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Original subtitles

LEGENDAS : Laercio

CORA��ES AFLITOS (1946)

Nossos agradecimentos ao Minist�rio da Guerra

e ao Ex�rcito Brit�nico do Reno pela sua grande ajuda

na produ��o deste filme

Fran�a - Junho de 1940

Este filme � dedicado aos prisioneiros de guerra.

Seu esp�rito inabal�vel

� o s�mbolo de uma vit�ria moral

pela qual n�o tocaram os sinos

e n�o ser� lembrado com os nomes das batalhas

e as cores dos regimentos.

Foi uma guerra na qual n�o podiam dar condecora��es,

mas ter sa�do dela com o esp�rito �ntegro

� a maior honra.

Estes s�o alguns destes homens

capturados no ver�o de 1940.

Eram homens que estavam em Dyle,

Somme e no Canal de Lavacy,

que lutaram em Calais, Abbeville, St. Valery

e o per�metro vital ao redor das praias de Dunquerque,

homens que resistiram

at� que a m�quina alem� os varreu.

Eles marcharam 372 km ao cativeiro

atrav�s do poeirento e quente junho,

atrav�s da Fran�a, da B�lgica,

da Holanda, at� o Reno.

A cerveja n�o � o que costumava ser.

Espero que a cerveja francesa talvez seja o que devia ser.

Lembra-se da �ltima vez, Ted?

Sim, tamb�m me lembro algo melhor do que cerveja.

Eu tamb�m. Ela era uma beleza.

Posso ver agora o seu cabelo preto como carv�o.

E que bonita em Lille...

vai, me ensinou uma ou duas coisas.

Pena que voc� guardou.

Devemos ter orgulho de ser casadas, com dois Don Juan's.

N�o acredito que uma garota olhou para ele duas vezes, coitadinho.

Calma. Voc� olhou duas vezes, n�o?

Estava desprevenida. Sentia-me mal ap�s a gripe.

Gostaria de saber o que fez voc� casar comigo.

N�o sabe? E essa terr�vel voz de tenor que voc� tem?

Deixa. Ted e eu limpamos mais tarde.

- Quer mais? - N�o, obrigado.

S�o quase 12:00h. Temos que estar nos dep�sitos.

- Vem para casa, Dilys. - Voc�s voltar�o

antes do que pensa. A guerra acabar� antes do Natal.

"A guerra acabar� no Natal"... Onde voc� ouviu?

Que pena que devemos fechar o neg�cio, Ted.

� um h�bito que temos,

lutar a mesma guerra cada 20 anos.

Tamb�m � um h�bito desagrad�vel.

Boa noite.

- At� amanh�. - Certo.

Dilys se preocupava muito. Pena que nunca teve filhos

mesmo querendo muito.

Estava distra�da.

Acho que � tarde demais.

Lamenta n�o ter casado?

Bem, sim e n�o, de alguma forma.

E se come�ar de novo, amiga?

N�o, obrigada, Ted.

Estou muito velha para este esfor�o de guerra.

- Obrigado, Stephen. Gosto muito. - O garoto promete.

- � quase 1:00h. - Me leva?

Claro. Vamos Carol, coloque o chap�u.

- Nos vemos antes do embarque. - Sim, Robert.

Adeus Stephen, querido. Cuide-se.

- Vamos, meninas. - Espere.

- Vamos, Carol. - Certo, Robert.

Caroline.

Esqueceu o seu cachecol.

Eu sei.

- Tinha que voltar. - Mas Robert...O que foi...?

Queria dizer

que terminei tudo com Robert.

Acho que ele entende.

Eu disse h� tr�s semanas.

Nos conhecemos tem tr�s semanas.

N�o estava certa at� hoje.

Temos apenas 48 horas antes que v� para a Fran�a.

N�o � nada

e � tudo.

Tudo.

Espero que saiba como conseguir uma licen�a especial.

- N�o se esque�a de escrever, David. - Sim, mam�e.

E avise se quiser alguma coisa.

Obrigado, Sr. McDougall. Me escrever�, Elspeth?

Sim, David.

Vai ver, eu...

- Sim, David? - Adeus, David.

Adeus, David, meu garoto.

Adeus, mam�e. Vai ver, eu...

- Tome cuidado, David. - Sim, Sr. McDougall.

- Elspeth, vai ver, eu... - Eu tamb�m, David.

- O que disse? - Eu amo voc�.

Elspeth, Elspeth, casa comigo?

Sim, David.

O que est� falando?

Desculpe, n�o fa�o id�ia.

- Posso ajudar? - Fala alem�o? Bom.

Disse que os oficiais devem ficar separados dos homens.

Mas temos que manter os feridos conosco.

Temos apenas uma MO entre todos.

Disse que podem ficar conosco at� chegar ao acampamento.

- Obrigado. - No entanto, muitos deles

automaticamente permanecem com a divis�o.

Sim.

Vamos, rapazes. Aqui vamos n�s.

- Como vai tudo, Evans? - N�o devo me queixar, senhor.

- Se sentir� melhor com um cigarro. - Obrigado, senhor.

N�o acho que deveria fumar com o peito assim.

N�o � nada. A ferida est� praticamente fechada.

No geral est� tudo muito ruim,

embora entenda que voc�s sintam o mesmo que eu...

n�o devemos deixar que os alem�es nos vejam deprimidos.

Os alem�es n�o me deprimem. S�o os amaldi�oados cal�ados.

O que posso fazer por meus p�s, senhor?

Fa�a o que eu fa�o... tenta esquec�-los.

Bem, n�o posso tir�-los, n�o �?

Como est�, Lennox? Seus olhos doem?

Um pouco, senhor.

Faremos que os alem�es te tratem adequadamente

- chegando ao acampamento. - Obrigado, senhor.

E voc�?

N�o posso reclamar.

- Est� bem? - Sim.

- Como est� o seu bra�o? - Me sinto melhor, senhor.

Bom menino. Bem, amigos, n�o demora muito.

Ent�o poder�o descansar bastante.

Obrigado por sua ajuda.

Prazer em conhec�-lo... fala alem�o perfeitamente.

Sou o cabo Ted Horsfall, da 31� de Lanceiros.

Geoffrey Mitchell, do 5� da Infantaria Ligeira de Oxford.

Onde foi capturado pelos alem�es?

- Em Thionville. - S�rio?

N�o sabia que o 5� andava por ali.

Sim.

Bem...

Capit�o, 5� da Infantaria Ligeira de Oxford.

Aten��o, marchem.

CRUZ VERMELHA

- Boa tarde. - Boa tarde.

- Sente-se, ok? - Obrigada.

Me chamo Celia Mitchell. Dizem que o meu marido

pode ser prisioneiro de guerra... o Cap. Geoffrey Mitchell.

Talvez. O minist�rio da guerra n�o a notificou, Sra. Mitchell?

Bem, n�o. Espero que n�o tenham me colocado como parente pr�ximo.

Ah, me desculpe.

- O regimento do seu marido? - 5� da Infantaria Ligeira de Oxfordshire.

Cadastro geral. D�-me detalhes do Cap. Geoffrey Mitchell,

5� da Infantaria Ligeira de Oxfordshire, ok?

