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Original subtitles

- Art Subs - 6 Anos fazendo Arte para voc�!

- Legenda - Durenkian + Hawkeye147

- Revis�o - NoriegaRJ

AS F�RIAS DO PEQUENO NICOLAU

E neste final de ano escolar

estou orgulhoso em poder dizer a voc�s

que mais uma vez, fi�is a Jules Ferry,

n�s soubemos trancar em sua toca

a besta imunda que ronda as sombras

e � respons�vel por todas as desgra�as e guerras...

me refiro � ignor�ncia.

Sem descanso, levantamos contra ela

a nobre clava da instru��o,

cumprindo assim nosso dever

como tamb�m o de nossa bela e grande institui��o,

a Escola da Rep�blica.

Pois, se a coragem e a virtude s�o as duas pernas

com as quais anda o homem digno desse nome...

Resta a mim, queridas crian�as, desejar a voc�s

boas f�rias.

E n�o esque�am de fazer seus deveres de f�rias.

Por favor, crian�as, calma.

Obrigado.

Ent�o, senhor Dubon, aonde ir� durante as f�rias?

Nada disso. Este ano fico em Paris.

Tranquilo e sossegado em minha casa.

Verdadeiras f�rias s�o assim.

- Mam�e? - Sim, meu querido?

Aonde iremos em f�rias este ano?

Ainda n�o conversamos, papai e eu.

Todos os anos, ela e papai discutem

sobre onde passaremos as f�rias.

E todos os anos, isso vira um inferno.

- Montanhas. - Praia!

- Iremos para as montanhas. - Iremos para a praia.

N�o sei por que eles se comportam assim,

se no fim � sempre igual.

- Montanha! - Praia!

- O que foi? - O qu�?

- Vamos l�! - Vamos...

Por�m, desta vez, foi diferente.

Eu j� decidi, este ano � a praia ou nada.

- Concordo. - Como?

Eu concordo, vamos � praia

e levamos mam�e.

A mam�e de mam�e � M�m�.

O tempo todo ela quer beijinhos.

Um beijinho.

O �nico que n�o d� beijinhos nela � papai.

N�o se incomode, M�m�,

vou achar outra cadeira e outro jornal.

Meu beijinho.

O que tira papai do s�rio � quando M�m� fala do George.

Sabe quem encontrei ontem? George.

George � algu�m que mam�e conheceu quando era jovem,

com quem ela quase casou, antes de encontrar papai.

Parece que ele era muito bonito, muito rico e muito inteligente.

Como sempre t�o elegante e refinado.

E quando ela fala dele sempre termina com um suspiro.

Voc� tamb�m, querido, tenho certeza

que se tornar� um algu�m.

Espero ainda estar aqui para ver.

N�o me preocupo com isso, M�m�. Voc� nos enterrar� a todos.

Um bombom, querido?

Eu adoro quando ela vem.

Um bombom � suficiente, n�o?

Papai tem raz�o.

N�o se deve abusar dos bombons.

Vamos l�, o �ltimo.

� o �ltimo.

- N�o, era o pen�ltimo. - � claro.

A� est�. "Mais um bombom, querido?"

N�o � culpa dele. N�s prevenimos.

Para mim � a fuma�a do cachimbo que o deixa assim.

O ar aqui � irrespir�vel.

� verdade que nesse estado a fuma�a n�o faz bem a ele.

Levar M�m� junto est� fora de quest�o.

E por qu�?

Porque "M�m�" e "f�rias" na mesma frase

� uma contradi��o completa.

Certo, pagaremos uma jovem.

- Uma jovem, para qu�? - Para cuidar do Nicolau.

Quem cuidar� dele � noite, se sairmos?

Nicolau?

Quem lhe dar� o caf� da manh�, se dormirmos mais?

Por 1 franco e 50 a hora... n�o, 1 franco e 70...

� muito mais caro nas f�rias.

Ent�o, 1 franco e 70...

multiplicado por tr�s, tr�s vezes por semana...

O que voc� est� fazendo � injusto e revoltante.

E deixar idosos sozinhos na cidade

durante todo o ver�o, com todo o calor e sozinhos,

isso n�o � revoltante?

Que seja.

Concordo em levar junto um idoso nas f�rias,

mas n�o M�m�.

- Ol�, Marie Edwige. - Ol�.

N�o posso falar muito com voc� pois vou viajar em f�rias.

- E para onde? - Para a praia.

N�s vamos a Chamonix, no Hotel du Grand Soleil.

Poder� me escrever, se quiser.

Bem, ent�o...

boas f�rias.

Marie Edwige, aceita casar com Nicolau

que � capit�o de navio de guerra e que ganha muito dinheiro?

Sim.

Por que n�o aceita lev�-la?

Cara Marie Edwige.

Ap�s a �ltima vez que nos vimos,

n�o parei de pensar em voc�.

E agora, chega! A conversa foi longe demais.

F�rias sem M�m�.

Meu Deus!

Seria muito abrir sua janela para que o ar passe?

Ou prefere nos ver derreter?

Eu me pergunto...

o que viemos fazer aqui?

� como se s� houvesse uma estrada na Fran�a.

Meu Deus!

Como me arrependo de ter aceito essas f�rias.

Mam�e!

- Tenho fome. - Chega, Nicolau.

Sem querer mexer na ferida,

mas se a geladeira n�o estivesse no porta-malas

eu poderia dar uma banana ao Nicolau.

- Isso, uma banana! - N�o, dissemos piquenique!

Mas para isso precisamos sair daqui.

Devagar! Ficaremos enjoados.

Isso, papai! Voc� � o maioral!

� o que se chama tomar uma decis�o.

Olha s�. Est�o fazendo igual.

Mas o que � isso?

Isso � uma vaca.

Aquilo � uma vaca.

Nunca viram?

- Nicolau, pare! - Pois �.

Quem se acha mais inteligente que os outros...

- Por que nos trouxe aqui? - N�o d� para passar.

- Merda! - N�o � poss�vel!

N�o est�o vendo que o caminho est� bloqueado?

Chega! V�o indo!

Aonde vai?

Tenha cuidado!

N�o se preocupe, darei um jeito.

N�o � um bom lugar para o piquenique, papai?

Que pena. Certo, obrigada.

