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Chamo-me Danny Dyer e isto � The Real Football Factories.
Fui Tommy Johnson no filme LSD - Luta, Sexo, Droga,
sobre a viol�ncia no futebol.
Tommy Johnson! H� s� um Tommy Johnson!
S�o todos doidos! Doidos!
Mas a� era representa��o.
Agora, ando pelo pa�s em busca das claques
que se envolvem em lutas nos jogos de futebol.
N�o h� sangue falso. N�o h� duplos. N�o h� caracteriza��o.
Desta vez, sou s� eu e os piores hooligans do pa�s.
Odiamos a escumalha do Leeds!
Conhe�o os l�deres que realmente mandam.
No epis�dio desta semana,
vim a um s�tio que � bonito e brutal.
Neste pa�s, os adeptos de futebol t�m a reputa��o
de ser gente pac�fica, que bebe u�sque e usa kilt.
Mas acreditem que a realidade � muito diferente.
Neste pa�s, existem as mais ferozes,
mais brutais e cru�is rivalidades.
Esta terra foi o campo de batalha dos mais tem�veis
e famosos hooligans da Gr�-Bretanha.
Bem-vindos � Esc�cia.
N�o h� nada como uma boa briga.
Nada supera isso.
A adrenalina possui-nos e s� vemos uma n�voa.
Vemos a multid�o e � para l� que vamos.
RUFIAS DO FUTEBOL
Usam bombas incendi�rias, g�s lacrimog�nio, tacos...
F�RIA HOOLIGAN
Vim � Esc�cia conhecer a hist�ria
da viol�ncia no futebol a norte da fronteira.
Vou a Glasgow,
terra do Celtic e do Rangers, conhecidos como Old Firm.
S�o possivelmente os maiores rivais do mundo do futebol.
Tamb�m irei a Aberdeen,
para conhecer os primeiros Casuals do futebol escoc�s.
E depois a Edimburgo,
terra dos hooligans armados do Hibs,
que transformaram a cidade numa fortaleza.
Somos o famoso ex�rcito do tart�
O ex�rcito do tart�,
um bando de adeptos escoceses, b�bedos, mas robustos,
que acompanham a sele��o nacional no bom e no mau,
s�o a face amig�vel do futebol escoc�s.
Mas n�o h� amizade entre os dois clubes com mais adeptos
e com mais sucesso...
... o Celtic e o Rangers.
S�o ambos de Glasgow.
E � a� que come�o a viagem.
� dia de derby.
Um dos eventos mais explosivos do planeta.
Vou a este jogo,
pois n�o � apenas uma partida de futebol.
Glasgow est� dividida pela religi�o.
Um lado � cat�lico, o outro � protestante.
IGREJA PRESBITERIANA
O Celtic � a equipa cat�lica e o Rangers � protestante.
Remonta ao antigo sectarismo da Irlanda do Norte
que chegou � Esc�cia no s�culo XIX.
NOSSO PEQUENO PA�S
Milhares de irlandeses,
cat�licos e protestantes, emigraram para Glasgow.
Foi de certa forma como o decantar,
sobretudo no centro-oeste da Esc�cia...
PROFESSOR
UNIV. EDIMBURGO
... das antigas tradi��es sectaristas da Irlanda do Norte.
No princ�pio, as duas comunidades
e as duas equipas que as representavam entendiam-se.
Os jornais da altura noticiavam
que eles tinham uma rela��o muito amig�vel.
A rivalidade existia, mas o sectarismo s� veio mais tarde.
Na d�cada de 1920, uma grande recess�o atingiu a cidade.
Nesta �poca dif�cil, a maioria da popula��o protestante
atacou a minoria cat�lica
e discriminou-a em todos os aspetos.
Glasgow tornou-se uma cidade dividida.
Os problemas na Irlanda do Norte
ati�aram os problemas de Glasgow do outro lado do mar
e o �dio sectarista foi destilado atrav�s das equipas de futebol.
FINAL DA TA�A ESCOCESA
Ao longo dos anos, a viol�ncia e a Old Firm t�m andado juntas.
Um jogo Rangers-Celtic n�o seria o mesmo
se os adeptos rivais n�o lutassem.
Um adepto de 18 anos foi derrubado
e, ao tentar levantar-se,
outro adepto atingiu-o com um martelo de cozinha.
Quando n�o havia problemas nas bancadas,
os jogadores tratavam disso de bom grado.
Uma conversa furiosa entre McAvennie... Temos problemas.
Foi na final da ta�a escocesa de 1980
que teve lugar a pior viol�ncia da competi��o.
Uma vit�ria tardia deu a ta�a ao Celtic
e centenas de adeptos invadiram o campo para comemorar.
Centenas de adeptos do Rangers juntaram-se a eles
e Hampden Park tornou-se um campo de batalha.
Este � possivelmente o pior incidente
que vi num campo de futebol em 25 anos de experi�ncia internacional.
As garrafas de bebida que os adeptos podiam levar para o est�dio
tornaram-se armas na luta entre adeptos embriagados,
enquanto a Pol�cia tentava repor a ordem.
