All language subtitles for Tiempo Muerto (2016) 1080 Latino

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Original subtitles

Stay home.

What time is it?

Honey.

Did you have a nightmare?

Sim.

I told you not to become up late.

- Hug me. - Ready, has passed.

Hug me.

Calm.

It has passed.

You have passed, dear.

Adolescents and new trends in internet

Honey.

I would bring you breakfast in bed.

Your article was published.

It's very good.

It's really good.

This will be popular on-line for sure.

What is up?

Are not you happy? It's your first article.

Prepared thee orange juice,

toast with butter,

with honey and milk.

I prepared the way you like.

Alone.

Let's spend the day together. We can eat in the park, dear.

I can not. I have to finish my work.

I have a meeting with a client.

Darling, leaves tomorrow, okay?

If you want,

podemos jantar naquele sítio de frutas de que tanto gostas.

E depois podemos ir ao cinema na baixa.

Está bem.

Aquele velho Ayala ligou.

O que é que ele disse?

O costume.

Que queria falar contigo.

Claro que disse que estavas a dormir.

Aquele palerma ligou-te...

- Franco. - Que foi?

Ele é como um pai para mim.

Como um pai?

Se o teu pai fosse vivo, ele concordaria comigo.

Franco!

- Que foi? - Já me sequei.

Desculpa.

Está bem, mas tem cuidado.

Vou tentar.

Franco.

Franco!

Olá.

- Estás de saída? - Sim.

Não encontro as chaves.

Estão no chaveiro, onde normalmente estão.

E onde está o chaveiro?

Na cozinha, onde mais?

Estás bem?

Sim, estou.

Vou tentar voltar o mais rápido possível.

Adeus, querido.

Adeus.

Olá, ligaste a Luis Ayala. De momento não posso atender.

Olá, ligaste a Luis Ayala. De momento não posso atender.

CENTRO DE ESTUDO DE QUANTUM E COMPARATIVOS

Olá. Fala da casa de Franco e Julia.

Não estamos, ou estamos indisponíveis.

Deixe a sua mensagem e ligaremos de volta.

Obrigada!

Olá. Fala da casa de Franco e Julia.

Não estamos ou estamos indisponíveis.

Deixe a sua mensagem e ligaremos de volta.

Obrigada!

Franco.

Atende, por favor.

Sou eu, a Mercedes.

É urgente.

Não sei o que fazer.

Aconteceu algo terrível.

Atende...

Estou? Mercedes.

Não.

Não.

Não!

Força, Fran.

Obrigado por teres vindo.

Obrigado...

A Vero queria vir, mas não pode por causa da gravidez.

Que tragédia.

Como é que aconteceu?

O que aconteceu?

Atravessou a rua com pressa.

Porquê?

Atravessou a rua, o carro não a viu e atropelou-a.

Um carro preto.

Mas...

Estamos aqui hoje reunidos

para prestar a última homenagem à nossa irmã Julia Alvarez,

que viverá agora

nos corações da sua família.

Por isso devemos estar felizes.

Porque era isso que a nossa irmã Julia quereria.

Uma jovem mulher

que agora descansa com Deus.

A morte sempre será dura e inesperada.

Mas não é nossa inimiga por causa disso.

Está tudo bem?

Sim, está.

Estou?

Estou?

Franco.

Ayala.

Estou.

Olá.

Desculpa ligar para este telemóvel, mas não atendes o teu.

Desculpa.

O que se passa? O que é que queres?

Franco, não aguento mais. Temos de falar.

Eu estava com ela no dia do acidente, Franco.

Por favor, vamos encontrarmo-nos. Temos de falar.

Olá.

Fala. O que é que sabes?

- Anda comigo... - Não!

Diz-me o que fazias com a Julia no dia que ela morreu.

A Julia ligou-me a dizer que queria falar comigo.

Estava assustada.

Ela queria contar-me algo muito importante.

Porque não me contaste antes?

Porque ela não queria que soubesses.

O quê?

Acho que a Julia

foi assassinada.

O quê?

- Ouviste bem. - O quê?

Não, ouve. Não vamos falar aqui. Vamos.

Se não estás interessado, então vai. Mas anda comigo.

E?

O que tens para me dizer?

Porque é que achas que foi assassinada?

Em primeiro de tudo, deixa-me...

Deixa-me que te diga que estou muito mal.

Para mim, a morte da Julia foi algo horrível.

Está bem.

A Julia era como

uma filha que nunca tive.

Fiquei encarregue dela quando o pai dela morreu.

