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Me tira daqui!
Socorro!
Me tira!
Socorro!
Me tira daqui!
Me tira daqui, me tira!
Tira daqui! Me tira daqui. Alguém me ajuda!
Me tira daqui!
- Vem. - Me tira daqui!
Me tira daqui! Tira!
Tem um degrau. Isso.
Bota a caixa, passarinha.
Eu tô sendo cobrado por todo mundo!
Aí você me inventa uma entrevista, porra?
Uma puta de uma cagada!
E tudo isso pra quê?
Pra quê? Pra nada!
Pode ir.
Verônica?
Eu te vi na televisão.
Eu também fui pega no Amor Ideal.
Quando eu acordei, ele...
Ele tinha levado tudo.
Até meu sapato.
O sapato?
Tem certeza que não perdeu no caminho de casa?
Em que site você conheceu o Felipe?
É "Filipo".
- Amor Ideal. - Mais alto, por favor.
Amor Ideal.
Amor Ideal.
E é um hábito seu sair com homens que você conhece na internet?
Não foi a primeira vez.
Não.
Não.
Não pode fumar aqui dentro.
Depois de um tempo conversando no site, ele te convidou pra sair.
-Aonde vocês foram? -No Bella Mare de Pinheiros.
E quanto você bebeu?
Eu não sei.
Mas você bebeu?
Eu não lembro.
Eu não lembro.
Ele deve ter botado alguma coisa na minha bebida.
Vamos fazer um exercício de memória, Tânia.
A sua roupa. Arrumada, imagino?
Decote, batom vermelho, salto alto...
Eis que o bonitão do site te recebe com uma garrafa de vinho.
E você não vai tomar uma tacinha pra relaxar?
Licença!
Você falou "Filipo"?
Isso.
Não é "Felipe", é "Filipo"?
Filipo. P-O.
- Pra Marta, ele usou Pietro. - Ele falou que era italiano?
-Sim, de Genova. -E você acreditou?
E o que que o bonitão te prometeu?
Cidadania europeia?
Não, olha só...
Ele não me prometeu nada.
Ele...
Ele me escutou.
Esquadrão antibomba chamando mamãe.
-Qual é a bomba? -Sua filhota.
Não quer sair do vestiário.
É...
Ela não quer fazer natação. Não adianta forçar a barra, Paulo.
É importante pra ela fazer algum exercício, não é?
Então. É importante.
Se ela não gostar da aula, aí sim, enfim...
Não insisto mais, tá?
E aí, vamos nadar?
Hoje, não, mãe.
-Que foi, filha? -Ai, a barriga tá estranha.
Não tem nada de estranho com a sua barriga, não.
Você não tá se sentindo bem?
Tá bom. A gente pode ir pra casa.
Obrigada.
Quem foi que fez esse desenho, filha?
- Foram os amigos do Rafa. - Os amigos do Rafa?
E o Rafa?
- Ajudou. - Ah, tá.
-Você não faz nada pra defender sua irmã? -O que você quer que eu faça?
Arrume treta com a equipe de natação inteira?
Vá se vestir. Tá de castigo.
-Mãe, mas e o treino... -Não adianta olhar pro seu pai.
Vai, Rafa. Vai se vestir, Rafa.
Eu te odeio.
Bom dia.
Dormiu muito hoje.
A moça...
Deixa pra trabalhar depois do almoço.
Eu saio mais tarde.
A moça, Cláudio. Ela vai ficar bem?
Eu soltei ela.
Como eu faço com todos os passarinhos.
Vamos lá. 1,80m.
Caucasiano, trinta e muitos anos.
Cabelo curto, liso.
E aí? Tudo bem?
Verônica vai acompanhar?
-Se não for atrapalhar... -Não. Por favor, fica.
Eu vou ficar.
O formato do rosto dele. Você lembra?
Era mais triangular, quadrado, arredondado?
- Rosto angulado. - Assim?
É...
Por que você não tenta me contar como se fosse pra uma amiga?
Vamos lá. O Filipo é um homão, sabe?
Assim?
É.
