmos que G�ring saia dessa impune,
ele incentivar� todos os r�us a fazerem o mesmo.
Talvez seja melhor
parar o contrainterrogat�rio, nessas circunst�ncias.
Precisamos continuar.
Parar agora seria interpretado como uma vit�ria
das t�ticas de obstru��o de G�ring.
G�ring est� tendo liberdade para pregar.
Se ele se tornar um her�i dos nazistas
porque se atreve a responder para os EUA,
ele ganhar� a admira��o de todos os nazistas da Alemanha.
Sabe...
Eu quase cheguei a pensar, esta tarde,
que teria sido mais sensato fuzilar esses homens de uma vez.
O julgamento, �quela altura,
realmente atingiu um ponto delicado entre o sucesso e o fracasso,
pois, se n�o fosse poss�vel contrainterrogar
ou, em sess�es p�blicas, arriscar fazer perguntas �quelas pessoas,
o julgamento seria visto como uma total palha�ada.
N�o teria tido sentido faz�-lo e, de certa forma,
seria uma vit�ria para os r�us.
G�RlNG RECEBE ''CARTAS DE F�S'' A defesa de G�ring, que visa reacender sentimentos nazistas,
G�RlNG RECEBE ''CARTAS DE F�S'' tem tido um certo �xito.
Uma quantidade hollywoodiana de cartas de f�s
tem sido enviada ao corpulento ex-Reichsmarshall,
mas ele n�o tem permiss�o para receb�-las.
A maioria � na linha ''Mantenha a cabe�a erguida, Hermann'',
ou ''Parab�ns, Hermann''.
N�o diga que ningu�m o ama.
Sei que algu�m o ama.
E se estiver se perguntando quem pode ser,
Direi que ningu�m o ama como eu.
O contrainterrogat�rio de G�ring, ent�o, passou para os brit�nicos.
A estrat�gia de Maxwell-Fyfe
era provar que G�ring estava mentindo sobre o quanto sabia do Holocausto
e minar sua credibilidade como testemunha.
Este documento foi-nos enviado pelo Ex�rcito brit�nico no Reno.
Ele � dirigido a todos os n�veis administrativos,
at� o n�vel municipal, do partido nazista
e pressup�e que todos sabiam tudo sobre os campos de concentra��o.
O senhor est� dizendo ao tribunal
que o senhor, que at� 1943 era o segundo homem do Reich,
nada sabia sobre os campos de concentra��o?
Eu n�o sabia nada sobre o que acontecia
e sobre os m�todos usados nos campos de concentra��o.
Devo lembr�-lo da prova que foi apresentada ao tribunal
de que 4 milh�es de judeus morreram nos campos de concentra��o
e que mais 2 milh�es encontraram a morte de outras formas.
O senhor est� dizendo a este tribunal que um ministro com seu poder no Reich
poderia desconhecer o fato de que tudo isso estava acontecendo?
Sustento que sim,
porque tudo isso foi escondido de mim.
E posso acrescentar que, na minha opini�o,
nem mesmo o F�hrer tinha conhecimento da extens�o
do que estava se passando.
Quero que leia o relato de uma discuss�o entre o F�hrer
e o regente da Hungria, em abril de 1943.
O senhor o tem a�?
-Tenho. -Hitler diz:
''Se os judeus que estavam l� n�o quisessem trabalhar,
eram fuzilados.
Se n�o podiam trabalhar, tinham de morrer''.
O ministro das rela��es exteriores do Reich, que ali est�,
declarou que os judeus deviam ser exterminados
ou levados a campos de concentra��o.
N�o havia outra possibilidade.
Queira examinar a prova USSR-170.
Uma reuni�o que o senhor teve com algumas pessoas.
Chamo sua aten��o para a afirma��o:
''Restam poucos judeus vivos.
Dezenas de milhares j� foram descartados''.
O senhor ainda afirma, diante desses dois documentos,
que nem Hitler, nem o senhor sabiam
que os judeus estavam sendo exterminados?
-Para a corre��o deste documento, devo... -Queira responder � pergunta!
O senhor ainda afirma que nem Hitler, nem o senhor
sabiam que havia uma pol�tica de exterm�nio de judeus?
No que toca a Hitler, eu disse que acredito que n�o.
No que toca a mim, disse que n�o sei, nem por alto,
at� que ponto a coisa chegou.
N�o sabia at� que ponto.
Mas sabia que havia um plano de a��o orientado ao exterm�nio dos judeus?
N�o, um plano de emigra��o. N�o para liquidar os judeus.
Eu apenas sabia da ocorr�ncia de casos isolados de tais crimes.
Obrigado.
Acho que o verdadeiro talento
daquela equipe de acusa��o era Sir David Maxwell-Fyfe.
Ele tinha mais bagagem,
e era natural que algu�m que vivia na lnglaterra
conhecesse mais sobre a Alemanha
que outro que morava e trabalhava nos EUA,
e Maxwell-Fyfe saiu-se muito bem, foi ele quem frustrou G�ring.
Mas G�ring n�o havia renunciado nem ao nazismo, nem a Hitler.
lsso pode lhe interessar.
At� que isso acontecesse,
haveria o perigo de, morto ou vivo,
G�ring ser o foco do apoio ao nazismo.
Sua esposa est� preocupada com voc�.
Est� preocupada com sua lealdade cega ao F�hrer.
Ah, tudo bem.
Ela � mulher. Mulher serve para isso.
As pessoas v�o entender.
N�o seria melhor encarar os fatos?
O homem era um assassino.
Mal consigo imaginar que ele tenha ordenado
a morte de russos, de alguns judeus e de inimigos pol�ticos.
