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Ainda bem que vieste.
Não te faria enfrentar a Sra. Moyers sozinho.
É tão loira, sorridente e má.
São precisas duas pessoas.
Quando ameaçou castigar-nos, era para nós ou para o Ethan?
Era para nós. Contei-te o incidente do queque?
Não. Conta.
Há dois meses, atrevi-me a trazer queques com cobertura cor-de-rosa
para a venda de bolos, quando a Totie Nussbaum ia tratar disso...
Os cortadores estão lá em cima.
Um já estava cá antes de o meu pai ter a fábrica.
Estas são as costureiras.
Olá, senhoras. Quero este tecido.
É de Istambul. O meu pai tem fornecedores em todo o mundo.
Esta é a Letty, cose os botões.
É a minha namorada, a Midge.
Olá, Letty.
E a Talia?
Boa costura, senhoras!
E a Talia, Joel?
Acabámos quando aceitaste sair comigo.
A Talia não tinha hipótese.
- Joely! - Ali estão eles.
Mãe, pai, quero apresentar-vos a Miriam Weissman.
- Moishe Maisel, prazer. - O prazer é meu.
A mãe dele, a Shirley.
Prazer em conhecê-la.
Os netos que vou ter.
Mãe, estás a esmagá-la.
- Como estás de cuecas? - Acho que estou servida.
Temos uma coisa, vem ver.
Entretanto, preciso que ela volte.
Então?
Esta é uma rapariga que não deves largar.
Isto é para sempre.
Quanto vestes? És minúscula.
Não parava de dizer: "Onde estão as barras de cereais?"
Os queques venderam-se que nem pãezinhos
e a travessa da Totie Nussbaum foi ignorada.
- É ela? - Endireita-te.
Falso alarme.
Os pais são tão maus como as mães.
Queriam que fosse treinador.
Como te escapaste?
- Fingi uma lesão de guerra. - Não.
Eles não sabem nada sobre o meu passado.
Ninguém questiona um herói de guerra. Depois, perguntei...
Fiz-te sinal para irmos há mais de uma hora.
- São só 21:30, avô. - Um de nós trabalha.
Estava a entreter os teus amigos porque pensei que era o que querias.
Pensaste mal.
- Encoste. - O quê?
- Aqui? - Não.
- Pare o carro. - Midge!
Tão dramática. Casei com a Barbara Stanwyck.
- É um dólar e quarenta. - Espere.
O que estás a fazer?
Estou a ir para casa.
Vais chegar de madrugada.
Amanhã não trabalho.
Pronunciei bem, "trabalho"?
Só li a palavra nas revistas.
Vais na direção errada. A ponte é por ali.
A ponte é por aqui.
Cresci aqui.
Estou a ver as luzes.
Vão voltar para o carro ou não?
Siga-nos.
Com o taxímetro ligado? És maluco?
Pode não haver outro táxi.
Quanto tempo achas que isto vai demorar?
Espero que pouco. Só tenho três dólares.
Se vai a pé, continue.
A ponte é por aí.
- Não é nada. - É sim.
Caramba! Não conheço o meu próprio bairro.
Se calhar, a ponte era ali quando eras miúdo. As coisas mudam.
E os meus amigos são horríveis.
Todos aqueles arrotos e sorvos.
O Tony assoou-se num guardanapo e continuou a usá-lo.
Prometo que não volto a impor-tos.
Mas são teus amigos.
Só preciso de ti. Mais nada.
Demoraste um bocado a perceber.
A nossa música.
Vem cá, Barbara.
Esta dança acrescenta mais 80 cêntimos ao taxímetro.
Vamos arredondar para um dólar.
O pai está num grupo de veteranos. Agora, tenho de ir às reuniões.
Sempre é melhor.
Bom dia.
Desculpe, assustei-a?
Sempre.
Às vezes, acontece.
- Olá, Sra. Moyers. - Sim. Olá, Sra. Moyers.
Obrigada por virem sem aviso prévio.
Então, o que nos traz aqui?
- Era retórico. - Percebido.
Temos um problema.
Ele tem sido mal-educado, desrespeitoso, muito indisciplinado, faz birras...
Céus!
Depois, há o cachimbo.
O Ethan anda a fumar?
Não é o Ethan, o seu pai.
- O Abe? - O meu...
Voltou várias vezes depois do incidente com o teste de aptidão
para falar da futura inscrição da vossa filha.
Se o currículo está à altura dela.
Quer falar com professores, ver manuais.
Desculpem, isto não tem piada.
Não, tem muita piada.
Você percebe de ciência. Nós percebemos de piadas. Tem piada.
Gostávamos que ele não voltasse enquanto não mudar de atitude.
Nunca banimos um avô.
Até o grupo feliz parece consternado.
Penny, não sabia que ainda estavas aqui.
Estou a tentar perceber esta coisa moderna.
Tem uma reunião às 10:00 com a equipa de produção
e almoço com o Nadler.
- Que vais cancelar. - Cancelo sempre.
- O que faria sem ti? - Nem quero pensar.
- Boa noite. - Boa noite.
Queres ir beber um copo?
Claro.
Gostávamos que o meu pai pudesse ver o nosso filho a formar-se,
quando aparecer nas peças da escola,
desde que tenha rédea curta?
Rédeas ajudavam.
Não rédeas físicas.
