Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
DE CIERTA MANEIRA (1974) estreou no Festival de Cinema de Pesaro em 1975.
A estreia em Cuba se seguiu em 1977.
No mesmo ano, o filme foi exibido como parte da Berlinale
no Fórum Internacional do Cinema Jovem e foi consequentemente
distribuído pelo agora conhecido Arsenal, Institute for Film and Video Art.
O filme foi filmado em película e negativo 16mm preto e branco.
O negativo da imagem cortada foi danificado no processo de cópia.
No decorrer da restauração fotoquímica subsequente na Suíça,
o filme foi copiado de 16mm para 35mm.
O paradeiro desses materiais é desconhecido.
Uma cópia de 35mm do negativo de imagem e luz
foi feita na Argentina para proteger o filme em 2008.
Ambos os materiais mostram marcas claras do histórico de produção do filme.
A presente restauração digital (2K) foi realizada em 2020/21
e se baseia na cópia preservada
do arquivo do Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC).
Duas cópias alugadas de 35mm do arquivo da Arsenal
serviram como referência para a correção da densidade.
A restauração digital foi realizada pela Arsenal
em colaboração com a ICAIC na ARRI em Munique e Berlim.
O negativo tonal óptico de 35mm foi escaneado na Cinegrell em Zurique.
A restauração digital foi possível como parte
do "Archive Ausser sich", um projeto
da Arsenal - Institute for Film and Video Art.
em colaboração com a Casa Inglesa das Culturas do Mundo.
Solicitado pelo BKM como parte de "O Novo Alfabeto"
com base em uma decisão do Parlamento alemão.
Bem...
Quero que vocês saibam
que aceito sua decisão.
Se me mandarem para uma fazenda, tudo bem.
Mas uma coisa eu digo:
quando cheguei a Santiago, minha mãe estava morrendo.
Passei quatro noites em claro na beira de sua cama,
ao lado dela.
E só voltei para cá
quando pensei que ela estava fora de perigo.
O que digo pode ser confirmado pelos funcionários do hospital.
Vocês me conhecem.
Sabem que sou despreocupado
e que gosto de me divertir.
Ninguém pode ser um bom trabalhador
ou um bom homem se não for um bom filho.
Sei que alguns de vocês estão contra mim.
Sei que alguns de vocês duvidaram da minha palavra
e ainda duvidam.
Para esses companheiros que ainda duvidam de mim,
quero repetir o que disse no início:
estou disposto a aceitar a decisão da assembleia.
É tudo.
Espere, camarada, você ainda não pode ir!
É tudo mentira! Você é louco!
Você deveria ter vergonha de mentir. Não respeita seus colegas.
Você está insinuando que eu dei com a língua nos dentes
porque só eu sabia, certo?
E quer saber? Vou abrir o jogo aqui e agora!
Tudo isso sobre sua mãe é mentira! Ela nem sequer está doente.
Você estava com uma mulher!
Sua mãe morreu há anos!
Posso te enfrentar quando você quiser! Quando quiser!
UM LONGA-METRAGEM SOBRE PESSOAS: ALGUMAS REAIS, OUTRAS FICTÍCIAS
Em Havana, uma grande área de favelas está sendo transformada.
O bairro Cayo Hueso está sendo substituído por novas residências.
Há vários anos,
a revolução começou a enfrentar o problema das culturas marginais.
Em 1961,
foram construídos cinco novos bairros
para as pessoas de Las Yaguas, uma das piores favelas do país.
Bairros como esse foram construídos
através de planos de ajuda mútua e reforço próprio,
antes mesmo de se pensar no sistema atual de minibrigadas.
Tudo faz parte de uma mudança habitacional dentro de uma estratégia de integração.
Ao mesmo tempo,
o uso crescente da educação profissional constitui nossa principal ferramenta.
Como me sinto?
Bem, não muito bem.
Me formei em diferentes escolas, em Topes, Minas e Tarará.
Depois eu cheguei aqui e encontrei
esse mundo muito estranho,
um mundo que pensei que já não existia.
Em todo o mundo capitalista,
e em especial nos países subdesenvolvidos,
existe um estrato econômico com características bem definidas.
Contêm a mesma característica: o desemprego.
Todas essas pessoas
foram rebaixadas ao nível de subemprego e desemprego crônico.
Como resultado da competição capitalista,
elas não podem participar da produção
e devem subsistir nos cinturões da miséria e pobreza
que cercam as grandes cidades.
São eles que, para nós, constituem o setor marginal da sociedade.
APÓS O TRIUNFO DA REVOLUÇÃO,
TODOS OS GRUPOS MARGINAIS FORAM INTEGRADOS NA SOCIEDADE
Uma cultura que vive na forma de hábitos subconscientes,
costumes, crenças, normas e valores
pode resistir obstinadamente à mudança social.
Por isso, mesmo depois de mudar radicalmente
as condições que deram origem ao marginalismo,
ainda podemos estudar a cultura da parte da sociedade
que se formou nesses bairros devido a estar separada da produção.
