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- Oh, Jesus! Que est� havendo? - N�o sei.
- Que lindo! - Dom Arpagone!
- Que chata! - Dom Arpagone.
- Pra que tanto bum bum bum? - Dom Arpagone!
- Dom Arpagone! - J� sabia que ela viria. Sim, Sim!
J� vou, j� ouvi!. Voc� � quem n�o me ouve.
Pronto, que chata!
Por que bate tanto? Por que grita?
Voc� chamou muito cedo, veio antes do tempo!
Dom Arpagone, ontem � noite...
esqueceu de me dizer a que horas queria que lhe acordasse.
Por isso usei minha cabe�a.
Sua cabe�a! Pode-se saber de que cabe�a est� falando? Voc� n�o tem cabe�a!
O que lhe disse ontem � noite?
Amanh� de manh� testaremos o rel�gio!
Inaugura-se o rel�gio!
Todos esses bichinhos cantam.
Quando ouvir a coruja cantar, chame.
N�o pode se equivocar com a coruja, pois voc� tem a mesma voz.
Sim, e com esse ru�do vai acordar toda a vizinhan�a.
Bom, e da�?
Se eu me acordo todos t�m de acordar.
N�o seja por isso!
- Quanto custou esse objeto? - Quanto me custou? Caro, muito caro.
Se voc� diz...
Em todos os anos que eu lhe conhe�o, e j� muitos,
eu nunca entendi.
Claro, voc� n�o tem que entender, ningu�m deve entender,
porque o segredo desse rel�gio s� quem conhece sou eu.
Eu e engenheiros su��os que o constru�ram.
- Sabe por que o mandaram construir? - N�o.
Porque nesta casa todos s�o uns ladr�es, roubam tudo,
inclusive meus filhos.
Comem, bebem, n�o produzem e consomem.
Alem disso fazem goza��o comigo, olhe o ovinho que mandaram!
- Isto � um ovo? - Dom Arpagone...
para que as galinhas ponham um bom ovo...
t�m que comer, e aqui ningu�m lhes d� comida.
N�o d�o de comer �s galinhas? Quem deu essa ordem?
Mas que ordem nem nada...? Como eles v�o lhes dar de comer...
...se nem eles t�m o que comer?
De quem est� falando? Desses malditos empregados que consomem tudo...
n�o produzem e a quem eu pago, pago, pago, pago, pago, pago...?
Ah, ent�o eu sou a �nica a quem o senhor n�o pagou.
- N�o? - N�o!
- N�o? - N�o!
N�o, n�o pago a voc� por que lhe considero mais do que da fam�lia.
- Ah! - Sim, voc� � rica, n�o est� contente?
- Sim, muito contente, sim. - Pois ent�o?
E como � que nos 40 anos eu estou com voc� n�o me deu sequer um tost�o?
Por isso voc� � rica, porque nunca lhe dei nada.
Se tivesse dado o dinheiro, agora n�o seria rica.
Ah, pois nunca vi toda essa riqueza.
N�o pode ver, est� ali dentro segura, trancada no cofre.
- Ah. - Est� em lugar seguro.
EXCLUIR
- Bom dia, Mestre Simone. - Bom dia, venham, venham.
Olhem, est�o vendo o que trouxe na carro�a?
Entrego a seus cuidados e os fa�o respons�veis.
Depois n�o quero problemas com Dom Arpagone, viu?
- Entendido? - Sim, sim, sim, entendido.
- Bem, ponham tudo em casa, vamos! - Vamos, vamos.
Mestre Simone, o Senhor lhe enviou. Nossa m�e, que abund�ncia!
Rapazes, enfim comeremos hoje!
O que me trouxe da fazenda, diga-me? - Cordeiro, frango, ab�bora,...
alface, rabanete, chic�ria, cebola roxa, repolho,...
- Trouxe de tudo. - Deve trazer tudo, tudo � meu.
Ah, ouve a musiqueta? Sente-se, vamos.
- Obrigado. - A� na escrivaninha
Como � bom esse tilintar em uma boa manh�.
- Vamos, fa�a-me gozar, conte tudo. - Bem, isto � a renda...
da venda do gr�o e das sete vacas.
- B�falas. Vendeu as b�falas? - Sim, tinham solit�rias.
Quem comprou levou tr�s toneladas de lombrigas.
- Sim? �N�o me diga! Que bom neg�cio! - E este outro � do rebanho...
- ...que enviei � Puglia. - Enviou o rebanho � Puglia, bravo!
- E lhe pagaram bem? - Claro, tr�s escudos por cabe�a.
- Que multiplicados por 1.300... - N�o me diga! Alto!
- Eu vou calcular.
EXCLUIR
EXCLUIR
26 aqui e 4 ali, trinta mil. Isto �.
A� est�o! Bom dia meus filhos! Dormiram bem?
Tesouros bonitos. Como lhes quero bem!
Aqui est�o seus irm�ozinhos!
- Bem, o que est� fazendo a�? - Eu? Eu nada!
- Como que nada? Estava me espiando. - N�o!
Pois bem, hoje � fim de m�s, n�o vai entregar os alugueis?
- Como n�o? Aqui est�o. - Preste-me contas que tenho que fechar.
Sim, agora mesmo.
- 1, 2, 3, 4. 1, 2, 3, 4. 1, 2, 3, 4. - Dirin, diri, dirin, diri, dirindiri...
- dirin, diri. - 1, 2, 3, aqui est�o.
- E os outros tr�s? - Que outros tr�s?
- Como n�o? S�o seis casas. - Seis...
- Seis vezes tr�s, dezoito. - Por tr�s, dezoito.
Voc� fez dirin, diri, dirin, diri, dirin diri, falta din dindi.
- E os outros tr�s? - Que outros tr�s?
- Abra a m�o. - Que m�o?
- A direita.
- A esquerda.
- Deixe ver a outra? - Quantas m�os eu tenho, Don Arpagone?
Tr�s, tem tr�s.
Quantos escudos me roubou?
Porco ladr�o!
- Eu n�o roubei nada. - Ah, n�o?
Veja, h� dois inquilinos que n�o pagaram o aluguel.
Ah, e vai dizer a mim.
- A quem devo dizer? - A quem? Aos guardas, n�o?
- Que os peguem e que os prendam.
Abra, em nome do Rei Papa.
Senhor, n�o pode incomodar essas senhoras, garanto que h� um erro!
Tenho ordens e eu vou cumpri-las.
- Sinto muito. - Tome, � tudo que tenho.
- D�-me dois dias e vou resolver. - Apenas um dia, excel�ncia. Sauda��es.
Vamos.
- Tudo acertado. - Quer dizer que n�o os despejam?
N�o. Temos um dia, s� concederam-me isso.
- Um dia. - Ser� suficiente, ver�.
Querido filho, entre tanta desgra�a, voc� � um raio de sol em nossas vidas.
Mas n�o queremos que, por nos ajudar, envolva-se em situa��es...
pouco claras, perigosas. Entende, Cleante?
N�o se preocupe com isso senhora. Meu amor por Mariana ir� me salvar de tudo.
Apesar disso, talvez pare�a estranho, mas tenho a impress�o que conseguirei...
tocar o cora��o de meu... do seu senhorio.
- Sim. - Agora tenho que ir.
- Confie em mim, Mariana. - Eu confio.
Lembre-se que s� h� duas classes de homens: ricos e pobres.
O rico torna-se avarento para n�o ficar pobre.
Conceder um tempo para as mulheres pobres mulheres n�o vai lhe fazer mais pobre.
� a� que voc� est� errado, se voc� der um escudo para todos os pobres que pedem,
voc� ficar� pobre e eles nunca chegar�o a ser ricos.
A caridade � in�til.
Fa�a como o dono desta casa se n�o pagar, ponha para fora.
- Ponha para fora. - N�o posso, dei minha palavra.
Tenho que lhes ajudar.
Dar-lhes uma m�o? D�-lhes o p�, d�-lhes o que voc� quiser...
mas n�o lhes d� meu dinheiro.
Se fosse um filho amoroso e inteligente...
nem sequer conheceria duas mulheres pobres.
Papai, eu lhe disse, antes elas eram ricas.
Pior ainda, elas foram para baixo, n�o merecem qualquer compaix�o.
Acredite, esque�as essas duas piolhentas. Mande-as para o inferno!
- N�o se preocupe. - N�o esperarei mais!
Aqui est� ele.
- Dom Arpagone. - Guten morgen. Guten morgen.
- Ah, guten morgen, engenheiros. - Fizemos nosso trabalho, deve nos pagar.
Sim, j� sei que s�o muito bons e estou muito contente, mas...
outro dia, agora... n�o lhes disse que tenho que ir?
Mestre Franz me disse que tem que ao Vaticano.
- Sim, vou ao Vaticano. - Sim, mas se n�o pagar...
eu "n�o dar chavinha" e sem chavinha rel�gio n�o andar".
Quando me "dar" a chavinha eu pagarei! Outro "morgen".
- Auf wiedersehen. Guten morgen. - Auf wiedersehen, Dom Arpagone.
Passem bem, relojoeiros.
Que saco esses su��os! Onde est� a carruagem?
Um momento Dom Arpagone, j� vem.
Venha!
J� era hora, Giacomo, quanto tempo leva para preparar a carruagem?
Pouco tempo, mas os cavalos esta manh� n�o queriam ficar em p�.
- Por qu�? - Porque tinham fome.
- Por qu�? Deu-lhe comida? - N�o, havia dito...
que se os cavalos estiverem parados, n�o devo lhes dar de comer por que...
- n�o gastam energia. Eu fiz isso. - Sim.
- E gastaram energia? - N�o.
Pois ent�o!
A fome � um instinto baixo que voc�s t�m, os ignorantes e teimosos.
O cavalo � um animal nobre. E mesmo que tenha fome sabe controlar-se.
- Ser�? Mas eu os vejo t�o fracos. - Claro, n�o s�o gulosos como voc�...
que d� nojo.
Esses cavalos s�o fortes e musculosos, s�o puro sangue, n�o v�?
Sim, eu vejo. Vejo-os dormindo em p�. Para mim eles est�o sonhando...
- com uma grande comilan�a. - Ent�o os castigue! Vamos!
- Que acordem! - Sim, sim.
Vamos, que se movimentem!
- Ah, Valerio, venha c�. - Diga-me
Ou�a, voc� � meu secret�rio, s� confio em voc�.
Vigie esses pregui�osos que andam pela casa.
Por que quando estou longe roubam tudo o que pegam.
- Monte guarda como um mastim. - N�o se preocupe Dom Arpagone...
Se faltar um �nico alfinete, eu fico respons�vel.
Respons�vel por qu�? Se voc� n�o tem um centavo.
� melhor cuidar para que n�o roubem ou tem que trabalhar sem remunera��o.
Mas se eu trabalho de gra�a para voc�.
- Sim? Ouviu? - Sim, ouvi. Este rufi�o!
- Ah bobo, voc� me assustou - Voc� achava que era seu pai.
- Acalme-se, perdoa-me? - N�o, por favor, podem nos ver.
Venha, sentemos aqui.
- Que h� com voc�? - Come�o a ficar cansada desta com�dia.
Que para estar perto de mim voc� tenha que passar por um servo.
