All language subtitles for Dead Babies.2000

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Original subtitles

Por favor...

Por favor, ajudem-me...

Estou? Telefonista? Telefonista?

Passe-me o Dr. Wallman.

Depressa! O Dr. Sir Gerald Wallman.

É o meu dentista.

Sim, sim, sim.

Em Harley Street.

Por favor... Por favor, meu Deus! Alguém...

Alguém, por favor. É a minha boca.

Por favor, despache-se!

Os meus dentes! Ajude-me, por favor!

Estão todos... Os meus dentes!

Os meus dentes!

Os meus dentes, estão todos...

Desapareceram todos!

Meu Deus! Preciso de uma bebida.

GERAÇÃO VIOLENTA Este é o Giles Coldstreet.

Herdou a reitoria Appleseed há um ano.

O Giles consegue aguentar ao estar sempre muito bêbado.

Este sou eu, o Quentin Viliers.

A duas semanas de deixar a universidade,

conheci a Celia e casei com ela em Notting Hill.

Ela tem dinheiro, mas eu tenho sangue azul.

Querida, sou eu. Amo-te. Acorda.

- Obrigada. - E ainda estamos...

- Amo-te. ...muito apaixonados.

Estes são a Diana e o Andy, o meu melhor amigo.

Estes dois são uma bênção mista.

Conheceram-se nas férias passadas, em Espanha.

O Andy já não tem a fogosidade de antes.

Isto foi uma coisa que a Diana reparou.

Onde estava isto ontem à noite?

E este é o Keith Whitehead, o anão bobo da reitoria.

O calçado de emergência do pequeno Keith

transformou os pés dele em pudins de sangue.

Há um ano, o Keith enlouqueceu por algum tempo

e entrou para o manicómio Blishner.

Bem, ninguém gosta de mim.

A maior parte das pessoas não gosta de mim instintivamente,

incluindo a minha família. Nunca tive uma namorada,

nem um amigo de nenhum tipo. Sou gordo, pobre, careca,

tenho uma cara horrível, prisão de ventre, mau cheiro,

mau hálito, não tenho pila e só meço um metro. É por isso que estou louco.

- Parece-lhe justo? - Sim.

Foi lá que conheceu a rapariga dos sonhos dele.

Ela era cega e o Keith aproveitou-se disso.

Whitehead, para ali.

Deixou de estar louco e voltou para a universidade.

Tenho um nome horrível. Whitehead (cabeça branca).

Whitehead não é um nome assim tão mau... Whitehead...

É, se toda a gente se meter contigo.

Sim.

E foi lá que nos conhecemos todos.

Gosto deste anão. Ele é porreiro, sabem?

Este anão é porreiro.

O Andy discutia a necessidade de uma corte de anões.

Encontrámos uma sala vazia ao lado da caldeira.

É quarta de manha

e os meus convidados devem estar a chegar para o fim-de-semana.

Precisava de distracção do mundo real.

Aqui tens.

Toma, aqui tens. Vá lá...

Vai-te lixar!

Olá.

Olá.

Voltei a ter o meu sonho recorrente a noite passada.

Que aconteceu?

É aquele em que todos os meus dentes caem.

É um sonho sexual, quando os teus dentes caem.

Deve ter qualquer coisa a ver com fracasso sexual.

Não, não é isso. Tem só a ver com os meus dentes caírem.

Há montes de toucinho.

Diz aqui no pacote que ficou estragado ontem. Vais comer algum?

Então, é melhor eu comer.

Giles?

Fazes ideia de quem vem para o fim-de-semana?

Não, nem sabia que vinha alguém.

- Mas que dia é hoje? - Sexta.

São uns amigos do Quentin. Americanos, acho eu.

E também a Lucy Littlejohn.

- A sério? - Sim.

Os americanos trazem uma droga maravilha qualquer.

Bestial. Fantástico.

Tu...

- Tu conheces a Lucy Littlejohn? - Mais ou menos.

É que o Quentin e o Andy dizem que...

Olá. Olá, como estás?

- Já lhe deste de comer? - Já.

Não, tu já comeste. O Keith já te alimentou.

É que o Quentin e o Andy dizem que a Lucy é fantástica.

Ela é uma nin fomaníaca.

- Que queres dizer exactamente? - Que ela come qualquer um.

Se é qualquer um, não sei.

Bem, o Quentin já a comeu. O Andy já a comeu.

- Eu já a comi. - O Brian Hall e esses também...

De certeza que o Bob Henderson e os outros também já.

Calculo que ela coma muita gente.

Como é que foi, Giles? Pagaste-lhe?

Foi tudo ideia do Andy.

No início, paguei-lhe para o fazer,

mas depois tornámo-nos amigos e...

Tu és muito mais pequeno sem as botas.

E mais gordo.

Nunca tinha percebido como és gordo e baixo.

É sexta-feira. Os americanos devem chegar hoje.

- Quentin... - Celia...

É verdade que os três americanos fazem cenas juntos?

Naturalmente. Porquê? Nunca entraste num " ménage à

Nunca, nem sequer nos meus dias de libertinagem.

- E tu? - Agora que falas nisso, não.

Mas olha que eles são capazes de tentar convencer-nos.

- Mas nós não entramos, pois não? - Como queiras, querida.

E os outros?

De certeza que o Andy entra, se lhe derem uma hipótese.

A Diana não sei bem.

Duvido que o Giles se dê a esse trabalho.

Mas também não podemos esquecer o nosso pequeno Keith.

O Keith deve estar preparado

para ser comido pelo Skip e pelo Marvell,

se achar que isso talvez o faça conquistar a Roxanne,

apesar de eu achar que isso não deve acontecer.

O que é que os três fazem?

Fazem quase tudo numa cadeira, acho eu.

O Marvell, o mais pequeno, senta-se no grande colo do Skip,

empalando-se.

Depois, a Roxanne empala-se de frente,

no colo do Marvell, para poder beijá-los ao mesmo tempo.

Calculo que seja um acontecimento assustador para o Marvell.

Quando chegarem, perguntamos-lhes mais pormenores.

Mas isso parece estranho, não achas?

Sim, querida. Calculo que sim.

Lembra-te que trarão as melhores drogas que já experimentaste.

Apenas teremos de ir ter com eles quando chegarem.

Prometo-te que não me afasto nem um centímetro de ti.

E a personagem Lucy Littlejohn?

É uma velha "chama" tua, não é?

Ela é uma fagulha. Uma mera cinza.

- Jesus Cristo! - Café e torradas para ti.

- Onde é que está o glamour? - Acabei de tomar banho.

Cristo, café.

Calculo que queiras comer-me agora, não é verdade?

Óptimo, porque eu estou feito em merda.

Além disso, nunca faço nada que não queira fazer.

Está bem.

Esta manha, em Londres, 13 corretores foram encontrados

escalpelizados nas suas camas.

A CIA, a Interpol e o Ml5 con firmaram

que os crimes estão ligados a dezenas de outros homicídios

cometidos no mundo por pessoas

que se auto-designam por conceptualistas.

Os ataques são identificados na cena do crime

por um "G" escrito na parede com excrementos

e "Johnny" escrito com sangue.

As fotos dos crimes estão no site dos conceptualistas.

Pensa-se que os crentes cometem os crimes individualmente

e colocam os resultados no site

para con firmar a crença na violência extrema.

Este é o 66º de uma lista mundial de crimes por resolver,

feitos por conceptualistas, desde a celebração do milénio.

- Assustei-te? - Não, claro que não.

- O que estás a ver? - Nada.

O grupo conceptualista matou mais gente. Não quero falar nisso.

- Vai dar alguma coisa boa? - A Lucy chega esta noite.

Achas que o Quentin ainda está interessado nela?

Não, já passou mais de um ano. E o Andy?

De certeza. Está sempre a falar nela.

Como estão as coisas entre ti e o Quentin?

Maravilhosas. Ele é perfeito.

A sério? Qual é o tamanho da pila dele, por exemplo?

Bem, é bastante grande.

É acima da média. Obrigada.

E a do Andy?

Enorme, quando não mete nada.

Quantas vezes é que o Quentin te come?

Pelo menos uma vez à noite e habitualmente também de manha.

A sério?

- Mesmo quando meteu alguma coisa? - Sobretudo nessa altura.

As vezes, quando está a spidar, aguenta durante horas.

