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[música de suspense]
[respiração ofegante]
[música de tensão]
[som distorcido]
[respiração ecoa]
[música melancólica]
[Keila] Eu me pergunto como deve ser te beijar.
Sinto o calor abrasador da febre, não consigo respirar.
[Keila] E sem que eu perceba, cheiro seu cabelo e tudo passa.
Como eu te conto que eu tô morrendo,
mas que prefiro ficar aqui pra sempre,
sentindo o seu calor?
Eu sei que são alucinações,
os delírios da morte.
Mas e se for amor?
Eu acho que é isso.
Eu me apaixonei por você, Bruce.
[música melancólica aumenta]
[Keila] E nem seu nome de verdade eu sei. É ridículo.
[Bruce ofegante]
A minha garganta tá fechando, eu tô sufocando.
Mas só consigo pensar que eu não te disse a verdade.
Que eu te amo.
E que todas as vezes que fiz amor na minha vida foram através de telas.
Num mundo virtual.
Bebe, Keila. Bebe água.
[música continua]
[Keila] Você tinha razão. Aquilo não é nada.
Não existe um cheiro como o seu.
Nem as carícias, nem os pelos arrepiados como os meus agora.
Como te conto que talvez eu seja a última virgem do Ocidente,
mas que eu quero deixar de ser com você?
Preciso que você me salve pra te contar tudo isso,
e pra gente rolar no chão até o entardecer.
[música aumenta]
- [Keila] Tomara que você me salve. - [música encerra]
[música tema]
BERLIM
[música encerra]
Você encontrou alguma coisa?
Por enquanto, todas as digitais são do pessoal da casa.
[música de tensão]
Dá um minuto.
Eles entraram e levaram 44 milhões em joias.
E depois evaporaram sem deixar rastro.
Impressionante como nós, espanhóis, somos geniais.
Só não esquece que o cérebro do roubo é francês.
[bufa]
Óbvio.
Nem no mundo do crime conseguem deixar de ser chauvinistas.
Você conhece a estratégia da vaca velha?
Que "vaca velha"?
Não sei se a polícia francesa também chama assim.
Não. Eu nunca tinha ouvido falar.
Bom, quando os fazendeiros do Orinoco
precisam cruzar o rio, que tá cheio de piranhas,
eles levam a vaca mais velha pela parte mais baixa do rio.
E, enquanto as piranhas a devoram,
eles cruzam com o resto das vacas pela parte de cima.
Interessante.
Na França, a gente chama de "manobra de distração".
O que tá bem nítido é que você e eu somos as piranhas. E o rebanho, o grupo.
Mas pra você, quem é a vaca velha?
Os jovens espanhóis, é claro.
[ri]
Vamos lá. É óbvio que eles querem que a gente siga uma pista falsa.
Não faz o menor sentido violar esse lugar,
com um dos sistemas de segurança mais complexos de Paris,
e depois sair daqui, ir pra uma discoteca, roubar um carro
e terminar fazendo um racha com um bando de delinquentes juvenis.
Eles e a joia encontrada no carro roubado são a distração.
Você esqueceu de um pequeno detalhe.
Que o truque da vaca velha consiste em se desfazer do elo menos valioso.
E essa joia custa...
quatro milhões de euros.
É a terceira joia mais valiosa do lote. Não faz sentido.
Não...
Eles não a usaram como distração.
[música de tensão]
Meus queridos espanhóis cometeram um roubo com rompantes de genialidade.
E, embevecidos pelo sucesso e adrenalina, eles foram comemorar.
Disputando rachas ilegais.
Porque esse é o temperamento espanhol: festivo.
E qual é a sua teoria?
A vaca velha é o Polignac. Então tirem ele da cadeia.
[música tensa aumenta]
[música encerra]
[porta destrava]
Como você tá, meu amor?
Eu tô bem. Estou praticamente sozinho na cela.
Parece que eu tô num hotel.
[respira fundo]
[música suave]
O Simón veio porque a gente tem uma coisa importante pra dizer.
Ele se ofereceu pra dar o dinheiro pro advogado.
