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Valjean!
Voc� est� livre!
O S M I S E R � V E I S I P a r t e
Uma cr�nica de 1815 a 1830
P R � L O G O Digne - 1815
Monsenhor! Monsenhor!
Ah! Sois v�s, Sr. Senador
Sim, sou eu, Sr. Bispo!
Passeando um pouquinho!
Como v�s, Sr. Senador!
N�o me chameis mais de Senador, Monsenhor!
Isto � coisa do tempo de Bonaparte.
Agora que o Rei retornou, n�o h� mais senadores.
E agora? Ent�o, n�o existis mais?
Assim como Vossa Excel�ncia, sou ainda um par de Fran�a.
Muito bom!
E quanto ao t�tulo de conde que vos foi dado por Napole�o?
N�o o tendes mais?
Ainda tenho, continuo sendo conde, Monsenhor!
Que coisa! Decidamente, creio que jamais vou entender a pol�tica!
Tamb�m eu, Sr. Bispo!
- Mas que tendes a�? - Onde?
Essa mancha em v�s, a�?
N�o � nada! Um pouco de sangue, talvez.
Daquele pobre infeliz.
Sim! Aquele rapaz...
Sim, eu o conheci, Sr. Bispo.
Neste caso, fostes longe demais.
Como Bispo devieis ser mais discreto.
Todas aquelas coisas que puseram sobre a vossa cabe�a...
... outrora representava autoridade.
Embora hoje, seja dispens�vel.
Francamente...
... eu n�o estou revestido de nenhuma autoridade do Estado, sr. Senador.
Mas o senhor deveis governar o clero.
Como esperais que vossa voz seja ouvida vestindo-se desta maneira?
Autoridade!
Como podeis ser um Bispo se trocastes vossa carruagem para andar a p�?
Autoridade!
Como pudestes transformar o pal�cio episcopal num miser�vel hospital?
E fostes morar numa espelunca, dando dois ter�os de seus rendimentos � ral�!
Tr�s quartos para ser exato.
Monsenhor, a religi�o � espet�culo.
Um bom bispo deve representar o seu papel diante do povo.
Nunca prentendi ser um "bom bispo".
Assim, podeis ser tomado como um perigoso revolucion�rio!
Essas coisas n�o s�o nada boas, agora que o Rei voltou.
Evidentemente!
Tenho consci�ncia disso.
A religi�o � necess�ria para o povo como dizia o Sr. Voltaire.
Concordo com ele!
E se Deus n�o existisse, inventar�amos um.
Aquela religi�o de outrora, passamos bem sem ela.
O que n�s temos de evitar...
... � que o ceticismo e a incredulidade conquistem o povo.
O que poderiam lev�-los � revolta, subvertendo a paz social.
Correremos um grande risco. De fato!
Veja, n�o acredito em nada!
Eu acho que sacrificar a terra pelo para�so � correr atr�s da sombra.
Sofrer ou gozar, eis a quest�o!
A escolha � simples, n�o vos parece?
V�s dizeis que n�o credes em nada.
Mas eu creio, de verdade!
Eu creio em Deus, verdadeiramente.
Acredito tanto que...
Que Deus vai acabar existindo no fim!
Eu vos compreendo, Monsenhor!
Viva, viva, aproveite a vida enquanto pode, ela � t�o curta!
Olhai bem como eu vivo!
De nada me arrependo, olhai para mim!
Certamente!
O materialismo � uma coisa admir�vel.
Enfim, vejo que entendestes...
Por obs�quio ao vosso Bispo, permita-me aben�oar-vos:
In nominis Patris et Filii...
... et Spiritus Sancti. Amen.
Uma b�n��o!
O idiota n�o entendeu nada!
Vamos em frente!
Pode retirar-se agora.
N�o preciso de mais nada.
Como vai, meu amigo!
Senhor!
O meu nome � Myriel.
Bienvenu Myriel.
� o senhor que o povo chama de Monsenhor Bienvenu.
Sim, sou eu.
Isto � tudo que posso lhe oferecer.
Desde que estou aqui � o primeiro que recebo...
... a n�o ser estes camponeses que conhe�o.
Com efeito... � uma grande honra!
Vejo que fui enganado.
Sinto-me muito satisfeito.
Pois, me disseram que estava doente.
Ent�o � isso!
Posso garantir-lhe, Sr. Bispo, que n�o deve se preocupar.
Posso dizer-lhe que posso morrer esta noite.
Posso imaginar que veio trazer-me, como se diz, o conforto da religi�o.
J� lhe disseram que tive uma cadeira na Conven��o Nacional?
Que consfisquei todos os bens da Igreja e votei pela Rep�blica?
E hoje me tornei um p�ria, Monsenhor.
Sei que o senhor n�o votou sempre a favor da morte de Lu�s XVI.
N�o!
Mas votei contra a pior das tiranias.
Contra a ignor�ncia!
Votei pelos direitos do homem.
E a favor da liberdade.
Pela justi�a contra a opress�o.
Pelos sem esperan�a!
Pelos famintos!
Votei pelos direitos da mulher e da crian�a.
Eu fiz como o senhor devia ter feito, Monsenhor.
O senhor e a sua igreja.
"Ame o teu pr�ximo com a ti mesmo."
Assim, disse Cristo!
Fiz o meu dever melhor que pude.
Perdoe-me se lhe escandalizo.
Por que fala de Cristo para mim, se diz n�o crer mais em Deus?
Monsenhor, tinha 60 anos...
... quando a na��o me pediu para ajudar administrar os seus neg�cios.
E eu obedeci.
Havia abusos, eu os combati.
Havia a tirania, lutei contra ela.
Havia direitos e princ�pios...
... e eu os proclamei.
Quando a p�tria foi invadida, eu a defendi.
Quando a Fran�a foi amea�ada, ofereci minha vida.
Aliviei os que sofriam, ajudei os oprimidos.
Fiz minha obriga��o, segundo as minhas convic��es.
Dei tudo de mim, segundo a minha consci�ncia.
E em seguida, eu fui ca�ado, perseguido, banido.
Tenho agora 82 anos, Monsenhor.
Eu estou morrendo.
E o que o senhor quer de mim agora?
Eu quero a sua b�n��o.
19 anos nas gal�s! Por que?
Cinco anos por roubar um p�o e catorze anos por tentar fugir.
Catorze anos?
Sim, tentei quatro vezes.
Deseja alguma coisa?
Um prato de sopa e uma cama.
O senhor tem documentos?
J� est�o prontos!
- N�o temos mais vagas. - N�o tem vagas?
N�o temos quartos!
E no est�bulo?
Est� tudo lotado.
E quanto � sopa?
N�o sobrou nada.
S� por causa das gal�s? � por isso?
Sim, v� embora, sen�o chamo a pol�cia.
Meus documentos est�o em ordem e posso pagar!
Infelizmente, n�o posso servi-lo.
Voc� n�o vale nada!
N�o � melhor do que eu!
Qu�m � ele, senhor?
Ningu�m!
Um for�ado.
O que o senhor deseja?
Uma sopa e um peda�o de p�o, eu pago.
Quem �?
Ele quer sopa e um peda�o de p�o. Ele pode pagar.
D� a ele, ent�o!
Hein, pai, este � o condenado que estava l� na pra�a.
� um for�ado fugitivo?
N�o, eles me soltaram.
Para mim, � a mesma coisa, n�o pode ficar aqui.
Mas, posso pagar!
N�o aqui, somos gente honesta. V� embora. Boa noite!
� s� por uma noite.
Mas, por que aqui?
Acabo de sair da pris�o de Toulon.
Isso n�o � motivo, uma pris�o n�o � um hotel.
Por que voc� n�o � preso?
S� fica aqui se aprontar alguma!
A�, � voc� quem sabe.
Boa noite!
Meu Deus! O que faz o senhor aqui a esta hora?
Vai esfriar esta noite, n�o dormir aqui, vai?
Devia ir a uma estalagem.
Por que n�o vai at� aquela varanda e n�o bate na porta?
E quem mora ali?
Gente muito caridosa, v�o lhe deixar passar a noite em casa.
- Como pode ter certeza? - Pode ir e ver�!
Aonde a senhora disse?
No outro lado, junto � lumin�ria.
Um vagabundo com cara de mau. Foi o que disseram.
Ele foi visto na Alameda Gassendi.
Ele caminhava pelas ruas ap�s o escurecer.
Um homem com um rosto horr�vel!
� mesmo?
E nossa porta abre por fora com apenas um trinco.
E n�o se sabe o que pode acontecer.
N�o sei se estamos seguros.
Se a Srta. Battistine tivesse mandado fazer uma chave...
A fechadura n�o nos preocupa. Meu irm�o tem suas raz�es.
Aqui � minha casa e n�o uma pris�o, Madame Magloire.
S� estou desperdi�ando f�lego...
Meu Deus!
Vamos! Entre! Entre, meu amigo!
Quero um prato de sopa e uma cama.
Posso pagar por tudo!
O meu nome � Valjean.
E meu passaporte � amarelo, estive nas gal�s.
Madame Magloire, por favor, � melhor p�r mais um prato.
Venha sentar-se, meu amigo!
Espere!
"Este homem � perigoso". Est� escrito aqui.
Eu aprendi a ler na pris�o.
Madame Magloire, coloque len��is limpos na cama l� em cima.
Sinta-se em casa, meu amigo.
Sente-se, vamos, sente-se a�!
Ponha as suas coisas no ch�o.
Isso!
Eu vou pagar!
Voc� j� disse isso.
Ah! Esses talheres de prata!
E esses casti�ais!
Eles foram conservados como lembran�a de minha m�e.
N�o temos mais nada.
Meu irm�o vendeu tudo que t�nhamos!
Com tanta pobreza que h� hoje!
O que n�o vendeu, tomaram dele!
Se continuar assim, n�o vai sobrar nada nesta casa.
Tenho certeza disso!
Ora, j� chega, Madame Magloire, nosso h�spede est� cansado.
D� uma vela para ele.
Venha, meu amigo!
Mostro-lhe o quarto.
Aqui est� sua cama. O colch�o � bom!
E lhe desejo uma boa noite!
Monsenhor! Monsenhor!
Os talheres de prata foram roubados!
Meu Deus! Como se atrevem?
Ajudem-no levantar! N�o t�m vergonha?
Quem os autorizou a tratar este homem deste jeito?
Encontramos isso nas coisas dele, Monsenhor!
Fui eu que dei a ele.
Por que n�o levou consigo os dois casti�ais...
... que lhes dei junto com os talheres?
Ent�o, tudo o que ele disse...
� a pura verdade!
Tem certeza disso, Monsenhor?
Claro que sim, meu amigo.
Ent�o, eu posso ir agora?
Espere um pouco!
Desta vez voc� n�o partir� sem os casti�ais.
Poder� vend�-los por n�o menos que 100 francos.
"Os quatro pregos com os quais Jesus Cristo foi crucificado chamam-se:"
"Ignor�ncia, ego�smo, hipocrisia e trevas."
Muito bem, senhores, agora, podem se retirar.
- Monsenhor! - Monsenhor!
V�, agora, meu amigo!
N�o se esque�a que me prometeu fazer s� o bem com este dinheiro.
Adeus, meu amigo!
E lembre-se!
O senhor j� n�o pertence mais a mal.
Resgatei-lhe a alma!
Senhor, por favor!
Senhor, a minha moeda!
� uma moeda de 40 sous, senhor.
D�-me a moedinha, por favor!
Est� debaixo de seu p�, senhor. D�-me, por favor.
Oh, senhor, por gentileza!
Isso foi tudo o que ganhei na semana!
Deixe-me em paz!
Voc� n�o tem direito!
A moeda � minha!
Voc� est� me roubando!
Voc� n�o pode ficar com ela, seu ladr�o sujo!
Ladr�o sujo!
Ladr�o sujo!
Hein, garoto!
Garoto, espere a�!
Encontrei a sua moeda!
Garoto!
Garoto!
Eu achei o seu dinheiro!
Garoto! Volte!
Ladr�o porco!
Ladr�o!
O seu dinheiro, pelo amor de Deus!
P R I M E I R O L I V R O Montreuil-sur-Mer - 1820
Montfermeil - 1818 Pr�ximo a Paris
Azelma, �ponine, a roupa!
Bom dia, senhora!
Boa dia a voc�s!
T�m duas meninas bonitas!
E voc� tamb�m, senhora!
Como � seu nome, crian�a?
- Cosette! - Cosette?
