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- Bom dia, Excel�ncia. - Bom dia, Monsenhor.
- Alfeo. - Stefano.
Todo mundo ficou chocado com a minha chegada.
Acham que estou tentando roubar seu show.
Voc� ajudou a faz�-lo.
Pensei que n�o fosse v�-lo at� a cerim�nia na S�o Pedro.
N�o estarei l�.
Vou para Vars�via hoje � noite para me reunir com os Cardeais de Viena.
N�o retornarei at� depois da sua ida � Am�rica.
Ent�o quero aproveitar a oportunidade para lhe dizer...
bem, nada, na realidade...
s� queria dar uma olhada na escola e v�-lo...
E sair daqui sem que ningu�m perceba.
Que bom que decidiu colocar o protocolo de lado.
Eu ficaria triste se eu n�o o tivesse visto.
- Especialmente diante da situa��o atual. - �.
A Pol�nia parece ser o pr�ximo alvo de Hitler.
Mais uma vez, talvez tenhamos uma guerra para nos separar.
Deus o aben�oe, Stefano.
Padre Fermoyle.
Vossa Excel�ncia.
� um dia de gl�ria, Stefano...
apesar de n�o querer pensar no fato que pode
ser muito tempo antes de v�-lo novamente.
N�o sei quando vou poder voltar para Roma...
mas talvez voc� v� a Boston um dia ou a Nova lorque.
� poss�vel, quando esta guerra terminar.
Tenho mais chances de viajar nesta nova posi��o no Vaticano...
do que quando estava lecionando no semin�rio.
Mas, vai voltar para Roma.
A maioria dos padres paroquiais n�o t�m chance de voltar.
Voc� n�o ser� como a maioria dos padres paroquiais.
J� li seus novos cap�tulos.
Como sempre, acho que s�o espl�ndidos, mas como sempre...
isso n�o impediu que eu escrevesse
muitas p�ginas de anota��es, tanto quanto o manuscrito.
- Tem que terminar seu livro, Stefano. - Pretendo fazer isso.
S� espero que o lugar onde me enviarem,
esteja perto de uma biblioteca decente.
Vai achar uma, at� na Am�rica.
Durante os anos...
tive poucos alunos com talentos t�o especiais quanto os seus.
N�o somente na parte acad�mica.
Eu observei a forma que voc� trata as pessoas.
At� observei como me trata.
Se notou, ent�o n�o foi com muita habilidade.
Tenho um poder de observa��o incomum.
Falando s�rio, Stefano, espero grandes coisas de voc�.
Tem uma mente brilhante, e uma forma de enfrentar a vida...
que �, bem, romana.
Vossa Excel�ncia n�o podia escolher uma palavra que me elogiasse tanto.
Mas voc� tem uma determina��o que s� pode ser chamada de americana.
� uma boa mistura.
Precisamos desta determina��o aqui.
Precisamos dela agora, nesta guerra...
para que o 'Kaiser' e seus aliados sejam derrotados.
Acha que vai acontecer assim, a Am�rica se juntar aos aliados?
Sendo Italiano, espero que sim, mas...
o que uma na��o far� � dif�cil prever.
Mesmo para um membro do Grupo Diplom�tico do Vaticano?
Ainda hoje sou professor...
e fa�o previs�es somente sobre meus alunos.
Sabe o anel que uso?
Este tamb�m foi criado por Docettiano,
nos grandes dias de Floren�a.
Tr�s vezes em tr�s s�culos...
houve dois bispos da fam�lia Quarenghi que o usaram na mesma �poca.
Mas quando meu irm�o faleceu...
foi o fim da tradi��o.
Quero que voc� fique com este anel, Stefano.
N�o posso.
Um anel de bispo?
N�o para usar agora.
Para o futuro, quando for bispo.
Guarde-o para esse dia.
Ele est� ali! Steve!
- Est� vendo-o? - Steve!
Certo, Padre, pode ir.
Florrie.
Ol�, Frank.
Monie!
� minha irm�zinha, de fato?
Notou algo de diferente?
Como padre, acho que devo dizer, n�o...
mas n�o devo mentir tamb�m.
Onde est� o papai?
Ouvi dizer que o clero viaja de gra�a no carro de Dennis Fermoyle.
� mesmo?
De jeito nenhum!
Steve!
Oi, pai.
Veja como est� agora!
Rijo como uma t�bua, naquele lindo terno da It�lia.
N�o importa, logo vamos tirar a goma romana desta sua gola!
Papai j� falou com seu grande amigo Monsenhor Monaghan.
"N�o facilite as coisas para meu filho," disse papai...
"n�o ser� bom para seu car�ter."
N�o disse nada disto.
Papai o fez jurar que n�o ia promov�-lo para bispo no primeiro dia.
Mas vai ser, n�o �?
Ele n�o pode evitar isso.
� quase imposs�vel se tornar cardeal, se n�o for primeiro bispo.
Agora v�o pagar suas passagens, todos.
N�o sou pol�tico que cuida dos seus.
N�o v�o ter favores do seu pai na cidade de Boston.
Como o gesso e madeira novos combinam com os antigos.
Todos comentam, Corny.
E o que voc� diz?
A obra foi realizada pela Empresa de Constru��o de Corn�lio J. Deegan,
como doa��o � par�quia.
�timo, Monsenhor...
mas vou deixar uns cart�es de visita para a pr�xima vez.
V�o lembrar do nome melhor, se for escrito.
Obrigado.
Deixe comigo, v�o parar nos bolsos certos!
Fa�a isso.
Estava esquecendo de falar da campanha para um novo sistema de aquecimento.
J� falou.
Vai colocar uma lista dos que contribu�ram, sem d�vida.
Ent�o tenho que dar o que as pessoas esperam de um cavaleiro do Papa.
N�o sei se sabe, Stephen, recebi um t�tulo do Papa.
Cavaleiros de Malta.
Sim, meu pai escreveu sobre isso.
Foi? E como est� o velho Din?
Suponho que esteja de peito cheio, deve estar muito orgulhoso de voc�.
D� lembran�as para ele, certo?
Diga para ele que ainda estou com saudades dos velhos tempos...
antes de ser rico suficiente para me tornar o menino de cabelos brancos desta par�quia.
Olhe o valor!
Levantar fundos � uma parte
necess�ria na administra��o da par�quia, eu acho.
Se todo este treinamento sofisticado n�o incluiu
como lidar com milion�rios...
O que � que est�o lhe ensinando?
Eu me especializei na hist�ria eclesi�stica...
o per�odo da Reforma, e o que aconteceu antes...
o que me for�ou a aprender alem�o como tamb�m italiano, � claro.
Tanto alem�o quanto italiano, �?
Sim, na realidade, estou escrevendo um livro sobre as causas da Reforma...
e o Conselho de Trento e a Contrarreforma.
Conselho de Trento?
Acho que os homens da Igreja na �poca...
foram tardios em reconhecer tanto o crescimento do nacionalismo...
quanto o desenvolvimento do racioc�nio cient�fico, e isso acelerou a Reforma.
Foi isso que a causou, n�o foi?
� claro, que nada nunca � t�o simples ou direto, mas...
N�o concordo, Padre.
Permita-me dar um exemplo.
O ano � 1917, e esta � a cidade de Boston.
Boston, n�o Roma.
Entende a diferen�a?
Essa � a Igreja de S�o Jo�o...
e voc� � o novo p�roco auxiliar aqui.
Todos s�o fatos simples e diretos, n�o s�o?
S�o sim, Monsenhor.
Imagino que durante sua educa��o eloquente
nunca dirigiu um carrinho de leite.
- N�o. - Eu sim, quando menino,
aprendi a reconhecer de longe um cavalo bom para um cavalo que puxa leite.
Est� me entendendo, Padre?
� um cavalo que puxa leite que quero para p�roco auxiliar, Padre.
N�o precisamos de cavalos de corrida na S�o Jo�o.
O Monsenhor...
� um homem e tanto, n�o �?
Sim, � um gerente e tanto tamb�m.
N�o o chamam de 'Z� do Dinheiro', por nada.
N�o encontrar� ningu�m como ele em Roma.
- N�o. - Ent�o, qual voc� quer ser?
Um historiador ou diplomata como seu amigo romano...
Bispo Quarenghi.
Ou um padre bom, como Bill Monaghan?
Ambos.
Mas se tivesse que escolher apenas um?
Um bom padre.
O melhor padre do mundo?
O melhor padre do mundo.
E como espera realizar isso...
quando j� est� cometendo o pecado de orgulho simplesmente ao pensar nisto?
Frank, pare com este barulho!
N�o se satisfaz...
tocando nas salas de cinema da Pra�a de Scully...
at�, s� Deus sabe, que horas da noite?
N�o se preocupe comigo, pai. Durmo o suficiente durante o dia.
Steve, escute esta. � nova.
O jantar est� pronto.
N�o vamos esperar pela Mona?
Deve chegar da biblioteca a qualquer momento.
Da biblioteca?
Ela lhe disse que estava indo para l�?
O que quer dizer, Florrie?
Quero dizer que � mais prov�vel que ela tenha sa�do com Ikie Rampbell.
O nome dele n�o � Ikie, � Benny.
Que diferen�a faz?
H� muitos meninos cat�licos nesta par�quia...
n�o precisa andar com um catador de lixo judeu.
Ele n�o � catador de lixo.
Est� estudando para ser dentista.
Mas ainda � judeu.
Estou cansada de sempre fazer todo o trabalho por aqui...
enquanto ela sai com o namorado ilustre dela.
Acha melhor n�o ter nenhum namorado?
Vagabunda!
Pode ir falar com Mona, Steve?
Sempre teve um jeito especial de lidar com ela.
Sim, fale com a Mona, Steve.
Vou falar com a Florrie.
Monie?
Sou eu, Steve.
Monie.
Me d� um abra�o.
Lembra dos abra�os de urso que me dava...
e quando descia na Crescent Hill com voc� com os meus patins, lembra?
Antes de come�ar, eu lhe ensinava como se segurar em mim...
e dizia...
"O que quer que aconte�a, segure-se em mim."
E voc� dizia, "Vou segurar, Steve."
O que eu vou fazer?
Estou apaixonada pelo Benny.
Quero me casar com ele.
Ele j� pediu?
J�.
Pedi que ele esperasse.
N�o vai esperar para sempre.
H� diferen�a na f� de voc�s. Isso n�o importa?
S� importa para voc�, Steve.
Isso importa?
Eu gostaria de conhecer o Benny.
Pode lev�-lo para a reitoria um dia?
Estou t�o feliz que esteja de volta.
Vai resolver tudo!
Estou t�o contente que esteja em casa.
- Padre, apostei. - Em qu�?
Chick diz que somente os cat�licos v�o para o c�u.
Todo mundo sabe que os protestantes n�o podem ir para o c�u.
Por que os protestantes n�o podem ir para o c�u?
Algu�m tem uma resposta?
- Padre! - Padre!
Porque n�o s�o cat�licos.
Isso soa correto para voc�s?
Ele est� certo!
Est�o todos errados.
A Igreja Cat�lica ensina que � poss�vel para qualquer um...
seja protestante, mu�ulmano, judeu...
qualquer um que faz a vontade de Deus, segundo
sua pr�pria consci�ncia, ir� para o c�u.
Ent�o, o que adianta se esfor�ar tanto para ser cat�lico?
Sim, Padre, o que adianta?
Vamos falar sobre isso no pr�ximo domingo.
Acho que falamos bastante para hoje.
Steve.
Este � Benny Rampbell.
- Como vai, Benny? - Como vai, Padre?
O menino fez uma coloca��o interessante, n�o acha?
J� pensou em se tornar cat�lico?
Sabe...
meus pais n�o est�o muito felizes com a
ideia de eu me casar com uma crist� tamb�m.
N�o poder�amos nos casar, e depois tentar converter um a outro?
N�o, n�o pode.
Para a Mona casar com voc�, de in�cio, ela precisaria de permiss�o especial...
e voc� teria que assinar um juramento para n�o
interferir com a pr�tica da religi�o dela...
e educar seus filhos como cat�licos.
