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Onde voc� est�? Onde est� agora, Pedro?
No campo de batalha.
E o que...
voc� v� nesse campo de batalha?
N�o se v� nada, s� fuma�a.
H� muita fuma�a, n�o consigo ver nada.
Estou na trincheira, com dois companheiros...
sob fogo inimigo.
O cheiro do sangue...
do sangue do meu amigo.
-E...? -O Sargento Ramirez...
ordenou a retirada, mas n�o pudemos sair...
porque ficar�amos expostos.
Ele levou o resto da companhia e nos abandonou.
Como fizeram para sair?
Pela outra parte da trincheira.
Levei um tiro.
Meu peito d�i quando respiro.
Um, dois...
tr�s.
Acorde.
Dr. Darek?
Desculpe-me, deve haver algum engano.
Meu nome � Mendez, Dr. Mendez.
N�o se lembra de mim?
Faz muitos anos, no Instituto do Sono.
Com licen�a.
Sr. Arenas, eu estava agora mesmo com o Dr. Mendez.
-Quem? Desculpe-me. -O Dr. Mendez.
Encantada, Sr. Arenas.
-Parab�ns. -Muito obrigado.
-Espet�culo magn�fico. -Muito obrigado.
Permita-me lhe apresentar a dama que me acompanha: Justina Forner.
Ela � de uma das fam�lias mais tradicionais da regi�o.
Sua fam�lia foi dona de fazendas, hot�is, barcos.
Este pa�s n�o tem respeito pelo trabalho honesto...
e pelo orgulho do sangue.
Quanto a mim, sou Hans Von Eisler, antiqu�rio.
Estou ajudando-a a se livrar de alguns objetos.
Esses objetos, claro...
possuem algum valor.
Perd�o, tenho de ir ao camarim.
Um em especial...
que nos trouxe aqui.
Venha nos visitar, por favor.
Levar� pouco tempo, e ser� um bom neg�cio.
Antiqu�rio?
Hoje em dia todos est�o comprando ou vendendo algo.
� dif�cil saber em quem confiar.
Se me permite a intromiss�o, eu n�o iria.
Desconfio dessa gente.
O p�blico j� est� cansado de que todas as mulheres...
j� foram Cle�patra em outras vidas.
-Isso � outra coisa. Obrigado. -Tudo bem.
Durma bem. Com licen�a.
Por isso, precisamos do senhor.
Lamento dizer que voc�s chamaram a pessoa errada.
N�o tenho nenhum conhecimento de pintura.
N�o precisamos de um charlat�o...
observando o quadro com uma lupa.
Precisamos de um especialista do cora��o humano.
-Sou apenas um hipnotizador. -Exatamente.
Queremos que a hipnotize.
Assim, a senhora se lembrar� do nome do pintor.
E tem alguma import�ncia... saber quem � o pintor?
Claro, suponho que, se for comprovado...
que seja um Falconet, o pre�o sobe.
Sabemos que o senhor s� trabalha no palco.
Se nos fizesse o favor de convidar a dama...
A senhora n�o se incomoda de subir ao palco?
� muito diferente atuar a ser hipnotizado.
Mas o passado...
muitas vezes pode ser...
surpreendente, obscuro.
Desta vez, ele ser� claro. Tenho certeza.
N�o � poss�vel.
Precisamos inovar.
Mas o que a senhorita faz n�o � inovar, � desafinar.
Atenha-se � melodia.
Tenuto, em vez de staccato.
Vamos.
Mas consegui uma volunt�ria...
que vai encantar o p�blico.
Essas notas desafinadas...
fazem parte do seu encanto.
-E agora, o que foi? -Faz sempre a mesma coisa.
Tamb�m n�o gosto.
O que � isso?
Estou farta do senhor.
Eu n�o deveria fazer isso.
Minha av� sempre dizia...
que quem pratica magia condena sua alma ao inferno.
Preciso saber.
E sinto que minhas ora��es n�o est�o mais chegando a Deus.
O que est� vendo, Madame Zoraide?
Tem certeza?
Ele me ama?
Ol�, meninas!
Bom-dia.
Dormiu bem?
Tomei a liberdade de fazer c�pias das chaves...
E...
al�m do mais, preparei seu caf� da manh�.
Carmorano est� mais ansioso do que a senhora.
A vida toda tentando comprar um Falconet.
Quando vendermos o quadro, faremos a viagem que prometi.
J� fiz as reservas.
Ele quer que a senhora o conven�a, n�o eu.
Que outro pintor poderia fazer algo assim?
Linda hora para afiar os punhais...
e fazer com eles mil rosas.
Mil rosas de sangue vermelho.
A noiva j� vem entrando na velha Notredame.
Mas trema...
porque sua, ela n�o h� de ser. Voc� a pinta de lixo.
Palmolive, o suave sabonete de beleza...
apresentou...
Teatro Palmolive no Ar.
Dr. Mendez.
Mas meu problema � t�o estranho...
que com certeza vai lhe interessar.
E como o senhor entrou?
Tenho problemas de mem�ria, dist�rbios da mem�ria.
Por exemplo, lembro-me do senhor como Dr. Darek.
E se n�o estou enganado, o Dr. Darek...
teve muito a ver com a ditadura...
antes do governo livre.
Se � que podemos cham�-lo de governo livre.
Mas eu n�o vim aqui para falar de pol�tica.
