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Original subtitles

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

Ent�o o rei, muito comovido,

subiu ao quarto que ficava acima da porta, e chorou...

Ah, meu filho Absal�o!

Quem me dera ter morrido em teu lugar,

Ah, Absal�o, meu filho, meu filho! II Samuel 18:33

Inglaterra 1893

Numa rua miser�vel da cidade oper�ria de Manchester

Carv�o, carv�o!

Ei, vamos saindo daqui!

Posso segurar seu cavalo. � s� um centavo.

Deixem esse cavalo em paz!

Ela se segura sozinha.

- � para a mudan�a do Sr. O'Riorden? - Sim.

- Vou cham�-lo. - Muito bem.

Sr. O'Riorden!

Sr. O'Riorden!

- Sim? - � o carregador para pegar suas coisas.

Comece com as coisas na loja.

Cuidado com os m�veis. � tudo feito � m�o.

Vai tudo para a loja nova. O ba� para a esta��o.

Sim, senhor.

- Por que t�o agitado? - Vai se casar hoje.

Tamb�m j� me casei. Me custou 7 xelins e 6 pence.

- Antes tivesse comprado um cachorro. - Sua mulher deve dizer o mesmo.

Droga, logo hoje fui me cortar.

Me d� um peda�o de papel, por favor.

Obrigado.

Eu...

N�o posso usar isso. � a nova hist�ria que est� escrevendo.

Pode usar. � s� para o que serve.

Vai come�ar? N�o se deixe desencorajar.

Voc� tem talento, imagina��o e cora��o.

Tem um mundo inteiro do que escrever.

Desculpe, mas perco a paci�ncia com quem n�o confia em si mesmo.

Para voc� � f�cil falar, Dermot.

Quer ser o melhor carpinteiro da Inglaterra.

Como lida com madeira d� para ver o resultado do trabalho.

E � remunerado pelo seu trabalho.

Eu quero ser escritor. Ningu�m vai me pagar para escrever.

Eu preciso aceitar o que vier,

para sobreviver e ainda escrever no tempo que sobra.

Aranhas fazem suas teias a partir de uma m�sica interior.

Voc� precisa encontrar essa m�sica no seu cora��o, no seu corpo.

Tanta coisa que voc� sabe. E h� de encontrar.

Tenho tanta certeza do seu sucesso quanto do meu.

Nossa, olha que horas s�o!

- Grande noivo que sou! - J� fiz suas malas.

J� �?

Belo trabalho. Ainda deixou meu Brian B�ruma pendurado na parede.

O maior de todos os reis irlandeses.

� muita humilha��o vir parar numa parede bolorenta de pens�o.

Voc� e seu patriotismo irland�s.

Pare com isso ou se atrasar� para seu casamento.

N�o d� ouvidos a esse atrevido!

Imagine se um ingl�s vai entender o amor de um irland�s pela Irlanda.

Menos ainda um artista que saiu de l� aos 5 anos de idade.

E da�?

Ainda vejo as montanhas verdejantes e os lagos azuis.

E lembrar do misto de tristeza e alegria do povo.

Est� tudo aqui dentro... no meu cora��o.

Se um dia tiver um filho lev�-lo-ei de volta para a Irlanda...

para que viva a vida que deixei.

Se eu tiver um filho, tir�-lo-ei de uma pocilga como esta...

de uma vida como esta.

N�o � no corpo dele que estou pensando, e sim em sua alma.

Que chances tem uma alma num corti�o fedorento passando fome?

Meu filho ter� algo pelo que viver.

Meu filho ter� algo pelo que morrer.

Veja s�. Discutindo por causa do futuro de um filho que nem nasceu.

� verdade. Quase nos engalfinhando feito gatos no cio.

- J� foi tudo carregado. - O ba� j� est� prontos.

Vejo-o assim que voltar com Sheila de Liverpool.

Claro. Bem, boa sorte, Dermot.

Ei, esqueceu sua mala.

Esqueceria minha cabe�a se n�o estivesse presa nos ombros.

E trate de encontrar um lugar decente para morar.

Vai precisas ser barato at� que encontre emprego. Mas estarei bem.

Claro que estar� bem. Ambos estremos bem.

Lembre-se do rapaz com a bandeira: Excelsior!

Para a frente e para cima!

Eu com minhas m�os, voc� com a cabe�a.

- Adeus, Will. - Adeus, Dermot.

Se n�o tem emprego n�o pode ficar com o quarto.

N�o quero saber de vagabundos.

Bem... obrigado. Boa noite.

N�o encontrar� nada mais barato. N�o nestas redondezas.

- N�mero 28, Rua Shelley. - E da�?

Conhecia a fam�lia que morava aqui.

- Chamava-se Essex. - Nunca ouvi falar.

Minha m�e se mudou para c� no dia que se casou.

Teve nove filhos aqui e enterrou cinco.

Morreu aqui. E voc� nunca ouviu falar dela.

Engra�adinho.

Chamarei meu marido se n�o for embora.

Isso mesmo, j� vou. Para a frente e para cima.

Para a frente e para cima!

Eles me deram troco a menos, e n�o os culpo.

Vende mais caro e sabe disso, seu trapaceiro!

Voc� e sua filha deviam ter vergonha...

tentando p�r a culpa em mim.

E da� se eu recebi a menos?

Quanto voc�s me pagam pra entregar seu maldito p�o?

Engra�adinha, hein? Engra�adinha e dengosa.

N�o gosta do meu modo de falar, �?

Pois eu n�o gosto desse emprego. Pode ficar com ele!

Pare, tire suas m�os de cima de mim!

Ei, voc� � o Essex que morava na rua Shelley.

- Huh? - Sou Joe Baxter.

- Joe Baxter? - N�o lembra de mim?

Sim...

Sim, me lembro de voc�.

Lembro de voc� gritando atr�s de mim pelas ruas.

'Sua minha m�e lava para fora?'

Lembro que atirava a roupa na lama.

Lembro que roubava os trocados que minha m�e lutava para ganhar.

Lembro das surras que eu levava por perd�-los.

Pois tome isso por todas essas lembran�as.

Por favor, senhor...

Meu pai quer falar com voc�.

Por favor.

Obrigado, meu jovem, muito obrigado.

Me desculpe. Essa asma me pega pela garganta.

Tudo bem. Sorte sua que eu estava passando.

N�o, n�o... quero lhe pedir outro favor.

A carro�a l� fora. N�o tem quem entregue o p�o.

- Bem... - Papai pagar� pelo servi�o.

Pago 3 xelins se aceitar.

Por favor.

- Est� bem. - Tome a lista.

Os endere�os est�o anotados e o que tem a cobrar.

A carro�a j� est� carregada.

Estarei acordado para lhe pagar quando voltar.

Muito bem.

N�o � bom uma mo�a como voc� sozinha na loja e eu...

...eu t�o fraco.

Precisamos encontrar um homem confi�vel para entregar o p�o e morar conosco.

- Estar�amos mais protegidos. - Quem sabe esse rapaz?

Ser� que aceitaria?

Sr. Essex.

Sim, Nellie?

Hoje � dia de igreja e papai est� mal de novo.

Ser� que podia me levar quando voltar das entregas?

Sua igreja � muito importante para voc�, n�o �, Nellie?

Tanto quanto para mim � escrever este livro, eu imagino.

Muito mais. Isso � apenas seu trabalho.

Ora Nellie, n�o sabe que trabalho � sagrado e a labuta � santa?

Isso n�o est� na B�blia, tenho certeza.

Deixa pra l�. Sim posso lev�-la.

Quem sabe converte um pag�o?

Eu... at� gostaria.

Obrigada, Sr. Essex.

Oh... ol� aranha do dinheiro.

Bem, se correr folha abaixo este livro ser� um sucesso.

Vamos, vamos...

Ora, sua danada!

Pois ser� um sucesso apesar de voc�!

Ouviu s�? Apesar de voc�!

Sr. Essex, Sr. Essex, corre!

O que foi, Nellie?

� papai... Corra!

N�o h� nada a fazer, Nellie.

Ningu�m pode fazer nada.

WILLIAM ESSEX GERENTE

- Bom dia, Sra. Essex. - Bom dia.

Entrega para seu marido. Que linda manh�.

� verdade.

William chegou correio para voc�.

J� estou indo.

Sabe, Nellie, at� gostei de tirar uma folga.

Assar p�o tem algo de fascinante.

� s� botar uma massa molenga e sai um belo...

Meu livro! Meu livro! Por que n�o me disse?

Eu n�o sabia.

R�pido, me d� uma faca.

- Nellie, me belisca. - Beliscar?

N�o � verdade. N�o acredito. Estou sonhando!

Acordarei daqui a pouco e verei que n�o � verdade.

"Um Menino de Lancashire" por William Essex.

Veja, Nellie, veja. Passe a m�o.

Oh... cheire, cheire...

Tinta de impress�o. O perfume dos deuses.

William, n�o brinque com as Escrituras, sabe que n�o gosto.

Escute s� o que eles falam.

'O primeiro romance de um autor estreante...

com uma hist�ria vigorosa sobre os corti�os e f�bricas de Manchester.

Escrito numa prosa direta e veemente...

esta hist�ria cativanta nos promete melhores obras pela frente.

Espere s� at� o Dermot ouvir isso!

Podemos ir l� hoje � noite para celebrar?

- Hoje n�o! - Por qu�?

- Tem igreja. - Ora, Nellie...

N�o pode faltar s� hoje?

Nunca faltei desde que tinha 14 anos.

Ah... est� bem, Nellie.

Tudo bem, ent�o eu vou.

Pronto.

Se o beb� nascer hoje j� ter� seu ber�o esperando por ele.

Uma harpa da Irlanda na cabeceira e trevos � volta para afastar o mal.

N�o teria vindo se soubesse que era para hoje.

N�o era para ser. Mas o beb� n�o quis assim.

Mas gostei que tivesse vindo.

Como ser� que Sheila est� l� em cima?

Sra. Mulvaney!

As duas me puseram para fora.

Para que essa gritaria?

S� queria saber se precisam da alguma coisa.

J� fez o bastante.

Essa mulher me faz sentir como um leproso.

Vamos, sente-se e fume um cachimbo comigo.

- Toma o tabaco. - Huh? Ah, obrigado.

O que � isso?

Ah... � s� meu livro.

S� seu livro? Me d� isso!

S� seu livro! T�pico de voc�!

Est� aqui h� meia hora e n�o falou nada.

N�o me pereceu importante quando cheguei...

comparado com o que est� acontecendo l� em cima.

Voc� n�o muda. Sempre pensando em si por �ltimo.

Muito bem encadernado.

Bela impress�o.

Veja s�!