[suspira] Eu não posso aceitar isso.
Vamos pensar nisso com mais carinho, tá?
A gente tá com a casa e com as contas bloqueadas.
E você precisa de um bom advogado.
Não acha que a coisa tá humilhante demais
pra, além de tudo, ter que aceitar o dinheiro dele?
[Camille suspira]
[Berlim] Camille.
Você me permite, um segundo? Obrigado.
Oi, François.
Veja bem, eu superentendo o seu receio. E por isso eu quero ser claro.
Eu não faço isso pra te humilhar.
E como você já percebeu, eu também não sou um filantropo.
Eu faço por ela.
A sua mulher tá destruída. Porque acredita na sua inocência.
Nesse momento, somos dois homens unidos pelo amor a uma mulher.
E se ela acredita que você é inocente, eu também acredito.
Você não faria o mesmo?
[Camille suspira]
[música suave continua]
Eu vou aceitar esse dinheiro, mas só com uma condição.
Que seja um empréstimo.
É isso. [ri]
Claro que sim. Esse é o espírito.
Olha só, não faz amizade aí dentro nem decore a cela,
porque em quatro dias você vai tá livre.
[Camille e Berlim riem]
Obrigado aos dois. Eu tô nas mãos de vocês.
[música calma]
Estamos juntos nessa, François.
[suspira]
Essa é a nossa prisão também.
E vamos jogar juntos, os três juntos, como uma equipe de remo.
É isso aí. Uma equipe de remo.
[Polignac] Um por todos e todos por um.
[música clássica animada tocando]
[ambos suspiram]
[música continua]
[ambos gemem]
[música encerra]
[Bruce ofegante]
[música de suspense]
[música de ação]
[música aumenta]
Ei, para! Para, porra!
[buzina soa]
- Ei! - [pneus derrapam]
POLÍCIA
[música de tensão]
[música diminui e encerra]
- Oi. - Oi.
- Você quer entrar? - Não, não. Desculpa, não quero incomodar.
Eu só vim te devolver a garrafa.
[surpresa] É sério?
Deu muito trabalho tirar o último limão?
Tô falando porque tava aí há meses.
Não, não. Não foi difícil, não.
- Meia horinha. - [ambos riem]
Sabe por que eu te levei essa garrafa ontem?
Porque quando eu te vi chegando ali, com seus filhos,
fazendo buracos, dando marteladas, colocando as estacas,
com aquela camisa de lenhador e esse cabelo suado, eu pensei:
até que enfim eu vejo um homem TT.
[ri sem jeito]
"TT" é o quê? É "Audi TT", é isso?
[ri] Não.
TT: testosterona e ternura.
Homens masculinos, altamente sensíveis.
- Esses são os mais difíceis de achar. - É.
Então...
Então eu te vi chorando e...
Bom, pensei que talvez quisesse conversar.
Mas como não quis, decidi te levar a garrafa.
- Pois é. - E como disse que era viúvo, me retirei.
Mas você me enganou, seu danado. Você me enganou.
Te escutei conversando com a sua mulher. Eu tava escovando os dentes.
E eu achei que você tava falando de mim.
E do meu limoncello.
Por favor, é melhor parar, tá subindo um calor de vergonha,
que eu não sei onde enfiar a cara e...
Eu preciso dizer em minha defesa que,
depois do limoncello, de um divórcio repentino, sei lá,
eu tava fora de mim.
Mas acabou bem sensível. E elegante.
[ri sem jeito]
Eu só fiquei com um dúvida. A sua mulher te deu o sinal verde? Ou não?
[hesita]
Você não estaria me dando bola, estaria?
Rapaz, eu também notei
essa química tão poderosa que você tava falando, entre nós dois.
[gagueja] É melhor eu ir, porque...
Bom, quem procura, acha, né? Com licença.
[ri]
[voz sexy] Bom dia.
[música divertida provocante]
[música encerra]
[risinho]
[rock animado]
Homem TT.
[rock animado continua]
Com licença.
[música continua]
[gemidos]
[vidro quebrando]
[ambos gemendo]
O diabo com asinha de anjo.