Os pol�cias est�o a tentar travar estes dist�rbios horr�veis.
Digam o que disserem, o ambiente, de forma geral, era de �dio.
SERVI�O DE INFORMA��ES DA POL�CIA
Eram pessoas que durante o jogo...
... apoiavam a equipa com paix�o,
mas essa paix�o tem uma conota��o negativa.
Este � Jim McTaggart,
ex-membro da Inter City Firm.
Jim foi banido do Rangers
e cumpriu pena numa pris�o holandesa
gra�as � sua dedica��o excessiva � ICF.
J� fui a outros derbies,
mas um jogo entre Rangers e Celtic � de longe o pior.
John O'Kane � filho de irlandeses
e o seu sangue � verde e branco.
Tamb�m faz parte dos Celtic Soccer Casuals.
Tem um extenso cadastro por agress�es no futebol
e foi detido h� dois anos por este ataque a um bar.
Deve ser a rivalidade mais intensa
em toda a Gr�-Bretanha, de longe.
Em todos os jogos. N�o interessa se � para a ta�a de Glasgow.
- H� sempre problemas. - H� motins e brigas.
O �rbitro � atacado, as pessoas invadem o campo...
Esfaqueiam pessoas, matam...
Perseguem as pessoas a cavalo pela rua principal... � uma loucura.
Culpa dos adeptos dos dois clubes.
Eles odeiam-se.
O que aconteceria no jogo?
Vim a Glasgow, ao derby da Old Firm,
para ver por mim mesmo.
Sou adepto do West Ham e sei o que � ter paix�o.
Isto � poderoso, acreditem.
Sente-se o ambiente.
Sente-se a tens�o no ar.
� muito dif�cil explicar.
S�o dois clubes que se odeiam.
� uma coisa pol�tica, profunda. E est�o muito pr�ximos.
� incr�vel.
Acho importante fazer a distin��o
entre um jogo normal, onde a preocupa��o
s�o os dist�rbios pr�-planeados entre grupos de hooligans,
e um jogo Celtic-Rangers onde a preocupa��o
s�o sobretudo os dist�rbios espont�neos.
Tem sido um fluxo constante do Celtic.
Ocuparam o outro lado da estrada.
Mas est�o cercados pelo Rangers.
Est�o a meter-se com eles.
At� o pol�cia que trabalha no estacionamento, vejam.
Est� a mandar vir.
Sente-se que pode descambar a qualquer momento.
E se descambar, j� se sabe que vai haver briga.
Mas oxal� corra tudo bem.
O jogo vai ser bom, vou ver como as coisas s�o
e n�o v�o partir-me a cabe�a.
Para prevenir isso,
falei com o membro dos Celtic Casuals, John O'Kane.
O John n�o podia aproximar-se mais do jogo.
Foi banido de todos os jogos
por causa dos seus crimes.
Fala-me dos problemas que viste nestes jogos.
O pior de sempre...
... o jogo Celtic-Rangers foi cancelado no Celtic Park
e vieram 60 mil para ver as equipas secund�rias. Foi uma guerra.
- Um jogo das equipas secund�rias? - Sim.
Nas not�cias da manh� seguinte
vinham 184 deten��es, e eram as equipas secund�rias.
Foi um caos. A Pol�cia n�o estava preparada.
Participaste nessa batalha, John?
- � claro. - � claro que sim.
- Fui um dos 184 detidos. - Foste?
� o bilhete mais cobi�ado
e tenho a sorte de ter um... para o lado do Celtic.
Est� na hora.
Acredita, � melhor esconder isto,
sen�o ainda sou assaltado.
Vou entrar na toca do lobo. Estou ansioso.
Estou ansioso por entrar para ver o jogo.
Fui um dos 48 mil sortudos que apinharam o Ibrox,
e como � habitual com a Old Firm,
o jogo foi resolvido com um �nico golo.
E foi o Celtic que o marcou.
O jogo n�o foi um cl�ssico,
mas o ambiente era incr�vel.
- Digo-te uma coisa... - Calma!
Acredita, � como estar pedrado. Foi fabuloso.
Completamente... Estou estupefacto.
Tenho o cora��o aos pulos. Foi poderoso.
Nunca senti nada assim.
Digo-te uma coisa. S� vivemos uma vez,
e digo-te j� que tens de experimentar
um derby da Old Firm, acredita.
Ap�s ver o jogo com os adeptos do Celtic,
o plano era encontrar-me com os do Rangers.
Mas confesso que estava nervoso
por passar t�o rapidamente para o outro lado.
Agora, vou ver o ambiente do Rangers.
Eles acabaram de perder.
N�o sei como vai correr, confesso.
N�o me agrada, mas tudo bem.
Vamos l�, quero ver.
Espero que sejam simp�ticos.
N�o sei se digo que estava do lado do Celtic.
Terei de decidir isso quando estiver mais perto.
Mas garantiram-me que s�o gente boa
e v�o tratar-me bem. Perderam...
... mas espero que me acolham bem.
Veremos.
Dirigi-me para Bridgeton,
uma zona protestante de Glasgow.
Aqui, todos s�o adeptos do Rangers.