- E os olhos? - Eram claros.
Mais redondos, mais finos?
Não. Menos.
Tenta ver o conjunto assim, sabe? Olho, sobrancelha.
Era mais ou menos... É...
Me fala do olhar dele.
Bom, quando a gente se viu pela primeira vez,
parecia que ele já me conhecia antes.
O olhar dele era intenso, profundo.
Tenta um maior.
Parecido com esse, mas maior. Era assim.
O formato da boca.
Tenta lembrar se tinha bigode, se não tinha, se era ralo...
Um bigode ralinho. Um pouco mais fino.
Espera. Era isso.
Era isso. Esse é o Filipo.
Imagina. Eu que te agradeço.
Eu sei que não foi fácil você vir até aqui.
E ainda tem gente que deixa tudo mais difícil, né?
Nossa...
Eu nunca me senti tão humilhada como ontem...
Mas eu sabia que você era diferente.
- Tamo junto. - Obrigada.
Eu posso te fazer mais algumas perguntas?
Claro.
Você chegou a trocar fotos com o golpista?
-Não. -Não?
Não. Só áudio e texto.
Nunca mandou pra ele nenhuma foto mais sensual?
Uma polaroide?
-Eu acho que preciso ir embora... -Espera. Eu te entendo.
Eu sei que pra você tá quase impossível falar desse assunto agora.
Lembrar que você foi enganada, machucada.
Eu também sei que é difícil pra você confiar em qualquer pessoa
depois disso tudo que aconteceu.
Mas confia em mim.
Eu quero te escutar.
Foi ele que tirou.
Eu tava dopada.
Ele deixou no espelho pra me ameaçar.
Mais uma assinatura do golpista.
-Nunca viu mulher pelada, Lima? -Desculpa, doutora.
Além de usar nomes falsos, sempre bancando italiano,
o golpista ainda tira fotos na noite do Boa noite, Cinderela.
Eu vou levar pra perícia, então.
Põe no relatório que é a assinatura do golpista.
Assinatura? Não seria modus operandi?
O que é? Não entendi, escrivã Verônica.
-Fala mais alto, por favor. -Não, nada. Deixa pra lá.
Não, não. Por favor. Começou, termina.
Tá. É porque essa foto tem uma função bem clara.
É um cala-boca na vítima. Pra ela não denunciar.
Modus operandi, então.
Você foi no apartamento da vítima?
Sim, doutora. As câmeras do prédio não gravam
e não tem porteiro à noite.
-E a trattoria? -A conta foi paga em dinheiro vivo.
-Zero câmeras por lá. -E nas oitivas, nada?
Nada fora do normal.
Agora o normal é uma mulher sair dopada de um restaurante.
Lima, acompanhe a vítima no corpo de delito.
Vamos trabalhar!
Doutora, licença.
Eu gostaria de ajudar mais no caso.
Ótimo! Tem uma coisa importante que eu quero que você faça.
-Olha o que a desgraça deixou pra mim. -Pelo menos, é a documentação do caso.
Burocracia do caso.
Foi arrumar treta com a delegada...
Desculpa, mas não tenho sangue de barata.
A assinatura é fetiche. Isso aqui, ó...
Isso aqui é business.
Peraí... Você tá querendo dizer que ele tira as fotos e vende?
Você não é o hacker da casa?
Vou dar uma geral na deep web.
Vida...
Quebrou.
Não tem problema, não.
A gente compra mais depois.
Beber sem brindar...
sete anos sem trepar.
Ah, meu amor, a minha vida sexual tá ótima.
O problema é o resto.
E aí, o que que manda?
Presentinho pra você.
Sua amiga delegada mandou um jagunço atrás disso,
mas eu te garanti exclusividade, baby.
O Boa noite, Cinderela do cara é caseiro.
Quase o mesmo efeito de um sedativo comum.
Quase? Qual é a diferença?
O dele leva um ácido pesado.
É por isso que dá essa queimadura horrorosa aí nos lábios.
Um sádico que marca as suas vítimas.
É, meu amor, mas, se ele errar na dose...
a Cinderela pode não acordar mais.