� um nome muito bonito!
- Est�o cansadas, n�o � mesmo? - Posso ajud�-las, mam�e?
� claro que pode, v�, querida!
�ponine! Azelma, a garotinha vai trabalhar com voc�s.
Vamos, sente-se a�!
- Mas ela � t�o graciosa! - As suas tamb�m!
Para onde est� indo, querida?
Vou para Montreuil-sur-Mer.
Eu sou de l�.
N�s morav�mos antes em Paris.
Eu trabalhava em uma tecelagem.
Onde est� o pai da menina?
Ele faleceu.
Isto � muito triste.
O que � que vai fazer agora?
Trabalhar em Montreuil.
H� agora uma grande f�brica l�.
Est�o procurando empregados.
� uma boa not�cia, meu marido e eu podemos dizer algo...
... sobre a vida dif�cil em um albergue, atualmente.
Nossa profiss�o est� acabando.
Logo, sairemos daqui.
Se conseguir um emprego.
Quem vai cuidar de sua menina?
Ainda, n�o sei.
A senhora gosta muito de crian�as?
Se eu n�o gostasse delas, que seria de mim!
Ah! Nesta idade!
S�o t�o divertidas!
Ou�a, senhora!
- E se eu deixasse com a senhora? - Quem?
A minha filha!
Mas, para qu�?
- Para cuidar dela! - Como?
- Eu a deixaria aqui para cuidar dela. - Cuidar dela!
Cuidar dela! Que id�ia!
N�s n�o somos...
Calma! N�o se precipite, vejamos!
Este � o Sr. Th�nardier, meu marido.
Mas isto custa caro, minha senhora.
Sei disso, mas posso pagar.
Ah, sim, mas se amanh� n�o puder?
Eu vou trabalhar em Montreuil.
Eu posso lhes mandar...
... seis francos todos os meses.
- Sete francos! - Sete.
E seis meses adiantados.
6 x 7 = 42
Mais 15 francos para despesas diversas.
Total: 57 francos.
Eu tenho 80 francos.
Est� bem.
A menina tem roupas?
Claro que tem roupas.
Est�o aqui na sacola.
Vai ter que deixar conosco as roupas dela.
Deixe aqui, guardaremos depois.
Vai ter que pagar por seu pernoite aqui.
Pernoite?
Mas, n�o vai ficar esta noite com sua filha?
Como � mesmo o nome dela?
Cosette.
Ent�o, n�o vai passar a noite aqui?
Se eu passar, n�o vou ter coragem de partir.
Como quiser!
Hein, o dinheiro, agora!
Cossette!
Tenho coisas para fazer.
Mas, eu volto amanh�.
A senhora Th�nardier vai cuidar de voc�.
Ela vai lhe dar cama e tamb�m comida.
S� fa�a o que ela mandar.
Promete?
Sim, mam�e.
Montreueil-sur-Mer - Pas-de-Calais -
Hein, voc� a� de cima!
Quando foi que o Sr. Madaleine inventou um novo processo...
... que revolucionou Montreuil-sur-Mer.
Na fabrica��o de vidrilhos e dos artigos negros?
Em 1815!
Em fins de 1815, na verdade, e voc� a�!
No que consistiu este processo?
Substituir a resina pela goma-laca.
Quanto aos braceletes, substituir as correntes...
... com apenas juntas, inv�s de soldas.
Muito bem! Nota 10 para voc�.
Qual foi o resultado destas altera��es?
Essas altera��es aumentaram a riqueza da popula��o Montreuil, eh...
E do Sr. Madeleine!
N�o foi essa pergunta, o que acontece depois?
E tamb�m exporta para toda a Europa.
Ah, perfeito, vai ganhar nota 10.
Hein, Gustave, o que o Sr. Madeleine espera de todos voc�s?
Dos homens, boa-vontade.
Das mulheres, bons costumes! De todos, probidade!
Muito bom, menino!
E os outros querem tirar zero?
Ent�o, todos juntos!
A quem devemos o fato de aprender a ler e a escrever gratuitamente?
Ao Sr. Madaleine, nosso benfeitor!
�timo! E quanto ele gastou para abrir duas escolas...
... um hospital e um asilo aos idosos?
Sr. Madeleine gastou mais de um milh�o.
Bom! Terminamos a visita! Vamos!
Senhor?
Vim falar com o Sr. Prefeito.
O Sr. Madeleine n�o pode atender agora, ele acabou de chegar.
Vou ver.
Entrem, meus amigos!
Por aqui, por favor!
Senhor?
Inspector Javert, transferido para c�.
Muito bem!
Acabo de visitar a pris�o, Sr. Prefeito.
Temos que fazer altera��es.
As celas s�o grandes demais.
Podem ser divididas em duas.
Os prisioneiro podem passar com menos espa�o.
Podemos falar sobre isso mais tarde, se n�o se importa.
Temos muito tempo para isso, Sr. Inspector.
Sr. Prefeito! Sr. Prefeito!
Sr. Prefeito, venha ver isso!
Sr. Prefeito!
O que houve?
O Sr. Fauchelevent est� preso debaixo da carro�a, Sr. Prefeito.
A carro�a tombou sobre ele, Sr. Prefeito!
Ah! Quem acode um pobre velho!
Estou sendo esmagado!
N�o h� aqui uma alavanca?
Mandamos o ferreiro buscar uma, mas sabe-se quando chega!
N�o vai dar para esperar. Vamos segurar a carro�a!
Vamos ergu�-la! Agora, todos juntos!
J� tentamos isso, Sr. Prefeito, n�o d�, � imposs�vel.
N�o temos for�as para isso, j� tentamos tudo.
Abaixe-se tamb�m! Abaixe-se!
Sr. Prefeito! Vamos, Sr. Prefeito!
Vamos, o que est�o esperando? Arrastem-no debaixo!
Puxem-no para fora!
Minhas pernas! Cuidado!
V� avisar a fam�lia dele, v� j�!
Levem-no ao hospital!
Nunca vi algu�m t�o forte assim!
Eu j� vi!
Na col�nia penal de Toulon, um certo Jean Valjean!
Bom noite, Irm�?
Toda a cidade sabe o que fez, Sr. Prefeito.
O senhor fez um grande feito.
N�o foi nada demais!
Como ele est� hoje?
Bem melhor, por aqui, est� na ala principal.
O Senhor nosso Deus em sua bondade tem sido extremamente...
... generoso e misericordioso por levar avante esta obra.
E ent�o, Fauchelevent?
Como est� se sentindo hoje?
Eu me sinto melhor, bem melhor.
Melhor!
Se n�o fosse o senhor.
Um outro teria feito.
- N�o estou t�o certo disso! - Ah, teria sim!
Agora, eu queria lhe dizer uma coisa.
Preferia que ningu�m mais ouvisse.
Entendo, me retiro.
Estou � sua disposi��o.
Tudo bem!
Eu tinha uma loja e perdi tudo.
Quando o senhor veio para Montreuil...
... e saiu-se bem com sua f�brica.
Eu tornei um de seus empregados.
Fiquei rancoroso e com inveja.
Eu achava aquilo injusto.
Por isso, eu fiz tudo...
... para criar problemas em sua f�brica.
Ora, ora, Fauchelevent, sabemos que � coisa do passado, n�o?
Tente esquecer.
Como quiser!
Mas tamb�m, Sr. Prefeito!
Tenho que dizer o seguinte.
Principalmente, agora que ficarei coxo pelo resto da vida.
Ficar aleijado � pior que a morte!
N�o vou poder mais trabalhar como carroceiro.
Mas j� pensei nisso, Fauchelevent.
O senhor gostaria de morar em Paris?
Em Paris, Sr. Prefeito?
A Irm� Marie conhece a Superiora do Convento Petit-Picpus.
E ela pode empreg�-lo como jardineiro, por exemplo.
Com casa, comida e um sal�rio adequado.
O que acha disso?
Verdade! O senhor � muito bom!
N�o sei o que dizer. � uma idiotice!
� como o senhor devesse alguma coisa!
Sei que voc� faria o mesmo, Fauchelevent.
At� logo, Fauchelevent.
N�o se preocupe, voc� vai ficar bem.
Senhor Prefeito!
Que Deus o proteja!
"Senhorita!"
"Considerando que sua filha Cosette est� crescendo."
"E que ela a cada dia come mais e mais."
"Lamento informar-lhe que sou obrigado..."
"... a pedir-lhe que mande..."
"... mais dinheiro daqui para a frente."
"Que me pague 15 francos por m�s."
"Inteiramente ao seu dispor:"
"Th�nardier."
Enjeitada!
Uma bastarda!
Voc� nunca nos disse que tinha uma filha, ainda por cima sem pai, Srta. Intoc�vel!
D�-isso! Esta carta � minha! Devolva-me!
Eu n�o tenho medo de voc�!
Voc�s a� podem soltar!
Devolvam para mim!
Vem pegar!
Vem pegar!
Carta de minha filha!
Entreguem para mim!
Venha pegar!
Sua vagabunda, venha apanhar!
Madame!
Madame!
Madame!
Madame!
Madame, venha aqui!
Parem com isso!
Parem j� com isso, ouviram?
Voc�s n�o prestam!
Todas ser�o punidas!
Hein, No�mie, veja � a Fantine!
O que est�o olhando?
N�o est�o ouvindo?
Voltem ao trabalho!
O que h� com voc�s? Parem!
Parem! Parem!
Parem! Parem com isso!
Parem! Parem! Parem!
Que significa isso?
Parem! Parem com isso!
Boa sorte, Srta. Fantine!
"Senhorita!"
"Sua pequena Cosette precisava de um vestido de l�."
"Ter� que nos enviar 10 francos para nos reembolsar."
"Minha esposa e eu, conseguimos por um pre�o m�dico."
"A roupa que Srta. deixou no ano passado, j� acabou h� muito."
"Era de doer, ver a sua filha tremer de frio neste inverno."
"Inteiramente ao seu dispor:"
"Th�nardier."
"Senhorita!"
"Cosette foi atacada por uma doen�a que grassa a regi�o."
"Est� febril e os rem�dios s�o caros."
"N�o temos condi��es de compr�-los"
"Se n�o nos enviar 40 francos, dentro de oito dias..."
"... o estado da pequena pode se agravar."
"Inteiramente ao seu dispor:"
"Th�nardier."
"Senhorita!"
"Seus 40 francos mal deram para pagar a metade dos rem�dios."
"Ainda, falta pagar os m�dicos."
"Precisamos de 100 francos, imediatamente.
"Sen�o seremos obrigados a enviar sua Cosette de volta...
... ainda que esteja se recuperando de sua grave doen�a.
"Est� muito frio e s� Deus sabe o que pode acontecer."
"Inteiramente ao seu dispor:"
"Th�nardier."
Venham ver r�pido! � a Fantine!
Vejam s� uma briga, � a Fantine!
� Fantine, vejam s�!
- D� uma surra na descabelada! - Fantine!
D� uma surra nesta desdentada!
Voc�! Pare a�!
Venha comigo!
Tudo bem!
Pris�o por seis meses!
Seis meses?
Como assim? Seis meses!
Isto n�o � poss�vel!
Devo 100 francos ao Sr. Th�nardier, Sr. Inspector!
Que ser� de minha pobre Cosette?
A minha filhinha!
Se eu n�o pagar aos Th�rnadiers, eles v�o abandon�-la.
Procure compreender.
Seis meses na pris�o � imposs�vel.
� a minha filhinha!
J� terminou!
�timo!
Acabemos com isso.
Pris�o por seis meses!
Nem mesmo o eterno Deus do C�u pude mudar isso.
Senhor Javert, eu vos imploro!
Sargento!
Ah... � o senhor, Sr. Prefeito?
Boa noite, Javert!
� o senhor? � o senhor, Sr. Prefeito!
� por culpa dele, Sr. Inspector, que estou na pris�o!
Ele me expulsou de sua f�brica.
Eu n�o tive culpa alguma.
Ele sequer me conhecia!
Inspector Javert, liberte esta mulher.
Mas...
Sr. Prefeito, isto � imposs�vel.
E por que?
Esta mo�a agrediu um cidad�o.
Est� mal informado, Javert!
Interroguei as testemunhas.
O cidad�o agiu mal.
Ele que a pol�cia devia ter preso.
Estou cumprindo o meu dever.
Esta mulher vai passar seis meses na pris�o.
N�o! Nem um dia sequer!
Sinto ter que discordar, Sr. Prefeito.
