All language subtitles for A.Real.Vermeer.2016.1080p.AMZN.WEBRip.SiGMA

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Original subtitles

UM AUTÊNTICO VERMEER uma história quase autêntica

É isso? Eles podem simplesmente te executar? Não, certo?

Não é bem assim.

Traidor!

Sr. van Meegeren...

o que estava em jogo?

Minha alma.

Eles destruíram minha vida.

Desonraram meu trabalho, tiraram meu filho.

Me proibiram de viver.

Quem fez isso? Os ocupantes?

Cristo! A ocupação não tem nada a ver com isso.

Absolutamente nada.

Estou te ouvindo.

Vingança!

Você não acredita em mim, não é?

Você se recusou a ser assistido por um defensor.

Sim, Meritíssimo.

Você tem certeza?

Nenhum advogado acreditou na minha inocência.

Você pode se sentar agora.

Dou a palavra ao promotor.

Sr. van Meegeren,

como conseguiu aquele Vermeer?

Eu nunca tive um Vermeer.

Seu nome consta 4 vezes na conta pessoal de Göring.

Eu não sou um colaborador.

Mas é fato que você vendeu este Vermeer...

Não é um "Vermeer"!

...ao sucessor de Hitler, o marechal Göring.

Isso se chama "colaboracionismo".

Eu odeio os alemães.

Posso lhe dar um conselho?

Confesse.

Assim evitará o fuzilamento.

Sr. van Meegeren,

você tem o direito de permanecer em silêncio.

-Mas nesse caso... -Não há o que confessar!

Não é um "Vermeer".

Então, o que é?

Prossiga.

Maldição!

Filho!

Olá, papai.

Agora você também é um nazista.

Não, não, eu odeio...

O quadro de Göring, foi obra sua?

-Sim, é lógico. -Pois então, conte!

Você será executado.

Eu não sou um traidor.

4 palavras e você está livre.

Eu pintei esse quadro. Vamos, diga!

-Daí eu serei um falsário. -Mas não um traidor.

Conte logo.

Filho...

Não quero que você morra.

Olhe pra isso, filho.

Olhe...

I.V.M., Johannes Vermeer.

Veja...

onde nós moramos, Jac. Lindo, não?

De pé. Um pouco mais pra cá...

Isso. Sente-se.

-Qualquer um pode pintar isso. -Isso não é verdade, querido.

Apenas termine-o.

Han, pare.

Não, pare!

Vai acordar o bebê.

Eu gostei dele.

Olhe atentamente pra ele. O que você vê?

-Então? -Eu vejo "amor".

-Arte sem alma. -Mas eu gostei.

-Sou um pintor medíocre. -De novo não, Han.

Não!

Você gostou mesmo?

Vem cá.

Vem.

Desse jeito não.

Parece que está fingindo.

Han!

Senhoras e senhores...

bem-vindos ao Clube das Artes de Delft.

Fico feliz por ser reeleito presidente do júri.

Passo agora à cerimônia oficial desta noite.

O vencedor de 1924 é...

"Nossa Senhora com o Menino", de Jan van Meegeren!

-Han. Han van Meegeren. -Sim, claro. Han van Meegeren.

Seu lançamento recebeu elogios quase unânimes do júri.

Bravo!

Bem, um duro golpe no Picasso.

-Muito melhor, não acha? -É diferente.

A estreia de Picasso e a sua são incomparáveis, concorda?

-Admita. -Não.

A arte desses modernistas é fenomenal...

Veja bem...

Sr. van Meegeren, nosso jovem mestre.

-Jolanka Lakatos. -Ofélia.

Antígona. Cleópatra.

E nas minhas folgas, apenas a Sra. Bredius.

Então, Han...

Eu vou colocar...

Reparem nisso! Ele pinta como um menino de 10 anos.

Não seja tão tacanho.

Cadê a beleza, Theo? A beleza não importa?

A beleza não é o principal critério para julgar arte.

O que disse outro dia, Bram?

"O artista não procura, ele descobre."

Venha, querida. Eu vi a Sra. D'Ailly.

Sra. Bredius?

Gostaria de posar para mim?

-Tem interesse? -Tenho.

100 florins.

Se estiver assinado, valerá 10 vezes mais.

Mil florins!

Mesmo de graça eu não iria querer isso.

Reparou nos olhos dela? Aquele olhar?

"O artista não procura, ele descobre."

-Estou apaixonado. -Está bêbado.

Isso raramente acontece. Sou o novo Vermeer de Delft.

-Com apenas uma pintura. -Isso mesmo, apenas uma.

Nem sequer tenho um ateliê.