O baixo nível educacional e as tradições orais dessas pessoas
fizeram com que se apegassem à sua cultura tradicional.
A falta de experiência concreta de trabalho
e de uma prática sindical e política
fez com que o antigo setor marginal da sociedade cubana
aproveitasse as oportunidades laborais dentro da revolução
sem questioná-las.
Isso lhes teria permitido ver o trabalho como sendo de seu próprio interesse.
Em contraste com os interesses sociais e políticos da época,
podemos perceber uma certa inércia
e desinteresse naqueles com um passado marginal.
Isso explica a permanência de certas atitudes antissociais dentro da revolução.
Compadre! Você tem se isolado, faz tempo que não te vejo!
- O quê? - Faz tempo que não te vejo!
- Você está sendo estranho! - Que tal domingo?
Venha até a minha casa. Vamos jogar dominó.
- Eu levo uma garrafa. - Um litro?
- Não muito cedo, ok? - Certo. Por volta das 10h30?
Dez e meia, sim.
- Vou ver o Pepe! - Pepe?
Aquele homem me fez andar em círculos. Ele não me disse que tinha te convidado.
Ele disse: "A professora vem almoçar amanhã."
E eu respondi:
"É mesmo? Então faça o feijão, porque estou exausta!"
Chegou o outro homem da casa!
Temos visita.
Perdão.
Você fez isso especialmente para a professora?
Você tem que provar as lentilhas amanhã.
Sem-vergonha!
É melhor lentilhas que nada! Há 20 anos, teria ficado grato por elas.
Passado é passado.
- Yolanda, vamos para a sala. - OK.
- Oi! Meu amigo está aqui? - Não sabia que eram amigos.
Carinhoso como sempre!
Mario está tomando banho.
Diga a ele que estou na casa do Narra, jogando dominó.
- Jogando o quê? - Dominó.
- Não tão pouco, estou faminto! - Pare com isso!
Isa, posso usar seu congelador?
Claro. Deixe a carne na mesa, agorinha eu guardo.
Tenho 25 anos.
- Minha família tinha recursos. - Dinheiro?
Não necessariamente, mas ambos trabalhavam.
Então, não.
Meus pais quase se mataram de trabalhar.
Eles nunca tiveram dinheiro nem "recursos".
"Recursos".
Me fale sobre você, Mario.
- Tem mesmo interesse nisso? - Sim, muito.
- Eu nasci ali. - Naqueles pinheiros?
Não.
Teria sido ótimo, do jeito que estão agora.
Havia rios poluídos, as casas eram feitas de latas e até papelão.
Eram feitas de qualquer coisa. Tinham que improvisar.
Mas estávamos todos no mesmo barco.
Eu cresci nas ruas.
- Só ia para casa para dormir. - E a escola?
Bem, claro, eu ia para a escola.
Meu pai queria que eu estudasse para que pudesse sair daqui.
Mas a escola era longe. Quase nunca chegava à metade do caminho.
- Eu matava aula. - O que você fazia?
Aproveitava a vida.
Imagino!
- Até que chegou... - Quem chegou?
A revolução.
Não tenho nada a dizer a esses recenseadores.
Sempre dizendo que tudo vai mudar. Bobagem!
Esse tipo de conversa é ruim para o meu negócio.
Você tem que nos vender suas coisas, nós somos o seu negócio.
Em 1960, a Revolução Cubana realizou um censo da população
e uma campanha de alfabetização nos piores bairros
para eliminar o analfabetismo.
Que se dane! São todos iguais, vamos fazer isso!
Espero que não perguntem quantas pessoas dormem na minha casa.
Meu santo nunca me engana e disse que vamos sair daqui!
Depois que a revolução nos deu o terreno e as ferramentas,
muita gente disse que não iria trabalhar: "Para quê?"
Foi muito difícil tirá-los de lá!
A revolução tinha decidido nos dar casas.
Esta é a nova casa
e este é o novo bairro.
A música é assim.
Depois me pegaram.
- Você esteve preso? - Preso?
Me deram uma bolsa de estudos.
Mas primeiro tive que subir a montanha cinco vezes.
- Cinco vezes? - Cinco.
Era divertido nas montanhas.
Eu me sentia bem lá.
Era como quando eu matava aula.
Mas a escola não, isso era difícil.
Desisti no segundo ano.
E depois?
Nada.
Voltei para as ruas,
para os meus amigos,
para as mulheres.
Meu pai ficou furioso, não queria me ver.
E depois?
Nada. Me pegaram de novo.
Serviço militar. Fui recrutado.
- Sorte sua! - Sorte?
Acordava às cinco da manhã:
"Direita! Esquerda! Volver!"
Mas não posso reclamar.
Tive sorte de ser recrutado naquela época.
Porque eu estava perdido.
Perdido.
Estava louco.
O serviço militar me salvou.
