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� MARGEM DA VIDA
Sou capaz de muitos truques.
"Tiro coelhos de cartolas."
Mas sou o oposto do um m�gico.
Ele cria ilus�o parecendo verdade.
Eu crio verdade parecendo ilus�o.
Para come�ar, eu volto no tempo.
A curiosa d�cada de trinta,
quando a Am�rica de classe m�dia estudava em escola para cegos!
Seus olhos enganavam ou eram enganados.
For�avam cada vez mais os dedos
sobre o Braille torturante de uma economia em dissolu��o.
Na Espanha, uma revolu��o. Aqui, gritaria e confus�o.
Na Espanha, Guernica.
Aqui, protestos de oper�rios, �s vezes violentos,
em cidades pac�ficas como Chicago, Cleveland e St. Louis.
� o panorama social em que transcorre a pe�a.
A pe�a � recorda��o...
Assim sendo, � um tanto melanc�lica.
Emocional...
N�o � realista.
Recorda��es parecem seguir uma melodia...
Por isso o violino.
Nesta pe�a sou narrador e tamb�m ator.
H� tamb�m a minha m�e, Amanda, a minha irm�, Laura,
e um cavalheiro nas cenas finais.
Ele � o mais realista de todos.
Emiss�rio de um mundo de realidade, ao qual est�vamos alheios.
Tendo queda po�tica por s�mbolos, eu o uso tamb�m como tal.
Algo que demora, mas pelo qual vivemos a esperar.
H� um quinto personagem.
visto apenas nesta foto.
Meu pai que h� tempos nos abandonou.
Era da telef�nica e se apaixonou por longas dist�ncias.
Ele largou o emprego e p�s o p� na estrada.
Seu �ltimo contato foi um cart�o-postal de Mazatlan
no M�xico, contendo duas palavras:
"Ol�... Adeus!"
E nenhum endere�o.
Coisa curiosa me ocorreu domingo na igreja.
A igreja estava cheia e havia apenas um banco vago
junto a uma senhora.
Sorrindo, perguntei se podia me sentar.
"Claro que n�o. Est� alugado."
N�o sabia que o Senhor alugava bancos.
Esses nortistas episcopais!
Entendo os sulistas mas os nortistas, n�o!
N�o fa�a isso!
Tendo que empurrar, use um p�o.
Mastigue o alimento.
Animais t�m secre��es no est�mago
que permitem ingerir alimentos sem mastigar.
Mas n�s precisamos mastigar antes de engolir.
Mastigue!
Coma lentamente.
Coma lentamente.
Uma refei��o bem feita tem sabores delicados
que merecem ser apreciados na boca antes da ingest�o.
Portanto, mastigue!
D� trabalho �s gl�ndulas salivares.
Com a senhora me dizendo como comer n�o � poss�vel!
� a senhora que me faz correr, fiscalizando
cada colherada minha. D� n�useas!
N�o para de falar em secre��es de animais
gl�ndulas salivares, mastiga��o!
Parece um astro do Metropolitan...
N�o permiti que sa�sse.
- Vim fumar. - Fuma muito...
- Vou trazer o caf�. - Senta a�.
Hoje sou o negrinho e voc� a patroa.
J� estou em p�.
Sente-se. Espere a visita do cavalheiro.
N�o estou esperando nenhum cavalheiro.
O bom � que �s vezes eles chegam quando menos esperamos.
Num domingo em Blue Mountain, quando eu era mocinha,
um vasto grupo de cavalheiros bateu � porta
com chocolates e flores.
Conhe�o a hist�ria!
Sim. Mas deixa-a contar!
De novo?
Ela adora contar!
Naquele domingo quando era mocinha,
dezessete cavalheiros visitaram sua m�e.
�s vezes n�o havia cadeiras suficientes.
Mand�vamos o negrinho � igreja buscar algumas.
Como entreteve os cavalheiros?
Dominava a arte de conversar.
Falava muito.
As mocinhas da �poca tamb�m.
Sab�amos como entret�-los.
N�o bastava ter rosto e corpo bonitos.
Eu sempre careci destes atributos.
Era preciso saber falar bem em qualquer ocasi�o.
Sobre o que falava.
Fatos importantes da �poca.
Nada grosseiro, corriqueiro ou vulgar.
Eram realmente cavalheiros. Todos.
Os mais nobres do Delta do Mississippi.
Fazendeiros e filhos de fazendeiros.
Um era o jovem Champ Laughlin.
Viria a ser vice-presidente de um banco.
Os irm�os Cutrete.
Wesley e Bates.
Bates era um dos mais ardentes.
Brigou com o arruaceiro Wainwright.
Chegaram a trocar tiros.
Bates foi baleado no est�mago.
Morreu a caminho de Memphis.
Deixou vi�va bem de vida.
Muitas terras!
Nem sequer a amava.
Casou-se ainda louco por mim.
Acharam minha foto em seu bolso.
E aquele rapaz...
Aquele que todas as mo�as tentavam conquistar.
Aquele rapaz belo e inteligente...
O Fitzburgh, de Greene County.
- Como deixou a vi�va? - Jamais se casou.
Fala como se todos tivessem partido.
� o primeiro que diz estar vivo.
Ganhou muito dinheiro.
Foi para Wall Street e se estabeleceu.
Poderia ter sido esposa dele. E o que eu fiz?
Preferi ficar com seu pai.
Eu vou lavar os pratos!
N�o. V� treinar datilografia.
Treine com afinco.
Est� quase na hora de chegar os cavalheiros.
Quantos ser�o hoje?
N�o vir� nenhum!
Nenhum?
S�rio? N�o vir� nenhum?
Alguma enchente eu tornado?
Nada disso, m�e.
N�o sou popular como a senhora em Blue Mountain.
Teme que me torne uma solteirona.
Ol�, m�e. Estava...
Estava treinando, imagino.
Decep��o!
E a reuni�o?
Que reuni�o?
N�o foi � reuni�o?
Fui coisa nenhuma!
N�o tive for�as!
Faltou coragem! S� queria achar um buraco no ch�o
e me meter nele para o resto da vida!
E por que, m�e?
Por qu�?
Qual a sua idade?
Sabe a minha idade.
Julgava-a adulta. Mas me enganei.
N�o me olhe assim.
O que vai fazer? O que ser� de n�s?
E o futuro?
Houve alguma coisa?
Houve alguma coisa?
Logo me recupero. S� estou chocada pela vida!
Pode me dizer o que aconteceu?
Ia � reuni�o, como sabe.
Iria ser promovida.
No caminho parei no centro de aulas
para comunicar seu resfriado e saber seu andamento.
Apresentei-me � sua professora datil�grafa.
Desconhecia voc�. "Ningu�m com esse nome."
Eu garanti que havia. Disse: "Minha filha est� aqui desde janeiro!"
Respondeu: "Refere-se �quela mo�a t�mida"
"que desistiu h� alguns dias?"
Refiro-me � minha filha Laura que n�o falta h� seis semanas.
Pediu licen�a para ver a lista de presen�a.
L� estava seu nome.
Ausente do in�cio ao fim.
Eu ainda insisti haver um engano.
Deve haver um equivoco nessa lista!
"N�o, lembro-me perfeitamente dela."
"Era t�o t�mida."
"Tremia tanto que n�o acertava as teclas."
"Num teste de velocidade perdeu o controle."
"Teve n�useas."
"Ent�o n�o voltou mais."
"Ligamos mas nunca atendiam."
Eu trabalhando o dia inteiro
naquela loja, fazendo demonstra��o.
Ao ouvir aquilo quase desmaiei.
Sentei e me deram �gua.
Cinquenta d�lares!
N�o � tanto pelo dinheiro!
Mas foi-se a esperan�a de um futuro melhor para voc�!
N�o ligue a vitrola!
Que fazia todo dia quando dizia ir � aula?
Passeava.
- N�o pode ser! - Sim, eu apenas passeava!
Caminhando? No inverno? Queria mesmo pegar pneumonia!
Onde passeava?
V�rios lugares. No parque, por exemplo.
Mesmo ap�s o resfriado?
Foi o menor dos males!
N�o podia voltar. Eu vomitei no teste.
Mas das 7:30h da manh� at� ap�s as 17h da tarde?
