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Muito cedo, em minha vida, ficou tarde demais.
Aos 18 anos, J� era tarde demais.
Aos 18, eu envelheci.
O envelhecimento foi brutal.
Eu o observei mudando minhas fei��es.
uma por uma.
Em vez de me apavorar...
observei o envelhecimento do meu rosto...
com o mesmo interesse...
que teria, por exemplo,
em ler um livro.
O novo rosto, eu o conservei.
Os contornos foram mantidos...
mas sua mat�ria foi destruida.
Tenho um rosto destruido.
Vou lhe contar.
Tenho quinze anos e meio.
Um barco atravessa o MeKong.
Olhe para mim.
Tenho quinze anos e meio.
� a travessia do rio.
Quando volto de Saigon
� como se viajasse.
Especialmente quando pego o �nibus.
Aquele dia era o fim das f�rias escolares.
N�o me lembro de qual.
Fui pass�-las em Sadec com meus dois irm�os...
na casa da minha m�e
atr�s da escola...
No horror da casa de Sadec.
Os peda�os grandes s�o meus.
Por qu� seu?
- Porque quero assim.
- Queria que morresse!
Paul?
Paul?
Paul, v� dormir.
N�o deve ter mais medo.
Nem de Pierre ou de qualquer coisa.
Nunca mais, ouviu?
Nunca mais.
Ele voltou?
Est� na varanda,
dormindo em uma esteira.
ele n�o quer ir para seu quarto
Est� com medo de Pierre.
Tenho medo quando ele fica l� fora.
Tenho medo que parta.
Que se perca.
Isso acontece com crian�as do seu tipo.
N�o � verdade.
Voc� n�o se preocupa com Paul.
Voc� s� se preocupa com Pierre.
Por que o ama tanto...
e n�o nos ama?
Amo os tr�s do mesmo jeito.
N�o � verdade! N�o � verdade!
Responda! Por que o ama tanto....
e n�o nos ama?
N�o sei por qu�.
Ontem...
Escrevi para Saigon pedindo..
pedindo a repatria��o de Pierre.
O qu�?
Estou mandando-o para a Fran�a.
Est� feliz?
Ele roubou �pio de novo.
N�o posso mais pagar.
Acabou.
N�o � mais poss�vel.
M�e, apresse-se ou perderei o �nibus.
Adeus, Paul.
Cuide-se.
Sim, mam�e.
Quando voltar�?
Para o Mardi-Gras J� disse.
Eu me esqueci.
Naquele dia...
voltei para Saigon.
Estava com meu sapato de festa e meu chap�u masculino.
Nenhuma mulher ou jovem usava um chap�u masculino...
na col�nia naqueles dias.
Nem as mulheres nativas.
Nunca largava aquele chap�u.
Eu tinha esse chap�u.
Ele, sozinho, me completava.
Nunca ficava sem ele.
� a travessia ....
de um bra�o do rio MeKong.
Na balsa que liga Vinh Long a Sadec...
nas grandes planicies de lama e arroz ...
do sul da Indochina ...
A planicie dos p�ssaros.
Com licen�a senhorita. Voc� fuma?
N�o, obrigada.
Desculpe.
� t�o surpreendente!
Uma jovem branca em um �nibus nativo.
Gosto do seu chap�u, � original.
Um chap�u masculino em uma jovem.
Voc� � bonita.
pode fazer o que quiser.
Quem � voc�?
- Moro em Vinh Long. - Em que lugar?
Na margem do rio, fora da cidade. A casa com os terra�os.
A de pedra azul?
Sim.
� uma casa chinesa.
Eu sou chin�s.
Chin�s.
Ele pertence � minoria rica...
dono dos im�veis populares da col�nia.
Ele voltava de Paris...
onde estudava finan�as.
Era ele que
cruzava o MeKong naquele dia...
em dire��o a Saigon.
Se quiser posso lev�-la at� Saigon.
Conhece-a?
� a esposa do Administrador.
Sra. Stretter, Anne-Marie.
Quer um?
Sim, obrigada.
A hist�ria do jovem que se
matou por ela � verdadeira?