Mudar de lado num dia de derby n�o se faz de �nimo leve.
Fui ter com Jim McTaggart e os rapazes
num dos bebedouros mais ferrenhos.
CLUBE DOS ADEPTOS
ORGULHO NO RANGERS
N�o sabia como reagiriam.
NUNCA ESQUECEREMOS
H� menos de uma hora, estava do lado do Celtic.
Agora, vinha a casa deles e confesso...
... j� ouvi ideias melhores.
Felizmente, reconheceram-me do filme.
Receberam-me bem.
Ap�s um copo da cerveja local, voltei a ser quem era.
Obrigado por falares comigo, Jim.
Hoje, estive do lado do Celtic,
mas quero ouvir os dois lados.
Foi uma experi�ncia de loucos. Sou adepto do West Ham,
mas isto aqui tem uma escala diferente.
� sobretudo religioso. Se tirarmos isso...
Se tirarmos isso, o Rangers-Celtic � um derby normal.
Exatamente, � apenas um derby, n�o �?
Como � andar com a claque?
Qual � a emo��o? Porque fazes isso?
� a adrenalina, no fundo,
estar com os amigos.
Defrontamo-nos com pessoas com a mesma mentalidade.
Vieram para brigar e pronto.
O que ir� acontecer mais tarde?
Por agora, parece tudo calmo, est�o afastados.
Isto est� calmo aqui porque � uma zona do Rangers
e fomos derrotados pelo nosso maior rival.
Est� tudo deprimido.
Garanto que haver� problemas.
- Sim, haver�. - Em todo o lado.
No que toca a problemas antes, durante e logo ap�s o jogo,
a Pol�cia, como sempre, tinha tudo controlado.
Mas o jogo terminou �s 14h30
e o dia estava longe de acabar.
Os adeptos separam-se e encaminham-se
para o centro da cidade, para zonas mais pequenas
no centro-oeste da Esc�cia e mais longe.
Mant�-los afastados nos bares e discotecas
torna-se muito mais dif�cil.
No dia em que film�mos em Glasgow, houve 16 agress�es graves
e uma tentativa de homic�dio.
Isso � pouco para a Old Firm.
H� anos, quando os adeptos do Celtic e do Rangers
esqueciam a sua guerra em Glasgow
e iam com as equipas,
a invas�o de terras mais pequenas na Esc�cia
enfurecia os adeptos rivais.
Eram milhares.
Eles vinham a um est�dio para 25 mil pessoas
e traziam 20 mil. S� t�nhamos cinco mil no est�dio.
Eram 20 mil pessoas que chegavam de manh� cedo,
mas j� vinham bem bebidas e ocupavam os bares,
ocupavam as lojas e os parques.
De manh� cedo at� ao fim da noite,
Celtic e Rangers dominavam a cidade.
Durante quase um s�culo, Celtic e Rangers dominaram dentro e fora de campo.
Mas o futebol escoc�s
e a viol�ncia que lhe estava associada iam ser transformados.
Fui para norte de Glasgow,
subi 200 km na costa leste da Esc�cia,
at� � cidade que fez frente � Old Firm.
Na d�cada de 1980, Aberdeen,
famosa pela agricultura, n�o pelo futebol, quebrou o dom�nio da Old Firm.
Tornaram-se reis do futebol escoc�s,
orientados pelo lend�rio Sir Alex Ferguson.
O Fergie veio de St. Mirren,
pegou o touro pelos cornos e continuou
at� chegar a n�veis mais altos do que pod�amos ter imaginado.
De Aberdeen, vieram aos milhares
para receber a equipa brit�nica da �poca.
Foi uma quinzena de hero�smo e ressaca na cidade do granito.
Foi fenomenal.
Sermos uma for�a dominante e termos confian�a suficiente
para derrotarmos constantemente o Rangers e o Celtic fora foi...
... foi o para�so.
Aberdeen liderou o crescimento brit�nico.
Na d�cada de 1970, quando foi descoberto petr�leo no Mar do Norte,
tornou-se o centro da ind�stria petrol�fera brit�nica
e uma das cidades mais ricas do pa�s.
J� n�o era um local remoto, Aberdeen era um s�tio badalado.
A sua equipa de futebol vibrante, emocionante e confiante
refletia o ambiente da cidade.
As pessoas falavam do Aberdeen no est�dio
e quer�amos que tamb�m falassem fora do est�dio.
E foi o que fizeram.
A equipa ganhou reputa��o no futebol
e uma parte dos adeptos tornou-se famosa por motivos menos bons.
Hoje pode n�o parecer, mas este homem, Jay Allan,
foi importante na claque do Aberdeen,
at� se retirar, em 1986.
Em adolescente, ficou fascinado
com a viol�ncia que via no futebol.
Quando era um jovem adepto, ficava intrigado
e empolgado quando havia problemas.
Mas s� me aproximava disso quando n�o tinha como evitar
e a� fugia com os outros jovens.
Acho que tinha 17 anos da primeira vez que...
... n�o fugi e me atirei de cabe�a.
E percebi que era fabuloso.