Trata-se de um assunto policial e que me diz respeito.
Mantenho presa a Senhorita Fantine!
O delito a que se refere � assunto da pol�cia municipal.
Nos termos dos artigos: 9, 11, 15 e 17...
... declaram claramente neste caso que o ju�z sou eu!
Por isso, eu insisto que liberte esta mulher imediatamente.
Como!
Imediatamente, esta mo�a!
Claro!
Devia ter-me procurado, Fantine e ter-me...
... explicado tudo.
Eu n�o devia ter brigado, Sr. Prefeito.
Eu sinto muito!
Se o senhor soubesse!
Abram esta porta, imediatamente!
Fim da 1.� de quatro partes
Tradu��o, legendas e sincronia: Fernando A. B. de Almeida
O S M I S E R � V E I S I I P a r t e
Uma cr�nica de 1815 a 1830
Jean Valjean...
... perdeu sua "condicional" por roubar um menino.
Passara 19 anos nas gal�s.
Sua reden��o foi encontrar em Digne o Bispo Myriel, um santo.
Valjean, hospedado na casa do Bispo...
... redescobre a bondade.
Ao descobrir que Valjean roubara seus talheres de prata...
... n�o s� Monsenhor Myriel o livra da pris�o.
Mas d� tamb�m a Valjean dois candelabros de prata.
O seu "resgate" que ele carregar� pelo resto da vida.
Instalado sob o nome de Sr. Madeleine em Montreul-sur-Mer...
... Jean Valjean criou uma nova atividade industrial.
Que fez dele um homem rico.
Na �poca, voltou a Montreuil...
... uma antiga moradora, em busca de trabalho chamada Fantine.
M�e solteira de uma menina, Cosette.
Seus "educadores", uns estalageiros: os Th�nardiers.
Devido a uma briga que revelou o seu segredo.
Fantine � expulsa da f�brica.
Para conseguir pagar a pens�o de Cosette...
... ela teve que se prostituir.
Como consequ�ncia de uma briga com um "fregu�s"...
... Fantine, j� gravemente doente, � presa pelo Inspector Javert.
Javert fora o chefe nas gal�s, onde Valjean cumprira sua pena.
Impressionado com a semelhan�a entre o Sr. Madeleine e aquele condenado...
... Javert suspeita que o Prefeito seja Valjean.
A suspeita aumenta, quando v� o Sr. Madeleine...
... erguer uma pesada carro�a de cima de seu condutor, Fauchelevent.
Prestes a morrer esmagado.
H� um �nico homem para Javert capaz de tal fa�anha:
Valjean!
No entanto, o Sr. Madeleine considera a pris�o de Fantine injusta.
Ele a liberta, provocando a indigna��o de Javert.
Fantine � levada ao hospital da cidade.
Ah... o Sr. Prefeito est� aqui, n�o?
Sim! Est� visitando um doente.
N�o pode ser incomodado.
� importante eu falar com ele.
Est� bem! Vou inform�-lo.
Muito bem.
Eu mesmo vou buscar Cosette.
Sr. Madeleine.
O que faz aqui, Javert?
Queria lhe falar, Sr. Prefeito, sobre um assunto que me diz respeito.
N�o podia ter escolhido outro lugar para isso?
Bem, Sr. Prefeito.
Pe�o que me demita.
Demitir? Como assim?
Tenho que me desculpar, Sr. Prefeito.
Desculpar-se?
Naquele dia que o vi erguer a carro�a de Fauchelevent.
Eu suspeitei que fosse um condenado que conhecera nas gal�s de Toulon.
E o denunciei como um for�ado!
Devido � semelhan�a e a mesma for�a f�sica excepcional, Sr. Prefeito.
E havia esta quest�o desta tal de Fantine...
... que me pareceu t�o suspeita que naturalmente presumi...
... que havia alguma liga��o l�gica entre o prisidi�rio...
... e essa mulher da vida.
E o que aconteceu com este for�ado?
Ele fugiu?
N�o, ele foi libertado.
N�o estou entendendo.
Por que, ent�o, o persegue?
Devido a outro problema.
E por ter suspeitado de mim � que quer ser dispensado?
Eu fiz mais que suspeitar.
Eu o denunciei ao Ministro da Pol�cia.
Este ato � grav�ssimo.
Minha demiss�o deve ser imediata. N�o deve ser retardada.
S� cumpria o seu dever.
Faz parte de seu trabalho suspeitar.
Um policial que denuncia seu superior, ele deve ter provas concretas.
Eles prenderam o verdadeiro Jean Valjean.
O que voc� disse?
Sim, amanh�, ele vai ser julgado em Arras.
Julgado em Arras!
Ele est� se fazendo passar por um certo Champmathieu.
Ele roubou umas ma��s.
Jean Valjean � procurado...
... por ter perdido a condicional devido a um garoto.
Ele roubou dele uma moeda de 40 sous.
Agora, ele � um reincidente.
Valjean, desta vez, vai receber a pris�o perp�tua.
Ele terminar� sua vida nas gal�s.
Quero que saiba, Sr. Prefeito!
� imposs�vel continuar na administra��o...
... pois eu desonrei a pol�cia.
Retorno � minha casa.
Aguardo a minha exonera��o.
Vamos!
Vamos!
Senhores do j�ri, h� alguma prova que Campmathieu � ladr�o?
Nenhuma!
Salvo uma s� coisa.
Esta que ele � ex-condenado!
Se, por acaso, se provar que Campmathieu � o for�ado Jean Valjean...
... isso n�o prova que ele roubou as ma��s!
Senhor Presidente!
Se a defesa parece aceitar o acusado como o condenado Jean Valjean.
Lembro aos membros do j�ri que Jean Valjean roubou 40 sous de um inocente garoto.
Espero que lembrem disso quando mandarem este homem � pris�o.
� pris�o a qual ele nunca devia ter sa�do.
Penso, ao menos, Sr. Presidente, que os membros do j�ri...
... devem esclarecer a verdadeira identidade do acusado.
Pe�o ao tribunal que adentrem de novo os tr�s condenados...
... que reconheceram Jean Valjean!
Que adentrem: Brevet, Cochepaille e Cheneldieu!
Quanto a mim!
Dirijo-me a criminosos condenados que n�o podem testemunhar sob juramento.
Entretanto!
Mesmo a homens condenados pela lei...
... podem manter, se a miseric�rdia divina permitir.
Algum sentimento de honra e de dignidade!
Neste momento solene!
Ainda � tempo de voc�s voltarem atr�s...
... se lhes parecem que se enganaram.
Acusado! Em p�!
Campmathieu!
Fique em p�!
Brevet!
Diga com toda a sinceridade.
Se voc� persiste em reconhecer este homem...
... como seu antigo colega de pris�o: Jean Valjean?
� Jean Valjean!
Eu fui o primeiro que o reconheci, Sr. Presidente!
Cochepaille! A sua vez!
Reconhece este homem aqui?
� Jean Valjean, Sr. Presidente! Nunca vi homem mais forte.
E voc�, Chenildieu?
Estivemos presos � mesma corrente por cinco anos, Sr. Presidente.
Acusado! Ouviu as afirma��es?
Que tem a dizer?
Brevet!
Cochepaille! Chenildieu!
Olhem bem para mim?
Brevet!
Estou falando com voc�!
Em Toulon, tinha um p�ssaro na gaiola.
- N�o � verdade? - Verdade!
E voc�, Chenildieu!
Voc� mesmo se dizia um ateu!
Uma vez, p�s no ombro brasas vivas...
... para remover a marca de sua condena��o perp�tua.
- N�o � verdade? - Verdade!
Cochepaille!
No lado interno de seu bra�o esquerdo...
... h� uma data tatuada com p�lvora.
� a data do desembarque do Imperador em Cannes.
- 1.� de mar�o de 1815! - Valjean!
Mostre-lhes a tatuagem!
Sr. Presidente!
Agora, sabem quem eu sou.
Podem me prender quando e onde quiserem.
O senhor est� livre!
Cosette!
Ela est� aqui!
Ela est� dormindo.
Ela estava muito cansada.
Vai poder v�-la amanh� de manh�.
N�o �, Irm� Marie?
Isso mesmo!
Sim, Fantine!
Cosette � uma menina muito bonita.
Valjean!
Vim para lev�-lo para a pris�o.
Javert, ela morreu.
Fiz-lhe uma promessa.
E voc� vai me ajudar a cumpri-la.
Recuperar a filha dela que esses Th�nardiers retem.
D�-me tr�s dias para trazer a pequena Cosette...
... para entreg�-la �s religiosas que ir�o cuidar dela.
Dou-lhe minha palavra de honra.
Assim que eu a trouxer.
Vou-me entregar, imediatamente.
A palavra de honra de um for�ado!
Somente, tr�s dias, Javert!
Jamais eu lhe concederia tr�s dias.
Seria muita tolice eu confiar em voc�.
Acompanhe-me!
O carro est� esperando!
Acompanhe-me!
Batalha de Waterloo 18 de junho de 1815
Ah, morro de sede, Sargento!
Fui eu, seu papai, quem pintou este quadro.
Eu estava l� h� sete anos atr�s, meninas.
Lutamos desde Filot.
Fomos assaltados por tr�s vezes!
De repente, surgindo do nada, um ingl�s gigantesco me encarou.
Pronto para atirar com seu fuzil no meu peito.
Eu o atravessei com minha baioneta antes dele.
Que desgra�a!
Quando eu salvei o Coronel, tudo j� tinha acabado! Tudo!
Cambronne ainda desafiava os ingleses.
A "Velha Guarda" tinha sido dizimada.
Todos os outros fugiram.
Eu, n�o, eu fiquei l�!
Sim, eu tinha que cuidar dos feridos.
N�s somos assim mesmo!
Onde houver guerra e mis�ria, v�o encontrar um Th�nardier.
Sua m�e sabe...
O rel�gio do Coronel.
Ele deu ao papai de voc�s, porque salvei a vida dele.
Rousseau!
Pontmercy era o seu nome.
Coronel Pontmercy.
Sargento Th�nardier, �s ordens, Coronel!
�s suas ordens!
Um miser�vel!
Se tiv�ssemos nos encontrado depois.
Eu estaria rico.
Muito rico!
- Cosette! - Madame?
- Hein, Cosette! - Sim, Madame!
V� buscar mais �gua na fonte!
- Sim, Madame! - V�, ent�o.
Sim, Madame!
Cosette!
- Madame. - Vem c�!
Tome 10 sous, compre farinha no caminho e volte depressa!
�ponine, Azelma! Minhas filhinhas!
Vamos, hora de dormir!
� um balde muito pesado.
Pesado demais para voc�, crian�a.
Venha!
Venha!
Qual � o seu nome?
Cosette!
Cosette?
E na onde voc� mora?
Na estalagem.
Sou criada do Senhor e da Sra. Th�nardier.
Uma criada?
Sim, senhor, criada deles!
- Aonde eles moram? - L� adiante.
N�o, Madame, eu juro, eu n�o roubei!
O que fez com ela, ent�o? Perdeu, responda?
Oh, Madame! Eu n�o sei. Deve ter ca�do na �gua.
Pare de mentir, sua ladra! Voc� a roubou, n�o foi?
Espere s�!
Quer uma li��o!
Pois, vai ver!
N�o � esta a sua moeda?
Sim, esta � a minha moeda.
Que posso lhe servir?
Vinho!
- Cosette, traga vinho! - Sim, Madame.
De 20 sous, ela perdeu de 10.
Seu vinho, senhor!
- Cosette! - Senhor?
Venha aqui!
Como ela � bonita!
Ora, Cosette, o que est� esperando?
Pegue o presente do cavalheiro.
- � verdade, senhor? Eu posso... - Claro que sim! � sua.
Como vai cham�-la?
Catherine!
E por que "Catherine"?
Eu n�o sei!
Ah! Agora est� na hora de dormir! J� � tarde.
Se o senhor permitir, � claro.
V� se deitar, querida!
Deixe-me a s�s com ele.
Posso levar a bone�a para cama, Madame?
� claro, claro, querida!
Vamos! V�-se deitar!
Eu, tamb�m, vou-me deitar!
Pode ir!
Boa noite, senhor.
Deixe! Deixe! N�o tome disso!
Esse vinho � puro vinagre.
Aceita!
Safra de 1804.
Do ano da coroa��o do Imperador.
Experimente-o!
Como v�o as neg�cios aqui em Montfermeil?
Nada bons, posso lhe afirmar.
