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Original subtitles

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

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Esta � Susan Manning Middlecott, uma das maiores educadoras do pa�s.

Pertence a uma das fam�lias mais ricas e respeitadas e da Nova Inglaterra.

Crian�a prod�gio, ela se superava em tudo.

Seu curr�culo escolar virava not�cia. Suas notas, as mais altas da hist�ria local.

O curr�culo universit�rio foi melhor ainda.

Colou grau summa cum laude na �rea de humanas,

tornando-se mestra e doutora consecutivamente.

Com tanto aprendizado, decidiu ent�o ensinar,

o que ela fez brilhantemente, at� ser interrompida pela Guerra...

onde serviu com dedica��o e coragem at� o dia da vit�ria.

Ap�s a Guerra, dedicou-se � reabilita��o de �rf�os de guerra franceses....

trabalho pelo qual foi condecorada pelo governo franc�s.

Uma honraria �nica conferida a poucas mulheres durante a Guerra.

Ao voltar, tornara-se um s�mbolo nacional.

Poucos anos depois, foi nomeada reitora da Faculdade Benton.

Em entrevista ao completar seu primeiro ano como reitora da Faculdade Benton,

a Srta. Middlecott expressou seus princ�pios ao declarar:

'N�o h� espa�o para romances numa carreira.'

Creio que fui mal interpretada, Professor Simon.

Quis dizer que n�o havia lugar para romance na minha carreira.

Esse � o calend�rio para o ano que vem. Mande para a tipografia.

E diga � Comiss�o de Formatura que terei prazer em receb�-los �s 16:00.

- Muito bem. - Obrigada.

Srta. Middlecott, o artigo est� bom,

mas acho que n�o captou sua verdadeira ess�ncia.

Minha verdadeira ess�ncia � imponder�vel.

Srta. Middlecott, apesar de suas teorias, eu...

Bem, eu sempre esperei que

talvez nosso relacionamento pudesse ser diferente do de professor e reitora.

Bem, voc� viu o que a Time disse. N�o h� espa�o para romance.

E o tempo est� passando.

- Bom dia, Srta. Middlecott. - Bom dia, professor.

Sim, esta � Susan Middlecott.

Fria, distante, ligada, vivendo num mundo de sua cria��o.

Nunca imaginou que esse avi�o transatl�ntico

levava algu�m capaz de p�r a pique

a serena dignidade de sua exist�ncia pac�fica.

Algu�m igualmente frio, distante e ligado.

Sinto incomod�-lo, Prof. Stevenson, mas j� chegamos.

Oh, muito... obrigado.

Olha, pessoal, a Lucille Ball!

Ei, Lucille! - Ol�, rapazes!

Que tal trabalhar no exterior? Que tal umas fotos?

Claro, obrigada!

Pronto, rapazes. Esse � nosso lado melhor. Tirem direito.

Ei, estragou a foto! Pode sair da�, por favor?

- Temos que tirar outra. - Tudo bem.

- Que tal dizer xis, Srta. Ball? - Se voc� insiste...

- Me perdoe... - Tudo bem. D� pra segurar meu casaco?

Claro!

- E a chapeleira. - Sim.

Voc� se lembra do professor. Bom dia, professor!

Obrigada, professor.

- Que tal, rapazes? - T� �timo!

Com licen�a.

Voc� est� aqui pra fotografar um astr�nomo.

Astronomia n�o � o estudo de corpos celestiais?

�.

Voc� estuda os seus corpos celestiais, eu estudo os meus.

Manda!

- Mais uma! - Mais uma pra mim tamb�m!

Tudo bem, manda.

- Obrigado, Srta. Ball. At� a pr�xima. - Tchau, Joe.

- Obrigado, Srta. Ball. - De nada.

Obrigada, professor. Voc� tornou a viagem agradabil�ssima.

Sua mat�ria � t�o interessante.

Por alguma raz�o sinto que estou me dedicando �s estrelas erradas.

Espero que possa dar um pulo na Calif�rnia desta vez.

- Voc� vai adorar. - Eu sei, falam tanto.

Mas � verdade que na Calif�rnia todo mundo usa um cobertor para dormir � noite?

Ora, professor, como � que todo mundo caberia debaixo de um s� cobertor?

At� mais.

Prof. Stevenson, sou Teddy Evans, do Escrit�rio de Palestras Pomeroy.

- Ah, como vai?

Prazer em conhec�-lo. Podemos tirar uma foto sua?

- Foto minha? - Sim, para os jornais.

O pa�s est� em polvorosa com sua chegada.

N�o imagino por qu�. Mas se insistem, claro.

- Podem tirar, rapazes. - Um momento...

Est� bem assim ou devo dizer xis?

Que engra�ado... Tirem.

Escrit�rio de Palestras Pomeroy

Esta noite, em Boston. Fim de semana livre.

Depois New Haven, Providence e...

N�o se incomode comigo, professor.

Mas Boston, New Haven Providence...

N�o se esque�a que sou um estrangeiro na Am�rica.

- Pode deixar, n�s encontramos. - N�s?

A Srta. Evans o acompanhar� para tratar da publicidade.

Mas minhas palestras j� foram contratadas. Publicidade para qu�?

Professor, astronomia � um assunto bastante enfadonho.

Mesmo voc� sendo o palestrante. Precisamos fazer algo para...

- dar um realce. - Realce?

Como fazem no cinema.

A �nica ideia que me vem � seu hist�rico na Guerra.

- Hist�rico na Guerra? - A coisa no comando que eu li.

Voc� � um cara e tanto.

- Tem muitas cicatrizes? - Por favor, Sr. Pomeroy...

N�o seja acanhado. N�o precisa mostrar.

N�o me incomodaria de lhe mostrar...

s� n�o quero que use para publicidade.

Recuso-me a capitalizar sobre meu hist�rico de guerra

e pro�bo qualquer men��o a isso.

Tenho uns recortes das minhas �ltimas palestras pela Inglaterra.

Talvez encontrem alguma coisa.

Mas dificilmente servir�o para dar algum realce.

Preciso de alguma coisa pros jornais de Boston.

Se tiver alguma coisa, mandarei por telefone.

N�o se incomode comigo, professor.

A prop�sito...

antes de tomar o trem para Boston,

acha que daria tempo para passar pela joalheria Cout�?

J� vai passear?

Tenho uma incumb�ncia. N�o demorarei.

Dar� tempo. S� partiremos depois do almo�o.

- Quer ir agora? - Seria muito inconveniente?

- De jeito nenhum. - Obrigado!

Sem, lembro-me bem desse medalh�o.

Foi comprado para a Srta. Middlecott por seu pai.

Faz algum tempo.

Tenho seu endere�o, com certeza.

Aqui est�. Susan M. Middlecott.

Seu endere�o � Benton, Connecticut.

� uma cidade universit�ria a algumas horas de Boston.

- Uma faculdade para mulheres. - Perto de Boston.

Poderia tomar o trem para Benton hoje � tarde

e te encontrar em Boston para a palestra.

Isso � que n�o. Voc� � meu bebezinho e n�o te perderei de vista.

Mas isso � pessoal. Gostaria de ir sozinho.

Numa faculdade para mulheres? Claro.

Ah, muito obrigado.

N�o tem nada aqui.

Se n�o conseguirmos alguma coisa, as palestras ser�o um fracasso.

Daqui a hora embarco para Boston e nada pros jornais.

Devia ter ido almo�ar com ele. Talvez se abrisse com voc�.

N�s almo�amos. E que almo�o!

Ele um queijo quente com leite, eu caf� e unhas ro�das.

Espera a�.

Susan M. Middlecott.

Susan M. Middlecott.

Susan M. Middlecott.

Susan M. Middlecott! Chefe, j� sei!

Sabe?

Um medalh�o de ouro dado a ela pelo pai

e depois dado para... Chefe, acertei na loteria.

O que vai fazer?

- Vou tornar isso um romance... - Romance!

Quem se interessaria num romance entre um astr�nomo e uma reitora?

Mas trata-se de uma mulher muito especial.

E acontece que o Prof. Stevenson � o esqueleto no seu arm�rio.

� s� dar uma sacudida nos ossos...

Al�, Walter! Que bom que te encontrei.

Vou te dar uma exclusiva, algo pra voc� se fartar.

Com uma condi��o.

Tem que sair na edi��o da tarde.