E o Andy?

Todas as noites, às vezes de manha e,

de vez em quando, durante o dia.

- O Quentin é bom? - Fantástico. E o Andy?

Fantástico.

- Três americanos cheios de droga... - Um deles uma nin fomaníaca.

E depois ainda há a Lucy Littlejohn e nós.

Parece que combinaste o fim-de-semana perfeito.

O Marvell diz que preparou uma coisa especial para nós.

Deixa-me pensar... Tens alguma pista?

Sim, ele diz que anda à procura da alma, da essência humana.

Diz que, se existir, vamos encontrá-la este fim-de-semana.

A revista pornográ fica do Keith.

A sério? De que género?

Pachachas abertas, pilas tesas a serem lambidas...

- Só coisas normais? - Sobretudo isso.

Pobre Keith...

É espantoso como ele é tão alegre.

Sobretudo connosco, uns garanhões garbosos, por perto.

Topa-me isto. Acabei de arranjar isto na universidade.

São horas da droga. Onde está o verificador da droga?

Onde está o verificador da droga?

- Meu Deus! - Bom dia, Keith.

Não te preocupes. Hoje não há nada de especial.

Tenho aqui uma coisita do preto da turma de Literatura Americana.

Para paquistanês, ele é de fiar. Deve ser suave e não durar muito.

- Para cima ou para baixo? - Para baixo, mas não muito.

Devem ser alfinetes depois de uma meia hora...

Talvez dê para ficar tonto, mas bem.

Uma coisa do passado durante umas duas horas.

- Sem efeitos secundários? - Claro que não.

Não vou mijar preto como na semana passada?

Não vou ter coisas verdes a sair dos ouvidos?

- Prometo. - A pila não vai encolher

como com aquele pó que me deste?

De certeza que não faz isso? É que eu...

- Quando vem a Lucy? - A Lucy? Sabe-se lá!

Algures esta noite. Porquê?

Tens três palpites.

Porque eu quero uma queca...

- Uma queca? - Sim, uma queca.

O velho entra e sai! Molhar o pincel...

Quent, ele está a falar em foder ou quê?

Por que não disseste logo? Ouve uma coisa, Keith.

Nunca mais fales para mim com essa vozinha...

Por instantes, assustei-me. Achei que ias ficar louco outra vez.

Eu já tinha feito esta voz.

Eu sei, mas não voltes a fazer isso, está bem?

Nem nenhuma das tuas outras vozes de merda.

Gostava que tomasses 2, mas são semi-barbitúricos. Não podes beber.

Por isso, um chega, mas preferia que pudesses tomar dois.

- Andrew, é a Lucy. - Lucy! Dois.

Ainda vens, Luce? Estou ansioso.

Nós também temos uma surpresa para ti.

Ele é alto, moreno, bonito, 1,85 m, talvez 1,90,

bem constituído... Cabelo preto grosso... O Keith, sim.

É lindo. E parece que é dinamite.

Não, não, vais vê-lo esta noite.

Está bem, adeus. Adeus.

Isso é o que eu chamo banha da cobra.

Estás contente com o que fizeste, não estás?

- O quê? - Acabaste de...

Vá lá, Mac, diz-me. Que fiz eu?

Eu podia ter... Como pudeste fazer isso?

O que o Keith está a tentar dizer é que ele tem certas dúvidas

de poder cumprir a imagem estilizada

que acabaste de apresentar à menina Littlejohn.

Ela só vai ter o gordo, rude e pequeno Keith.

Eu estava a brincar e ela sabe disso.

- Onde está o teu sentido de humor? - Aí tens, Keith. Estás satisfeito?

Estava à espera que usasses da tua in fluência junto dela.

Eu faço-te muitos favores e esperava que lhe pedisses um para mim.

Não podes tentar engatá-la, como todos os outros?

Olha para mim! Eu não sou como todos os outros!

Eu odeio esta conversa pervertida. Agora, toma o comprimido.

Vamos acabar com esta merda, está bem?

Keith, tenta não ficar magoado com aquilo que o Andrew diz.

Como tu sabes, eu adoro-o.

Mas acho que, se tem algum defeito, é a escassez de imaginação.

Desculpa?

Tem tendência para partir do princípio de que todos

sentem como ele sente.

- Keith? - Já não quero saber.

Se não tiver uma experiência sexual este fim-de-semana, mato-me.

Keith...

não devias falar assim.

Vou certificar-me de que algo de invulgar vai acontecer-te.

Uma coisa qualquer... Se não for com a Lucy...

Meu Deus!

Giles?

- Sim? - Telefone.

- Quem é? - Uma velha qualquer.

Do outro lado da porta. Quem és tu?

A Celia.

Aguenta aí.

Bolas, desculpa. Não te reconheci.

Olha...

- Celia... - Olha, Celia...

Talvez seja a minha mãe. Por acaso, até é.

- Podes dizer-lhe que estou doente? - Não, já lhe disse que estás bem.

Estou a ver...

- Posso atender no teu quarto? - Que aconteceu ao teu telefone?

- Cortei o fio. - Para quê?

Bem, a campainha a tocar de repente faz-me...

- Algum efeito, Keith? - Nada, Andy, não.

- São uma treta. - Nem sequer estás tonto?

- Ébrio? Enjoado? - Nada, Andy.

Toma mais dois. Toma quatro.

Acalma-te, Andy. Foste enganado, só isso.

- É melhor não brincares comigo. - Não funcionam, Andy.

Caraças! Duzentas e cinquenta libras.

- Vou dar-lhe uma sova. Vens? - Está bem, deixa-me só acabar isto.

Ele vai devolver-me o dinheiro, dar-me tudo o que puder trazer

ou dou-lhe uma tareia que o mato. Quent!

Vou já.

Mãe? Ir vê-la?

Não, é que é domingo.

Se fosse sábado, seria muito simples.

Tem a certeza?

Hoje não é sexta-feira, pois não?

Bolas...

Então, fica para sábado. Perfeito.

Então vemo-nos nessa altura.

Parece estar muito quente, meu.

O que é que se passa com a tua mãe?

Com a minha mãe? É louca.

Só isso. Completamente louca.

Os pais do Quentin já morreram, não já?

- Acho que sim. - Não ficou muito triste, pois não?

A única coisa que realmente o incomodou

foi o facto de o irmão, o Neville, ter herdado a propriedade familiar.

Azar.

Há um enorme carro americano a dirigir-se para a nossa casa.

Raios!

- Celia! - Sim?

Estávamos à espera de visitas. Não devias ter saído, pois não?

O fim-de-semana começa aqui!

Marvell!

Roxanne...

Skip...

Permitam-me que vos apresente a minha querida mulher, a Celia.

- Quentin! - Senti a tua falta. Como estás?

- Porra para isto! - Vá lá, é só ternura.

Bem...

Tu deves ser o Andy.

O Quentin tem muitos amigos diferentes, não tem?

Que se lixe, não é?

- Olá. - Eu sou a Diana.

Há espaço para mais um?

Certo, agora as drogas. Muitas drogas. Certo.

É o meu novo livro: "O Laboratório da Mente".

De uma forma simplista,

diz que há duas formas de analisar esta coisa do cérebro.

As pessoas pensavam que a personalidade humana

e os comportamentos eram resultado de condicionamentos psicológicos.

Os pensadores do século XXI estão de acordo ao afirmar

que isso não corresponde a condicionamentos,

mas apenas a reacções químicas. Nada mais.

Se enlouquecemos, é porque temos merda na cabeça, maus químicos.

Não por não nos terem ensinado a ir ao penico ou termos mamado pouco.

Como é que o livro foi recebido?

O livro teve muitas dificuldades em vingar,

por as pessoas não deixarem de achar que são uma criação de Deus.

O que é que isso tem a ver?

O Marvell tem razão. Quer dizer,

se a nossa essência é puramente química,

qualquer noção de alma ou de Deus é francamente absurda.

Concordamos que a vida não vale nada.

Não dá gozo sermos sempre nós próprios.

Saúde!

Então, por que não usar as drogas

para amortecer a consciência?

Para guiá-la, para protegê-la. Para estimulá-la.

Temos uma gama fantástica de drogas.

Temos drogas que vão pô-los tristes, eufóricos...

Excitados.

Lúcidos, ternos, violentos.