Venha aqui, por favor. Temos um problema.

Voc� n�o reservou um quarto para M�m�.

Nicolau, n�o se meta.

Parece que n�o reservaram quarto para mam�e.

Que hist�ria � essa?

Lembro bem de ter reservado

tr�s quartos, dois com comunica��o.

Liguei para a ag�ncia e disseram que n�o.

Comigo reservaram dois quartos, n�o tr�s.

Essa eu n�o entendi.

Papai, � normal.

Comigo tamb�m � assim. Quando fa�o algo que n�o quero,

eu acho que fiz, mas na verdade n�o fiz.

Ou me alojam ou volto para casa.

Nicolau dividir� o quarto com mam�e, � simples.

A chamada telef�nica? Paga agora ou ponho na fatura?

- Ponha na fatura. - Muito bem.

Pois �.

Que pesada essa mala.

Querida, acho que teremos f�rias formid�veis.

- Para voc�. - Obrigado.

Mam�e!

Mam�e.

Mam�e?

Saia da frente!

- Boa noite, senhoras. - Obrigada.

- Boa noite, senhor. - Obrigado. Boa noite.

Me permitem? Muito prazer.

- Coronel Dupourtoutmieux. - Muito prazer.

- Esta manh�... - Ent�o, voc� vem?

Imediatamente. Minhas senhoras...

� coronel, mas n�o � ele quem manda em casa.

Pois �. � s� mais um.

- A n�o ser George, claro. - Mam�e, o que vai querer

- como entrada? Legumes? - Aquilo � um homem.

- Rabanetes? - Um de verdade.

Elegante, fino,

cort�s, generoso...

Um charme! Lembra como ele era esportivo?

Quer beterraba ou alho por� � melhor?

- Alho por�? - Ganhou at� medalha de ouro

no campeonato franc�s de t�nis.

Campeonato da Normandia, mam�e.

- E foi de pingue-pongue. - Ah, foi?

- Foi. - Desculpem.

Podem me emprestar o sal, por favor?

- Sim, � claro. - Danke sch�n!

Mostarda? Talvez a pimenta?

N�o, danke.

O que foi?

D� a ela tamb�m a Als�cia-Lorena j� que come�ou.

Que piada sem gra�a.

Bem, e se fizermos o pedido?

O que voc� quer, Nicolau?

Estou sem fome.

Tem algu�m a�?

Tem algu�m a�?

Tem algu�m a�?

Tem algu�m a�?

Tem algu�m a�?

Tem algu�m a�?

Tem algu�m a�?

Tem algu�m a�?

M�m� n�o me deixa dormir.

Como?

Ela parece um trator.

Concentre-se em dormir e vai conseguir logo.

Vai.

- O que foi? - Nada, durma.

N�o consigo me concentrar no sono,

porque agora ela parece um trator que vai quebrar,

mas nunca quebra.

- Venha c�. - N�o!

Ele n�o consegue dormir.

Era um pequeno navio

Que nunca navegou

Nunca navegou

Que lindo navio

Cara Marie Edwige,

espero que suas f�rias estejam sendo boas.

Aqui faz bom tempo todos os dias.

Ou melhor, quase todos os dias.

Seja como for, j� fiz um monte de amigos.

Blaise, saia do caminho.

Tem o Blaise, que n�o est� em f�rias, pois ele mora aqui.

Hotel Beau-Rivage, bom dia!

Blaise, saia do caminho.

Tem o Cr�pin, que chora o tempo todo.

Cr�pin, por que est� chorando?

Roubaram a minha p�.

Cr�pin, por que est� chorando?

Eles n�o querem brincar comigo.

Cr�pin, por que est� chorando?

Eu n�o sei.

E tem o Djodjo.

Djodjo e seus pais que vem para a Fran�a

porque no pa�s deles n�o tem sol.

Bom dia, eu me chamo Djodjo

e venho de Stratford-upon-Avon,

a vila de Shakespeare.

- O qu�? - De quem?

- Shakespeare. - Shakespeare?

Eu respiro?

N�o, n�o...

E tem o Fructueux que come qualquer coisa.

Mesmo quando est� vivo.

Mesmo quando est� sujo.

Mesmo quando j� foi comido por outra pessoa.

E, por fim, tem o C�me, que quer ter raz�o o tempo todo

e enche o saco.

Quatro vezes por dia e a cada seis horas, � igual.

- N�o, n�o � igual. - Sim, � igual.

- N�o. - Por qu�?

N�o vou dizer.

Papai est� muito feliz por estar em f�rias.

D� para ver, pois ele sorri muito mais que o normal.

Guten tag.

Bom dia.

N�o se banha na praia?

Sim, mas n�o aqui.

Querido!

Mam�e est� como de h�bito...

O que achou?

s� que habitualmente ela n�o anda de mai�.

Por que p�s a touca,

vai entrar no mar j�?

Note que essa touca e esse mai� s�o

um conjunto �nico que comprei no setor de Jovens Criadores.

Para um conjunto �nico ele �...

Porque espero que ele seja...

- �, mas � poss�vel... - � claro que �.

A vendedora garantiu.

Um conjunto �nico para uma mulher �nica.

Com os amigos, brincamos, competimos, n�o brigamos,

e � muito bom.

Me esperem, eu n�o sei correr na areia...

Um beijinho.

Esperem, meninos, assim n�o v�o conseguir.

Para fazer um castelo, ou qualquer constru��o,

� preciso come�ar pelas funda��es.

Vou mostrar a voc�s. Sabem, � o meu trabalho.

Sou arquiteto.

- A� est�! - Agora podemos brincar nele?

� claro, crian�as. Foi feito para isso.

Mas?

Tome, este postal � para a tia Olga.

- Mam�e? - Sim, meu querido.

Como � o verbo "agradar" na 2� pessoa do plural

no passado do subjuntivo?

Bem, a 2� pessoa do plural �... v�s...

Ent�o, no presente do subjuntivo �... v�s me agradais...

E no passado do subjuntivo ent�o �...

"Que v�s me agradarias"?

N�o! "Que v�s me agradasses".

N�o.

"Me agradavas"?

"Agradeis"?

Bem, escute, Nicolau, � voc� quem deve descobrir.

Sua m�e tem raz�o, para se tornar um tenente

- precisa se virar sozinho. - Isso mesmo.