N�o sei.
Sim, � verdade.
No mercado em Louang...
no dia que ela partiu.
Ele era amante dela.
A fuma�a n�o a incomoda?
Quero dizer, aqui dentro?
Nem um pouco.
Estuda no Col�gio de Saigon?
Sim, mas durmo...
no pensionato Lyautey.
Gosta de estudar?
Sim, acho interessante.
Em que s�rie est�?
Segundo colegial.
E voc� tem...
uh... Dezessete.
E voc�?
Trinta e dois ...
e desempregado ...
E, al�m de tudo, chin�s.
Al�m de tudo... sim.
Fica linda quando fala assim...
Desde a morte da minha m�e, meu pai n�o sai de casa.
N�o larga o cachimbo...
e quase n�o come.
Nunca pensei que se amassem tanto.
J� faz 10 anos ...
ele cuida dos neg�cios ...
deitado na cama
Fica olhando para o rio.
Entendo.
Sinto falta de Paris...
As festas,
as noites em Montparnasse.
O Coupole.
Conhece o Coupole?
S� fui uma vez � Fran�a,
No norte, perto da perto da fronteira belga.
S� conhe�o aqui, o MeKong, Saigon.
Gosta de Saigon?
Sim, gosto.
Tamb�m gosto de Saigon. Principalmente de Cholon.
Cholon � como a China.
Chegamos. � aqui.
Adeus.
Chegou mais cedo que o normal.
Conheci algu�m no barco. Ele me trouxe.
Um chin�s.
H�lene � a outra garota branca ...
do pensionato.
H�lene, ela n�o tem pudores.
Ela n�o percebe.
Caminha nua pelo dormit�rio.
n�o sabe que � muito bonita.
Ela � inocente....
presa � sua jovialidade.
Esqueci de lhe contar algo.
Tem uma garota...
A diretora descobriu que...
ela se prostitu�a quase toda noite
atr�s do muro.
Ningu�m havia percebido.
- Quem? - Alice.
Alice? Com quem ela sa�a?
Com qualquer um.
Isso sempre me atraiu.
O qu�?
Sair com homens que n�o conhece.
Voc� nem os v�. Nada.
Nem conhece o seu rosto.
Acha que somos todas assim?
Sim, a diretora tamb�m.
Todas as mulheres.
Preferiria ser prostituta....
a cuidar de leprosos.
Do que est� falando?
� o que todos dizem aqui.
Dizem que querem que estudemos ...
mas n�o � verdade.
Viemos para c�
para sermos mandadas para lepros�rios...
Junto aos leprosos, doentes da praga....
e de c�lera.
Prefiro ser prostituta.
Eles ser�o homens de sorte.
Sou o toureiro, voc� � o touro.
Olhos nos olhos, ombros retos.
Um...
dois...
tr�s... quatro...
cinco... seis.
Olhe sobre o ombro esquerdo...
costas retas, de bra�os dados.
E um ... e dois... e tr�s.. e quatro....
E cinco ... seis ... sete... e oito...
E um ... e dois... e tr�s.. e quatro....
E cinco ... seis ... sete... e oito...
Aconteceu bem r�pido naquele dia... era um feriado.
uma quinta-feira.
Ele veio naquela tarde...
ao pensionato
e a esperava no carro preto.
Era inicio de tarde...
a hora da sesta.
Era em Cholon.
nas ruelas de Cholon...
em meio ao cheiro de sopa, carne assada...
Jasmim, poeira, carv�o.
Em meio ao cheiro da cidade chinesa.
Por favor.
Eu n�o escolhi os m�veis.
Meu pai os comprou.
Chineses jovens e ricos t�m amantes.
Chamam isto de gar�onni�re.
Tem muitas amantes?
Gosta da id�ia de eu ter amantes?
Sim, gosto.
Veio comigo aqui...
como teria vindo com qualquer um.
N�o sei.
Nunca sa� com ningu�m.
Eu... tenho medo.
Tenho medo de am�-la.
Vamos, voltaremos outro dia.
Preferiria que n�o me amasse.
Quero que me trate como as outras.
� o que quer?