Quase ningu�m passa por aqui.
Aqui � o fim do mundo!
Montfermeil � s� uma passagem.
E aqui, ningu�m gasta nada.
E h� os impostos!
E tenho ainda aquele pequena!
Ela me custa uma fortuna.
Que pequena?
A pequena Cosette!
A "Cotovia"!
Chamam-na de "Cotovia" por aqui.
N�o, o senhor talvez n�o sabe.
O que se ganha n�o d� para viver atualmente.
Toda esta papelada...
Tenho que pagar tantos impostos.
Sobre as portas, janelas... Dez por cento!
S�o uns sanguessugas! Tudo para o Governo.
Tamb�m, tenho duas meninas.
J� tenho dificuldades para sustentar as minhas duas filhas.
E ainda, tenho que cuidar dos filhos dos outros!
Por que n�o se livra dela?
De quem?
De Cosette!
Ah! A verdade que gastei muito com ela.
Tenho uma parente que vive sozinha.
Ela criaria a crian�a.
Assim, o senhor n�o gastaria mais nada.
N�o � bem assim!
Coloque-se em nosso lugar! N�s gostamos dela.
� verdade que ela j� me custou mais de 400 francos, somente com rem�dios...
... pois ela � doente.
E com m�dicos.
Esses m�dicos!
Esta separa��o nos arrasaria!
Claro que estamos dispostos a nos sacrificar pelo bem dela, mas...
N�s n�o o conhecemos.
Nem mesmo o seu nome, ou o que faz por a�...
Certo que parece ser um homem honesto, mas n�o podemos entreg�-la assim.
Sempre a consideramos como ela fosse uma de nossas filhas.
Quanto quer?
1.500 francos!
Paris - um ano depois
N�o vai falar, canalha?
Sabemos que � o assassino da Rua Ferron?
� melhor confessar!
Agora, j� chega!
J� perdemos muito tempo!
Sabemos que seu nome � Gueulemer, Gustave!
Foi mo�o de fretes em Avignon desde de 1815.
Voc� fazia parte do grupo que assassinou o Marechal Bruno.
Que executou!
Bom.
Que executou, se assim prefere.
Depois disso, voc� chegou a Paris.
Voc� fez amizade com Cloquesous...
... com Babet e com Montparnasse.
Correto?
Gueulemer!
N�o tenha ilus�es a meu respeito!
S� porque eu fui transferido para Paris h� apenas seis meses...
... n�o significa que n�o sei tudo sobre o bando "Patron-minette".
Afinal, faz parte de meu of�cio estar bem informado.
Por exemplo:
Sei que o seu c�mplice, Babet.
J� se passou por qu�mico.
Foi licorista em Bob�che.
J� foi palha�o de circo e de vez em quando...
... tamb�m dentista.
Sei que seu outro c�mplice, Cloquesous...
... dorme o dia inteiro e s� sai � noite.
E que ele � ventr�logo.
Sei que Montparnasse tem s� 20 anos.
� um rapaz elegante...
... af�vel, delicado.
Elegante e selvagem!
Eu sei que voc�s quatro governam o submundo de Paris.
Sei que sua for�a � de serem quatro, e de nunca agirem sozinhos.
Se perseguimos um, encontramos um outro na casa dele.
H� sempre entre voc�s algu�m como �libi para o outro.
Sei que voc�s quatro...
... controlam todas as emboscadas que ocorrem na regi�o do Sena.
Sei que est�o elaborando um plano.
Se algu�m hoje em Paris precisar de um assassino, sempre est�o dispon�veis.
E que conhecem voc�s pelo nome de "Patron-minette".
Porque "Patron-minette" na g�ria de voc�s...
... significa "sempre de manh�".
Muito apropriado.
O trabalho de voc�s termina quando j� � de madrugada.
De manh�!
N�o � assim?
Sei tamb�m que voc�s...
... foram os assassinos do porteiro do n.� 18 da Rua Ferron.
Podem prosseguir!
Vamos, responda!
Onde estava dia 12, a uma da manh�?
Com Brujon na Bastilha?
Com quais outros companheiros?
Boulatruelle, Fauntleroy, Glorieux?
Barrecarrosse e todos os outros?
Voc� vai falar ou n�o?
"Le fermier appara�t l� en lieu lointain."
Repito!
"Le fermier appara�t l� en lieu lointain."
"Le berger rassembla ses moutons dans son champ."
"Le berger rassembla..."
Cosette!
"Lointain!"
L - O - I - N - T - A - I - N
"O pastor reuniu suas ovelhas no campo."
"E como sempre, o seu c�o estava ao seu lado e era uma maravilha."
Que significa "maravilha"?
Maravilha � o que h� melhor e ser uma maravilha � fazer prod�gios.
"E como sempre, o seu c�o estava ao seu lado e..."
Minha m�e era uma maravilha?
Sim, Cosette!
Uma maravilha!
"O seu c�o estava ao seu lado e era..."
Que vem depois?
Vamos! Vamos! Vamos!
Vamos! Vamos! Vamos!
Vamos! Subam! Vamos!
J� sabemos!
Em nome do Rei, abra a porta!
Arrombem a porta!
N�o podem estar longe!
Com a menina, ele n�o � r�pido.
S� h� tr�s dire��es poss�veis.
O bulevar que conduz a Salp�tri�re, a rua atr�s do Banquier...
... e o Chemin Bic�tre.
"Devo-lhe um m�s, deixo pago tr�s."
Mirat! Deruche!
Sabem o que fazer, tomem quatro homens e revirem o quarteir�o!
"Devo-lhe um m�s, deixo pago tr�s."
Tome suas trinta moedas!
E tenha cuidado com o pesco�o!
"Devo-lhe um m�s, deixo pago tr�s."
Ora pro nobis!
Ora pro nobis!
- N�o tenha medo, querida! - Eu n�o tenho medo.
- Sancta Maria, Mater Dei! - Ora pro nobis.
- Sancta Dei Genetrix! - Ora pro nobis.
- Sancta Virgo Virginum! - Ora pro nobis.
- Mater Christi! - Ora pro nobis.
- Mater divin� grati�! - Ora pro nobis.
- Mater purissima! - Ora pro nobis.
- Mater castissima! - Ora pro nobis.
- Mater inviolata! - Ora pro nobis.
Deus do c�u!
� o Sr. Madeleine!
Como o senhor entrou? E quem � ela?
Eu explico depois.
Preciso de ajuda, Fauchelevent. Por favor, deixe-nos entrar.
Claro!
Nada, Inspector!
S�o uns imbecis!
S� perdi tempo!
Devem passar pela Ponte Austerlitz.
Aqui, ningu�m os viu passar!
- Devem estar por aqui, certamente. - Est� bem.
Encontre-nos, j� que est�o certos.
Volto! Tenho que fazer o relat�rio.
Est� bem, Inspector!
As religiosas n�o permitem nenhum homem aqui em Picpus.
Devido � vontade do fundador do convento.
Um certo Martin Varga.
Homem algum, a n�o ser o jardineiro.
Ainda com a condi��o de usar isso para alert�-las.
Tem que surdo para n�o ouvir!
Homens para essas mulheres, a�, s�o como fossem o diabo.
- Meu amigo, elas nunca v�m aqui? - Jamais!
Aqui n�o vem ningu�m?
A n�o ser as meninas!
Que meninas?
� um internato, durante o recreio correm por toda a parte.
Quer dizer, se v�o ficar aqui, tenho que contar �s freiras.
Do contr�rio, eu seria despedido.
Seria um desastre para mim.
Eu entendo.
N�o se preocupe, eu vou descobrir um meio.
Depois de tudo que fez por mim, devo tudo ao senhor.
Veremos isso amanh�.
Mas, vamos a p�-la a dormir, a pobrezinha.
Carregue-a! Vamos lev�-la � minha cama, � melhor.
Venha! � aqui em cima!
O senhor tamb�m deve estar cansado com tantos problemas.
Use a minha poltrona para dormir.
E quanto a voc�?
Eu n�o durmo t�o cedo.
Tenho que fazer ainda minha ronda.
O senhor deve dormir tamb�m.
Vamos! Boa noite!
Amanh�, damos um jeito!
Tem um cobertor no ba�.
Muito obrigado.
Trouxe-lhe caf�.
Obrigado.
Ou�a, Fauchelevent.
Poder�amos ficar aqui?
� claro, mas como explicar...
... como entrou a primera vez.
Que significa isso?
Isso? � a Irm� Crucifix�o que acaba de falecer, pobrezinha!
H� vinte anos dormia em seu caix�o, estava doente h� mais de um m�s.
Ou�a! Suponhamos que a Priora concorde.
Voc�s teriam que sair para entrar no Convento pela porta principal.
Como todo mundo!
� preciso que a Irm� porteira os veja entrando!
Viu! Desta vez � para mim!
Deve ser a Priora que me chama.
Ela quer que eu pregue o caix�o. Eu fa�o de tudo por aqui.
- Fauchelevent! - O qu�?
Eu conto com voc�!
N�o deixe que ningu�m veja voc�s.
Sabe, acabo de ter uma id�ia.
Tio Fauchelevent!
Antes que escure�a, pode arrumar uma barra de ferro?
Para qu� uma barra de ferro?
Para usarmos como alavanca.
Sim, Reverenda Madre.
Quero que voc� erga uma pedra.
Uma pedra? Espero que n�o seja muito pesada.
A lage do ch�o que fica junto do altar na capela.
Aquela que cobre a cova?
Ningu�m a levanta sozinho, eu j� lhe disse, precisaria de ajuda.
A Madre Assun��o que � forte como homem vai ajud�-lo.
Uma mulher n�o � como um homem!
A Irm� Crucifix�o sempre foi uma santa.
Em vida, convertia pessoas.
Agora morta, far� milagres!
Por meio dela, toda a nossa comunidade tem sido aben�oada.
Temos que atender o seu �ltimo desejo!
Que era ser enterrada na capela.
� proibido pela lei, todos s�o enterrados num cemit�rio!
Proibi��o feita por homens, mas n�o por Deus!
Mas se o inspetor da Prefeitura descobrir?
N�s contamos com o senhor, Tio Fauchelevent.
Comigo n�o h� problema, mas...
Tio Fauchelevente, concorda?
Reverenda Madre, concordo.
Entre 11h30 e meia-noite...
... a Madre Assun��o vai ajud�-lo.
Enterrar�o l� Irm� Crucifix�o no caix�o onde ela dormia h� mais de vinte anos.
Como quiser!
Bom! Obrigado, meu amigo.
Reverenda Madre!
Queria falar de meu irm�o.
Lembro-lhe j� n�o sou mais jovem e sou aleijado.
Se eu tivesse meu irm�o como ajudante.
Entrar na capela e fazer este servi�o seria bem mais simples.
J� tem a Madre Assun��o para ajud�-lo.
Mas h� tanto trabalho por aqui.
Horta, o jardim, �rvores para serem podadas.
O meu irm�o n�o � nenhum jovem.
Mas � mais forte que eu!
Al�m disso, ele tem uma filhinha.
Ela poderia entrar aqui e frequentar o convento.
E quem sabe um dia, talvez, tornar-se uma religiosa?
E seu irm�o vive em Paris?
Sim, Reverenda Madre!
Amanh�, ap�s o sepultamento, traga-o at� a mim.
E diga-lhe para trazer sua filha.
Reverenda Madre!
O senhor que � o irm�o?
Sim, Reverenda Madre.
Qual � o seu nome?
Ultime Fauchelevent.
Qual � a sua ocupa��o?
Jardineiro.
O senhor � um bom crist�o?
Todos os membros da fam�lia.
A menina est� com o senhor?
Sim, Reverenda Madre.
O senhor � o pai dela?
Sim, Reverenda Madre.
Ele responde bem!
Aproxime-se!
N�o ser� bela.
Tio Fauchelevent!
Vai ter que arrumar uma outra correia de gizos.
Seu irm�o vai precisar imediatamente.
Quanto � pequena, n�s vamos cuidar de sua educa��o.
Vamos pedir a ajuda de Deus.
1822 - Convento Petit-Picpus
1830 - Convento Petit-Picpus
Uma heran�a?
Uma pequena heran�a.
Eu n�o posso for��-lo a ficar, Sr. Fauchelevent.
A senhora sabe se Cosette quisesse fazer os votos...
... passaria o resto de minha vida aqui, feliz por ser pai de uma religiosa.
Eu entendo.
Sentimos, mas respeitamos a sua decis�o.