Compreendo e prometo que vou falar com os professores.
- Não pedimos mais nada. Obrigado. - Sim, obrigada.
Obrigada.
Podemos ir?
Podem ir.
Como vai ser o teu dia?
Vou apanhar um comboio para o Bryn Mawr.
Estás a gozar. Para quê?
É um almoço para as senhoras da turma de 1953.
Vai ser a Petra, a Daniella...
A Tammy, a Kiki, as miúdas todas.
Que me odeiam.
Não te odeiam.
Detestam-me? Desprezam-me? Escolhe a palavra. "Abominam" é boa.
Eu defendo-te, até certo ponto.
Aceito "até certo ponto". Diverte-te.
Manda-lhes cumprimentos, só para as confundir.
Está bem.
Sra. Maisel, vejo-a na próxima angariação de fundos?
Vou tentar.
- No ano passado... - Eu sei. Lamento.
Podemos ir beber um copo, um dia?
Para falar de outras coisas para além dos miúdos?
Claro. Gostaria muito.
Também eu. Eu ligo-te.
A Maravilhosa Sra. Maisel
Fascinante. Absolutamente fascinante.
Especialmente, esta página.
Está na hora do lanche.
O que estás a fazer?
Estou a ver a Esther.
Estás a vê-la a brincar?
Estou a ver o que vai fazer.
Claramente, tem um talento estranho, pelo menos, para a música.
Agora, quero averiguar a extensão das capacidades dela.
Por exemplo, estendem-se à literatura?
Então, deixei ali o meu livro
e quero ver se ela vai lá.
Está bem. Há doces no livro?
Não, não há doces no livro.
Porque haveria doces?
Se esperas que ela vá lá, pensei que tinhas posto lá doces.
Rebuçados.
Não lhe quero dar rebuçados, Rose.
Quero ver se ela vai ver o livro,
não por pensar que tem doces.
Que livro é?
É O Ser e o Nada de Sartre.
Tem imagens?
Em O Ser e o Nada? Não, não tem imagens.
Então, devias pôr lá doces.
Um doce podia fazer a diferença.
Rose, só quero ver se ela tem curiosidade em relação ao texto do livro.
Tenho de ver se a minha neta é o neto que eu esperava.
Não vai saber o que é, mesmo que tenha curiosidade.
Ninguém sabe o que é O Ser e o Nada.
Nem o Sartre sabe.
Até eu só estou a fingir que leio.
A fingir?
Para a experiência.
Se ela suspeitar que estás a fingir,
pode pensar que é uma artimanha e ignorá-lo de propósito.
O que indicaria
uma aptidão para o raciocínio cognitivo avançada para a idade dela.
Então, ir ver o livro indicaria capacidades mentais avançadas
e não ir ver o livro
também indicaria capacidades mentais avançadas.
Não. A Darling fez chichi.
Apostaria nos doces na mesma.
Boneca parva.
Sei como deve ter parecido,
mas foi uma falha de comunicação.
Podia estar pedrada.
Sim, a fumar chá, claro. Todos precisamos de relaxar.
Ela quer pedir desculpa pessoalmente.
Ela vai a Baltimore.
Quer ver-te no estúdio e levar-te ao Haussner's.
Vou comprar o bilhete.
Está bem. Aproveita o cesto de fruta, o vinho, o roupão
e a bicicleta. Falamos mais tarde. Adeus.
Sou alérgica a caranguejo.
"Não é a tua vez"? A sério?
- Sim. - Dás-me o contexto?
Agora não.
Quando? Depois de ele te despedir?
- Vai despedir-me? - Consegui dar a volta com os presentes.
Devias ter-me perguntado.
Os presentes salvaram-te, Susie.
Faz a mala, vais a Baltimore.
Tens boas intenções, mas não percebes as complexidades.
Eu percebo as complexidades.
Vais perder o James porque não divulgas a Midge.
Eu vou divulgar a Midge.
Uma coisa não invalida a outra. Ela também é minha amiga.
Mas não está a ser fácil para a Midge.
Queres experimentar ser negra por um dia?
Não está a ser fácil para o James, ele merece o que tem.
Eu sei.
Não o deixes sair.
Se deixares, eu posso sair
e não consegues viver sem mim.
Quanto foi a bicicleta?
Compra o bilhete.
E tu metes o James no Paar.
Olá, senhoras!
Olá, Midge. O que tens vestido? Adoro.
Este trapo?
Parece saído da última Vogue.
E tu, modelo?
Ela foi modelo.
- Trouxe uma velha amiga. - Meu Deus!
A licoreira?
É do meu pai. Dos dias de cavalaria dele.
- Quando as festas ficavam aborrecidas... - Chamávamos a cavalaria!
Vamos. Não podemos perder o leilão.
Nem o almoço. Tenho fome.
Tens mais um. Deixa-me ver uma foto.
- Não tenho. - O quê?
Menti! Aqui estão eles, o gangue todo.
- Tens quatro filhos? - Vem outro a caminho.
- Como está o Tom? - Untuoso.
O Tom está untuoso?
O que se passa com as sandes minúsculas?
Querem que continuemos a ser senhoras minúsculas.
Já é tarde.
São só couves-de-bruxelas entre duas fatias de pão.
Outro pepino. Metade são de pepino.
Esta tem meio morango e queijo creme.
- Eu fico com essa! - À vontade.