Diz-me o que tens para contar.

Diz-me uma coisa.

O que é que ela estava a investigar?

- Em que estava envolvida? - Como assim?

Sim, o que estava a investigar?

Investigar?

- Sim. - Nada.

Ela escrevia artigos para adolescentes, como sempre o fez.

Ela não estava...

Não notaste

se ela estava envolvida em algo obscuro

ou perigoso?

Ou, não sei.

Ou que tenha que ver com magia, bruxaria?

Do que é que estás a falar?

Não fazes ideia de como ela tremia.

Ela saiu logo à tua procura.

E estava lá um tipo para a matar.

- Não, eu... - É isso que estás a dizer?

Não foi um acidente. Ela tinha medo de morrer.

- Eu estava... - Quem quereria matar a Julia?

Uma pessoa que tem medo de morrer, e morre,

não é estranho?

- São tretas. - Ouve.

Ouve.

Alguém...

... que pensa que vai morrer hoje, e morre hoje...

Não achas isso estranho?

Acho estranho que a tenhas visto morrer e eu não.

Isso sim, chateia-me muito.

Não me procures mais.

ANJOS - ELES EXISTEM? VIVEM ENTRE NÓS? DESCOBRE

ESPIRITUALISMO. SERES DO ALÉM, MUITO PERTO DE TI.

SERES DO ALÉM

TEMPO MORTO

INFINIDADE

INFINITO! REALIDADES ALTERNATIVAS TEORIA DA RELATIVIDADE

SONHOS! ÍNDIO AMERICANO

FELIZ ANIVERSÁRIO SIGNIFICAS MUITO

ARTES ARCANAS

- Olá. - Olá.

Tudo bem?

Entre.

Com licença.

Conheço uma mulher que te pode ajudar a recompor.

Lê isto.

O que é?

Um caderno da Julia. Uma espécie de diário.

Há aqui coisas que podem ser úteis.

Leste algo de interessante?

Fala do fenómeno paranormal.

Coisas estranhas. Bruxarias, pactos.

E também fala sobre

os tempos mortos.

- O quê? - Tempos mortos.

Menciona muitas vezes uma mulher

chamada Ada.

Elas encontraram-se.

Esta mulher aconselhou-a.

Sabes quem é a Ada?

Não.

Posso ficar com isto?

Sim, é muito estranho.

O quê?

É estranho o que a Julia escreveu nesse caderno.

Quando o li, não a reconheci.

Parecia que nem sabia com quem estava, de repente, senti-me um embuste.

Talvez ela tenha querido tomar conta de ti.

Ela estava a proteger-te.

Talvez estivesse a investigar algo obscuro ou muito violento.

Obscuro?

Ela escrevia artigos numa revista de adolescentes.

E de repente, descubro que ela perseguia espíritos, demónios.

- Viste alguma coisa no computador? - Não.

E o que está no escritório?

Não tenho a senha do computador dela.

Muito bem.

Minha discípula. Ela aprendeu.

Dou aí umas aulas a uns tipos

por isso, não acho que terei problemas

em entrar no computador dela.

Vou levar isto e ler.

Vou ver o que poderei encontrar e depois ligo-te.

Cuida-te.

Está bem.

Eu acompanho-te à saída.

Estou?

Ayala.

O que se passa?

Ainda não comecei a trabalhar porque há muita gente.

Assim que saiam, dou uma vista de olhos.

O que andas a fazer?

Vou à livraria para saber mais sobre os livros que a Julia tinha.

- Quero saber mais sobre isso. - Está bem.

Assim que vir o computador, ligo-te.

Vou ver o que posso encontrar.

Cuida-te.

Olá.

Olá. Em que posso ajudá-lo?

A minha esposa comprou este livro há pouco tempo.

Queria saber se o posso devolver.

Quando é que o comprou?

Não sei quando.

Perdi o... Perdemos o recibo.

Por favor. Vamos verificar?

Deixe ver.

Foi comprado há um ano.

Não posso trocá-lo.

Tem algo sobre os tempos mortos?

Quem conhece?

Uma mulher chamada Ada.

- Espere um pouco. - Claro.

O seu nome?

Franco.

Quem é que te recomendou?

Julia...

Alvarez.

Está bem.

Amanhã, terça-feira às 8h.

- É a única consulta. - Está bem.

Está bem.

Vou dar-lhe a localização.

Boa, obrigado.

E lembre-se para levar uma flor violeta para ser reconhecido.

Obrigado.

