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Achas que depois de tanto tempo
esta sensa��o era como uma ressaca.
Talvez ela estivesse mais b�bada do que eu pensava.
Sei como isto parece.
Sei o que voc�s pensam.
Vejamos as coisas desta maneira.
Chega a um ponto em que a sobreviv�ncia se torna mais um trabalho.
O suor e o trabalho duro faz o mundo avan�ar.
Nisto e em todas as coisas, � repetitivo.
� necess�rio...
...e solit�rio.
Mas a verdade � que, sei que o amor existe.
Eu senti-o.
Aquela vis�o pura que s� o verdadeiro amor pode dar.
Senti em primeira m�o,
mas nunca foi por eu pr�prio.
Foi sempre por algu�m.
De outra pessoa.
Nunca meu.
Ol�, sou a Emily Roberts.
Ol�, sou a Emily.
Ent�o, numa noite algu�m apareceu
e tudo mudou.
Eles olham para os meus olhos e sei que me conseguem ver.
O verdadeiro eu.
Finalmente, o amor � s� para mim.
Nunca se esquece algo assim.
Emily.
Onde estiveste?
Tive a pol�cia � tua procura, fiquei preocupado.
H� um m�todo para tudo isto.
Enquanto eu sou eles, eu vivo como eles.
A melhor camuflagem � ficar � vista.
Aonde vais?
A maioria das pessoas n�o repara.
A maioria...
Para quem est�s a ligar?
Para a pol�cia, disseram para lhes ligar assim que voltasses.
James, s� desapareci por...
Tr�s dias.
Emily, tu desapareceste por tr�s dias.
E nem uma mensagem.
N�o passou assim tanto tempo.
James.
O que est�s a fazer?
Para com isso.
James.
James, para.
James.
N�o me orgulho de fazer isto.
�s vezes em momentos isolados, quase me esque�o.
Mas depois a podrid�o chega e a realidade vem junto com ela.
Mais ou menos seis horas.
� tudo o que tenho.
Quando era mais novo,
n�o precisava de pensar muito nisto.
Um corpo durava anos,
quase podia fingir que a vida era normal.
Acelerou com o passar do tempo.
Algo n�o est� certo.
Ela devia ter durado mais do que isto.
� uma coisa complicada, ter que fazer esta escolha.
Quando tenho tempo para planear, escolho cuidadosamente.
Certifico-me que eles n�o escapam.
Quando n�o tenho tempo, costumo "encomendar".
Pode deixar...
Bom dia, sou o Inspetor Ransone.
O James era suposto ter-me ligado de volta.
Quando regressou?
H� uns dias.
Pois, estava � espera de poder falar com o James.
Ele n�o nos deu not�cias, por isso.
Ele est� em casa?
N�o.
Posso ajud�-lo em alguma coisa?
Quer um caf�?
Sim, por favor, obrigado.
Sente-se, por favor.
Fique � vontade.
Vou direto ao assunto.
Importa-se de me dizer onde esteve?
Creme e a��car?
Preto apenas, obrigado.
Est� bom.
Vai ter que me desculpar.
Porque n�o me sinto � vontade para falar sobre isso.
Desculpe, n�o queria que todos ficassem preocupados.
N�o, de todo.
Desculpe, isto tinha que acontecer.
Fico contente por ver que est� bem.
Ent�o, para onde foi?
Ol�, sou o Inspetor Freddie.
Ol�, sou o Inspetor Ransone.
Inspetor Freddie Ransone.
Entrega!
Mas que raio, meu?
Tens que pagar por isso.
Ouve, meu.
A tua casa est� a arder!
Meu, a tua casa est� a arder!
Ransone, escuto.
Responde se estiveres a�, responde, por favor.
Aprendi alguns truques ao longo do tempo.
Os analg�sicos e os antibi�ticos abrandam a altera��o.
Se precisar de sair do corpo r�pido, preciso de apodrecer.
Para isso, tenho que encontrar coca�na.
Merda, Freddie.