- Ora, Will, uma dedicat�ria. - Leia.

Leia!

Ao meu amigo Dermot O'Riorden,

sem cujos bons conselhos e palavreado...

este livro nunca teria come�ado.

Nem sei o que dizer.

Me sinto como um papagaio que mordeu uma batata quente.

Eu sei o que dizer: Excelsior!

Para a frente e para cima para n�s dois.

Esqueci de lhe contar. Estou mandando uns m�veis...

semana que vem para uma exposi��o em Londres.

Acabaremos nos mudando para l�.

Serei o melhor carpinteiro de Londres, ou n�o me chamo...

Dermot Seamus Patrick Timothy O'Rourke O'Riorden.

Sr. O'Riorden, o prazer � meu de informar que acaba de ganhar um filho.

Parab�ns, Dermot.

Na verdade devia parabenizar o filho pelo grande pai que tem.

Que Deus me fa�a por merec�-lo.

Voc� est� sempre um passo � minha frente, Dermot.

Eu tenho um livro mas voc� tem um filho.

Estou lhe dizendo, foi uma maravilha!

A velha abrindo a janela l� em cima e gritando...

"O prazer � meu de informar que acaba de ganhar um filho."

N�o ia lhe contar t�o cedo...

mas n�o precisa invejar Dermot.

N�o por muito tempo.

S�rio? Vamos mesmo ter um filho?

- Tenho rezado por isso. - Oh, Nellie, que maravilha!

N�o vamos deix�-lo nascer aqui. Vamos nos mudar.

- Mudar? - Sim.

Mas vivi aqui minha vida toda.

Meu pai tinha a padaria aqui desde antes que nasci.

Venda a padaria. Farei dinheiro com meus livros.

Venda a padaria.

N�o quero que ele nas�a aqui.

Quero tir�-lo de um bairro destes...

de uma vida como esta.

- � uma vida honesta e decente. - Sim, mas isso n�o basta.

Para mim basta. Devia bastar para meu filho.

Quero que ele tenha tudo que n�o tive.

Boa nutri��o para seu corpo, boa nutri��o para sua cabe�a.

E sua alma.

E quanto � sua alma?

Como dizem, 'S� bom e ser�s feliz'...

pois eu acho 'S� feliz e ser�s bom'.

E ele ser� feliz!

William! Vai fumar no quarto?

Hm?

Acabando de saber que terei um filho, tudo devia ser permitido.

Pode n�o ser um filho.

Vai ser, sim. Tem que ser.

- Pronto... - Mantenha a mamadeira quente.

Sim, senhora, sim, senhora! Pronto.

Isso...

- O que � isso? - Pode precisar de uma limpa.

Filho meu n�o vai trocar de fraldas em p�blico!

Troque na casa do Dermot. E n�o fiquem de conversa...

- ...e esquecer de voltar. - N�o, senhora.

Seu criado, senhora.

AS FAIAS

Pronto, Oliver, estamos livres.

- Onde est� indo? - Estava levando Rory para v�-lo.

E eu levando Oliver para v�-lo.

Levantem as m�ozinhas e se cumprimentem.

Veja s� esses olhos. Onde j� se viu coisa t�o grande?

Deem as m�os, vamos... Olha s� como se cumprimentam.

Se n�o forem grandes amigos n�o sei quem vai.

Vamos sentar e fumar um cachimbo. Quero falar com voc�.

- Sobre o qu�, Will? - Bem, estive pensando, Dermot...

Sim?

Daqui a pouco esses meninos v�o precisar de um lugar...

onde possam nadar, pescar e velejar durante as f�rias de ver�o.

Veja que boa oportunidade.

Numa pequena colina, o que � mais seguro... pr�ximo ao mar na costa sul.

Estaria interessado em fecharmos o neg�cio juntos?

Para quando seria?

Bem, daqui a 5, 6 anos.

Acha que vou cansar minha cabe�a com planos t�o distantes?

Mas devia. � preciso ter objetivos.

Olha s�. Parece que voc� se encontrou, hein, Will?

- Virou homem crescido. - Virei pai, isso sim.

Sabe, Dermot, falam muito do milagre da maternidade...

mas ningu�m escreve poesias ou can��es sobre o milagre da paternidade.

O sujeito v� um monte de croch� pela casa, meias, coisas que caberiam num can�rio.

De repente, um dia � chutado pra fora de casa feito um indigente.

Passa-se uma eternidade...

aparece algu�m carregando uma trouxinha que mais parece de roupa lavada.

Meio receoso, ele a segura com delicadeza...

e, ao primeiro toque, alguma coisa acontece.

Fica de cora��o derretido, seus ossos se desfazem...

...e logo se torna seu escravo para o resto da vida.

Veja, Dermot, que coisa maravilhosa.

Essa m�ozinha, que um dia ter� tudo que quiser.

Trabalharei feito um mouro para lhe dar tudo que pedir.

Escreverei um livro atr�s do outro...

servir�o como degraus da escada que ele vai subir.

Ele ter� tudo. Tudo!

Cuidado, Will, para n�o estrag�-lo.

Escola Saint Oloff Primeiro Lugar - Desenho a M�o Livre Oliver Essex

N�o ganhou este pr�mio de forma honesta.

Como p�de aceitar sabendo que n�o tinha ganhado por merecimento?

Voc� trapaceou. Isto n�o � um desenho a m�o livre.

- Voc� copiou, n�o foi, Oliver? - N�o.

- Pois eu sei que sim. - N�o pode provar.

Al�m disso, papai fica feliz quando tiro boas notas na escola.

Volte, Oliver! Oliver, volte!

Est� se afastando demais.

N�o, Sheila, ele vai voltar.

Mas n�o enquanto n�o matar o pai de susto.

Preparem-se! Vou destruir seu castelo de areia!

N�o! N�o!

Seu... seu... seu menino horr�vel!

- Mas eu n�o destru�. - Mas disse que ia!

E quando pulou vi ele desmoronando na minha cabe�a.

� como se tivesse. Agora est� totalmente destru�do!

Agora foi voc� que destruiu. N�o pode culpar o Oliver.

Posso sim! � tudo culpa do Oliver!

Maeve, minha boneca, n�o fique triste assim por um simples castelo de areia.

Oliver s� estava brincando.

N�o o Oliver. Ele sabe que n�o era brincadeira.

- Hm? - Will...

...talvez consiga acalm�-la.

Pronto, pronto, Maeve...

- Maeve, querida... - Por que ele faz isso?

Era s� encena��o. Ela sempre faz isso.

Bem, se � para encenar, Maeve, ter� que esperar at� crescer.

A� escreverei uma bela pe�a para voc�.

Escreve mesmo, tio Will?

Escreve mesmo uma pe�a para mim?

Claro. Mas primeiro ter� que provar seu talento.

Qualquer atriz que se preze consegue entrar em cena...

mesmo de cora��o partido e o rosto coberto de l�grimas.

- Sei fazer isso. - Sabe?

Ah, n�o, acho que n�o.

Pois veja!

Pega teu escudo, Ferguson McRoy!

E p�e-te � minha esquerda.

E Seamus O'Shaughnessy, p�e-te � minha direita.

Antes de partirdes para vossa valente miss�o...

sabeis que, ao vitorioso, darei o adere�o de ouro...

que envolve meu alvo pesco�o.

O que � adere�o?

Pelo amor de Deus, o que haveria de ser?

Minha fala por si j� explica!

Algo que se p�e em volta do pesco�o!

Se n�o entende, cala a boca!

O importante � sentir! Sentir, como eu fa�o!

Voc� e suas encena��es!

Vem, Rory, vamos bater corrida at� a �rvore.

Nem todos conseguem sentir t�o intensamente como voc�, Maeve.

� um dom... e um fardo.

'Erin go Bragh!" (Viva a Irlanda!)

Ora, Dermot!

- Estou coberto de poeira de Londres. - Rory, Maeve, � seu pai!

Ol�, querida! Que bom te ver.

Ol�, Rory, meu filho.

- Maeve, minha querida! - O que voc� me trouxe de Londres?

Especiarias, bombons e tudo de bom!

- Ol�, Dermot. - Ol�, Will.

Agora subam, crian�as. V�o se vestir.

- Foi ao zool�gico, tio Dermot? - Fui, sim.

Oliver fugiu da cidade a cavalo...

Na cabe�a espetou uma peninha e disse?

A arte � minha.

Vamos nos divertir � be�a quando nos mudarmos para Londres.

Passaremos dias...

- Posso entrar, Will? - Entre, Dermot.

Cad� meu livro dos reis irlandeses? Quero meus reis irlandeses!

Quer uma palmada, isso sim. Isso s�o modos de entrar no quarto dos outros?

Oliver est� com meus reis irlandeses.

Ora, Rory, voc� sempre perde suas coisas.

Sabe que n�o est� comigo.

Estava com ele aqui quando sa�. E n�o irei pra cama sem ele.

Voc� levou com voc�. Vi debaixo do seu bra�o.

- N�o se lembra? - N�o!

Bem, vamos dar uma procurada.

N�o quero dar trabalho. Mas se n�o o encontrar...

ele ir� para a cama acabrunhado.

N�o tem problema.

Isso � novidade. Onde voc� arranjou...?

Parece ser bom. Devemos ler juntos.

Tem certeza de que n�o perdeu o livro, Rory?

- J� passa da hora de dormir, Oliver. - Desculpe, Nellie, a culpa � toda minha.

Mas esse levadinho achou que Oliver tinha seu livro.

Pe�a desculpas ao Oliver por sua grosseria.

Tudo bem, tio Dermot, verdade.

Muito bem. Ent�o j� pra cama. Boa noite, Nellie, Will.

- Boa noite, Dermot. - Desculpe pelo transtorno.

- Espere, Dermot! - Sim, Will?

�ltima tentativa.

- Ora, aqui est�! - Sabia que estava aqui,

Pronto, encontrou seu livro e virou a casa pelo avesso!

Agora � cama! Boa noite a todos!

Boa noite, Dermot.

Oliver, por que roubou o livro de Rory?

Roubar? Mas eu n�o roubei.

Estava na prateleira. S� pode ter sido voc�.

Sim, fui eu que pus.

Cobriu-o com papel e escreveu "Aventuras"...

para que Rory n�o percebesse que era o livro dele.

Sim, fiz isso.

E disse que Rory tinha levado com ele embora soubesse que n�o.

N�o foi uma mentira?

Sim, era mentira e sei que n�o devia ter dito.

Mas n�o roubei o livro.

Se n�o � roubar o que � ent�o?

N�o v�? S� fiz isso porque era do Rory.

N�o entendo.

Eu amo o Rory e queria ter algo que pertencesse a ele.

