All language subtitles for Love Among The Ruins (1975)

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Original subtitles

Love Among the Ruins Um Amor entre Ru�nas

Est� todo molhado, senhor.

- N�o importa, j� chegaram? - Quem?

O Sr. Druce e sua cliente.

- A Sra. Medlicott. - Sim

- Ela est� aqui? - N�o, n�o, ainda n�o.

- Passa das quatro. - Est�o atrasados.

Menos mal, eu tamb�m cheguei atrasado.

Esperava ter tempo para estudar o relat�rio de Druce.

Vamos ver se, pelo menos, tenho tempo de lavar as m�os antes que cheguem.

Eu posso entret�-los, senhor, at� que esteja...

N�o, n�o, nem pense nisso.

Fa�a-os entrar quando chegarem

N�o quero que demorem nem um instante, entendeu?

- Muito bem, senhor. - Nem um instante.

Pensei ter dito para a mo�a limpar. Hoje estou com cuidados especiais.

Ela limpou, senhor, demorou mais do que o habitual.

N�o tem p� em nenhum lugar.

A meu ver, est� como sempre. E teria gostado, se...

- Senhor - N�o, nada.

Esperava encontrar... diferente?

N�o sei o que esperava, n�o sei o que queria.

Esta maldita peruca est� arruinando meu cabelo... O que resta dele.

No lugar onde a grande cidade se erguia, o campo nem...

Sequer mostrava uma �rvore, Brownie.

Est� bem, sir Arthur?

Como? Por que est� falando? N�o pare�o bem?

Oh, sim, muito bem.

Qual o problema? Algo parece estranho?

Maiden, a� est�o eles!

A� est� ela

Desculpe, senhor?

Eles est�o aqui, v� receb�-los.

R�pido, homem, depressa.

Maiden, o relat�rio de Druce... Onde est�?

Sobre a mesa, senhor.

Coloque-o onde se veja bem, sim?

E... abra, como se estivesse estudando.

R�pido, homem.

- J� se inteirou de tudo? - Sim, mas...

Entre.

Boa tarde, Arthur.

Ah, finalmente chegaram!

Ol�, George.

N�o nos atrasamos muito, n�o �? Apenas alguns minutos.

N�o importa, entrem, entrem.

Obrigado, Maiden, chamo se precisar.

Que prazer v�-lo. Demorou muito a passar o Reichen Park.

O tr�fego no estado a essa hora � tremendo.

Por favor, n�o se desculpe.

N�o est� se desculpando, est� explicando.

Senhora Medlicott, Sir Arthur Glanville-Jones

Sir Arthur, Sra. Jessica Medlicott

Como est�?

Ele... Eu... disse... Como est�?

Oh, bem, senhora, desculpe. Muito bem, obrigado.

- E voc�? - Voc� me v�.

Podemos sentar?

- Sim, eu lembro. - O qu�?

O que eu estava dizendo?

Disse: "Sim, eu me lembro." O que lembra?

� curioso, escapou da minha mente.

N�o importa, voltar�.

Acha?

Ai, que horror, molhei a saia!

Sim, claro que voltar�.

Parece n�o ouvir muito bem.

- Desculpe, o que disse? - Que eu tenho que...

Sinto muito. Por favor, fique perto do fogo. Maiden trar� um ch�.

N�o, n�o, obrigada, j� tomei ch�.

- Sente-se, senhora. - Obrigada.

Quer me dar seu chap�u? Se me permite, vou guardar.

Por qu�? N�o gostou?

Oh, sim, sim, sim, � ador�vel.

Acontece que talvez esteja molhado e, al�m disso... Impede de ver seu rosto.

E quer ver minhas rea��es para saber com que tipo de mulher est� tratando.

Sim, exatamente.

Ent�o, tenha paci�ncia, porque h� tr�s la�os.

Eu posso lhe oferecer... um xerez?

Pode oferecer, mas n�o vou aceitar.

Alguma outra coisa?

Um veredito a meu favor Isso me encantaria.

Certo, cuidaremos de conseguir, n�o �, George?

George, sente-se.

Pronto

Bem?

O que pare�o?

Tenho aspecto de ser uma mulher que seduz jovens...

Como tem sido publicado em alguns jornais?

Seu aspecto �...

Sim?

Voc� sabe como �.

Se tentou fazer um elogio...

Acho que � bastante... amb�guo. O que quis dizer?

Mesmo na minha idade...

T�o longe do amor...

O poder da beleza

Eu me lembro.

Assim � melhor.

Isso � de Dryden.

- Tome meu chap�u. - Sim, onde coloco?

Em qualquer lugar, menos em sua cabe�a, diria eu.

Sim, claro.

George, estive estudado o relat�rio.

Estou vendo

Sim, n�o t�o cuidadosamente quanto desejava...

Estive ocupado durante toda a semana, com o div�rcio de Lord Baycross.

Eu sei.

Um assunto muito desagrad�vel

Meu caso?

N�o, o de Lord Baycross.

Lady Baycross disparou tr�s vezes em seu amante, no lugar mais inesperado.

Onde exatamente?

Em Trafalgar Square.

Que espetacular!

E eu simplesmente repeli o meu em Petwork Place

Eu estava pensando nisso.

Que vulgaridade. Sinto decepcion�-lo.

S�rio?

S�rio o qu�?

Sente me decepcionar?

Mas voc� que est� sentindo, pensei que est�vamos brincando.

Est� enganada, eu levo essas coisas muito a s�rio.

Ou�a, n�o... n�o... Eu n�o entendo nada. Estamos falando a mesma coisa?

N�o tenho certeza.

Eu perdi algum cap�tulo?

Acho que perdi a linha.

Existe algo que queira me dizer, Senhora Medlicott?

Sobre o qu�?

N�o importa.

A Sra. Medlicott compreende que � obrigado a fazer algumas perguntas.

Sim

Sim

Estou pronta.

Continuo tendo a sensa��o de que est� prestes a dizer que me conhece.

- Que o conhe�o? - Sim

- Mas n�o o conhe�o, n�o �? - N�o?

N�o sei o que eu... Nunca estive metida com a lei.

� poss�vel que tenha me visto recentemente em Petwork Place

Eu moro perto, tanto que posso ver sua casa da minha janela.

- Ah, �? - Sim

Que curioso!

N�o, eu... Conhe�o poucas pessoas em Petwork Place

E em qualquer outra parte, verdade seja dita.

Eu sei que prefere uma vida tranq�ila.

Quando mudei para minha nova casa em abril, tomei a liberdade de ir visit�-la.

Disseram-me que n�o recebia visitas e deixei meu cart�o

Mas infelizmente n�o respondeu.

Estive de luto durante os �ltimos anos pela morte de meu marido, Geils Medlicott.

Recebo poucas pessoas, ou seja, n�o recebo ningu�m.

Desculpe, mas eu n�o lembro de ver seu cart�o.

Se tivesse visto, certamente teria me perguntado o motivo da sua visita.

Eu sei muito bem que est� no topo da sua profiss�o, George Druce me disse.

O melhor advogado do Imp�rio, na minha humilde opini�o.

Sim, sim, mas ainda assim...

Voc�...

Apesar de tudo, � um estranho para mim.

Sinto muito.

Pensei que nos conhec�amos.

Quando?

H� muito tempo.

Muito tempo.

Onde?

N�o lembra?

N�o... n�o, acho que est� enganado.

N�o, n�o.

- Talvez tenha me confundido com algu�m. - Imposs�vel.

Bem, se n�o quer me dizer quando ou onde foi...

N�o importa... voltar�.

Mas como � cruel!

Enquanto isso, talvez possamos...

Vamos come�ar o interrogat�rio.

Sim, claro.

Bem, esse caso � extremamente dif�cil, muito complicado.

Por que diz isso?

Tenho entendido que esta demanda � muito recorrente.

Viola��o de promessa?

Sim, � muito comum quando uma mulher faz isso.

Houve um tempo em que os tribunais transbordavam de jovens acusando homens...

De brincar com seus sentimentos, como se diz vulgarmente.

Mas este caso � diferente e t�o incomum que acaba sendo dif�cil.

Atentemos � exposi��o dos fatos, uma a��o � movida contra uma senhora de...

Sim?

Consider�vel fortuna

Posi��o social e de...

E de...?

E de...

E de certa idade?

De certa idade, bem expressado.

Por um cavalheiro um pouco mais...

Um pouco mais... Jovem?

Muito, muito mais jovem.

N�o gosto desse "Muito, muito". � sup�rfluo.

Estou convencida de que somente um "muito" teria sido mais que suficiente.

Sinto muito.

Al�m disso, classificar Alfred como cavalheiro � tentar passar gato por lebre.

Como se costuma dizer, seu aspecto � terno e delicioso,

Mas logo se torna nojento.

Ele era um oficial da Maurit�nia, n�o � verdade?

Era contador.

Um assistente de contador.

Entendo.

Um contador que mais parece um verme...

Astuto e ambicioso.

- Mas voc� o amava. - Voc� acha?

Concordou em casar com ele, tem testemunhas?

Eu acho que ele tem testemunhas...

Levadas especialmente para a ocasi�o.

Estava sua irm�. Bem... Essa � bastante inofensiva.

E a m�e?

Essa � uma vaca.

E tamb�m sua governanta.

- Davis? - Sim, ela estava presente.

Davis jamais iria depor contra mim.

Mas estar� sob juramento, Senhora.

N�o espera que a pobre mulher cometa perj�rio.

E quem � voc�, Sir Arthur,

Para dizer o que devo esperar? E muito menos sobre meus empregados.

Eu sou seu advogado, Senhora, pelo menos presumo que � isso que deseja.

O que realmente desejo � que essa desprez�vel farsa termine da forma mais r�pida.

E eu poderia acrescentar,

Da forma mais econ�mica poss�vel.

