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"DISQUE M PARA MATAR"
"QUEEN MARY" CHEGA HOJE. ENTRE OS PASSAGEIROS...
EST� O ESCRITOR AMERICANO MARK HALLIDAY
Vou preparar outro drinque.
Mark, antes de Tony chegar, quero explicar uma coisa.
. Sim, j� esperava por isso. . Ainda n�o contei a ele sobre n�s.
N�o me surpreende. � algo dif�cil de dizer.
Quando voc� ligou hoje cedo, eu disse apenas que voc� era um escritor.
E que eu o havia conhecido aqui.
Tem um qu� de culpa. Nunca usaria numa de minhas hist�rias.
Pode achar tolice, mas quando o conhecer entender� por que disse isso.
Querida, eu entendo agora, mas n�o deixo de am�-la por causa disso.
N�o � t�o simples assim.
. Tony mudou. . Obrigado.
Ele est� completamente diferente daquele homem do qual eu lhe falava.
Mesmo? Desde quando?
Desde aquela noite em que me despedi de voc�.
Sa� do seu apartamento e vim para c�. Sentei no sof� e chorei.
Depois, adormeci.
Quando acordei, Tony estava ali no corredor, com todas raquetes e malas.
Disse que havia decidido abandonar o t�nis e arranjar um emprego fixo.
. Sem mais nem menos? . Sem mais nem menos.
A princ�pio, n�o acreditei. Mas ele estava decidido.
Desde ent�o, ele tem sido maravilhoso.
Imagino que foi quando parou de me escrever.
Foi por isso, Margot?
Lembra. Se das cartas que me escreveu?
Sim, me lembro.
Depois que eu as lia, eu as queimava. Achava melhor assim.
Menos uma. Decerto, sabe de qual estou falando.
Sim, acho que sei. O que tem ela?
Foi roubada.
Um dia, fomos passar o fim de semana no campo, com amigos.
Na esta��o, dei pela falta da minha bolsa, onde estava a carta.
. Onde foi? . Esta��o Victoria.
Pensei ter deixado no restaurante, mas, quando voltei l�, n�o estava.
Nunca mais a encontrou?
Achei a bolsa duas semanas depois, na se��o de Achados e Perdidos.
Mas a carta tinha desaparecido.
Uma semana depois, recebi um bilhete...
dizendo o que eu devia fazer para recuperar a carta.
Sim, continue.
Tinha de sacar 50 libras do banco, em notas de 5 libras...
e troc�-las por notas de � 1 usadas. Dizia que, se eu fosse � pol�cia...
ou contasse a qualquer outra pessoa, ele mostraria a carta ao meu marido.
Ainda tem esse bilhete?
Foi datilografado em mai�sculas. Qualquer um pode ter feito isso.
. Dois dias depois, recebi este. . Ambos enviados de Brixton.
"Envie metade do dinheiro para John S. King.
Rua Newport, 23, Brixton SW9, e receber� sua carta pelo correio."
� uma loja. Todos usam o endere�o.
N�o mandou o dinheiro?
Mandei. Mas a carta nunca foi devolvida.
Fui l� duas semanas depois. N�o conheciam ningu�m com esse nome.
O pacote ainda estava l�. Fechado.
J� � alguma coisa, acho. Posso ficar com isso?
. Sim, se quiser. . Por que n�o me avisou?
Voc� n�o poderia fazer nada.
Provavelmente me obrigaria a contar ao Tony e � pol�cia.
Eram s� 50 libras. Resolvi pagar e me livrar disso.
Vou contar ao Tony sobre n�s dois hoje � noite.
N�o, Mark, por favor, n�o conte. Voc� n�o entende. Tony mudou.
Por favor.
Quem dera isso fosse h� um ano, quando voc� veio se despedir.
Est�vamos na cozinha, eu disse: "N�o podemos continuar assim.
Vamos contar ao Tony."
Na �poca, acho que voc� teria concordado.
Pressinto que ser� uma noite dif�cil.
Ficaremos dizendo gentilezas uns aos outros.
H� apenas uma coisa que n�o explicou.
Por que n�o queimou aquela carta tamb�m?
Finalmente chegou! Pensamos que n�o viria mais. Onde estava?
Desculpe, querida, mas o chefe me chamou na sa�da.
. Tony, este � Mark Halliday. . Ol�, Tony.
. Ol�. . Desculpem o atraso.
- O que acha daqui, Mark? - � bom. Muito bom.
� sua primeira visita a Londres?
N�o. Estive aqui de f�rias no ano passado.
� mesmo. Margot me contou. Escreve para o r�dio, n�o �?
. N�o. Para meus pecados, televis�o. . Querido, reservou uma mesa?
. Sim. Para as 19. . Vamos, ent�o.
. Pegue suas coisas. . Houve uma pequena mudan�a.
. N�o me diga que n�o pode ir? . Infelizmente, n�o.
O patr�o vai viajar para Bruxelas no domingo.
Tenho de entregar meu relat�rio mensal amanh�.
. N�o pode fazer na volta? . Acho que n�o. Levaria horas.
. J� terei que inventar a metade. . Mas...
Pode nos encontrar depois do teatro? Poder�amos ir a algum lugar.
Me ligue no intervalo. Se eu estiver inspirado, talvez consiga encontra-los.
Bem, tente. Vou pegar minhas coisas, Mark.
. Eis as entradas. . Obrigado, Tony.
Acho que isso foi muito rude da minha parte.
De jeito nenhum. Lamento por voc� n�o poder vir.
. Venha jantar algum dia. . Eu adoraria.
. Ali�s, o que vai fazer amanh� � noite? . S�bado? Nada.
. Gostaria de ir a uma festa masculina? . Festa masculina?
Alguns americanos vieram � Europa jogar t�nis.
� um jantar de despedida.
. N�o sou muito bom em t�nis. . N�o importa. Conhece...
Nova York e o resto. Querida, Mark ir� � festa amanh� � noite.
Que �timo. Venha tomar um drinque aqui antes.
. Boa id�ia. . Tudo bem. Vou chamar um t�xi.
N�o precisa. Geralmente, conseguimos parar um.
. At� logo, querido. . Divirta. se.
. At� logo, Tony. . Boa noite.
. Mark! . Sim?
Tente vender meu ingresso e tome um drinque.
. Certo, tentarei. . Divirtam. se.
Obrigado. Boa noite.
- Al�. . Al�. Hampstead 7899?
- Sim. . Poderia falar com o capit�o Lesgate?
- � ele. . Boa noite.
Voc� n�o me conhece, me chamo Fisher.
Soube que tem um carro � venda.
- Sim, um carro americano. . Eu vi no seu posto.
. Quanto quer por ele? - 1.100 libras.
1.100 libras? Entendo. Seria �timo ter um carro assim.
. Mas n�o gostei muito do pre�o. - Tamb�m n�o gostei quando comprei.
. Quando podemos nos ver? - Que tal amanh� � tarde?
Acho que n�o posso. Amanh� n�o posso e vou a Liverpool no domingo.
Eu estava pensando... Poderia vir ao meu apartamento hoje � noite?
- Onde mora? . Em Maida Vale. Eu poderia ir a�...
...mas torci o joelho. - Sinto muito pelo joelho.
- Qual � o endere�o? . Charrington Gardens, 61A.
- Harrington? . N�o, Charrington.
Vire � esquerda depois do metr�, s�o dois minutos de caminhada.
- Chegarei dentro de uma hora. - � muito gentil de sua parte.
Pode trazer o carro?
- N�o vai dar... . Tudo bem, dei uma boa olhada.
. Pode trazer a documenta��o? - Sim, claro.
Poder�amos acertar tudo hoje mesmo se abaixar um pouco o pre�o.
Acho que n�o.
Bem, veremos o que alguns drinques far�o.
. Tchau. - Tchau.
. Senhor Fisher? . Capit�o Lesgate?
. Entre, por favor. . Obrigado.
� muita gentileza sua.
Quer tirar o casaco?
. Foi dif�cil de achar? . N�o, de jeito nenhum.
Sente. Se. Que tal um drinque?
Acho que j� o vi antes em algum lugar.
� engra�ado voc� dizer isso. Quando abri a porta, eu...
Espere um pouco. Lesgate?
Voc� n�o � Lesgate. Swan. C.J. Swan.
. Ou era C.A.? .C.A.
Voc� tem uma mem�ria melhor do que a minha, Fisher.
. Quando nos conhecemos? . Estudou em Cambridge?
. Sim. . H� 20 anos.
N�o deve se lembrar de mim. Entrei s� no �ltimo ano.
. Que coincid�ncia. . A ocasi�o pede um drinque especial.
Eu ia lhe oferecer um porto qualquer. Mas deixe. Me ver o que tenho.
. Que tal este? . Perfeito.
Como soube que meu carro estava � venda?
O pessoal do posto me contou.
Engra�ado, acho que n�o contei a ningu�m de l�.
Fui encher o tanque e falei que queria um carro americano...
eles me deram seu telefone. Est� � venda, n�o est�?
. Sim, claro. . �timo, mas me recuso...
a negociar antes que beba tr�s doses de brandy.
. Sou duro na queda, s�brio ou b�bado. . Eu tamb�m.
. Acho que j� o vi depois de Cambridge. . J� esteve em Wimbledon?
� isso. Wendice. Tony Wendice.
. Por que esse nome Fisher? . Por que Lesgate?
Aceita um charuto?
Obrigado. Fico com meu cachimbo, se n�o se importa.
Mudou de h�bito.
Me lembro que fumava uns charutos car�ssimos na faculdade.
Espere a�, acho que tenho uma foto sua aqui em algum lugar.
Sim.
Sim. Esta aqui. Tirada em um jantar de turma.
Aqui est� voc�, com o maior charuto do mercado.