Isso.

Voc� acha que seria bom

mandar um cart�o postal ao Sr. Moucheboume?

N�o � hora de pensar em seu patr�o.

Estamos em f�rias.

Mas lembro a voc�

que � gra�as �s boas rela��es com o Sr. Moucheboume

que podemos ter essas f�rias.

N�o foi ele quem inventou as f�rias remuneradas.

Devo colocar: "Sr. Moucheboume",

"Caro Sr. Moucheboume" ou "Meu caro Sr. Moucheboume"?

- N�o comece! - S� estou pedindo uma opini�o

para saber se n�o est� muito... obsequioso.

O que significa "obsequioso"?

Quer dizer rastejante e servil como um escravo.

Ent�o, durma. Me viro sozinho.

"Caro Sr. Moucheboume,

espero que esteja tudo bem.

Gra�as ao senhor estamos passando f�rias excelentes.

A fam�lia toda o sa�da e o agradece.

Cordialmente."

- O que achou? - Est�... bom.

N�o est� muito obsequioso?

� para um funeral?

N�o, n�o. Obsequioso...

quer dizer... quando queremos fazer um favor.

Entendi, certo. �bvio...

N�o d� para dizer que est� assim.

Parece apenas amig�vel, n�o?

Sim, � certo. Sim, sim.

Sa�de!

Quem � o mach�o?

Ouvi dizer que � um produtor de cinema.

Um italiano.

- Parece que prepara um filme. - Sim... Sim...

Escute, eu queria sua opini�o.

Se precisasse escrever um postal para seu patr�o

como voc� come�aria?

Sr. Fulano, Caro Sr. Fulano ou Meu caro Sr. Fulano?

Isso nunca vai acontecer.

- Por qu�? - Porque eu sou o patr�o aqui.

Sim, mas imaginando que...

Mesmo imaginando, nunca acontecer�.

Sim, isso eu entendi, mas...

por exemplo, voc� n�o � mais o patr�o.

- Mas sou sempre o patr�o. - Mas s� para me ajudar.

Sim, eu entendo.

- Se estivesse no meu lugar. - Voc� � patr�o?

- N�o. - Ent�o, fique no seu lugar.

- Porque eu sou patr�o. - Mas, admitindo que...

Mas n�o existe "admitindo".

Nunca vai acontecer, pronto.

O patr�o aqui sou eu.

- Mas... - N�o.

N�o.

Quatro, cinco, seis, sete...

Aonde est� meu pessoal?

N�o est�o aqui. N�o est�o ali.

Devem estar na Am�rica.

Parab�ns!

- O que � isso? - Eu... a Srta...

Desculpe, estamos...

Conseguiu uma mesa?

N�o, n�o se preocupe.

Vai dar tudo certo. � certo que tem lugar.

Isso... �...

Venha, Nicolau.

Auf Wiedersehen.

Saia da frente!

Olhe, ali tem lugar.

V� perguntar se podemos dividir a mesa.

Tem certeza? Acha que tem espa�o para n�s?

Pe�a gentilmente que eles mudem de lugar.

N�o me parece que eles aceitem mudar de lugar.

� o "P�lvora"! O "P�lvora"! O "P�lvora de Escopeta"!

- Desculpe. - Cham�vamos voc� assim

porque se jogava no ch�o ao menor barulho.

N�o lembra de mim?

Bernique.

Sim, Bernique do Col�gio Anatole France.

O caf� dos cabe�udos na Sra. Lampiot.

A guerra de espaguete na cantina.

E o escrit�rio do professor de matem�tica.

Fizemos n�s dois!

Pegamos tr�s dias de suspens�o.

- Bernique. - O P�lvora.

Venham se sentar conosco. A gente se aperta.

Sim, sim, venham.

� a primeira vez que voc�s v�m aqui?

Sim, normalmente...

vamos para as montanhas.

Fizeram uma boa escolha.

N�o h� nada como o mar.

Em termos de custo � bastante razo�vel.

- Voc� acha? - � claro.

Podem dizer o que quiser, mas tem feito calor.

Desde que chegamos fez tempo bom quase todos os dias.

Comparado com a C�te D'Azur � muito mais quente...

Olhem como os dois ali est�o se entendendo.

� o pr�prio "amor � primeira vista".

Acho que vamos cas�-los!

Viu, querida, menos uma preocupa��o!

Vamos casar o Nicolau.

Nicolau, aceita Isabelle como esposa?

N�o!

Eu vos uno pelo la�o sagrado do matrim�nio.

Querida Marie Edwige,

nosso amor est� em perigo.

Papai e mam�e decidiram me casar � for�a.

Mas n�o se preocupe,

farei de tudo para impedir esse projeto terr�vel.

- N�o, isso vai passar. - Claro que sim.

As tempestades n�o duram.

Meus pais querem me casar � for�a.

Eles n�o podem fazer isso.

Podem sim. Casamento for�ado sempre existiu.

Mesmo quando voc� cresce s�o os pais que decidem.

Vire padre, assim n�o poder� casar.

N�o creio que Marie Edwige concorde.

Eu sei como.

Se os pais dela n�o quiserem mais voc�

v�o cancelar o casamento.

E como consigo isso?

Minha irm�, por exemplo, sa�a com um rapaz,

mas meus pais viram que ele bebia direto

e proibiram que eles se vissem.

�, os pais sempre t�m medo

que as filhas casem com um alco�latra.

Mas eu n�o sou alco�latra.

S�o chocolates com licor.

Mam�e disse que n�o era para comer, por causa do �lcool.

Com eles, voc� ser� um alco�latra.

Qual � o efeito?

Meu querido...

O que foi, ele ficou doente?

M� digest�o, sem d�vida bombons demais.

Mas o que foi, filho?

Meu pobre tesouro.

Pobre tesouro de amor.

Deu errado, mexeu com ela. Ela o chamou de tesouro de amor.

- N�o! - Eu juro.

Precisamos ir, j� s�o quase 8h.

N�o podemos deix�-lo sozinho.

Claro que n�o, coitadinho.

Isabelle ficar� com ele.

N�o �, querida?

Isso. N�o se preocupe, querido,

Isabelle ficar� com voc�.

Voltaremos logo depois do jantar.