N�o est� tratando as duas coisas com igualdade, n�o �?
Seria hip�crita se trat�ssemos.
Por acaso, acreditamos que nossa igreja � a �nica verdadeira igreja.
Se for certo, suas regras fazem sentido.
Que bom que pense assim.
Se estiver certo, uma pessoa seria tola se n�o se convertesse.
Faria isso, Benny?
Steve, amo a sua irm�.
Quero me casar com ela.
Ent�o, se me tornar cat�lico ir� facilitar,
vou tentar.
Benny, te amo!
- Steve, conseguiu! - Ainda n�o conseguiu.
Ter� que trabalhar muito.
Nada de est�rias de escola dominical para mim.
Estou at� aqui com o que voc� chama de enganosas trevas.
Vamos fazer o m�ximo para acender a luz.
Mas Darwin n�o derrubou tudo em G�neses?
Se conseguiu fazer isso por n�s, fez para a f� dos judeus tamb�m.
Escute, se eu fosse um bom judeu, n�o estaria aqui.
N�o entendo como algu�m pode comparar estas coisas de Ad�o e Eva com a evolu��o.
Por que n�o?
Boa tarde, Monsenhor.
- Padre. Benny. - Boa tarde, Senhor.
- Como est�o as coisas? - Tudo bem, eu acho.
Continuem, n�o quero atrapalhar.
O Padre Fermoyle estava lhe perguntando 'Por que n�o? '
Porque s�o mutuamente exclusivos.
N�o s�o, se separar o que � essencial na B�blia,
aquilo que afeta os assuntos da f� dos nomes,
e detalhes f�sicos que n�o t�m que ser entendidos literalmente.
O dogma � que h� um casal, os primeiros pais,
atrav�s do qual toda a humanidade veio existir.
Esta verdade permanece...
se a evolu��o foi, ou n�o, o m�todo que Deus escolheu para cri�-los.
Venho trabalhando numa quest�o semelhante que surgiu quando...
Cop�rnico e Galileu...
fizeram suas descobertas sobre a mec�nica do universo.
O que �?
� um livro que estou escrevendo...
No meu tempo livre.
Usei uma cita��o sobre o assunto, do meu professor, Bispo Quarenghi.
Por que n�o disse isso desde o in�cio?
Agora est� tudo bem claro.
A B�blia ensina n�o como funciona o Para�so...
e sim, como ir ao Para�so.
Uma frase bonita, Padre...
mas n�o est� fugindo da instru��o tradicional?
- O Benny � dif�cil. - N�o h� nada dif�cil nisto.
Em resumo, a longo prazo, Benny...
� f�.
Tem que ter f�.
Infelizmente, parece que ela n�o � contagiosa.
O que est� acontecendo l� fora?
O que houve, Padre Lyons?
Um milagre, creio eu.
H� sangue pingando da est�tua, do seu cora��o.
Aquela mo�a, Elena, uma das novas imigrantes italianas.
Seu marido foi esfaqueado ontem.
Ele estava morrendo quando o levaram ao hospital.
Ela veio aqui e rezou para a M�e Bendita salv�-lo.
Acendeu uma vela diante da est�tua.
Voltou ao hospital...
e seu marido estava sentado na cama, pedindo massa para comer.
V� ali, r�pido!
Fale em italiano, mas pelo amor de Deus, coloque-os para fora da igreja.
Filhos da milagrosa Rainha dos C�us...
rezemos.
Vamos cobrir a Virgem Bendita com flores.
Vamos cobri-la com flores...
das suas litanias.
Senhor, tende piedade de n�s.
Senhor, tende piedade de n�s. Cristo, escute a nossa prece.
Trindade Santa, um �nico Deus.
O Filho, Deus, Redentor do mundo.
Esp�rito Santo, v�s sois Deus.
Ele tem um jeito especial com o povo.
Sagrada M�e de Deus.
Reze por n�s.
O milagre do cano de aquecimento furado...
oferecido pela Empresa de Constru��o de Corn�lio J. Deegan.
E pensei que fosse um esfor�o especial para que me convertesse.
Ser� um choque para este povo quando souberem a verdade.
Talvez n�o saber�o.
N�o vai dizer para eles?
N�o � minha a decis�o.
Vamos.
Relato o que descobrimos ao Monsenhor Monaghan.
Ele o relata ao gabinete do Cardeal Glennon.
No fim, o Cardeal mesmo vai decidir o que diremos para eles.
O que voc� acha que vai dizer?
Provavelmente vai mandar consertar o cano e deixar a confus�o passar.
Mas se n�o disser a verdade ser� fraude.
Qual � a verdade?
Que o cano de aquecimento vaza.
� apenas um fato, Benny.
Como o sol est� no centro do sistema solar.
Os fatos s�o apenas partes pequenas de uma verdade muito maior.
F�?
F�.
As pessoas veem o sangue saindo do cora��o de uma est�tua.
Creem que Deus fez isso.
- Mas Ele n�o o fez. - Fez sim.
Deus � a primeira causa de tudo.
Ele fez o cano vazar.
Pelo tamanho da ferrugem, Ele est�
trabalhando neste truque por algum tempo.
Desde a eternidade.
- Frank. - Boa festa.
Como est� indo?
At� agora, conheci os Flynns, os Foleys e os Flahertys...
os Deegans, os Doogans...
os O'Connors, O'Neals, McMahons, e todo a tribo dos O'Toole.
Parece uma m�sica de Frank.
Depois dos irlandeses, os alem�es ser�o muito f�ceis.
Vai enfrentar a guerra normalmente, um dia de cada vez.
Menos um problema com o qual voc� pode me ajudar.
Deus est� de qual lado?
Ele � ingl�s, franc�s, alem�o...
ou americano?
Pode escolher - todos dizem que � de seu pa�s.
- Feliz? - Nunca estive t�o feliz na vida.
Quer conhecer os Rampbells?
Quero, muito.
M�e, pai...
Gostaria de apresentar o irm�o da Mona, Padre Steve.
- Como v�o, Sr. e Sra. Rampbell? - Ol�.
Sinto muito. N�o h� nada mais solit�rio do que estar numa multid�o de desconhecidos.
Nem totalmente desconhecidos, Padre.
H� v�rios homens aqui com os quais fa�o neg�cios h� anos,
inclusive nosso anfitri�o.
Claro, nunca me convidaram para sua casa at� agora.
Nem os convidou para sua casa.
Nem os convidei para a nossa, � verdade.
Certo, irlandeses, sil�ncio agora, por favor.
Quero propor um brinde...
a Mona Fermoyle e a seu soldado.
Est�o ali!
Se n�o o conheceram ainda,
o nome do rapaz � Benny Rampbell.
N�o deixem o nome perturb�-los.
Temos uma fonte confi�vel...
que logo ser� um nome cat�lico.
Assim que isso acontecer, e tenho uma fonte confi�vel tamb�m...
que este bom nome cat�lico ser� o nome da Mona.
Que dizem?
Vamos acrescentar um 'O' no in�cio...
e tornar toda a fam�lia, irlandeses honor�ficos.
Agora sabemos a resposta!
Deus � irland�s.
Vamos.
Aben�oe-me, Padre, pois pequei.
Faz uma semana desde a �ltima confiss�o.
Estes s�o meus pecados.
Continue.
Dormi com um homem.
� noiva desse homem?
Sou.
N�o podia esperar at� se casarem?
Steve, voc� n�o o convenceu.
Benny n�o vai se tornar cat�lico.
Pensei...
se fiz�ssemos amor...
talvez eu pudesse convenc�-lo a mudar de ideia.
- Steve, estou infeliz. - Oh, Monie.
Por favor, ajude-me.
Ele concordaria em deixar seus filhos serem educados como cat�licos?
N�o.
Disse que n�o � justo.
Ele s� vai casar comigo se eu o aceitar do jeito que �.
Ent�o n�o podem se casar.
Ele diz, "Vamos deixar toda a religi�o fora disso...
e casar no civil."
N�o seria um casamento. Estaria vivendo em pecado mortal.
E qual � a minha op��o?
Por que voc� acha que vim aqui?
Quero que me diga o que devo fazer.
Por mais dif�cil que seja, tem que deix�-lo.
� s� isso que tem para dizer?
Tem que parar de ter rela��es il�citas imediatamente.
- Steve. - Padre.
Sou eu.
E sou padre.
O que fez foi imoral e baixo.
N�o foi baixo.
Eu o amo.
Isso � pecado?
Se n�o for subordinado a um amor mais alto, o amor de Deus, � sim.
Steve, voc� me disse para segurar.
Estou tentando segurar.
Ajude-me.
Por favor, ajude-me.
Benny vai para o exterior em breve. Ficar� fora por muito tempo.
H� um ditado em italiano:
"O amor faz o tempo passar, o tempo faz o amor passar."
Por este e outros pecados que cometi, pe�o perd�o.
Sua penit�ncia, � rezar 3 ros�rios. Agora fa�a um bom ato de contri��o.
Deus meu, estou arrependida de cora��o porque O ofendi.
E uma resolu��o firme para n�o pecar mais.
N�o posso fazer isso!
Tem que fazer.
- Eu n�o devia ter vindo aqui. - Mona.
O Cardeal Glennon pode v�-lo agora, Padre.
Boa tarde, Padre Fermoyle.
Vossa Emin�ncia.
Tiro o anel pelo Bach.
Todo dia ensaio por uma hora. Os funcion�rios me encorajam.
Pode ser que odeiem m�sica e gostem de ouvir o que fa�o com ela.
Ou talvez aprenderam que quanto mais bato no piano, menos bato neles.
Provavelmente t�m raz�o.
N�o ia chamar isso de bater, Vossa Emin�ncia. Toca muito bem.
As varia��es de Goldberg s�o um desafio para o amador.
Mas Vossa Emin�ncia estava tocando a Fantasia Crom�tica, n�o �?
Quando algu�m me elogia como m�sico, tenho que saber se entende de m�sica.
N�o estou tentando peg�-lo. N�o � minha inten��o.
N�o �?
N�o, � devido � minha fraqueza infernal pela adula��o.
Fermoyle, sou incorrigivelmente vaidoso...
n�o com charmes pessoais...
mas com certas realiza��es...
que n�o t�m nada a ver com minha fun��o como padre.
Devido a esta falha no meu car�ter, sempre tenho que estar me vigiando.
N�o somente pelo amor da minha alma, e sim pela sua.
J� li seu livro.
N�o sou historiador, mas me parece uma abordagem compreensiva do assunto.
Obrigado.
Por que o enviou para mim?
Porque o Bispo Quarenghi gostou muito dele e achou...
- Quarenghi, do Vaticano. - Sim.
Achou que o pr�ximo passo seria conseguir sua permiss�o para public�-lo.
Quarenghi leu seu livro?
Leu. Ele at� me ajudou com a maior parte.
Foi amigo �ntimo deste Bispo Quarenghi?
Foi meu professor. Eu o admiro muito.
Ele est� no gabinete do Secret�rio de Estado?
Est�, � o assistente do Cardeal Giacobbi.
Giacobbi, cuja paix�o na vida � manter o Sant�ssimo Padre...
longe de contatos com n�o-italianos que poderiam contamin�-lo.
O Cardeal Giacobbi teria v�rios motivos para gostar do seu livro.
Acho que n�o entendo...
Trata-se de uma �poca quando o hemisf�rio ocidental...
n�o tinha, ou quase n�o tinha signific�ncia eclesi�stica.
Diga-me, por que o escreveu?
- Por qu�? - Sim, Por qu�? Por qual raz�o?
- O que voc� pensava em ganhar? - Eu n�o esperava ganhar...
Fama?
- N�o, foi que... - Prest�gio em Roma?
O assunto me interessa...
Um emprego no Vaticano com o Secret�rio de Estado...
perto dos seus amigos italianos?
Foi um campo que n�o foi dada aten��o e...
Vamos. Examine seus motivos. � um padre ambicioso.
Reconhe�o todos os sintomas.
Acha que � bom demais para trabalhar numa par�quia.
Nunca disse isso.
N�o acha que est� sendo desperdi�ado aqui?
