All language subtitles for The Flesh and the Fiends (1960)

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Original subtitles

Esta � uma hist�ria de homens e de almas perdidas.

� uma historia de vicio e assassinato.

N�o pedimos perd�o aos mortos.

Tudo � verdade

A CARNE E O DIABO

Academia do Dr. Knox Edimburgo, 1828

Leve a bagagem atr�s, por favor, Robie.

Sim, senhorita. Levarei.

Tudo bem, Davey. Eu abrirei.

Boa noite.

Dr. Mitchell!

Espero que esteja mais capacitado para emitir diagn�sticos que para reconhecer uma face!

Martha!

Perdoe-me. Lhe esper�vamos para a pr�xima semana.

Exerci meu privilegio de mulher. Mudei de id�ia.

Uma bela mulher! E no entanto, h� 3 anos...

Na verdade era t�o terr�vel ha tr�s anos?

Bom, era muito jovem.

Uma coisa eu sei, Martha. Voc� esta muito bonita agora.

Obrigada Como esta o doutor!?

N�o mudou: genial, agressivo, provocador... com seus press�gios de sempre.

Ele ficar� sem palavras quando ver a sua sobrinha preferida.

Os milagres, cavalheiros.

s�o uma apologia para os ignorantes e um ref�gio para os tolos.

Os senhores, os m�dicos, s�o os modernos produtores dos milagres.

Para os homens primitivos o corpo humano era um milagre.

Para n�s, � uma estrutura de uns 260 ossos,

acompanhados de vasos sangu�neos, nervos, �rg�os e tecidos.

Uma estrutura complicada, certamente.

Mas, para n�s, j� n�o � um milagre.

E assim hoje, alguns dos senhores se transformam em doutores por direito pr�prio.

Professores de Anatomia.

Lhes parabenizo.

V�o entrar na profiss�o mais honor�vel do mundo.

As vezes "muito" honor�vel.

Se a metade dos meus colegas se dedicassem ao estudo das doen�as

com a mesmo perseveran�a com que buscam ser renomados cavalheiros,

o pais se encontraria em um estado muito mais saud�vel.

Mas devo avisar-lhes que seus estudos n�o terminam aqui.

Enquanto tentam derrotar a morte, seus estudos n�o terminar�o nunca.

Lembrem tamb�m que a morte n�o � s� sua inimiga.

Tamb�m � sua amiga.

A morte � um incidente que produz barro.

Usem-na, "moldem-na" aprendam com ela.

E, finalmente, escutem com aten��o as palavras de Alexander Pope:

"N�o tenha a presun��o de esquadrinhar Deus.

O estudo apropriado da Humanidade � o Homem."

Sim, cavalheiros, o homem! Vivo ou morto!

-Desculpe-me, senhor -Sim, Jackson?

Posso falar com o senhor?

Certamente.

Esperava ansiosamente este curso, senhor.

Eu tamb�m o esperava.

Vai dizer no que falhei? Eu tentei. Me esforcei mais que a maioria, como o senhor mandou.

Como eu mandei? Acha que isso � algo para mim?

Injustamente?

Diagnosticarei a causa de seu fracasso, Jackson.

� muito emocional.

A emo��o � um lastro que freia ao intelecto.

Tem que aprender a abordar a medicina com um olhar clinico.

Confiando no abstrato. Quando for capaz de faz�-lo

se graduara com honras.

Anda com pouco de dinheiro?

Tenho algumas dificuldades, mas...

Lhe pedi uma declara��o, n�o um mon�logo!

Pode ajudar Davey preparando os cad�veres para disseca��o.

Sabe o que tem que fazer?

Isso ir� introduzir mais um guin�u por m�s rio seu bolso.

Muito obrigado, o senhor � muito generoso.

Bom, soltamos outros 30 m�dicos para a plebe!

Santo c�u!

Querida menina.

Mitchell, temos que escrever para a Madame Duelos sobre este... milagre!

Pensava que n�o acreditava em milagres.

De uma gordinha e desajeitada colegial a isto!

Voc� esta com um aspecto maravilhoso, querida.

Um tributo � cozinha francesa! Estou orgulhoso de voc�.

Obrigada. E estou agradecida por ter me enviado para a Fran�a.

Mitchell, brindemos pela Fran�a. Voc� se d� bem com discursos bonitos.

N�o poderia competir com o senhor!

Acha que meus discursos s�o "bonitos"?

Diga-me, querida, voc� teve uma boa viagem?

Desculpe, senhor. Chegaram dois homens com um presunto.

O que voc� disse?

Com um corpo para estudo, senhor.

Obrigado.

Encarregue-se disto, ok? E n�o me esperem.

Fale mais dos cora��es partidos que voc� deixou em Paris.

Bem, vai contar-me? Os cora��es partidos.

Acredito que seu interesse seja puramente acad�mico.

� t�o bom estar em casa!

Espero que Edimburgo n�o lhe pare�a desinteressante depois de Paris.

Pode ser a cidade mais rom�ntica do mundo!

Ent�o tem segredos com os quais nunca sonhei.

E me ensinar� esses segredos, Dr. Mitchell?

Alguns.

Fresco e em bom estado, senhor. S� ficou uma semana na tumba.

Lhes darei cinco guin�us. Cinco, eu disse.

Bem, doutor, j� que � um cliente t�o bom.

Aonde ir�o festejar esta noite?

Eu irei ao "Merry Duke", senhor.

Tomem isto.

Jackson, quando minha governanta chegar, diga-lhe para trocar isso.

V� a taverna e lhes d� a diferen�a.

Muito obrigado, senhor.

"Fresco e em bom estado"!

Acha que o Conselho M�dico poderia fazer algo sobre isto, senhor?

Em que sentido?

O de fornecer cad�veres � Academia legalmente. Poderiam solicita-lo no Parlamento.

T�m 500 cad�veres ambulantes Poderiam nos dar um.

Um deputado de Edimburgo nos serviria bem.

Com cuidado, Jackson. N�o queremos que se desfa�a na salmoura!