Depois, alternativamente, temos drogas

que podem neutralizar estes efeitos instantaneamente.

A questão é que temos uma autoridade química sobre a psique.

Vamos usá-la e passar um bom bocado.

Boa! O que é que planeaste para nós hoje, meu?

Uns aperitivos químicos?

Acho que está um dia fantástico para um piquenique.

Vou tratar dos mantimentos. Marvell, prepara as drogas.

Tu conheces-me melhor do que isso, Quentin.

- Caramba! - Brilhante!

Meu Deus!

Gilles! Afasta-te da broca.

Desculpa, desculpa.

Foi sem pensar, desculpa. Vamos todos sair para um piquenique.

Literalmente todos?

- Mais tinto ou mais branco? - Os meus amigos americanos

excederam as expectativas de todos.

Vamos levar tudo?

- Nunca se sabe, pois não? - Acho que é melhor.

Estamos ansiosos por um fim-de-semana interessante.

Vamos começar com drogas básicas para aumentar o moral

e trabalhar para a transferência lombar amanha.

Pensem como é que querem sentir-se esta noite. Pensem bem.

Se começarmos por volta das nove, acho que deve dar.

Quando voltarmos, dão-me as tuas especificações.

Vai ser interessante ver o que é que escolhem.

Não te preocupes com isso.

Conheço o dono disto. É um tal Oofy Worthington.

- Disse que podíamos vir sempre. - Então e o arame farpado?

Meu Deus!

Giles, o meu nome é Skip.

Cuidado. Desculpa, eu não queria...

Importas-te de parar de dizer parvoíces e de vires ajudar?

Não é nada disso, Diana. Isto é a Utopia.

Vamos lá a abrir o uísque, Giles.

Sim, e vamos aproveitar melhor este sol.

- Flip... - Skip.

Slip, onde é que vais?

Por que será que, sempre que um homem sai para a rua,

tem de fazer do mundo uma casa de banho?

Que se passa com o Flip?

Acho que o nome dele se pronuncia Skip.

Que se passa com ele?

O pai costumava violá-lo como forma de disciplina.

Já chega.

Onde é que o encontraram?

A Rox e eu andávamos à procura de sítios no Arizona

para um "western" existencial que nunca fizemos.

Demos uma curva com o Chev e vimos uma espécie de...

...farrapo na berma da estrada.

O que é esta coisa? Estará viva?

Parece um ser humano. Santo Deus!

Nunca vi nenhum humano mais próximo do estado da Natureza.

Ainda tenho as fotos.

Levámo-lo para o hospital e eles trataram-no,

mas não quiseram admiti-lo. Por isso, tivemos de ficar com ele.

Esteve na cama durante dias... Lembras-te?

Não sabia quem era, onde estava, nem o que era.

Estamos no planeta Terra, um corpo esférico que gira em torno do Sol.

O Sol é o grande fogo do céu.

Acabou por recordar grande parte das coisas mas,

em relação à mãe, as coisas ainda vão e vêm.

- O que é que tem a mãe? - Não vais querer saber.

Vá lá, não pode ser assim tão mau.

Está bem. Um dia, o pai, Philboyd,

agrediu o Skip com uma frigideira.

Pela primeira vez, o Skip ripostou.

Então, o Philboyd foi aos tropeções até casa

e espancou a mulher com uma mangueira até à morte.

- Não admira que seja louco. - Ele é seguro?

- Que fez ele a seguir? - Ficou louco, como um animal.

Havia muita droga e muitos rapazes mais velhos.

Ele só se lembra disso e foi então que o encontrámos.

- Onde está o pai agora? - Não temos a certeza.

Sabemos que já saiu da cadeia.

As autoridades mandaram-nos uma carta dele antes de sair,

mas nós não lha demos.

Voltar a recordar aqueles dias iria dar-lhe cabo da cabeça.

Façam o que fizerem, nunca falem no pai.

Não recomendo que o façam. Nunca falem nisso.

Por que passam tanto tempo com um psicopata?

Digamos que ele nos faz algumas coisas.

Desculpem, mas vi...

...uma coisa...

...muito interessante.

Gostas de árvores, Keith? Arvores?

Tu e dois tipos. Tu, um tipo e uma miúda.

Bem...

não tenho grande opinião sobre o assunto.

- Gostas de broches? - Desculpa?

Que te façam um bico, que te chupem?

Acho que estou por tudo.

Gostas de ser comido?

Olha, desculpa... Skip...

Podemos acabar esta conversa noutra altura?

Eu estou na casa de banho.

Claro, meu.

- Fica para outra altura. - Está bem.

Maravilhoso.

São tão grandes...

As da Diana têm o tamanho perfeito.

Sim. Não. As da Diana. As tuas são muito bonitas,

mas as tuas são enormes e maravilhosamente sólidas.

Parece que apontam para cima.

Vou tirar as cuecas. Alguém se importa?

Desde que não te importes com os rústicos...

Este vai ser o meu fim-de-semana!

Sacanas dos anões!

Há ali umas vacas. Que lindo!

Está a sair bastante autêntico.

Como é que sabes que não são touros?

Os touros têm cornos, as vacas têm tetas.

- Elas têm tetas. - Não é só assim.

- Algumas vacas não têm tetas. - Alguns touros não têm chifres.

- Ai é? - É.

Por exemplo, a vaca pode ainda não ter tido bezerros.

Ai é?

Que diferença é que isso faz?

Faz muita diferença, porque vem uma a correr atrás de nós.

Merda!

Skip...

Sacana!

Não!

Merda!

Deitaste-a ao chão. Porra!

Parece estar completamente con fundida, não acham?

- Vou dar-lhe uns pontapés. - Não, pára com isso!

Crianças, crianças, crianças.

- Vamos embebedar-nos! - Sim, por favor.

Utopia.

Caramba, a cena que foi com aquela vaca.

Aquele maluco passou-se mesmo, não foi?

Sim, ele é mesmo louco.

Tem uns olhos mortiços...

- Estás mais magra, sabias? - Não me toques.

Porquê?

Há a questão da Lucy Littlejohn a considerar

e depois a americana das mamas grandes.

Tens uma noite dura à tua frente, grandalhão.

Estás com ciúmes, não estás?

O que tu fazes não me interessa.

Desde que, depois, não venhas

gabar-te do que estiveste a fazer

nem me digas como somos civilizados e liberais.

Ouve uma coisa...

Ninguém vai começar com esse tipo de coisas.

Andy, foste tu que escreveste isto?

"Diana, sua cabra opulenta e egoísta...

Vejo aquilo que tens na cabeça, o nojo na tua boca.

Daqui a 48 horas, estarei a ver a tua morte dolorosa.

Depois, à medida que fores apodrecendo lentamente,

os vermes irão mastigar o períneo e deixar os demónios saírem."

Johhny?

Isto é uma coisa conceptualista. Acham que teve graça?

Quem é o brincalhão?

Então que vamos fazer esta noite?

Bem, querida, pensei em dar aos nossos amigos

uma visão oblíqua da vida nocturna de Londres.

Muito engraçado! Quem é o brincalhão?

- Isto é alguma sessão? - Lucy!

Vais deixar-me entrar ou vou congelar as mamas aqui fora?

Desculpa aquilo da janela.

Giles, querido, tu vais arranjar a janela, não vais?

Há séculos que estou a bater, seus surdos!

Olá, eu sou a Lucy. Para quem não me conhece,

saibam que não quero ofender, seja o que for que eu disser.

Há aqui anões, maricas, judeus ou qualquer coisa assim?

É só para eu saber.

- Bem, eu sou judeu. - Eu sou maricas.

- E eu sou anão. - Vêem?

Quem é que tenho de chupar para conseguir uma bebida?

Para que queres tu beber, Lucy?

Tenho aqui drogas que vão dar-te cabo da cabeça.

- Literalmente. - Afasta-me isso.

Não quero droga, quero beber.

Explica-lhe, está bem, Quentin?

Eu reitero.

Se fizermos isto de forma pouco científica, não aguentamos.

Alguém já decidiu alguma coisa?

Eu decidi. Quero sentir-me excitado, violento e forte.

Sentes isso a maior parte das vezes, não é, Andy?

Certo. Quero sentir todas essas coisas ao mesmo tempo.

Pelo menos, tudo esta noite.

- Posso lavar com uísque? - Não.

Dois destes na língua.