Seus dons lingu�sticos...
de excel�ncia acad�mica, sua diplomacia...
Tudo � desperdi�ado na S�o Jo�o. Admita isso.
N�o, Vossa Emin�ncia.
- A verdade. - Servirei aonde for enviado.
Padre Fermoyle, acha que h� mais dentro de voc�...
do que ser um padre de par�quia?
A verdade.
� claro que sim.
Quis a verdade, Vossa Emin�ncia.
Ambi��o � uma doen�a em qualquer homem. Num padre, pode ser fatal.
Mas na sua idade, ainda pode ser curado.
Vamos come�ar seu tratamento imediatamente.
Um clima frio, dieta simples.
Stonebury. Perfeito.
Stonebury ser� seu sanat�rio espiritual.
Agora � o p�roco auxiliar em Stonebury.
A igreja da par�quia chama-se S�o Pedro, sem ironia.
Vai ajudar o Padre Halley.
Verdadeiramente um homem not�vel.
Como pastor � um total fracasso, mas...
mas como homem, n�o tem vaidade...
ambi��o.
Pode aprender humildade com ele.
Adeus, Padre Fermoyle.
Steve!
Onde voc� estava? Onde est�o papai e os outros?
Tentei contat�-lo antes de sair da S�o Jo�o.
- O que foi? - Viu a Mona?
- N�o. - Algum recado dela?
- N�o. - Ela partiu.
Ela n�o veio para casa ontem � noite. N�o sabemos onde est�.
Com Benny?
N�o, o regimento dele viajou para o exterior ontem.
Avise-me o momento que souber de qualquer coisa.
Mande um telegrama para Stonebury.
Ligue-me. Diga para mam�e e papai n�o se preocuparem.
- Padre Fermoyle? - Sim.
Bonjour, Padre.
Suba.
O Padre Halley mandou-me busc�-lo.
Eu, Hercule Menton.
� um prazer conhec�-lo, Hercule.
Padre Halley.
Padre Fermoyle.
Desculpe por n�o lhe buscar.
Fiquei contente que algu�m tenha ido me buscar. Obrigado.
- Sabe preparar uma boa fogueira. - Eu ia preparar um ch�.
�timo, vou s� tirar isso.
- Deixe-me ajudar com o casaco. - Obrigado.
N�o estou acostumado a ter visitas.
Deve pedir que eles enviem um p�roco auxiliar para c�.
Acho que j� recebi favores demais de Sua Emin�ncia.
Al�m disso, quase n�o h� dinheiro suficiente para sustentar um padre,
quanto mais dois.
As coisas v�o melhorar agora que voc� chegou.
Uma oferta notavelmente boa neste domingo.
Uma tonelada para a S�o Pedro.
U$1.85.
Amanh� vamos comprar caf� para comemorar...
sua chegada com uma festa.
O que foi?
Nada.
Devia estar na cama.
Vai passar, sempre passa.
- Padre, est� doente. - N�o estou doente.
Sente-se.
Vamos tomar ch� e p�o. Vou ficar bem.
- Com um pouco de peixe. - N�o, obrigado. P�o � suficiente.
Sempre como a refei��o principal ao meio dia.
- Quer o peixe? - N�o, obrigado.
Pela manh� vou lhe mostrar a par�quia.
Por que n�o descansa amanh�? Posso me virar sozinho.
Nos aben�oe...
e estes vossos presentes, os quais vamos receber da vossa plenitude
por Cristo, nosso Senhor...
Am�m.
Padre, insisto que coma o peixe.
Deve estar com fome depois da longa viagem.
Padre Fermoyle.
- Bom dia, Hercule. - Bom dia, Padre.
- Como est�? - Entre, entre.
Minha filha, Lalage.
- Ol�, Padre. - Ol�, Lalage.
- Seja bem-vindo. - Obrigado.
- Como est� o Padre Halley? - N�o est� bem, infelizmente.
Estou feliz que mandaram algu�m para ajud�-lo.
Esta � a minha esposa, Adele.
Pode ficar e tomar caf� conosco, Padre?
N�o se preocupe, h� muita comida.
N�o, obrigado. Acho que devo voltar para Padre Halley.
Espere...
Padre Halley precisa de uma refei��o quente.
Isso vai fazer voc� sentir-se melhor.
H� quanto tempo tem estas crises?
Muito tempo?
O que o m�dico diz?
Bem, ele...
- J� foi ao m�dico, n�o �? - Sim. N�o.
Ele disse que n�o podia diagnosticar o problema.
Disse que eu teria que ir para o hospital
por uma semana para fazer uma bateria de exames.
E?
N�o temos dinheiro para isso.
O diocesano tem dinheiro.
N�o, n�o posso pedir a ele.
Mas est� doente.
Sua Emin�ncia n�o pode saber. Ele n�o pode saber que estou doente.
Cardeal Glennon? Por que n�o?
Bem, sabe...
ele me deu minha primeira par�quia...
S�o Anselmo em Stowe.
Era uma igreja pequena com uma hipoteca grande.
N�o consegui levant�-la.
Ele me mandou para Needham.
Era uma par�quia pr�spera.
Tinha dinheiro no banco.
Deixei a Needham endividada.
Sua Emin�ncia me avisou.
E depois me enviou para
Malden, Ipsfield...
sempre um lugar mais baixo aos olhos dele.
N�o h� mais gra�a aos olhos dele para mim agora.
Ele est� desapontado comigo.
N�o pode saber que...
falhei de novo.
Padre Fermoyle, seu irm�o ligou para a loja...
e disse para ir a Boston o mais r�pido poss�vel.
Mona.
O que voc�s querem?
Queremos falar com nossa irm�.
Parece que ela n�o quer falar com voc�.
Mona, por favor.
O que voc�s querem?
Queremos que voc� volte para casa.
Por qu�?
Est� partindo os cora��es deles, Mona.
Por favor, volte para casa.
Certo, eu vou.
Acha que mam�e vai se importar se eu levar o Ram�n comigo?
Ele passa muito tempo na pris�o, e n�o aprendeu a ler ainda.
Diga a ela que ele � cat�lico.
Mona, escute.
- Benny, n�o estar�... - Cale a boca. O que est� tentando fazer?
Vamos come�ar de novo.
Vamos tentar achar uma forma para voc� e Benny se casarem.
Prometo que farei o que puder.
Por que n�o me deixa em paz? O que quer de mim?
S� quero que voc� seja feliz.
S� isso?
N�o quer me perdoar, tamb�m?
N�o � isso que voc�s padres gostam mais de fazer?
- Ele n�o � seu inimigo, Mona. - Deus vai perdo�-la.
Vai ouvir minha confiss�o, Padre?
Ser� um prazer ouvir sua confiss�o no momento certo...
Aben�oe-me, padre, pois pequei.
- Monie, n�o fa�a isso. - Farei o que eu bem entender.
Chega!
N�o quero mais nada com voc� nem com sua
religi�o piedosa, hip�crita, de palavras bonitas.
Nem quero nada com seu Deus tamb�m.
A pr�xima vez que falar com Ele, diga isso a Ele por mim.
Vamos dan�ar, amor.
N�o � sua culpa.
�, sim.
- Lalage. - Oi, Padre.
Foi voc� que fez tudo isso?
O senhor disse para cuidar do Padre Halley, enquanto estava fora. Ent�o cuidei dele.
- O m�dico est� com ele agora. - Que m�dico?
Dr. Carter. Pedi que ele viesse de Lynchburgh.
�s vezes trabalho no consult�rio dele.
Agora que voltou, devo ir.
Foi uma gentileza sua fazer tanta coisa.
� muito pouco em compara��o com o que ele fez.
Padre Halley?
Quando era crian�a, minha av� morreu.
Ela estava muito velha, e muito assustada...
muito religiosa.
O Padre Halley estava doente tamb�m, mas passou o dia e a noite com ela.
Ele rezou com ela, ele a ajudou a morrer bem.
Voltarei para fazer o jantar.
Doutor?
Padre Fermoyle?
Lamento dizer mas seu pastor � um homem muito doente.
O que �?
O nome da doen�a? Posso lhe dizer, mas pouca coisa al�m disso.
Chama-se esclerose m�ltipla.
N�o sabemos a causa, e n�o h� cura.
� um colapse do sistema nervoso.
Pode se desenvolver r�pida ou lentamente.
Mas sempre para o mesmo fim.
At� que ponto ela se desenvolveu no Padre Halley?
Ele est� no fim.
Ele sempre teve essa falta de energia?
Acho que sim, n�o sei h� quanto tempo.
� poss�vel que venha morrendo lentamente durante toda sua vida de adulto.
� impressionante que tenha resistido.
- O que podemos fazer agora? - Vai precisar de cuidado 24 horas.
Devia estar num hospital ou asilo.
Se for morrer, morrer� como pastor, na pr�pria cama, na pr�pria par�quia.
Pode ser mais dif�cil para voc� do que para ele.
Obrigado.
D� esse para ele segundo as instru��es.
- O rem�dio � caro? - �.
Quanto mais tempo ele viver, mais caro ficar�.
Nunca � agrad�vel ver algu�m morrer.
Perdoe-me por levar tanto tempo.
Tudo isso n�o o perturba?
N�o, � somente a natureza.
� estranho.
O que � estranho?
Para uma mo�a jovem, atraente...
passar seus dias e noites assim.
Mas o senhor � padre.
Deve entender o que � ser �til.
Saiba que tenho a minha voca��o tamb�m.
Fui aceita pelas Geraldines.
As Geraldines?
A irmandade de enfermeiras.
Sim, sei. Cuidam dos pacientes incur�veis.
Os incur�veis e os que est�o morrendo.
E essa � a vida que voc� quer?
Nasci para essa vida.
J� viu este anel antes?
Claro, era meu.
Onde conseguiu?
- Algu�m me deu. - Quem?
Um amigo.
Onde conseguiu o anel?
O seu contato, como se diz no submundo, foi pego.
Um dos itens que foi recuperado foi este anel.
A pol�cia pensou que foi roubado de um bispo.
Mas os g�meos Karaghousian
juram que o compraram de um tal de Padre Fermoyle.
Nunca tivemos um padre trabalhando com a M�fia antes.
Imagino que durante sua estadia em Roma fez muitos contatos interessantes.
N�o tive outra op��o, Vossa Emin�ncia.
Tinha que trabalhar para pagar o semin�rio...
vendi �pio na pra�a de S�o Pedro.
- N�o tem medo de mim, n�o �? - N�o.
Por que n�o? A maioria tem.
Talvez porque me lembra do meu pai.
�s vezes o chamam de Din, o Gritador.
Mas a �nica coisa feroz nele � seu grito.
� um homem sortudo de ter um filho...
que n�o tem medo dele.
E sobre o anel...
por que voc� o vendeu?
- Eu precisava do dinheiro. - Para qu�?
Assuntos particulares, Vossa Emin�ncia.
N�o h� assuntos particulares entre um padre e o arcebispo.
Precisei do dinheiro para pagar as despesas m�dicas do Padre Halley.
- Est� doente? - Est� morrendo, Vossa Emin�ncia.
- Por que n�o me disseram? - Ele n�o queria que soubesse.
Padre O'Brien, pe�a que tragam o carro.
Ned?
Vossa Emin�ncia.
- Larry. - Como est�, Larry?
Dando trabalho para todos, como sempre.
Voc� me conhece, Ned.
Estou em falta com voc� de novo.
N�o, sou eu que estou em falta com voc�.
Quem teria aguentado este velho bagunceiro por tanto tempo?
N�o � nada disso.
Agora, Larry...
pare com essa l�ngua eloquente...
sempre diz�amos que iria falar at� o topo.
O topo da montanha de vaidade do mundo.
Quero mesmo agradecer por me dar esta par�quia.
A mais pobre da Diocese.
Foi rica para mim.
Ent�o me enviou o Padre Fermoyle.
Um filhote romano, vaidoso e ambicioso.
Ele � como voc� era, Larry.
� um golpe mortal.
Quero dizer na sua bondade.
Poderia deix�-lo me substituir aqui?
Ser� um bom pastor, eu sei.
O povo j� o ama.
Uma �tima ideia. Obrigado, Ned.