Gostaria de lhe enviar um pacote. Suponho que posso fazer isso?

Sim, claro.

Oflag 27, prisioneiro de guerra n� 1376.

Obrigado.

- Oi, mam�e. - Oi, querida.

Ficou bem com o vov�?

O papai voltar� conosco, vov�, quando acabar a guerra?

Ficaria feliz se o fizesse?

- N�o, s� faria a mam�e chorar. - � um prisioneiro.

- Ol�, Desmond. - Oi, mam�e.

Janet, fica encarregada.

Est� bem?

N�o me colocou como parente.

Isso parece ser o fim, n�o, minha querida?

Logicamente, suponho.

- Pobre Geoffrey. - Pobre Geoffrey?

Da minha parte n�o choro por ele.

Papai...

- vou escrever. - Sim?

Sim.

N�o vai fazer bem nem mal.

Devem se alegrar recebendo not�cias de casa.

N�o creio que Geoffrey

tenha o menor interesse na sua casa.

Posso dizer como v�o as crian�as.

Posso ver o Geoffrey compartilhando com seus companheiros presos

as not�cias das crian�as que mal viu.

Tem medo, n�, papai?

A prop�sito. Receio que deixe se levar pelo sentimentalismo

e sugira arrumar as coisas com ele.

N�o se preocupe.

Falamos muitas coisas duras e cru�is.

Gostaria de apagar sua mem�ria.

E assim, se nos vermos ao terminar a guerra,

n�o seria como inimigos.

Agosto de 1940

- Posso usar o sab�o? - Desculpe, velho.

Podemos faz�-lo durar mais dois dias se tivermos cuidado.

Depois temos que arrumar com a divindade.

Parceiro, o que voc� fuma, chucrute?

Sobras, sobras e sobras.

Sortudo. Estou com os especiais do Sr. Middleton.

N�o tosse com um monte de estrume.

Dizem que tem um arbusto perto que n�o � ruim para fumar.

Essa noite tive um sonho maravilhoso.

Algu�m que conhece?

Ovos e bacon... desta vez com ketchup.

Devemos ter perdido muito pessoal.

N�o h� nada para det�-lo. Invadir antes do final do ver�o

e esse � o nosso objetivo.

Devagar. E a frota brit�nica?

E a Luftwaffe? Espera a frota brit�nica?

- Para todos os derrotistas. - Se prefere ser idiota.

E a RAF? Hitler n�o pode montar uma invas�o

at� que tenha controle do ar,

e n�o vejo os garotos se entregando em bandeja.

Bem dito.

N�o pode julgar Hitler pelos padr�es normais.

Se acha que invadir�, invadir�.

Minha esposa faz as crian�as doarem por semana para a Cruz Vermelha.

Estou escrevendo para deixar de fazer.

A maldita Cruz Vermelha... nunca tivemos nada dela.

S�o s� dois meses, velho.

N�o se esque�a que aqui s� tinha centenas de prisioneiros.

Agora tem dezenas de milhares. � um grande trabalho.

Sim, n�o nos enganemos. Ningu�m se preocupa conosco.

Nos esqueceram.

� um pessimista. Como se escreve "suficiente"?

Igual a b�n��o do grande sargento...

dois efes e um C.

Escrevo sobre a comida... chamo de grude.

Gostaria da comida da minha esposa.

Que idiota fui me alistando no maldito Ex�rcito.

Imaginava me divertir com algumas francesas.

Se n�o estivesse preso neste lugar, eu teria feito.

Tem que se engajar na Marinha e deixar que o mundo te veja.

Filho, n�o adianta reclamar.

Aceite as coisas como est�o... esse sempre foi o meu lema.

A minha perspectiva �...

Ah, conselhos, conselhos e conselhos. Cansa. Est� pior que uma mulher.

Chega, filho. Eu manobrava um rifle

quando suas fraldas secavam numa corda.

Sim, jogar � bem melhor.

Olha, se quiser jogar, veio � pessoa certa.

- Deixe-me ver esse cigarro. - O que quer dizer com ver?

� um Jogador. Onde arranjou?

Troquei. O que tem a ver com voc�?

Eu tinha tr�s, jogador. Voc� roubou.

- Vai para o inferno. - Me entrega.

- Foi por �gua abaixo, gal�s. - Devolva.

Roubou o cigarro, seu bastardo?

- Sim, e da�? - S� isso.

N�o vou pedir, filho.

Sou um homem de paz.

E paz � o que vai ter aqui em abund�ncia.

Raios. Dev�amos ter voc� na confer�ncia de paz.

- Como est� hoje, Jessup? - N�o posso me queixar, senhor.

- Conseguiu dormir? - Um pouco, senhor.

Logo tiramos voc� daqui.

Sim, senhor. Obrigado, senhor.

- Bom dia, Lennox. - Bom dia, senhor.

- Boas not�cias para voc�, David. - Sim, Padre?

Sim, meu rapaz. Se juntar� aos outros amanh�.

Que bom, senhor. E poderei retirar essa venda?

Receio que ainda n�o. Ter� que esperar

at� que o nervo �tico sare completamente.

Logo ir� ao hospital para uma cirurgia.

Ter� que ser um paciente muito paciente, rapaz.

Vou fazer o que posso, senhor.

Sim.

Desculpe, amigo. Te darei um ma�o de 20

quando chegarem os ma�os da Cruz Vermelha.

Perdi a paci�ncia por um cigarro.

N�o devia ter me descuidado.

N�o seria mau rapaz

se livrando de alguns dos seus h�bitos desagrad�veis.

Deixe todas essas reformas para o Padre.

Qual � o seu trabalho na vida civil?

Trabalho de embolsador.

- Ah, vivo, hein? - Claro.

Ted e eu somos construtores.

E se aprender o of�cio quando voltar para casa?

Sairei muito mais cedo que voc�s dois.

Escaparei.

Saiu de situa��es mais dif�ceis do que essa, hein?

- Claro. - Tem algum plano?

Dezenas. Por exemplo...

N�o posso decidir

se volto para um veleiro ou uma escuna.

Me pergunto como a Jane est� esses dias.

Quem � Jane?

Sua namorada?

N�o, n�o, Jane, a fita c�mica em "The Mirror".

Sim, a fita c�mica em "The Mirror".

Suponho que os cultos como voc� n�o l�em "The Daily Mirror".

N�o sei. Porque culto?

S� alem�o perfeito e essas coisas.

Passou muito tempo na Alemanha?

Sim, de fato sim.

Agora estou pensando, � engra�ado que ningu�m dos seus companheiros

- foi capturado com voc�. - Sim.

- Tinha uma companhia? - Sim, de metralhadoras.

Companhia de metralhadoras?

Veja, eu...

Acho que eu vou. A ferida d�i um pouco.

Ent�o tudo o que tenho que fazer � fugir num lat�o de lixo.

Por que � t�o f�cil como...

Se planeja uma fuga, Matthews, posso te dar um conselho?

Fugas individuais quase nunca tem �xito.