Passeava para me fazer crer estar na aula?
N�o � t�o ruim como parece. Eu me aquecia em certos locais.
Onde?
No museu de arte.
E no viveiro do zool�gico.
Visitava os pinguins todo dia.
�s vezes n�o almo�ava para ir ao cinema.
Nos fins de tarde ia a uma loja.
Uma casa grande de vidro onde se cultivam flores tropicais.
Tudo isso para me enganar?
Para enganar?
Por qu�?
Quando se decepciona,
a senhora faz uma express�o igual � da m�e de Jesus num quadro do museu.
N�o suportar isso.
N�o pude!
O que faremos agora
para o resto de nossas vidas?
Vamos ficar sentados aqui
vendo a vida passar?
Apreciando os enfeites de cristal?
Ouvir eternamente este discos gastos
como uma dolorosa lembran�a de seu pai?
N�o queria ter uma carreira? N�o... isso n�o!
Isso nos d� indigest�o!
O que nos resta sen�o aperto vida afora?
Sei muito bem o que ocorre �s mulheres solteiras
despreparadas para ocupar posi��o na vida.
Vi exemplos tristes l� no Sul.
Solteironas maltratadas pela cunhada ou cunhado.
Jogadas num quarto min�sculo!
Sendo obrigadas a visitar estranhos...
Mulheres sem lar pr�prio
passando humilha��es a vida inteira!
Foi esse futuro que tra�amos para n�s?
Juro n�o ver alternativa!
N�o creio ser agrad�vel!
Claro, algumas se casaram.
J� gostou de algu�m?
Gostei, certa vez.
� mesmo?
Achei uma foto h� algum tempo.
- Ele lhe deu sua foto tamb�m?! - N�o, estava no �lbum escolar.
Foi no col�gio.
Chamava-se Jim.
� ele aqui, no palco...
Numa opereta montada pela classe.
Ele tinha uma voz incr�vel.
Eu me sentava na primeira fila,
nas segundas, quartas e sextas no audit�rio.
Aqui ele recebendo um pr�mio.
Est� rindo.
Ria tamb�m?
Ele me chamava de Rosa Azul.
Que tipo de apelido � esse?
Fiquei doente.
Faltei muitas aulas.
Ao voltar perguntou-me
e n�o entendeu minha resposta.
Passou a me chamar assim.
Sempre que me via, dizia: "Ol�, Rosa Azul!"
Nunca me importei com a mo�a com a qual ele sa�a.
Emily Meisenbach.
A mais bem vestida da escola.
Mas nunca me pareceu sincera.
Li num jornal que estavam noivos.
Faz tempo. J� devem estar casados.
Tudo bem, filha.
�s vezes as que n�o d�o para uma boa carreira
casam-se e � o que quero v�-la fazer.
Sou aleijada!
N�o diga isso. Quantas vezes disse para n�o usar esse termo?
N�o � aleijada, apenas tem um pequeno defeito.
No meu tempo, voc� e eu dan�ar�amos toda noite
com aquelas saias longas tocando o ch�o.
Isso seria visto como um toque de charme.
Querida, quando temos uma pequena desvantagem
temos que criar algo para contrabalan�ar.
Cultive charme ou vivacidade, ou...
Charme!
Isso seu pai tinha de sobra!
Charme!
Ap�s a decep��o quanto �s aulas,
conseguir um cavalheiro para Laura
passou a importar cada vez mais para minha m�e.
Tornou-se uma obsess�o!
No final daquele inverno e in�cio da primavera
percebendo que seria caro "enfeitar o pav�o"
ela se dedicou a uma cruzada vigorosa no telefone
atraindo assinantes para uma revista feminina
chamada 'A Companhia das Damas'
que publicava fantasias de mulheres cultas
que admiram hero�nas de seios firmes...
cinturinha fina...
coxas bem lisas...
olhos irresist�veis...
dedos que acalmam como melodia...
corpos fortes como uma escultura etrusca.
Ida Scott? Amanda Wingfield.
Estive vendo que sua assinatura est� quase expirando!
Temos uma nova s�rie iniciando.
A primeira desde 'Lua-de-Mel para Tr�s'.
Essa � ainda mais ador�vel!
� sobre a alta classe de Long Island.
Uma jovem � derrubada pelo cavalo
ao saltar com ele durante uma... "regata".
Machuca a coluna.
O cavalo pisou em sua coluna.
E o �nico m�dico que pode livr�-la de uma paralisia
� o homem de quem est� noiva.
� alto, louro e... como?
N�o deixa queimar, n�o! Eu fico esperando.
Sabe o que ela fez? Desligou na minha cara!
- Fa�a-me um favor. - O qu�?
Penteie o cabelo.
Fica bonito com o cabelo penteado.
� a �nica coisa que aceito que imite seu pai.
Espero que n�o.
Cuidava bem de si.
Nunca se permitia uma m� apar�ncia.
Ocupe-se com outra coisa. Estou tentando...
Sente-se direito para n�o prejudicar os ombros!
Sei que uma m� postura pode fazer muito mal.
O est�mago pressiona os pulm�es,
os pulm�es o cora��o, que pode at� parar de bater!
O que devo fazer, Deus do c�u?!
N�o se atreva a falar assim comigo!
Est� fora de si?
Sim, e a senhora me tira do s�rio!
O que se passa com voc�, bobalh�o?
Ou�a, m�e. N�o h� sequer uma coisa nessa casa que seja minha!
Ontem, confiscou meus livros, teve a aud�cia...
Certamente!
Devolvi aquela indec�ncia � biblioteca!
Sei que h� mentes doentes que gostam daquilo
mas n�o permito aquela sujeira na minha casa!
Casa?
Quem paga o aluguel? Quem � o escravo...
Deixa-me calar a minha boca!
- N�o quero ouvir! - Vai ouvir, sim!
- Vou sair! - Vai me escutar!
Vai ouvir! Estou farta de sua insol�ncia!
Estou perdendo a paci�ncia!
Mas e eu?
N�o tenho paci�ncia a perder?
Sei que n�o importa � senhora o que fa�o, o que quero fazer
tendo pouca diferen�a entre uma coisa e outra.
Faz algo vergonhoso, por isso age assim.
N�o acredito que v� toda noite ao cinema.
Noite ap�s noite? Ningu�m em s� consci�ncia
faz o que voc� diz fazer.
Ningu�m vai ao cinema � meia-noite
e os filmes n�o terminam �s duas da manh�.
Chega aqui feito um louco. Dorme s� tr�s horas e depois vai trabalhar.
Imagino o que deve fazer. Deve estar tomando alguma coisa.
- N�o est� em condi��es. - Tem raz�o... n�o estou!
Como ousa arriscar seu trabalho e seguran�a?
Como ficamos se...
Acha que adoro o armaz�m?
Acha que estou apaixonado pelo patr�o?
Que quero passar 55 anos naquele lugar?
Prefiro que me acertem com um porrete
a voltar para l� todo dia de manh�.
Mas eu vou. Todas as manh�s
voc� chega dizendo: "vamos levantar!"
Penso na sorte que t�m os mortos!
Mas eu me levanto!
Por $65 ao m�s, abro m�o do que sempre
sempre sonhei ser!
E ainda diz que sou ego�sta? Se fosse estaria l�
onde ele est�... o mais longe que um trem pode levar!
- N�o me segure! - Aonde voc� vai?
- Vou ao cinema! - � mentira!
Tem raz�o. Vou ao clube do �pio.
� verdade, m�e!
Misturo-me aos criminosos e delinquentes.
Sou assassino profissional. Entrei para a gangue.
Porto armas pesadas e sou dono de casas de prostitui��o.
Meu apelido � Matador! Wingfield, o matador.
� isso mesmo.
Vida dupla. De dia um empregado pacato...
mas � noite um poderoso czar do submundo.
Vou ao carteado...
perco fortunas na roleta.
Uso tapa-olho, bigode falso e �s vezes, costeletas.
Nessas ocasi�es me chama de El Diablo.
Posso faz�-la perder o sono.
Meus amigos v�o explodir a casa a qualquer hora.
V�o nos fazer voar pelos ares!
E vou gostar! Vou ficar muito contente!
E a senhora tamb�m.