- Lim�o, pai? - Sim, e tr�s cubos de a��car.

Os cubos s�o dos pequenos?

Seis.

M�e, o que � 'rendisvos'?

O qu�, querida?

Um 'rendisvos'.

Deixe-me ver, Louisa.

Onde est� 'rendisvos'?

� rendezvous!

Susan, que not�cia maravilhosa!

O Prof. Alex Stevenson, renomado astr�nomo ingl�s,

n�o fez segredo de que seu cora��o pertence a Susan Middlecott,

famosa reitora da Faculdade de Benton, ao chegar hoje da Inglaterra.

A reitora, que declarou n�o haver espa�o para romance em sua carreira,

- n�o foi encontrada para comentar. - Me d� isso!

Parab�ns, minha querida.

E devo acrescentar, at� que enfim!

Sinto decepcion�-lo, mas este artigo n�o tem fundamento algum.

- Nunca vi esse homem na vida. - Ora, ora, Susan.

Mesmo que n�o me tenha contado antes,

fico feliz que finalmente tenha percebido que mulher alguma � completa

sem um lar, um homem, filhos.

Tenho um lar, tenho Louisa, de que mais preciso?

- Digo filhos seus, n�o adotados. - Pai...

Ora, amo Louisa tanto quanto voc�. Voc� sabe disso.

Obviamente esse homem vai dar uma palestra idiota em Boston

e quer usar meu nome para publicidade.

Um estranho n�o faria isso. O que vai fazer?

Me ligue com a esta��o de trens.

Ele n�o ser� o �nico a falar em Boston hoje.

Al�, aqui � a Reitora Middlecott. Qual � o pr�ximo trem para Boston?

Ah, n�o! Sim, � importante...

Ser� que poderia? � muita gentileza sua.

Porei um fim nisso antes que v� adiante.

N�o entendo por que quer ver esse homem em pessoa. A menos que...

- A menos que seja... - N�o, pai. N�o �.

E deixe de bancar o cupido. Sua figura ajuda, a pontaria n�o.

Essa mo�a reclama demais.

- Vov�. - Sim, querida?

O que quer dizer 'rendisvos'?

Significa que sua m�e vai se encontrar com um homem.

- Ela n�o quer um 'rendisvos'? - N�o sei, querida.

Voc�s mulheres s�o dif�ceis de entender.

Ele vai ser meu papai novo?

Bem, parece promissor.

Jovem, bonito, ingl�s.

Todas as garotas que eu conhe�o t�m pais.

Eu sonho em ter um.

Podemos sonhar juntos.

Sinto muito, ela n�o est�.

- Sabe onde posso encontr�-la? - Hoje ser� imposs�vel.

Queria muito v�-la. Tenho um pertence dela que gostaria de devolver.

Hm? Quem est� falando, por favor?

Prof. Alex Stevenson. Pode dizer que eu liguei?

Obrigado.

Professor Stevenson? Al�!

Al�...

Por favor, teria uma folha de papel?

Obrigado. Pode me emprestar sua caneta?

Obrigado.

Minha cara Srta. Middlecott,

Teria um envelope?

- Algum tamanho especial? - N�o, qualquer um serve.

Assim poupa de ter que voltar.

� muita gentileza sua, obrigado.

- Ah, com licen�a... - J� sei.

Quer que entregue para voc�.

N�o. Tem um selo?

- Por que n�o viaja de �nibus? - �nibus?

Tem uma m�quina para selos logo ali.

- M�quina para selos? - Sim.

Coloca-se uma moeda e sai um selo.

Ah... obrigado.

Perd�o!

- Boa tarde, Srta... - N�o tenho como lhe agradecer.

N�o � para qualquer um que paramos o especial. Atrapalha os hor�rios.

Desculpe, mas � uma emerg�ncia.

Tudo bem. Vou pegar um bilhete de emerg�ncia.

Aqui est�.

Perd�o, mas nosso maior cliente pediu minha caneta.

- A senhora tem uma? - Acho que sim.

Desculpe incomodar de novo, mas...

Obrigado. Tem troco para 25 centavos?

- Enfim, um pagamento em dinheiro. - Voc� deve me odiar...

Ainda n�o. � s� me dar um tempo.

- N�o tenho troco. - N�o?

Com licen�a, teria troco para 25 centavos?

- Hm... s� tenho duas de dez. - Tudo bem. Serve. Obrigado.

- Mas faltam 5 centavos. - Pode deixar. Fica me devendo.

Tem uma cara honesta.

Sei o que est� pensando.

- Com licen�a. - Ah, n�o!

- Esse trem vai para Boston? - Sim.

Quero comprar uma passagem para Boston.

- Por favor? - N�o se sinta obrigado.

Eu sei. Mas como tem sido t�o gentil, acho que devia comprar alguma coisa.

A companhia agradece.

Posso ajudar?

Pode colocar para mim, por favor?

Obrigado.

- Boa tarde. - A mala, por favor.

Bilhete, por favor.

- Quinze, � l� na frente. - Obrigado.

- Um lugar, senhor? - Por favor.

- Posso pegar um jornal? - � vontade.

- Obrigado. - Queira se sentar.

Importa-se? O vag�o est� meio lotado.

Bem, sendo assim, creio ...

Parece-me que s� esta mesa est� lotada.

� que est� tudo reservado.

Odeio jantar sozinho em trens, voc� n�o?

Isso sempre acontece quando se deve dinheiro.

Tentam ignor�-lo.

Deveriam ser mais gentis com seus credores.

Faz tempo que est� me devendo 5 centavos.

Seria uma pena fazer disso uma ag�ncia de cobran�a.

Salada de alface com tomate, molho roquefort...

Steak New York, aspargos, queijo e crackers, caf�...

Como deseja seu steak, senhor?

Steak? Eu n�o pedi um steak.

Eu pedi.

Mal passado.

- Ch� com torrada? - Sim.

- S� deseja ch� com torradas? - Sim.

'Astr�nomo e reitora Middlecott. Cientista brit�nico viaja 200 km por amor.'

Oh...

Algum problema?

N�o, n�o foi nada.

- Oh, me desculpe. - Obrigada.

Vejo que temos o mesmo gosto para literatura.

N�o chamaria isso de literatura.

Ademais, � de p�ssimo gosto.

Que ideia desse homem! Explorar uma mulher de renome para se promover.

S� pode ser para atrair publicidade para suas palestras enfadonhas.

- Enfadonha? - Sem d�vida.

Querem criar uma imagem rom�ntica desse homem

que deve ser t�o enfadonho quanto suas palestras.

- Como assim, enfadonho? - S� pode.

Ou n�o tentariam criar essa imagem dele. Escute s�.

Os clubes femininos aguardam ansiosos a chegada

do atraente e belo jovem ingl�s.

Ora, isso � s�...

Est�o dizendo isso? N�o tinha lido essa parte.

Parece ser um rapaz interessante, n�o?

Deve ser um pedante enrustido.

Atraente, belo, jovem.

Talvez nem tenha nada a ver com isso.

Voc� � ingl�s, n�o �?

- Sim. - Por isso o defende.

Um charlat�o associando seu nome ao de uma reitora por puro egocentrismo.

O que ela deve estar pensando?

Deve ser uma solteirona com faniquitos demais para pensar.

O qu�... Ora...

Aposto como � uma velhota ranzinza

que passa as noites fu�ando debaixo da cama...

sonhando.

- Ent�o? - Deve estar chegando. Plataforma 17.

Vamos, rapazes. Se ele n�o chegar nesse, estou ferrada.

Quem sabe nos encontramos de novo sem ser em trens?

Vou ficar pouco tempo em Boston, senhor...

- N�o sei seu nome. - Nem eu o seu...

Voc� � um anjo! Trouxe at� a prova.

Eis a prova n�mero 1.

Como vai. Srta. Middlecott. Sou Teddy Evans...

do Escrit�rio de Palestras Pomeroy.

Srta. Middlecott?

Fico t�o feliz que voc� e o Prof. Stevenson tenham se encontrado.

Tirem a foto, rapazes.

- Professor Stevenson? - Sim.

Oh, n�o!

Por favor, qual � o pr�ximo trem para Benton, Connecticut?

Se correr, ainda pega. Plataforma 5.

Obrigada.

Pode ficar aqui, Srta. Middlecott.

