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O que aconteceu?
O que aconteceu?
-Verônica... -O que aconteceu?
Pai!
O que aconteceu? Pai!
Pai!
Pai!
Pai!
Mãe! Acorda!
Acorda, mãe!
Alguém...
Eu tinha quanto tempo de polícia?
Você já era o cara, meu chefe.
Se não fosse você, essa medalha estaria hoje dentro de um caixão, sabia?
Relembrando os velhos tempos?
E também as velhas dívidas.
Achei isso aqui arrumando a bagunça no meu armário.
Essa sua filha aqui...
é uma policial incrível, viu?
É, mas quem ganha medalha é a Anita, viu, pai?
Ih...
Você não liga pra medalha.
Você é igual ao seu pai.
Tem sede de justiça.
Eu preciso ir.
-Tchau. -Tchau.
Fica bem aí, Júlio.
Parabéns, pai.
Shh!
Não fala, não, passarinha.
Shh!
Aquela mulher pendurada...
Não. Olha pra mim.
Isso não vai acontecer mais.
Hã?
Tá?
Boa tarde.
Posso ajudar?
Delegada Anita Bellinger.
É ali.
Eu te conheço.
O suicídio não foi aqui?
Eu te vi na TV.
Verônica Torres.
Com licença.
Verônica Torres, Homicídios.
- Verônica? - Janete!
Eu preciso que você venha me ver.
Agora não dá. Agora não posso.
Tem que ser agora, por favor.
Ele tá desconfiado de alguma coisa?
Eu tirei a caixa.
Eu tô indo praí.
Pronto.
Você precisa de um médico, Janete.
Depois do que eu vi, eu...
O que que você viu?
Na gaveta aqui da minha penteadeira, na do meio...
Aí no fundo. Em cima. Aí.
Eu vi vários.
- Você sabe o nome dessa aqui? - Jéssica.
E você viu a Jéssica assim?
Eu saí pra guardar os desenhos, aí eu vi uma luz numa casa
e tinha uma pessoa lá dentro com o Cláudio cuidando dele.
Você lembra como ela era?
Era uma senhora de 70 anos. Ela...
Ela...
Tinha um braço estranho, tava retorcido.
Parecia que tava manchado.
Manchado? Como?
De queimadura.
Ela me olhou de um jeito estranho, como se já me conhecesse.
Mas você nunca tinha visto ela antes?
O Brandão chegou a comentar alguma coisa com você sobre a família dele?
Você chegou algum dia a ver
algum álbum de fotos, qualquer coisa desse tipo?
Não?
Porque eu tô pensando aqui que esse sítio pode estar
no nome de algum parente dele.
Ele não tem ninguém.
Janete, você já sabe reconhecer os sinais dele.
Então é o seguinte:
quando você sentir que ele vai atacar, você me liga.
A gente vai seguir vocês até o porão.
Eu vou mostrar isso aqui pro delegado, e a gente vai tentar montar um flagrante.
Tá bom?
Você foi muito corajosa.
Mesmo.
Que mais que eu posso fazer?
Espera aí.
Tem um número que, se você digitar no celular,
vai aparecer um número grande na tela.
É o localizador. Qualquer celular tem isso.
Se você conseguir esse localizador,
eu consigo rastrear o celular em tempo real.
Mas toma cuidado.
Não se arrisca.
Tá bom?
-Desenhar não é crime, Verô. -E isso aqui?
Isso aqui é crime pra você?
Isso aqui é violência doméstica. Pra Delegacia das Mulheres.
Pra cá, só vem se ele matar a coitada.
Aqui, ó.
Deusa. Desapareceu desde que chegou do Maranhão.
Não foi vista por mais ninguém, só pela Janete. Jéssica.
Mesmo trajeto, história e testemunha.
Duas em um mês. E aí?
Tá aqui. É ele.
Porra, esse cara esteve ontem na delegacia, você sabia?
-Ou não sabia? -Sabia.
Sabe por quê?
Levantaram a ficha dele no sistema, e ele veio tirar satisfação.
A Anita teve até que inventar uma desculpa.
Eu só tava reunindo as provas, Carvana.
Uma mulher que apanha do marido pode perfeitamente
inventar essa história só por vingança.
-Pior: pode até ser cúmplice dele. -Ela é forçada, porra!
Você não entende? Esse cara é psicopata, um serial killer.
Serial killer é coisa de Hollywood, né?
A gente tem que armar um flagrante já.
Esse cara vai matar a Janete.
Ou vai matar você se fizer outra cagada. Né?