Vem aqui, querida, me d� um beijinho.

Est� vendo aqueles dois ali, Willie?

Se fazem chamar ressurreicionistas.

Acham que d� um toque de distin��o na sua profiss�o.

� desprez�vel ter que trabalhar para pessoas como eles.

Mas h� dinheiro nisso, Willie.

Quer dizer que voc� estaria disposto a tocar em um cad�ver decomposto...

que est� semanas no t�mulo, por dinheiro?

Voc� me surpreende.

N�o, mas a velha vive pedindo dinheiro, Willie. Sabe o que ela me disse?

Disse que eu tinha que procurar um trabalho.

Sim, t�o certo quanto estou aqui.

Trabalho? Voc� n�o � estalajoeiro?

N�o nos incomode agora. Continuem cacarejando!

Muito obrigado.

Tire as m�os de mim!

Agora te pare�o sujo, chegou coisa melhor!

N�o � dif�cil ver que voc� nasceu em uma pocilga!

N�o permita que se aproxime de mim, senhor!

Devolve a saia para a senhora.

Venha pega-la!

Obrigado. Estou muito grato.

Se ficar, lhe pago um drinque.

N�o, n�o, � melhor que eu v� embora.

Policia! Socorro! Assassinato!

Venha comigo r�pido, r�pido!

Entre aqui, r�pido!

Por aqui.

Ei, Mary, aonde voc� vai?

Teve que ir pras ruas atr�s de um camarada?

Vai cuidar da tua vida.

Vamos.

Fique no claro.

Deixe eu dar uma olhada.

N�o est� ruim. J� vou cuidar disso. Sente-se.

Obrigado por me ajudar

� o m�nimo que poderia fazer. O senhor me ajudou.

Aproxime essa cadeira, ok?

Olhe, n�o � necess�rio que se incomode tanto.

N�o � incomodo nenhum.

J� esteve aqui antes?

N�o, nunca.

O senhor � estudante de medicina, n�o �?

Como sabe?

Aqui vem muitos como o senhor.

Estudantes de medicina e de Arte.

Vem estudar o corpo humano.

Isso � anatomia, n�o?

Sim, mas n�o como estudamos na Academia!

Posso ensinar-lhe mais do que aprende na Universidade!

N�o acha?

Acho melhor ir embora.

Aqueles homens roubaram seu dinheiro?

-N�o, n�o... ainda est� aqui. -Bom.

-Melhor ir embora. -N�o gosta de mim?

Sim, gosto.

Fique um pouco.

Como est� a cabe�a?

Oh isso! Esta bem.

Quando voltarei a te ver?

Estou sempre aqui.

Te ver de verdade. Te levar pra sair ou algo assim.

Me levar pra sair?

Essa � boa!

O que seus amigos diriam se vissem voc� comigo?

N�o ria, Mary.

Quando?

Amanh�, talvez.

Amanh�.

� melhor voc� ir. Vai chegar atrasado.

Meu Deus, sim! Que chato!

De acordo? Amanh�.

Amanh�?

Pega, Jamie!

Que formosa ma�� rosada!

Tocou meu cora��o, Sr. Hare.

Voc� ouviu isso, Willy? � um grande rapaz, deixe ele.

Sabe Jimie, deve aprender uma coisa:

A vida � dura para os idiotas.

Senhor Burke!

O que houve, Jennie?

Venha comigo. Aconteceu algo terr�vel.

Ver� quando chegarmos em casa.

A maldita velha quebrou o pesco�o.

Milagres n�o acontecem, homem.

Voc� � um grande palha�o, Willie!

O bom e velho John! S� um punhado de ossos.

Sim, ele era.

N�o me espanta que tenha morrido.

Pode ser r�pido e levar isso logo?

Farei o poss�vel.

Faz com que a casa pare�a bagun�ada.

-Adivinha o que aconteceu, Willy -Me surpreenda.

O velho John morreu!

Morreu durante a noite sem avisar.

Ouviu isso, Willie? Ele morreu e me devia dinheiro. Me devia tr�s libras!

Que classe de homem faria uma coisa assim?

Ele buscou a sa�da mais f�cil!

-Como vai o neg�cio? -Devagar.

Vou buscar ajuda, Sra. Burke. Levaremos antes que um cachorro movimente o rabo.

O que ser� amanh�. N�o sei o que vou dizer aos h�spedes.

Um a menos para nos preocupar. Asqueroso, vigarista!

N�o fica a� falando e coloque o letreiro avisando que se aluga um quarto.

-O que tem para jantar? -Salm�o defumado.

Sirva-me o jantar de ontem com o de hoje e se der repita.

Se voc� tivesse ganho uns centavos ai poder�amos jantar pescada.

H� uma no arm�rio, mais acho que est� passada.

Igual ao pobre Johnny.

Sabe, Burke? Tenho pensado. � uma pena fazerem caix�es para pobres...

com uma d�vida n�o paga a lhes pesar a consci�ncia.

N�o cravam muito bem estas coisas.

O que voc� est� tramando?

Burke, pode mandar sua mulher comprar uma garrafa de genebra?

De onde voc� acha que tirarei o dinheiro?

Chega de cacarejar, mulher. N�o respeita aos mortos?

Tome.

N�o � t�o generoso quando se trata de contribuir com a casa.

A� est� seu homem, v� se n�o me enche!

Podemos conseguir seis guin�us por ele, deixamos o morto na casa do doutor.

Sim, e lhe dar�amos a oportunidade de salvar sua alma como � seu direito.

� um grande prazer ajudar uma boa pessoa.

Ele ficaria muito feliz se soubesse!

E tem cara de malvado! N�o me espanta que morreu sem me pagar o dinheiro.

Boa noite, Dr.!

Dentre a multid�o de urtigas, nasce essa flor.

Obrigada pelas flores.

Me alegro que tenha gostado.

Por que esta festa, Geoffrey?

Para lhe apresentar � sociedade de Edimburgo.

S�rio?