Sim.
Sei que nunca me amar�.
Eu ...
Eu n�o sei.
N�o quero que fale.
Fa�a o que sempre faz.
Ele tirou o vestido.
Ele tirou a sua calcinha branca de algod�o.
Ele a carregou assim...
nua, para a cama.
Uma vez na cama... � jovem demais.
Foi tomado pelo medo.
N�o posso....
Ele diz que n�o pode ser verdade....
ela � jovem demais...
que ele n�o pode fazer isso.
Ent�o...
Ent�o � ela quem o faz.
Com os olhos fechados...
ela o despe...
Bot�o por bot�o ..
manga por manga.
A pele.
A pele.
A pele � de uma maciez suntuosa.
O corpo n�o tem p�los...
sem nenhuma virilidade ...
al�m do sexo.
Ela n�o o olha no rosto.
Ela o toca.
Ela toca a maciez do sexo...
da pele...
Ela acaricia a luz dourada...
o desconhecido.
Ainda vejo o lugar da entrega:
o barco quebrado...
Paredes pintadas...
venezianas voltadas para o fog�o...
as manchas de sangue.
Lembro- me bem...
O quarto era escuro....
cercado pelo ..
alarido incessante da cidade.
Levado para longe da cidade ...
pelo fluxo da cidade.
Meu corpo misturava-se ao alarido...
aquele fluir do lado de fora...
exposto.
O mar... eu pensei...
a imensid�o.
Em que est� pensando?
Est�o mortas.
Doeu?
N�o.
Est� triste?
Acho que sim.
Um pouco.
Eu n�o sei.
� porque fizemos amor durante o dia...
no auge do calor.
N�o.
Sou eu.
Sempre estou um pouco triste.
Sou como minha m�e.
Contei-lhe que seria escritora.
Ela reclamou.
Ela disse que isso n�o era trabalho...
� uma id�ia de crian�a.
Ela quer que eu lecione...
para ganhar dinheiro.
O que quer escrever?
Livros ...
Romances ...
Sobre meu irm�o mais velho...
para mat�-lo...
v�-lo sofrer ...
faz�-lo morrer.
Para salvar meu irm�o ca�ula.
E sobre aquilo...
sobre a tristeza da minha m�e.
Sobre falta de dinheiro, sobre a vergonha.
Conhe�o as trag�dias pelas quais sua m�e passou...
e as trag�dias que ela viveu.
Como sabe?
Pelos criados.
Pelo meu motorista.
Sabe-se tudo atrav�s dos criados.
Conhe�o seu irm�o mais velho.
Encontrei-o nas casas de �pio ao longo do rio.
Ele fuma demais.
Demais.
Os brancos n�o sabem fumar.
� um animal.
Ele me assusta.
Rouba da minha m�e para fumar.
Rouba dos criados.
Mam�e nunca diz nada.
Ele � o seu predileto.
Desde a morte de papai n�o temos dinheiro.
Mam�e perdeu tudo aqui.
Ela fez op��es erradas.
Como conseguem viver?
Fazemos o poss�vel.
N�o temos honra.
Fazemos o poss�vel.
Veio at� aqui porque tenho dinheiro?
N�o sei.
Vim porque gostei de voc�.
Gostaria de mim se eu fosse pobre?
Gosto de voc� assim...
com dinheiro.
Quero ...
lev�-la para longe.
Gostaria de partir
com voc�.
N�o posso, sem minha m�e...
sou jovem demais.
N�o posso deixar meu irm�o e minha m�e.
N�o ainda.
Pedi-lhe que fizesse in�meras vezes.
Que fizesse comigo.
Ele fez.
Ele o fez untando- se no sangue.
Pensei: Ele est� acostumado a isso...
� o que ele faz na vida
Amar, nada mais.
Tenho muita sorte...
� como se esta fosse sua profiss�o.
Ele me cobre ...
mergulha em si mesmo novamente.
Ficamos assim, agarrados, gemendo...
em meio ao burburinho da cidade.
Sabe...
sempre se lembrar� desta tarde.
Mesmo que esque�a meu rosto...
meu nome.