Foi o primeiro e �ltimo jantar de turma a que fui. Pare�o um mafioso!
� verdade. Sempre me lembro de voc� por causa do baile da faculdade.
. Voc� era o tesoureiro, n�o era? . Tesoureiro honor�rio.
Eu organizava aquelas loucuras.
Roubaram o dinheiro das entradas, n�o roubaram?
Isso mesmo, quase 100 libras. Deixei numa caixa, na minha sala.
. De manh�, havia sumido. . Foi o porteiro, claro.
Claro. Pobre velho Alfred. Ele sempre perdia apostas no p�reo.
. Encontraram a caixa no quintal dele. . Mas sem o dinheiro.
. Faz 20 anos. . O que faz agora?
Corretor de im�veis. N�o acompanho as partidas de t�nis. Ainda joga?
N�o, parei com o t�nis. Ou t�nis parou comigo. Tinha de arranjar um emprego.
Mas valeu a pena. Dei a volta ao mundo tr�s vezes.
. O que faz agora? . Vendo artigos esportivos.
N�o � muito lucrativo, mas tenho bastante tempo livre.
. Vejo que sua casa � bem confort�vel. . Minha mulher tem algum dinheiro.
De outra maneira, seria dif�cil gastar mil libras no seu carro.
N�o, n�o. 1.100 libras.
As pessoas que t�m dinheiro n�o sabem como s�o sortudas.
. Quase me resignei a ser assalariado. . Pode. se casar por dinheiro.
Algumas pessoas fazem disso um neg�cio.
. Eu fiz. . Por que acha...
...que ela se casou com voc�? . Eu era um tenista famoso.
Voc� largou o t�nis, e ela n�o o deixou.
Quase. Depois que me casei, eu ia aos campeonatos de t�nis e a levava junto.
Ela n�o gostava muito, e, quando volt�vamos, ela tentava...
me convencer a abandonar o t�nis e ser s� marido.
Fizemos um acordo. Eu fui sozinho para os EUA...
para a temporada de quadra de grama e voltei ap�s os torneios nacionais.
Logo percebi que muita coisa tinha acontecido enquanto eu estava fora.
Ela j� n�o me amava mais.
Desligava o telefone quando eu chegava.
Um antigo amigo de escola a visitava de vez em quando.
Um dia, brigamos. Eu queria jogar em um torneio de quadra coberta...
e, como sempre, ela n�o queria que eu fosse.
Eu estava no quarto, o telefone tocou. Parecia algo urgente.
Depois disso, ela concordou que eu fosse jogar no torneio.
Ent�o, coloquei minhas coisas no carro e fui embora.
Estacionei o carro a duas quadras de casa e voltei a p�.
Dez minutos depois, ela saiu de casa e pegou um t�xi. Eu a segui.
O amigo de escola dela morava em um est�dio em Chelsea.
Vi. Os pela janela cozinhando espaguete.
N�o falavam muito. Pareciam bastante � vontade juntos.
� engra�ado como � f�cil reconhecer duas pessoas apaixonadas.
Fui dar uma volta. Comecei a pensar no que aconteceria se ela me deixasse.
Eu teria que ganhar o meu sustento.
Percebi, de repente, como eu dependia dela.
Adquiri gostos caros durante o tempo em que estava no auge.
O t�nis havia acabado comigo, e agora minha mulher tamb�m?
Nunca tive tanto medo. Entrei num bar e tomei uns drinques.
Sentado l�, pensei num monte de coisas.
Pensei em tr�s maneiras diferentes de mat�-lo.
Pensei mesmo em mata-la. Parecia ser uma id�ia mais sensata.
E, enquanto pensava num modo de fazer isso...
vi algo que me fez mudar de id�ia.
N�o fui jogar no torneio.
Quando voltei, ela estava sentada exatamente onde voc� est� agora.
Disse. Lhe que decidira largar o t�nis para ficar cuidando dela.
. Ent�o? . Ent�o...
percebi que n�o devia ter me preocupado tanto.
Aparentemente, a noite do espaguete tinha sido uma despedida.
. O amigo teve de voltar a Nova York. . Ele � americano?
Chegavam longas cartas de l�. Geralmente, �s quintas.
Ela queimou todas, exceto uma que ela sempre trocava de uma bolsa a outra.
A carta estava sempre com ela. Fiquei obcecado. Tinha de saber o que dizia.
E finalmente descobri. Dizia coisas interessantes.
. Quer dizer que a roubou? . Sim.
E escrevi dois bilhetes an�nimos oferecendo vende-la de volta.
. Por qu�? . Eu esperava que isso...
fizesse com que ela me contasse tudo.
Mas n�o funcionou. Ent�o, fiquei com a carta.
- Porque est� me contando tudo isso? - � o �nico em quem posso confiar.
De qualquer maneira, foi a gota d'�gua.
Isso deve t�-los assustado, porque as cartas pararam...
e vivemos muito felizes desde ent�o.
� engra�ado pensar que um ano atr�s eu estava...
sentado naquele bar planejando mat�-la.
E mataria se algo que vi n�o me fizesse mudar de id�ia.
O que voc� viu?
Vi voc�.
. O que h� de t�o estranho nisso? . A coincid�ncia.
Uma semana antes, eu tinha ido a um jantar de turma, e falaram sobre voc�.
De como voc� fora submetido � corte marcial durante a guerra.
Um ano na pris�o, isso foi not�cia. Na faculdade, diziam que...
voc� acabaria na cadeia. Acho que por causa daquela caixa.
. Como assim? . Meu querido...
todos sabiam que voc� tinha roubado o dinheiro. Pobre Alfred.
Obrigado pelo drinque. Interessante saber dos seus problemas conjugais.
. Acho que n�o vai querer o carro. . N�o quer saber por que o chamei aqui?
. Sim, acho bom. . Aconteceu quando vi voc� no bar.
De repente, tudo ficou claro.
Alguns meses antes, eu e Margot t�nhamos feito nossos testamentos...
deixando tudo um para o outro, em caso de acidentes.
Ela me deixaria mais de 90 mil libras. Investimentos, em sua maioria...
f�ceis de capitalizar. Um tanto perigoso, eu seria o principal suspeito.
Precisava de um �libi. Um bom �libi.
A� vi voc�.
Sempre quis saber o que acontecia com as pessoas ao sa�rem da pris�o.
Quero dizer, pessoas como voc�.
Ser� que conseguem emprego? Os velhos amigos ajudam?
E se n�o tivesse amigos? Fiquei t�o curioso...
que segui voc� at� sua casa aquela noite.
Pode me passar seu copo?
Obrigado. Muito obrigado. E tenho seguido voc� desde ent�o.
. Por qu�? . Eu achava que, mais cedo...
ou mais tarde, eu o pegaria em alguma situa��o d�bia e poderia...
. Chantagear-me? . Influenci�-lo.
Depois de umas duas semanas, descobri sua rotina.
. E isso facilitou bastante. . Trabalhinho chato.
No come�o, sim. Mas sabe como �...
quanto mais se descobre, mais interessante fica.
Voc� se tornou bem interessante.
Houve momentos em que cheguei a pensar que voc� me pertencia.
Isso deve ter sido interessante.
Costumava ir � corrida de cachorros todas as segundas e quintas.
Comecei a frequentar tamb�m, s� para ficar perto de voc�.
. Mudou seu nome para Adams. . Enjoei de Swan. Isso n�o � crime.
N�o. Pelo que sei, n�o.
Na verdade, n�o havia nada de ilegal sobre voc�. Fiquei desmotivado.
At� que um dia voc� sumiu de sua casa. Liguei para a propriet�ria.
Eu disse que voc� me devia 5 libras. Para ela, isso n�o era nada.
O "Sr. Adams" devia a ela seis semanas de aluguel e...
55 libras ao melhor inquilino. "E o Sr. Adams parecia ser t�o cavalheiro."
Isso � o que parecia Aborrec�-la mais.
Sim. Parece que isso � o que mais as incomoda.
Se quiser outro drinque, ponha as luvas.
Onde est�vamos? Sim, eu o perdi de vista, mas o reencontrei noutra corrida.
Segui. O at� sua nova casa em Belsize Park.
L�, o Sr. Adams virou Sr. Wilson. Sr. Wilson deixou Belsize Park...
devendo 16 semanas de aluguel e levemente mais rico ap�s...
um breve encontro com uma Srta. Wallace.
Voc� sa�a com ela nas quartas. Feiras e domingos.
Ela estava apaixonada por voc�, n�o estava?
Acho que pensou que estava deixando o bigode crescer para agradar. Lhe.
Coitada.
Isso � muito interessante, prossiga.
Julho, agosto, setembro: Apartamento 127, Carlisle Court.
Moradora: Sra. Van Dorn.
Seu finado marido deixou dois hot�is e uma casa grande, mobiliada.
Que �tima oportunidade, capit�o Lesgate!
O �nico problema � que ela adora ser cortejada e � uma mulher cara.
Talvez seja por isso que voc� tenta vender o carro dela h� mais de um m�s.
Ela me pediu para vender o carro para ela.
Eu sei, liguei antes de voc� chegar aqui. Ela quer s� 800 libras.
. Onde fica a delegacia mais pr�xima? . Em frente � igreja, dois minutos daqui.
. E se eu for at� l� agora? . O que dir� a eles?
. Tudo. . Tudo?
Tudo sobre o Sr. Adams e o Sr. Wilson?
N�o. Simplesmente direi que voc� est� tentando me chantagear para...
Para?
. Matar sua mulher. . At� gostaria que lhes dissesse isso.
Quando ela ficasse sabendo, ir�amos rir muito.
. N�o est� esquecendo de algo? . Estou?
. Voc� me falou bastante coisa hoje. . E da�?
E se eu contar a eles como voc� a seguiu at� aquele apartamento em...