Faria um �ltimo favor para mim?
Qualquer coisa.
Poderia me dar a Santa Un��o?
Considero isso uma grande honra, Ned.
Vai terminar em breve. Espero.
Ter� o trabalho de fechar a igreja.
Mande todos os documentos para o p�roco em Averill.
Mas, Vossa Emin�ncia...
S� mantive a igreja aberta por causa dele.
- Mas disse que estava... - Eu agradeci a ele pela ideia.
Tenho outro plano para voc�.
Mas estas pessoas precisam de uma igreja.
Um Padre vir� aos domingos para a missa. Todas as outras coisas ser�o em Averill.
Uma vez por semana n�o � suficiente.
Deve aprender que quando eu tomar uma decis�o...
n�o gosto de discuss�es intermin�veis, do contr�rio n�o ser� �til para mim...
como meu secret�rio.
- Tem certeza que � a mesma pessoa? - Absolutamente.
E agora temos o prazer de apresentar...
Bobby e suas Adora-Belles.
Agora, senhoras e senhores, tenho o prazer de apresentar...
o suave Tigre do Tango:
Ramon Gongaro e sua parceira.
N�o � a Mona.
Vamos.
- Onde est� a Mona? - N�o sei.
Onde est�?
- N�o a vejo h� 5 meses. - Onde foi a �ltima vez?
- Em Albany. Ela saiu do grupo. - Quer dizer, voc� a deixou l�?
- N�o, eu disse... - Voc� disse o qu�?
Eu disse que pagaria.
- Pagaria o qu�? - Por um aborto. Mas ela n�o quis...
�timo, a �nica pista que temos e voc� o apagou.
O que est� acontecendo aqui?
� nosso amigo, policial. Ele n�o est� se sentindo bem, infelizmente.
Com a noite fria...
e a necessidade de beber para se manter aquecido.
- Posso chamar um t�xi para seu amigo? - Seria uma gentileza, policial.
- Onde ela est�? - 5 Stanhope Lane, eu acho.
Uma tarefa nobre e solit�ria, preservar a lei e a ordem numa noite como esta.
Obrigado, policial.
Sou Ram�n.
- O que voc� quer? - Cad� a Mona?
Segundo andar, l� atr�s.
Quem s�o seus amigos?
Segundo andar, l� atr�s.
Mona, sou eu, Steve.
Abrace-me e segure-me.
Sou o Dr. Parks.
- � o marido? - N�o.
N�o tem marido.
� nossa irm�.
Sua irm� est� em trabalho de parto h� v�rios dias.
Perdeu muito sangue.
Por que n�o recebeu assist�ncia m�dica?
Porque n�o sab�amos onde ela estava.
Sua estrutura p�lvica � muito pequena, isso n�o � normal.
A cabe�a da crian�a � muito grande. Um parto normal n�o � poss�vel.
Pode fazer uma cesariana, n�o �?
� tarde demais para isso. Mas podemos salv�-la.
Vou precisar da sua permiss�o, como
parente para fazer uma craniotomia fetal.
- Uma craniotomia? - Sim.
Temos que esmagar a cabe�a da crian�a.
Quer matar a crian�a?
N�o pode deixar a Mona morrer.
Imagino que � um problema religioso?
� um mandamento: "N�o matar�s."
Mas � certo matar a Mona?
Se a Mona morrer porque n�o...
Vamos assassinar algu�m para salv�-la! Ela morre de morte natural.
Mas o beb�...
Estar�amos tomando uma criatura de Deus...
viva, com uma alma.
E mat�-la deliberadamente.
N�o vou permitir que voc� mate a Mona.
Desculpe, n�o temos muito tempo. � parente?
N�o.
Ent�o, quem tem a palavra final?
Ele.
N�o posso dar minha permiss�o para cometer um assassinato.
Posso falar com ela?
Tem que ser r�pido, a n�o ser que queira perder os dois.
Monie, pode me ouvir?
Ouvir.
Repita comigo...
Deus meu, me arrependo de cora��o por Vos ofender.
Oh...
Vos
Deus meu.
Deus...
Deus meu...
Pronto, Padre, tem que sair agora.
Steve!
Parab�ns para voc�
Parab�ns, querida Regina
Parab�ns
para voc�.
- Feliz anivers�rio. Que mocinha! - Apague as velas.
Tente.
Apague a outra. Sopre.
Duas, mais uma.
Entre.
Padre Callahan fez uma mala para voc�. O que esqueceu pode comprar em Roma.
Roma?
Sim, o Papa faleceu hoje de manh�.
O que o Capit�o diz?
Perdemos tr�s dias. Se clarear amanh�, podemos ganhar um.
Vai ter que fazer melhor do que isso.
A �nica coisa que me mant�m vivo...
� o pensamento...
de chegar a tempo para votar pelo novo Papa.
Para passar o que estou passando agora...
seria...
- Onde est� meu ba�? - Prometeram mand�-lo logo.
- O que est� acontecendo? - Nada.
Deve ter fuma�a em breve, branca ou escura.
A vota��o est� demorando.
Talvez seja escura. Talvez n�o tenha uma maioria.
Prefere isso?
Que diferen�a faz um voto, se houver um impasse?
A Igreja Americana tem o direto de participar.
� branca!
Sim, Vossa Emin�ncia, imediatamente.
Est� resolvido.
Stephen, que bom que veio. Sente-se.
E como se ocupou neste dia espl�ndido em Roma?
Sua visita particular deve ter sido �tima.
Como � ele, o Papa novo?
Impressionante como ele leva tudo na maior normalidade.
O homem foi cardeal somente 8 meses atr�s.
Levei um ponto de procedimento para o pr�ximo conclave.
Um procedimento para quando ele morrer?
- Deve ser um assunto delicado. - Ele n�o ligou.
Expliquei que tanto faz a velocidade dos navios que constru�rem...
Dez dias n�o � tempo suficiente para chegar em Roma dos EUA.
Ele concordou em fazer o tempo em 15 dias.
Parab�ns. Que realiza��o.
N�o � a �nica de hoje.
Antes de esquecer, seu...
anel de bispo.
Vai precisar dele num futuro pr�ximo.
O Sant�ssimo Padre parece ter um interesse genu�no na Am�rica.
Apontei a aus�ncia, quase completa
dos compatriotas entre o grupo do Secret�rio do Estado.
Da� foi apenas um passo para convenc�-lo...
que seria dif�cil o Vaticano
funcionar no futuro sem seus servi�os.
Ser� um prelado dom�stico. Monsenhor Fermoyle.
Com direito de usar a sotaina lil�s e mantelete.
E a�, Stephen?
O que foi?
N�o vai ser f�cil explicar.
O que �?
Fale, homem.
N�o posso aceitar esta posi��o no Vaticano.
N�o pode aceitar?
- N�o � uma op��o. - Neste caso �.
Tenho que sair do sacerd�cio.
Mas � imposs�vel.
- N�o pode de repente... - N�o � repentina.
H� anos que estou chegando a esta conclus�o.
Estou lhe dizendo isso agora porque...
Que obra-prima de precis�o!
H� uma hora, ao pedido do Papa, estava
alistando suas virtudes para Cardeal Giacobbi.
Que est�ria vai fazer com isso, com sua predisposi��o antiamericana.
Jogou o hemisf�rio todo uma d�cada para tr�s.
Lamento muito por qualquer constrangimento
que isso vai lhe causar, mas acho que...
N�o quero ouvir o que voc� acha. Nem agora, nem nunca.
V�, est� me ouvindo? V�!
Nossa conversa terminou. Est� dispensado! V�.
Quem �?
Vossa Emin�ncia.
Nem me explicou porque quer sair do sacerd�cio.
Devia. N�o tive a oportunidade.
Est� na minha mente h� tanto tempo. Posso sentar?
- Por favor, Vossa Emin�ncia. - Por que n�o me contou antes?
N�o sei.
Eu n�o tinha clareza naquilo que estava pensando.
Tenho que saber o que est� por tr�s desta sua decis�o extraordin�ria.
N�o tenho certeza que possa separar uma coisa das outras e dizer:
"� esta raz�o que me fez sair."
Acho que, para come�ar, n�o nasci para ser padre.
N�o foi a minha ideia.
Meus pais decidiram isso quando era nen�m.
N�o lembro de nenhum momento antes dessa decis�o.
Como papai sair para ganhar o sustento
e mam�e ficar em casa e cuidar da casa e dos filhos. Ningu�m nunca questionou.
Eu nunca questionei.
Pouparam um d�lar por semana para minha educa��o.
Um d�lar por semana do sal�rio de um trocador de trem.
Quando eu estava na s�tima s�rie, meu irm�o me chamava de "Cardeal".
Hoje de manh�, eu teria dito que ele pode ser profeta.
A �nica d�vida que tinha � que n�o sabia se eu teria a for�a para ser um bom padre...
para me negar as coisas que tinham que ser negadas.
Viver sem o toque suave de uma mulher.
Por outro lado, houve a parte acad�mica.
Gostava dos cursos, me sa�a bem neles.
Enquanto era s� a teoria, sem a pr�tica...
eu me sentia em casa.
Mas quando o tempo chegou quando estava sozinho,
quando tinha que agir como o ungido de Deus...
respondendo �s perguntas das pessoas sobre o que era certo e errado...
tomando decis�es por elas.
E um dia, foi minha pr�pria irm� que precisava da minha ajuda.
E descobri que n�o podia ajud�-la.
Porque o que ela precisava era de um homem, um amigo, um irm�o.
E eu s� conseguia ser um juiz com um conjunto de regras.
E finalmente chegou a hora que ser padre causou a morte dela.
Fiz o que precisava fazer, sei disso.
O que tinha que fazer como padre, como agente da lei de Deus...
n�o podia fazer o que um leigo faria na mesma situa��o:
Fazer de conta que nunca tinha ouvido falar da lei.
N�o desafio as regras.
S� n�o queria ser aquele que as aplica.
Para a irm� de ningu�m.
N�o quero o poder sobre as vidas das pessoas.
N�o posso enfrentar esta responsabilidade.
Em resumo, � isso.
Fico sentado no confession�rio ouvindo algu�m contar seus pecados...
mas sou eu quem est� com tremores de terror.
N�o sei o que vai acontecer comigo.
Tenho que procurar outra coisa para fazer.
Mas acho, espero que
haja um outro tipo de vida para mim.
Uma vida para a qual nasci...
que vai me deixar dormir � noite.
Steve...
Vou pedir que voc� fa�a uma coisa para mim...
porque acho que est� errado sobre voc� mesmo.
Acho que consigo ver seu problema mais objetivamente do que voc�.
Tanto faz como aconteceu, nasceu para ser padre.
Pe�o que voc� adie sua decis�o.
H� algo que posso fazer como seu bispo.
Raramente se faz, mas posso lhe dar uma
licen�a do sacerd�cio, das atividades.
Vou dizer para Giacobbi...
que � por motivos de sa�de. E �.
A sa�de da sua alma.
O sacerd�cio n�o � algo que voc� coloca e tira...
como a sotaina que usa.
� parte de voc�.
Pense nisto, Steve.
Tome um ano, dois anos.
Se no fim deste tempo, ainda pensar da mesma forma...
farei tudo no meu alcance para conseguir uma dispensa dos seus votos.
Mas...
se quiser continuar como padre...
Tenho certeza que o Sant�ssimo Padre pode ser persuadido
a segurar a posi��o aqui para voc�.
Far� pelo menos isso, Steve...
para mim, e para si mesmo?
Por causa das f�rias, n�o teremos aula por duas semanas.
Antes da pr�xima aula, gostaria que voc�s preparassem uma conversa em ingl�s...
sobre uma viagem de carro de Viena a Salzburg.
At� l�, auf Wiedersehen.
Tchau, Senhor. Espero que suas f�rias sejam boas.
Estou ansioso para v�-los daqui a 15 dias.
- Tchau. - Muito obrigado.
Obrigado.
Sim, Srta. Lederbohl?
Nada. Boas f�rias.
Obrigado.
Sr. Fermoyle, posso acompanh�-lo?
- Claro. - Vamos na mesma dire��o.