Quase que me dava um ataque card�aco ou algo assim, meu.
O que queres?
Meu, mas que raio?
N�o tens o direito de vasculhar e capturar as minhas coisas.
Pensei que �ramos amigos.
Isto � um absurdo, meu.
Isso n�o � meu.
S� o guardei para uma pessoa.
Controla-te.
Nos momentos de tranquilidade,
os meus pensamentos viravam-se para ela.
Max, � bom ver-te, rapaz.
Como vai o teu velhote?
U�sque com gelo e um gin t�nico.
Para mim?
Sim.
Como sabias que eu gostava de gin t�nico?
Por ps�quica, acho eu.
Ai sim?
Certo.
No que estou a pensar agora?
Est�s a pensar...
"�timo,
outro idiota com as mesmas frases de engate."
Pronto, �s bom.
O que te diferencia dos outros idiotas?
Ora, nada.
Mas algo me diz, que vais continuar a falar comigo.
A s�rio.
E gostarias de apostar nisso?
Sim, claro.
Jen, �s testemunha.
Eu alinho, prazer em conhecer-te.
Mostra-me o dinheiro, p�.
Temos de dar um aperto de m�os primeiro.
Est� tudo bem, Julia?
Sim, tudo bem, obrigado.
Ela est� em boas m�os.
Pol�cia, n�o um tarado.
Pol�cia, n�o um tarado.
Deixa-me ver, isto � verdadeiro?
Sim, �.
Sou o Freddie.
Julia.
Continuando no esp�rito de revela��o,
todos me chamam, Inspetor Ransone.
Inspetor.
Sim.
Inspetor, isto � um interrogat�rio?
Estou metida em sarilhos?
N�o, estou fora de servi�o.
Mas, fui treinado para notar
as coisas mais importantes numa sala
que os outros podem ignorar.
Foi por isso que veio aqui?
Para falar comigo?
Porque eu interesso-lhe?
Ela � a �nica que importa.
Sim.
Mas, d� uma vista de olhos.
V�s mais algu�m com quem eu deveria falar?
Pronto, est� certo.
Esse � um bom argumento.
� o primeiro de muitos.
Porque est�s nesta porcaria de bar?
� natal.
� natal.
Para onde mais se pode ir?
A s�rio, o que �?
Mindinhos.
N�o consigo dobrar este.
O qu�?
Que estranho.
Meu...
Que nojento.
Est�s bem?
Est�s bem?
Merda.
Que foi?
Nada.
Corre.
O qu�?
Corre!
Corre!
Meu Deus.
O meu estado,
n�o est� livre de alguns benef�cios.
Os ferimentos n�o me seguem para o pr�ximo corpo.
Mas que raio se passa comigo?
At� agora.
N�o estamos a fazer nada, senhor agente.
Vai para casa.
Tu, chega para l�.
Por favor, deixa-me ir.
Quaisquer leis que infringi, eu pago a multa.
O que precisares...
Cala-te.
Olha, isto n�o � o que parece.
Tenho mulher e filhos e eles est�o � minha espera.
Credo.
Se eu n�o fizer isto, morro.
E n�o estou pronto para morrer.
Portanto, ter�s que o fazer.
Desculpa.
Pessoas que vivem numa casa como esta,
costumam ficar nela a vida toda.
As origens cavam fundo, com medo de qualquer mudan�a.
Sufocando confortavelmente.
N�o parou nenhum instinto perverso em mim
por tamb�m querer isto.
Acho que � tudo natural.
A atra��o do pessoal.
Pap�, acorda.
Sai de cima de mim.
Mam�, o pai disse um palavr�o.
Depois da escola, posso ir � casa do Chris?
Desde que fa�as os trabalhos de casa a tempo.
- Est� bem. - Conheces as regras.
Senta-te, junta-te aos mi�dos para o pequeno almo�o.
Pap�, o que se passa?
Nada, nada querida.
N�o posso ficar, vou chegar tarde ao trabalho.
Adeus, pap�.
Sam, n�o, est�s b�bado.