V�, descanse.

Descanse.

Beijinho.

Beijinho.

Beijinho.

Prestem aten��o...

O que os pais da menina olham � se os pais dele t�m dinheiro.

Se os pais dele t�m bastante dinheiro,

os pais da menina querem sempre que os dois casem.

Por outro lado,

se os pais dele n�o t�m muito dinheiro,

os pais da menina a proibem de encontr�-lo,

dizendo que ele � mal educado, mas a verdade � outra,

� porque ele � pobre.

Isso faz voc� chorar?

N�o, � o sol no meu olho.

E o que posso fazer?

Fazer os pais dela acreditarem que voc�s s�o pobres, �bvio.

Nicolau, tudo bem?

�, vai...

N�o parece.

O que foi, as f�rias est�o ruins?

N�o, mas...

� pena que sejam as �ltimas.

As �ltimas? Por que as �ltimas?

Por causa dos problemas do papai.

Ele falou que n�o poderemos mais.

- Seu pai est� em dificuldade? - Sim, ap�s ser despedido,

por causa do patr�o dele, Sr. Moucheboum,

que fugiu com todo o dinheiro da empresa.

Fugiu com o dinheiro?

Sim, e com a secret�ria dele.

Mesmo?

Mas papai falou que n�o fazia mal

porque ele tinha dinheiro guardado e ficaria tudo certo

at� ele achar outro emprego.

Ent�o perguntei a ele onde estava esse dinheiro.

Papai riu, mas a mam�e n�o.

- Por qu�? - Porque M�m� perdeu

o dinheiro guardado, jogando no cassino

e papai ficou completamente duro.

Mesmo?

E agora, quase toda semana,

h� um senhor de terno cinza que vem bater na porta de casa.

N�s precisamos ficar bem quietos

para parecer que n�o h� ningu�m em casa.

E...

como seu pai faz para sustentar voc�s?

De vez em quando ele rouba.

Ele rouba?

Ele � obrigado.

�s vezes mam�e diz que n�o h� nada para comer.

Papai ent�o vai no supermercado e rouba comida.

Outras vezes, vamos dormir sem comer.

E durante a noite eu sonho estar comendo torta de ameixa.

Era minha torta preferida,

na �poca em que n�o �ramos pobres.

A� est�! Bom apetite.

- �timo. - Obrigada.

A� est�, bom apetite.

Boa noite, jantamos juntos?

- Desculpe... - N�s j� come�amos.

N�o faz mal, tenham um bom jantar.

Igualmente.

- Tem lugar ali. - Sinto muito, n�o d�.

P�lvora! Traga a esposa, daremos um jeito.

Venham logo.

Isso mesmo.

O que v�o querer? Lagosta, siri?

- � vontade, estou convidando. - Por qu�?

- N�o h� motivo. - Sim, por qu�?

Porque eu quero.

O que conta s�o nossos filhos terem boas f�rias

sem se ocuparem dos problemas dos adultos.

Brindemos a dias melhores.

- Vamos l�! - Sa�de!

- Como se diz, Nicolau? - Isso n�o cheira bem.

Nicolau?

Que belo anel voc� tem!

� uma joia de fam�lia.

Tenho ele h� anos.

E nunca pensou em vend�-lo?

Jamais na vida!

E a senhora merece!

N�o � porque esse patr�o n�o tem moral

que deva perder a dignidade.

Voc� est� sendo muito r�gido.

S�o seres humanos como todos n�s.

Passam por dificuldades, mas possuem qualidades.

- Mas sem exagerar! - �, sem exagerar.

Mas voc� sempre o defende.

Defende sim.

Aceita tudo o que ele faz.

O incr�vel Moucheboum, o patr�o do meu marido...

N�o! N�s n�o precisamos saber.

Isso, eles n�o precisam saber, n�o precisam...

Mas deixe-me dizer algo,

eu admiro sua coragem e integridade.

Obrigado. Obrigado, mas...

Sim, sim, e quero dizer mais.

Quando est�vamos no col�gio voc� n�o era meu melhor amigo.

Eu sei.

Mas se fosse hoje, seria.

- Igualmente. - E n�o nos afastaremos mais.

E se termin�ssemos nossa noite no cassino?

N�o!

Quero dizer... estamos tendo uma bela noite

e devemos aproveitar o momento.

Vamos comer e beber.

Obrigado.

� um prazer.

O tempo melhorou, n�o �?

Desculpe, n�o falamos franc�s.

N�o falam franc�s, nem eu falo.

Voc�s s�o aqui do bairro?

Perguntei se s�o aqui do bairro.

Eu n�o devia nem ter perguntado.

Esque�am.

O que lhe sirvo?

Que bom, ainda h� parisienses de Paris aqui.

Sou da Normandia. O que deseja?

Adoro a Normandia. Eu tamb�m n�o sou parisiense,

vim de Franche-Comt�.

- Minha m�e... - Pense devagar

e depois me diga o que deseja, certo?

- Ol�! - Ol�!

Vai para a praia naquele lugar secreto?

Sim, quer vir comigo?

Quero.

Agora entendi...

Lugar fant�stico.

E principalmente muito sossegado.

Mas n�o conte a ningu�m, � o meu segredo.

Fique tranquila.

Voc� gosta do naturalismo?

Naturalismo?

Sim, gosto muito da natureza... as �rvores, tudo isso.

Ainda bem. Eu tamb�m.

Sim, compreendi... naturalismo...

Venha logo.

Vamos, n�o fique a� sem jeito.

Sem jeito, eu? De jeito nenhum.

Espere a�...

- Eu j� vou. - Nos vemos no rochedo.

Vamos logo, beb�. Vamos, venha.

Mas olhe s� quem est� ali.

- Bonito dia! - Sim.

Mas isso n�o vai durar.

O senhor acha?

Espere, eu vou ajud�-lo.

- Pronto. - � suficiente, obrigado.

De nada.

- Desejamos um bom dia! - Igualmente.

- Cumprimentos � sua esposa. - N�o esquecerei.

Um beijinho.

S� vejo uma solu��o, faz�-los ir embora.

- Ir embora? - Sim, n�o encontrar�o mais

seus pais e esquecer�o o casamento.

Achar algo que d� medo para fugirem como coelhos.