Vai voar, voar rumo a Blue Mountain
numa vassoura com 17 cavalheiros!
Bruxa velha e tagarela!
Enquanto viver n�o falo com voc�, a menos que se desculpe.
- O que est� fazendo? - Procurando a chave.
Onde esteve at� essa hora?
- No cinema... - At� agora?
Uma sess�o especial.
Um filme de Garbo e um notici�rio,
um document�rio de Mickey e um document�rio
e tamb�m alguns trailers.
Houve um concerto de �rg�o
e pediram doa��es para a campanha de leite,
o que terminou em briga entre uma senhora gorda
e o lanterninha.
- Precisava ficar? - Mas claro!
Esqueci...
Houve um show ao vivo!
A atra��o era o m�gico Malvolio!
Fez truques maravilhosos
como transferir �gua de dois jarros.
Primeiro virou vinho, depois cerveja e depois u�sque!
Pediu que algu�m subisse e provasse o u�sque.
E eu subi. Incr�vel!
Puro Kentucky! Ele foi generoso.
Ele me deu souvenirs.
Eis o seu len�o m�gico!
Fique com ele, Laura.
Passe-o sobre a gaiola de um can�rio
e ele se transforma em um peixinho dourado.
Passe-o sobre um aqu�rio de peixinhos dourados
e can�rios saem voando.
Por�m, o mais incr�vel foi o truque do caix�o.
Foi pregado num caix�o e saiu sem tirar um prego!
Isso me seria �til!
Conseguiria me livrar dessa situa��o!
Por que me manda ficar quieto?
Para compensar todos aqueles "vamos levantar!"
Sabe de uma coisa? N�o � preciso ser inteligente
para ser posto dentro de um caix�o.
Mas quem consegue sair sem tirar sequer um prego?
Vamos levantar! Vamos levantar!
Fa�o a contragosto.
Pe�a a seu irm�o que se levante.
O caf� est� pronto.
S�o 7h... N�o a deixe nervosa.
Fale com ela, fa�am as pazes.
Desculpe-se. Fale com ela.
N�o vai aceitar. Ela j� n�o falou comigo.
Desculpe-se e ela fala com voc�.
E ela calada � uma trag�dia?
Far� o que pedi ou terei que me vestir e ir eu mesma?
S� preciso vestir o casaco.
- Manteiga e o que mais? - S�. Ponha na minha conta.
Sempre fazem careta!
Podem fazer o quanto quiserem
vai ser posto na conta e est� acabado!
O caf� de Tom est� esfriando.
Fa�a o que pedi, sim?
V� agora ou n�o precisa mais!
Estou bem!
Doeu mas estou bem.
Todos caem nessa escada e quebram as pernas,
o propriet�rio precisa ser intimado.
Quem � voc�?
Lamento o que disse. N�o foi intencional.
Minha dedica��o tornou-me uma bruxa odiosa.
N�o, nada disso!
De t�o preocupada, n�o durmo. Isso me deixa nervosa.
Sei disso, m�e.
Lutei sozinha todos esses anos.
Mas voc� � em quem mais confio.
N�o me decepcione.
Vou tentar, m�e.
Se tentar, ter� sucesso. � t�o talentoso.
Voc�s dois s�o.
S�o muito valorosos e sou t�o agradecida.
Prometa-me uma coisa.
Que jamais se tornar� um b�bado.
Prometo jamais me tornar um b�bado!
Coma um pouco.
N�o, s� caf�.
Torradas?
S� caf�...
N�o pode passar o dia inteiro de barriga vazia.
Tem tempo, n�o engula direto!
L�quidos quentes causam c�ncer. Ponha leite.
- S� para esfriar. - Quero puro...
Mas assim faz mal!
Precisamos nos cuidar nesses dias dif�ceis.
S� podemos contar com n�s mesmos!
Por isso � t�o importante...
Sente-se!
Olha o caf� a�.
Mandei Laura ir porque preciso lhe falar.
Mesmo que n�o tivesse falado comigo, eu teria falado com voc�.
- Sobre o que quer falar? - Laura.
Sabe como � Laura.
Quieta mas tem muita energia dentro de si.
Percebe coisas e creio que se ressente com isso.
Certo dia estava chorando.
- Pelo o qu�? - Voc�.
Ela acha que voc� n�o � feliz aqui.
Por que ela acha isso?
Ora, por qu�?
Voc� anda estranho ultimamente.
N�o estou criticando!
Sei que tem ambi��es mas que
como todos nesse mundo tem se sacrificado.
Mas a vida n�o � f�cil!
Exige uma resist�ncia espartana!
H� tantas coisas em meu cora��o
que n�o posso descrever.
Eu nunca disse mas amava seu pai!
Quando vejo voc� como ele
chegando tarde da noite, e bebendo �s vezes...
Ela disse que voc� odeia esse apartamento
e que vai sair daqui. � verdade?
N�o.
Disse haver muito em seu cora��o que n�o pode descrever.
No meu tamb�m. Muita coisa n�o posso explicar!
Vamos respeitar um ao outro.
Mas por que a inquieta��o?
Aonde vai toda noite?
Ao cinema!
Por que vai tanto ao cinema?
Gosto de aventuras...
coisa que n�o tenho em meu trabalho.
Voc� vai muito ao cinema!
Gosto de muita aventura!
Muitos t�m aventuras em suas carreiras.
N�o trabalham em armaz�ns.
Muitos jovens trabalham em armaz�ns e escrit�rios.
Todos tendo aventura em suas carreiras?
Ou passam sem!
Nem todo mundo � louco por aventuras!
O homem � por instinto amante, ca�ador e lutador!
Num armaz�m n�o se d� vaz�o a nenhum desses instintos!
Por instinto?
N�o me venha falar em instinto!
As pessoas n�o t�m instintos. S� os animais!
Adultos crist�os n�o querem instintos!
Ent�o o que eles querem?
Coisas da mente e do esp�rito!
S� os animais t�m que satisfazer seus instintos.
Sua ambi��o deve ser maior do que a de macacos e porcos!
Acho que n�o!
Deve estar brincando!
- N�o era o assunto! - Estou sem tempo.
Tem cinco minutos!
Quer que eu seja descontado por atraso?
Quero falar sobre Laura.
Qual o assunto?
Precisamos fazer planos para ela.
� mais velha que voc�.
Nada est� acontecendo com ela!
Est� � margem... fazendo nada!
Creio ser o tipo chamado "garota caseira."
N�o existe tal tipo. Se existe, � uma pena!
A menos que seja uma casa com um marido.
Como?!
Eu percebo tudo bem claramente.
Cada vez mais voc� se parece com seu pai.
Ele ficava fora a noite inteira. E um dia foi embora!
Adeus! E me deixou com as responsabilidades.
Vi a carta que recebeu da marinha mercante.
Sei o que sonha fazer!
N�o sou t�o idiota assim! Pode ir!
Mas s� depois que algu�m tomar seu lugar!
Como assim?
Quando Laura tiver quem cuide dela.
Casada, com seu pr�prio lar.
Ent�o fa�a o que quiser. Na terra, no mar, onde for!
Mas at� l�, cuide de sua irm�.
Nem digo de mim. Estou velha e sem valor.
Mas ela � jovem e necessitada.
Mas o que posso fazer?
Superar seu ego�smo!
Voc�, voc�! � s� no que pensa!
- Ainda n�o falei! - Estou atrasado.
L� no armaz�m n�o h� rapazes atraentes?
- N�o! - Deve haver algum!
Procure um bom rapaz, que n�o beba
e apresente-o � sua irm�.
Para eles se conhecerem.
Traz? Traz?
Sim.
Ella Cartwright? Aqui fala Amanda Wingfield.
E a dor nos seus rins?
Voltou?
Voc� � uma m�rtir!
Voc� � uma m�rtir, sim, Ella...
Estive vendo que a assinatura de sua revista expirou.
Est� come�ando uma nova s�rie de Bessie Mae Harper.
Sobre gente rica de Long Island que...
Mas j�? Voc� j� leu?
Como acha que vai acabar?
Bessie Mae Harper jamais decepciona...
Mas, Ella, voc� precisa...
N�o se pode ter hist�ria sem essas complica��es.