Espero, Sir Arthur, que quando cheguemos � quest�o dos seus honor�rios

Lembre-se que foi contratado para me defender

De extors�o, e n�o submeter-me a ela.

Sra. Medlicott...

Acalme-se, George. E eu salvando-a,

Fico satisfeito.

Considerarei que fui bem pago.

Oh, uma frase para cada ocasi�o.

N�o seja muito generoso...

Ou desconfiarei de voc�, � a condi��o humana.

- Reconhece essas palavras... - Devo reconhec�-las?

O Mercador de Veneza

Portia e Antonio.

Gosta muito de cita��es po�ticas.

Quase todos os advogados gostam de cita��es,

B�blia, poesia... O exerc�cio da profiss�o requer mem�ria.

Me olha uma maneira...

N�o respondeu minha pergunta.

Amava ele?

Amava quem?

Sabe perfeitamente. Ao menos o fez acreditar que o amava.

Isso ter� de provar.

Considere que era um jovem que a amava...

E acreditava que o amasse.

N�o entendo. Porque essa presun��o?

Prometeu...

Prometi o que?

- Que sempre... - Sempre?

Que nunca...

Nunca...

N�o entendo nada do que diz.

Arthur.

Do que ele est� falando?

Arthur.

O que aconteceu? O que �? Como...?

Prometi que sempre, prometi que nunca, nunca...

Sua cabe�a n�o funciona.

Voc� est� bem?

Sim, sim, muito bem.

Deixei meus pensamentos voar.

O qu�?

Meu Deus, admito que sou culpado, cometi o delito de me distrair.

Em um advogado, a distra��o realmente � uma calamidade.

Imperdo�vel, que me cortem a cabe�a.

N�o gosto de calamidades Sir Arthur, n�o agora.

Ningu�m gosta, Senhora.

Eu gostava.

Quando Geils morreu e durante muito tempo depois,

As calamidades me fascinavam.

Toda manh�, no caf� da manh�,

Eu procurava avidamente nos jornais not�cias de desastres. Era insaci�vel.

E porque n�o?

Meu mundo, o �nico mundo que eu conhecia, tinha sido destru�do,

Transformado em ru�nas. Por que continuava existindo outros mundos?

Eu me consolava com as calamidades dos outros.

Conhe�o a dor e amargura da solid�o.

Com o tempo, a amargura desaparece

E pode-se lidar com a solid�o e aceita-la.

Nem sempre.

Agora, considero que meu relacionamento com Alfred Pratt e sua fam�lia

Foi a �ltima amarga experi�ncia da calamidade.

O dia que escrevi rompendo aquele rid�culo compromisso...

No exato momento que sentei para escrever a carta,

Soube que n�o tinha nada a temer. Que toda dor e ang�stia foram superadas.

Desde ent�o...

Tudo que desejo � tranq�ilidade

Estar muito, muito tranq�ila.

E viver...

Os anos que me restam de vida, da maneira mais serena e agrad�vel poss�vel.

Arthur.

Muito revelador...

Mas aconselho a n�o contar essa hist�ria aos membros do j�ri

Por que n�o?

� a verdade.

Nos tribunais ingleses h� dois tipos de verdade.

A verdade como ela � contada, e a verdade como � escutada.

Um cavalheiro, cuja posi��o social n�o fosse muito diferente da sua,

Poderia ouvir essa explica��o, compreed�-la e at� simpatizar com ela.

Mas um jurado de classe diferente da sua...

Provavelmente mais baixa...

Balan�aria a cabe�a pensando: Esta senhora usou o pobre menino...

E depois o abandonou dando raz�es vagas.

T�dio, cansa�o e...

Vou conceder-lhe as quarenta mil libras, que segundo George Druce,

- Pede seu advogado. - Cinq�enta.

- Cinq�enta? - Sim, cinq�enta. Maldi��o!

Trinta mil de indeniza��o por danos e vinte mil em car�ter de puni��o.

Por Deus, cinq�enta mil libras!

Tem que repetir a cifra?

Jessica.

Oh, meus sais, por favor, George.

- Na bolsa. Minha bolsa... - Eu abro uma janela?

Com este tempo? Quer que al�m de tudo pegue uma pneumonia? N�o, obrigada.

Que confus�o!

Est� melhor?

N�o receber� um centavo do meu dinheiro.

- Talvez aceite uma quantia menor... - Eu disse nem um centavo.

Precisamos evitar a notoriedade.

Eu odeio notoriedade, prezo minha privacidade

Mas n�o vou me submeter a um chantagista.

Deve saber que se perder o caso, tamb�m ter� que pagar todos os custos.

Quem est� falando em perder aqui?

Devo prevenir que Alfred Pratt contratou os servi�os de um dos mais sagazes...

Advogados da Inglaterra para que o represente no julgamento.

Eu ouvi esta manh�, Devine, n�o �?

- Sim - Quem � esse Devine?

Que azar.

- Sim, sim, muito azar. - Por qu�?

Do que est�o falando?

John Frances Devine, a quem se conhece idilicamente na profiss�o

Como S�o Jo�o, o Divino.

Que � um advers�rio formid�vel.

Anglo Irland�s.

� uma pessoa um tanto vulgar.

Sim, por isso, os jurados tendem a gostar mais dele que de mim.

Ent�o, o mais prov�vel � que gostem mais do cliente dele que de voc�.

E porque?

Porque � uma mulher com mais dinheiro do que a maioria deles espera ver na vida.

E porque a id�ia do pobre e indefeso Alfred Pratt...

Possa priv�-la de uma grande soma...

Tem todos os ingredientes de uma lenda popular.

Sucesso imediato

Ficar rico sem precisar trabalhar...

� como ganhar uma fortuna na loteria.

Para eles, isso faz com que suas pr�prias esperan�as pare�am...

Um pouco mais f�ceis de alcan�ar.

Deixe-me dizer uma coisa

Eu tamb�m tenho tristes esperan�as.

E conhe�o muito bem a pobreza.

Eu venho de uma excelente fam�lia, � verdade, muito orgulhosa...

E muito, muito pobre.

Quando eu tinha seis anos, meu pai que trabalhava na Companhia das �ndias Orientais,

Teve que ir para Bangalore.

Isso pareceu extremamente rom�ntico para todos...

E em duas semanas morreu de disenteria, o que pareceu muito menos rom�ntico.

Eu e minha m�e quase morremos de fome.

A �nica coisa que me manteve viva durante os anos da minha inf�ncia...

Foram os sonhos de me tornar uma famosa atriz.

Com uma su�te no Claridge, Coches de cavalos, jantar com champanhe...

A realidade depois foi miser�veis camarins nos teatros das prov�ncias...

Carruagens de terceira classe, refei��es baratas,

E sujos quartos de pens�o...

Ent�o apareceu Medlicott.

E sua realidade virou uma casa no campo, um apartamento na cidade...

E invernos em Bordighera.

Em Montecaro.

Ele era muito mais velho que voc�.

Por que mencionou isso?

Seus jovens admiradores a acusaram de trocar sua juventude

Pelo ouro de um anci�o, como dizem nos melodramas.

O que est� insinuando?

� verdade, ele era mais velho que eu e muito rico.

Se pretende estabelecer um paralelo entre meu casamento com o Sr. Medlicott

E meu relacionamento com Alfred Pratt, esqueceu o fator mais importante:

Alfred Pratt n�o ama ningu�m al�m de Alfred Pratt.

- Medlicott me amava. - E voc�?

Eu tamb�m o amava.

Com o tempo.

Mas n�o quando casou com ele.

Por que precisa saber disso?

Eu o amava quando morreu, n�o � suficiente?

E muito antes que morresse.

Eu o fiz feliz.

E isso lhe d� direito de desfrutar de sua fortuna?

- Como ousa dizer isso? - Eu quis dizer conservar.

Por que n�o? � minha agora.

- Ganhou, n�o � mesmo? - Ganhei? O que quer dizer?

Calma, Jessica.

Eu herdei

Era sua esposa e agora sou sua vi�va.

- Naturalmente eu tenho que... - Calma, n�o fique assim...

N�o se meta nisso, George.

Por que todas essas perguntas? Por que � t�o impertinente comigo?

Bem...

Eu pretendo dar uma id�ia da t�cnica que deve esperar de S�o John, o Divino.

E ao mesmo tempo serviu para que eu pudesse conhecer e estudar...

Suas rea��es. � fundamental para defender seus interesses de forma adequada e eficaz.

Acha que pode conseguir?

Vou tentar.

Vamos dar as m�os.

Est� decidido.

Pronto. Que al�vio!

Tenho que ir.

Sua m�o na minha parece t�o natural, t�o familiar...

Ah, voc� � impressionante, outra vez de volta com isso...

- N�o, n�o, n�o vou insistir. - Que pena!

Agora que come�amos a nos dar bem.

Pe�o que me perdoe, mas n�o vejo qualquer possibilidade de voc� lembrar...

N�s nos conhecemos anos atr�s e durou pouco tempo.

- Voc� tem certeza? - Sim, Jessi.

Jessi Jerold.

Jessi.

Jerold.

Mas...

Est�...

Falando de hist�ria antiga.

De... De Acr�polis...

Do F�rum Romano, Babil�nia...

De Toronto.

Toronto!

Toronto?

Canad�?

O Princess Theatre.

Oh... Princess Theatre.

Sim

Voc� estava l� com uma companhia Inglesa.

Lembro da primeira vez que a vi...

Eu era um humilde estudante de Direito, na verdade fui trabalhar l�

Para pagar os estudos. Oxford e Cambridge estavam fora de alcance.

A pe�a era "O Mercador de Veneza"

Assisti da galeria, claro.

Ant�nio e Bassanio interpretaram a cena que precede a entrada de Portia.

Em Belmont h� uma senhora...

Ricamente vestida...

E de grande beleza.

Os cachos, acariciando suas t�mporas, s�o como uma cascata de ouro

Encerrou a cena e voc� apareceu, vestida de branco acompanhada de sua criada.

