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"Raramente a verdade é pura, e nunca é simples."
Oscar Wilde
- Art Subs - 9 anos fazendo Arte para você!
A VERDADE ESTÁ NO CÉU
ROMA 22 DE JUNHO DE 1983
Tudo bem, agradeço mesmo assim.
Está tarde, mas vou ligar na escola de música. Obrigado.
O que aconteceu?
- Pronto? - Irmã Dolores.
Lamento incomodá-la tão tarde, mas são 22h,
não sabemos da Emanuela e a esperávamos para jantar.
Estranho! No fim da aula eu a vi sair e ir até o ônibus.
Não sei o que pensar. Não sei mesmo.
Assim que ela chegar, me ligue. Não importa a hora.
- Certo. Obrigado. - Me avise, por favor.
Monsenhor Marcinkus!
Monsenhor Marcinkus!
Monsenhor! Monsenhor!
Aconteceu algo preocupante.
Uma menina, filha do secretário do Vaticano,
Emanuela Orlandi, não voltou para casa.
- Ela sumiu. - Como sumiu?
- O que quer dizer? - Desapareceu.
- Ela desapareceu? - Sim.
Deve ter ido tomar um sorvete, ela não tem namorado?
O que uma coisa tem a ver com a outra?
Por favor, pode registrar a queixa
do desaparecimento da minha filha?
- Ela só tem 15 anos! - Eu adoraria...
- Adoraria o quê? - Adoraria ajudar.
A garota é cidadã do Vaticano, não é italiana e nem vocês são.
Mas ela sumiu aqui, não no Vaticano!
Você precisa cumprir com o seu dever!
É melhor se acalmarem!
Devem informar a delegacia competente, não aqui.
Estamos em Roma, não no Vaticano!
- Belo jeito de fazer seu dever. - Vamos embora.
Gostaria de expressar minha mais profunda simpatia
pela família Orlandi,
que está aflita pela filha Emanuela de 15 anos,
que desde quarta-feira, 22 de junho,
não voltou mais para casa.
Alô? Aqui é a Ansa.
- Alô? - Pode falar.
Nós estamos com Emanuela Orlandi.
Vamos liberá-la quando soltarem Ali Agca,
o homem que cometeu o atentado contra o Papa.
Que prova temos que a garota está com vocês?
Vá até a Piazza del Parlamento,
encontrará a prova num cesto de lixo.
- O que houve? - Pareceu um americano.
Um dos sequestradores da Emanuela. Eu vou verificar.
É a inscrição da escola de música.
O recibo de pagamento.
A foto da Emanuela.
"Com afeto da sua Emanuela."
É a letra da Emanuela. Não há dúvidas.
Quero falar com o Cardeal Casaroli.
Estão ligando de um bar para a linha reservada do Vaticano.
Perdão, não consigo ouvi-lo. Pode repetir?
Chame a patrulha, aqui o endereço.
Chame agora mesmo o Cardeal Casaroli, entendeu?
Chamarei o Cardeal Casaroli, mas quem...
- Licença, o que houve? - Alguém usou o telefone?
Não, há muito tempo ninguém o usa.
Alô? Sim.
Sou o Cardeal Casaroli.
Precisa saber que a situação está prestes a sair do controle.
Eu sou uma pomba da paz nesta organização,
mas há também gente muito ruim, disposta a matar a menina.
Não estou entendendo mais nada.
A ligação para Casaroli continua vindo do bar,
mas o telefone de lá está desocupado.
Ele está falando latim.
Deve ser uma mensagem codificada.
Quanto a mim, posso garantir que estamos fazendo
tudo que é humanamente possível,
para contribuir com a feliz solução
desta situação agonizante.
Que Deus permita,
que estes dias de angústia sejam seguidos...
LONDRES, OUTUBRO DE 2015
pela alegria do abraço entre a menina e sua família.
A Itália é um país fantástico.
A arte, a beleza, a criatividade e toda essa corrupção.
Graças a Deus nós temos o Big Ben e não o Vaticano.
Carregue todo o material sobre a "Máfia Capital", por favor.
Aí está.
Qual a ligação com a garota desaparecida?
Tem forte ligação.
Assim o prenderam.
Doze policiais para prender o chefão da "Máfia Capital",
Massimo Carminati, ex-integrante do Nar,
e ex-integrante da Banda della Magliana
Ele ainda estaria no topo da cúpula mafiosa
que administrava os negócios da capital.
Oi, Maria. Vem cá, sente-se.
Quero que você vá para Roma.
Faz tempo que não vai para casa, espero que goste.
Que fofo! E posso perguntar por quê?
Para investigar um caso antigo.
- Qual caso? - Emanuela Orlandi.
- É de trinta anos atrás. - Exato.
A imprensa italiana não para de falar da "Máfia Capital",
mas não se lembram onde tudo teve início.
Então mostraremos a eles como se faz?
Isso mesmo.
Aqui temos...
- Obrigado, Jeanny. - Oi, Maria.
Passagens, hotel...
Uma lista de nomes para contatar.
Aqueles com asterisco são amigos meus.
Nem terei tempo de fazer as malas.
Você vai conseguir. E seja prudente.
O caso Orlandi envolve gente que é melhor não ter como inimigo.
Entendido, chefe, levarei meu revólver.
Não tem graça, Maria.
Comunique sempre seus movimentos.
- Faça uma boa viagem. - Pode deixar.
- Oi, Maria. - John...
Sabia que nem me daria o tempo de chegar no hotel.
Você se reunirá com o ex-redator do "Chi l'ha visto"
o programa sobre o qual conversamos.
Posso ao menos tomar um banho?
Não sei, a reunião com ele será em trinta minutos.
Você é um querido! Certo, nada de banho. Tchau.
Ouça isso.
É a ligação que fez a investigação ser reaberta.
Sobre Emanuela Orlandi, para solucionar o caso
vejam quem está enterrado na Basílica de Santo Apolinário,
e o favor que Renatino fez ao Cardeal Poletti na época.
Renatino é Enrico De Pedis,
desde pequeno os pais o chamavam assim.
Os amigos o apelidaram de "Dandi"
por causa de sua elegância.
De Pedis inicia sua carreira bem jovem,
entrando e saindo continuamente da prisão.
Tire essa coisa daí. Você vai dormir em cima.
- Que bagunça é essa? - Ei, coiso.
Coiso o quê?
- Como ousa? - Aqui sou eu que mando.
- E quem é você? - Vou te mostrar agora mesmo.
Não vou te encher o saco, vou arrancar sua cabeça.
- Tire essa merda de mão! - Vou usá-la como porta-chaves.
Eu sou amigo de "Frank Três Dedos", entendeu?
Caralho... podia ter dito antes.
Perdão, se quiser ficar embaixo...
Não, tire suas coisas, vou ficar em cima.
Nada disso era verdade. De Pedis só tinha ouvido falar
de "Frank Três Dedos", mas o blefe funcionou.
"Frank Três Dedos" é o apelido de Ciccio Coppola
que perdeu dois dedos durante um assalto.
Ficaram presos dentro de um caixa forte
e ele os cortou com uma faca sem sequer dar um grito,
e assim conseguiu escapar.