Trabalho no meio de um monte de fraldas sujas.

O que posso fazer?

Você já esteve lá em cima?

No andar de cima?

Tenho algo especial lá. Poucos conhecem.

Você arruma o lugar e eu arrumo os clientes.

-Retratos de senhoras ricas. -Retratos?

Já ouviu falar de Rembrandt, Frans Hals?

Eu sou o novo Vermeer de Delft. Eu quero expor.

Deixa isso comigo.

-Como posso lhe agradecer? -Dividiremos meio a meio.

Maldição!

Sr. Juiz, essa obra-prima foi uma barganha para o ocupante.

-Barganha, não. Obra-prima, sim. -A pena máxima...

Não é verdade!

Mas é fato que você vendeu este Vermeer.

Não é um Vermeer.

Então, o que é?

Um Van Meegeren.

Um autêntico Van Meegeren. Ora, ora.

Vendido para Göring por 1,5 milhão?

Sr. van Meegeren...

está afirmando que você pintou esse quadro?

Sim.

Sim, eu posso pintá-lo.

Sim.

Pintar como Vermeer.

Han van Meegeren pode fazer isso.

Ótimo, mas com menos detalhes.

Podemos fazer os olhos ou o nariz depois.

Agora, basta seguir a forma...

Ótimo, mas não pense demais. Pense apenas no modelo.

Não está nas suas mãos.

Sr. van Meegeren?

Ainda há vagas?

Obrigada.

Arte.

Aqui, não só a modelo é renderizada

com perfeição artesanal.

Aqui, o artista também se revela.

Propositadamente ou não?

O que essa tela nos diz

sobre os sentimentos do pintor por seu modelo?

Posso fazer outra pergunta?

Como você dá forma à sua relação com o modelo?

Me refiro ao cervo.

-Muito bom. -Até breve.

Obrigado. Até a próxima aula.

-Obrigada. -O prazer é meu.

Vingança?

Aquilo ficou inculcado na minha cabeça.

Com um ponto de exclamação.

-Então, você está delirando? -Não foi o que eu disse.

Mas não tive escolha.

Há uma palavra francesa para isso...

"Crime passionnel"?

Crime passional, isso.

O ódio, o desprezo...

O desgosto.

Como se estivesse nadando na sua própria merda.

2 gotas três vezes ao dia. E nada de bebida alcoólica.

-O que é isso? -Colírio de cocaína.

Tudo por causa daquele maldito fole.

-Temos que nos apressar. -O que nós vamos fazer?

-Tio Theo tem um "Hals". -Que legal.

-Mas o que vamos fazer? -Espere e verá.

Minha Nossa Senhora!

Olha só isso! Essas pinceladas enfurecidas.

-Esses olhos brilham de verdade. -O macete é como se gira.

-Eu sei girar. -Pois gire direito.

Han, um autêntico "Hals". (Malle Babbe, 1633)

Já mostrou para algum especialista?

Não, temos que restaurá-la antes.

Eu? Nem pensar!

Qual é, só você pode fazer isso.

Meio a meio.

Sim.

Esses olhos... um belo restauro.

Você tem habilidade técnica.

Poucos conseguem. É de alto nível.

-Essas pinceladas enfurecidas. -Grato pela confiança, Sr. Bredius.

O cervo da aula de pintura, está à venda? O desenho, lógico.

É mais anedótico do que arte.

Minha esposa o achou... como direi?

-Fofo. -Por isso que não está à venda.

Hals usava o alvaiade. E não o vejo aqui.

A camada original de tinta permanece intacta aqui.

-Pouca textura, nenhum pigmento. -O craquelê é da época, não?

Uma boa falsificação, por volta de 1870 ou 1880.

Mas está assinado.

Sr. Bredius, para sua esposa. Por conta da casa.

Eu não disse? É uma falsificação. Certo, Sr. Bredius?

Ora, ora...

uma pintura de 300 anos que se dissolve em álcool.

Estranho. Não é comum que aconteça isso.

Vamos ouvir o especialista, o professor Bredius.

São poucas as telas do Século de Ouro...

em que a essência da fé esteja tão claramente expressa.

Arte superior.

-Um Vermeer? -Não.

Um autêntico Vermeer.

Sr. Juiz,

isso parece suficiente para contestar a alegação do réu.

-O Sr. Bredius fez o teste com álcool? -O quê?

Sei perfeitamente distinguir o verdadeiro do falso.

-O que é o teste com álcool? -Manobra de diversão!

Você ainda sustenta que pode pintar como Vermeer?

Sim, mas esse não era o pior problema.

Eu tinha telas, molduras e lindos pigmentos antigos.