Bessie sempre nos deixa dessa maneira!
Qual o problema? Est� aborrecida?
S� porque s�o sete da manh�?
Desculpe. Voc� s� se levanta �s nove!
Esqueci que era permitido dormir at� tarde assim!
S� posso dizer que sinto muito!
Verdade?
Vai assinar mesmo assim?
Muito obrigada!
Bem perto de n�s ficava o Paradise Dance Hall.
Na primavera abr�amos as janelas e ouv�amos m�sica.
�s vezes apagavam as luzes, exceto
um globo enorme pendurado no teto.
Girava lentamente refletindo breves raios de luz.
A orquestro tocava uma valsa ou um tango
algo com ritmo lento e sensual.
Casais saiam rumo a relativa privacidade do beco.
Pod�amos v�-los se beijando atr�s de telefones p�blicos.
Compensava vidas como a minha, sem mudan�a ou aventura.
Aventuras e mudan�as eram iminentes naquele ano.
Aqueles jovens logo seriam surpreendidos!
Havia atividade na Alemanha e passividade na Inglaterra.
Na Espanha, uma guerra civil.
Aqui, apenas m�sica, bebida, dan�as... cinema.
E sexo, que pairava no ar como um candelabro
enchendo o mundo com breves e enganosos raios.
O mundo inteiro esperava os bombardeios!
- Onde est� voc�? - Vim fumar...
Voc� fuma muito!
Um ma�o a 15 centavos por dia?
Quanto n�o sai ao m�s?
Multiplique por trinta!
N�o seria muito mas seria o bastante
para pagar um curso que o levasse � universidade. N�o seria bom?
Prefiro fumar!
Este � o seu problema.
Esta escada de emerg�ncia � uma desculpa para voc�, n�o?
- O que est� olhando? - A lua...
� noite de lua?
Apenas uma pontinha prateada de lua!
J� fez um pedido?
- O que pediu? - � segredo...
Ent�o tamb�m n�o conto o meu!
Posso fazer tanto mist�rio quanto voc�!
Acho que sei o que pediu!
- D� para adivinhar? - N�o � uma esfinge.
N�o guardo segredos. Conto meu pedido.
Pedi sucesso e felicidade para meus preciosos filhos.
� o que sempre pe�o, com ou sem lua.
Pensei que fosse algum cavalheiro.
Por que diz isso?
N�o se lembra que me pediu um?
Disse que seria bom para Laura.
Creio ter feito essa sugest�o mais de uma vez.
Sim, constantemente!
Vir� algu�m. Um cavalheiro.
Convidou um bom rapaz para vir aqui?
Para jantar!
- Verdade? - Claro...
- Ele aceitou? - Aceitou.
Aceitou!
N�o � ador�vel?
Pensei que fosse gostar.
- Confirmado? - Sim.
- Quando? - Em breve.
- Mas quando? - Muito em breve...
Quando quero saber algo voc� faz isso!
O que deseja saber?
Quer saber quando vir� jantar o cavalheiro?
- Amanh�. - Amanha?
N�o posso preparar nada especial para amanh�.
- Por que n�o? - N�o h� tempo!
Para qu�?
Preparativos. Devia ter avisado assim que ele aceitou!
- N�o precisa ficar assim. - Claro que preciso!
N�o se pode receber algu�m assim! Preciso arrumar!
Preciso pensar bem r�pido.
N�o vejo por qu�!
Voc� n�o percebe?
Um cavalheiro n�o pode ser recebido numa pocilga!
Como ser� que est� aquela velha toalha de mesa?
Tom, sequer temos roupas apropriadas.
N�o � um rapaz que deva ser tratado assim.
Como diz isto? � o primeiro cavalheiro que visita sua irm�.
- Entre. - Para qu�?
Quero lhe fazer umas perguntas.
Se fizer alvoro�o, cancelo!
- Falo para ele n�o vir! - N�o pode fazer isso!
As pessoas detestam cancelamentos. Ficam sem ter onde ir.
Sente-se!
Prefere algum lugar em especial?
Em qualquer lugar!
N�o � o que viu de pior? Como posso melhor�-lo?
Vou cobri-lo com um bom corte de cretone. N�o sair� caro.
Comprei um abajur que logo chegar�.
Posso cobrir aquela poltrona e quem dera ter papel de parede.
Qual o nome dele?
O'Connor.
Irland�s?
Amanh� � sexta... dia de peixe.
Isso! Farei bolinhos de salm�o com maionese.
- Onde o conheceu? - No armaz�m, � claro!
E ele bebe?
Por que pergunta?
- Seu pai bebia. - N�o come�a...
- Ent�o bebe! - Que eu saiba, n�o!
Precisa saber.
N�o quero minha filha com um rapaz que bebe.
N�o est� se precipitando? Ele ainda n�o veio!
Vir� amanh� � noite ver sua irm�.
E o que sei sobre sua personalidade?
O que est� fazendo?
Detesto isto! Podia ficar baixo...
Muitos rapazes conhecem mo�as com as quais n�o se casam.
Sempre me intriga por nunca se fixar numa s� coisa.
O que ele faz no armaz�m?
� encarregado da expedi��o.
Parece importante. � o que voc� seria se tivesse ambi��o.
Quanto ele ganha?
Deve ganhar uns $85 por m�s.
- N�o � tanto assim! - Uns $20 a mais do que eu.
Sei muito bem. $85 por m�s!
Um chefe de fam�lia n�o pode ganhar isso!
Ele n�o � um chefe de fam�lia!
Talvez um dia seja ou n�o?
J� entendi, os tais planos!
Voc� � o �nico que conhe�o que ignora o fato,
que o futuro torna-se presente, o presente torna-se passado
e um lamento, se permitirmos.
Verei o que posso fazer.
N�o seja arrogante com sua m�e.
Fale-me mais a respeito do Sr. O'Connor.
Deve ter um nome...
James D. O'Connor. D de Delaney.
Irland�s de pai e m�e e n�o bebe?
Devo telefonar e perguntar?
Eu posso ligar...
Deve ser discreto quanto a isto!
Quando menina em Blue Mountain
e se suspeitava que um jovem bebia e uma mo�a...
uma mo�a estava recendo aten��es dele,
se ela estivesse recebendo aten��es dele
ia at� a igreja pedir informa��es.
Ou o pai dela, se fosse vivo, ia saber sobre o rapaz.
Assim se evitavam tr�gicos equ�vocos em Blue Mountain.
Como a senhora cometeu um tr�gico equ�voco, m�e?
As apar�ncias enganam.
Bastava ele sorrir e o mundo ca�a a seus p�s.
Nada pior que uma mo�a � merc� de uma bela apar�ncia.
Espero que ele n�o seja bonito.
Na verdade ele n�o �.
Nariz grande e queixo pequeno.
N�o � horroroso!
N�o, mas � feio...
Se uma mo�a tem ju�zo, busca car�ter em um homem.
O que eu sempre disse.
Sempre disse isso. Sempre disse?
Como, se nunca pensou a respeito?
N�o seja t�o desconfiada.
Desconfio de cada palavra sua quando conversa comigo.
Fale-me mais sobre ele. Ele tem ambi��o?
Realmente busca se aprimorar.
Por que diz isto?
Estuda � noite.
Estuda? O qu�?
Interessa-se por r�dio e orat�ria.
Ent�o busca boa posi��o. E o r�dio tem futuro.
Acho que tem presente.
Informa��es bem reveladoras
que toda m�e devia saber sobre quem visita sua filha,
seja a s�rio ou n�o!
Um aviso. N�o falei com ele sobre Laura.
Ocultei nossas segundas inten��es.
Eu apenas o convidei para jantar.
E ele aceitou. S� isso!
Garanto que sim. Voc� poupa palavras.
Ao ver que do�ura ela �, vai agradecer o convite.
N�o espere muito de Laura.
Como assim?
Assim nos parece porque n�s a amamos.
Sequer percebemos que � manca.
� manca. Encare os fatos. E n�o � s� isso.
� diferente das outras.
Eu sei, mas esta diferen�a a favorece.
Nem tanto!
Para os outros, os estranhos, � muito t�mida.
Vive num mundo pr�prio o que a difere das demais.