Encorajados pelo sucesso da equipa,
Aberdeen ganhou um ex�rcito de jovens adeptos
que queriam distinguir-se dos outros grupos
que usavam cachec�is, couro e botas da tropa.
A inspira��o veio quando foram a Liverpool
a um jogo do Europeu e viram
a roupa dos rivais.
Do outro lado, havia uns 300 jovens,
sem cachec�is e com �culos escuros, que pareciam vestidos para ir � discoteca.
Simplesmente, n�o compreendemos.
Nunca t�nhamos visto nada assim.
Muitos de n�s pensaram: "T�m muito estilo."
Nasceram os Aberdeen Soccer Casuals,
a primeira claque Casual da Esc�cia.
BEM-VINDOS A ABERDEEN
Aqui estou na solarenga Aberdeen. � simplesmente lindo!
Nunca na vida estive t�o a norte.
� uma loucura.
Estou aqui para conhecer alguns dos membros originais
de uma das primeiras claques Casual.
Este � Bob Carmichael.
Nasceu em Aberdeen, trabalha nas plataformas
e fez parte da ASC nos �ltimos 20 anos.
Quantos de voc�s costumavam juntar-se?
Talvez uns 400 ou 500.
Nos jogos em casa,
ench�amos a bancada lateral com mil.
- � uma boa claque. - Sim.
Isso teria que ver com a equipa da altura?
- Com o sucesso da equipa? - Sim, isso era importante.
A roupa come�ou a mudar
e fez diferen�a, os rapazes destacavam-se.
N�o usavam camisolas da equipa.
As pessoas usavam fatos de treino e roupa de marca,
roupa de golfe e de t�nis, coisas desse tipo.
A ind�stria petrol�fera estava em alta.
Os jovens tinham dinheiro dado pelos pais
que trabalhavam nas plataformas, e toda a gente tinha roupa boa.
� por isso que todos andavam bem vestidos
e n�o era roupa manhosa, nos anos 80, era boa.
A quest�o � que �ramos os �nicos que and�vamos assim.
As outras equipas vinham a este est�dio
e ainda se vestiam � skinhead.
Vestiam-se � punk e as pessoas pensavam:
"Quem � esta gente?"
� sempre bom andar � briga
quando estamos bem vestidos.
Eram os anos 80 e a viol�ncia no futebol em Inglaterra
e em Aberdeen usava roupa de marca.
Mas o resto da Esc�cia estava atrasada.
Em clubes como o Motherwell, os hooligans
mantinham o estilo skinhead.
O ex-membro da claque, Matt Johnstone, era um deles
e n�o gostava muito dos Casuals.
�ramos skinheads duros e olh�vamos para eles,
todos penteados, com cal�as justas e t�nis brancos,
e pens�vamos: "Quem s�o estes larilas?"
Esper�vamos que fugissem.
Eram larilas, iam fugir.
Mas n�o, davam luta e safavam-se bem.
Foi o primeiro contacto com os Casuals.
Al�m de saberem lutar,
safavam-se bem.
Ser Casual era uma camuflagem.
Em Motherwell, a Pol�cia n�o deixava os skinheads em paz.
Mandavam-nos parar por nada.
Revistavam-nos sem motivo.
Foi nessa altura que come��mos a pensar:
"Esperem, eles safam-se com tudo,
apenas por causa da roupa."
Assim, Motherwell optou tamb�m por ser Casual.
Foram os primeiros, a seguir a n�s,
a entrarem na moda e chegarem bem vestidos � esta��o de Aberdeen.
Foi emocionante para n�s haver finalmente outra claque
que se vestia bem e pensava da mesma maneira.
Em breve, era geral.
As claques aperaltavam-se para brigar.
A evolu��o foi incrivelmente r�pida.
Imensas pessoas adotaram a moda.
ESTILO DE 85
De repente, tornou-se uma obsess�o.
Na Esc�cia, todos queriam roupa de marca.
Tudo do melhor, os �ltimos modelos.
Para todos estarem na moda no norte,
tinham de ir a Londres,
onde o dinheiro n�o abundava,
mas as lojas nadavam em tesouros.
Levavam-no muito a s�rio e gastavam muito dinheiro em roupa.
Gente da classe trabalhadora gastava metade do ordenado
num casaco de fato de treino. Era incr�vel.
Era um exagero desmedido.
Muitos rapazes escreviam cartas � The Face
a criticar equipas...
CAOS CASUAL - VIOL�NCIA
... que n�o estavam na moda.
A Esc�cia era o campo de batalha dos Casuals
e a Pol�cia ficou perplexa com a nova viol�ncia das marcas.
Na altura, apanhou-nos desprevenidos.
H� 25 anos, n�o t�nhamos tanta sofistica��o
no campo das informa��es como agora.
Agora, estamos mais preparados para combater
estes grupos organizados de hooligans do que nos anos 80.
Demoraram anos para controlar a situa��o.
Foi por isso que os primeiros anos foram t�o divertidos.
Eles n�o faziam ideia do que pretend�amos.
A nova esp�cie de hooligans...
VIOL�NCIA COM ESTILO
... os Casuals, s�o uma amea�a ao jogo.