-Vim falar de neg�cios. -E quem � o senhor?
Naquela �poca, eu tinha fun��es administrativas...
no Instituto do Sono. Eu via o senhor todo dia.
Mas claro, o senhor n�o reparava em mim.
O senhor estava muito ocupado com grandes projetos.
E o Dr. Corelli? O senhor tem not�cias?
Dr. Corelli?
Dr. Corelli?
Bom-dia, doutor.
Bom-dia.
Eu ligo, ent�o.
N�o precisa me dar seu cart�o, j� sei seu telefone.
Sei tudo sobre o senhor.
Um pagamento ser� suficiente.
Tenha um bom dia de trabalho, Dr...
Mendez.
Sr. Salinero, posso sair por um momento?
Pode.
Mas leve essas cartas ao correio.
Talvez eu demore um pouco mais de 1h.
Tudo bem, Greg�rio.
� que eu tenho de encontrar uma amiga...
que trabalha � noite, ent�o...
N�o precisa explicar. Cada um tem sua vida.
Com licen�a.
Meu rel�gio...
o senhor fala portugu�s?
Dr. Mendez, boa-noite.
Aqui � Von Eisler.
Estou ligando para combinar os detalhes.
Amanh� � noite, doutor.
Prometo que vai ser s� um pagamento.
E espero que n�o esteja me enganando.
Se eu souber que sim...
a primeira coisa que farei � contar a Arenas...
sobre Corelli e o senhor.
Eu estava acertando alguns detalhes com Carmorano.
Um velho amigo.
Tem p�ssima mem�ria. Nem se lembra do pr�prio nome.
Mas...
tenho certeza de que vai melhorar.
Vamos ao teatro, ent�o?
Um lugar onde consertam rel�gios.
Consertam?
� um rel�gio da minha m�e.
O Sr. Salinero mandou voc� me seguir, Anita?
Preocupa-me que me sigam...
que me fa�am perguntas, que se metam na minha vida.
Anita...
acredite que tudo isso � pelo bem do Sr. Arenas...
pelo bem da minha m�e e de todos n�s.
Prometa que n�o vai dizer nada ao Sr. Arenas.
Voc� promete, Anita?
Mentira?
Ou � a verdade tamb�m?
Os quadros, as pinturas...
nos mostram muitas coisas.
Retratos, objetos...
pode haver paisagens.
E se voc� se animar...
e parar diante de uma obra...
isso pode ser a porta de entrada...
para uma maneira muito precisa...
de se ver o mundo...
e para uma nova linguagem.
A mulher...
que voc�s veem neste retrato se chama Adela Forner.
Ela � uma mulher muito conhecida...
e ilustre nesta cidade.
Ela � filantropa, presidente da Sociedade Wagneriana.
Ela, claro, j� faleceu faz muito anos...
mas hoje temos a visita de sua neta...
Justina Forner.
Justina esteve presente...
durante a cria��o desta pintura. Mas h� coisas...
de que ela n�o consegue se lembrar.
Ent�o, hoje vamos tentar descobrir...
o que...
o que exatamente...
est� se escondendo em suas lembran�as.
Justina Forner?
-Como se sente? -Bem.
Quer...
contar ao p�blico do que a senhora se lembra?
Pode ter sido um pintor famoso?
Ent�o, vamos come�ar. Est� preparada?
Olhe nos meus olhos.
Olhe para o p�ndulo.
O sono...
chega...
com passos...
ligeiros...
ligeiros.
Esses passos...
se tornam...
pesados.
Mais...
pesados.
Agora, imagine que esse quadro � uma porta.
Entre por ela.
O que v�?
O que mais?
O que ele est� fazendo?
Olhe bem.
Ele a tocou?
Onde ele a tocou?
E o que a sua av� est� fazendo com o pintor?
Eles se olham?
� um homem muito grande?
E o que sua av� faz com ele?
Ele a ergue no ar?
N�o posso.
Consegue ver o rosto dele?
Um...
dois...
tr�s.
Acorde.
� aut�ntico.
� um aut�ntico Falconet.
O que foi?
O que foi?
O nome verdadeiro do impostor era Carlos Rubini.
Um tal de Carmorano comprou o quadro na mesma noite.
Rubini queria pegar o dinheiro de Justina e fugir.
Mas n�o conseguiu.
A pol�cia o estava esperando no hotel.
E como a pol�cia ficou sabendo?
Algu�m lhe avisou.
Uma vez j� � demais.
Falando nisso, eu li no jornal...
que a senhora vendeu o quadro na mesma noite.
E que eles estiveram a ponto...
de deix�-la sem nada.
E isso fez o pre�o subir.
E se eu lhe dissesse...
que n�o a hipnotizei, o que a senhora diria?
Que tudo era um plano para vender o quadro...
como se fosse um Falconet.
A senhora precisava dos contatos de Von Eisler...
aproveitou-os e vendeu o quadro.
O que n�o percebi...
� como a senhora notou que Von Eisler a iria trair.
Acha que n�o percebo quando algu�m finge?
De qualquer forma, foi uma interpreta��o...
extraordin�ria.
Uma grande atriz.
Acha que sou da pol�cia?
Uma hist�ria falsa.
"Caloteira", � assim que se fala?
Corelli? N�o.
Por qu�? Deveria conhec�-lo?
N�o sei por que, mas...
sentirei sua falta.
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