�s meu chefe e meu amigo, mas nada mais.
Bom dia, Dr. Richardson.
Como est� hoje?
Estou bem.
E voc�?
Est� tudo bem?
Nunca estive melhor.
Tudo bem, ent�o.
Os seus primeiros pacientes est�o � sua espera na sala tr�s.
�s o Tim, certo?
Sou o Dr. Richardson.
Como te sentes hoje, Tim?
Vamos deixar-te bem e confort�vel.
Relaxa.
N�o te preocupes, Tim.
Esta n�o � a primeira vez que sou dentista.
Tudo arranjado.
Ele poder� ter alguma dor prolongada durante alguns dias,
mas em breve estar� s�o como um p�ro.
Obrigado.
Posso acompanhar a rotina deles
por tanto tempo, que at� cansa o esp�rito.
Preciso de pausas.
Conduza.
Siga aquele carro cinzento.
Desculpe, aonde?
Siga o carro cinzento.
Quer que siga o carro daquela senhora?
Pois, n�o vou fazer isso.
� suspeito como tudo, meu.
Esque�a.
Tenho tentado descobrir,
a nova morada dela h� quase um ano.
Os filmes sempre foram uma grande parte da minha vida.
Estar naquela sala escura,
� como um processo de cura.
Purifica-me a cabe�a, ajuda a acalmar as vozes.
Podes calar-te?
Porque � que as gaivotas vivem perto do mar?
Porque � a� que encontram peixe.
N�o, porque se vivessem perto da ba�a
eram bagels.
Essa foi boa.
Foi t�o m�.
Pronto, � a tua vez, querida.
Ele transformou-se num macaco e depois...
E depois o qu�?
Comeu todas as bolachas do mundo.
Meu Deus.
Na verdade, s� tenho uma coisa tang�vel
deixada pela minha verdadeira fam�lia.
Um resultado constante.
O resto s�o s� mem�rias.
Vi-te aqui ontem � noite, certo?
Acho que estavas com uma mi�da mais nova.
Sim.
N�o sei o que me passou pela cabe�a.
Suponho que ela n�o era a tua mulher.
N�o, chamar-lhe-ia antes, um lapso moment�neo de julgamento.
N�o penso cometer esse erro novamente.
Estava a afastar-me da minha fam�lia.
�s vezes, preciso de uma escapat�ria.
Aonde vais?
Sam!
Pois, eu tamb�m pensava assim.
Mas, nunca me apercebi do qu�o errado isso era.
Tu am�-los, certo?
Sim, eu amo-os.
Ent�o, certifica-te que voltas sempre para eles.
� o mais importante.
Eu tive um filho e um marido.
E senti-me da mesma maneira que tu, muitas vezes.
Mas, se pudesse voltar atr�s
passaria o tempo todo com eles,
pois esse tempo � passageiro.
O que aconteceu?
N�o queiras ouvir a hist�ria.
N�o � uma feliz.
N�o � uma noite feliz.
Nem sequer uma happy hour.
O meu filho, Taylor...
Faleceu.
H� uns anos.
Tinha complica��es com tosse convulsa,
isso � coqueluche.
Tinha apenas tr�s anos.
Sinto muito.
Aprendi a lidar com isso, o melhor que pude.
Desculpa.
De qualquer forma, ele faleceu.
E era s� o Richard e eu.
O meu marido e eu.
E...
Foi muito dif�cil.
Mudou algumas coisas.
E numa noite, cheguei a casa
e vejo o Richard a p�r a mesa para o jantar.
E tinha acendido uma velas,
tornou-o num jantar rom�ntico,
e disse que queria que esquec�ssemos.
Mesmo que fosse s� por uma noite.
E ent�o, fizemo-lo.
Comemos e rimo-nos.
Fizemos amor.
Parecia que tinha sido a primeira vez.
Ent�o, acordei a meio da noite
e ele tinha sumido.
Simplesmente sumiu-se.
N�o havia rasto dele.
Foi como se ele desaparecesse.
