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Dedicamos este filme a suboficiais como Omer Halisdemir.
A oficiais como Harun Kilinç.
Igualmente a especialistas como Yunus Emre Uçar.
Às Forças Armadas Turcas e a todos os seus abnegados soldados.
Aqui "Ovelha Negra 44-1 Niner".
Bandidos localizados. Referência sul.
"Ovelha Negra 2, Anjos 15". Alfa verificado.
Afirmativo. Distância estimada, 4 milhas.
Todos fora das chamas.
Marcação assegurada.
Autorização para limpar alvo.
Abortar, abortar "Ovelha Negra 44-1". Aqui Guney do AWACS Turco.
Amigos NATO no sector.
Abortar, abortar "Ovelha Negra 44-1". Aqui Guney do AWACS Turco.
Amigos NATO no sector.
Em standby 2. Comunique, Guney.
Operação na montanha. OPSEC comprometida. Por favor, obedeça.
A MONTANHA II
Como membro da coligação kuffar,
tendo entrevistado civis...
e filmado idólatras...
arrependo-me...
arrependo-me...
De nada.
Não me arrependo de nada!
O mundo tem que conhecer estes animais...
Prepara-te para filmar!
Fá-lo, seu canalha! Fá-lo!
Achas que irei dar-te o meu medo? Fá-lo!
Vento com intensidade 2, vindo das 3 horas.
Distância 800 metros.
Um arco é esticado...
para largar a seta.
Miss Balaban?
Miss Balaban, está bem?
Está ferida em algum lado?
- O quê? - Está ferida?
Não.
Por favor, venha connosco. Estamos aqui por causa de si.
Senhor, temos que ir para a aldeia. Aqui estamos expostos.
Mustafá, dá-me o tempo.
Cinco minutos no máximo, senhor.
Esref, arranja-nos tempo. Larga alguém armado nos becos.
O Earman nos becos.
- Quem são vocês? - Forças Especiais, senhora.
Combate, busca e resgate.
Oguz, Bekir. Descubram a roupa civil da Ceyda.
Baybars, recolhe os carregadores. Vamos embora.
Para onde?
Para casa, Miss Balaban. Vamos para casa.
Aqui vamos nós outra vez, para a merda...
Junta-te a mim só se quiseres.
Eu nunca irei ser aceite.
A minha perna dói-me mesmo quando me masturbo.
Queres fazê-lo ou não?
Masturbar-me?
Bekir...
Anda lá, bebe. Menos conversa, mais goles.
O que foi que aconteceu com aquela rapariga?
Tu sabes, aquela de que me falaste na estação de transmissões.
Homem, tu lembraste disso...
Ela casou-se há dois meses.
Nunca tivemos uma rapariga cuja voz soasse como copos a brindar.
Estás bêbado outra vez.
Sabes uma coisa? Nós nunca esquecemos realmente alguém.
Nós carregamos os que perdemos às costas como sacos de memórias.
Nós somos como que carregadores.
Nós oramos, nós praguejamos, nós suportamos.
Mas aquelas memórias rondam nas nossas cabeças como raposas.
A morte e os amores perdidos são a mesma coisa.
Nós só estamos sempre a recordar-nos delas.
Às vezes nos meus sonhos, eu vejo o Capitão Yaçar.
Vejo o seu último olhar para mim.
Havia preocupação neles, mas não por ele mesmo, sabes?
Em vez disso ele receava por mim.
O que é que ele diria disto?
Se ele soubesse que nos inscrevemos para testes nas Forças Especiais...
Primeiro dar-nos-ia carinhosamente uma palmada nas costas.
A seguir contaria uma piada porca.
Depois disso, ele provavelmente insultava-nos.
Provavelmente.
Oguz.
Somos os homens do sargento Kemal e que morreu por nós. Temos de ser dignos.
De outro modo, nós somos lixo.
Aos que não esquecemos.
Arif, o que é que vês?
O Iraque, senhor...
A terra da traição e inimizade.
Estamos a 24 km a sudoeste da montanha.
Eles irão estar aqui em breve.
Como estamos de munições?
Apanhámos tudo, mas são só carregadores para AK's, senhor.
Estes homens eram reforços. As verdadeiras tropas de assalto estão a sul.
Temos de chegar à zona de aterragem o mais breve possível.
- Bekir? - Sim, senhor.
Apanha uma AK, podemos armadilhá-la.
Porquê só eu?
Porquê?
A minha equipa também estava lá. Porquê só eu?
O Philip, o meu operador de câmara, o Nechirwan, o produtor, podiam
estar aqui connosco, vivos.
Porque eles não eram turcos. Foi por causa disso que não fizeram nada.
Não é assim tão simples, Miss Balaban.
Ceyda é suficiente. Não há necessidade do Miss.
Não se preocupem, não vou falar mais nas vossas preferências racistas.
Fale-nos se lhe apetecer.
Não vou colocar em risco os meus homens por quem não é turco.
- Vocês sabem quem eu sou... - Claro que sabemos.
As suas opiniões, os seus artigos, a sua oposição, que não nos dizem respeito.
- Uma missão, é uma missão. Bekir? - Sim, senhor.
Tu segues à frente com o Oguz.
Nós seguimos à retaguarda com a Ceyda.
Dirigimo-nos para as aldeias a 10 km a oeste.
Mantem os olhos bem abertos.
A Ceyda que use o meu capacete e o colete balístico que o Esref trouxe.
Se ela o tirar, obriga-a a usá-lo.
Estamos todos prontos?
Como está a tua orelha?
Tenho uma cirurgia de reconstrução dentro de duas semanas, senhor.
Vocês os dois estão a brincar comigo?
Consigam só a vossa dispensa honrosa. Porque estão ainda ao serviço?
Um de vocês tem um ombro de platina.
O outro é meio coxo. Que testes, que treinos?
Senhor, se nos deixar explicar a situação...
Não acho que tenhas entendido.
Não precisamos de gente defeituosa que ponha em risco as suas equipas.
Digamos que te aceitamos, o que é que fazemos com o teu amigo?
Vai cozinhar atrás das linhas inimigas?
Estou-me quase a passar.
O que é que disseste?
- Selim. - Atenção!
- Eu assumo isto a partir daqui. - Sim, senhor.
À vontade.
As unidades aqui não se baseiam em indivíduos,
mas sim na sua coesão.
Se um homem falha, a equipa completa pode falhar.
É por causa disso que feridas antigas são importantes.
O "a curto-prazo" nem sequer tem uma arma, e o outro é o Bekir.
Foram as últimas palavras do Yaçar para mim.
- Vocês têm dois anos de serviço? - Dentro de dois meses, senhor.
O Bekir é um especialista, eu cheguei a tenente.
O Yaçar era meu colega de classe.
Meu amigo.
Se nos tivessem enviado convosco e não para o Quartel General,
eu ficaria feliz por morrer só para o vingar.
Querem que eu atire às chamas os miúdos que ele salvou.
A minha resposta é não.
Eles já não são mais uns miúdos, senhor.
Um acorda a arfar durante a noite...
a ter pesadelos com o sargento Kemal sussurrando o nome da mulher ao morrer.
Leyla.
O outro quer dedicar-se a uma causa pela primeira vez.
Nós podemos ser muitas coisas, mas já não somos nenhuns miúdos.
Se eles morreram para nós sobrevivermos,
então deixe-nos viver, senhor.
Deixe-nos fazer com que outros sobrevivam.
Vocês têm dois meses. Preparem-se bem.
Os testes e as aulas serão um inferno.
Não são verdadeiros desertos, sabias?
É tudo resultado da erosão do vento.
Eurovisão?
Vê se usas a Internet sem ser para veres porno.
Só estou a brincar, mano.
Aqui estamos nós, de novo sozinhos.
Isto é a porra do meu destino. A minha sina.