Algo que ele amasse.

Ent�o por que n�o pediu o livro a ele?

Sabia que ele n�o me daria.

Como v�, tive que tirar dele.

N�o fiz por mal. Acredita em mim, n�o �, pai?

Sim, acredito em voc�, Oliver.

Fico t�o feliz! N�o conseguiria dormir se n�o tivesse.

V� para o banheiro lavar suas m�os e seu rosto.

Sim, m�e.

E escove seus dentes.

- O que pretende fazer a respeito? - Hm?

Nada. Est� tudo resolvido.

Posso n�o significar nada para voc�, mas sou m�e da crian�a.

Acha que tanto faz para mim ele estar-se tornando um trapaceiro e um mentiroso?

N�o � nada s�rio.

S� est� meio confuso quanto ao que � certo e errado.

� natural numa crian�a. Isso se resolve com compreens�o e amor.

N�o posso fechar meus olhos diante do que chama de amor.

Criar a crian�a deixando-a fazer o que quer, dando-lhe de tudo...

presentes, jogos, col�gios caros.

Tudo que ele gosta e sonha em ter, � s� dar, dar!

� isso que chama de amor.

Pois eu n�o!

"O Senhor corrige ao que ama."

Oliver � meu filho tanto quanto seu.

Tamb�m tenho meus direitos sobre ele.

Muito bem. O que voc� sugere fazer?

Acho que deve ser fustigado.

Pois eu n�o acho.

Voc� n�o tem for�a para cumprir com seu dever.

H� outras maneiras.

Como n�o tem outra sugest�o, vou embora.

- O que est� fazendo? - A sua obriga��o.

N�o pode bater na minha m�e!

Eu...

Eu sinto muito pelo que aconteceu.

Mas tenho que fazer e dizer o que acredito ser certo.

Eu sei... eu sei.

O melhor a fazer � tentarmos esquecer.

N�o.

Temos que entrar num entendimento quanto ao Oliver.

Sempre foi voc� que se encarregou da sua educa��o.

Tem sido sempre o seu filho, seu.

Sei que � dif�cil voc� entender, Nellie.

Mas Oliver � mais que meu filho.

Ele � s�mbolo de tudo que eu sempre quis e n�o tive.

Tem que ser melhor que eu. Tem que ser eu a partir de onde parei.

Mas ele n�o � s� voc�, e sim eu tamb�m.

E doravante ter� que me ouvir.

Nellie, por que voc� se casou comigo?

Sei que estava s� quando seu pai faleceu e eu apareci...

Mas deve ter havido outra raz�o.

Achei que era um homem bom e que ser�amos felizes juntos.

Mas esse tempo todo voc� s� me combateu.

Negou-se a que mud�ssemos para a costa e acabou adorando.

Foi contra comprarmos esta casa e agora adora passar os ver�es aqui.

Agora vai lutar para n�o nos mudarmos para Londres, por qu�?

Casou-se comigo sabendo que eu era escritor.

Sabia que n�o me realizaria atr�s de um balc�o vendendo p�es.

N�o � por mim que reclamo, � por Oliver.

Ah, Oliver! Esse � o mal. Tudo � para Oliver.

Tudo!

E por que n�o?

O que mais esse casamento me deu?

Para meu filho Oliver, pelos seus 21 anos,

Do seu pai, William Essex.

Esperava estar em Oxford para entreg�-lo pessoalmente,

mas ainda me encontro ocupado em Yorkshire...

colhendo material para meu pr�ximo romance sobre as minas de carv�o.

Assim, meu filho querido, novamente um feliz anivers�rio.

Seu pai que o adora.

Cinco libras para ver, Pogson. Isto cobre?

- Seu rel�gio n�o! - Deixa de bancar a bab�, Rory,

Oliver sabe o que est� fazendo.

- Tr�s ases. - Tr�s damas.

- Foi presente do seu pai. - Ele me dar� outro.

N�o fique com essa cara, Rory.

Meu pai me deu um rel�gio com minhas iniciais em rubis.

O pai de Oliver tamb�m daria se explorasse pobres coitados em minas de carv�o.

Olha o sangue irland�s, Rory.

N�o � da sua conta como o velho Pogson ganha a vida.

William Essex! N�o me diga, ele � seu pai?

- � o que dizem. - Oliver!

- Claro que �. - Lembra do seu �ltimo livro...

cujo her�i era um estivador?

- Sinto muito, n�o os leio. - N�o sabe o que est� perdendo.

� um dos meus favoritos.

Voc� parece at� as mo�as que n�o param de me assediar.

'N�o me diga que seu pai � o famoso escritor.'

'Que divino! Levo-o para a cama toda noite comigo.'

'N�o conseguiria dormir sem meu querido William Essex.'

Oliver, voc� � uma piada.

Conta para eles do Mortimer e seus trabalhos de ingl�s.

- Vamos, conta. - Ap�s analisar... ap�s analisar o...

Ap�s analisar sem sucesso...

...seus extraordin�rios hier�glifos...

e refletir sobre sua salada de met�foras...

pergunto-me como pode tamanha ignor�ncia advir de um filho de escritor famoso.

Confesso que minha cren�a na teoria de hereditariedade de Darwin...

recebeu um golpe irremedi�vel.

Queria ter ouvido isso.

N�o � prov�vel. Eles n�o se preocupam com seu ingl�s.

Seu pai possui minas de carv�o. Pena que o meu n�o.

� mais f�cil atender �s expectativas do carv�o que da cultura.

MINAS POGSON

O Sr. Pogson vai gostar muito desse, Srta. Vaynol.

Ideia genial dele escrever sobre minas de carv�o.

� que a maioria das pessoas v� as minas de carv�o...

como lugares deprimentes.

Mas agora, publicando-o com seus lindos desenhos, se me permite dizer.

Pode falar, ele est� me pagando bem.

Gostaria de desenhar um dos homens antes de ir.

- Um dos mineradores? - Sim, um esbo�o de personagem.

Ah, sim, entendo.

Posso sugerir que escolha um que pare�a bem nutrido?

Senhor!

Eu?

N�o, o mais alto.

Volte aqui! N�o ouviu a senhora cham�-lo?

Estou com pressa.

Veja como fala. Chame-me de senhor.

- Deixe comigo, Sr. Ferguson. - Muito bem.

Quer ganhar um xelim?

- Um 'bob'? - Uh-huh.

Pode ser. Para fazer o qu�?

Ficar em p� ali e deixar que o desenhe.

- Todo? - De corpo inteiro, sim.

- Ah, pra isso s�o dois 'bobs'. - Sabe fazer neg�cio, hein?

Isso quando tenho algo para vender.

Muito bem, dois 'bobs'.

Fique de p� ali, por favor.

Fique � vontade.

Melhorou. Vire de lado, por favor.

O que voc� faz na mina?

- Escavo.

Ah.

Gosta do trabalho?

Se continuar fazendo perguntas, custar� mais um 'bob'.

N�o estou t�o interessada assim.

- Perfil, por favor - Hm?

De lado.

N�o fique olhando para mim. Olhe para o aviso.

Faz isso por profiss�o ou s� para se divertir?

Se responder, custar� um 'bob'.

Mais que justo. Me pegou.

Fa�o isso profissionalmente.

Pronto.

- Quer ver? - At� que gostaria.

Ora, belo desenho!

Bem, toma seu dinheiro.

S� aceitei dinheiro de mulher uma vez na vida.

Nunca adivinharia o que fiz para ganh�-lo.

Entreguei uma carro�a de p�o.

Sem nenhuma segunda inten��o.

Uma fornada de p�o quentinho.

Mas mudou minha vida.

N�o vejo qual � o problema. Contratei-o e estou pagando.

Ei, � minha.

Obrigado por ter pegado.

Seu farsante! Seu grande farsante!

N�o tenho onde p�r a cara.

- Mas gostaria dos meus 2 xelins. - Seus 2 xelins?

- Trabalhei por eles. - N�o de forma honesta.

Julgava ter escolhido um minerador.

- E escolheu. - N�o precisa mentir.

H� diferentes tipos de minas.

- A minha... - Agora � dono de minas?

Faz parte da minha heran�a. N�o imagina o que me rende.

Diamantes, n�o?

�s vezes. Algumas pedras preciosas, ouro, prata...

muito chumbo e, �s vezes, s� lama.

Ah, a lama deu uma pista. Deve ser um escritor.

A seu servi�o, minha senhora. Fa�o parte daquelas criaturas humildes.

Um homem que garimpa as minas do seu intelecto e produz...

Muito interessante, mas n�o tenho tempo para escut�-lo...

...pois tenho que pegar meu trem

Um 'bob' para carregar sua mala, senhora?

Nunca vi uma pessoa t�o mercen�ria.

N�o faz nada que n�o seja por um xelim?

�s vezes cobro dois 'bobs'.

Toma.

Eu sei, acontece o mesmo comigo.

Quando consigo captar o corpo enquanto est� trabalhando...

com seu o jeito de andar, de pegar a picareta...

assim que come�o a pintar ou desenhar � como se meus dedos adquirissem vida.

� o que torna o trabalho t�o fascinante.

Nunca pensei que falar com uma mulher pudesse ser assim.

Como assim?

� que nunca conheci uma mulher que fizesse alguma coisa,

que tivesse uma carreira, por assim dizer.

Achava que todas eram... bem, do lar.

N�o sabia que uma mulher podia ser linda, jovem e inteligente.

Tudo ao mesmo tempo.

Ainda bem que mencionou linda em primeiro lugar.

- � vaidosa? - Um pouco.

- Que bom. - Por qu�?

N�o gostaria se fosse perfeita demais.

N�o posso perder o trem.

- J� terminou sua pesquisa? - N�o, ainda ficarei mais uma semana.

Todo dia l� na mina de carv�o.

Quando terminar estarei coberto de fuligem,

nos olhos, nos ouvidos, nos pulm�es.

E, se Deus for generoso, no meu livro tamb�m.

- Fala como se fosse uma prece. - E �.

O trabalho � sagrado e a labuta � santa.

O que foi?

- Eu j� disse isso uma vez. - Eu digo sempre.

� verdade, sabia?

Nunca conheci uma mulher que achasse.

N�o sabe muito de mulheres, sabe?

Bem, consigo escrever sobre elas.

Voc�s escritores n�o sabem nada de mulher.

E como poderiam?

Chamam-na Gertie, vestem-na com um chap�u cor de rosa,

fica costurando, diz que gosta de marmelada,

e eis sua hero�na.

Estava lendo um livro no trem.

Hmm... 'Every Street'.

- Ah, do William Essex. - Sim, j� leu seus livros?

- Sim. - S�o �timos!

� muito perspicaz. Meio Dickens de Manchester.