Penso que foi demasiado para ele
e teve que ir embora.
Acho que aquela noite
foi a maneira dele se despedir.
Posso pagar-lhe a pr�xima bebida?
Sim.
Sim.
Obrigado.
Ent�o, e sobre ti?
Qual � a necessidade da escapat�ria?
Tenho medo.
Tenho medo.
Realmente n�o sei, o que faria se ficasse.
�s vezes, pergunto-me o que � melhor para eles.
Consideras-te uma boa pessoa?
Nem sei se me considero uma pessoa.
A quest�o �, ser bom tem import�ncia?
Tem mesmo import�ncia.
Coisas m�s acontecem sempre �s boas pessoas.
Pois, acontece.
Mas sabes o que eu acho,
que o mais importante � garantir
que tu n�o fa�as coisas m�s a ti pr�prio.
A coca�na cumpre a sua fun��o,
mas mesmo assim � coca�na.
Faz o que a coca�na faz.
Ingeres quando queres refugiar-te de ti mesmo.
O qu�?
Sam?
� muito tarde, o que se passa?
Preciso de algu�m para falar.
N�o sabia mais a quem ligar.
O que se passa contigo?
Ontem, foi mau o suficiente, mas hoje, sa�ste do escrit�rio
sem dizer uma palavra.
Tivemos que remarcar meia d�zia de reuni�es.
Est�s metido em sarilhos?
N�o, nada disso.
Tive uma noite p�ssima com a Mary,
e ela mandou-me embora.
Sam, sinto muito ouvir isso.
Podes vir ter comigo?
N�o quero estar sozinho, neste momento.
C�us, Sam, a s�rio?
Lamento muito aquilo de ontem � noite.
Cometi um erro.
Prometo que n�o tentarei algo assim, novamente.
Preciso de uma amiga, neste momento.
Por favor.
Est� bem.
O Tommy j� adormeceu, eu passo j� a�.
Ainda est�s com ele?
Sim, tu sabes isso.
Morada?
Tens uma caneta?
Est� aberta.
Antes de entrar,
s� quero dizer que n�o me sinto confort�vel com isto.
Somos amigos e tal,
mas isto � muito exagerado.
Vir a um motel a meio da noite.
Se tentares algo, saio logo porta fora, percebeste?
Percebido.
Al�m disso, quero falar sobre um aumento.
Porque � que o quarto est� t�o escuro?
Onde raio est� o interruptor?
Vem c�, Rachel.
Sam?
Est�s bem?
Sam, parece que exageraste um pouco, certo?
Sam?
Isto doeu mais do que o habitual.
Parece que estou a morrer.
Mas isto n�o chegar�.
Provavelmente, ela tem acesso a antibi�ticos.
Ol�, Tommy.
Aonde foste?
Estamos a meio da noite.
Senti uma enxaqueca.
Ent�o, fui at� � farm�cia, eu j� volto.
Podes trazer-me uns cigarros?
J� estou a caminho, desculpa.
At� j�, est� bem.
�s tu, Frank?
N�o te vejo muito por aqui, ultimamente.
Por�m, tenho visto o fumo.
O que est�s a queimar?
Algo que tem um cheiro meio estranho.
� a Colleen.
� teu, o carro estacionado aqui fora?
Ol�.
�s a neta do Frank?
Porra.
Tommy?
Golpe de sorte, ele foi para casa.
Ol�.
Ol� rapaz, como vai isso?
Espera.
U�sque com gelo.
Caramba, algu�m est� � procura de sarilhos, hoje?
� assim t�o �bvio?
Esse vestido neste bar,
n�o � preciso um doutoramento.
Est�s fant�stica, mas...
Obrigado, s� estou a passar tempo.
Vieste ao s�tio certo,
porque � aqui que o tempo morre.
O que te traz aqui, hoje?
Estou aqui quase todas as noites, certo, Jen.
N�o consigo fazer grande escrita em casa.
O sil�ncio deixa-me louca.
�s escritora?
