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O problema dos reflexos � que a maioria diz a verdade.
Deus escolheu-me para ser rei.
Por�m, eis-me continuamente fragilizado.
As pessoas ainda n�o vos veem como deveis ser visto, Sire.
Ver�o.
O que quereis de mim, Montcourt?
Num aguaceiro, procura-se abrigo sob a �rvore de maior porte.
No norte, n�o h� ningu�m mais forte, ningu�m mais poderoso,
ningu�m mais determinado do que o poderoso carvalho, Cassel.
Sou um refugiado deste dil�vio real e preciso de prote��o, Meu Senhor.
- Sou um vosso criado. - Criado...
Contemplai o direito divino dos reis e as suas d�divas.
� esta a nova lei do vosso rei,
que ataca a dignidade de um verdadeiro nobre,
que mancha a reputa��o de um homem cuja fam�lia forma a base deste pa�s.
N�o h� muito tempo, sab�amos em que p� nos encontr�vamos,
mas agora temos de dar provas, temos de oferecer algo em troca,
agora o rei diz "A Fran�a sou eu", mas eu digo que n�s � que somos a Fran�a.
A situa��o do nosso caro amigo Montcourt � uma mensagem.
O rei ter� a sua resposta.
O rei est� obcecado com esse seu novo recreio na floresta.
S� v� Versalhes. Esqueceu-se de quem construiu este pa�s.
Se lhe retirarmos esta nova distra��o, talvez o rei recupere,
e Versalhes possa regressar �s ervas daninhas, o rei a Paris e n�s
�s nossas terras e �s nossas vidas.
Uma nobre causa, de facto.
Persuadir�eis o rei pela for�a?
Ele perdeu o ju�zo. De nada servir� um apelo � raz�o.
O futuro de Fran�a est� nas suas fam�lias nobres.
Desejais a minha prote��o, Montcourt?
Sirvo Vossa Senhoria com a minha vida.
Servis, de facto.
Que tipo de homem achais que sou?
- Sire? - Sou misericordioso?
- Se o desejardes. - Vingativo?
- Se as condi��es o merecerem. - Tudo, ent�o, para todos?
De forma equitativa e sem condi��es.
Como rei. Pergunto como homem.
Sois ambos. N�o podemos separar um do outro.
Ao enviar o meu irm�o para a guerra, fa�o-o como rei.
Se ele morrer nela, chor�-lo-ei como homem.
� como homem que serei bem visto pelos outros.
- Como rei, n�o. - Sois sempre bem visto por n�s, Sire.
Achais que Montcourt sente o mesmo?
Um rei ser� mal visto tanto por bons como por maus feitos.
O casaco assenta-vos bem, Sire.
N�o gosto deste espelho.
Produ��o
_____ I I I _____
Argumento
Realiza��o
Ora, ora! Majestade!
- Meu caro Rohan, voltastes. - Vedes? Fa�o sempre o que mandais.
- Tive saudades vossas. - Igualmente.
H� aqui mais mulheres bonitas do que recordo.
A mem�ria falha-vos, amigo. Envelheceis.
- S� posso ser como sou. - Isso j� eu sei.
Mas aprendi a li��o e volto redimido, renovado e ao vosso servi�o, Sire.
- Vi a planta do est�bulo. - E?
Ou estais a ca�ar em grande quantidade
ou estais a construir algo completamente diferente.
- Um pal�cio, talvez? - Uma cidade.
Desejo-vos sorte, cavalheiros.
A Fran�a agradece-vos.
Como est� a minha rainha?
Muito melhor, obrigada.
Mudai de roupa.
A �poca de luto j� passou. Retomareis os vossos deveres oficiais.
- Assim farei. - Teremos um convidado na corte.
Receb�-lo-eis pessoalmente.
Enchei-o de aten��es, com a vossa...
... habitual cordialidade e eleg�ncia.
Quem � essa pessoa, para que prepare a conversa?
Ser�o espanh�is, por acaso?
O Pr�ncipe Aniaba.
Dou-vos a minha palavra.
Dela dependo.
Sire, se me permitis,
creio que Sua Majestade j� encontrou o nosso visitante uma vez.
Sim, em Paris.
Ent�o porque for�ais a rainha
a novo encontro privado com ele?
As terras de �frica s�o um quarto trancado
e o nosso Pr�ncipe Aniaba pode ter a chave.
Soubemos pelos nossos mission�rios no rio Senegal
que h� riquezas incomensur�veis nestas regi�es.
A sua gente e o seu com�rcio ser�o as bases do nosso futuro
e financiar�o mil guerras, cem pal�cios.