Nesse caso, passa de lesão corporal pra tentativa de homicídio.
E você ainda se surpreende?
É cada coisa que aparece na minha mesa de trabalho. Se você visse...
Achei o cara.
O nome dele é Lucca. Ele se diz colecionador de fotos
e fica tirando onda num fórum da deep web. Olha isso.
Caramba! Olha aqui!
Desgraçado!
Rastreia o IP do babaca pra mim.
E, Nelson, deixa isso só entre a gente por enquanto, tá bom?
Verô...
Ele tá agora numa academia lá em Moema.
Essas informações valem um jantar, hein?
Tá fechado.
Eu li na porta que fechava às 18h.
Pois é. Mas hoje a gente vai ter que fechar mais cedo.
Volta amanhã.
Tá bom.
Que porra é essa?
Polícia!
-Estuprador de merda! -Piranha, você tá louca?
Sabe o que fazem com gente como você na prisão? Sabe?
O cara tinha um álibi.
Estava viajando com a mãe.
Para... Que merda!
E os frascos na mochila?
Anabolizantes.
Ele não era o golpista.
No máximo, comprava umas fotos e alguém publicava.
Ô, Ninica, você botou o filho da puta no xadrez.
Pode não ser o filho da puta que a gente queria,
mas é um filho da puta igual.
Tchau, passarinha.
Vida, lanchinho.
Eu gosto quando você faz as coisas assim, direito.
Quando você capricha.
Rafa! Tá na hora, filho.
Vamos lá.
Que você tá fazendo?
Nada.
Eu vi você tentando abrir essa porta.
Eu quero saber o que tem aqui dentro.
Tem nada, não, filho.
Por que você não deixa eu entrar?
Porque é um...
lugar velho, cheio de coisa velha, empoeirada.
Vem! Você está atrasado pro colégio.
Você fica me tratando que nem criança.
Eu sei que o vovô e a vovó morreram aqui dentro.
Que saco, eu não sou mais um bebê!
Filho...
Alguém me ajuda!
Mãe!
-Oi, Carvana. -O delegado geral tá indo pra delegacia.
- Agora? - Corre pra lá.
Tá bom, tô indo.
Este número de telefone não possui créditos
para realizar esta chamada.
Delegacia de Homicídios.
- Dona Verônica? - Quem gostaria?
Meu nome é Janete Cruz.
Peraí. Dona Janete, a...
Verônica não está. Quer deixar algum recado?
Eu vi a entrevista dela na TV...
Ah, sim. Vou anotar o recado.
Seu número de telefone, por favor?
Tem certeza que o delegado geral me chamou pra essa reunião?
-O que ele quer comigo? -O Beto não adiantou o assunto.
Nem uma dica?
-Verô... -Agora não, Altair!
A dica é: "Verô, acorda! Para de dar entrevista na TV."
Essa que é a dica. Vem.
Beto! Mas que surpresa.
Desculpa o atraso. A gente pegou trânsito pra chegar aqui.
Sem problemas, Wilson.
Não se preocupe que eu não toquei no seu joguinho, não estraguei nada.
-E você, como vai? -Tudo bem?
Verônica.
Pode ficar na minha cadeira. Aqui é a sua casa.
Obrigado.
Olha, minha gente, a imprensa tem me pressionado bastante
sobre o caso da suicida.
Meu telefone não para mais. Tá um Inferno.
- É, eu tô sabendo. - É horrível.
-Com licença. -Ô, delegada.
Que timing ótimo, hein? Por favor. Quais são as novidades do caso?
Uma segunda vítima e um retrato falado.
A gente já tem um rosto e já entendeu o modus operandi do golpista.
Ele deixa uma foto pra coagir as vítimas e vende as outras na internet.
-E faz um bom dinheiro com isso. -E quem é o principal suspeito?
A gente ainda não tem, mas estamos trabalhando pra isso.
Então é hora de a gente reforçar essa equipe, não é?
Que tal se a gente utilizasse a Verônica nesse caso?
Como preferir, doutor.
-E qual é o próximo passo? -Divulgar o retrato falado.