Fale-me da Am�rica.
- Em 25 palavras ou menos? - Ou mais.
Tenho a tarde e a noite toda, se precisar.
- Quero estar preparada. - Preparada para qu�?
Meu sonho � ir a Am�rica um dia...
onde as pessoas pensam sobre o futuro e n�o somente sobre o passado.
Por favor, convide-me para tomar um caf�.
Certo.
Onde gostaria de ir na Am�rica?
Primeiro a Nova lorque, � claro. Depois, n�o decidi ainda.
Onde o Senhor acha que devo ir?
- De onde �? - Boston.
Boston, fica em Massachusetts.
Massachusetts.
Fale-me sobre Boston.
De repente, eu n�o sei o que dizer.
Nasci em Boston, fui criado l�, com minha fam�lia.
Quando era menino nad�vamos no rio...
Acho que visitar Boston n�o � uma boa op��o.
Vou a Boston.
O que � que faz?
- Ensino. - Quero dizer, quando n�o est� ensinando.
Vai ao teatro, festas?
Quem s�o seus amigos?
Tentei descobrir, mas ningu�m sabia dizer nada.
�s vezes penso que s� fica sentado sozinho no seu quarto em Stallburggasse.
Como sabe onde eu moro?
Eu o segui.
O Senhor � diferente 'que' outros homens.
'De' outros homens.
- Sabe esperar. - Esperar para qu�?
Para 'quem'.
O que vai fazer durante as f�rias?
Acho que vou sentar sozinho no meu quarto em Stallburggasse.
- Quer saber de uma coisa? - Quero.
N�o vou deix�-la fazer isso.
Antes da guerra, n�o tinha outra op��o para uma mo�a. Tinha que casar.
Agora n�o h� homens suficientes.
As fam�lias perderam seu dinheiro.
A maioria das minhas amigas tem emprego, ou tentam achar um.
Ent�o as pessoas me acham sortuda,
por ter um jovem rico que queira casar comigo.
E voc�? Se acha sortuda?
N�o tenho certeza.
Para mim, trabalhar num emprego � n�o ser mulher.
Acho que h� somente uma coisa que eu posso fazer bem.
Uma coisa que nasci para fazer.
Amar um homem.
Am�-lo tanto, que minha vida toda seria somente para faz�-lo feliz.
Se for verdade, ent�o acho que...
Quando isso � minha vida, � importante achar o homem certo.
- S� falo de mim. - E sobre Viena.
E o Senhor fala da Am�rica.
Mas n�o sobre Stephen Fermoyle.
N�o h� muito a dizer.
Estou aqui na Europa h� um ano e meio. Ensinando, na maior parte do tempo.
Primeiro em Mil�o, depois Munique, agora Viena.
Vou para onde a Escola Internacional de L�nguas me envia.
Mas o que fez antes disso? Quer dizer, em Boston. O que fazia l�?
Por que veio para a Europa?
N�o � para a gente descer aqui?
A capela foi fundada em 1410...
A igreja foi constru�da em um estilo barroco rico.
1721-25.
H� uma torre. Talvez a maior torre barroca da �ustria.
Fala como Baedker.
Estava tentando ser impessoal.
A atra��o principal do interior s�o os relevos de estuque no teto.
As pinturas nos altares por Schmidt de Krems.
O p�lpito talhado cuidadosamente pelo seu pai, Johann Schmidt.
- E os lugares do coral... - Sim, sei deles.
J� estive aqui.
- J�? - Muitas vezes.
Por qu�?
Venho rezar.
� um homem estranho.
Sou padre, Annemarie.
Estou de licen�a.
Umas poucas vezes, quando um padre tem d�vidas sobre sua voca��o...
ele tem um tempo para refletir nisso.
O que acontece quando o tempo terminar?
Tenho que decidir se vou continuar como padre...
ou pedir uma dispensa dos meus votos, se conseguir.
Nesse per�odo, os votos ainda s�o v�lidos.
Ser� mais dif�cil estar comigo agora que me disse isso?
N�o, n�o mais dif�cil do que antes, eu acho.
Porque se eu pensasse...
que eu estava tendo alguma influ�ncia direta ou indiretamente...
naquilo que vai decidir...
Sim, se pensasse?
Eu faria, como se diz?
Uma carreira de tempo integral.
Annemarie.
N�o haver� argumentos sobre hoje � noite.
Tem que ver um baile de Viena e � o �ltimo da temporada.
Aluguei tudo que vai precisar.
Veja.
Fraque...
camisa, gravata branca...
- crolete. - Colete.
E uma capa.
E Manschettenknopfe. Como se chama?
- Abotoaduras. - Abotoaduras. E esta?
Bot�es.
E chap�u claque.
- Boa noite, Kurt. - Boa noite.
- Est� maravilhosa. - Obrigada.
Quero apresentar-lhe o Sr. Fermoyle.
Stephen, este � Kurt von Hartsman.
- Herr von Hartman. - Sr. Fermoyle, prazer.
- � americano, n�o �? - Sou.
Ent�o est� acostumado a emprestar seus tesouros para a Europa empobrecida.
Conceda-me esta dan�a, por favor? Annemarie?
Com licen�a.
- Boa noite. - Boa noite.
Ouvi dizer que � americano.
� verdade que ningu�m pode beber...
nem cerveja e vinho?
S�o loucos em fazer esta proibi��o de bebidas?
As pessoas que votaram a favor, obviamente
pensam que qualquer forma seja justificada...
para eliminar os males da embriaguez. Com licen�a.
Sabe como � essa proibi��o?
� como querer evitar os males de estupro...
e ent�o fazem uma lei contra fazer amor.
Pode imaginar uma vida sem fazer amor?
Com licen�a.
- Perdoe-me, Stephen. - Por qu�?
Por deix�-lo sozinho.
Num baile se deve dan�ar.
Mas voc� n�o pode.
Parece um cara legal.
- Kurt? - � - Sim, �.
Ele � aquele que quer casar com voc�?
�. Est� com ci�mes?
Sou Padre, Annemarie.
Mas tamb�m sou homem.
Homens podem expressar seus sentimentos, mas um padre tem que aprender a escond�-los.
Eu n�o posso escond�-los mais.
Acho que estou apaixonado por voc�.
Sei que estou apaixonada por voc�.
N�o posso pedir que me beije, enquanto est� casado com a Igreja.
Mas em Viena, at� para um homem casado...
� pecado n�o se dan�ar uma valsa.
Responda a esta carta da Filad�lfia.
Diga que n�o haver� nenhuma audi�ncia particular por, pelo menos, 6 semanas.
Bem-vindo � cidade do Vaticano, Padre Gillis.
Monsenhor Fermoyle.
Sua carta para o Sant�ssimo Padre foi passada para mim...
j� que sou consultor de assuntos na Am�rica.
Vai falar comigo? O Sant�ssimo Padre vai falar comigo?
Infelizmente n�o consegui arranjar isso.
Mas consegui uma audi�ncia com o Cardeal Giacobbi para contar sua est�ria.
� a melhor coisa, se n�o puder ter um encontro com o Papa.
Eu n�o sabia nem se receberia alguma resposta
j� que enviei a carta no dia que cheguei em Roma.
Eu estava esperando uma liga��o.
Vamos?
Sua Emin�ncia est� nos esperando.
Fermoyle, entre, entre.
Ent�o, este � o padre americano que voc� nos falou.
Voltarei quando terminarem.
N�o, fique. N�o vai demorar, vai?
O Monsenhor Fermoyle e Cardeal Quarenghi s�o amigos antigos.
Encontra-se num ninho de diplomatas, Padre.
Quer dizer que se algu�m disser exatamente o que estiver pensando...
� sem querer.
Sente-se, por favor. Como podemos ajud�-lo.
A par�quia de Padre Gillis fica no Estado de Ge�rgia, numa cidade chamada Lamar.
A congrega��o levantou fundos para ele vir aqui.
� muito interessante.
S�o Judas, Vossa Emin�ncia. Minha igreja chama-se S�o Judas.
O santo das causas perdidas.
Gostaria de n�o perder esta causa.
Sabe...
h� apenas uma escola cat�lica nessa parte da Ge�rgia.
E, bem...
esta escola n�o aceitar� as crian�as da minha par�quia porque s�o negras.
- Continue. - Bem, Vossa Emin�ncia...
Isso � um ato crist�o?
� contra os princ�pios crist�os para uma escola cat�lica...
rejeitar uma crian�a cat�lica por causa da ra�a.
� claro que sim.
Mas temos uma estrutura precisa...
para o cumprimento adequado destes princ�pios.
Fiz o que � certo.
Fui ao reitor do distrito, Monsenhor Whittle.
Ele disse que jamais deixaria entrar crian�as negras na sua escola.
E o bispo?
Escrevi para ele e n�o recebi nenhuma resposta.
Ent�o decidiu que o �nico recurso que lhe restou foi...
vir a Roma e contar seus problemas ao Papa?
Com licen�a, Emin�ncia.
Uma coisa aconteceu antes de o Padre Gillis decidir vir.
Sua igreja foi incendiada. N�o restou nada.
V�rias pessoas na minha par�quia...
acham que est� na hora de fazer algumas mudan�as.
Ent�o um grupo foi e fez um protesto na frente da escola branca.
Fizeram o qu�?
Marcharam na frente da escola com
cartazes, protestando contra a discrimina��o.
Depois recebi muitas liga��es...
e cartas sem assinaturas.
E uma noite, esses homens com capuzes brancos
incendiaram minha igreja.
B�rbaros.
Mas n�o � cr�dito para seu discernimento como padre...
� que sua preocupa��o com as pol�ticas locais
deixou-o sem igreja?
Pol�tica, querido Giacobbi?
A profana��o, � claro, � um assunto moral.
Estava falando das atividades do Padre Gillis.
Mas a discrimina��o � um assunto moral tamb�m.
N�o � necess�rio me dizer...
que a discrimina��o racial � contra os ensinamentos de Cristo e Sua Igreja.
A quest�o � se � s�bio usar m�todos
que tendem a ser inflamat�rios.
N�o tenho certeza se podemos usar m�todos que tendem a ser mais frios.
A verdade � que para a maioria dos n�o-brancos no mundo
n�o h� uma prova mais cr�tica da nossa democracia...
Democracia, meu querido Fermoyle, n�o � nem a �ltima
nem necessariamente a melhor forma de governo.
� simplesmente a doutrina predileta de um pa�s
descoberto por um italiano que pensou que ia para outro lugar.
Sua Emin�ncia sugere um assunto estimulante para discuss�o...
mas o que quis dizer foi, o que acontece com a liberdade na Am�rica...
� importante para o restante do mundo.
Mas a separa��o preciosa da Igreja e do Estado
n�o � uma parte desta liberdade?
Voc� sempre est� nos dizendo que n�o podemos intervir...
nos assuntos dom�sticos do seu pa�s de forma alguma?
Pela sua l�gica, � tolice...
desafiar os sentimentos e convic��es mais profundos...
do povo do... Qual � o nome do lugar?
- Ge�rgia, Vossa Emin�ncia. - Ge�rgia.
Padre Gillis, posso propor que sua obriga��o principal n�o �
com reforma pol�tica ou social...
e sim com as almas mortais do seu rebanho.
Obrigado, Monsenhor, por nos apresentar o Padre Gillis.
Sempre � um prazer conhecer um irm�o em Cristo.
Vamos voltar ao trabalho agora.
Nem lembro onde paramos.
� s� isso?
Esperava que poder�amos faz�-lo mudar de ideia.
O que vai fazer quando voltar?
Obrigado pelo seu apoio.
Preciso ir l�, Alfeo.
Eu disse para ele que poderia contar comigo e falhei.
Fez tudo que podia fazer dentro dos limites da sua fun��o.
Teve outra vez que algu�m dependeu de mim para ajudar.
Fiz tudo dentro da minha fun��o para ela, mas n�o foi suficiente.
Se cometeu um erro com sua irm�...
se foi jovem demais para ser tanto padre quanto irm�o para ela...
j� fez repara��es por isso h� muito tempo.
N�o precisa achar novas formas de se torturar.