N�o diria tanto, mas,
eu gosto e ajuda-me a resolver algumas coisas.
No que est�s a trabalhar?
Num livro.
Sim, eu sei.
Impressionante.
Quanto tempo at� estar acabado?
N�o fa�o a m�nima ideia.
Estar�...
Estar� terminado quando se sentir terminado, entendes.
A minha...
A minha terapeuta sugeriu que escrevesse os meus pensamentos,
para me ajudar a superar.
E n�o ficar descontrolada, penso eu.
Sou a Julia, j� agora.
Drew.
Prazer em conhec�-la.
O prazer � todo meu.
Vi-te aqui na outra noite?
Acho que com um senhor mais velho, ou algo assim.
Sim, tens uma boa mem�ria.
Sim tenho, eu e os elefantes.
N�o, � este s�tio, nunca parece mudar,
s� as pessoas.
Por isso, venho muito aqui,
e costumo reparar nas caras que se destacam.
Pois, � o que me agrada deste s�tio.
O que tem?
Muito se pode dizer por coer�ncia,
quando n�o se tem mais nenhum lado na sua vida.
Sim. Am�m a isso.
Sa�de.
Sa�de.
Sa�de.
D�cadas se passaram,
e este s�tio ficou na mesma.
Lembro-me nos anos 70 quando...
Espera, espera, desculpa.
Tu, anos 70?
Pareces ter 20 anos.
Considera-me uma alma antiga, ent�o.
Sabes que tens olhos tristes?
O qu�?
Sim, tens olhos tristes.
Penso que n�o est�s aqui para te divertires, hoje.
N�o sei o que �, mas,
n�o est�s aqui para te divertires.
Sabes que mais?
Toma.
Vou dar-te um cart�o, toma.
A morada do meu escrit�rio.
Desculpa, sou conselheira.
A morada do meu escrit�rio est� a�.
E se precisares de algu�m para falar, sobre qualquer coisa,
depois de hoje, liga-me, est� bem?
Obrigado.
Ela sabe que n�o sou sinistra nem algo do g�nero.
Posso pagar-te uma bebida?
Ol�.
Sim, podes.
E � assim que me retiro, vou indo.
Por favor, podes sentar-te no meu lugar.
Diverte-te.
Est� bem.
Jen, d�s-me outro, por favor?
Ent�o, bebida?
Claro, u�sque com gelo.
Obrigado.
� engra�ado teres pedido u�sque com gelo,
era a bebida favorita do meu antigo treinador.
Na pr�-�poca e na �poca.
Gostas de futebol?
N�o.
Eu adoro.
Maldito futebol universit�rio, em 2007.
Estou a aborrecer-te?
Nem um pouco.
Pronto, como estava a dizer.
Receber l� em baixo, na linha das 15 jardas,
volto para a direita...
De que raio est� este idiota a falar?
Que parvalh�o.
Na linha das 15 jardas e tudo...
Viro-me para dentro e caio.
DESCOBERTA MACABRA NUMA QUINTA EM UXBRIDGE
POL�CIA � PROCURA DA SUSPEITA
MULHER ENTRE OS 20/30, CABELO E CASACO ESCURO N�O SE APROXIME ARMADA E PERIGOSA
Sabes, a linha das 15 jardas do lado deles.
Grande placagem.
Talvez ele seja �til, afinal de contas.
Tenho de ir � casa de banho, volto j�.
Queres sair daqui?
J� fui v�rias vezes mulher,
nada disto � novo.
Admito, �s vezes, eu at� gosto.
O que se passa?
O que �?
�s vezes...
N�o � nada.
Est� bem.
Queres coca�na?
Pensei que nunca mais perguntavas.
Manda vir.
Podemos abrandar um pouco?
Queres tanto isto quanto eu.
Por favor.
N�o sejas t�o provocadora.
Sai de cima de mim!
Socorro, algu�m chame a pol�cia.
N�o te preocupes, a pol�cia est� a caminho.
Acabei de lhes ligar.