Acha que me lembrarei do quarto?
Olhe bem para ele.
� igual aos outros.
Isso mesmo.
S�o sempre iguais.
Fico imaginando como encontrei a for�a...
para enfrentar o proibido com esta calma...
esta determina��o ...
Como consegui ir at� o fim ...
com essa id�ia.
Como pude obter tanto prazer para mim mesma...
com este homem desconhecido?
Mam�e ....
me matar� se descobrir.
Meu irm�o o mataria.
Imagina...
com um chin�s.
Desde que eu era pequena...
ela me diz que nas col�nias ...
uma jovem que n�o � virgem...
n�o conseguir� mais achar marido.
Acha que � verdade?
Sim, sua m�e tem raz�o.
N�o � mais poss�vel depois da...
desonra.
Por exemplo ...
se quisesse me casar com voc�...
n�o seria permitido.
A id�ia � intoler�vel para n�s.
Sou chin�s.
Sinto muito.
Agora que fez amor comigo...
o casamento entre n�s seria imposs�vel.
Assim � melhor ent�o.
N�o gosto muito de chineses.
�i...
Ei...
Posso me deitar com voc�?
Agora n�o.
Amanh� falo com voc�.
O que h�? Algo errado?
O que ela est� fazendo naquele carro novo?
Oi.
Espere. Espere.
N�o se acanhe, � um �timo boletim.
Ela � a rica herdeira, e eu, o rico herdeiro.
A data foi acertada h� anos.
por isso voltei da Fran�a.
Voc� a ama?
N�o a conhe�o.
Para n�s...
os casamentos s�o arranjados pelas fam�lias.
Sabemos que, juntos, nosso futuro � impossivel.
Por isso, falamos do futuro ....
com indiferen�a...
sem envolvimento, sem paix�o.
As duas fam�lias se uniram ...
para ocultar as riquezas.
Faz parte dos costumes da China antiga ...
e da moderna.
N�o far�amos de outra maneira.
Ele nunca trabalhou.
Diz que se fosse pobre...
seria terr�vel.
Ele � pregui�oso demais para trabalhar.
O �pio consome a sua for�a.
N�o.
� a riqueza que consome a for�a dele.
Ele n�o faz nada.
Nada.
Apenas faz amor.
Mas � engra�ado...
� assim que o quero. Eu o desejo.
Voc� ainda me ama?
Somos amantes.
Todo dia voltamos � casa.
N�o paramos de amar.
Isto acontece....
no bairro de Cholon todas as noites.
Toda noite...
a jovem vem para receber o prazer...
que faz uma mulher gritar com este homem moreno...
que vem de Cholon...
da China.
Oi, mam�e.
Oi, Paul.
�s vezes, eu voltava � casa de Sadec...
ao horror da casa de Sadec.
� um lugar insuport�vel...
pr�ximo � morte.
Um lugar de viol�ncia ...
de dor, de desespero, de desonra.
Eu a pro�bo de bater portas!
Voc� me ouviu?
Quem a trouxe de Saigon?
Eu lhe disse, um amigo... que vive em Vinh Long.
Me deu uma carona.
� um amigo, s� isso.
Quem, em Vinh Long?
N�o o conhece.
Ele acabou de voltar de Paris.
Um amigo. Um amigo rico.
Nem todos s�o pobres.
E isto?
O que � isto?
Um papel azul.
O pensionato enviou.
Onde dormiu na ter�a e na quarta?
Onde dormi na ter�a e na quarta?
N�o foi no pensionato.
Os ventiladores n�o funcionavam.
Quer saber?
Dormi com o meu amigo.
Bata nela, m�e.
N�o a deixe impune.
� na aridez desta familia...
em sua incrivel aspereza...
que estou mais segura de mim...
das minhas mais profundas convic��es.
Nossa hist�ria comum, de ruina e vergonha...
de amor e �dio, est� em minha carne.
Sua filha parece uma prostituta.
Pare de atirar!
Ainda perten�o a esta familia...
Aqui �, com exce��o dos outros lugares...
onde vivo.
O vestido era seu.
Voc� comprou os sapatos...