- Eu sei como. - Eu � que sei.

- Sabe o qu�? - N�o sei, o que ia dizer?

Vamos por uma cobra na cama deles.

Uma cobra?

Que tipo de cobra � essa?

� a v�bora.

- V�bora? - Com ovos aqui,

a m�e deve estar perto.

Ent�o, o que tem a�?

Precisamos peg�-la.

O que tem a�?

Tem uma cobra?

Digam! O que tem a�, me digam.

Amigos, amigos, cuidado! Tem uma cobra.

A v�bora � boazinha?

N�o! Se picar voc�, morre em 5 minutos.

A cobra! Olhem para tr�s, amigos!

E agora, o que faremos?

Os ovos, pegaremos os ovos.

Esconderemos no quarto deles

e quando abrirem ficar� cheio de cobras.

Isso, boa ideia.

N�o...

� estranho, ele n�o respondeu.

- Quem? - O Sr. Moucheboum,

n�o respondeu ao meu cart�o e o endere�o daqui estava certo.

O cart�o se perdeu.

Ou algum colega invejoso sumiu com ele, p�s no lixo.

Isso acontece muito, sabe?

Mas tamb�m pode ser que...

Quando vai parar de ruminar essa hist�ria de cart�o?

Pare de ser t�o infantil.

O que tem de infantil nisso?

Tem raz�o, n�o � infantil.

Obrigado.

� submiss�o.

Vamos l�, minha linda!

Vai!

Venha, isso mesmo.

Venha, venha, lentamente. Que beleza!

Olhe, olhe. Seja linda, seja soberba.

Isso, a rainha chegando. Isso.

Seja fant�stica, seja sublime.

Seja soberba! Vai!

Seja sublime, vai!

Como amo essa mulher!

Ela � linda?

- N�o estou escutando. - Linda, linda!

- Linda, linda, linda! - Linda, linda!

- Como � linda! - Linda, linda, linda!

Estou orgulhoso, filha!

Voc� � a minha estrela! Sim, os cabelos, solte-os, solte-os.

Isso!

"Caro Sr. Moucheboum."

"Espero que esteja tudo bem."

"Gra�as ao senhor, estamos passando f�rias excelentes."

"A fam�lia toda o sa�da e o agradece."

"Cordialmente."

Que cara de pau.

"Sr. Moucheboum,

Frente � indiferen�a e ao desprezo

que o senhor decidiu adotar em rela��o � mim,

apesar de todos meus anos de bons e leais servi�os,

n�o vejo outra solu��o sen�o pedir

minha demiss�o imediata e n�o negoci�vel."

"E j� que tratamos disso,

saiba que sempre detestei seu jeito de hiena hist�rica."

Patr�o... um u�sque.

N�o tem u�sque.

Bem, ent�o... um copo de cidra.

Sim, isso tem.

Sim, � claro.

Olha s�, acabou de chegar. Passo ele ao senhor.

O Sr. Moucheboum.

- Al�! - Tudo bem com voc�?

- Sim, obrigado. - Que bom, que bom.

Eu queria lhe agradecer pelo cart�o postal.

Foi um prazer.

Me fez um bem enorme.

Nem todo mundo faz isso.

� o que eu queria lhe dizer.

- N�o era necess�rio. - Mas sim,

� muito importante, sabe.

Porque trabalhamos duro e n�o temos tempo para isso.

Ali�s, descanse bem porque tenho

projetos para voc� quando voltar.

- Projetos? - Sim, grandes projetos.

Mas falamos disso na volta.

Enquanto isso, aproveite, meu velho.

Boas f�rias, certo? Boas f�rias.

Obrigado, Sr. Moucheboum. At� logo, senhor.

Olhem l�! Olhem!

Olhem!

Sr. Bernique?

Sra. Bernique?

A porta!

Em primeiro lugar, v�o jurar que se der problema

nunca ir�o dizer a meus pais que a ideia foi minha.

Jurado e cuspido!

Olhem, este � o cano da ducha

e este � o cano do esgoto.

Cr�pin, venha c�.

Que merda!

Merda!

Se juntarmos esses dois canos,

eles v�o ter uma grande surpresa

na pr�xima vez que vierem tomar banho.

Ao trabalho.

Vou ficar vigiando.

Obrigado.

Tome.

Voc� perdeu isso.

A pulseira da Marie Edwige.

Faz dias que eu a procuro.

Obrigado.

Mas, por que n�o contou antes?

Porque...

Porque sou t�mida.

Na verdade, a Isabelle � uma menina legal.

N�s passamos o resto da tarde juntos.

E nos divertimos muito.

Olhem l�!

No in�cio, meus amigos n�o gostaram muito.

O que ela faz aqui?

�, por que a trouxe?

- N�o jogamos com menina chata. - Ningu�m fala com ela.

Mas logo mudaram de ideia.

E, em seguida, todos queriam mostrar a ela

o que sabiam fazer.

Isabelle, Isabelle, olhe!

Isabelle, Isabelle, olhe aqui!

Isabelle, olhe!

Olhe aqui, olhe!

Isabelle, olhe!

E nem d�i.

Ent�o, at� amanh�.

Isso, at� amanh�.

Que sorte a Marie Edwige tem.

Nicolau, aceita Isabelle como sua esposa?

Aceito.

A ducha!

� a primeira vez que isso acontece.

Acreditem, nunca aconteceu.

Eu n�o entendo. Os canos s�o inspecionados sempre.

A conta!

N�o est� inclu�da a taxa.

N�o � poss�vel!

Qual � o nome dessa pe�a?

Tampa do distribuidor.

J� avisamos o mec�nico.

� um amigo, ele vir� logo.

Os len��is foram trocados.

E claro, os canos foram consertados.

Viram?

Foi tudo limpo com todo cuidado.

N�o, n�o. Corta! Corta!

N�o, n�o, n�o!

N�o, n�o, esquece.

� a terceira vez que leio a mesma linha.

Podia avis�-lo que ele n�o est� sozinho na praia?

- Eu? - Sim, voc�.

Para qu�? Devem ter autoriza��o.

Autoriza��o de acabar com nossas f�rias?

Isso n�o vai demorar.

Esse pessoal de cinema nunca trabalha muito.

Sil�ncio todos, por favor!

Querida...