Ent�o, adeus, Sr. Fauchelevent.
Adeus, Cosette!
Car�ssima Madre!
Apenas mais uma coisa.
Teria a bondade de aceitar a soma de 5.000 francos...
... pelos oito anos que Cosette passou em sua comunidade.
Est� certo que n�o vai lhe fazer falta?
N�o!
Adeus, car�ssima Madre.
Que o Deus o aben�oe, Sr. Fauchelevent.
Adeus, querida Madre!
Muito obrigada por tudo.
Deixe-me beij�-la, Cosette!
Seja feliz, minha filha!
Seja feliz, Sr. Fauchelevent.
Fim da 2.� de quatro partes
Tradu��o, legendas e sincronia: Fernando A. B. de Almeida
O S M I S E R � V E I S III Parte
Uma cr�nica de 1815 a 1830
Jean Valjean roubou um p�o, quando era jovem.
Por isso passou 19 anos nas gal�s.
O seu encontro com um Bispo, Monsenhor Myriel...
... f�-lo descobrir a bondade.
Enriqueceu-se com uma inven��o...
... que o transformou em um industrial e prefeito de sua cidade.
Fez-se passar por Sr. Madeleine...
... foi reconhecido, no entanto, pelo Inspector Javert.
Antigo comandante da pris�o...
... onde Valjean estivera encarcerado.
Quando Valjean soube que um inocente fora preso como fosse ele.
E que seria julgado num tribunal em Arras...
... ele se denunciou, publicamente.
Ele se sente, no entanto, preso a um dever.
Devido � promessa que fizera a Fantine...
... em seu leito de morte.
A respeito da filha dela, Cosette...
... presa aos Th�nardiers que fizeram dela uma criada.
Levando suas economias em uma pasta...
... ele escapa de Javert.
Apresentando-se diante dos Th�nardiers...
... consegue deles resgatar, Cosette.
Os dois, ent�o, dirigem-se a Paris...
... enquanto Javert, por sua vez, o persegue.
Consegue um novo ref�gio no Convento Petit-Picpus.
Valjean, torna-se um jardineiro...
... enquanto as religiosas cuidam da educa��o de Cosette.
A pequena menina que entrara no convento...
... � uma bela jovem quando o deixa.
S E G U N D O L I V R O Paris - 1830
Um Bar�o? Voc�?
Um bar�o feito por Bonaparte!
Um bar�o feito por aquele usurpador n�o existe.
Bar�o Marius Pontmercy!
Fez at� cart�es de visitas...
... gravados em ouro para dependurar em seu quarto.
Meus empregados riem de mim por causa disso.
Seja um cavalheiro, ao menos!
Deixe-me falar, meu av�!
Ensinou-me que a �nica verdade pol�tica era dos Bourbons e eu acreditei.
O senhor escondeu meu pai de mim!
S� soube dele ap�s a sua morte!
Descobri que meu pai foi um her�i.
Seus Bourbons s�o uns tagarelas desprez�veis!
Um cad�ver vivo, ningu�m liga para eles.
Afinal, os franceses os expulsaram de Paris.
E ningu�m correu atr�s deles!
Miser�vel que prefere Louis-Philippe!
Voc� � um tolo!
Louis-Philippe n�o � melhor que eles.
Agora, escute bem que vou-Ihe dizer:
Brevemente, os franceses v�o tomar das armas.
E chamar�o ao trono Napole�o II.
Eu! Respondo como o filho do Bar�o Coronel Pontmercy.
Vou gritar: " Longa vida ao Imperador!"
Saia j� daqui!
Nunca mais me ver�, meu av�!
Eu n�o quero v�-lo nunca mais. Nunca! Saia daqui! Saia!
Marius!
J� que ele quis eu deixei a casa.
Acho que ele pensa que voltar�.
N�o! N�o volto, � definitivo.
Se voltasse eu n�o ficaria surpreso.
Agora, eu preciso encontrar um quarto.
Se poss�vel um quarto perto da Universidade.
E tamb�m barato! � tudo?
Nas proximidades de Notre-Dame, 10 francos por m�s.
Conhe�e o propriet�rio.
Vou-lhe apresentar a ela!
- Apresento-lhes meu amigo, Pontmercy. - Como vai?
Este � Enjolras!
- Soube que quer se juntar a n�s. - Combeferre!
Ao seu dispor!
E um amigo da liberdade, um dia juntos ditaremos as regras � hist�ria.
Regras! Este se chama Bossuet?
Parece que n�o conhe�e as regras do mundo!
Apesar de nome, eu s� copio, mas s� copio coisas boas.
Bahorel!
Ol�, amigos, qual � o meu lema?
"Jamais seremos escravos!"
Por isso nunca vai me encontrar numa sala de universidade.
- Voc� � um anarquista? - S� na teoria.
- Somente na pr�tica! - Na Inglaterra!
Meus amigos s�o idealistas, sou o �nico anarquista.
- N�o o escute, Enjolras � um rom�ntico! - Aristocrata!
N�o, eu n�o sou um aristocrata.
Quando renunciei o meu t�tulo.
Eu perdi minhas ilus�es!
Vamos l�!
O problema � que os partidos pol�ticos fazem o que querem.
E aceitam o princ�pio que s� as sociedades secretas s�o imbat�veis.
Mas se elas s�o secretas!
J� n�o s�o secretas!
Por isso n�o as levamos a s�rio!
V�o descobrir isso!
Foi a Fran�a que primeiro declarou os "Direitos do homem"!
Ensinamos o ideal da liberdade � Europa.
Em Berlim, em N�poles, em Madri!
Todos choraram ao cantar "La Marseilleise"!
Bravo!
A felicidade � uma ideia nova na Europa!
Obrigado, Saint-Just!
Nossos pais contribuiram para o lema:
"Liberdade ou morte!"
Preferimos morrer do que ser escravos!
O momento se aproxima!
Vamos expulsar Louis-Philippe!
Proclamaremos uma nova Rep�blica!
Somente a Rep�blica pode realmente banir o sofrimento.
E abra�ar todos os famintos!
Pelo amor dos miser�veis!
N�o vamos esquecer os miser�veis!
Jardin du Luxembourg Paris - 1832
O amor � cego!
Que tarde de primavera!
Vejam s�, n�o p�ra de chover.
Tem o p� sob a cabe�a, n�o reclame!
Aqui est�!
- Ol�, como v�o? - Como v�o!
- Que tempo! - Ol�!
- Vamos direto ao assunto. - Por que?
H� l� pedreiros, pintores, escultores, carpinteiros, que podem nos ajudar.
Eu os vi l�!
E podem serem visto em Paris se forem ao meio-dia.
- Eu falo com eles. - Voc�?
Se disse que falo � porque falo, tamb�m sei fazer discursos.
- Desde que voc� n�o beba, Combeferre! - Enjolras!
O que quer dizer com isso?
Nas barricadas, os trabalhadores podem seguir o exemplo dele.
Lembrem-se de 1830.
Eu vou mandar o Courfeyrac falar com os comit�s policiais. Anote!
Temos que convencer, imediatamente, os alunos da escola de medicina.
Quanto �s barricadas...
Creio que o lugar ideal ser� aqui.
E tamb�m aqui.
Pode ser, mas onde ficaremos?
Claro! Por isso, escolhi o Caf� Corinthe como quartel-general.
Boa tarde, amigos!
Bravo!
Est� uma hora atrasado.
Desculpem, mas a culpa � de Marius que perdeu a cabe�a.
O que h� Marius, est� doente?
Mil perd�es, senhores, mas Marius est� apaixonado.
Apaixonado?
Quem disse "apaixonado", ele adora Julieta.
Ah! O nome dela � Julieta!
N�o, esta Julieta, senhores!
Ela n�o tem nome!
Bravo!
S�o uns bandidos!
Canalhas!
Mantenha a calma!
Vou ajudar voc�.
Sabe que penso?
� uma quest�o de justi�a!
Nem mesmo quanto aos mortos!
Observe o cemit�rio Le P�re-Lachaise!
Os nobres, importantes e ricos...
... est�o no alto, nas aleias das ac�cias.
Que s�o cal�adas.
Pode-se ir ali de carruagem!
Quanto aos humildes!
Os pobres!
Os infelizes!
Intelectuais e artistas!
Como eu!
E quando eles morrem!
S�o enterrados na lama para que os corpos apodre�am depressa.
N�o pode ir v�-los sem se afundar na terra.
Quem voc� iria visitar no cemit�rio?
N�o tenho ningu�m por enquanto, mas dentro de pouco eu vou ter.
S� porque somos pobres.
O que isso interessa!
Voc� est� se mata escrevendo todas essas cartas!
Tem eles a felicidade em l�-las?
Ou v�o jog�-las fora!
Esta � a minha vida.
Eu n�o sofro mais!
Pegue!
Isso � tudo
Que mis�ria!
Entregue esta ao nosso vizinho, quem sabe consigo algo mais.
Tenho novidades!
O que �?
O cavalheiro da Igreja de Saint-Jacques.
Concordou em vir aqui?
De carruagem!
De carruagem?
� podre de rico!
Deve ser um Rothchild.
Deus seja louvado!
Que pretende fazer?
V� entregar a carta ao vizinho!
Quebrem aquela vidra�a! As duas para a cama!
Meu Deus!
Se tivermos que combater, precisamos de muitos e temos que ser convicentes.
Se acreditarem em nossa causa, v�o estar prontos para lutar.
Sr. Marius? Sou eu!
� a minha vizinha.
Vejo voc� na escola.
�s 3h00 no Caf� Corinthe.
Combinado!
Ol�, senhorita!
Senhores, at� mais!
O que deseja?
Responda!
Entregar-lhe uma carta!
D�-me!
Ele n�o tem nada para me agradecer!
N�o foi nada!
Cinco francos para n�s n�o � "nada"!
Pelo menos, compra-se p�o.
Seu quarto � legal!
S� seu!
Voc� l� muitos livros.
Eu s� tenho um livro.
Um livro com gravuras!
Acho que o li...
... umas vinte vezes!
Entenda! Eu sei ler de verdade.
Eu fui a �nica em casa que estudou.
Foi meu pai que me ensinou.
Onde mor�vamos as freiras n�o tinham escola.
Ou�a!
"Le g�n�ral Bauduin re�ut l�ordre..."
"... d�enlever les cinq bataillons de son arm�e."
"Le ch�teau de Hougomont..."
"... qui se trouve au milieu de la plaine de Waterloo."
Warteloo?
Meu pai esteve l�!
Ele era s� um sargento.
Eu tamb�m sei escrever. Veja s�!
Posso escrever?
L - E - S
C - O - G - N - E - S
S - O - N - T
L - � - !
Sabe o que � um "cogne?
N�o.
� a pol�cia.
Sabe, eu aprendi muitas coisas.
Sabe o que � "entoulle"?
N�o!
Um carrasco.
E isto?
� um "abravet"!
E voc�, Sr. Marius?
"Un mion!"
O que quer dizer?
Quer dizer: "Rapaz bonito."
J�ai faim, mon p�re.
Pas de fricot.
J�ai froid, ma m�re.
Pas de tricot.
Mon glotte, Lolotte!
Sans glote, Jacquot!
Eu entendo.
Vou embora!
�ponine!
Venha aqui quando quiser...
Ah! � o senhor?
Eu os estava esperando.
- T�nhamos coisas para fazer. - � por aqui.
Bom dia!
- Eu trouxe algumas coisas... - Obrigado, senhor.
E tamb�m, alguma comida.
Senhorita, n�o sei que dizer. Obrigado, senhor.
Obrigado, meu benfeitor. Muito obrigado.
Como pode ver.
Muito obrigado.
Obrigado.
N�o temos dinheiro.
Uma vidra�a est� quebrada!
Minha esposa doente na cama.
� s� uma febre de nada, j� estou acostumada.
H� tamb�m a minha filhinha que est� a� ferida.
A maldita vidra�a quebrada!
Posso fazer alguma coisa?
- Posso ver a chaga dela... - N�o! N�o!
� muito repugnante. N�o se aproxime.
Embora reconheca que a pior parte � aquela...
... n�o pode ir trabalhar assim.
Seis 'sous' por dia n�o � muito, eu sei.
Mas � melhor que nada, n�o temos nada em nossa casa.
Tamb�m a senhoria me preveniu.
Tenho que pagar que devo at� amanh�.
Se eu n�o pagar at� esta noite, ela vai nos despejar.