N�o diga isso. N�o sei em que ela � diferente...
Vive num mundo de enfeites de cristal.
Ouve todos estes discos antigos!
S� isso!
Aonde voc� vai?
Ao cinema!
Laura!
Sim, m�e?
Deixa isso a� e venha para c�.
Venha fazer um pedido � lua...
Lua?
V�? Apenas um pedacinho de lua.
Olhe sobre o ombro e fa�a um pedido.
Fa�a um pedido!
O que devo pedir?
Felicidade!
S� um pouco de boa sorte.
Na noite seguinte eu levei Jim para jantar.
Eu o conheci ligeiramente no col�gio...
Era o �nico no armaz�m com quem tinha alguma amizade.
Era �til a ele por lembrar suas gl�rias passadas
quando vencia no basquete e ganhava pr�mios por orat�ria.
Sabia que eu ia secretamente no banheiro
escrever poemas quando o movimento caia no armaz�m.
Ele me chamava de Shakespeare.
Enquanto os demais me dedicavam certa hostilidade,
Jim me tratava com fidalguia.
Os demais perceberam e a hostilidade diminuiu.
Passaram a sorrir para mim
como sorriem para c�es que passam � dist�ncia.
Jim e Laura haviam se conhecido no col�gio
e Laura falava admiravelmente sobre sua voz.
Jim se lembrava dela ou n�o?
Na �poca Laura era t�o impercept�vel
quanto Jim era destacado!
Se ele se lembrava dela, n�o era como minha irm�
pois quando o convidei, ele riu e disse:
"Shakespeare, nunca pensei que tivesse fam�lia!"
Estava para descobrir que eu tinha!
Fique parada!
- Por que treme tanto? - Estou nervosa.
Como pode ser?
A agita��o! Faz me sentir importante.
N�o entendo voc�.
Sempre que tento fazer algo diferente para voc�
voc� toma atitude contr�ria.
Vire-se... Olhe para si mesma.
Veja. N�o, espere. Esqueci uma coisa.
O que foi?
Uma pequena ajuda.
Quando mocinha cham�vamos de "enchimentos"...
- N�o vou usar! - Claro que vai...
Para dizer a verdade, tem pouco busto.
Parecemos estar armando uma armadilha.
E estamos mesmo!
Mo�as bonitas s�o armadilhas. � o que os rapazes esperam.
Vire-se... Olhe para o espelho.
N�o est� uma gra�a?
Parece at� um anjo!
S� um pouco e me apronto!
Ficar� surpresa com a apar�ncia da sua m�e!
Achei um velho vestido num ba�!
Deu trabalho remend�-lo.
Doeu o cora��o ter que aument�-lo.
� trovoada?
Agora d� uma olhada em sua m�e!
Agora...
Mas que lindo!
Era... era, sim!
Todo cheio de flores.
Mas empalideceram e tive que tir�-las.
Dan�ava com ele h� muito tempo.
Fui premiada duas vezes em Sunset Hill.
Eu o usei numa festa dada pelo governo em Jackson.
Devia ter visto sua m�e!
Como bailava pelos sal�es assim!
Eu o usei quando conheci seu pai.
Estava com mal�ria tamb�m.
A mudan�a clim�tica no Tennessee enfraqueceu meu organismo
o suficiente para eu pegar a febre.
Foi maravilhoso! Choviam convites de toda parte!
Minha m�e dizia: "N�o pode sair, est� com febre!"
"Tem que ficar na cama."
Eu dizia que n�o ficaria.
Tomava quinino e continuava saindo...
Dan�ava toda noite.
� tarde, longos passeios no campo e piqueniques.
O campo...
Era t�o ador�vel em maio!
Campos da cornisos e cheios de junquilhos.
Minha m�e dizia: "N�o pode mais levar junquilhos para casa!"
E eu dizia: "Levo, sim!" E continuava enchendo a casa!
Sempre que os via parava e pegava...
Fazia o cavalheiro saltar da carruagem e pegar.
Chegava a ser engra�ado.
Eles diziam: "A� vem a mo�a, cuidado!"
"Vamos passar a tarde colhendo junquilhos."
Minha m�e dizia: "N�o h� mais vaso para tanto junquilho!"
Eu dizia: "Pode deixar, eu os levo na m�o."
Mal�ria... seu pai e junquilhos.
Espero que cheguem antes que chova.
Dei a seu irm�o mais dinheiro para que tomem um bonde.
Como � mesmo o nome dele?
O'Connor, por qu�?
E o primeiro nome?
N�o me lembro. Um momento... Jim!
Tom o conheceu no col�gio?
Acho que foi no armaz�m.
N�s conhecemos Jim O'Connor no col�gio.
Sa for ele mesmo, eu n�o me sentarei � mesa.
Que tolice � esta?
Perguntou-me se havia gostado de algu�m...
Mostrei uma foto dele.
Aquele rapaz?
Ele mesmo...
Estava amando o rapaz?
N�o sei. O que sei � que se for ele, n�o me sento � mesa.
N�o pode ser ele. N�o h� a menor chance!
Mesmo se for, voc� jantar� conosco.
N�o vou jantar, n�o.
N�o vou tolerar isso! Cansei de voc� e seu irm�o.
Agora sente-se e porte-se at� chegarem.
Ele esqueceu a chave. Abra a porta.
Por favor, abra a senhora!
N�o terminei de preparar o salm�o.
A senhora abre, n�o me obrigue.
Seja sensata. Por que tudo isto?
� apenas uma visita, nada mais.
A porta, querida!
Abra a senhora!
Qual o problema?
Abra, por favor!
Isto bastou para tir�-la do s�rio?
N�o posso!
- Por que n�o? - Estou enjoada.
Voc� e seu irm�o me levam � loucura!
Voc�s nunca se portam normalmente.
D�-me um bom motivo para temer abrir a porta!
Laura Wingfield, v� direto abrir aquela porta.
Tenho que fazer voc� ter coragem na vida.
Este � Jim. Esta � minha irm�, Laura.
N�o sabia que Shakespeare tinha irm�. Como vai?
Como tem passado?
Bem. Sua m�o est� fria, Laura!
Estava ouvindo vitrola.
Cl�ssicos, com certeza. Precisa de algo que a aque�a.
Qual o problema?
� muito t�mida.
T�mida?
� raro achar uma garota t�mida hoje em dia.
N�o sabia que tinha uma irm�.
Agora sabe. Eu tenho.
O jornal... Quer uma parte?
- Filmes? - Esportes...
Li que Dizzy Dean anda se comportando mal!
Aonde vai?
� varanda, fumar.
Quero lhe convencer de uma coisa.
De qu�?
Um curso que estou fazendo. Como falar em p�blico.
N�o fomos feitos para o armaz�m.
�timo! Mas o que tem a ver com falar em p�blico?
Prepara-o para cargos executivos. Tem me ajudado muito.
Em que aspecto?
Todos. Pense qual a diferen�a entre
n�s e os gerente? Cabe�a? N�o...
Habilidade? N�o!
O que ent�o? Primeiro, refere-se a uma coisa s�!
O qu�?
Postura social.
Saber tratar a todos do mesmo modo independentemente.
Voc� e o Sr. O'Connor est�o a�?
Fiquem � vontade!
Pergunte se ele quer lavar as m�os.
Obrigado, senhora. J� fiz isso no armaz�m.
O Sr. Mendoza falou-me sobre voc�.
Bem?
O que voc� acha?
Ser� despedido se n�o acordar!
estou acordando...
N�o tem dado sinais.
Sinais interiores. Planejo uma mudan�a.
Estou me preparando para um futuro que exclui o Sr. Mendoza
o armaz�m e cursos para falar em p�blico.
- Que quer dizer? - Cansei dos filmes.
Filmes! Veja s�...
Gente glamorosa tendo aventuras, consumindo demais.
As pessoas v�o ao cinema em vez de viverem.
Os personagens de Hollywood vivem por todo mundo
enquanto todos se sentam na sala de proje��o
e assistem a estas aventuras. At� vir uma guerra.
A� a aventura fica ao alcance de todos.
Todos importam, n�o apenas Gable.
A� o pessoal da plateia pode experimentar a��o tamb�m!
� nossa vez de sermos ex�ticos!