A imprensa tinha not�cias.
Os Casuals eram herdeiros dos Mods e Rockers dos anos 60...
LUTA DE ADEPTOS
... e dos skinheads dos anos 70.
Nos jornais, era a loucura dos Casuals.
NOVA AMEA�A SINISTRA
REUNI�O SECRETA DOS CASUALS
Em 1985, Andy Colvin era um jovem jornalista
no jornal Sunday Post, na Esc�cia.
O jornal queria um exclusivo com os Casuals
e disseram-lhe para se infiltrar.
Fui de comboio at� Aberdeen.
Cheguei l� e fui aceite por eles.
A minha desculpa por estar em Aberdeen com sotaque de Glasgow...
JORNALISTA
... foi ter voltado das plataformas,
mas estava disposto a brigar.
A �nica condi��o que puseram foi que, quando a briga come�asse,
n�o podia fugir, sen�o iriam virar-se a mim.
Ningu�m sabia que os Casuals eram t�o organizados.
Os hooligans at� �quele momento
eram pessoas tresloucadas ap�s o jogo, b�bedas,
e n�o queriam saber se algu�m era apanhado no meio.
Os Casuals escolhiam os alvos com cuidado.
Eram outros Casuals, gente com quem tinham combinado brigar.
O objetivo era dominarem a cidade onde iam.
Andy tentou manter-se na retaguarda do grupo,
t�o longe quanto poss�vel da a��o na linha da frente.
S� me disseram para n�o infringir a lei.
Ou para tentar n�o o fazer.
No jornal onde trabalhava,
seria pior eu ser preso
do que morrer.
Assim, se soubesse o que ia acontecer, avisava a Pol�cia.
Conseguimos impedir uma briga que iria ocorrer em Motherwell
que tinha sido pr�-combinada e que seria muito violenta.
Andy passou nove meses a arriscar a vida,
infiltrado como hooligan do futebol.
A sua reportagem incr�vel foi publicada e o seu disfarce foi exposto.
OS HOOLIGANS CHEGARAM
DETIDO
Quando terminei isto, tinha duas gavetas na secret�ria.
Uma com amea�as de morte
e outra com cartas de grupos Casuals
a convidarem-me para ser membro.
N�s � que cri�mos o monstro. Fizemos publicidade a estas pessoas
e quanto mais tinham, mais queriam.
Estou na Esc�cia h� quatro dias
e ouvi hist�rias incr�veis de Glasgow e Aberdeen.
Mas como � em Edimburgo?
Ouvi dizer que era o lar de uma das piores claques da Esc�cia.
A equipa era o Hibernian
e a claque dava pelo nome de CCS...
N�MERO UM DA ESC�CIA
... Capital City Service.
A claque surgiu quando bandos de v�rios pontos da cidade
se reuniram sob a mesma bandeira.
Derek Dykes, ex-membro da CCS, tem 39 anos,
e mais de 30 condena��es por viol�ncia.
Ele estava l� quando tudo come�ou.
Havia v�rios bandos das v�rias zonas
e eu andava com o de Leith,
quando o Celtic e o Rangers vinham c�.
Eles paravam ao fundo de Easter Road.
Havia uma ponte dos comboios e, quando os autocarros passavam,
atir�vamos pedras pelas claraboias.
Foi assim que tudo come�ou.
Foi em 1984 que cri�mos a claque.
Foi quando me tornei um dos rapazes, como se diz.
Quando as claques rivais vinham jogar c�...
LOCAIS - VISITANTES
... a claque esperava-os,
na esperan�a de servir a senten�a capital.
� por esta rua que passam os visitantes
para chegarem ao est�dio.
Houve muitas batalhas nesta rua.
� um dos nossos s�tios favoritos para atacar as claques visitantes.
Gosto desta rua. Traz-me muitas recorda��es.
N�s esper�vamos naquele bar
e, se viesse algu�m,
era o s�tio perfeito para os atacarmos.
Era engra�ado porque, quando vinham a Easter Road,
diziam: "N�o estava l� ningu�m,
e de repente eram centenas, como ratos a sair do esgoto."
Escond�amo-nos aqui nos arbustos
e, quando vinham as claques,
pod�amos descer a correr.
� um bom s�tio para nos escondermos.
O mais importante � brigar.
Depois, pensamos: "N�o devia ter feito aquilo."
A adrenalina possui-nos e s� vemos uma n�voa.
Vemos o bando e � para l� que vamos.
Mas para mim isso j� acabou. Retirei-me.
Ali vai o presidente.
Vou ser banido.
Fui convidado a conhecer
o mais jovem membro da claque do Hibs
que � tamb�m um dos maiores jovens pugilistas da Esc�cia.
O gin�sio Holyrood pertence a Bradley Welsh.
GIN�SIO
Nos anos 80, ele liderava a claque jovem do Hibs,
a Baby Crew.
"S� como um camp�nio russo numa pastelaria francesa."
N�o sei o que esperar dele.
Nota-se que tem uma pancada.
Parece algu�m bom para ter ao nosso lado quando a situa��o descamba.