Estas coisas devem ser planejadas cuidadosamente

- e coordenadas pelo grupo. - Que queira, senhor,

eu vou tentar, se n�o tiver obje��o.

Pois boa sorte.

Boa sorte, traidor.

N�o sei o que �, mas esse cara tem algo errado.

� observador dos alem�es.

Olha, velho.

Isso acabou.

Mas se t�m companhias de metralhadoras no ex�rcito alem�o.

Acha realmente que � um traidor?

Fala alem�o t�o bem como qualquer um deles.

� claro. Por que n�o um alem�o

- plantado aqui como espi�o? - Isso justificaria muitas coisas.

Sim, sempre falamos de casa. Ele nunca faz.

- Detesto acreditar. - Adiante.

- Posso informar algo, senhor? - Continue.

Mas � confidencial, senhor.

Trata de algu�m que acreditamos ser quinta coluna.

Um oficial?

Na verdade �... o Cap. Mitchell, senhor.

A� t�m.

Um minuto atr�s me ouviu planejar uma fuga,

e foi falar diretamente com um dos guardas alem�es.

Obrigado, Matthews. Mantenha a boca fechada.

Muito bem, senhor.

S� h� uma coisa s� a fazer com o rato... enforc�-lo.

Espere um pouco. O homem � inocente at� provar o contr�rio.

N�o nos comportamos como nazistas.

Vamos.

Michell, n�o destruiu sua identifica��o, certo?

N�o. Por qu�?

Apenas um controle. Posso ver?

Se incomoda de duplicar sua assinatura?

N�o pode, porco, porque seu nome � Mitchell.

Vamos, acabamos com isso.

Se tem algo a dizer, � melhor falar logo.

� uma longa hist�ria.

- N�o acreditariam numa palavra. - Claro que n�o.

Cale a boca. Anda, desembucha.

N�o sou alem�o. Sou checo.

Um checo num uniforme de oficial brit�nico... � muito prov�vel.

Eu estou no comando aqui. Cale a boca, � uma ordem.

Vamos.

Escapei de um campo de concentra��o alem�o.

Cheguei na Fran�a. Peguei este uniforme

e identifica��o do cad�ver de Mitchell.

Era minha �nica chance se os alem�es me pegassem.

Se � a verdade, porque n�o disse logo?

Acreditariam mais do que agora?

Al�m disso, tenho mais que temer os espi�es que voc�s.

- N�o tem provas da sua hist�ria. - Nenhuma. Como poderia?

Como chegou a falar ingl�s e alem�o, t�o bem?

Meu pai esteve na embaixada Checa de Londres

ap�s a �ltima guerra. L� passei a minha inf�ncia.

O alem�o � uma segunda l�ngua na Checoslov�quia.

Fui professor de ingl�s na universidade de Praga.

Acho que n�o sou um grande soldado.

O que falava com aquele guarda?

Tentava arranjar um jogo de xadrez para o David Lennox.

Todos os prisioneiros brit�nicos entrem em forma��o imediatamente.

Depois de tudo poder�o ter provas da minha hist�ria.

- Como? - O civil...

- se chama Forster, da Gestapo. - Como voc� sabe?

Por um tempo, comandou o campo de concentra��o onde eu estava.

Acha que o reconhecer�?

Se fizer, trabalhar� por voc�s.

Vamos.

Sentido.

Que seus homens descansem, por favor.

Descansar.

Senhores, apresento Herr Forster, da Chancelaria.

Senhores, no momento todas as comunica��es

entre a Alemanha e a Inglaterra est�o suspensas.

Portanto, suas cartas n�o podem deixar este pa�s.

Para mant�-los informado, contudo,

nossos boletins de not�cias ser�o transmitidos em ingl�s.

E como n�o podem receber not�cias de casa,

foram tomadas medidas

para enviarem mensagens aos seus familiares.

Quem quiser aproveitar a oferta de Herr Forster,

d� tr�s passos � frente.

� o oficial brit�nico, senhor?

Sim.

Seus homens acham que seja um truque de propaganda?

� muito poss�vel.

Como desejarem.

Seu nome?

- Mitchell. Mitchell? Voc� foi o oficial

- int�rprete no hospital? - Sim.

Acho que fala um alem�o quase perfeito.

- � muito raro para um ingl�s. - Sim?

Me pergunto porque o acho conhecido.

Tenho muitos amigos na Inglaterra. Podemos nos conhecer de l�.

Possivelmente.

- Desculpe. - Sim?

Deseja continuar esta conversa?

N�o podem pedir para os prisioneiros responderem perguntas

al�m das relacionados ao nome, classifica��o e n�mero.

Claro, claro.

Assunto sem import�ncia.

Pode dispensar a forma��o.

Forma��o, dispersar.

Este � o comunicado de Guerra oficial de hoje

emitido pelo alto comando alem�o.

A Batalha da Gr�-Bretanha chegou numa nova etapa final...

a aniquila��o dos povos e cidades da Inglaterra

pela Luftwaffe conquistadora.

Ontem, antes do entardecer,

as sirenes de ataque a�reo soaram suas notas apavorantes

para os nove milh�es de habitantes da Grande Londres.

Durante toda a noite, bombardeiros rugiram sobre a cidade

descarregando altos explosivos e bombas incendi�rias.

a defesa antia�rea foi m�nima,

porque os brit�nicos n�o t�m armas para defender suas terras.

E assim continuar� os ataques todas as noites

do anoitecer ao amanhecer

at� que o centro nervoso da capital do Imp�rio Brit�nico

seja reduzido a uma grande pilha de detritos, poeira e cinzas.

As palavras do nosso grande hino de guerra

finalmente se tornou realidade...

"Marchamos contra a Inglaterra".

Vamos, rapazes, vamos nosso grande hino de guerra.

Vamos.

Devia ter vindo me ver antes, Sra. Evans.

N�o tenho nenhum problema, certo?

N�o, mas n�o est� muito corada.

No ano passado tive gripe, mas nada desde ent�o.

E tem mais de 40 anos, n�o?

Rec�m completados.

Bem ainda n�o precisamos tomar nenhuma decis�o.

Decis�o?

Talvez deva sugerir uma cirurgia.

Estou vendo.

Obrigada, doutor.

Ontem � noite estive l�.

Passava o tempo, e ele disse: "Por causa da casa."

Ent�o foi isso.

- Est� bem, Di? - Tudo bem.

Foi perda de tempo e dinheiro vir ao m�dico.

Di, ele quer ter certeza que esteja bem.

Certo.

Sempre senti que tinha falhado mas nunca uma censura.

Ele � bom.

Mas agora... n�o vou falhar.

Sei que n�o vou.

Stephen escreveu-me isso.

Meu pedido foi aprovado, Carol...

trabalho pessoal, na �frica Ocidental.

Ia pedir uma foto, mas talvez seja melhor sem ela.

Olha, Robert, desde que Beryl veio morar aqui comigo,

vejo que est� louca por voc�.

Por que n�o voc� e ela...?

N�s poder�amos se n�o tivesse conhecido voc� primeiro.

Desculpe, Robert. Te tratei mal.

N�o. Eu percebo como nunca tinha mais que o meu apre�o.