Eu posso at� ver...
Sem um teto para ficar, minha esposa doente.
As minhas filhas em trapos!
S�o s� 12 meses!
12 meses de aluguel!
Devemos um ano de aluguel e temos que pagar tudo, a� s�o 70 francos.
Aonde vou conseguir todo este dinheiro?
Sr. Jondrette, s� tenho cinco francos em meu bolso. Tome!
Vou levar a minha filha para a casa, mas voltarei � noite com o dinheiro.
Oh, n�o! N�o se preocupe! Oh!
Hein, senhor!
Senhor, senhor, a minha carta!
Tome!
Que faz aqui?
Nada!
Conhece o endere�o destas pessoas que estiveram aqui?
N�o! Por que?
Pode me ajudar a descobrir?
Talvez!
Pensa o que eu penso?
N�o! Uma vez eu os vi no Jardin du Luxembourg.
Que fazia no Luxembourg?
Eu sempre passeava por l�
Bom! Se eu descobrir algo!
Falo para voc�.
�ponine!
Eu conto com voc�.
Fa�a isso para mim!
E o que voc� vai fazer por mim?
O que voc� quiser.
Eu nunca os vi antes!
Pois eu lhe digo que o reconheci!
E essa a�!
J� era hora de aparecer e leve a sua irm� junto?
Para onde? Com este tempo n�o v�o encontrar ningu�m.
Ela est� p�lida, precisa de ar puro.
- E livrem-se destes trapos! - N�o precisa deles, tirem!
V�o andando!
S�o eles, os reconheci na hora.
Apenas pela voz!
Bem, pode ser!
N�o tenho certeza, n�o!
N�o estou certa.
Ele se parece com algu�m com muito dinheiro
O outro tamb�m n�o era pobre. Era bem rico.
Era um rico vestido de pobre.
O que voc� diz dela!
Da senhorita!
Que senhorita?
Aquela � Cosette!
Cosette!
Sim, Cosette! Lembra dela?
Cosette!
Voc� perdeu o ju�zo!
Eu a teria reconhecido.
Ap�s todos estes anos, ela mudou.
Aquela bruxinha!
E vestida igual a uma princesa!
Pois eu vou arrancar os olhos dela!
E eu vou matar aquela bruxinha...
Calma! Calma, querida, calma!
Tenho uma ideia melhor.
Se trabalharmos bem!
Poderemos mudar de vida e deixar este lugar.
Que pensa em fazer?
Esta tarde, quando anoitecer.
A casa vai estar vazia.
A velha Sra. Br�jon trabalha em algum lugar toda ter�a-feira.
E o nosso vizinho?
O Sr. Marius, ele n�o vai ouvir?
Eu o vi sair a pouco e n�o volta antes da 11 horas.
Ele n�o liga para os vizinhos.
Ele tem os seus neg�cios.
As garotas podem vigiar.
Voc� vai estar ao meu lado, como me prometeu.
Esvaziamos os bolsos dele e se preciso, o matamos.
E ele n�o ser� o primeiro.
Se ele recusar a pagar?
Temos nossos amigos!
Ser� executado!
� o mesmo bando Patron-Minette.
Esta noite voc� vai enfrentar estes ratos.
E como consequ�ncia!
Conte com n�s!
Qual � o n�mero da casa?
52!
Eu j� conhe�o.
Vai ser imposs�vel para n�s, escondermos l�, sem notarem nossa presen�a.
Estes homens n�o lhe d�o medo?
Tanto quanto o senhor!
Boa resposta!
O que o senhor pensa em fazer?
Esta noite a porta da frente n�o deve estar fechada.
Tem a chave da porta que d� para a rua?
Sim!
Entregue-a para mim.
Est�o carregadas.
Entre em sua casa...
... esta noite, mais cedo do que de costume.
Observe de sua casa o que acontece na casa deste Jondrette.
Mas, deixe as coisas correrem.
Quando ver que a coisa est� ficando agitada e for o momento de intervir.
Voc� vai disparar a pistola.
Mas, n�o se apresse!
O resto fica comigo.
Mas vai ter que esperar que os nossos entrem em a��o.
Voc� disse que � estudante de Direito, portanto voc� me deve entender.
E agora! N�o temos nenhum minuto a perder.
Creio que s�o 6h30.
O encontro �s 8h00.
�s 9h00!
Eu tenho tempo.
Tenho bastante tempo.
Se precisar de mim para alguma coisa � s� chamar pelo Inspector Javert.
Este � o meu nome.
J�ai faim, mon p�re, pas de fricot.
J�ai froid, ma m�re, pas de tricot.
Mon glotte, Lolotte! sans glote, Jacquot!
Senhor Jondrette!
Este � o dinheiro para o aluguel.
Vou ver que posso fazer quanto ao resto.
Obrigado, meu bom senhor!
Que Deus o aben�oe!
A sua filha com a m�o ferida, como ela est�?
A irm� dela a levou para o hospital para ser examinada devido � infec��o.
Feche a porta!
A senhora Jondrette parece estar se sentindo melhor.
Ela � muito corajosa, mas est� morrendo.
Por favor, n�o pense que sempre vivemos na mis�ria.
Tivemos uma �poca de prosperidade.
Agora, n�o temos mais nada, absolutamente.
A m� sorte!
Uns investimentos infelizes, o senhor sabe como �.
Quero lhe mostrar algo.
Olhe isso!
Examine bem!
Uma lembran�a.
Este � o meu tesouro.
Vou ter que me desfazer dele por uma pequena quantia.
Eu n�o quero que minha filhas passem fome.
N�o se preocupe, eles moram na casa, s�o vizinhos, s�o amigos.
Olhe um pouco para isso aqui.
� uma obra prima!
Ele vale uma fortuna!
Vale tanto como as minhas filhas!
O senhor aprecia obras de arte?
Na verdade, n�o!
Quanto acha que vale o quadro?
Estou disposto a vend�-lo por 1.000 francos.
N�o entendo o quer dizer!
Olhe bem para mim!
N�o se lembra de mim?
N�o faz tanto tempo assim!
Voc� n�o me reconhece!
O meu rosto n�o lhe � familiar?
E a estalagem de Montfermeil, nada lhe diz? E Cosette?
N�o lhe dizem nada!
E Th�nardier?
Th�nardier, o sargento de Waterloo!
Eu sou aquele Th�nardier!
"Na batalha de Waterloo, um sargento salvou-me a vida."
"O seu nome � Th�rnadier."
"Se o meu filho o encontrar..."
"... deve recompensar Th�rnardier, como puder."
"Coronel Pontmercy."
H� oito anos no norte de Paris.
Eu n�o esqueci, portanto, voc� tamb�m n�o se esqueceu.
E acho que agora � hora de voc� pagar.
N�o adiante fingir!
N�o tente fingir!
Quer que eu pense que n�o me reconhece.
Tudo que sei que voc� � um bandido, Th�nardier.
Voc� tem muita coragem em vir aqui e me insultar.
Eu j� fui um homem de respeito!
Quem voc� pensa que �?
Eu j� fui um eleitor e voc� me trata como um bandido.
Voc� � um grande atrevido!
Pensa que � melhor que n�s, ah?
Pois n�o �! O fato � que eu preciso de dinheiro.
Muito dinheiro!
Meu maldito dinheiro!
Quer que eu force voc�?
N�o tem nada a dizer, tudo est� acabado.
Est� bem, podem amarr�-lo.
Alto l�!
Fiquem onde est�o!
Bando de carniceiros!
Seus porcos!
Voc�s n�o prestam mesmo!
Acham que sou uma presa f�cil?
Th�nardier!
Voc� quer saber realmente quem eu sou, Th�nardier?
Olhe aqui!
Vamos! Vamos, meus amigos! Vamos, agarrem-no!
Vamos!
N�s o pegamos!
Azelma!
Vamos!
Ponham as duas a� dentro!
Estas duas precisam � de uma corda!
Acaba de ser requisitado!
Muito bem! Levem-nas � pris�o!
Meu coche virou carro patrulha!
Eu n�o devia ter zangado � toa, eu disse coisas idiotas, n�o foi?
Disse que precisava de muito dinheiro, sei que dinheiro n�o d� em �gua, n�o!
� preciso ser muito esperto para ter muito dinheiro!
J� perdemos muito tempo.
Por isso descobri, eu acho que posso me limitar e ser mais razo�vel.
Eu me contento com 3.000 francos!
Sei que pode dizer: "3.000 francos, n�o ando com tanto dinheiro no bolso".
Vamos pegar a Cosette!
Quando ela chegar, soltaremos voc�.
Se voltar com os 3.000 francos.
Soltaremos os dois!
H� um jeito bem melhor, uma solu��o mais r�pida.
S� mais um pouco e ele nos dar� o endere�o, a garota e o dinheiro.
Segure!
O endere�o!
Vamos! Todos est�o presos! Voc�s est�o cercados!
N�o dispare a pistola, Th�nardier, conhe�o voc�, vai errar mesmo!
"Dia 12 de maio de 1832."
"�s dez horas da noite."
"N�s, agentes da pol�cia."
"Fizemos a pris�o de um bando de malfeitores."
"Eles preparam uma emboscada para roubar o senhor..."
"Um senhor!"
Podia ter sido ele!
Vamos! Pode lev�-los.
O seu lugar � a cadeia mesmo!
Vamos!
Hein! Andando!
Ser� saiu de l� para fazer o seu trabalho sujo?
Em subst�ncia, sim!
E quanto ao Sr. Marius?
Que horas ele saiu esta manh�?
Por volta das 8h00, Sr. Inspector. Ele at� pagou o aluguel.
E se por acaso, ele voltar a esta casa, pe�a que me procure, imediatamente.
Pode contar comigo, Sr. Inspector, dou-me bem com a pol�cia.
Tem algu�m a�?
O que voc� faz aqui?
Continua a velha rabugenta, n�o �?
O que voc� quer? Se veio procurar os seus Th�nardiers pode ir embora.
Onde est� o Papai?
Ele arrumou um novo lar na pris�o.
E minha m�e?
Na pris�o de St. Lazaire!
E minhas irm�s?
No "Madelonnettes"!
Pobrezinhas!
Puxa, velhota, enquanto esperamos!
Tenho uma �tima ideia, n�s dois podemos juntar os trapos!
Que desgra�a!
Cuidado com o que diz se n�o quiser um chute no traseiro!
Voc� envergonharia o diabo!
Se procura por uma forca vai acabar na ponta de uma corda!
A guilhotina � mais sagrenta!
Senhor Inspector!
Como se chama, menino?
Gavroche, ao seu dispor!
E o senhor?
Isso lhe Interessa?
� um guarda?
N�o tem medo da pol�cia?
Pois eu lhe advirto!
Em breve vai ter um teto sobre a cabe�a.
N�o sabe que h� pris�es para crian�as?
Claro que eu sei.
Mas acho que sou eu que vou mand�-lo para a pris�o.
Je ne suis pas notaire, sieur! C'est la faute � Voltaire!
Le nez dans le ruisseu
C'est la faute � Rousseau!
L I V R O T E R C E I R O Paris 1832
Agnus Dei, qui tollis...
... pecatta mundi.
Dona eis requiem.
Agnus Dei, qui tollis...
... peccata mundi.
Dona eis requiem.
Cordeiro de Deus que tiras...
... os pecados do mundo.
Les Madelonnettes
Isto � rid�culo, ele est� preso!
Estava, ontem mesmo ele fugiu. Ele voltou aos neg�cios!
- Ah! Th�nardier fugiu! - Ol�, Magnon!
Mas que surpresa!
S�o voc�s! As minhas belas! Afinal, escaparam!
Como est�o, deixaram sair?
Como vai? E voc�?
Sairam por bom comportamento?
E ent�o, vieram andando?
Os tiras!
N�o tinham nada contra n�s!
Erro de identidade!
E sua m�e?
No cemit�rio!
Am�m! J� sabe?
O seu pai conseguiu fugir com Gueulemer e Claquesous.
- Tem certeza? - Tenho!
J� est� tudo planejado, voc� topa?
Depende! Aonde?
Rua Plumet!
Foi o seu pai que planejou na pris�o. Voc� topa?
- Sua ajuda faz ser �til para mim? - O que devo fazer?
- Precisamos de algu�m para vigiar. - Deixe-me ver.
Esta � a planta da casa!
Com um jardim e duas portas.
Quero que descubra se h� algu�m morando l� no momento.
Ela perten�e a um rica�o!
