Akan
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
MOSFILM
Quarta Uni�o Art�stica
Qual � o teu nome completo?
O meu nome � Iuri Jari.
Donde vens?
Venho da cidade de Kharkov.
Onde estudas?
Estudo numa escola t�cnica.
Vamos tentar curar-te.
Olha s� para mim.
Fita-me nos olhos.
De frente.
Vira-te de costas.
Concentra toda a tua aten��o na minha m�o.
A minha m�o puxa-te para tr�s.
Volta as m�os.
Concentra-te. Toda a tens�o passa para as tuas m�os.
As tuas m�os est�o tensas.
Concentra toda a tua vontade, todo o teu irresist�vel desejo
de vencer nas tuas m�os.
As tuas m�os est�o cada vez mais tensas.
As tuas m�os est�o tensas. Mais.
Olha para os teus dedos. Os teus dedos est�o tensos.
Toda a tens�o que tens aqui passa para os teus dedos.
Olha para as tuas m�os. Lura, concentra-te.
Quando eu disser tr�s, as tuas m�os ficar�o imobilizadas.
Um, dois, tr�s! As tuas m�os est�o im�veis.
N�o podes mexer as m�os.
Fazes um esfor�o para mexer as m�os, mas n�o consegues.
Custa-te muito fazer um movimento.
Quando eu anular esta tens�o,
falar�s alto e bom som!
E assim falar�s inteligivelmente durante toda a tua vida.
Olha para mim.
Eu tiro a tens�o das tuas m�os e da tua fala.
Um, dois, tr�s!
Alto e bom som: Eu sei falar!
"O ESPELHO"
Margarita TEREKHAVA nos pap�is da M�e e de Nat�lia
Argumento: Aleksandre MICHERINE e Andrei TARKOVSKI
Realiza��o - Andrei TARKOVSKI
Fotografia - Gueorgui RERBERG
Cen�rios - Nikalai DVIGUBSKI
M�sica - Eduard ARTEMIEV
Som - Semion LITVINAV
Legendagem em portugu�s - Alexandre BAZINE
No filme participaram:
I. DANILTSEV, L. TARKOVSKAIA, A. DEMIDAVA
A. SALANITSINE N. GRINKO
T. AGARODNIKAVA I. NAZARAV, O. IANKOVSKI
F. IANKOVSKI, I. SVETNIKAV, T. RECHETNIKAVA
A voz do autor - I. SMAKTUNOVSKI
Versos - Arseni TARKOVSKI ditos por ele mesmo.
Trechos musicais de Bach, Pergol�se, Purcell
O ESPELHO
O caminho, que come�ava na esta��o, cruzava a aldeia de Ignatieva
e virava um pouco antes de chegar � nossa pequena quinta,
onde, antes da guerra, pass�vamos todos os Ver�es.
Depois, adentrava-se no cerrado carvalhal e corria para Tomchina.
Qualquer viajante via-se da nossa casa
mal alcan�ava o arbusto que se erguia no meio do campo.
Se, ao atingir o arbusto, derivava para a nossa casa, era o meu pai;
se n�o o fazia, � que n�o era o meu pai,
e nunca viria.
Desculpe, � o caminho para Tomchina?
N�o devia ter virado no arbusto.
- Mas... porqu�... - Porqu�, o qu�?
O que faz aqui sentada?
- Moro aqui. - Onde? Na cerca?
Que quer saber, afinal? Como se vai para Tomchina ou onde moro?
Trago todos os instrumentos, mas esqueci-me da chave.
N�o tem um prego ou uma chave de parafusos?
N�o tenho pregos.
Porque est� t�o tensa?
D�-me a sua m�o. Sou m�dico.
N�o me deixa trabalhar.
Quer que chame o meu marido?
N�o tem marido nenhum. N�o tem a alian�a.
Ali�s, hoje, poucos usam alian�a. Talvez s� os velhos.
N�o me empresta um cigarro?
Porque est� t�o triste?
E porque est� o senhor t�o animado?
� um prazer cair com uma mulher t�o atraente.
Ca�, e que vejo eu... Ra�zes, arbustos...
Nunca lhe pareceu que
as plantas tamb�m sentem, pensam, raciocinam at�?
As �rvores, a aveleira...
- Isto � um amieiro. - Tanto faz.