-Agora deixa eu fazer o meu. -Não, peraí.
Não me deixa de fora dessa, por favor.
Vou fazer do meu jeito, em sigilo, no meu tempo. Tá bem?
Oi, Tânia.
O juiz soltou o Gregório.
Alegou prisão indevida, flagrante armado.
Enfim, um bando de juridiquês pra soltar o filho da puta.
Calma. Foi só a audiência de custódia.
Ele pode responder em liberdade, mas tenho certeza...
Chega, Verônica. Você não tem certeza de nada.
Desculpa.
Não existe justiça nessa merda de país.
Essa é a verdade.
Encontrou o caminho de casa?
-Por favor, Paulo. -Era minha promoção no escritório, Verô.
Nunca sou prioridade pra você, tô sempre no fim da fila.
As crianças também estão sentindo a sua falta.
Desculpa, mas...
hoje não.
Então me fala quando. Como é que tá a sua agenda?
Não no aniversário do meu pai.
Meu Deus... Teu pai tá morto, Verô. A gente tá vivo.
Ah, não. Não tô acreditando que eu tô ouvindo isso.
Não tô acreditando.
Desculpa. Verô, desculpa!
Peraí, mãe, calma aí.
-Filho... -Fala.
-Deixa eu falar com você. -Pode falar.
Você acha que eu sou uma mãe muito ausente?
Não. Por quê?
Nada.
Você é a mãe mais foda que eu conheço.
Você não vai reclamar do palavrão?
Pra falar bem de mim, não.
Aí. A foto que faltava.
Jéssica.
A família tá desesperada atrás dela.
Tava aqui pensando na Janete, na Tânia, na Marta...
O que elas estavam procurando? Um príncipe encantado.
Acreditaram nessa historinha que contam pra criança.
Foda, né, cara?
Sociedade falocêntrica da porra, essa.
E agora?
Não sei o que fazer.
Tô me sentindo impotente, na verdade.
Que justiça é essa que solta um escroto que nem o Gregório?
Que deixa um monstro desse, que nem o Brandão, solto por aí?
Peraí, você acha que o Carvana vai engavetar o caso?
-Não sei nem se vai investigar. -Você pode fazer uma denúncia anônima.
Denúncia? Nelson, vou denunciar o quê?
Que o Brandão bate na mulher?
Isso não dá nem dois dias de cadeia.
Fora que a gente não sabe o que o maluco vai fazer com a Janete quando sair, né?
Enquanto isso, a coitada tá lá dormindo com o inimigo.
Não, eu preciso...
Eu preciso provar esses crimes.
Eu preciso de um flagrante e achar esse sítio. É isso.
E uma escuta?
Pra Janete?
Você fica monitorando.
Você conseguiria uma pra mim? Discreta.
Consigo.
De agente secreto.
Sabe do Carvana?
Não.
Vou esperar lá dentro.
- Você quer que eu ligue pra ele? - Não precisa.
-Você viu que o Gregório foi solto, cara? -E?
E... a justiça não foi feita.
Nosso trabalho não é fazer justiça.
E eu falo o que pras mulheres que ele enganou?
Pra tomarem mais cuidado da próxima vez.
Desculpa.
Tanta coisa pra fazer, que eu não consegui nem almoçar.
Verô, dá uma licencinha pra gente?
A Anita vai pegar o caso do Brandão?
Verô...
Não, só porque você sabe que ela não vai cuidar da Janete, né?
-Eu vou cuidar do caso. -Sabe que não é o perfil dela.
Não sou babá. Vou fazer as coisas do jeito certo.
Não vou pesquisar um tenente-coronel da PM no sistema, por exemplo.
Verô, facilita, tá?
Olha, dessa vez lembrou de mim! Não tá envenenado, né?
Isso é tudo que ela sabe?
Ela não vai esconder nada de mim.
-Essa escrivã é foda. -A Verô é um problema meu.
Ela não vai parar porque você mandou.
O caso tá na sua mão, leva pro lado que você quiser.
O Brandão não pode ser investigado, é peça-chave pra eles.
Ela não vai parar porque você mandou.
O caso tá na sua mão, leva pro lado que você quiser.
O Brandão não pode ser investigado, é peça-chave pra eles.
- Ele sabe que a mulher denunciou? - Nem pensar.
Ele mataria ela. Chamaria mais atenção ainda.
Então é deixar esfriar.
Se a Verônica insistir, vai pesar, Carvana.
- Vou dar meu jeito. - Tá na sua mão.
-O Brandão não pode ser investigado. -Leva pro lado que você quiser.