Mas eu não podia esperar...

300 anos até que a tinta endurecesse, sabe?

-Está dissimulando. -Um momento.

-Sabe o que é um pigmento? -Claro!

Em vez de misturá-lo com óleo, você usa baquelite.

Baquelite?

-"Baque" o quê? -Baquelite.

É americano. É fantástico. Vende como pão quente.

É moldada sob alta pressão e ao esfriar,

fica dura como uma rocha.

-Barend! -E resistente ao calor.

Ao longo de terríveis caminhos...

Ah, não!

Não, meu querido!

Você me destruiu.

Sim, me destruiu!

Dor!

Você.

Meu próprio irmão.

Meu querido.

Leve-me em sua urna...

pois eu não sou nada.

Preciso deixar de existir.

Eu só quero morrer...

e compartilhar a sepultura com você.

Os mortos não conhecem o tormento.

Minha Nossa!

-Eu bati à porta. -É mesmo?

E eu disse "entre"?

Você esteve magnífica no palco.

Só queria parabenizá-la.

São suas?

São.

Lindas. Obrigada.

Também manda flores para sua esposa?

Sim, claro.

Estou ansiosa pela sua exposição.

Vai haver uma, não?

Soube pelo Bram.

Figurativismo ou abstracionismo?

Não é seu estilo, né? Não é aficionado por Picasso.

O que vai ser? Retrato pictórico?

Isso também e um monte de Jesus.

-Bem excitante. -É, talvez...

Gosta de bancar o difícil, hein?

Veja...

É ali que eu moro.

Eu disse que estava indo pra casa?

Quero posar para você de novo.

Agora?

Com uma condição...

não vou me despir, está bem?

Mora aqui há muito tempo?

Só tinha 16 anos quando cheguei.

Pela primeira vez na vida, tive uma banheira de verdade.

Aquele calor na sua pele.

-De onde você é? -Szabadszentkirály.

200 km a pé de Budapeste.

E dali de trem para a Bélgica, para me restabelecer.

E Bredius?

Bram é sobrinho do meu pai adotivo.

Ele me levava aos sábados para visitar museus.

Imagina só,

um cigana destinada a virar prenda doméstica,

e de repente, fiquei cara a cara com Van Eyck,

Breughel, Rubens.

Daí resolveu casar com ele.

Segurança.

Entregar-se para outra pessoa.

Mas, além disso, você...

também teve...

Eu amo Bram.

-Jolanka? -Jólanka.

Meu Deus!

Não fico perguntando o que faz com sua esposa!

Jólanka, por favor. Ainda não terminei.

Jólanka...

Um alento para o mestre!

Han, trouxe uma garrafa que precisa ser esvaziada.

Companhia.

Talvez seja prudente manter as mãos longe dela.

Han, prefere uma exposiçăo ou uma rapidinha?

Uma rapidinha.

-Theo, essa mulher... -Ela é casada.

Ele explodirá de raiva.

-Sim, sim... -Vacilão.

Ele pode abrir a sua exposição.

Pai?

Sim?

Surabaya é longe que Haia?

"Mais longe do que Haia!"

Sim, fica bem distante.

Umas 100 vezes?

Mil vezes?

Pai, terminei.

Certo.

Sonny, ficou lindo.

Só faltou um retoque. Largue o pincel.

Use esse dedo.

Sua vez.

Jac, vamos embora?

Agora está concluído.

-Venha. -Me solte.

Pare! Idiota!

É uma encomenda?

Você gostou?

Sim, é lindo.

Cheio de vida.

Transborda...

amor.

Supera o anedótico. Ultrapassa a história pessoal.

Sórdidas paixões insinuam-se pelo verniz. Seu pervertido.

Bem, um brinde.

Ao sucesso!

Ele esteve aqui?

Ontem à noite. Eu escondi isso.

E...

Um talento indiscutível.

Um trabalho promissor.

Não há nada semelhante a Van Meegeren.

Espontaneidade incomparável.

O resultado é um controle inigualável

das técnicas de pintura a óleo.

Nada parece sugerir que van Meegeren

está em dívida com os velhos mestres.

Um talento fenomenal...

que nos faz sentir o sopro do Século de Ouro

e, claro, a paixão ardente por seu modelo.

Você gostou?

Você não pode dizer que sim, não?

Então?

Eu não o pintei.

Tampouco posou para ele?

Trata-se dele.

É como ele me vê.

Amor acorrentado, senhoras e senhores, em abundância aqui.

Paixão vulcânica.

Quando é que o ofício se torna arte?

Quando a arte vira arte?

O artesão se torna criador quando é tocado pelos deuses.