Marisa...

Meu corpo est� come�ando a ficar cansado deste mundo.

Lembrou!

S� isso.

Achei uma ador�vel vis�o...

Longos cabelos loiros...

- Era uma peruca. - Sim

Eu lembro que um dos encantadores cr�ticos de Toronto escreveu:

A Srta Jerold tem a qualidade que os franceses chamam de ''gamin"

A voz da Srta. Jerold...

�, infelizmente, t�o plana quanto sua figura.

E sua figura � t�o plana quanto as plan�cies do interior,

Que � a zona mais plana do Canad�.

Eu teria esmagado ele se pudesse.

Pelo menos lembra de Toronto.

Eu lembro que foi um golpe para o meu orgulho.

Mas de Toronto, Canad�...

Tenho apenas uma vaga lembran�a de lagos e florestas

Infinitamente verde.

Eu adverti que s� ficaria alguns dias em cada cidade.

Desisto, come�o a acreditar que realmente me esqueceu.

Sinto muito.

Foi muito importante para voc�.

A noite que a vi, eu esperei na sa�da do teatro.

Voc� foi muito gentil, aceitou jantar comigo.

Fomos a um restaurante alem�o, tomamos vinho da Asacia...

E o filho do propriet�rio tocou a Serenata de Schubert no violino.

Como uma flor

Minha querida...

Tamb�m canta. Suas qualidades s�o inesgot�veis.

Durou apenas tr�s dias...

Na Segunda, voc� e a companhia tomaram um trem para Ottawa.

Fui me despedir de voc�...

E tudo terminou.

Mas que ingrata eu sou por ter esquecido...

Um dia temos que falar sobre isso com mais detalhes.

N�o � grande coisa.

Fico feliz que diga isso. Significa que n�o destrocei seu cora��o.

Houve tantos homens atraentes na vida de Jessi Jerold.

Tantos cora��es partidos, bem, isso diziam eles.

Naquela �poca eu deveria ser uma mo�a bem rebelde.

Fico feliz de lembrar s� um pouco.

� poss�vel que de todos que a conheceram, voc� seja a �nica que tenha esquecido.

Que encantador!

N�o me admira que eu tenha gostado.

Ottawa, voc� disse?

Toronto.

Pelo amor de Deus, n�o diga a �poca...

N�o devemos escandalizar George.

Ele nos considera seus contempor�neos.

Voc� n�o percebe que somos membros de uma civiliza��o perdida?

Exatamente, a gl�ria de Ottawa.

Toronto.

Toronto, perd�o.

Suponho que voltarei a v�-lo antes do dia do julgamento.

Oh, sim, sim, sim. V�rias vezes, � necess�rio.

Desejo-lhe felicidades, e assim me retiro.

Ato IV, cena I.

Esqueceu o mais importante da frase, o in�cio.

Qual?

Espero que me reconhe�a quando voltarmos a nos encontrar.

Bom dia, Sir Arthur, George...

Eu n�o tinha id�ia que a conhecia.

Que coincid�ncia, n�o �?

No inicio cheguei a me preocupar com as discuss�es,

Mas vi que j� se reconciliaram.

Reconciliamos?

- Gostaria de mat�-la. - Arthur.

Voc� n�o entende. Ela n�o lembra de mim.

Mas por que lembraria?

- Queria faz�-la em peda�os. - N�o pode ser s�rio.

N�o? Olhe para mim.

Bem, por qu�? O que ela te fez?

Ela arruinou a minha vida.

Como arruinou sua vida?

Por esquecer tr�s dias em uma cidade distante h�...

Quanto tempo faz isso? Quarenta anos?

Eu n�o esqueci. Lembro de cada momento como se fosse hoje, ontem e antes de ontem.

Estava livre para lembrar. Durante quarenta anos, ela foi mulher de outro homem.

- Voc� n�o casou. - Eu n�o poderia.

Era imposs�vel amar outra mulher, ainda n�o entendeu, n�o �, George?

Voc� n�o percebeu?

- Eu a amava. - Ela sabia disso?

Meu Deus! � claro que sabia. Ela tamb�m me amava, n�s nos am�vamos.

Fomos felizes, est�vamos juntos constantemente.

Entendeu agora?

Come�o a entender.

Por tr�s dias e tr�s noites n�o nos largamos em nenhum momento.

Prometemos ficar juntos para sempre.

Ela voltaria � Inglaterra com a companhia...

E eu me encontraria com ela quando acabasse os estudos.

Na esta��o, naquela manh�...

Choramos como duas crian�as.

As �ltimas palavras que me disse, antes do trem partir foram:

"Eu te amo. Eu te amarei para sempre."

"H� duas coisas que eu quero mais que tudo na minha vida:"

"Ser sua esposa... E morrer antes de voc�."

O fogo apagou.

Basta mexer um pouco.

� tarde demais.

- Quer uma x�cara de ch�? - Oh, sim, de bom grado.

Vamos tomar um drinque, George, estou precisando. Me acompanha.

- Maldi��o. - N�o prefere um ch�?

N�o, George, vamos sair, estou sufocando.

- Por aqui. - Para onde?

Qualquer lugar, para casa, ao bar mais pr�ximo.

O dia que voltei a Londres...

Fui ao endere�o que me deu em Bloomsbury.

L� me disseram que tinha casado com Medlicott uma semana antes...

E que vivia em uma casa palaciana em Kent.

Duzentos acres e quase tantos c�modos.

Minha fortuna, naquele momento...

Consistia em 3 libras e 10 xelins...

E uma carta de recomenda��o para uma empresa de advogados...

Recomendando que me dessem um emprego de ajudante.

Como se atreve a me falar sobre seu amor por Midlicott?

Como ele morreu?

Arruinou, atrapalhou sua vida depois de quarenta anos de amor.

Eu tive tr�s dias de amor

E me vi obrigado a viver deles o resto da minha vida.

Onde diabos � o bar?

- A� est�. - Estou louco.

O que voc� acha?

Com tantos advogados em Londres, e depois...

Da jogada que me fez...

Voc� me imagina...

Defendendo ela da acusa��o de quebra de promessa a um jovem?

N�o pode negar que � engra�ado, George, ou n�o �?

Sim, s� n�o rimos.

Sabe, George, eu n�o moro no lugar que ela mora, em Petwork Place, por acaso.

Eu a vi centenas de vezes ao longo dos anos...

De uma janela, um carro, do palco, no teatro ou na �pera.

Finalmente...

Nos encontramos cara a cara pela primeira vez.

E qual � a minha recompensa...

Depois de quase 50 anos de devo��o?

Ela n�o lembra de mim.

Deus, preciso de uma bebida.

Dois u�sques, por favor.

Duplo.

Duplos.

Suponho que vai se retirar.

- Retirar-me de qu�? - Do caso

De forma alguma!

- Vai aceitar represent�-la? - Eu j� aceitei.

- Arthur! - O que?

Vai ter que separar um lado dos seus sentimentos, voc� sabe, n�o �?

Isso nem precisa falar.

- Acha que pode? - � meu dever, certo?

Sim!

Claro que �.

Seria fatal que um advogado se influenciasse com a vida de um homem...

Um rom�ntico!

Por que, sabe de uma coisa? Nada que digam, nem eu nem ningu�m.

No fundo voc� � um grande rom�ntico.

Um rom�ntico desiludido.

E o que � isso?

Um homem que muitas vezes janta sozinho em um restaurante onde h� m�sica.

Obrigado.

Vai jantar em casa?

Sim, Alice est� esperando por mim.

Por que voc� n�o vem?

Est� livre?

Meu querido amigo, sou um prisioneiro da liberdade.

Ent�o est� decidido.

- Obrigado. - Sucesso.

Sucesso em qu�?

No julgamento, � claro.

No julgamento.

- Estarei em sua casa em uma hora. - N�o se atrase, jantaremos gato.

Gato?

Disfar�ado de lebre, claro.

Senhor.

Senhor, da parte da minha Senhora, poderia vir?

- Sim, certamente. - � ali.

Sir Arthur.

- Sra. Medlicott... - Obrigada por ter vindo.

Obrigada, obrigada, Srta. Davis.

- Est� tudo bem? - Sim, estou bem.

Ela disse: "da parte da minha Senhora, poderia vir?"

- Claro que fiquei receoso... - N�o, n�o, eu estou bem.

Acontece que tinha que falar com voc�, porque desde que sa� da sua casa...

N�o paro de pensar em uma coisa que me preocupa terrivelmente.

Receio que tenha causado uma impress�o...

Que devo corrigir, ou n�o conseguiria dormir � noite.

Entendi...

Eu tenho repetido para mim mesma v�rias vezes...

O que pensar� de mim? Como poderia me respeitar?

Como poder� me defender se n�o esclarecer essa situa��o?

Precisava v�-lo o mais cedo poss�vel, falar com voc� e explicar.

Oh, gra�as a Deus.

Como?

Acho que entendo o que quer me dizer.

- S�rio? - Sim...

� algo pessoal, algo que diz respeito a n�s dois.

Bem...

N�o...

Quero dizer...

Sim, claro que nos diz respeito...

Mas eu n�o chamaria exatamente de pessoal.

O que voc� acha que eu ia dizer?

N�o, n�o, n�o, continue... Sinto ter interrompido, diga voc�.

Bem, agora...

Meu Deus, agora me perdi.

Voc� se perdeu?

O que estava dizendo? Onde eu estava?

Estava falando que dizia a si mesma...

- Ah, sim, agora me lembro. - Continue, estou ouvindo...

Explicar algo sobre Alfred Pratt.

Sobre...

Sobre Alfred Pratt.

E mandou me chamar, me fez vir para falar sobre Alfred Pratt?

Sim, claro

Entendo.

Entende?

Voc� entende?

Fico feliz, porque n�o poderia suportar que tivesse uma impress�o errada sobre n�s.