Chelsea e ficou observando ela fazer espaguete e toda aquela besteira?
. Isso n�o vai faz�-la entender? . Certamente, sim.
Eles concluiriam que voc� a seguiu.
. Eu? Por que eu faria isso? . Por que roubaria a bolsa dela?
Por que escreveria aqueles bilhetes? Pode provar que n�o foi voc�?
N�o pode provar que fui eu. � a sua palavra contra a minha.
Isso os deixaria perplexos. O que voc� diria?
Eu simplesmente diria que voc� veio aqui hoje, meio b�bado...
pediu dinheiro emprestado, lembrando que estudamos juntos.
Quando eu neguei, voc� disse algo sobre uma carta para minha mulher...
e, tanto quanto entendi, queria vend�-la para mim.
Dei o dinheiro que tinha, e voc� me deu a carta.
Tem suas digitais, lembra?
A� disse que, se eu fosse � pol�cia, voc� contaria uma hist�ria maluca...
sobre eu querer que voc� matasse minha mulher.
Antes de prosseguir, considere as inconveni�ncias.
Sou bem conhecido. Haveria fotos suas tamb�m.
E, mais cedo ou mais tarde, haveria uma delega��o de propriet�rias...
e inquilinos que testemunhariam contra o seu car�ter.
E algu�m deve ter visto voc� com a Srta. Wallace.
Percebi que teve o cuidado de n�o ser visto com ela em p�blico.
Geralmente, se encontravam em lugares discretos onde n�o seria reconhecido.
. Como na casa de ch� em Pimlico. . Foi id�ia dela, n�o minha.
Um pouco sujinho, n�o? N�o estava � altura da Sra. Van Dorn.
Ali�s, a Sra. Van Dorn sabe do Sr. Adams, Sr. Wilson e Srta. Wallace?
Planejava se casar com a Sra. Van Dorn, n�o?
. Espertinho voc�, n�o? . N�o. S� tive tempo...
de pensar nas coisas, me colocar no seu lugar.
Por isso, sei que vai concordar.
Por que pensa que vou concordar?
Pelo mesmo motivo que um burro com um pau atr�s e...
uma cenoura na frente sempre vai para frente e n�o para tr�s.
. Me fale sobre a cenoura. . Mil libras em dinheiro.
. Por um assassinato? . Alguns minutos de trabalho, s� isso.
Sem risco algum. Eu garanto.
Isso deve atra�-lo. Voc� est� em apuros.
. N�o sei do que est� falando. . Voc� deve saber.
Est� em todos os jornais. "Mulher de meia-idade encontrada...
morta com overdose de drogas."
Aparentemente, ela era viciada havia algum tempo, e ningu�m sabe...
onde ela conseguiu. Mas n�s sabemos, n�o �?
Pobre Srta. Wallace!
Onde est�o essas mil libras?
Numa valise em um guarda. Volumes.
. Onde? . Em algum lugar de Londres.
Claro que n�o nos veremos mais. Assim que fizer o servi�o...
enviarei pelo correio o recibo do guarda. Volumes e a chave da valise.
E fique com essas 100 libras como adiantamento.
A pol�cia s� precisa rastrear uma das notas para chegar at� voc�...
e nos enforcar a ambos com a mesma corda.
N�o v�o. Durante um ano, saquei 20 libras a mais por semana...
sempre em notas de 5 libras, e depois troquei por essas.
. Deixe-me ver seu extrato. . Claro.
N�o encoste.
Volte uma p�gina.
Seu saldo diminuiu em mil libras em um ano. E se a pol�cia quiser saber?
Aposto nas corridas de cachorro duas vezes por semana.
Verificar�o com o corretor de apostas.
Assim como voc�, s� aposto com intermedi�rios. Satisfeito?
. Quando vai ser? . Amanh� � noite.
Amanh� � noite? Sem chance. Preciso pensar.
Tem de ser amanh�. Preparei tudo para amanh�.
Onde?
Possivelmente onde voc� est� agora.
Como?
Amanh� � noite, eu e o namorado americano dela iremos a uma festa.
Ela ficar� aqui. Ir� pra cama cedo e ouvir� uma pe�a no r�dio.
Sempre faz isso quando eu saio.
�s 22:57, voc� entrar� pela porta da frente.
Encontrar� a chave desta porta...
sob o tapete da escada.
. No quinto degrau. . Isso.
V� direto � janela e...
esconda. Se atr�s das cortinas.
Exatamente �s 23, eu vou ao telefone no hotel...
para ligar para o meu chefe. Mas discarei o n�mero errado, este n�mero.
� s� isso que farei.
Quando o telefone tocar, voc� ver� a luz se acender...
por debaixo da porta do quarto.
Quando a porta se abrir, um facho de luz atravessar� a sala.
Ent�o, n�o se mexa at� que ela atenda o telefone.
Fa�a o menor barulho poss�vel.
Depois de terminar, pegue o telefone, assobie levemente e desligue.
N�o fale nada, seja l� o que fizer. Eu n�o direi nada.
Depois do seu assobio, eu desligarei e discarei o n�mero do meu chefe.
Falarei com ele como se nada tivesse acontecido e voltarei � festa.
. E depois? Prossiga. . Ver� a mala aqui.
Est� com roupas minhas para serem lavadas.
Abra e jogue as roupas no ch�o.
Depois, pegue as caixas de cigarro e alguns desses trof�us.
Feche a mala, mas n�o tranque.
Deixe a mala como est� agora.
. Como se eu tivesse sa�do �s pressas. . A id�ia � essa. Agora, a janela.
Se estiver trancada, destranque e deixe aberta.
Saia por onde entrou.
. Por esta porta? . Sim. Agora, o mais importante.
Quando sair, ponha a chave no mesmo lugar.
. Debaixo do tapete da escada? . Sim.
Sim, mas v�o achar que aconteceu exatamente o qu�?
Bem, pensar�o que voc� entrou pela janela.
Voc� achou que n�o havia ningu�m, pegou a mala e come�ou o servi�o.
Ela ouviu um barulho, acendeu a luz.
Voc� viu a luz por debaixo da porta, e se escondeu atr�s das cortinas.
Quando ela chegou aqui, voc� a atacou antes que ela pudesse gritar.
Quando percebeu que a havia matado, entrou em p�nico...
saiu em disparada pelo quintal e fugiu sem a mala.
Espere a�. Eu teria entrado pela janela.
. E se estivesse trancada? . N�o importa.
Ela sempre passeia no jardim antes de se deitar.
E sempre esquece de trancar quando volta.
. Isso � o que direi � pol�cia. . Mas ela pode dizer...
Mas ela n�o dir� nada, n�o �?
Tudo bem. Eu saio do apartamento, ponho a chave sob o tapete...
e saio pela porta da rua. E se a porta da rua estiver trancada?
Como vou entrar, pra come�o de conversa?
A porta da rua nunca fica trancada.
. Quando voc� voltar�? . L� pela meia. noite.
Eu voltarei com Halliday para a saideira.
N�s dois a encontraremos, juntos. E n�s est�vamos juntos...
desde que a deixamos. Este � meu �libi.
. Esqueceu de uma coisa. . O qu�?
Ao voltar com o tal Halliday, como v�o entrar no apartamento?
. Simplesmente entrarei. . Mas sua chave estar� sob o tapete!
Ele vai ver voc� pegar. Isso vai entregar o ouro.
N�o ser� minha chave debaixo do tapete. Ser� a dela.
Tirarei da bolsa dela e a colocarei sob o tapete...
minutos antes de eu sair do apartamento.
Ela n�o vai sair. Ent�o, n�o sentir� falta.
Ao voltar com Halliday, usarei minha pr�pria chave.
A�, enquanto ele estiver fazendo uma busca no jardim...
pego a chave de sob o tapete e coloco na bolsa dela, antes da pol�cia chegar.
. H� quantas chaves para essa porta? . A dela e a minha.
. Mavel Z499. - Tony, sou eu.
. Ol�, querida, como vai? - Tudo �timo. A pe�a � maravilhosa.
. Estamos adorando cada minuto. - Sinto muito, quer dizer, que �timo.
Voc� vir�, n�o vir�?
Acho que n�o. Ainda estou no come�o.
Querida, espere um momento. Acho que tem algu�m � porta.
Voc� pode ser visto pela janela do quarto.
Desculpe, querida. Alarme falso.
Por que n�o leva Mark ao Gerry's?
- Como entraremos? . Basta dizer meu nome.
Quanto � m�sica, n�o sei, mas a comida � boa.
A prop�sito, Maureen ligou e nos convidou para jantar na quarta. Feira.
Voc� tem algo marcado na sua agenda para quarta. Feira, mas n�o consigo ler.
Parece Al Bentall. Quem � ele? Outro de seus namorados?
- Albert Hall, seu idiota! . AIbert Hall! Claro.
Fico contente de n�o ter de ir � casa da Maureen. Ela cozinha t�o mal.
- � o sinal, tenho de ir. . Tudo bem, querida. Divirta. se.
Tony, cuidado para n�o aguar o Martini.
Onde est� a foto do maraj�?
Querida, quando vai terminar de arrumar os recortes?
Qualquer dia desses.
Aqui est�. Este � o maraj�, ele n�o � um sonho?
Tinha quatro Rolls. Royces e j�ias que afundariam um navio.
Mas tudo o que queria era jogar em Wimbledon.
O coitado � t�o m�ope, que mal v� a ponta da raquete.
. Que dir� a bola. . Sabe, devia...
Obrigado, Tony. Devia escrever um livro sobre tudo isso.
Por que n�o trabalham em conjunto?
Um romance policial com o t�nis como pano de fundo.
Que tal, Mark? Voc� me arranja o assassinato perfeito.
. Seria �timo. . Como escreve romances policiais?