Para reunir seus amigos e inimigos em uma sala e depois insultar a todos.

Lhes digo, cavalheiros, que est�o enterrando a medicina.

A Lei nos concede o corpo de um criminoso quando foi capturado e enforcado.

Mas temos que esperar muito tempo ate que a justi�a resolva.

Enquanto isso, a ressurrei��o se transforma em um com�rcio �til.

-Ora, vamos, Knox! -N�o concorda?

Estou de acordo que os m�dicos necessitam corpos para dissecar,

mas perdoar a viola��o de tumbas por esses ghouls?

N�o perdoo, nem condeno. Aceito.

� mais sagrado alimentar aos vermes que procurar a verdade?

Acho que o reverendo pensa que violar um t�mulo � violar a alma.

S�rio? Se diz que quando o corpo � barro, a alma j� voou de um modo ou outro.

Por sorte das vitimas desses profanadores de tumbas, � verdade.

A alma j� abandonou o corpo.

Me perguntava por que nunca me tinha deparado com uma durante meu trabalho.

O senhor nega a exist�ncia de alma?

N�o nego nada. Posso mostrar-lhe o cora��o, meu estimado Abel. Pode mostrar-me uma alma?

Esta a�.

Onde? Debaixo do sovaco? Entre os olhos?

No abd�men?

O fato de n�o podermos v�-la n�o quer dizer que n�o exista.

Afinal, o pensamento n�o pode ser visto.

N�o. Mas tente ter um pensamento sem c�rebro.

O problema do Knox � que ele � professor.

Eu sou antiquado. Qualquer um pode fartar-se de Anatomia.

Pra mim, um cirurgi�o necessita duas coisas: a disposi��o do paciente e duas m�os fortes.

Qualidades perfeitas para um oper�rio da constru��o do Canal de Caled�nia!

Est� desperdi�ando seu talento, Dr. Ferguson.

Considero isso um insulto!

� um cumprimento � sua for�a.

Cavalheiros.

Elliott, � verdade o que tenho ouvido?

Dizem que seja qual seja a doen�a, sua prescri��o � s� uma: c�psulas de sen.

Isso � uma cal�nia!

Eu sei. Um advogado me contou a hist�ria.

Vejo voc�s algum dia. Desculpem.

Esse homem est� fazendo o trabalho do dem�nio.

Sim. E brilhantemente.

� um lugar terrivelmente l�gubre. N�o �, Willie?

Deixe as falas comigo.

Aqui tem um esp�cime perfeito, vossa senhoria.

Burke, afaste-se para que o senhor possa ver nosso cavalheiro.

Morreu h� poucas horas, senhor. Ouvimos que voc� gostava de corpos frescos...

Este est� t�o fresco como um repolho rec�m cozido.

Excelente! Lhes darei sete guin�us.

Muito obrigado, senhor.

Se dedicam a isto normalmente?

Bom, o Sr. Burke tem uma estalagem, sabe, e...

Entendo.

Coloque-o na salmoura, Davey.

Que deus lhe aben�oe, senhor!

E que sua alma descanse em paz.

-Por aqui. -Vamos, Willie.

Como est� voc�, Sra. Knox?

Bem, obrigada, Sr. Jackson.

N�o vai apresentar-me a seus amigos?

Essa � Mary Patterson, Mary, essa � Sra. Knox.

E o Dr. Mitchell

um de nossos doutores.

Ah, � o senhor � um deles? Como est�? � um prazer te conhecer.

-� um lindo dia! -Sim, sim, �.

Muito inesperado nesta �poca do ano.

Oh. sim. Est� muito melhor que ontem, n�o acham?

Esse barco � seu?

� um pontilh�o, Mary.

� lindo.

Quem dera tiv�ssemos um, Chris.

Porque n�o o usam esta tarde?

Est� a sua disposi��o.

O que? Chris remando? Nem pensar!

N�o quero passear por aqui com minhas cal�as molhadas.

Melhor irmos embora, Mary.

Adeus, Sra. Knox.

� muito bonita, n�o �?

Sim, muito bonita.

Tenho pena do Jackson.

Por que?

Se esfor�a tanto e sempre fracassa.

Bom, n�o � por falta de encorajamento.

O doutor teve muita paci�ncia com ele. Tem lhe dado li��es extras.

Mas receio que ele n�o esteja centrado no seu trabalho.

Falando disso, eu tamb�m n�o.

O que houve com voc�, Mary?

Tem vergonha de me apresentar a seus amigos?

N�o s�o exatamente amigos. E voc� n�o me envergonha.

Bem, pois parecia.

Escute, Mary, estou orgulhoso de voc�.

Voc� sabe disso. Sou o homem mais orgulhoso do mundo!

Voc� precisa de uma mulher em casa.

Preciso de voc�! Sim, Mary! Preciso de voc�!

Agora n�o! � noite, � noite.

� noite tenho que trabalhar.

Esta noite?

Tenho que preparar uns documentos para a aula da manh�.

Pensei que poder�amos sair e tomar um drinque.

E depois voltar�amos aqui.

N�o. Mary, eu...

Fa�a seu trabalho durante a noite, Chris.

Acorde, Burke! Acorde, homem. Acabou o dinheiro.

-Acabou tudo! -N�o ficou um centavo.

Por que voc� decidiu gastar a metade em algu�m como ela?

Isso � o que se chama investimento de capital.

-O que? -Uma coisa que falam os homens de neg�cios.

Ah, pobre Aggie!

N�o te parte o cora��o v�-la assim?

� a bebida que se apoderou dela.

Aggie, acorde e levante-se, mulher! N�o pode dormir aqui toda a noite.

Ajude aqui, Burke.

O que est� pensando em fazer, Willie?

A pobrezinha precisa de uma cama decente.

� o m�nimo que podemos fazer por ela.

Vamos, Aggie. Venha com o senhor Burke, o eatalajoeiro mais am�vel da cidade.

Voc� sabe, Burke, n�o h� ningu�m aqui para ver Aggie sair, exceto n�s.

Doze horas e tudo bem.