Neve, Inverno, deserto, areia... Morte e o Oguz.
Só queria que não fosses impertinente com o Ten-coronel por perto.
Peço desculpa, "senhor".
Quer dizer, não puxo dos galões porque és tu.
Diz-me, achas que valeu a pena arriscar sete tesouros nacionais pela Ceyda?
Bekir Õzbey, um tesouro nacional.
Responde-me, meu palerma.
Não sei.
Bem, se tu me perguntasses, ela podia ser um pouco mais respeitadora.
Bekir...
"662 Tamu Cizre", aqui "Storm Bringer".
- O pacote está a salvo, câmbio. - Os T-155 estão prontos, senhor.
Nós podemos "iluminar" a área, câmbio.
Ainda não detectados, não há necessidade, câmbio.
Entendido, "Storm Bringer", em standby.
De onde é que é, Miss Balaban?
É esta a sua táctica?
Perdão?
Os outros são robôs. Eu sou um pacote.
É suposto você ser o bonzinho?
Gostava que os meus instruendos ouvissem o que acabou de dizer.
Creio que isto lhe pertence.
Sem ser a nós, pode fotografar tudo o que lhe apetecer.
Não tem que ser simpático.
E você não tem que ser grata.
- Não sou. - Eu sei.
Eu sou de Milas.
Eles executaram toda a gente, até as crianças.
Filhos da puta!
Onde é que estamos?
36-25 e 41-75.
Isto são as pastagens dos Yezidi.
Isto é recente, senhor. Duas, três horas.
Eles não deram luta durante a matança.
Pais estão deitados junto aos seus filhos, portanto isto terminou rapidamente.
Caso contrário, torturam quem resiste. Arrancam unhas... tiram-lhes os olhos...
A única culpa deles é existirem.
De acordo com os seus assassinos, os Yezidi são as sementes do mal.
A sina deles é terem uma religião, que os outros não conseguem entender.
Esta não é a nossa luta.
Não, senhor. Não é.
Porque isto não é de todo uma luta.
- Senhor? - Continua, Arif.
Eles estão a vir.
Deixá-los vir.
Nós somos amantes da morte.
Tirem as vossas boinas.
Olhem para elas.
Estão aqui por causa dessas boinas?
Dos 200 soldados e oficiais seleccionados nestes testes...
apenas 20 irão juntar-se ao serviço activo.
Mas porquê?
Qual é o nosso carácter?
Somos nós heróis? Guerreiros?
Lendas?
Se procuram dessas coisas, estão no lugar errado, cavalheiros.
Nós não somos nada. O nosso objectivo é sermos esquecidos...
desconhecidos.
Os nossos nomes não serão gravados em pedras.
Ninguém fará canções acerca de nós.
Porque se obtivermos a fama, isso significa que falhámos.
O nosso carácter é servir exclusivamente o povo Turco.
Nós somos amantes da morte e apenas nós fazemos...
aqueles a que sofram e os que a temem, se afastem do nosso povo.
Se um dia, quando soltarem a vossa última respiração,
a única coisa que virem for o vosso sangue,
e a única coisa que ouvirem for silêncio,
saibam que não estão sozinhos.
Os que serviram antes de vós, e os que virão depois, todas as Forças Especiais...
irão morrer convosco...
e renascer convosco.
- Um morre... - Mil nascem!
- Boa sorte, cavalheiros. - Sim, senhor!
Oguz, eles estão a chegar. Oguz!
Bekir...
Oguz?
Eles estão aqui, meu. Oguz?
Calados, parem com a rádio. Ainda fazem com que sejamos mortos!
Silêncio, raios te partam!
- Tamu Cizre. - Às suas ordens, senhor.
"Ilumine-os".
Entendido, Storm Bringer. A "iluminar".
Arif.
A noite faz nascer a Lua.
Subir e descer.
Mecnun geme enquanto o seu sangue...
se junta à sua amada Leyla.
Estes homens vieram de Oeste, Mustafá.
Não havia ninguém a Oeste esta manhã.
"662 Tamu Cizre". Aqui fala "Storm Bringer".
O que vêem?
Veysel, sou eu, o Doan.
Às suas ordens, senhor.
Os Curdos estão esgotados a norte. Não aguentaram. A pinça fechou-se.
Quantos?
Os jihadistas estão a cercar a montanha para fechar a fronteira.
Tu tens que ser rápido.
Senhor, quantos?
200. Saí daí.
O que é que isso significa?
Esta área está cercada.
Que azar desgraçado. Estamos no meio de uma invasão total.
Senhor.
Estas carrinhas funcionam. Podemos fazer a subida para a montanha.
Os turcos não irão enviar-lhes reforços?
Isto é uma operação clandestina. Oficialmente não há aqui soldados turcos.
Só nos podemos salvar a nós mesmos.
A situação está a deteriorar-se.
Aqueles 200 homens, para se esconderem dos bombardeiros
americanos, irão escalar a montanha.
Temos de encontrar um abrigo seguro.
Aqui têm.
Há este lugar...
Há um lugar, cavalheiros!
Um lugar escuro.
Um lugar que irá emprestar-lhes força, mesmo que não tenham nenhuma.
Vocês terminaram a pista de obstáculos.
Vocês pensam que já acabaram por agora, mas não.
Agora, todos juntos, vamos descobrir esse lugar.
Tu!
Bekir Ãzbey, Ankara. Às suas ordens, senhor!
- Tu és um veterano ferido. - A perna direita, senhor.
Não me importa.
Tu fizeste o percurso, e ela doeu-te?
Doeu, senhor.
Não me importa. Estás cansado, ficaste a coxear?
Um pouco, senhor.
Não me importa! Corre!
Corre, Bekir, corre! Vai!
Senhor, sim, senhor!
Essa dor será um amor durante as missões, Bekir!
Os teus olhos irão encher-se de lágrimas!
Os teus dentes irão doer!
Mas eu irei fazer com que encontres esse lugar escuro!
A mente é formada por engrenagens, cavalheiros.
Ela comanda o corpo.
A mente que não tem nada a perder...
não consegue empurrar o corpo. Aqui estás perante algo a perder, Bekir!
Irei eliminar-te!
Pulmões, baço, a desistir!
Parafusos de platina, o corpo inteiro a falir!
Não vais chegar a esse lugar escuro só por ti.
Bekir Ãzbey, se não estiveres aqui dentro de 30 segundos...
vou eliminar o teu amigo Oguz também.
Ele irá embora imediatamente.
A vossa crença, raça, gostos musicais, a vossa comida favorita...
não importam nem um pouco!
Só há duas coisas importantes, cavalheiros!
A Pátria... e o homem ao vosso lado!
Vocês morrem e matam por estas duas coisas.
Se for necessário, o vosso amigo irá aleijar a perna de novo...
mas ele nunca irá desiludir o seu amigo!
A tua antiga ferida irá ser um privilégio, Bekir.
Todos os dias irás receber terapia física específica.
Irás chorar com as dores, percebes?
Sim, senhor.
Vocês acham que já acabou, novatos?
De pé!
Para dentro do lago até ao peito.
As esponjas não podem tocar na água.
Vamos ficar aqui até ao amanhecer, pessoal!
A vossa temperatura corporal irá cair.
Quando os arrepios chegarem e de repente pararem...
saibam que estão congelados.
Não se desperdicem, saiam e sejam eliminados.
Cavalheiros, iremos verificar cada esponja pela manhã.
Uma única gota de água nelas, e serão eliminados.
Senhor, obrigado, mas não sou homem de beber chá.
Contudo, bebo algum bom café turco.
- Como, senhor, não há chá para nós? - Chega aqui e bebe um pouco, Oguz.
Senhor, se não se importa, traga-o aqui. A água está uma maravilha.
Venha até aqui, senhor. Nós iremos aquecê-lo.
Parece que queres ir correr outra vez, Bekir.