EXPERIÊNCIAS EXTRA CORPORAIS

Ada- Julia, encontremo-nos no mesmo lugar. Traz tudo o que pedi e o dinheiro.

Julia!

Franco!

- Luis. - Franco.

Tenho estado à tua procura.

Por onde tens andado?

Aqui em casa.

- O que descobriste? - Está confirmado.

A Julia andava atrás de algo estranho. Não sei bem o que é.

Porquê?

O que é que sabes?

Ela ligou muitas vezes a esta mulher Ada.

Falaram muito. Trocaram emails.

Por sorte, ela era jornalista e gravou tudo.

E o que é que dizem esses emails?

Não, esta mulher, Ada,

sabe escrever muito bem

porque não diz nada de mais.

Agora, tenho a sensação

que há algo do tipo de pacto.

Sobre dinheiro, um acordo ou seja lá o que for.

O que é que ela diz sobre os tempos mortos?

Não sei.

E na livraria? Como é que correu?

Nada.

Não sabem nada da Julia. Não a conhecem.

Nunca a viram.

Posso perguntar-te algo, Franco?

Claro.

Como era a Julia em relação ao pai dela?

Ela andava angustiada? Triste?

Como estava ultimamente?

Estava mal. Triste, chorava.

Chorava todas as noites.

Ela tinha saudades dele, mas nada fora do normal.

O costume. Chorava.

Está bem, manterei contacto. Cuida-te.

Está bem. Adeus.

A COPIAR FICHEIROS

És o Franco?

Sim.

Olá.

Olá.

A Julia recomendou-te?

Qual a sua relação com ela?

Sou o marido.

A Julia sabe que não pode recomendar familiares.

Desculpa, mas não posso atender-te.

A Julia morreu.

Um carro atropelou-a.

É uma tragédia. Sinto muito.

Obrigado.

Como é que se conheceram?

Da mesma forma que tu e eu. Por recomendação.

Não sabes de nada, pois não?

Sobre o quê?

Sobre o porquê de ela falar comigo.

Pertences a algum culto, ou algo do género?

Um culto não. Por favor.

Pareço que faço parte de um culto?

Não sei, senhora. Não a conheço.

O que fez com a Julia?

Comigo, nada.

Sou só a sua representante.

De quem?

És um crente?

Porque podes pensar que sou louca com o que te vou contar.

Só quero saber o que a Julia andava a fazer, mais nada.

A Julia contactou-me

porque queria contratar um tempo morto.

O que é isso de tempo morto que de repente, leio por todo o lado?

Ela queria contactar com um familiar morto.

Queria vê-lo pela última vez.

E isso se faz através de um tempo morto.

JULIA ALVAREZ BONILLA

ESPOSO E PAI EXEMPLAR VIVES NOS NOSSOS CORAÇÕES

Ela queria fazer uma sessão de espiritismo ou algo do género?

Não, com o espírito não. Com a própria pessoa.

Poder vê-la outra vez fisicamente.

Isso é impossível. Não dá para fazer.

Podes se viajares no tempo.

Voltar ao passado.

No passado ele estava vivo, certo?

Isso é fantasia, senhora. Não dá para fazer.

Há um homem que o consegue.

Pode fazer-te viajar no tempo

através da memória.

A esses estados se chamam de "tempos mortos".

Olha, por muitos anos, mais do que imagina,

as pessoas procuram-no especialmente para isso.

Para voltar a ver os queridos familiares já idos.

Para se despedirem da forma que querem.

Esse homem existe mesmo?

É real? Podes vê-lo, tocar-lhe?

Quem é ele? De onde veio?

Só o contacto.

Sou a única pessoa que o pode fazer.

E porque é que pode?

Não lhe posso explicar isso.

Há forças mais poderosas e importantes do que nós.

O que me diz é que há uma pessoa

que lhe permite

reviver uma memória com um familiar que já morreu?

Por um momento e dizer adeus.

E quem escolheu a Julia

para voltar a despedir-se?

Não lhe posso dizer. É confidencial.

Sei o que está a pensar.

Quero contratar um tempo morto.

O que tenho de fazer?

Normalmente, quando as pessoas o fazem

já tem passado um pouco de tempo

para que o espírito seja melhor.

Reunir-se com um familiar morto

pode ser muito duro.

Aconselho-o a esperar.

Não vou esperar.

Não posso esperar.

O que é que tenho de fazer?

A partir do momento que assine o acordo

tem de seguir uma conduta de silêncio

que não pode quebrar.

Não pode falar sobre isto a ninguém

senão não resultará

Estou a falar a sério.