Viram? Deu duas voltas.
Foi um soco valente.
Eu era deste tamanho.
Era escanzelado, mas um bom pugilista.
Aos 14, era campe�o da Esc�cia,
e representei o pa�s no estrangeiro. Era um bom pugilista.
A viol�ncia n�o me atra�a. Eu era bom naquilo.
Ele dirigia a claque jovem do Hibs aos 14 anos.
As claques tinham uma sec��o jovem
e a Baby Crew do Hibs era a mais infame.
Fui um dos fundadores
da Baby Crew do Hibs.
Como t�nhamos 13, 14 ou 15 anos,
�ramos mais novos do que a claque,
a Capital City Service.
Eles eram como irm�os mais velhos.
N�o quer�amos meter-nos com eles, e cri�mos a nossa claque.
- O mais velho tinha 15 anos? - Sim, and�vamos na escola.
And�vamos na escola quando come��mos, em 1983.
Continu�mos em 84 e 85 e, quando t�nhamos 16 ou 17,
os grupos juntaram-se num s�.
Era malta que gostava de brigar, certo?
Claro, est�vamos sempre naquilo.
Era o que quer�amos. N�o era s� futebol. Junt�mo-nos uma vez
e a Baby Crew tinha uns 200 jovens.
Aos 14, j� tinha sido preso em Dundee e em Ibrox.
Fui preso sete vezes aos 14 por viol�ncia no futebol.
N�o � preciso ser g�nio para ver como era a claque do Hibs.
Rapazes duros e irados como Bradley
que queriam ser a melhor claque escocesa.
HOOLIGANS FAMOSOS
Nos anos 80,
quando o Hibs come�ou a ganhar destaque,
a claque que tinha o t�tulo era a do Aberdeen.
Este homem era um dos membros.
De 1984 a 1990...
... Dan Rivers correu o pa�s com os Aberdeen Soccer Casuals.
Quando era novo, n�o tinha preocupa��es.
Vivia para o fim de semana, para me divertir.
O meu estilo era sempre casual.
And�vamos, fal�vamos e vest�amos de forma casual.
Era um estilo de vida. Em retrospetiva,
todos os fins de semana brinc�vamos com o perigo.
Hospitalizados, esfaqueados e pontapeados quase mortalmente.
Dan virou as costas � sua vida casual.
Mas hoje voltou.
Vai refazer a viagem a Edimburgo para enfrentar o Hibs.
Eles eram os �nicos que podiam enfrentar-nos
para serem os maiores da Esc�cia.
Esse t�tulo era nosso. Mas era sempre uma boa briga.
O comboio cheio de adeptos do Aberdeen aproximava-se
e a claque do Hibs esperava-os
com todos preparados para lutar.
S� quer�amos l� os melhores,
os que eram de confian�a. Se n�o gost�vamos do ar de algu�m,
ou se algu�m n�o era corajoso, n�o iria l�.
Diziam-lhe que n�o iria connosco e mandavam-no embora.
No comboio, era a mesma hist�ria.
Vi o que aconteceu aos rapazes
que fugiam ou recuavam.
N�o mereciam viver.
�amos para cumprir uma miss�o e t�nhamos de o fazer.
N�o sei como seria estar ali � espera
com um bando pronto a lutar,
mas deviam estar nervosos.
Os Casuals eram assim em todo o lado.
Estavam � espera para brigar,
sabiam que havia uma briga � espera,
quando chegassem, mas estavam perfeitamente calmos.
Tinham uma assustadora no��o do objetivo,
sabiam que iam l� para exercer viol�ncia
e para serem alvo de viol�ncia.
At� os rapazes mais duros
sentiram nervos no �ltimo momento.
Est�vamos nervosos,
porque n�o sab�amos o que nos esperava,
o que ia acontecer,
quantos estavam l�...
Sent�amos medo, mas esse medo impulsionava-nos.
T�nhamos de pegar nesse medo e us�-lo em nossa vantagem.
Quando o comboio chegou � esta��o de Edimburgo,
as claques dirigiram-se � batalha.
Quando sa�mos da esta��o de Waverley, �ramos uns 350-400.
Quanto maior o grupo, maior a emo��o.
�ramos um ex�rcito, uma unidade.
Era Aberdeen, era o nosso grupo.
Os de Aberdeen chegavam e s� t�nhamos de vir aqui
para ver se eles vinham a�.
Um dos nossos olheiros dizia-nos exatamente onde estavam,
se viravam � esquerda ou � direita.
Era um bom s�tio, nos anos 80,
para os observarmos.
Em Easter Road, segu�amos em fila.
Os rapazes dan�avam l� no meio
e lan�avam os m�sseis.
Os nossos melhores iam no centro
e os deles tamb�m iam no centro.
Depois, atac�vamos assim que dissessem:
"Vamos, Aberdeen." L� �amos n�s.
Quando a briga come�ava, continu�vamos a lutar.
Ningu�m entrava nem sa�a. Quem l� estava, ficava.
At� a Pol�cia interromper.
Se n�o nos interrompessem, era at� os outros fugirem.
S� parava a�.