Mas n�o tenho paci�ncia e n�o vou esperar at� l�!
Cansei dos filmes e vou me mexer!
- Quando? - Breve...
Onde?
Come�o a queimar por dentro.
Parece brincadeira mas quando pego um sapato, penso:
a vida � curta e o que estou fazendo?
O que quero dizer �...
O sapato � simb�lico. � o que um viajante usa.
Sindicato dos Marinheiros?
Paguei a taxa em vez da conta de luz.
Vai lamentar quando cortarem a luz.
- N�o estarei aqui. - E sua m�e?
Sou como meu pai. Canalha filho de canalha.
Est� rindo na foto. Sumiu h� 16 anos!
N�o � s�rio! Que ela diz disto?
Ela n�o est� a par de meus planos.
- Tom? - Sim, m�e?
- Onde est�o? - Na varanda.
Por que n�o entram?
M�e... est� t�o bonita!
� a primeira vez que me elogia.
Espero que esteja sendo bem sincero.
- Sr O'Connor? - Como vai, senhora?
Ent�o esse � o Sr. O'Connor!
Ouvi tanto a seu respeito que disse ao Tom:
"Por que n�o traz esse rapaz para jantar?"
"Quero conhec�-lo em vez de ouvir voc� exalt�-lo!"
Por que Tom � t�o arredio? N�o � pr�prio do Sul.
Vamos nos sentar!
Precisamos de ar fresco! Deixe a porta aberta...
Senti uma brisa h� pouco. N�o sei onde foi, esquentou!
Ainda n�o � ver�o!
Quando for ver�o vou torrar!
Mas ser� um jantar leve.
� melhor assim nesta �poca do ano.
Comidas e roupas leves. O que pede a esta��o.
O sangue engrossa tanto no inverno
que demoramos para nos ajustarmos no ver�o.
E veio t�o depressa este ano que n�o me adaptei ainda.
De repente, veio o ver�o!
Fui ao ba� e tirei este vestidinho leve.
Muito velho... � quase de �poca!
Mas � t�o bom e fresco!
E o jantar?
Fale com sua irm�. Sabe como ela �...
Diga que voc�s est�o morrendo de fome.
Depressa, querido!
Conheceu Laura?
- Ela abriu a porta. - Abriu...
- Bonita, n�o �? - Sim, senhora.
� raro para uma mo�a meiga e bonita como Laura
tamb�m ser caseira. Mas ela �, gra�as a Deus!
N�o apenas meiga e bonita, mas caseira, porque eu n�o sou.
Eu mal sabia cozinhar!
Claro, no Sul t�nhamos muitos criados.
Acabou-se tudo!
Toda aquela vida agrad�vel acabou-se!
N�o estava preparada para o que a vida me reservara.
Os rapazes que me visitavam eram fazendeiros e filhos de fazendeiros.
Naturalmente achava que me casaria com um deles.
Criaria meus filhos numa fazenda cheia de criados.
Mas o homem prop�e e a mulher aceita, como � normal.
Casei-me com um homem que trabalhava com telef�nica.
O cavalheiro galante e sorridente ali!
Ele se apaixonou por longas dist�ncias.
Agora viaja e nem sei por onde.
Por que incomod�-lo com meus problemas?
Fale-me dos seus. Espero que n�o sejam muitos.
E o jantar?
Parece que j� est� na mesa.
E est� mesmo!
N�o � maravilhoso? E Laura?
N�o se sente bem.
Disse que seria melhor n�o vir � mesa.
Sente-se bem aqui!
N�o podemos dar gra�as at� que venha � mesa.
Leve-a ao sof�.
Voc� est� doente, querida.
De p� naquele fog�o a deixou doente.
Disse que era s� para aquecer.
Sente-se aqui, por favor.
Quer um pouco de vinho de dente-de-le�o?
Por favor, senhora.
- Ela est� bem? - Sim, m�e.
Parece que vai chover!
Voc� d� gra�as?
N�o, obrigado, m�e.
O que fazemos antes do jantar?
N�s agradecemos, n�o �?
H� tempos n�o tenho uma noite t�o agrad�vel!
Um brinde, Sra. Wingfield.
Ao velho Sul!
Onde est� a luz?
Sabe onde estava Mois�s quando a luz se apagou?
N�o, n�o sei!
A resposta n�o � educada. Talvez conhe�a outra.
N�o, n�o conhe�o.
Ainda bem que trouxe velas.
� decorativo mas tem utilidade tamb�m!
Se um cavalheiro tiver f�sforo, teremos luz.
Acho que tenho...
Deve ser um fus�vel queimado.
Entende de fus�veis, Sr. O�Connor?
Onde fica a caixa de fus�veis?
Bem ali, na cozinha.
Mas cuidado, est� muito escuro.
Ser� terr�vel se o perdermos. Tudo certo, Sr. O'Connor?
Creio que a eletricidade seja algo muito misterioso.
Para mim, todo o universo � misterioso.
N�o foi Benjamin Franklin que atou uma chave a um papagaio?
Devia parecer um tolo! Achou a caixa?
Sim, mas os fus�veis parecem em ordem.
Sabe a conta de luz que mandaram cobrar?
A do m�s passado?
Esqueceu-se de pagar?
Eu j� devia saber!
Deve ter escrito um poema nela.
Com certeza...
Foram gentis em permitir que jant�ssemos
antes de nos mergulhar numa escurid�o eterna.
Como castigo pelo esquecimento, ajude-me com os pratos!
- Posso ajudar? - Jamais permitiria.
Preciso ajudar em algo.
Disse que precisava fazer algo.
Laura est� sozinha ali no sof�.
Fa�a companhia a ela. Leve este
velho e ador�vel candelabro.
Estava no altar de uma igreja.
Derreteu um pouco quando a a igreja pegou fogo.
Fora atingida por um raio e Gypsy Jones, que estava
numa festa religiosa culpou os episcopais
por jogarem cartas dentro da igreja.
- Verdade? - Eu digo apenas verdades.
Perd�o...
Gostaria que Laura bebesse um pouco de vinho.
- Pode carreg�-los? - Posso tentar...
Pode pegar o avental!
Como se sente... melhor?
- Sim... obrigada. - �timo.
Para voc�. Vinho de dente-de-le�o.
Bebe sem se embebedar!
Onde posso por isso?
Onde quiser.
No ch�o? Alguma obje��o?
Ponho jornal para caso caia algum pingo.
Posso sentar no ch�o?
Passa uma almofada.
Gosta de se sentar no ch�o?
Senta!
- Vou me sentar. - Pega uma almofada.
A� n�o posso v�-la.
Eu posso v�-lo.
N�o � justo, a luz est� aqui!
Agora sim!
- Confort�vel? - Sim, obrigada.
Eu tamb�m.
Est� muito confort�vel mesmo!
Quer goma de mascar?
N�o vou resistir.
Imagine a fortuna que ganhou o inventor disso!
Incr�vel, n�o?
O Wrigley Building � uma das atra��es de Chicago.
Eu o vi na exposi��o internacional. Voc� foi?
N�o.
Maravilhosa.
A ci�ncia me impressiona!
D�-nos uma ideia do que ser� o futuro.
Muito mais maravilhoso que o presente.
Tom disse que � t�mida. Verdade?
N�o sei...
Considero voc� uma mo�a � moda antiga.
Creio que isso seja muito louv�vel.
Incomodo?
Acho que aceito uma goma de mascar, se n�o se importa.
Continuou a cantar?
Eu?
Lembro-me da bela voz que tinha...
J� me ouviu cantar?
Muitas vezes.
Creio que n�o se lembra de mim.
Na verdade, acho que j� nos vimos.
Estava quase lembrando seu nome mas o que me vinha
� cabe�a n�o era um nome. Por isso eu n�o disse nada.
N�o era... Roza Azul?
Minha nossa! Mas � isso mesmo!
N�o fiz liga��o com o col�gio, mas � isso mesmo!
N�o sabia que era irm� de Shakespeare. Desculpe...
N�o, sem problemas!
N�o esperava por isso. Mal nos conhecemos!
Mas nos fal�vamos.
Fal�vamos um com o outro.
Chegamos a ter aulas juntos?
Sim, tivemos.
Que aula?