Parece pasta de salmão.
Porque fariam isso?
- Guardanapo. - Está pronto.
Porque não nos dão peru ou sandes de fiambre?
Petra!
Preciso de algo para absorver o álcool. A relva está a girar.
Eu não. Cavalaria. Dá cá.
Tammy, o que é que compraste, armas?
Dardos. Os miúdos vão adorar.
- Parecem perigosos. - Não podem ser.
Estou contente com a coruja, vou chamar-lhe Charlie.
Está a seguir-me com os olhos.
A Midge fez a melhor compra.
É preciso ser ruidoso para conseguir um Hoover Lark.
- Que beleza. - O aspirador mais leve do mercado.
Nem está no mercado. Estou com inveja.
Está ali o Sr. Dee, de Sociologia.
Connie, olá. Há quanto tempo.
Como é que ficou mais bonito? Não é justo.
Qual é mesmo o nome dele?
Pensei que era Deelicioso.
Quase não o reconhecia.
Acabou de beijar a Sandra Gutenberg nos lábios!
Pois beijou.
Não sabe onde andou aquela boca?
Espero que sim, são casados.
- Casados? - Há oito anos.
O que faz dela a Sandra Dee? A sério?
Ela jura que não andavam quando estudava.
Por favor.
Disse que se cruzaram depois da formatura e fizeram faísca.
Dizem que ela lhe tocava a flauta
à tarde, atrás do Dalton Hall.
- Olá, Sandra! - Olá, senhoras.
É bom ver-te.
Então, Midge.
- Então, Daniella. - O elefante na sala?
- Disse-te para não falares nisso. - Não faz mal.
Sim, vou converter-me ao cristianismo.
O quê? Não.
- Vais? - Midge.
As coisas estão bem com o Joel. Somos amigos.
- O Palmer ainda está de coração partido. - E disponível.
Tinha a personalidade de uma calçadeira.
Agora, é chefe de contabilidade.
Como eu dizia.
Tu e o Joel foram tão rápidos.
O Palmer foi-se e vocês começaram a namorar.
Ou começaram a namorar e o Palmer foi-se?
Ele foi muito persistente. Mas eu controlei o ritmo,
porque fui uma rapariga casta até ao casamento.
Até ao noivado.
Quem queres enganar?
- Vimos-vos encostados àquela árvore. - Kiki.
Quase a arrancavam.
Sem dúvida, arrancaram casca.
Sabia que os binóculos não eram para ver pássaros.
Eu avisei-te em relação a ele. Lembras-te?
Sim, Petra. Foste muito protetora.
Agora, és solteira e trabalhadora.
Trabalhas para o Gordon Ford. É divertido? Ris-te o dia todo?
É um bocado duro, mas há gargalhadas.
E atuas. Em palco. Não consigo imaginar.
Discursou no casamento. Foi o centro das atenções.
Não me imagino a mim.
Não tens medo de estar em palco à frente das pessoas?
Bem, vejamos.
Se pudesse fazer outra coisa
para ganhar a vida, faria isso.
Lavar a roupa do Ku Klux Klan,
empregada num matadouro...
Acho que não são as únicas opções.
É uma coisa que um amigo me disse.
Não. Não tenho medo do palco.
Mas fora do palco, nas casas de banho dos clubes, é aterrador.
Porque o fazes?
Porque adoro.
As pessoas ouvem-nos. E temos bebidas grátis.
Disseste que ias aparecer no Jack Paar.
Era só uma audição para o programa dele.
Ainda não decidiram. Vamos ver.
A Corky Fleming.
Sempre a odiei. Olá.
- Olá, Corky. - Olá, meninas.
- Também andou com o Sr. Dee. - Durante o meu semestre em Praga?
Gostavam todas dele.
Eu não. Deu-me um 14.
Cavalaria.
É permitido? Não temos autorização.
Não precisamos de autorização.
Somos ex-alunas.
Venham. A sorte favorece os audazes!
Ainda sonho com os dormitórios.
Cheira a comida?
Já permitem comida quente?
Não aprovo.
Têm uma televisão no quarto.
Tão mimadas.
- Olá. - Olá.
Soa-me bem, o rock and roll.
Sim.
Eu e a Petra ouvimos a Toolie Oolie Doolie sem parar neste quarto.
Das Andrews Sisters?
Sim. A minha mãe tem um disco delas.
O que faz ela esta noite?
Procura a sua filha?
- Temos 30 anos! - A minha filha? Não!
Desculpem.
Meu Deus! Não se importam com isto?
Com o quê?
O quê? Ela pergunta: "Com o quê?"
O quê?
O que perdemos?
A alcatifa estava imperdoável.
Já não. O Lark está a sugar a sujidade.
É o aspirador mais leve do mercado.
E é fácil de guardar. Algo a ter em mente, Sherry. Barb.
- Claro. - Está bem.
Dormimos três aqui? A sério?
Como cabiam as nossas coisas?
Porque é que o mundo está a encolher?
Venham. Queremos ver se ainda estão lá.
- Se ainda está lá o quê? - Vamos!
Adeus.
Adeus, meninas.
Adeus.
A limpeza é uma virtude.
Merda! Tenho 80 anos?
Teias de aranha!
Querias entrar primeiro.
Cheira ao túmulo do Tutankhamon.
Alguém abane um pau à nossa frente
para tirar as teias.