Na prisão, De Pedis aprendeu a traficar drogas na Tailândia,
mas principalmente, entrou em contato
com membros da Cosa Nostra
que lhe ensinaram muitas outras coisas.
Foi na prisão que De Pedis conheceu o padre
que depois o sepultou em Santo Apolinário?
Sim, Don Pietro Vergari, que se tornou reitor da Basílica.
Foi a mão de Javé que fez essas coisas.
- Quem é esse Javé? - Você é muito burro!
Javé é Deus, em hebraico.
Posso te fazer ouvir a interceptação de uma ligação
entre Vergari e um seminarista.
É tão pesada que dá vergonha só de ouvir.
Então prefiro não ouvir, obrigada.
Já ouviu falar do escândalo "Máfia Capital"
de Massimo Carminati conhecido como "Caolho", certo?
O "Caolho" é o verdadeiro herdeiro de De Pedis.
Trabalhava para ele cuidando dos jogos de azar.
Bem naquele ano iniciou sua atividade criminosa
fornecendo armas e assistência à criminalidade romana.
Este é o número de Raffaella Notariale
que trabalhou comigo e descobriu uma pista interessante.
- Já avisei que vai procurá-la. - Obrigada.
- Maria? - Raffaella.
- Prazer. - Muito prazer.
Vamos subir, assim ficaremos mais à vontade.
Obrigada.
Me conte sobre a amante do De Pedis.
Por que essas histórias sempre começam
com uma mulher que decide falar?
Aconteceu o mesmo na "Operação Mãos Limpas"
e também com o ex-ministro que foi traído pela amante.
Isso acontece porque as mulheres italianas são boas em vingança.
É possível que ninguém tenha procurado a Sabrina por 20 anos?
Não quiseram procurá-la, é um pouco diferente.
E como você conseguiu?
Graças à dica de um amigo.
Há uns dez anos atrás eu tentei encontrá-la.
- Quem está procurando? - Procuro Sabrina Minardi.
Sou jornalista da RAI.
Olá.
A senhora é Sabrina Minardi?
Feche a porta.
Pode subir.
- Está com um microfone? - Não, só com o celular.
Tem microfone nele também. Desligue.
Desligado.
- O que quer de mim? - Gostaria de entrevistá-la.
Sei que De Pedis foi preso ao segui-la, então...
- Então o quê? - Preciso saber o que sabe...
Não há nada para saber.
Agora pode ir embora.
- E não falou mais nada. - Teria sido uma boa pista.
E foi, mas muito tempo depois quando ela me procurou.
Olá, procuro Sabrina Minardi. Ela está aqui?
Sim. Pode me seguir.
- Você é parente dela? - Sou.
- Por que está internada aqui? - Ela tentou se suicidar.
Pensei que os parentes tinham sido avisados.
- É a primeira porta à direita. - Obrigada.
- Olá. - Entre.
Sente-se.
- Como vai? - Como está vendo.
Já te contaram o que eu fiz, não é mesmo?
Ninguém cuida da própria vida.
Foi um momento de depressão, mas agora já passou.
Aproxime-se um pouco.
Pensei muito quando você foi até a minha casa.
Não é verdade que não tenho nada a dizer.
A psicóloga disse que devo pôr para fora tudo que guardo.
- Estou ouvindo. - Amanhã receberei alta.
Se tiver tudo bem para você,
nos veremos quarta na minha casa.
Leve o gravador.
Certo. Nos vemos quarta na casa da senhora.
Mas me chame de você, nunca me chamaram de senhora.
- Então... tchau, Sabrina. - Tchau.
- Até quarta-feira. - Até.
Aquele primeiro encontro não foi tão ruim
se depois ela te procurou.
Ou talvez ela tenha entendido que sou teimosa e não desisto.
Acho que foi mais por isso.
Quero diminuir um pouco a luz.
Não gosto que me vejam com este braço assim
que não me responde mais e com o rosto desfigurado.
Tem medo? Ela é boazinha, nunca diz nada.
Menos mal!
Então...
Não é verdade que me casei com Bruno Giordano
porque era um jogador famoso.
Nos conhecíamos desde crianças porque éramos de Trastevere.
Um ano após nos casarmos houve aquele escândalo horrível
das apostas no futebol.
Prenderam o Bruno, pegou vinte dias de cadeia.
Quando nos separamos eu estava meio sem dinheiro.
Comecei a andar por aí...
O que significa "andar por aí"? O que você fez?
Conheci o relações públicas de um bar.
Ele me disse: "Sabrina, você é jovem, bonita,
tem uma bunda que só falta falar. Aproveite!"
Uma noite fui apresentada a um ex-prefeito de Palermo.
Ele me convidou para ir ao Hotel de la Ville.
- E no fim me deu 500 mil liras. - 500 mil liras?
Eu era bonita, sabia?
Com De Pedis foi diferente, imagino.
Sim, foi.
Uma noite estava no bar de um clube com uma amiga.
Num determinado momento vi um rapaz me encarando.
Não tirava os olhos de cima de mim.
Era muito elegante.
De manhã ele me fez uma surpresa,
juro que achei que estivesse sonhando.
Olha só isto.
Nunca tinha visto tanto dinheiro na vida.
Tem uns 120, 130 milhões.
Quero que gaste tudo.
- Está me sacaneando? - Não, não estou brincando.
É todo seu.
Então já vou indo.
Tchau.
- Renato. - O que comprou?
Esvaziei metade de Roma.
Este é um presente para você. Mas é só este.
Caramba, que lindo!
- Gostou? - E isto? Um casaco de pele.
Mas este é meu.
Vejamos como fica em mim.
- Ficou bom? - Ficou muito bom.
- Não, por favor. - Que linda.
- Me mostre este vestido. - Gostou?
E o que mais comprou?
- Brincos... - Vem cá um segundo.
Caralho!
Você sabia quem realmente era De Pedis?
Ele me disse que gerenciava uma cadeia de supermercados.
Jura que não sabia que ele era um bandido?
Não, só descobri certa manhã
quando minha mãe trouxe o jornal, tinha uma foto dele
e ela me disse: "Com quem está envolvida?"
Mergulhe!
Vamos ver.
Aos vinte anos eu não sabia o que era moral.
É inútil fingir que sou outra.
Preciso dizer a verdade, não?
Caramba, que mergulho você deu!
Com Renatino era como viver num mundo de sonhos.
Jantávamos com ministros ou à noite íamos ao Grand Hotel
e ficávamos com o spa aberto só para nós.
Se dava vontade, dormíamos na suíte de um milhão de liras.
Eu me sentia uma rainha.
Ele parecia um príncipe com aqueles trejeitos dele.
Quer dizer, não parecia um criminoso.
Vocês não tinham medo?
Ele era um ladrão e andava por aí assim?
Sim, era um ladrão, mas à moda italiana.
Então ele era acessível. Andava por Roma normalmente.
Passava em frente às viaturas como se nada tivesse acontecido.
- Olha só quem apareceu! - Estão aqui por acaso, certo?
- Já te soltaram? - Eles me soltam, me prendem.
Sabe como são esses juízes. São extravagantes.
Vai com calma!
- Estou limpo, nada de armas. - Acredito!
- Isso fica com seus amiguinhos. - E quem te disse isso?
- Um passarinho. - Veja só o que achei.
- Bingo! - Conte o valor da bolada.