Não, senhor, eu só me quero aquecer.
O amor à Pátria irá aquecer-te, Bekir!
Vocês são trovões, novatos!
Vocês são avalanchas!
Turbilhões!
O fundo do mar...
as maiores profundidades da terra...
mesmo os lugares mais altos no céu...
são o vosso lar!
Vocês irão ter medo!
Ter medo é bom.
O medo irá manter-vos vivos.
Mas não o medo das alturas...
porque as águias não temem as alturas!
Que lugar é este, mais exactamente?
O túmulo de um rei Akkadian, chamado Sargon.
Leva o Baybars e o Eãyref.
Tu ficas no comando. Temos de nos abrigar além.
Sim, senhor.
Baybars.
Toda a gente termina a sua refeição. Juntamo-nos a eles daqui a 10 minutos.
Porquê vocês tinham que me resgatar?
Isso tem alguma importância?
Apesar de durante toda a minha carreira, ter escrito artigos contra si.
Fez a porra de um bom trabalho.
Bekir.
Esqueça-o.
As Forças Especiais retiraram-no das lutas, mas não a luta que existe nele.
Está tudo bem. Eu prefiro as vossas próprias opiniões.
As nossas opiniões, é a nossa missão.
E isso é retirar a Ceyda Balaban para fora do Iraque.
- Só isso? - É isso.
Então, os turcos cruzam os braços e observam esta barbaridade.
Aqueles que sofrem, já foram em tempos parte de nós.
Se lutarmos em todo o lado, haverá tanques nas Montanhas Altai.
O que acontece aqui não uma guerra, é um crime contra a Humanidade.
Devo calar-me agradecida só porque vocês me salvaram?
Ninguém precisa da sua gratidão.
Mas devia respeitar os voluntários para esta merda por sua causa.
Você tem razão. Mas respeito por si...
e respeito pela organização que serve, são coisas diferentes.
Não me lixe.
Diga isso a quem despreza os soldados e depois os proclama heróis.
Sangue e a vida.
Isso é o que nós oferecemos aqui.
Bekir, já chega.
Os bombardeamentos começaram em breve, protejam-se.
Eãyref!
Ele pode cuidar de si mesmo, vai!
C4. Basicamente Semtex-1A.
Encontra o detonador.
Encontrado.
- Sem detonador de reforço. - O mesmo aqui.
Estamos prontos?
FG 1, aqui FG 2.
O túmulo está limpo, à vossa espera.
Não interessada.
O quê?
Não interessado em quê?
No que está a fazer. Não quero saber. Estou aqui para comprar livros.
Desde quando está preparada para ser tão defensiva...
Estou sob ataque? Esqueça, não responda, não é preciso.
Não estou mesmo interessada.
Todos os que a abordam desistem assim tão facilmente?
A menos que não sejam uns desavergonhados, claro.
Eu tenho uma teoria.
No fundo, todos os homens são invasores.
As mulheres, pelo contrário, são castelos.
Um pretende conquistar e ocupar, para provar a si mesmo.
O outro quer permanecer seguro e repelir a investida.
Tão romântico.
Mas depois há alguns invasores...
tão interessantes e originais...
que o castelo decide...
abrir os portões sem resistência.
E você acha que é um desses invasores interessantes?
Não está a ser grande coisa, deixe-me que lhe diga.
Gostaria de beber um café?
Eu também tenho uma teoria.
No fundo anda à procura de uma ama e não uma amante.
É possível.
Isso contudo, não é agradável para nós mulheres.
Porquê especificamente as Forças Especiais?
Foi uma sensação que tive enquanto combatia.
Uma sensibilização.
Um momento em que o verdadeiro valor da vida apenas me atingiu.
Tartaruga.
- Tartaruga? - Uma personalidade de tartaruga.
Porque estou de verde?
Pensa como uma tartaruga. A atravessar a estrada.
Ela não se importa com os carros. Ela pensa que a carapaça a irá proteger.
Mas na realidade, é frágil. Pode ser esmagada a qualquer momento.
As tartarugas não se preocupam com o que lhes possa acontecer.
Uma mulher sensata deve afastar-se de um homem tão simplista.
Eu devia simplesmente levantar-me e ir.
E porque não o fazes?
Quanto tempo até à tua primeira missão?
Assumindo que passei os testes...
mais uns cinco anos.
Quanto tempo precisas de mim?
Verifica.
Tu disseste Akkadian...
mas a cara é de Alexandre, o Grande.
Suponho que não devia ficar surpreendida, por seres um entendido em história.
Algures, o meu professor no liceu deve-se estar a rir.
Carrega-a.
Sargon foi um rei que viveu há 4000 anos.
Sucessivas civilizações construíram por cima das suas ruínas.
Sumérios, Egípcios, Persas, Babilónicos, Gregos.
O tempo todo, até aos nossos dias.
Alguns construíram túmulos, outros colocaram mosaicos.
Alguns bêbados com “kymyz”.
Para ti, todos os soldados são dignos.
Mas sabes, todas essas civilizações também tinham soldados.
No fundo, eles lutavam e matavam-se uns aos outros por mais e mais poder.
Eles ainda o fazem.
É isso o que justifica o teu ódio pelos militares?
Colocando a culpa da guerra em simples soldados?
Outra vez.
Nós não pensamos que todos os soldados são dignos.
Só aqueles que servem o seu povo.
O que tem de bom para mim aprender isto?
Felizmente nada.
Alguma vez mataste alguém?
Qual é a sensação?
Não é uma sensação.
É uma mácula.
Prepara-te.
Senhor, eu irei levá-lo.
Senhor, eu irei levá-lo!
Oguz, acorda! Oguz!
Vais ficar com a minha espingarda.
Este é um lugar perigoso, Oguz.
Antes de adormecer, eu olho sempre em meu redor.
Eu também sou humano. Eu também sinto medo.
Um morre, mil nascem!
Oguz?
A água está gelada. Estás bem?
Não faças isto a ti mesmo. Anda comigo.
Estou bem aqui.
Estes treinos irão devastar-te.
Tu recordas coisas que devias esquecer. Não podes.
Quando eles nos salvaram...
eles pensaram que fiz o que fiz por causa da coragem.
Como se desafiasse o atirador que disparava sobre nós.
É uma mentira.
Eu estava esgotado.
Eu perdi.
Eu só não queria deixar o Bekir para trás.
Esperar pela morte é uma coisa estranha.
Ter que ser ela a tua única escapatória.
Tu como que queres cair na escuridão.
O pensar nisso torna-se doce.
Eu ainda não consegui livrar-me dessa mentalidade.
Como era se tivesse morrido ali?
O quê?
Não fisicamente.
E se eu não conseguir recuperar o meu entusiasmo e normalidade?
É por causa disso que tenho que voltar e enfrentar aquilo de novo.
Aquele terror e consciência tornaram-se...
na única coisa que me faz feliz.
A única coisa que te faz feliz?
Eu sei, parece ser esquisito.
Tu vais falar-me acerca de homens, mulheres e relações...
De como estás magoada com isto.
Não, não vou.
Tu pensas que és tão inteligente.
Mas ser humano não tem nada a ver com o deixar de ter medo.
Tem a ver com o aceitar, seguir em frente apesar dele.
Eu também tenho medo de certas coisas.
Como por exemplo?
Como estar constipada amanhã.
De pé, de pé...
- O que foi agora? - Levanta-te.
Desculpa? Pensei que a tua única felicidade fosse a consciência e o terror.
Tu também és uma coisa terrível.
Não, obrigado. Vou procurar um tipo normal. Podes continuar desorientado.
- Pregado? - Eu disse desorientado, idiota.
"662 Tamu Cizre".
"662 Tamu Cizre".
"662 Tamu Cizre".
- Estamos a demasiada altura? - Não, senhor. Deve ser um bloqueador.