S� n�o quero perceber novamente que � tarde demais para fazer alguma coisa.
O que voc� pode fazer se seguir o Padre Gillis?
N�o sei, mas sei que tenho que fazer isso.
Acho que n�o ser� uma surpresa se eu disser...
que o Papa est� pensando em torn�-lo Bispo.
Ouvi umas conversas.
N�o pode me dizer que isso n�o lhe importa.
Importa e muito.
Mas tamb�m o que acontece com Gillis me importa.
Vou tentar n�o comprometer a Santa Igreja.
N�o preciso ser um emiss�rio oficial.
Ainda precisa da permiss�o do Sant�ssimo Padre...
que implica na permiss�o do Giacobbi, infelizmente.
Acha que poderia passar pela sua mente...
o pensamento de que eu sairia como tolo em Ge�rgia?
Pode ser.
Que tal come�ar a lev�-lo a pensar nesta dire��o?
Por que eu queria prejudic�-lo?
Ele pode ter a ideia que esta viagem poderia diminuir as
chances de me tornar bispo, se pensar assim...
poderia ser exatamente o que � necess�rio para que ele me d� a permiss�o.
O c�u me perdoe por encoraj�-lo no in�cio, em diplomacia.
Certo, Padre.
Tio Steve, � t�o bom v�-lo.
Regina, gostaria de apresentar um amigo que conheci no navio, o Padre Eberling.
Padre, desculpe-me. Foi terr�vel o que fiz.
Acho que o Padre Eberling n�o achou t�o ruim.
As melhores boas-vindas que j� recebi.
Agora.
Tio Steve.
Estou t�o feliz que seja voc�, e n�o ele.
� muito mais bonito, e mais jovem.
Com estas palavras suaves e sua beleza, vai poder escolher qualquer marido.
- Algo para declarar? - Nada.
Obrigado, Padre.
Vou pegar as malas.
Steve.
Puxa, est� �timo. Como � que voc� n�o engorda?
Ora��o, Frank. E uma dieta rigorosa.
- Como est�? - Legal.
Sem dinheiro, mas fa�o sucesso todas as noites.
Cantando em um dos melhores bares da cidade.
Espero que posso ouvi-lo antes de voltar.
Quais s�o seus planos, querido?
Este � o problema. N�o devia vir at� Nova lorque.
Quem disse que n�o devia? Sou uma velhinha...
Tenho que pegar um trem de tarde. Quase n�o tenho tempo para almo�ar.
Mas vale a pena.
N�o gosto que gaste o dinheiro. Viagens de ida e volta para voc� e Regina?
- N�o gostou que eu a trouxesse? - Ela � uma beleza, encantadora.
Com ela por perto, foi mais f�cil aceitar a vontade de Deus.
Ao v�-la agora, ficou mais f�cil para mim tamb�m.
Com licen�a.
Onde o Padre Gillis mora?
- Bem ali. - Obrigado.
- Monsenhor. - Padre Fermoyle de Boston, por enquanto.
Entre, por favor.
Monsenhor Whittle, este � o Padre Fermoyle.
- Como vai? - Ol�.
Xerife Dubrow.
O que o traz a Lamar, Padre?
Sou amigo do Padre Gillis.
Espero n�o estar interrompendo.
J� disse o que vim dizer.
H� uma lei contra inc�ndio premeditado neste estado.
Ent�o fiz o meu trabalho. Quando Gillis, Padre Gillis...
registrou a ocorr�ncia, formalizei a acusa��o.
Amanh� ele pode subir no julgamento e testemunhar.
A n�o ser que o senhor ponha ju�zo na cabe�a dele.
Ele � seu rapaz, n�o meu. Entende?
N�o, o que quer dizer?
H� problemas aqui para todos, para ele, para mim, para a Igreja.
- O que est� fazendo aqui, Padre? - Eu lhe disse. Sou amigo do Padre Gillis.
Como amigo, gostaria que dissesse para este menino teimoso...
N�o � menino, Monsenhor, � padre.
Ousa corrigir meus termos, Padre?
Simplesmente estou lhe lembrando que somos todos irm�os em Cristo.
Ent�o, meu irm�o do norte, diga para o Padre Gillis...
que n�o pode testemunhar.
Porque tem gente aqui que est� se sentindo mal.
Quer testemunhar?
- Sim, Padre. - �timo.
O Padre Gillis estar� no julgamento amanh�.
Acabou. Resolveu quase tudo.
Olhe, n�o sabe de nada sobre as condi��es por aqui...
Monsenhor, uma igreja foi incendiada.
Acusa��es foram feitas, tem que depor.
O que � t�o estranho com o processo normal da lei?
Reconhe�o um cara do norte...
como a pr�pria justi�a e santidade.
N�o vai testemunhar, Padre.
Vai retirar a queixa.
Voc�...
vai me dar o nome do seu superior, a quem vou denunci�-lo.
Mandaram voc� de Roma?
Estou aqui n�o oficialmente.
Minha presen�a � um assunto confidencial entre n�s.
Mas � minha opini�o...
que devemos permitir o Padre Gillis agir como ele achar melhor.
Como diz, Monsenhor.
Imagino que ele pode contar com o seu apoio no que fizer.
- Sim, mas... - Talvez possamos discutir os detalhes...
desse apoio no caminho para a cidade,
se puder me dar carona.
Eu gostaria de achar um hotel.
Claro. Ser� um prazer.
Vou entrar em contato mais tarde.
Nem acredito que esteja aqui. Pensei que ningu�m se importasse.
Sua f� � t�o pequena?
Os hot�is est�o do outro lado da pra�a.
Quem lhe disse isso?
Ningu�m precisa me dizer nada, Padre. Est� na B�blia.
Tamb�m � a lei de Deus incendiar igrejas?
N�o tivemos nada a ver com aquilo, Padre. Sou uma cat�lica fiel.
Devem ser membros da sua congrega��o.
Tem que ver o problema, Monsenhor. Somos a minoria aqui, tamb�m.
Tenho certeza que n�o teria permitido esta demonstra��o se soubesse dela.
Vou cuidar disso imediatamente.
Pessoas de boa vontade, posso falar com voc�s por um minuto?
O que est� acontecendo ali?
Quer alguma coisa, senhor?
Um quarto por algumas noites.
Que coisa, n�o temos nenhum quarto dispon�vel.
Tenho a impress�o que vem interferindo em coisa que n�o lhe pertence, padre.
Parece que foi o senhor que impediu o protesto.
Quando um padre cat�lico oferece conselho
para membros da sua f�, n�o � interfer�ncia.
Talvez n�o saiba o que est� acontecendo nesta cidade.
Um preto est� causando problemas para gente branca.
- Um padre preto. - Um padre preto cat�lico.
N�o pode ser mais baixo do que isso.
Talvez possa recomendar uma pousada para turistas?
Se for turista, ent�o v� circulando, antes de receber algo para se lamentar.
N�o vai achar um quarto hoje � noite. N�o nesta cidade.
N�o sei, Cecil. Talvez possa achar uma cama no distrito dos pretinhos.
� mesmo.
Talvez uma puta preta possa ficar de lado e dar-lhe espa�o.
O que voc� acha, Cecil?
Acho que temos uma tarefa esta noite.
Ligue para o gabinete do Xerife.
Certo.
Como � o nome? Quer dizer o nome bonito?
Um crucifixo.
�, � o que o pretinho chamou, quando o tiramos dele.
S� que ele estava agindo como um bicha com ele.
Estava querendo beij�-lo, enquanto a gente fortalecia o car�ter dele.
N�o vamos suportar estas coisas.
Sabe o que vai ter que fazer com esta est�tua, Padre?
Vai ter que cuspir nela.
E isso vai provar que...
pode assustar um padre para que ele suje a imagem de Cristo?
Talvez seja o suficiente.
Diga para aqueles amantes de pretos, l� no norte, que n�o s�o bem-vindos aqui.
Agora, cuspa nele.
Eu disse para cuspir.
Certo, continue. Batam nele.
Talvez precise de m�sica? Tem sua gaita?
Garantido para curar cortes, verme, ferimentos de arreios...
e bolhas nos p�s.
Quem � voc�?
Meu nome � Lafe.
Mora em Lamar?
A vida toda.
� cat�lico?
N�o.
Ent�o, por que est� fazendo isso?
N�o estou fazendo muita coisa.
Acha que consegue andar?
Posso tentar.
Vou lev�-lo para Owassa Junction. De l�, pode pegar um trem para o norte.
Vou voltar para Lamar.
H� um julgamento come�ando l� hoje de manh�.
De forma silenciosa, � um homem teimoso, n�o �?
Meu carro est� do outro lado do campo.
Sabia onde me encontrar.
Voc� foi um deles ontem � noite.
Quando voc� come�a alguma coisa, nem sempre sabe como vai se sentir depois.
- Ontem � noite... - N�o tente falar. Toque.
- Stefano! - Alfeo.
Monsenhor Fermoyle.
Queremos muito falar com voc� mas n�o conseguimos ach�-lo.
Voltei � Europa num navio pequeno, Vossa Emin�ncia.
Precisava de tempo para meditar.
Sua fama chegou antes de voc�.
Serviu para nos lembrar das suas habilidades teatrais.
Se eu tivesse escolhido o roteiro eu teria feito as coisas de forma diferente.
Quando Quarenghi e eu conversamos sobre sua viagem � Am�rica...
tive a impress�o que seria uma visita n�o oficial.
Houve mais que 30 testemunhas daquela demonstra��o de viol�ncia.
Algumas falaram. Os jornalistas no julgamento tiveram a est�ria logo.
O que parece importante � o resultado.
Um grupo de racistas foi condenado pelo testemunho de um Padre negro.
N�o foram condenados pelos inc�ndios, e sim, por algum delito pequeno.
Comportamento impr�prio. N�o importa.
� a primeira condena��o de um homem branco naquela regi�o...
pela palavra de um negro.
Qual � o pre�o da vit�ria desta pequena briga?
Voc� mergulhou o Vaticano numa controv�rsia,
a qual muitos prelados importantes no seu pa�s...
nos aconselharam a evitar.
Est�o apenas se enganando. Ter�o que
enfrentar a situa��o, mais cedo ou mais tarde.
Um dia, � claro. Com um processo lento de educa��o.
Nesse processo lento, crian�as sem uma educa��o
decente agora, v�o morrer velhinhas,
antes que voc� fa�a algo para ajud�-las.
N�o pretendia envolver a Igreja.
Agora que aconteceu, n�o sei, talvez fosse algo desej�vel.
Desej�vel para quem, Monsenhor?
Suas causas particulares ou da Santa Igreja?
Seu conceito do que � desej�vel...
inclui dividir a opini�o cat�lica na Am�rica?
Alguns de n�s sentimos, querido irm�o...
que � exatamente uma pol�tica clara do Vaticano nestes assuntos...
que poderia evitar uma divis�o assim.
Todos n�s temos nossas opini�es, querido irm�o.
Podemos apenas coloc�-las diante do Sant�ssimo Padre...
e assim descobrir qual delas � a correta.
O que voc� acha, Alfeo? O Papa vai pensar que eu fui indiscreto?
Bem, sua fun��o � dar conselho sobre assuntos da Am�rica...
e n�o mergulhar nos problemas l�.
Eu n�o ia recomendar isso como a forma ideal para se tornar bispo.
Se j� houve tanta confus�o aqui, provavelmente ele j� sabe.
Se n�o, pode crer que vai saber agora.
E depois disso, n�o demorar� para saber o resultado.
13 de mar�o de 1938
Hitler entra em Viena...
�s 17:30, recebido com boas vindas de uma multid�o entusiasmada.
Cardeal Innitzer, Arcebispo de Viena, l� uma carta assinada por ele...
e todos os outros bispos da �ustria, dando as boas vindas a Hitler na �ustria.
Reconhecemos, alegremente, que o Movimento Nacional Socialista...
para o Imp�rio e o povo alem�o,
e especialmente para os menos favorecidos,
tem alcan�ado um progresso excelente.
Os bispos est�o estendendo suas b�n��os e bons votos...
para o futuro destes esfor�os.