No momento em que eu pensava em ir.
- Ir para fora do país? - Não, para quê?
"Ir" significa fazer o juramento.
Que juramento?
- Quando criança, queria ser um "ñáñigo". - "Ñáñigo"?
Você acha que comem bebês no Dia de Sta. Bárbara, não é?
A SOCIEDADE ABACUÁ (ANÁLISE DOCUMENTAL)
No final do século XVIII,
Cuba desfrutava de um crescimento considerável.
Acabou se tornando uma grande plantação de açúcar.
Isso, por sua vez, causou uma maior demanda
por mão-de-obra na forma de escravos.
Homens de diferentes culturas e etapas de desenvolvimento
foram trazidos da África Ocidental.
De Calabar vieram os efiques, com uma cultura patriarcal.
Era baseada em um mito em que uma mulher chamada Sikán
descobre e revela o segredo do deus Abasí.
Assim, as mulheres foram consideradas traidoras
e excluídas da sociedade secreta.
Outros trabalhadores foram contratados para a economia colonial cubana
através de casas comerciais em Sevilha e Cádis.
Como resultado,
espanhóis dessas cidades andaluzas vieram para nossa capital crescente,
recrutados como marinheiros dos setores marginais.
Eles trouxeram seu código de violência com eles:
machismo, uso de navalha e devoção às mulheres.
Tudo isso foi propício para se integrar em uma população "criolla"
com natureza semelhante.
No século XIX, surgiu em Havana os negros curros
como um autêntico produto nacional do folclore urbano.
A Sociedade Secreta Abacuá,
que surgiu do mito dos escravos de Calabar,
enraizou-se na população marginal dos portos de Havana e Matanzas.
O toque cubano é visto no rito de iniciação,
com o sacrifício de um bode.
Depois de castrado,
vira uma cabra, representando a mulher que revelou o segredo e provocou a guerra.
Esta manifestação cultural sintetiza as aspirações sociais,
normas e valores do machismo na sociedade cubana.
Acreditamos que sua natureza tradicional, clandestina e exclusiva
a coloca contra o progresso
e impede que seus aderentes assimilem os valores modernos.
Representando, em seu estado atual, uma fonte de marginalidade,
que promove um código de relações sociais paralelas,
que é a antítese da integração social.
Minha vida não foi tão variada.
Meu pais trabalhavam para a revolução e eu estava na escola.
Você não era casada?
Sim. Ele estudava medicina, e eu história.
Ele se formou, eu não. Nos casamos.
Você faz parecer horrível.
Você pode não acreditar,
mas eu queria saber o que era estar casada.
O primeiro ano foi bom.
Estava sempre estudando ou trabalhando, e quando nos víamos estávamos bem.
Eu passava muito tempo sozinha.
Por isso estou acostumada...
Com o quê?
- Estar sozinha? - Ser independente.
- Você é como um pardal. - Por quê?
Porque é o pássaro mais triste.
- Então, como terminou? - Mario, não quero reclamar mais.
Vamos, me conte.
Por favor.
Me conte.
Bem,
ele teve que fazer seu serviço rural.
Queria que eu deixasse os estudos e que fosse com ele.
Não fui, nos divorciamos.
E agora eu trabalho e estudo.
E agora?
Continua sozinha?
Continuo independente.
Não entendo o que é ser Abacuá.
Só precisa ser um bom filho,
bom marido, bom amigo.
- Você gosta disso? - Gosto.
Precisa ser um homem,
se virar sozinho e não decepcionar seus amigos.
- Precisa entender isso. - Por que não vira um "ñáñigo" agora?
Porque agora penso diferente.
Pensa diferente? Tem certeza, Mario?
Por que não?
- Então não pode ser Abacuá. - Por que não?
Porque você pensa diferente.
Ei!
Por que você sempre se comporta mal, Lazarito?
Está copiando o que está no quadro?
Cadê seu lápis e seu caderno? Por que não está escrevendo?
Por que não está escrevendo? Onde estão suas coisas?
Por que você acha que está aqui?
A revolução é boa. Ela te dá lápis, cadernos...
Mas você joga tudo fora. Por quê?
Você se acha o palhaço da turma?
Silêncio!
Levante-se!
- Não vou te bater. - Lázaro é um medroso!
- Cala a boca! - Cuidado!
- Cadê suas coisas? Olhe para mim! - Joguei fora.
Jogou tudo fora? Saia da sala de aula.
E não volte até trazer um lápis e um caderno!
Isso não está bem.
- É o que eles querem. - Estão me deixando louca.
Quero trocar de escola, eu não gosto daqui.
Yolanda,
você tem que ter mais paciência.
Essas crianças precisam de carinho, compreensão e amor.
Elas não têm isso em casa.
- Você não pode ir. - A pior parte
foi ele pensar que eu ia bater nele.
Você não conheceu a mexicana?
- Não, quem é essa? - A mãe do Lázaro.
Ela tem cinco filhos.