Tesouro,
se fosse rico, j� teria pedido sua m�o a Dom Arpagone.
Mas sabe que depois da tr�gica perda de toda minha fam�lia n�o tenho um centavo.
- Se suspeitar que voc� e eu... - N�o.
Por favor, tenha confian�a em mim.
E lembre-se que o seu pai n�o muito � diferente dos outros.
A melhor maneira de conquistar um homem � elogiar seus defeitos.
Aplaudir tudo o que ele faz.
At� o mais sabido fica bobo ante a adula��o.
- Por que paramos? - N�o sei.
Temos um rebanho adiante. Ei, tire essas ovelhas daqui, vamos!
Quem � voc�? Voc� me conhece? Ent�o o que voc� quer?
Que eu chame os guardas!
- Giacomo.
- Que �? - Por que paramos outra vez?
- Acho que n�o vamos poder passar. - Por qu�?
N�o est� vendo os guardas e os que est�o nas jaulas?
- Quem s�o? - Ser� melhor que n�o nos metamos...
onde n�o somos chamados.
Ei, deixe-me, verei se nos metemos ou n�o. Guarda!
- Diga. - Podemos passar?
- N�o, tem que voltar. - Por qu�?
- N�o est� vendo as jaulas? - Sim, claro que estou vendo!
Um espet�culo b�rbaro, incivil, indigno da Cidade Santa.
O Santo Padre deveria ser informado desta selvageria.
Ele sabe, ele sabe.
Como se sabe? Foi ele quem os condenou � morte!
- Sim? - Sim.
- Mas, existe a pena de morte? - Claro.
Dizem que ela est� de volta. Dois dias no pelourinho e, em seguida z�s!
� melhor que saiamos daqui o quanto antes.
Deixe-me, n�o ponha as m�os em cima de mim. Deixe-me olh�-lo.
Olhe, olhe que caras!
Para que tenham sido condenados � morte devem ser ladr�es, assassinos...
certamente cometeram matan�as. - Pior, fraudaram o Tesouro.
- O qu�? Est� brincando! - N�o, n�o � brincadeira, olhe o aviso.
- O aviso? - Sim, eu vi esta manh�...
quando eu ia a sua casa, eu li muito bem.
- O que diz? - Oculta��o de bens,
tentativa de corrup��o, n�o pagar impostos diretos e indiretos...
e outros impostos.
N�o lhe disse para n�o lhe preocupar.
- Por que iria me preocupar? - Com isso.
- Eu fraudei o fisco? - Voc� fraudou o fisco?
- Eu fraudei o fisco? - Voc� fraudou o fisco?
Que � isso...? Por que repete o que eu digo?
- Voc� fraudou? - N�o, eu n�o.
Bem, se voc� n�o fraudou, n�o tem problema.
N�o podem nos fazer nada.
- Mas � melhor irmos embora. - Sim, ser� melhor.
- Giacomo. - Sim?
Mude de rua, d� a volta. Vamos!
Temos um encontro como o cardeal Spinosi.
- Passem. - Obrigado.
Olhe!
- N�o � o Dom Oronte? - Ah, sim, � ele.
Dom Oronte, que am�vel vir nos receber.
- Hoje o c�u n�o promete nada bom. - N�o.
- Esperemos que seja s� o c�u. - Esperemos.
Venha Dom Arpagone, o Cardeal os espera.
Claro, vamos. Venha, n�o fique a� parado.
- Ou�a, estamos certos? - Sim, sim, trouxe tudo.
O Santo Padre, embora com dor, teve que usar a luva de ferro...
sobre sua c�ndida m�o para punir estes criminosos.
Creio que se Sua Santidade achou justo castig�-los, fa�a-se sua vontade.
Espere aqui, vou ver se sua Emin�ncia pode receb�-los.
Obrigado monsenhor.
- O chap�u. - Sim
- Tenha cuidado. - Eu tenho.
- �Dom Arpagone? - Que �? Quem me chama?
Est� me reconhecendo? Reconhece-me? Diga-me.
- Pois eu direi, n�o a reconhe�o. - E agora?
- N�o a reconhe�o. - Como � mau!
Deveria sentir-me ofendida, sou a Condessa Isabella Spinosi,
- irm� do Cardeal. - Dona Isabella!
D�-me uns acoites, eu mere�o, mas como eu n�o pude reconhec�-la?
A senhora, a senhora que eu tanto aprecio!
Com essas palavras ganhou o meu perd�o.
Obrigado, Dona Isabella. Meu administrador, Dona Isabella, -a irm�-.
Lembra-se? Vimos-nos no funeral do meu marido.
Meu pobre falecido marido, o Pr�ncipe Colonna.
Claro, claro que a vi. Oh, foi um dia terr�vel para mim.
Quem ia esperar v�-lo ali, deitado.
Voc� tinha alguma rela��o com o pr�ncipe?
Ah, rela��o... Ele tinha uma pequena d�vida comigo, voc� sabia?
N�o, sabia de um agiota usur�rio que financiava suas d�vidas de jogo.
N�o, esse n�o era eu. A nossa era uma d�vida de honra, Dona Isabella.
Meu Deus!
Gra�as a Deus, ele foi para o c�u antes de ter que suportar...
...a humilha��o humana. - Sim.
O senhor voou para o c�u, mas Dona Isabella ficou aqui.
E eu, nesses olhos que me olham entendo o que querem me dizer.
A pequena d�vida do finado eu a pago, n�o � assim, Dona Isabella?
N�o � assim?
Que risada que d�!
- Tem um grande senso de humor. - Sim.
- Sim, mas eu n�o ri. - Ah, pareceu-me que ria!
Ainda n�o, na pr�xima vez.
Gostei, adeus.
- E quando riremos? - Eu avisarei.
V�, meu irm�o o espera.
Ver� como ele os far� rir muito.
- Obrigado, Dona Isabella, obrigado. - De nada.
- A irm�o do Cardeal Spinosi. - Sim, � bonita esta Dona Isabella.
- Tem alguma coisa que me inquieta. - Homem, algo mais que inquietante.
- Teve tr�s maridos em tr�s anos. - Claro, quando os olha, fulmina.
- Por isso devem ter morrido os tr�s maridos. - Sim.
- Sabe o que o povo diz dela? - N�o, que diz?
Uma assassina? Ela os matou?
N�o, � a irm� do Cardeal e o Cardeal � o bra�o direito do Papa.
Que tem a ver? Por acaso Lucr�cia Borgia n�o era filha do Papa?
- Quem? Lucr�cia Borgia? - Sim.
- Nossa! Onde fomos cair! - Dom Arpagone.
- Sim. - O Cardeal os espera.
- O Cardeal. - Entrem.
Obrigado, Dom Oronte.
N�o arrastes os p�s. Com licen�a.
Emin�ncia, Dom Arpagone est� aqui.
- Qual dos dois � o retrato? - Aproximem-se, Sua Emin�ncia espera.
Sim, sim.
Emin�ncia.
Esclare�a-me, querido Dom Arpagone, para que veio aqui?
A que vim?
Estou surpreendido por sua injustificada hilaridade.
Sim.
Diga-me o que quer. Retire-os.
Claro. Perdoe-me Emin�ncia, mas como o que quero?
Que poderia querer?
Estamos no fim do m�s, Emin�ncia. Lembra-se agora?
Deveria lembrar-me de algo, Dom Oronte?
Que faz a� t�o quieto? D�-me o contrato, n�o v� que n�o se lembram!
Veja Emin�ncia, este � o contrato. Aqui est�.
Esta sua assinatura e este o selo do Vaticano.
- Volte para l�. - Sim.
H� tr�s meses, emprestei cem mil escudos ao Papa.
- Tudo quanto tinha, Emin�ncia. - Esse dinheiro que nos emprestou...
- com tanta usura. - N�o.
N�o, Emin�ncia, n�o diga essa palavra t�o feia, que me d�i o cora��o!
- Por outro lado no Evangelho n�o... - Deixe em paz o Evangelho,
esse � meu terreno.
De todas as formas, hoje vence o contrato e vim retirar o capital.
Mais tr�s meses de juros, a apenas 18%,
n�o creio merecer, Emin�ncia, esse qualificativo t�o feio.
Dom Arpagone, se conhecesse o Evangelho...
tamb�m conheceria a par�bola da ovelha desgarrada.
Sim, a da ovelhinha, eu lembro.
� nosso dever perdoar a ovelha desgarrada,
mas aqui, Dom Arpagone, n�o se trata de s� uma ovelha,
mas exatamente de 1.347.
Aonde foi parar o rebanho de sua propriedade de Fogliano?
- Aonde foi parar? - Isso eu pergunto!
- Aonde foi parar? - Sim, aonde foi?, Aonde?
Em baixo da terra, Emin�ncia. Sim, a peste ovina acabou com minhas ovelhas.
- N�o � verdade, Mestre Simone? - Sim.
Ah, disse sim.
- Que disse? Sim? - Que devo dizer?
- N�o. - N�o.
Chegaram not�cias muito mais tranquilizadoras.
Esse grande rebanho viajou alguns dias atr�s para Puglia.
� verdade, Emin�ncia? Ouviu falar nisso, Mestre Simone?
Nossas ovelhas n�o morreram viajaram para Puglia.
Oh, louvado seja o Senhor!
Consta-me...
que esse grande rebanho foi vendido por um total de 30.000 escudos
Esquecendo, infelizmente, de pagar os impostos devidos.
Ah, isso � grave.
- Mas, o que fez? - Eu?
- N�o pagou os impostos? - Eu? Mas se eu...
Que disse! Tem ideia do que fez?
Diga-lhe, Emin�ncia.
Diga-lhe a pena para os que n�o pagam os impostos. Diga-lhe.
- A morte. - Ouviu? A morte.
Eu ouvi, a morte. E o que eu tenho a ver com isso?
Saiba que nestes dias os olhos do Santo Padre...
est�o pousando em voc�.
Isso � bom ou ruim? Emin�ncia.
Isso n�o pode ser conhecido, misterium eclesie.
No entanto, o que � certo � que a sua Santidade pediu-me...
que voc� saiba que, neste momento, infelizmente,
n�o � poss�vel devolver seus cem mil escudos.
- � o que diz o Santo Padre? - Sim
Desculpe-me, Senhor Cardeal, mas minha cabe�a est� girando.
Voc� v�, eu estou ficando mal, desculpe-me, Emin�ncia.
- Estou p�lido e abatido? - N�o.
Quando voc� tem que dizer sim, diz n�o.
O Santo Padre, na sua magnanimidade, est� muito grato pelo empr�stimo.
E autorizou-me a lhe pagar os juros trimestrais.
S�rio? Agora sim � uma boa not�cia!
- Voc� n�o tinha entendido? - Eu sim.
Como sim? N�o podia me dizer, imbecil, me deu um susto!
Aqui est�o os juros.
Ah, isto sim � que me cura!
Agora, se me permite, Dom Arpagone, volto a guardar.
Ser� como se tivesse com voc�.
- Entende o porqu�? - N�o, desculpe.
Como estou com a cabe�a ainda rodando, n�o estou entendendo.
Por que o guardou outra vez?
� t�o simples, Dom Arpagone. Eu o guardo no fundo comum.