- Avança, Kiki. - Esse pau é muito pequeno.
Usa o aspirador.
O Lark não é um brinquedo.
Vá lá, meninas. Estamos a perder tempo.
Odeio aranhas, mais do que tudo.
Isto também está mais pequeno. Está tudo a encolher.
As nossas beatas ainda estão no chão.
Então, talvez ainda estejam aqui.
E estão.
Atámos fitas e flores. Éramos tão queridas.
De que cor era isto?
- Amarelo? - Não, tu eras o roxo.
O azul e o roxo estão parecidos.
Segura-os contra a luz.
Eu era o verde. Dá cá.
Azul.
Rosa.
Quem se lembrou de escrever bilhetes para nós próprias?
- Tu. - Não.
Foste tu. Pensavas sempre no futuro.
- A nossa líder destemida. - Cá está o meu.
Lê.
"Ama como se a tua vida dependesse disso." A sério?
Foi a tua fase Kahlil Gibran.
Eu dei esse livro.
- E fazes isso? - O quê?
Amas como se a tua vida dependesse disso?
Diria que sim.
Nem sempre. Devia esforçar-me mais, mas sim.
Ainda bem.
Sou a próxima. Menina Azul.
"Sê atenciosa. Sê magra." Jovem Petra, sua cabra!
Continua a ler.
"Valoriza os teus pais, os teus filhos,
os teus amigos e, por favor, sê feliz."
- Tão querida. - Boa.
Desculpa, jovem Petra. Não eras cabra.
É a minha vez.
"Lê o Dom Quixote em espanhol."
Nunca aprendi espanhol!
E que mais?
Só uma lista longa e irritante de livros para ler noutras línguas.
E acabo com: "Atenciosamente, o teu eu mais jovem."
Kiki?
Está bem. "Trabalha sete anos, poupa,
"viaja seis meses, casa-te e tem filhos."
Não fiz isto.
- Tiveste filhos. - E mais filhos.
A história acaba aí.
Midge?
Está bem, cá vou eu.
O que diz?
"Não."
- "Não"? - Não o quê?
Só isso. Só "não".
Não acabaste a frase?
Acrescentei um ponto de exclamação e sublinhei-a.
Deixa ver. "Não." Estranho.
- O que querias dizer? - Não sei.
- Lembras-te de escrever? - Não.
- Pode ser: "Não magoes ninguém." - Então, porque não escrevi isso?
Já sei o que foi.
Ias usar aquele vestido,
mas sabias que não devias. "Não." E não o fizeste.
Não foi isso.
Algo como: "Não percas a oportunidade."
De viver. Não perdeste.
As coisas fantásticas que fizeste.
- Mais do que nós. - Combinadas.
Pensa nas histórias para contar aos teus filhos.
E aos teus netos!
Quando voltares a casar, vais poder recordar
este capítulo fantástico e dizer: "Fiz aquilo."
Sim. Tem sido um capítulo fantástico.
Esperem, o meu tem mais.
"Aparece depois da formatura." Eu podia ser a Sra. Dee!
Tammy, quase me arrancaste o olho!
- Desculpa! - Atira-os por baixo!
Não é para tentares apanhá-los, Petra.
Já não jogo mais.
- Tenho de ir. - Eu também.
Vamos prometer não deixar passar dez anos até ao próximo jogo de dardos.
- Sim! - Sem dúvida.
- Adeus, senhoras. - Adeus.
- Adeus. - Adeus.
- Está confirmado? Duplamente? Triplamente? - A 100%.
- Pela minha mulher? - Pela Hedy.
- Ela ainda cá está? - Vi-a há um minuto.
Hedy?
Hedy, para aí!
Sim, senhor.
- Mas que raio? - Isto não é bom.
Raios, Hedy!
Raios!
Retiro o que disse.
Não percebo o casamento deles.
Ouçam, malta.
Um membro da realeza britânica está em digressão pela América do Norte
e todos os grandes meios de comunicação
estão a tentar conseguir uma entrevista.
Conseguimos a entrevista.
Hoje, a Princesa Margarida vai estar no programa uma hora inteira.
Esta mulher puxou uns cordelinhos,
elogiou egos, cobrou dívidas,
convenceu os maricas que rodeiam a Princesa
e realizou um milagre ao nível dos pães e dos peixes.
Aplaudam-na agora.
Ele omitiu amavelmente as coisas indecentes que fiz.
Ponham todos mãos à obra.
Eles vão chegar em breve.
Se tiverem mosquetes ou chá escondidos, tirem-nos agora.
Mike, tens muita responsabilidade.
- Estás pronto? - Sim.
Quero que a equipa de pesquisa me diga
o que ela fez nesta digressão.
Eu coordeno. Quero as coisas até às 14:00.
A equipa dela diz que ela quer fazer uma paródia comigo.
Estás a gozar.
Ela não quer parecer emproada.
Criem as piadas que puderem
- e tragam-mas depressa. - É para já.
Adaptem o monólogo à família real. Engraçado, mas respeitoso.
Mas gozem com eles.
Ousado, ao estilo do Ford.
Não muito ousado.
Mas com piada. Mas não de forma maldosa.
Ainda te dá uma coisa. Deixa-os trabalhar.
Cómico, mas não maldoso. Percebido.
Está bem.
A minha manhã acabou de melhorar.