[sirenes soando]
Encontramos uma jovem, 36 anos. Picada de cobra na perna.
Em choque anafilático. Chegamos em seis minutos.
[Keila respirando com dificuldade]
[Keila] Sirenes de polícia.
[música calma]
Guardas...
serpentes, ladrões,
latas cheias de joias.
É só eu resolver perder a virgindade,
que a coisa já começa a complicar.
É isso que eu tô pensando, meu amor.
[música de tensão]
[música encerra]
Você foi o quê, pescadora na sua vida anterior?
De tubarões.
Mas e aí?
Você tem alguma história de amor um pouco mais divertida do que a minha?
Não, não fica achando que tenho muito repertório.
E a que mais me marcou não foi fácil.
Era quase impossível a gente dar um beijo, então...
Ela era freira, por acaso?
[música emotiva suave]
- Ou não? - Não, né?
- Era a namorada do teu amigo da escola. - Quase.
Ela tava presa num reformatório. No que eu tava, saca?
Ela tava no módulo feminino e eu no masculino.
E como vocês faziam pra se ver?
A gente era do coral.
A gente ficava na fileira de trás e,
num determinado momento, a gente derrubava as partituras.
[risinho]
Aí se agachava e aproveitava pra se agarrar que nem uns loucos.
E os outros alunos, sei lá. Cantavam "Adeste fideles".
E a puta adrenalina de o padre pegar vocês, né?
Tá parecendo que você gosta das coisas proibidas.
Bom, um pouquinho, sim.
Já eu ia ter gostado de participar de um coral de verdade.
[música emotiva continua]
[música emotiva aumenta]
O que é que é isso?
[música diminui]
[música de tensão]
Senhor, escuta. Não entendi. Eles não são irmãos?
[música de tensão diminui]
Desculpa. É que...
[bobina da vara de pesca]
[música de tensão aumenta]
Isso é a única coisa real que a gente tem.
E o que você me diz disso?
Uns retratos falados? Entre nós, isso é uma verdadeira merda.
Isso é o que alguém lembra de ter visto. Uma abstração. Hum?
Feito por um pintorzinho qualquer. Que trabalha numa delegacia.
E esse pintorzinho de merda pinta igual à cara dele,
que geralmente é pior que o saco do cavalo de uma estátua qualquer.
O que a gente tem é só essa cabra.
E confiar que a pessoa que tatuou ela seja fichada.
Oi, eu preciso falar com a Unidade de Inteligência Criminal da Espanha.
Agora, por favor.
Ah!
Você sabe o que significa? Essa cabra aí, com chifres?
O demônio. O mal.
Tem um quadro, é, do Goya, que retrata isso. Conhece?
Eu não tô me lembrando nesse momento.
É claro. Eu imagino. Porque vocês têm o Louvre.
Mas nós temos o Prado.
[ambas suspiram]
Eu entendo que La Gioconda é muito misteriosa,
mas é que Las Meninas... [bufa] são muito encantadoras.
Cada qual com seu quê, né?
Você tem tatuagem?
- Ah... - Xiu.
Não me fala. Não quero saber.
[mulher] Sim?
Subinspetora Sierra, da Europol Espanha. Com quem eu falo?
Alicia Sierra? Quanta honra, hein?
Fala que não tá me ligando por questões criminais.
Ai, Murillo! Imagina.
Tô ligando pra te perguntar se tá com uma roupa sexy.
Eu tava preparando uma "noite das meninas" em Paris.
Tô começando a gostar.
Tô aqui com uma amiga francesa que quer que a gente leve ela pra balada.
As superpoderosas. Checando ponta solta,
interrogando até o amanhecer.
- Qual é o caso? - Um roubo, 44 milhões em joias.
- E parece que são espanhóis. - Quando?
- Foi ontem. - Vou pegar o primeiro voo.
Mara! Te mando um carro.
Isso vai ser uma delicinha.
[música encerra]
- [campainha toca] - Ai, meu Deus!
É a Susi!
Ela tem um teste de elenco e prometi ficar com o filho dela.