- É uma ajudinha da minha mãe. - Uma ajudinha milionária.
Aqui tem dois milhões.
- Onde arranjou este dinheiro? - Sabe como as mães exageram.
- Está nos sacaneando, De Pedis? - Minha mãe é generosa.
Pegue, assine o relatório.
Eu assinaria, se ele me soltasse.
- Obrigado. - Vai logo, assine.
O que significa este relatório?
Posse injustificada de objetos de valor.
- Nós ficaremos com o dinheiro. - Eu fico muito contente.
Se ficarem com ele, fico seguro. Eu sou muito gastador.
Tudo em ordem.
Não se preocupem, amanhã ligo para o meu advogado,
ele é irmão do senador Vitalone
e devolverão todo o meu o dinheiro, com juros.
Vocês juízes, descobriram bem pouco
sobre o tráfico de dinheiro que De Pedis administrava
- ou estou enganada? - É verdade.
Mas sabe por que marquei a reunião bem aqui?
Quero te contar um episódio curioso.
Trinta e nove!
- Trinta e nove! - Quem está procurando?
- Renatino! - Vou chamá-lo!
Obrigada!
- Sabrina, quais as novidades? - Renato! Olha quem está aqui!
Era o jeito deles se comunicarem.
A menina era filha do jogador Bruno Giordano.
De Pedis adorava ela.
Considere que ele passou quase mais tempo preso que solto.
Mas acabou morrendo com a ficha limpa.
Gostaria de saber sobre a Banda della Magliana.
Suas façanhas foram amplificadas pelos livros e pela TV.
Ao mitificá-la acabaram escondendo quem realmente
- controlava a situação. - Ou seja, quem?
Os "Testaccini", que tinha como chefe De Pedis
que vinha de Testaccio. Aquela é a verdadeira quadrilha.
A Banda della Magliana se perdia em pequenas coisas,
como quando eliminava os traficantes desobedientes.
É o caso de um deles, conhecido como "Macaco"
que na quarta-feira de cinzas de 1982 teve uma surpresa.
Servido.
Full de damas.
Diferente da Banda della Magliana, De Pedis mira mais alto.
Agiotagem com alíquotas de 25%,
investimentos imobiliários como uma mansão no Gianicolo
com túneis que levavam direto ao Vaticano.
Ele chegava a faturar até 180 milhões de liras por dia
apenas com a fraude do vídeo pôquer.
Veja esta lista.
Muitos se agarraram ao sumiço de Emanuela Orlandi:
políticos, serviços secretos, empresários honrados,
prelados mais próximos ao inferno que ao paraíso.
Todos prontos para tirar alguma vantagem.
Renatino dizia que ele tinha mais amigos no Vaticano
que santos no paraíso.
Quando precisava que as altas esferas
soubessem algo secreto,
ele ia se confessar na Basílica de Santo Apolinário,
que foi onde se casou e onde quis ser enterrado.
Avise Sua Eminência que enviarei aquela pessoa
- no horário conveniente a ele. - Vou avisá-lo.
Em relação ao depósito, será efetuado segunda-feira.
Tudo bem.
Obrigado.
Está vendo o prédio entre a Basílica e as duas torres?
É lá que os protagonistas desta história se encontravam.
Na época eu trabalhava na delegacia.
Muitas interceptações de um mundo assustador.
Mas estava me contando daquele 22 de Junho.
Emanuela desapareceu poucos dias antes
do retorno do Papa da sua Polônia.
Claro que o desaparecimento de uma cidadã vaticana
não passaria despercebido.
Por isso o Papa foi logo avisado.
Para não falar do Monsenhor Marcinkus
o chefe do "IOR", o Banco do Vaticano.
O Monsenhor tinha intuído que aquele sumiço
poderia ser uma chantagem contra o Vaticano,
que um ano antes, tinha corrido o risco de falir.
Obrigado, Luca.
- Caro Calvi, como está? - Como quer que esteja?
A imprensa continua atacando a mim e ao meu banco.
É necessário saber esperar.
Para libertar a Polônia do comunismo
era preciso muito dinheiro.
Algo em torno de um bilhão de liras.
Marcinkus pediu um empréstimo à Calvi
que forneceu a quantia, criando um rombo em seu banco.
Se a Polônia for abalada, causará um terremoto
em todos os países do Leste Europeu.
Venha, meu amigo.
O problema é que boa parte do dinheiro depositado
provinha da máfia e da criminalidade,
e era lavado nas instituições de Calvi e de Marcinkus.
De Pedis tinha investido grande parte do seu dinheiro
naqueles bancos, mas agora queria de volta.
Durante o sequestro de Emanuela, acontecia no Vaticano
um terrível conflito entre facções rivais,
um pouco como hoje.
O Secretário de Estado Monsenhor Casarolli
tentava fazer o que Papa Luciani não tinha sido capaz:
expulsar Marcinkus do Banco do Vaticano.
Acha que ele teria conseguido se não tivesse sido morto,
digo, se não tivesse morrido apenas 33 dias após ser eleito?
Não me diga que também acredita que ele foi envenenado?
- Na Inglaterra muitos creem. - Porque são protestantes.
Marcinkus era apreciado pelo Wojtyla,
enquanto o Secretário de Estado o teria demitido com prazer.
O Cardeal Casaroli confessou que sofreu muito,
a ponto de cair em depressão, justo ele, que sempre disse,
estar acostumado com o martírio da paciência.
Como fez Marcinkus, filho de um limpador de vidros,
para subir tão alto?
Em 1970, enquanto Paolo VI visitava as Filipinas
Marcinkus o salvou de um doido que queria apunhalá-lo.
- Sabe como o chamavam? - O Gorila de Deus.
Exato. Cresceu em Cicero, perto de Chicago
onde reinava Al Capone.
Quando garoto, viu diversas trocas de tiros.
E no mesmo ano que o gângster morreu de sífilis,
Marcinkus fez seus votos.
Não é de espantar que ao se tornar adulto
nosso Bispo estivesse familiarizado com o mal.
Era tão perversa a ligação entre Marcinkus e os criminosos
que os chefões colocaram um de seus homens como motorista.
Assim o mantinham sob controle.
Marcinkus representava a melhor apólice de seguros
para o investimento deles.
Quando você se queixou com a Sabrina
por não querer falar sobre Emanuela Orlandi
o que ela te respondeu?
Sabrina, eu vou embora, afinal você não responde.
Espere.
Ligue aquela porcaria de engenhoca.
Renatino foi forçado a esta situação
com Emanuela Orlandi.
Se dependesse dele, jamais teria feito.
Está me dizendo que De Pedis sequestrou Emanuela Orlandi?
Estou dizendo que ele recebeu ordens e as obedeceu.
Ordens de quem?
Ele me disse que servia para pressionar o Vaticano
para que devolvesse aquilo que tinham emprestado.
Roma já era grande no século XVII.
Ela engolia todas as outras cidades.
E se alguém não nos dá aquilo que deve...
nós temos que dar um jeito neles.
Você sabe que ninguém acreditará em você?
Tem alguém da gangue que pode confirmar a história?
Claro que tem, mas não sou Sherlock Holmes.
Descobrir a verdade é função dos jornalistas, não?
Obrigada.