Um gole.

-O que ela est� fazendo aqui? -Cuida da tua vida.

Onde estou?

Aggie, voc� est� entre amigos.

Com Burke e comigo.

Aggie, no estado que voc� est� n�o pode ficar andando por ai.

D� a Aggie um pouco de conhaque.

Assim � melhor. J� estou vendo suas bochechas voltarem a ficar coradas.

Helen, saia e vigie.

-Por que? -Faz o que ele diz, mulher!

Avise se voc� vir algu�m chegando.

S� levar� um segundo.

Burke, n�o vai querer perturbar a Aggie.

Ela esta t�o cansada.

O que voc� est� tramando? O que?

Aggie, acha que nossas inten��es s�o desonrosas?

Voc� tem idade suficiente para ser minha m�e.

Que descanse em paz!

Voc�s s�o um par de rapazes de bom cora��o.

Hoje em dia n�o ha ningu�m bom com os idosos.

Tenho muito sono.

Isso, Aggie.

Descanse.

Descanse bem.

Voc� ouviu isso, Burke? Ela quer descansar.

Quase sem um sussurro.

Tenho certeza que ela est� melhor assim.

N�o tinha aonde ir. Deve ser terr�vel ser velho!

Ela mordeu minha m�o, Willie. Me mordeu.

N�o pode culpa-la por isso.

Aqui, coloque sua m�o aqui.

Levante com cuidado, Burke.

Asqueroso, asqueroso repugnante.

N�o � precioso, Willy? N�o � precioso?

A encontraram morta na rua?

Fresca como arenque, senhor.

E pode dizer-se que j� tinha tomado salmoura.

Prefiro os corpos com a salmoura por fora. � prov�vel que esta exploda.

O cora��o, suponho?

� um prazer negociar com o senhor doutor. Quer rap�?

Quer receber um abastecimento habitual de pobres desgra�ados como Aggie?

Sempre haver� demanda de cad�veres para dissecar.

Ha centenas como ela nesta cidade.

N�o t�m onde dormir e com o frio glacial.

Me surpreende que a cidade n�o esteja cheia de cad�veres!

-Boa noite, doutor. -Sim, boa noite.

Provavelmente foi o melhor para ela, n�o � Davey?

Era uma boa mulher, senhor.

Mas agora ser� muito mais �til do que quando estava viva.

-Cuide dela pela manh�. -Sim, senhor.

Sabe de uma coisa? Poder�amos ficar milion�rios com esse negocio.

Acha mesmo, Willy?

� o que estou dizendo.

E fazer um bom trabalho faz com que voc� se sinta orgulhoso e respeitado.

Pense bem, Willie: "Burke e Hare, membros da grande profiss�o medica".

Chamo sua aten��o � protuber�ncia do l�bulo central.

Este, cavalheiros, poderia ter sido um cidad�o �til.

Mas foi enforcado a aproximadamente 20 anos por assassinar toda sua fam�lia.

-Teria a bondade de subir ao palanque? -Sim, senhor.

Por favor, quer explicar-nos como poder�amos salvar esse homem com a cirurgia moderna?

Utilize o ponteiro, senhor Jackson.

Estamos esperando.

Por favor, n�o balbucie. Vire-se para que a classe possa ouvir-lhe.

Extraindo primeiro a protuber�ncia do l�bulo frontal...

Extrair? O que est� propondo? Escalpela-lo?

Sil�ncio!

Sinto muito, senhor.

-N�o pode explicar? -N�o, senhor.

N�o lhe dei uma tese para apresentar esse tema?

-Sim, senhor, mas sabe... -Isso � tudo.

Senhor Smedley, continue.

A cirurgia moderna podia ter elevado parte do l�bulo,

um oitavo de polegada, aproximadamente,

para eliminar a press�o sobre o c�rebro.

Muito bem. Continue, por favor.

Como um jovem impr�prio de uma donzela, escute-me agora,

como me manifesto para provar meu destino.

Por que est� me olhando assim?

S� estava olhando.

Continue, ent�o!

Mary, n�o tem import�ncia.

-Voc� deve me odiar. -N�o.

Aonde voc� foi?

Fui a� em frente, tomar um drinque. Voc� sabe como �.

Sim, sei como �.

Lembra que me pediu para pensar?

Em casar-se comigo? Bem?

N�o, Chris.

Eu poderia te fazer feliz, Mary.

� assim que eu sou.

Metade de mim quer estar com voc� e a outra metade segue olhando para o outro lado.

N�o sou uma boa mulher para voc�. Nunca fui.

Preciso sair, rir, me divertir.

E beber bastante, sabe?

N�o quero lhe deixar infeliz.

Olha, Mary, sei que te aborre�o aqui sentado,

mas tenho que passar nos exames.

Eu vou ser um m�dico.

Sim, eu sei.

Mas tentarei sair mais com voc�. Eu prometo que sim.

Voc� vai, Chris?

-S� me prometa uma coisa, Mary. -O que?

Afaste-se dessa vida.

Eu tentarei, Chris, tentarei.

Prometa!

-Prometo. -�timo.

E amanh� a noite sairemos e botaremos fogo na cidade!

N�o vamos falar de fogo, Chris!

Voc� � um aut�ntico aristocrata, Willie!

� o melhor colete que vi em minha vida!

Combina com seus olhos azuis!

Cobertos de sangue!

N�o me interrompa, mulher!

N�o h� nada para mim?

O que quer?

Vi no letreiro que alugavam uma cama. Se ainda estiver livre...

N�o fique a� nesse frio! Entre logo!

N�o se preocupe. Est� entre amigos.

� mais que bem-vindo. N�o � verdade, Burke?

Sim, � verdade. T�o bem-vindo como um guin�u de ouro.

Quer comer alguma coisa?

Helen, querida, n�o fique ai parada. Traga comida ao cavalheiro.

S�o muito am�veis. Sou pobre, mas n�o lhes causarei problemas.

N�o nos incomodar� de maneira alguma. Est� em Edimburgo a muito tempo?