Bem, � preciso concentrar. Se no crime. O crime � o neg�cio.
� s� imaginar que vai roubar algo ou matar algu�m.
� assim que voc� faz? Interessante.
Sim, geralmente, me coloco no lugar do criminoso e imagino seu pr�ximo passo.
Acredita mesmo no crime perfeito?
Sim, claro. No papel, quero dizer.
Acho que posso planejar melhor do que muita gente...
...mas duvido que executasse. . N�o? Por que n�o?
Nas hist�rias, tudo acaba como quer o autor.
E, na vida real, nem sempre.
N�o. Eu seria no crime como sou no bridge:
Cometeria um erro, e s� perceberia quando visse todos olhando pra mim.
. Bebamos, Mark. . Sim.
. O que vai fazer amanh�? . Nada.
. Pod�amos ir almo�ar em Windsor. . Boa id�ia.
Venha cedo, mas n�o t�o cedo, talvez estejamos de ressaca.
. Que tal �s 11? . �timo.
Podemos almo�ar no "Kings Head".
. Fica em Windsor? . N�o, mas � pr�ximo.
Eu te emprestei minha chave? N�o consigo ach�-la em nenhum lugar.
Talvez as duas estejam na minha bolsa. Vou dar uma olhada.
N�o, s� tenho uma aqui. N�o est� no seu sobretudo?
N�o, j� olhei. Pode me emprestar a sua?
. � um pouco inconveniente. . Por qu�?
. E se eu quiser sair? . Hoje � noite?
�, pensei em ir ao cinema, ou algo assim.
N�o vai ouvir a pe�a no r�dio?
N�o. Hoje � suspense. N�o gosto de suspense quando estou sozinha.
. Entendo. . Mas, de qualquer forma...
voltarei antes de voc�, abrirei a porta.
Voltaremos depois da meia. Noite, talvez j� esteja dormindo.
Pode colocar sua chave sob o tapete.
Tudo bem. Aqui est�. Estava na minha luva o tempo todo.
Problema resolvido.
. Que filme vai ver? . Algum cl�ssico, acho.
Conseguir� ingresso num s�bado � noite?
. N�o custa tentar. . Mas, querida...
N�o me fa�a ficar em casa. Voc� sabe que odeio n�o fazer nada.
Fazer nada? H� muita coisa que voc� pode fazer.
Escreva para Peggy agradecendo pelo fim de semana.
Pode colar aqueles recortes. � uma �tima oportunidade.
Olha s� isso. Voc�s dois saem a festejar, e eu fico em casa colando...
aqueles recortes enfadonhos.
. Tudo bem, ent�o, n�o vamos. . Como assim?
Obviamente, voc� n�o quer que a gente v�. Ficaremos com voc�.
O que vamos fazer? Jogar cartas?
Ah, Tony, querido.
� melhor ligar para avisar que n�o vamos.
Tony, por favor. N�o seja infantil.
Tudo bem, vou colar seus velhos recortes.
. N�o precisa se n�o quiser. . Mas eu quero.
Acho que vou tentar parar um t�xi.
. Temos cola? . Sim, na escrivaninha, acho.
. Vai precisar de tesouras. . Na cesta de costura.
Me empreste dinheiro para o t�xi.
Largue minha bolsa. De quanto precisa?
. Bem, vamos ver quanto voc� tem? . Solte isso.
. Est� me devendo 10 xelins... . Do qu�?
Da encomenda que enviou � Peggy. N�o entra nas despesas da casa.
Deixe-me pegar, ent�o. Tire a m�o.
Pronto. Quanto quer?
Tenho 3, 5, 7 e mais 6 centavos, deve dar para ir e voltar.
Mas � melhor levar algo. Quanto custa o jantar?
J� paguei, inclusive a gorjeta. E Mark pode ajudar se eu precisar.
O t�xi chegou.
. Tony, o que est� esperando? . Nada, querida.
. Boa noite, Margot. . Boa noite, Mark. Quando voltam?
L� pela meia. Noite. Vou trazer Mark para a saideira.
. Voc� estar� acordada? . Estarei dormindo...
...e n�o quero ser perturbada. . Faremos sil�ncio.
. Boa noite. . Boa noite.
. Margot? . Sim.
Talvez meu chefe ligue. Diga que estou no Grendon. Pode ser importante.
. Qual � o n�mero? . Est� na agenda.
Tudo bem.
Adeus, querida.
Certo, Mark.
Estou hospedado no Hotel Torbay. Sabe, em Dartmoor.
N�o � bem em Dartmoor, mas no mesmo distrito. De qualquer forma...
o ponto principal dessa hist�ria � que tem a ver com a pris�o de Dartmoor.
Estava hospedado no Hotel Torbay, como eu dizia, e fui at� o bar...
olhei para ele e disse: "O que est� fazendo aqui?"
Ele diz: "Eu viajo a neg�cios, vendo maquin�rio agr�cola".
. E eu disse: "Maquin�rio agr�cola?" . Algu�m tem a hora certa?
Sim, s�o... S�o 23:07.
. No meu, � um pouco depois das 23. . Meu rel�gio parou.
. Devo ter dado corda demais. . Como eu estava dizendo...
Com licen�a, tenho de ligar para meu chefe.
Equipamento agr�cola...
Al�.
Al�.
Al�.
Al�.
Al�.
Al�.
Al�.
Chame a pol�cia. R�pido, a pol�cia.
. Margot? - Quem �?
Querida, sou eu.
Ai, Tony. Gra�as a Deus. Venha imediatamente para casa.
. O que houve? - N�o posso explicar.
- Venha rapidamente. . Querida, acalme. se.
. O que houve? - Um homem me atacou...
e tentou me estrangular.
. Ele fugiu? - N�o, ele est� morto.
Tony, voc� ainda est� a�?
. Margot? - Sim?
. Preste aten��o. - Sim, estou escutando.
N�o toque em nada. Estou indo.
N�o mexa em nada, n�o fale com ningu�m at� eu chegar.
N�o. N�o tocarei em nada.
- Promete? . Sim, eu prometo.
Mas, por favor, venha r�pido.
Eu estava sentado no mesmo bar, e vejo o mesmo homem na ponta do...
. Ele veio at� mim e disse... . N�o, sente. se. Tenho de ir.
Margot n�o est� se sentindo muito bem.
. � grave? . N�o, nada grave.
. Fique e divirta. se. . Eu vou junto.
N�o, est� tudo bem.
Tony! Ah, Tony!
Est� tudo bem, querida, est� tudo bem. O que aconteceu?
Ele colocou algo em volta do meu pesco�o, parecia uma meia.
Tem certeza? Deixe-me ver.
Fui atender o telefone, e ele veio de tr�s da cortina...
e tentou me estrangular. Eu quase desmaiei.
Procurei a tesoura com a m�o...
a� ele me largou de repente, e caiu no ch�o.
Quase n�o h� sangue. Quando ele caiu, deve...
. O que est� fazendo? . Tentando achar minha...
Aqui est�, minha aspirina. Estou com uma dor de cabe�a horr�vel.
. O que foi? . Vou pegar um cobertor.
Feche a janela, por favor.
N�o devemos tocar em nada antes que a pol�cia chegue.
Ele deve ter arrombado. O que ser� que ele queria?
. Os trof�us, acho. . Quando chegar� a pol�cia?
. J� ligou? . N�o.
Voc� me disse para n�o falar com ningu�m.
. N�o � melhor ligar para eles agora? . Sim.
. Cad� o Mark? . Eu falei para ele ir direto para casa.
- Telefonista. . Telefonista conecte. me...
...com a pol�cia de Maida Vale, r�pido. . Voc� contou a ele?
N�o sabia o que havia acontecido. S� disse que voc� n�o estava bem.
- Pol�cia de Maida Vale. . Pol�cia? Houve um acidente horr�vel.
- Sim, senhor. . Um homem foi morto.
- Seu nome, por favor? . Wendice.
- Com dois "S"? . N�o. D.I.C.E.
. Seu endere�o, senhor? - Charrington Gardens, 61A.
- Apartamento t�rreo. . Foi um acidente?
N�o sei.
Como assim, senhor? N�o sabe? Acha que ele foi morto por algu�m?
N�o sei.
Tem id�ia de quem o matou?
Explicarei quando chegar. Quanto tempo levar�?
- Dois minutos. . Dois minutos.
. E n�o toque em nada, senhor. . N�o tocaremos em nada. Adeus.
. Vou me vestir. . Por qu�?
. Eles v�o querer falar comigo. . N�o v�o falar com voc�.
. Mas far�o perguntas. . Podem esperar at� amanh�.
Eu direi tudo o que eles precisam saber.
. Tony? . Sim?
. Por que me ligou? . O qu�?
Desculpe, querida. Conto depois.
Acabei de pensar em algo. Voc� disse que ele usou uma meia. Cal�a?
Meia ou cachecol. N�o est� a�?
N�o, mas acho que encontrar�o. V� dormir.
Ch�, senhores?
Sargento? Olhe, a outra meia. Cal�a.
INTERVALO
Muito bem, circulando.
Quase vazio. Me lembre de comprar mais.
Sempre acaba quando precisamos. Antes que me esque�a, o sargento...
...quer saber por que n�o ligou logo. . Como poderia?
. Voc� estava relutante... . Eu sei, mas...
Voc� mandou n�o falar com ningu�m antes de voc� voltar.
Eu sei, querida. Mas eu contei uma hist�ria um pouco diferente.
. Por qu�? . Eu disse que voc� n�o ligou...
pois pensou que eu ligaria do hotel.
. Por que disse isso? . Era a explica��o l�gica. Ele aceitou.
Agora, se eles pensassem que demoramos a comunicar...
...poderiam fazer muitas perguntas. . Ent�o, quer que eu confirme isso?