Lázaro é o mais velho.
E o pai deles?
Os pais? Foram embora.
Ouviu o que aconteceu com o meu Lázaro?
Está na prisão.
O que aconteceu?
Ele estava com dois caras
e o mandaram roubar a carteira de uma senhora.
A polícia me disse.
Eram duas da manhã, fui até a delegacia
porque ele não tinha voltado para casa. Foi quando me contaram.
Eu fiquei em choque.
Eu cresci em Las Yaguas,
meus pais não me mandaram para a escola.
Eu pedia muita esmola, mas nunca roubei nada.
Desculpe a pergunta.
Não quero ser...
- Onde está o pai do Lázaro? - Nós brigamos em 1962.
Não tenho notícias dele desde então.
Tive que criar todos os meus filhos sozinha.
Eu trabalhava na brigada florestal,
mas tive que deixar por ele.
Eu o deixava aqui, mas os vizinhos reclamavam.
Ele jogava pedras e subia em árvores.
Então tive que deixar o trabalho.
Depois me comprometi com outro homem,
mas ele bebia muito e se comportava mal.
Tivemos dois filhos juntos, nos separamos e voltamos.
Eu tentei ficar com ele, mas não deu certo.
Eu faço tudo sozinha. Ele ajuda com o que pode
e eu pago as contas. É isso.
- Como o Lázaro se comporta em casa? - Muito mal.
Mas ele é meu braço direito.
Ele fica na fila para mim,
leva o ferro para arrumar e limpa a casa se for preciso.
Ele me leva ao hospital quando estou doente
ou quando há outro bebê. Ele fica lá comigo.
Mas ele é muito irritante!
Por que bate nele?
Sabe por quê?
Porque não quero que se misture com a gentalha daqui.
Prometo que vamos ajudar Lázaro,
mas quero que prometa que não vai bater mais nele.
Eu te imploro de joelhos que o tire de lá.
Não vou bater mais nele. Só quero que ele venha para casa.
Preciso muito dele.
Ele me ajuda,
mesmo sendo atrevido
e irritante.
Ele me ajuda em casa.
Não vou bater mais nele.
- Sua vez! - Não tão rápido! Não tão rápido!
Tem que fazer como meu amigo aqui,
ele está procurando uma garota fora da nossa classe.
- Que bom! - Quem pode, pode!
Quem não pode não recebe uma bênção de São Pedro!
Minha vez.
O que eu tenho aqui?
Controle-se! Não tão rápido!
- Dobro! - Desgraçado!
Não se meta.
- O que, a professora? - Sim.
O que está esperando?
Anda logo!
Agradeço o conselho, sei que a intenção é boa.
Você tem que sair ou será morto.
Duplo nove.
- Você tem tudo. - Está jogando ou não?
- Anda. - Cuidado, ou vai estragar tudo.
Isso é certo!
- É isso, cara. Terminei. - Pronto? Pronto?
Estou indo!
- Vou comer agora. - Da próxima vez eu ganho.
- E aí? - Tenho que te contar uma coisa.
- Sobre o quê? - Estou falando com uma gata
de classe mundial.
Preciso da sua ajuda.
É só pedir, amigo.
Quero passar cinco dias fora com ela, no Oriente.
- Nas suas férias? - Não, agora.
E o trabalho?
Humberto!
Está louco?
Você acabou de sair de uma enrascada!
O que deu em você, cara? Ficou bom demais pra mim?
Não, cara! Mas você tem que voltar à Terra.
Se te pegam, ainda te mandam para uma fazenda.
É o que você quer?
- Qual o seu problema? - Então é verdade o que dizem.
O que dizem?
A professora fez lavagem cerebral em você, te transformou em comunista.
Do que está falando? Deixe ela fora disso.
- Agora você se irrita? - Não, só deixe ela fora disso.
Está bem, amigo. Desculpa.
Não quero perder essa mulher.
Pense: são cinco dias de trabalho voluntário no Oriente.
Seria ótimo para a minha reputação.
Eu sempre saio ganhando.
Está bem, amigo. Boa viagem. Faça o que quiser.
- Certeza? Espere. - Sim.
Você é o único que sabe disso.
Se ficam sabendo, a culpa é sua.
Espere aí. Isso é uma ameaça?
- Calma, cara! - O que é isso?
- Pare de gritar comigo! - Não estou gritando.
Só queria deixar claro.
- Está bem. - E agora?
- Nada. Divirta-se, então. - Claro.
- Muitos anos de vida. - Obrigada.
Entrem!
Pensei que vocês não vinham.
Mario não acredita nessas coisas.
Mas, em um dia como esse, gosto de ter toda a família reunida,
e você já é quase família.
Olhe, esses são meus santos.
São as únicas coisas que deixarei quando morrer.
Depois, podem jogar fora, se quiserem.
Eu os venero.
Já os tenho há 25 anos.
Pedras e caracóis.
Que Obatalá seja louvado!