Continua a tentar.
"662 Tamu Cizre".
Visualização, senhor.
O que é que eles irão fazer à mulher, Ceyda?
O que é que acha que irão fazer?
Eles estão no nosso caminho, senhor.
Não fiques emocionado.
Estou quase a ficar sem emoções, seja como for.
Também podemos ir para o outro pico.
O que é que fazemos, senhor?
Há quanto tempo têm fome?
Sete dias, senhor.
Com sede?
Dois dias, senhor.
Homem, os teus tipos estão fodidos.
Há quanto tempo estás acordado, novato?
Três dias, senhor.
Desistam dos testes. Esta vida não é para vocês.
Cavalheiros, há uma grande mesa lá dentro para todos vocês.
Trouxe uma comida deliciosa.
Conforme o que pediram. “Iskender kebab” com manteiga.
Cordeiro “Ça kebap”.
Ayran, chá, café.
“Baklava”. Ambos os tipos, noz e pistachos.
E claro, o que é que temos?
Meninos de água, nós temos água.
Tenho enormes cubos de gelo que trouxe para vocês.
Quando os deitarem nela, irão ouvi-los estalar, cavalheiros.
Tudo o que têm que fazer, quando perguntarmos, é dizer-nos...
o nome no vosso pedaço de papel.
Deitados!
Yavuz.
Vai comer qualquer coisa.
Senhor.
Irei praguejar, senhor.
Não, senhor, ele vai praguejar! Talvez devêssemos passar à frente.
Isto é treino de tortura, engraçadinho. Praguejar, cantar, isso não faz diferença.
Por favor, senhor. Não o faça cantar. Isso seria a verdadeira tortura.
Diz-nos o nome no teu pedaço de papel, vai comer comida quente.
Dormir que nem um tronco. Deixa este sofrimento acabar, Bekir.
Esta vida não é para ti.
O inimigo não te oferecerá comida.
Ele não te dará uma cama quente como nós se desistires!
Eles não te ajudarão com as dores!
Diz-me.
Diz-me, companheiro. Diz-me o nome, vamos acabar com isto.
- Senhor, ele aproxima-se do recorde. - Ele vai também superar isso.
35, 36.
38, 39, 40.
41, 42.
Estes tipos foram forjados em fogo.
Eles não querem desistir.
Senhor, estou com tanta sede. Pode dar-me mais um pouco?
Não sou o Super-Homem, as balas têm efeito em mim.
Baybars, como é contigo?
A mim também, senhor.
Eu sou um Super-Homem. Levei um tiro na perna e ainda aqui ando.
Abre os teus braços e corre antes de nós, Bekir.
Torna-te numa cobertura para nós.
Canta o "Ankaran Turgut" enquanto corres.
Caramba, como eu sinto falta das suas canções.
Arif, o teu alvo?
Nas 3 horas, senhor.
Se falhas, a gasolina...
Eu não falho.
Fiquem prontos para o contacto.
Aos três.
Um.
Na coordenada do Bekir.
Dois.
Três.
Volúvel é o amante, para fazer os corações sangrarem.
Põe o teu capacete!
Atirador!
Baixa-te!
Porquê labuta o poeta...
para tecer o poema.
Estás bem?
Sim!
Tudo bem, está tudo bem.
Não tenhas medo.
Estás a salvo.
Acabou-se.
Que Deus o abençoe.
Que Deus possa retribuir a sua bondade em abundância.
Ámen.
Ámen.
Ámen.
Ámen.
Ámen ó Senhor, enquanto abrimos as nossas mãos para o Teu santo domínio.
Não nos deixes ficar sem a Tua graça, enche os nossos corações de contentamento.
Ámen.
Acreditamos que não há limites para a Tua misericórdia.
A Tua caridade e vontade são infinitas.
- Abençoa-nos com elas, ó Senhor. - Ámen.
Nós adoramos o bem, aqueles que se arrependem.
Deixa que sejamos capazes de falar Contigo, e nós próprios nos arrependemos, Senhor.
Ámen.
Ó mestre de todos os reinos, ó magnânimo entre todos.
Alivia as insuportáveis cargas nas nossas almas...
não nos deixes ser impotentes, Senhor.
Ámen.
Enquanto estamos hoje aqui presentes, nas exéquias da nossa bela Mine, abençoa-a.
Dá-nos, aos seus amigos, ao seu irmão Mete, ao seu pai Veysel...
e à sua mãe Ayãye, força para suportar a dor, Senhor.
Defende a nossa Pátria, o nosso povo, os nossos sagrados valores, ó Deus.
- Ámen! - El Fatiha.
As minhas condolências, Veysel.
Precisas de alguma coisa? Uma licença talvez?
Eu julgava que conhecia a morte, senhor.
Em 1994, o General Osman e nós, voávamos sobre o corpo dos mortos,
em helicópteros UH...
Habituámo-nos a descobrir os mortos com os nossos narizes.
Na altura, a América recusava-se a dar visão nocturna às nossas "aves".
Habituámo-nos a encontrar os nossos mártires pelo cheiro.
Eu julgava que conhecia a morte.
Agora, eu sei que não.
Afinal a morte...
estava à espera da minha mulher à porta casa mortuária...
enquanto ela lavava o corpo da minha filha morta.
Eu esperei.
Eu chorei.
Chorei pelos vestidos que ela nunca irá vestir.
Chorei pelas discussões que nunca tivemos.
Chorei por uma vida não vivida.
Ainda se ela tivesse podido amar um homem, casar-se...
ter filhos.
Quando me dei conta, tinha esmurrado a parede da funerária 20 vezes.
Sangue, lágrimas e água, estavam por todos os lados.
O coveiro estava a tratar da minha mão.
Três ossos partidos.
Não preciso de uma licença.
Faça só com que eles enviem analgésicos.
Nós consumimos um terço das nossas munições.
Temos de chegar à zona de aterragem rapidamente, senhor.
Estamos cercados, há rastos por todo o lado. E comprometidos, também.
Estamos a abusar da nossa sorte.
Sabes o que aprendes mal chegas a comandante de Busca e Resgate?
A mentir.
Não é isso o que literalmente nos dizem.
Mas na essência é isso.
Se a moral é baixa, nada mais importa.
Não podes dizer toda a verdade aos teus homens quando há baixas.
Tu tens de construir uma mentira.
Depois, tu próprio tens de acreditar nela.
Que espécie de mentira?
Uma que seja bonita.
Que eles serão recordados depois de mortos.
Sabes quantos homens morreram sob o meu comando?
- Não sei. - 23.
Jurei que iria recordar para sempre esses 23 homens.
Mas a cada dia que passa, me esqueço cada vez mais as suas caras.
Peshmerga.
Pesheng.
Como é o teu Turco?
Melhor que o teu Kurmanji.
Estás em mau estado.
Vou dar-te morfina.
Como te chamas?
Ãtiya.
Nós não somos do PKK, Turco.
Nós somos Zerawani.
Diz-me, Ãtiya, o que aconteceu?
Eles enviaram-nos desde Ãeqlawe.
Então começou a invasão do DAESH.
Não conseguimos retê-los.
Quantos eram vocês?
Quantos homens vocês tinham, Ãtiya?
80.
Agora, só um.
Comandante?
Aqueles rapazes foram-me atribuídos.
A mim.
Agora, eles são alimento para esta montanha amaldiçoada.
Não desperdice isso comigo.
Você próprio irá precisar disso.
Mas não me deixe aqui.
Não me abandone.
Faça-o.
Dê-me um tiro na cabeça.
Acabe com isto.
Já chega.
Em nome de Deus, já chega.
Dispare, acabe com isto.
Já chega.
Os meus soldados estão à minha espera, comandante.
Eles esperam-me.
Neste momento, vocês são aprendizes.
Antes da vossa primeira missão, vamos esculpi-los durante 5 anos.