- O que são? - Concentrado de adrenalina.

Porreiro.

Tens cerca de meia hora, quarenta e cinco minutos.

- Certo. Celia... - Bem...

Quero ficar um bocado acelerada, para o caso de irmos dançar.

Não me importo de tomar mescalina ou...

não, não fales de drogas. Fala de sentimentos, de disposições.

- Sê específica. - Bem...

Quero divertir-me. E sentir-me cheia de amor.

- Então basta um extracto destes. - Vai servir muito bem.

Obrigada.

- Então e o Keith? - Ainda não decidi, Marvell.

- Importas-te que pense melhor? - Eu trato disso.

- Pode ser, não pode, Marvell? - Sim, mas não por muito tempo.

Então e a Lucy? Então e tu?

Mas que prazer!

- Não acham que o Capitão Marvell... - Pode ser a minha vez, por favor?

Sim, claro, Giles.

- Só não consigo... - O quê?

- Não podes... - O quê?

Fazes com que eu deixe de estar sempre preocupado?

Com quê? Tenho de saber com quê, meu.

Com pequenas coisas.

Um bocejo. Um ataque de choro.

Posso dar-lhe um calmante para a ansiedade de largo espectro.

Dá-lhe um apagão.

Eu diria que é pouco sensato dar-lhe qualquer coisa neste

- Contudo, Lucy... - Está bem, Marvell, aqui vamos nós.

Hoje não há tristezas. Sai, capitão, eu estou a bordo.

Não quero preocupar-me com mais ninguém a não ser comigo.

Autónoma, determinada, solipsista.

Isso deve servir perfeitamente.

Diana, o que é que queres?

Quero uma droga, mas uma que não me faça sentir nada

e que me faça esquecer o bilhete, seja ele de quem for.

Isto se a noite de hoje for ser tão estúpida e má

como parece que vai ser.

Isso não deve ser difícil de resolver.

O costume. Intensificadores de sentidos.

Aceleradores dos batimentos cardíacos.

Chama-se Próspero. Faz-me sentir que controlo tudo.

Certo. Quent, ia-me esquecendo...

Ocorre-me que os maneirismos de comportamento e a personalidade

são apenas meios de nos apresentarmos ao mundo exterior.

Perdoem-me, mas fui intoleravelmente desajeitado.

Na qualidade de uma criatura completamente espontânea,

achei que seria interessante se ficasse desprovido disto,

que ficasse, como se diz, socialmente despido.

Deixo o assunto em aberto. Façam de mim o que quiserem.

Por não lhe dás um stutter para ele falar menos?

Bravo, Diana. Por George, acho que lhe bateu bem.

Força, Marvell, tenta tornar-me inarticulado.

Torna-o desajeitado e maljeitoso.

- Faz com que fique aterrorizado. - Ou então torna-o tímido.

- Deixa-o excitado como nunca. - Torna-o maricas.

Marvell, acho que já tens as tuas instruções.

Muito bem... Já está.

- Marvell... - É verdade, Keith.

- Que posso fazer por ti? - Torna-me alto.

Torna-me alto. Torna-me alto.

Meu pequenino...

Tens de parar de chorar.

Giles, sou eu. É a Lucy.

- Qual Lucy? - A Lucy.

Desculpa? Lucy!

- Giles, francamente. - Eu sei.

- Que tal é que estou? - Pareces um cubículo de sexo.

Caramba, quem me dera ter a tua estatura.

Que fazemos aqui com estes maus, com estes horríveis americanos?

E aquela rapariga...

"Andy, posso morder a tua pila?"

Ela parece um cavalo.

Não é justo ter-se um corpo assim. Não é justo.

Sentes alguma das estranhas drogas que escolheste?

Não estás a ficar triste nem nada, pois não?

Não, nem o mais pequeno murmúrio. E tu?

As minhas mãos já estão a funcionar. Não estou muito mal?

Estás muito comovente.

Vou comer-te todo.

Boa noite.

Vá lá, Quent, onde é que vamos?

Diz ao Skip para guardar o Chev e seguir-me no Jaguar.

Os químicos estão a in filtrar.

Andy, sentes-te violento e forte?

Keith, já te sentes alto?

Alguém sabe para onde é que o Quent nos leva?

Para trás.

- Giles, paga ao homem. - Giles, isto vai acalmar-te.

Fixe. Isto está sempre tão vazio?

Só as pessoas fixes é que sabem disto.

Vêm aqui muitas vezes?

Não sei, nunca cá tinha vindo.

O Andy falou-me nisto uma ou duas vezes.

Quais são as drogas do programa?

Vais ter de esperar e ver, Skip. Posso prometer-te uma coisa.

- Nunca será igual à última vez. - Estes tipos são conceptualistas.

- São o quê? - Conceptualistas.

Sim, já ouvi falar destes tipos.

São tipo o Charlie Manson com uma página na Internet.

Não os apanham porque ninguém sabe onde é que estão.

- Quentin, vamos embora. - Celia, tem calma.

São o culto que tem feito as mortes todas em Londres.

Não, estão a fazê-lo por todo o mundo.

Andy, isto tem alguma coisa a ver com aquele bilhete?

Bem-vindos à Revista Psicológica.

Mas que público maravilhoso.

Tive um sonho muito estranho nos bastidores.

Sonhei que estava a fazer sexo oral com uma galinha. Desculpem...

Assim está melhor.

Queremos agradecer a vossa presença na Revista Psicológica,

mas lamento in formar que os "Neural Lobe"

tiveram um in feliz acidente e não vão poder actuar.

Eu sei, eu sei, eu sei. Que posso eu dizer?

O homem impotente. Ele também não pode vir, pois não?

Calma, tenho um exclusivo para vocês. É que, esta noite,

consegui convencer o Sam Suicida a ficar connosco.

Senhoras e senhores, o Sam Suicida!

- Obrigado, senhoras e senhores. - Vai-te lixar!

Vai foder esse cu gordo!

Obrigado. A linda Wanda, senhoras e senhores.

- Primeiro truque. - Masturbador.

Faz tudo parte do número. Não entrem em pânico.

De certeza que devemos ficar? Não sei bem se quero estar aqui.

São mesmo assassinos?

Aqueles dois parecem bem reais.

Quentin, pensei que tinhas dito que eles faziam isto sozinhos.

- Bem, isso é o que eles dizem. - Mas não estão de serviço, certo?

Querido, vai correr tudo bem, não vai?

Bem, querida, vamos esperar para ver, está bem?

Não, não aplaudam.

O espantoso mistério da carta de ouros.

Põe-te na alheta!

Os conceptualistas não o fazem em público.

O Sam Suicida e os seus pseudo conceptualistas.

A seguir, temos...

Nada mal, nada mal. Foi porreiro.

- Ainda bem que te divertiu. - Raios! Não foi a sério.

Como é que sabes que os teus tipos eram falsos?

Porque os conceptualistas fazem as coisas a sério.

Além disso, se tivesse sido real, teríamos visto o "ícone".

Chamam-lhe o ícone. É um "G" de excrementos na parede do local.

- Escrito com merda? - Sim.

Podemos parar de falar nisto?

Pensei que não ia gostar desta noite, mas afinal até gostei.

Não pensei nem uma única vez no meu...

- Gostaste, Lucy? - Não. E tu?

- Desculpa, como te chamas? - Keith.

Keith. Tu és aquele que... Andy...

Que foi agora, Quent? Que foi agora?

Querido, que se passa? São as drogas?

Então e aquele sítio de que tu falaste?

Onde os mais velhos se despem e se comem uns aos outros?

Francamente, Marvell. Não acho que seja o momento indicado.

- Afinal que se passa com vocês? - Não precisas de ser sempre assim.

Já sei, já sei, já sei. Podemos ir

dar cabo daquele preto que me enganou.

Caramba, este tipo fala mais americano do que eu.

Dizes isso em em Nova lorque e levas uma tareia.

Não quero saber, ouviste?

Porque eu não o diria em Nova lorque

porque admiro e respeito os negros americanos. São fixes.

Crianças, crianças, crianças. Andy, crianças.

Acho que isto não está a levar-nos a lado nenhum.

Já passa das duas. Não vale a pena continuar.

- É apenas um choque de culturas. - Quentin, olha para isto.

Tem calma, Skip. Entrem todos no carro.