Podes estar a desperdiçar não só o teu tempo como o dinheiro.

Claro.

Por isso é que a Julia...

Ela nunca me contava nada.

Aceito. O que tenho de fazer?

Tens de conseguir umas coisas

que tem de me trazer na próxima reunião daqui a duas semanas.

Que coisas?

Já são muitos anos que a minha memória já não ajuda.

O preço do procedimento é

de 20 mil dólares,

uma foto tipo passe sua,

e a assinatura de outro documento.

Vinte mil dólares?

É muito dinheiro, assim em cima da hora.

Bem...

O tempo espectral é maior que o nosso.

Um dos nossos dias pode ser um mês na deles.

Aliás, eles têm de fazer muitos procedimentos.

Está bem.

Vou embora.

Encontraremo-nos aqui, daqui a duas semanas.

Sim, à mesma hora.

Para o pequeno-almoço vou trazer-lhe uns pasteis caseiros.

- Está muito magro. - Obrigado.

Tome.

Obrigada.

São as minhas favoritas.

- Adeus. - Adeus.

Estou! O que se passa?

Saí para apanhar ar fresco.

- Qual é o problema? - Olha, há um amigo...

Um amigo em comum que tínhamos com o Alfredo.

É um senhor já de idade.

Ele estuda magia e exoterismo.

Pensei que podíamos visitá-lo juntos.

Não.

Não, Luis, estou cansado.

Estou muito cansado.

Não quero continuar a investigar. E não quero que o faças mais também.

Paramos por aqui. Não quero continuar.

Não é altura para desistir, é?

Faz o que te digo.

Faz o que te digo. Estou devastado.

Será o melhor para a Julia também.

Adeus.

Está bem.

5000 DÓLARES POUPADOS

OBJETIVO 20 000 DÓLARES

Juli.

Querida.

És tu?

Querida.

O frutado que vendem aqui é único.

Vínhamos aqui muitas vezes com o pai da Julia quando éramos mais novos.

Sim, Julia...

Vim com a Julia algumas vezes.

É inacreditável, não é, Franco?

Já se passaram quase duas semanas desde que a Julia morreu.

Sabes, para mim é como se

ela ainda estivesse viva.

Sim, é inacreditável.

Franco, a tua mãe ligou-me.

Ela queixou-se porque tu não atendes as chamadas dela.

Atende, por favor.

Agora a minha mãe lembra-se que tem um filho.

Em dois anos, nunca me veio visitar, e agora lembra-se.

Viste-a no funeral? Eu não.

- Bom. - Bom.

Bom, Franco.

Nós, mães, fazemos o que podemos.

Por exemplo, olha,

a Julia e eu,

pouco nos víamos ultimamente.

Nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer.

Se pudesses ver a Julia

outra vez

o que lhe dirias?

Há alguma coisa que posso fazer?

Posso ajudar-te?

Sim, há uma coisa.

Diz-me.

Estava a organizar,

a arrumar umas coisas em casa e...

encontrei o diário da Julia.

Bem, li-o.

E encontrei que...

Ela tinha um desejo muito grande.

Ela queria viajar para

Buenos Aires.

Ela, ultimamente, sentia muito a falta do pai dela.

Chorava muito.

Por isso...

Talvez se quisesse encontrar,

as raízes do pai, as pessoas dela, os lugares dela.

Ela queria também conhecer a minha família.

Para criar laços, para se conhecerem.

Por isso, quero fazer essa viagem em honra dela.

Mas não tenho trabalhado muito ultimamente.

Perdi clientes e

preciso de dinheiro e...

Talvez me pudesses emprestar.

Não.

Não te vou dar dinheiro algum, Franco.

Por que não?

Porque não posso.

Sim, podes.

Tens dinheiro. Porque não emprestas?

É para o desejo da tua filha.

Sim, mas não tenho que te dar dinheiro.

Porque não?

Se quiser honrar a minha filha, fá-lo-ei à minha maneira.

Estás a falar a sério?

- Sim. - Não acredito.

Não acredito.

Não acredito.

Vamos ver.

Calma. Vamos fazer uma coisa.

- Credo. - Olha, Franco.

Isto é para ti.

Ele é terapeuta.

Não sabes. Ele é especialista em ajudar pessoas

para ultrapassar a dor da perda de entes queridos.

Nem imaginas como ele me ajudou

quando o pai da Julia morreu.

- E agora está a ajudar-me com a Julia. - Preciso de dinheiro.

E não o cartão de um psicólogo.

Só te peço um pouco de dinheiro!

Tu tens dinheiro!