N�o, claro que n�o.

Como o meu advogado, � importante que acredite em mim... na minha... em mim.

Caso contr�rio, como poderia esperar que convencesse o j�ri.

E isso n�o poderia esperar at� a pr�xima entrevista?

N�o, � imposs�vel, quero dizer tudo agora mesmo, absolutamente tudo.

- Tudo? - Tudo!

N�o.

- N�o? - Voc� n�o pode.

- Eu n�o posso? - N�o vou permitir.

O que?

N�o vou permitir, � contra a lei.

Contra a lei?

Isso vai contra as tradi��es da profiss�o.

N�o pode haver nenhuma reuni�o entre advogado e cliente...

A menos que ocorra na presen�a do advogado desse cliente.

- Por que est� gritando? - Sinto muito.

Perdoe-me, o que quero dizer � que pela �tica profissional;

N�s n�o podemos discutir nenhum caso como advogado e cliente...

Sem George Druce estar presente.

Muito bem, certo, perfeito.

N�o vamos discutir ent�o, como cliente e advogado.

Vamos discutir como velhos amigos.

Velhos amigos?

Na realidade, o melhor � nem discutirmos.

Assim, ningu�m poder� dizer que infligimos a lei, que desobedecemos.

Simplesmente vou dizer o que tenho a dizer...

E se n�o quiser, n�o precisa me responder.

Sente-se, por favor.

Vou receber o impacto de p�, se n�o se importa.

Que forma curiosa de se expressar!

Muito bem, como quiser.

Esta tarde, em seu gabinete...

Voc� disse que eu o amava.

Amar Alfred Pratt?

Saiba que voc� est� errado.

Voc� tem que se convencer que nunca o amei.

Al�m disso...

Preciso que saiba que nunca... que ele e eu nunca...

Nunca... Que humilhante � falar de mim assim!

Se prefere n�o falar, n�o fale. N�o diga nada.

N�o, n�o, tudo bem. O problema � como faz�-lo entender.

Sei o que est� pensando, quarenta anos com um homem bondoso, distinto...

E trope�ar com esse... Essa... Coisinha!

Deve me achar horrivelmente depravada, acreditando que sou uma sem vergonha.

Sem vergonha?

- Nunca! Como achou...? - N�o precisa ser am�vel.

N�o precisa, todos em Londres me consideram uma infame

E garanto que n�o estou tentando justificar o que fiz.

N�o pense que chegou a... N�o, jamais.

Espero que voc� entenda que n�o chegamos a nada.

Estou t�o envergonhada por permitir que esse verme entrasse na minha casa...

De t�-lo considerado mais que... Bem, de ter sequer considerado.

- Por que fez isso? - Quer saber por qu�?

N�o lhe ocorreu pensar que me fiz essa pergunta milhares de vezes?

Por qu�? Por qu�?

Pode entender?

Como?

Como eu poderia faz�-lo entender?

Estava... Estava t�o sozinha.

Sozinha pela primeira vez em quarenta anos. Uma mulher sem nada pelo qual viver.

Com esta casa, a fazenda no campo, nossa vida em Monte Carlo, nada realmente.

E ent�o aparece esse rapaz. Ele era t�o bom, t�o doce, t�o atraente...

Ao menos assim parecia.

� uma velha hist�ria.

Uma hist�ria rid�cula, Sir Arthur.

E pat�tico, suponho.

Eu perdi a cabe�a...

Em um momento de impetuosidade...

Eu perdi minha cabe�a.

Em um momento...

De impetuosidade cega...

Entendo.

Assim...

Voc�...

Sentiu-se...

Atra�da por ele?

Seus olhos est�o acusadores.

Vejo que n�o me entende.

Voc� acha que eu e ele... Acha que...

N�o, n�o, garanto que n�o penso nada.

- N�o compete a mim pensar... - Eu juro, juro.

Tudo o que fizemos, foi caminhar e dar passeios de carro. Quase n�o fal�vamos.

Ele n�o tem muita conversa. �s vezes eu lia um livro.

Ele tocava piano, n�o muito bem, e �s vezes nossas m�os encostavam...

N�o h� necessidade de contar nada, eu...

Eu dizia que me beijasse na bochecha, entenda.

Jamais permiti que se excedesse...

Por favor pe�o que n�o continue, Compreendo perfeitamente o que quer dizer.

- S�rio? - Realmente.

Fico feliz...

Afinal de contas...

N�s dois...

Temos certa idade.

Sim, certa idade.

- Ent�o � l�gico ou entender. - Mas o que a idade tem com isso?

Bem, nesta �poca de nossa vida muito, diria eu.

E eu diria, fale por si mesmo, se n�o se importa.

Eu n�o quis ofender.

Agora eu percebo que n�o entendeu absolutamente nada.

Quero que fique bem claro que eu disse que n�o poderia...

Eu disse que n�o fiz, uma diferen�a not�vel, ainda que n�o pense assim.

Sinto muito.

Desculpe dizer, mas nada disso pareceu causar o efeito que eu pretendia.

Espero que na nossa pr�xima reuni�o...

Voc� se mostre mais compreensivo...

Eu prometo.

Tentarei a todo momento ser compreensivo.

Sim, por favor.

Pois, se a quest�o da minha inoc�ncia for t�o indiferente ao j�ri,

Como parece que � para voc�...

O que acontecer� quando formos ao Tribunal decidir meu caso?

Bom dia, Glanvi.

Eu disse bom dia, Glanvi.

E eu j� disse mil vezes que n�o gosto que me chame assim.

N�o desejar bom-dia seria uma impertin�ncia.

Sabe muito bem a que me refiro, Devine, esse n�o � o meu nome.

Mas n�o posso cham�-lo de Glanville-Jones. "Bom dia, Glanville-Jones", soa t�o formal.

Acharia que n�o gosto de voc�...

- N�o seja est�pido. - Que g�nio!

- O que foi agora? - Nada, sua peruca est� torta.

Temperan�a, trucul�ncia, e al�m disso cr�tica pessoal, que estranho.

Isso n�o � normal.

Suponho que o julgamento de hoje

Seja pura rotina.

Ou n�o �?

Glanvi.

� poss�vel que queira manter sua reputa��o na corte, Sr. Devine,

Mas � um idiota e desejo o que sempre desejo quando o encontro.

- O que �? - Que desapare�a.

� a primeira vez que consigo atravessar sua casca dura.

Vou acompanhar sua atua��o com mais interesse do que o habitual.

Sir Arthur.

Essa est� completa.

� o que eu queria, obrigado.

Estou acompanhando voc�!

- Bom dia, Jessica. - Bom dia.

Fico feliz que seja pontual.

Essa �...?

N�o?

Sem nervosismo, certo?

Voc� e eu, na frente.

Sua cliente.

V� o nosso amigo Glanville-Jones?

Sim, com o Sr. Devine.

Falando com o inimigo.

Um homem surpreendente, esse que escolheu como meu advogado, George.

Percebo seus olhos cravados em mim pela sala...

Como se quisesse que eu o olhasse.

N�o tem filhos, certo?

Ele n�o � casado.

- Queria saber a resposta. - Por que a pergunta?

H� algo patriarcal nesse homem.

Nunca sentiu vontade...

De dar-lhe uma surra, e ao mesmo tempo acarici�-lo...

Como um pai cruel e gentil?

Santo Deus, n�o!

Se move com agilidade.

- Devo admitir que tem um belo porte. - Jessica.

Para um homem da sua idade. A� vem ele.

Bom dia.

Bom dia. Bom dia, George.

Ol�.

Prontos para a tormenta?

Ir a julgamento � como ir ao dentista...

Resignado, mas n�o pronto.

Ainda n�o vejo o demandante.

Ele ainda n�o chegou.

Olhe estas pessoas.

Adoram um esc�ndalo.

Est� vendo esses? S�o jornalistas.

Assustado?

Apreensivo.

Voc� est� esplendida esta manh�.

- Sim, � verdade. - Sim

N�o foi um elogio, George, foi uma cr�tica.

Aconselhei que seria mais indicado um chap�u simples ou um len�o...

Que um vestido de Paris e um sensacional...

� um chap�u. Est� bravo comigo?

Deveria estar, mas � dif�cil quando o efeito � t�o inegavelmente agrad�vel.

A� est�! Viu que com pouco esfor�o consegue ser am�vel?

Quando se comporta assim, n�o � dif�cil imaginar que foi um gal� em seu tempo.

Ela que disse, George, n�o eu.

- Bom dia. - Bom dia.

Entra... o belo pr�ncipe.

O Sr. Pratt.

T�o perverso. Um sapo.

Um conto de fadas de cabe�a para baixo.

Compreendo porque se apaixonou por ele.

Nunca fui apaixonada por ele, j� disse.

N�o tinha compreendido at� agora.

Voc� � o pior.

Sil�ncio.

Coloquem-se em p�.

Deus salve o rei.

Este caso � o n�mero 22 de 1911.

Alfred Pratt, demandante, contra a Sra. Medlicott, demandada.

Nada mais passa em minha cabe�a...

Para dirigir-me a voc�s, Senhores, que a extrema delicadeza...

Da posi��o...

Do meu cliente

E seu advogado.

N�o nos inveje, Senhores.

� not�rio o sentido ingl�s de honra e fair play,

E ainda assim estamos aqui reunidos...

Para acusar uma Senhora.

Uma senhora...

De alta posi��o social.

Uma senhora de reputa��o impec�vel.

Uma senhora que...

Assim como na sua primeira juventude, talvez...

Ainda � justamente celebrada por sua beleza e charme ineg�veis.

Por seu esp�rito juvenil, por sua eleg�ncia...

Por sua brilhante conversa...

Por sua fina e clara penetrante intelig�ncia.

Em resumo...

Depreciando a vulgaridade dos detalhes cronol�gicos, uma Dama, senhores.

Uma grande Dama digna de admira��o.

Requerida, e, em seguida...