[campainha]
[Susi] Ai, filho. Você tá sempre sujo.
Como você tá, amiga? Alguma novidade do François?
Não, não. Até agora não.
Você tá bem? Eu posso deixar o Pablo no bar.
O casting não vai durar nem duas horas.
É, não, não, não. Não é isso.
[sussurrando] Se lembra do espanhol do bar?
Então. Eu me envolvi com ele.
- Mas ele está aqui agora? - Tá.
[música alegre]
[em francês] Eu sou o amor.
E como tá o François?
[música encerra]
A gente foi até a prisão e conversou com ele.
E ele aceitou.
É que você não viu.
Nós três com...
as mãos no vidro do telefone de visitas.
Foi uma coisa tão emocionante.
Não, é, eu posso imaginar.
Mas é estranho, né? Esse cara ter ido ver o François.
Não, não. Fui eu que pedi pra ele.
Ah.
O Simón deu dinheiro pra contratar o advogado. Um dos melhores de Paris.
Ele me deu 200 mil euros. Em dinheiro.
Caramba. Que generoso.
Verdade, né?
Mas, amiga, como ele conseguiu sacar tudo isso? E tão rápido?
Bom, não foi tão rápido. Foi na hora.
Eu não sei.
Foi tudo um tsunâmi.
Um "tsunâmi". Claro.
EMERGÊNCIA
Central, chegamos no hospital.
A jovem continua inconsciente, e a gente vai esperar.
[homem] Tá bom.
- Rápido. - Central, recebido.
[música de tensão]
[mulher] Vamos lá, emergência.
[música de suspense]
[música de tensão aumenta]
[Bruce pede silêncio]
Fica quietinho, hein?
E entra no carro bem devagar.
[chama atenção]
[Bruce pede silêncio]
Nesse momento, com as provas que temos a nosso dispor,
a estratégia que eu recomendo é que seu marido se declare culpado.
Mas por que ele vai se incriminar se é inocente?
Se ele assume o envolvimento, podemos negociar uma redução da pena.
[hesita] É Claude, não é?
Sim.
Vamos tentar ser positivos.
A Camille acredita na inocência do François. E eu também.
E o senhor é quem?
Sou o amante dela, mesmo que não venha ao caso.
O que importa é que tá todo mundo aqui pra ajudar.
Eu também estou aqui para ajudar.
Por isso estou informando como estão as coisas.
Se o senhor realmente quer ajudar,
estuda o caso a fundo e tira o meu marido da cadeia, por favor.
[ri]
Combinado. Vamos começar.
Onde estava na noite em que tudo aconteceu?
É, no Château Rêve d'Or.
E estava com o seu marido?
Eu tava com ele.
Quando foi a última vez que falou com seu marido antes do dia do roubo?
- Naquela mesma tarde. - E do que falaram?
[música de tensão suave]
Ele me ligou alterado, tinha acabado de descobrir da gente.
Acha que a conduta do seu marido pode ter sido afetada por essa revelação?
Que ele pode ter agido sob o impulso de um estado mental de alienação?
Inclusive pode ter cometido um roubo como esse
para se ver livre para sempre de você e do seu amante?
As joias que foram roubadas pertencem às famílias mais poderosas da Europa.
Tem 44 bureaux trabalhando
para que o Sr. Polignac seja declarado culpado.
Todos vão acusar ele.
Fundamentalmente, para que o seguro da casa de leilões
pague 100% das suas joias roubadas.
E quando tudo isso acontecer,
você vai preferir que o seu marido fique na prisão por 10 anos
em vez de 20.
E essa é a estratégia que temos que assumir desde já.
Que ele se declare culpado.
[música de tensão diminui]
Eu vou pegar um pouco mais de água.
[Camille chora]
[música de tensão aumenta]
[música encerra]
Claude.
O melhor amigo da minha avó se chamava Claude.
Se importa se eu te chamar de "você"?
[música de tensão aumenta]
Lê os meus lábios, porque assim a gente tem certeza
de que vai entender o que vou te dizer.
Você vai pra casa agora e vai estudar o caso.