Ali, "Cristo com os Apóstolos".

Um "tableau vivant", sem dúvida.

Mas tão natural quanto uma foto...

sem a profunda percepção da fé.

Eu gostaria de saber: "Han, onde você está?"

Onde está sua individualidade, sua originalidade?

Quem é van Meegeren?

Estamos lidando com um encrenqueiro? Um amador?

Um charlatão?

Podemos chamar van Meegeren de "peintre du dimanche".

Um virtuoso pintor "de segunda".

Quem é van Meegeren?

Podemos encontrá-lo no reino vegetal e no reino animal.

O parasita.

O parasita se instala no hospedeiro

e suga sua energia vital.

Qual é a sua aposta? O parasita?

Qual é o risco?

O artista cria e investe seu sangue e suor.

Seu intelecto, sua vida.

E o especialista?

Ele se inclina para trás, boceja e sorri.

Com sua canetada, uma vida é destruída.

MAU GOSTO

VAN MEEGEREN: SEM VISÃO E INCOERENTE

CARICATURISTA

CHARLATÃO

E ao ler isso, você quis se vingar!

Eu não quis nada.

Sentia nojo só de ver um pincel.

Eu quis sumir.

-O que você quer? -Você tem visita.

Se você declamar, vira poesia.

Meu Deus, Han!

"Não sei nada, não sou nada. Não faço nada certo."

-Ele arruinou meu trabalho, sabe? -Seu filho está aqui.

Maldição!

Escrito mil vezes. "Não sei nada, não sou nada,

não faço nada certo."

Sabe o que minha mãe disse pra mim?

Para eu não esquecer mais...

Ela me colocaria no penico e aí pintaríamos figuras.

E depois me puniria enfiando minhas mãos na merda.

Olá, pequeno homem.

Você está elegante...

O que foi?

-Qual o problema? -Ficarei com vovô em Surabaya.

Jac...

Adeus, Han.

Por que ainda está aqui?

Disse para sair antes das 7hs.

Vamos, vá embora.

Depressa! É a mesma coisa todos os dias!

Ei, vagabundo. Cuidado!

Pode olhar mas nada de tocar!

-Você me ouviu? -É lindo.

Claro que é, todas as minhas coisas são belas.

-É uma obra-prima. -Obra-prima?

Sim, foi feita na Holanda. A terra das tulipas.

Custa só 5 mil.

-5 mil? Tá caro. -Caro? Ela é perfeita.

SALVE O DUCE

O que está procurando?

Eu...

eu não procuro, eu descubro.

-Veio sozinha? -Com o Bram.

Ele me deixou acompanhá-lo. Ele fará uma palestra.

Que coincidência.

Eu sabia que você estava aqui...

só não sabia que era músico.

Theo disse que você estava em Roma.

Ele manda lembranças.

Bem...

Eu estava indo para a Galleria Borghese.

-Ainda pinta? -Não.

-Já esteve aqui antes? -Na lua de mel.

Bram achou que você era uma promessa.

Ele se arrependeu do que fez com o cervo.

Ele não é assim. Bram é um bom homem.

É mesmo?

Han, você me retratou maravilhosamente.

Como assim?

Como se eu estivesse olhando no espelho.

Quando estou sozinha, sem olhares indiscretos.

Tenho que ir.

Nos vemos amanhã? Tenho uma surpresa para você.

-Está se divorciando. -Por que eu deveria?

Te vejo amanhã? É por minha conta.

Veja. Os discípulos. Isso é pura mágica para eles.

Caravaggio captura o momento pouco depois da caminhada,

quando Jesus é reconhecido pelos discípulos em Emaús.

E como todos já sabem,

Caravaggio teve uma profunda influência

sobre os pintores holandeses do século 17.

Principalmente, Rembrandt.

E quanto a Vermeer?

Não há prova de que ele conhecera Caravaggio.

Mas ainda acho que um dia descobriremos

uma conexão entre Vermeer e Caravaggio.

Como?

Com os cumprimentos do seu empresário.

Ele...

Ei, não pode fazer isso!

-Fome, fome. -Ah, não!

Dinheiro, dinheiro.

-Ele aguentará por um tempo. -Ele vai comprar grappa.

Ou conhaque para o pai alcoólatra.

15 mil libras?

Theo, Theo.

Com licença!

Uma garrafa de Prosecco, por favor.

E um quarto, por favor. Com banheiro.

Isso foi por um Frans Hals que restaurei para Theo.

-Mas ele não era... -Foi vendido!

Mas não era falso?

Grazie!

Só não pense que vou dormir com você.

Por que não?

Por que só pensa nisso?