Eu adoro voc�, voc� sabe.

Mas o que eu havia dito?

Eu disse militar? N�o...

Eu disse, misteriosa e sensual.

Uma sereia.

Vamos fazer? Est� pronta?

Isso!

Ent�o... C�meras...

A��o!

N�o � isso! Corta!

Corta! De onde veio aquela porcaria?

Para mim, chega!

Fa�am qualquer coisa.

Mas, querida...

Eu disse sereia, n�o medusa!

Vamos recome�ar...

- Desculpe a interrup��o... - do in�cio.

- desse n�o sei o qu�. - Cabe�a na �gua.

- Est� fazendo barulho demais. - J�!

C�meras!

Estou falando com voc�!

N�o sei quem � voc�,

mas n�o estamos em qualquer lugar.

Estamos em Balemer e pare de gritar como um louco

porque h� pessoas em f�rias que querem descansar.

Entendeu?

Viu? N�o � nada complicado.

Pare com esse barulho! N�o viu? J� chega.

Isso, chega!

Me desculpe...

Sou o assistente pessoal do Sr. Maximo Massini,

o c�lebre produtor a quem a Sra. acabou de...

encontrar, brevemente.

O Sr. Massini quer lhe oferecer suas desculpas.

Ele n�o percebeu o inc�modo que estava causando.

Ele pediu para dizer que lamenta muito.

5 minutos a mais e seria eu a intervir,

e posso dizer que...

Para compensar, o Sr. Massini gostaria de convid�-la

para a festa que ele organizar� hoje � noite no Club Mocambo.

Ele ficaria feliz em encontr�-la por l�.

- Que cara de pau. - E por que n�o?

Pode ser divertido.

Diga ao seu "coisa" que pensaremos nisso.

Ainda n�o sa�mos � noite desde o in�cio das f�rias.

� a oportunidade.

E o vestido preto que comprou para o funeral da tia Simone?

Voc� o trouxe? Ali�s, Albert elogiou.

Ele ficou maluco, achou que eu era tia Simone jovem.

Mas ficou linda com ele.

Roupa de enterro para uma noite no Mocambo

n�o � l� muito adequado.

- Voc� o trouxe ou n�o? - Sim, trouxe.

�timo.

Papai?

Como voc� conheceu mam�e?

- Eu nunca contei? - N�o.

- Foi num baile. - Um baile?

Foi.

Ningu�m ousou convidar sua m�e.

Era t�o linda que intimidava todo mundo.

Eu tomei coragem e tentei.

- E voc�s dan�aram? - � claro,

a noite toda.

Dan�amos tanto que quase nos expulsaram no final.

E hoje ainda v�o dan�ar?

Com certeza.

Olhe como � linda sua m�e.

Bem, vamos l�?

Posso ficar vendo TV hoje � noite?

Nada de TV. Para a cama �s 9h, como sempre.

N�o muito tempo, certo? Um beijinho?

A noite toda eu pensei em papai e mam�e.

Disse a mim mesmo que eles tinham sorte

de se amarem tanto e que iriam se divertir muito.

Acho que isso n�o vai ser bom. Que tal ir embora?

Relaxe. Falamos que ir�amos nos divertir, ent�o vamos l�.

Dance, garota.

- Pare, est� rid�culo. - Sabe o qu�?

Vou buscar uma bebida. Espere aqui, j� volto.

Senhora! O Sr. Maximo quer v�-la agora, venha.

- Mestre? - Sim?

Querida senhora!

N�o, obrigada. Meu marido foi...

Sim! Champanhe para a mulher

mais expressiva, eloquente, convincente, que j� encontrei.

N�o precisa exagerar.

Eu nunca exagero.

� a vida que exagera.

Beba.

Preciso me cuidar com o �lcool porque sou...

Beba!

Quanto � a ta�a de champanhe?

� gr�tis, senhor. Oferta do Sr. Maximo.

Que �timo. Ent�o, duas ta�as de champanhe.

Obrigado.

Desculpe, com licen�a.

O cabelo � magn�fico.

Bastante relevo, contraste.

Na tela ficar� espl�ndido.

Pare de incomod�-la.

Ela n�o � uma mercadoria, n�o �?

� claro que n�o.

Venha se sentar, senhora.

Quando a vi na praia hoje,

foi como uma revela��o, eu pensei.

Surpreendente. Isso � que � uma mulher.

� dela que eu preciso.

Como assim, "eu preciso"?

Para o meu filme, n�o � outra coisa!

Ainda bem que n�o � outra coisa.

"Outra coisa", por favor.

"Para o meu filme"? Que filme?

Com licen�a, com licen�a. Me deixem passar.

Setor privativo, senhor.

Sim. Devo me encontrar com minha mulher ali.

- Setor privativo. - Mas minha mulher est� ali.

- Querida? - � uma hist�ria fant�stica.

Voc� � uma mulher...

muito forte, muito linda, muito... muito apaixonada.

Por que voc�...? N�s estamos...

N�o sou atriz.

N�o, n�o atriz.

N�o tem a menor import�ncia. Nenhuma, nada.

O que conta � ter car�ter firme.

Mas nunca atuei. Nunca.

Fiz um pouco de teatro quando jovem no liceu,

- mas da� a... - Est� pensando que sou tonto?

- Um canalha, um vagabundo? - N�o, n�o � isso.

Eu j� produzi 15 filmes.

Em Roma, na rua, as pessoas me chamam: "Mestre!", "Mestre!".

Artistas americanas v�m de avi�o,

para fazer ensaios comigo.

E eu... nem sequer as recebo.

Faz um ano, entende?

Um ano que procuro a hero�na do meu filme.

Hoje eu a encontrei. � voc�.

A mulher vulc�o, a mulher tempestade,

a m�e, a irm�, a amante, tudo num mesmo corpo.

Dance comigo.

� minha mulher.

Estou lhe dizendo que � minha mulher!

E eu vou tir�-lo daqui!

Querida!

Vamos l�, rapazes!

Por que mam�e n�o voltou?

Ela preferiu ficar l�.

Por qu�?

Para se divertir.

- Com voc�? - N�o comigo.

Mas ela vai voltar? Quando acabar de se divertir?

Sabe, Nicolau... Entre papai e mam�e �s vezes...