E amanhã você vai dizer pra Camille que vai tirar o marido dela,
o François, da cadeia.
Porque, senão, Claude,
eu vou entrar na sua casa de noite,
vou te fazer dormir com clorofórmio, e depois vou meter um funil na sua boca
e por ali eu vou deixar cair uma tacinha de ácido clorídrico.
Em segundos,
a sua língua vai derreter e vai dissolver os seus dentes.
Você não vai mais saborear um queijo com vinho francês
e, obviamente, não vai mais exercer a advocacia.
Eu, eu o acompanho até a porta?
Sim.
[ruídos de videogame]
["Be my Baby" de The Ronettes tocando]
[diálogo inaudível]
[música continua tocando no rádio]
- [batidas à porta] - [música de tensão]
Alguém aí?
[assusta]
[música de tensão continua]
[música de tensão encerra]
[música suave]
[geme baixinho]
Obrigado.
Não sabe como isso foi importante pra mim.
[suspira]
[ânsia de vômito]
- [Berlim] Camille... - [Camille] Fecha a porta.
Vai embora. Por favor, vai embora.
Escuta uma coisa.
Os advogados sempre jogam pra ganhar.
Vai ver como ele vai voltar amanhã
e vai ter umas cartinhas pra tirar da manga.
Eu falei pra você ir.
[campainha soa]
Sra. Polignac?
A gente veio devolver os documentos e os dispositivos do seu marido.
Eles já foram devidamente copiados pelo juiz responsável pelo caso.
DOCUMENTAÇÃO CONFIDENCIAL
[suspira]
[música melancólica]
Eles já estão com a instrução do caso.
E eu nem pude testemunhar em favor do meu marido.
Porque eu tava na cama com outro.
Pensando em deixá-lo enquanto enfiavam ele numa prisão.
Você entende como eu me sinto com isso?
Isso faz eu sentir...
desprezo por mim mesma.
E isso mancha tudo.
[chora]
Essa história maravilhosa de amor que a gente viveu até umas horas atrás.
Esvaneceu.
Ela se transformou
em uma conversa de advogados.
Adultério e dinheiro.
Além do que, eu me envergonho dela.
Você quer que a gente se separe?
Sim, por favor.
Preciso que saia dessa casa.
Agora.
O que foi que aconteceu, tia?
Meu amor, não é nada.
Vamos... vamos fazer uma coisa.
Pablo e eu vamos dar um passeio.
Se pretende sair com o menino pra depois ter uma desculpa pra voltar,
já aviso que não vou mudar de opinião.
[música de tensão]
O quê? Você quer minha foto, hã?
O que é que é isso, cara?
Sua namorada tá lá dentro, não tem como escaparem juntos.
E se você deixar ela, depois a gente te pega. Pensa bem.
Abaixa essa arma e pensa em salvar vocês.
Você tem muito a perder, só tá piorando as coisas.
Você acha então que assim eu tô piorando as coisas?
Eu acabei de matar três caras num vilarejo.
Não sabia disso, não? Não viu nada no noticiário?
Então fala aí, tem como piorar?
[música de tensão aumenta]
Põe uma música. Põe uma música!
["Stayin' Alive" de N-Trance tocando]
Essa eu conheço, hein?
[cantando em inglês ao ritmo da música]
[continua cantando]
[sussurra] Se liga em mim.
Tá falando o que aí, ô, cuzão? Vai, todo mundo cantando.
Você vai cantar a porra do refrão pra mim. Vamos!
[cantam o refrão da música]
[continuam cantando]
Magnifique.
- [mulher] Um broncodilatador. Rápido. - [homem] Pode deixar.
- [mulher] Pulso? - [mulher 2] 138.
Entra com 500mg de adrenalina intravenosa.
[mulher 2] Pode deixar, doutora.
[homem] Não dorme, hein?
[homem] Não é pra dormir.
[música de tensão]
O que quer agora? Ficar aqui? Não, vambora.
- Monsieur? - Oi. Vai ser um Negroni pra mim.
E um San Francisco para o rapazote, por favor.
Fazer xixi.