Obrigada, n�o estou me sentindo muito bem.

N�o tem problema algum. Avisarei quando chegarmos a Benton.

Obrigada.

- Sim, quem �? - Sou eu, Prof. Stevenson.

- V� embora! - Mas deixe-me explicar...

N�o vou falar com voc�. Por favor, v� embora.

- Quem �? - Cobrador.

- Estamos chegando? - Dentro de 5 minutos.

- E a dor de cabe�a? - Continua.

Sinto muito.

- Voc� com dor de cabe�a? - Quer sair daqui?

Srta. Middlecott, deixe-me explicar.

N�o h� o que explicar. Se n�o sair, mando bot�-lo para fora.

Est� bem, irei. Mas antes quero lhe dar isto.

- Onde conseguiu isso? - Do Beno�t.

Ele estava � morte.

Pediu que lhe entregasse se viesse � Am�rica

Tamb�m quis que ficasse com suas medalhas.

Est�o aqui.

E tenho algumas coisas suas que ca�ram acidentalmente de sua bolsa.

Beno�t tamb�m pediu que lhe desse um recado.

Disse que a amava.

Foi a �ltima coisa que disse.

Foi?

Chaves do carro... Teria escrito, mas n�o tenho seu endere�o.

Consegui na joalheria.

Batom...

Lembran�as?

Sim, ele me contou algumas.

A pequena �le de Paris.

A mesa sob a ac�cia.

A mesa sob a ac�cia.

Pente...

Ele era uma jovem oficial franc�s,

louro, de bigode...

Isso mesmo.

Acho que me lembro.

Voc� 'acha' que se lembra?

Ele sentia saudades de casa, precisava conversar com algu�m.

Eu lhe dei o medalh�o. Ele tinha pedido.

N�o precisava ter-se dado ao trabalho. � s� um medalh�o.

Eu mal o conhecia.

Mal o conhecia?

O homem esteve num campo de concentra��o, faminto, espancado...

quase � morte quando o salvamos.

Mas manteve vivo seu amor por voc�. A �nica coisa que sobreviveu.

- E diz que mal o conhecia. - Isso mesmo.

Eu mal o conhecia.

Nunca vi mulher mais fria na minha vida!

Meu maior erro foi trazer-lhe aquele medalh�o.

Devia ter trazido � calcinhas de l�!

Que h�bito estranho!

Recebi uma dica que voc� ia chegar de Boston, professor.

Gostaria de fazer alguma declara��o sobre seu romance?

Sim. Pode dizer exageraram al�m da conta.

Hm! Valeu a pena.

Um, dois, tr�s, quatro.

Um, dois, tr�s, quatro. Um, dois, tr�s, quatro.

Por hoje chega, senhor.

- Acho que fez por merecer isso. - Tem raz�o.

Nada como exerc�cio para despertar o apetite.

Tem raz�o, senhor.

Obrigado.

Mais alguma coisa, senhor?

Reencontro em Boston

REITORA ACERTA DUAS VEZES EM DUAS ESTA��ES

" Nunca fui atacado com uma bolsa"... Prof. Stevenson.

Mais alguma coisa, senhor?

N�o, isso basta.

- Bom dia, Maxwell. - Bom dia.

- Bom dia, pai. - Bom dia.

O que foi, algo errado?

- Voc� est� bem? - Claro que estou.

- Dormiu bem? - Claro, sempre durmo bem.

Ah... Diga, como estava Boston?

Continua em Massachusetts.

- Alguma novidade? - Ainda n�o acabei de ler.

A prop�sito, como foi tudo entre voc� e aquele professor?

O pro...? Ah, tudo acertado!

- Ah, �? - Sim, Resolvemos tudo de vez.

Ora! E ele se mostrou beligerante? - N�o, n�o...

Mas tive que coloc�-lo em seu lugar.

Acho que n�o v�o mais ligar nossos nomes.

Que tipo de pessoa ele �?

- Como o descrevem no jornal? - N�o sei, pai...

N�o prestei tanta aten��o.

Parecia ser um cientista como outro qualquer.

Usava �culos, uma barba e...

Oh!

Deve ter feito a barba antes de tirarem essa foto.

Nossa! Que horror! Temos que fazer alguma coisa.

Mas antes, aconselho que d� um jeito no seu cabelo e na sua hist�ria.

Susan, Susan! Espere um pouco, querida.

Vai sair sem suas armas?

Srta. Mathews, mande a reitora me ligar assim que chegar.

Sim, Dr. McFall.

- Bom dia, Srta. Middlecott.... - Por favor, por favor!

Laura, entre aqui.

Quem s�o essas pessoas? O que elas querem?

Os rep�rteres querem uma declara��o.

A mo�a diz que voc� tem uma coisa que lhe pertence.

E o Prof. Simon quer defender sua honra.

Ah, n�o!

O Dr. McFall quer que ligue para ele. Quer que eu fa�a a liga��o?

Falo com ele mais tarde. Mande-os entrar. Um de cada vez.

- Quero falar com a Srta. Middlecott. - S� faltam as fotos...

- Esperem, esperem... - Onde ele est�, Srta .Middlecott?

- Prof. Simon, n�o devia estar em sala? - Mas estava t�o preocupado com voc�.

- Por que deu na cara dele? - Quero uma retrata��o imediata...

- daquela hist�ria rid�cula. - Tudo bem. O que devemos dizer?

- Repito: onde ele est�? - N�o tenho nada a dizer. Sei l� onde ele est�.

- No jornal est� dizendo... - � verdade que jantou com ele ontem?

- Nem conhe�o o homem. - Mas jantou com ele?

- Sim, mas n�o o conhe�o. - Costuma jantar com desconhecidos?

- N�o. - Quer que eu saia?

- Sim. - Afinal, � sim ou n�o?

- Quem �? - � o Dr. McFall.

- Al�, Dr. McFall. - Repito: o que voc� fez com ele?

N�o sei do que est� falando, e acho que nem voc� sabe.

- N�o � com voc�, Dr. McFall... - � verdade que voltaram na mesma cabine?

- N�o! - Mas o cobrador disse...

- Podia desafi�-lo num duelo. - Deixe de ser oitocentista.

N�o, n�o � com voc�, Dr. McFall.

Diga ao seu jornal que se publicarem mais fotos eu chamarei meus advogados.

Agora saiam, saiam todos! Vamos, chispa.

Eu sinto muito, Dr. McFall.

N�o sairei daqui enquanto n�o me disser o que fez com o Prof. Stevenson.

Me daria licen�a s� um momento, Doutor?

N�o conhe�o o Prof. Stevenson, n�o sei onde ele est�...

Imagino que tenha encontrado seu medalh�o numa caixa de biscoitos.

O que sabe do meu medalh�o?

Sei que estava com ele, sei que foi voc� que deu...

sei que a primeira coisa que fez ao chegar foi te procurar...

N�o quero me meter na vida de ningu�m, mas n�o posso...

Al�? Ah, me desculpe, Dr. McFall.

Sim? Quem?

Prof. Stevenson? Um momento.

Tamb�m sei que voc� � a raz�o por que ele furou suas palestras.

- Quem � agora? - Prof. Stevenson na linha 2.

N�o quero falar com ele.

Pois eu quero! Escuta, querido, minha tarefa era cuidar de voc�.

S� quero saber uma coisa. Tu � ou n�o � meu bebezinho?

O qu�?

Para sua informa��o, esse n�o era o Prof. Stevenson.

Era o Dr. McFall, presidente desta faculdade!

Bem, agora � que n�o consigo mesmo meu diploma.

Bom dia.

- Bonita cor, hein? - Sim, qual �?

Passado cor-de-rosa. Eu uso o vermelho diab�lico.

Pronto! Se quiser alguma coisa, berra!

J� vou te atender, querida.

Vamos deixar essas cortinas fechadas.

D� pra imaginar ela dando um soco naquele ingl�s lindo?

Esperava o qu�?

J� viu essas fotos? Escuta s�.

"Reitora acerta duas vezes em duas esta��es."

O astr�nomo ingl�s, Alexander Stevenson, viu estrelas novas ontem..."

dando for�a aos boatos do seu romance com a Reitora Middlecott,"

que, durante uma briga, nocauteou o homem que ela diz ser um estranho.

Minha colega disse que ela devia se preocupar menos com trabalhos em sala

e mais com os deveres de casa.