E dás-me um cartão de psicólogo!

Porque me mandarias a um psicólogo?

Para me acalmar?

- Franco, estás a assustar-me. - Para me acalmar?

Não te assustes, não te vou magoar. E tu é que deves ir a um psicólogo.

Se queres honrar a tua filha, deverias tê-lo feito quando estava viva

ao amando-a um pouco.

Lucas.

Estou em casa.

Está bem.

Sim, passa aqui.

Sim, está bem.

Adeus.

És muito complicado.

Há duas semanas que andamos à tua procura,

queríamos saber como estás.

Falar contigo.

Mas nada.

Estava...

... a trabalhar.

Depois do que aconteceu com a Julia,

atrasei o meu trabalho.

Estás uma lástima, Fran.

Devias consultar alguém.

Um profissional que te possa aconselhar.

Podes emprestar-me dinheiro?

- Para quê? - Para viajar.

Preciso de 15 mil dólares.

- Não tenho esse dinheiro. - Qualquer coisa.

Está bem, mas vai nascer o Mateo, e a Veronica é que cuida do dinheiro.

Está bem.

Não tem mal.

Não tem mal.

Olá Fran, é a mamã.

Queremos saber como é que estás.

O pai está preocupado.

Logo que possamos, compraremos um bilhete para te ir ver.

Anda a Buenos Aires.

Nós adoramos-te, filho.

Estou?

Fran. É o Lucas.

Estamos aqui em Veronica.

Queríamos ver-te, queremos saber como estás.

Anda jantar connosco para conversarmos.

COMPRA-SE OURO E JOIAS

Olá.

Como estás?

Já passou um tempinho, certo?

Alguns problemas de saúde, mas nada de mais.

Para de beber, Luis.

Não havia um lugar melhor para nos encontrar-mos?

Porquê? Incomoda-te falar à frente da Julia?

Sabes bem que não.

Egoísta.

Eles devem estar a rirem-se de nós agora.

Porquê?

Nunca tive uma boa relação com a Julia.

Sempre tive ciúmes

do amor do Alfredo por ela.

Sempre senti

que ele a amava mais do que a mim.

Desculpa, chamaste-me para falares dos teus arrependimentos?

O Franco veio ter comigo no outro dia.

- Foi? - E a propósito, Luis,

ele não me parecia nada bem.

Veio pedir dinheiro emprestado.

- Para quê? - Não sei.

Parece que a mente dele não estava bem,

tipo desequilibrado, louco.

Quando lhe disse que não lhe emprestava o dinheiro,

ele tornou-se violento e até pensei que me ia bater.

Ele é o que está a passar pior.

Há algo mais.

No dia que a Julia morreu,

deram-me os pertences dela.

Encontrei essa nota na mala dela.

Posso ficar com isto?

Por isso é que o trouxe. O jornalista és tu.

Imaginei que tivesses mais curiosidade que eu.

Sim, irei investigar.

Sabes,

ainda tenho na minha cabeça

a pergunta que o Franco me fez no outro dia.

Ainda não tenho resposta.

O que é que ele perguntou?

Ele perguntou-me,

se pudesse falar com a Julia uma última vez,

o que é que lhe diria?

Tenho de ir. Queres boleia?

Estou bem aqui, obrigada.

Não acredito. Luis!

Não acredito!

Passou tanto tempo.

Por favor, não morras. Estou aqui porque preciso de um favor.

Já aqui não vens há muito tempo.

Depois de todos os problemas em Medellin, desaparecemos todos.

Como estás?

Estou bem.

As vendas estão baixas.

Hoje em dia, as pessoas compram na Internet.

Tens de te modernizar.

O Alfredo e eu éramos parecidos.

Nunca quisemos ser modernos.

- Lembras-te? - Dois homens velhos.

- Como estás? - Bem.

A família está bem. Está tudo bem.

Ainda bem.

Preciso que me faças um favor.

Preciso da tua ajuda.

Que andas a tramar?

É algo que não percebo.

Preciso de saber se me podes ajudar.

Já não faço isso há muitos anos.

Não mintas. Sei que manténs tudo isto com isso.

Se me envolveres nos teus problemas outra vez...

Não, a única coisa que faço na vida agora

é formar pessoas no escritório.

Mudou tudo.

Por favor.

"No dia dez de junho não saias de casa.

Fica a dormir comigo porque tenho uma surpresa para ti.

Prometo que jamais esquecerás."

Parece uma carta de amor.

O que queres que faça com isto?

Diz-me o que sentes, o que vês aí.