Ent�o temos de conquistar �frica.
E s� resta saber como.
E a rainha?
Est� a ajudar-nos.
- Que tal estou? - Eu pr�prio vos vesti.
Como achais que acho que estais?
Por falar nisso, quem p�e um an�o num dreno?
Como assim?
Se o homenzinho estava triste, poderia t�-lo feito sozinho.
Ou ter-se-� a rainha fartado dele?
Talvez estivesse a tentar consertar as fontes do rei
e a cair de novo em boas gra�as e enfiou-se l� como uma rolha,
s� para vir � tona a flutuar e assustar os jovens.
Tendes demasiado tempo livre.
Dever�eis ir comigo para a frente de batalha.
Estais a convidar-me para uma guerra? Que rom�ntico!
- Estais louco? - N�o � uma guerra qualquer.
� a minha guerra.
O vosso irm�o diz uma coisa e faz outra. N�o tenhais grandes expetativas.
Por�m, se chegardes a ir, ficarei aqui, naturalmente,
para me assegurar de que o vosso lugar na corte est� seguro.
Ai sim?
Sois muito generoso em assegurar o meu lugar!
- Estais bonito. - Eu j� lhe disse.
Por acaso, n�o dissestes.
Marido, h� novidades?
Ainda n�o.
Bontemps!
Bontemps!
Tenho uma espada, uma armadura e um cavalo.
Porqu� a demora? Quando irei para a guerra?
O rei ainda n�o marcou uma data.
O que devo fazer entretanto?
Talvez ele vos mande no lugar dele.
- Ficaria feliz por servir, claro. - Naturalmente.
Achais que ele n�o vos v� exatamente como sois?
Ele v�-me. E gosta.
Isso, minha cara, � o que nos divide.
Ao menos, quando o vosso marido partir, saberei onde vos encontrar.
Se vierdes aos meus aposentos, n�o responderei.
Naturalmente. N�o me ocorreria procurar-vos l�,
tal como n�o procuraria o rei nos aposentos da rainha.
Sei o quanto gostais de nadar.
Poderia encontrar-vos na casa da piscina, por exemplo.
Ouvi dizer que � muito popular entre os jovens amantes... da natureza.
Estais avisado, senhor.
Constantemente, minha cara.
Bela casa.
Convidado de honra do rei:
- Aniaba, Pr�ncipe de Assinie. - Filho do rei de Eguafo,
herdeiro da Costa do Marfim e Dentes,
Senhor do C�u.
O meu irm�o, Kobina.
Pr�ncipe Aniaba, acompanhai-me, por favor... sozinho.
O vosso irm�o acompanhar� Monsieur Marchal.
E os meus amigos?
Deleitar-se-�o com a hospitalidade do rei.
- � lindo. - Obrigada!
T�o bonito!
Como pode ser bonito se � negro?
Como pode n�o ser?
Sois t�o estranha!
Ouvi dizer que nas suas terras correm rios de ouro.
A que dist�ncia estamos das �rvores?
Vossa Majestade, est� cumprido o vosso pedido.
O Pr�ncipe Aniaba est� convenientemente pouco � vontade.
�timo! Fazei-o esperar.
Foi-me dito que os meus bons amigos, os Parthenay,
partiram da sua propriedade a sul e dirigem-se para Versalhes.
- A pequena Fran�oise vem? - Com o marido e a fam�lia.
Como o tempo voa!
Os Parthenay s�o bem considerados no sul.
V�m apresentar-me as suas credenciais como um exemplo para os restantes.
Certificar-nos-emos de que "La Gazette" relatar� o sucedido.
E que tal cunhar uma medalha, Colbert?
A aritm�tica pol�tica augurar� grandes feitos vindouros.
"Os grandes nobres do sul apresentam as credenciais ao rei". Bastar�.
"O rei recebe as credenciais dos nobres do sul." Soa melhor, n�o achais?
Isso � muita merda!
Mas apenas merda da melhor, dos cavalos do rei no Louvre.
Eu...
Falai. O que tendes a dizer?
� vinda para c�, atrav�s da floresta,
encontrei um velho a cozinhar uma ratazana junto a um riacho.
De in�cio, pensei que fosse um vagabundo, mas...
Mas reconheceste-lo?
Da corte de vosso pai.
Lutou contra ele.
Durante a revolta?
Pois, se tivessem sido bem-sucedidos...
Estar�eis morto.
Um dia gostaria muito de saber mais sobre o meu pai.
Bom dia, Pr�ncipe Aniaba.
Bom dia,
Alteza.
� um prazer ver-vos novamente.