Bem... n�o sei se diria tanto.

- Inveja profissional? - N�o � bem isso.

Mas acho que teve sorte de fazer tanto sucesso.

Mas garanto uma coisa.

Suas mulheres n�o s�o Gerties de chap�us cor de rosa.

- Longe de serem mulheres! - Como?

Essa � a grande fraqueza do homem.

Achei que ele as retrata muito bem.

Nunca conheceu uma mulher como suas hero�nas?

Bem... n�o conhe�o muitas mulheres.

Mas escreve sobre elas.

O que prova minha opini�o sobre William Essex.

- Os cr�ticos gostam das cenas de amor. - Os cr�ticos s�o homens.

Vai me dizer que voc� namoraria como William Essex?

Talvez tivesse, no passado.

Mas agora n�o.

N�o depois desta noite.

N�o tenho esse direito...

N�o sou um homem desimpedido.

Mas eu a amarei para sempre.

- Soube disso assim que a vi. - Eu tamb�m...

N�o fale. N�o me fale nada a seu respeito.

N�o quero saber seu nome, quem � ou onde mora.

N�o seria seguro saber. N�o devo v�-la nunca mais.

N�o chore, por favor. Acho que n�o suportaria.

Sentir-se-ia melhor sabendo que chorarei quando estiver sozinha?

Vamos, corra.

Tome.

Pegue seu trem. Saia da minha vida...

enquanto ainda me � poss�vel.

Precisa encontr�-lo e mandar que volte imediatamente para Manchester.

Houve um acidente muito s�rio.

E por favor, d� a not�cia com jeito.

� sua esposa. Ela...

Oh... falarei com ele.

- Coitado do homem. - Thomas, o que foi?

Pegue seu casaco. Tente encontrar o Sr. Essex!

- � not�cia ruim, Thomas? - � a mulher dele.

Foi atropelada por um carro.

Morreu voltando da igreja.

Parece que foi ontem eu empurrando Oliver no seu carrinho.

�...

Bem, Londres pode ser tarde demais para mim, mas n�o para Oliver.

Ah, voc� est� a�.

N�o posso terminar sua mala sem saber que roupa vai levar.

- Apenas a roupa do corpo. - Melhor se apressar, Sheila...

- ...ainda falta emalar os livros. - Maeve est� tratando disso.

Melhor eu ajudar. Est� ficando tarde.

J� ia me esquecendo. Me empreste seu canivete, Dermot.

- Para qu�? - A faixa de luto. Vou cort�-la fora.

- Acha que deve? - J� faz quase um ano.

At� Maeve acha um exagero.

N�o vou deixar que carregue essa tristeza para Londres.

Tem que come�ar vida nova. Uma nova chance de ser feliz.

Oh! Pegou no seu olho?

Por que n�o disse que tinha adaptado seu livro para uma pe�a?

Est� uma maravilha. V�o adorar em Londres.

- Voc� acha mesmo. - Ser� que vai ficar roxo?

Ponha um bife cru em cima, ou uma toalha fria.

- Tudo bem. - Me desculpe,

mas a culpa foi sua entrando de mansinho.

Estava totalmente absorta nesta pe�a lind�ssima.

- Me far� famosa! - Voc�? Voc�?

Quem haveria de ser? Afinal, s� pode ter escrito para mim.

Um papel que cabe como uma luva.

Serei o sucesso da temporada, a maior atra��o da cidade.

Acha que j� tem experi�ncia suficiente?

Experi�ncia? Ora, veja s�!

Vai querer uma velha interpretando sua hero�na ou...

uma criatura linda como eu?

Ademais, n�o fiz uma turn� pelas prov�ncias na �ltima temporada?

N�o fui elogiada pelos cr�ticos?

N�o interpretei Rosalind no festival? E Of�lia?

E Julieta?

Que vejo aqui? Um copo bem fechado na m�o de meu amor?

Certo: veneno foi seu fim prematuro.

Oh, ingrato. Bebeste tudo sem que me deixasses uma s� gota para al�vio?

Beijarei teus l�bios.

� poss�vel que algum veneno ainda se ache neles...

para me dar alento a morte.

Teus l�bios est�o quentes! �, s� bem-vindo punhal!

�, s� bem-vindo punhal! Tua bainha � aqui!

Repousa ai e deixa-me morrer.

N�o exageremos!

Na verdade, Workheim vai produzir a pe�a.

E voc� far� uma audi��o com ele na 2a feira.

Que amor! Voc� � um amor!

Que amor!

M�e! M�e!

Recebi uma not�cia fabulosa! Sou a menina mais feliz do mundo!

HIS MAJESTY'S THEATRE "EVERY STREET"

De WILLIAM ESSEX com MAEVE O'RIORDEN

Ah... seus ingressos.

Esqueci de dizer. Pogson e seu pai vir�o para a estreia.

Portanto convidei uma mo�a.

Uma mo�a?

J� era mesmo hora de se interessar por algu�m.

Algu�m que eu conhe�a?

N�o creio. Conheci-a na casa do Pogson.

- Como se chama? - Livia. Livia Vaynol.

Deve ser apelido para Olivia.

Oliver e Olivia. Bem harmonioso.

- Como ela �? - Espere para ver.

- Parece s�rio. - Bastante.

Vai traz�-la para a festa mais tarde?

Pensei em trazer mas talvez n�o deva.

- Por que n�o? - � muita competi��o.

- Competi��o? - Olhe no espelho.

Apresentaria sua namorada a um sujeito com essa estampa?

- Ora, que bobagem. - N�o, voc� � muito bem apanhado.

Em Oxford todos achavam que era jovem demais para ser meu pai.

- Deixe disso. - Diziam que era piada, que era meu irm�o.

N�o parecemos irm�os? Voc� � mais bonito, claro.

Como toda essa sutileza, onde quer chegar com tantos elogios?

Como assim?

Em outras palavras, quanto isso vai me custar?

Acha que iria elogi�-lo com segundas inten��es?

Se acho? Eu sei que o faria.

Vamos l�. O que voc� andou aprontando?

Quanto � desta vez?

� uma d�vida de jogo.

Fui otimista demais apostando em straights e flushes.

Cem libras.

Cem libras?

Na sua idade era minha mesada anual.

Mas agora estou me divertindo por n�s dois,

por isso lhe custa em dobro.

N�o lembra?

Voc� sempre dizia, 'Oliver tem que ter tudo que n�o tive."

Pois estou me dedicando a isso em tempo integral.

Quando me oferecem uma bebida tomo uma por mim e outra por voc�.

�s vezes fica complicado mas tenho enfrentado com galhardia.

Seu tratante, jogando na cara minhas pr�prias palavras.

- Acho que o mimei demais. - Mas bem que gostou.

Muito bem, farei um cheque amanh�.

Mas um dia desses � melhor entrar nos eixos.

Sim um dia desses.

Sinto muito. N�o devia ter feito isso.

- N�o sente nada. - N�o, mas achei apropriado dizer.

Voc� � um jovem atrevido.

Enfim, do que adianta ser jovem e bonito se n�o for atrevido?

- Ent�o n�o est� zangada? - N�o me zango com coisas sem import�ncia.

- Ent�o n�o sou importante, �? - N�o o bastante.

Escuta, Oliver, voc� � jovem e muito atraente mas...

voc� ainda � um menino.

Estou crescendo. E, a prop�sito, sou mais experiente que voc�.

Ora, n�o seja tolo.

Ademais, j� cansei de dizer que tem outra pessoa...

J� sei, o homem que conheceu ao luar.

Nem sabe como se chama.

Posso faz�-la esquec�-lo.

Antes pudesse.

Mas sei que se ouvisse sua voz...

se visse seu rosto...

se entrasse neste quarto eu correria para ele.

E voltaria engatinhando para mim.

Seguran�a t�pica dos vinte anos.

Temos que correr sen�o nos atrasamos para o teatro.

Veja bem, rapaz, isso est� virando um h�bito.

E por que n�o. � muito agrad�vel.

Voc� n�o tem jeito.

Me d� isso.

Que maravilha! Acho que nunca me emocionei tanto.

Muito bom. N�o achei que meu velho conseguiria.

Mal acredito que � nossa pequena Maeve. N�o � maravilhosa, Dermot?

� uma verdadeira O'Riorden! N�o est� feliz de ter casado comigo?

Eu estou!

Autor! Autor!

Autor! Autor!

- Autor! - Autor!

Esse � o William Essex?

Claro, quem haveria de ser?

Senhoras e senhores,

n�o posso dizer que n�o esteja orgulhoso e feliz...

por terem gostado da minha pe�a "Every Street"...

t�o bem interpretada por este elenco.

Como sabem, veio de um dos meus livros.

Mas sua dramatiza��o...

deu-se � insist�ncia de uma jovem encantadora...

cujos dentes de leite ela estreou na corrente do meu rel�gio.

Vi-a crescer amando o teatro...

at� que um dia, num momento de fraqueza,

prometi-lhe escrever uma pe�a.

Envergonha-me dizer que o fiz para sosseg�-la num dos seus ataques.

Ele ainda os tem, s� que hoje chamamos isso de temperamento.

Ent�o, senhoras e senhores, se a pe�a � um sucesso,

o maior cr�dito se deve � Srta. Maeve O'Riorden.

- Parab�ns, Sr. Essex. - Obrigado.

- N�o foi maravilhoso? - Voc� foi maravilhosa!

Como poderia sem as palavras que botou na minha boca?

Que cenas de amor! N�o imaginei que pudesse escrev�-las.

N�o sabia, mas aprendi.

Para mim. Aprendeu para escrev�-las para min, n�o foi?

Sim, sim, para voc�, Maeve.

- Te amo tanto. - Eu te amo tamb�m, querida.

Com licen�a, Sr. Essex, mas assim ela pega um resfriado sem o casaco.

Isso, cuide bem dela. � a maior jovem atriz de Londres.

Com certeza!

- Maeve, minha querida! - Ol�!

- Parab�ns, Sr. Essex. - Obrigado.

- �tima pe�a. - Fico feliz que tenham gostado.

P�e-te � minha esquerda, Ferguson McRoy!

Seamus O'Shaughnessy, p�e-te � minha direita.

Antes de partirdes para vossa valente miss�o...

sabeis que, ao vitorioso, darei o adere�o de ouro...

que envolve meu alvo pesco�o.

O que � um adere�o?

Pelo amor de Deus, o que haveria de ser algo que envolve seu pesco�o?

- Linda atua��o, Srta. O'Riorden! - Ah, obrigada!

Nossa, estou t�o feliz que amo todo mundo!

Enquanto eu viver jamais esquecerei esta noite.