No dia do plebiscito, �, para n�s bispos,
uma obriga��o natural e nacional
de nos declarar como alem�es e, assim, como parte do Imp�rio Alem�o.
Esperamos de todos os cat�licos fi�is...
que saibam o que devem fazer pelo seu povo.
Chega!
Conhece Viena, n�o �, Bispo Fermoyle?
Conhe�o sim, Vossa Emin�ncia.
Vou pedir que o Sant�ssimo Padre o envie para l� imediatamente.
Sua fun��o oficial ser� fechar a nunciatura.
E minha fun��o n�o oficial?
Ser� educacional.
Instruindo um pr�ncipe da Igreja sobre as realidades do mundo moderno.
A primeira coisa que notamos na tela, Vossa Emin�ncia...
foi que todos os sinos das igrejas tocaram quando Hitler entrou em Viena.
Acha que eles pediram minha permiss�o?
� uma cortesia padr�o para visitantes nobres.
Somos excelentes tocadores de sinos aqui.
Mas este visitante...
Dr. Seyss-Inquart mandou fazer, como um gesto amig�vel.
Era chanceler interino e agora � um comiss�rio importante de Hitler.
Um cat�lico dedicado. Um her�i de guerra.
- Quer ch�? - Obrigado.
Entende que n�o estou falando por mim mesmo...
- e sim pela Santa S�. - � claro.
Uma gota de rum nele?
- Acho que n�o... - S� um pingo.
- A��car? - N�o, obrigado.
O que mais incomodou o Vaticano...
foi a declara��o estimulando o povo a votar 'sim' no plebiscito.
Entendo.
N�o pode sair sem provar este strudel.
Pedi esse para voc�, pois sei...
que voc�s, americanos, se interessam demais em strudel...
quando vem a Viena.
Minha �nica preocupa��o, � claro, � a Igreja.
N�o tenho nada a ver com pol�tica.
- Essa declara��o n�o foi pol�tica? - � claro que n�o.
No caso de uma vota��o, da �ustria se tornar parte da Alemanha?
A �ustria j� � parte da Alemanha. Hitler j� anunciou.
O plebiscito � uma mera formalidade.
Uma formalidade que o pr�prio Hitler considera muito importante.
Exatamente. Hitler quer a �ustria. Muitos da �ustria querem Hitler.
Se a Igreja celebrar o casamento,
receber� um tratamento melhor do que se n�o estivesse presente.
Mas est� fazendo mais do que celebrar.
Est� dizendo publicamente que est� a favor da uni�o.
Roma acha que a Igreja ser� mais forte a longo prazo...
se tomar uma posi��o mais critica do Partido Nacional Socialismo,
mais do que voc� j� demonstrou at� agora.
Roma tem alguma ideia de como Hitler responde a cr�ticas?
Roma gostaria de ver homens e mulheres cat�licos esfregando as cal�adas...
como tantos judeus?
H� princ�pios que n�o podemos comprometer.
Os direitos da Igreja sobre a vida familiar, a educa��o dos jovens.
Vossa Excel�ncia, o que acha que estou fazendo aqui?
Protegendo exatamente esses direitos.
J� recebi garantias pessoais de fontes do alto escal�o.
Temos que lembrar daquilo que aconteceu na Alemanha.
A �ustria � um assunto diferente. N�o esque�a que ela � um pais cat�lico.
� o pa�s onde ele mesmo nasceu e foi batizado.
- Mesmo assim, o Vaticano sente... - Sabe, Fermoyle...
Conhe�o as pessoas que tomaram posse deste lugar.
Vai ver algumas hoje � noite, na recep��o na casa do Dr. Seyss-Inquart.
Temos uma tradi��o civilizada na �ustria, que os Alem�es n�o tem.
Ent�o, por que � que as pessoas est�o t�o ansiosas para se juntar � Alemanha?
Porque nosso sangue � alem�o.
Para algu�m que n�o � alem�o, sempre � dif�cil
entender. Mais dif�cil ainda para um americano.
Por que diz isso?
J� est�o acostumados com muita mistura.
A uni�o de todo o povo alem�o �...
o que estamos sonhando h� 1000 anos.
Os alem�es e n�s somos diferentes em muitas coisas, sim.
Mas nosso sangue � o mesmo.
Concordo com Vossa Emin�ncia que � um conceito dif�cil de entender.
Ent�o, por que gastar tempo tentando?
Por que n�o me dizer, em resumo, o que � que o Sant�ssimo Padre espera de mim?
Primeiro, quer que voc� deixe claro...
que sua recomenda��o de votar 'sim' � puramente pessoal...
e n�o � obrigat�rio para cat�licos como um assunto de consci�ncia.
Assim que fizer isso, n�o emitir nenhuma outra declara��o sobre o plebiscito.
Instru��es simples de obedecer.
N�o desejo fazer declara��es sobre a vota��o.
N�o sou pol�tico.
A Sua Emin�ncia, Theodor Cardeal Innitzer e a Sua Excel�ncia, Bispo Fermoyle.
General Albrecht Kraus. Bispo Fermoyle.
Frau Walker, permita-me apresentar-lhe o Bispo Fermoyle.
Frau Clara Walter. Dr. Seyss-Inquart.
Vossa Emin�ncia.
Este � a Sua Excel�ncia, Bispo Fermoyle.
Um americano que trabalha no Vaticano.
� uma honra.
Espero que fale para a Sua Santidade como admiramos a Sua Emin�ncia aqui.
Falei com o Fuhrer hoje por telefone.
Ele disse:
"Toda a �ustria tem que estar sob meu comando, meu querido Seyss-Inquart...
"menos o Cardeal Innitzer."
Disse, "Lembre-se, a autoridade que voc� tem, vem de mim...
e a dele vem de Deus."
Herr Kurt von Hartman e Frau Annemarie von Hartman.
- Viva Hitler. - Viva Hitler.
Finalmente fiz minha viagem � Am�rica.
Kurt foi a neg�cios h� 2 anos atr�s e me levou.
Mas nunca vimos Boston.
Infelizmente, a maioria n�o v� Boston. Gostou daquilo que viu?
Muito. A maior parte.
H� muitas coisas que nosso povo deve ter para traz�-lo para tempos modernos.
Agora, acho que vamos come�ar a receb�-las.
Por causa de Hitler?
Annemarie encontra m�rito no Sr. Hitler...
que n�o � t�o aparente para aqueles que n�o o observam com cuidado.
Mas, voc� n�o concorda?
Como banc�rio, tenho que saber um pouco de economia...
Tem que subir 1500 metros para achar neve boa t�o tarde na esta��o...
em Zugspitze.
S�o Crist�v�o acima de Adleberg...
Est� chegando a ter um complexo de persegui��o.
N�o querer falar na frente de Reinhard que est� conosco h� 12 anos.
Acho que a melhor regra � n�o fazer exce��es.
O grande perigo com os nazistas, creio eu,
� que tem que continuar a se expandir ou entrar em colapso.
Mais cedo ou mais tarde vai significar guerra.
Ele disse que paz � o grande sonho da vida dele.
Enquanto constr�i tanques e avi�es e se cerca com bandidos.
Alguns s�o rudes, eu sei. Mas acho que precisamos da for�a deles.
Agora, somos parte de um pais grande e poderoso.
- Quem ser�? - N�o sei.
Com licen�a.
Gestapo!
Com licen�a.
Kurt!
Sabe por que ele fez isso?
A av� paterna dele era judia.
Os nazistas sabiam.
Aparentemente estava louco de medo.
Ele n�o podia decidir se ia sair do pais ou o que fazer.
Falou tudo com seu advogado mas nunca me disse nada.
- Como voc� teria reagido? - N�o sei exatamente.
Talvez ele tamb�m n�o tivesse certeza.
N�o foi justo ele n�o me dizer. Como eu poderia ajudar sem saber?
Ele devia estar desesperado.
N�o acha que o que fez foi certo, acha?
Nada pode justificar o suic�dio.
Mas alguns casos s�o mais f�ceis de entender.
A condi��o mental de pessoas que se sentem perseguidas fica distorcida...
e nada que fazem � compreendido pela mente normal.
Vossa Emin�ncia.
Perdoe-me por interromper assim, mas estava na �pera...
e pensei que gostaria de ler isso o mais r�pido poss�vel.
A corre��o que pediu sobre nossa declara��o sobre o plebiscito.
Provavelmente vai querer envi�-lo ao Vaticano.
Vai ver que toca em todos os pontos que conversamos.
- Quando ser� publicado? - Vossa Excel�ncia est� brincando?
Os nazistas n�o v�o permitir que nada saia na imprensa
que poderia causar a perda de votos.
Sugiro que leia em todas as igrejas no pa�s, domingo de manh�.
� o dia do plebiscito.
A maioria n�o vai � missa, antes de votar?
- Pode causar conflitos. - Ent�o rejeita a ideia?
Sim, a n�o ser que eu receba uma ordem direta
do Vaticano, naturalmente obedecerei.
Mesmo se eu achar imprudente.
Boa noite, Bispo Fermoyle.
N�o precisa me levar � porta. Vejo como est� ocupado.
Estamos preparando os documentos da
administra��o do Arcebispo Cicognani para envio,
lembrando-me que em breve n�o teremos nenhuma voz direta de Roma ao nosso lado.
Boa noite.
Enquanto a Sua Emin�ncia estava aqui, esta senhora veio.
Eu n�o teria vindo aqui, mas n�o sabia aonde ir.
O que est� acontecendo?
Est�o me seguindo. A Gestapo.
Acho que me seguiram at� aqui. N�o sei o que querem, mas...
se me levarem para a pris�o podem me for�ar a dizer o que quiserem, n�o �?
Com drogas e tortura.
Acho que n�o ia aguentar muita dor.
- Stephen, n�o sei o que fazer, aonde ir. - Pode ficar aqui.
Padre Neidermoser? A Irm� Wilhelmina ainda est� acordada?
- Acho que sim. - Por favor, pe�a que ela venha aqui.
Vai ficar segura conosco.
- Lamento. - N�o precisa.
Fico feliz em poder ajud�-la.
Obrigada.
Entre.
- Chamou-me, Vossa Excel�ncia? - Sim, irm�.
Quero que prepare um quarto para Frau von Hartman.
Claro.
A Irm� Wilhelmina vai providenciar tudo que precisa.
Acompanhe-me, Frau von Hartman.
Muito obrigada.
Vossa Emin�ncia deveria estar entre os primeiros a votar hoje de manh�.
A not�cia estava na r�dio �s 9:00.
Acordo cedo. Gosto de rezar a missa das 6:00.
Voc� divulgou como votou.
Relatei a preocupa��o do Sant�ssimo Padre para com voc�...
Meu querido Bispo, disse que n�o era para emitir
nenhuma declara��o sobre o plebiscito.
Ontem � noite, no fim da palestra de Hitler
todos os sinos das igrejas tocaram novamente.
Voc� n�o entende sobre os sinos.
Se n�o tocassem, a�, chamaria aten��o.
As reportagens no r�dio dizem que os padres em
todo pa�s est�o pedindo que o povo vote 'sim'.
A manchete � que depois de votar...
Meu voto, puramente pessoal.
Deu a contin�ncia nazista, Viva Hitler.
Est� correto. Essas palavras se tornaram parte da l�ngua alem�.
Se usam no lugar de Bom dia ou Boa noite...
e at�, lamento dizer, no lugar de 'Deus o aben�oe. '
Mas, nestas circunst�ncias, esta contin�ncia foi um ato pol�tico partid�rio.
Eu n�o estava emitindo nenhuma declara��o. N�o desobedeci o Sant�ssimo Padre.
Talvez n�o literalmente.
O que tentei comunicar para Vossa Emin�ncia � um
esp�rito, uma atitude geral.
A esta parte, obviamente, n�o prestou nenhuma aten��o.
Deliberadamente decidiu que sua forma de fazer
as coisas foi melhor do que a do Sant�ssimo Padre.
� assim que vejo, e � assim que farei meu relat�rio.
S� um instante, Bispo.
Entende que n�o tenho interesse em me meter na sua vida pessoal.