Pode vi me buscar em uma hora. Obrigada.
Estou indo encontrar um ex-colega do De Pedis
que foi condenado a 28 anos de prisão
por homicídio e assalto à mão armada.
Hoje ele está colaborando com a justiça
e presta assistência a crianças com deficiência.
Um segundo... Prontinho.
Posso saber por que te chamavam de "Accattone"?
Porque eu assisti muitas vezes o filme do Pasolini com esse título
e sabia os diálogos de cor.
O senhor era amigo do De Pedis?
Cortei relações com ele quando virou burguês.
- Hoje ele estaria na política. - Na política?
Não vê que os deputados são como ele?
Falta pouco para atirarem uns nos outros nas sessões.
Qual foi o papel do De Pedis no sequestro Orlandi?
Ele tinha investido dinheiro no Vaticano e não viu retorno.
A escolha era entre deixar um Cardeal na beira da estrada
ou ferir alguém que fosse próximo do Papa.
Para mandar um recado.
O sequestro Orlandi foi apenas um dos muitos avisos.
Existiram outros?
Primeiro foi o desaparecimento de Mirella Gregori
outra garota que sumiu em Roma semanas antes da Emanuela.
Depois a chantagem com as fotos do Papa nu, ou seminu
enquanto se banhava na piscina de Castel Gandolfo.
Quanto dinheiro eles deviam?
Se tratava de reaver...
mais de 200 milhões de dólares
que a gangue do De Pedis tinha lavado e não voltou a ver
depois da quebra dos bancos de Calvi e de Marcinkus.
Quem protegia De Pedis?
Em Roma às vezes ele dormia na Villa Borghese
num apartamento do serviço secreto.
Ou seja, estávamos juntos com quem deveria nos prender.
E De Pedis era muito bom nisso.
Ele ficava à vontade tanto numa casa de jogos
quanto numa festa elegante.
- Roberto. - Oi, como vai?
Olá, De Pedis. Recebi o benefício.
- Onde está o Flavio? - Flavio!
- Está ali. - Flavio!
- Flavio! - Como você está bonito!
Isso, cumprimente...
Olha quem está aqui, o senador.
- Boa noite. - Boa noite.
Renatino se envolveu com pessoas importantes
por causa dos negócios.
Por isso queria que eu sempre levasse belas garotas
que me vestisse de forma elegante.
Geralmente íamos à casa de Flavio Carboni,
aquele que há 30 anos está envolvido
nos piores mistérios italianos.
Sim, você sabe que te amo, mas estou morta. Meus pés doem.
- Você promete voltar? - Claro.
Essa história sobre você e Calvi nunca veio à tona? Fale mais.
Eu o conheci por intermédio do Flavio Carboni.
Flavio era muito amigo do Roberto Calvi,
se bem que há boatos de que estava envolvido na sua morte.
Na manhã seguinte, Flavio me ligou e disse:
"Bibi, ontem à noite você despedaçou muitos corações!"
Cinco minutos após desligar, Calvi, em pessoa, me ligou.
Eu nunca tinha visto um carro tão bonito.
Só nos filmes americanos.
Roberto era muito educado, mas um pouco neurótico.
Quando Calvi foi interrogado pela quebra do próprio banco,
se sentiu perdido.
E optou por uma medida extrema, recorreu ao Wojtyla,
na esperança que o Papa pudesse devolver
o capital investido na Polônia.
"Sua Santidade, o senhor é minha última esperança.
Muitas pessoas se ofereceram para me ajudar,
com a condição que eu fale sobre as atividades
que desenvolvi para os interesses da Igreja.
Mas eu não me deixo chantagear.
Eu carreguei o pesado fardo dos erros do Banco do Vaticano.
Fui eu que, sob ordens precisas de seus representantes eminentes
financiei fortemente muitas organizações político-religiosas
tanto dos países do leste como do oeste.
E hoje, eu também sou o único a ser traído e abandonado."
Depois daquela carta, Marcinkus temeu naufragar com Calvi,
então concebe uma ideia diabólica:
Calvi eximiria a Igreja de qualquer responsabilidade
na falência do Banco do Vaticano,
em troca, o Vaticano pagaria parte de seus débitos,
não porque esse dinheiro fosse devido, esclarece Marcinkus,
mas como simples contribuição voluntária.
Ele escreveu e obteve a assinatura.
Uma motivação digna das peças de Moliére.
E um bom negócio para Marcinkus
porque o Banco do Vaticano então terá que devolver
apenas 450 milhões de dólares dos 1,5 bilhões de dólares
reivindicado pelos credores.
Isso poderia ter salvado Marcinkus,
mas causou a destruição de Calvi.
Mas sabemos quem o mandou a Londres
e o convenceu que teria obtido outros empréstimos?
Diversas testemunhas citaram o nome de Flavio Carboni
um subornador envolvido em muitas operações secretas.
Calvi pediu ajuda a ele e ele o convenceu
que o Opus Dei, uma instituição católica
poderia salvar seus bancos.
Mas como nos explicou a esposa do Calvi
a alternativa era entre a vida de seu marido
e a falência do Banco do Vaticano.
Havia grandes motivos para se livrarem dele.
Pois ele sabia muitos segredos.
Acharam o corpo do banqueiro enforcado embaixo da ponte.
Tinham tirado o bigode para que não fosse reconhecido.
Mas nunca acharam sua maleta.
Aqueles documentos teriam revelado os políticos
que ele financiava e que o protegiam.
Em seu depoimento, Sabrina disse
que Massimo Carminati também conhecido como "Caolho",
envolvido no escândalo "Máfia Capital",
tinha ido a Londres para se livrar do Calvi,
mas, até onde eu sei, na época ele estava preso em Roma.
Calvi, Carboni, Marcinkus, De Pedis...
Posso perguntar o que pensa sobre a relação
destes personagens com homens da igreja?
No país das mentiras para se chegar a verdade
é preciso encontrar muitos mentirosos.
Sofremos muitos escândalos que mancharam a Igreja.
Quando John me ligou, eu disse:
"Querido amigo, com esta investigação
tenha cuidado para não se meter em problemas."
Mas ele adora problemas. É seu esporte favorito.
Sabe o que Papa Francisco nos disse no discurso de Natal?
Ele pediu que examinássemos nossa consciência.
Citando suas próprias palavras:
"Na Igreja existe o Alzheimer espiritual
e a esquizofrenia de quem vive uma vida dupla."
E acrescentou: "O perigo maior é o fogo amigo dos camaradas,
pois na Cúria Romana homicídios a sangue frio são cometidos."
Agora entendo por que Bergoglio não vive no apartamento papal.
Não citei o Papa para dizer que não somos culpados,
mas sim para recordar que se nós somos,
é justo que soframos as consequências.
Saiba que se esta investigação se mostrar verdadeira,
será útil para nós.
Melhor o clamor do que o silêncio.
Bom dia, Maria, achei que você me ligaria.
Eu sei, mas acabei de acordar.
Tive um pesadelo. De Pedis está virando uma obsessão.
Vamos conversar sobre isso.
Tenho algo melhor, escute isto.
Está me machucando.
É sangue. O que é isso?
É a voz de Emanuela Orlandi?
É o que os sequestradores queriam que a família acreditasse.
- Mas? - Você não vai acreditar.