[suspira]
[respira nervoso]
[porta abre, fecha]
Onde vocês se enfiaram?
No lago, pescando.
Aconteceu alguma coisa?
- Não. - A polícia veio aqui.
Os mesmos da estrada.
Porra. Damián, eu tenho que te contar uma coisa.
[suspira] Na noite do assalto a gente ficou com uma das joias,
e perdeu ela num racha clandestino.
Liguei pro Berlim em Paris e ele não deu muita importância...
O Berlim ainda tava em Paris?
E quando foi isso?
Ontem.
[música de tensão]
Damián, eu acho que ele não vai embora.
- Tá obcecado por ela. - Segura.
- [Berlim] Oi. - Onde é que você tá?
Eu tô aqui em um bar, em Paris.
- Você já faz sozinho? - Sim, senhor.
Vem cá, vamos por aqui, eu te levo.
- Andrés? - Aqui?
- Não. - Não?
Prefere ali, então? Vamos lá.
Com quem você tá falando?
Tô passeando com o filho de uma amiga da Camille.
Tá louco? Por que não voltou pra Madrid?
Estive bastante ocupado colocando tudo a perder.
Eu perdi a Camille.
Tô saindo como o grande fracassado dessa história.
Damián?
Eu tô me jogando de um precipício,
desde a noite em que eu a conheci.
Eu apostei tudo.
Me coloquei como um autêntico cavalheiro.
Mas também me comportando como um canalha.
E a perdi.
Eu fiz a mulher que eu amo completamente infeliz.
Ela brilhava igualzinho ao sol.
E eu a apaguei.
Não tem mais volta.
Mas por que tá me contando da Camille?
A polícia da Europa inteira tá te procurando
e continua no epicentro do roubo?
Tô te falando de amor e me vem com essa de "polícia"?
Olha a infâmia em que a gente tá transformando esse mundo.
Tá tudo bem, tá tudo bem. Vai indo para o lobby do hotel.
E não sai de lá.
- Eu vou te buscar. - Pode deixar, eu tô indo.
[música de tensão]
[música divertida]
Olha só, Roi. Tô indo buscar o Berlim.
Você e a Cameron limpem todas as digitais do motorhome.
Estamos ativando o plano Suricato.
É possível que a gente esteja numa situação crítica.
- [moto acelera] - [música de ação]
- [música aumenta] - [sirenes soam]
[música encerra]
- Raquel Murillo. - Alicia.
Subinspetora de Inteligência Criminal e a menina mais travessa da Academia.
Delegada Lavelle, da Unidade Criminal contra o Crime Organizado.
- Enchantée. - Seja bem-vinda.
Más notícias: a gente não tem ninguém fichado que tenha chifres tatuados na mão.
Certeza de que são espanhóis? Poderiam ser latinos.
Não, a gente confirmou com seis pessoas.
Os seguranças, os do carro roubado e os do racha clandestino.
São espanhóis, coño.
Já espalharam os retratos falados e a imagem da tatuagem?
A gente não quer dar aos ladrões nenhuma pista dos nossos avanços.
Quem não quer dar pistas?
Vocês ou essas famílias de aristocratas?
Você tá chegando no alvo.
É. Não querem que ninguém saiba que eles são uns mortos de fome
que colocaram à venda as joias de família dos seus reis e rainhas.
Tem que espalhar essas fotos.
É mais fácil ter a França inteira procurando os ladrões
do que fazer isso só nós três.
A colaboração dos cidadãos pode ser o método mais eficaz.
Muito bem. Por agora eu vou mandar as fotos
pro resto dos departamentos de polícia e pras delegacias.
Se não der resultado, a gente repassa pra imprensa.
Gostaria de analisar melhor o caso.
Informes, fotos, conclusões da polícia científica, tudo o que tiverem.
Tá tudo em cima da sua mesa.
Chegou chegando, hein? Menstruando nitroglicerina.
Você me conhece, cachorra.
Alguma novidade?
Isso te diz alguma coisa?
Caralho.
E esses dois, você conhece?
- [campainha] - [porta abre]
Como foi o casting, amiga?