Jane Jacobs, é um grande prazer conhecê-la.
Olá, Gordon.
Esta é a mulher que impediu o Robert Moses
de construir uma estrada no Washington Square Park.
Quando visitei Nova Iorque, fui lá com os meus pais.
Meu Deus! Havia malabaristas, músicos,
aquela fonte, várias pessoas estranhas, foi mágico.
Soube que tinha de viver e trabalhar aqui.
Jane, não salvou apenas um parque. Salvou uma memória. Obrigado.
Não tem de quê.
Tenho de a excluir esta noite.
Vamos a isto, Mike!
Está bem.
Aquela era a misteriosa Hedy?
Aparece de vez em quando.
A mulher do Brigadoon.
Muito bem. Quem não sabe nada sobre a Princesa Margarida?
- É irmã da rainha. - Eu sei.
- Casos. - Não podemos ir por aí.
- Bebe chá? - Diz futebol com sotaque?
Ela fala assim.
Estão a dizer que estamos lixados? Faltam sete horas.
Desculpem. Por acaso, têm aqui uma especialista.
- A sério? - A Midge vem em socorro.
Adoro-a. É vistosa. Não tem o peso da coroa.
É um pouco sensual. O Ralph imitou-a bem.
- Pode ter piada? - Numa paródia?
Tenho umas ideias.
Eu trato disso, vocês fazem o monólogo.
- Combinado. - Pronto, vinte em uma!
Merda! Desculpa, Alvin.
Pronto, vinte em uma.
Teve piada.
Olá e saudações!
É o The Gordon Ford Show!
A convidada muito especial desta noite, durante uma hora inteira,
Sua Alteza Real, Condessa de Snowdon,
a Princesa Margarida da Grã-Bretanha!
- A Princesa Margarida! - Que sorte!
Sim!
Olá. Estão cá outra vez?
Rimo-nos tão bem que um argumentista nos convidou.
Planeamos vir todas as noites!
Fantástico! Que argumentista?
- Não deves conhecer. - Podes apontar para ele?
Boa noite. Ouviram bem.
Temos um membro da realeza no programa, esta noite.
Sim! A Princesa Margarida!
Talvez vejam alguns homens de fato com ar sinistro pelo estúdio.
Alguns são seguranças da Princesa Margarida
e outros são os meus agentes.
Ficaste amigo dos meus sogros?
Parece uma acusação.
Shaw disse que a Grã-Bretanha e os EUA estão separados por uma língua comum.
Também estamos separados por um oceano.
Porque é que nunca sou aclamado?
Não é justo.
No Reino Unido, há palavras diferentes para tudo.
Chamam ascensor ao elevador.
Chamam andar a um apartamento.
E, hoje, soube que me chamam:
"Acho que nunca ouvi falar de si."
Estamos de volta com a Princesa Margarida.
Sua Alteza, sempre fomos fascinados
com a rotina doméstica da família real.
É recém-casada.
Como é o seu jantar? Cozinha?
Sim, sou ótima cozinheira. Cozinho todos os dias.
É uma das duas coisas que faço melhor.
- Qual é a outra? - Mentir.
- Tem cozinheiros? - Os nossos cozinheiros têm cozinheiros.
Imagino que, como membro da família real,
pode fazer tudo. É verdade?
Não, Gordon, não é.
Sempre tive um sonho que continua por realizar.
Que sonho?
Sempre quis apresentar a meteorologia na televisão americana.
Por sorte,
está na hora da meteorologia no The Gordon Ford Show.
Que coincidência engraçada.
Gostava de o fazer e realizar esse sonho?
Seria um prazer.
Faça favor.
Está tudo preparado, Sua Alteza.
Obrigada.
Boa noite. Sou o Gordon Ford com a previsão para esta noite.
O cartão está errado. Não sou o Gordon Ford.
Foi tudo tão espontâneo, não tivemos tempo de mudar os cartões.
Não estamos contentes.
Bem, lamentamos muito.
Terça-feira, vai estar muito sol.
O que é isso? Sol?
São os sítios onde vai estar sol o dia todo, sem nuvens.
Continuo a não saber do que está a falar.
Em Rockaway, as condições para o surf serão épicas.
Os surfistas podem esperar umas ondas bacanas
enquanto fazem um hang-ten e enrolam os turistas de Jersey.
Parece que queriam ouvir-me a dizer essas palavras.
Impossível, não fazíamos ideia que ia apresentar a meteorologia.
O que está a fazer?
A marcar o estado que o nosso exército deve invadir primeiro.
Não o Massachusetts! Tenho lá família.
Eu também e ainda devem impostos do chá.
Está bem. Levem Massachusetts.
A uma grande noite.
Ela arrasou. A princesa arrasou.
Adorava ver a cara do Paar quando ler o jornal amanhã.
Sabem quem teve no programa?
O Kukla, a Fran e o Ollie. Fantoches.
Teve fantoches!
Dava para ver o braço do marionetista a sair do Kukla.
Pobre Kukla.
Vamos ganhar um Emmy.
Isto teve o peso, o vigor.
- Temos de fazer uma campanha. - Amanhã.
A secção de notícias ligou. Ficaram abismados.
O Huntley e o Brinkley estão humilhados. Isso deixa-me feliz.
Bebidas para a casa toda! Todas as pessoas aqui!
Conseguimos!