Est�o calmos. Livres da correria,
da az�fama. Tamb�m das banalidades. Tudo isto s� a n�s respeita.
Porque n�o acreditamos na natureza que est� em n�s.
Sempre desconfiados, agitados.
Sempre sem tempo para pensar.
N�o lhe parece que...
Isso n�o me amea�a. Sou m�dico.
E A Enfermaria N� 6?
Foi inven��o de Tchekhov!
Venha visitar-nos a Tomchina. As nossas festas s�o boas.
Tem sangue!
- Onde? - Atr�s da orelha!
Cada um dos nossos encontros
Foi para n�s uma apari��o divina -
Em todo o mundo s�s.
Audaciosa e �gil qual passarinho.
Pela escada abaixo corrias,
Como uma vertigem, por dois degraus pulando e o lil�s molhado perfurando,
E no teu feudo, atr�s do espelho, te escondias
A noite chegou,
E com um obs�quio me agraciou,
O port�o de altar abriu,
E na escurid�o a tua divina nudez luziu.
Bendita sejas! - disse � vis�o
Que para mim se inclinou.
Era ousada a minha bendi��o
Que me acordou, pois estavas a dormir.
E o lil�s sobre a mesa, te estendeu a flor da sua m�o,
Para com ela o teu rosto cobrir.
As tuas p�lpebras dormiam, calmas,
Enquanto
Na esfera de cristal pulsavam rios,
E montes fumegavam,
E mares a costa fustigavam.
E a esfera, tinhas tu na m�o, Deitada na tua soberania.
E, Deus meu! Tu eras minha!
Acordaste, e o vocabul�rio corrente
Da Humanidade mudou,
Encheu-se de for�a viva a fala mundana
E a palavra tu
Um novo significado conquistou: Rainha, minha dama!
No mundo mudou tudo, at�
As coisas simples: A bacia e a bilha - quando,
Qual sentinela, em s�lidos estratos,
A �gua fluiu, nos separando.
Desconhecemos a for�a que nos uniu,
E s� sabemos que as cidades, por um milagre constru�das,
Qual miragem, perante n�s abriu;
A hortel� ca�a aos nossos p�s,
E p�ssaros nos acompanharam com timidez
Os peixes da �gua saltando nos saudaram,
Os c�us aos nossos olhos se rasgaram,
Quando o destino nos foi seguir a pista,
Qual um man�aco de l�mina em riste.
Ai, meu Deus! D�nia!
Que �, Pacha?!
Um inc�ndio, mas n�o berrem.
P�e-te a pau!
Vitka, n�o estar� l�? E se ele ardeu?
Onde est� Klanka?
O qu�?
Pap�!
- Aleksei? - Ol�, m�e.
Que tens com a voz?
Nada de especial. S�o anginas.
H� tr�s dias que n�o falo com ningu�m.
At� gostei de andar calado.
As palavras n�o t�m capacidade
de traduzir sentimentos. As palavras s�o moles.
Sonhei contigo.
Como se eu fosse uma crian�a...
A prop�sito, quando nos abandonou o meu pai?
Em 1935. Porqu�?
E o inc�ndio? Lembras-te? Quando ardeu o palheiro?
Tamb�m em 35.
Deixa-te de perguntas tolas.
Sabes... Liza morreu.
Trabalhei com ela na tipografia.
- Meu Deus! Quando? - Hoje de manh�. �s 7 horas.
E que horas s�o? Que dia � hoje?
- S�o quase seis. - Da manh�?
Que se passa contigo? Da tarde.
M�e, porque anda a gente sempre � bulha?
Perdoa-me, se tenho alguma culpa.
Tipografia. A seguinte: Serpukhavskaia.
Que pressa � essa?
Bom dia.
Onde est�o as provas que eu li?
Sei l�. Um momento.
Est�o aqui, lelizaveta Pavlavna.
Mar�ssia, que aconteceu?
H� alguma coisa com as provas?
Na edi��o oficial? Calma!
V� no arm�rio.
N�o deve haver problema.
� a edi��o oficial!
Nenhuma edi��o deve sair com gralhas.
Cala-te, idiota.
- Que aconteceu? - Nada de importante.
S� quero ver, conferir... Pareceu-me...
Tem calma.
Quero verificar sozinha.
Toda a gente tem pressa!
Acha que eu tenho medo?