Você é a professora do Lázaro?
Ficamos felizes que queira ajudar.
Precisamos da colaboração
das organizações em massa e do conselho escolar.
Esse menino ainda é um aluno na escola.
Queremos que você saiba
o que fizemos desde que ele foi detido.
Após um exame médico, o menino foi avaliado
por uma equipe de psicólogos, sociólogos e advogados.
Eles fizeram relatórios individuais.
Depois, a equipe de consultoria
elaborou um relatório conjunto.
Incluímos as opiniões
das organizações em massa de onde ele vive.
Pensamos que, com a cooperação da escola,
podemos ajudá-lo.
O que ele precisa é de afeto,
alguém que o ame.
E o interesse das organizações em massa.
Naturalmente, não podemos reeducar a mãe,
mas temos a responsabilidade de educar essas crianças.
E precisaremos da ajuda da professora.
Quando ele chegou, não o recebi com um beijo nem nada.
Eu disse: "Então você fugiu?
Não acha que tenho problemas suficientes? Você sabe que estou doente."
E ele disse: "Não, mãe, olhe meus documentos."
Está acontecendo alguma coisa com Joel?
É a última vez que saio com ele.
Ele sempre finge ser pobre.
- Por que isso te incomoda tanto? - Não incomoda, só não funciona.
Um brinde, amigo.
Sabe?
Saúde.
Saúde.
Vocês não estão na mesma onda.
Pare com isso.
Cuide dela, ouviu?
Yolanda é especial.
Por que acha que estamos juntos?
- Como é a garota que você trouxe? - Nada boa, tem muita bagagem.
Não somos todos iguais.
Que tal outro brinde? Sua vez.
Sou tão revolucionária como você.
Mas um homem com dente de ouro?
As coisas serão diferentes para os nossos filhos, mas agora...
Um brinde a...
À revolução.
A tudo isso.
A todo esse processo.
Porque não estaríamos aqui sentados tomando uma bebida.
Isso é verdade. Bem dito.
É melhor irmos, aqueles dois já estão bêbados.
- Você acha? - Basta olhar para eles.
E aí?
- Yolanda também é minha irmã! - Yolanda!
- Migdalia está ali. Chame ela. - Fique fora disso.
Chame ela, cara. Migdalia!
Chegar aqui e ver essas crianças...
Sei lá. Me sinto muito mal.
E preocupada também.
Preocupada com o futuro deles. Não tanto com o dos meninos,
porque eles têm o serviço militar e têm que trabalhar.
Mas as meninas da minha turma, a quinta série...
Quando elas terminarem a sexta série,
o que vão fazer?
Não sei. Que futuro elas têm?
Não há nada que as obriga a continuar os estudos.
Elas provavelmente se casarão, terão filhos,
e os filhos delas virão a essa escola e receberão a mesma educação
que suas mães até a sexta série.
E nunca poderão sair daqui.
Queria que houvesse algo
que as obrigasse a fazer outra coisa depois da sexta série.
É muito triste e isso me preocupa muito.
Queria poder fazer alguma coisa.
Você tem razão, mas as meninas também têm oportunidades.
Elas podem conseguir bolsas de estudo para escolas agrícolas ou médicas.
Não nos esquecemos delas.
Quero falar sobre o caso de Lázaro.
- Ainda não fizeram nada por ele. - Escute, Candito,
estamos trabalhando para ajudá-lo.
Ele é um dos meninos mais problemáticos,
e estamos cuidando de tudo
porque ele é um dos primeiros que devem estar na escola.
Claro, os pais têm que entender
o papel da escola em tirar as crianças
de seu ambiente doméstico e colocá-las no caminho certo.
Os pais não deram um bom exemplo.
Mercedes, te chamamos aqui
para falarmos uma coisa que deve ter adivinhado:
seu filho Luis não vai passar.
Eu sabia.
A outra professora me disse que ele seria reprovado.
É a terceira vez que ele vai repetir a segunda série.
Já te chamamos antes e pedimos
para pegar no pé dele porque ele não ia passar.
Como é possível ele repetir de ano outra vez?
Eu saio de casa às cinco da manhã
para chegar a tempo no trabalho.
O serviço de transporte é terrível.
Eu lavo e passo a roupa à noite, até às 23h.
Tenho 11 filhos.
Sabe a primeira coisa que Juan me disse quando cheguei?
Ele disse: "Você é a nova professora?
Que bom, porque eu vou te incomodar muito."
Ele está dando um mau exemplo para as crianças mais novas.
Sei que você é uma boa trabalhadora,
mas você tem que passar mais tempo com seus filhos.
Digo isso como professora. Eu também cuido deles.
Você não precisa me mandar cuidar dos meus filhos.
Passo todo o tempo livre que tenho conversando com eles.
De verdade.
Mas alguma coisa precisa ser feita.
Seus filhos continuam reprovando. São indisciplinados.
Eles não estudam.