Amada, se assim preferirem.

E agora a defesa, sem d�vida, refere-se �quele refr�o que diz:

''A loucura de uma uni�o entre Maio e dezembro...''

Mas n�o, senhores.

Se isso for dezembro...

N�o ser� uma loucura esperar pela Primavera.

Juro por Deus Todo-Poderoso, que o testemunho que vou prestar...

� a verdade, toda a verdade e nada mais que verdade.

Seu nome � Hermione Davis?

Sim, senhor.

- Fale mais alto. - Sim, senhor.

Governanta da Sra. Medlicott, n�o �?

H� 30 anos.

Estava com ela quando o falecido Sr. Medlicott ainda vivia?

Eu estava, que descanse em paz.

Um homem excelente.

E tamb�m, � claro, quando Alfred Pratt apareceu em sua vida?

Na verdade, estava na mesma sala...

No momento que ele a pediu em casamento, n�o �?

Eu estava em casa.

Infelizmente, isso n�o satisfaz a minha pergunta.

A testemunha deve responder sim ou n�o.

Bem, eu... N�o tenho certeza. Eu ia e voltava da cozinha � sala de estar

Era hora do ch�, entende?

N�o se excite, Srta. Davis.

Simplesmente sim ou n�o...

Ouviu Alfred Pratt pedir � Sra. Medlicott que fosse sua esposa.

Pode ser.

Pode ser!

Fico muito nervosa por estar aqui... � a primeira vez.

Est� indo muito bem.

Talvez prefira nos dizer, � sua maneira

Exatamente quando voc� soube que sua Senhora...

Tinha se comprometido com o demandante.

Sinto muito. Tenho a mem�ria muito ruim para datas e outras coisas.

Todo mundo diz que eu sou muito distra�da.

Simplesmente n�o se lembra.

Sinto muito.

N�o tem import�ncia.

Estou certo de que todos a entendem perfeitamente...

Vive dedicada � sua Senhora. Nunca faria ou diria algo que...

Pudesse prejudic�-la, n�o � verdade?

Claro que n�o.

Claro que n�o.

Naturalmente, tem que pensar em sua posi��o.

Obrigado, Srta Davis, n�o tenho mais perguntas.

Eu disse. Eu disse que n�o conseguiria nada de Davis.

Conseguiu exatamente o que queria, Sra. Medlicott

Senhorita Davis...

Poderia ter a bondade de me dizer...

Exatamente em que data come�ou a servir � Sra. Medlicott?

Sim, senhor. Em 3 de Janeiro de 1880.

3 de... E ainda assim nos diz que n�o tem mem�ria boa para datas e coisa assim.

Eu...

Srta. Davis, sugiro que n�o s� tem uma mem�ria excelente para datas e outras coisas...

Mas que inclusive lembra de detalhes que nos escapariam.

Sim...

N�o, eu...

N�o. E o incidente...

Que o Sr. Devine se refere e do qual voc� foi testemunha...

Ocorreu recentemente, em 12 de Setembro passado.

Senhorita Davis...

Pense, � uma mulher inteligente.

Voc� sabe que a menor suspeita...

De perj�rio, pode ser t�o perigosa quanto uma acusa��o.

Perj�rio.

Quando antes eu disse "testemunhou"...

N�o estava me referindo a um testemunho legal, como testemunhar um casamento

Eu s� quis dizer que estava presente no momento, nada mais que isso.

Ah, bem, se s� se refere a isso...

Sim, senhor, eu estava na sala...

Foi quando entrei para ver se a empregada poderia servir o ch�.

E ouviu o jovem se declarar?

Sim

E a Sra. Medlicott aceitar?

Acho que sim.

Ent�o, por que n�o disse ao advogado do demandante?

A quem?

Ao Sr. Devine.

N�o sei.

Era porque estava com medo... Que achassem que � uma pessoa curiosa?

Que o J�ri a considerasse uma bisbilhoteira?

Senhor, com todo respeito, meu colega est� influenciando a testemunha.

Eu retiro a pergunta.

Estou certo de que os membros do j�ri podem ter notado o estado de confus�o...

Que se encontrava a testemunha durante o interrogat�rio do meu distinto colega.

Obrigado, Srta. Davis.

Pode retirar-se agora.

Sra. Fanny Pratt, ao banco, por favor.

Acho que � hora conveniente para adiar a se��o at� depois do almo�o.

Vamos retornar as 2:10 da tarde.

Percebeu o que acabou de fazer?

Conseguiu que o outro n�o conseguiu...

Deliberadamente manipulou minha boa Davis para testemunhar contra mim.

Permita-me.

N�o obrigada, n�o sou uma inv�lida.

Onde est� nos levando, se � que posso saber?

J� vai ver.

N�o ouviu o que acabei de falar?

- Sim, eu tinha minhas raz�es. - Quais raz�es, n�o consigo ver.

- Pascal. - Obrigado.

Um lugar encantador. Nunca estive aqui, � franc�s?

Alem�o.

Volto j�.

N�o, n�o, prefiro aqui, n�o se incomode.

Pode deixar.

Agora me explique sua atitude com a minha governanta.

Ah, � muito simples.

Ele tentou dar a impress�o de que a Srta. Davis, retinha informa��es...

- Pela influ�ncia que exerce sobre ela. - Bobagem.

N�o s�o bobagens. Voc� a influenciou?

Claro que n�o!

Quem acha que sou?

O que disse exatamente antes de sair de casa?

Eu disse o que qualquer um em meu lugar teria dito.

Eu disse que se perguntassem, se pedissem que falasse contra mim,

Para dizer que tinha uma mem�ria ruim.

Sim, isto foi o que pensei e e mesmo que pensou o j�ri.

N�o percebe que ao fazer isso, obrigou-me a manejar...

Essa pobre, boa e leal mulher?

Sim, de fato, eu n�o tive escolha, a n�o ser desacreditar sua declara��o anterior.

N�o faria mal se desculpar.

Eu nunca pe�o desculpas.

Ningu�m � t�o perfeito que nunca comete um erro...

Mas a desculpa � uma perda de tempo.

Mesmo que nossos erros ofendam outras pessoas?

Quando foi que a desculpa apagou um mal?

Ouve o que est�o tocando?

Sim.

N�o reconhece?

Sim

� a m�sica que cantou aquele dia. A primeira vez que fui v�-lo.

N�o lembra de mais nada sobre essa can��o?

Voc� disse que a escutamos juntos h� muitos anos, em Ottawa.

Toronto.

Toronto.

Sim, � isso.

Voc�, o amor...

Voc�, o vinho...

Mais, muito mais.

Voc� � o sol

Quando est� frio...

Algu�m est� comendo peixe.

Sabe do que eu gostaria?

N�o tenho certeza se quero saber, ser� melhor que pe�a...

J� pedimos.

- O que � isso? - Sauerbraten.

- Sauerbraten? - Sim, � chucrute.

- Est� falando s�rio? - Como comemos em Toronto.

Al�m disso, fizeram uma sobremesa especial, com morangos e creme.

Tudo isso para o almo�o. Vou ter indigest�o durante uma semana.

- Sirva � Senhora. - N�o, n�o... Vai deixar-me b�bada.

� vinho da Als�cia. N�o pode recusar.

Sim, eu posso.

Eu pegaria no sono na corte, no meio da tarde...

- Mas os sonhos... - N�o, amigo. Obrigada mas n�o.

Eles esperaram tanto tempo que...

Eu tenho certeza, e, obviamente, voc� tamb�m.

Mas ainda n�o sei o que pretende, estou com os meus sentidos na corte...

George, isso � para voc�.

� que... Na verdade, n�o me atrevo.

Vou pedir ovo e leite, por favor.

- Ovo e leite? - Ovo e leite.

Ovo e leite, para a senhora.

- E algumas torradas. - E algumas torradas.

N�o sei... Mudaria algo se eu dissesse que sinto muito?

Na realidade, ela n�o disse nada de imediato...

Mas podia ver que estava muito, muito emocionada.

Ela disse:

Alfred, estou muito emocionada.

E ele disse:

Sra. Medlicott, basta dizer um palavra... E me far� o homem mais feliz da Inglaterra.

E ela disse: Se � verdade que me ama...

E ele disse: Sim, claro, apaixonadamente.

Ela disse: Ent�o, suponho que devo dizer sim.

Todos choramos um pouco, e tomamos um licor verde e espesso com ch�.

Verde e espesso...

"Chartre" acho que � o nome. Voc� sabe, � franc�s.

Chartreuse

Isso mesmo.

Muito doce para o meu gosto, claro que o servem nas melhores casas.

Sim... Senhora Pratt.

Nunca se preocupou com a diferen�a de idade entre o filho e a r�?

O qu�?

Desculpe, a diferen�a de idade entre seu filho e a Sra. Medlicott.

Imagine, de forma alguma.

Adverti que de muitas maneiras ela � muito mais jovem do que meu Alfi.

Ele � um rapaz muito s�rio.

Muito maduro para sua idade...

E ela � jovem para a sua.

Na verdade me pareceu uma uni�o muito adequada...

Certamente ideal.

Vamos, Sra. Pratt, vou apelar para a Senhora como m�e.

Como uma m�e com bom senso.

Com toda sinceridade...

Pode olhar para essas duas pessoas que est�o hoje aqui...

E dizer que seu compromisso n�o pareceu...

Absolutamente impr�prio?

A diferen�a � que n�o est�o juntos.

Tudo isso � muito complicado

E se nota que est�o muito nervosos, especialmente Alfred.

Mas se os tivesse visto como eu os vi, como dois...

Pombinhos...

Como dois o qu�?

Pombinhos, senhoria.

Faziam um belo casal juntos...

Pareciam dois gatinhos, sempre...

Juntos em algum canto...

Ronronando e se acariciando.

Ao dizer ronronando e se acariciando...

Quer dizer que �s vezes as m�os da Sra. Medlicott ro�ava as do seu filho...