A maior parte dos pol�cias desta cidade
n�o consegue encontrar uma agulha num balde de agulhas.
Ser�s como eles,
quando te aperceberes que � melhor ficar quieto.
Rachel, sei que est�s aqui!
Rachel!
Como � que sabias onde eu estava?
Uma regra que me mant�m a respirar.
O namorado de uma suspeita de homic�dio,
n�o � a altura certa para o ser.
O seu dia de sorte.
Rachel!
Rachel!
Continuo a iludir-me se continuar assim.
Se estou a ficar sem tempo, devia enfrentar os factos.
A coisa certa a fazer � dizer-lhe a verdade, e acabar com isto.
Porra.
Quem �?
Entrega!
S� quis ligar,
para dizer que me diverti muito no almo�o de hoje.
Espero que isto n�o pare�a excessivo, mas,
n�o consigo parar de pensar em ti.
Ol�.
Sim, estou aqui.
E sinto-me lisonjeada, Robert.
Mesmo a s�rio.
Pronto, podes dar-me um segundo, por favor.
Eu gosto de ti.
Muito.
E quero voltar a ver-te.
Num s�tio, onde podemos estar sozinhos.
Est� bem.
Est� bem?
Sim, est� bem.
Na tua casa ou na minha?
Vamos para tua casa.
Portanto, isto � a minha casa.
Sei que � um pouco b�sica.
Simplesmente, n�o sei...
Perdi o gosto de me preocupar com o design, suponho eu.
Vou p�r uma m�sica.
Queres fazer as honras da casa?
Sim, claro.
Bem feito.
Eu costumava ser barman.
Numa vida passada.
Bem, impressionaste-me.
Sa�de.
A que podemos brindar?
J� sei.
�s possibilidades.
Agora e sempre.
Sa�de.
H� algo familiar em ti.
N�o sei o que �, mas...
Penso que quando duas pessoas t�m uma liga��o,
uma verdadeira liga��o.
H� familiaridade e conforto,
que a provoca.
Achas que � isso que temos?
Uma liga��o?
N�o, acho...
Acho que somos almas g�meas, tu e eu.
Sim.
S� ouvi quando o disse.
Foi terr�vel, desculpa.
Tudo bem, e o que...
O que duas pessoas, sendo elas mesmo, quereriam neste momento.
Ligavam-se.
Cara�as.
O que aconteceu?
Cortei-me, est� tudo bem.
No qu�?
Fui contra um prego, estou bem.
Foste contra um prego?
Fui contra um prego.
Est�s bem?
Estou perfeito.
Est� a queimar.
� muito o meu g�nero.
� uma iguaria.
Fazer o pequeno almo�o?
Sim, espero que n�o te importes.
Estava com a impress�o,
que n�o tens sido tratada assim muitas vezes.
Quero mudar isso.
�s muito gentil.
Costumava odiar ficar sozinho no natal.
Odiava ficar sozinho.
A dada altura apercebi-me,
pelo menos, em rela��o �s pessoas,
a qualidade � melhor que a quantidade.
Sempre.
Tive um c�o quando era crian�a.
Adorava-o do fundo do cora��o.
Quando morreu, a minha m�e disse-me,
que � assim que as coisas s�o.
De que tudo acaba.
Nada � permanente.
Tanto quanto queiras que seja.
N�o queria acreditar, na altura
mas o tempo mostrou-me o qu�o certa ela estava.
Os momentos � que importam,
e eles s�o passageiros.
Desenvolvimentos na descoberta macabra,
do que est� a ser chamada de "Quinta da Morte".
Como o resto das dezenas de v�timas,
que foram recuperadas at� agora.
At� ao momento, apenas seis v�timas foram identificadas.
Embora as buscas pela precedente suspeita,
Rachel Martin foram canceladas,
quando os inspetores encontraram o seu corpo entre os mortos.
O corpo foi encontrado...
Quando uma moradora local, Pauline Baker...
O que est�s a fazer? Notou uma atividade suspeita.
Porque est�s a ver estas coisas?