História, geografia, medicina, química, guerra de guerrilha, psicologia...
e línguas farão parte do vosso curriculum.
Vão de novo passar uma difícil formação e mais uma vez podem ser eliminados.
Estás lixado, Bekir.
Porque tu és o último castelo.
Homens com tanto conhecimento quanto coragem...
aqueles que não se curvam perante as emoções...
os primeiros a entrar, os últimos a sair.
Vocês irão salvar mais vidas do que as que irão tirar.
Isto irá ser uma vida dura.
Talvez até uma das curtas.
As vossas famílias irão partilhar-vos connosco.
Elas ficarão felizes com as migalhas.
Irão faltar a muitas graduações, aniversários e casamentos.
No aniversário dos vossos filhos,
balas irão chover no cimo de alguma montanha.
Ainda assim, valerá a pena cada segundo.
Este amor, é um tal amor, que mesmo que vos consuma...
vos mate...
vocês jamais o deixarão.
Bem-vindos a serem um de nós, irmãos.
Senhor, visualização de Ãtardakl.
Parece tão verde.
Suponho que os Sinjar's só têm correntes de água além.
Restam cinco minutos, depois vamos seguir em frente.
Entendido.
Vocês são "torucos"?
Perdão?
“Torucos"?
Sim, somos turcos.
Eu também sou "toruca". Ãtardakl também é parente.
Eles são todos "torucos".
Ãtardakl é uma aldeia turca.
Está bem, nós somos "torucos".
Hóstias?
Desta vez não.
Parece estar tudo bem.
Apenas uns civis. Cerca de uns 30 a 40.
Onde é a zona de aterragem?
Em frente, a 100 metros de baixa altitude.
Temos de chamar os T-70's, senhor. Eles irão conseguir chegar.
Não consigo ver a Turquia daqui.
Como te chamas?
Enegãl.
Enegãl.
Eu sou o Bekir, Enegãl. Aquele é o Oguz.
Tentei falar com ela, ela não responde.
Eles gravaram-lhe “nasheeds” nas costas com uma faca.
Filhos da puta!
Mais uma vez, isso só insulta as prostitutas.
Estes são os factos que vocês ainda ignoram.
Desta vez, aqueles que sofrem não só árabes ou curdos.
Eles são Turcos Iraquianos.
Pelo menos eles sobreviveram.
Onde, no meio desta barbárie? Como é que se vive?
100 homens, contra 1000. Como é que eles sobrevivem?
Isto não tem uma resposta simples, cavalheiros.
Existe algum precedente histórico? Sim.
Há os Cartagineses. Sob o comando de Aníbal, o Grande.
Nós fizemos algo similar em Cannae.
Obviamente, a verdade é
há que estudar o teórico inglês B.H. Liddell Hart e os seus conceitos.
Na batalha de Cannae, os Romanos estiveram sempre confiantes,
com os seus 86 mil homens...
Sabes do que sinto falta?
...em três colunas principais, eles atacaram em força a zona central.
Andar à porrada contigo.
Gostava de lutar contigo mais uma vez, antes de seres meu superior.
Estás gravemente louco, meu.
Bekir, Oguz, o que se passa?
Senhor, aqui o amigo Bekir, quer lutar comigo uma última vez.
Seu chibo de merda.
Segundo a doutrina de Hart, como é que 10 homens vencem 100?
Respondam correctamente, e podem ir lá fora no intervalo bater um no outro.
Eu concordo.
Senhor, 1000 homens irão sempre esmagar 100. É a realidade dos números.
A única maneira de vencer, segundo Hart, é lutar indirectamente.
Como? Explique isso, também.
Focarem-se nas zonas vulneráveis, usando truques ou possíveis vantagens.
Agora sim!
O nosso combate final. O fechar de uma era.
Um murro limpo na cara, vence.
Qual é teu problema, mano? Assustado com levar dois?
Talvez aquele que tem medo de ti, passe a seres tu.
Anda cá, meu merdoso. Anda.
Andas a aprender umas coisas. Anda.
Estás bem?
Estás bem, meu?
Caramba... a merda da tua guerra indirecta.
Quem é alguma vez bate no nariz?
Desculpa, meu, foi sem intenção. Não sou o Emin Boztepe.
Pára, não te levantes. Olha para cima.
Estou apaixonado por uma miúda.
Conhecemo-nos um dia destes.
Acho que ela gosta de mim.
100 milhões de galáxias.
Em cada uma, 100 biliões de estrelas, inúmeros planetas.
E uma miúda gosta do Bekir.
Ela pode ser a mulher com quem eu me caso.
Como é que é? Estás a falar a sério.
É assim mesmo, Bekir. Vive essa vida.
Como é que uma pessoa vive uma vida?
Onde a nuvem lança uma sombra, é a zona de aterragem, senhor.
Parece a minha terra natal.
Também têm 50 atendedoras por telefone em Bilecik?
Tu não conheces as nossas raparigas.
- Saudações. - Prazer em vê-lo.
Vocês são soldados turcos?
- Somos. - Prepara “qelyanalti”, mexe-te.
Qelyanalti?
O que é isso?
Pequeno-almoço da tarde.
Seria má educação recusar, não?
Eu concordo.
Só resta um combatente na aldeia, o Boran.
Vá falar com ele.
- Bem-vindo. - Prazer em vê-lo.
Quantas pessoas nesta aldeia, Boran?
25 adultos, 15 crianças.
Sou o único que sabe usar uma arma, senhor.
Cavalheiros, descansem sem chatear ninguém.
Última paragem antes de regressar a casa.
Pode descansar na minha casa. Venha.
Não fique aqui fora. Entre.
Obrigado, estamos a ser um fardo.
Não diga isso, comandante.
As crianças daqui sonham em serem soldados turcos.
Nós crescemos com as vossas histórias.
- O teu turco é óptimo, Boran. - Andei na escola em Gaziantep.
Antes da guerra, o meu pai comprava coisas na Turquia.
Os paralelos na praça da aldeia foram mercadoria dele.
Depois de ele morrer, nunca conseguimos acabar a obra.
Se não se importar que pergunte, o que aconteceu à sua perna?
Quando aqueles animais atacaram Talafar há 3 anos,
nós fomos defende-la como se fossem da família.
Apanhei com um tiro no joelho.
Estas terras eram as mais férteis nos arredores de Sinjar.
Trigo e fruta, costumavam crescer aqui.
Depois da guerra tudo está arrasado.
Os Otomanos costumavam chamar a este lugar Turkmenreach.
Agora já não há nada recolher.
Nós estamos cercados. Somos uma ilha num mar de árabes e curdos.
"Storm Bringer"...
"662 Tamu Cizre". Aqui fala "Storm Bringer".
O nosso novo sinal de chamada, "Montanha 923".
"Montanha", o vosso sinal é fraco, mas entendido.
"662 Tamu Cizre". "Montanha" em standby.
"Montanha", aqui "Lobo". Verse?
Estou aqui, senhor.
Os terroristas derrotaram o exército iraquiano e o curdo, a região está a cair.
O principal batalhão deles, 100 homens, vai no sentido de uma aldeia.
Estão prontos para extracção?
Que aldeia?
Ãtardakll. Eles chegam lá amanhã à tarde.
Confirme zona de aterragem e saíam ao amanhecer. Terminado.
Eu sei comandante. Está tudo bem.
Deixe-nos vê-los partir ilesos, isso é suficiente.
- Ten-coronel, isto é uma aldeia Shia. - Eu sei.
Pode ouvir-me por um minuto?
Veysel!
Eles irão matar toda esta gente.
A nossa missão não é defende-los.
- A missão não é aqui a principal questão. - A missão é a verdadeira questão!
Os meus sentimentos e desejos não têm qualquer importância.
A missão é a única questão.
O seu sentido de responsabilidade significa idealismo.