Voc� tamb�m perceberia que Stephen apareceu na aus�ncia.

Sempre te estimarei.

Com quanto esteja feliz... � o que importa.

Que doce da sua parte.

Meu querido.

Desculpe.

Eu n�o.

Mas devemos nos despedir, Robert.

Adeus, Carol.

No �ltimo Natal tive o meu primeiro concerto.

L� conheci Caroline.

No Natal passado eu estava no campo de concentra��o de Dachau.

No Ano Novo chegaram novos prisioneiros.

Um deles me trouxe not�cias da minha fam�lia.

Foram pegos dando comida para um judeu polon�s.

Foram levados e fuzilados...

meu pai, minha m�e,

todos eles.

S� faltam 36 dias para o Natal.

Natal... sentado diante de um fogo

com uma grande tigela de ponche de rum quente.

Parece que nevar� novamente. Isso subir� um pouco a temperatura.

O que me incomoda � viver por cortesia dos alem�es.

Realmente n�o consigo ver nenhum futuro.

Eu diria que os primeiros sete anos s�o os mais dif�ceis.

Se os pr�ximos seis parecem...

Os pacotes da Cruz Vermelha est�o chegando em breve.

Faz exatamente quatro meses que diz isso.

E o que disse de s�rio exatamente em quatro meses?

S� posso pensar em comida...

peru assado, torta de frutas,

- pudim de Natal... - Ah, cale a boca.

Bem, rapaz, sou eu novamente.

Sim, Padre.

David, n�o podem te operar.

Nunca?

N�o, David.

Nunca voltarei a enxergar?

Acho que n�o. � esse m�dico alem�o.

- Quando voltar � Esc�cia... - N�o.

David, � imposs�vel. Tem que enfrentar.

N�o preciso disto.

Agora sinto que n�o tem raz�o para viver.

E esse sentimento continuar� por muito tempo.

Mas ent�o come�ar� a recordar das coisas que restam.

Come�ar� a perceber que esta sua escurid�o

n�o � absoluta.

David, as coisas que tornam a vida valiosa para todos n�s

s�o a bondade, o amor,

o companheirismo.

A perda da sua vis�o n�o vai nunca roubar essas coisas, David.

Somos seus amigos.

N�s oferecemos nossa ajuda

e compreens�o.

A espera que volte para casa

quando tudo isso acabar

s�o a sua fam�lia

aqueles que te amam.

Ficarei bem.

...18, 20. Joga 21.

O que h� para o ch�?

Tortas especiais. S� imagine que voc� tem.

Que bom trabalho que n�o temos oficiais superiores aqui.

A RSPCA nos cairia em cima sem d�vida.

N�o pode fazer nada com esta estufa condenada?

N�o tem mais nada para queimar?

Certo.

Nunca disse uma palavra, n�o �?

Vamos, queima a maldita coisa. � suficiente para uma rodada.

Chegaram centenas e centenas deles.

Bem, eu acredito. Centenas do que?

Pacotes da Cruz Vermelha, Montanhas deles.

Chegaram os pacotes da Cruz Vermelha.

PERIGO Disparam Sem Aviso Pr�vio

Esportes OC... voc�. M�sica OC... Stephen Harley.

- Falta cobrir algo mais? - N�o. Extraordin�rio, n�o?

Parece que tem um especialista em cada disciplina.

- N�o � especialista em nada? - Acho que s� em corridas.

Planejei come�ar um neg�cio de apostas.

Porque n�o? De qualquer modo, nosso dinheiro estar� seguro.

N�o pode fugir sem pagar.

- Bem, turno quatro, que dist�ncia? - Mais ou menos um metro.

Bem. A prop�sito, doutor, te inscrevi para o Espet�culo OC.

- Certo. - E eu?

Eu tive muita experi�ncia nos bastidores.

Que tipo de experi�ncia?

N�o h� necessidade de insinua��es baixas.

Vamos, irm�os, chegaram as cartas de casa.

- Bacon. - Aqui.

- McDonald. - Aqui.

Meu parceiro tem sido arrojado pela janela da cl�nica.

- O que, por um paciente chateado? - N�o, uma bomba.

Bem, bem, solicitaram um sal�o da igreja.

- Eu diria que � grave. - O qu�?

Ver�nica... transpira a noite toda.

Certamente pode ter alguma coisa, com todos estes avisos.

N�o seja bobo. Ver�nica � uma potranca de corridas.

Desculpe, pensei que fosse uma mulher que preparava para...

Meus filhos foram evacuados para o campo.

Os meus ingressaram no ex�rcito em terra. Me esperar�o sempre.

- � uma maneira de dizer. - Escuta isso...

"Querido Papai, hoje � o seu anivers�rio.

Espero que seja o �ltimo."

Oi, David. N�o percebi. Leio a sua carta?

Obrigado.

Assinada por "Elspeth".

"Caro David,

sua m�e disse que era bobagem me preocupar,

mas parece estranho... n�o recebi uma palavra de voc�.

Por favor, mande-me umas linhas assim que receber esta.

Os tr�s tivemos uma festinha pelo seu anivers�rio.

N�o seria maravilhoso, querido

se voltasse para casa para o seu pr�ximo anivers�rio?

Tenho saudades o tempo todo.

Sua amada Elspeth.

PS: Me engajei na se��o feminina da For�a A�rea."

Me faz um favor? Gostaria de responder imediatamente.

Certo.

- Aqui est� um formul�rio. - E eu tenho um l�pis.

Quando estiver pronto.

"Minha querida Elspeth:

Dito esta carta

porque meu ferimento ainda n�o sarou.

Eu estive pensando,

e esta � para pedir para

me liberar do nosso compromisso.

Agora eu percebo

que n�o me sinto como acreditava sobre voc�.

Ent�o � melhor rompermos definitivamente.

Seu, David".

- David, porque n�o diz a verdade? - � a verdade.

N�o, sobre sua vista. Por que n�o a deixa saber e decidir?

Quer enviar essa carta?

- Mas, David... - Por favor.

Ok, David.

Ted, � isso, � isso.

Not�cias maravilhosas, homem, maravilhosas.

� Dilys. Est� esperando um beb�.

A boa Di. Acho que � o melhor presente de Natal que j� recebeu.

Posso v�-la,

com o modo que sorri com os olhos.

Sim. � maravilhoso, Ted.

- Me vejo como padrinho? - Sim.

� isso, velho. Voc� e Flo, � evidente.

O qu�? Deu calote Fiscal como eu, amigo?

Pois n�o se preocupe. N�o podem nos colocar na cadeia.

Aqui estamos.

N�o podia ficar no seu apartamento.

Caroline e Robert n�o tentam ocultar o relacionamento.

Todos acham o mesmo que eu... que � imperdo�vel da parte dela.

Sei o quanto isso vai te machucar, Stephen...

mas o correto � que saiba a verdade. Beryl.

O que n�o daria para ver os Rangers no Queens Park este ano.

N�o se preocupe, Padre, tocar�o aqui algum dia.

Todos os prisioneiros brit�nicos, forma��o imediata.

- Ei, o que �? - Forster est� em p� de guerra.