- Voc� entendeu agora? - Hem?
- Voc� entendeu? - Bem, eu...
N�o me diga que entendeu por que pe�o perd�o a sua Emin�ncia...
e lhe dou um tapa na cabe�a. O que � isso?
- O que � isso? - O fundo comum, Dom Arpagone,
� a acumula��o de bens de fam�lias que se unem.
- As suas riquezas ir�o se multiplicar. - Sim.
- Certo. - O que voc� acha?
A felicidade da minha irm� �...
a coisa mais preciosa para mim nesta vida terrena.
� uma bela alma, piedosa, generosa.
Voc� n�o percebe, Dom Arpagone? Para se casar com a minha irm�...
vai tornar-se meu parente.
Passaria a tomar parte da grande fam�lia do Vaticano...
depois do casamento com a minha irm�.
Ah, ap�s o noivado! Desculpe, eu n�o tinha entendido.
Teria que me casar? Casar com a sua irm�?
N�o, n�o, eu sinto muito mas...
n�o posso casar com sua irm�.
Diga-me, Dom Arpagone, voc� j� ouviu algum boato sobre minha irm�?
Alguma inf�mia pela morte dos seus tr�s maridos?
N�o � boato, Emin�ncia, os tr�s morreram.
- Talvez tenha medo da morte? - Para ser sincero, sim, um pouco.
- Mas se voc� est� vivo! - Sim, no momento estou vivo.
- Gra�as a Deus. - Ent�o por que voc� est� t�o alterado?
Ser� que infelizmente minha irm� n�o o agradou?
Sim, n�o, claro. Quando eu a vi fiquei muito impressionado.
N�o � verdade? Diga, diga, acorde de uma vez!
Sim, sim, � verdade, impressionou-lhe muito, muit�ssimo.
Impressionado, por isso disse que me d� medo.
Emin�ncia,...
quero confessar-me!
Dom Arpagone, levante-se agora n�o � poss�vel ouvi-lo em confiss�o!
Ent�o eu falo como se fosse em confiss�o, eu pequei, eu pequei!
Volte para seu lugar!
Emin�ncia, necessito seu perd�o e toda sua compreens�o.
Estou aqui para lhe ouvir, seja sincero com seu pastor.
Pastor!
Eu n�o sou mais puro.
Como minha condi��o de vi�vo poderia fazer pensar.
Cedi aos apelos do diabo e aos prazeres da carne.
Mas o que voc� fez?
H� muito tempo, Emin�ncia tenho um relacionamento amoroso...
com uma mulher.
Mas o que est� dizendo? Isso n�o precisa ser perdoado.
� vi�vo, sozinho, e tentar aliviar sua solid�o n�o � um pecado.
- N�o? - N�o, n�o.
A Igreja pode intervir e livr�-lo do compromisso.
Por outro lado, � apenas... um relacionamento amistoso, n�o �?
N�o � bem assim.
E a� precisamente que surge o problema.
A menina... est� gr�vida.
Como � poss�vel? O que aconteceu?
O que aconteceu? Emin�ncia,
- O senhor me colocou em situa��o dif�cil. - Dom Arpagone!
O qu�?
Na sua idade!
Foi a vontade divina.
� qual n�o posso escapar, nem como homem ou como um bom crist�o.
- N�o, Emin�ncia. - Eu entendo.
Ante uma criatura que vai nascer,...
temos de nos resignar. - Sim, resignemos.
Resignemos, n�o h� nada a fazer.
Vamos ver como o Santo Padre vai interpretar.
E como pode interpretar?
Ele tinha a inten��o de aben�oar pessoalmente...
sua uni�o com a minha irm�.
Ah, �? O Santo Padre � t�o bom que compreender�.
Claro, claro. Se tudo que voc� confessou for verdade.
Mas se voc� est� tentando enganar-me...
ent�o, Dom Arpagone atrav�s do Santo Padre cair� sobre voc�...
a ira divina, como um raio.
- O qu�? O Santo Padre? - N�o, est� chovendo.
- Felizmente, o que faremos? - O que faremos?
- N�s estamos indo. - E n�o vamos nos despedir?
Sim, vamos nos despedir.
Emin�ncia, n�s j� vamos e obrigado pela sua compreens�o.
- Emin�ncia. - Vamos, vamos.
Ah, � verdade.
Emin�ncia, j� que tudo � como antes, n�o �?
E isto n�o vai para o fundo comum, pego meus juros...
e dentro de tr�s meses voltaremos a nos ver.
- Est� certo? - Talvez nos vejamos antes.
- Sim, talvez mais cedo. - Ande, ande, que Deus os proteja.
- Obrigado. - Obrigado, Emin�ncia.
Por que esses trov�es se faz sol?
Esses raios me assustaram muito.
Houve um tempo em que eu tamb�m tinha medo.
Sorte que, no meio de tanta desgra�a, voc� tem a sorte de uma noiva...
gr�vida. - Sim, gra�as a ela.
Gra�as a ela sa�mos bem desta situa��o terr�vel.
Desde ent�o, gra�as a ela, mas eu me pergunto...
quem � ela? Eu n�o sabia nada e sua fam�lia tamb�m n�o sabe.
Claro, ningu�m sabe de nada nem sequer eu sei.
� algo extremamente secreto, ningu�m precisa saber.
Ah, sim, est� bem.
Meu Deus! O qu� � isso? � o cardeal que nos mandou prender?
- N�o, n�o, � o Papa. - O Papa.
O olhar do Santo Padre pousou sobre mim.
- Dom Arpagone. - O qu� �?
- Que faremos agora? - O que faremos?
Eu tenho que arrumar tudo antes que o cardeal apronte.
S� h� uma pessoa que pode me ajudar.
Nossa m�e, o que � isso? Ratos, que nojo!
Que nojo! Fora, fora, ratos nojentos.
- Ei, venha c� com a gente, - Com voc�? Que querem?
- Olhe o que eu tenho. - Deixe-me, deixe-me, calma.
Senhor!
- Quero um beijo. - Hem?
- Quero um beijo. - Afaste-se, b�bado nojento.
B�bado � voc�, eu s� queria um beijo. Que antip�tico!
J� n�o existem pessoas am�veis.
- Dom Arpagone. - Abra.
Sim, sim, imediatamente.
- Repito a aposta. - Bom.
Quatro.
A� est�, que azar!
Dois, dois.
- Sinto muito. - Por favor, continue jogando.
Dom Arpagone, que honra. O que eu posso fazer por voc�?
Cale-se e tire-me de esta confus�o o quanto antes.
Eu tenho que falar com voc� com urg�ncia.
Venha, venha, venha,
falaremos em particular, entre, por favor.
- Venha, voc� est� em sua casa. - Bem, j� estamos os dois "en priv�".
Ent�o voc� mora aqui, hem?
Que elefante � este?
Isto � o seu particular, e todo esse luxo de onde vem?
- � o fruto de minha poupan�a. - N�o. Fruto do que me rouba.
- Ah, eu roubo? Ent�o olhe isto.
- Sim, olhe isto. - As contas!
- Mostre-me. - Olhe.
N�o, n�o fa�a isso.
Percentagens do jogo somam sete mil escudos.
Comidas e bebidas, oitocentos escudos.
- E as garotas. - N�o, n�o, as meninas n�o.
Fa�a uma conta que inclua tudo, n�o quero saber nada das garotas.
- Mas o que rendem lhe interessa. - Sim, s� o que rendem,...
o que possam fazer n�o me interessa, por que eu tenho meus princ�pios morais.
- Muito bem, bons princ�pios. - Sim.
O dinheiro � assunto meu, como as garotas o ganham � assunto seu, est� claro?
- N�o. - Pois sim.
- Eu n�o conto para nada, o patr�o � voc�. - Sim.
� assim e lembre-se sempre.
- Lindo! - Quem?
- Lind�ssimo. - Deixe disso, mulher!
- Lind�ssimo. - Eu sei, mas n�o exagere.
- Venha c�. - N�o exagere, fique quieta. Seja boa.
N�o me disse outro dia que procurasse um marido para sua filha?
- Rico e que n�o quisesse dote. - Sim, por qu�?
Pois eu encontrei.
- De verdade? - Sim.
Pode-se dizer tudo de voc�, mas tenho que reconhecer...
- que como alcoviteira � a melhor. - Obrigada, foi muito am�vel.
Quem disse am�vel? � verdade, e o que � verdade � verdade,
e diga se n�o �!
- Venha ver. - Aonde voc� vai?
- Voc� v�? - Sim, eu vejo.
- Venha aqui e olhe. - E se voc� n�o tirar isso, como eu vou?
- O que voc� est� fazendo? - Tire agora.
Venha, suba.
- Olhe agora. - Sim, sim.
- Quem �? Onde ele est�? - Aquele, aquele de l�.
- Onde? - O que est� na sua frente.
Sim, agora. O que veste um traje dourado com rendas?
Sim, aquele com muitas rendas.
Que homem bonito e forte!
Joga pesado!
E ri. �timo!
- Est� ganhando? - N�o est� perdendo.
� por isso que eu gosto.
Se algu�m que perde, ri, deve ter um monte de dinheiro.
Muito, muit�ssimo al�m disso ficou sozinho.
Perdeu toda a fam�lia tragicamente.
Ou�a Frosina, voc� tem certeza que ele casa com minha filha sem um dote?
Tenho certeza. Basta que seja bonita e pura.
Eu garanto pureza e castidade, leve-o a minha casa,
assim poderei conhec�-lo. - Est� bem.
Leve tamb�m essa vi�va rica que se casar� com meu filho Cleante.
Como ordenar Dom Arpagone.
E agora que pensamos nos filhos, vamos-nos sentar.
- Vamos falar sobre mim. Ou�a, Frosina... - Diga.
Outra noite, eu acordei com um grande desejo.
- Um grande desejo. - Sim, um grande desejo de se casar.
- De casar? - Sim, casar, voc� ouviu direito.
E ent�o eu pensei...
que ningu�m no mundo melhor do que voc�... - Querido, querido, querido.
- N�o, fique quieta. - Querido!
- Que quer? - N�o me dava esperan�a.
Levante-se, que h� com voc�? mas o que eu disse?
Pergunta-me o que eu disse?
Voltou a dar a meu cora��o a esperan�a que havia perdido...
de casar-me.
E agora me pediu em casamento.
Voc� est� louca? Como voc� acha tal coisa?
- Ent�o? - Ent�o o qu�?
Eu disse que queria me casar, n�o que me casaria com voc�.
Vamos, mulher!
Perdoe-me, por um momento esqueci quem eu sou.
- Tente se lembrar. - Quem sou eu?
No entanto, para certas coisas voc� � inteligente.
- Por qu�? Como eu sou? - O qu�? Como voc� �?
- Voc� � imoral. - Ah, obrigada.
Que obrigada? � verdade.
Diga-me, como � que agora voc� decidiu se casar?
Sempre disse que uma esposa � uma estranha...
e que o casamento era como levar uma inimiga pra casa.
E � assim, � uma inimiga.
Por isso quero saber quem eu ponho em casa.
Se eu pudesse evitaria isso, mas vejo-me obrigado.
- Mas quem o for�a? - Quem? Pois s�o
as circunst�ncias. E para voc�, � da sua conta?