Enquanto estavam sentados ao piano ou...?

Piano?

Santo Deus! N�o precisava nem de piano nem de outro instrumento...

Para come�arem a saltar e se divertir...

Saltar e se divertir?

O que ela disse?

Saltar e se divertir, merit�ssimo.

� verdade, parecia que nunca se cansaria de mim.

Mam�e dizia que se eu fosse uma sobremesa, a Sra. Medlicott teria me devorado.

Em outras palavras, Sr. Pratt...

A senhora gostava de sua presen�a?

Poderia expressar assim, mas entendeu o que eu quis dizer.

Claro que espero que percebam que isso � muito desagrad�vel para mim.

N�o � f�cil, para um homem que se preze falar disso em p�blico.

N�o � muito cavalheiresco, n�o � verdade?

Mas, por outro lado, sob juramento, preciso dizer a verdade.

Qual foi a pergunta?

Desculpe, merit�ssimo. Sr. Pratt...

Vou repetir a pergunta e espero que responda de forma concreta.

Diga sim ou n�o, desta vez.

A senhora gostava de sua companhia, sim ou n�o?

- Sim, senhor, gostava. - �timo. Agora...

Depois de ter feito amizade durante sua licen�a...

Quando tentou voltar ao seu barco... Ela o segurou, certo?

Acho que segurou, n�o me perdia de vista.

N�o me deixe, Skitgi, costumava dizer.

Skitgi, nunca me deixe, sem voc�, minha vida n�o valeria a pena.

Suas exatas palavras, eu juro.

Por que ela o chamava...

Skitgi?

Ela dizia que gostava de me acariciar com a voz.

Skitgi.

- Eu n�o sei, uma bobagem. - Era um dos apelidos carinhosos.

Ent�o...

Sra. Medlicott o instigou...

A renunciar seu posto a bordo do Maurit�nia?

Renunciei a tudo, minha carreira, minhas esperan�as e a tudo mais.

E teria renunciado a muitas outras coisas, se tivesse...

Para manter a garota dos meus sonhos.

A garota?

A garota, Sr. Pratt?

Sim, senhor, juro por minha honra como ingl�s e ex-oficial de navio.

� uma garota em todos os sentidos importantes da palavra.

Nunca encontrei uma natureza mais apaixonada...

Nem mesmo nos lugares mais rom�nticos da terra.

O que natureza apaixonada tem com este caso?

O que estou tentando explicar, merit�ssimo...

� que todos que disserem que eu e a Sra. Medlicott...

N�o �ramos um casal adequado, se engana completamente.

Qualquer um que nos visse...

Por favor, responda ao Sr. Juiz.

Mentiras...

Cal�nia, urgente, diga alguma coisa.

E eu ainda continuo amando...

Apesar de ter quebrado sua solene promessa.

Como a amava antes mesmo de t�-la conhecido.

Antes de t�-la conhecido?

Eu sei que parece estranho, mas...

Minha m�e tinha escrito tanto sobre ela, que...

Acho que estava apaixonado pela senhora Medlicott...

Antes de v�-la pessoalmente.

Amo toda parte dela, desde seu delicado p�...

At� o �ltimo dos seus cabelos.

Sr. Pratt...

Eu sugiro que se limite a falar do que � da nossa conta.

Mas eu poderia falar assim de uma mulher velha demais para mim, Senhores?

N�o, eu n�o poderia. Velha demais... Que rid�culo!

T�o rid�culo quanto sugerir, como parece querer fazer o outro advogado...

Que eu e minha m�e e eu somos vulgares ca�adores de fortuna. Deus sabe que n�o.

Sr. Pratt, chega.

Eu sei que fui mais longe do que um cavalheiro deve ir.

Mas � s� por um prop�sito, com um �nico prop�sito...

Calar todas essas mentiras sobre a idade.

O que significam...

Alguns anos para um homem plenamente apaixonado?

Se pudessem v�-la com olhos que eu a vejo...

Sim, senhor Pratt, n�o duvido que isso ajudaria muito.

Para mim ela n�o tem idade, olhe para ela...

Pe�o que olhe para ela.

Asseguro-lhe que estou olhando.

Todos olhamos... constantemente.

Inclusive em fotografias...

Sr. Devine, para facilitar o trabalho do j�ri...

Poderia fornecer c�pias destas fotografias?

Sim, senhor.

Como sua m�e conheceu a Sra. Medlicott?

- Em uma exposi��o de flores. - Exposi��o de flores?

Sim, merit�ssimo, a exposi��o anual da Royal Society de Horticultura.

Tornaram-se amigas mam�... Minha m�e e a Sra. Medlicott.

Muito amigas?

Sim, senhor, eram fotografadas juntas.

O dom da miseric�rdia...

N�o � for�ado.

Cai suavemente...

Como suavemente cai a �gua de chuva em nosso rosto.

Duas vezes bendito...

Aben�oe aquele que desfruta e aquele que ourtoga...

O mais poderoso entre os poderosos.

Sim

Ah, sim.

Veja, vassalo, como fico em vossa presen�a.

Oh, sim.

E n�o s� por mim...

Essa b�n��o � o que me leva a desejar a mim mesma melhor.

Mas por voc�...

Eu mesma gostaria de ser tr�s vezes mais jovem.

Mil vezes mais bonita.

Dez mil vezes mais rica.

Senhora, me deixou sem palavras...

S� o sangue fala em minhas veias.

E h� tal confus�o em meus sentidos...

Como devo��o em ora��o... Pela palavra.

Sir Arthur!

- Eu? - Estamos esperando.

Esperando?

Parecia que estava murmurando algo sobre suas veias.

Sobre minhas veias, merit�ssimo?

E tamb�m, n�o sabemos o que, sobre uma confus�o de sentidos.

Pode interrogar a testemunha.

Obrigado, merit�ssimo.

N�o tenho perguntas.

- N�o tem perguntas? - Cale-se.

- Este homem ficou louco. - Cale-se, por Deus, cale-se.

Silencio!

Tendo em conta esta circunst�ncia e a hora, a sess�o est� suspensa at� amanh�.

De p� diante de sua Senhoria.

Foi o vinho que bebeu no almo�o e esse "Gulafi"

Goulash, ouviu? Esse Goulash.

A �nica chance que tem de interrogar Alfred Pratt e desperdi�a.

Para o inferno com Alfred Pratt.

- O que disse? - Para o inferno.

Calma, calma, n�o fa�a cenas na escada, por favor.

Estamos todos muito preocupados com voc� e suas veias.

Fora, saia daqui.

Louco, enfurecido e perigoso.

Na minha opini�o, esse mequetrefe fez seu pr�prio contra-interrogat�rio.

Carinho demais, amor demais, esse tal Alfi...

Mas n�o se preocupe, George, cuidarei dele do meu jeito e no meu tempo, vai ver.

Enquanto isso, meu sil�ncio provocou curiosidade no j�ri

E aumentou as suspeitas sobre o rapaz.

Que engenhoso!

E tudo lhe ocorreu enquanto dormia...

Como com Stevenson e a hist�ria do Dr. Jekyll e Sr. Hyde.

Perceba de uma vez que eu n�o estava dormindo.

- Admito que me distra� um pouco. - Seria muito dif�cil negar.

E maldito o que se alegra com isso.

Notei que gosta muito de amaldi�oar e advirto que � rude.

Maldi��o, fiz uma coisa boa para voc�, seu caso e, se me permite, sua fortuna.

N�o grite, n�o estou no banco de acusa��o.

- Est� sim. - Cale-se.

Voc� disse que fez uma coisa boa para mim e para minha defesa.

O qu�?

N�o importa.

Vamos, n�o seja infantil, explique o qu�, pelo amor de Deus.

Porque

Durante o que chama de meu sono, eu vi...

E vi muito claramente...

Como estava se desenrolando o caso para o demandante.

Felizmente, vi isso a tempo de obstruir a jogada.

Obstruir a jogada?

Bem, nos diga exatamente o que viu, Arthur.

Escutei durante a horas o Sr. Devine aplicar seu m�gico elixir da juventude...

E quando olhei para voc� vi o que o j�ri estava vendo...

De forma quase milagrosa, no meio daquela lama de imbecilidade...

Voc� tinha se convertido na vis�o que ele estava tentado manifestar.

E quando me recuperei, disse para mim mesmo...

Meu Deus, nos colocamos deliberadamente em suas m�os.

Ajudamos a acender o pavio embaixo da �nica defesa eficaz que voc� possui.

E o que �?

Sua idade, que a coloca t�o longe do alcance de Alfred, para...

Que � indigno que tenha chegado a pensar em voc�...

Obrigada.

Bem, lamento ter dito dessa forma, mas � verdade.

A �nica coisa que queria era viver o resto de sua vida, como me disse...

Com a maior tranq�ilidade poss�vel, certo?

Bem, vou dar minhas instru��es.

Suponho que entender� e espero que siga ao p� da letra, de acordo?

Isso tem todos os aspectos desagrad�veis de uma ordem.

Quieta, por favor.

Vai amanh� ao tribunal vestida como conv�m � sua idade e situa��o.

Sem os babados, plumas e sem os adornos.

Est� t�o elegante que... � quase uma provoca��o.

Vou colocar um cil�cio e me mostrarei humilhada.

Vai colocar o vestido e o chap�u menos chamativo que tem.

Nenhuma mulher da minha idade tem chap�us pouco chamativos.

Obede�a.

Piedade, Cavalheiro,

Tenha piedade da pobre vi�va.

Jessica, por favor.

O que disse? Que eu v� com os dois?

Hoje, n�o, obrigada.

N�o vou a lugar algum, n�o me deixam sair.

Eu estou ficando bravo com voc�, Jessica.

N�o gostaria nem um pouco.

Boa noite, senhores.

Boa noite?

- Onde isso nos deixa? - Esperando a vi�va.