Vai inspecionar o campo com pente fino.

Forster de novo?

Todos os prisioneiros brit�nicos em forma��o imediatamente.

Senhores, descobrimos vosso t�nel.

J� que abusaram desta forma das regalias concedidas,

e dependendo da an�lise

das medidas de seguran�a do acampamento,

todas estas regalias ser�o retiradas at� novo aviso.

J� dei instru��es, por isso,

ser�o confiscados todos os livros,

material de escrever, m�sica,

todas as mesas e cadeiras, roupa de cama,

espelhos, facas e material de barbear.

Pode dispensar a forma��o, Herr Major.

Dispersar.

Suponho que devo deixar a barba depois de tudo.

N�o sei se voc� tem uma dessas de duas pontas

ou uma pequena imperial.

- Quanto tempo ser� que levar�o? - N�o mais de um m�s, eu acho.

Bem, continuarei incomodando o comandante.

Boa tarde, cavalheiros.

Boa tarde.

Espero que este ligeiro trope�o n�o evite que voltem tentar.

Mas devo acrescentar que cavaremos um fosso

em volta de todo o per�metro que,

como sabem, torna imposs�vel a escava��o de t�neis.

O Cap. Mitchell, que fala um excelente Alem�o...

O que quer desta vez?

Quer saber por que n�o escreveu nenhuma carta para casa.

Por que faria? Mitchell poderia n�o ter algu�m l� em particular.

Mas mesmo assim. Esta chegou hoje.

� da sua esposa.

Deve responder.

Com algumas perguntas pode ser fatal.

A fraude � extremamente cruel.

Usa os sapatos de um defunto. Deve se acostumar com a sensa��o.

Minha letra... ela saber� logo que n�o � do seu marido.

Sim, levar� tempo te descobrir.

Precisa de uma desculpa para usar a m�o esquerda.

N�o vejo muito sentido agora que levaram a bola.

Enfim, � um bom exerc�cio.

Voc� acha? Acho que a semana que vem devolver�o a bola

e levar�o o arco.

Vamos, agora � sua vez.

Pronto?

Cuidado.

- Bom dia, Sra. Mitchell. - Obrigada.

Entra...

Dominei a caldeira e a usina.

N�o vai me derrotar um miser�vel r�dio.

Soube do Geoffrey.

S�rio? Est� bem?

N�o sei como interpretar isso. Parece ter mudado muito.

Bem.

Qualquer mudan�a no Geoffrey s� pode ser para melhor.

Pois a mudan�a parece incluir sua letra.

Feriu a m�o. Usa a esquerda.

Ou�a isso...

"� um mundo completamente isolado do mundo real.

O tempo aqui n�o passa.

O futuro � remoto,

o presente vazio.

At� o passado come�a parecer irreal.

Mas um homem deve ter algo para se agarrar.

Deve forjar la�os para manter a sanidade.

Me escrever� novamente, Celia,

como se eu fosse um estranho,

algu�m que n�o sabe nada da sua vida

e da sua casa,

nem sequer de voc� mesma? "

Mudan�a? Pois at� aprendeu escrever gramaticalmente.

Escrever como se fosse um estranho.

- Robert. - Voltei ao meu,

mas em segredo. Achei que n�o se importaria

se passasse esta tarde para me despedir.

N�o, claro que n�o. Entra.

Voc� est� doente, Carol.

Estou bem.

Cruzei com Beryl. Parecia estar estranha.

Entendo que j� n�o vive com voc�.

N�o. N�o, foi pouco tempo depois de voc� sair.

- Ouviu falar de Stephen? - Ah, sim.

O que sabe?

Que o nosso casamento est� acabado.

- O qu�? - Recebeu uma carta

onde me acusavam de ter uma aventura com voc�.

Carol, eu...

Mas quem?

Estou vendo.

E ele acreditou?

Sim. - Vou escrever eu mesmo

e dizer que n�o passou de uma mentira maliciosa e deliberada.

- Para que? - Para que?

N�o quer que Stephen continue pensando assim, n�o �?

N�o me importa o que pensa agora.

Carol, n�o deve agir assim. Stephen � prisioneiro de guerra...

Se estivesse no seu lugar, daria aten��o para uma carta venenosa?

Bem, n�o.

Nunca havia ficado apaixonada.

Pensei que significava ter

confian�a no outro completamente.

Todas as coisas que ele disse...

eu acreditei.

Matou o meu amor por ele.

Caroline, minha querida, n�o suporto te ver chorar.

N�o se esque�a de me escrever, querida, se quiser algo.

Vou ter que me habituar,

mas ainda n�o consigo acreditar... est�vamos t�o apaixonados.

� um mist�rio para mim.

Acho que ele tem o direito de mudar de id�ia.

� poss�vel que n�o ache justo faz�-la esperar Elspeth?

- Acha que poderia ser isso? - N�o.

N�o acho que o David seja o tipo que faz tais sacrif�cios

por estas raz�es.

- Adeus, papai. - Adeus, minha querida.

"A fotografia que te envio pare�o absurdamente jovem,

mas eu n�o sou.

A da Janet... sua rara express�o � s� timidez,

ou dor de est�mago.

Pode v�-la na janela,

dizendo ao seu av� como plantar tomates.

Estou preocupada com seus dentes.

O papai acha que deveria usar uma dessas coisas com arames.

E esse rapaz enorme, Desmond...

completou nove anos ontem.

A cidade est� mais animada que nunca.

Temos um grande contingente de evacuados

e muitos outros visitantes que v�o e vem.

Tudo mudou e ainda nada foi feito.

O apito das 4:30h...

meia hora de atraso, como de costume.

A Sra. Truscott continua vendendo balas caseiras,

ainda n�o imagino onde arruma o a��car.

E continua fazendo cricket s�bado � tarde."

Que terr�vel foi isso.

Cinco vezes mais oficiais que outras classes,

e t�m que nos nocautear.

� errado ficar muito perto dos fios.

Se tem que voltar para pegar, est� acabado.

Pode acreditar nos alem�es? 500 cigarros. Uma chantagem.

Acho que vale a pena se continuar este maravilhoso tempo.

Me pergunto se v�o ter o in�cio de primavera em casa.

"As macieiras est�o floridas,

fazendo a planta��o parecer

como se tivesse nevado.

E uma colina de 10 acres tamb�m est� branca

porque este ano

l� est�o as ovelhas pastando com seus cordeiros.

Logo o jardim vai estar cheio

de aroma e cor.

E depois do rio d� para ver

o primeiro verde vivo das �rvores

no bosque do sino."

Ted, lembra da ruiva que te falei?

Vejamos, � sua garota sonhada,

o encantado e a garota?

N�o, � minha namorada oficial.

Disse que o chefe do trabalho se apaixonou por ela.

- Disse que � um bom homem. - Soa como bom homem traidor.

Voc� e suas garotas atraentes.

A minha � Tessie O'Shea com a boca fechada.

Sim, mas na minha experi�ncia...

Sua experi�ncia? Bendito Deus,

com apenas o cheiro do avental de uma gar�onete,

j� estar� ajoelhado, garoto.