Eu tenho que casar logo.
- Acalme-se - Sim.
Se voc� j� decidiu tudo, qual � o problema?
Esse � o problema.
Eu n�o tenho esposa, voc� deve encontr�-la.
Ent�o se n�o fosse por isso, voc� acha que viria aqui?
O que eu sei, um desejo.
Um pecadinho.
Est� vendo, suja, no que voc� est� pensando sempre?
Vai encontrar uma esposa, sim ou n�o?
Sim, sim, eu procurarei. E como deveria ser a esposa?
Hem, como deve ser?
- Deve ser digna de carregar o meu nome. - Claro!
Se poss�vel, rica.
Em qualquer caso, jovem, bonita, educada, modesta, econ�mica...
obediente, simp�tica. - S� isso?
e gr�vida de dois meses.
- Que piada boa! - N�o, n�o, � uma piada,
tenho que descobri-la desse modo.
- Imediatamente. - Imediatamente, imediatamente.
D�-me tempo para ver o que h� no mercado.
Est� bem, olhe.
Vamos fazer assim, amanh� nos encontramos na missa do meio-dia na igreja de S�o Jorge.
Na igreja, o que vamos fazer na igreja?
Justamente l� convocarei suas poss�veis esposas.
Todas tementes a Deus e sem que nenhuma saiba de nada.
Dessa forma voc� pode observar sem se comprometer.
- Como em um desfile. - Sim, voc� est� feliz?
� claro que estou feliz, agora.
Respondeu-me como voc� �.
Muito bem, percebe-se que voc� tem c�rebro.
- S� voc� v� isso em mim? - Hem?
Sim, s� vejo isso.
Diga-me ao menos que est� contente comigo.
- Sim, sim, sim. - Diga-me, me diga.
Eu estou contente, estou cont...
Gostou?
- Gostou? - N�o, sim, saia, ajude-me.
� melhor que me v� embora, se n�o terminarei mal.
- Por que fez? - Eu sou assim.
- Seria bonito. - Sim.
Eu imploro, Frosina, n�o me abandone!
Durma em paz, Dom Arpagone.
Vamos nos encontrar amanh� na igreja.
- Quem � esse cliente? - Um cavalheiro.
- Rico? - Muito rico.
- E lhe corteja? - Sim, mas ele n�o sabe.
Que quer dizer?
Que se as coisas correrem como espero,
dentro de dois dias serei a patroa deste local...
e quem sabe de quantas coisas mais.
- Ent�o voc� vai nos deixar? - Bem.
- Vamos l�, meninas, ao trabalho! - Est� bem, est� bem.
- Quem chegou? - Quem voc� j� sabe.
- Fa�a-o entrar. - J� vou.
Boa noite, Monsenhor, seja bem-vindo!
Conseguiu o que eu pedi?
Claro, Monsenhor.
Por favor, por aqui, siga-me.
Por favor.
- Voc� viu quem �? - Sim.
Muito bem.
- Muito bem. - Naturalmente.
Como sempre, a seu servi�o.
O que vemos ao nosso redor, irm�os?
O pecado,
a corrup��o, o �dio, o abuso de poder.
Por que mesmo nesta cidade,
a Cidade Santa,
a cidade do Papa,
hoje os valores espirituais s�o uma mera lembran�a.
Dinheiro, ouro, j�ias, lux�ria.
A quem se dirige esse louco?
- O que voc� acha? - E eu sei?
Se hoje, Cristo
viesse expulsar os mercadores do templo,
Roma ficaria deserta...
e todos seriam jogados...
nas chamas do inferno.
E voc�s tamb�m.
Voc� tamb�m, voc� queimaria vivo com tudo o que voc� bebe.
- V�m ou n�o essas noivas? - Acalme-se, elas chegar�o.
- A� vem a primeira. - Sim?
Meu Deus.
� a primog�nita de um atacadista de madeira.
E seu pai lhe fez a perna de pau.
� uma grande poetisa e a pintura n�o tem segredos para ela.
Voc� valoriza mais a intelig�ncia que a beleza.
- N�o? - N�o.
Muito pelo contr�rio.
Eu quero uma mulher com coxas assim.
Mas de verdade, n�o de madeira.
- Agnus Dei, qui tolis pecata mundi - Miserere nobis.
- Agnus dei qui tolis pecata mundi - Dona nobis pacem.
E as outras, n�o v�m?
- Agnus dei qui tolis pecata mundi - Miserere nobis.
Seja paciente, elas vir�o.
A� est�, a segunda j� vem.
- Vem? - Esta � a filha de Dominici.
"Oremus"
Tem um car�ter muito exuberante como voc� pode ver.
� uma excelente cozinheira.
Tem a vantagem de parecer gr�vida.
Sim, gr�vida,
mas que leva toda uma fam�lia l� dentro?
- Eu entendo, n�o lhe agrada. - N�o, n�o me agrada.
Bem, minha candidata favorita ainda n�o chegou.
Menos mal.
A� est�, est� chegando.
Chama-se Esmeralda Batiferi
Esmeralda? Tem barba.
N�o sabe quanto me custou convenc�-la...
para que se deixasse ver por voc�.
Pensava que queriam tranc�-la em um convento.
Deveriam trancar e jogar a chave fora!
Dom Arpagone, que posso fazer se tamb�m n�o gosta dessa?
Est� certo, que pode fazer?
Voc� � uma nojenta!
Fale baixo, estamos na igreja!
Voc� foi quem me trouxe � igreja!
- Cale-se! - N�o, cale a boca voc�.
Calma, calma, como iria encontrar em tr�s horas uma mulher como voc� quer?
- Que �? - O �bolo.
J� vou, espere.
Essa sim que seria minha mulher ideal.
- De quem est� falando? - Daquela jovem,
jovem, bonita, modestamente vestida,
- religiosa, econ�mica. - Como sabe que � econ�mica?
Nem sequer a conhece.
Percebi ao ver como ela resiste ao �bolo.
V� at� ela!
- Voc� a conhece? - N�o, eu n�o a conhe�o.
Claro, as boas voc� n�o conhece.
Ficou surpresa que eu a tenha descoberto, hem?
Quando terminar a missa, saia...
e proponha o casamento.
E n�o gaste outra vez sua conversa est�pida, por que...
"In nomine Patris, et filii et Spiritus Sancti. Amen"
- "Ite, misa est" - "Deo gratias"
Ei, espere!
Ei voc�, espere.
- � comigo? - Sim, sim, � voc�.
Perdoe-me mas eu n�o lhe conhe�o.
Meu nome � Frosina, moro no Beco do P�.
Eu s� quero fazer uma pergunta n�o se preocupe.
Voc� � solteira ou casada?
Eu n�o sou casada, por qu�?
Oh,voc� � t�o bonita que eu esperava que fosse casada.
Esperava que eu fosse casada?
Desculpe, mas o que voc� tem com isso?
Mais do que voc� pensa.
De qualquer forma, j� que voc� � solteira, quero lhe fazer uma proposta.
H� um homem muito rico, um pouco mais velho, que lhe viu na igreja...
e se apaixonou por voc� a ponto de querer se casar com voc� imediatamente.
Casar comigo? Eu nem sequer sei quem ele �!
Que import�ncia tem isso? N�o complique, eu lhe disse que � rico!
Sim, eu ouvi, mas n�o o conhe�o e portanto, n�o o amo. Sinto muito!
Mulher, pense direito! Isso n�o tem nada a ver!
N�o precisa amar um homem rico, tem que se casar com ele e nada mais.
- � realmente t�o rico? - Imensamente rico.
Bem,...
estou muito agradecida aos dois, a voc� por se incomodar...
e ao senhor por fazer-me uma proposta t�o lisonjeira.
Acredite em mim,
aceitar a sua proposta resolveria muitos problemas na minha vida.
Vamos ver, voc� est� me dizendo que quer aceitar?
Se eu fosse menos ego�sta, deveria aceitar imediatamente.
Amanh� v�o nos despejar
e se isso fosse pouco, n�o vivo s�, tenho uma m�e doente.
Esse casamento poderia restabelecer a serenidade...
e o bem-estar que tanto precisa.
- Mas... - Mas, mas o qu�?
Mas eu j� estou apaixonada.
E �s vezes o amor nos faz muito ego�stas.
- Ent�o, ent�o, voc� vai recusar? - Sim.
Mas espere. Espere!
- Bom dia. - Bom dia.
Bom dia, desculpe, estou procurando Mestre Augusto.
- Vou avis�-lo. - Obrigado.
Bom dia.
Bom dia, excel�ncia.
Se eu n�o me engano, n�o tenho o prazer de conhec�-lo.
N�o, de fato.
Veio aqui para um empr�stimo?
Sim, gostaria de um empr�stimo de cinquenta mil escudos.
� uma quantia muito alta.
Parece-me muito jovem para ser um homem de neg�cios.
Tem raz�o, quero o dinheiro para me casar.
Ah, para comprar uma casa digna de sua esposa, suponho.
- Sim, isso mesmo. - E como garantia, que vai oferecer?
Tem objetos de arte, ouro, j�ias?
N�o exatamente, trouxe os t�tulos de propriedade da minha fam�lia.
D� uma olhada.
Bem, um patrim�nio muito substancioso.
Se me conceder o empr�stimo lhe asseguro que n�o ser� por muito tempo.
Meu pai � um homem velho e muito, muito doente.
Acho que compreendi.
Est� pedindo um empr�stimo a "pai morto".
- Exato? - Exato.
Pode dar por feito o neg�cio.
Mas considerando a import�ncia da garantia d�-me tempo at� amanh�.
Mas fa�a de conta que o dinheiro j� est� em seu bolso.
- Obrigado, obrigado. - E agora,
poderia me dizer o nome do seu pai?
Preferiria diz�-lo amanh�,
antes que me conceda o empr�stimo.
Ah, voc� � reservado, parece-me justo.
Tratando-se de dinheiro, a prud�ncia � necess�ria.
Exato.
Tenho dito que n�o venha aqui em casa.
N�o quero que saibam que tenho uma casa de penhores.
Depois v�o dizer que sou um usur�rio.
- V� embora! - � um assunto muito importante.
- E que voc� chama de importante. - Cinquenta mil escudos.
Vamos, sente-se. Cinquenta mil escudos, e de que se trata?
Trata-s de um empr�stimo "a pai morto".
A pai morto!
Bem, isto sim que � uma boa not�cia.
Aqui tem o atestado m�dico.
Esperemos que morra logo esse pai. Que diz? Quando ele morre?
- Muito em breve. - Que idade tem?
60 anos. Sessenta!, tem minha idade!
Esperemos que esteja pior que eu.
Olhe! Tem asma, ins�nia, m� digest�o, m� qu�?...
Evacua��o!. Bem. Estado de sa�de: ruim. Muito bem!
Muito bem. Previs�o de vida de tr�s a seis meses.
Com o que tem parece muito.
- Agora vou ler a lista de propriedades. - Sim, vamos ver o que tem.
Dez mil ovelhas no lago de Bracciano.
V� l�, dez mil no lago de Bracciano, nosso vizinho.
N�o sabia que havia outro rebanho?
- Uma salina em Ostia. - Tamb�m a salina... Uma salina?
B�falas, queijos, terras de lavoura, fazendas.