N�o, cheguei hoje mesmo.

Venho de Inveran. � nas Highlands.

Ah, sim? Ouviu, Burke? O cavalheiro veio das Highlands.

Vai querer a cama por quanto tempo?

� dif�cil saber. Busco trabalho.

-Entendo. Diga-me, quer rap�? -Oh sim, obrigado.

Diga-me, senhor...

Angus MacLaris.

Lhe chamaremos de "Angus".

Diga-me, Angus, o senhor tem...

algum amigo nesta cidade?

N�o. Sou s� um artes�o. Correm maus tempos.

Pensei que seria bom visitar a capital e ganhar uma boa soma de dinheiro,

para poder viver em paz o que me resta de vida.

N�o � isso o que todos queremos? Viver em paz o que nos resta de vida.

Imagino que j� tenham feito neg�cios conosco antes.

Sim, senhor, fizemos.

Com o Dr. Knox.

O doutor esta ocupado. Eu mesmo lhes atenderei.

Sou o Dr. Mitchell.

-Abram a caixa. -Sim, senhor.

Este homem faleceu h� poucas horas.

Isso mesmo, doutor. O pegamos logo...

antes que ca�sse nas m�os do coveiro da par�quia.

Onde o pegaram?

Bom, o pobre homem estava hospedado na casa do meu colega.

O Sr. Burke aqui.

E parece que adoeceu. Coisas da idade. Morreu durante a noite.

Como ficou com esse hematoma?

Hematoma? Tem um hematoma?

Olhe voc� mesmo, homem.

N�o � incr�vel? Voc� v� isso, Burke?

Tem um hematoma do lado da cabe�a.

N�o � assombroso?

Sabe, me alegro que o tenha mostrado...

Perguntei onde o conseguiu!

Acho que n�o � necess�rio interrogar nossos amigos, Dr. Mitchell.

No passado recebemos esp�cimes muito bons destes cavalheiros.

S� pretendia determinar a causa da morte senhor.

N�o me diga que era um paciente seu, Mitchell?

Acho que oito guin�us � o pre�o atual de mercado, n�o?

S�o oito guin�us, senhor.

E, como sempre, � um prazer fazer neg�cios com um cavalheiro t�o am�vel como o senhor.

Sim, assim �, doutor.

Acompanhe nossos amigos e feche com a chave Davey.

Boa noite, doutor!

Tem certeza que esse homem faleceu por causas naturais?

Por que pergunta?

Esses... esses dois homens, o que voc� sabe deles?

N�o sei nada e n�o me interessa.

E continuar� aceitando cad�veres sem fazer perguntas?

Continuarei ensinando Anatomia, utilizando os melhores esp�cimes dispon�veis.

Para formar m�dicos que substituir�o charlat�es.

Mais alguma coisa?

Boa noite, Mitchell.

Dr. Knox est�?

N�o quer ser incomodado. O doutor est� ocupado agora.

Queremos ve-lo por um assunto urgente. Teria a bondade de chama-lo?

Entrem, cavalheiros!

� uma grande honra.

Todos os melhores cirurgi�es de Edimburgo... Meu Deus!

Espero que continue pensando assim depois de ouvir o prop�sito de nossa visita.

Nada mudar� minha opini�o sobre os senhores, cavalheiros. Continuem.

Um artigo do Dr. Knox...

Pagina 13

N�o se incomode em buscar a p�gina, Dr. Elliott, tenho uma mem�ria excelente.

Meses atr�s, um homem chegou na enfermaria de Edimburgo com um aneurisma

numa das art�rias maiores do pesco�o.

Sem notar as caracter�sticas �bvias, at� para um principiante, de que era um aneurisma,

um certo distinto cirurgi�o

declarou que era um abscesso.

Em consequ�ncia, essa celebridade, que antes tinha sido membro do c�rculo

e se vangloriava, entre outras coisas, da for�a de suas m�os, sem utilizar a cabe�a,

cravou sua faca no suposto abscesso, e o paciente faleceu em poucos segundos.

� uma blasf�mia!

Como se atreve?

Atrever-me? � um desafio?

Por que n�o nomeou o cirurgi�o? Estava com medo de um processo?

Acho que todos sabemos seu nome, e sua reputa��o.

-Ouviram isso? -Me surpreende, Dr. Ferguson, eu teria preferido seguir no anonimato.

Vou processa-lo at� o ultimo centavo!

Um negocio muito louv�vel!

Sem d�vida sua preocupa��o por uma boa colheita lhe inspirar� melhor desculpa para seu pr�ximo fracasso.

Por que n�o deixaram que ele me batesse?

N�o pensaram que seria uma arma mais potente ante os tribunais

que uma mera disputa ante um fato incontest�vel?

Vejo na minha frente quatro faces brancas, furiosas e estupefatas.

Por que? Porque escrevi um artigo?

Porque acusei um de voc�s de assassinato?

Amigos meus, v�o em frente!

Levem-me ao tribunal supremo!

E, nas palavras de seu fantoche, processem-me ate o �ltimo centavo.

Um neg�cio aventuroso!

Lhes desejo mais sucesso no campo do com�rcio

do que tiveram em nossa sagrada profiss�o.

-� tudo o que tem a dizer? -N�o!

Sei que o caminho da verdade nunca foi um mar de rosas.

Em cada m�o se encontra uma arma amea�adora.

Ser condenado por ignorantes � um cumprimento � sabedoria.

V�o grasnar aos tribunais, se � que se atrevem!

Os encontrarei pelo caminho com uma tocha como escolta para suas almas

e as deixarei nuas como aviso para suas futuras vitimas.

E agora, se tiverem a bondade de girar a cabe�a ligeiramente a direita, ver�o a porta.

Usem-na, por favor.

Por que os insulta deliberadamente?

Esta me criticando?

N�o, n�o lhe critico. N�o seria t�o presun�oso.

Mas lhe aviso. Esses m�dicos v�o lhe prejudicar se puderem.

Como podem me prejudicar?