Alguém tem que pegar no pé deles.
Não sei quem, se você ou o pai... Não pode continuar assim.
É o que aprendem na rua.
Não faz mal chamar a atenção deles,
mas o problema é o método.
Você sabe como são esses pais.
Não é fácil trabalhar com eles. São um produto de seu ambiente.
Se eles vêm até aqui e você perde a paciência com eles,
vão te rejeitar.
Lembre-se: nosso objetivo é atraí-los,
fazer com que cooperem conosco.
Se você continuar dessa forma, não chegará a lugar nenhum.
Que forma? O que eu falei de errado?
Não é a primeira vez que te dizemos, Yolanda.
Você tem que ser mais diplomática.
Nunca perca a paciência.
Eles não têm sua educação.
Estou cansada de ser criticada como se fosse uma criança.
Não é a primeira vez.
Não estou acostumada que me chamem a atenção,
principalmente quando sei que estou fazendo tudo certo.
Pare e pense, Yolanda.
Não estamos fazendo isso para te destruir.
Queremos te ajudar porque sabemos que você é nova aqui.
Só queremos te ajudar a melhorar.
Eu não vou chamar o aluno e dizer que ele está indo mal.
Não vou dizer isso a ele.
Tenho que chamar os pais
que são os responsáveis por esse comportamento.
Mas você tem que usar outro método.
- Você precisa. - Não entendo vocês.
Mas vou continuar fazendo a mesma coisa.
- Onde você estava? - Tive um problema na escola.
- Por que não me avisou? - Eu não sabia.
Sempre reclamando.
A professora gosta de fazer uma cena.
Você que está fazendo uma cena. Pare de me tratar como uma criança.
Você me fez esperar uma hora, ninguém faz isso comigo.
- Uma hora! - Não grite comigo. Também sei gritar.
Quer fazer uma cena?
As pessoas estão olhando. Ei!
Não quero te ver mais. Acabou.
Se é o que você quer, por mim tudo bem.
Yolanda!
Mario!
Como vai?
- Por onde andou? - Trabalhando.
Luz disse: "O que você fez com Mario
que ele não aparece mais?"
Escute, tenho um recital.
- Ótimo, eu passo lá. - Tem que ir, não me desiluda.
Yolanda. Esta é Yolanda.
- Guillermo, um amigo meu. - Prazer.
O prazer é meu.
QUEM É GUILLERMO?
Sou como um bebê
que chora em seu berço...
Guillermo Diaz, compositor, cantor e árbitro de boxe,
outro personagem real neste filme.
Campeão amador da Luvas de Ouro em 1957,
ele pretendia se tornar profissional em 1958.
Guillermo nasceu em Las Yaguas em 1938.
Luz é minha namorada há um ano.
Quando outro cara começava a segui-la,
eu não prestava atenção.
Porque eu pensava que era só brincadeira.
Uma noite, estava voltando de uma luta
para lhe dizer que iria lutar pelo campeonato.
Eu o peguei espiando pela janela.
Chamei o pai dela
e o cara sacou uma faca e me atacou.
Nós caímos,
e quando me levantei,
ele estava morto.
A cadeia foi um inferno.
Não quero lembrar disso.
Foi o fim da minha carreira de boxeador.
Sou como o vento
que derruba tudo
Sou o que descansará
na escuridão de meu túmulo
Sou a fênix
que ressurge
Sou o que faz
amor em sua cama
Eu sou, sim,
O homem que te ama
Muito bem.
- Ainda se lembra! - Depois de aprender, não dá pra esquecer.
- Até mais. - Muito bem, até logo.
Vamos.
- Cara legal, não acha? - Como vou saber?
O que ele faz?
Canta.
Que maravilha!
Cara, que peituda!
Parabéns, Humberto.
Lá vem um sermão.
Eu disse parabéns. O que quer que eu diga?
Eu te conheço, está tramando algo.
- Não, entendeu errado. - Não minta para mim, cara.
Esqueça, ok?
Me diverti muito, comi como um rei!
Ela faz uma refeição deliciosa!
Ela até conseguiu uma vaca!
Uma vaca!
- Quando você voltou? - Ontem à noite.
Você sabe como os transportes são terríveis.
- Como vai sua mãe? - Mal, muito mal.
Mas o que vamos fazer? Também temos que trabalhar.
Agora é só esperar.
- Qual o problema? - Trabalhando como um cão.
- Ouvi dizer que tem uma namorada. - Ouviu errado.
Agora me deixem dormir.
- Está me expulsando? - Estou cansado, me deixem.
Está mesmo me expulsando, cara?
Não posso nem falar com você.
Você não me deixa falar com você!
- Relaxa, cara. - Você está me mandando embora, cara.
Eu estava sendo legal e você me manda embora.
Seu pai está vindo, vou nessa.
- Vamos. - Até logo.
Continue movendo a mão.
- E aí? - Oi, Mario.
Suba ali.
- Uma música nova? - Não, uma antiga.