Propriedades na cidade: 200 casas alugadas, 50 lojas,
uma casa de jogo em Vicolo do Piede, n�mero 7.
Cretino! Imbecil!
Este "pai morto" sou eu. N�o v�? � a letra do meu filho!
Assassino! Parricida!
Deu-me tr�s meses de vida!
Tem que acreditar, eu nunca tinha visto seu filho!
Papai!
Vim lhe dizer que vou sair de casa.
E tem coragem de aparecer aqui? Assassino!
Sim, digo-lhe adeus. Ganhei cinquenta mil escudos no jogo.
- O que voc� faz aqui? - E o que voc� faz aqui?
A pai morto!
- Eu lhe mato! - Papai!
Voc� quer me matar, mas eu vou lhe matar!
- Deixe-me lhe explicar. - O que vai me explicar? Est� muito claro.
Nojent�ssimo filho meu!
Est� tudo bem claro, voc� � o do da casa de penhores.
- Meu pai � um usur�rio! - Sim, sou um usur�rio.
Mas j� n�o seu pai.
J� n�o tenho filho depois do que voc� fez.
Nunca precisaria fazer se voc� tivesse cora��o.
Voc� destruiu o meu amor.
E a sua crueldade vai obrigar a mulher que eu amo e a sua m�e,
a levar uma vida de humilha��o e dor.
E voc� para salvar o seu amor, mata o seu pai ou o vende a "pai morto."
V� embora, saia desta casa n�o quero lhe ver de novo.
V� viver com essas duas piolhentas!
Mariana, deixe, � in�til.
N�o o estou esperando, ele me prometeu.
Cleante n�o tem culpa de nada,
sabe que fez tudo que foi poss�vel para nos ajudar.
- Sim, sim. Mas agora, que faremos? - Vamos sair daqui.
� in�til lutar contra o destino,
os des�gnios da Provid�ncia s�o inescrut�veis.
Temos de nos resignar.
Cleante, estamos salvas!
- Voc� tem o dinheiro? - Est�vamos esperando.
- N�o, n�s n�o o temos. - Viemos para levar os m�veis.
S�o propriedades do dono da casa.
Talvez pudesse nos sugerir algum lugar aonde ir.
Duas ruas mais acima fica o asilo do Sagrado Cora��o de Jesus.
Desculpe, sabe onde posso encontrar Frosina?
Voc� � a novata de Floren�a? Espere um momento, vou abrir.
- Pensei que n�o ia vir. - Atrasei-me, j� chegou?
Entre, entre.
N�o sei quem ser�.
Espere, vou cham�-la.
- De onde vem? � de Roma? N�o lhe vi antes.
- Deixe-me ver. - Creio que me confunde.
S� vim para falar com Frosina.
- Aqui estou. - Bom dia, Frosina.
Ah, � voc�, como �, veio me ver?
- Lamento. - Lamenta? E por qu�?
Sim, n�o queria fazer, mas me vi obrigada a aceitar sua proposta.
A proposta de casamento.
Frosina, desgra�ada, o que est� esquentando?
Est� fazendo frio.
Voc�, se n�o descobrir as n�degas n�o est� satisfeita.
- Venha c�, conte-me. - Estou indo, vou contar.
Alegra-me um pouco estou t�o ansioso!
- Diga-me seu nome, como se chama? - Chama-se Mariana.
- Mariana? - Sim.
Mariana? Belo, bel�ssimo, jovem, bonita. Mariana, Marianinha!
Alegro-me muito que esteja t�o contente.
Sim, sim.
- Mariana tamb�m est�. - � verdade?
E n�o colocou nenhuma dificuldade?
- Nenhuma. - Nenhuma?
E me aceitou assim, sem nenhuma obje��o, nem pela idade?
Ao contr�rio, ela gosta dos idosos e detesta os jovens.
- N�o me diga? - Sim, gosta sobretudo pela idade.
Sim?
- Mas se ela nunca me viu! - Est� enganado.
Ela lhe viu na igreja.
A garota n�o tem nada de ing�nua.
Fingia rezar, mas notou como a olhava.
Ent�o, al�m de ser bonita � sabidinha.
Sim.
E tamb�m inteligente, sabe muito bem o que quer com este casamento.
- Excelente. - Aqui est� o contrato.
- O contrato. - O contrato? Que contrato?
As capitula��es.
- Mariana pede alguma coisa? - Sim, mas � muito modesta,...
uma caracter�stica do seu car�ter. - Isso � bom.
- Quais s�o esses pedidos? - Eu vou ler.
- Leia, leia, s� por curiosidade. - Uma casa para ela...
- E uma para a m�e. - A m�e, que m�e?
- Dona Elvira, uma dama nobre. - Sim, e que pretende?
- Trazer sua m�e para a casa? - Sim, � a primeira peti��o.
- Ah, � a primeira? - Sim, depois duas governantas,
um cozinheiro franc�s, duas carruagens com cavalos e cocheiros,
- um costureiro e um cabeleireiro. - Sim, e um coveiro,
para quando me encontrarem morto e deitado no ch�o.
E o eu quero lhe dizer, tudo isto � para a m�e.
Para ela s� pede o que pediria una garota habituada a viver...
em uma grande fam�lia de ambiente intelectual.
- Claro. - A manuten��o de um poeta...
e de um m�sico. - A manuten��o!
Para aqueles que hospedam, comem bebem e n�o v�o embora!
- Imagine, m�sicos! - Depois de uma viagemzinha por ano...
a Paris para comprar roupas, j�ias e cosm�ticos,
para uma garota de sua categoria.
- Sim, sim. - Isso � tudo.
Isso � tudo.
- E isto � um contrato de casamento? - Sim.
Mas isto � uma declara��o de guerra!
- N�o, n�o, calma! - � um duelo de morte...
com sangue, mortos e feridos.
- E eu, que fa�o? Calma! - Sim, calma!
N�o fui eu que escolhi a garota foi voc� quem a escolheu, sim ou n�o?
- Ningu�m lhe obriga, pode dizer que n�o. - Pois digo que n�o!
� uma assassina,
assassina era a outra e assassina � esta e meu filho "a pai morto".
Em quem eu posso confiar? Em ningu�m.
Ningu�m gosta de mim.
N�o, n�o � verdade Dom Arpagone, h� quem goste de voc�.
N�o, n�o, n�o, ningu�m!
Lembre-se que se voc� se casar j� n�o viver� mais sozinho.
E nas noites frias de inverno para aquecer a sua enorme cama...
ter� uma doce e quente mulher para abra�ar.
- Se n�o quem abra�ar�? - O cofre.
N�o � macio, mas pelo menos est� cheio.
E tire da� essas coisas, sem vergonha, passando na minha cara!
E diga a essa garota ing�nua...
que Dom Arpagone n�o assina esse contrato.
Que n�o me caso, preferiria casar...
com uma daquelas gralhas que me apresentou na igreja.
Acha que n�o tentei encontrar outras?
Mas quando souberam o nome do esposo,
dada a fama de sua avareza,
todas, ouviu? Todas disseram que n�o.
Sinto muito, mas � por sua culpa.
Quer dizer que sou avarento, n�o �
- Voc� tamb�m acha. - N�o, eu n�o.
- N�o pensar� isso de mim. - Ent�o...
parece que entendo que...
a �nica dispon�vel � voc�.
Depende de voc�, Dom Arpagone.
Se depende de mim, querida Frosina,
chegou o momento da grande decis�o.
- Finalmente! - D�-me este papel!
Mas, que vai fazer?
Vai mesmo casar com ela?
- A� est�. - Com estas condi��es?
Sim, com estas condi��es, quer dizer,
primeiro me caso e depois veremos quem cumpre as condi��es.
Tome, leve-o.
Eu lhe darei... poeta e m�sico.
- Elisa. - N�o devem nos ouvir!.
- Est� louca?, v� embora!. - N�o, meu pai nunca vai nos deixar casar.
A menos que...
A menos qu�?
- Se eu estivesse gr�vida, talvez... - O que est� dizendo?
Com isso vai se livrar de duas bocas para alimentar. Ent�o...
E voc� queria?
Voc� n�o?
Viu que lindo pal�cio? Gosta?
N�o sei, parece t�o triste.
Est� em suas m�os fazer que seja alegre.
Lembre-se sempre do que lhe disse, que pode pedir e pedir muito,
por que � jovem e tem todo o direito.
Mas n�o est� triste pelo pal�cio,
est� pensando ainda em seu namorado, n�o �?
Sim. Mas que import�ncia tem agora!
Ou�a, sempre podemos voltar atr�s, ainda � tempo.
- Eu poderia dar um jeito. - N�o, n�o posso de forma nenhuma...
deixar minha m�e doente naquele hospital horr�vel.
- Como quiser. - Vamos l�.
Bom dia senhora Frosina,
bem-vinda, Dom Arpagone est� esperando.
- Muito bem, vamos. - Entre, por favor.
Que houve Filoavena? Hoje deveria ser um dia feliz...
para esta casa, por que essas l�grimas?
Infelizmente o patr�ozinho est� a ponto de nos deixar para sempre.
- Espero n�o ser eu a causa. - N�o senhorita, nada a ver com voc�.
Foi por causa de uma discuss�o terr�vel com seu pai.
N�o tem rem�dio. Entre, entre.
Esteja em sua casa, vou dizer a Dom Arpagone que chegaram.
Com licen�a.
Sim, claro, � um pouco triste, mas imagine tudo isso com tapetes...
quadros, flores, candelabros... - Frosina, por favor,
n�o me importo com essas coisas.
- Vamos, n�o fa�a essa cara. - Mariana!
- O que est� fazendo aqui? - Cleante!
E voc�?
Oh, n�o � poss�vel, n�o me diga que por ele que est� apaixonada!
Voc� � a prometida de meu pai?
Desculpe-me, eu lhe esperei, mas nos despejaram...
tive que aceitar por minha m�e.
N�o, � voc� quem tem que me perdoar,
por n�o haver sabido obrigar meu pai a lhes salvar.
Seu pai? Seu pai � o dono da nossa casa?
Vejo que sabem muito pouco um do outro.
� por culpa minha, n�o queria que soubesse que...
meu pai n�o goza de boa fama.
- Voc� sabe isso muito bem. - Eu s� sei que...
estamos metidos em uma boa encrenca.
Ah, todos reunidos!
Bom dia, bom dia para todos.
- Oh, Dom Arpagone, bom dia. - Bom dia Frosina.
Apresento-lhe a sua futura esposa.
Dom Arpagone.
- Linda n�o �? - Sim, eu tenho que admitir,...
voc� � linda, querida.
O senhor � muito bom, Dom Arpagone.
Bom, eu? N�o demais!
E voc�, como �?
Quero lhe testar Mariana, venha comigo.
Escute querida, temos que falar sobre os gastos,
que me parecem exagerados.
Dever�amos fazer algum corte,
s�o muitas coisas, parece-me um pouco exagerado.
Est� bem para voc�, mas sua m�e
tamb�m pegou forte, n�o �?
N�o Dom Arpagone, n�o comece, sen�o vamos embora.
Pois pode ir, n�o est� vendo que estou falando com minha futura esposa.
Por favor sentem-se, sentem-se todos. Muito bem, Cleante.