J� n�o chega a maldade no mundo,
tens de ver estas invas�es
sensacionalistas �s trag�dias das pessoas.
� t�o pr�ximo daqui.
Pois, mas como � que eles p�em isto assim na televis�o.
Fazem parecer que � a um milh�o de quil�metros,
como um filme ou assim.
N�o, n�o desta vez.
Reconhe�o algumas dessas pessoas,
que eles identificaram.
Falei com elas no bar.
Pronto.
Sabes que mais.
Acho que prefiro concentrar-me no aqui e agora.
Isso � o que importa, certo?
� t�o assustador.
N�o deixarei que nada de mau te aconte�a.
Prometo.
Achas que o tr�nsito vai estar mau?
N�o sei.
Esta cidade � t�o pequena,
que nem consegue suportar a popula��o que tem.
Deverei estar pronta em breve.
Acho que estamos bem.
Est� tudo bem a�?
Robert?
Estou �timo.
Estou �timo.
Eu j� saio.
Sentes-te bem?
Sim.
N�o me toques.
Porqu�?
Est�s bem?
Confias em mim?
Sim.
Claro que sim.
Preciso de te contar uma coisa.
� melhor te sentares,
vai facilitar as coisas.
Do que est�s a falar?
Est�s a assustar-me.
Pronto, por favor, podes fazer isso por mim?
Podes ir sentar-te.
Ent�o?
O que �?
Est� bem.
�s a �nica pessoa a quem eu contei isto.
Quando tinha 12 anos,
fui o respons�vel pela morte da minha m�e.
Eu era jovem.
Na altura, n�o sabia.
Mas, foi um acidente.
Sentes-te respons�vel?
Isso foi h� muito tempo.
Pois.
Foi em 1954.
O qu�?
Sou mais velho do que aparento.
N�o �s, espera, nada disso faz sentido.
Eu sei.
Quando a assumi, a minha m�e.
Eu vi...
N�o, estou enganado.
Eu senti.
Lembrei-me...
Lembrei-me da maneira que ela me amava.
Esse amor t�o puro.
Nunca senti nada assim em toda a minha vida,
e nunca mais senti.
At� h� uns anos atr�s.
Pois.
Eu assumo as pessoas.
� isso que eu sou.
�...
Tornei-me noutra pessoa.
H� uma mudan�a que acontece dentro de mim
e se n�o encontrar algu�m a tempo, mata-me.
Sei que vai.
Vai matar-me.
O que queres dizer com o "assumir"?
O que assumes?
Tudo.
A sua voz, a forma, a apar�ncia, as mem�rias.
Os desejos e os sonhos,
tudo o que torna algu�m uma pessoa, eu assumo.
E mantenho-a, para sempre.
Est�o todas aqui.
Nada disso est� a fazer sentido.
Porque est�s a dizer essas merdas estranhas?
Eu sei, sei que parece estranho,
mas � a verdade, juro por Deus, Julia.
Vou indo para casa.
Espera.
Pensei que finalmente tinha encontrado algu�m normal.
Agrade�o-te, por isso.
Espera, ainda n�o te contei a hist�ria toda.
Por favor, espera.
N�o quero ouvi-la.
- Espera. - N�o quero ouvi-la.
Tenho os meus pr�prios problemas, n�o preciso dos teus.
Conhe�o-te h� muito mais tempo do que pensas.
Eu j� te amava h� muito mais tempo.
Jesus Cristo.
Na outra noite,
foi a primeira vez que te disse o meu nome verdadeiro.
Sou o Drew.
Sou o Drew.
Sou eu.
De que raio est�s a falar?
Que...
Antes de ser o Robert, j� te conheci uma d�zia de vezes.
Como assim, "antes de seres o Robert"?
Eu j� te disse.
Eu assumo as mem�rias deles.
Est�o todas...
Foi assim que me apaixonei por ti na primeira vez.
Eu vi-te, e o amor que o Richard tinha por ti.
N�o.