Horrível. Tava pensando mais em você que no papel.
Como é que você tá?
Mal. Muito mal.
O advogado disse que é praticamente impossível tirar o François da cadeia.
Eu não paro de pensar em quem armou isso pra ele.
Que inimigo podia ter o meu marido se ele é uma pessoa normal?
Bom.
[música de tensão]
Nos filmes é sempre o amante, né?
Onde é que tá o Simón?
Eu terminei com ele.
E o meu filho?
O Simón foi com ele pro parque.
O quê?
[campainha]
Oi, mãe!
Pablo, como é que você está?
Vamos na cozinha. Tomar um lanche.
[música emotiva suave]
[música aumenta]
- Espero que algum dia você me entenda. - Não tem mais nada pra entender.
Eu teria gostado de ficar com você até o final.
[música dramática]
[música encerra]
A chave do quarto dele.
[música de ação tensa]
[música encerra]
[piano ao fundo]
[suspira]
Oi.
- Como é que você tá? - Eu tô bem.
Voltei a ser um homem livre.
[ri suave]
Precisam de mais alguma coisa?
Suponho que a gente não tenha muito tempo.
A gente tem todo o tempo do mundo.
[música de tensão]
Quero que me passem o laudo médico da minha amiga.
Pega o rádio e pergunta como ela tá.
Aqui é a patrulha policial.
Como tá a paciente que foi hospitalizada pela picada de cobra?
[homem] Tá estável. Deve tá indo pro quarto em uns cinco minutos.
- Copiado. - [Bruce] 5 minutos pra começar o show.
Vamos tirando as algemas bem devagar. Pode ser?
Três homens, uniformes, algemas.
Vai ser legalzão!
Pois é, pois é. Não, espera.
É, tenho que te dizer uma coisa. Quero te pedir desculpas por tudo.
- Não, não. - Não, me escuta.
Eu quero te pedir desculpas por toda aquela baixaria
que te disse quando a gente tava no cofre.
Não precisa pedir desculpas, você tinha razão.
E digo mais: você pode ter a melhor história de amor em uma tarde, hã?
Amor sólido, amor de 24 quilates.
Com uma desconhecida.
- Eu não acredito. - Ahãm.
[ambos riem]
- Mas quando? - Hoje. Aconteceu hoje, aconteceu hoje!
Saúde!
- E também entendo o que você me disse. - O quê?
Que não se pode deixar de viver um único minuto de amor porque ele vai terminar.
- Não, não. - Sim. Você tinha razão!
Não posso concordar com isso, em absoluto!
- Mas por quê, como assim? Como não? - Não! É, obrigado.
Porque quem tinha toda a razão era você.
- Não, cara. - É. Eu é que sou um náufrago do amor.
E pra mim, o que eu gostaria, de verdade, né? É o "para sempre".
[ri] Você?
- Você quer o "para sempre"? - Sim.
Sei. O do amor chato?
Sim, o que acontece comigo é que o amor vai como, sei lá...
- Se desfazendo pelo caminho, né? - Tá.
Por isso só consigo defender o que eu conheço do amor,
que é o início, mas, meu Deus.
Você não faz ideia de como eu gostaria de saber o que é uma história sem final.
Sempre tem um final.
Presta atenção. A Carmen. Lembra da Carmen, né?
Porra, como não vou lembrar da Carmen?
Ela me deixou.
Dá pra ver que a nossa história tava desgastada.
Que ela tava comigo porque não encontrava outro.
[música melancólica]
Ei! Ela já encontrou outro.
Tudo bem.
E como você tá?
[suspira, ri]
Bom, com essa melancolia e essa confusão mental
que te dá quando você volta a ser um homem livre.
Olha lá aqueles dois incautos.
- [Berlim] Ai, ai, ai... - Ó. A felicidade, ó!
- [ambos riem] - [aplausos ao fundo]
Olha, vou te dizer uma coisa:
Com tudo o que você e eu sabemos agora mesmo sobre o amor,
[Damián] É.
- A gente não pode ficar calado. - Vamos pra lá.
Boa.