Aula de canto!
Sentava na primeira fila no audit�rio, nas segundas, quartas e sextas!
Agora me lembro! Chegava sempre atrasada!
� que este problema na minha perna me atrasava um pouco.
Fazia um barulho alto.
- Eu nunca ouvi. - A mim parecia um trov�o.
Eu nunca percebi.
Todos estavam sentados quando eu chegava.
Tinha que andar diante de todo mundo para me sentar.
Passava com todos me olhando.
N�o devia ser inibida.
Eu sei.
Mas eu era!
Agora eu me lembro...
Eu chamava voc� de Rosa Azul.
Espero que n�o tenha se importado.
Eu gostava. N�o conhecia muita gente.
Lembro-me que sempre estava sozinha.
Nunca tive muita sorte em fazer amigos.
N�o sei por qu�!
Bem eu j� come�ava mal...
Quer dizer, por ser...
Isto sempre...
- me atrapalhou. - N�o devia permitir!
Eu sei, mas permiti!
Ent�o era t�mida.
Tentava n�o ser, mas nunca consegui...
Superar?
N�o, nunca consegui.
Creio que seja algo que deva ser superado aos poucos.
Acho que leva...
Tempo.
Sabe de uma coisa?
As pessoas n�o s�o terr�veis quando as conhecemos.
Precisa se lembrar disto.
Todos t�m problemas. N�o s� voc�.
Acha que s� voc� tem decep��es? Olhe � sua volta!
H� um monte de gente t�o decepcionada quanto voc�.
Eu, por exemplo.
Ao me formar pensei que avan�aria muito mais que isto!
Lembra-se do que disseram num artigo a meu respeito?
Sim, me lembro.
Que eu teria sucesso no que fizesse.
O que �?
Olha voc� aqui, naquela opereta.
Veja s�!
� bem melhor Viver e morrer
Sob a grande Bandeira pirata!
Para desempenhar Papel enganoso
- Cantei naquela opereta. - Magistralmente!
Magistralmente!
- Voc� me ouviu? - As tr�s vezes.
- Todas as vezes? - Sim.
Por qu�?
Queria um aut�grafo.
Por que n�o me pediu?
Estava cercado de amigos e eu...
Devia ter ido me pedir!
Voc� podia me achar um tanto...
Um tanto o qu�?
�, as garotas me perseguiam naquela �poca.
Fazia muito sucesso. Tinha tantos amigos.
- Fui mimado no col�gio. - Todos gostavam de voc�.
Inclusive voc�?
Sim... eu tamb�m.
Me d� aqui, Laura.
A� est�. Antes tarde do que nunca.
Que surpresa!
N�o vale tanto hoje em dia! Talvez um dia se valorize.
Decep��o � uma coisa, des�nimo � outra.
Estou decepcionado, mas n�o desanimado.
Ent�o... se formou?
- Tive notas baixas nas finais. - Voc� desistiu?
Eu n�o voltei.
Como est� Emily Meisenbach?
Aquela alem�?
Por que a chama assim?
� o que ela �.
N�o est�o mais juntos?
Nem sequer nos vemos mais.
Li certa vez que estavam noivos...
N�o me impressionava com propaganda.
N�o era verdade?
Apenas na opini�o otimista de Emily!
Ent�o o que tem feito desde ent�o?
N�o muito.
Deve ter feito alguma coisa!
Sim...
Fiz curso de t�cnicas comerciais...
E como foi?
Tive que abandonar... Causou-me indigest�o.
E agora?
N�o fa�o coisa alguma.
Mas n�o pense que fico sentada fazendo nada!
Minha cole��o de cristais me d� bastante trabalho.
Cristal � algo que exige muito cuidado.
Desculpa, mas o que disse sobre os cristais?
Cole��o... tenho uma cole��o.
Sabe qual o seu problema? Complexo de inferioridade.
Sabe o que �? � quando algu�m se diminui.
Entendo porque j� tive isto tamb�m.
No meu caso n�o t�o grave quanto parece ser o seu.
Tive isto at� que...
At� que fiz um curso para falar em p�blico.
Desenvolvi minha voz e soube que tinha aptid�o para a ci�ncia.
At� ent�o n�o me via como algu�m de qualidades.
Dizem que sei analisar mais as pessoas que muitos m�dicos.
N�o digo que � verdade, mas posso ver o estado mental das pessoas.
Desculpe...
Jogo fora quando passa o sabor.
Vou enrolar num peda�o de jornal.
Sei como � pisar em um desses!
� o seu principal problema.
Falta de confian�a em si mesma como pessoa.
Baseio a afirma��o em observa��es que fiz.
Disse que o problema na perna era terr�vel!
Disse que era terr�vel subir a escada.
Entende?
Saiu do col�gio, abandonou uma instru��o
tudo por um pequeno defeito.
Para mim era quase inexistente.
Um pequeno defeito f�sico.
Quase impercept�vel. Ampliado por sua imagina��o.
Um aviso s�rio:
comece ver a si mesmo como algu�m superior de algum modo.
De que modo?
Olhe o seu redor, Laura! O que voc� v�?
Um mundo cheio de gente comum.
Todos nascidos, todos um dia mortos.
Quais deles t�m um d�cimo de suas virtudes? Ou das minhas?
Pode me dizer?
Todo mundo � bom em alguma coisa.
Alguns em muitas coisas.
Eu, por exemplo.
Eu me interesso por eletrodin�mica.
Estudo engenharia eletr�nica al�m de trabalhar.
Fa�o este curso e o de como falar em p�blico.
Porque creio no futuro da televis�o.
Estarei pronto para acompanhar esse sucesso.
Quero entrar nisto no come�o.
J� fiz muito bons contatos.
O que falta � a coisa deslanchar.
Entende... conhecimento!
Dinheiro!
Poder!
� no que se baseia a democracia.
Deve achar que eu penso muito em mim mesmo!
N�o penso!
Mas e voc�?
Deva haver algo que a atraia mais que qualquer coisa.
Por exemplo?
J� disse, tenho uma cole��o de cristais.
Tem? De que tipo?
Pequenos enfeites.
Decorativos.
A maioria pequenos animais feitos em cristal.
Os menores animais do mundo!
Minha m�e diz que � um zool�gico de vidro.
Um exemplar, se interessa ver.
Um dos mais antigos.
Tem quase 13 anos!
Cuidado, se soprar, quebra!
� melhor n�o toc�-lo. Sou meio desastrado!
Eu confio em voc�.
Isso, est� segurando com carinho.
Erga-o contra a luz.
Ele... adora a luz.
V� como a luz o atravessa?
� verdade!
Eu n�o deveria mas... ele � o meu preferido.
Que animal �?
N�o percebeu um �nico chifre na cabe�a?
Um unic�rnio.
N�o est�o extintos?
Eu sei...
Coitado!
Deve se sentir solit�rio.
Caso se sinta, n�o reclama.
Fica junto aos cavalos, que n�o t�m chifres.
Parecem se dar bem.
Como sabe?
Nunca ouvi brigas!
Nenhuma briga?
Bom sinal.
Onde eu o coloco?
Em qualquer lugar.
Todos gostam de mudar de lugar de vez em quando.
Gostam...
Veja como ficou grande a minha sombra.
Ficou bem grande mesmo!
De onde vem esta m�sica?
Do Paradise Dance Hall ali adiante.
Que tal arrastar os p�s um pouco, Senhorita Wingfield?
Ou prefere outros parceiros?
Deixe-me ver!
Est� completa a lista!
Terei que eliminar algum nome!
Uma valsa!
N�o consigo dan�ar.
Olha o complexo de novo!
- Jamais dancei... - Tente!
Temo pisar em voc�.
N�o sou feito de vidro.
Como come�o?
Erga os bra�os!
Assim?
Mais alto!
Relaxe. Isso � principal.
Temo que n�o consiga me ensinar!
Quer apostar?
Solte-se, Laura... Solte-se!
Estou tentando!
N�o t�o r�gida! Relaxe!
Isso mesmo!
Meu Deus!
Est� conseguindo!
Isso mesmo! Assim � melhor.
Isso mesmo!
Estamos conseguindo!
Eu estou!
Quebrou?
Agora ele est� igual aos outros.