O que tendes?
Tremeis.
Por muitas raz�es:
v�s, n�s, ele, o Chevalier.
O Chevalier faz-vos tremer?
Ele assusta-me. A forma como me olha,
a forma como fala de v�s e de meu marido.
Lembrai-vos de quando t�nheis 16 anos?
Pisastes uma rosa.
O vosso p� sangrava.
Beijastes-me os dedos do p�.
Mandei embora a dor?
Num instante.
Nada mudou.
E farei com que sempre assim seja.
Os vossos bra�os protegem-me agora, mas quando estou sozinha com ele...
N�o tendes de vos preocupar...
... no que ao Chevalier diz respeito ou ao vosso marido.
Sou o vosso porto seguro.
Proteger-me-eis das ondas?
Mesmo quando baterem em n�s.
Mesmo quando a mar� me levar.
Ele est� pronto para v�s.
Quereis acompanhar-me, por favor?
Pr�ncipe Aniaba de Assinie, sois bem-vindo � minha corte.
Versalhes � mais belo do que poderia imaginar.
Permiti que vos apresente o meu irm�o, Filipe, Duque de Orle�es,
a sua esposa, Henriqueta de Inglaterra,
Colbert, meu ministro de Estado,
Mademoiselle de la Valli�re.
J� conheceis a minha esposa.
Quando dei uma festa aqui h� alguns anos,
n�o tivemos espa�o para acomodar os meus amigos.
A maioria teve de se instalar na cidade,
por isso estou a construir acomoda��es:
400 apartamentos, no total.
Onde est�o os trabalhadores?
Est�o, de momento, ocupados com as fases de planeamento
de uma parte particularmente perigosa da constru��o.
Poderemos voltar amanh� para os vermos ocupados a trabalhar.
Agradar-me-ia muito.
- Falai-me dos pa�ses de �frica. - Quando negociamos?
Pr�ncipe Aniaba, em Fran�a fazemos as coisas de outra forma.
Talvez eu tenha cometido um erro.
Talvez devesse falar com os holandeses, os espanh�is, os ingleses.
Todos desejam falar do futuro.
A nossa hospitalidade n�o vos agrada?
H�-a em abund�ncia.
E ainda mais, como vereis hoje � noite.
O que acontecer� ent�o?
Ent�o, sentar-me-ei convosco.
N�o tenho explica��o.
Lamento profundamente, Monsieur Marchal.
Metade da remessa perdida e quatro homens mortos.
O rei perdeu ouro, m�rmore, pedra e vinho.
Est� a tornar-se habitual.
A apar�ncia � tudo.
Tudo!
N�o entendeis? Algu�m tem prestado aten��o ao que eu digo?
Ele � meu convidado
e a sua roupa � mais esplendorosa do que o meu pal�cio.
Uma remessa de m�rmore e pedra desapareceu no caminho, Sire,
e, naturalmente, os homens n�o podem trabalhar sem mat�ria.
Desapareceu? O m�rmore meteu-se sozinho pela floresta dentro?
H� ladr�es na estrada, Sire. Sempre houve.
Achais que foi um vulgar ladr�o? Isto foi organizado! � sabotagem!
Quanto mais constru�mos, mais precisamos.
Quanto mais precisamos, maior n�mero de bens transportamos para Versalhes
e mais normais se tornar�o estes momentos.
E estes momentos geram movimentos,
que n�o tardar�o a incendiar-nos as terras.
N�o poderemos construir sem alicerces.
- Sire... - A estrada do rei � sacrossanta!
Terreno sagrado! Protegido e seguro!
E se n�o o for, ent�o o tecido do pa�s est� rasgado,
e ningu�m saber� onde se encontra.
Quem fez isto declarou-nos guerra.
Levarei os meus homens e colocarei patrulhas na estrada.
- De imediato. - Sim, Sire.
Esperai!
Contramandais Sua Majestade?
Com a guerra � porta, n�o temos homens suficientes.
Proteger o rei � a nossa prioridade.
Eu tratarei das estradas.
Certificai-vos de que os vossos homens s�o de qualidade.
Ser�o os meus olhos e os meus ouvidos.
O meu nome � Madame de Beauvais.
Fui enviada pela vossa m�e.
Sou a vossa nova professora.
O que me ensinareis, Madame de Beauvais?
Tratai-me por Catherine.
Quereis que mande os trabalhadores de volta aos andaimes, Sire?
Sim.
Sim, claro.
- Mesmo que finjam trabalhar. - Sire?
Onde est� o meu irm�o?
O nosso visitante inspirou-me.