N�o � digno de voc�, George.

Desculpe quis dizer em d�vida. Melhorou?

O que est� claro � temos que encontrar uma sa�da.

Inacredit�vel.

Silencio. Em p� diante de sua Senhoria.

Mas onde ela se meteu? Onde ela est�?

Santo Deus!

Deus salve o rei.

Pratt contra Medlicott, segundo dia.

Cavalheiros, j� ouviram o advogado do demandante.

Ou�am Sir Arthur Glanville-Jones, que representa a r� nesse caso.

Com a permiss�o da sua Senhoria e dos membros do j�ri...

A defesa reserva seus argumentos para o discurso final.

N�o pronunciar� discurso de abertura

E n�o chamar� mais que uma testemunha, Jessica Medlicott.

- Jessica. - Eu?

Sim, v�.

- 4 camisas, 8 colarinhos... - Pe�o desculpas ao tribunal.

- Uma lista de lavanderia? - Algu�m mexeu nos meus pap�is.

Juro por Deus Todo-Poderoso

Que o testemunho que vou apresentar � a verdade,

Toda a verdade e nada mais que verdade.

Seu nome?

Jessica Medlicott.

Onde voc� mora?

Petwork Place, 5 no Regents Park.

Qual sua idade?

N�o ouviu a pergunta? Eu perguntei...

Eu ouvi a pergunta, mas n�o posso acreditar que a formulou.

Por acaso n�o quer que o j�ri saiba sua idade?

N�o posso entender porque seria da conta deles.

Eu n�o sei a idade deles, porque deveriam saber a minha?

Silencio!

Ent�o n�o vai nos dizer em que ano nasceu?

Eu nasci no ano do meu nascimento.

Asseguro que dizer a idade no banco � costume da lei.

E eu asseguro que isso � incompat�vel com o comportamento civilizado.

Nenhum cavalheiro insistiria em fazer essa pergunta.

Estou convencido que meu distinto colega est� de acordo com voc�.

Para ele, a certid�o de nascimento deveria ser ignorada ou exclu�da.

No meu caso, nem um, nem outro. Foi perdida.

Perdida, como? Em um inc�ndio?

De fato, em um inc�ndio.

Que inc�ndio foi esse, Sra. Medlicott?

O que preferir.

O Grande Inc�ndio de Londres.

O Grande Inc�ndio de Londres?

- O ano foi... - 1666.

Silencio!

Silencio!

Eu estava certa, voc� n�o � um cavalheiro.

Bem dito, Sra. Medlicott.

� claro que meu colega est� enganado quando presumiu

Que seus modos e sua forma de se vestir poderiam contribuir para prejudicar sua defesa.

Eu diria que, tanto um quanto outro, s�o encantadores.

Encantadores.

Eu sou como pare�o.

Exatamente.

� um prazer ver que tem coragem de ser voc� mesma.

E eu fico feliz em ver que finalmente algu�m sabe se comportar com as damas.

Merit�ssimo, o que � isso?

Qual � o prop�sito dessa orgia de acordos m�tuos?

Sente-se.

Senhora!

Est� se colocando em um papel rid�culo.

Eu n�o me coloco em rid�culo, tenho voc� para isso.

Sra. Medlicott

Sra. Medlicott

Declarou, sob juramento

Que a m�e do demandante tentou empurrar seu jovem filho

Com a mulher madura.

O rapaz mesmo falou que atraiu a dama...

Apelando para sua vaidade feminina.

Da mesma forma, meu colega tentou fazer no decorrer deste julgamento.

Se aceitarmos os esfor�os do meu distinto advers�rio...

Para restaurar e retocar a pintura da natureza...

Apareceria diante de n�s um quadro de inusitada percep��o.

Dois amantes constitu�dos da forma ideal. Cavalheiros, olhem essa mulher.

Olhem para ela.

E por favor n�o se deixem enganar por seus trajes.

Que seria certamente apropriado caso fosse a ninfa eternamente jovem...

Que o Sr. Devine pretende que n�s, com pueril ingenuidade, imaginemos.

Mas dadas as circunst�ncias �, usando uma linguagem generosa...

Inadequada, extravagante e lamentavelmente rid�cula... N�o, senhores.

Eu os convido a olhar abaixo dos adornos.

Um modo de falar, claro.

Eu os convido a olhar por tr�s da m�scara...

De fiel e sincera devo��o que mostra esse jovem...

Senhores, voc�s podem, com toda sinceridade...

Imaginar esse casal

Diante do altar?

Em sua lua de mel?

Portas fechadas,

Em sua casa...

Jogando, brincando, correndo.

Realizando, em suma, mil atividades de um jovem matrimonio? Digam.

Existem crian�as nesta fantasia?

Uma filha para perpetuar a beleza da m�e?

Um filho para levar o nome Pratt?

N�o, cavalheiros.

� muito dif�cil, eu diria que � inveross�mil.

Isso � indecoroso.

E antinatural ver isso, unido para a vida, perd�o,

Ou o que resta da vida

Com aquilo.

Ali um homem t�o indigno

Que est� disposto a trocar sua juventude...

Sua juventude valiosa...

Por um prato de lentilhas, por trinta moedas de prata

Por um d�bil abra�o dessa triste e pat�tica ru�na que uma vez foi uma linda mulher...

O que disse?

Sra. Fanny Pratt...

Triste e pat�tica ru�na?

Silencio!

N�o permito que isso conste na ata!

Senhora, se voltar a interromper, farei com que a tirem da sala.

- Isso � uma afronta, um ultraje! - Isso n�o desculpa seu comportamento.

Sente-se.

Sra. Fanny Pratt, uma incans�vel casamenteira

Enviou a seu filho uma fotografia...

E ele experimentou uma inflamada paix�o por essa Senhora...

Sem jamais ter colocado as m�os, ou os olhos nela...

N�o � necess�rio evocar a literatura de V�nus e Cupido para achar seu prot�tipo.

Uma vez que como ele, construiu uma c�lebre farsa...

O pobre Alfred se apaixonou pelo retrato daquela que poderia n�o apenas ser sua m�e...

Mas a av� ou talvez, neste caso, sua bisav�.

A palpitante noiva em flor que, tremendo, est� no limiar da senilidade,

Perdeu a cabe�a em um momento de impetuosa loucura.

Isso � um ultraje!

N�o diga nem mais uma palavra.

Silencio!

Que ele fa�a silencio!

De uma vez por todas, quer sentar e deix�-lo falar?

- Eu n�o quero. - Usher, chame a seguran�a.

Pe�o um voto de censura para esse verme...

Essa v�bora, traidor infame.

- N�o me toque ou n�o respondo por mim. - Senhora, me acompanhe.

Cuidado, � muito fr�gil!

Vou mostrar o fr�gil.

N�o vai mostrar nada a ningu�m

Acompanhe esse cavalheiro. Voc� me ouviu?

Cavalheiro!

Faz-me rir!

Estou indo...

Com gosto.

N�o h� um cavalheiro nessa sala.

Todo aquele que diz que o cavalheirismo n�o est� morto na Inglaterra...

Deveria estar aqui para v�-lo enterrado...

Para ver como se ultraja seu cad�ver.

Silencio!

Outra altera��o como esta e serei obrigado a despejar a sala.

Sinto muito.

Foi uma desagrad�vel cena, cavalheiros.

E ainda...

N�o � totalmente desprovida de valor, considerando o que acabamos de ver.

N�o simplesmente como o comportamento de uma mulher idosa e desesperada...

Mas como uma met�fora da velhice em si.

A perda de nossas preciosas faculdades.

No livro dos Salmos, lemos:

Eu era jovem

E agora sou velho;

Por�m n�o vi os justos abandonados...

Voc�s n�o podem esquecer Jessica Medlicott, cavalheiros.

N�o podem abandon�-la...

� merc� daqueles que v�o us�-la, jogar�o fora e a colocar�o em rid�culo...

N�s sabemos...

Sabemos que agiu mal, se comportou de forma imprudente.

� teimosa, mas n�o merece o seu desprezo.

Lembrem-se. Por quarenta anos foi uma esposa exemplar.

E agora, por alguns dias algumas semanas, talvez...

Esqueceu a virtude e levada pela solid�o, melancolia e tristeza...

Sucumbiu.

E o diabo tem o poder de assumir formas agrad�veis.

Os Alfred Pratt deste mundo infelizmente, sempre adotar�o

Formas agrad�veis...

E viscosas

Para seduzir melhor os incautos e vulner�veis...

Vestido com...

Belas palavras e suas malignas inten��es.

A palavra mais bonita que escutamos dos l�bios desse rapaz...

E a mais degrad�vel pelo simples fato de ter sido pronunciada por ele...

� a mais preciosa da nossa l�ngua.

Amor

Amor

O Dr. Johnson, com toda...

Toda sua perversidade, diz que o amor � a sabedoria do louco e a loucura do s�bio.

Outros preferem acreditar, com Dryden, que o amor � a mais

Delicada fragilidade da mente. Mas n�o importa como seja definido...

� dif�cil de confundir...

Com a hipocrisia

A cobi�a, a inveja...

N�s n�o podemos ver a gan�ncia

E dizer que �... Amor!

N�o podemos, n�o devemos

Recompensar um farsante t�o vil.

A garota...

A garota que...

Foi Jessica Medlicott um vez

Desapareceu. E n�o vai voltar.

O dia que poderia ter unido...

Sua vida � de um jovem, seu contempor�neo...

Passou.

Como ela...

Aquela jovem que h� muito deixou de ser.

Mas se estivesse aqui hoje,

Com uma for�a tremenda nos lembraria...

As maravilhas...

Daquela garota.

Daquele amor compartilhado e dir�amos: Sim...

Foi lindo

Apaixonado

Era mil vezes mais excitante...

E veemente que este...

Desonroso Afred Pratt suspeitaria e muito menos entenderia.

Tinha mais dignidade e delicadeza...