Claro, o medo � para os outros, n�o �?
Que trabalhem, que tenham medo.
Ent�o, que aconteceu?
Se j� aconteceu, nada a fazer. Estivemos a imprimir toda a noite...
Esperei-te ontem toda a manh�,
Sabiam eles que tu n�o vinhas.
Mas o tempo, sabes?
Estava uma maravilha!
Mas hoje, quando est�s aqui,
Fizeram eles um dia escuro,
Com a chuva.
E pelos ramos frios as gotas deslizam,
E nada, nem as palavras, nem o len�o as paralisam...
Ent�o? Tudo bem?
Tudo bem... Seria uma gralha clamorosa.
Porque est�s a chorar?
At� vi a palavra impressa.
Qual palavra
Ora, essa!
� �lcool. � pouco, mas vem a calhar.
Est�s toda molhada, espantalho!
De fato, estou toda molhada.
Vou tomar um banho. Onde est� o meu pente?
Sabes quem me fazes lembrar?
- Quem? - Maria Timafeievna.
Que Maria Timafeievna?
Toma. Querias o pente.
Que Maria Timafeievna? Diz-me!
A irm� do capit�o Lebediakine. N�o te lembras?
Est�s assombrosamente parecida a essa tal Maria Timafeievna.
Em que sentido?
Dostoievski � sempre Dostoievski... Quer o queiras quer n�o.
O qu�?
Lebediakine, traz �gua!
Mas, em vez de lhe levar �gua, o irm�o batia-lhe.
N�o compreendo. Explica.
Toda a tua vida � traz �gua!
Arremedos de independ�ncia.
Quando n�o estiveres de acordo com alguma coisa,
fazes de conta que essa coisa n�o existe.
Que est�s para a� a dizer?!
Admiro a paci�ncia do teu ex-marido.
Eu teria fugido muito antes.
N�o me lixes!
Nunca aceitas a culpa. At� a mais �bvia! Nunca!
Tu pr�pria � que criaste esta situa��o!
Se o teu caro marido n�o caiu neste estado
absurdo, emancipado,
� porque deu � sola a tempo.
Far�s os teus filhos infelizes. Podes ter a certeza.
Chega de palha�ada!
Vem c�, Macha!
Deixa-me em paz!
Ao passar metade da vida em terra,
Perdi-me nas sombras da floresta...
Sempre disse que te pareces com a minha m�e.
Foi por isso que nos separamos?
Ignat come�a a parecer-se contigo! Isto horroriza-me.
Horroriza-te, porqu�?
Nunca soubemos falar como gente civilizada.
Mas quando recordo a inf�ncia e a minha m�e,
vejo-a sempre com o teu rosto. Por que ser�?
De resto, eu sei por qu�.
Tenho igual pena de ambas: De ti e dela.
Porqu�?
Ignat, deixa o copo em paz!
Nunca te dar�s bem com ningu�m.
Pode ser que n�o.
N�o leves a mal, mas est�s convencido, n�o sei por que raz�o,
que o pr�prio fato da tua exist�ncia ao lado de algu�m,
� uma d�diva do c�u.
N�o fazes mais que exigir.
� porque fui educado por mulheres.
Se n�o queres que Ignat seja assim,
casa-te o mais depressa poss�vel.
- Com quem? - N�o sei.
Ou d�-me o Ignat.
Porque n�o fizeste as pazes com a tua m�e? A culpa foi tua.
Qual culpa?
Ela julga saber melhor do que eu como eu devo viver
e onde est� a minha felicidade.
Quanto � minha m�e, sinto isso mais do que tu.
Sentes o qu�?
Estamos a divergir,
e n�o h� nada que eu possa fazer.
Nat�lia, distrai-o! Quer falar de Espanha.
Vai dar mais uma bronca.
Queria pedir-te uma coisa... Estamos em obras.
Ignat queria viver contigo uma semana.
Fico muito contente.
Que est� ele a contar?
Est� a representar o famoso matador Palomo Linares.
O que mais o impressionou foram as despedidas.
A cidade em peso despediu-se dele, cantando e dan�ando.
A minha m�e n�o foi despedir-se de mim porque estava doente.
O meu pai estava triste e soturno.
Dei-me conta, ent�o, de que est�vamos a pensar a mesma coisa:
Voltar�amos a ver-se?
Est�s a gozar comigo?