Boa noite, agentes. Sargento-chefe...

Boa noite, meus senhores. Boa noite, minhas senhoras.

Posso saber se este carro é seu?

Sim, pode. Não, não é. É do meu amigo.

Contudo, esta é a minha mulher.

- Comprou isto na América? - Sim.

Deve ter custado muito caro.

- Sim, custou muito caro. - Muito bonito.

Divertiram-se, jovens?

Quentin, os americanos estão carregados de droga.

- Foi porreiro. - Com licença, cavalheiros.

Temos de ir para a cama. Temos mesmo de ir para casa.

Sabe quanto tempo tenho de bulir para ter um carro assim?

Não, nem quero saber. Calculo que deva ser muito tempo.

Vocês, jovens, às vezes põem-me doente.

Literalmente doente. Como é que esperas que eu... Anda cá.

Olha para mim quando falo contigo, meu grande sacana.

Ainda não estás em casa. Estás a ver este cacetete?

Achas que não o fazemos? Sim, escumalha como tu.

Por nada, encosto-te à parede e parto-te os dentes.

- Porra! - Em cheio!

- Lamento muito. - Boa noite.

O que é que queres?

O que é que queres?

Olha, pára com isso. Andy, pára.

O que é que queres?

Pára de falar. Como podes falar num momento como este?

Num momento como quê?

Em que começa a ser embaraçoso quando se começa a falar nisso.

Mas porquê, Andy?

A minha cobra está acordada. Agarra-a.

Grande coisa! O que é que isso faz? Excita-me?

Bocejo.

Olha, diz-me... Pára com isso, sai.

Desculpem, eu...

Estou cheio de soluços.

Que raio estás tu a fazer?

É que eu ia...

Tem calma com o miúdo, ouviste?

Quem era?

O Keith.

Desculpa incomodar-te, Lucy, mas ia para a casa de banho.

Não faz mal.

Passa-se alguma coisa?

É só o Andy.

Ele faz-me sempre chorar.

Certo, vamos foder.

Vou comer-te toda, miúda,

e estou a falar a sério.

Vou comer-te até pensares que vais partir-te ao meio.

A tua vida está mesmo complicada porque,

quando acabar de comer-te, tu vais mesmo...

não.

Vá lá, não é nada disso. Nada de lírico.

Vá lá, vem para aqui antes que eu te bata.

Olha para mim primeiro.

Sim, incrível. De mais.

Agora deita-te, miúda, antes que eu te parta o braço.

Quero ver-te primeiro.

Vais sentir-me na garganta.

Não estás teso.

Há um minuto, com a Lucy, senti alfinetes no meu estômago, está

Vês vermelho?

Sim, querido. Meu Deus!

Para o fim, tu foste... Caramba, foste de mais.

Porra, deixa-me em paz. Vai, minha!

Quer dizer que é assim que tu gozas. Agora já sei.

Sai daqui e leva esses maricas contigo.

Foi a porcaria do comprimido que o Marvell me deu.

- Sim, pois. - Ou talvez eu não goste de ti.

Desculpa, o que é que isso tem a ver com foder?

Se conseguisses ficar de pau feito, ias gostar muito de mim.

- Sai! - Sim, não aguento duas numa noite.

Grande cabra!

Eu vi-o, mas nessa altura já tinha acabado.

Acho que não foi mais para ele do que aquilo que foi para mim.

Ele parecia querer fingir que tinha terminado.

Decidimos acalmar um bocado e não tentámos esconder as coisas

que também não estavam a ter importância nenhuma.

Esta droga vai e vem.

Desculpa, ainda estou pedrada por causa da droga do Marvell.

Obrigada por me teres deixado chatear-te.

Talvez seja melhor irmos agora para a cama

- Podes apagar a luz? - Claro. Boa noite, Lucy.

Já ouviste falar de alguém chamado Johnny?

Olha, olha. Somos umas corujas nocturnas.

Estava só a falar com a Lucy.

Quer dizer que não estavas a comê-la?

Não, ela estava em baixo. Achei que devia falar com ela.

A sério? Então e tu, Roxanne?

Fizeste alguma coisa de bom?

Nada de fantástico. E tira-me essa cara de "cheira-me a merda".

Por acaso não viste o Andy?

E que aconteceu?

O Andy não conseguiu ficar teso.

Que se passa?

Segundo sei, nada de especial.

Onde é que nós errámos? Estamos todos a morrer.

O Johnny Está Aqui

Caraças!

Porra!

A única coisa que assustava mais o Giles

do que perder os dentes era a visita semanal

que ele fazia à propriedade da mãe.

A mãe do Giles é maníaco-depressiva.

Ele costumava gostar que ela fosse maníaca,

mas agora tenta apanhá-la quando está apenas deprimida.

Mãe, é demasiado cedo para chorar. Bebé Giles.

Os amigos do Giles precisam de dinheiro

e onde é que ele estaria sem os amigos?

Anda abraçar-me, Giles!

Mãe...

- Está a dar algo coisa na televisão? - Não quero a caixa.

Só quero que me abraces. Não suporto nem mais um instante.

Caramba, a mãe não existe.

Não pode fazer isso. Uma pessoa como eu é...

Sabes aquilo que eu te disse que tinhas de fazer?

Não podes deixar que os teus amigos

se aproveitem de ti.

Mas eles são os únicos amigos que eu tenho.

Estiveste a noite toda acordado?

Tu já quase não dormes, pois não?

Sim, tento evitar. Aborrece-me.

O que é que fizeste toda a noite?

Querida, tu não vais acreditar nisto. Olha o que eu encontrei.

Tudo o que sabes está errado.

É o site deles?

Não é nenhuma piada como a de ontem à noite?

Johnny?

É só um nome que eles usam. Escrevem o "G" na parede

e inserem as imagens para o provar.

Fazer parte de um conceito Ser um conceptualista

Isto é mesmo horrível.

Eu sei, eles são loucos. Nojento.

Merda!

Andrew, não! Andrew, outra vez não.

São criaturas de Deus.

Quer dizer que lêem a Bíblia e nunca dizem porra?

É melhor não abusarem de sorte, só isso.

Há um Andy perspicaz.

Como foi ontem à noite? Comeste a Lucy?

Não, só deixei que me fizesse um broche.

Estou a ver... A Diana gostou?

Ela não soube. Voltei a enganá-la.

Óptimo. Também comeste a Roxanne?

- Claro. - Que queres dizer com isso?

Qualquer um via que ela se ia atirar a mim.

Esteve toda a noite a mirar-me. Foi uma foda no campo.

Francamente, Andy, tu e as tuas coisas. Foi tolerável?

Não, eu estava numa forma colossal.

Claro que estavas.

O Marvell e o Skip tentaram entrar em acção?

O quê? Aqueles maricas? Estás a brincar ou quê?

Não, são mais espertos do que isso.

Estou a recomeçar a estar arrependido por tê-los convidado.

Não parece estar a correr muito bem.

Eles mudaram, desde que os conheci.

São americanos, só isso.

Alguém que me leve para longe daqui.

Não te preocupes.

Hoje vai ser muito diferente.

Hoje é a vez do Marvell. Vamos tomar a Transferência Lombar.

É uma droga diferente de todas as que já tomaste.

E ele tem filmes pornográ ficos novos.

Vá lá, miúdo.

O fim-de-semana está a mudar.

Não está a ser como todos esperavam.

E a culpa é toda minha.

Já todos tínhamos acordado assim.

Estranhos, con fusos.

Mas as mensagens para o Keith e para a Diana

eram algo totalmente diferente. Toda agente sentia isso.

- Como está a tua mãe, Giles? - Está louca.

Ela está tão louca.

O que é que ela queria?

Vai para um asilo para eu a ver mais vezes.

Para o Instituto Blishner.

A espelunca onde o Keith esteve. O que vão fazer-lhe?

Não sei bem.

- Mas ela está completamente louca. - Conseguiste mais dinheiro?

Mas ninguém se sentia tão mal como o Keith.

Bom dia, campistas. Bom dia, campistas.

Keith, que se passa contigo? Estás a morrer?

Keith, estás com uma cara péssima. Senta-te.

Não acho que estejas com mau aspecto, Keith.

Acho que os teus dentes estão óptimos.

E que tal o pequeno-almoço?

E foi assim que o sábado começou.

A nossa festinha continuou.