Pode ganhar dinheiro com isso.

Eu sei.

Você quer dizer que já fez?

-Meu pai... -Sente falta dele?

Eu tinha que tocar diariamente.

Nos Cafés.

Nos restaurantes, nas ruas.

Meu dinheiro sustentava sua bebida.

Ou outras coisas que nem imagino.

-Veja só isso. -Eu tinha 7 anos.

Dormia com fome todas as noites.

Mas isso é passado.

-Acabou. -Mas...

Deixe-o onde está.

-Certo? -Sim.

-Obrigada. -"Prego!"

Experimente.

Você me quer muito, né?

Amador...

Charlatão...

Quem é van Meegeren...

O que está fazendo?

Você é minha.

Minha eterna musa.

Sabe o que sua musa pensa?

Volte a pintar.

Está bem. Eu só quero pintar você.

-Você tem que posar para mim. -Eu já posei. Han, eu...

-Han, já estou muito atrasada. -Veja.

-Lindo. -Sim, mas velho.

Um pintor holandês, não assinado. 5 mil liras.

-Uma velharia bem cara. -Sim, mas...

Olá, bem-vindo de volta.

-Como você está? -Melhor agora, te vendo!

Ótimo.

-A tela, 3500. -3500?

Trato feito. Sorte a minha.

-Aqui está. -Ah, grato, amigo!

Lembranças à sua mulher.

É velho, é bom, é lindo. E então?

-O que vai fazer com isso? -É para você.

-O que Bram vai dizer? -Bram, Bram...

-Gostaria que estivesse assinado? -Han, por favor...

Você deveria ter se casado... você casou com esse gênio.

-Já chega. -Conhecimento sim, compreensão não.

-Talvez ele tenha razão. -O quê? Quando?

-Você está me machucando. -Vadia mimada.

20 telas.

Tive que descartar 20 telas por causa daquele maldito.

-Bram não foi o único... -O quê?

que achou que sua arte é insossa.

Ele disse que minha arte é insossa?

E também fria.

Insossa.

Fria.

Não há prova de que ele conhecera Caravaggio.

Mas ainda acho que um dia descobriremos

uma conexão entre Vermeer e Caravaggio.

O elo perdido.

Então...

cansou de Roma?

Faz 6 anos que vivo entre oliveiras.

-Roquebrune. Riviera Francesa. -Graças ao meu "Hals".

É verdade.

Vamos tentar de novo?

Eu sou um artista, não um falsário.

Você tem talento para isso.

Estou de olho em algo muito melhor.

-Um Vermeer. -Um Vermeer?

-Sim, um Vermeer. -Um autêntico Vermeer?

-Assinado? -I.V.M.

E que tela é essa?

A Sra. Bredius.

O Vermeer! Como será a pintura?

A Ressurreição de Jesus.

Ele almoçando com os discípulos em Emaús.

Conte-me como o Vermeer foi adquirido.

Bem, esse colecionador, o marquês fulano de tal,

apanhou dos caras de uniforme preto. Uma coisa terrível.

-Daí ele trocou a Itália pela América. -Como sabemos que é autêntico?

Quem você pensa que eu sou? Está um pouco danificado.

Um pequeno rasgo, mas é lindo.

Indescritível. Caravaggio não chega nem perto.

-Muito menos Rembrandt. -Alguma documentação?

Chega de perguntas, cuidarei disso.

-Então, que tal 80-20? -Faremos igual ao Hals, 50-50.

Theo, quantas vezes você recebe um Vermeer?

70-30.

Trato feito?

Ah, só mais uma coisa.

Certifique-se de que seja autenticado como um Vermeer.

Por Bredius.

-Bredius? -Exato.

-Ele não vai te receber! -É aí que você entra.

É por isso que tem seus 30%. 30% de 200, 300 mil?

Eu lhe imploro!

Responda-me agora... minha tristeza,

minha glória,

com compaixão à minha angústia.

Você conhece meu sofrimento.

Quero dedicar a você...

minha dor...

minha morte.

Venha comigo.

Peço perdão.

Pelo modo como te tratei em Roma.

Quero me casar com você.

Com uma vadia mimada?

Não posso viver sem você. Você é a minha paixão,

minha musa, você é tudo!

-Lembre-se do que combinamos. -Eu não sou uma criança!

Amor acorrentado, lembra-se? Paixão vulcânica!

Bram!

E assim aconteceu...

quando se sentou à mesa com eles,

tomou o pão,

...abençoou-o.

Meu Deus!

Pegarei você, parasita!

Lembranças desagradáveis faz com que vivamos

em constante sofrimento.

Isso explicaria seu vício em álcool.