Ensinei-te durante tanto tempo, e nunca dan�aste nada.
De repente, come�as a dan�ar muito bem!
Estive em Espanha e n�o compreendi nada.
Gostaria de voltar para Espanha?
N�o posso, o meu homem � russo.
E os filhos tamb�m s�o russos.
Eu falo com ela!
Ignat!
Anda c�! Vou-me embora.
� sempre a mesma coisa, sempre com falta de tempo...
N�o arrumes, d�mos assim mesmo!
- Senti uma descarga. - Que descarga?
Tenho a sensa��o de ter vivido isto...
Por�m, estou aqui pela primeira vez.
Passa-me o dinheiro e deixa-te de fantasias.
Limpa aqui.
N�o toques em nada.
Diz a Maria Nikalaievna para ela me esperar.
Entra. Bom dia.
Mais uma ch�vena para o mo�o.
Por favor, vai buscar o caderno que est� na terceira estante.
L� a p�gina marcada com a fita.
Perguntado sobre a influ�ncia das ci�ncias e artes sobre
usos e costumes, Rousseau disse ser negativa.
L� o que est� assinalado a l�pis vermelho.
Apesar de que... N�o � isso!
O div�rcio das Igrejas separou-nos da Europa.
N�o participamos em nenhum
grande evento dos que a abalaram.
Mas tivemos a nossa pr�pria predestina��o.
A R�ssia, com as suas imensas vastid�es,
absorveu a invas�o mong�lica. Os t�rtaros n�o se atreveram
a transpor as nossas fronteiras ocidentais.
Voltaram aos seus desertos,
e a civiliza��o crist� foi salva.
Para assim ser, assumimos uma exist�ncia especial,
a qual, preservando-nos como crist�os,
tornou-nos estranhos ao mundo crist�o.
No que diz respeito � nossa insignific�ncia hist�rica,
neste particular discordo do senhor.
N�o lhe parece que a R�ssia atravessa hoje
uma fase muito significativa,
que excitar� a imagina��o dos futuros historiadores?
Apesar de me sentir profunda e cordialmente ligado
ao imperador, n�o posso aclamar tudo o que vejo em meu redor.
Como literato, sinto-me irritado e ultrajado;
mas nunca, juro, me passou pela cabe�a
trocar a minha P�tria, trocar a minha hist�ria,
abdicar da hist�ria dos nossos antepassados,
tal como nos foi dada por Deus.
Da carta de Puchkine a Tchaadaiev. Aos 19 de Outubro de 1836
Abre.
Desculpa, enganei-me na porta.
Ignat, como est�s?
Maria Nakalaievna n�o est�?
N�o... S� uma velhota... se enganou na porta.
N�o tens que fazer? Convida os teus amigos.
Tens amigas?
Da minha classe? E se tivesse?
Na tua idade, j� me apaixonara... Foi durante a guerra...
Era ruiva... E tinha os l�bios sempre rachados.
O nosso instrutor militar arrastava-lhe a asa. N�o regulava da cabe�a.
Est�s a ouvir-me?
Para onde disparaste? Achas que eu n�o vi?
Disparaste para cima.
Porqu�? N�o est� l� ningu�m!
E se estivesse?
L� s� h� �rvores.
E se estivesse algu�m na �rvore?
Volver! Eu disse volver!!
Pousa a espingarda no ch�o.
Foi o que fiz.
Conheces o regulamento?
Volver em russo significa exatamente o que eu fiz.
Volver significa uma volta de 360 graus.
Que graus? Volver!
Ocupar as posi��es de fogo!
E tu, vai buscar os teus pais.
Que pais?
Os teus pais. Entendido?
Que posi��es de fogo?
Deita-te no colch�o.
Os pais dele morreram no bloqueio de Leninegrado
A posi��o de fogo �... uma posi��o de fogo.
- Markav. - Presente.
Enumera as principais partes do...
Da espingarda.
A coronha.
- A boca. - S� se for a tua.
Que ser� ent�o a boca?
Malta, granada!
Granada de m�o!
N�o!
Deitar!
Mata!
N�o � verdadeira!
Viveste o bloqueio de Leninegrado?
N�o acredito em pressentimentos.
Nem tenho medo dos maus ventos.
Nem fujo � cal�nia nem ao veneno.
A morte n�o existe neste mundo pleno.