Tenho uma den�ncia contra as suas garotas, La Magnon.
Elas trabalham em locais p�blicos.
E da�? Isso � novidade?
Vamos!
Vamos, j� disse!
N�o compreendo!
Sempre fui correta com o senhor, Inspector.
E agradece prendendo as minhas meninas.
Th�nardier, Claquesous, Gueulemer fugiram nesta noite.
Fugiram? E isso � novidade!
Fui informado que os Patron-Minette sempre visitam a sua casa.
Isso foi h� muitos anos atr�s! N�o voltaram mais!
Est� bem! Eu nem sabia que estavam presos.
Se por acaso, aqueles quatro aparecerem, me informe.
Mas � claro, Inspector, poderia soltar as minhas garotas em troca.
Em troca?
Cuidado, La Magnon!
Mais uma palavra e voc� vai junto!
Tem espa�o na carro�a para voc� tamb�m.
E eu iria ajudar em qu�? Sou mais �til aqui.
Est� bem!
Vou aguardar as suas novidades!
Quanto ao resto, veremos!
O que me interessa agora � o tal de Th�nardier.
Vamos!
Talvez, ele venha me visitar um dias desses.
Quem sabe?
Voc� chegou?
Eu vi tudo!
Este Javert n�o presta!
Ajude-me, menina!
- Eu vi a casa da Rua Plumet. - E ent�o?
Nada feito! A casa � bem fechada. � muito arriscado.
Tem certeza?
Soltaram voc�s?
O qu�? N�o fizemos falta?
N�o gosta mais de seu papai?
Que tempo, meu Deus!
Tudo est� fechado, senhorita.
�timo, Toussaint, boa noite!
Voc� precisa de alguma coisa?
N�o! Obrigada, Toussaint!
Espero que seu pai volte logo de sua viagem.
Boa noite, senhorita!
Boa noite, Toussaint.
Voc� a encontrou?
Ah, sim!
Foi uns dias atr�s.
Falou com ela?
Fale-me dela!
Ela n�o olharia para um pobre como voc�!
Isso porque ela n�o me conhece!
Ela s� me viu uma vez!
O seu colete est� esburacado.
�ponine!
Prometa-me uma coisa.
O que quer?
Jamais d� o endere�o dela ao seu pai.
Que importa? Ele est� preso.
E quando ele sair?
N�o lhe direi nada!
E a ningu�m mais, jura para mim?
Se isso lhe deixa feliz.
Obrigado, �ponine!
Eu estou feliz!
Tome!
Voc� n�o entendeu nada!
N�o quero seu dinheiro!
�ponine!
�ponine!
�ponine!
Senhorita!
Sei que nem devia olhar o seu rosto.
Pois isso poderia provocar a sua ira e do senhor, o seu pai.
Mas, se soubesse como eu a amo.
Senhorita!
Eu a vi um dia no Jardin du Luxembourg.
E desde aquele instante, a minha vida mudou.
Voc� tornou a �nica raz�o de minha exist�ncia.
Se um dia, vier pensar em mim.
Ent�o vai saber que o verdadeiro amor infeliz ou alegre...
... pode ser um amor perdido, ou um len�o encontrado.
E que � preciso uma eternidade para se realizar todas as esperan�as.
E assim, senhorita!
Eu amo voc�!
Eu tive a aud�cia de diz�-lo...
... de grit�-lo, de esperar o imposs�vel.
Em crer que tamb�m me ame.
Marius!
- At� amanh�! - At� amanh�!
Cebolas, alcaparras, tarture de boeuf, pepinos em conserva e ovos crus.
Posso saber, meu caro, qual � o prop�sito de sua visita?
Talvez para me pedir perd�o.
Ent�o voc� admite que mudou.
N�o, Senhor!
Afinal, o que voc� quer?
Venho lhe pedir permiss�o para me casar.
Ent�o, voc� quer se casar!
Voc� ouviu, filha, o seu sobrinho quer se casar!
Nem uma palavra!
Posso saber, com quem gostaria de se casar?
Com uma bela mo�a!
Isso nem precisava dizer.
Eu a conheci no Jardin du Luxembourg, vov�!
Quando se casa, a pessoa precisa de ter posi��o e fortuna.
E voc� n�o tem nenhuma delas. Nada!
- Suponho que a mo�a seja rica. - Ela � como eu!
Magret de pato com risoto de laranja, arroz com cogumelos e cordeiro.
O que faz o pai dela?
Eu n�o sei!
Afinal, como ela se chama?
Senhorita Fauchelevent!
Fauchelevent!
Parece nome de sirigaita!
Meu av�, permita-me despos�-la.
Ainda n�o tenho vinte e cinco anos e preciso de sua autoriza��o.
E que conden�-lo � mis�ria, com essa mo�a comum, uma jovem sem nome.
Nunca! Jamais vou consentir.
Minha tia, eu a amo!
Ele a ama, o que voc� acha disso?
Ensopado de vitela, galo cozido ao vinho branco.
Prefiro dar-lhe dinheiro para voc� jogar, mas n�o me oponho voc� a amar.
� melhor do que ser um jacobino.
Escute aqui, tenho que lhe dar um conselho.
N�o h� raz�o para se casar!
Meu jovem, fa�a dela sua companheira!
Voc� vai ter muitas vantagens e nenhum incoveniente.
- Entende? � mais inteligente! - Senhor!
Na �ltima vez, o senhor ofendeu o meu pai!
Hoje insulta minha futura esposa!
N�o vou tolerar mais isso!
- Adeus, Senhor! - Marius!
- Nunca mais vou lhe exigir nada! - Marius!
Coxas de r�s, carac�is, caviar salgado, sem qualquer aditivo.
Creme de leite com finas panquecas, cocholate batido e mil folhas.
Hein, Marius!
Vamos, Marius!
Hein, Marius!
Vamos ao funeral!
Viva, Lamarque!
- Vamos, Marius, ao funeral! - O que faz a�?
Deixem-me em paz, deixem-me!
- Estamos esperando, Marius! - Deixem-me me paz!
- Vamos, ent�o, vamos n�s! - Pois, fique a�!
Durante a Restaura��o que confundiu os homens livres.
Lamarque poderia descansar em paz sobre seus loureis.
Mas, inv�s disso, ergueu a bandeira da mais ardente das revoltas.
Para servir o povo e as cores gloriosas da bandeira tricolor.
Voc�s o admiraram porque ele disse "n�o" � opress�o.
Ele defendeu a liberdade na tribuna, assim como no campo de batalha.
Ele foi t�o eloquente como corajoso.
Aquele soldado do passado, aceitou os riscos do futuro.
O que Lamarque queria era a Rep�blica!
O ataque! O ataque dos drag�es!
E Marius?
- Ele est� dormindo! - Por que?
- Ora, bolas, ele � livre - Ele est� doente?
Sim, doente do cora��o!
As m�goas do amor duram pelo resto da vida.
Senhorita se o ver, diga-lhe para nos encontrar no Caf� Corinthe!
- Vamos erguer uma barricada! - Vamos �s barricadas!
- �ponine, espere por mim. - N�o fique a�!
Senhor Marius!
Sou eu!
Possso entrar?
"Marius, eu estou desesperada."
" Meu pai me levou ao apartamento que temos na Rua Homme-Arm�, n.� 7.
Senhor, por favor!
�ponine!
Que faz a�?
Eles foram embora!
Como assim "foram embora"?
Tenho um recado para voc�.
Do qu�?
Seu amigo o Sr. Enjolras espera voc� com os outros na Rua da Chanvrerie.
V�o construir uma barricada.
Uma barricada?
Os drag�es atacaram na homenagem em honra ao General Lamarque.
Houve mortos!
Por que est� vestida assim?
� para as barricadas!
Para eu n�o ser notada.
Agora, tenho que ir.
�ponine!
�ponine!
Fim da 3.� de quatro partes
O S M I S E R � V E I S IV Parte
Uma cr�nica dos anos de 1815 a 1830
Jean Valjean passou dezenove anos nas gal�s.
Onde conheceu todos os horrores.
Ele descobriu que h� bondade, gra�as a Monsenhor Myriel.
Com sua ajuda, enriqueceu-se gra�as a uma inven��o...
... que passou a produzir.
Reconhecido pelo Inpector Javert, teve que fugir...
... devido � promessa feita a Fantine sobre a filha dela, Cosette.
A menina vivia como criada de uns albergueiros, os Th�nardiers.
Recuperando-a, dirigiram-se a Paris.
Fugindo do implac�vel Inspector Javert...
... se refugiam no Convento de Petit-Picpus.
Onde as freiras tomam conta da educa��o de Cosette.
Onde vivem escondidos por cinco anos.
Assim, gra�as �s economias de seu tempo de industrial...
... Valjean volta � vida ao lado de Cosette.
Certo dia, passeando com sua filha no Jardin de Luxembourg.
Eis que um estudante, Marius Pontmercy...
... a v� e se apaixona por ela.
Marius � neto de um rico burgu�s.
Senhor Jules Gillenormand...
... que o expulsa de casa devido �s suas opini�es pol�ticas.
Ent�o, Marius se junta a seus companheiros estudantes, republicanos.
... que sonham em derrubar do trono o Rei Louis-Philippe.
Valjean � um homem caridoso.
Ao socorrer alguns pobres, reencontra os Th�nardiers...
... que tinham se juntado a um gupo de malfeitores:
Os "Patron-minette".
Os Th�nardiers preparam-lhe uma armadilha...
... para extorquir dele um imenso resgate.
No entanto, Marius, vizinho dos Th�nardiers...
... avisa a pol�cia para salvar o pai de Cosette.
E assim Valjean escapa.
Mas a filha de Th�nardier, �ponine, est� apaixonada por Marius.
E � justamente, gra�as a ela...
... que Marius pode se encontrar com Cosette...
... e confesssar o seu amor por ela.
E descobrir que ela o ama tamb�m.
�ponine, cheias de ci�mes, esconde uma carta dela.
Marius perde o contato com Cosette, que muda de endere�o com Valjean.
Foi, ent�o, que durante uma homenagem a um heroi republicano...
... o General Lamarque, uma insurrei��o toma as ruas de Paris.
Erguem-se, ent�o, as barricadas.
A principal na Rua da Chanvrerie.
Desesperado por n�o poder mais ver Cosette...
... Marius em companhia de �ponine...
... decide-se a se juntar �s barricadas.
- Qual � a senha! - "�l�gance!"
Marie!
Segure isso! A capa!
Estava esperando voc�.
- E os outros, onde est�o? - No Caf� Corinthe.
Joie est mon caract�re
Mis�re est mon trousseau, C�est la faute � Rousseau.
Je ne suis pas notaire
Sieur! c�est la faute � Voltaire
Je suis petit oiseau, c�est la faute � Rousseau.
Vieux bon peuple, � coup de b�quilles
Casson ce Louvre o� s'�tala la monarchie en falbala.
Nous en avons forc� les grilles, le Roi Charles X, a ce jour-l�.
O� vont les belles filles! O� vont les belles filles!
Je ne suis pas notaire, Sieur!
C�est la faute � Voltaire
Je suis petit oiseau, c�est la faute � Rousseau.
Je ne suis pas notaire, C�est la...
Courfeyrac, olhe aquele sujeito ali. E o Inspector Javert!
Tem certeza, Gravoche! V� chamar Enjolras!
Combeferre, temos um espi�o, o Inspector Javert.
Este garoto � um mentiroso!
Hein, Gravroche, que est� acontecendo?
Je ne suis pas notaire, sieur! C�est la faute � Voltaire.
Le nez dans le ruisseau et l�...
Hein, Enjolras, Javert est� l� dentro no Caf�.
J� volto, se os soldados chegarem, estou no Corinthe.
Quem � voc�?
Um informante?
Inpector Javert.
A servi�o da autoridade!
� o que eu pensava: � um espi�o!
N�o lhe disse que o veria um dia? N�o se lembra?
Quando prendeu os meus velhos.
E se a barricada cair, voc� vai ser fuzilado.
Podem lev�-lo!
- E isso � para voc�! - Que belo presente!
Hein, Courfeyrac, voc� conhece este?
� o Sr. Marius!
N�o o esper�mos t�o cedo, a quem devemos a honra desta visita?
Pode nos dizer?
Onde est�o os outros?
Hein, Marius! Voc� j� sarou?
Hein, pegue seu fuzil!
Vejam! Eles chegaram!
�ponine, vou lev�-la ao Caf� Corinthe.