Minha primeira vez num teatro londrino. Ainda mais num camarote.

Imagine s�, o Sr. Essex distribuindo assentos no camarote.

- N�o est� passando bem, senhora? - Estou muito bem, � que...

deve ser toda essa agita��o, a pe�a e tudo.

Lembra quando o conde olhou para ela e disse:

"Eu a amarei para sempre."?

Se algum homem me dissesse isso jamais esqueceria.

N�o, jamais esqueceria.

- Como se chama? - Bessie.

Estou bonita, Bessie?

Parece uma pintura, senhora.

Obrigada.

Ent�o, amigo, estamos realizados, hein?

�, foi uma longa jornada desde o corti�o e os planos que fizemos para nossos filhos.

Voc� e seus filhos. Que tal falarem um pouco da filha?

Melhor deixar para ler nos jornais amanh�.

Uma pe�a med�ocre salva pela interpreta��o da grande e �nica Maeve O'Riorden.

Sou mesmo? Sou �nica para voc�?

Sou seu escravo desde que mordeu meu nariz com dois aninhos.

E ainda lhe devo por isso, Dermot.

Poder compartilhar esta mocinha com voc�.

Gostaria que compartilhasse o rapaz tamb�m.

Sua m�e fica preocupada com sua amizade com aqueles irlandeses estourados.

Quem ser�? Viu a cara que ele fez?

Sim, eu vi.

N�o � verdade.

N�o pode ser verdade. Isso n�o existe, tanta felicidade numa noite s�.

Se n�o a segurar certamente sumir� de vista.

O que a traz aqui?

N�o, n�o fale. Deixe-me achar que foi um milagre...

enviado do c�u.

- Minha querida. - Voc� n�o esqueceu.

Esquecer?

O sol esquece de nascer, as estrelas de brilharem...

as flores de desabrocharem?

Se soubesse as coisas que fiz.

Centenas de vezes arrisquei ser preso...

perseguindo inocentes mulheres por becos escuros...

espiando sob guarda-chuvas, dizendo, 'Perd�o, senhora, pensei que fosse...'

E nem sabia dizer quem pensava que era.

Nem seu nome eu sei.

Esses meses todos, quase um ano,

s� penso em voc� como 'minha querida,', 'meu amor', 'Meu doce'.

Tentei encontrar um nome para voc�, mas nenhum servia.

- Qual � seu nome? - Livia.

Livia.

Ah, est� a�, querida.

Pogson acabou de telefonar. Quer que jantemos com ele.

N�o sabia que estava aqui. Importa-se se sairmos mais cedo?

N�o seria indelicado?

Isto �, pedir que dispense uma convidada t�o encantadora?

Livia, voc� fez sucesso.

N�o � fabulosa? Que bom que aprovou.

E se n�o tivesse?

Bem, n�o conseguiria imaginar minha vida sem a Livia.

- N�o �, meu amor? - Oliver!

Tudo bem, papai n�o esqueceu o que � estar apaixonado.

Ou esqueceu?

William Essex! Bonito! O anfitri�o se escondendo dos convidados!

Com licen�a. Preciso que me ajude.

Livia, voc� j� conhecia meu pai?

Sim.

Por acaso � o homem que n�o conseguia esquecer?

Sim.

A cortina sobe para nova obra do Essex.

Champanhe, senhor, para brindar ao seu pai.

Hm? Ah, sim, claro.

Senhoras e senhores.

Talvez seja a primeira vez na hist�ria...

que um irland�s teve a chance de fazer um discurso...

e n�o aproveitou.

N�o tenho palavras para expressar...

a alegria da ocasi�o para este grande amigo meu,

que j� vejo tremer...

porque sabe como sou f�cil de come�ar e dif�cil de parar.

Ent�o s� me resta dizer, saudemos, senhoras e senhores,

saudemos William Essex, o homem mais feliz de Londres.

Trouxe-lhe um caf� quente, senhor.

Deseja algo para comer?

N�o, nada, obrigado.

Muito bem, senhor.

N�o vai me convidar para entrar?

Sim.

Sim, claro.

Isso � caf�?

Sim.

Posso tomar?

Fique � vontade.

N�o est� sendo muito hospitaleiro.

- N�o devia ter vindo. - Eu tinha que vir.

Por qu�?

Porque sei o que est� pensando sobre mim e Oliver.

E est� t�o enganado.

Oliver n�o tem compromisso algum comigo.

Afinal, toda mulher tem homens que se sentem atra�dos por ela,

- ...que a chamam de querida. - Mas Oliver � meu filho.

N�o dramatize.

Sim, ele gosta de sair comigo, dizer coisas bonitas, flertar um pouco,

� coisa da idade.

Mas nunca o encorajei.

Jamais deixei supor que estivesse levando a s�rio.

At� lhe contei de voc�.

Que havia conhecido um homem que jamais esqueceria.

Depois lhe disse que voc� era aquele homem.

Est� ficando frio.

O fogo est� apagando.

Perd�o.

Obrigada.

Ent�o?

Oh, Livia, por que n�o vai embora?

Por que n�o me deixa em paz?

Estaria em paz se o deixasse?

N�o.

- Meu querido... - N�o, n�o fa�a isso.

O que espera que eu fa�a? Compita com meu pr�prio filho?

J� disse que ele n�o significa nada para mim!

Mas voc� significa para ele.

N�o, n�o a tirarei dele.

Me tirar? O que eu sou afinal?

Uma c�moda, uma cadeira, uma mesa? 'Toma, Oliver, pode ficar, � sua'?

Deve ter passado a vida toda dando coisas para o Oliver.

- � meu filho. - N�o pode dar-lhe tudo.

Eu tamb�m tenho que ser ouvida.

N�o pode me dar para Oliver porque n�o me presto a isso.

Fale com ele. Diga que nos amamos.

� s� um rapaz. Acabar� me esquecendo.

- E se n�o esquecer? - Isso � problema dele.

N�o pode viver a vida dele.

Sempre haver� alguma mulher que n�o reciproque o que ele sente.

Se por acaso sou eu, e da�?

Ele ainda se interessar� por muitas outras mulheres...

...antes de descobrir o que realmente � amar.

- Antes pudesse acreditar. - Mas tem que acreditar.

Nada que me diga eu j� n�o disse a mim mesmo.

N�o adianta.

J� me mandou embora antes. Vai me mandar de novo?

Pois eu irei. Sairei da sua vida e nunca mais voltarei...

...se fizer uma coisa.

Olhe nos meus olhos e diga...

Livia Vaynol, eu n�o a amo.

Diga isso e eu irei.

Como eu a amo.

E a amarei para sempre e sempre.

N�o pense que n�o entendo seus sentimentos, Oliver.

Sei como podem ser sinceros e verdadeiros...

e sei a dor que podem causar.

Mas eles passam, eles mudam.

Disso eu tenho certeza.

Caso contr�rio n�o lhe diria o que vou dizer.

Livia e eu vamos nos casar em breve.

'Palmam qui meruit ferat'. Hm?

Esqueci que n�o sabe latim.

'Que o vencedor leve a palma da vit�ria.'

N�o se trata de vit�ria. Isso implicaria uma competi��o.

Afinal, conheci Livia h� algum tempo.

N�o sabia que a conhecia.

J� soube desse encontro rom�ntico.

Podia ter acontecido num dos seus livros, m�o?

E agora, tendo-o reencontrado, ela prefere voc�.

� natural.

Est� sendo muito compreensivo, Oliver.

Ora, vale tudo no amor e na guerra. Que ven�a o mais apto.

Nossa, quantas cita��es, n�o?

Bem, agora que sei como se sente...

confesso que passei por maus momentos.

Receei que pudesse criar um problema entre n�s dois.

Que pudesse atrapalhar todos os meus planos desde que voc� era crian�a.

Antes at�. Desde antes de voc� nascer.

Cheguei a imagin�-lo fazendo as malas e indo embora.

Indo embora? Era assim que acontecia na sua �poca?

Agora n�o � mais assim. Aprendemos a ganhar, n�o a perder.

Esp�rito de escola p�blica, levar na esportiva, etc.

Se n�o temos o que queremos, aproveitamos o que conseguimos.

Fala s�rio? Nenhuma amargura por detr�s desse sorriso?

Amargura? Ora, est� escrevendo demais.

Bem, agora posso mesmo aceitar o brinde de Dermot.

Sou mesmo o homem mais feliz de Londres.

Gra�as a voc�, meu filho.

- O Sr. Essex. senhora. - Ah.

Querido...

� s� para cumprimentar minha futura madrasta.

Quanta gentileza, Oliver.

Espero que sejam apropriadas para uma visita familiar.

Tive dificuldade para escolher.

N�o sabia o que comprar para uma madrasta.

Acho que escolheu muito bem.

Com meus cumprimentos, congratula��es e o devido respeito.

Obrigada, Oliver.

- Posso sentar-me? - Claro.

Obrigado.

- Tempo lindo, n�o. - Sim e parece que firmou.

- Londres em junho � espl�ndida. - Espl�ndida.

Parques cheios, passarinhos nas �rvores...

abelhas e borboletas num frenesi...

Oliver, at� quando vai continuar com isso?

O qu�?

Essa atitude rid�cula de respeito exagerado.

Cabe a voc� dizer.

Oliver...

sei que � sua maneira de tentar ser simp�tico...

e demonstrar que n�o quer complicar as coisas.

E eu agrade�o...

...especialmente por seu pai.

Sua generosidade o fez muito feliz.

Na verdade eu tamb�m fico muito feliz.

Pense s� como ser� agrad�vel n�s todos juntos.

N�s tr�s.

Tr�s?

Papai, mam�e e o pequeno Oliver.

- Pretende morar conosco? - Claro!

Seremos uma fam�lia t�o unida.

Longas noites de inverno na cidade...

longas noites de ver�o em Harron Water?

Enquanto papai estiver escrevendo n�o se sentir� s�. Eu estarei l�.

E todos falar�o como Oliver � t�o dedicado � sua madrasta.

Ent�o � isso que est� por tr�s da sua pretensa aceita��o.

Esse � seu plano!

- N�o sei do que est� dizendo. - Sabe sim, Oliver.

Pretende morar na casa do seu pai e cortejar a mulher do seu pai.

Livia, como pode pensar uma coisa dessas?

N�o acha que est� botando coisa na minha cabe�a?

Nunca pensei que algu�m pudesse ser t�o vil.

Veja, Maeve, durante sua fala devia se deslocar at� aqui.

N�o sei. Pensei em ficar de costas nesse momento.

Sinto que n�o gostaria que ele visse meu rosto ao me despedir.

Hm, bem pensado. Gostei.

Deviam orgulhar-se de ter uma filha t�o inteligente.