Mas n�o �amos atr�s de ningu�m.
Quando est�vamos ao barulho, fic�vamos l�.
As claques divertiam-se,
mas a trag�dia aconteceu em 1985.
Um adepto do Hibs quase morreu numa batalha com Aberdeen.
ADEPTO FERIDO EM CONFRONTOS
Foi uma pena.
Foi uma pena porque ele ficou abandonado.
Ele estava de um lado da rua e n�s do outro.
Nesse dia, houve muita gente que fugiu, mas foi o pior que j� vi.
Ele ficou gravemente ferido, muito mesmo.
Alguns jornais disseram que morreu,
mas n�o morreu, ficou muito ferido.
Depois do Raymie Morrell, de quase o matarem ao pontap�,
dizerem a palavra Aberdeen era...
T�nhamos de nos vingar e fizemo-lo.
TERROR NAS RUAS
A vingan�a do Hibs foi uma arma
in�dita na viol�ncia futebol�stica.
LOJISTAS FOGEM ATERRORIZADOS
O grupo do Aberdeen veio por aqui para a esta��o de comboios.
Quando viraram esta esquina,
est�vamos ali reunidos, vindos daquele lado,
e a rua estava t�o movimentada como est� agora.
Da paragem do autocarro, atiraram uma bomba incendi�ria.
Veio cair aqui.
Vimos chamas no ar
e a garrafa partida no meio da rua.
Isso surpreendeu toda a gente.
Viraram a esquina e deram com o hooliganismo do futebol.
Era uma emo��o boa.
Mas a emo��o era ver o Aberdeen fugir.
A nossa emo��o era essa.
Foi pena n�o apanharmos alguns.
O incidente da bomba incendi�ria foi um ponto de viragem.
Foi como dizerem:
"N�o voltam c� para fazerem o mesmo."
Foi a maneira de ficarmos em primeiro lugar.
O Aberdeen estava em primeiro,
mas continu�mos sempre depois disso
e v�nhamos todos sempre que jog�vamos com o Aberdeen.
O nosso maior rival era o Aberdeen.
De volta ao gin�sio, Bradley explicou-me
a viragem na claque do Hibs ap�s o incidente Morrell.
A partir da�, a malta do Hibs cresceu.
Organizaram-se em grande. Eram a claque mais organizada.
Havia bandos de 200-300 a correr o pa�s.
N�s lev�vamos 120, mas eram bons.
PARAB�NS
Foi atendido pela CCS
N�s �amos primeiro ao s�tio deles,
antes de entrarem no autocarro para virem c�.
T�nhamos 120 sentados num bar em Motherwell,
em Dundee ou em Aberdeen.
�amos para Aberdeen �s 6h30.
Queria perguntar-te se o Hibs � famoso por usar armas.
Se houve incidentes
em que a claque do Hibs usou armas? Sim.
Bombas incendi�rias...
G�S LACRIMOG�NIO
... g�s, ma�os, facas...
ADEPTO ESFAQUEADO
E sobretudo contra o Aberdeen.
ESFAQUEADO POR CASUAL
DEZASSEIS PONTOS
Na altura, a viol�ncia no futebol
fazia parte da camaradagem.
A FAM�LIA
Era uma fam�lia, uma unidade forte.
Era fabuloso. �ramos os filhos.
Antes de partir, houve tempo para um treino r�pido,
n�o fosse algu�m provocar-me nas minhas viagens.
L� em cima! Mesmo l� em cima.
Na Esc�cia, vi o �dio da Old Firm em Glasgow
e descobri uma rivalidade moderna entre o Aberdeen e o Hibs.
E na cidade com os dois clubes de futebol
mais pr�ximos de toda a Gr�-Bretanha?
Vou a Dundee ver o que acontece
quando dois rivais vivem lado a lado.
Vim ter a Tannadice Street.
� o lar do Dundee United, ali.
N�o v�o acreditar nisto, mas ali � o Dundee.
Nunca vi nada assim na vida.
Est� t�o perto que � rid�culo.
N�o compreendo isto. � fabuloso.
S� VISITANTES
N�o h� clubes t�o pr�ximos nas Ilhas Brit�nicas.
Incrivelmente, estes dois clubes t�m uma �nica claque.
Incr�vel. N�o me entra na cabe�a.
Quero saber mais sobre isto,
portanto, vou conhecer a malta.
A Dundee Utility Crew � uma das claques...
A TINTA N�O SAI
... mais ativas do pa�s.
Explica-me como surgiu a Dundee Utility Crew.
Como Dundee � t�o pequena...
� a quarta maior cidade da Esc�cia, mas n�o � muito grande.
Decidimos... Como os l�deres do United e do Dundee
eram amigos que bebiam juntos ao s�bado � noite,
decidimos ir juntos aos jogos
e foi a partir da�.
Uma semana, �amos fora com o Dundee
e na seguinte com o United, depois com o Dundee...
E como � quando joga um contra o outro?
N�o h� viol�ncia nem �dio contra os amigos, s� contra a equipa.
Vamos para os bares,
vamos ao jogo e esperamos que a nossa equipa ganhe.