Parece que usaram o áudio de um filme pornô.
Está brincando?
Entendi por que Shakespeare ambientava suas obras na Itália.
Deve ter ido à escola com Maquiavel,
onde mais encontraria tanta fantasia?
Eu sei e tem uma coisa ainda mais incrível.
Quando De Pedis suspeitava que estava sendo espionado,
ele usava um pseudônimo.
Senador, sou o Dr. Fava.
Bom dia.
Podemos nos ver amanhã às 17h no lugar de sempre?
Sim, perfeito. Até amanhã, obrigado.
- Bom dia, senador. - Bom dia.
Tem noção do que está me pedindo?
Eu sei, mas foi você quem me ensinou
que os julgamentos se resolvem fora dos tribunais e não dentro.
Desta vez é mais complicado, o promotor pediu
prisão perpétua para o seu amigo.
Por isso estou pedindo sua ajuda.
Senão eu não ousaria incomodá-lo, acredite.
Verei o que posso fazer, mas será a última vez.
- Eu juro. - Não, eu que juro.
Será a última vez.
Para suas instituições de caridade.
Obrigado, senador.
Não é a primeira vez que um político
tenta manipular um processo. Aqui isso também acontece.
Mas não era o que De Pedis tinha em mente.
Ele não queria manipular o processo
para salvar seu aliado da prisão perpétua.
Queria mesmo fazer com que o processo fosse encerrado.
Continue ouvindo...
A sessão está encerrada. Podem se levantar, obrigado.
O verdadeiro objetivo do De Pedis não era livrar Vittorio Carnevale
mas eliminá-lo, pois temia que na prisão pudesse traí-lo.
No fim da audiência, as algemas não foram fechadas,
então eu poderia abri-las.
Desci junto com os outros detentos
e me afastei sem que os policiais notassem.
Claro que eles faziam parte do conluio.
Tudo tinha sido organizado perfeitamente.
Inclusive tinha um carro com o motor ligado me esperando.
Depois de ajudar o amigo a fugir,
De Pedis pressionou o diretor de um jornal
que tinha o banco sob controle.
Quem fala é o Dr. Fava, pode me passar o diretor?
Obrigado.
Diretor, bom dia.
Creio que saiba que um condenado sumiu do tribunal hoje.
Sim. Você acha que ele escapou?
Não, me parece uma palavra muito forte.
Talvez tenha ido ver a família e voltará depois.
Se pudesse evitar de dar muito destaque à notícia.
Depois De Pedis fez com que Carnevale fosse morto?
Não, ele percebeu o plano do De Pedis e conseguiu fugir.
Você não sabe nada das escutas escondidas no Vaticano?
Mais precisamente dentro do quarto do Cardeal Casaroli,
que era Secretário de Estado?
Não, mas não me espanta.
Na estátua da Virgem Maria na mesa do Cardeal
havia um microfone que gravava tudo o que acontecia na sala.
E quem o colocou lá?
A esposa do sobrinho do próprio Casaroli.
O casal ia visitá-lo talvez levando alguns doces
e ela aproveitava para "plantar" as escutas.
Mas não me diga!
Irina Trollerova era uma espiã a serviço da Tchecoslováquia,
seu país de origem.
Depois descobriu-se que trabalhava para a CIA,
ou seja, era uma agente dupla.
- Como nos filmes de James Bond. - Exatamente.
Eu também já fui espiã.
Você?
Como assim?
Eu organizei e participei
de encontros sexuais com homens importantes
que não sabiam que estavam sendo filmados.
Onde?
Num apartamento no bairro EUR que Renatino preparou para isso.
- Te deixei enojada? - Não.
- Lembra quem filmavam? - Várias pessoas.
Políticos, empresários, tabeliães.
Pessoas muito respeitáveis, menos na cama.
- Quem trabalhava com você? - Algumas garotas...
Lembro de uma, em particular,
que fez um subsecretário se apaixonar por ela.
Toda segunda-feira ele mandava um motorista buscá-la.
Caramba!
As pessoas sempre descontam nas prostitutas e criminosos,
mas aqueles acima de qualquer suspeita são ainda piores.
Quero dizer, fiz algumas coisas...
tenho tanto nojo das coisas que fiz,
que só de pensar, me sinto mal.
Mas depois penso que conheci certas pessoas
que me deram muito mais nojo, tipo um pervertido...
Eu nem posso te dizer o que pedia que fizéssemos.
Então olho no espelho e digo a mim mesma:
"Foi mesmo você que fez todas essas coisas?"
Sim, era exatamente eu que fazia aquelas coisas.
Eu era dominada pelo Renato.
Tudo aquilo que Renatino me pedia para fazer, eu fazia.
Fazia mesmo. Acima de tudo quando havia dinheiro envolvido.
Entendeu?
- Ainda está assim? - Estou pronta.
- O quê? - Estou pronta.
- Você cheirou? - Não.
- Não mesmo? - Não!
- Você não cheirou? - Não.
Pare com isso!
Você cheirou com aquele príncipe de bosta?
Eu pergunto o que faz quando sai com as vadias...
O que você disse? Não ouse, entendeu?
Drogada de merda!
Via Vittorini, na esquina da Via Pavese. Obrigado.
Aonde vai?
Aonde está indo?
Renato, aonde vai sem mim? Aonde vai?
- Vá para casa. - Eu faço o que quiser.
Você está chapada, vá para casa! Drogada do caralho!
Não vou para casa se você não vier junto.
Não vou voltar sozinha.
- Você é idiota? - Que porra está olhando?
Pare com isso! Está fazendo cena no meio da rua.
- Você não viu nada, entendeu? - Vou te dar o troco.
Mas que troco! Vamos para casa, venha.
- Vamos! - Está me machucando.
Agora chega!
Eu não estou aqui para escrever a sua biografia, fui clara?
Estou aqui para saber por que De Pedis
orquestrou o sequestro da Emanuela.
Vai me deixar falar? Renatino só seguiu uma ordem.
- Ordem de quem? - Eu não sei.
Renatino nunca me dizia nada. Você entende isso?
Ele sempre dizia: "Quanto menos souber, mais tempo viverá."
Senão eu não estaria falando com você!
Você sabe de alguma coisa?
Do contrário, vou embora e terminamos aqui.
Ligue aquela câmera.
Depois do sequestro da garota, Renatino me pediu um favor.
Vamos ver se entendi...
Sabrina veio com o carro dela, acompanhando De Pedis, e depois?
E então exatamente aqui houve a troca.
- O que foi? Está com medo? - Não.
Fique tranquila, está tudo planejado.
Vai... Pode ir.
Como se chama, pequena?
Mamãe...
- Não, amor, não sou sua mãe. - Mãe...
Aonde está me levando?
Estamos indo ver sua mãe, vamos para casa, tudo bem?
- Oi, Sergio. - Oi, Sabrina.
Caramba, Renato!
Aquela não é a garota que está nos cartazes por toda Roma?
Como ela se chama? Emanuela Orlandi!
Você não viu nada, fui claro?
Em que confusão está me metendo?
Em confusão nenhuma. Basta que fique calada.
Quem era o homem que pegou a garota?
Sabrina sempre disse que nunca o tinha visto antes.
Com licença.
Veja isto.