Uma solteirona dessas tinha mais que agarrar o homem, n�o mat�-lo.

- N�o �, Nancy? - Claro.

Er... isto �...

Claro que n�o.

Vamos r�pido com isso. Tenho que ir embora.

Oh! Socorro!

Socorro! Goldie!

Goldie, vem c�! Socorro!

Algu�m me ajude!

O que � isso? - A Srta. Middlecott.

Srta. Middlecott! Srta. Middlecott!

O que aconteceu?

Com licen�a, tem Empire Ovals?

- Disse Empire Ovals? - Sim, os cigarros.

Ah, n�o temos. Acabaram. Isto �...

- Nunca tivemos. - Entendo.

J� tentou usar isso como coqueteleira?

Bom dia. O Prof. Stevenson est� hospedado aqui?

- Sim, senhora. - Ele est�?

- O telefone fica logo ali. - Obrigada.

Prof. Stevenson, por favor.

- O Prof. Stevenson saiu h� poucos minutos. - Saiu?

Pode tentar a casa dos Middlecott. Acabaram de lhe mandar um carro.

Como � que voc� sabe?

Com licen�a, senhora.

Hm, vov�, que orelhas grandes a telefonista tem!

Tome algumas estrelas, a Algol, por exemplo.

Sua mudan�a peri�dica de brilho �...

Eu sei. Num per�odo de 2 dias e 21 horas...

Algol passa para uma magnitude maior que 1...

e uma impressionante mudan�a de brilho.

- Por essa n�o esperava, hein? - N�o.

Temos algo em comum.

Eu sou um astr�nomo amador. Tenho grande interesse.

Mas no momento estou mais interessado em voc� e Susan.

Mas j� lhe contei tudo que tinha para contar.

� uma pena que duas pessoas como voc�s, que t�m tudo para se entender,

se conhe�am mas n�o se entendam.

N�o obrigado. � que sua filha n�o � muito 'entend�vel'.

- Diria que � uma pedra de gelo. - Mas isso n�o devia det�-lo.

Sabe o que os fil�sofos gregos falam sobre pedras de gelo.

O gelo de hoje pode ser a �gua quente de amanh�.

Pai! Que manh� a de hoje!

Voc�! O que est� fazendo aqui?

- Eu o convidei. - Voc� o convidou?

Parece que n�o percebeu que esse homem me fez passar vergonha.

- Se os jornais descobrirem que esteve aqui... - Ele me contou a hist�ria toda, Susan.

Ele n�o � respons�vel pelas fotos nos jornais.

Ah, n�o? Ent�o fui eu?

Bem, quem escolheu a pose foi voc�.

Pai, n�o percebe que foi tudo planejado?

Esse homem carrega uma agente de publicidade a tiracolo.

Contrata gente para armar essas situa��es.

E sua presen�a aqui definitivamente n�o � bem-vinda.

- S� o chamei para tomar um licor. - Partirei ap�s tom�-lo.

Para mim � um prazer ter um astr�nomo como convidado.

- Pensei em convid�-lo para almo�ar. - Almo�ar?

- S� ch� com torradas. - N�o vamos almo�ar hoje.

M�e! Que bom que veio almo�ar em casa!

'Rendisvos'?

- Vov� me contou tudo sobre o senhor. - Contou?

Sim. Ele disse que era jovem, bonito e ingl�s.

N�o diga!

Sim! Disse que ia ser meu novo papai.

Disse?

V� brincar, querida. Alice est� esperando.

Vamos, Louisa, vamos...

Bem, isso � o fim.

A manh� toda fui assediada por rep�rteres.

Por agentes publicit�rias, presidentes de faculdade,

por professores de franc�s querendo defender minha honra!

Agora minha filha chama um perfeito estranho de papai!

Pai, insisto que o Prof. Stevenson saia desta casa.

Sen�o, saio eu.

Alice!

Decidi ir para a casa de campo com Louisa.

- Arrume as coisas dela, por favor. - Sim, Srta. Middlecott.

- Fique aqui brincando, Louisa. - Sim, senhora.

Acho melhor eu ir embora.

Sinto muito que sua filha esteja t�o aborrecida...

mas a verdade � que essa publicidade � ruim para mim tamb�m.

- Irei com voc�. - �timo. Almo�aremos na hospedaria.

Sim. Ah, tive uma ideia melhor.

Se n�o tiver planos para o fim de semana...

- ...eu tenho um pequeno observat�rio. - N�o diga!

- Claro que sendo um profissional... - N�o, adoraria conhecer.

Gostaria? �timo! Fica na nossa casa na serra.

Que flores lindas. Voc� que plantou?

N�o. Nasceram sozinhas l� fora.

Bem, se vai brincar de anfitri� � melhor sentar na cabeceira.

Eta... pronto.

Adoro acampar aqui.

N�o diria que � bem acampar.

Vamos preparar especialidades hoje?

Onde foi que voc� ouviu isso?

Alice e a cozinheira sempre falam em especialidades.

Queria que voc� fizesse.

Posso tentar.

Susan!

Nossa, que coincid�ncia.

- Ser�? - Viemos para fugir de voc�.

- Vi as luzes acesas do lado de fora e... - Pai, voc� n�o vai ficar!

Mam�e, posso botar dois pratos extras.

- N�o... - Adoro convidados.

- N�o temos como voltar. Dispensei o carro.

- Pode usar o meu. - Ora, sabe que n�o dirijo.

- Professor, voc� podia... - Tamb�m n�o dirijo.

- N�o tem comida para todos. - Nem ch� com torradas?

- � s� o que voc� come? - Mal passado.

N�o entendi.

Um 'jack'...

- Ahh... - Perdeu.

Acho que � dif�cil demais para mim.

Parece que para voc� tamb�m chega, Louisa.

Est� na hora de nossa anfitri� ir pra cama.

Hora de dormir? Isso � humilhante.

- Vamos. - Fazer o qu�.

C'est la vie. Isso � franc�s.

- Vem, vov�. Tem que me vestir. - Isso sim que � humilhante.

- Sua filha � encantadora. - Obrigada.

- Adotei-a na Fran�a ap�s a Guerra. - Voc� sozinha?

Tecnicamente n�o podia, por ser solteira.

Mas n�o resisti a Louisa.

Como voc� conseguiu?

Escrevi uma carta para o Comandante.

Pedi que as formalidades legais fossem dispensadas no caso dela.

- Ele aceitou? - N�o, n�o. Ela aceitou.

Eu era a comandante. No dia seguinte eu deferi o pedido.

Ah!

Admir�vel. E muito esperto da sua parte.

- Ah, com licen�a. - Obrig...

� seu p� de arroz.

Pente, batom, chaves do carro....

Estranho, parece que j� fiz isso antes.

Tudo n�o passou de um mal-entendido rid�culo.

N�o toquemos mais nesse assunto. �timo.

Esta casa lembra a minha na Esc�cia. Muito confort�vel, isolada...

� para isso que serve. Para fugir das pessoas.

Ningu�m para nos incomodar.

A minha tamb�m. Para que n�o nos incomodem a n�s.

Isto �, meus cachorros e minhas armas...

e outras coisas que n�s homens costumamos levar nos fins de semana.

� um lugar onde, mesmo a s�s, a pessoa se sente acompanhada.

Voc� adoraria mesmo.

� como fugir da rotina da vida.

Qual � o problema com rotinas? Pessoas organizadas s�o felizes.

Est� feliz com a sua?

- Claro, � ordenada... - Praticamente antiss�ptica.

- � ocupada, agitada... - Sim, com a vida dos outros.

- � segura e confort�vel. - Mas � jovem demais para estar confort�vel.

- Voc� me diverte. - �?

Me olha atrav�s de um telesc�pio mental e v� coisas que n�o existem.

Ah, isso � que existem.

� que nunca a estudaram a contento.

- O fogo est� ficando fraco... - Deixe que eu cuido disso.

Quando seu pai me convidou para vir aqui eu aceitei sem pestanejar.

R�pido demais, talvez.

Acho que inconscientemente esperava que estivesse aqui.

Por qu�?

Porque o fogo precisava ser ati�ado.

Isso n�o devia ter acontecido, professor.

Bem, como astr�nomo, posso dizer que...

estava escrito nas estrelas.

Sinto muito, professor...

mas preciso dizer boa noite.