Vou mudar a água às azeitonas.
Guarda isso para ti.
Olá.
Olá.
Sou a Hedy Ford.
É bom conhecer-te oficialmente. Midge Maisel.
Eu sei.
Há algum tempo que te queria conhecer.
A primeira argumentista do Gordon.
Primeira de muitas, talvez.
Claro. Agora, as coisas vão ser diferentes.
A princesa estava muito contente.
"Radiante" foi a palavra que usou.
Arrasou. Estávamos a dizer isso.
Não sei se a irmã dela vai gostar, o que a divertiu ainda mais.
De que servia, se não tivéssemos irritado a rainha?
Escreveste a parte da meteorologia.
O conceito. Os rapazes deram-lhe piada.
- Não. - O quê?
- Não. - Está bem.
Fica com o crédito, seja ou não teu. É o que os homens fazem.
Está bem.
Sim. Fui eu.
Boa. Vemo-nos por aí.
Há quanto tempo trabalhas com a Susan?
Com a Susan?
A Myerson. É a tua manager, não é?
A Susie. Vai fazer três anos.
Fui a primeira cliente.
Aposto que faz muito por ti.
Sempre foi persistente e uma verdadeira lutadora.
Tive de a segurar algumas vezes.
Ainda estou a tentar perceber. Como se conhecem?
De Pembroke. Éramos colegas de quarto.
- Ela nunca mencionou isso. - Bem, conheces a Susan.
Sim. Conheço a Susan.
Hedy!
Vou já!
Preocupa-se quando falo com argumentistas. E com arquitetos.
Continua o bom trabalho.
Com a Susan do teu lado, diria que tens futuro.
Até breve.
Sim. Até breve.
Aqui está ela.
- Não. - Tiveste saudades?
Olá. O que raio fazes aqui?
A Dinah disse-me a hora do comboio. Foste a Baltimore?
Tive de ir falar com o James. Tivemos um mal-entendido.
- O que... - Conheces a Hedy Ford?
Como assim?
Conheceste-a quando era Hedy e não Ford.
Conheceste-a?
No bar. Disse que eram amigas na universidade.
Não éramos amigas.
Eram colegas de quarto.
Talvez.
Talvez? Não reparaste?
- Éramos dez ou 20 num quarto. - Susie.
A universidade é grande.
Não podemos conhecer toda a gente.
Ela chama-te Susan. Ninguém te chama Susan.
O que é isto, uma emboscada?
Estou cansada. Podemos falar de manhã?
Porque não disseste?
- Não te falo de toda a gente que conheço. - Para.
Conheci-a um pouco, está bem?
Não achaste que valia a pena mencionar
que conheces a influente mulher do meu chefe, nem um bocado?
Não acredites no que ela diz, está bem?
- Falou mal de mim? - Disse que eras persistente.
O curso de Inglês valeu a pena.
E que és uma lutadora.
Toda a gente sabe isso.
Então, luta por mim. Fala com ela.
- Espera. - Ela tem influência no Gordon.
Mais que todos, até o Mike. É a nossa porta de entrada.
- Não. - Diz-lhe para o Gordon me convidar.
Não precisamos dela. Eu trato disto.
Como é que tratas disto?
Eu trato disto. É assim que trato disto. Estamos a progredir.
Em direção a uma parede.
- Isso não é justo. - Pois não.
Fartaste-te de trabalhar e eu fiz tudo o que disseste.
Mantive-me em forma. Tenho sido um bom soldado.
Trabalho muito todos os dias e ele repara.
Fazia sentido ele dar-me uma oportunidade, mas ele não se deixa convencer.
A parede está sempre a bater-nos na cara.
São dois passos para a frente, três para trás, e estou farta.
Eu também!
O que fazemos com os Gordons, os Petes
e todos os homens que mandam no mundo?
Contornamo-los!
Usamos o que podemos e não paramos por nada.
Adivinha quem me ensinou isso?
Isto não chega. Percebes?
Chama-me egoísta, mas quero mais.
Isto. O que estamos a fazer. O que foram estes três anos?
Isto não é uma história para contar aos netos.
- Não é só um capítulo! - Quem disse que era?
Invadiste uma sauna e saltaste por cima de pilas
- pelo filme do James. - Sim.
Quero que saltes por cima de pilas por mim!
Saltei por cima de muitas pilas por ti, menina!
Há três anos que salto por cima de pilas!
Tens mais uma pila para saltar. Fala com a Hedy.
Não.
Porquê?
Para e pensa.
Queres que peça um favor a uma miúda com quem andei na universidade?
Sim! Claro! Não ouviste?
É assim que queres a tua oportunidade?
Meu Deus! Sim! O que importa como acontece?
Imagina-te daqui a dez anos.
És uma grande estrela, num talk show
e o tipo pergunta-te como começaste.
Não queres dizer que tiveste de pedir um favor.
Não vou estar nesse programa se não fizeres isto.
É agora, Susie.
Fala com ela.
Ou vou sempre saber que há algo que não fizeste.
E, sinceramente,
não sei o que faremos depois.
Obrigado.
Arthur, queres vinho?
Se me servires.
Gabe!
- Abe. Conheces o Arthur. - Abe.
- Arthur. - É o Henry.
- Henry. - Prazer.
Há dez minutos que discutimos o que beber.
Eu estou a beber.