Acho que sim, querida. Caso perguntem de novo.
Deve ser Mark, pode abrir para ele?
. Bom dia, madame. . Bom dia.
. � a Sra. Wendice? . Sim.
. Sou policial, posso entrar? . Claro.
Com licen�a, vou chamar meu marido.
Obrigado.
. Bom dia. . Bom dia, senhor.
Sou o inspetor Hubbard, chefe de investiga��es criminais.
Acho que j� dei todas as informa��es necess�rias ao sargento.
Li o relat�rio dele, mas h� algumas perguntas que gostaria de fazer.
Pelo que sei, o sargento falou pouco com a senhora.
. Sim, eu... . Minha esposa estava em choque.
Sim. Deve ter sido horr�vel. Posso dar uma olhada pela casa?
Claro. O quarto e o banheiro ficam por aqui.
Certamente, n�o entrou pelo banheiro.
E a cozinha tem grade na janela.
Supomos que ele tenha entrado por essas janelas aqui.
N�o estava aqui quando aconteceu, n�o �?
N�o. Estava em um jantar no Hotel Grendon e, por coincid�ncia...
estava ligando para minha esposa bem na hora que aconteceu.
Fiquei sabendo. Lembra. Se do hor�rio?
N�o sei exatamente. Me lembro que meu rel�gio havia parado.
A senhora lembra. Se do hor�rio?
. N�o. . Por que n�o se senta?
Obrigado.
Tem id�ia de quem ele era?
Ah, sim. Pelo menos descobrimos onde ele morava.
Mas ainda h� uma certa confus�o quanto ao nome verdadeiro.
. Como? . Ele parece ter v�rios.
. J� o viu antes? . N�o, claro que n�o.
. Este � ele? . Sim.
. N�o o reconhece? . N�o, nunca o vi antes.
Nem o viu de relance?
Ele me atacou por tr�s. Estava escuro. Mal o vi.
Mas, antes de lhe mostrar essas fotos, disse que n�o o conhecia.
Como sabia disso se mal o viu ontem � noite?
N�o entendo.
Inspetor, minha esposa quer dizer que, pelo que sabe, nunca o viu antes.
. � isso que quis dizer? . Sim.
E o senhor? J� o viu antes?
N�o.
N�o. Pelo menos...
sem o bigode, parece com um colega de faculdade.
. Como se chamava? . N�o sei. Faz 20 anos.
. Era Lesgate? . N�o.
. Wilson? . N�o.
. Swan? . Swan?
Espere um pouco! Swan. Isso!
� uma foto antiga, tirada em uma reuni�o. Fizemos faculdade juntos.
. A� est� ele. Inacredit�vel. . Conhecia. o bem?
. N�o, estava um ano na minha frente. . N�o o viu desde ent�o?
N�o. Pelo menos...
Eu o vi h� pouco. Mas n�o falei com ele.
. Quando foi? . H� uns 6 meses, na esta��o de trem.
Esta��o Victoria, acho. Lembro. Me de reparar como havia mudado pouco.
. Estava de bigode? . N�o.
Pode mostrar como tudo aconteceu ontem � noite?
. Tenho de mostrar? . Receio que sim, querida.
Eu estava na cama, quando o telefone tocou. A� vim para c�.
. A senhora acendeu esta luz? . N�o.
Mostre-me exatamente onde a senhora estava.
Eu fiquei aqui e atendi o telefone.
S� um minuto. Tem certeza de que estava assim, de costas para a janela?
. Sim. . Mas por qu�?
. Por que n�o? . Por que deu a volta na mesa?
Eu teria atendido deste lado.
Mas eu sempre atendo o telefone daqui.
. Mas por qu�? . Caso eu precise anotar algo...
seguro o telefone com a m�o esquerda.
Entendo, desculpe. Prossiga.
Quando peguei o telefone, ele deve ter sa�do de tr�s das cortinas...
e me atacou. Colocou algo em meu pesco�o.
. Algo? O que quer dizer com "algo"? . Acho que era uma meia. cal�a.
. Entendo. E o que aconteceu depois? . Ele me empurrou para cima da mesa.
Eu me lembro de procurar a tesoura.
Onde essa tesoura fica normalmente?
Naquela cesta de costura, esqueci de guard�-las.
Por que acha que ele veio por detr�s das cortinas?
. De onde mais teria vindo? . As cortinas estavam fechadas?
. Sim, estavam. . Mas a senhora as fechou?
N�o, inspetor, eu fechei antes de sair.
. O senhor trancou a janela tamb�m? . Sim.
. Tem certeza? . Tenho.
Sempre tranco quando fecho as cortinas.
. Como acha que ele entrou? . Achamos que ele arrombou.
N�o h� ind�cios de arrombamento. Nosso relat�rio indica...
que a trava n�o est� danificada. Sra. Wendice...
por que n�o chamou a pol�cia logo ap�s o acontecido?
Eu estava tentando ligar para a pol�cia, quando descobri...
que meu marido estava na linha. Pensei que ele fosse chamar...
a pol�cia antes de vir para c�.
N�o pensou em chamar um m�dico?
. N�o. . Por que n�o?
. Ele estava morto. . Como sabia disso?
. Era �bvio. . Verificou os batimentos dele?
N�o, claro que n�o.
Qualquer um imaginaria que ele estava morto.
. S� de ver aquele olhar fixo... . Ent�o, viu o rosto dele, afinal.
Eu vi os olhos dele, n�o me lembro do rosto.
Inspetor, minha esposa, obviamente, nunca viu esse homem antes...
e, se ele n�o entrou pela janela, como entrou?
Na verdade, temos quase certeza de que entrou por esta porta.
. Mas estava trancada. . Margot.
. Abriu a porta depois que n�s sa�mos? . N�o.
. H� quantas chaves para esta porta? . Somente duas.
A minha estava na bolsa e a sua estava com voc�.
. � isso mesmo. . O zelador tem a chave?
. N�o. . Voc� tem faxineira?
Sim, mas ela n�o tem a chave, estou sempre aqui quando ela vem.
Por que acha que ele entrou pela porta?
. Por causa dos sapatos dele. . Os sapatos?
O ch�o estava ensopado ontem. Se tivesse entrado pelo jardim...
teria sujado de barro todo o carpete.
Mas ele n�o sujou nada porque limpou os p�s no capacho da entrada.
. Como sabe? . � um capacho novo...
e algumas fibras ficaram presas no sapato dele.
. Mas, sem d�vida... . O capacho tinha uma mancha de piche.
E algumas fibras no sapato tamb�m tinham. N�o h� d�vida.
Espere a�. Acho que j� sei.
Lembra. Se de quando roubaram sua bolsa?
. Sim. . N�o tinha uma chave dentro?
Sim, mas, quando recuperei a bolsa, a chave estava dentro.
S� um minuto. Gostaria de saber disso. Que tipo de bolsa?
Uma bolsa de senhora. Minha esposa perdeu na Esta��o Victoria.
Recuperei no Achados e Perdidos algumas semanas depois.
. Estava faltando alguma coisa? . Todo o dinheiro.
. Mais alguma coisa? . N�o.
. Nenhum documento ou carta? . N�o.
. Tem certeza disso? . Tenho.
E a chave estava na sua bolsa quando a perdeu?
Sim, mas ainda estava l� quando foi devolvida.
Quem roubou o dinheiro pode ter feito uma c�pia da chave.
. Onde a bolsa foi encontrada? . Na Esta��o Victoria.
N�o foi l� que o senhor disse ter visto esse homem?
Quando perdeu a bolsa? Foi no fim de semana...
que fomos visitar Peggy? Sim, eu me lembro agora.
. Ele estava sentado no restaurante. . N�o foi l� que esqueceu a bolsa?
Sim, foi. E eu n�o disse algo sobre algu�m que havia estudado comigo?
. Eu n�o me lembro. . Ent�o, foi assim que ele entrou.
Fez uma c�pia e colocou a original de volta na bolsa.
Antes de continuar, como ele abriu a porta da rua?
. A porta da rua nunca � trancada. . Entendo.
Ele poderia ter copiado a chave, e poderia t�-la usado para abrir a porta.
Mas, � claro, n�o o fez.
. Por que n�o? . Porque, se tivesse feito isso...
a chave estaria com ele quando morreu.
Mas n�o achamos nenhuma chave nos bolsos dele.
Parece que voltamos ao in�cio, n�o?
. Mais ou menos. . Ent�o, como ele entrou?
� melhor colocarmos tudo isso no papel.
Eu gostaria que voc�s fizessem uma declara��o oficial.
Meu escrit�rio fica aqui perto, talvez possam ir agora mesmo.
. Tony. . Mark.
Mark, este � o inspetor Hubbard. Inspetor, este � Mark Halliday.
. Ele estava comigo ontem � noite. . Como vai, inspetor?
Como estava com o Sr. Wendice ontem � noite...
talvez possa nos ajudar aqui.
Lembra. Se do hor�rio em que ele saiu para telefonar?
. Sim, 23:03. . Como sabe disso?
O rel�gio dele parou de funcionar, e n�s comparamos os hor�rios.
Obrigado. Ela foi atacada quando veio at� aqui atender o telefone.
Ligou para ela antes ou depois de ligar para seu chefe?
Tony, ia lhe perguntar algo: Por que me ligou ontem � noite?
S� um minuto, antes que eu perca o fio da meada.
Enfim, �s 23:03, usou o telefone para ligar para seu chefe?
Sim, usei o telefone p�blico no sagu�o.
Por quanto tempo falou com seu chefe antes de ligar para sua esposa?
Eu n�o cheguei a falar com ele. N�o me lembrava do n�mero.
Ent�o, liguei para minha esposa para que ela olhasse na agenda.
Me acordou s� para pedir o telefone dele?