Vou dar uma de amazona amanh�. V�m me pegar de manh� cedinho.

Pelo visto, n�o parece estar fazendo progresso.

Venci as defesas externas, mas a fortaleza se mant�m de p�.

Mas n�o desista, rapaz.

S� porque tem um pouco de neve no telhado...

n�o significa que n�o haja fogo dentro de casa.

- N�o ia me mostrar seu observat�rio? - � para j�. Vamos.

A que atribui essa indiferen�a de Susan aos homens?

- Outro homem, talvez? - Pode ser.

- Simples e de ponta em todos os aspectos. - Isso ela �, com certeza.

Fruto de meu esfor�o. Eu mesmo remontei.

Ah, sim... belo trabalho.

Sr. Middlecott, quanto a sua neta...

- Estava meio rachada quando chegou. - Me refiro a Louisa, quantos anos ela tem?

Louisa, ela tem seis.

- Seis anos de idade... - Hm-hmm.

J� lhe ocorreu que ela possa n�o ser adotada?

Como assim?

Falo de Susan e o oficial franc�s...

a quem ela deu o medalh�o.

O senhor sabe, o caso da ac�cia.

Quem sabe eles n�o foram casados?

N�o!

- Susan teria me contado. - Talvez n�o.

Ela como comandante e ele como oficial de outro ex�rcito...

talvez tivesse sido melhor que ningu�m soubesse.

Mas sempre fomos t�o pr�ximos.

Ademais, pode ser que tenha ficado amargurada... e muito.

Quando se separaram, ele foi parar num campo de concentra��o.

Ela pode ter achado que tinha sido abandonada.

Bem...

Em vez de passar pela humilha��o quando a crian�a nasceu

talvez tenha sido mais f�cil dizer que a adotou.

Explicaria muita coisa.

A muralha que construiu � sua volta.

Pode at� ser.

Talvez tenha raz�o!

Por que ela n�o confiou em mim?

N�o teria contado para ningu�m.

Bem...

As mulheres s�o estranhas. Mas sei que contaria na hora certa.

Gostaria de pensar que sim.

M�e!

O que foi, querida?

- Quando � que voc� vem pra cama? - J� estou indo.

N�o consigo dormir.

Queria j� ter idade pra n�o conseguir dormir.

Vamos, � s� fechar seus olhinhos de novo.

Est� pensando no papai novo?

Louisa, por favor...

Por que a gente n�o pode adotar ele como voc� me adotou?

Voc� sempre diz que p�de escolher entre v�rias crian�as.

Mas voc� me escolheu.

Por que n�o pode escolher ele pra ser meu papai novo?

Querida, n�o se adotam maridos.

Por qu�? Temos direito a um ano de experi�ncia.

Se n�o der certo, podemos devolver pra ag�ncia.

Mas n�s somos felizes, s� n�s duas, n�o somos, querida?

Acho que ser�amos mais ainda se adot�ssemos um marido.

N�o sei, n�o... Como � que eu estou?

Parece uma cama desfeita.

N�o d� para entender. Em mim cabe t�o bem.

Devo ter um corpo esquisito.

N�o est� t�o mal.

Na verdade, est� dando um ar de descaso proposital.

- Ah, �? - Sim.

Se � para montar, melhor cal�ar as botas.

�... s� espero que os cavalos tenham senso de humor.

Obrigado.

Bom dia!

Bom dia.

Estou pronto.

� mesmo?

Para qu�?

Sempre se veste assim para o desjejum?

- Isto � um traje de montaria. - N�o diga!

Pensei que fosse um fraque. Quer dizer que vai montar?

- Sim... - Alex, j� ia esquecendo.

Obrigado.

Infelizmente voc� n�o tem jeito nenhum para se vestir.

Bem, podemos ir?

Podemos?

Ah, voc� quer ir comigo?

Claro, ontem � noite disse que dar uma de amazona com uns amigos...

ent�o pensei em ir junto, se n�o se incomodar.

Me incomodo, sim. A ideia n�o � nada boa.

Do jeito que est� j� foi dif�cil explic�-lo.

Mas isso j� foi resolvido!

Gostaria que voc�... Chegaram! Vamos.

Nada como uma bela montaria pela manh�...

Professor, n�o quero saber de mais problemas...

Que problema? Pratico montaria h� anos.

- Ademais, ficaremos juntos. - Mas...

Margaret, lembra do que falei ontem � noite?

- Lembro. - Bem, olha ele a�.

Os cavalos chegaram e vieram de bicicleta.

Meninas, quero lhes apresentar o Prof. Stevenson.

- Meninas? - Est� usando o termo gen�rico.

O Prof. Stevenson � o famoso astr�nomo ingl�s.

E um dos dez homens mais bem vestidos do mundo.

Ainda quer passear conosco, professor?

Acho que n�o estou vestido para a ocasi�o.

Nem para qualquer outra. Mas n�o seja por isso.

Ser� divertido ele vir conosco, n�o �, meninas?

Vamos adorar! Venha!

Acho melhor n�o... desde crian�a n�o ando de bicicleta...

- Ademais, n�o tem uma para mim, tem? - Tenho, sim. Insisto que venha.

Pode escolher. Que tal esta minha velha?

N�o parece muito firme.

Que tal esta, ent�o?

Acho que estamos prontas. Amazonas, montem!

- N�o vai montar? - � uma bicicleta de mulher.

Tente montar de lado.

- Vamos, professor. - Vai ficar pra tr�s!

Professor!

Algum problema, professor?

Um pouco...

Vai embora! X�!

Sai da�!

Cuidado!

Oi, professor, h� quanto tempo.

Acho que agora essa coisa est� dominada.

Agora pretendo relaxar e aproveitar o passeio.

O que mais poderia acontecer?

Ora, Prof. Stevenson. Um homem de sua reputa��o ca�do na sarjeta.

Parece que algo aconteceu com sua bicicleta.

Damos um tiro de miseric�rdia?

Acho que s� resta uma coisa a fazer.

- Ahn? - Venha.

Est� em forma, hein?

Estava at� come�ar esta trilha alpina.

Ai! O que foi isso?

N�o sei... Ser� que meu pulm�o explodiu?

Bem, que tal est� se sentindo agora?

Acho que nunca mais conseguirei andar.

Talvez devesse t�-lo colocado no guidon.

Acha que teria conseguido subir aquele morro pedalando?

N�o teria pedalado. Teria usado o motor.

Teria usado o qu�?

O motor.

Viu?

Acho que vou me matar.

N�o! Tive uma ideia melhor.

Essa coisa tinha um motor, voc� n�o me disse...

e me fez bufar, bufar e bufar?

- Vamos, controle-se! N�o se aproxime! - J� levou alguma surra na sua vida?

Sim, � mais ou menos assim.

- Voc� me empurrou! - N�o se mexa.

N�o toque nessas folhas!

- Por que n�o? - Urtic�ria!

N�o se assuste. Eu dou um jeito.

O que est� fazendo?

Est� come�ando a co�ar.

Vou ficar coberta de manchas. E hoje � a festa de formatura.

O que est� fazendo?

Um truque que aprendi na Guerra.

Faz-se uma papa de lama e esfrega-se na pele.

- Efeito imediata nas �reas afetadas. - Ah! R�pido, vamos.

Com essa papa, estar� curada.

Professor... minhas m�os tamb�m tocaram na urtic�ria.

Ah, sim.

- Acho que j� chega. - N�o, seu rostinho...

Pronto.

- Tenho certeza que j� chega, professor. - Acha que j� passei em tudo?

Sim, meu rosto, minhas m�os, minhas pernas...

Foram as �nicas partes que tocaram quando sentei...

ca� com minhas m�os...

Ah, voc�s est�o a�!

O professor estava... esfregando minha urtic�ria.

Urtic�ria?

Sim, eu ca� naquele mato ali.

Ora, Susan, aquilo n�o � urtic�ria. � uma folha inofensiva.

Esp�cie parthenosisis quinquefolia.

Amazonas, montem!

Bem, sempre fui p�ssimo em bot�nica.

Oh, coitadinho...

Festa de Formatura.

- Oi, Anita, podemos dan�ar?

Se manda, Jerome, vai.

Temos uns assuntos a tratar.

- E voc�, Ada? - Ah, n�o!

- Ol�! - Gentileza sua nos convidar.