O que se passa?

- Algo está mal. - O quê?

É muito estranho.

Este papel pertence a alguém que está morto.

Correto.

Mas não pertence aqui.

Quem escreveu estas palavras está morto.

É alguém que está morto-vivo.

Então.

Estás a dizer que foi alguém que morreu

e depois ressuscitou?

É muito confuso.

Nunca vi nada assim antes.

Leio coisas de morto e coisas de vivo.

É como se fosse pela metade.

Como se fosse um tempo morto.

E o que é um tempo morto?

Havia um homem, o meu avô contou-me isto,

que viajava no tempo.

Ou fazia-te viajar.

Não me lembro muito bem.

Era um mito urbano desses tempos.

O homem fazia-te reunir com os entes que já tinham falecido.

O meu avô fê-lo quando a minha avó morreu.

Ele disse-me que ele a trouxe de volta

para lhe perguntar onde estavam as poupanças.

O teu avô era um palerma.

Um palerma ganante.

E?

De qualquer forma,

este homem chamava-lhe de "tempos mortos".

São tempos que já passaram...

Mas que já não pertencem a uma cronologia.

Posso conhecer esse homem?

Isso não sei.

Disse-te que ele era uma lenda.

Nem sei se ele existe.

Mas ambos sabemos o que acontece com isto.

É perigoso.

2000 JOIAS 8000 MOBÍLIA

OBJETIVO 20 000 DÓLARES

Sim, como estás, Kaneko?

A sério?

Só um momento, por favor.

Só um momento, por favor.

A sério?

Onde queres ir? Sim.

Ai sim?

Já sei. Sim.

- Sim? - Tive de ligar anónimo

para me atenderes?

O que é que queres?

- Preciso de falar contigo. - Porquê?

Quero emprestar-te dinheiro.

Pode ser em tua casa?

Em minha casa, não.

Se quiseres, eu vou a tua casa.

Está bem, às 8h.

Sim, às 8h.

Cuida-te.

- Olá. - Olá.

- Como estás? - Bem.

- Deixaste crescer a barba. - Sim.

Entra.

Queres café, ou algo para comer?

Um café.

Entra, senta-te. Como se estivesses em casa.

O Franco chegou. Podes trazer-lhe um café?

RECONHECIMENTO A LUIS AYALA PELA SUA PERSEVERANÇA E DEVOÇÃO

ESCOLA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL LICENCIATURA EM JORNALISMO

PRÉMIO DE JORNALISMO MARQUEZ LUIS AYALA

Sinto falta desse velho malandro.

Morreu de cancro. Mas sabes que mais?

Viveu mais cinco anos.

Viveu mais cinco anos porque tinha caráter...

Porque saíram da Argentina?

Éramos jovens, ingénuos.

Essa foto é de quando começámos a trabalhar num jornal em Entre Rios.

O Major estava envolvido

em algo estranho com um miúdo,

por isso, começámos a investigar e ficámos envolvidos nisso.

E acabamos, 30 anos depois, a viver aqui.

- Olá, Franco. - Olá.

- Trouxe café. - Sim, obrigado.

E?

Está tudo bem?

Não fui ao funeral da Julia não porque não a amava.

Eu adorava-a.

Mas sinto-me mal em funerais.

Não posso.

Mas fomos, certo?

Fomos no outro dia, levamos flores.

É a minha maneira de encarar.

Eu percebo.

Não tem mal.

Obrigado.

Bem, vou deixar-vos para que possam conversar.

Está bem.

Se precisares de alguma coisa, Franco...

Estamos aqui.

- Eu sei. - Está bem.

Querida.

Ela sente muito a falta da Julia. Como eu.

Não tivemos filhos.

e a Julia era como se fosse a nossa filha adotiva.

Claro.

Bem, Mercedes disse-me que precisavas de dinheiro.

- Conta-me. - Sim, eu...

Quero viajar.

Vou a Buenos Aires para estar com a minha família.

Estar lá.

E bem, preciso...

de cinco mil dólares.

Cinco mil. Já os tens.

- Sim? - Sim, tenho.

- Devolves quando puderes. - Eu pagarei tudo de volta.

Sim.

Desculpa em insistir na Julia e...

Por vezes, pareces agarrado a isso.

Não queres deixar ir.

Temos de a deixar lá. Temos de a deixar.

E temos de continuar.

Desculpa.

Sim.

Se pudesses ver a Julia,

outra vez,

o que lhe dirias?

Para não morrer.