S� sabe isso. Poderia te ensinar uma ou duas coisas.

O que �, Ted?

M�s not�cias? Ted.

C�us, nunca imaginei.

Minha esposa se foi.

Estar� s� quando voltar para casa.

Se voltarmos para casa.

� uma atitude dif�cil a que vou tomar, Ted.

Pode comer o resto,

mas n�o a Lily.

Tem uma express�o confiante nos seus olhos.

Al�m disso, o pr�ximo inverno

a usar� como bolsa de �gua quente.

Recebi uma carta, Don.

O correio chegou?

Talvez tenha uma para mim com not�cias do beb�.

N�o, a carta � para voc�.

Tem not�cias.

Flo est� bem?

N�o foram os ataques?

Est� bem, ela enviou a carta.

Don, � uma garota. Est� muito bem.

Mas Dilys...

tem que saber cedo ou tarde, Donnie...

parece que o m�dico alertou para o perigo

devido � sua idade,

e ela n�o estava convencida.

Flo estava com ela no final.

Foi tudo muito r�pido.

Flo vai cuidar do beb� at� que volte.

"E esta representa��o tem que ser o la�o

onde se enreda a consci�ncia do rei."

O que acontece afinal?

Eliminam a velha bruxa?

Bem, tem um certo massacre

e at� o Hamlet morre.

� material de primeira classe. O velho autor sabia disso.

Espera chegar "Ricardo III".

Tem um assassinato em cada p�gina praticamente.

Est� indo bem com o Braille, David.

� f�cil.

Mas ainda estou meio desajeitado com minhas m�os.

Disso n�o tenho certeza. A bolsa que fez para o tabaco

- ficou �tima. - Eu me costumarei.

Bem, todos voc�s foram t�o...

Continue lendo. Quero saber o que acontece depois.

Sim.

"Celia, a carta chegou com as fotos.

Tenho-as diante de mim ao escrever.

Pede que eu descreva nossa vida aqui

para que possa imaginar.

De onde me encontro, posso ouvir o som de um piano.

� o meu amigo Stephen Harley.

Gostaria de ouvir suas m�sicas, Celia,

j� que descreve a vida aqui, melhor do que eu poderia com palavras.

Fala de homens emergindo do crep�sculo,

afastando seus rostos do r�dio,

criando um mundo em miniatura para si.

Fala de homens que aceitaram o presente

e o acham longe de estar vazio,

homens que n�o se resignam ao destino,

mas que enfrentam

e encontram seus pr�prios meios de vencer.

OSSY PAGA

GAROTO ZANGADO, O MINEIRO, GIGANTE FLIPPER, MARIANNE

Tudo isto � a imagem da nossa vida aqui,

� poss�vel s� pelas cartas e pacotes

que recebemos de casa.

Manter nossos corpos vivos e nossa f�.

E isso � verdade n�o s� para aqueles que est�o aqui,

em nosso paiol rodeado de arame farpado,

mas tamb�m para o resto dos campos em toda a Alemanha...

enormes povoados de 20.000 homens

ou aldeias de algumas centenas,

cada um uma parte da Inglaterra.

Os meses passam e penso em voc� constantemente, Celia.

O ver�o d� lugar ao outono,

e o outono ao inverno.

Outro Natal veio e se foi,

outra leva de prisioneiros para aumentar nossos n�meros.

N�o facilitam o problema de alojamento,

mas trazem not�cias esperadas do mundo exterior.

H� pouco tempo houve um boato

que alguns seriam repatriados.

Ent�o sonhei

que estas nossas cartas ganhariam vida

e que poderia te ver com meus pr�prios olhos... sua casa,

as crian�as, voc� mesma.

Mas a comiss�o nunca chegou.

Fomos esquecidos

ou foi s� mais uma retalia��o?"

...acorrentando seus prisioneiros.

Esta pr�tica...

Ordens.

...culminaram em opera��es recentes em Ypres.

Em repres�lia

por uma a��o desnecess�ria,

todos os prisioneiros de guerra brit�nicos

em Oflag 27,

continuar�o algemados at� novo aviso

do amanhecer ao anoitecer.

Podem dispersar, Herr Major.

Aten��o, tropa.

Dispersar.

- Cigarros? - Obrigado.

� f�cil... uma chave para abrir sardinhas.

Vira � direita,

vira � esquerda, e pronto.

Tudo parte do servi�o da Cruz Vermelha.

Novembro de 1942 "Nosso 3� inverno se aproxima,

trazendo um novo inimigo.

N�o � a dura��o, mas a incerteza quanto � dura��o,

porque, se um homem soubesse a dura��o da sua pena,

podia fazer planos coerentes.

Ent�o, em nossas lembran�as,

reviveremos apenas os dias ensolarados, cenas agrad�veis,

a liberdade do esp�rito e a camaradagem.

Esqueceremos os dias �midos, as semanas chuvosas,

aqueles dias quando parecia um esfor�o n�o fazer nada

e o nosso sono era o �nico descanso.

No fundo dos nossos cora��es viver uma dor solit�ria,

uma necessidade desesperada por aqueles que amamos

e um medo...

medo de nos tornar homens esquecidos.

Escreve logo, Celia.

Nunca poderia saber o grande conforto

que me traz as suas cartas.

S�o mais que conforto. Me d�o for�as

esperan�a e felicidade.

Nunca saber� o quanto significam para mim."

"Meu querido, me emociona muito o que voc� escreve.

� tarde demais para recuperar a felicidade

dos nossos primeiros anos juntos?"

"N�o tenho lugar no seu passado ou seu futuro, Celia.

Deve pensar no seu marido como morto.

Isto � o adeus".

"Eu entendo.

N�o tenha medo.

Vou ajud�-lo a retornar.

Te devolverei suas for�as...

as for�as que me deu

me escrevendo durante esses anos sombrios.

Te esperarei".

Avi�es Fortalezas.

Logo poder�o ver o Canal.

Chegar�o em casa na hora do ch�.

Mar�o de 1944.

Me deve exatamente � 157.

Corta o baralho, o dobro ou nada.

Nunca em sua vida. Tenho que pensar na minha velhice.

Sanguessuga.

Bem, l� vai a minha dica.

Um modo barato de passar o tempo.

� raro o momento em que aprende como mat�-lo.

Por exemplo?

Tenho uma teoria

que tudo isso � o que torna as pessoas ocupadas.

Quando voc� tem pouco tempo, pode-se fazer muito.

E quando voc� tem todo o tempo do mundo, como n�s,

n�o faz nada.

Doutor, se torna um fil�sofo na sua velhice.

Porque n�o? A guerra n�o nos escolheu apenas para sermos her�is.

Sei exatamente o que farei com o meu tempo agora.

Subirei no meu beliche

e n�o farei nada at� jantar.

Falam de Tyran este ano.

Ser� o quarto Derby que eu perco.

Quatro derby's...

� muito tempo

sem nada para mostrar para ele.

Alho novamente este ano, Donny?

Pensei em tentar aspargos.

Aspargos? Levam sete anos, diabos.

Sim.

N�o te dou mais de um ano.

Um ano?

Se estivermos aqui, ser�o quatro.