E somos. Quisera dizer o mesmo sobre Rory.

Pra cima e pra baixo com aqueles poetas e pintores em Dublin.

Alimentando o esp�rito e o estomago vazio.

- Quem foi que mandou ele para l�? - Ei, n�o vamos come�ar de novo.

Bem, quem vem pescar comigo?

N�o posso.

Maeve vai voltar hoje e preciso ajeitar este ato com ela.

Livia ir� comigo. Livia!

Onde est� a Livia?

Est� pintando em Beacon Head.

Podia chamar o Oliver. Ele gosta de pescar.

Ele est� velejando.

Que isso, sou um leproso?

Bem, se ningu�m pode, eu vou.

N�o preciso de favores.

Se n�o for pela prazer da companhia...

H� 20 anos gozo da sua companhia.

Estou mais interessada nos peixes.

Vamos logo, seu fagoteiro.

Antigamente, vendo seus pais, eu ficava pensando...

se na vida havia coisa mais bonita que aquilo.

E agora sabe a resposta.

J� marcou a data do casamento?

- Ainda n�o. - N�o demore.

- Hm? - A felicidade n�o deve ser adiada.

Ademais, gosto da Livia.

� maravilhoso como voc�s a acolheram bem aqui.

Livia, querida.

- Voltou cedo. - Sim, um pouco...

Gosto de v�-la chegando com toda sua parafern�lia.

� como se morasse aqui. D� essa impress�o, hein?

Claro.

E seu trabalho? Vejamos o que fez.

N�o, por favor. N�o fiz nada que mere�a ser visto.

N�o cabe a voc� dizer. Voc� l� minhas pe�as e ainda tece cr�ticas.

N�o � mais que justo.

Vejamos esta obra prima escondida aqui.

N�o fez muita coisa. Ainda por cima borrado.

Bem, onde est� o c�u e onde est� o mar?

N�o d� para dizer.

Cansei de pensar.

Pregui�osinha.

N�o brigue comigo.

Mas L�via. Querida.

Minha nossa, ela vai chorar.

S� estava brincando, n�o sabia que era t�o sens�vel.

- Me desculpe... - Mist�rio, mist�rio, teu nome � mulher.

Ol�, ol�!

- O que est�o fazendo? - Que tal o passeio de barco?

Perfeito. O vento estava a favor.

Ol�, Livia. Estava pintando?

- Sim. - Como � aplicada.

Estava brincando com meu pai?

Deve ser divertido manipular as pessoas.

Sua manga est� manchada de tinta.

- Hm? - Tinta.

Maeve, podia me emprestar um pouco de ruge? Estou t�o p�lida.

Claro. Sente-se aqui.

Melhor deixar eu passar. Maquiagem � comigo.

Oliver interrompeu sua pintura.

N�o foi?

Sim.

- Como imaginava. - Maeve, estou com tanto medo.

- N�o imagina o que tem sido esta semana. - Eu sei. Tenho visto.

Se continuar assim significa que n�o poderemos nos casar.

Desmarcarei tudo. N�o vou me arriscar.

N�o diga isso.

Partiria o cora��o dele.

Ainda n�o se vestiram?

Pronto. Bem coradinha.

Olhem s� meu nariz. Queimado do sol.

O pre�o pela minha devo��o.

- R�pido, Maeve. - J� estamos prontas.

Teremos champanhe para o jantar. Devo confessar, adoro champanhe.

Gostaria de fazer um brinde.

Um brinde � minha futura e encantadora madrasta.

Ah, minha querida.

Obrigada, Oliver.

Assim que gosto de ver. Com as faces coradas.

Hoje voltou de sua pintura parecendo um fantasma.

N�o diga! O que aconteceu, Livia?

- Ah, n�o sei... - Frustra��o de uma artista criativa, Dermot.

S� porque foi um dia sem inspira��o. como acontece com todos n�s,

fechou seu estojo, voltou para casa e desabou em prantos.

Prantos? Livia, voc� me surpreende.

Vamos, Livia. Estamos em fam�lia.

O que foi que amea�ou essa sua aura resplandecente?

Apenas uma pessoa conhece meus segredos.

Se � que os tenha.

Parece que acabou. Que tal mais champanhe?

- Parker, sobrou algum no balde? - Sim, senhor.

Bem, que tal a pe�a que est� preparando? Ser� melhor que 'Every Street'?

- Muito melhor. - Qual ser� seu papel desta vez?

Outra daquelas mulheres nobres de papai.

Edulcorada e transbordando de virtudes vitorianas.

Estaria insinuando que sou antiquado?

Bem, n�o pretendo ser rude...

mas por que n�o escreve uma pe�a sobre pessoas que realmente contam?

E quem seriam?

As m�s.

N�o s�o as pessoas boas que ganham as coisas.

S�o sempre preteridas.

S�o as m�s que controlam tudo.

N�o �, Livia?

Sim, � verdade.

Como? Acredita mesmo nisso?

Acredito. Oliver tem raz�o.

Pessoas honestas n�o t�m como enfrent�-las, ficam indefesas.

Porque quando entram no jogo quebram todas as regras de justi�a,

de probidade... e dignidade.

Uma bela fala para a pe�a. Pod�amos usar no segundo ato.

- N�o sei... - N�o tem o que discutir, � perfeita!

Pegarei o script e ver�o o que quero dizer.

Bem, j� terminamos, n�o?

Tomaremos caf� na sala de estar.

�tima ideia voc� nos deu. Exatamente do que precis�vamos.

- Oliver. - Sim?

Quero falar com voc�. A s�s.

Claro.

- Cigarro? - N�o, obrigado.

Veja, uma cadeira confort�vel.

Lembra quando eu ficava no seu colo ouvindo suas hist�rias?

Maravilhosas, por sinal.

Prefiro ficar de p�. O que tenho a dizer n�o � muito agrad�vel.

Vejo que est� s�rio. O que eu fiz desta vez?

Quero que explique seu comportamento hoje durante o jantar.

- N�o estou entendendo. - Sua atitude com Livia.

N�o consigo precisar...

mas por tr�s de cada palavra havia algo de malicioso, algo...

quase sinistro.

Sinistro? N�o acha que est� exagerando?

Espero que esteja.

Mas por que Livia estava t�o estranha durante o jantar?

Na verdade, quando voltou � tarde ela estava...

N�o esteve com ela, esteve, Oliver?

Estava velejando.

Sim, � verdade.

- Depois n�o foi encontrar-se com ela? - Claro que n�o.

Escute aqui, pai.

N�o quero ser presun�oso dando-lhe conselhos sobre mulheres.

Mas elas mudam de humor. N�o superdimensione.

Achei que estiva me comportando de maneira irretoc�vel.

E tem sido, sim. At� esta noite.

Hoje s� estava me divertindo.

Fiz pouco das suas pe�as e impliquei com Livia.

Afinal, tomei mais champanhe que de costume.

Por mais ing�nuo que seja, n�o era nisso que eu gastava minha mesada.

Se exagerei, pe�o desculpas.

Mas quanto a ser malicioso e sinistro, n�o sei do que est� falando.

Acredita em mim, n�o �, pai?

Sim, Oliver. Acredito em voc�.

Que bom.

J� esqueci. Agora aceitaria o cigarro.

Eu tinha uns, mas...

O que � isso na manga?

D�-me isso!

Tinta.

Tinta azul.

Oliver!

Voc� � um mentiroso, um trapaceiro.

Esteve com Livia esta tarde.

Da� o borr�o na sua pintura.

Por isso ela voltou triste e atormentada.

E da� suas tiradas durante o jantar.

Ent�o? O que tem a dizer?

Nada.

Nada?

J� tem todas as respostas.

- Isto n�o � p�quer. - N�o, as apostas s�o muito altas.

Mentiroso e trapaceiro!

Sua m�e disse a mesma coisa. Aqui, neste quarto.

E eu n�o acreditei.

Como fui cego. E como me tomou por tolo.

Se vai permitir que uma briga por mulher interfira...

N�o se trata mais disso, Oliver. � muito mais s�rio que isso.

Voc� ultrajou e conspurcou a coisa mais sagrada na minha vida.

O amor por meu filho.

Sua m�e tinha raz�o.

Na primeira mentira sua devia ter-lhe dado uma surra.

Prop�e faz�-lo agora?

N�o quero nem toc�-lo.

Bem, isso deve ser a deixa para minha sa�da de cena.

Como assim?

N�o est� me mandando embora?

N�o, Oliver.

Isso n�o resolveria nada.

Esqueceu dos nossos la�os?

Ainda sou seu pai e voc� meu filho.

Agora...

nosso problema agora � encontrar uma nova base de entendimento.

Quanta nobreza.

Est� me dando uma chance,

serei testado para ver se sou digno de viver com voc� e L�via.

N�o obrigado. Irei embora j� e para sempre.

Srta. Maeve, j� estava preocupada.

- Annie, querida, n�o precisa se preocupar comigo. - Achei que havia acontecido alguma coisa.

Ah, � o senhor, Sr. Oliver.

Querida, querida, como voc� est� fria.

Sente perto da lareira. Vou preparar um chocolate quente.

Para o senhor tamb�m.

De champanhe para chocolate. Do lixo ao luxo.

N�o, � ao contr�rio.

N�o sei, senhor. J� volto, Srta. Maeve.

- Oliver. - Hm?

Sei que pediu que n�o falasse...

...do que se passou entre voc� e seu pai mas...

- Ent�o por que falar? - Bem, por que...

Escuta.

J� n�o magoou todos o suficiente? At� a si mesmo?

Seria t�o f�cil resolver essa desaven�a.

Ser� que pode mudar de assunto?

Bonita sua casa. Se deu bem, n�o?

Gra�as � pe�a do seu pai.

Oliver, sei que est� magoado e com raiva.

Mas a culpa foi sua. Comportou-se muito mal.

Voc� tem os olhos mais bonitos de Londres, sabia?

Por que tem que fazer todo mundo t�o infeliz?

Cabelos lindos. Cheirosos tamb�m.

N�o seja t�o duro e c�nico.

Lembra-se como �ramos felizes em crian�a?

T�nhamos tantos sonhos maravilhosos.

- Chegou a hora de os realizarmos. - A pequena Maeve.

Volte para casa. N�o arru�ne a vida dele.

Pense como Livia � importante para ele.

Bem diante dos meus olhos esse anos todos.

Nunca tinha visto antes.

N�o permita que seu orgulho atrapalhe.

Prometa que se reconciliar�, Oliver.

Prometa.

Se continuar me olhando desse jeito, acabo prometendo qualquer coisa.

Qualquer coisa...

GUERRA DECLARADA

ALISTAMENTO BLUE STREET 133, DUBLIN

Uma primeira classe para Londres.