Ap�s o jogo, se o United perder,
como j� aconteceu algumas vezes, � um pesadelo.
� amig�vel, nunca chegam a brigar, s�...
Somos todos amigos. Toda a gente � amiga.
Cinco membros da Dundee Utility foram detidos durante oito anos,
por participarem em dist�rbios antes da final da ta�a escocesa,
contra o Celtic, em Glasgow.
O grupo organizado de hooligans
participou em graves dist�rbios longe do est�dio,
cerca de 1,6 km do Est�dio Nacional, em Hampden.
Um grande n�mero deles foi detido
e essas pessoas apanharam penas de pris�o consider�veis.
Gra�as �s c�maras de vigil�ncia, a Pol�cia tem conseguido
estar em vantagem na batalha contra os hooligans.
Eles controlam tudo.
� imposs�vel brigar.
� preciso organizar isso longe, para l� de um monte,
ir at� ao extremo do pa�s para brigar.
Ter melhores informa��es
significa que a Pol�cia sabe o que toda a gente faz,
tal como eu pr�prio ia descobrir.
Nessa noite, planeei encontrar-me com gente da Utility Crew
para ir com eles a um jogo,
mas a Pol�cia tinha outros planos.
A minha estadia em Dundee ia terminar prematuramente.
Em Dundee, encontrei-me com a claque Dundee Utility Crew.
Nessa noite, ia encontrar-me com 80 dos seus membros
para irmos a um jogo, mas esperava-me uma surpresa.
A Pol�cia contactou a equipa e pediu-me para n�o ir ao jogo,
pois a minha presen�a podia aumentar o risco de problemas.
A Pol�cia sabe que estou c�.
Isso fez-me perceber
que eles est�o mesmo atentos. � incr�vel.
Sabem todos os movimentos de todas as claques,
sabem onde v�o estar e para onde v�o.
Estamos a falar de um jogo pequeno em Dundee.
Ia s� ver o jogo e sentir o ambiente.
Mas a Pol�cia p�s fim a isso.
A �ltima coisa de que preciso � ser preso.
A equipa de produ��o tomou a decis�o
e j� n�o vamos.
Algu�m que a Pol�cia conhecia bem nos anos 80
era Jay Allan, dos Aberdeen Soccer Casuals.
Em 1986, ele foi surpreendido.
N�o pensei que fosse assim t�o grave at�...
At� perceber: "Caramba, est�s preso."
Condenado pelo seu papel na quebra das tr�guas em Motherwell.
Foi a sua s�tima condena��o.
Foi um dos primeiros hooligans
a serem presos no pa�s.
Foi uma grande vergonha para a minha fam�lia.
Para toda a minha fam�lia e da minha namorada...
Foi... Foi horr�vel.
N�o voltaria a passar por isso.
N�o faria a minha fam�lia passar por isso.
Hoje, n�o podia estar mais longe da vida de um hooligan.
Gere um pequeno hotel e bar na pequena aldeia de Methlick,
perto de Aberdeen.
Tive o meu tempo e foi muito divertido,
mas nada dura para sempre.
Gosto muito da vida na aldeia
e de muitas coisas na aldeia. Sou conselheiro comunit�rio.
Cuidar dos sanit�rios, ajudar nas festas dos idosos...
... pescar e ca�ar.
Tenho uma namorada fabulosa e um filho lindo.
Portanto, � muito bom.
A experi�ncia de Jay significa, que ao contr�rio de outros,
ele n�o gostaria que o filho seguisse a via dos Casuals.
N�o poderia critic�-lo muito, pois n�o?
Mas ficaria dececionado e iria temer por ele.
N�o gostaria que perdesse os dentes nem a liberdade.
Para John O'Kane, virar as costas a uma vida
de viol�ncia no futebol n�o � t�o simples.
Apesar de ter sa�do da pris�o recentemente por esse motivo,
ele sabe que nunca se pode dizer nunca.
Est�s oficialmente retirado, John?
Tenho de responder?
Podemos dizer a n�s mesmos que n�o vamos,
que n�o vamos envolver-nos, mas � como uma droga.
� como os alco�licos. N�o podem dizer que n�o bebem.
Os alco�licos bebem sempre.
Ser�o sempre alco�licos,
mesmo que n�o bebam h� muito.
Os hooligans, mesmo que n�o se envolvam h� muito tempo
ser�o sempre hooligans.
Na visita � Esc�cia, aprendi que h� coisas que evoluem e mudam,
mas outras ser�o sempre iguais.
Tal como a rivalidade ligada a divis�es religiosas seculares,
o �dio entre Celtic e Rangers nunca morrer�.
Mas a viol�ncia organizada entre claques na Esc�cia,
no n�vel alto que j� teve, � uma coisa do passado.
O aumento das penas pelos crimes
tem bastado para evitar problemas.
Apesar disso, para alguns,
a emo��o e a adrenalina da viol�ncia no futebol
continuam irresist�veis, apesar das consequ�ncias.
Enfim, vou esconder-me nas ervas altas
e voltar para sul. At� � pr�xima.
Legendas: Paulo Montes
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