Um sonho altruísta de ajudar toda a gente.
O meu, é manter os meus homens vivos, que eu amo como se fossem família.
Aqueles poucos e corajosos homens.
A questão resume-se à missão.
Não, senhor.
Aqui a questão, é o que coragem realmente significa.
Coragem não é matar inimigos ou defender as fronteiras traçadas num mapa.
Existe apenas uma razão justa para a coragem em guerra.
E ela é defender os inocentes.
Esta guerra está a chegar, comandante. Esta guerra está a chegar aqui.
Será que está aldeia merece isso?
Será que estas pessoas merecem esse destino?
Diga alguma coisa.
Enegãl, anda cá.
Anda, querida.
Diga-lhe a ela.
Diga-lhe para que ela saiba. Diga, "nós vamos embora".
Diga, "não haverá aqui uma única pessoa viva, amanhã à tarde".
O que é que eles irão fazer a esta rapariga, senhor?
Diga-lhe, para que ela saiba.
Diga-lhe!
Se coragem é abandonar esta miúda e todas as aldeias ao seu destino...
eu preferiria ser uma cobarde.
Você pode continuar a ser corajoso.
Companheiro? O que estás aqui a fazer?
Precisava de um pouco de ar fresco.
E tu, o que estás a fazer aqui fora? Agora és um homem casado.
Andava à tua procura, imbecil.
Anda, é o último desejo da minha mãe. Temos que obrigar o meu pai a dançar.
Anda.
Onde está a Ece, a propósito?
Nós acabámos.
- Porquê, meu? - Não faço ideia.
Suponho que dois anos comigo, é como que 20 anos contigo.
Sabes, eu não tenho muitos amigos.
De facto, só tenho um.
Embora, graças a Deus, tenha descoberto que ele é um idiota.
Este tipo pensa demasiado, Oguz. Quanto mais pensa, mais ele faz merda.
Ele pensa que está sozinho.
Mas não está.
Ele precisa de saber isto.
- Esse teu amigo? - Exacto.
Irei dizer-lhe se o vir.
Mano, disseram-me que um anel pode causar problemas durante um salto.
Nós encontrámos esta solução.
Respeito, meu.
Há três anos disseste que te irias casar.
Aqui estamos nós e estás a casar-te.
É assim que nós vivemos, acho eu.
Aprendendo com as quedas e a voltar a levantar-nos.
- Gostava que também fosses assim. - Eu?
Não posso fazer isso. Tu és casado com a tua mão direita.
Esquerda.
Levanta-te. Tenho que te ver a estragar a dança, vamos.
Eu? Não há a mínima hipótese.
Vou dar-te essa ordem e tu irás fazer essa merda.
Vamos.
Sabes uma coisa?
Dei-te tantas naquele dia, que como que sinto falta disso agora.
Esqueceste depressa o de há três anos. Parti-te o nariz todo.
- A sério? - Sim, a sério, mexe-te.
- Vamos ver como te sais em Ancara. - Jogo ganho.
A Turquia é bonita, irmã Ceyda?
Daqui a pouco vai amanhecer, Enegãl, vai dormir.
Irmã Nabat, conta-nos. Tu estiveste lá.
A terra não é alaranjada como aqui.
Cinzenta e verde.
Lá é frio e quente.
O orvalho cai das flores todas as manhãs, sem as estragar.
As montanhas deles têm cascatas.
Os picos deles não são carecas como os nossos.
Eles têm tudo.
Tudo o que é bom, tudo o que é mau.
Se caminhares no Outono, os teus pés tanto podem ficar molhados como secos.
Um pássaro pode até pousar-te em cima.
Os pássaros deles são bonitos?
São bonitos.
Cegonhas voam por todo o lado.
Falcões caçam pássaros pequenos nas colinas.
As cotovias fazem ninhos nos telhados da cidade.
As cidades deles são como que campos.
Gaziantepe, Istambul, Ancara.
Prédios até ao horizonte.
Vamos lá um dia?
Iremos, Enegãl.
Iremos. Vai dormir.
Senhor.
O Bekir e o Arif estão de sentinela. Os outros estão a descansar.
Cizre irá enviar os T-70 ao amanhecer.
Tu irás ser um bom oficial, Oguz.
Apesar de mim.
Daqui a 20 anos...
os teus homens irão procurar a tua opinião para tudo.
Alguns deles serão recrutas, nascidos para serem soldados.
Outros jovens e tolos.
Mas todos eles irão seguir o teu exemplo, Oguz.
Se tiveres sabedoria e sensibilidade, eles irão ser sábios e sensíveis.
Se demonstrares lealdade e coragem, eles crescerão para serem leais e corajosos.
Mas acima de tudo, há aqueles que sob o teu comando, irão viver e morrer...
por causa das tuas decisões, Oguz.
E então um dia...
tu terás que decidir entre o que é correcto e a missão.
O que é correcto é a missão, senhor.
O que é certo, é o que é correcto, Oguz.
Eu tenho ignorado muitas coisas correctas por causa das missões.
Quando tinha a tua idade, prestei serviço com o Yaşar.
Ambos nascemos e crescemos em Eskişehir.
Mas se tu nos perguntasses de onde éramos, nós dizíamos Ãlrnak.
Não por causa do tempo que lá estivemos...
mas por causa daquilo pelo que as nossas almas passaram.
Se soubesses os amigos que perdemos nas missões.
Há sete anos, o Capitão Yaşar...
apanhou-nos a mim e ao Bekir, a praguejarmos um com o outro.
Nessa altura já nos tinha advertido umas 20 vezes.
Ao ver que nós eramos incorrigíveis, ele atribuiu uma latrina a cada um,
e proibiu-nos de usar qualquer outra.
"Vocês irão limpar a vossa respectiva merda todos os santos dias", disse ele.
Ele tinha este sorriso na sua cara.
Ele estava a sorrir, porque nos tinham dado o mesmo castigo em 1988.
Tornamo-nos muito bem-educados em menos de uma semana!
Ele era o meu Bekir, Oguz.
O meu melhor amigo.
Eu escolhi a missão de novo e não consegui chegar a tempo.
Ele morreu por causa de mim.
O que é que tu farias?
Senhor, eu...
a minha cabeça diz que temos de fugir.
Isto não tem fim e os números nunca mentem.
Verdade.
Mas o meu coração, senhor...
está a tentar enganar-me.
Diz que não se podem abandonar aldeões para serem assassinados.
Talvez exista a possibilidade de...
defender este lugar e sobrevivermos.
Depois olhar para trás e dizer que como soldados turcos...
fizemos o que era correcto, assim como o que era o nosso dever.
Comandante, o que se passa?
Todas as crianças da aldeia foram embarcadas.
Agora é a vez da nossa rebelde.
- Eu não quero ir. - Tu és a missão, Ceyda.
Posso fazer alguma coisa, senhor. Posso ser-lhe útil!
Não. Tu vais regressar, não há abertura para discussão.
Promete-me apenas uma coisa.
Tu não irás falar disto. Tu não irás escrever sobre isto.
Isto irá ser um segredo para sempre.
Porquê?
Nós não somos nada.
Sombras. O que nós fazemos não pode ser conhecido.
Promete-me.
Eu prometo!
Abra isso quando chegar.
"071 Lobo", aqui "Montanha".
"Montanha", aqui fala "Lobo". As suas ordens eram claras!
Porquê não vens no Falcon-1? Mas que raio estás a fazer, Veysel?
Senhor, nós entregámos a Ceyda.
Eles tiveram que sair mais cedo devido à tempestade que se aproxima.
Que tempestade, Veysel?
Senhor, pode consultar a minha equipa, um por um, só para ter a certeza.
Sargento-chefe Mustafa Sahin. Eu concordo com o meu comandante.
Primeiro-sargento Arif Sayar. Eu concordo, senhor.