-E suas fantasias de onipotência. -Você quer dizer narcisismo?

-Seu rancor, sua paranoia? -Só isso?

-Sua psicopatia histérica. -Ah, o especialista.

Estamos falando de enriquecimento ilícito.

Durante a ocupação,

ele adquiriu umas 50 casas em Amsterdã.

-Condomínios, hotéis... -"Tacanho".

Como?

Sr. Juiz...

Ele conduz sua própria defesa.

Você já parou na frente de uma pintura?

E a admirou? Movido só por sua beleza?

-Sentimentalismo, Sr. Juiz. -Já esteve num museu?

-Não é desculpa para colaboração. -Já viu um Vermeer de perto?

Olha pra isso, a cabeça...

Não tem nada a ver!

Jesus parece uma garota.

E que garota...

Ela me parece familiar...

Ei, gordo!

Repare nela!

Esse olhar excitado!

Ainda se lembra, não?

Venha.

Venha, meu jovem.

O que podemos sentir com tudo isso...

é a paixão de Vermeer por seus modelos.

A mágica: cadê a mágica?

Isso não tem nada a ver com Vermeer.

Isso é perspectiva? Essas cores estão uma merda.

Faria Vermeer revirar-se na cova.

Meu filho, você não deveria beber tanto.

Mas fiquei fascinado pelo craquelê.

Essa tensão insuportável.

Olá?

Tem alguém em casa?

Não.

Senhor, abra a porta, por favor.

Não quero saber de visitas.

Eu procuro pelo Sr. van Meegeren.

O que deseja?

O que foi?

Pai?

-Ei, filho... -Ei, pai.

Ei, rapaz. Ei, garoto.

-Tinha tanto orgulho de você. -E eu de você.

E ainda tenho.

Quero lhe mostrar algo.

-Cadê o seu ateliê? -Eu parei de pintar.

-Que pena. Mamãe dizia... -Agora sou um negociante.

Eu e o seu tio Theo.

Que tela estranha.

-É antiga? -Veja.

-I.V.M. -Johannes Vermeer.

Não! É autêntica?

-Sim. -Impossível!

-Como? -Conexões do seu tio Theo.

-Existem quantos Vermeers? -34.

E você tem um na cozinha?

O que foi?

Para um Vermeer, está...

Rústico demais.

Não parece um Vermeer. Está...

Falta alguma coisa.

Sua fase desconhecida, uma lacuna na história da arte.

A temática religiosa de Vermeer.

Meu Deus, pai...

Um autêntico Vermeer?

Poderia fazer algo para mim? Pegue. Jac, por favor.

É um "Vermeer". Não se pode fazer isso!

Não é um "Vermeer".

É seu.

O que quer fazer?

Tem que parecer antigo. Olha pra mim.

Escute!

Eu não posso, Jac.

-Basta um pequeno rasgo. -E depois?

-Um autêntico Vermeer, né? -Se for autenticado.

Para poder vendê-lo? Pai, você não é um...

O Rijksmuseum o quer. O Boijmans, o Mauritshuis...

Eles estão brigando entre si. Meio milhão.

Os americanos estão na fila.

Você é um falsário.

Eu só forjei uma assinatura.

-Você é um artista. -Sim, minha obra no Rijksmuseum.

Filho, seu pai no Hall da Fama.

Anônimo, mas mesmo assim.

Imagine só, Hals, Rembrandt...

E então...

seu pai.

-Meu pai? -Sim.

Um maldito vigarista.

Reconhecimento?

Certo?

É isso?

Lamento tê-lo...

Tudo bem.

Você manda.

Mesmo que fique com raiva.

Tomara que dê certo!

Que eles comprem.

Que você fique lá, ao lado de Rembrandt.

Vamos mostrar pra eles.

Vingança.

É infantil, certo, mas...

Eu pego ele!

Sentado lá em uma cadeira bamba...

de couro pegajoso...

Quero minhas lentes e minha camisa suja de vinho.

Aquela camisa para artistas, feita de batique.

Costurada para mim por sua mãe.

Bordada com miçangas e fios de ouro.

Ela deu pra mim.

Assim que pendurarem,

eu falo a verdade e devolvo o dinheiro.

Passarão por idiotas.

-Próximo a esse azul... -E a mão...

Conhece sua procedência?

É o elo perdido.

Sim, a sutileza...

-E a procedência? -Perfeitamente documentada.

Marquês Doria Pamphilj.

Nobreza falida de Salerno.

Uma obra profunda que sublima a história bíblica.

O pleno domínio da forma evidencia uma arte elevada.

A façanha do século, papai.