2000 JOIAS 8000 MOBÍLIA

5000 AYALA OBJETIVO 20 000

- Bom dia. - Bom dia.

Trouxe-te o prometido.

Eu também.

Não, primeiro come.

Estás muito magro.

Os 20 000.

Nem me vais dizer se gostaste?

Sim, são bons.

Trouxeste a foto?

Está bem.

Agora, temos de...

assinar...

este documento, como já te tinha dito.

Deixa ver.

Assina aqui.

O que estou a assinar?

Que deste o dinheiro, e tens direito a um encontro.

Ou é a garantia?

Não me lembro, mas tens de assinar na mesma.

E agora?

Depois digo-te.

Agora...

isto é a seguir.

Tens de usar este pin durante o encontro.

Quando é que é o encontro?

- Esta noite. - Esta noite?

Sabes onde é o café Sete Vidas?

Não.

Está bem, eu dou-te a morada.

Às 21h em ponto

vais sentar-te a uma mesa

perto das mesas de bilhar.

Mesas de bilhar.

Deves levar três fotos

que te lembrem de tempos agradáveis com a Julia.

E um vestido

ou uma peça de roupa dela que gostes muito.

Olha, esta é a morada.

- Não é muito longe daqui. - Obrigado.

Agora, uma coisa importante, Franco.

Durante o encontro, não lhe perguntes nada.

Nada.

Aceita tudo o que ele te disser.

Aceita palavra a palavra

todas as instruções que ela te der.

Está bem.

Um passo em falso e o dinheiro será perdido.

Está bem.

Vou embora. Boa sorte.

Espero que possas ver a Julia em breve.

Manda-lhe os meus pêsames.

Envio-te o recibo por email, está bem?

- Adeus. - Adeus.

Onde está?

Onde raios está?

Onde raios está a foto?

Onde está?

Franco, certo?

Sim.

Dá-me o pin.

Tome.

Trouxe as fotos?

Ponha-as de viradas para baixo e alinha-as na mesa.

Pensei que iria encontrar outra pessoa,

assim, diferente.

Dizem todos o mesmo.

Veem filmes de terror e os seus cérebros estão queimados.

Dá-me o vestido.

Vai ficar com ele?

Há quanto tempo ela morreu?

Há um mês.

Escolhe uma.

Fale-me da memória.

Foi um dia no parque.

Um mês antes dela morrer.

Foi o dia em que ficamos noivos.

Lembro-me de lhe querer fazer uma surpresa...

Não lhe pude dar porque um miúdo ali perto

estava a brincar com a bola e acertou-me na mão.

E na minha mão tinha o anel de noivado.

Caíram ao chão,

e a Julia chegou e viu tudo.

Então, ajoelhamo-nos na relva,

à procura dos anéis.

É uma boa memória.

Bebe isso.

Não sabe nada bem, deixa que te diga.

Depois da meia-noite,

irá reviver a memória que escolheu.

Tens de usar o tempo sabiamente

porque não posso garantir o tempo que lá vais ficar.

Apenas tente lhe dizer

o que sempre lhe quis dizer.

Como tem pouco tempo, tens de usar as palavras certas.

Mais uma coisa.

Não tentes mudar nada.

Percebido?

Despede-te dela

como ela merece.

Está bem?

Com licença.

Franco, abre a porta.

Franco, abre a porta. Sei que estás aí.

- Abre! - O que é que queres?

- Sei de tudo. - Não sabes de nada.

Nada!

Sei porque é que a Julia contratou um tempo morto.

O que te aconteceu?

Não me sinto nada bem.

O que é que fizeste?

Compraste um tempo morto.

O que é que sabes sobre isso?

No dia que a Julia me foi visitar

no dia do acidente,

a Julia disse-me que teve um tempo morto.

Comecei a ler os cadernos dela cuidadosamente

até perceber o que ela queria.

Ela achava que algo não estava be, que...

Estava fora do sítio.

Ela queria trazer um morto.

Mas falhou.

Mas a Julia

conheceu o pai dela.

Nada mais.

Tu...

Se tivesses

a oportunidade

de ver um parente morto outra vez

o que lhe dirias?

Não tentarias?

Não o farias?

Ela falhou.

Mas tu não vais falhar.

Vais trazer a Julia de volta.

A única coisa que me interessa é a Julia.

E vais trazê-la de volta.

Espero que percebas.

Desculpe. senhor.

Querido?

Querido?

A meteres-te com os putos outra vez?

Esquece ser pai dos meus filhos

Amor, estás bem?

Olá.

- Olá. - Olá, beleza.

Olá.