Que faz aqui? Vejo que n�o se foi com aquela maltrapilha.
Ficou na casa de papai?
Veio conhecer sua linda mam�ezinha?
Que lhe parece? Gostou?
Se eu for ser sincero, papai, n�o poderei ser sincero.
Que faz, aforismos? N�o lhe entendi, que quer dizer?
Quer dizer que...
Cleante n�o se entusiasma com a ideia de que Mariana seja sua madrasta.
N�o? Por qu�?
- Papai, voc� n�o pode entender,... - Ah.
...no entanto tenho certeza...
que voc� tenha entendeu bem o que eu disse.
Sim, claro, perfeitamente.
E eu posso acrescentar que eu tamb�m sinto a mesma repugn�ncia...
pensar que voc� poderia chegar a ser meu enteado.
- Bem, voc� entendeu? - Sim pai.
Voc� entendeu, ela entendeu, o �nico que n�o entende o jogo...
sou eu. O que voc� disse, hem?
Calma Dom Arpagone, n�o � um jogo, � uma realidade.
S�o muito jovens para aceitar a ideia de ser m�e e filho.
Parecem quase dois noivos.
Claro que com o tempo, Cleante se acostumar� com a ideia,
e ir� concordar perfeitamente.
T�m que se dar bem, e mim, que me importa?
Se o que se casa sou eu, n�o ele.
- Bom dia, papai. - Bom dia, minha filha.
Bom dia.
Agora que estamos todos juntos, Elisa, eu lhe apresento minha noiva.
- Gostou? - Como � jovem!
Ao ver diria que parece mais a noiva de meu irm�o,
que de meu pai. - J� sabia que diria una gracinha.
Querida Elisa, � uma quest�o de gosto, n�o de idade.
Se Mariana me escolheu, est� claro que � por que gostou mais.
Por outro lado, Cleante j� tem sua noiva, n�o �?
Sim, uma rica e idosa vi�va que devo conhecer esta noite.
E diz isso a mam�e? Diga a mim.
Sim, se encontra noivo, e Elisa tamb�m noivou.
E como n�o sou ego�sta,
quis reunir meus filhos nesta grande felicidade.
Ah, n�o lhes disse? Amanh� nos casaremos os tr�s na mesma cerim�nia.
- Falaremos disso mais tarde. - N�o, n�o, n�o, por que mais tarde?
Eu tenho tudo planejado, ser� uma �nica cerim�nia.
E um s� banquete assim economizaremos.
Quer calar a boca?
� assim que nascem os boatos que eu sou um avarento.
E ao contr�rio, Don Arpagone, voc� � o homem mais generoso do mundo.
- N�o, n�o, tamb�m n�o exageremos. - � verdade,...
e eu vou provar isso a todos. - Prove!
Est�o vendo este anel? � uma maravilha.
- Vale pelo menos seis mil coroas. - N�o.
- Sim? - Sim.
Eu n�o sei quanto vale.
Claro que � um belo anel.
- Se me permite,... - N�o, n�o, n�o.
presenteio a sua futura esposa,... - N�o.
certa de que interpreto bem seus sentimentos.
Mas, quem lhe disse nada? Que sentimentos?
Que sabe voc� dos meus sentimentos?
� um anel de homem, um anel meu!
Muito grande, ela � t�o delicada,
precisa de um anelzinho muito fino e leve, como lhe ocorreu dar-lhe meu anel?
- Deixe-o Dom Arpagone. - N�o, eu vou tir�-lo!
- Dom Arpagone! - Tem que me devolver.
- Dom Arpagone, desculpe. - Que �? Que houve?
- Desculpe. - Que aconteceu?
H� duas pessoas que querem falar com o senhor.
- N�o estou para ningu�m. - S�o os engenheiros su��os,...
eles voltaram. - Est� bem, voltaram...
falarei com os engenheiros, mas logo hoje...
- O que eu sei? - Venha, venha.
Eu n�o os entendo quando falam.
- Voltaram os dois? - Sim, os dois.
Ele foi embora.
- Finalmente! - Querida.
Tomem cuidado, meninos,
seu pai pode voltar de um momento para outro.
N�o se esque�am que seu pai � um homem inteligente e astuto.
Ent�o... Diga-nos o que podemos fazer?
T�m que agir com ast�cia,
fazer-lhe acreditar que, como bons filhos...
ir�o se sacrificar casando com quem ele decidiu.
Ou seja, ter�o que mentir.
Eu n�o sou capaz disso.
Querida, todas as mulheres s�o capazes de mentir.
Mas se fizermos o que voc� diz,...
o que vai acontecer amanh�? - O que vai acontecer?
Vamos deixar que ele chegue at� a igreja,
e ningu�m se apresentar� para a cerim�nia.
- Como, ningu�m? - Ningu�m.
- Ningu�m? - Ningu�m.
E o que nosso pai vai fazer sem esposa?
Ah, isso � f�cil,
no �ltimo momento sempre h� uma mulher disposta a sacrificar-se.
- Edgar, Franz, grandes engenheiros! - Dom Arpagone!
- Terminado? - Sim, terminado.
- O �ltimo mecanismo do rel�gio, terminado? - Terminad�ssimo.
Ent�o, podemos provar a experi�ncia com a chavezinha?
"Ficar com n�s �ltimo pagamento e n�s dar chavezinha."
- Sim, � necess�rio? - Necessar�ssimo.
- Absolutamente. - Eu suspeitava.
Eu trouxe os escudos, �ltimo pagamento, "voc�s dar chavezinha a mim?
- Est� bem? - sim.
- "Eu dar chavezinha para voc�". - E com a chavezinha...
eu fa�o funcionar o grande mecanismo do rel�gio.
- Claro, vamos, - Esperem, esperem.
- Esperar? - Secret�ssimo.
- Ningu�m deve saber, secret�ssimo. - Secret�ssimo.
Tenho certeza de que fez uma boa escolha.
Assim espero, uma esposa dar� fim a minha solid�o.
Assim espero. Celebrar�o aqui o casamento.
Por favor.
- Nunca havia vindo a esta igreja. - � muito bonita.
Coloquem bem as grinaldas.
N�o amassem as flores.
Ei, cuidado com essa escada!
- Oh, que prazer. Por favor, por favor. - Bom dia Dom Paolino.
Apresento-lhe o futuro esposo de Elisa.
Oh, muito bem, � um homem de sorte, senhor.
Sua esposa � um exemplo de beleza e virtude.
Se o senhor diz, padre, fico tranquilo.
Necessitarei dos seus dados para os banhos.
Naturalmente.
Chamo-me Dom Guglielmo d'�valos.
- Nascido em N�poles, - D'�valos?
em 10 de maio de 1638.
Voc� tamb�m se chama D'�valos?
Que quer dizer com "voc� tamb�m"?
Veja isso, a futura esposa de Dom Arpagone se chama D'�valos.
D'�valos.
Mariana D'�valos, nascida em N�poles em 16 de junho de 1660.
- Voc� a conhece? - Nascida em N�poles,
em 16 de junho de 1660.
E se chama Mariana!
Essa Mariana � minha filha.
- Sua filha? - Sua filha?
- N�o entendo, parece imposs�vel. - Dom Guglielmo, que est� havendo?
O senhor est� p�lido!
- Mas. - D�-me uma ajuda!
- Por aqui Dom Guglielmo, por favor. - Sim, sim, claro, claro.
- Venha. - Obrigado, obrigado.
- Oh, c�us! - Acalme-se.
- Sente-se nesta cadeira. - Pensei que tinha morrido...
h� quinze anos...
em um naufr�gio em frente � Marselha.
Onde tamb�m perdi minha esposa e meu outro filho, Valerio.
Eu os procurei durante anos.
J� havia perdido toda esperan�a,
at� o ponto de haver pensado em voltar a casar.
Ent�o n�o poder� se casar com Elisa,
sua mulher, est� viva.
- Que est� dizendo? - Sim.
- Elvira est� viva? - Sim.
Claro que est� viva.
E se quiser v�-la, posso lhe acompanhar.
Est� no hospital aqui ao lado, ontem foram despejadas.
Despejadas?
Falando de casamentos, devo dizer que Mariana se casa com Dom Arpagone...
unicamente para salvar sua m�e da indig�ncia.
Obrigado Senhor, por ter-me deixado chegar a tempo para impedir que minha...
filha se case sem amor.
Ent�o Dom Arpagone e Mariana, j� n�o v�o se casar.
- Meu Deus! - Frosina!
- O que voc� tem Frosina? - Nossa m�e!
Que est� fazendo?
- Dom Guglielmo, isso � �gua benta! - Eu sei, Frosina tamb�m � uma santa.
- Traga aqui. - Lembre-se que...
sem ela n�o veria nunca mais minha fam�lia.
Obrigada, Dom Guglielmo, obrigada. Eu me sinto melhor,
acho-me muito melhor. - Voc� vai se sentir melhor, mas eu n�o.
E agora, o que vai acontecer?
Amanh�, Dom Arpagone, tem que se casar a todo custo.
N�o se preocupe Dom Paolino, deixe comigo,
e eu cuidarei disso.
Cada coisa a seu tempo.
- Dom Arpagone. - Que houve?
Dom Oronte pergunta pelo senhor.
- Ai, Dom Oronte! Saia daqui! - Eu j� vou, eu j� vou.
- V�. - Estou saindo, j� vou.
Que honra, Don Oronte.
- Bom dia, monsenhor. - Bom dia.
Desculpe a bagun�a, mas eu estou me preparando para o casamento.
- Cheguei a tomar banho com esse neg�cio. - Muito bem.
Acompanhe-me agora mesmo ao Vaticano.
Sim? E qual � o motivo de tanta urg�ncia?
Devo preocupar-me ou alegrar-me, monsenhor?
- N�o estou autorizado a falar disso. - N�o?
Boas not�cias, Dom Oronte?
Talvez o Santo Padre tenha decidido devolver-me todo meu dinheiro?
- N�o. - N�o?
- N�o.
N�o, o Santo Padre nada tem a ver.
� o cardeal quem quer lhe ver.
Dom Oronte,
c� para n�s,
o cardeal me d� medo.
Ele ri de uma maneira...
e lan�a um olhar de fogo com os olhos, que me atravessam.
Eu n�o quero ser sacr�lego, mas...
e se ele fosse o diabo?
N�o, eu lhe digo que o maligno, �s vezes faz essas brincadeiras.
- Voc� n�o acha? - Infelizmente, sim.
- Sim? - Eu acredito.
Ent�o?
Abrimos uma investiga��o de sua conduta,
a prop�sito de certas acusa��es... - Ah, �?
Prevarica��o.
Ent�o estou na boca do lobo, que devo fazer?
Comporte-se com ele como se n�o tiv�ssemos conversado.
- Nem uma palavra. - E eu o ajudarei durante a entrevista.
Se perceber... se est� endiabr...
quer dizer, se eu notar que se incomodou por eu n�o ter querido me casar...
com sua irm�. - N�o, sabemos que a irm�...
- Sim? n�o � t�o ing�nua.
Para proceder assim contra voc� lan�ou certas acusa��es.
Conspira��o contra o estado.
- Que? - Ouvi alguma coisa sobre os turcos.