O mundo todo est� desmoronando.

� coisa s�ria esta guerra. Se j� dura meses pode durar anos.

Minha vida toda fui um irland�s profissional.

Mas agora digo, que Deus proteja a Inglaterra.

E � uma prece.

E meu filho convocado.

- Voc� tem um filho maravilhoso, Dermot. - Seu filho tomar� jeito, Will.

Rory disse que est� se tornando um grande soldado.

N�o leve t�o a s�rio essa separa��o.

N�o � a primeira vez que pais e filhos se desentendem.

Desentendimento? Antes fosse s� isso.

Veja bem, Dermot, deixei-o saber o quanto significa para mim.

Por isso usa essa separa��o como arma.

N�o vejo como faria uma coisa dessas.

N�o com um pai como voc�.

�s vezes bons pais s�o maus pais.

S� posso dizer que tem sido negligente consigo e com seus livros..

E Livia, coitada, est� amargurada. H� semanas que mal a v�.

Eu sei, eu sei.

Bem, j� vou indo.

- N�o v�. - Sinto muito, eu preciso.

Vamos, melhore esse humor. Como dizia meu av�:

A estrada � longa e �rdua.

- Adeus, Will. - Adeus, Dermot.

Fique com Deus.

Pronto, Srta. Maeve. Pelo menos um chazinho.

- N�o come quase nada h�... - N�o consigo comer, Annie.

� Maeve. Acabo de saber de Rory.

Est�o de partida para a Fran�a hoje. Ordem de �ltima hora.

Achei que gostaria de ver Oliver antes de partir.

Sim, Maeve. Claro que gostaria.

Partir�o da Victoria Station �s oito.

Oito horas?

Sim, Maeve. Estou indo para l�.

Srta. Maeve... Srta. Maeve!

- Posso passar? - Tarde demais.

- � proibido entrar na plataforma. - Meu filho est� indo para a Fran�a.

Sinto muito, o trem j� vai partir.

Fiquei preso no tr�nsito. Tenho que passar.

Sinto muit�ssimo. Ordens s�o ordens.

Tem certeza que trouxe tudo?

Lembre-se do que falei. Mantenha os p�s sempre secos.

- Escrever� todo dia, n�o �? - Pode deixar, m�e.

Dermot! Dermot!

Dermot! Dermot!

Sim, Will?

N�o consigo passar! Chame Oliver para mim.

Oliver!

J� lhe disseram que seus olhos azuis s�o os mais lindos de Londres?

Oliver, seu pai est� ali. Quer falar com voc�.

Diga que estou ocupado, muito ocupado.

N�o � justo permitirem mo�as como voc� numa esta��o.

D� vontade de ficar.

Deixa disso.

N�o vai se despedir do seu pai?

N�o, nem adeus nem nada.

- Se fosse seu pai eu... - Mas n�o �.

N�o tem sentimentos? Como pode fazer isso com seu pai?

� at� f�cil. Adeus, Sheila.

Adeus.

Cuide-se.

O que quer que lhe traga de volta?

N�o quer me ver.

� como nas noites quando ele ficava calado porque n�o tinha o que falar.

Volte l�, Dermot. V� se despedir do seu filho.

Pe�a que cuide do Oliver para mim.

Adeus, rapaz. Deus de proteja e cuide de voc�.

Sr. Essex!

Por favor, senhor. Sou a Annie.

- Quem? - Annie, da Maeve. Preciso falar-lhe.

Ah, sim. O que foi, Annie? Venha, saia da chuva.

Maeve n�o sabe que vim. Esperei que sa�sse para o teatro.

Estou t�o preocupada.

Preocupada? Mas por qu�, Annie?

O jeito que as coisas est�o e o Sr. Oliver indo embora hoje.

Oliver?

N�o sabia! Nunca sonhei que estivessem interessados um no outro.

Achei que devia saber. Afinal � seu filho.

- Falarei com ela agora. - N�o diga que lhe contei.

Quando descobri jurei que manteria segredo.

� o tipo de segredo que n�o d� para ser guardado.

Taxi! Venha, saltarei no teatro.

His Majesty's Theatre.

Um bom espet�culo, n�o?

Jovem atriz arru�na a carreira.

Joga a carreira para o alto.

Enfrenta um certo eclipse e esc�ndalo.

Mas como Oliver p�de fazer isso com voc�?

Como p�de deix�-la sozinha nessa situa��o?

Por que...

eu n�o queria que ele fizesse nada.

Ele sabe, n�o �?

Escuta, querido, n�o culpe Oliver.

- Fui eu que comecei tudo. - Voc�? Mas por qu�?

O que h� por traz disso, Maeve?

Quando Oliver saiu de casa...

achei melhor n�o perd�-lo de vista.

Isto �...

...se n�o perdesse contato com todos n�s...

ele se reconciliaria com voc� ent�o...

eu o via com frequ�ncia e...

N�o estou fazendo muito sentido, estou?

Bem, ele deve ter achado que eu estava interessada.

E talvez estivesse. N�o sei, estava meio confusa.

Eu tamb�m estava t�o triste.

Voc� infeliz?

Ah, esqueci.

Voc� n�o sabia que eu amava algu�m que n�o me amava, n�o �?

Agora n�o tem mais import�ncia.

Ainda n�o d� para acreditar.

Nem tente. � t�o complicado.

Eu teria dado uma p�ssima estrategista.

Deviam sempre escrever um script para mim.

O que farei daqui em diante?

Voc� � um dramaturgo. Diga-me.

Sim...

Sim, Maeve, eu lhe direi.

Case-se comigo.

Casar-me com voc�?

N�o...

N�o.

Sei que qualquer rela��o desse tipo entre n�s dois...

deve parecer-lhe chocante.

Mas n�o estou oferecendo nada...

bem... no sentido rom�ntico.

Sei o que sente por mim.

Da mesma forma que sabe o que sinto por voc�.

Voc� � como se fosse minha pr�pria filha.

E imagino que...

...que voc� deva me ver como um senhor idoso.

Mas posso ajud�-la a atravessar esse per�odo dif�cil.

Sem que ningu�m fique sabendo.

Me sentiria muito honrado e agradecido...

se me aceitasse como...

como um ref�gio.

Mas a Livia. E a Livia?

Livia.

Ama-a tanto assim, no entanto se casaria comigo.

Desistir� de tudo s� por mim.

Como me orgulho de voc�.

Dois minutos, Srta. O'Riorden.

- Voc� � um bom homem, William Essex. - Tem que se casar comigo, Maeve.

Encerraremos a pe�a amanh�.

Diremos que precisa de um tempo para descansar.

Pedirei uma licen�a especial e partiremos direto do cart�rio.

Preciso de tempo para pensar.

Sua vida depende disso, Maeve.

Assim como a sua.

Vou pensar. Depois direi o que decidi.

Srta. O'Riorden, a cortina vai subir!

N�o pode enfrentar essa plateia.

N�o posso?

Como � que voc� dizia quando eu era crian�a?

Qualquer atriz que se preze consegue atuar...

mesmo de cora��o partido e o rosto coberto de l�grimas.

Eu o amo tanto.

N�o acredito! O famoso William Essex.

- Querido, que bom v�-lo. - Cuidado, meu casaco est� molhado.

- Vamos tir�-lo ent�o. - N�o vou demorar.

Deve estar estranhando a sala. Estou trocando os m�veis de lugar.

J� reparou que quando mulher n�o tem o que fazer...

fica mudando m�veis de lugar?

Sim, at� aquilo eu mandei emoldurar. Meu pior desenho.

Talvez n�o se lembre.

Um trabalho que fiz h� cerca de um ano.

Sujeito estranho.

Passou por mim e achei que seu rosto tinha personalidade.

Personalidade.

N�o vejo assim. Acho que perdeu seu tempo.

Eu nunca o esqueci.

- Antes tivesse. - Ah, n�o.

Nunca lhe trouxe nada sen�o infelicidade, Livia.

E nunca trarei.

� isso que veio me dizer?

Sim.

Quer que o deixe?

Sim.

- Eu n�o acredito! - Mas precisa acreditar!

Por qu�? Por que me deixaria sem raz�o alguma?

S� existiria uma raz�o para eu deix�-la.

Oliver.

Sei o que esse rompimento significou.

Tudo na sua vida perdeu import�ncia, at� eu.

Eu at� compreendo. Mas n�o deixe que isso nos separe.

N�o � nada disso. � muito diferente.

Lembra-se daquela noite...

quando voc� voltou e...

disse que se pudesse olhar nos seus olhos e dizer...

'Livia Vaynol, eu n�o a amo.'

Naquela noite n�o conseguiu dizer.

Agora pode dizer. � isso, n�o �?

Tudo bem.

N�o precisa ficar t�o infeliz.

Sinta-se livre.

Ser�... ser�...

que podia ir embora?

- Qual o endere�o de entrega? - Levarei comigo.

Muito bem, senhor.

N�o, fita prateada n�o. A de cetim branco, por favor.

- Em geral � para noivas, senhor. - Isso mesmo, para uma noiva.

Muito bem, senhor.

Oh, Sr. Essex. Estava tentando falar com o senhor.

N�o sei como lhe dizer...

Encontrei-a assim. Pensei que estivesse dormindo.

SEGUNDA BATALHA DE YPRES ARRASA

KITCHENER CONVOCA MAIS VOLUNT�RIOS

DERMOT O'RIORDEN SUPERINTENDENTE DE CONSTRU��O

Q.G. FOR�A EXPEDICION�RIA INGLESA do nosso correspondente especial WILLIAM ESSEX

- Quartel General, Sr. Essex. - Obrigado.

Volte para a cidade. Encontro-o l� mais tarde.

Sim, senhor.

Ocuparemos este setor com os franceses...

estendendo nossas fileiras para o sul at� chegar a Nantes.

� tudo que estou autorizado a contar-lhe.

Mas voc�s sempre d�o um jeito de encher suas colunas.

Se houvesse tanta luta quanto voc�s escrevem nos jornais...

a estas alturas estar�amos quase todos mortos.

Bem, Coronel, os setores que cobri n�o eram t�o calmos como este.

N�o nos julgue mal.

Afinal, os ingleses est�o �vido por not�cias.

Por falar em avidez, estou com fome.

Vem comer no rancho conosco, n�o?

- Bem... - Vamos, n�o aceito n�o como resposta.

- Obrigado. - H� semanas n�o vejo uma cara nova.

Espero que tenha novidades para contar.

Meu repert�rio se esgotou.

Na verdade, soube que est�o se amotinando.

Ou arranjo hist�rias novas ou soldados novos.

- A prop�sito, disse que se chamava Essex? - Sim, William Essex.