Porque estás tão carinhoso?

O que é que me vais perguntar?

Já encomendei uns cachorros quente, por isso vou buscá-los.

Não vás.

Não.

Querido?

Estás bem? O que é que aquele miúdo te fez?

Nada.

Não podia estar melhor.

Amo-te.

- Amo-te. - Eu também te amo.

- Amo-te. - Amo-te muito, querida.

Está bem, querido, vou buscar a comida.

- Volto já, está bem? - Não.

Quero que esta tarde dure para sempre.

Estou cheia de fome, querido. Vou buscar a comida.

Mostarda e maionese para ti.

Julia...

no dia 26 de julho não saias de casa.

Fica na cama comigo.

Tenho uma surpresa para ti da qual nunca esquecerás.

Desculpe, senhor. Viu uma rapariga

mulata, cabelo encaracolado?

Não, não a vi.

- Ela veio compara cachorros aqui. - Não.

Querido.

Tiveste outro pesadelo?

Anda cá.

- Anda cá. - Abraça-me.

Já passou.

Já passou.

Já passou.

A água está tão boa que não quero sair.

Fica comigo o dia todo em casa.

Tiro o dia de folga, sim, aceito.

O Ayala ligou-te?

Gosto cada vez mais dele.

Isso não tem piada.

Ei, Julia.

Não percebo. Estás zangada?

Julia.

Querida.

Amor.

Vou sair.

Vou ver um cliente.

Está bem.

Está bem.

Luis.

Então? É o Franco, o namorado da Julia.

Franco, sim, Franco. Olha, preciso de falar contigo.

É urgente.

Está bem, em 20 minutos. Muito bem, até já.

- Olá, como estás? - Luis.

- Como estás? - Bem.

Não te lembras?

De nada?

Sobre o quê?

Não, nada.

Obrigado.

Obrigado por tudo o que fez por mim e pela Julia.

Do fundo do coração, muito obrigado, Luis.

Não interessa. Irás lembrar-te.

Ligaste-me para isso?

Não, queria perguntar-te uma coisa.

- Claro. - Também.

No dia que pedi a Julia em casamento

estavas lá.

Certo?

A Julia não te disse nada?

Sobre o quê?

Que tivemos um caso há dois anos?

Sim, tivemos um caso há dois anos.

- Estás a brincar. - Não estou nada.

- Não estou a brincar. - Espera...

Eu queria contar-te antes, mas ela não deixou.

- Não queria que te casasses com ela. - O quê?

- É o que te estou a dizer. - Mas...

Não.

Não, mas...

Eras um pai para ela. Do que estás a falar?

Por vezes as coisas misturam-se. Solidão, a vida.

Ela escolheu-te.

Ela escolheu-te e eu afastei-me.

- Ela escolheu-te. - Não.

Olá. É da casa do Franco e da Julia.

De momento não estamos ou estamos indisponíveis.

Não.

Não!

- Que foi? - Não!

- O que se passa? - Cometi um erro.

Cometi um erro. Comprei um tempo morto.

- Um quê? - Um tempo morto.

A Ada disse-me para não mudar nada.

Não!

- Espera. - Não estavas com ela.

Nós, lembras-te, ressuscitamos a Julia.

A Julia estava morta.

Por favor, não.

O que se passa? O quê? Não.

- Não estás bem. - Não.

Não, espera! Tem cuidado!

Olá. É da casa do Franco e da Julia.

De momento não estamos ou estamos indisponíveis.

Deixa a sua mensagem e ligaremos de volta.

Obrigada!

Estamos aqui hoje reunidos...

para prestar homenagem ao nosso irmão Franco Vega,

que agora viverá

nos corações da sua família.

Mas isso não nos deve deixar tristes.

Porque entre outras coisas,

o Franco não quereria isso.

E agora, o jovem Franco,

descansa na paz de Deus.

A morte abrupta

não pode ser vista como uma inimiga

como está escrito no Velho Testamento.

Não.

A morte é um passo inevitável,

é o sacrifício que nos aproxima de Deus.

A vida retorna à sua origem,

ao nascimento,

ao princípio consumado na esperança.

Desculpa.

Eu sei.

Para, Luis. Para.

Porque estás a ligar para o telemóvel do Franco?

Porque não atendes o teu.

Sei que não falamos há muito tempo, mas é urgente.

Preciso de te ver.

O que é que queres?

O que é que queres?

Julia...

por favor, anda.

Não creio que o que aconteceu com o Franco, tenha sido um acidente.

Traduzido por: Patrícia Abreu

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