O cabelo da Flo est� todo branco, ela diz.

Tudo muda.

Acha que poderemos retomar a vida... o neg�cio e tudo?

N�o fa�o id�ia.

N�o somos t�o jovens como antes, Donny.

N�o, Ted, n�o estamos.

Certamente invadir�o logo.

Sim, disseram isso no ano passado e no anterior.

O que tem a�, velho, uma lista de feriados?

Sim, tenho de agosto 1949.

Escrevi para Caroline.

De alguma forma, expressava o que sentia por ela ao conhec�-la.

Foi ap�s um concerto.

N�o tinha taxi.

Voltamos cruzando o parque.

Ent�o come�ou chover.

Coloquei meu casaco sobre os seus ombros.

Continua apaixonado por ela, n�o?

J� tentei tir�-la completamente dos meus pensamentos,

mas n�o consigo.

Sinto sua falta o tempo todo.

Sou mais bobo que voc�...

apaixonado por uma foto,

um sonho,

e uma casa em territ�rio desconhecido.

Continuem.

Boa tarde, senhores.

Por favor, continuem.

Cada vez que visito este campo

fico intrigado para saber onde nos conhecemos.

Mas agora creio saber a resposta.

O nome dele n�o foi sempre Geoffrey Mitchell.

A fotografia da sua identifica��o

est� sendo enviada � central da Gestapo em Berlim.

Temos muitas fotos l�.

Ser� interessante fazer compara��es.

Acho que devia acontecer.

Sempre descobrem no final.

Repatria��o, rapazes, repatria��o.

Grande not�cia, senhores, grande not�cia. Repatria��o.

E desta vez � real.

Me d� �gua na boca... garotas ao vivo, centenas delas,

- em forma, esperando por mim. - Garotas? O que?

Com duas pernas, rapaz, com dois de quase tudo.

Uma comiss�o mista alem� e su��a vai examinar todos

cujos nomes foram apresentados para a repatria��o.

Aparentemente � algo urgente,

e quem receber o seu cart�o ir� numa semana.

Ent�o voc� tem uma chance.

Sim.

Mas devemos ter provas positivas para justificar a repatria��o.

Claro.

- Algo mais, Cabo? - Bem, senhor,

cada vez que respiro, sinto meu f�gado golpeando os rins.

- Vem c�. - Sim, senhor.

- Tosse, por favor. - Que tosse?

Meu Deus, quer que vomite o ap�ndice?

- J� passou. - Obrigado, senhor.

Mathews.

Me pergunto se vai acontecer.

Ei, Evans. Logo vai ver sua filha.

Sim, claro.

Lamento que ele com o Cap. Grayson, senhor.

Bem, a temporada de corridas acabou.

Esse su��o realmente teve coragem

- de me felicitar pelo estado f�sico. - Bom?

- Eu recebi meu cart�o. - Sim.

Passou.

Muito bem, senhor.

Cap. Mitchell.

N�o precisa despir-se, Cap. Mitchell.

Receio que seu caso foi adiado

at� a pr�xima comiss�o dentro de seis meses.

Morris.

Se descobrirem que n�o � o Mitchell, estar� acabado. N�o ter�o piedade.

- Devemos fazer algo por ele. - Sim, mas o qu�?

Desculpe, senhor, Podemos propor um plano?

Claro. Sente-se. O que �?

Sabemos na posi��o que se acha o Cap. Mitchell.

Pretendemos achar um meio de tir�-lo daqui.

- Qual � o plano? - Existe uma lista de homens

a ser repatriados no escrit�rio do comandante.

Achamos que pod�amos peg�-la, e mudar os nomes...

Montar uma invas�o, senhor.

Um momento, n�o somos ladr�es profissionais.

Sim, senhor, na verdade... eu era.

S�rio? Que interessante.

O escrit�rio do comandante... s� tem que cortar um arame.

Sim, mas e as luzes do per�metro?

Sempre desligam quando tem um ataque a�reo.

E ultimamente t�m sido regulares.

Caramba, acho que temos algo.

- E depois de obter a lista? - Eu sei escrever � maquina.

Apagamos um dos nomes com M e substitu�mos por Mitchell.

Um momento. N�o v� que o cara cujo nome � apagado

deve ficar aqui?

Meu nome come�a com M, senhor.

Realmente deixaria de voltar para sua casa?

Porque n�o?

Mas achei que todas as garotas se alinhavam para sua volta.

E � assim, mas esperar�o.

Voc� � um bom rapaz.

Senhores, vamos tentar.

A meu ver, deve ser assim...

A� v�m os rapazes, pontuais.

- O que quer dizer? - Outro ataque, velho.

Ok, rapazes, acendam e cantem.

N�o fomos desapontados.

N�o. Deus aben�oe a RAF.

- Aqui est�. - Bom menino.

Cuidado.

A costa est� livre.

Esta � a fechadura que deve violar.

Certo.

Bem. A� tem uma m�quina de escrever.

Abaixo.

- Escrever� no ch�o. - Certo.

� mais dif�cil do que pensava.

Deixe-me tentar.

- Devo estar fora de forma. - Diria o mesmo.

Bem. Aqui est�.

Cantem, infelizes, cantem.

Vamos.

Isso os enganar�. Dever� servir.

Nos separamos e voltamos para nossas respectivas barracas.

Bem, senhor.

- O que �? - N�o se sup�e que saiba.

Os rapazes est�o pondo o seu nome na lista de repatria��o.

Sil�ncio.

Ficar�o aqui at� que as outras barracas sejam revistadas.

- Permiss�o para ir pra casa, Sr? - Sim...

desde que aposte cinco em Tyran no Derby por mim.

Voc� quem devia ir para casa.

N�o acho. Sou um parasita social

como os que lutamos para eliminar.

� assim. Eu fico aqui para extermin�-lo.

Vai com isso.

N�o se esque�a de guardar umas ruivas

- para o seu tio Jim. - Eu prometo.

Claro, me esquecia... voc� � cara de uma mulher s�, n�o?

Sim, � o meu problema.

Desculpe, cara. Sempre dou fora.

N�o se esque�a de dizer �s garotas do Hammersmith que voltarei logo

e que economizei muito para pag�-las.

- Claro. - E te reservaremos um trabalho.

- Horsfall, Evans e Mathews. - Ltda.

Ol�, Mathews. Voc� est� bem?

Sim, bem. Fui um mariquinha ao desmaiar assim.

Nunca poderei pagar o que voc� fez.

Esque�a. S� mantenha a cabe�a baixa na forma��o,

- e pronto. - Obrigado.

N�o se preocupe, senhor. Ficar� bem.

Todos o apoiamos, senhor.

Outra coisa... E o MO alem�o?

Deve estar em forma��o e � mais prov�vel que ningu�m

se lembre que o nome de Mitchell n�o estava na lista.

Eu sei. Estive pensando.

Temos que iniciar uma conversa enquanto chamam os nomes.

S� fala uma d�zia de palavras em ingl�s.

Deixa comigo.

Oi David, meu amigo.

Adeus e boa sorte.

Adeus, senhor.

E obrigado a todos.