-Vou ter que dar meu jeito. -Então é deixar esfriar.
A Verô é um problema meu.
Melhorou?
Olha só. Hoje eu vou te mimar.
Hã?
Ah...
Dia longo hoje. Nossa...
Gostou?
Eu vou tomar uma ducha.
Olha só. Tá sem tapetinho.
Ah, vou colocar.
Aqui, ó. Peguei pra te entregar.
Não tá uma delícia?
Aquele óleo... Foi ela que te ensinou a fazer?
Quem era aquela senhora, vida?
Minha avó.
Ué...
Ela que me criou.
Sempre me falou que não tinha família, nunca me falou nada.
É que ela gosta de viver sozinha.
Não gosta muito de conversa com ninguém, não.
Mas nem comigo?
-E o braço dela? -Foi um acidente.
Ela sempre morou naquele sítio?
Não.
Bebi demais...
falei demais.
♪ Que mexe com a minha cabeça E me deixa assim♪
A nós dois.
Tô tomando remédio ainda.
A sua mãe morava com vocês?
Vem, vamos dançar.
-Vem dançar, vem. -Peraí, meu braço.
Vem, vamos dançar um pouquinho. Vem.
Tava com saudade, amiga?
Senta.
Nossa...
Já vi gente mais simpática até nas minhas geladeiras.
É tão grave assim?
Ficaram assustados. Tem gente na Federal de olho.
- Sabe que a mulher denunciou? - Nem pensar. Ele mataria ela.
Então é deixar esfriar.
Se a Verônica insistir, vai pesar, Carvana. Vou ter que dar meu jeito.
Eles sabem que você gravou isso?
Acho que não.
- Você devia apagar esse negócio. - Apagar?
Você tá falando pra eu apagar isso aqui?
Eu quero denunciar pro delegado geral, pra imprensa.
-Eu quero que todo mundo saiba! -Calma.
As pessoas são complexas.
Complexas e corruptas, nesse caso.
-Isso aí não dá uma denúncia. -"Tem gente na Federal de olho..."
Não tá claro o suficiente? Isso aqui não é uma prova?
Não, não é.
Se eles decidirem investigar, podem desistir no meio do caminho
só porque ele é um PM.
Civil detesta se meter com PM. Você sabe disso.
"O Brandão é peça-chave deles."
Quem são eles, Prata?
Você me falaria, não?
-Verônica... -Quem são eles?
-Me fala, Prata. -Me escuta.
Você tá sendo precipitada. Se você jogar esse áudio no ventilador,
vão acabar remexendo a sua história e descobrindo que o seu pai tá vivo.
-É isso que você quer? -Cara...
É isso.
O Carvana quer enterrar essa investigação junto com a Janete.
Daqui a pouco é a Janete na sua geladeira, eu tô avisando.
Eu preciso voltar pro trabalho. Eu tô atrasado.
Olha pra mim.
-Acalma o seu coração. -Que "acalma o seu coração"?
Ei! Esfria a cabeça. OK?
Olha pra mim.
Me leva lá no portão, abre pra mim.
Pra eu voltar depois.
-Tchau, passarinha. -Tchau.
Pode deixar. Deixa.
Alô?
-Você falou com o delegado? -Oi.
Falei, sim.
- Consegui o número que você me pediu. - Ai, ótimo. Então me fala.
É 3520...
66066...
09683.
Eu tô preocupada, porque tô sentindo que o humor dele tá virando.
Eu acho que vai ser logo.
-Taí. O IMEI do Brandão. -Deixa comigo.
Conseguiu o que eu te pedi?
Ah, o que que é isso, Nelson?
-Presente. -Não...
Tem dois quilômetros de alcance.
Só transmite o áudio, não recebe, mas pelo menos é bem discreta.
-Peraí... Isso aqui é a escuta? -É.
Caralho!
E isso aqui é o receptor.
- Onde é que você conseguiu isso? - Uma velhinha na Sta. Efigênia.
Dizem que é ótimo pra marido corno.
-Curtiu? -Te amo!
Verônica, tá me escutando?
Verônica.
Coloquei o brinco.
Eu gosto tanto de você quando você fica assim...
Tá tão linda,
cuidando da nossa casa...
Quando você se arruma pra mim...
O que foi?
Hum...
Aqueles ganchos...
Esquece isso, passarinha, esquece.
Cláudio, antes de me conhecer, você já fazia essas coisas
com essas mulheres?
A mulher da minha vida é você.
-Vida... -Você que é a mulher da minha vida.