Aproveitando at� o menor dos rumores.

Por exemplo?

Sua associa��o com homens como Burke e Hare.

E quem lhes daria ouvidos?

Devo ter medo de expressar a verdade, assim como eles tem medo de ouvi-la?

Escute, Mitchell, � preciso mais que um punhado de m�dicos para me derrotar.

Produzo cirurgi�es que lutar�o pela humanidade, n�o para destru�-la.

E durante o processo nada ir� se colocar no meu caminho.

O individual n�o � importante.

Que horas s�o?

Isso importa?

Disse que queria me ver... Chris.

Ol�, Mary! Tenho uma rima nova para voc�.

Venha, como � essa rima? Como �, Jimy?

� assim: "H� os que se arrastam e serpenteiam

e coisas que parecem podres e coisas que fazem "buum" na hora certa".

Muito bom, Jimmy N�o esta bom?

Te dou um centavo se voc� continuar.

Venha, vamos para casa, Mary!

Vamos! Ali haver� bebida gr�tis!

Pegue seu casaco, Mary.

Sai daqui.

Se quer fazer cena, eu lhe dou uma!

Voc� esta b�bada, Mary. Deixe-me te levar para casa.

"Deixe-me te levar para casa."! Voc�s ouviram isso?

Se voc� fosse homem de verdade me arrastaria pelos cabelos!

Mas se tentar te mato!

V� para casa, Chris Jackson e aponte seu l�pis

como um bom menino pra que o doutor fique satisfeito.

Mas n�o me espere com a luz acesa porque n�o voltarei!

N�o voltarei a me aborrecer com as baboseiras que saem de sua boca!

O que houve agora?

Nada.

Me d� um drinque.

Certamente, meu amor!

Sou uma pobre tola, chorando por algu�m como ele.

Imagine! Eu achando que poderia fazer um homem de um moleque.

No lugar para onde vamos tem mais disso.

E onde �?

Esta perto. S� nos tr�s.

T�o c�modos como tr�s piolhos em um tapete.

Logo ali na esquina.

Logo ali na esquina.

Logo ali na esquina.

Logo ali na esquina.

Logo ali na esquina.

Logo ali na esquina.

Burke, onde est� sua esposa?

Foi ver sua irm� g�mea.

Voc� espera aqui?

Por que, Wille? Para que?

Porque estou mandando.

N�o deixe a casa bagun�ada.

Estamos juntos, Mary.

S� n�s dois.

N�o!

Posso te dar dinheiro.

-Cala a Boca! -Por Favor!

Cala a boca!

-A� vem minha mulher! -Bom, tire ela daqui.

O que ela faz aqui?

Est� morta.

Voc� tocou nela?

Ningu�m a tocou.

Willie a matou. Isso � tudo.

Est� bem. N�o quero uma coisa assim na casa. Nos daria m� fama.

Olha, Will�e e eu temos trabalho. V� para a cama, mulher.

Que? Com ela aqui? Antes livre-se dela.

Al�m disso olhem como bagun�ou a cama.

-Est� formosa, Willie. -Sim.

Sabe, acho que desta vez o bom doutor deveria dar-nos algo mais.

...que a morte n�o � s� sua inimiga,

� sua amiga.

� um incidente.

que produz barro.

Oh, est� trabalhando cedo, Sr. Jackson!

Esse � o melhor que tivemos ate agora.

O doutor quer que fa�am uns desenhos antes de coloca-la na salmoura.

Moldem esse barro.

O que houve?

O que est� acontecendo?

Burke e Hare.

O que h� com Jackson?

Sim, se comportou de um modo muito estranho.

Eu posso lhe dizer por que.

Burke e Hare trouxeram o cad�ver de Mary Patterson.

Era a namorada de Jackson.

Voc� matou Mary Patterson!

Eu nem toquei nela! Saia!

Voc� a matou!

Volte ao lugar do qual veio!

-Voc� e o canalha de seu amigo! -Que? N�o fui eu!

E a levaram ao Dr. Knox! Voc�s a mataram!

Bom, Burke este � um cad�ver que n�o iremos vender para o Dr.

Boa noite, Sr. Hare.

Vamos, queridinho! Pela manh� voc� estar� s�brio como um juiz.

Qual o problema do seu amigo?

Esta b�bado. Te vejo depois, Jimy.

Se n�o se importam, vou com voc�s. Posso lhes ajudar?

-N�o tem um bom aspecto. -Est� bem!

Bebeu muito, s� isso.

Quem dera pudesse dizer o mesmo de mim!

�timo. Tome.

Sr. Hare, me deu um guin�u de ouro!

Escutem, Escutem! Assassinato em West Port!

Se algu�m tem alguma informa��o, em nome do Rei...

Christopher Jackson.

Tem certeza, senhor?

Absoluta. Diz que foi apunhalado?

Sim, senhor. O encontraram em um beco esta manh� cedo.

Sabe de algum motivo pelo qual algu�m quisesse mat�-lo?

Nenhum. Era um rapaz reservado, trabalhador. N�o sei nada sobre sua vida privada.

E o senhor, Dr. Mitchel?

N�o sei porque iriam mata-lo.

Bem, obrigado, cavalheiros.

Acho que n�o os reterei mais.

Obrigado, inspetor.

Por que n�o comunicou suas suspeitas a pol�cia?

-Queria que o fizesse? -Por que n�o?

J� sabe o que temo, senhor. Uma oportunidade para que seus inimigos o destruam.

Sua considera��o por mim � muito comovente.

No entanto, se realmente acha que Burke e Hare s�o os respons�veis pelo assassinato de Jackson

seu dever como cidad�o � evidente.

Ou se pensa que uma mulherzinha de rua � mais importante que o avan�o da cirurgia

v� a pra�a e grite para as pessoas que foi um assassinato.

S� pensava em Jackson, senhor.

Voc� viu isso?

Sim, o bom doutor vem da delegacia de policia.

N�o nos servir� para conseguir um b�nus.

O que faz andando por aqui, seu tonto?