Susan insistiu!

- Obrigado, professor. - Isso deve ser um passatempo nacional.

Nossos leitores queriam ver como voc� era sem uma bolsa na cara.

V� embora, v�...

V� procurar a Susan. Ela vai gostar de te ver.

Eu cuido da Srta. Evans.

Festa bem animada para uma faculdade pequena, n�o acha?

Educa��o � uma coisa fant�stica. Imprescind�vel em qualquer escola.

- Voc� � formada? - N�o. Fiz aperfei�oamento.

Quer dizer, aperfei�oamento para meninas, preparat�rio para meninos.

Ol�, Prof. Simon. Por que n�o est� dan�ando?

- Eu dan�aria se... - Susan!

Ah, com licen�a.

- Sim, Margo? - Vejo que ainda est� com urtic�ria.

- Engana-se. J� estou curada. - Ser�?

Imaginava que n�o quisesse ser vista com esse homem.

E n�o quero.

- Parece estar te procurando. - Mas n�o vai me encontrar.

Que tal, docinho, vamos dan�ar?

Puxa, me desculpe, Reitora Middlecott.

Mas n�o gostaria de dan�ar, gostaria?

N�o, obrigada, eu...

Mas... vamos at� o jardim.

Jardim? N�s dois?

Virgem Sant�ssima!

Sra. Reitora... me desculpe... n�o estou muito a fim...

Me fale de voc�. Voc� trouxe uma acompanhante?

N�o, vim sozinho.

N�o consigo arranjar mulher... garota.

Sei como se sente.

- Acho que sim, sendo mais velha... - O qu�...

Quem � mais velha?

- A senhora, n�o �? - N�o sou, n�o...

isto �, n�o sou mais velha que qualquer outra mulher da minha idade.

O que eu quis dizer � que... a senhora � a reitora e...

deve estar resolvendo problema de jovens a toda hora.

�... mas nesse momento estou tratando de um problema meu.

Vamos sentar aqui um pouco.

Essas coisas s� acontecem comigo.

Voc� n�o devia ter problemas. � um menino muito bonito.

- Menino, menino, sou um homem! - Shh!

- N�o consegue sentir meu queixo? - Acabei de sentir.

Sinta a bochecha.

- �spera, hein? - Que nada, parece uma seda...

Isso � barba!

- Ah, �? - Todo mundo diz que � penugem.

- Meu pai nem me deixa barbear. - Shh!

Tem um monte de navalhas e nem me deixa tocar.

� sovina com as navalhas, hein?

Que tipo de navalha planeja usar?

El�trica.

Hm... voc�... voc� � a/c ou d/c?

- Que tal dan�ar? - N�o, prefiro n�o dan�ar neste momento.

N�o acha que dev�amos deixar esse banco pros beijoqueiros?

N�o tenho visto muitos... beijoqueiros.

� bom ver como hoje em dia h� menos beija��o

que nos meus dias de estudante.

Ainda tem muito...

s� o pessoal � que � diferente.

Tudo bem... tudo bem... n�o precisa torcer meu bra�o.

Seu safadinho...

Virgem Sant�ssima!

N�o li em algum lugar que n�o havia espa�o para romance em sua carreira?

N�o seja rid�culo. S� queria me esconder de voc�.

Conseguiu me envergonhar diante dos meus colegas,

agora insiste em fazer o mesmo diante dos meus alunos.

- Por que veio aqui hoje? - Voc� me convidou. Seu pai disse...

Ah, meu pai...

Ademais, como � minha �ltima noite eu...

- queria me despedir. - �timo, j� disse.

Por favor! Assim n�o.

J� que estou aqui, s� uma dan�a?

- Nunca dan�o nessas festas. - S� uma dan�a?

- Voc� ir� embora assim que acabar? - Dou-lhe minha palavra.

Ol�, prazer em rev�-las.

Amazonas, montem!

N�o sei por que Alec fez tanto segredo de voc�.

Sabe como homens s�o possessivos.

- Ol�! - Ah, voc� a encontrou!

Permite?

Perd�o, est� � minha �ltima apresenta��o.

Melhor hora n�o haveria.

Prova de que � a mais popular da festa.

- Ei, me d� essa foto! - N�o! Essa vai me valer um b�nus.

Passa isso pra c�!

Como ousa? Como � que voc� entrou aqui?

- Como � que se tira isso? - N�o! Vai queimar o filme!

- Susan! Voc� est� bem? - Tudo bem, pai.

Pode devolver a m�quina dele.

Deixem-me passar... deixem-me passar.

Susan, o que foi?

Quero que ponham este homem pra fora imediatamente!

- Rapazes, acompanhem... - Deixe que eu cuido dele.

- Susan, o que � isso? - Sinto muito, Dr. McFall.

Foi um incidente lament�vel e devo-lhe desculpas.

Devo desculpas a todos voc�s.

� tanta publicidade, tantas declara��es distorcidas

que n�o podia permitir que continuasse desse jeito.

Os artigos que voc�s leram nos jornais sobre...

o Prof. Stevenson e eu s�o imprecisos em todos os sentidos.

Quero que voc�s saibam...

que meu cora��o pertence apenas � Faculdade Benton.

Quero que saibam tamb�m

que me orgulho demais desta turma que ora se forma.

E quero que se orgulhem de mim.

Perdoem-me por interromper sua festa.

Voltem a dan�ar, sim?

Pai, continue a dan�ar, por favor.

Me desculpe, Dr. McFall...

- Me d� minha estola, por favor. - Pois n�o.

Eu sinto muito. Acho que estraguei tudo de novo.

Se n�o tivesse vindo eu n�o teria passado por isso.

Eu sei. N�o se repetir�.

Amanh� eu partirei e sumirei da sua vida.

N�o quero estragar sua noite. Por favor, n�o v� embora.

- Acho melhor... - Posso lev�-la?

- Preferia que n�o. Estou de carro... - Eu insisto.

Ah, papai est� com as chaves, Podia peg�-las para mim?

- Com todo prazer. - Obrigada.

- Posso ajudar? - Oh!

Que susto!

Acho que perdi as chaves do meu carro.

Imagine s�.

Sente alguma coisa?

Ah, me desculpe.

- S� sinto grama... - Deixa pra l� ent�o.

Upa, me desculpe.

- Se importa? - Ah, me desculpe.

- Voc� tem carro? - Sim.

- Onde est�? - Ali.

- Pode me levar para casa? - Mas... Srta. Middlecott...

Eu...

- Melhor n�o levarmos isso adiante. - Prometo me comportar.

Perdi minha cabe�a naquela hora. A lua, a m�sica...

Foi um momento de loucura. Cad� seu carro?

- Aqui. - Oh...

- Que carro lindo! Sim, senhora, uma joia.

- Onde voc� vai? - Pro meu carro.

Quer dizer que este...

Ah...

Ai!

- Ah, esse � seu carro? - Sim, meu primeiro carro!

Ah...

- Que cheiro horr�vel � esse? - � meu rabo.

Seu qu�?

Meu rabo de guaxinim.

Ah... n�o devia ter cortado.

Esqueci de dizer. A porta � remov�vel.

- Ai! - Puxa, desculpe.

- Devia t�-la prevenido. N�o tem... - N�o tem piso.

Quer m�sica? Tem r�dio.

Ou televis�o ou nada. Pra casa, Jerome!

- Ronca feito um gatinho, hein? - Gato selvagem!

- A quanto voc� est� correndo? - Isso � passo de tartaruga.

- Nada mau, hein? - Parece o trem fantasma de Coney Island.

Devia devolver isso pro Daniel Boone.

Belos freios, hein?

- Outro? Imposs�vel! - Outro?

Quer comparar essa lata reciclada com minha baratinha at�mica?

At�mica? Se passar de 10 km/h isso desmonta.

Ah, �? Quer apostar?

Pode crer. Te espero ali adiante.

Ah, �?

N�o, Jerome! Me deixa sair daqui!

N�o corra! A culpa � toda minha. Seu carro � melhor que o dele.

Tudo bem.

Me deixe sair deste carro!

- Assim que ultrapassarmos o cara. - Iria mais r�pido sozinho.

- O que voc� fez? Meu rabo! - Cres�a outro.

- Me deixe sair imediatamente! - Eu pego ele!

Para com isso, Reitora.

- O que foi agora? - Minha echarpe!