Eu os uso h� meses.
Estavam numa liquida��o, lembra-se? Na Rue Catinat.
Faz de prop�sito?
V� meu estado por sua causa?
Parece que isso a deixa feliz.
Se n�o confia mais em mim...
me tire do pensionato.
Al�m disto, n�o pedi para passar sozinha ...
o ano sozinha em Saigon.
�s vezes, minha m�e consegue ser muito feliz...
quando consegue esquecer.
Lavar a casa pode ser suficiente...
para a felicidade de minha m�e.
Ela toca piano, canta, ri ...
e todos pensam ...
que algu�m pode ser feliz nesta casa em ruinas que...
se transforma em p�ntano...
em campo perto de um rio...
em vale, em praia.
Meus respeitos, senhora.
Minha m�e.
Meu irm�o, Pierre.
E meu irm�o Paul.
Fica Lotado no s�bado.
Deseja um coquetel, senhor?
Sim. Tr�s Martel-Perriers e um saqu�.
Quando foi proclamada a Repblica, deixamos a China.
Papai vendeu suas terras ....
aos Japoneses...
que j� dominavam a Manchria.
As casas, as j�ias, tudo...
para partirmos para o sul.
E Minha m�e ....
ficou na estrada ...
n�o conseguia continuar.
Minha familia nada deve saber.
Est� implicito ...
que ele est� aos meus p�s...
fico com ele por dinheiro ...
e n�o posso am�-lo...
pois ele � chin�s, n�o � branco.
Meus irm�os comiam, e n�o lhe falavam.
Eu tamb�m n�o lhe falava.
Diante de minha familia, ele deixava de ser meu amante.
Ele n�o deixava de existir....
Ele nada mais significava para mim.
Ele se tornava uma casa em ruinas...
um esc�ndalo inaceit�vel ...
um motivo de vergonha... que tinha de ser ocultado.
O que esperamos?
Quero ir ao "La Cascade".
Sua conta, senhor.
Queremos ir ao "La Cascade".
para beber e dan�ar.
Por que ri?
Por estou dan�ando com a sua irm�?
Desculpe.
Voc�s formam um p�ssimo par.
N�o ligue para ele, senhor.
Ele est� b�bado.
O que?
Por acaso n�o posso rir?
Quer brigar?
Tome cuidado, amiguinho.
Seria preciso dois de voc� para fazer o servi�o.
Oh, n�o.
Muito mais do que isso...
seria preciso quatro de mim.
N�o sabe como sou fraco.
Vamos embora.
Perdoe-o, senhor.
Perdoe a todos n�s.
N�o criei direito meus filhos.
Estou pagando por isso.
Sou eu a mais castigada.
Quanto vale isto?
Quanto custa num bordel ...
o que fez comigo agora?
De quanto precisa?
Mam�e precisa de 500 piastras.
Consegui o dinheiro.
Tome.
Onde � a sala dela?
Ali.
Precisa deix�-la...
sair � noite...
e n�o lhe dizer a que horas deve voltar.
N�o a obrigue ....
a sair com as colegas...
Ela � muito independente. Acabaria fugindo.
Nem eu consigo control�-la.
Sempre foi boa aluna ...
mesmo sendo independente.
A diretora aceitou porque sou branca ....
e para a reputa��o do pensionato...
precisa ter algumas brancas entre as mesti�as.
Ela deixou que morasse l� ...
como se fosse num hotel.
S� o professor de franc�s
fala comigo na escola.
� por sua causa.
� imagina��o sua.
N�o.
Algumas fam�lias se queixaram.
Chamaram-me de vadia.
Aquela que vai para a parte escura da cidade ....
para ter seu corpo acariciado por um chin�s.
N�o � nada.
� verdade, n�o � nada.
Ohh! Ele a tocou. � nojento
Ohh! Ela se deita com um Chin�s.
Um dia, voc� voltar� � Fran�a.
N�o posso suportar isso.
Quando voltar� � Fran�a?
No final do ano escolar ...
mas ainda n�o � certo.
Mam�e tem dificuldades para partir.
Esta j�ia era de minha m�e.