S�o todos imortais, � tudo imortal.
Temer a morte aos quinze � um absurdo.
Aos setenta � igual... Al�m da vida e da luz nada existe.
Nem a escura noite, nem a morte;
Vivemos todos � beira-mar,
A minha sina � as redes apanhar
Que trazem muito peixe.
Sem inquilinos a casa tem que se desmoronar.
Portanto, para habitar qualquer dos s�culos
Eu posso convocar.
E � por isso que � minha mesa tenho
Os vossos filhos, m�es, esposas,
Bisav�s, netinhos.
Pois constru�mos hoje o futuro.
E quando eu levantar a m�o,
Os seus cinco raios convosco ficar�o.
As clav�culas ser�o suporte
De cada dia que passou.
Medi o tempo �s bra�adas,
Galguei-o, escolhi-o
Como me mandavam as minhas al�adas.
N�s cavalgamos para o sul, e a poeira ficou para tr�s.
Deitava fumo o capim, De s�bito o grilo perspicaz
Ao sentir as ferraduras do cavalo com as antenas
Profetizou-me morte ruim.
Prendi � sela, pois, o meu fado,
E levantei-me nos estribos
A contemplar o tempo em que vivo e o que me ser� dado.
Alegra-me a sina imortal,
E que de s�culo em s�culo o meu sangue correr�.,
Mas vou dar a minha vida insurrecta
Por um cantinho de calor seguro,
Conquanto a sua agulha voadora
Qual uma linha, n�o me conduza pelo mundo fora.
Mar�ssia! E os filhos?
Onde est�o os filhos?
Vou denunciar-te. Roubaste um livro.
- O qu�? - Denuncio-te.
- Que se passa? - Anda, denuncia-me!
Denuncio mesmo!
Marina!
N�o podes aparecer mais vezes? Tem tantas saudades tuas.
Deixa Ignat viver comigo.
A s�rio?
Ent�o, n�o dizias que ele queria?
Tomas tudo � letra...
Queres dizer que o inventei para me divertir?
Vamos perguntar-lhe. Ele que decida...
Tamb�m ganhas com isso.
O que � que eu ganho?
Arrumaste os manuais?
Vem despedir-te do teu pai.
Eu e tua m�e quer�amos perguntar-te...
O qu�?
N�o queres viver comigo?
Como?
Viveremos juntos. N�o pediste isso � tua m�e?
Pedi o qu�? Quando? N�o, n�o!
De fato, somos muito parecidas.
Absolutamente nada.
O que � que queres da tua m�e? Que rela��es procuras?
As da tua inf�ncia? J� n�o � poss�vel.
Dizes que te sentes culpado
por a tua m�e vos ter dado toda a sua vida...
Agora n�o podes refazer nada.
E ela quer ver-te como uma crian�a outra vez.
Para poder pegar-te ao colo e proteger-te.
Meto-me sempre onde n�o sou chamada.
Sempre...
Porque gemes? Explica.
Casar ou n�o casar?
- Eu conhe�o-o? - N�o...
� um ucraniano? Pronunciaste isso com um sotaque...
Isto n�o tem qualquer import�ncia.
- Que faz ele na vida? - � escritor.
Acaso se chamar� Dostoievski?
Sim, Dostoievski.
N�o escreveu nada em toda a vida. Ningu�m o conhece.
A� uns 40 anitos? Quer dizer, uma nulidade.
Est�s muito mudado.
� uma nulidade, n�o escreve nada.
Escrever, escreve, mas n�o publica.
Vem ver, o nosso querido inapto j� ateou um inc�ndio.
N�o compreendo estas tuas ironias gratuitas.
N�o vai terminar a escola, vai para a tropa;
ter�s de correr de chefe em chefe para tentar livr�-lo.
S�o frutos da tua educa��o.
De resto, a tropa n�o lhe faria mal.
Porque n�o telefonas � tua m�e?
Depois da morte da tia Liza, esteve tr�s dias de cama...
Esperei-a aqui �s cinco.
Custa-te assim tanto dar o primeiro passo?
Estamos a falar de Ignat.
Talvez a culpa tamb�m seja minha.
Ou ser� que nos torn�mos comodistas?
Entretanto, at� o nosso comodismo � besta, � asi�tico.
N�o temos propriedade privada, mas prosperamos.