Quer malhar?
Algum problema?
Nada importante.
Sua...
Garota.
Não te entende?
Não, é só... Ela é diferente.
Ela tem uma forma diferente de pensar.
Faça como eu:
deixe.
- Quem? Yolanda? - Não, seu mundo.
Deixe...
Seu mundo
Que não te dá nada
Que não tem flores da manhã
Apenas barras para mostrar seu poder
Deixe
E nunca a deixe saber
O que você tem feito
Nunca a deixe saber do trabalho duro toda manhã
Se ela te mostrar
A parte vazia
De um mundo cheio de mentiras
E se ela não te olhar
Diretamente nos olhos,
Deixe-a em paz
Deixe-a em paz
Com sua hipocrisia
Bom. Muito bom.
Lembre-se, Mario:
você também pode deixar.
Você já ultrapassou essa bobagem.
Acredite em mim, Mario,
a maioria das pessoas tem medo de deixar
o que conhece.
- Medo? - Sim.
Elas têm medo de tudo o que seja novo.
Estão acomodadas em seu mundinho.
Fora dele, não são ninguém.
Uma coisa eu digo:
é preciso mais coragem
para se libertar do que para ficar no mesmo lugar.
Estudos sociológicos que levaram em conta as experiências dos primeiros anos
fizeram parte da demolição e remodelação dessas áreas
onde sobrevivem a cultura marginal.
Esses estudos expuseram alguns problemas.
Em média, os residentes viveram 20 anos ali.
Um fenômeno típico das famílias marginais
é a instabilidade das relações maritais.
Das 341 pessoas que tinham famílias,
cerca de 53% das famílias eram chefiadas por mulheres.
Das 104 crianças na comunidade,
mais de 28% ficou para trás na escola
como resultado de desatenção,
falta de assimilação, deficiências mentais e rejeição da escola.
A renda mensal per capita de 122 das pessoas pesquisadas,
com média de 4,2 pessoas por unidade familiar, era de 36 pesos.
Os crimes mais frequentes eram homicídio,
vício em drogas, deserção do serviço militar,
envolvimento no mercado negro, apostas, imoralidade,
alcoolismo e brigas familiares em público,
todos relacionados com algumas das condições sociais
que fazem parte e acompanham a marginalidade.
Vamos trabalhar.
Você pega uma picareta.
Você pega uma pá.
Ouviu falar o que aconteceu com Humberto?
Não, o quê?
Foi chamado perante o conselho de trabalhadores três vezes.
- Ele está em grandes apuros. - E daí? Eu não ligo.
Por que não? É seu amigo.
- É, mas você é o chefe do conselho. - Veremos no conselho então.
Você se casaria com um homem como eu?
O que está acontecendo, Mario?
Nada.
- O que você vê em mim? - Hã?
- O que você vê? - Um homem.
Só um homem?
Um homem que ninguém mais vê.
Como assim? Não entendi.
Você é uma pessoa com seus amigos
e outra diferente comigo.
- Não entende? - Não, não entendo.
Vou te explicar.
Com seus amigos você anda assim,
olhe:
"E aí, cara? Bate aqui."
Você não tem respeito.
Nas ruas temos que ser assim.
- Você tem que ser durão. - O tempo todo.
Certo, e como sou quando estou com você?
Como eu sou?
- Assim. - Assim como?
- Como agora. - O que quer dizer?
Só você e eu.
Mais ninguém.
E o que você vê em mim?
Bem...
eu gosto de você.
Mais nada?
Não é o suficiente?
Gosto de muitas coisas em você.
Diga uma.
Sua sinceridade.
Você fala o que pensa e também quer que os outros falem.
- Eu gosto disso. - Às vezes sou sincera demais.
- Não. - Sim.
É só que você veio parar aqui
onde as pessoas têm medo de se expressar.
Está bem. Me diga uma verdade.
- Uma verdade? - Sim, qualquer uma.
Uma verdade verdadeira.
- Está falando sério? - Sim.
Bem, nunca disso isso a ninguém.
Estou morrendo de medo.
Vou ler um telegrama que ele apresentou
para justificar sua ausência.
Um que foi apresentado após o seu retorno, não antes.
"Mãe morrendo. Venha. Dinorah."
Acho que Humberto merece uma chance
porque sua ausência foi justificada.
Ninguém pensa no trabalho quando recebe um telegrama
dizendo que a mãe está morrendo.
Eu não trabalho na brigada de Humberto.
Mas cada brigada tem uma meta
e todos temos que contribuir,
caso contrário não alcançaremos nossos objetivos para a revolução.
Alguém aqui
tem algo a acrescentar
a favor ou contra Humberto Sarría?
Não? Então ele tem a palavra.
Bem...
Quero que vocês saibam
que aceito sua decisão.
Se me mandarem para\Numa fazenda, tudo bem.
Mas uma coisa eu digo:
quando cheguei a Santiago,
minha mãe estava morrendo.