Credo, o rabo do gato é tão rosa.

Vou fazer qualquer coisa.

Arranjar um marcado preto para lhe pintar o cu.

Credo!

- Que raio foi aquilo? - São horas da ressaca.

Sim, a porcaria da ressaca.

Santo Deus! Nunca me tinha acontecido isto!

Marvell, quero qualquer coisa para resolver isto.

Bebidas?

Afinal, são quase onze horas.

É a super droga que vamos tomar hoje?

Não, só vai acabar com a ressaca.

A Transferência Lombar será esta noite.

Não vai conseguir fazer-me sentir pior.

- Isso é certo. - É só um fim-de-semana.

Santo Deus! Vá lá!

- Isto é melhor, não? - Espera!

Diz-me antes de as rolhas começarem a voar.

Pronto, pronto, pronto... Estão prontos?

- Sim! - Vamos a isto!

Keith...

Tudo bem?

Sim!

- Porra! - Keith!

Por cima da rede, meu.

Vai deitar-te, vai deitar-te.

Na tua cama. Não aguento olhar para ti assim.

- Ninguém sabe jogar este jogo? - Eu.

Isto não é um jogo americano, ouviste?

Não tentes apanhá-lo,

nem dar-lhe pontapés nem andar a correr com ele.

Atira-o só por cima da rede, ouviste?

E observa-me, porque eu sou muito bom.

Por que tens tu de ser sempre tão violento?

Tu és alguma flor ou quê?

Ouve... Ouve, o homem é um animal violento.

O homem sempre foi violento.

Como qualquer animal, o homem usa a violência para sobreviver.

Foi apenas durante alguns anos que achámos que podia não ser e,

mesmo nessa altura, havia guerras e isso tudo.

É exprimir a vida na sua total...

Porra! Força criativa.

Não é isso que tu queres, a anarquia?

Então e a lei e os polícias e os motores e os dentistas?

Sim, também precisamos disso.

Johnny...

- Johnny... - Ele é o Johnny?

Andy?

Flip ou Flap, ou lá como te chamas.

- Skip... - O que é que queres, Rip?

Não, Skip.

Não queres que eu vá dar um pontapé naquele touro, pois não?

Que touro?

- O touro de ontem. - A vaca?

Ela estava passada e atacou-nos.

Por isso, tens de tratá-la com respeito.

Eu queria ir fazer mais merda.

Eu não quero que faças isso, percebes?

Eu queria matá-la.

Era de esperar isso de alguém cujo pai matou a mãe.

Desculpa?

Eu disse que era de esperar isso de alguém

cujo pai matou a mãe.

Vira-o. Segura-o.

É melhor também lhe dar um amnésico.

Agora só precisamos que ele leia a carta.

- Que carta? - A carta do pai.

Já te falei nisso. Se a vir agora, isso dá-lhe cabo da cabeça.

- Onde é que está? - Na minha carteira.

- Está seguro? - Sim.

Acho que já chega de excitação por um dia.

Alguém quer chá? Querida?

O Skip perdeu completamente a cabeça.

Sim, deve ser muito perturbado.

O que queres dizer é que ele é louco.

Aguenta aí. Nós avisámos. Dissemo-vos para não falarem no pai.

O Skip tem mais algum nome?

Tipo Trip ou Flap?

- Não, tipo Johnny. - Por que perguntas isso?

Alguém está a pregar-me uma partida sem piada nenhuma

e queria saber se era algum de vocês.

Que queres dizer com partida?

Um bilhete assinado por um tal Johnny a dizer que ia matar-me.

"Querida mãe, à saída, ia caindo pelas escadas abaixo.

Foi uma sorte não ter caído."

"Querida Lucy, sempre quis comer uma miúda gira como tu."

"Querida mãe, quando cheguei a casa, estavam todos acordados."

"Querida Lucy, o Andy disse-me que fodes por dinheiro."

"Querida mãe, passo o dia todo bêbado. Porquê?"

"Tenho 71 libras e dezanove pence."

Keith Whitehead. Isto vai excitá-la.

A auto-con fiança é aquilo que conquista as miúdas.

"Querida mãe, querida pastilha... Querida mãe...

Queridos dentes, querida mãe... Queridos dentes, querida mãe...

Por que não surge nada? É que eu não consigo...

Estou a desmoronar-me. Estou a desmoronar-me.

Quem fez isto ao meu quarto? Quem está a fazer-me isto?

Deve ser só uma das piadas do Andy.

Sim, de certeza que não é a sério.

As piadas, as drogas, está tudo a ficar tão chato.

Mas não podemos ir embora quando queremos, pois não?

Mas nós queremos um pouco mais.

Eu sei que não posso continuar assim muito mais tempo.

Eu também não.

Não podemos ficar com alguém que não nos quer, pois não?

Lucy...

Escrevi-te uma carta.

Boa...

Então?

Não fazes? É justo.

A propósito, porquê?

Só para saber. O dinheiro não chega? Ou sou só eu?

Mais ninguém sabe isto, Keith...

Heroína. Agulhas. Sida. Estou a morrer.

Estás a brincar? A sério?

Não, estou a mentir, és tu.

Que se lixe! A minha pila também já não funciona.

Foi isso que eu quis dizer. Olha para nós.

- Imaginas-nos velhos? - Nem pensar.

Nem pensar.

Vou ficar sozinho contigo por um bocado.

- Estás sóbrio? - Estou.

Aquela merda com o Flip evaporou todos os químicos que restavam.

Os americanos estão a pôr-me para baixo.

Se tiver hipótese, vou dar cabo de um.

Tu comeste mesmo a Roxanne?

Aposto que te mandaram o bilhete, aquele que tens em cima da cama.

Tu disseste que querias falar, Diana.

Tu já não gostas de mim, pois não, querido?

Um bocado. Não sei. O que é que sentes por mim?

Qualquer coisa.

Uma coisa qualquer.

Nunca fiquei com ninguém tanto tempo como fiquei contigo.

Queres esquecer?

Não me importo de continuar e ver como é que corre.

Tem de haver mais do que isso.

Não achas que devemos ter cometido um erro, para estarmos assim?

Algo correu mal. É por isso que agora estamos mortos.

Querido?

Não podemos regressar?

Regressar?

Ir para casa? Sim, claro, sim.

Toda a gente é bissexual, Keith.

Podes dizer honestamente que és heterossexual?

Bem, talvez, se...

Há dois tipos de bissexuais.

Homossexuais e heterossexuais feios.

Eu sou um heterossexual.

Andy, ao dizeres isso, tens consciência

de que estás a limitar as tuas relações a metade da raça humana?

Pensa nisso. Estamos de acordo

no facto de o sexo já não ser erótico, mas carnal.

É conceptualizado. Tem a ver com químicos e sensações.

E o outro sexo tem a ver com luxúria e não com amor.

E a perversão é justificada,

é exigida pelo ambiente que agora é totalmente feito pelo homem.

Então, para quê negativizares-te nessa coisa racional do sexo único?

Não gosto de maricas, só isso.

O grande Oz falou.

Deita isso na comida dela.

Tudo.

- Está a comer? - Claro.

- De quem era o gato? - Da Celia.

Acho que era da Celia.

Também estiveste a chorar?

É engraçado, não é?

Sempre disse que seriam as drogas a matar-me, uma coisa dessas.

Mas não.

É apenas a tristeza.

- A minha cabeça. - O Marvell mandou-me buscar-te.

Ele quer que tomemos mais drogas.

- Vamos? - Sim.

As drogas é que me meteram nisto, as drogas é que vão ter de me tirar.

A propósito, Andy,

algum dos americanos se chama Johnny?

Oiçam todos.

Vamos chegar à essência deste fim-de-semana.

Só há uma forma de fazermos isto.

Drogas.

O sistema nervoso central

é um mapa genético pormenorizado de todas as memórias da vida.

A droga entra no sistema, onde a actividade dos genes aumenta e,

quando mais se aproxima do cérebro,

mais as memórias são reavivadas.

Vão descer à galeria do vosso próprio passado.

Vou enviá-los para o tempo psíquico,

activando o vosso ecrã da mente.

Lá, verão toda a vossa personalidade em imagens

e passarão para uma zona completamente nova

da psique neurónica.

Nunca sentiram nada disto.

Este é o vosso verdadeiro "eu".