Na segunda vez,
a segunda vez que senti amor puro,
foi no amor que ele sentia por ti.
O amor que o teu marido sentia por ti.
Depois disso,
depois de saber do que precisava para te fazer feliz.
- Precisava de fazer... - C�us.
Precisava de fazer tudo ficar bem.
Precisava de fazer tudo bem.
N�o tenho a certeza do que isto �.
A primeira vez que fizemos amor,
senti uma grande liga��o a ti.
Toquei aquela m�sica do Lou Reed.
Aquela m�sica do Lou Reed que tu adoras.
Foi perfeito.
Sei o que sentes, sei que sabes que sou eu.
Senti-me terr�vel ao saber que ele te deixou.
Que eu tive que te deixar.
Nunca te disse nada sobre o Lou Reed.
Eu estava l�, sou eu.
Eu estava l�.
Sabes?
Sabes algo sobre o Richard?
Sabes onde ele est�?
Onde est� ele?
Ele est� na quinta.
Naquela a norte da cidade, aquela das not�cias.
Quem �s tu?
N�o sei.
N�o sei.
N�o sei.
N�o sei quem sou.
Nem sei quem sou.
Tentei descobrir isso...
Tentei descobrir isso h� uns anos atr�s.
H� umas hist�rias,
h� umas lendas da cultura nativa,
sobre metamorfose, pessoas que s�o assumidas.
Pronto, isso n�o interessa agora.
O que interessa �...
O que interessa � que tens que perceber
que isto nunca foi nada pessoal.
Nada disto foi pessoal.
Foi pela minha sobreviv�ncia.
Por todas as pessoas que eu assumi...
As que mataste, queres tu dizer.
N�o.
N�o est�s a entender, n�o est�s a entender.
Porque n�o est�s a cooperar?
Porque n�o colaboras?
Robert.
Robert.
H� alguma maneira de perceberes?
Drew.
� Drew, certo?
Quero que me deixes ir agora, est� bem.
Vou indo.
N�o, querida.
S� quero ir-me embora.
Eu nunca te magoaria.
C�us, Julia, eu amo-te.
Eu amo-te e eles n�o est�o mortos.
O teu marido n�o est� morto.
Para.
- Credo. - A� mesmo.
Est� bem.
Estou a falar a s�rio.
Porque n�o entendes?
C�us!
Est� tudo bem.
Julia, est� tudo bem.
Est� tudo bem, eu amo-te.
N�o.
Eu amo-te... Estou aqui para ti.
Est�s a gozar comigo!?
Tens de te afastar pois n�o consigo controlar isto
assim que come�ar, e n�o te quero magoar.
Sabes que mais, vai-te foder!
N�o, n�o fa�as isso!
Desculpa.
N�o te queria magoar.
S� queria estar perto de ti.
Est�s bem, Julia?
Jen.
Fico muito agradecida por tomares conta de mim,
nestes �ltimos anos.
Significa muito mesmo.
Passei a vida inteira
� procura de respostas.
Mas, l� no fundo, sempre soube
que eu era o �nico que podia parar isto.
N�o estou morto.
Como � que n�o morri?
Mas que raio?
O que sou eu?
A minha m�e uma vez disse-me que nada dura para sempre.
Tudo acaba.
Creio que talvez ela n�o estivesse inteiramente certa.
As escolhas que fazemos deixam ecos.
O sentimento de culpa permanece sempre nas nossas vidas.
Podes culpar a tua educa��o,
as ideias erradas que tinhas sobre quem tu eras,
e como funcionava o mundo.
Culpa o qu�o errado estavas sobre tudo.
Tentas fazer melhor,
mas a culpa permanece.
Aquela pequena voz no fundo da tua cabe�a.
Come�as com um sussurro e acabas construindo um coro.
Em crescimento at� n�o sobrar nada
de quem tu eras.
At� n�o te lembrares de quem deves ser.
Ou talvez nunca houve nada de ti, desde o come�o?
Talvez nunca soubeste quem eras, verdadeiramente.
Legenda: SpyderMann
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