Mas n�o acredito que Hitler tenha ordenado
o assassinato de mulheres e crian�as.
Hitler era um psicopata.
Himmler, sim, mas Hitler era t�o fascinante,
falava com tanta nobreza!
De qualquer modo, aqueles n�meros...
Na pr�tica, � simplesmente imposs�vel.
O julgamento, ent�o, tomou um rumo inesperado.
Havia um nazista importante vivo
que podia testemunhar sobre tudo do Holocausto.
O comandante de Auschwitz, foragido desde o fim da guerra,
fora finalmente capturado pelos brit�nicos.
Registrada em seu depoimento,
est� sua descri��o de como, somente em seu campo,
mais de 1 milh�o de pessoas foram assassinadas.
''Usei Zyklon B,
despejado na c�mara de morte atrav�s de uma pequena abertura.
Demorava de 3 a 15 minutos.
Sab�amos quando as pessoas haviam morrido
porque os gritos paravam.
Depois que os corpos eram removidos, nossos Kommandos especiais
tiravam os an�is e extra�am o ouro dos dentes dos cad�veres.
As crian�as bem pequenas eram invariavelmente exterminadas,
j� que, em virtude de sua idade, eram incapazes de trabalhar.''
Tudo isso � verdade e est� correto, testemunha?
Sim.
Ele era apenas mais um alem�o, sendo leal a seu F�hrer.
E um crime de tal enormidade, que, depois daquela prova,
os r�us, em sua maioria, desistiram.
Um a um,
os principais nazistas da Alemanha ocuparam o banco das testemunhas.
O mundo esperava para ver se eles seguiriam o exemplo de G�ring,
defendendo firmemente Hitler e o nazismo.
O mais diab�lico assassinato em massa que a hist�ria j� viu
foi ordenado por Adolf Hitler.
Um crime que enche todos os alem�es de vergonha.
Provocar essa guerra foi o maior crime e a maior insanidade
que Hitler cometeu.
Sucessivamente, os r�us iam adotando diferentes t�ticas,
admitiam parte da culpa, ou o que fosse.
Mas o que aconteceu foi que G�ring e sua ideia de que seria o l�der,
o F�hrer daquele grupo de criminosos at� o final, evaporaram.
Citarei um depoimento da testemunha.
''Embora tenha chamado Hitler de um tipo de pessoa amoral,
s� posso considerar G�ring imoral e criminoso.
O ser mais egoc�ntrico imagin�vel.
Sua gan�ncia era ilimitada.''
O senhor deu esse depoimento?
Dei.
Olhe, eu n�o me preocuparia mais com a lenda de Hitler.
Quando o povo alem�o
tomar conhecimento de tudo o que foi revelado neste julgamento,
n�o ser� necess�rio conden�-lo.
Ele mesmo se condenou.
� medida que se aproximava o dia da senten�a,
G�ring foi ficando mais nervoso
e achando cada vez mais dif�cil rir.
R�u Hermann Wilhelm G�ring,
de acordo com os termos do indiciamento pelo qual foi condenado,
o Tribunal Militar lnternacional sentencia-o � morte por enforcamento.
Dos 21 r�us, 11 foram sentenciados � morte,
sete foram para a pris�o e tr�s foram absolvidos.
O Reichsmarschall n�o ser� enforcado.
Pode me deixar um pouco sozinho?
Ouvimos o AFN, o programa de r�dio da Rede das For�as Armadas.
Vinha do lado de fora do pr�dio.
Eu sabia que todos os ju�zes tinham carro
e todos tinham motoristas alem�es, que estacionavam l�.
Ent�o, ficamos curiosos.
Estava ouvindo Spike Jones e sua grava��o de Der F�hrer's Face.
Quando o F�hrer diz ''N�s ser o ra�a superior''
N�s heil, heil, Bem na cara do F�hrer.
N�o adorar o F�hrer � uma grande desgra�a
Ent�o n�s heil, heil, Bem na cara do F�hrer.
E aconteceu a coisa mais engra�ada do mundo:
todos aqueles motoristas alem�es estavam rachando de rir da m�sica.
Acabara tudo.
O F�hrer, G�ring e tudo, o que eles representavam
estavam fora do caminho.
E eles podiam voltar a viver.
Quando Herr G�ring diz ''Nunca bombardearemos esse lugar'',
N�s heil, heil, Bem na cara de Herr G�ring.
Com a derrota de G�ring no tribunal
e as subsequentes condena��o e senten�a de morte,
acho que se pode afirmar que ali foi realmente
o fim do Terceiro Reich.
G�ring apelou da senten�a de enforcamento.
Ele pediu para ser fuzilado,
uma morte mais apropriada para um soldado.
O pedido foi negado pelos ju�zes.
Quero todas as luzes das celas acesas hoje � noite, sargento.
A noite toda.
Sim, senhor!
Prossiga, sargento.
Sargento de servi�o!
Houve alguma coisa com G�ring!
Hermann G�ring morreu em 15 de outubro de 1946,
ao tomar uma ampola de suic�dio da SS.
At� hoje, n�o se sabe como ele a obteve.
G�ring aderiu a Hitler, Himmler, G�bbels e Ley, escolhendo o suic�dio.
Ele morreu como vivera,
tentando zombar de todos os valores humanos
e desviar a aten��o de sua culpa com um gesto dram�tico.
O corpo de G�ring, junto com os corpos dos outros nazistas executados,
foi levado para um cremat�rio em Munique.
As cinzas deles foram jogadas em segredo num rio da regi�o.
N�o haveria monumento para Hermann G�ring.
Legendas ripadas e sincronizadas por: zecarlos, Grupo Barbanegra - CPTurbo.org
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