Como assim?
Perdeu o chifre.
N�o importa!
H� males que v�m para bem.
Jamais me perdoar�. Era o seu preferido.
N�o costumo ter preferidos.
N�o � o fim do mundo, eles quebram f�cil, mesmo sendo cuidadoso.
Os carros fazem vibrar.
Lamento muito mesmo.
Vou imaginar que ele sofreu uma opera��o e o chifre foi removido
para que ele ficasse menos estranho.
Agora vai se sentir mais � vontade com os outros.
Alegra-me voc� ter senso de humor.
Voc� � diferente de todo mundo que eu conhe�o.
Importa-se que eu diga? Faz me sentir um tanto...
N�o sei como dizer.
Sou bom em me expressar mas isso n�o sei dizer.
J� lhe disseram que voc� � bonita?
De um modo diferente de todas as outras.
Tudo por causa da diferen�a.
Quisera ser seu irm�o.
Ensinaria a ter confian�a em si mesma.
Ser diferente n�o implica vergonha.
Os outros n�o s�o t�o maravilhosos.
Eles s�o muito iguais. Voc� � muito diferente.
Eles vagam pelo mundo.
Voc� fica aqui.
Eles s�o comuns como ervas, mas voc� �... Rosa Azul.
- Azul n�o � cor para rosa. - Mas � ideal para voc�.
Voc� � bonita.
Sob que aspecto?
Ora, em todos os aspectos!
Seus olhos, seu cabelo, suas m�os s�o bonitas!
Acha que digo isso s� porque vim jantar aqui?
Poderia dizer coisas sem ser sincero.
Mas estou sendo sincero.
Percebi que voc� tem este complexo de inferioridade
que a faz desconfort�vel entre os demais.
Algu�m precisa fazer voc� se sentir confiante!
Fazer voc� sentir orgulho em vez de vergonha.
Algu�m precisa...
Algu�m precisa beij�-la, Laura.
Eu n�o devia ter feito isso.
N�o devia mesmo!
Cigarro?
Voc� n�o fuma, certo?
Que acha de uma bala de hortel�?
Meu bolso � uma confeitaria.
Se tivesse uma irm� como voc�, faria como o Tom.
Convidaria amigos para conhec�-la.
talvez n�o tenha sido a inten��o essa noite.
Mas e se foi? N�o h� nada errado!
Acontece que...
Mas em meu caso, n�o estou em condi��o de fazer o correto.
N�o posso pedir seu n�mero e dizer que vou ligar.
N�o posso convid�-la para sair.
Quero lhe explicar para que n�o fira seus sentimentos.
N�o voltar� a ligar?
N�o posso, Laura.
Estou comprometido.
Tenho um compromisso s�rio.
Saio com uma garota chamada Betty.
Ela � uma mo�a caseira como voc�.
E � cat�lica e irlandesa. Estamos indo bem.
Eu a conheci ver�o passado num barco para Alton.
Foi amor � primeira vista.
Amar me tornou um novo homem!
O poder do amor � enorme! Muda o mundo!
A tia de Betty adoeceu e ela foi visit�-la.
E quando Tom me convidou aceitei sem saber...
Sabe, quero dizer, sem saber...
N�o diz nada?
Quer que eu fique com ele?
Por qu�?
Lembran�a.
Crian�as... estou chegando.
Estou chegando!
Pensei em lhes trazer um refresco!
J� ouviu aquela can��o sobre a limonada?
Feita � sombra Mexida com colher
E faz muito bem Para uma mulher
N�o, senhora. Nunca ouvi.
Por que est�o t�o s�rios?
Tivemos uma conversa s�ria.
N�o entendo os jovens de hoje.
Quando nova, tudo me alegrava...
N�o mudou em nada!
� a alegria do momento que me rejuvenesce.
Ent�o... � alegria do momento.
Eu me batizei!
Havia cerejas e coloquei uma em cada copo.
- N�o precisava! - Que nada!
N�o nos ouviram na cozinha?
Reclamei por Tom n�o o ter convidado antes.
Agora sabe o caminho. Venha sempre.
N�o de vez em quando, mas sempre!
Vou voltar para a cozinha.
Na verdade, preciso ir.
Mas a noite est� come�ando!
Sabe como �...
Porque amanh� � um dia de trabalho?
Sair� cedo na condi��o de ficar mais na pr�xima vez!
Que noite seria melhor para o senhor?
� que tenho dois hor�rios a cumprir,
um durante o dia e outro � noite.
De t�o ambicioso trabalha � noite tamb�m?
N�o � trabalho. � a... Betty.
Quem � Betty?
A garota com quem saio.
E � s�rio?
� sim... Vamos nos casar em junho.
Tom n�o mencionou seu noivado.
Eu n�o comentei isso l� no armaz�m.
Para evitar coment�rios.
Foi uma noite maravilhosa. � a hospitalidade sulista.
Imagina!
Espero que n�o levem a mal mas fiquei de buscar Betty na esta��o.
Quando eu chegar o trem j� estar� l�.
Algumas mulheres se aborrecem em esperar.
Conhe�o a tirania das mulheres.
Adeus, Sr. O'Connor.
Quero lhe desejar felicidade e boa sorte.
Voc� tamb�m deseja, n�o?
Sim, mam�e.
Bem... tchau, Laura.
Vou guardar com carinho.
Adeus, Shakespeare!
Mais uma vez, obrigado.
N�o se esque�a do conselho que lhe dei...
As coisas �s vezes saem t�o mal!
Eu n�o ligaria mais esta vitrola.
Ent�o o cavalheiro est� noivo!
Venha c�. Tenho uma not�cia para lhe dar.
O cavalheiro fugiu?
Retirou-se prematuramente. Bela pe�a pregou em n�s!
Como assim?
N�o nos disse que ele estava noivo.
- Jim... noivo? - Foi o que nos disse.
Eu n�o sabia disso!
Muito estranho!
E por qu�?
N�o era seu melhor amigo l� do armaz�m?
Ele �. Mas como eu poderia saber?
N�o � estranho desconhecer que o melhor amigo est� noivo?
Trabalho no armaz�m, n�o fico fofocando.
N�o sabe nada! Vive num mundo de sonhos e ilus�es.
Aonde voc� vai?
Ao cinema!
Ap�s de nos ter feito de idiotas?
Todos os preparativos e gastos!
O abajur e a roupa de Laura para distrair o noivo de algu�m?
V� ao cinema! Largue uma m�e solit�ria
e uma irm� solteira, manca e sem emprego.
N�o permita que nada altere seus prazeres ego�stas!
Eu vou, sim. Eu vou!
Quanto mais falar que sou ego�sta, mais depressa eu vou!
E n�o vou ao cinema, n�o!
V� para a lua, sonhador ego�sta!
N�o fui � lua! Fui bem mais al�m.
O tempo � a maior dist�ncia entre dois lugares.
Desci os degraus da escada de emerg�ncia pela �ltima vez.
Da� ent�o segui os passos de meu pai
tentando encontrar, na a��o, o que se perdeu no espa�o.
Viajei bastante.
As cidades passavam por mim como folhas mortas.
Folhas coloridas, mas cortadas de seus galhos.
Eu teria parado... mas estava sendo perseguido por algo.
Acontecia sem explica��o, me surpreendendo.
Talvez apenas um toque familiar de m�sica.
Ou apenas um peda�o de vidro transparente.
Estava andando sozinho pela rua � noite
numa cidade desconhecida, antes de achar companhia
passei pela vitrine iluminada de uma loja de perfumes.
A vitrine estava cheia de vidros coloridos.
Frascos pequeninos e coloridos como peda�os de arco-�ris!
Ent�o, de repente, minha irm� toca no meu ombro.
Eu me viro e olho para seus olhos.
Laura...
Laura...
Tentei muito esquecer voc�, Laura.
Mas sou mais fiel do que queria ser.
Fumei... andei pelas ruas...
Fui ao cinemas ou a bares.
Bebi. Falei com o desconhecido ao lado...
Qualquer coisa que apagasse essa chama.
Hoje em dia o mundo est� iluminado por raios.
Apague esta chama, Laura.
E ent�o...
Adeus!
Legendas, transcri��o e revis�o: gooz makingoff.org
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