O melhor dia da sua vida.

Vossa Majestade, senhoras e senhores...

Uma obra-prima comovente!

Ouso até dizer que é a obra-prima de Vermeer.

A arte jamais produziu uma criação tão nobre.

Vossa Majestade,

nos dê "Cristo em Emaús", de Johannes Vermeer.

Lindo, não?

O "Vermeer" mais lindo que eu já vi.

Tinha a sensação de que iria vê-lo aqui.

Eu tinha de estar aqui.

Han, senti sua falta.

Ainda me quer?

-Ainda pensa em mim? -Olhe.

É você.

Han, essa tela tem 300 anos.

Eu a fiz. Eu a pintei.

Quem é aquele?

-Jesus Cristo. -Não, repare nos olhos dele.

Como poderia me esquecer de você?

Nem por um dia, nem por uma hora, nem mesmo...

O que deu em você?

Todos estão caidinhos pela tela.

Eu vou esclarecer tudo. E compensar todos.

-520 mil florins. -E o que conseguirá com isso?

Você quer ridicularizar Bram.

Não!

Han...

Você já venceu.

Eu vou me divorciar.

Pai...

-Meu filho. Jac, Jólanka Lakatos. -Olá, Jac.

Uma grande aquisição, não?

E ficou linda ali.

Pai. Agora.

Vai!

E então?

Meu filho querido...

Eu bem que tentei...

mas falhei.

E eu te decepcionei.

Não posso voltar atrás no tempo...

e tomara que um dia você possa me perdoar.

Que consiga se lembrar do grande pai que tentei ser.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Parabéns. Para você também.

Não temos como fugir disso.

Voltaremos para a Holanda.

Fantástico.

Essa atmosfera sombria e teutônica.

Maravilhoso.

-Sr. Marchand... -Marechal.

Encontre algo assim para mim também.

Estou farto desses "Jesuses".

-Sabe quanto eles pagarão? -Eu não me importo!

-Fiz mais Vermeers do que o Vermeer. -1,5 milhão.

Aquele gordo...

ali.

-Göring? -Göring.

Hitler já tem 2 Vermeers, agora ele quer um também.

Altamente arriscado.

Se descobrir que é falso, ele vai fritar meu saco.

Não posso evitar ser um homem da Renascença.

Qual a procedência?

-Não pude detê-los. -A tinta mal secou.

Está tudo documentado.

Os pigmentos foram analisados?

O craquelê foi verificado? A moldura?

Sem dúvida, Marechal. Tecnicamente à prova d'água.

Por volta de 1654.

Fantástico.

Essa atmosfera sombria e teutônica.

Essa não é uma reunião de escoteiros.

Para ferrar esses nazistas, é preciso bajulá-los.

Trapacear é uma arte.

Sr. Juiz, em suma, essa imagem é mais do que incriminadora.

Eu sou um falsário, um picareta, exceto traidor!

Só mais uma tela...

e encherei o canal Keizersgracht...

com lantejoulas.

Outro "Jesus".

Outro "Vermeer".

O que mais? Um "Picasso"?

Um "van Meegeren".

Quero ver um "Han van Meegeren".

Eu te amo.

Andando no escuro ao longo da borda de uma ravina.

Sem saber o que está procurando...

até que consiga encontrar.

Arriscando-se a cair.

Você deveria tentar.

-Olhe. -Para mim?

Não, para Herr Hitler. Poderia entregar pra ele?

Sim, só não se esqueça de assinar.

Claro, assinarei agora mesmo.

"Andando no escuro ao longo da borda de uma ravina."

Não é o que você queria?

Deu sorte que ele deixou no tabuleiro.

Você é minha.

-É? -Sim, você me ama.

-Diga, diga. -Han!

Você me seduziu, lá nas escadas.

Van Meegeren entre Hals e Rembrandt.

Isso te excita, não?

Não há Van Meegeren entre Rembrandt e Frans Hals.

Eu tenho uma tela lá, sim ou não?

Tem, mas ninguém sabe que é sua!

Daqui a 50 anos...

ninguém saberá quem foi Han van Meegeren.

Sabe o que Theo falou para mim?

Sabe o que é que te falta?

Caráter.

Exprimir coisas que você não possui.

É o professor Bredius falando?

Criação, originalidade. Isso é arte.

Uma mulher como um cubo com um olho.

Quadrados azuis com linhas pretas. Como se chama isso?

Arte degenerada.

E copiar "Vermeer" para o Sr. Göring?

Eu jamais copiei Vermeer!

Eu nunca...

Nunca!

Você perdeu a noção.

Se descobrirem isso...