Tive de fazer isso, querida. Meu chefe ia para Bruxelas hoje cedo.
Queria lembr�-lo de algo. Era algo importante.
N�o havia uma lista telef�nica no hotel?
Sim, mas o telefone da casa de campo n�o constaria naquela lista.
. E voc� ligou para ele? . N�o, depois que soube...
do que havia acontecido com ela, me esqueci completamente.
Sr. Halliday, o Sr. E a Sra. Wendice v�o ao meu escrit�rio agora...
para prestar depoimento, poderia me dar seu endere�o?
. Eu talvez queira entrar em contato. . Claro.
. Vou pegar meu casaco. . Estou hospedado no Hotel Carfax.
Escreva a�, por favor. Seu telefone tamb�m.
. Voc� j� veio a Londres antes? . Sim, um ano atr�s.
. Aqui est�, senhor. . Obrigado.
Sr. Wendice, h� muita gente na porta, sugiro sairmos pelo jardim.
. N�o h� um port�o nos fundos? . Sim.
Mas talvez esteja trancado, poderia dar uma olhada?
Claro.
O quanto ele sabe sobre o senhor e a Sra. Wendice?
. Como? . O senhor escreveu uma carta a ela...
de Nova York. Foi encontrada no bolso do morto.
N�o mencionei porque n�o sabia o quanto o Sr. Wendice sabia.
. Sabe como foi parar l�? . N�o.
. Onde est� Tony? . Est� no jardim.
Sra. Wendice, quando perdeu a bolsa, perdeu tamb�m uma carta?
. N�o. . Margot...
foi encontrada no bolso do morto.
. Voc� perdeu, n�o perdeu? . Sim, perdi.
Eu lhe perguntei isso antes, n�o perguntei?
Sim. Mas meu marido n�o sabe de nada.
Este homem a estava chantageando, n�o estava?
N�o vale a pena, ele ter� de saber. � a �nica coisa a fazer.
Inspetor, depois que ela perdeu a carta, recebeu esses dois bilhetes.
� de outubro. Quantas vezes viu este homem?
Eu nunca o vi.
. Gostaria que nos acompanhasse. . Sim, claro.
Sra. Wendice, quando for dar a sua declara��o...
talvez outros policiais estejam presentes, e devo avisar...
que o que for dito ser� escrito e talvez usado como prova.
Esquecerei tudo o que me contou at� agora.
Mas, de agora em diante, diga exatamente o que sabe...
sobre esse homem e o que aconteceu ontem � noite.
Se esconder alguma coisa, poder� ficar numa situa��o bem delicada.
Gostaria que explicasse o que quer dizer com tudo isso.
Explicarei.
Admite que matou esse homem? Diria que foi em leg�tima defesa?
Infelizmente, n�o h� testemunhas. Temos apenas sua palavra.
Mas eu ouvi tudo, inspetor, pelo telefone.
O que ouviu exatamente, Sr. Wendice?
Ouvi uma s�rie de gritos abafados.
Ouviu algo que indique que houve luta?
O que ouvi, inspetor, est� totalmente de acordo...
...com o que minha esposa me contou. . Ent�o, tudo o que sabe...
sobre o assunto � o que sua mulher lhe contou, n�o �?
Sugere que ele veio para roubar seu apartamento.
N�o h� evid�ncia disso, mas sim de que ele a estava chantageando.
. Chantagem? . Infelizmente, sim.
E a senhora disse que ele entrou pela janela...
quando sabemos que entrou pela porta.
Mas ele n�o pode ter entrado por a�, a porta estava trancada.
E h� apenas duas chaves. Meu marido estava com a dele...
e eu estava com a minha na bolsa. Aqui.
. Pode ter aberto a porta para ele. . Est� insinuando...
...que ela mesma o deixou entrar? . Parece ser a �nica maneira...
...de ele ter entrado. . Ao menos, acredita que fui atacada?
Como acha que me machuquei?
Voc� mesma pode ter se machucado.
Uma meia. Cal�a de seda foi encontrada do lado de fora da janela.
Tinha dois n�s. Isso tem algum significado para voc�?
Acho que deve ser a meia que ele usou.
N�s encontramos o par dessa meia embaixo dessa pasta mata. Borr�o.
Pode me explicar por que seu agressor faria isso?
. N�o. . As meias eram suas, n�o eram?
. N�o. . N�s sabemos que eram.
Um dos calcanhares estava remendado com um tipo de seda diferente.
Encontramos um carretel dessa seda na sua cesta.
Tony! Tinha um par de meias aqui.
J� ouvi falar que a pol�cia planta evid�ncias para garantir a condena��o.
Os homens dele ficaram horas aqui ontem, podem ter pegado as meias...
...e feito o que bem quiseram. . Claro que sim.
Decerto, rasparam os sapatos dele no capacho, tamb�m.
- Al�. . Al�, Roger.
Gra�as a Deus, voc� atendeu. Tony Wendice falando.
Um ladr�o, ontem � noite, atacou Margot.
- Margot? Ela est� machucada? . N�o, ela est� bem...
mas o homem foi morto. A pol�cia est� aqui, agora.
N�o ria, mas eles est�o dizendo que Margot o matou intencionalmente.
Eu n�o diria isso se fosse o senhor.
- Essa � boa! . � engra�ado, n�o �?
. Poderia vir imediatamente? - Estou indo.
Obrigado, velho amigo. Tchau.
Est� tudo bem, querida. Ele nos encontrar� na delegacia.
. Sr. Wendice, devo aconselh�-lo... . Nosso advogado vai nos aconselhar.
. Margot. Sua bolsa. . Obrigada.
. O senhor vem? . Claro, inspetor.
S� queria saber.
Est� sendo acusada de, no dia 26 de setembro...
matar intencionalmente Charles Alexander Swan.
Gostaria de dizer algo sobre essa acusa��o?
E voc�, em algum momento na vida, se encontrou com Swan?
Voc� recebeu uma carta do senhor Halliday.
Essa mesma carta foi encontrada no bolso do morto.
Agora diz que n�o o conhece.
Voc�s julgam a prisioneira Margot Mary Wendice...
inocente ou culpada?
Culpada.
A senten�a deste tribunal � que seja levada para o lugar de onde veio...
e de l� para o local de execu��o.
. Ol�, Mark. . Tony.
Eu...
Teve not�cias do ministro da Justi�a?
Ent�o, � amanh�?
Tony, eu...
imagino que voc� faria qualquer coisa para salvar a vida dela.
. J� fizemos de tudo. . N�o, Tony, n�o fizemos.
H� semanas, venho pensando em algo, caso isso acontecesse.
Agora, acho que � sua �nica esperan�a.
Diga.
Margot foi condenada porque ningu�m acreditou na hist�ria dela.
A acusa��o disse que ela estava mentindo, e o j�ri acreditou.
Mas em que est� fundamentado esse caso? Em tr�s coisas apenas.
Minha carta, a meia dela e a chave n�o ter sido encontrada em Swan.
. Conclu�ram que ela o deixou entrar. . N�o tente me dizer que...
Espere! Me escute. � aqui que voc� entra.
Tem de ir � pol�cia e contar alguma hist�ria...
algo que os conven�a de que Margot n�o estava mentindo.
A pol�cia n�o acreditar� em nada que eu disser.
Tony, escrevo esse tipo de hist�ria h� anos.
Pensei em algo que pode dizer a eles. Vamos correr todos os itens.
Margot disse que n�o abriu a porta para Swan.
Certo. Ele mesmo deve ter aberto de alguma maneira.
Digamos que fale � pol�cia que guarda uma chave aqui fora, em algum lugar.
. A�, Swan pode ter entrado sozinho. . Como ele saberia?
. Voc� contou a ele. . Mas n�o vejo Swan h� 20 anos.
Swan est� morto. Agora temos que fazer o que podemos.
Pode contar qualquer hist�ria sobre ele, pode at� dizer que voc�s...
se encontraram em algum lugar e planejaram isso tudo juntos.
Planejamos o qu�?
Est� insinuando que eu arrumei para que ele viesse aqui chantage�-la?
N�o...
para mat�-la.
. Matar Margot? . Digamos que sim.
. Por qu�? . Porque ela disse.
"Ele veio de tr�s da cortina e tentou me estrangular."
Certo, foi isso mesmo que ele fez. Tem apenas que concordar com ela.
. N�o entende? Essa � a id�ia. . E sua carta?
Ningu�m mata a pessoa a quem est� chantageando. N�o faz sentido.
Sim, eu sei. Isso me preocupou tamb�m, mas j� resolvi.
Voc� diz que voc� mesmo roubou a bolsa dela.
Porque eu faria isso?
Porque voc� queria ler a minha carta, e, depois que leu, ficou furioso, e...
queria dar-lhe uma li��o. Ent�o, voc� escreveu os bilhetes...
ningu�m poder� provar o contr�rio. E tamb�m pode dizer que nunca viu...
Swan na Esta��o Victoria, apenas inventou isso para conect�-lo � carta.
. N�o v� como tudo se encaixa? . Mas, sua carta...
...foi encontrada no bolso dele. . Bem, voc� a colocou l�.
. Quando? . Antes de a pol�cia chegar.
E voc� tamb�m...
pode ter plantado as meias, ao mesmo tempo.
Mas, Mark, por que eu enviaria algu�m para mat�-la?
Eu sei. � dif�cil entender isso porque n�s dois a amamos.
Mas precisamos de um motivo, e com urg�ncia.
Vamos considerar os motivos tradicionais. Ela fez um testamento?
. Acho que sim. . Quem � o benefici�rio?
. Acho que sou eu. . A� est� o motivo, Tony.
Mas milhares de pessoas fazem testamentos beneficiando...
seu c�njuge e n�o saem por a� se matando.