Levaram o b�bado s�o e salvo pra casa?

Sim, o levamos s�o e salvo, Jimy.

S� perguntando. Sabem, cometi um terr�vel pecado.

Encontrei um homem no beco. Estava morto.

Ent�o, qual foi a coisa m� que voc� fez, Jimmy?

Roubei um anel do dedo.

E depois fui me confessar, sabem? E o padre me disse para levar o anel a pol�cia.

Que acham disso?

E voc� levou pra policia, Jimy?

Ainda n�o.

N�o levou? Voc� � um rapaz muito esperto, Jimmy.

Por que?

-Esta com ele ai? -N�o.

Pois se seguir meu conselho, voc� o vender�.

A policia pode pensar que foi voc� que matou esse homem.

Burke e eu estamos interessados em compra-lo.

J� que estamos no neg�cio do comercio.

S�rio que comprariam?

-N�o � assim, Willie? -Sim, � isso.

V� busca-lo, Jeremy.

Trago aqui?

N�o, leve para minha casa a noite.

Assim poderemos tomar um drinque para realizar a transa��o.

N�o tem hora melhor como a noite para falar de neg�cios.

O que voc� acha, Willie?

Que n�o � t�o tolo como ach�vamos.

Estou procurando Mary por toda parte. Voc� a viu?

N�o, Maggie. N�o vejo Mary a uma noite e dois dias.

-Estou preocupada. -Preocupada?

Voc� estava falando com Hare, agora mesmo.

Estava... � um segredo, Maggie.

Geoffrey, tenho uma confiss�o a fazer.

Hoje escutei um dos estudantes falando do Doutor.

Disseram coisas terr�veis, Geoffrey!

Disseram que o doutor n�o se importa nem como, nem onde, se conseguem os cad�veres para dissecar.

Isso � mentira, n�o �?

Geoffrey, � mentira?

N�o, Martha.

Podemos falar da aula de amanh�? Acredito que tenha recebido minhas notas.

O tema � o cora��o.

N�o se preocupe.

Ol�, Sr. Burke! Ol�, Sr. Har�!

Ol�, Sr. Burke.

Est� ai?

Sr. Hare?

Sou eu, Jimmy.

Helen, saia e vigie para ver se vem algu�m.

Entre na casa, Willie!

Tire ele o mais r�pido que puder daqui!

-O que houve, Helen? Ningu�m mais esta gritando. -S� os porcos.

Prepara a caixa, Burke.

E n�o nos esque�amos do anel.

� por isso que veio aqui.

Assassinato!

Mataram Jimmy!

Quem matou Jimmy? Quem?

O Sr. Burke e Hare! Eu vi! Eu vi!

Eles mataram Jimmy!

Eu vi com meus pr�prios olhos.

Corriam atr�s de Jimy. Esses malvados o assassinaram!

Quer se acalmar? N�o posso acusar ningu�m de assassinato sem ter prova alguma.

Pois v� a casa e ter� todas as provas que quiser!

O que aconteceu com Jimmy, inspetor?

N�o. n�o, n�o. Guardem seus hinos. Ainda n�o h� motivo para lamenta��es.

Senhora Burke, onde est�o?

-A quem se refere? -A quem acha que me refiro?

N�o pode entrar assim no lar de pessoas decentes!

Onde est� Jimmy, o bobo?

N�o sei.

N�o o vi. Juro que n�o o vi. Eu juro.

Mentira! Mataram Jimmy! Voc� viu!

E Mary Pettersonm, sua vadia?

Chega!

Chega!

Est�o mortos! Ambos est�o mortos!

E se quer encontra-los, v�o para a Academia do doutor Knox!

Dr. Knox, dentro de minutos Burke e Hare lhe trar�o outro cad�ver. Imploro que n�o o receba!

Por que?

Porque a pol�cia sabe que foi assassinato. Uma mulher testemunhou.

Se refere a isto?

Era muito conhecido este jovem?

Todo mundo conhecia Jimmy, o bobo.

E a mulher diz que foi assassinado.

No entanto, nossos amigos n�o estavam muito preocupados quando o trouxeram.

Porque sabem que o senhor tem mais a perder. Confiam que o senhor encobrir� seu rastro.

Esta me acusando de conluio com eles?

J� n�o sei no que acreditar, Dr. Knox!

Mas imploro, pelo seu pr�prio bem, suma com o cad�ver antes que...

Voc� dizia?

Tarde demais.

Abra a porta, Davey.

Minha consci�ncia s� � respons�vel por mim, Mitchell.

Nunca � tarde demais.

Lamento perturba-lo, doutor, mas recebi certa informa��o desta mulher...

J� fui informado, inspetor.

� ele! � Jimmy! Pobre Jimmy!

Me entregaram h� poucos minutos, dois homens: Burke e Hare.

Examinou o cad�ver?

O senhor interrompeu minhas inten��es, senhor.

D� uma olhada agora, doutor Knox, por favor.

Pode indicar a causa da morte?

Viol�ncia. Sem d�vida alguma.

Estiveram assassinando diante de nossos narizes!

E o que diz a justi�a?

Vamos n�s mesmos busca-los!

Willie, a multid�o esta vindo! V�m por todos os lados. Escutem.

O que faremos, Willie?

� nosso fim! Est�o perto!

No armaz�m! Ali podemos resistir.

-E eu onde vou? -Fique aqui! Eles v�o correr ao ver sua cara feia.

N�o me deixem! Covardes asquerosos!

Ali! � ela! Peguem-na!

Foram para o armaz�m.

Foram para o armaz�m! Vamos!

Oh, Willie! O que eu fiz?

Est�o vindo, Willie!

Isso mostra que nunca se pode confiar em uma mulher!

A t�bua, Willie.

Os pegaram.

Prenderam Burke e Hare.

No caso da Corona contra William Burke,

se chama a primeira testemunha da parte acusadora.

Se chama William Hare!

Silencio na Sala!

Ponha sua m�o sobre a B�blia.

Jura solenemente dizer s� a verdade, toda a verdade e mais nada que a verdade?