Tem que ser muito tolo para escrever: "Para o Führer".

Ele conhece a verdadeira arte.

Isso é alta traição?

Fazer esta pergunta é também respondê-la simultaneamente.

Conforme a Corte Especial de Justiça,

busco a pena máxima.

Obrigada.

Dedicado ao nosso amado Führer, Han van Meegeren.

Não posso entrar em seu âmago,

mas vingança é bastante plausível.

-É fácil te manipular, senhora. -Eu pintei essa tela!

Eu posso provar. Me dê tinta, paleta, tela...

E uma garrafa de Bordeaux? Uma poltrona perto da lareira?

Doutora?

Eu pediria à corte que concedesse ao Sr. van Meegeren

o benefício da dúvida.

Isso é um absurdo!

Uma demonstração? Protesto, Sr. Juiz.

Além de oportunista, ele também é um partidário!

Acredita na inocência dele?

Não.

De modo algum.

Mas só o Criador pode tirar a vida de alguém.

Ou seja lá qual for o termo.

Este julgamento está suspenso até um novo aviso.

ELE PINTA POR SUA VIDA

Então, um novíssimo Vermeer, a tinta ainda está úmida.

Tenho grande admiração pelo que

o Sr. van Meegeren logrou alcançar.

Hoje elucidaremos a questão que se coloca,

se o réu cometeu ou não o crime de alta traição.

Ou que ele tapeou Göring e fez os nazistas de palhaços.

Dou agora a palavra ao presidente

do comitê de especialistas, o professor Bredius.

É simples. Sr. Juiz, deixe-me inteirá-lo.

Esta pintura não faz jus ao Vermeer

que foi parar nas mãos dos nazistas.

O saque de Göring data do mesmo período do insuperável

"Cristo em Emaús".

As semelhanças estilísticas entre as obras são aparentes.

E aqui temos essa imitação barata.

Receio que o Sr. van Meegeren

não salvará sua vida com esta pintura "de segunda".

Idiota. Seu "papa da arte" estropiado.

Não falo com colaboradores.

Você foi desmoralizado, Bredius.

Lamento.

-Não posso salvar sua pele. -A sua, você quer dizer.

Com seu palavrório sobre arte nobre. O que sabe você?

Eu pintei o Vermeer do Göring!

-Meritíssimo Juiz! -Está me ouvindo?

Quem vocês acham que pintou "Cristo em Emaús"?

-Ele está aqui nessa sala. -Mas não foi "Cristo em Emaús".

Foi.

Com toda a certeza.

Quem é você?

Sra. van Meegeren.

Fizemos uma radiografia da tela

para expor a estrutura da pintura.

Está claro que essas pinturas são as mesmas.

Muito provavelmente feito por Abraham Hondius.

A camada sobreposta, contudo, não tem mais do que 15 anos.

-Há quanto tempo Vermeer morreu? -Cerca de 300 anos.

Então, "Cristo em Emaús"

deve ter sido obra de outro mestre holandês.

Sem dúvida.

O tribunal decidirá em 10 dias.

Que Göring apodreça no inferno!

Absolvo o réu da acusação de alta traição.

Mas declaro-o culpado pelo crime de fraude...

em relação às seguintes pinturas.

"Cristo em Emaús", Vermeer, 520 mil florins.

"A Última Ceia", Johannes Vermeer...

600 mil florins.

"Jovem Cristo no Templo"...

1.250.000 florins.

"Isaac abençoa Jacob"...

1.275.000 florins.

E "Cristo e a Mulher Adúltera",

1.500.000 florins.

Você admite que pintou essas telas?

Sim, Sr. Juiz.

Todas elas.

E que as vendeu por um preço exorbitante?

Se o preço delas for baixo, ninguém acreditará que são reais.

Este tribunal comprova as falsificações

e o sentencia a 1 ano de prisão.

Além disso, terá que pagar 5 milhões de florins.

Sim, essa é a diferença entre o que você ganhou

e o valor real dessas telas.

A diferença entre Vermeer e van Meegeren.

Mas elas ainda são as mesmas telas.

Estas são as últimas notícias da agência holandesa ANP."

"Ontem, em Amsterdã, o pintor van Meegeren morreu aos 58 anos."

"Um mês depois de ter sido condenado a 1 ano de prisão."

Como ele próprio afirmou,

o verdadeiro van Meegeren trabalhou 6 anos em seu Vermeer.

Suas técnicas ainda são admiradas por especialistas modernos.

"Cristo em Emaús"

continua atraindo uma multidão ao Museu Boijmans.

Pelos padrões pós-modernos,

o trabalho de van Meegeren é efetivamente...

uma arte.

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