-Fique com ela.
Disse a ele que isso era diferente ....
forte demais.
Disse a ele que...
� horr�vel afast�-la do meu corpo.
Disse-lhe que ele, meu pai...
devia saber como �...
um amor como esse...
t�o forte, que nunca mais acontecer� na vida ....
nunca mais.
Ele quer o casamento com ...
essa jovem que nunca vi.
Ele n�o tem piedade de mim.
N�o tem de ningu�m.
E voc�?
Quer esse casamento?
A quest�o n�o � querer ...
ou n�o querer.
Nada sou sem a riqueza de meu pai.
Ele me disse...
Prefiro-o morto ...
a saber que saiu com a jovem branca
Ele tem raz�o.
Ele tem raz�o, pois eu vou partir.
E eu n�o o amo.
Est� vendo?
� aqui.
Quando eu era crian�a,
mam�e queria ter um dique...
para proteger suas terras.
Queria ficar rica por nossa causa.
Investiu as economias ....
deixadas por meu pai.
Mentiram para ela.
Venderam terras alagadas
para receberem comiss�es.
A �gua salgada cobriu tudo.
Ela perdeu tudo aqui.
Levaram os anos...
para acreditar que isso era poss�vel.
roubassam todas suas economias.
e depois n�o mais lhe dirigissem a palavra...
para joga-la fora.
Ela queria gritar, brigar.
Come�aram a dizer que era louca ...
a n�o acreditar no que ela dizia...
sobre seu dinheiro.
dizendo que ela mentia.
N�o vimos outros brancos durante anos.
Tinham vergonha de n�s.
Ela teve de abandonar tudo ...
deu o arrozal ...
aos criados...
al�m do bangal� e dos m�veis.
Costumava sentavar aqui ...
com minha m�e e meu irm�o ca�ula...
e fic�vamos vendo o c�u do Si�o ...
atr�s das montanhas.
Est� com frio?
Um pouco.
Naquela noite, percebi.
Eu sabia que....
mais tarde escreveria a vida de minha m�e.
Como foi morta por agentes do cadastro territorial...
roubada por funcion�rios do governo.
Escrever....
Era o que eu via al�m do momento...
naquele grande deserto...
cujas formas ...
eu vejo toda a minha vida.
Ela � bonita?
� rica.
A fam�lia tamb�m pensou nisso.
Ela � coberta com ouro...
Jade ....
e diamantes.
J� dormiu com outra branca antes?
Sim, em Paris, � claro.
N�o aqui.
Por qu�?
Aqui ...
al�m de prostitutas francesas...
� imposs�vel ter mulheres brancas.
Totalmente imposs�vel.
Quero que diga para mim...
voc� veio at� aqui para que lhe desse dinheiro.
Vim aqui para que me desse dinheiro.
Repita...
Pensei no dinheiro ...
e apenas no dinheiro...
desde que o vi no barco.
Pensei no dinheiro ...
e apenas no dinheiro...
desde que o vi no barco.
Voc� � uma vagabunda.
Voc� � uma vagabunda.
N�o acho isso repugnante ....
pelo contr�rio.
Sabe...
antes de conhec�-la...
nada sabia sobre o sofrimento.
Eu adoraria...
adoraria lev�-la...
mas n�o tenho for�as.
N�o tenho for�a alguma.
Estou morto.
N�o sinto desejo por voc�.
Meu corpo j� n�o quer aquela que n�o ama.
Sabe quanto vale?
Voc� quer que n�s acreditemos....
Ele deu-lhe isto por causa do seu belo rosto?
Por que lhe deu o diamante?
Por qu�? Porque � rico!
Sua filha � uma vadia!
Venda-o!
N�o ligo para ele!
Dormiu com ele. Tenho certeza disso.
Olhe s� para ela!
Ela � uma desgra�a.
O qu�?
Tem de fazer algo, m�e!
O que est� dizendo? Eu, com um chin�s?
Nada aconteceu, nada!
Nem mesmo um beijo!
Isto cheira a chin�s.
Dormiu com ele!
Diga.
Diga.
Diga!!!