Primeiro-tenente Oguz. O tempo está terrível, senhor.
Sargento Baybars Yãcel. Eu concordo, senhor.
Especialista Bekir Ãzbey. Igualmente, senhor.
Sargento-mor Eşref Ãtullu.
Vem aí uma tempestade, senhor.
Senhor, toda a equipa concorda.
Iremos voltar a tentar amanhã de manhã.
Veysel.
Às suas ordens, senhor.
Deterioração meteorológica registada. Ficamos em standby.
Que Deus os ajude a todos. Terminado.
Em 1950 nós costumávamos dizer, "turcos iraquianos".
Então de repente, fomos forçados a chamá-los de "homens turcos".
Para nós, terra a ser defendida, é terra onde o nosso povo vive.
Estes aldeões são o nosso povo.
- Eşref, tem-la contigo? - Sempre, senhor.
- Baybars? - Às suas ordens, senhor.
Vai, colocá-la no pico da aldeia.
Hoje, este sítio é a nossa pátria.
Isto não é um filme americano.
No último minuto o apoio aéreo não irá fazer desaparecer o inimigo.
Mustafá.
Está tudo aqui, senhor.
4 carregadores para cada espingarda.
Tenho dois rockets, para as emergências.
Posso montar C4 para detonação via rádio a partir de um intercomunicador.
A aldeia também tem alguma gasolina.
Se eu abrir as munições da DskH...
meto os projecteis nos bidons de gasolina e servem como estilhaços.
Muito bem. Divide toda a benzina e parafina de modo igual.
Oguz, explica.
Há duas rotas para entrar na aldeia.
O caminho da mesquita e o caminho da escola.
O caminho da mesquita é mais largo, mas há aqui um estreito.
Isto aqui é a junção. Os veículos devem atravessar por aqui.
Nós podemos usar isso.
Eu consigo montar uma "caixa da morte" com o C4.
Duas de cada lado da estrada.
- Irá tratar do assunto dos camiões. - E depois?
Nenhum dispositivo explosivo artesanal consegue matar 100 homens.
Nós vamos precisar de lutar homem-a-homem se escaparem.
Só desejava que tivéssemos um anjo da guarda.
Vamos enviar-te lá para cima.
Sempre quis ser um muezim quando era miúdo.
- Porque é que não foste? - Diziam que eu tinha uma voz horrível.
Se eles alcançam um lugar com visão telescópica, estou fodido.
Precisamos de alguém para manter a mesquita limpa.
- Boran, consegues fazer isso? - Diga morre e eu morrerei, senhor.
Como é que nos posicionamos, senhor?
Tu, Mustafá, Oguz e eu, somos a vanguarda.
Depois de cobrarmos a nossa taxa de baixas no engarrafamento,
vimos para aqui, para o ponto verde, ter contigo e o Mustafá.
"Cocktail à Babas".
“Cocktail à Yãcel”.
Molotov era o seu sobrenome.
Eles não podem nunca saber o nosso verdeiro número de homens.
Precisamos de alguém que dê voltas, e leve as munições a cada posição.
Comandante Veysel?
Deixe-me ajudar.
A batalha faz o guerreiro.
Deixe-me ajudar.
Sem misericórdia para aqueles que tentarem conquistar esta aldeia.
Vocês irão fazer todos os invasores rastejar.
Eles irão amaldiçoar o dia em que pisaram aqui.
Eles não terão medo da morte, eles irão ter medo de nós.
O flanco da aldeia é o único ponto fraco. Onde se encontra a escola.
Quantas munições te sobram?
300.
Vou ser poupado.
- Que lugar é aquele? - O depósito de carvão.
Tem um abrigo por baixo.
Tragam os civis que ficaram para aqui.
Se aquele lugar cair, a aldeia caí.
O último castelo.
Senhor. Aquilo não é o último castelo.
Somos nós.
Não importa o que aconteça, mantenham a porta fechada.
Senhor, por favor. A Ceyda foi-se. Se apenas o pudesse autorizar.
Mantenha a transmissão para eu poder ouvir.
Apenas as iniciais.
E não podes fazer perguntas.
Vai em frente então.
Bem, na altura ainda era um puto, com 15 ou 16 anos.
A inicial dela era um "E".
Ela era 3 ou 4 anos mais velha do que eu.
Vocês sabem como se olha para algo nojento e arrepiante?
Era como ela olhava para mim, como se fosse uma merda.
Na volta ela gostava de mim.
Então ela convidou-me para beber limonada.
Eu juro, que o que me lembro, é de abrir os olhos no quarto dela.
De alguma forma, aconteceu mesmo isso.
Durante 11 segundos.
“A”.
De Sarlyer.
Namorámos durante um ano.
Eu levei-a a um jantar romântico.
Ela estava muito assustada.
Como se eu a fosse deitar fora e não valesse nada depois de fazermos amor.
Mas não foi isso o que aconteceu.
Namorámos durante mais um ano e meio.
Então ela deixou-me.
A minha também era sobre uma namorada. “Z”.
E?
E isso é tudo o que precisas saber, novato.
Vai ser difícil ao sargento Mustafá recordar-se de coisas há 60 anos.
“F”.
Ela era cantora.
Uma cantora?
Numa taberna.
Conhecia no primeiro dia em que deixei de ser novato.
Ao ver o meu corte de cabelo, ela pensou que eu era um oficial.
Eu não disse que não.
Então um par de meses depois, arranjei toda a minha coragem...
e declarei-lhe o meu amor.
Meu Deus.
Eram os anos 80. Toda a gente era romântica.
“F” era uma mulher incrível.
Ela tinha seios do tamanho da minha cabeça.
Aquela mulher era uma estrela de cinema e uma diva juntas numa só.
Pergunto-me onde estará ela agora.
Eu tinha 19 anos.
Tinha uma namorada há dois anos.
Estávamos feitos um para o outro, nunca conseguíamos estar sozinhos.
Não consegui convencê-la a passar de uns apalpões.
Seja como for, ela tinha a sua melhor amiga.
Aquela rapariga convidou-me a ajudá-la nos trabalhos de casa.
“B”.
Ela seduziu-me um pouco.
Eu era um adolescente, por isso não consegui resistir.
Depois da minha namorada ter descoberto, correu-me com um pontapé no rabo.
Está a ver, senhor...
este canalha... devia ter sido eliminado.
O mais engraçado, é que elas ainda são grandes amigas.
Eu sou tipo clássico.
Sebahat. O meu primeiro e único amor.
Ela era uma beleza de Akãzaabat.
Casámo-nos um dia antes do destacamento.
Não podia esperar, já que me podia acontecer algo.
No dia a seguir, estava num comboio para o campo de Kerayan.
De repente uma RPG atingiu a roda traseira do nosso Unimog.
Dois morreram imediatamente.
Balas de PKM a voarem por todos os lados.
Então eu apercebi-me, estava a tremer.
Pensei que nunca mais voltaria a ver a Sebahat.
Aceitei isso. Vocês sabem, pensamos sempre, que "nada me vai acontecer".
Este foi o momento em que isso terminou para mim.
Um sargento com estilhaços no queixo, gritou para que nos mantivéssemos calmos.
Ele pôs uma cassete e música rock começou a tocar no veículo.
Lá fora os ricochetes acompanhavam a música.
De repente comecei a gostar daquilo.
Apercebi-me de que provavelmente tinha enlouquecido.
Tu eras um miúdo na época de Eşref.
Francamente, senhor, ainda contínuo a ter a mesma sensação.
Só que agora, nunca tremo.
Irei encontrar a Sebahat mesmo que morra.
Inimigo à vista! Está na hora, cavalheiros.
Arif, fala comigo.
Batalhão.
200, mais uns trocos. 8 Toyotas Hiluxes, tácticas.
E um Abrams.
Abrams?