Venha. Tenho uma surpresa para voc�.

- Boa noite, senhores. - Boa noite.

Como sabem, o QG costuma mandar-nos escritores...

para que todos fiquem bem informados em casa.

Para minha surpresa, quem nos visita hoje...

n�o s� � um famoso escritor de livros, pe�as... e coisas...

mas um homem que deu a este regimento um dos nossos oficiais.

Senhores, apresento-lhes o Sr. William Essex.

Boa noite, senhor.

Como v�o?

- Capit�o Essex. - Sim, senhor?

Que surpresa, hein?

Quanta sorte.

Est�o perplexos, hein? Mais que natural.

�timo rapaz. Eu o invejo. Tenho seis filhas.

- Jantar, senhor. - Jantar? Espero que seja bom.

Nosso �ltimo jantar decente. Partiremos esta noite, sabia?

Vamos.

Gentileza sua me procurar.

Teria viajado l�guas para n�o encontr�-lo.

Nada de grandes cenas? Coisa tipo pai e filho?

N�o tenho filho.

Sr. Essex, sente-se � minha direita.

Capit�o Essex � minha esquerda.

Quem est� faltando?

O Sr. O'Riorden. Est� de licen�a. Voltar� � noite.

� melhor que volte. Estamos com falta de oficiais.

Temos muito orgulho do seu filho.

� um bom soldado.

Boa sopa. Ele levanta os �nimos.

Precisa de sal.

Conta hist�rias divertid�ssimas.

Deve ter a quem puxar. Tal pai, tal filho, hein?

Melhorou.

Ent�o, como se sente frente a frente com seu pai ap�s esses meses todos?

Maravilha, n�o?

Melhor perguntar a ele. Ele tem mais jeito com palavras.

Ele ganha para isso.

At� com voc� ele faz piadinha.

Ent�o, Essex, o que est� achando dele?

Acha que mudou muito?

N�o, acho que n�o mudou nada.

N�o mere�o toda essa aten��o. Fico at� encabulado.

Que tal contar umas das suas hist�rias para ele, senhor?

Que tal aquela do senhor com o maraj�?

Ah, aquela, sim!

Bem foi assim. Eu era um jovem na �poca.

Nunca tinha segurado uma espingarda para elefante.

Muito menos dentro de casa.

A� ele disse, 'Deve se lembrar dessa albergue.'

'Havia uma gar�onete muito atraente l�.'

'J� deve ter ficado no Bishop's Arms.'

A� eu respondi, 'Se tivesse ficado com a gar�onete...

com certeza me lembraria.'

Senhores!

Senhores, ao Rei.

Ao Rei!

Senhores, podem fumar.

- Pode me dar licen�a? - Sim, claro.

Rory, rapaz!

N�o esperava v�-lo aqui.

Que prazer em v�-lo. Que tipo de licen�a lhe deram?

- Como est� sua fam�lia. - Bem, na medida do poss�vel.

N�o me parece muito bem para quem acaba de chegar de uma licen�a.

N�o est� doente, est�?

Talvez, n�o sei.

Estive com Annie em Londres. Annie da Maeve.

Ah, �?

Imagino que esteja se sentindo s�.

N�s todos estamos, Rory.

N�o o Oliver. Veja como gargalha.

Escuta, rapaz...

sua primeira vez em casa sem a Maeve l�...

...imagino como se sentiu. Eram t�o chegados.

Eu sei o que aconteceu com ela. Annie me contou.

Ah, est�o a�.

- Prazer em t�-lo de volta, O'Riorden. - Boa noite, senhor.

Essex, ajude-me a decidir uma aposta.

N�o foi Kipling quem disse, 'Ser ou n�o ser, eis a quest�o.'?

Kipling, sim... N�o, diria que foi Shakespeare.

- O'Riorden! - Ol�, Rory. Ent�o, divertiu-se?

N�o � espl�ndido meu pai estar aqui?

Quero falar com voc�, Oliver.

- Est� bem. - L� em cima.

Muito bem.

Ah, n�o. N�o vai fugir agora.

Tem que me ajudar a terminar o porto.

Jones.

� uma dos problemas da guerra. A dificuldade de conseguir um bom porto.

- Sa�de. - Sa�de.

A prop�sito, Essex, tenho uma hist�ria que gostaria de ouvir.

Pode at� us�-la no seu trabalho.

� sobre o Kitchener. Grande homem, aquele.

Voc� escritores devem ficar sem ideias de vez em quando.

� bom ouvir alguma coisa nova, n�o?

Bem, aconteceu comigo na �ndia.

Foi assim...

E n�o sabia o que tinha feito com Maeve.

Claro que n�o. Isso para voc� n�o passa de um esporte.

N�o sabia de nada.

Costumava me divertir com suas mentiras. Mentia t�o bem.

Agora n�o � t�o divertido.

N�o estou mentindo. Maeve n�o me disse nada.

N�o sabia que estava morta? N�o sabia que tinha se matado?

Costum�vamos falar no col�gio...

'Veja o Oliver. Veja-o se safar dessa enrascada.'

Consegue pregar qualquer mentira olho no olho.

Exatamente como agora.

Fazendo crer que certo � errado e preto � branco.

Mas comigo n�o, Oliver. Conhe�o voc� bem demais.

Rory... eu sinto muito.

Voc� sente muito.

- Sobre o que aconteceu... - Voc� � incapaz de sentir.

Est� bem. Mas n�o h� nada a fazer.

H�, sim. Uma coisa pode ser feita.

Vou mat�-lo, Oliver.

Seria uma tolice. Ser� levado a corte marcial.

Pensa em tudo, n�o �, Oliver?

E se for a corte marcial saber�o por que me matou.

Tudo vir� a p�blico.

O nome de Maeve nos jornais, n�o seria muito agrad�vel.

Seu canalha, mesmo morta ainda usa Maeve para salvar a pele!

- Largue essa arma! - N�o se meta!

- Oliver tem que pagar e voc� n�o pode... - N�o quero salvar Oliver.

Nem sei se mereceria ser salvo.

- Ent�o por que... - � voc� que estou tentando salvar.

Se fosse s� para fazer justi�a deixaria que resolvesse do seu jeito.

- Mas estaria arruinando sua vida. - E da�?

Para voc� talvez n�o. Mas tem seu pai.

Mesmo que tenha perdido meu filho n�o posso deixar que ele perca o dele.

Entende, Rory? N�o posso deix�-lo fazer isso.

N�o importa o que Oliver tenha feito n�o deixarei que estrague a sua.

� a �nica forma que nos resta para compensar seu pai pela perda de Maeve.

Ele n�o pode perder voc� tamb�m.

Guardemos alguma dignidade para superar isso.

For�a, Rory, for�a.

- � a nossa chamada. - Sim, precisa descer.

Sim.

N�o precisa recear que a use na hora errada.

Eu sei.

Adeus, Rory.

Adeus, tio Will.

N�o tenho o que dizer.

Cuide-se e volte bem para seu pai.

Ent�o, Essex, conseguiu terminar seu porto, hein?

- Boa sorte. Boa sorte a todos. - Obrigado.

Vamos.

Estava procurando-o.

Estamos de partida.

Deixei de me despedir de voc� uma vez.

N�o queria deixar de faz�-lo desta vez.

Acho que agora � tarde para falar.

Bem... adeus.

Adeus.

Foi boa ideia que teve l� em cima.

� Rory que merece ser salvo.

Eu sempre soube disso.

Ainda bem que concorda.

Mas s� uma coisa... quanto � Maeve.

Nunca pensei nas consequ�ncias.

Mas estou muito sentido.

N�o acredita, n�o �?

Talvez.

N�o sei.

Engra�ado...

pela primeira vez na vida queria que algu�m acreditasse.

Agora tenho que pagar por todas as minhas mentiras.

N�o foi s� culpa sua, Oliver.

Tamb�m sou culpado.

N�o �, n�o.

N�o importa o que tivesse feito, eu n�o seria diferente.

- Seria golpe de azar para qualquer pai. - N�o diga isso.

� verdade. Raramente digo a verdade, e ningu�m acredita quando digo.

Temos t�o pouco tempo e tanto para dizer.

D� para dizer tudo rapidamente.

Voc� foi sempre bom demais, eu nunca vali nada.

A hist�ria � essa.

N�o deve se desprezar desse jeito. Isso n�o se diz de ningu�m.

Refere-se a virtudes que redimem, esse tipo de coisa?

Sim, claro.

Pensando bem, acho que tenho uma.

Vejo como voc� � digno.

Se isso for uma virtude, que conste como um cr�dito para mim.

Vai ter espa�o de sobra.

Oliver... eu queria tanto para voc�.

Demais. Eu nunca conseguia estar � altura.

N�o sabia que queria.

Nem eu, at� ser tarde demais.

N�o � tarde. Voc� pode mudar.

- N�o conseguiria. - Consegue, sim. Voc� � jovem.

Tem a vida toda pela frente.

Tenho?

Quando tudo isso acabar levaremos a vida em frente.

Ningu�m faz milagre.

Mais uma coisa.

N�o importa o que eu tenha feito nunca duvidei de voc�.

Sabia que podia confiar em voc�.

Adeus.

Obrigado por tudo.

Adeus, Oliver.

Deus o aben�oe, meu filho.

Pai.

Pai.

Meu filho.

Meu filho.

Do Minist�rio da Guerra.

Senhor, venho informar-lhe...

que foi aprovada a concess�o da medalha Victoria Cross...

para seu filho, Capit�o Oliver Essex...

por bravura excepcional ao destruir uma bateria de metralhadoras...

sozinho, pagando com a pr�pria vida.

Sendo de sua conveni�ncia, Sua Majestade o Rei

solicita que se apresente a ele para receber a condecora��o pessoalmente.

Respeitosamente...

A Victoria Cross.

Que honraria.

Rory, voc� acha que Oliver queria morrer?

N�o sei.

S� sei que ao partirmos aquela noite...

nunca o vira t�o feliz.

Teria feito o que fosse para que se orgulhasse dele.

E conseguiu. Fez-me muito orgulhoso.

Agora v� o bom filho que voc� tinha.

Rory, temos que ir. Sua m�e nos espera.

- Adeus, Livia. - Adeus.

- Adeus, tio Will. - Adeus, rapaz.

Adeus, Will. E lembre-se...

Para a frente e para cima.

- Excelsior! - Adeus, Dermot.

Vamos, rapaz.

- Fique aqui fora no sol. - Hm?

Mas n�o est� fazendo sol hoje.

Vai fazer. Ele est� ali.

Atr�s daquelas nuvens.

Daqui a pouco ele aparece.

N�s esperaremos.

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

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