Vida, se você gosta de mim, fala comigo. Eu preciso te entender.
O que você quer saber?
Você não me respondeu sobre a sua mãe.
Cada resposta, um beijo.
Minha mãe sumiu no mundo.
Me abandonou.
E o seu pai?
Meu pai...
Meu pai é um desgraçado. Não merece que a gente fale nele.
Um beijo.
Uma resposta, um beijo.
Qual é o nome dele, Cláudio?
Vem aqui.
Vem aqui, vem.
Não vou te machucar, não.
Vem.
Não vou te machucar, vem cá.
Peraí, gente, que que é isso? Batata frita em cima da mesa?
-Cadê o pai de vocês? -Não sei.
-Vocês já tomaram banho? -Não.
Então já pro banho. Vão.
- Fala, Verô. - Oi, amor.
Eu cheguei em casa exausta depois de um dia péssimo,
e as crianças estavam sozinhas em casa. Cadê você?
Verô, tô em reunião agora. É urgente?
Péssima hora pra se vingar, Paulo.
Quando eu chegar, a gente conversa, tá? Tchau.
Ela não vai parar porque você mandou.
O caso tá na sua mão. Você leva pro lado que quiser.
Brandão não pode ser investigado, Carvana. É peça-chave pra eles.
-É, sim, filha. -Eu tenho certeza que não é assim.
Relaxa, tá bom? Rafa, quando começou... Rafa, fala pra sua irmã.
Só faltava afundar que nem pedra na piscina. É!
- Bom dia, mãe. - Bom dia, meu amor.
E aí. Varou a noite?
Bom dia.
Fiquei te esperando na cama.
Verô, uma hora, a máquina pifa.
A Marta eu já perdi. Agora tem outra mulher precisando de mim.
Você abriu o escritório?
As coisas que eu fiz, as coisas que aconteceram comigo...
Tudo isso ajudou a formar quem eu sou.
Eu não posso ficar fugindo desse passado pra sempre.
E o meu pai sempre me ensinou a buscar justiça,
a ajudar as pessoas, e é isso que eu tô fazendo agora.
Sei lá, eu acho que ele ia ficar... orgulhoso de mim.
Queria ter conhecido os seus pais.
Deu certo. A escuta funcionou.
Ei, ô!
Que foi, cara? Que cara é essa?
Não conseguiu rastrear o celular do Brandão, foi isso?
Pô, Nelson... Esse assunto é urgente!
Verô, acho melhor parar de fazer essas coisas.
Você é escrivã, eu sou só o garoto da informática...
Eu preciso desse flagrante!
A Janete tá contando com isso.
Você falou: se não fosse o Carvana, seria impossível.
Foi ele?
Ele te proibiu de me ajudar. Foi isso?
Tomei um baita esporro, porque o tal do Brandão apareceu aqui.
Diferente de você, não tenho o dindo pra me proteger.
Ele corta a minha cabeça.
Verô...
Verô!
Quer um uisquinho?
Vamos sair pra jantar?
Um jantarzinho tipo pai e filha, como a gente fazia antigamente?
Não tô no clima.
O que tá pegando?
Eu que te pergunto.
Senta.
Como é que tá o caso Brandão?
Eu tô em cima da Anita.
O localizador do celular é o jeito que a gente tem de saber
pra onde ele leva a Janete depois da rodoviária.
Peraí, Verô. Para com isso, né?
Para com isso?
E as mulheres desaparecidas? E se ele mata a Janete?
Quantas mortes você consegue carregar nas costas, Carvana?
Olha, eu tô faminto, você deve estar também.
Que tal um italiano, um árabe...
Você não vai me comprar com uma merda de um jantar!
Quando você deixou de mandar na delegacia e virou um escroto?
Peraí. Eu te tenho como uma filha.
Mas isso não te dá o direito de falar desse jeito comigo.
Deixa eu te falar uma coisa: você não é o meu pai.
Você é um merda.
Você é só um velho covarde. Você é um corrupto!
Desculpa.
Agora, não, Cláudio.
Vai se vestir.
A gente tá indo pra rodoviária.
Verô, me desculpa.
-Eu sei que eu errei. -Merda!
-Não tô achando minha chave. -Aonde é que você vai?
Oi. Vai no meu carro. Ei!
Vai no meu carro.
Ai!
Desculpa.
Desculpa.
A gente tá precisando de uma empregada,
e me disseram que aqui é o melhor lugar pra encontrar.
Senhora, não tô precisando. Obrigada.
Desculpa, mas é que eu ouvi a senhora. É que eu tava procurando um emprego.
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