Se o trouxeste, não conta.
- Não trouxe. - Já calculava.
Pode recomendar um vinho tinto sem dizer "tânico" nem "frutado"?
Henry, não tortures o jovem.
Abe, queres tinto?
Acho que passo. Tenho muito trabalho.
O Voice não encoraja a sobriedade dos empregados.
Na verdade, prospera com a libertinagem.
Bebe, caramba, ou estás despedido.
"Libertinagem" é subaproveitada, por algum motivo.
Esta mesa está com um ambiente hostil.
Pode ser vinho.
Vamos beber o Château Margaux de 1956.
Muito bem. É um vinho acídico, um pouco anguloso.
Está a tentar matar-me?
Traga o vinho e eu amordaço o Henry. Para, Henry.
- O que foi? - Vou pedir para te expulsarem.
- Vendi a minha casa nos Hamptons. - Quando?
Há um ano. Fartei-me da manutenção
e o valor da casa não vai subir tão cedo.
- Ou nunca. - Exatamente.
Viram a Princesa Margarida no Gordon Ford? Hilariante.
- A sério? - A Rainha Vitória tinha graça.
Não sabia.
Vi esse filme, foi encantador.
- O Professor Distraído? - Com o carro voador?
No Radio City. Sou fã do Fred MacMurray.
Estavas com um neto?
Parece simplista, mas o Fred MacMurray eleva-o.
Nem a família do Fred MacMurray gosta tanto dele.
Ignoro-os. Aniversários? Não vale a pena.
Esqueceste a criança que há em ti?
Prendas valem a pena.
Não me lembro da última vez que recebi algo de que gostei.
Abe, eu estava a elogiar as tuas habilidades de conversação.
Céus! Desculpem. Estou a ser um chato.
Porque o Gabe disse "libertinagem"?
Sim, foi perturbador.
Não, eu...
Abe?
É só o mundo todo. Sabem?
Só isso?
Estou a ficar sentimental.
O que tem o mundo?
Acabei de fazer 64 anos.
E, numa altura em que devia estar confortável
de corpo e mente, não estou.
Nada. De repente, dou por mim numa encruzilhada.
E está tudo de pernas para o ar.
Isso é porque está tudo a mudar a um ritmo diabólico, Abe.
Sobretudo para homens como nós.
Homens como nós.
Nascemos no século XIX.
Noutro século! Antes dos telefones e da rádio.
Só tive eletricidade aos sete anos. Não dá para acompanhar.
Sim, e é tão fisiológico como psicológico.
Os Homo sapiens rastejaram por aí,
a interpretar os mesmos papéis durante dezenas de milhares de anos.
Agora, de repente, temos de aceitar estas mudanças rápidas.
Mais mudanças num ano
do que os nossos antepassados viveram numa vida, num milénio.
Pensem bem. Para os nossos antepassados, as mudanças
eram eventos exógenos repentinos.
Terramotos, inundações, um eclipse,
um tigre-dentes-de-sabre que nos ataca do nada.
Tinham de lidar com esses problemas na hora.
Depois, as coisas voltavam naturalmente ao normal.
Agora, a mudança acontece em nós.
A própria mudança é a inundação, o tigre-dentes-de-sabre.
A própria mudança é a norma.
Mas o meu medo é que o mundo seja como sempre foi,
só que eu não vi.
Que muitos de nós não viram. Nós, homens.
Sabia que íamos falar de género.
É a sério.
Não podemos culpar eventos exógenos. É demasiado fácil.
A nossa cegueira coletiva provocou muitos danos.
Controlámos tanto, interferimos tanto, e para quê?
- É uma perspetiva. - Exato, a perspetiva é complicada.
Todos interpretamos através de nós próprios.
Homens e mulheres.
Devemos ter partilhado isso com os caçadores-recoletores.
As ementas, senhores.
Esta noite, o peixe é linguado preparado de uma de duas formas,
à meunière tradicional ou com molho beurre blanc com citrinos.
Obrigado. Já comi o linguado. É fantástico.
Sabem, no outro dia, tive um momento.
Vivo num apartamento grande e velho na Amsterdam Avenue. Comprei-o há décadas.
Pensaram que estava louco, tanto dinheiro.
Agora, pareço um génio.
Eu e a minha mulher, ela morreu,
passámos muitas horas a equipá-lo e a decorá-lo.
Tínhamos tanto orgulho, estava tudo no sítio certo.
Um dia, não há muito tempo,
estava na sala, olhei em volta
e só vi coisas.
Só coisas.
Foi uma sensação estranha.
Como se nunca tivesse visto nada daquilo.
Muitas das coisas estavam ligadas à memória da minha mulher.
Estivemos juntos 40 anos. Mas não importava.
Só conseguia imaginar os meus netos a vasculharem tudo,
a escolherem o que guardar, o que vender, o que deitar para o lixo.
A minha vida.
A minha mulher.
Em pilhas.
Era um dia quente, mas senti muito frio, de repente.
Acredito no livre-arbítrio.
Não somos robôs. Podemos melhorar.
Adaptamo-nos.
Às vezes, o que os outros consideram interferência, Abe, é ensinar.
Foste professor a maior parte da vida. Transmitimos o nosso conhecimento.
O meu filho é esperto.
Avisou-me várias vezes que eu estava a sufocá-lo.
Pensava que estava a guiá-lo.