Nos veremos antes que saibam onde est�o.

- Sim. - Vamos, David.

N�o esque�a que esta noite temos bridge.

N�o esquecerei dos cigarros que me deve, Padre.

Esta noite jogamos o dobro ou nada, Jim.

Ambrose.

Anderson.

Barns.

Gostaria de dizer muitas coisas,

mas n�o posso.

Anda. Basta ir.

Adeus. Boa sorte.

- Adeus, amigo. - Boa sorte.

Que o MO alem�o n�o te veja.

Grant.

Harley.

Hunt.

Horsfall.

Jackson.

Jessup...

Quando acha que acabar� a guerra, doutor?

Em seis meses ou um ano, se quiser.

Ent�o falar� ingl�s fluentemente.

Acha que progredi?

�timo. Sim, os alem�es t�m o dom com l�nguas.

- Voc� acha? - Claro que sim.

Depois da guerra me far�o diretor da universidade de Oxford.

Mitchell.

Miter.

Desculpe, senhora, mas n�o pode subir.

Devo fazer. � o meu marido. Por favor.

DOCAS E PORTO

Desculpe.

O que aconteceu com o port�o de ferro, mam�e?

Tiraram h� dois anos.

Estranho seu chiado.

- Houve outras mudan�as? - N�o.

Deixei seu quarto como estava antes de ir para a Fran�a.

O mesmo cheiro...

sabonete Sunlight e lustra m�veis.

Venha aqui um minuto

e vou trazer algo para comer.

Esta �ltima carta...

sua m�e me mostrou...

e me contou a verdade sobre seus olhos.

Esse foi o motivo?

O motivo do que?

De romper nosso compromisso.

Mas n�o se pode continuar comprometido

quando n�o se est� apaixonado.

N�o pode continuar machucando o cora��o de algu�m

para satisfazer seu pr�prio est�pido orgulho.

N�o estou preparado para falar do caso.

Eu tamb�m n�o.

David,

porque tem que me fazer t�o infeliz?

Mas o que est�...?

Deixei algumas coisas.

O encarregado me deixou entrar.

N�o fazia id�ia...

Estou indo.

Sim, Stephen?

Voc� est� bem?

Por que est� chorando?

Porque sou uma idiota.

Est� infeliz

com Robert?

N�o estou com Robert.

Porque teve que acreditar nessa carta?

N�o era verdade? N�o era?

N�o, ent�o n�o.

Continua.

Quando recebi sua carta,

foi como se tudo que acreditava deixara de existir.

N�o me importava o que acontecera.

Estava apaixonado por voc�?

Sim.

E voc�?

Deixe-me ir, por favor.

Ou�a, Caroline,

tudo parecia t�o exagerado.

Acho que fiquei um pouco chateado.

Ver�, eu te adorava desesperadamente.

Ainda te amo.

Sempre amarei.

Obrigado, amigo.

Obrigado.

- Pois aqui estamos, Donny. - Sim.

- Como se sente? - Vazio. Vazio por dentro.

Tamb�m eu, como se n�o estivesse parado aqui.

Vamos Donny, vamos come�ar.

Ol�, querida.

Oi, Ted.

A viagem foi boa?

Eu enjoei.

O est�mago sempre foi sua fraqueza.

Sente-se.

- Oh, Ted. - Bem, bem.

N�o pode deixar o Donny a� plantado.

- Oh, Donny. - Oi, Flo.

Prazer em v�-lo. Entre.

- Onde ela est�? - A� dentro.

- Oi, Gwyneth. - Ol�.

- Sabe quem sou? - Sim. � o meu pai, n�o?

Sim.

Olha, fiz isso para voc� no campo de prisioneiros.

Pode fechar os olhos?

N�o.

Minha Ruth pode sim.

� muito bonita.

Ent�o est� acertado. O Capit�o Hasek se apresentar� ao QG checo.

Queria pedir algo, senhor, sobre a Sra. Mitchell...

Ah, sim. � muito desconfort�vel, claro.

N�o se preocupe, Cap. Hasek. Apresentamos este caso.

Queria sugerir, senhor, como � minha responsabilidade,

se a notifica��o da morte do seu marido

podia ser adiada at� que eu tenha visto a Sra. Mitchell...

Ser� notificada pelos canais normais.

Sim, senhor, mas num caso como esse �...

O Minist�rio da Guerra se encarregar�.

Se quiser v�-la por sua conta,

- ningu�m impedir�. - Estou vendo.

Obrigado, senhor.

Parece que vai chover.

Minha querida, n�o � bom continuar esperando.

Deve assumir.

- Que n�o voltar�? - Que n�o vai voltar.

Av�, est� come�ando chover.

Me ajuda colocar as cadeiras no alpendre.

Vamos.

Desculpe, esperava por algu�m.

Sra. Mitchell, vim v�-la.

Tenho not�cias

do seu marido.

Entre, por favor.

O qu�?

Seu marido est� morto.

Morto?

Foi morto h� quatro anos lutando em Saint Val�ry.

Eu sabia dele...

desde sua pris�o.

Seu marido nunca foi preso.

Nunca foi prisioneiro de guerra.

Mas as cartas...

Eu escrevi essas cartas.

Voc�?

Sim.

Mas...

Tirei tudo isso do cad�ver do seu marido.

Peguei seu nome, seu uniforme,

sua identidade.

Durante quatro anos

fui Geoffrey Mitchell.

Mas por qu�?

Para salvar a minha vida. Os alem�es me perseguiam.

As cartas?

Tive que escrever no campo. Suspeitavam de mim.

Se n�o tivesse respondido suas cartas, seria descoberto.

Tinha que responder minhas cartas.

Eu entendo.

Inclusive tinha que continuar escrevendo.

Tamb�m eu entendo.

Porque tinha que escrever como fez?

Acreditei nas suas palavras.

No in�cio tive que fazer que me contasse de voc�

tanto quanto poss�vel.

Lutando pela minha vida.

E ent�o eu...

Recebi suas outras cartas,

fotos das crian�as,

de voc�,

relances de coisas perdidas por mim para sempre.

Era como se voc� me oferecesse um novo mundo.

L� era f�cil se enganar.

E eu pensei que tinha acontecido algo maravilhoso.

Meu marido tinha me deixado

e essas cartas me fizeram crer que ele era meu de novo,

que tudo seria como esperava que fosse.

Fiz planos para o dia do seu regresso,

para uma nova vida juntos.

Como fui idiota.

Voc� continuava apaixonada por ele?

Como vou saber agora?

Sei que n�o h� desculpa para o que eu fiz, mas...

Vai, por favor?

Deve saber que aquilo que escrevi foi verdade.

Suas cartas se tornaram minha vida

e, veja,

me apaixonei por voc�.

Ent�o era um sonho.

Esta � a realidade.

8 de maio de 1945

"Eu sonhei

que essas nossas cartas poderiam se tornar realidade,

que poderia ver com os meus pr�prios olhos, na sua casa,

as crian�as,

e tamb�m voc�."

MUDAMOS ENDERE�O BLIGHTY

Celia, telefone para voc�.

- Quem �? - O Capit�o Hasek.

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