Este é o padre que enterrou De Pedis em Santo Apolinário.
Não pode ter sido ele?
Mesmo que seja ele, duvido que confesse. Não acha?
Eu já te disse, nesta história a palavra de ordem é o silêncio.
Sr. Raoul, no momento do sumiço de Emanuela Orlandi
você era vice chefe da Gendarmaria do Vaticano.
- Por que te fizeram mentir? - Me deixe em paz.
Então esta gravação seria falsa?
Raoul, aqui é o chefe. Me escute bem.
- Às ordens. - O que sabe sobre a Emanuela?
Nada. No Vaticano nós não sabemos nada.
- É isso que devo dizer? - Investigamos internamente,
mas não diga que passamos para a Secretário de Estado.
- Você não sabe nada. - Não digo nada.
- Quer ouvir de novo? - Amanhã vou testemunhar.
Não encoste em mim.
O senhor nega que esta é sua voz?
E que foi seu chefe que te mandou mentir?
Sr. Raoul!
O Vaticano claramente tem um dossiê sobre o caso.
Um dos seus cidadãos desaparece, é óbvio que se investigue.
Mas por que negar?
Após os escândalos recentes o que há de tão terrível
sobre o caso de Emanuela para silenciar o Vaticano?
Oi, pequena.
- Quem é? - Você é uma vadia.
- Isso, continue falando. - Quem é você?
Se não parar de falar, levaremos flores ao seu túmulo.
Maldito, filho da mãe!
Vá se foder!
Babaca!
- O que aconteceu? - Sumiu após receber ameaças.
Descobriu de quem?
Certamente de quem temia suas revelações.
- E você não a viu mais? - Só após muitas semanas.
Olá, bom dia.
Vim encontrar Sabrina Minardi.
- Pode ir. - Obrigada.
Olá.
CLÍNICA DE REABILITAÇÃO
Eu estou bem aqui.
Não voltarei para Roma.
Sabe o que quero fazer quando sair?
- O quê? - Mas não vá rir.
Quero ajudar aqueles como eu.
- Oi, Sabrina. - Oi, Sergio.
Os viciados, os incapazes, os desesperados.
É uma bela ideia.
- Se eu puder ajudar... - Obrigada.
- Trouxe aquela engenhoca? - Claro que sim.
- Onde tínhamos parado? - Você no Gianicolo.
Eu no Gianicolo...
Fiquei feliz quando vi o carro levando a Emanuela.
Pensei que teria um final feliz.
Pensei que a levaria para casa, para o Vaticano, para a mãe.
E me tranquilizei. Afinal, eu também sou mãe.
- Mas... - Algum tempo depois...
Renatino me disse: "Vamos para o litoral comer peixe."
- Por favor, volte sempre. - Claro.
Por que não vamos ao cinema?
- Você quer ir? - Não.
- Por quê? - Preciso fazer algo antes.
Você precisa me levar para um lugar.
- Acho que estão nos seguindo. - É mesmo?
Se você percebeu só agora, estamos fritos.
Não se preocupe, não é a polícia.
- Me espere aqui. - Tudo bem.
O que está olhando? Por que está espiando?
- O que estão fazendo? - Entre no carro.
Não. Quero saber o que estão fazendo.
Não se preocupe. Continue fumando.
E você não perguntou mais nada?
Claro, perguntei quando voltamos para casa.
O que está assistindo?
Me faz companhia?
- Saia daqui com essa coisa! - Que saco! Você nunca usa nada!
Renatino não cheirava.
"Quando precisa fazer negócios, deve estar sóbrio."
Ele sempre dizia isso.
Digamos que eu tentei seduzi-lo para fazê-lo falar.
Quer sair da frente?
De quem você se livrou hoje no canteiro de obras?
- Quem jogaram no canteiro? - E o que te interessa?
Não vai me contar?
E o que ele te disse?
Que Emanuela Orlandi estava naquele saco preto.
E então eu...
Não consegui me conter e perguntei: "Mas por quê?"
E ele perdeu a paciência e se virou para o outro lado.
Tem certeza do que está falando?
- Sra. Watts. - Boa noite.
Correspondência para a senhora.
- Obrigada. - Às ordens.
VÁ PARA CASA
- Quem trouxe este envelope? - Um mensageiro, à tarde.
E esse quem é?
- Recepção? - Pois não?
Um camareiro tentou abrir meu computador.
- Mas como é possível? - Eu tenho certeza.
Meu computador tira uma foto,
se alguém tenta acessar meus arquivos.
- Senhora, estou sem palavras. - Vou descer e conversaremos.
- Chame a polícia. - Sim, claro.
Se não se sente segura, volte para Londres!
Nem pensar. É o que eles querem. Eu vou continuar aqui.
Então mude de hotel.
Peça ao meu amigo Bispo para achar um lugar seguro.
Tem uma coisa que não faz sentido.
O quê?
Você disse aos juízes que os viu jogar dois sacos na betoneira.
Correto?
O segundo com o corpo do pequeno Domenico Nicitra.
Só que isso aconteceu dez anos depois.
É um grande lapso de memória, não é?
Você mentiu para mim, não é mesmo?
- Você mentiu para mim. - Eu me enganei.
Quer me queimar viva só por que me enganei?
Tente lembrar de algo que aconteceu há trinta anos.
Renatino me disse que Emanuela foi jogada no canteiro de obras.
E eu me enganei com o segundo saco. Ponto final.
Agora você precisa me explicar
por que vocês não procuram no meio daquele canteiro.
De quem era aquela propriedade na época?
- E por que matá-la? - Eu não sei!
Deve ter havido algum imprevisto.
Talvez a tenham sedado demais.
A garota deve ter visto o rosto de alguém.
Não estou tentando justificar.
Se eu pudesse mataria todos eles!
Eu me cansei! Saiam! Saiam, por favor...
Marco, saia daqui, por favor.
Eu vou retirar tudo o que disse!
Vou dizer que inventei tudo! Que nada disso é verdade!
Podia ter destruído as gravações!
E para que servem? Me diga para que servem!
Para todos eu continuarei sendo uma drogada
enquanto os verdadeiros culpados serão sempre respeitados.
Não me procure mais! Me deixe em paz você também!
Me esqueça!
Daquele dia em diante, ela não quis mais me ver.
Ela percebeu que falar só daria mais problemas.
Eu disse a verdade!
Você acredita no testemunho dela?
Eu sim, são os juízes que acreditam só em parte.
Se Sabrina se lembra bem, poderia ser um desses edifícios.
É terrível pensar que Emanuela possa estar enterrada aqui.
Misturada com o concreto.
Espero apenas que não seja verdade.
Sr. Sarnataro...
- Bom dia. - Maria.
Posso saber por que pediu que o encontro fosse na igreja?
Para estar longe de olhos indiscretos.
Claro.
Na época do sumiço de Emanuela Orlandi
quantos anos tinha seu filho Marco?
Vinte e dois.
E quando ele fez essa confissão?
Um pouco antes de morrer.
Era um peso que não podia mais carregar.
Me confessou que em 1983,
com dois homens do De Pedis apelidados de "Gigetto" e "Ciletto"
ele recebeu uma ordem de seguir a garota.
Mas eles não se limitaram a segui-la apenas.
Fizeram-na entrar numa BMW.