A pol�cia n�o acreditaria. Saberiam exatamente o que �:
Um homem tentando desesperadamente salvar a esposa.
Acho que vale a pena tentar. Pelo menos, n�o poder�o enforc�-lo...
por um homic�dio que n�o aconteceu. Pegaria s� uns anos na cadeia.
Muito obrigado.
� um pequeno pre�o a ser pago. Salvaria a vida dela.
Bela id�ia vinda de voc�, Mark. A vida dela n�o estaria em perigo...
n�o fosse por voc�.
Foi por estar de caso com voc� que ela perdeu a simpatia do j�ri.
N�o me entenda mal, se houvesse alguma chance...
de isso dar certo, eu faria. Mas teria de ser convincente.
Al�m do mais, como eu convenceria Swan a fazer algo assim?
. Oferecendo dinheiro, ou algo assim. . Que dinheiro? N�o tenho dinheiro.
. Sim, teria o da Margot. . Levaria meses para receber.
As pessoas n�o cometem assassinatos fiado.
Ter� que pensar em algo melhor.
Sei que est� tentando ajudar, mas...
consegue imaginar algu�m acreditando numa hist�ria dessas?
Sim, consigo. Se fizer com que elas acreditem.
. O que eu diria? Teria de vir comigo. . Ora, isso seria um grande erro.
Eles sabem o tipo de hist�ria que escrevo, n�o ter�amos nenhuma chance.
Ol�, inspetor.
. Algo a ver com minha mulher? . N�o. Acho que n�o.
Ent�o, o que foi?
Estou investigando um roubo que aconteceu h� umas tr�s semanas.
. N�o pode esperar uns dias? . Eu entendo a sua situa��o.
Quero que saiba o quanto lamento...
Sim, inspetor, sim. Mas em que posso ajuda-lo?
O caixa de uma f�brica na rua Ledbury foi atacado no escrit�rio.
E dois homens fugiram com muito dinheiro...
...notas de 1 libra, em sua maioria. . O que isso tem a ver comigo?
Nessas ocasi�es, a pol�cia fica de olho em quem...
...anda gastando bastante dinheiro. . Entendo.
Gostaria de saber se vendeu algo recentemente e recebeu em dinheiro.
. Por qu�? . Meu sargento andou fazendo...
umas perguntas no Posto Wales outro dia. E parece que o senhor...
recentemente pagou uma d�vida de cerca de 60 libras.
Sim, eu tinha um dinheiro comigo, e resolvi pagar.
Entendo. Havia acabado de tirar o dinheiro do banco?
. Foi ao meu banco, inspetor? . Na verdade, sim.
N�o me ajudaram. Os extratos banc�rios s�o confidenciais.
Fico surpreso que n�o tenha me procurado primeiro.
Era apenas rotina, n�o queria incomod�-lo.
- Onde conseguiu o dinheiro? - � da sua conta?
Se for dinheiro roubado, sim, � da minha conta.
. Importa.-se se eu fumar? . Pode fumar.
O senhor acha mesmo que ando recebendo dinheiro roubado?
At� que me diga onde conseguiu, n�o sei o que achar, n�o �?
Se conseguiu o dinheiro de algu�m que n�o conhecia...
talvez seja quem estamos procurando.
Olha s�...
. � sua? . O que �?
� a chave de algu�m, estava no ch�o.
N�o, a minha est� aqui.
N�o � sua, talvez seja minha.
Sim, � minha, deve ter ca�do do bolso, est� furado.
Essas chaves s�o t�o problem�ticas, s�o todas iguais.
. O senhor dizia...? . Acho que n�o dizia nada.
Sim, sobre o dinheiro. Eu ficaria feliz se dissesse onde conseguiu.
Afinal, 100 libras s�o bastante dinheiro para carregar por a�.
. O senhor havia dito 60 libras. . Eu disse?
Sim, meu sargento decidiu investigar um pouco mais...
antes de concluir as investiga��es. Ele disse que voc� tamb�m...
pagou uma conta no alfaiate. E outra na loja de vinhos.
Sinto muito pelo inconveniente. Se tivesse vindo diretamente a mim...
eu teria explicado, ganhei bastante dinheiro em corridas de cachorro.
. Mais de 100 libras? . Mais de 100 libras, n�o fui o primeiro.
- Por que n�o me falou de uma vez? - � um pouco vergonhoso...
admitir que ia a corridas enquanto minha esposa...
...est� prestes a ser executada. . Eu sei como �.
Ajuda a arejar a cabe�a. Bem, isso responde �s perguntas, n�o �?
. Desculpe t�-lo incomodado. . Tudo bem, inspetor.
Tudo bem.
S� mais uma coisa: O senhor tem uma pequena maleta azul?
. N�o me diga que j� a encontrou? . Por que, perdeu?
Sim, eu ia fazer um boletim hoje � tarde. Acho que a deixei no t�xi.
Entendi. Vamos tentar recuper�-la. Onde tomou o t�xi?
. Hyde Park. H� meia hora. . Algo de valor?
. N�o. Uns livros... . Dinheiro?
Umas 2 libras ou 3 libras dentro de um envelope.
. N�o seriam 200 libras ou 300 libras? . N�o, receio que n�o.
. Tudo bem, ent�o. . Como soube da maleta, inspetor?
A loja de vinhos disse que o senhor estava com ela ao pagar a conta.
Ent�o, meu sargento verificou com o posto e com seu alfaiate.
. Eles se lembram da mala. . Eu uso como se fosse uma pasta.
Bem, os taxistas geralmente devolvem. Espero que a encontre.
Inspetor, antes de ir, acho que o Sr. Wendice tem algo a dizer.
� mesmo?
E eu gostaria de lhe mostrar algo aqui, senhor.
Por isso, n�o conseguia dormir no quarto dela.
Deve ter mais de 500 libras aqui.
Onde conseguiu?
Posso dizer por que estava com ele. Esse dinheiro era para pagar a...
um homem chamado Swan depois que ele matasse a Sra. Wendice.
Mas, como sabe, houve um acidente, e n�o foi necess�rio pagar. Lhe.
Obviamente, n�o conseguiria isso sem chamar a aten��o. Ent�o, ele...
est� vivendo com este dinheiro desde 27 de mar�o.
. Sr. Wendice? . Antes de o senhor chegar, inspetor...
ele tentou me convencer a procurar a pol�cia com a hist�ria...
mais fant�stica que j� ouvi. Aparentemente, eu contratei Swan...
para matar minha esposa para que, corrija-me se eu estiver errado, Mark...
para que eu herdasse todo o dinheiro dela, e isso n�o � tudo.
Lembra. Se da carta do Sr. Halliday? Bem, aparentemente, Swan...
n�o a roubou, eu a roubei. E escrevi os dois bilhetes...
guardei a carta do Sr. Halliday e a coloquei no bolso do morto.
. E a meia... . Ah, sim, a meia...
Talvez eu deva dizer isso, Mark, vai soar melhor como uma confiss�o...
eu substitu�, essa � a palavra? Sim, substitu� a meia do assassino...
pela da minha mulher, voc� me entende, n�o?
O que mais, Mark?
Ele falou para Swan que esconderia a chave aqui fora.
Provavelmente aqui.
Swan entrou por conta pr�pria, escondeu. Se atr�s das cortinas...
...a� Wendice ligou do hotel... . S� um minuto.
Se Swan tivesse usado a chave do Sr. Wendice, ela estaria aqui...
quando ele morreu. Al�m disso, como ele entrou ao voltar do hotel?
Ela pode ter aberto para ele e ele pode ter pegado a chave do bolso de...
...Swan antes de a pol�cia chegar. . Ele entrou com a pr�pria chave.
Isso foi dito no julgamento. N�o se lembra?
Vamos, Mark, sua vez.
Swan pode ter pegado a chave aqui, aberto a porta e recolocado...
...a chave aqui, antes de entrar. . Certo, Sr. Halliday...
isso � muito interessante, mas n�o me ajuda em nada.
Mas � uma quest�o de vida ou morte, o que mais interessa?
O que me interessa � saber onde o Sr. Wendice arranjou este dinheiro.
S� quero saber isso.
S� um minuto, por favor.
Inspetor, espere um minuto. Olhe isso.
A data do �ltimo cheque � 26 de mar�o.
Um dia antes disso acontecer. Ele est� vivendo daquele dinheiro desde ent�o.
Desculpe, senhor.
Ele n�o fez nenhuma grande retirada, nenhuma acima de 53 libras.
Mas olhe, inspetor.
Praticamente toda semana, � 35, � 40, � 45, � 50. Pode ter guardado.
Tamb�m poderia estar planejando isso h� anos.
. Ent�o, onde conseguiu? . Quer mesmo saber?
. Aviso que n�o vai gostar, Mark. . Vamos.
Tudo bem, voc� pediu.
Quando cheguei da festa, naquela noite, eu a encontrei ajoelhada...
ao lado do corpo de Swan, vasculhando seus bolsos.
Ela disse que ele estava com algo dela, mas que n�o conseguia encontrar.
Ela estava hist�rica. Por isso, n�o permiti que fosse interrogada.
No estado em que estava, teria inventado todo tipo de mentira.
Na manh� seguinte, ela me mostrou o dinheiro, do jeito que est� agora...
tudo em notas de 1 libra. E disse: "Se algo acontecer comigo...
n�o deixe que encontrem isso". Bem, depois que ela foi presa...
levei a mala at� a esta��o e a coloquei num guarda. Volumes.
Sempre que eu precisava de dinheiro, retirava da mala...
e a colocava em outro guarda. Volumes.
Eu sabia que, se a encontrassem, ela n�o teria nenhuma chance.
Ela ia dar a mala a ele, mas acabou por mat�-lo.
N�o espera que acreditemos nessa hist�ria, n�o �?