É uma recordação totalmente bio psicótica.

Isto é a Transferência Lombar.

Venham cá, um de cada vez, por favor.

Talvez isto faça com que alguma coisa aconteça.

Quanto tempo é que ele disse que a droga durava? Uma hora?

Vê lá se metes o...

- Tu és demasiado gordo. - Isto deve ser mesmo erótico.

Se eu não tiver uma grande erecção, alguém vai pagar.

Por que não pomos uma coisa muito sexy como o "Dumbo"?

Skip, põe essa coisa nova que o Archie nos deu. O novo.

- Merda! O Archie vai pagar-mas. - Cala-te. Cala a boca!

Ela tem sutiã.

Ela não o comeu. Ela não o comeu...

Mas que merda é esta? "Ela não o comeu!"

Se uma coisa destas te excita,

então por que não fazemos qualquer coisa?

Quent, a Roxanne está ficar lixada por não acontecer nada.

Ninguém aqui gosta de foder?

A minha pila!

Nem consigo pestanejar.

- Andy, por que não começas tu? - Sim, agora que já tens pila...

não, vou masturbar-me.

Isto é demasiado bom para desperdiçar em ti.

Estou a começar a perceber o que se passa convosco.

Vocês estão tão passados que nem conseguem...

O que é que tenho de fazer? Algum de vocês?

Vá, toca a andar! Toca a mexer!

Vamos começar com alguma coisa, porra!

Comigo?

O sacana do Archie!

Talvez tenha sido uma piada qualquer.

Os outros filmes eram porreiros.

Porra, foram quatrocentos, o mesmo do resto.

Se quiser ver a Shirley Temple, vou a um videoclube.

- O que é isto? - Não leias isso!

- É a conta da electricidade. - Eu dou-a ao Giles.

Raios! Quantas vezes é que eu lhe disse?!

- Disseste o quê? - Que queria comê-lo primeiro.

- Foi bom? - Foi maravilhoso.

Nem sei por que é que as pessoas se preocupam com outras coisas.

Era capaz de estar sempre a fazer isto.

- Que porra é esta? - A Roxanne a comer o Keith.

- O quê? - A Roxanne a comer o Keith.

- Liga à polícia, meu. - Para vir prender o Keith?

Para vir prender a Roxanne. Mas que raio de pervertida

é que nós temos aqui? - Não, não, não, é verdade.

Mais ninguém queria e o pequeno Keith ofereceu-se.

É preciso dar-lhe algum mérito a ela. Quer dizer,

uma pessoa habitua-se a tudo. O que se passa ali?

O Skip está a tentar fazer a Lucy

e o Marvell está a tentar fazer a Diana.

Estou-me a cagar! Já falei com ela hoje. Vamos esquecer tudo.

Disse-lhe que estava acabado. Sem dramas.

Como é que ela aceitou?

É claro que ficou completamente desfeita.

- Mas que se lixe, tinha de ser. - Bem, tenho muita pena...

- Estás a sentir? - Sim.

É impossível de descrever, não é?

- Então? - Então o quê?

- Aconteceu? - O quê?

Vou perguntar-te com bons modos.

Comeste-o ou não?

Não o comi.

- O quê? - Ele vomitou.

- Não gosta de mulheres. - Mar...

Agarra-lhe nas pernas quando lá chegarmos...

- Como é que está a droga? - Bastante assustadora, mas gosto.

Vá! Vá! Vá!

- Que raio se passa aqui? - Senta-te.

Tenho algumas teorias sobre esta casa.

Ninguém aqui sabe foder bem.

O que eles vão fazer é que o Marvell vai comê-lo, percebes?

Mas, primeiro, o Skip vai en fiar-lhe o punho.

Não, porra! Ele vai...

Ele vai... Ele vai... Ele vai...

- A minha cabeça... - não, não pode ser. Ele vai...

- Ele vai fodê-lo todo, meu! - Ele é tão pequenino!

Olha, o Skip diz-me que vai bem até ao fundo. Que faz tudo bem!

Não há danos permanentes.

É espantoso aquilo que as pessoas hoje em dia podem fazer.

Sacana do gordo!

Não, Quentin!

Vou já.

Diz-me que é a droga. Não é humano.

Essência de ser humano.

O que é este cheiro?

Não é humano!

Está tudo bem, querida. Está tudo bem, querida.

Sim, querida.

Não estás a ver, querido? Agora mudou tudo.

Temos de fazer qualquer coisa.

Se não fizermos nada, mais nada terá significado.

Se formos lá para baixo e fingirmos que não aconteceu,

o que é que acontecerá?

Agora toda a gente tem de saber!

Tens de lá abaixo e perceber o que se passa!

Pronto, querida, está tudo bem.

Andy? Andrew, que se passa contigo?

Andrew!

Já foi longe de mais. Isto foi longe de mais.

Vocês sentem esta droga? Que se passa aqui?

Quem é que te deu isto? O Keith?

Não sei, mas está assinado por um conceptualista.

Ouve...

O Keith esteve num manicómio.

Por isso, pode ter...

Se o Keith fosse o Johnny, ele não...

Eu sei que ele é um bocado marado, mas não faria...

A Diana acha que é o Skip.

Eu pensei que era o Marvell, mas não posso...

Tem de ser o Skip. Se não for, é demasiado assustador.

O que é que lhe fizeram, seus maricas?

- Tu... - O que é que o Andy tem?

- Maricas de merda! - Andy...

Andy...

Já o fiz.

Estou a morrer.

É melhor mexeres esse cu, meu!

O pequeno Keith está a morrer.

Temos de fazer com que ele não se passe, topas?

Não podemos envolver-nos com as autoridades.

Podemos fazê-lo vomitar muito.

Ainda ninguém me perguntou o que é que eu tomei.

Bem dito. Keith, o que é que tomaste?

Tomaste a caixa toda?

- Porra! São os meus comprimidos! - Enganei-vos!

Tu ias morrendo.

Daqui a cerca de vinte minutos, vais querer dormir e,

se o fizeres, estás lixado. Temos de lhe tirar isto.

Rox, vai à cozinha.

Traz pimenta, mostarda, carne, leite e banha estragados.

Tudo o que estiver estragado. Põe no misturador e traz!

O Johnny fez uma coisa má ao Giles esta tarde.

Por favor, espero que isto tenha acabado.

É o cansaço de todos os dias que está a apressar tudo.

É o tempo, é a interrogação, é a Diana.

Diana!

- Acho que é o Andy. - Pronto?

- Pronto? - Por favor tenta ficar de pé.

Aperta-lhe o nariz, abre-lhe a boca, ele vai ter de comer isto.

Segura-o bem!

Engole, Keith.

Esfrega-lhe a garganta como se ele fosse um cão. Já deve dar.

Laxantes e merdas dessas.

Fizeram a Vénus de Milo ficar na sanita...

Temos de ir com calma com este miúdo.

- Deixa-me sentar. - Não!

- Encosta-te à porta. - Já sei, já sei.

Ele mordeu-me!

Tem de ser o Andy porque ele não se lembra da in fância.

Ninguém sabe de onde é que ele veio.

Está obcecado com os conceptualistas. Anda sempre no site deles.

Olhem para esta merda! Ele chama-lhe violência criativa. Olhem.

Cocktails molotov...

É o único que sabia da colecção porno do Keith.

- O que fazemos agora? - Vamos tirá-lo daqui.

Ele que se lixe!

Não sejas absurdo! Se nós não conseguirmos resolver isto...

Estamos lixados, não estamos?

Não posso ter a polícia aqui.

Vou enchê-lo de remédios de depois deixá-lo aqui,

porque estou a começar a ficar farto!

Não quero que ele expluda na cozinha!

Miúdas! Tentamos ser prestáveis e elas...

Skip, não, não o deites de cabeça para baixo.

Deita-o de costas.

Se o deitares assim, vai sufocar no seu próprio vomitado.

Temos de mantê-lo de pé. Temos de conseguir mantê-lo de pé.

- Mantém-te acordado! - Mantém-te acordado, Keith!

Estou com dores.

Tenho tantas dores.

Tens de estar, com todas as merdas que bebeste.

É de vocês me baterem!

Aguenta, vem aí!

Vai-te lixar!

O antídoto.

Tens cinco minutos. Trata disso ou mato-te.

Já era muito velhota.