Esta foi tirada no funeral de Kurt von Hartman.
Posso saber como Vossa Emin�ncia encontrou essa foto?
A pol�cia me deu a foto.
Conhecia Frau von Hartman antes dela se casar.
Estive aqui durante a minha licen�a do sacerd�cio.
Licen�a?
Obviamente cumpri meus votos. Foi h� muito tempo atr�s.
E agora, essa mesma mulher esta morando com voc� na Nunciatura?
Ela est� com a Irm� Wilhelmina, a faxineira.
N�o imagino que tenha algo de errado.
Mas, entenda o que os nazistas podem imaginar.
Dei abrigo a Frau von Hartman.
Da pol�cia que eu sei.
Mas o fato � que a pol�cia me disse que ela cometeu um crime...
Isso faz a propaganda da imagem da Igreja mais favor�vel?
Ela n�o cometeu nenhum crime. Ningu�m a acusou de nada.
Acho que eu devo lhe atualizar do assunto.
H� evid�ncia clara, que Kurt von Hartman...
por raz�es compreens�veis, estava planejando sair da �ustria.
Pode ser, mas acredito que...
Ele queria levar uma quantia grande de dinheiro com ele.
Isso � contra a lei h� muitos anos, muito antes dos nazistas chegarem.
Isso n�o envolve a esposa dele de modo algum.
O fato � que suas joias estavam inclu�das.
Inclu�das em que?
Costuradas, com o dinheiro, no forro de uma mala encontrada no apartamento.
- Eu n�o sabia disso. - Ela n�o lhe disse?
Ela me disse que n�o sabia de nada sobre os planos do marido.
E voc� aceitou isso. Talvez at� seja a verdade.
Se for, ela deve querer que a investiga��o prossiga para limpar o nome dela.
Diga, simplesmente, para ela cooperar com as autoridades.
- Quando as autoridades s�o a Gestapo... - N�o posso ter um esc�ndalo desse.
N�o no momento em que estou finalizando...
as negocia��es mais delicadas para o futuro da Igreja na �ustria.
Tenho que pensar nisto. Tenho que falar com Frau von Hartman.
Mas entende a import�ncia do problema
- e a urg�ncia? - Entendo.
Encontrar� uma forma de n�o me envergonhar
ou atrapalhar meu relacionamento com o novo governo?
Encontrarei uma forma.
Acabaram de divulgar os totais do plebiscito.
11.807 votos contra.
4.443.208 votos a favor.
A porcentagem dos votos a favor foi de 99,73%.
Obrigado, Padre.
A maioria de 99,75%
H� um sabonete na Am�rica que diz que � 99,44% puro.
Mas Hitler tem que ser mais puro ainda.
- Vai fechar a Nunciatura. - A �ustria n�o existe mais.
Nosso relacionamento diplom�tico � com a Alemanha, com o n�ncio em Berlim.
A Gestapo disse que encontraram uma mala escondida no seu apartamento.
Joias suas estavam costuradas no forro, junto com dinheiro em esp�cie.
Kurt sempre guardou minhas joias no cofre dele.
Vou achar uma forma de tir�-la do pa�s.
Voc� n�o me deve nada, Stephen.
Eu lhe devo muito.
Num momento quando eu havia esquecido
como amar, voc� me ajudou a amar novamente.
E voc� deu este amor, n�o a mim, mas para Deus.
Era dele no in�cio, sempre foi dele.
Para mim sempre foi voc�.
Nunca amei outro homem, a n�o ser voc�.
Com licen�a, Vossa Excel�ncia, telefone.
Quero uma testemunha do Vaticano comigo hoje � noite.
N�o somente para deixar tudo �s claras, mas deve ser uma experi�ncia educacional.
Quero que voc� relate que um n�o romano pode
p�r tudo a perder numa diplomacia bem sucedida.
- Vamos para onde? - Ver Adolf Hitler.
Estamos esperando h� mais de duas horas. O Fuhrer sabe disso?
Tenho certeza de que ele sabe, Vossa Emin�ncia.
Obrigado.
Duas horas � tempo demais, mesmo que esteja muito ocupado.
Mas pelo menos ele vai estar bem humorado.
A �ustria � seu maior triunfo at� agora.
Cardeal Innitzer.
N�o, Bispo Fermoyle.
- O Fuhrer quer falar com o senhor a s�s. - Mas eu especificamente pedi...
O Fuhrer deu estas ordens.
Com licen�a, Vossa Excel�ncia.
Vai contar para as pessoas quando estiver em
casa, na Am�rica, sobre estes dias de gl�ria...
como voc� presenciou a uni�o pacifica de dois pa�ses alem�es.
Vou dizer ao povo o que vi.
Ser� a mesma coisa quando libertar nossos irm�os alem�es
no sul da Tchecoslov�quia.
E tamb�m no seu pa�s.
- Est� falando dos EUA? - Estou.
N�o desejamos conquistar sua terra, nem ferir seu povo.
Nosso �nico prop�sito � libertar os 5 milh�es de alem�es l�.
Seu amigo deve ter dito algo errado.
Ele repudiou todos as promessas que me fez, cada uma delas.
Haver� uma guerra, ele disse.
A Igreja tem que ser alistada no servi�o da P�tria,
do mesmo modo que o ex�rcito.
Tem que se ter ainda mais controle aqui do que na Alemanha...
porque temos uma maioria cat�lica.
Nossas escolas ser�o abolidas. Nossos grupos de jovens desmantelados.
Um casamento cat�lico n�o ter� mais a for�a da lei.
No fim, ele come�ou a gritar...
e perguntou se eu achava que o Senhor Todo Poderoso
n�o o tinha escolhido para liderar o povo alem�o ao seu destino.
Ele n�o esperou pela resposta.
E me lembrei do que fiz no plebiscito.
Levantando minha m�o em uma contin�ncia pag�
e n�o disse, "Louvado Seja o Senhor," e sim, "Viva Hitler. "
Meus queridos jovens cat�licos de Viena.
N�s j� perdemos muito.
As organiza��es que constru�ram algo cheio de ideais est�o se dissolvendo.
Mas particularmente agora, nesta hora,
precisamos nos comprometer com novas determina��es para a nossa f�
e com Jesus Cristo que, sozinho, � nosso "Fuehrer" e Salvador.
Quietos!
Chamem a pol�cia! Prendam os cat�licos causadores de problemas.
Poder�amos salvar o sacramento bendito.
Vai at� a cripta embaixo da Catedral.
Emin�ncia!
N�o. � s� um arranh�o.
Temos que tirar voc� daqui.
Com um passaporte do Vaticano, � uma das poucas pessoas que pode sair do pa�s.
Pelo menos por enquanto. Tem que dizer a verdade sobre as promessas de Hitler.
N�o pode ficar aqui, Vossa Emin�ncia. N�o est� seguro aqui.
Seguran�a, lamento dizer, est� entre as ilus�es na qual n�o podemos mais contar.
Reze por mim.
Vossa Excel�ncia, uma coisa extraordin�ria...
Frau von Hartman.
A Gestapo veio question�-la. Eu disse que
eles n�o tinham direito de entrar no pr�dio que era propriedade
- de uma soberana entidade. - O que houve?
A Frau von Hartman foi l� fora conversar com eles.
N�o queria ser abrigada aqui.
Implorei que ela esperasse at� Vossa Excel�ncia voltar, mas...
N�o esperou?
Frau von Hartman disse que seu car�ter estava quase sem for�a para...
fazer o que estava fazendo aqui.
E ela iria enfraquecer se fosse conversar com o senhor.
Abra!
Eu n�o acreditei, Vossa Excel�ncia, quando disseram quem estava aqui.
Por que deixou que eles a levassem?
Porque de repente parecia mais f�cil n�o resistir.
N�o importava mais.
Importa sim e muito. Ambos sabemos que voc� � inocente.
Sou inocente da acusa��o de escapar da �ustria com dinheiro e joias.
Com a assist�ncia certa, pode provar isso. Pedi que um advogado viesse falar com voc�.
Se vale a pena tanto esfor�o, n�o sei.
Tive tempo para pensar sobre mim desde que o Kurt morreu.
Quando era uma menina mimada, em me apaixonei por um jovem.
Um padre.
Eu o amei. Pelo menos acho que o amei.
Mas ele era um desafio para minha vaidade.
Eu queria tir�-lo do sacerd�cio.
Queria tir�-lo de Deus.
- N�o v�o nos dar muito tempo. - Por favor, deixe-me falar.
Quando perdi esta campanha, eu estava desapontada...
e me voltei para o Kurt, que poderia ter sido o certo...
se eu pudesse me tornar para ele a esposa que sempre sonhei ser.
Uma mulher que existia somente para seu homem.
Coitado do Kurt.
Ele teria se satisfeito com muito menos, mas eu n�o dei nada.
- Annemarie. - Deixe-me terminar.
Mesmo quando duas pessoas tem pouca a compartilhar...
� poss�vel que elas fa�am um tipo de vida a dois.
At� quando se tem uma necessidade mais forte e incompreens�vel.
Quando Kurt tinha tal necessidade, n�o tinha aonde ir.
Ele me amava demais para sair do pa�s sem mim...
mas ele n�o confiava o suficiente para me dizer o plano dele.
Posso imaginar o que sentia...
quando ouvia meu discurso tolo sobre a nova, a grande Alemanha.
S� por isso mere�o estar aqui agora.
Acha que o Kurt gostaria disso?
N�o.
Ele foi bondoso demais. N�o queria que eu ficasse machucada.
Ent�o � uma raz�o para tentar limpar seu nome, por amor a ele.
Tamb�m por mim. Importo-me com o que acontece com voc�.
Obrigada. Gostaria que eu me importasse.
Vamos terminar. O tempo acabou.
Tem que fazer isso. A raz�o mais importante � por voc� mesma.
Por causa do que �.
N�o � uma formiga num formigueiro totalit�rio.
E sim, um ser humano, um indiv�duo...
com a pr�pria alma que Deus lhe deu.
Venha.
Obrigada, Vossa Excel�ncia.
E adeus.
Tenho a honra de lhe informr, Vossa Emin�ncia
que o Sant�ssimo Padre conferir� a barreta de cardeal
no consist�rio semi-p�blico no Pal�cio apost�lico do Vaticano,
quinta-feira de manh� �s 10:00.
Obrigado.
Meus amigos,
meus queridos irm�os em Cristo,
minha m�e
e outros familiares que viajaram de t�o longe para estarem aqui nesta ocasi�o.
Agrade�o a sua presen�a.
Sei que compartilham minha gratid�o ao Sant�ssimo Padre
pela honra que me deu e deu � Am�rica.
Quando a Sua Santidade me informou que pretendia me nomear
ao Sagrado Col�gio de Cardeais,
minha primeira rea��o foi a de que eu n�o poderia
estar � altura da sua confian�a em mim.
N�o consegui me livrar deste medo ainda. Acho que nunca vou conseguir.
Mas um segundo pensamento me deu a for�a para tentar.
O que me ocorreu foi que h� um significado
na decis�o do Sant�ssimo Padre para me enviar de volta para meu pa�s
como cardeal e arcebispo
neste momento de crise global.
O primeiro arcebispo na Am�rica, John Carroll,
era irm�o de um homem que assinou a Declara��o de Independ�ncia
e um exemplo vivo
da lealdade � Igreja e ao Estado,
� religi�o e � democracia
que este momento da hist�ria exige de todos n�s.
Vi de perto
o inferno na terra que nos espera
se o totalitarismo prevalecer.
Se o mundo esquecer que todos s�o filhos de Deus...
dotados pelo Criador
do direto invend�vel
� vida, � liberdade
e � busca de felicidade.
Esse � o credo da Am�rica. � o evangelho da Igreja.
Est� em perigo, neste momento, por causa de homens
e doutrinas que s�o os inimigos de todas as liberdades
pol�ticas, tanto quanto religiosa.
A defesa da liberdade requer vozes fortes
cora��es fortes,
m�os fortes.
Rezem por mim para que eu n�o vacile
e pela liberdade e exalta��o da nossa igreja
e do nosso amado pa�s.
Deus os aben�oe.
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