A levaram ao bairro EUR,
onde o motorista do De Pedis,
um tal de Sergio, a buscou.
E por esse serviço, De Pedis deu uma moto a Marco.
Ainda me lembro do modelo: uma Suzuki 1100.
O senhor tem certeza do que está dizendo?
Você acha que eu poderia esquecer algo assim?
Não, claro.
Teme que após essa revelação eles possam ameaçá-lo?
Podem até me matar, e talvez o façam,
mas jamais trairei a memória do meu filho.
Podem ir.
Estamos em 1989.
A gangue do De Pedis decidiu eliminar Edoardo Toscano,
chefe da gangue rival, a Banda della Magliana.
De Pedis não podia imaginar o que aconteceria depois.
Após a morte de Toscano, a Banda della Magliana
decidiu enfrentar De Pedis.
- Mas não sabiam como pegá-lo. - E então?
Então entra em cena o cunhado de Toscano, Vittorio Carnovale.
O homem que De Pedis ajudou a fugir do tribunal.
Ele trabalhava com Marcello Colafigli,
outro membro da gangue que é mais esperto que o diabo.
Aquele doido que fingiu ser catatônico.
Li que os membros da Banda della Magliana
se fingiam de loucos e obtinham um atestado
para que recebessem do Estado.
Eles chegavam a pagar até 150 milhões de liras
por uma perícia.
Entravam e saiam do hospital com esse atestado.
De Pedis também se aproveitou disso.
Ele foi diagnosticado com um tumor falso,
em metástase avançada.
Quem eram os médicos que assinavam essas perícias?
O mais conhecido era o professor Semerari
que era ligado a diversas organizações da extrema direita.
Ele teve um fim horrível
um pouco antes do sumiço de Emanuela Orlandi.
A cabeça do Semerari foi deixada em frente à casa
do braço direito do chefe da Camorra Raffaele Cutolo.
O que ele tinha aprontado?
Ele assinou duas perícias psiquiátricas.
Uma a favor do rival de Cutolo e uma a favor do próprio Cutulo.
Então o rival decidiu se vingar.
Você ainda não me disse como chegaram a De Pedis.
Foi o Colafigli, o falso doido que tinha saído do hospital.
Colafigli procurou Enrico Nicoletti,
um ex-policial que se tornou o agiota mais poderoso de Roma
e que obviamente era íntimo do De Pedis.
Nicoletti declarou ao fisco
um lucro tributável de 13 milhões de liras
e seu volume de negócios era de 213 bilhões.
Nicoletti, se sabe onde está aquele traidor, deve me dizer.
Eu não quero me meter nos assuntos de vocês.
Um passarinho me contou que seu filho Tony
perdeu cerca de 800 milhões numa casa de jogo do De Pedis.
E ainda não pagou.
Nós acabaremos com ele e Tony economiza muitos milhões.
Nicoletti foi muito esperto. Fingiu não colaborar,
mas depois deu uma sugestão preciosa.
Qual sugestão?
O ex-policial sabia que De Pedis ia comprar algumas joias
e se encontrar com alguém aqui na Via Del Pellegrino.
Nos vemos depois.
Sim, ainda preciso ver uns tecidos.
- Nos vemos às 13h30. - Pode ser.
Na manhã do dia 2 de Fevereiro de 1990,
o grupo organizado por Colafigli e Carnovale entrou em ação.
- Olá! - Ele saiu.
Sabe o que é o mais perturbador de toda esta história?
- A organização perfeita? - Não.
A coisa mais perturbadora é o papel do Serviço Secreto
que sabia da emboscada e não a impediu.
O assassinato do De Pedis era conveniente para todos.
Ele era uma testemunha muito desagradável.
O problema real era que De Pedis
era apenas um fantoche, não o titereiro.
Esses permaneceram no lugar de sempre
e ainda hoje continuam comandando Roma.
E o que houve com Marcinkus?
Uns agentes vieram dos EUA para prendê-lo.
William Lynch do Departamento de Justiça
William Aronwald da Força De Ataque Ao Crime Organizado
e o detetive Richard Tammaro do FBI.
Pode ler isto, por favor?
"A investigação federal evidenciou seu envolvimento
numa operação de lavagem de dinheiro.
- Um bilhão e meio de dólares. - Seria eu?
De proveniência incerta que dominou o mercado.
Apuramos a presença da Cosa Nostra
por trás destas operações.
Ao menos 14 milhões de dólares falsos acabaram nos cofres
do Banco do Vaticano."
Lamento decepcioná-los,
mas quero que leiam isto.
"Monsenhor Marcinkus goza de imunidade diplomática
garantido pelo Estado do Vaticano.
Portanto, não permitiremos seu interrogatório,
nem sua extradição.
Assinado pela Secretaria de Estado."
Obrigado pela visita.
Vamos embora, não há nada que possamos fazer.
Lamento que tenham feito essa longa viagem inutilmente.
Apesar de todos os crimes do Marcinkus
o Vaticano esperou por seu aniversário de 75 anos,
antes de aposentá-lo e mandá-lo de volta a Chicago.
Quer que meu assistente os guie numa visita aos jardins?
Não, obrigado.
Desculpe incomodá-la.
- Pois não? - Permita que me apresente.
Padre Albert, Penitenciaria Apostólica.
Sei que você está investigando o caso Orlandi.
- E como soube? - As notícias voam em Roma.
Após o Ministério Público de Roma encerrar a investigação,
a Igreja foi o alvo de críticas severas.
Como se desejássemos silenciar a investigação.
Pelo contrário, fomos os únicos a descobrir um novo indício.
- O que significa? - Recebemos uma confissão
que abre uma pista que poderia interessar.
- Qual pista? - É disso que gostaria de falar.
Este é o meu número.
Se quiser vir me encontrar no escritório
poderemos continuar este assunto.
Peço apenas que mantenha esse encontro em segredo.
E não se preocupe, estou aqui para ajudá-la.
A Penitenciaria Apostólica é o mais antigo ministério
da Cúria Romana.
Recebe confissões e concede perdões
em casos muito delicados.
- Tem certeza? - Sim, geralmente se mostra útil
na prevenção da recorrência de crimes
e no perdão aos inocentes.
Podemos confiar nele?
Espero que sim, ele me deu o cartão de visita.
Liguei para o número e é esse mesmo. Tudo bem?
- Estava te esperando. - Olá, padre.
Siga-me, por favor.
Vamos ao meu escritório. Estamos em reforma.
Por favor, por aqui.
A pista da qual falei vem da confissão de um arrependido
e pode ser útil para sua investigação.
Sente-se, por favor.
Posso pedir que seja mais claro?
Prefiro te mostrar algo.
Temos motivos para crer que Emanuela Orlandi está viva.
Eles têm provas que Emanuela está viva.
- Como podem ter certeza? - Eles fizeram o teste de DNA.
E tem mais.
O Penitenciário-Mor me fará encontrar a mulher.
- Quando? - Ainda não sei.
Tenho uma reunião com ele segunda-feira.
Se o que ele diz for verdade,
mostra que a jornalista italiana só te contou mentiras.
Se for verdade, De Pedis e seus amigos são inocentes.
- E que Sabrina inventou tudo. - Exatamente.
Não posso esperar até segunda.