E mais orgulho que todos voc�s.

Voc�s, que foram testemunhas...

De sua humilha��o...

Se aquele...

Homem...

Gostasse de cita��es, � poss�vel que tentasse consol�-la

Cantando este lindo poema:

Para mim, velha amiga, nunca ficar� velha.

Pois tal como era...

A primeira vez que te vi

Te vi...

Assim � agora sua beleza.

E ao arruinar o amor

Ao se renovar-se, crescer�

Mais radiante para mim

Mais forte

Imenso

Total.

� ao amor que submetemos a ju�zo...

A honra e integridade do pr�prio amor.

Ao decidir a favor da minha cliente, decidir�o a seu pr�prio favor...

E em favor de todos n�s

E dos que nos sucederem.

E com a maior confian�a,

Na sua imparcialidade,

E bom ju�zo...

Essa defesa est� conclu�da.

Silencio!

Est�o prontos para dar seu veredicto?

Estamos.

Em favor do requerente ou da r�?

Em favor da r�.

Silencio na corte!

Merit�ssimo...

Tendo o j�ri decidido a favor da minha cliente...

Solicito, com todo respeito, a libera��o dos custos.

Concedido.

Os custos s�o por conta do autor, Sir Arthur, e assim vai constar na senten�a.

Obrigado, senhores do j�ri, podem se retirar.

Magn�fico.

Ela ficou furiosa, temos de encontr�-la.

- Parab�ns, felicidade. - Obrigado, obrigado, Tim.

Voc� tem que ir busc�-la.

- � capaz de cortar minha cabe�a. - Por favor, George.

Voc� esteve �timo.

- Muito obrigado. - Excelente discurso.

Pode ir de uma vez?

Jessica.

Jessica?

Jessica, n�s vencemos.

Rainha, me deve 7800 libras.

Vou enviar-lhe um cheque amanh� pela manh�.

- Quando quiser. - Ouviu o que eu disse?

Claro que ouvi, n�o sou surda, ainda n�o.

Obrigada.

- N�o parece muito surpresa. - Eu n�o estou.

- Sabia que ir�amos ganhar? - Naturalmente.

E sabe qu�o perto esteve de estragar tudo?

Estragar?

Foi sorte Sir Arthur estar l� para consertar seu estrago.

Sim, inspirando-se em mim, foi elevado aos mais altos picos da ret�rica.

Eu acredito, nunca tinha escutado ele falar com tanta eloq��ncia.

Quanto a voc�, seu comportamento deixou muito a desejar.

Por que diz isso?

Porque ignorou deliberadamente suas instru��es.

George, quero te perguntar uma coisa.

Se tivesse escutado e ficasse sentada como uma garotinha...

Uma garotinha de 90, 95 anos...

Acha que teria sido o mesmo?

Acha que iria inspirar-lhe tal eloq��ncia...

Corrija-me se eu estiver errada...

N�o corr�amos mais risco de perder se fizesse algo t�o trivial como me aconselhou?

- Voc� � o dem�nio! - Como?

- Voc� fez isso. - N�o!

Sim, sim, voc� fez, voc� proporcionou um rid�culo...

A quem ele poderia atacar sem piedade, voc� � uma grande atriz.

Mas n�o tenho colocado os p�s em um palco h� quarenta anos.

- Onde ele est�? - Aqui, venha.

- Vai se decepcionar quando disser. - Quando disser?

Prometo que se voc� disser uma palavra sobre isso, vou process�-lo.

Vou denunci�-lo e retirar minha amizade.

N�o, se eu disser...

Voc� n�o diz nada, fique calado, n�o diga uma palavra.

Bem, muito me custa, mas eu o parabenizo.

Obrigado, Devine.

Admito que me pegou completamente desprevenido.

Quando a vi aparecer com aquele incr�vel...

Vou indo, preciso de uma bebida.

Afogarei minhas m�goas no �lcool, e voc�s, n�o bebam muito champanhe.

Seu favorito, Dryden disse algo como:

Os vitoriosos sucumbem ante a vit�ria.

Eu sei, v� embora, Devine.

Posso? Beijo de perdedor.

Querida dama, adeus.

Bem, eu tamb�m tenho que ir. Um cliente me espera no escrit�rio.

Adeus, George.

Adeus, George, e obrigada.

Vejo voc�s em breve.

- Fui muito cruel com voc�. - N�o poderia evitar.

- Est� falando s�rio? - N�o tinha escolha sen�o fazer isso.

- Voc� entendeu, ent�o? - Eu compreendo perfeitamente.

No final, eu estava em um dilema entre salvar sua dignidade e sua fortuna.

N�o tinha forma de manter os dois, e ent�o eu pensei...

Que sua dignidade teria sido muito cara, por quarenta mil libras...

Cinq�enta, voc� est� certo.

Fez exatamente o que tinha que fazer e o fez de forma brilhante.

Voc� esteve maravilhoso.

Como estou contente de ouvir isso. Teria sido terr�vel se voc� ou algu�m dissesse:

Sim, sim, conseguiu vencer em ju�zo, mas a que pre�o...

Parecia que ele mesmo estava tentando castig�-la...

Era como se... como se quisesse se vingar

Pelo que ela fez h� tantos anos.

E, mesmo assim, teria sido justo. Eu o fiz sofrer muito.

E n�o foi a �nica, certo?

Sua amada m�e morreu muito jovem, quando voc� era uma crian�a.

� verdade, sim.

Eu sempre tive azar com as mulheres.

E logo, sua tia, aquele que voc� tanto amava.

Tia Elody.

Sim, essa, eu lembro que fugiu com um policial.

Um da Pol�cia Montada, Tinha quatorze anos.

Sim, uma fase muito dif�cil.

Eu estava come�ando a mudar de voz...

- Nessa idade... - Claro

E tamb�m, aquela noiva da minha juventude...

Com quem todos achavam que eu ia casar, pegou um v�rus raro...

E teve que ir � It�lia para se recuperar.

E a cura foi t�o espetacular que entrou para um convento em gratid�o.

Inacredit�vel.

Sim, especialmente porque nem sequer era cat�lica.

E depois, aos 20 anos, ser...

Ser enganado por Jessica Jerold.

Enganado por Jessica Jerold...

Parece a letra de uma can��o.

Sim, e quem ousaria dizer que n�o tinha direito de recuperar o que perdeu?

Isso � desprez�vel, parece uma vingan�a.

�s vezes, uma pequena vingan�a alivia muito.

- Por favor, n�o sou assim. - N�o, claro que n�o.

Espere

O que disse sobre minha m�e e tudo o mais... Como voc� sabe?

- Voc� me disse. - Quando?

Quando? Bem... bem...

Quando... Quando eu fui em sua casa no outro dia, voc� estava...

Foi h� quarenta anos em Toronto.

- Voc� tem certeza? - Absolutamente.

Voc� lembra, n�o �?

Sim, parece que lembro.

E quando come�ou a lembrar? Ou sempre lembrou?

- Desde a primeira vez. - N�o, n�o, n�o realmente.

Quando, ent�o?

N�o tenho certeza, detalhes soltos, aqui e ali.

O que exatamente lembra neste exato momento?

Ficaria surpreso.

Toronto.

O Princess Theatre.

A porta para o palco...

Voc� estava com um casaco muito justo, e tinha cabelo bagun�ado,

Se irritou tirando o chap�u, quando eu sa�.

Pareceu rid�culo?

Pareceu...

Um dos jovens mais engra�ados e encantadores que...

Que eu conheci na minha vida.

Voc� era ador�vel.

O que mais?

Voc� lembra?

O que mais?

Talvez quando eu lembrar tudo...

Voc� come�ar� a esquecer.

- Jessi... - Glanvi...

Voc� � a �nica pessoa que permiti que me chamasse assim.

Sou a �nica que falava com amor.

Por que voc� me deixou?

Mas foi voc�... Voc� me abandonou!

- Voc� se foi. - Voc� me pediu.

Eu te seguiria. Encontraria com voc�.

Em um ano, um ano nessa idade � uma eternidade. Eu pedi que n�o me deixasse

- Implorei para ficar com voc�. - Eu n�o tinha dinheiro.

Isso n�o importava.

Isso n�o importava?

Eu acho que voc� se importava.

� verdade.

Sentia horror pela pobreza.

Tinha medo que n�o conseguisse alcan�ar o que desejava...

E de nos encontrarmos com meia d�zia de crian�as famintas...

Em um apartamento escuro e come�ando a odiar um ao outro...

Como aconteceu com meu pai e minha m�e.

Talvez...

Possamos esquecer isso, n�o importa o que tenha ocorrido.

Estamos aqui, continuamos existindo, n�s sobrevivemos.

Como duas rel�quias.

Talvez...

Mas temos tempo ainda.

Voc� vem?

Desculpe-me

Espero que n�o me considere muito ousado, mas eu a vi atuar hoje � noite...

E eu a achei uma atriz maravilhosa.

- N�o considero uma ousadia. - Eu n�o poderia deixar de dizer.

N�o me parece ousado, e sim muito am�vel.

De verdade?

Consideraria a id�ia de jantar comigo esta noite? Odeio jantar sozinho.

- Consideraria? - Sim

- Eu adoraria. - S�rio?

- Onde haja violinos - Haver� violinos.

Mas n�o Gulash.

N�o foi isso que voc� disse.

N�o, mas deveria ter dito.

Glanville-Jones.

- Com script? - Sim, com Script.

Eu gosto de scripts, inspiram confian�a.

Jessi Jerold.

Eu sei, eu li no programa.

Bem, o qu�? Vamos come�ar?

Come�ar?

Sim, um novo come�o.

Comecemos de novo.

Espere um minuto

Seu cabelo est� desgrenhado.

Assim est� melhor.

Pe�o-lhe que envelhe�a comigo...

Porque o melhor ainda est� para vir.

Dryden?

Brownie.

Aceito.

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