N�o sei. O que acha, inspetor?
Devo dizer que suspeitei de algo assim.
Ent�o, n�o vai nem verificar? Ela ser� enforcada amanh�.
Est� fora do meu alcance. J� houve o julgamento, o recurso...
Claro, n�o interessa a voc�, n�o �?
Teria de admitir que prendeu a pessoa errada.
. Acho melhor voc� ir embora. . E vou mesmo.
Mas voc� cometeu um erro, o que acontecer� quando ela souber disso?
. Ela ir� negar, claro. . E talvez altere o testamento.
Ter� feito tudo isso por nada.
Se eu contasse aquela hist�ria dele, algu�m acreditaria?
Sem chance. Antes de uma execu��o, quase sempre aparece algu�m assim.
Deve ter sido muito duro para voc�, do jeito que tudo aconteceu.
Acha que permitiriam que ele a visitasse?
N�o queria que ela se aborrecesse.
Fale com seu advogado, talvez ele possa evitar.
� melhor depositar aquele dinheiro, antes que algu�m o roube.
Obrigado, � o que farei.
Espero que o Sr. Halliday n�o esteja l� fora me esperando para conversar.
Poderia dar uma olhada para ver se ele se foi?
. Tudo certo. . �timo.
A prop�sito, pediram que eu o avisasse...
de que h� alguns pertences da Sra. Wendice na delegacia.
. Que tipo de pertences? . Alguns livros e uma bolsa.
Gostariam que fosse l� pegar, um dia desses.
. Quer dizer, depois de amanh�. . Ou hoje, se preferir.
Basta procurar o sargento, ele est� sabendo.
Adeus, Sr. Wendice. Acho que n�o nos veremos mais.
Adeus, inspetor, e muito obrigado.
- Pol�cia de Maida Vale. . Aqui � o inspetor. chefe.
Chame o sargento O'Brien imediatamente.
- O'Brien aqui. . Hubbard.
Olha, O'Brien, voltei novamente.
. Pode come�ar. - Imediatamente, senhor.
Inspetor Hubbard, sou eu, Mark Halliday.
O que anda fazendo?
. O que faz aqui? . N�o se preocupe com isso.
. Eu estava achando estranho... . Saia daqui.
. Escute, inspetor... . Cale. se.
Se quer salv�-la, fique quieto e deixe que eu cuide disso.
Tem de entender...
O que est� acontecendo?
Eles falam sobre os policiais de p�s chatos.
Que os santos nos protejam dos amadores talentosos.
� melhor se preparar para uma surpresa, Sr. Halliday.
Margot.
Oi, Mark.
. Cad� o Tony? . Ele...
Ele saiu.
. Quando ele vai voltar? . N�o sabemos.
. Foi voc� que tocou a campainha? . Foi.
. Porque n�o abriu a porta? . Tem a chave. Por que n�o a usou?
. Usei, mas n�o serviu. . E sabe por que, n�o sabe?
N�o, n�o sei. O segredo foi trocado?
Posso pegar sua bolsa?
. De quem � essa chave? . Pensei que fosse minha.
N�o sei.
O que est� acontecendo aqui?
Seu marido j� nos revelou tudo. Pode nos contar agora.
O que � isso? Eu n�o entendo.
N�o. Acho que n�o.
. Pearson. . Sim, senhor?
Leve esta bolsa para a delegacia e tire o carro do caminho.
Sim, senhor.
Espere um pouco, voc� n�o pode andar pela rua assim, seria preso.
Coloque aqui dentro.
. Margot, como veio at� aqui? . Eu n�o sei.
H� uma hora, o diretor da pris�o veio falar comigo.
Disse que eu seria levada para casa.
E dois detetives me trouxeram aqui.
Disseram que eu poderia ir, mas n�o consegui abrir a porta.
Cad� o Tony? Ele ia me visitar...
hoje cedo, mas disseram que ele n�o p�de vir.
. Aconteceu alguma coisa com ele? . N�o. Nada.
Inspetor, n�o quero me intrometer, mas pode nos contar o que est� fazendo?
Sra. Wendice, o que vou lhe dizer pode ser chocante.
. Sim? . N�s suspeitamos...
que seu marido planejou mat�-la.
Tony combinou com Swan para ele vir at� aqui naquela noite e mat�-la.
H� quanto tempo sabem disso?
. A senhora suspeitava disso? . N�o, nunca.
O que h� comigo, Mark?
N�o consigo sentir nada.
- Eu n�o deveria ter um colapso? - � apenas rea��o retardada.
Dentro de alguns dias, voc� ter� o maior colapso.
. Quando descobriu, senhor? . Bem, a primeira pista...
veio acidentalmente. Descobrimos que seu marido estava gastando...
muitas notas de 1 libra por a�, mais de 300 libras...
e tudo come�ou depois da sua pris�o.
Tinha de descobrir onde e como ele tinha conseguido aquele dinheiro.
A� me lembrei de que ap�s sua pris�o n�s vasculhamos este apartamento...
e vi uma c�pia do extrato banc�rio dele ali, na escrivaninha.
Ent�o, ontem � tarde, fui at� a cadeia e pedi para ver sua bolsa.
Quando fiz isso, consegui pegar a sua chave...
Isso � ilegal, mas meu sangue estava fervendo.
A�, esta manh�, enquanto seu marido estava fora, entrei aqui para ver...
o extrato dele, mas n�o vi, porque n�o consegui abrir a porta.
A chave que peguei da sua bolsa n�o servia na fechadura.
. Williams? . Wendice.
Essa foi por pouco.
Pol�cia de Maida Vale. O'Brien falando.
Hubbard. Olhe, O'Brien, ele descobriu sobre as capas de chuva.
Voltou e n�o conseguiu entrar. Acho que est� indo � delegacia.
Pearson j� chegou com a bolsa?
- Sim, senhor. . �timo, escute.
D� ao Wendice os livros e a bolsa. Certifique. Se de que ele veja a chave.
� melhor pedir que ele verifique o conte�do e assine um recibo.
Se ele quiser a pr�pria chave e a capa de chuva...
...diga que eu fui para Glasgow. - Certo, senhor.
. Alguma d�vida? - Nenhuma.
. Ligue assim que ele sair da delegacia. - Certo, senhor.
Bem, Sr. Halliday, j� desvendou?
Acho que n�o. Onde est� a chave da Sra. Wendice?
Levei apenas meia hora para encontr�-la.
Mas, se estava l�, por que Wendice n�o a usou agora h� pouco?
Ele n�o usou porque n�o sabe que est� l�.
Ele ainda acha que est� na bolsa. Percebe? Voc� estava quase certo.
Ele falou para Swan que deixaria a sua chave sob o tapete da escada.
E falou para ele colocar no mesmo lugar quando fosse embora.
Mas, como Swan foi morto, n�s imaginamos que sua chave...
estaria em algum dos bolsos de Swan.
Esse foi o erro dele, porque Swan fez exatamente como...
o senhor sugeriu, Sr. Halliday. Ele abriu a porta e...
...devolveu a chave antes de entrar. . E est� l� desde ent�o.
E a chave que Wendice tirou do bolso de Swan e...
...colocou na bolsa dela era... . A pr�pria chave de Swan.
Olha s�, nem eu pensei nisso. Extraordin�rio.
Sabe, sempre me intrigou que nenhuma chave tenha sido encontrada...
no corpo de Swan. Afinal de contas, muitos homens carregam uma consigo.
A� tive um "estalo".
Levei a chave que estava na sua bolsa � casa da amiga dele...
a Sra. Van Dorn, e destranquei a porta do apartamento dela.
A� peguei o telefone dela emprestado e liguei para a Scotland Yard.
. Por que me trouxe aqui? . Voc� era a �nica outra pessoa...
que poderia ter deixado a outra chave l� fora.
Tinha de descobrir se voc� sabia que ela estava ali.
E se eu soubesse?
N�o sabia.
. Mark? . Sim, querida?
Acho que vou ter aquele colapso.
- Inspetor Hubbard? . O'Brien?
- Sim, ele acaba de deixar a delegacia. . Certo.
Tente aguentar mais um pouco.
Williams, ele acabou de deixar a delegacia.
Me d� um sinal se ele vier nesta dire��o.
. Voc� tem um len�o? . O que acontecer� agora?
Mais cedo ou mais tarde, ele vir� aqui.
Como peguei a chave dele, ele tentar� usar a chave da bolsa.
Quando n�o funcionar, perceber� que errou.
Vai raciocinar e olhar sob o tapete da escada.
Mas, se ele n�o fizer isso, o resto � s� especula��o.
- N�o podemos provar nada. - � verdade.
Mas, quando ele abrir aquela porta, saberemos de tudo.
. O que far�? . Ligarei para o ministro da Justi�a.
. Ele est� esperando. . E a Sra. Wendice?
N�o ter� mais nada a temer.
. Tudo bem, Margot? . Sim, estou bem.
Sil�ncio, voc�s dois.
O que ele est� fazendo?
Est� pensando por que a chave n�o serve.
Est� indo em dire��o � entrada dos fundos. Parou novamente.
Est� olhando a bolsa, agora.
Est� tentando lembrar quando foi que ele colocou a chave de volta l�.
Agora desistiu.
Acho que perdemos desta vez. Ele est� indo embora.
Espere. Ele parou novamente. Est� se virando.
Est� olhando para a chave.
Claro, � a chave do Swan, n�o �?
Agora ele entendeu. Est� voltando rapidamente.
Ele se lembrou.
� como voc� disse, Mark, pode funcionar no papel, mas...
Parab�ns, inspetor.
A prop�sito...
Aceita, Margot?
�, acho que um pouco me faria bem.
. Mark? . Pra mim tamb�m.
Suponho que ainda esteja em hor�rio de expediente,
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