Temos uma escala de trabalho. A Diana e o hino ao ódio,

as namoradas mutiladas do Keith. A bacia do Giles, a cama da Celia.

E agora, um cheirinho a morte.

O Johnny agora está aqui e não se quer ir embora.

Odeio estes fins-de-semana de merda.

Mas não há retorno. Isto ainda não acabou.

Ainda nem sequer começou.

Porra! Esqueci-me do Keith!

Porra!

- Ele ainda está vivo? - Andy?

Não me perguntes. Não posso aproximar-me com este cheiro.

Ele estremeceu. Acho que ele estremeceu.

Tive uma ideia.

Pronto, já deve dar.

Pensando bem, talvez eu devesse ter recuado um bocado.

Está fraco, mas ainda cá está.

Provavelmente só precisava de uma boa sacudidela.

Solta-o, Skip.

- Ele está bem? - Sim, está a rir-se.

Lucy?

Um amigo meu quer perguntar-te uma coisa.

Sim, estou a ouvir-te. O que é que ele quer saber?

O meu amigo quer saber se tu eras capaz...

...se tu eras capaz de casar com alguém que tivesse...

- Se ele tivesse... - Se ele tivesse o quê?

Não, não é disso que se trata.

Se ele não tivesse. Se ele não tivesse...

Diz, Giles, caramba!

O que o meu primo quer saber

é se eras capaz...

...se tu eras capaz de casar com alguém que não tivesse...

- O quê, bolas? - Dentes.

Se ele tivesse uma dentadura. Eras capaz?

Se o amasse, claro que sim.

Disseram que o Keith já está outra vez bem.

Está vivo. Pelo menos não desperdiçámos totalmente o tempo.

Toma, leva-o um bocado.

Não suporto suicídios, são uma seca!

Concordo. É egoísmo, estupidez e uma enorme seca.

Com aquela droga, sinto-me muitíssimo aliviado.

Caraças!

Que se passa com os teus dentes?

Estás cheio de arames e coisas...

Estão todos...

Que idade é que tu tens, porra?! Os teus dentes estão todos mortos.

Há muita gente que morre nova.

Estás a ver o Keats, o poeta? Que idade é que tinha quando morreu?

Tinha 26 anos.

Não é mau.

Calculo que achassem que ele já tinha mostrado todo o potencial.

Que se lixe o potencial.

Meu caro amigo Giles, que posso fazer por ti?

Como está o Keith? Já está outra vez bem?

Tanto quanto se pode esperar. Até melhor.

Óptimo.

Quer dizer que não vai para o hospital?

Não, esperamos ser poupados desse embaraço.

Estou a perceber.

- Por que perguntas? - É que eu também fiz o mesmo,

mas não quero chatear nem incomodar. Vou voltar para dentro.

Também fizeste o quê?

Matei-me, mais ou menos isso.

Bebi duas garrafas de brandy de uma vez.

- Não, foi em duas vezes, porque... - Estás a falar a sério?

Sim. O livro diz que se morre em vinte e cinco minutos.

Aparentemente.

Agora, parece um disparate mas, se não estivermos...

- Se só formos fazer... - Bem-vindo ao grupo, miúdo.

Vá lá, Giles.

Marvell, Diana, Celia. Venham cá abaixo.

Estou? É do Instituto Blishner?

Eu perguntei se era do Instituto Blishner.

Preparem-se para uma lavagem ao estômago.

- É a casa dos malucos. - Eu sei.

Qual é que é mais rápido? O Chevrolet ou o Jaguar?

O Chevvy. Fui eu que o afinei. Dá 140.

Óptimo. Entra nele e liga-o. Roxanne, mete o Giles no carro.

Vá lá! Andy, ajuda o Keith. Mete-o também no carro.

Marvell, chega de brincadeiras!

- É o expresso da misericórdia! - Põe o Keith lá atrás.

Ele ainda cheira a ratos.

Anda, Skip. Aqui estão os pormenores.

Eu conheço o responsável. Isto pode ajudar a acelerar o processo.

Não o abras até lá chegares. Vai!

Por muito incompetentes que achemos que as autoridades são,

duvido que ignorem duas tentativas de suicídio...

Marvell, podes ser o responsável pelas drogas? Traz-mas.

Celia, Diana, vocês vão limpar tudo.

Façam desaparecer as provas do deboche.

Eu trato do resto. Encontramo-nos aqui daqui a quinze minutos.

Vamos pôr música a tocar.

- Vai-te lixar! - Vai tu, meu!

- Aqui? - Sim, aqui!

Estamos todos a morrer. Estamos todos a morrer, meu!

Está tudo bem, querido.

Acudam, por favor!

Socorro! Acudam depressa!

Por favor...

Esquecemo-nos do Keith, meu!

Ajudem-me, por favor!

- Já devem ter chegado. - Sim.

Boa noite a todos.

Boa noite, Diana.

Obrigado, querida, pela tua ajuda.

Acho que vou ficar a pé.

Foram vocês que acabaram de ligar?

O que é que ele tomou?

- O que é que ele tomou? - Só montes de aspirinas.

Isso é que era bom!

Vocês ficam por aqui, para responder a umas perguntas.

En fermeira, chame a segurança!

Esperem, não nos esquecemos de nada?

Havia qualquer coisa... não era?

O fim-de-semana.

Então já acabou?

Que mais pode ser?

- Este idiota quer merda. - Eu não fico aqui,

eu não preciso disto. O tipo está a falar a sério e eu estou pedrado.

Tem calma, digo-te eu.

- Meu Deus, olha para isto. - Vá lá, Skip, liga o carro.

Eu vou já, está bem?

Isto foi quando eu conheci o Quentin.

- Foi há dois anos? - Foi.

Em Oxford.

Conheceste-o antes de os pais terem morrido?

- Quem? - Os pais dele.

Eles morreram mesmo antes de nós casarmos.

Foi num voo charter qualquer... Foste a casa deles?

A casa deles...

não acho que tenha graça nenhuma.

Estás a falar daquela casa grande no campo?

Sim, de uma grande casa em Shropshire.

Despacha-te.

- Andy... - O que é?

O que estás a fazer?

Sai daqui e deixa-nos a sós, por favor.

Já saí de Honkvill e as últimas palavras da tua mãe

foi que nos perdoava aos dois.

Aqui tens algum dinheiro para o autocarro.

Volta assim que puderes e serás o meu rapaz.

Do pai que te ama, Philboyd Marshall Junior.

Força, rapaz - Johnny

Mas que raio? Quer dizer...

Porra! Chega desta merda.

Não era a casa deles, Celia,

era a casa de um maricas rico.

O Quentin andava com o tipo por causa do dinheiro.

Que estás para aí a dizer? O irmão dele vive lá.

Não. Olha, Cele...

O Quentin nunca teve nenhum irmão.

Ele nem nunca teve pais.

Cresceu num orfanato qualquer.

Era uma história que ele costumava contar. Disse que ia contar-ta,

depois de já estarem casados há algum tempo.

Foi o que eu pensei que tinha acontecido.

O Quentin é o Johnny?

Não, não, tu não.

Quentin, não.

A Lucy ficou com os mortos, mas nós não vamos ficar.

Rox, liberta a adrenalina.

Isto é uma brincadeira, não é? Pára e pensa...

- Larga a câmara. - Encosta na próxima saída, querido.

O Andy e eu estamos cheios de tesão. Não estamos, Andy?

- Tu podes ver. Não pode, Andy? - Estou-me a cagar!

Tem calma. Skip...

Quem está aí?

És o Johnny?

Porra!

Meu Deus, Skip, não nos mates!

Credo, Andy!

Não me mates!

- O Quentin é o Johnny? - Não nos mates, porra!

Merda, Andy!

Johnny, não me mates!

Ninguém sabe quem são. Serão reais?

Ou serão uma pedra? Uma simples alucinação?

Quando vou ao site deles, tenho uma sensação de pertença.

Tenho uma certa rudeza a lidar com as pessoas

que desperdiçam o privilégio da vida.

O querido Giles não conseguiu e a Lucy foi-se embora.

Mas o Keith estava ansioso para voltar para os amigos.

Os pensamentos dele estavam cheios de novos começos.

Ia começar de novo, pensou ele. Começar de novo.

Começar de novo.

Meu Deus!

Tradução e Legendagem Cristina Diamantino

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