Então, saiu de casa e deixou de ligar. Deixou de...
Ensinamos, sim, mas impingimos. Eu faço-o, sem dúvida.
Acho que saí do útero da minha mãe
a dar conselhos sobre como lidar com o cordão umbilical.
Estou a ter um dos teus momentos, Arthur.
Estou a ver as pilhas da minha vida.
São-me estranhos.
Tem que ver com a tua família?
Tentaste ajudar, guiar.
Toda a gente comete erros.
Não gosto deste vinho.
O que eu achava sobre os papéis dos homens e das mulheres,
acho que está totalmente errado.
Fiz exatamente a coisa errada pelos meus dois filhos.
Não, Abe. Não é verdade.
Sabes que a minha filha é proprietária do apartamento onde vivo?
Não disseste que o compraste?
A minha mulher inventou isso, é só fachada.
Não, foi a minha filha que o comprou.
A minha filha...
O marido abandonou-a, de repente.
Foi o tigre-dentes-de-sabre dela.
Em vez de sucumbir com o peso, ela saiu mais forte.
Uma nova pessoa, pensava eu.
Mas, agora, acho que talvez tenha sido sempre assim.
Nunca a levei a sério.
Ao meu filho, o Noah, levei-o a sério.
Levava-o comigo para Columbia todas as semanas
para ele poder sonhar com o que podia ser.
Não me lembro se fiz isso com a Miriam.
Nunca me ocorreu.
Por mais inexplicável que seja a escolha de carreira dela,
está a conseguir sozinha.
Sem a minha ajuda nem da mãe dela.
De onde veio isto?
Esta força, esta coragem
que eu nunca tive?
Que o meu pobre filho nunca teve.
O que poderia ela ter sido se eu a tivesse ajudado
em vez de a ignorar, em vez de ignorar quem ela realmente é?
A minha filha é uma pessoa notável
e acho que nunca lho disse.
Devíamos pedir.
Desculpe. Estamos prontos.
Como é o frango?
Levemente temperado, esfregado com salva
e recheado com o melhor foie gras do vale do Dordonha.
Ele tinha de saber.
Dois anos? Estás a tentar evitar-nos?
O John tem estado em digressão.
Muito trabalho e pouca diversão.
- Como está a galeria? - Animada. Deviam passar lá.
- A que horas abrem? - Nós...
Abrimos às 10:00, mas eu costumo aparecer ao meio-dia.
Apareçam. Tenho uma peça da Helen Frankenthaler
que vão adorar.
Até breve.
- Adeus, Hedy. - Ciao aos dois.
Bem, devo dizer que estou surpreendida por te ver.
Sou cheia de surpresas.
- Estou contente por... - Tenho um trabalho para a Sra. Ford.
Sou eu.
- Mete a minha miúda no programa. - O quê?
A Midge Maisel. É comediante.
E precisa de uma oportunidade, agora.
Queres que fale com o Gordon?
Sim.
Gostava que me fizesses o favor de falar com o Gordon.
Ela é boa comediante?
- Ela está pronta. - Acreditas mesmo nela.
- Sim. - É mais do que isso?
O Gordon não faz tudo o que peço, mas farei o que puder.
Em breve?
- Em breve. - Esta noite?
Vai sair. Talvez só o veja de manhã.
São um belo conto de fadas.
- Amanhã de manhã? - Sim.
Isto foi difícil, não foi?
O que fizeste agora.
Por montes e vales
- Olá, Midge. - Olá, Trudy.
Olá. Podes guardar a minha mala?
Estranho quando não pedes.
Dentro e fora, ouçam-nos a gritar
Em contramarcha e a volver
Bom dia, Hedy.
Bom dia, Midge.
Depois é ah, ah, ah
Na artilharia de campanha
Gritem as ordens alto e bom som
Mais alto
O que fazes aqui?
Tenho um pedido.
- Foi a minha mãe? - Não. Porquê?
Quer-nos na Ação de Graças.
Diz sempre isso depois de chorar por ninguém elogiar o peru.
- Evitámos três anos. - Saber antecipadamente ajuda.
O que foi?
Ocasionalmente, apareço aqui com um decote novo
e sugiro umas coisas que acho que devias fazer.
Ocasionalmente, sim.
Costumo aceitar as sugestões e elogiar o decote.
Quero que convides a Midge Maisel.
- A Midge? Não. - Sim.
Hedy, vá lá. Sabes que há uma regra.
A regra era do George e tornou-se tua.
Céus! Nem sabes porque tens essa regra.
Leste A Lotaria.
Quando há tradições absurdas, pessoas são apedrejadas.
Esquece a porcaria da regra.
Sim. Porquê o sermão?
Não foi um sermão. Convida-a.
O que me escapa?
Ela é agradável à vista, certo?
Tu tens olhos.
Qual é a ideia?
- Estou a pedir-te para fazeres isto. - A mandar.
A pedir veementemente.
Porquê? Porque haveria de o fazer?
Porque me deves uma.
É assim que vai ser?
Isto é novo para nós, Hedy.
Agradeço, Gordon. A sério.
The Gordon Ford Show.
Está bem, sim, espere.
Midge! Telefone! É importante!
Sim? Onde?
Vou já.
Segure o elevador!
Legendas: Pedro Freitas
Supervisão Criativa Pedro Renato Marques
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