N�o compreendo nada.
Porque est�s t�o irritado?
Um rapaz de 15 anos, filho de conhecidos meus, disse-lhes:
Vou-me embora. N�o posso ver-vos
rastejando. D�-me asco!
Bom rapaz. N�o � como o nosso paspalho.
O nosso nunca diria tal coisa, infelizmente.
Imagino esses teus conhecidos.
Porqu�? S�o como n�s! Ele trabalha num jornal.
Tamb�m se considera escritor.
Mas n�o entende
que n�o se pode escrever por dinheiro. Escrever � um ato de coragem.
A obriga��o do poeta � causar emo��es espirituais,
n�o educar id�latras.
Mas que hei-de fazer?
Casa-te.
Quem � que viu a sar�a em chamas? N�o te lembras?
Foi um anjo, numa chama de fogo?
N�o me lembro. N�o foi Ignat, podes ter certeza.
E se o metesse na escola militar?
O anjo em labaredas de fogo no meio de uma sar�a apareceu a Mois�s.
Depois, levou o seu povo pelo mar.
Porque nada disso apareceu a mim?
Um sonho perturba-me com uma persist�ncia espantosa.
Chama-me de volta
� aldeia do meu av�. �quela casa, onde eu nasci
h� 40 anos em cima da mesa de jantar.
A vis�o �-me t�o cara que at� me d�i.
Mas, quando quero entrar nessa casa, aparece qualquer coisa a impedir.
Tenho este sonho com frequ�ncia.
Mas quando vejo as paredes de madeira e a escurid�o,
sei, mesmo a sonhar, que n�o passa de um sonho.
E a minha imensa alegria perde-se na sombra da espera do despertar.
Por vezes, por�m, deixo de sonhar
com a casa e com os pinheiros em torno da casa da minha inf�ncia.
E tenho saudades.
E espero impaciente o regresso deste sonho,
onde voltarei a ver-me crian�a
e a sentir-me feliz, porque tudo
est� ainda pela frente e tudo ser� ainda poss�vel...
M�e.
- M�e, est�o a abrir. - Que tens?
Boa tarde.
Boa tarde.
- A senhora � Nadejda Petrovna? - N�o a conhe�o...
Sou a enteada de Matvei Ivanov.
Era amigo do seu marido.
Qual Matvei?
M�dico, viveu aqui
antes de se mudar para lurievets, onde se tornou m�dico legista.
V�m da cidade?
Somos de Moscovo. Temos um apartamento em lurievets.
Fomos evacuados no Outono passado.
Moscovo foi bombardeada, mas tenho dois filhos.
A minha m�e possui aqui antigas rela��es...
O meu homem n�o est�, est� na cidade.
N�o te coces!
Queria falar-lhe. Tenho um pequeno segredo feminino.
Entre. Porque est�o a� parados?
Limpe os p�s. A Macha lavou o ch�o.
Aguarda aqui. � r�pido.
Porque est�s �s escuras? Falhou a luz?
Porque n�o nos chamaste?
- Como te chamas? - Aliocha.
Tamb�m tenho um filho, mas n�o t�o grande, claro.
Hoje � dif�cil ter filhos. A maldita guerra.
Eu, contudo, quero uma filhinha.
Quer ver o meu? Est� a dormir.
N�o fazemos barulho. � um bonito rapaz.
H� dias, perguntou ao pai:
A moeda de cinco copeques � maior que a de dez?
Eu at� me sentei. O pai tamb�m n�o soube o que dizer.
O meu homem quer muito uma filha. J� lhe escolheu o nome.
Eu tamb�m j� fiz a roupinha, as fitas, tudo cor-de-rosa.
De repente, tive de mudar tudo.
O trabalho que o malandreco nos deu!
Acord�mos-te?
A tua m�ezinha � muito tagarelas.
Quem � que temos aqui? N�o conheces?
Ent�o? N�o consegues acordar?
Dorme, meu amor.
Ficam-me bem? E o anel?
- Que tem? - N�o sei, n�o estou bem.
Deve ser cansa�o de tanto andar. N�o pensei nisso antes.
Tome para aquecer.
Esqueci-me das horas. H� que fazer o jantar.
N�o se preocupe, por favor.
- N�o vos deixo partir j�. - Comemos antes de sair.
Que tosse t�o feia!