- [burburinho] - [música suave]
- Podemos interromper? - Com licença.
Nós dois somos dois turistas espanhóis.
E vocês entraram com um entusiasmo tão transbordante,
que nós não poderíamos deixar de cumprimentá-los.
Como presente, vamos contar pra vocês o que nós aprendemos sobre o amor.
- O amor! - Depois de anos de estudo.
E observação científica, tá?
[risinho]
Você tá chateado?
Não.
Vamos lá, Roi.
Misturar sexo e trabalho nunca foi uma boa ideia.
Foi você que me disse isso no primeiro dia, ou não se lembra?
[suspira] É que pra mim não era sobre sexo.
O beijo que eu ia te dar não era sobre isso.
Era sobre amor.
E você sabe.
Porque se fosse só sobre isso,
se, se tivesse sacado que a única coisa que eu queria era transar,
você teria me dado aquele beijo. Pode falar.
Não. Primeiro teria olhado na minha testa
e lido a data de validade.
[ri] 25 de outubro.
- E depois a gente teria transado. - Roi, deixa quieto.
Eu quero te dizer que você me deixa louco.
Desde o minuto um.
Desde que eu vi a sua tatuagem.
O que acontece é que eu não podia fazer nada.
Primeiro porque eu não fazia ideia de tudo que viria no pacote.
E segundo porque o Berlim me pediu que eu não me aproximasse.
E quando eu finalmente me decido,
eu me dou conta de que quem não consegue é você.
Porque você tá morta de medo.
E isso me fode.
Me fode ter chegado tarde nessa história.
Me fode ter chegado depois do Jimmy.
Por todo o medo que você sente agora de dar um passo à frente.
Mas sabe perfeitamente que se eu tivesse chegado antes dele,
agora a gente estaria junto.
[respiração ofegante]
[música dramática]
[música de tensão]
[bipe do rádio]
[arma engatilha]
[música de tensão aumenta]
[música encerra]
Nas duas histórias boas que tenho, nas duas eu cheguei tarde.
Como sabe que, se o Jimmy não existisse, nós estaríamos juntos?
[música dramática suave]
Você não sabe, Roi.
[bipe de rádio]
- Foi mal. - [Sierra] Hum.
[música de tensão continua]
- [Cameron] Não tem uma alma viva. - É porque eles já tão aqui.
[música aumenta e encerra]
- ["Felicità" de Romina e Al Bano tocando] - ♪ Felicidade ♪
♪ É dar as mãos e viajar juntos Felicidade ♪
♪ É um olhar inocente No meio da multidão ♪
♪ Felicidade ♪
♪ É saber que meus sonhos já têm dono ♪
♪ Felicidade ♪
♪ Felicidade ♪
♪ É a praia à noite A onda espumante que vai e vem ♪
♪ Sua pele bronzeada no meu travesseiro ♪
♪ Felicidade ♪
♪ É apagar as luzes E fazer as pazes ♪
♪ Felicidade ♪
♪ Felicidade ♪
♪ É beber vinho enquanto conversamos ♪
♪ Felicidade ♪
♪ É amar livremente, como as crianças ♪
♪ Felicidade ♪
♪ É sentar no seu carro E voar pela noite ♪
♪ Felicidade ♪
♪ Esta é a nossa canção ♪
♪ Que conta uma história de amor ♪
♪ Tem o sabor da verdade ♪
♪ A felicidade ♪
♪ Felicidade ♪
♪ É falar a verdade, uma noite de luar E o rádio tocando num bar ♪
♪ É pular em um lago Risos de circo ♪
♪ Felicidade ♪
♪ É um telefonema inesperado A felicidade ♪
CHEZ VIENOT CASA DE LEILÕES
♪ Esta é a nossa canção ♪
♪ É como o vento, o mar e o sol ♪
♪ Tem calor de verdade ♪
♪ A felicidade ♪
♪ Esta é a nossa canção ♪
♪ É como o vento, o mar e o sol ♪
♪ Tem calor de verdade ♪
♪ A felicidade ♪
[música continua]
[música encerra]
[rock animado]
[música encerra]
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