Mais boas notícias.
- Como é a formação? - Duas colunas, senhor.
Infantaria à frente e na retaguarda. Tipicamente à Saddam.
Cinco minutos.
O medo é bom. Faz-te correr mais rápido.
Eles têm um tanque!
Mas nós temos um Bekir.
Eşref, faz o que tu fazes melhor.
E se ficares exposto, fica a saber que eu cuido de ti.
- Bekir? - Pronto, senhor.
Venham todos.
Põe isto.
Isto pára uma bala, senhor?
Não. Mas irá parar ricochetes.
Protege-te. Além.
Eles estão a aproximar-se do corredor.
Arif, põe-te em posição.
Os bravos morrem uma vez, os cobardes mil.
Os bravos morrem uma vez, os cobardes mil.
Canal 4. Quando o pressionares.
Um. Dois.
Três.
Quatro.
Agora.
Por quê gritar numa montanha?
Para desafiar o destino.
Flancos!
Mexe-te!
Baybars! Não conseguimos segurar este tanque!
Corre para o corredor!
Boran, prepara-te!
Arif, eles estão a passar!
Bekir, recua! Fogo de cobertura!
Estás a portar-te bem.
Usa o comunicador. Diz que a mesquita está segura.
Diz isso como nós.
A mesquita está segura.
Tu outra vez?
Nem sequer posso morrer sozinho?
- Dois. - Dois.
Dois.
Baybars, onde está o meu lança-rockets?
Doces rosas desabrochadas.
Para que as abelhas as saboreiem.
Rosas presas ao peito.
Para murcharem com o tempo.
Arif.
Arif, desce!
Carrega!
Arif, mexe-te!
- Arif, vem para cá, Arif. - Eles estão dentro da aldeia, senhor.
Arif, temos que ir para o último castelo. Desce.
Senhor. O flanco está a ceder.
No nosso caminho, Baybars.
Pessoal, recuem. Nós estamos mesmo atrás de vocês!
Senhor, tenho de lhe dar cobertura.
- Mustafa. - Senhor.
No outro dia o meu filho perguntou-me, "Pai, tu és um herói?".
O que é que tu disseste?
Eu disse-lhe que não era...
mas que servia às ordens de um.
Vá!
Os humanos crescem desde o berço.
Para deitados dormirem na sepultura.
Cobre-me!
Arif, quantos vês tu?
Dez, senhor.
Nove.
Arif, tu conheces o meu filho, Rãzgar.
Claro que conheço, senhor. Bonito como o pai.
O Arif, comandante!
Boran!
- Aguenta-te aí, companheiro! - Estou bem, senhor.
Rãzgar.
Ele será o meu pupilo, senhor!
Heróis que alegremente caem.
Para protegerem a sua pátria.
Um morre, mil nascem!
Arif, relatório da situação.
Aqui, Eşref, senhor.
O Boran...
- O Boran o quê? - Ele está gravemente ferido.
Saiam daí imediatamente.
- Tragam o Arif e os outros. - Sim, senhor.
Bekir?
Obrigado.
O quê, porquê?
Simplesmente obrigado.
Não costumo fazer isto, fala-barato.
De ti esperaria lições parvas de história.
Hunos, Itiopes, Hititas e essas coisas.
- Etíopes. - O quê?
O nome deles é Etíopes.
Isso é de mais, mesmo para a porra do teu feitio.
Vamos.
- Eşref! - Eşref!
Eşref!
Eşref!
Não.
De onde é que veio?
Escudo.
O quê?
Faz-me de mim o teu escudo.
Eşref, não te vou deixar aqui.
Não consigo sentir as pernas. Usa a cabeça, Arif.
Faz de mim o teu escudo.
Vamos.
Às 4 horas.
Diz à Sebahat.
Eu sei, tu irás encontrá-la.
Estás entusiasmado, Bekir?
Sim senhor, principalmente porque vou ter barba depois de hoje.
Tu já conheces o Baybars, o teu colega de curso.
Todos podem fazer o que querem em MAK 8.
Mas também temos especialistas entre nós.
O Arif é o nosso atirador, o Baybars é o das armas pesadas.
Earman é o da infiltração.
Porque é que eles te chamam Earman?
Se o Eşref gostar de ti, talvez um dia te conte a história, Bekir.
Não te preocupes, ninguém gosta dele.
Senhor?
Porque é que dobramos os para-quedas uns dos outros?
De modo a que tu te lembres.
Nenhum homem é responsável apenas por si.
Nós tomamos sempre conta uns dos outros primeiro.
Prontos?
Enrolaste-o como deve ser?
Não me recordo lá muito bem.
Eşref?
Senhor, eles estão a cercar-nos.
Todos a recarregar.
Último!
Último.
Último.
Nabat, eu ajudo-te a chegar ao abrigo.
A batalha faz o guerreiro, comandante.
Oguz, acorda. Oguz!
Bekir!
Um. Um, dois, três.
Não!
Senhor!
Senhor.
Senhor!
Eu tinha uma filha, Ceyda.
Se ela fosse viva, iria querer que ela fosse como tu.
Com coração, conhecimento, rebeldia.
Querê-la-ia a criticar o país e os militares.
O Estado e também as pessoas.
Querê-la-ia a revelar os nossos defeitos.
Durante tanto tempo enquanto ela o amasse.
Amor pelo país e todos os seus defeitos.
Se tu queres honrar-nos...
só tens que amar, Ceyda.
Recordem as coisas boas...
as nossas brincadeiras...
a camaradagem e as gargalhadas.
Recordem o jogo de futebol.
Bekir.
Diz-lhes que a minha última ordem foi para recolherem os aldeões.
Eles não irão recusar-lhes isso.
Oguz.
Não esqueças.
A razão...
não a esqueças.
Nós traçamos todos os planos vindos do Quartel-General, senhor.
Normalmente eles pedem um resgate, mas agora não.
A Ceyda colocou o “yezidi” nas notícias...
e eles irão executá-la.
Vão levar pelo menos uma semana para irem do sul de Raqqa até à montanha.
Temos de dar bom uso a essa semana.
Porque vamos salvar esta mulher?
Ela uma jornalista que fez a sua carreira a criticar-nos.
Sendo turca costumava fazer algum sentido.
- Ainda faz, senhor. - Faz?
Faz, ainda?
Eles iriam decapitar uma mulher turca e gravar isso em vídeo.
O mundo iria assistir.
Acima de todas as dúvidas, nós soldados temos um dever moral.
Colocar as nossas vidas em risco, pelo benefício
do nosso povo e de lutarmos por ele contra qualquer inimigo.
Ela pode odiar-nos...
ou amar-nos, isso não faz diferença. O nosso dever é para com o povo Turco.
Essa responsabilidade é a razão da nossa existência.
É devido a isso que vocês irão connosco.
Cavalheiros.
Esta é vossa primeira operação MAK 8.
Chegou a altura.
De facto, chegou.
Tempo para deixar viver.
Senhor, passe!
- Vai com ela. - Vai lá, Oguz!
- Penalti! - Não, não foi nada.
- O que aconteceu? - Penalti.
Que penalti, senhor?
Bekir, não ofendas um oficial superior.
Senhor, isto aqui é pressionar usando a patente.
Eu também costumava ser um civil!
Senhor, já nos deu este meio aleijado...
Se vão todos continuar assim, vamos mas é parar de jogar.
Tu até tens o Baybars como guarda-redes.
Pobres oficiais, estão tristes.
Está tudo bem, senhor. Ganhe o jogo.
Habitua-te a como são os oficiais, Bekir.
Eles têm a vida facilitada.
- Também tu, Brutus? - Não o tinha visto aqui, senhor!
Bem, isto tinha que parar.
Vou formar a MAK 11. Só com não-oficiais!
Vá lá, mexam-se!
Nós ainda vamos ganhar isto!
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