Dos turcos!
Voc� emprestou esse dinheiro aos turcos!
Para que armem uma frota contra o Santo Padre.
Emin�ncia, se eu sou um avarento, n�o dou dinheiro a ningu�m!
Eu iria dar aos turcos? Quem conhece esses turcos?
Casualmente tenho aqui uma lista detalhada...
creio que com extrema exatid�o,
de todo o conte�do de seu cofre.
Escudos vaticanos:
233 mil.
Dobr�es espanh�is:
121 mil.
100 lingotes de ouro de um quilo.
Depois vem a lista das pedras preciosas soltas...
e as j�ias montadas,
incluindo a famosa esmeralda R�spoli,
conseguida do pr�ncipe por voc�, em pagamento de certas d�vidas de jogo.
Devo prosseguir?
Agora sei quem lhe deu a lista, maldito asqueroso.
Se ceder ao Vaticano, todo o conte�do do seu cofre...
Naturalmente sem subtrair...
nada do que se detalha nesta rela��o,
Ent�o me comprometo...
a fazer que sua culpa seja...
definitivamente...
perdoada.
Se cancelar, Emin�ncia, sabe que n�o posso sen�o aceitar.
- Diga-me, que devo fazer? - Voc� nada.
Est� tarde, irei pessoalmente a sua casa,
buscar o cofre.
e lhe levarei o perd�o papal.
Ent�o, Dom Arpagone?
Ent�o o qu�? Obede�o as suas ordens...
e me submeto devotamente � vontade do Santo Padre.
Muito bem, at� a tarde, Dom Arpagone.
Sim, at� a tarde Emin�ncia.
- Eu o acompanho, Dom Arpagone. - Obrigado, Dom Oronte.
Com sua permiss�o, Emin�ncia.
Retiro-me.
Ouviu o que me disse?
Que tenho a ver com a Guerra Santa e muito menos com os turcos?
Devagar, devagar Dom Arpagone, muitos queriam denunciar...
sua Emin�ncia, mas ningu�m teve a coragem de fazer.
Dom Oronte, sou medroso por natureza,
mas se mexem com meu dinheiro,...
ent�o sou muito valente. - Por aqui.
N�o seja por isso!
Mas eu n�o posso falar com o Santo Padre?
- Calma Dom Arpagone, calma. - Sim, sim eu estou calmo.
Diria ao Santo Padre umas boas palavrinhas sobre o senhor.
Por que n�o � justo que s� seja o secret�rio do cardeal,...
enquanto que esse sacana... - J� chega!
Sim, sim.
Siga-me, eu vou lhe levar diante dele, voc� me convenceu.
- Um minuto, nada mais do que um minuto. - Sim, sim, apenas um minuto.
- Obrigado, obrigado Emin�ncia. - Ainda n�o.
- Mas em breve. - Se Deus quiser.
Porra! Santidade!
Desculpe se lhe incomodo, mas se trata de algo urgente.
Santidade, sou Arpagone. Lembra-se de mim? Arpagone.
Tive a honra de lhe emprestar algum dinheiro.
Eu queria muito v�-lo.
Mas o cardeal Spinosi...
nunca deixou que eu lhe falasse,
n�o sei por que, talvez tenha algum motivo oculto.
Santidade, o cardeal disse...
que seu olhar se fixou em mim.
� verdade?
� verdade que quer meu cofre?
Preciso ter certeza,
por que n�o me faz um sinal...
mesmo que seja pequeno? Algo que eu compreenda.
Se quer levar meu cofre, Santidade.
N�o � justo, o mesmo diz o evangelho.
Se uma pessoa tem dinheiro, deve guard�-lo.
Creio que o Cardeal Spinosi...
combinado com a irm� dele, a assassina, e meu administrador,
querem roubar meu dinheiro.
E se querem tirar de mim, talvez o fa�am tamb�m com o senhor...
que, talvez, ocupado com as coisas espirituais,
n�o perceba isso.
Qu�?
Deu-me um sinal? Santidade.
Obrigado, abriu meu cora��o � esperan�a.
Ent�o, meu cofre est� a salvo.
J� que estamos aqui, Santidade,
aquele pequeno empr�stimo de 100 mil escudos,
se pudesse me devolver, por que...
me fazem falta.
Fa�a-me outro pequeno sinal, Santidade.
Um sinal pequenininho, eu pe�o.
Santidade.
Santidade.
Adormeceu!
Ser� melhor que eu v� embora.
Levantemos as bebidas e brindemos a querida Frosina,
Obrigada.
Que devolveu a paz a minha fam�lia. Como fez eu n�o sei,...
mas fez melhor que eu. - Que diz, Dom Arpagone!
Voc� s� fez ordenar e eu s� cumpri com o meu dever.
N�o, n�o, n�o, voc� fez muito bem.
Conseguiu que meus filhos se casem com as pessoas que eu havia escolhido...
para eles e para sua felicidade.
- Est�o prontos os banhos? - Tudo pronto,
s� faltam os nome e sobrenomes dos noivos. Tudo pronto.
- Bem! - E ent�o n�o h� nenhum...
- meio de impedir esta maravilhosa... - Nada e ningu�m!
...cerim�nia coletiva. - Socorro, ladr�es!
- Cale a boca! Meu Deus! O que acontece? - Ladr�es! Ladr�es!
- Quem pede ajuda? � Argene! - Ajude-me!
- Entraram ladr�es!
- Eles roubaram tudo! - Ladr�es!
- Papai! - Entraram ladr�es.
Ladr�es na minha casa! E onde est�o as minhas chaves?
Onde est�o as minhas chaves? Oh meu Deus! Sinto-me mal!
- O que aconteceu? - Argene na janela, r�pido!
- Argene! - Argene!
- Que aconteceu? - A caixa! A caixa!
- A caixa de qu�? - A caixa forte.
- O cofre, qu�? - O cofre.
- Antes eu era muito rica. - Sim, era.
- Tinha um bocado de dinheiro. - Bom, que quer dizer?
- J� n�o tenho nem um centavo. - Fale! Explique-se!
- Sou uma pobrezinha,... - Roubaram-nos.
...uma morta de fome! - Roubaram! Roubaram!
- A caixa forte. - A caixa forte.
- A caixa forte. - A caixa forte.
- Venham. - Sim, sim, vamos.
- Aqui est�. - A caixa forte.
- Voc�s viram? - Vimos.
- O qu�? - O qu�?
- Est� vazia! - Est� vazia.
- Est� vazia - Est� vazia
- Ladr�es! O cofre est� vazio. - O cofre est� vazio.
- O cofre est� vazio. - O cofre est� vazio.
- O cofre est� vazio. - Sim, sim, est� vazio.
- Sim, est� vazio. - Est� vazio.
- Est� vazio, roubaram tudo. - Oh, estou pobre!
- Sou um pobrezinho. - Todas as minhas riquezas!
Ontem eu tinha, hoje eu perdi!
Diga-me que estou dormindo tranquilamente,
e o que eu vi foi um sonho!
- Um sonho? - Sim, um sonho.
- Estava dormindo. - N�o, papai, n�o est� dormindo.
- Est� acordado. - Est� acordad�ssimo.
- Est� acordado. - Obrigado pela informa��o.
Ent�o se n�o estou dormindo,
o que eu vi � verdade.
Podem ser elas!
S�o voc�s, minhas moedinhas?
S�o voc�s? Voc�s?
Com seu brilho, com seu resplendor.
Calma.
Onde est�o?
J� n�o as vejo, pobres moedinhas!
- Que podemos fazer? - J� n�o ou�o...
seu tilintar.
EXCLUIR
O que acontece com ele?
Onde est�o voc�s agora? Com quem voc�s est�o?
- Vamos fazer alguma coisa. - Deixe-me ouvir a sua m�sica novamente.
- Ele perdeu o ju�zo!
Escutem, algu�m pode me ajudar?
Preciso encontrar o meu dinheirinho que me levaram, eu fui roubado!
L� est�o elas! Eu ouvi! Elas est�o chegando!
V�m em uma carruagem que traz de volta as minhas moedinhas.
Emin�ncia, que honra!
- O que veio fazer? - Voc� sabe muito bem.
Eu vim para levar o que me prometeu, o cofre!
- O cofre? - Sim
O cofre est� vazio. Completamente, n�o �?
- Sim, � verdade. - Diga a sua Emin�ncia,...
que est� vazia. - Mas o que voc� est� dizendo?
Houve um roubo.
Sim, sim, n�o se viu, n�o se viu ningu�m!
Meu pouco dinheirinho est� desaparecido.
EXCLUIR
- Pare com isso! - Sim, sim.
A com�dia terminou.
Quero eu mesmo ver o que aconteceu.
- Vamos. - Venha, venha ver.
Por aqui, Emin�ncia. Venha, eu abro caminho.
Ver� que terr�vel, eu ainda n�o me recuperei.
Eu me sinto horr�vel, Emin�ncia com tudo o que aconteceu.
A� est�, vazio.
N�o h� nada, os ladr�es levaram tudo.
At� o dinheiro de Argene. Olhe, minhas pernas tremem.
Est�o fracas, eu n�o as sinto.
Estamos arruinados. Eu, o senhor e tamb�m o Santo Padre.
- � verdade que o cofre est� vazio. - Sim.
Mas � estranho, eu n�o vejo nenhum sinal de ter sido for�ado.
- Nenhum, nenhum. - Ou estou errado?
Claro que n�o, � que esses malandros s�o muito h�beis.
- Deixe-me explicar. - Agora n�o.
Est� muito fraco e confuso.
Tenho certeza que alguns dias nas pris�es do Vaticano
servir�o para clarear as ideias.
- Que pris�o? Eu n�o sou o ladr�o. - Isso veremos.
Vou investigar a fundo para ver realmente como isso aconteceu.
E se for como eu penso, querido Dom Arpagone,
- Qu�? - A forca ser� o seu destino.
- Levem-no. - Agora a forca!
Que justi�a r�pida!
Olhe para eles, v� com cuidado com essa coura�a de ferro.
Quem s�o voc�s, su��os?
N�o podem levar-me � pris�o, sou Dom Arpagone.
Sou amigo do Papa, os aviso.
- Pior para voc�s. - Alto! Um momento, esperem!
N�o � justo que Dom Arpagone seja arrancado t�o cruelmente...
de su casa e de sua fam�lia.
N�o a conhe�o, saia do meio!
Mas eu sim o conhe�o, inclusive minhas amigas lhe reconheceriam,
inclusive por baixo desta vestimenta sagrada que sujou t�o impunemente.
Cuidado Emin�ncia, tenho tudo documentado.
Eu n�o entendo o que diz, querida senhora.
Insisto em dizer que n�o lhe conhe�o.
De qualquer modo voc� pode agradecer, Dom Arpagone,
gra�as a ela j� n�o est� preso.
- Ouviu? J� n�o estou preso. - Afinal de contas, eu acho que podemos...
chegar a um acordo.
Eu acho, Emin�ncia, que agora j� n�o pode fazer acordos com ningu�m!
Dom Oronte, finalmente!
Ouviu, Emin�ncia? N�o podemos chegar a um acordo.
Dom Oronte, sabia? Ele queria cortar minha cabe�a.
O que voc� veio fazer aqui?