Pare este carro imediatamente!

Puxa, reitora, t� quase alcan�ando ele.

Puxa, reitora, t� atrapalhando a aerodin�mica.

Xi, tiras.

Gra�as a Deus!

Pena de morte � pouco.

Sinto interromper o passeio, mas os jovens devem saber que...

Ah, seu guarda...

ele estava me levando para casa...

N�o interessa. Documentos.

N�o seja muito severo com o rapaz. S� estava me levando pra casa.

Sou a Reitora Middlecott, da Faculdade Benton.

Ah, �? Eu sou Chapeuzinho Vermelho da Escola P�blica 22.

Imagina uma reitora andando num 'hot rod'.

� dele, n�o � meu. Isto �...

N�o est�o aqui. Devo ter deixado em outro casaco.

- Ah... - Andou bebendo?

- Um pouco de ponche. - Batizado, n�?

E voc�, princesa?

Dispenso o sarcasmo, seu guarda.

Estou tentando lhe dizer que sou a Reitora Middlecott.

- E a�, Charlie? - Ah, ele me conhece, pode me identificar.

Tentava dizer que sou a Reitora.... - Espera a�!

N�o se adiante. Deixa que eu pergunto.

Qual � a dela? Diz que � reitora da faculdade. Voc� a conhece?

Ela pirou. Nunca a vi mais gorda.

Ora, voc�...

Mas vai dar uma bela hist�ria.

Jovem com mulher n�o identificada em corrida de 'hot rod'.

Valeu, Charlie. E cuidado com ela. Parece bem perigosa.

� melhor me acompanharem.

N�o posso ir com ele. Tenho que pegar aquela foto.

- Abra a boca. - H�?

Fecha, fecha!

Seu guarda! Acho que n�o vai dar pra segui-lo.

Parece que perdemos a chave da igni��o.

Se for at� o posto mais pr�ximo e ligar pra faculdade...

eles mandar�o algu�m imediatamente para me identificar.

- Muito bem, pra fora. - Como?

Os dois pra fora, por favor.

Deve estar achando que nasci ontem.

Diz que perdeu a chave, bem...

quem sabe te ajudo a encontr�-la? Sou bom nisso.

Quer dizer que perdeu a chave, hein?

Essas chaves s�o do meu carro. Por isso estou nesse carro.

- Ser� que n�o mete nessa cabe�a du... - � melhor que n�o entre...

sen�o vou ficar muito aborrecido.

Claro que n�o entra, � do meu carro. Como poderia...

Seria imposs�...

Oh! Oh, n�o!

- P�e... - Virgem Sant�ssima!

Ah, Jerome!

Estou bem, pai. � s� mandar o carro, por favor.

Para a Delegacia.

N�o, n�o! S� me pegaram com um garoto num 'hot rod'.

� um tipo de carro!

J� disse que estou bem. Mande o carro.

Eu sinto muito, Srta. Middlecott.

Permita que a levemos numa viatura policial.

N�o ser� necess�rio, obrigada.

N�o me preocuparia com a chave.

Voc� � jovem. Digere qualquer coisa.

Conseguimos. O motor acabou de morrer.

Me admira que ainda estivesse vivo.

- Oi! - Ol�!

- Quem � voc�? - E voc�, quem �?

Eu sou Louisa. Voc� veio ver minha m�e?

Quem � sua m�e? - A Srta. Middlecott.

Srta. Middlecott?

Tamb�m tenho um papai novo.

Ele acabou de chegar da Inglaterra.

Seu papai novo?

S� conheci ele quando ela o trouxe de volta de Boston.

Que paulada! Tchau, Louisa.

Descobri um �ngulo novo. Escuta s�!

A Srta. Middlecott tem uma filha. Captou?

'Senhorita' Middlecott.

E a filha acaba de dizer que Alex Stevenson � seu pai.

Teddy, voc� bebeu!

Ainda n�o. Mas esse furo ser� celebrado com vinho de safra.

Al�, Merle, aqui � a Pearl.

Vou te deixar escutar uma coisa.

Se isso n�o te espantar, voc� tem sangue de barata.

Al�, Earl, aqui � a Pearl.

Gruda essa orelha no telefone. Quero que escute uma coisa.

Se est� de chap�u, � melhor tirar. Isso vai faz�-lo voar.

Claro que � a not�cia � uma bomba.

Mas n�o pode publicar que uma mulher solteira

da estatura da Reitora Middlecott tem uma filha.

N�o importa quem � o pai. � cal�nia.

�... talvez tenha raz�o, chefe.

Mas teria arrebentado.

Bem, tenho que arranjar outro �ngulo.

- Me d� not�cias. - Falou.

Al�, Merle, � a Pearl.

Deve estar de cabelo arrepiado.

Arrepiado? Me deu um permanente!

Earl, � a Pearl. Que tal?

De dar �gua na boca.

- J� ouviu a �ltima? - N�o.

Bem, dizem que...

N�o!

A Srta. Middlecott?

Acreditem, n�o � do meu feitio espalhar fuxicos sobre a Srta. Middlecott e sua filha.

Mas toda a cidade j� sabe.

N�o d� pra esconder uma coisa dessas.

Com certeza. Os alunos n�o falam em outra coisa.

O campus todo.

� horr�vel, n�o?

Francamente. Nunca fiquei t�o ligada na minha vida.

� mais emocionante que a aula de biologia.

Se meus pais souberem me tiram logo de Benton.

- Por qu�? - Liberalismo tem limite, n�?

Essa eu tirei ontem. A reitora, o garoto e o 'hot rod'.

Quando recebi a dica, me mandei pra casa dos Middlecott e tirei da garota.

Que mat�ria! J� tenho at� a chamada.

'Uma Crian�a de Destaque. Ponto de Interroga��o.'

Captou?

Nunca ouvi coisa mais absurda. � fant�stico!

N�o admito ser mais humilhada.

Mas, Susan, logo agora, na semana da formatura.

Alunos, pais, o corpo docente, todos falando...

Que direito t�m de falar?

N�o se trata s� de voc�, tem a boa reputa��o

Isso n�o envolve s� de voc�. Tem a boa reputa��o de Benton.

N�o pode sofrer com esc�ndalos, por mais infundados que sejam.

Pois re�na o Conselho. Esclarecerei tudo de uma vez por todas.

� o melhor que tem a fazer, Susan.

Eu posso ir? N�o quero perder nada.

Acho bom estar presente. Afinal, trata-se da reputa��o de sua filha.

A reputa��o de sua filha est� acima de qualquer suspeita.

Estarei na minha sala dentro de 15 minutos.

Obrigado.

- Susan. - Pode entrar, pai.

Susan, preciso falar com voc�.

Isso n�o � hora para conversa.

N�o, mas quero que saiba que eu entendo tudo.

Tudo o qu�?

Eu sei que Alex Stevenson n�o � o pai de Louisa.

- Mas tamb�m sei que n�o � adotada. - Os papeis da ado��o est�o nesta caixa.

- Eu sei que Beno�t... - O que Beno�t tem com isso?

- Alec e eu est�vamos discutindo... - Ah, o Alec!

- Susan, n�o precisa continuar fingindo... - Aqui est�o, pai.

Tem raz�o...

Bem, s� posso dizer que estou muito, muito decepcionado.

- Por qu�? - Talvez quisesse acreditar...

naquela hist�ria com o Beno�t.

Susan, n�o v� que essa pode ser uma boa oportunidade para voc�?

Oportunidade para ser ridicularizada pela comunidade toda?

Para defender-me de mentiras infundadas diante do Conselho?

N�o � isso. � a oportunidade de se tornar uma mulher.

- Eu sou uma mulher! - N�o.

Voc� parece uma mulher. Mas a semelhan�a para a�.

Voc� fala como uma enciclop�dia.

Pensa como um dicion�rio. Tem a emo��o de...

Por que n�o manda aquele Conselho pra...?

N�o, claro que n�o pode fazer isso...

Mas eu podia...

N�o, acho que tamb�m n�o.

Mas, Susan, essa � a hora de correr atr�s do homem que ama.

- Homem que eu amo? - Vai negar?

Claro que nego. Ele n�o significa nada para mim.

- Quem? - O Prof. Stevenson!

- Quem falou nele? - Disse que eu estava apaixonada por ele.