� de tanto correr na rua...
� bom que o meu marido o examine.
N�o podemos esperar. Temos duas horas de caminho.
E os brincos? O dinheiro est� com o meu marido.
Vamos matar um galo. Mas tenho um pedido...
Estou no quarto m�s, tenho enjoos constantes...
At� a ordenhar a vaca... Sinto enjoos...
O galo... N�o poderia mat�-lo?
Eu tamb�m...
� verdade? Tamb�m?
N�o, � que nunca fiz isso.
� muito simples. N�o come galos em Moscovo?
� aqui, neste troncozinho.
O machado. O meu homem afiou-o de manh�.
- Aqui, na sala? - Eu arranjo uma bacia.
Amanh�, leva uma galinha.
N�o consigo.
E Aliocha? � um homem.
Aliocha, porqu�?
Segure-o bem. Se ele escapa os pratos s�o arruinados.
Ai, sinto-me mesmo... Ent�o?
Calma! Vai ficar tudo bem.
� pena que s� nos vejamos
quando me sinto muito mal.
- Est�s a ouvir? - Sim.
Eis-me levitando.
Que tens, Mar�ssia? Sentes-te mal?
N�o te espantes. Amo-te.
Como? J� se v�o? E os brincos? O meu homem vem j�.
- O dinheiro est� com ele. - Pensamos melhor.
At� � cidade, s�o 15 verstas. Daqui a pouco, cai a noite.
N�o se preocupe. N�o h�-de ser nada.
S� um corpo o homem pode ter.
No seu inv�lucro, estiola a alma, at� estarrecer.
S� tem um par de olhos e de ouvidos; Outras escapat�rias n�o tem;
A sua pele, de ossos um recipiente.
E voa pela c�rnea a alma Para o seu destino celeste,
Para o azul dos c�us, Para o reino dos p�ssaros.
Atrav�s da grade da sua pris�o viva a alma escuta
O barulho dos bosques e dos campos e os cornetins dos sete mares.
Como � pecado um corpo sem camisa Tamb�m o � a alma sem corpo,
Sem ideia, sem um ato, Sem uma inten��o e sem divisa.
Quem voltar� do palco,
Onde ningu�m dan�a? � um mist�rio sem solu��o.
Sonho com uma alma metida noutras vestes.
Ardendo como �lcool, Da timidez � esperan�a correndo
Sem ser seguida pela sombra,
Bra�adas de lilases, como recorda��o, atr�s deixando.
Oh, pobre Eur�dice, N�o chores.
Pelo mundo corre com o teu aro de cobre.
Enquanto a Terra ressoa no ouvido em voz baixinha,
Mas alegre e fresquinha.
M�e, o fogareiro est� a deitar fumo.
O qu�?
Tudo depende s� dele.
Tudo isto por causa de uma angina?
Angina?
- � um caso normal. - Normal?
Morrem-lhe a m�e, a mulher, o filho...
Mais uns dias, e o homem falece. Ainda que com sa�de.
Mas n�o lhe morreu ningu�m.
E a mem�ria? E os remorsos?
Qual mem�ria?
- Ele n�o tem culpa. - Mas acha que tem.
Deixem-me em paz!
- Disse alguma coisa? - Deixem-me em paz!
Eu s� quis ser feliz.
Que ser� da tua m�e, se n�o te puseres fino?
Isto passa, n�o h�-de ser nada.
Tudo ser�...
Que queres mais: Uma menina ou um menino?
M
MO
MOV
MOVI
MOVIM
MOVIME
MOVIMEN
MOVIMENT
MOVIMENTO
MOVIMENTO C
MOVIMENTO CI
MOVIMENTO CIN
MOVIMENTO CINE
MOVIMENTO CINEM
MOVIMENTO CINEMA
MOVIMENTO CINEMA L
MOVIMENTO CINEMA LI
MOVIMENTO CINEMA LIV
MOVIMENTO CINEMA LIVR
MOVIMENTO CINEMA LIVRE
MOVIMENTO CINEMA LIVRE .
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ..
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...::
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E N
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E N T
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E N T O
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E N T O U
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E N T O U :
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E N T O U ::
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E N T O U :::
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E N T O U :::.
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E N T O U :::..
MOVIMENTO CINEMA LIVRE ...:: A P R E S E N T O U :::...
"O ESPELHO"
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.