Eu juro, vossa senhoria!

HARE TESTEMUNHA CONTRA SEU C�MPLICE

Escutem.

Se alcan�ou um veredicto no caso da Corona contra William Burke!

Burke: Culpado. O Dr. Knox n�o � acusado.

O Dr. Knox n�o � acusado!

Por que ficar em liberdade esse velho canalha? Sempre soube o que acontecia.

Na minha opini�o, nenhum deles merece viver. E quanto a ela...

N�o trabalharam honradamente nem um s� dia de sua vida!

Pelo menos, Knox deveria ir a pris�o.

Sim, � t�o culpado como eles.

Se algu�m mais tem algo a dizer contra Knox, que o diga agora.

Sentem-se, por favor.

Continuem sentados.

O tema da aula desta manh�, cavalheiros, � neurologia.

Me pergunto no que estar� pensando agora.

Estou pensando em uma maldi��o para o Dr. Knox, padre.

Sabe que n�o nos pagou pelo ultimo cad�ver que lhe levamos?

Agora deve fazer um ato de contri��o, meu filho.

Isso n�o � assunto meu, padre.

Se nos tivesse pago o cad�ver, como um homem honrado

agora eu estaria aqui com cal�as decentes

para apresentar-me em p�blico pela primeira vez.

N�o h� acusa��es contra voc�, senhor Hare. � livre pra ir.

A multid�o... estar� esperando por mim.

Pode sair pelos fundos.

Mandara algu�m comigo?

Sim. Ate a porta.

Meus olhos n�o!

Saia! Saia!

Posso levar um carro ate a porta dos fundos. Levar� s� alguns minutos.

Fazer o Conselho M�dico esperar, Davey? Isso seria imperdo�vel.

Te imploro que n�o v� l� fora.

Cuide dela, Mitchell.

Assassino! Assassino!

Ele � indestrut�vel.

N�o, n�o � Geoffrey.

Com todos asses chacais mordendo seus calcanhares, um dia ter� que cair.

Em minutos enfrentar� o Conselho M�dico. Gente que tenta destru�-lo a anos.

E n�o tem um amigo que movimente um dedo para lhe ajudar.

Isto n�o � um tribunal de Justi�a, Dr. Knox.

O Conselho M�dico se ocupa s� da honra de nossa profiss�o.

-N�o tem nada para dizer? -Nada.

Os senhores s�o meus ju�zes, cavalheiros.

� uma oportunidade que o c�u lhes enviou. Aproveitem ao m�ximo.

Senhor Presidente. Cavalheiros.

Acho que n�o requeremos sua presen�a, Dr. Mitchell.

Acredito que h� algo que devem ouvir, senhores.

Muito bem.

Cavalheiros, n�o venho defender o Dr. Knox.

Muito menos suplicar por ele.

Todos aqui comerciamos com a morte. Cad�veres roubados da tumba.

Cad�veres tirados do ata�de antes de ir para a tumba.

Em todos os seus anos de experi�ncia

podem negar ter tido d�vidas?

Quanto a que, Dr. Mitchell?

Quanto a causa da morte!

� uma insinua��o ultrajante!

� mais que isso! � uma acusa��o!

Estudamos Hip�crates mas alguns de n�s s�o hip�critas!

Olhem em seus cora��es e busquem a verdade.

E ent�o, se condenarem o Dr. Knox

perguntem a si mesmos se n�o est�o condenando uns aos outros

e a toda a profiss�o m�dica!

Doutor Mitchell! Ordeno que retire o que disse!

Senhor, d�-me um centavo!

E o que compraria com ele?

S� uns doces.

Sinto muito. N�o carrego dinheiro comigo.

Se quiser vir para minha casa, posso lhe dar um pouco.

N�o, obrigada! Posso acabar sendo enviada para o Dr. Knox!

N�o sabe o quanto me alegro em te ver.

Pensei que nunca voltaria a te ver.

E por que?

Por causa da multid�o que gritava: "Morte ao Dr. Knox!" Gritaram a noite toda.

E n�o esperava que voltasse inteiro?

Ou talvez como um cad�ver para minha mesa de disseca��o.

S� estive passeando, Martha.

-Toda a noite? -Toda a noite.

Excelente para a constitui��o.

E muito edificante para a alma.

A alma?

Oh, sim. Admito sua exist�ncia.

N�o somos semideuses, Martha.

Quando pequeno, acreditava em Deus e Diabo.

Precisei de uma crian�a para me ensinar o que sou agora.

-Fracassei, Martha. -Oh n�o!

Sim, fracassei.

N�o me importa o que digam de mim,

os gritos da massa, os uivos de deprecia��o do Conselho Medico.

Inveja e �dio!

Meus colegas e os demais, desprezo a todos.

Todos?

At� esta manh�, sim.

Mas acabo de ouvir a voz da consci�ncia. De uma criancinha ouvi a verdade.

E o que a consci�ncia disse?

Disse:

"Voc� � um ogro, Dr. Knox. Voc� matou a Humanidade "

Pelo bem da Humanidade!

Para alcan�ar algo. Ambi��o!

Aqueles peda�os de barro! Os fardos da humanidade que Burke e Hare traziam!

Devo confessar, Martha.

Pareciam bastante pequenos em meu esquema de coisas.

Mas sabia como tinham morrido.

Tomaram sua decis�o.

Voc� foi perdoado.

Ent�o... decidiram deixar que o mundo me julgasse.

Muito valentes!

� hora da minha aula. Nunca faltei uma aula, Mitchell.

N�o, senhor.

Vai ser uma nova experi�ncia falar com as paredes.

Mas pelo menos n�o me criticar�o!

Obrigada, querido.

Sentem-se, cavalheiros.

Antes de come�ar a aula deste manh�

meditemos sobre o juramento de Hip�crates,

o sagrado juramento de nossa profiss�o.

Prescreverei para o bem dos meus pacientes,

segundo minha capacidade e meu julgamento,

e nunca farei mal a ningu�m."

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