- Eu n�o. Voc� que disse que... - Eu?

- Susan, quer acabar uma solteirona? - Conhece minha teoria sobre isso.

E voc� conhece minha teoria sobre as suas.

Cansei de doutrinas, teses, hor�rios inflex�veis, abnega��es...

e mulheres frias como filhas.

S� tem uma vida! Por que viv�-la numa camisa de for�a emocional?

- Voc� me educou assim! - N�o eduquei, n�o.

Dei-lhe as todas as vantagens poss�veis.

As melhores escolas, ver�o na Europa.

Porque gosto de mulheres mimadas. S�o mais femininas.

E porque pensei que com...

uma educa��o, roupas, boa apar�ncia e meu dinheiro...

voc� traria pra casa um homem. Mas trouxe?

N�o, trouxe diplomas, t�tulos, uniformes.

Em vez de trazer um homem, trouxe condecora��es.

Sinto t�-lo decepcionado, pai.

Achei que se orgulharia disso.

Susan, por que n�o ouve seu cora��o?

E n�o sua cabe�a.

Est� ficando tarde. Vamos.

Pode entrar, bellboy. Estou quase pronto.

Pode levar minhas malas daqui a um instante.

Ah...

Deve ter entrado no quarto errado.

- Voc� � o Prof. Stevenson, n�o? - Sim, sou o Prof. Stevenson.

Ent�o este � o quarto certo.

Posso ajud�-lo?

Sou Paul Simon, do Departamento de Franc�s da Faculdade.

Como vai?

Vim falar sobre um assunto muito delicado.

- A Srta. Middlecott. - Susan Middlecott?

Ela n�o tem nada de delicado.

N�o, mas a situa��o em que se encontra �.

Corre um boato que monsieur � pai da filha dela.

- E � perfeitamente poss�vel... - Que eu sou o qu�?

Pai da sua filha.

Mas isso � um absurdo!

Quem inventou uma hist�ria dessas?

Isso monsieur � que devia saber.

Mas eu n�o sei!

Ademais, n�o sou pai da menina.

- Mas poderia ser, n�o? - Est� meio tarde.

Isto �... a Srta. Middlecott significa muito para mim.

Ela tem sido, infelizmente, como uma irm� para mim.

D� para compreender.

Nem uma irm� eu gostaria de ver nessa situa��o.

O Conselho vai se reunir. Podem pedir sua demiss�o.

Hm... sinto muito saber.

Sei o que a carreira significa para ela.

Mas n�o posso fazer nada.

- Tem, sim, monsieur. - Hm?

Podia dizer que s�o casados,

a� n�o haveria mais esc�ndalo envolvendo a crian�a.

N�o posso fazer isso!

N�o posso andar por a� dizendo ser pai do filho dos outros.

Isso n�o se faz, amigo.

Ora, monsieur...

s� uma mentirinha branca...

depois seguiria seu caminho e todos ficariam felizes.

N�o, eu sinto muito. Susan Middlecott sabe muito bem cuidar de si.

Siga meu conselho, volte para suas aulas. Ela saber� lidar com a situa��o.

Voc�s ingleses s�o t�o galantes.

Susan, eu quero fatos.

� preciso uma declara��o pondo fim a esse boato.

Pelo bem da faculdade.

E a declara��o precisa apoiar-se em fatos.

Pois � precisamente o que vou lhe dar. Tenho aqui...

Por favor, desculpem interromper...

Sei a raz�o dessa reuni�o, mas se me derem um momento...

tenho certeza de que poderei esclarecer tudo.

- Susan? - Eu mesma posso esclarecer a situa��o.

Sim, mas como eu sou a causa do mal-entendido...

sinto-me na obriga��o de esclarec�-lo.

Talvez agilize o procedimento.

- Est� meio tarde para explica��es pelo Prof. Stevenson.

N�o se me deixar contar a hist�ria toda.

- A hist�ria toda? - Que hist�ria toda?

Ora, n�o temos nada a esconder, temos?

- Claro que n�o! - Ent�o!

Para tanto, preciso remet�-los � Fran�a durante a Guerra.

- Precisa come�ar a�? - Foi onde eu entrei no cen�rio, n�o foi?

Infelizmente, sim.

� a velha hist�ria, oficial ferido...

uma mo�a americana bonita...

tardes quentes de ver�o, luar...

tomando conhaques sob ac�cias...

Eu mal conhecia esse homem.

- Nossa! - Como � que �, Susan?

Isto �, ele estava ferido e eu cuidava da sua a convalescen�a.

E divertindo-se � be�a, um romance que nascia.

Uma noite ele lhe pediu uma coisa e...

ela deu.

- Meu medalh�o! - Com a corrente.

O romance evoluiu para paix�o e logo se casaram.

- Como... - Ela literalmente o arrastou...

at� a capelinha na Normandia.

Como pode dizer uma coisa dessas?

- Eu estava muito fraco... - Voc�?

Casamo-nos e passamos a noite de n�pcias sob a mesma ac�cia

perto da capelinha na Bretanha.

Bretanha? Disse que se casou na Normandia!

N�o, o que quis dizer era...

- ...que Louisa nasceu na Normandia. - Louisa nasceu em St. Tropez!

Querida, voc� n�o se lembra. Estava doente e confusa...

Eu nem estava l�!

Pai, esse homem est� louco!

Se isso for uma piada, escolheu uma m� hora para brincadeiras.

Sim, acredito que sim.

Bem. Me desculpem. Bom dia.

Susan, ser� que n�o percebe o que ele est� tentando fazer?

Agora que ficou esclarecido que o Prof. Stevenson n�o � o pai da crian�a...

talvez possa nos dizer quem �.

Pardon. Preciso falar!

Preciso falar!

As l�nguas est�o batendo e s� fazem bater uma mentira!

Senhores, por que a Srta. Middlecott me trouxe para este pa�s?

Porque queria aprender franc�s? N�o!

Porque tenho muito dinheiro? N�o!

Porque sou jovem e bonito? N�o!

Trouxe-me porque sou seu marido.

Sou o pai da crian�a.

- Nunca imaginei... - Nem eu.

Agrade�o sua inten��o, mas est� 30 segundos atrasado.

O Prof. Stevenson j� reivindicou essa honra.

N�o diga! C'est magnifique!

Se ele � o pai, n�o pode ter sido eu.

N�o, n�o pode.

- Isso resolve tudo. - Para mim, n�o.

Como presidente desta faculdade, exijo que se expliquem.

Ambos est�o sendo cavalheiros.

Nenhum dos dois � meu marido nem pai da Louisa!

Isso n�o � hora para cavalheirismo. Quero fatos.

N�o me resta alternativa. Terei que pedir sua demiss�o...

a menos que prove que esse boato � falso e infundado.

Pensei que tivesse confian�a absoluta em mim.

Evidentemente todos meus anos de dedica��o

est�o sendo questionados por causa de um boato,

rumores sem qualquer fundamento.

Fatos, fatos... Aqui est�o seus fatos.

N�o...

N�o.

Estou farta de doutrinas, teses, hor�rios inflex�veis e...

- E... - Abnega��o.

E abnega��o.

N�o precisam pedir minha demiss�o. Eu pe�o.

- Nunca imaginei que fizesse isso! - Nem eu.

Bem, imaginei que esta reuni�o fosse ter outro desfecho.

E, pelo bem da crian�a, s� para constar...

n�s temos os documentos legais da ado��o!

Sim.

Deem uma olhada. Ver�o que est� tudo em ordem.

Alec!

Ainda bem que ainda te peguei.

N�o vai tomar o trem e sumir. N�o vai tomar nenhum trem.

A menos que eu v� com voc�.

� a primeira coisa sensata que ou�o voc� dizer.

J� era hora de perceber que precisa de um homem em sua vida.

Voc�s duas precisam.

- Duas? - Sim, voc� e Louisa.

Tanta confus�o sobre a paternidade da crian�a.

Eu sempre soube que ela era sua.

Voc� acha mesmo que Louisa � minha filha?

Claro! Tenho certeza.

Ah, querido, que surpresa voc� vai ter.

Se souber ler franc�s, eis os documentos da ado��o de Louisa.

Agarre o Alec enquanto puder.

A �gua quente de hoje pode ser a pedra de gelo de amanh�.

� uma surpresa mesmo.

Gostei muito desses documentos, querida.

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

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