N�o, no in�cio... tudo vai bem.

� o que achamos...

Imaginamos que...

Mas n�o � t�o simples,

porque a vida traz vontades diferentes

mas n�o no mesmo momento, ent�o...

As coisas v�o se arrumar,

h� os compromissos e...

Senhora.

Prometa que vai pensar em minha proposta.

Voc� pode virar uma estrela, uma grande estrela.

Prometo, vou pensar.

N�o, chega disso!

Seu mal educado!

Me d� um tempo, preciso pensar.

N�o cobramos os ovos mexidos...

nem as sobremesas.

N�o �, querida?

E se voltar outra vez lhe daremos o quarto azul,

que fica de frente para a praia.

� isso mesmo? Voc� vai embora?

- Que pena. - � uma pena.

Amigo um dia, amigo sempre. Venha c�, meu velho.

Concordo, e espero que entre na linha.

Entrar na linha?

- O tempo. - Sim, vai melhorar, n�o �?

Sim, vai melhorar. A chuva n�o dura.

J� tivemos �gua demais. O bom tempo est� chegando.

� pena ir embora agora.

Logo quando chega o bom tempo.

Pois �.

� estranho. N�o encontro nem a carteira, nem os cheques.

Mesmo?

N�o...

Que chato.

�, que chato.

Levante-se.

Sorria.

Parece... que ficaremos mais alguns dias.

Preciso ligar para o banco para que mandem um tal�o.

- Certo. - Sim.

Ponho na fatura?

Boas contas fazem bons amigos.

Quando eu crescer serei capit�o de um navio

e vou ganhar muito dinheiro.

E iremos a v�rios lugares fant�sticos, como o Taiti

ou o Havre.

Enfim... Se voc� concordar.

Tudo bem?

Estou com sede, pega um cocktail para mim no bar?

Um cocktail de frutas.

Com abacaxi e coco.

O que est� esperando? Querido?

Qual � o efeito de virar uma estrela?

Acho que est�o dando muita import�ncia, � apenas um rumor.

Dizem que ele lhe ofereceu o papel.

- Com licen�a. - Pode ser, mas...

n�o sei como dizer, tudo aconteceu t�o r�pido.

Ainda n�o entendi bem o que est� acontecendo.

Aqui, querida,

- seu cocktail. - Obrigada, amor, que gentil.

Estou dando uma entrevista.

Mas, parece que temos em n�s coisas que ignoramos e...

um belo dia... acontece.

Algu�m, enfim... um homem lhe descobre

e voc� se torna outra mulher, outra pessoa...

Essa pessoa que dormia dentro de voc�

e que s� esperava eclodir, nascer para a vida,

e dessa vez foi o que...

N�o!

N�o.

N�o!

N�o, n�o, n�o, n�o!

N�o, n�o!

O qu�?

Eles n�o...

Hoje � noite, para o final das f�rias,

grande baile de m�scaras no Hotel Beau Rivage.

Hoje � noite, para o final das f�rias,

grande baile de m�scaras no Hotel Beau Rivage.

Amanh� iremos embora e nunca mais nos veremos.

N�o, n�o � uma fatalidade.

O que � uma fatalidade?

Quando a vida nos imp�e algo que n�o queremos.

Como...

comer beterraba, por exemplo.

Mas n�s podemos fazer alguma coisa.

- Fazer o qu�? - Vamos para o velho forte

no final da floresta. Assim, ningu�m nos achar�

e poderemos viver sossegados e muito felizes.

N�o sei.

Por qu�? Est� com medo?

- N�o � isso. - Ent�o, o que �?

Bem...

Voc� n�o � um homem livre.

"Cara Marie Edwige."

"Eu sei que esta carta ir� lhe fazer mal..."

N�o, "muito mal"...

"mas azar."

"Estou deixando voc�

para sempre."

Tem certeza?

"Porque n�o amo mais voc�,

agora amo a Isabelle."

Isso, agora assine.

Ela n�o ficar� muito feliz.

E da�?

Ent�o, voc� vem?

M�mias, que original!

N�o, s�o curativos por causa das queimaduras de sol.

Queimaduras de sol...

Voc� me assustou.

Que tal?

Senhora?

Senhor?

Senhor?

Vamos dan�ar. Com licen�a.

N�o tem mais coelhos.

Se n�o tem mais, n�o vou invent�-los.

N�o tem mais ca�a nesta floresta.

Sa�de! Vamos.

N�o consigo mais dormir.

N�o consigo mais comer.

Fuja comigo.

Fuja comigo, agora.

Estar�o todos a seus p�s.

Em Roma, em Hollywood...

- Aonde vai? - Ele � um grudento.

N�o!

ACESSO PROIBIDO SEM AUTORIZA��O ESPECIAL

PERIGO MINAS

Sossegue, vai dar certo.

� s� dar uma arrumada.

� sim.

Me ajude aqui.

Tome cuidado!

Foi voc� quem pegou desse jeito.

Est� pronto. Voc� vem me ajudar?

J� vou. Estou tentando acender esta vela.

"Caros Papai e Mam�e.

Isabelle e eu decidimos fugir

e viver juntos onde ningu�m poder� nos encontrar."

"� verdade que no in�cio eu n�o queria me casar,

mas depois mudei de opini�o."

"N�o fiquem tristes pois estamos felizes."

"Nicolau."

Isabelle deixou a mesma mensagem na cama dela.

E levou a mala dela com suas roupas.

Isso ia acontecer.

Quando se faz isso com o pr�prio filho

� normal que ele acabe fugindo.

E roubando minha filha, ainda por cima.

O que fiz a meu filho?

Pare com isso, sabemos que submeteu

sua fam�lia � mis�ria.

O qu�? Eu submeti minha fam�lia � mis�ria?

Todos sabem que voc� est� quebrado.

- Quebrado? Eu quebrado? - �.

- Quebrado, eu? - �.

Parem! Se os dois fugiram mesmo

- precisamos � encontr�-los. - Tem raz�o.

- Precisamos procur�-los. - Isso.

- Eu chamo a pol�cia. - Saiam da frente.

Contem, onde est�o eles?

O primeiro a contar que eles foram

para o velho forte depois da floresta, apanha.

Vamos l�!

Vamos pegar meu carro, iremos mais r�pido.