Voltarei amanhã, preciso de outra prova.
- Faça tudo o que puder. - Farei meu melhor.
- Bom dia, o Padre Albert está? - Você marcou com ele?
Não, mas preciso falar com ele.
- Siga-me. - Obrigada.
Padre, tem uma moça procurando o senhor.
Pois não? Em que posso ajudá-la?
- Estou procurando Padre Albert. - Pode falar.
- Perdão, mas quem é o senhor? - Sou Padre Albert!
Então deve haver outro Padre Albert,
o Penitenciário-Mor. Eu o encontrei bem aqui ontem.
Mas ontem foi segunda. De segunda vou à outra igreja.
Não existe outro Padre Albert!
E aqui não tem nenhum Penitenciário-Mor.
Perdão, posso me sentar um segundo?
Por favor.
Senhora, está se sentindo bem?
- Traga um copo d'água. - Sim, vou buscar.
Maria, estou preocupado com você.
Fique sossegado, acabei de dar queixa.
E o que farão?
Sou uma idiota, eu sei. Mas por que fazer isso?
Para enganar a opinião pública com um furo de notícia.
Emanuela está viva e todo o resto será enterrado.
E pensaram que se fosse revelada por uma TV estrangeira
a história seria mais crível.
Não posso pensar na vergonha que arrisquei passar!
Primeiro tentam me afastar e depois me usar!
Agora temos que descobrir quem está por trás disso.
A escória, os suspeitos. Quem mais?
Está certo, mas não se chateie. Tente ver pelo lado positivo.
- E qual seria? - Eles tentaram te enganar.
Sinal que está seguindo a pista certa,
do contrário, por que se incomodar?
Claro, por quê?
Maria, pegue suas coisas e volte para Londres.
Bem-vinda, estava a sua espera.
Vim me despedir.
Este é meu escritório.
Eles me deram um terraço onde posso tocar o céu
para estar mais perto de Deus.
Devo ser sincera.
De tanto reunir provas do mal, sinto que fui contagiada.
Entendo sua perplexidade.
É o fascínio que o mal exerce.
Ninguém foge da imperfeição humana.
Nem mesmo os Papas,
alguns dos quais foram os piores pecadores.
Eu também vi de perto muitas coisas más.
Na Igreja, a voz de Cristo e a alma do diabo coexistem.
E mesmo agora que me aproximo do fim do meu caminho,
sei que ainda posso ter fé.
A indignidade de muita gente faz pensar que a justiça
não seja deste mundo, mas o oposto é verdadeiro.
Nossa indignidade em si
é a prova da existência da justiça.
Enquanto me preparava para voltar a Londres
reavaliei várias hipóteses que foram feitas nesses 30 anos
desde o desaparecimento de Emanuela Orlandi.
E são dezenas que incluem intriga política, chantagens,
para não mencionar a chegada de uma figura perturbadora
que se acusou pelo sequestro e levou como prova
aquela que poderia ser a flauta de Emanuela.
Mas de Emanuela, nenhum sinal.
Quando a mãe e o irmão de Emanuela
encontraram o Papa Francisco,
ele sussurrou estas palavras: "Ela está no céu."
Nenhum outro Papa havia dito isso antes.
Pobre Emanuela! Vi as fotos dela criança.
Como era fofa com aquele sorriso tão alegre.
"Era a simpatia do mundo", assim sua mãe se recorda dela.
Um pouco antes de partir fui procurada pelo Pietro,
o irmão da Emanuela, para me confessar um segredo.
Pietro, você trabalhou por anos no Banco do Vaticano
e não parou de buscar a verdade sobre o sumiço da sua irmã.
Você alega que o Vaticano sabe, mas permanece em silêncio.
Para o Vaticano, o sumiço da Emanuela
representa um escândalo muito maior
do que os enfrentados hoje em dia.
Uma coisa é corrupção, vazamentos de notícias,
sacerdotes lutando entre si.
Mas o desaparecimento de uma garota inocente
é uma mancha muito mais grave para o Vaticano.
Tem provas que sustentem suas acusações?
Te dou uma notícia surpreendente que soube há poucos dias.
Existe um dossiê sobre o desaparecimento da Emanuela
mantido em segredo no Vaticano.
Dentro do dossiê está a verdade que esperamos há anos.
Estava prestes a ser entregue à justiça italiana, mas...
Mas o quê?
Mas ainda estamos aqui esperando.
Por que o dossiê não foi revelado?
Estou em frente à Basílica de Santo Apolinário.
É incrível pensar que um mafioso foi sepultado entre os santos
num lugar tão sagrado.
E se as acusações do irmão da Emanuela
obtivessem resposta exatamente neste mistério
e as coisas tivessem acontecido desta forma?
- Procurador. - Eminência, bom dia.
Primeiro gostaria de agradecer por ter vindo.
Nada melhor do que se encontrar num belo lugar
quando está fechado à visitação.
Imagino que foi escolhido porque as estátuas não falam.
- E acima de tudo, não ouvem. - Aprecio a ironia.
Permita-me ir direto ao ponto.
Nós sabemos que o senhor é um juiz rigoroso
e também um católico sincero.
E é exatamente por isso que nos dirigimos ao senhor
para acabar com um escândalo tão prejudicial à Igreja.
Se refere ao cadáver do chefão sepultado
na Basílica de Santo Apolinário?
Cardeal Poletti, que descanse em paz,
foi imprudente ao dar a autorização,
mas o passado é passado.
Agora vamos ao que interessa.
Como o senhor bem sabe, se removêssemos o cadáver,
seríamos acusados de todo tipo de horror.
- Mas se no nosso lugar... - Fossemos nós...
Sim. Se a ação for solicitada pelos magistrados italianos...
então tudo ocorreria de modo transparente.
E essa ferida cessaria de sangrar.
Sua Eminência, mais que rigoroso,
eu sou um homem prático.
O que a justiça ganharia em troca?
Se o escândalo for silenciado,
nós estamos dispostos a entregar o dossiê
sobre o desaparecimento daquela pobre garota.
Se refere aos documentos que sempre nos negaram
apesar dos inúmeros pedidos que fizemos?
Posso ter uma ideia do conteúdo desses documentos?
Digamos que contém as passagens desta história dolorosa
e explicam a razão do nosso silêncio em todos esses anos.
Está me dizendo que finalmente descobriríamos
o que aconteceu com Emanuela Orlandi?
Estou dizendo que finalmente descobririam o que sabemos.
Mas acredite em mim, ficaria totalmente satisfeito.
Me parece uma boa solução.
"Finalmente" é a palavra certa.
Sim, finalmente.
Em 2012, o Ministério Público de Roma
ordenou a remoção do corpo de Enrico De Pedis
da Basílica de Santo Apolinário.
Até hoje, a documentação solicitada ao Vaticano
ainda não foi fornecida.
Em 2015, o Ministério Público de Roma
decidiu arquivar o caso do sumiço de Emanuela Orlandi,
o que levou à demissão do Investigador Chefe.
Como consequência, ninguém responderá
perante ao tribunal e os italianos.
O que desencorajará possíveis testemunhas a falarem.
A família Orlandi continuará lutando
para que a verdade seja desvendada.
Legenda - JuLima -
- Art Subs - 9 anos fazendo Arte para você!
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