Algu�m, n�o se sabe quem, lhe denunciou ao Santo Padre.
E a investiga��o realizada em sua administra��o,
confirmou as acusa��es.
- Trouxe os soldados por mim? - Sim, o Santo Padre enviou-me,
para surpreend�-lo em flagrante enquanto pegava o dinheiro.
Dinheiro? Veja, o cofre est� vazio.
Por que os ladr�es vieram, sen�o estaria cheio.
Voc� nega?
Eu entendo.
- Estou preso? - N�o.
N�o exatamente, h� um navio que lhe espera em Civitavecchia
para uma longa miss�o nas �ndias Orientais.
E com voc� ir� sua irm�.
Desejo do Santo Padre.
Vamos?
Parece que o olhar do Santo Padre fixou-se em voc�,
hoje em mim, amanh�... Mas bom, n�o foi t�o mal.
Dom Oronte, eu estou infinitamente grato.
Gra�as a voc�, Dom Arpagone, sua sugest�o ao Santo Padre...
foi inestim�vel. - Que disse, nada?
Dentro de poucos dias serei consagrado cardeal.
Sim? Eu estou t�o feliz!
Agora pode interceder ante o Santo Padre...
para que seja devolvido esse dinheirinho que n�o me restitu�ram.
- Posso ir v�-lo, Dom Oronte? - Obrigada tamb�m por mim,...
Espere!
...por ter prendido a assassina, Dona Isabella.
Dom Arpagone merece outra mulher.
Uma mulher que o ame desinteressadamente...
Certamente que merece. Eu estou saindo.
Como � que vai? Espere!
Que fez? Interrompeu-me.
- Estava perguntando... - Mas!
se ia me devolver o dinheiro, e interrompeu-me, falastrona!
- Mas... - V�, n�o quero lhe ver mais!
- Adeus, adeus a todos. - Adeus.
Meus respeitos, Emin�ncia!
In nomine Patris, et Filii et Spiritus Sancti.
Adeus.
- Dom Arpagone, permita-me que fique feliz com voc�...
- Como? - Por ter resistido ao perigo.
� bonito de se ver o triunfo da justi�a!
Eu tinha esquecido de voc�,
se lembrasse tinha feito que os su��os lhe prendessem.
Deveria estar acorrentado Judas nojento.
- N�o, o que diz? - Foi voc�...
que deu uma lista de todos os meus bens e o que estava no cofre.
- N�o. - Sim, saia j� desta casa!
E esque�a-se de ter trabalhado comigo.
- Que est� fazendo, despede-me? - Sim!
- E para onde irei? - Onde? V� com seus amigos!
V� para a �ndia com eles, torne-se um monge budista.
N�o, n�o, monge n�o, quero ficar com voc�, mesmo sem pagamento.
Sem pagamento, voc� disse?
- Tamb�m sem comer? - Nada.
S� quero que me perdoe.
Se n�o quiser nada, beije esta m�o,
- E eu lhe perd�o. - Sim.
Obrigado, obrigado, obrigado...
Viram como � dif�cil governar uma casa como esta?
Ouviram Mestre Simone? N�o quer nada.
Se voc�s tamb�m n�o pedirem nada,
talvez pud�ssemos ir em frente mesmo com o cofre vazio.
E agora me desculpem,
eu preciso ficar sozinho, vou meditar.
Ouviu como ele raciocina? Agora o que vamos fazer?
Senhor, meu Deus, o Senhor que tudo pode,
que tudo v�,
tenho que me casar, ilumine-me.
- O que devo fazer? - Posso?
Claro, eu estou querendo saber.
- Dom Guglielmo est� aqui. - Sim? E quem est�?
Dom Arpagone, Dom Guglielmo est� aqui!
- Mas era voc� quem falava? - Sim, sou eu.
Dom Guglielmo est�, senhor, obrigado.
- Eu lhe mato, sempre incomodando! - Fa�a Dom Guglielmo entrar...
na sala boa. - Muito bem.
- Dom Arpagone, Dom Guglielmo est� a�. - J� ouvi, vamos,...
n�o o fa�amos esperar, vamos. - Sim, vamos.
Onde est�o os meus amados e ilustres convidados?
Aqui est�o eles.
Dom Guglielmo, que honra.
Que beleza, que eleg�ncia t�o refinada!
Um homem de sua riqueza nesta casa t�o humilde.
Eu vim para render homenagem,
gra�as aos banhos do seu casamento,
consegui encontrar, ap�s quinze anos de separa��o cruel,
minha esposa, Dona Elvira.
Sua esposa?
- Mas voc� � casado? - Sim, � verdade.
Sim? Ent�o? Dona Elvira,
que alegria conhec�-la.
- Papai, venha sentar aqui. - Sim, sim, vou.
Minha noiva!
- Que �? - Essa � a piolhenta.
- � verdade? - Sim.
- Que mulher formosa! - Minha filha, Mariana.
Como? Sua filha?
- E meu filho Valerio. - Oh, meu Deus, Valerio tamb�m?
Sim, irm�o e irm�.
Irm�o e irm�?
- Seus filhos? - Exatamente.
Portando s�o ricos!
Que ricos..., riqu�ssimos. Meu Deus!
- Sinto-me mal. - Tem algo contra?
N�o, n�o, nada a objetar, pelo contrario.
Ent�o n�o vai se opor se amo a sua filha e quero me casar com ela?
Sem dote? � o ideal, sempre disse isso, n�o � verdade, Elisa?
Ter um jovem assim em casa � uma grande sorte.
- Parece irreal. - E eu, papai?
Ainda pensa que eu tenho de casar com a vi�va?
O qu�? Eu sempre pensei que Mariana era a mulher ideal
at� eu queria me casar com ela.
E agora que essa jovem em flor � sua...
quer se casar com a vi�va? Voc� enlouqueceu?
Dom Guglielmo,
sabe que roubaram tudo que eu tinha em meu cofre?
Sim, e para aliviar sua dor,...
permita-me lhe fazer um empr�stimo. - Um empr�stimo? � verdade?
Obrigado por sua generosidade, mas um empr�stimo...
a quanto de juros? - Nenhum,...
chamei de empr�stimo...
s� para que n�o se sentisse incomodado, ia dizer um presente.
Dona Elvira!
Oferecido pela senhora, com sua gra�a,
nada posso fazer sen�o aceitar!
Olhe quanto! Muito obrigado!
Est� contente? Ent�o falemos do casamento de nossos filhos.
Este n�o � um bom tema,
por que este seu gesto de generosidade,
ser� para os gastos das bodas. Eu j� sabia.
Dom Arpagone, em um momento assim n�o lhe cabe pagar as despesas.
- N�o? - N�o.
Roupas, bebidas, carruagens, comida, servi�os, cozinheiros,
em resumo, tudo. Tudo ser� por minha conta.
Meu Deus! Servente, pajens, imbecis, bobos, que fazem a�?
- Mexam-se! Mestre Giacomo! - Diga, Dom Arpagone.
- Vamos, v� ao mercado. - Mas eu j� fui.
Pois volte, compre tudo que haja e traga pra casa. Vamos, v�!
Cordeiros, frangos, coelhos lagostas, tudo?
Tudo, vamos.
- Espere. - De tudo.
E sobretudo, os vinhos.
Escolha os mais apreciados em honra de Dona Elvira.
- Obede�o. - Oh, como � generoso, Dom Arpagone.
Obrigado, Dona Elvira, realmente em certos momentos sou assim.
Surpreendo-me de minha generosidade.
- Dom Arpagone. - Que quer?
- E eu continuo comer? - Claro que comer�,
- haver� tanto que comer, imagine! - Obrigado, obrigado.
Aonde vai? Venha c�.
- Vou comer, n�o? - Amanh�, hoje n�o, amanh� se come.
A prop�sito, Frosina, onde est�? Quem a viu?
Por que n�o est� aqui? Algu�m sabe onde Frosina foi?
Esqueceu-se, papai, voc� a ofendeu e ela foi embora.
Eu a ofendi? Pobre Frosina, no fundo � uma grande mulher.
Amanh� irei v�-la e pedirei perd�o.
Agora, meus queridos,
sentindo muito, retiro-me, que hoje foi um dia t�o...
carregado de emo��es e amanh� n�o ser� menos.
Considerem-se como em sua casa, mas eu me retiro.
- At� amanh�, queridos. - Dom Arpagone,
- Sim? - Esqueceu isso.
De que se trata? O bol�o!
Teria voltado quando tivesse me dado conta.
- De qualquer modo, obrigado, Dona Elvira. - � um prazer.
Obrigado tamb�m a todos voc�s, que Deus os aben�oe!
Hoje me fizeram um homem feliz.
Aqui estou! Hoje tamb�m a provid�ncia nos ajudou.
Aqui est�.
A primeira pergunta a Dom Arpagone.
Eu j� disse ao pobre.
Rel�gio. Aqui est� a chavezinha.
Um, dois, tr�s!
Mecanismo seis e quinze.
Seis...
e quinze.
Com essa volta resolve.
Enfim funciona este perfeito mecanismo.
EXCLUIR
Sim, sim, sim, que jamais ningu�m no mundo poder� adivinhar.
Sim, pronto.
Abre-se a portinhola que traz �gua ao moinho.
Gire, gire, suba, baixe, a �gua corre e faz glu, glu.
Sim, pronto.
Um, dois, tr�s, quatro...
Vou para l�, obrigado, de nada.
Uma bola corre, a outra se prepara, � um dia de festa, j�.
Cantemos, bailemos, tralalalal�, arm�rio, abra-se j�!
Dan�o, canto e estou contente.
Chegou o grande momento.
Este � meu segredo que ningu�m descobrir�, com licen�a, posso entrar? Sim.
Bom dia, meus tesouros, aqui estou.
Encontram-se confort�veis no novo lugar?
Como voc�s s�o lindos!
T�o reluzentes!
T�o deslumbrantes!
Ah, como um raio!
Que tente algu�m entrar aqui para roubar, e ver�!
Arranca-lhe a cabe�a!
N�o, meu amor, eu n�o sou um ladr�o, volte para cima.
Perfeito, quem poder� nos descobrir?
Meus queridos tesouros, ningu�m no mundo saber� onde est�o.
Nem sequer minha esposa, se algum dia tiver que me casar.
- Tem certeza? - Sim.
Que �? Frosina!
Como entrou?
Maldita, nojenta!
Assassina! Ladra!
Mas, como?
Dois anos de trabalho para construir esta caixa forte de relojoaria!
Era meu segredo,
que devia levar � sepultura.
Voc� chega e descobre tudo!
- Ent�o, que vai fazer agora? - Que vou fazer!
Sim, claro, que fa�o?
Que devo fazer?
Pois voc� n�o sair� desta casa.
- Para toda a vida? - Para toda a vida.
Bom, n�o era isso que queria?
Dom Arpagone, n�o imaginava que dos seus l�bios,
pudessem brotar palavras t�o doces e ternas.
N�o, espere,
aqui na presen�a deles, n�o!
- Por qu�? S�o ciumentos? - Sim.
- Mas eu desejo tanto! - E eu n�o...
Mas para certas coisas s� h� um lugar.
- Vamos? - Sim, vamos.
Desculpem.
Bem...
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