Obrigado comandante, seja r�pido.

Sim, ponha na fatura!

Nicolau!

Senhora? Me espere!

- Nicolau? - Senhora, espere!

Alto!

Vamos nos dividir para cortar a fuga deles.

Voc�s, por aqui, e voc�s, venham comigo.

- Isabelle? - Nicolau?

- Nicolau? - Isabelle?

- Isabelle? - Nicolau?

- Nicolau? - Nicolau?

Voc� a�? Aonde pensa que vai?

Eu falei para ficar em fila!

- �, mas... - Mas, coisa nenhuma!

- Execute a ordem! - Eu...

Eu... eu...

N�o... eu... Mas... eu...

- Vamos l�! - Eu...

- Isabelle? - Vamos, vamos!

- Estou com frio. - Eu tamb�m.

Vamos voltar?

Que mulher! Preciso convenc�-la.

- Nunca vi outra igual. - Nicolau?

Nicolau?

Nicolau?

N�o!

N�o, chega. Cale a boca, Maximo.

Eu suplico, n�o diga mais nada.

Depois daquela noite n�o sou mais eu mesma.

� como se tivesse aberto um buraco no c�u.

Roma, Hollywood, champanhe, vida f�cil.

O senhor � irresist�vel.

Me fez sonhar...

Mas...

N�o fugirei com voc�, Maximo.

N�o, porque conhe�o voc�, Maximo.

E sei que tipo de rapaz voc� foi.

Encontrei outro igual quando tinha 20 anos.

Se chamava George. Era lindo...

divertido, ambicioso.

Mas era excessivo. Fazia tudo, era tudo.

E eu... � simples, eu n�o existia.

Mas havia aquele outro rapaz,

que estava ali, h� tempos, quieto,

sem brilho.

Era t�mido, desajeitado,

um pouco suscet�vel, mas...

Mas eu... Como dizer?

Com ele...

Eu me sentia eu mesma.

E foi ele quem eu escolhi.

� a mesma escolha que farei agora.

Porque no fundo... eu acho que o amo.

N�o, pare de insistir.

� a minha decis�o e exijo ser respeitada.

Obrigado pelas coisas maravilhosas que me prop�s.

� melhor eu ir embora e que n�o nos encontremos mais.

Adeus...

N�o acredito. Que animal � aquele?

N�o se mexa, coelhinho.

Papai est� aqui.

N�o se mexa, coelhinho!

O que houve aqui?

N�o tem nenhum forte aqui!

Os danados nos enganaram.

Bem...

Se o pai dele fosse um pouco menos r�gido...

coisas assim n�o aconteceriam.

Nicolau tem exatamente o pai que ele precisa.

Foi o pai que escolhi para ele.

E daqui pra frente pare de criticar minha escolha.

Voc� vem? Estou cansada.

Um beijinho?

Saiam da frente!

- Voc� vem ou n�o? - Vou.

- N�o quero voltar para casa! - Ent�o, fique aqui.

Eu n�o quero voltar!

Oitocentos, novecentos, mil, mil e cem e mil e duzentos.

Como dizia minha av�:

"Quem paga as d�vidas, enriquece."

Com certeza.

Bom, at� logo.

Ent�o, at� mais.

Sem m�goas?

Sim, sem m�goas.

Eu esqueci as liga��es, s�o 53 francos.

Sim, sim... mas...

Espere, eu pago.

- N�o, n�o � isso. � s� que... - Sossegue.

Voc� faria o mesmo.

- Quanto �? - Cinquenta e tr�s, redondo.

Pronto, cinquenta...

N�o, obrigado, eu n�o gosto.

Ap�s a volta, escreverei para voc� todos os dias.

Voc� promete?

Tome, assim voc� pensar� em mim.

- Nicolau? - Nicolau?

- Isabelle? - Isabelle?

O que est� fazendo a�?

E o senhor?

S� faltam tr�s dias para eles voltarem.

Vai demorar, n�o �?

F�rias � bom, mas melhor � estar em casa.

O que est� fazendo?

- Relaxando. - N�o, nada disso.

Temos que esvaziar as malas, lev�-las para baixo,

tirar as coberturas, repor o tapete, nada de relaxar.

Temos tempo.

Amanh� voc� vai trabalhar

e sobra para mim. De jeito nenhum.

Escutou?

Ela pode, est� cansada.

"Cara Isabelle, aqui a vida retomou seu caminho,

mas eu penso em voc� o tempo todo."

Ol�, Nicolau!

Ol�...

Suas f�rias foram boas?

Sim, e as suas, foram boas?

Sim.

Recebeu minhas cartas?

Na verdade, eu me enganei no endere�o.

Mas voc� me escreveu, de verdade?

Sim, e v�rias cartas.

Que legal.

Gostei do seu bronzeado.

Se quiser, pode vir � minha casa na quinta.

"Isabelle, espero que esteja bem.

Aqui faz bom tempo, com algumas nuvens.

Para amanh�, a previs�o � de chuvas,

com passagens de sol.

Assinado, Nicolau."

Na praia, abandonados

Conchas e crust�ceos

Os que acreditaram Choram a perda do ver�o

Que foi embora

As f�rias foram guardadas

Em caixas de papel�o

E � triste quando se pensa Na esta��o

De sol e de can��es

No entanto sei Que ano que vem

Tudo vai florir de novo N�s voltaremos

Mas me sinto mal esperando

Por largar o mar...

"Cara Isabelle."

"Eu sei que esta carta ir� lhe fazer mal,

mas pensei bem

e � melhor pararmos de escrever um ao outro,

para sempre."

... que far� mais falta

O sol Meu grande amigo

S� vai me queimar De longe

Achando que estamos juntos Um pouco brigados

Por estarmos separados

O trem me levar� Para o outono

Reencontrar a cidade Debaixo de chuva

Minha dor N�o ser� por ningu�m

Lembrarei dele Como um amigo

Mas no primeiro dia de ver�o

Todos os problemas Ser�o esquecidos

Voltaremos a festejar Com crust�ceos

Da praia ensolarada

Da praia ensolarada

Da praia ensolarada

- Art Subs - 6 Anos fazendo Arte para voc�!

- Legenda - Durenkian + Hawkeye147

- Revis�o - NoriegaRJ

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