Voc� vai dizer, sua vadia!
Sua vadia imunda!
Dormiu com um chin�s! Gostou?
Pierre, pare!
Pare com isso! Vai mat�-la!
Pare, pelo amor de Deus!!!
Voc� vai mat�-la! Pierre!
Pare!
Pensei que minha crian�a n�o viesse.
Peguei um riquix�.
Fumou muito?
� tudo o que fa�o.
N�o sinto mais desejo.
N�o sinto mais amor.
� maravilhoso.
� como se... nunca tiv�ssemos nos conhecido...
ou como se tivesse partido h� meses.
Quando vai se casar?
Na pr�xima sexta...
e voc� partir� ....
no Alexandre Dumas... 12.
Olhe para mim.
Vou morrer de amor por voc�.
Ap�s seu casamento ...
vamos nos encontrar aqui uma vez.
S� uma vez.
Lembra-se?
Voc� prometeu.
Vai vender a mesa de jacarand�?
Sim.
Sim, vou vender tudo.
Est� tudo acabado aqui.
S� sentirei falta das camas de metal.
Na Fran�a, s�o macias demais.
Que chap�u � esse?
M�e, eu estou usando-o h� meses!
- E eu o comprei pra voc�? - Quem mais?
�s vezes, compra tudo o que queremos.
Eu me esqueci.
Sabe ...
eu n�o era como voc�.
N�o estudava com a sua facilidade ...
E eu...
era muito s�ria...
por muito tempo, tempo demais.
Foi assim que perdi o sentimento...
o meu pr�prio prazer.
Ele fez uma coisa boa.
Quem?
Seu amigo ...
Seu amigo chin�s.
Pagou as d�vidas do seu irm�o.
na venda de �pio.
Tamb�m pagou a viagem ...
Ele foi maravilhoso.
Muito discreto, tamb�m.
Eu o subestimei.
Sinto muito por isto.
S� sa�a com ele pelo dinheiro?
Sim.
Quando o navio lan�ou seu primeiro adeus...
a prancha foi levantada...
e os rebocadores o puxaram...
afastando- o da terra...
ela chorou.
Ela chorou sem derramar l�grimas.
Sem demonstrar � m�e ou ao irm�o ....
que estava triste.
Sem demonstrar nada ....
como era o costume entre eles.
Ele estava l�.
Era ele, no banco de tr�s...
a silhueta quase invisivel ...
n�o se mexia, oprimida.
Ela estava debru�ada na murada ...
como na primeira vez.
Sabia que ele a observava.
Ela tamb�m o observava.
Ela n�o o via mais, mas continuava a olhar...
a silhueta do carro negro.
Finalmente, ela n�o o via mais.
O porto desaparecera ...
e, ent�o, a terra.
Uma noite ...
durante a travessia do Oceano �ndico...
no sal�o principal, no grande conv�s...
subitamente, foi tocada ...
uma valsa de Chopin.
N�o havia vento ...
e naquela noite...
a m�sica espalhou- se sobre o navio escuro...
como uma mensagem celeste ...
ligada a algo desconhecido...
como uma ordem de Deus ...
de significado inescrut�vel.
Ela chorou
porque pensou naquele homem de Cholon...
seu amante ...
E, de repente, J� n�o tinha certeza ....
se n�o o amara...
com um amor que n�o vira...
pois ele havia se perdido na hist�ria...
como �gua na areia ...
e ela redescobria isso agora...
enquanto a m�sica se lan�ava pelo mar.
Anos ap�s a guerra ...
os casamentos, os filhos...
os div�rcios, os livros...
ele voltou a Paris com a esposa.
Ele lhe telefonou.
Estava intimidado.
Sua voz tremia.
E com o tremor adquiriu
o sotaque da China de novo.
Sabia que ela come�ara a escrever...
Sabia ele que o irm�o ca�ula morrera.
Ele ficou triste por ela.
Ent�o, n�o sabia mais o que dizer.
Ent�o, ele lhe disse.
Ele lhe disse que era como antes....
Que ele ainda a amava ....
que nunca deixaria de am�-la.
Que iria am�-la at� morrer.
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