Passei quatro noites em claro na beira de sua cama,
ao lado dela.
O que digo pode ser confirmado pelos funcionários do hospital.
Vocês me conhecem. Sabem que sou despreocupado
e que gosto de me divertir.
Ninguém pode ser um bom trabalhador
ou um bom homem se não for um bom filho.
Sei que alguns de vocês estão contra mim.
Sei que alguns de vocês duvidaram da minha palavra
e ainda duvidam.
Para esses companheiros que ainda duvidam de mim,
quero repetir o que disse no início:
estou disposto a aceitar a decisão da assembleia.
É tudo.
Espere, camarada, você ainda não pode ir!
É tudo mentira! Você é louco!
Você deveria ter vergonha de mentir. Não respeita seus colegas.
Você está insinuando
que eu dei com a língua nos dentes porque só eu sabia, certo?
E quer saber?
Vou abrir o jogo aqui e agora!
Tudo isso sobre sua mãe é mentira! Ela nem sequer está doente.
Você estava com uma mulher!
Sei porque você me contou! Você estava com uma mulher!
Sua mãe morreu há anos!
Posso te enfrentar quando você quiser! Quando quiser!
É tudo o que tenho a dizer. Gostaria de sair agora.
Isso mesmo, fuja!
Ratificada pela assembleia a ociosidade de Humberto Sarría,
este conselho de trabalhadores invoca a Lei contra a Ociosidade,
Seção 1, Artigo 4 contra Ociosidade,
e determina que, pelos próximos seis meses,
devemos ficar de olho nele.
Apresentamos essa decisão
à assembleia para aprovação ou modificação.
Já ficou sabendo?
- Sim, Candito me disse. Você agiu certo. - É?
Então você gosta de informantes?
Fique calmo. Você agiu certo e ponto final.
Me disseram que você e eu nunca iríamos nos entender.
O que você tem? Vá atrás do seu amigo, se é o que você quer.
Eu o denunciei
e agi como uma mulher.
Você fez bem, cara.
Por que você, Yolanda e todos dizem isso?
Humberto é meu amigo.
Amigo, depois de tudo o que ele fez?
E o código moral? O código de um homem?
Que código, Mario?
Esse código já se foi há muito!
- O que acha que constitui um homem? - O que quer dizer?
Eu sou um homem!
Um homem defende os amigos.
- E o que é um revolucionário? - Eu sou!
Um homem que trabalha. Os homens fizeram a revolução.
Homens de verdade.
- Estou traumatizado. - Por quê?
- Porque estou. - Você estava antes, mas agora não.
Beba seu café.
Há coisas que precisamos dar significado
para entender como os homens pensam.
Quando os homens falam de suas mães,
têm que entender o que é uma mãe.
Alguns homens não sabem o conceito de mãe
até ser tarde demais.
Digo isso porque perdi a minha e sei o valor que elas têm.
Sei o valor de uma mãe.
Ele não deveria tê-la usado como desculpa para sair com uma mulher.
Usar uma mãe como instrumento é o cúmulo.
Humberto é um descarado.
- É um grande descarado. - Eu deveria saber, era amigo dele.
Ele me enganou daquele jeito.
Entende? Não há palavras para o que ele fez.
Um homem deve ter princípios.
Essas pessoas merecem ser desmascaradas,
quem usa outros trabalhadores como cortina de fumaça.
- Concordo completamente. - Ele é duas caras.
Mario falou para defender a revolução,
mas como homem, como indivíduo,
ele fez mal na assembleia.
Quando Humberto disse: "Sei que alguns de vocês estão contra mim",
Mario explodiu, pensando que Humberto o estava chamando de delator.
Havia algo entre eles.
- Mas todos merecem outra chance. - Certo, certo.
Está bem, mas espere...
É uma questão de princípios.
Esperem um segundo.
Todos calados! Nossa opinião é a mesma.
Escute, eu sou um revolucionário.
Você é meu amigo e um preguiçoso.
Mas antes de tudo, você tem que me respeitar como amigo,
homem e revolucionário.
Mas como revolucionário, não posso te deixar sair impune quando diz:
"Cara, são três horas e quero ir.
Você bate meu cartão, ok?"
Você tem que me respeitar, só isso! É uma questão de respeito.
Essa revolução é maior que nós dois
e estamos prontos para morrer por ela!
Deixe
Seu mundo que não te dá nada
Que não tem flores da manhã
Apenas barras para mostrar seu poder
Deixe
E nunca a deixe saber
O que você tem feito
Nunca a deixe saber do trabalho duro toda manhã
Se ela te mostrar a parte vazia
De um mundo cheio de mentiras
E se ela não
Te olhar
Diretamente nos olhos,
Deixe-a em paz
Deixe-a em paz
Com sua hipocrisia
Deixe-a em paz
Com sua hipocrisia
Deixe-a em paz
Com sua hipocrisia
Tradução: Débora Sousa
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.