Pode ser medicada pelos estudantes.
N�o!
N�o vale a pena!
� muito tarde!
Eu s� queria lhe dizer!
Eu fiz uma coisa imperdo�vel, Sr. Marius.
Havia uma carta destinada a voc�.
Era daquela senhorita de Rua Plumet.
Pegue! Est� no meu seio.
Eu tive ci�mes e n�o lhe entreguei!
� muito estranho!
Encontrei a carta no jardim.
Na casa da Rua Plumet.
Sr. Marius!
Quando eu estiver morta.
Beije-me!
Mas, por favor!
Mas, s� quando eu estiver morta.
Pois eu estava... eu tenho certeza.
Sempre fui apaixonada por voc�.
Tem algu�m a�?
Je ne suis pas notaire
C'est la faut � Voltaire
Le nez dans le ruisseu
C'est la faute � Rousseau!
Je ne suis pas notaire
C'est la faute �...
O que voc� quer aqui?
A Srta. Cosette, ela n�o mora aqui?
O que deseja da Srta. Cosette?
Tenho uma carta para ela.
N�o vejo bem no escuro, sabe, mas ela n�o � para o senhor.
Sou o pai dela, � a mesma coisa. D�-me aqui!
- Ah, sim, mas... - Mas, o qu�?
O Sr. Marius pediu que a entregasse, pessoalmente.
O Sr. Marius!
Est� bem! Tome!
Adeus! Hein!
Vou voltar �s barricadas!
Que barricadas?
L� na rua da Chanvrerie! At� outro dia! Adeus!
Je ne suis pas notaire!
C'est la faut � Voltaire!
"Eu somente queria lhe dizer..."
"... que estou cumprindo o que lhe prometi."
"Quando voc� ler esta carta..."
"... a minha alma estar� ao seu lado e ir� sorrir para voc�."
"Eu amo voc� tanto!"
"Marius."
"Eu me chamo Marius Pontmercy."
"Se eu encontrar a morte aqui nas barricadas."
"Por favor, informem o Sr. Gillenormand."
"Meu av�."
"Rua das Filles du Calvaire, n.� 6."
"No Marais."
Se n�o sou um respeit�vel, a culpa toda � de Voltaire!
Cessar fogo! � Gravroche!
Se n�o sou puro como um riacho, a culpa toda � de Rousseau!
Gravoche!
Gravoche!
Je ne suis pas notaire...
Je suis petit oiseau, c�est la faute � Rousseau.
Je ne suis pas notaire.
Mas que brutos!
Nem terminei e j� me come�am a matar os mortos!
Gravroche!
Gravroche!
Je ne suis pas notaire, c�est la faute...
Gravroche!
D�em-me cobertura!
Os canh�es! Eles v�o atacar!
�s barricadas, cidad�os!
�s barricadas!
Cidad�os, meus amigos, meus irm�os!
A for�a cega que nos oprime, n�o destruiu o nosso ideal.
O nosso ideal, o ideal da Rep�blica!
A felicidade dos povos!
Cidad�os!
O s�culo XIX � grande!
Mas o s�culo XX ser� maior!
Aqueles que aqui v�o morrer ir�o abrir todas portas do amanh�!
Aqueles que tombarem aqui v�o sacudir todos os pontos da Europa.
Se todos os povos da terra est�o cegos!
Deus h� de abrir os seus olhos!
Adeus, meus amigos!
E viva a Rep�blica!
� muito simples!
Voc� est� livre!
R - E - T - I - R - A - R !
F - o - g - o !
Seu l�der se chamava Enjolras.
Um estudante de Direito.
Um fan�tico!
22 anos de idade! Filho �nico! E rico!
E rico!
Como podem ver, General, temos ainda uma sociedade secreta neste caso.
"Os Amigos do ABC".
Operando em estreita rela��o com os trabalhadores.
Inspector Javert!
A Comiss�o Militar quer-lhe transmitir as mais ardentes felicita��es.
Inspector!
A investiga��o que realizou, pondo em risco a pr�pria vida...
... ser� apresentada ao Rei, pessoalmente.
Senhor Inspector!
Localizamos um certo Th�nardier do Bando "Patron-minette".
A La Magnon os denunciou.
Iremos agora.
Procura a sa�da, Excel�ncia?
Precisa da sa�da?
Eu tenho a chave dela.
O que oferta?
N�o matou sem nenhum motivo este homem?
Vamos pegar no bolso dele o que procuramos...
... repartimos e abrimos o port�o. Concorda?
O dinheiro pela chave!
Que tal?
S� isso! O senhor matou por t�o pouco!
Ele n�o tinha mais nada?
N�o � para criticar, mas est� banalizando nosso neg�cio.
O pre�o est� abaixo do mercado.
Bem, n�s vamos agora.
A chave para o ar fresco!
Muita sorte, Excel�ncia!
Valjean!
Voc� est� preso!
Quem � esse homem?
Ele foi ferido nas barricadas.
Levo-o � sua casa.
Est� bem!
Voc�s dois a�!
Cuidem do bando "Patron-minette".
Acompanhe-me!
Oh, meu Deus!
Como � poss�vel!
Senhor? O que aconteceu?
Oh, meu Deus do c�u!
Depressa! Senhor!
Senhor!
Senhor!
Uma desgra�a, senhor!
Acorde! Acorde, senhor!
Tenho mais um pedido a fazer.
O �ltimo!
Eu tenho uma filha.
Quero me despedir.
O que o senhor tem?
Nada!
Os presos, indo ao interrogat�rio, tiram os sapatos.
E conservam-se descal�os na lage, enquanto os revistam.
V�rios tossem ao voltar � pris�o.
Isto acarreta despesas de enfermaria.
Os prisioneiros, denominados ladr�es...
... que chamam os outros presos ao parlat�rio.
Obrigam que lhes paguem dois sous por prisioneiro...
... para gritarem seus nomes, distintamente.
Isto � um roubo.
Ouvem-se todos os dias guardas contarem no p�tio da Prefeitura...
... sobre os interrogat�rios dos indiciados pelos magistrados.
A um guarda deve ser sagrado...
... n�o dizer o que ouviu na sala do interrogat�rio.
� uma falta grav�ssima.
Ap�s a minha morte, isto deve ser modificado.
E P � L O G O Paris - 1835
Eu vos agrade�o, senhor!
Podem se servirem, senhores!
O senhor n�o sabe como sentimos a sua aus�ncia.
No dia mais feliz de minha vida, o senhor me fez chorar.
Eu sinto muito!
Tive um inc�modo, conto-lhe depois. Sei que vai me entender.
Por favor, senhor, queria lhe dizer uma palavra em particular.
Pois n�o, senhor!
Deixe-os a s�s!
N�o demorem muito.
Senhor Pontmercy!
O que devo lhe dizer � muito dif�cil.
Pe�o-lhe, portanto, que n�o me interrompa.
Para come�ar, eu n�o sou o pai de Cosette.
Como assim, senhor?
Pedi para que n�o me interrompesse.
Meu nome n�o � Fauchelevent.
O meu nome � Jean Valjean.
E sou um condenado fugitivo.
Um condenado?
Um dia, eu roubei um p�o!
E por causa deste p�o, passei 19 anos nas gal�s.
Mais tarde...
... fui condenado � pena perp�tua como reincidente.
Atualmente, violei a condicional.
Mas, o que o senhor est� dizendo?
H� 10 anos atr�s, nem desconfiava da exist�ncia de Cosette.
Hoje, ela � tudo o que me importa no mundo.
Mas agora que ela � sua esposa, ela n�o precisa mais de mim.
Cuide bem dela.
Eu enviei 600.000 francos ao Sr. Gillenormand, o seu av�.
600.000 francos!
Saiba que este dinheiro, eu ganhei honestamente com meu trabalho.
Este � o dote de Cosette.
� o que tinha que lhe dizer, senhor.
Pode ficar tranquilo que n�o voltarei a importunar voc�s.
Adeus, senhor.
Por que me contou tudo isso?
Por que?
Marius!
Marius! Marius!
Marius! Marius! Marius!
Como � bonita?
Como vai cham�-la?
Catherine!
Por que Catherine?
Eu n�o sei!
O U T O N O - 1 8 3 8
Fil� de tartarugas salepo com ostras ao vinho!
Senhor, h� um cavalheiro que quer lhe falar, senhor.
Ele disse do que se trata?
N�o, meu senhor! Mas ele insiste, trata-se de um certo Sr. Th�nard.
- Sr. Th�nard? - Sim, senhor.
Voc� o conhece?
- Simbad, diga-lhe que j� vou! - Sim, senhor.
Um ex-embaixador! Sr. Bar�o! �s suas ordens!
Senhora Baronesa!
Muito honrado, Th�nard, ex-embaixador.
Tive a honra de conhecer o Sr. Bar�o na casa da Princesa Bragration...
... e na casa de sua Excel�ncia o Bispo de Dombray.
N�o conhe�o a Princesa Bragration e nem Monsenhor Dombray!
O que deseja?
Prestar um servi�o, senhor.
Magret de pato com risoto de laranja, arroz com cogumelos e cordeiro.
- Prestar um grande servi�o, senhor! - De que tipo?
Como um homem do mundo que quer ajudar um outro homem do mundo.
Se a Sra. Baronesa me permitir.
Como ex-embaixador, eu poderia...
Est� bem, eu vou deix�-los.
Gastei a minha mocidade a servi�o da Fran�a!
Comporte-se, senhor!
Vamos ao assunto!
Vou ser breve!
Sr. Bar�o, o seu sogro � um ex-presidi�rio.
Eu sei.
E tamb�m � um assassino.
Exatamente!
Valjean roubou a fortuna do Sr. Madeleine.
E provavelmente, o matou.
- Pois nunca mais se ouviu falar dele. - Ora, ou�a bem...
E tem mais, foi Valjean que matou o Inspector Javert.
Vi com meus pr�prios olhos no Caf� Corinthe, durante a insurrei��o.
Sr. Bar�o, ainda bem que o procurei.
O senhor est� inteiramente enganado.
Pombos recheados assados, temperado ao vinho branco.
Jean Valjean n�o pode ter matado...
... o Sr. Madeleine, pela simples raz�o que o Sr. Madeleine era ele.
E eu posso provar!
E tem mais!
Jean Valjean n�o pode ser o respons�vel pela morte de Javert.
J� que Javert se suicidou, se afogando no Rio Sena.
Posso provar isso tamb�m.
Mas fica o fato que Jean Valjean � um assassino.
Eu o encontrei.
Vi-o como o senhor agora.
O mesmo homem que esteve na barricada da Rua da Chanvrerie...
... estava depois nos esgotos que levam � Ilha de Saint-Louis.
Sim, este homem que se passa por honrado...
... estava na �gua at� os joelhos, vestido como um vagabundo.
E Sabe o que ele fazia nos esgotos?
Carregava um cad�ver sobre os seus ombros.
Quer sopa, na fila!
Vi com meus pr�prios olhos, Sr. Bar�o!
O cad�ver era de um jovem estrangeiro, que ele tinha assassinado...
... para roub�-lo.
E posso provar isso tamb�m.
Th�nardier!
- Voc� � um cr�pula! - N�o! N�o!
- Agrade�o-lhe por me abrir os olhos. - Th�nard! Th�nard...
Sim, Th�nardier! Pois o seu nome � Th�nardier!
Vou poup�-lo porque esteve em Waterloo.
Sim, eu estive em Waterloo.
- E salvei a vida de um general! - Um coronel!
Se ele fosse um general, voc� estaria na cadeia!
"Sargento Th�rmadier �s sua ordens, Sr. Coronel."
Assado de cervo selecionado com saladas!
Envergonho-me, tem piedade de um pobre artista bonapartista...
... que perdeu toda a sua fam�lia nas barricadas.
Pegue isso! V�-se embora daqui, n�o quero v�-lo nunca mais!
J� n�o respondo por nada!
Saia daqui! J� paguei minha d�vida!
Biscoitos recheados de castanha e chocolate � mam�e!
"Chocolate � mam�e"!
Valjean!
Agora, voc� est� livre!
Cemit�rio P�re-Lachaise Paris - 1838
Dorme, viveu na terra em luta contra a sorte;
Mal seu anjo voou, pediu ref�gio � morte.
Isso aconteceu devido a essa lei sombria.
Que faz que a noite chegue, apenas foge o dia.
Fim da 4.� e �ltima parte.
Tradu��o, legendas e sincronia: Fernando A. B. de Almeida
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