Eu acho que retrato falado nunca é uma coisa muito precisa, né?
Ainda mais num caso desses, de Boa noite, Cinderela,
onde a vítima é dopada.
Com toda essa repercussão, pode ser perigoso.
Pode ser até que um inocente seja linchado na rua.
Tá. Reunião encerrada.
-Eu te acompanho, doutor. -Obrigado.
Ainda bem que ele não comeu o meu fígado nem o seu, né?
-Você devia adestrar sua cria. -Como é que é?
Fala pra ela que nosso trabalho funciona em equipe,
com cooperação, com respeito à hierarquia.
Divulgar retrato falado num caso desses é um erro.
Erro é achar que uma escrivã vai resolver esse caso sozinha.
Você não tem estrutura emocional pra lidar com suicídio.
Todos sabem o que você fez quando o seu pai morreu.
-Que que é? -Epa!
-Cuida da sua cria. -O que você falou?
-Que que é? Sua cria. -Me solta!
O que é isso?
-Tem que ser mais diplomática! -Ela tem que parar de ser babaca.
Olha, eu tô na hora de aposentar.
Ela é favorita pra ficar no meu lugar.
Peraí.
Depois, quem é que vai cuidar das cagadas que você fizer por aqui?
E aí?
Anita jogando baixo, pra variar.
Usou o meu pai pra me provocar.
Escrota.
Verô, eu sei que a gente se conhece há pouco tempo
mas eu acho que a gente já tem alguma intimidade, né?
Eu andei pesquisando bastante sobre o seu pai.
O que rolou, hein?
Ele foi acusado de ser corrupto,
a corregedoria chegou com um mandado de prisão,
ele atirou na minha mãe e depois...
Você sabe...
por que ele atirou na sua mãe?
Ele se matou depois de ter matado ela.
Eu nunca tive a chance de perguntar.
E aí, logo depois, você fez isso?
Desculpa.
Mas é com você que eu me preocupo.
Imagino que não deve ter sido fácil.
Verô,
eu sei que você quer muito pegar esse golpista.
Só que eu andei pensando, e sinceramente não sei
se estou te ajudando ou prejudicando fazendo as coisas que você me pede.
-Isso aqui já passou, tá bom? -Ei!
Eu tô do teu lado.
Aqui, ó.
Uma tal de Janete ligou pra delegacia atrás de você.
Parece que te viu na TV...
Não quis deixar recado comigo.
Peguei o número no registro das chamadas.
Obrigada.
Quer uma carona?
Não precisa.
-Alô. -Janete?
É a Verônica Torres.
-Eu não posso falar agora. -A gente pode conversar na delegacia.
Eu vou ter que desligar. Se ele me pega no telefone...
Ele tá no quarto.
Quem era?
Nada. Vendedor chato.
Vendedor?
E vendedor liga de noite?
Nelson, levanta o endereço da mulher que deixou recado?
Janete, né?
Verô, rua Floriano Graça, 172.
Vida, por favor. Aqui, vamos!
Hein? Ninguém vai ver!
Cláudio, olha isso aqui, ó.
Parou.
Parou, parou.
Parou. Vamos.
-Não, vamos nessa. -Não quero ir.
- Vamos embora. Você bebeu muito. - Não quero!
Vou passar um café pra gente rapidinho.
Passa.
Eu ia jogar fora.
Eu juro por Deus que ia jogar fora...
Engole.
Vida, por favor, eu ia jogar fora.
Engole agora!
-Não... -Engole agora!
Abre a boca.
Abre a boca!
Abre a boca.
Mostra a língua.
Oi. Tá tudo bem?
O marido dela é tenente-coronel da PM. Brandão, o sobrenome.
Preciso do nome dele completo. Puxa no sistema.
E eu preciso dos plantões dele também.
Tem a ver com o caso da Marta?
Talvez não, mas pode ser bem pior.
Oi. Eu sou Verônica Torres.
Delegacia de Homicídios.
Eu sei que o seu marido não tá em casa.
Eu quero ouvir a sua história, Janete.
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