Acho que preciso de mais cor.
Como nos vestimos para a guerra?
O p�rpura...
- ...ou o vermelho? - O vermelho, claro.
- Gosto do p�rpura. - Eu tamb�m.
Por isso eu disse o vermelho.
Filipe, quando partirdes,
por favor certificai-vos de que voltais.
- N�o posso prometer isso. - Dizei as palavras.
Se eu morresse a vossa vida seria simples, n�o seria?
Os meus problemas nunca se resolver�o. Sabei-lo.
E, em todo o caso, preferia que n�o morr�sseis.
Dizeis as coisas mais doces, boneca.
E a s�rio.
Desde a nossa meninice,
o meu sonho tem sido a guerra.
O vosso tem sido o meu irm�o.
Vede como temos sorte.
Talvez, um dia, vivamos ambos os nossos sonhos.
Podemos ter guerra ou podemos ter esplendor,
mas n�o creio que possamos ter ambos.
Ent�o ter� de ser a guerra.
Todos os que vos rodeiam sorrir�o e negociar�o,
mas todos querem a vossa destrui��o, Sire.
V�s sois o rei do nosso futuro.
A �nica quest�o �: de que tipo ser�?
Sonhais com o para�so,
mas tendes de ser v�s a constru�-lo.
Vestiram-me assim desde os tr�s meses de idade,
para n�o ensombrar o sol.
Am�m.
Pensei que se desse in�cio � minha partida, a aprov�sseis.
Creio que j� me aben�oastes o suficiente. Obrigado.
N�o entendo.
Espero pela vossa palavra, irm�o.
E quando n�o consigo mais esperar, pe�o ajuda ao meu Deus.
Qual deles sois?
Sou capaz de ser um cavalo.
Pelo menos, � o que me constou.
Irm�o...
Quereis que fale a s�rio.
Ficai sempre perto do vosso guarda.
Partis hoje.
Trar-vos-ei gl�ria.
Juro-vos.
Que Deus olhe por v�s e vos traga para casa em seguran�a.
Ide, ent�o.
Correi para ela.
Tendes a minha b�n��o.
Sabe Deus que n�o precisais de um padre para isso.
- Sophie, minha cara... - Sim?
A vossa ajuda, por favor. Um dilema moral.
Farei o meu melhor.
Se algu�m que eu adoro foder outra pessoa sem o meu consentimento,
n�o ser� certo e justo, para que a paridade seja restabelecida,
que eu foda algu�m da minha escolha?
Tentei falar com o Bispo Bossuet, mas mostrou-se muito reservado.
- Eu... - Sophie, n�o respondais.
Mas ela tem a resposta. Vede! Est�-lhe estampada no rosto.
Chega de provoca��es!
Dev�amos agradecer aos c�us. S�o tantas as fam�lias expulsas da corte.
Nenhuma tinha os documentos necess�rios.
Mesmo assim, suponho que n�o tinham quem respondesse por elas.
S�o essas as leis a que agora temos de obedecer.
Bem, ao menos, temos o nosso Chevalier.
E porque estais a ser t�o simp�tica comigo?
Loucura minha! L� no fundo sei que nos usareis e enxotareis como aos outros.
Naturalmente!
Mas olharei por v�s no meio de toda esta loucura. N�o receeis.
Sobretudo v�s, minha linda.
Sophie!
Vinde imediatamente!
Passai-me essa esp�tula!
A mistura est� muito espessa. Juntai-lhe �gua.
Sophie.
Ela chama-se Sophie.
Ora a� est� um desejo de morte.
Mais vale morrer por algo em que se acredita, certo?
Como dissestes que vos cham�veis?
Beno�t, senhor.
Jacques.
O que faz um jardineiro aqui em cima?
A vista ajuda-me a medir as linhas do jardim.
E as mo�as que nele se passeiam.
Tende cuidado com isso.
Pensai no vosso futuro.
� o que fa�o.
Se os vossos amigos, os Parthenay, forem t�o relevantes como creio,
quando tiverem visitado e mostrado a sua lealdade,
poderemos persuadir grande parte do sul a acatar as ordens.
Quem restar�?
O norte e o leste.
Quem me desafia l�?
O Duque de Cassel, Sire, se bem me lembro.
Ele � muito influente no norte e no leste.
Metade da nobreza deve-lhe muito.
A sua fam�lia ocupa aquelas terras desde que h� mem�ria.
Ent�o, � ele a nossa pedra angular.
Se o removermos da parede, toda a estrutura ruir�.
Se n�o o fizermos, o colapso ser� nosso.
Ele n�o considera as nossas cartas, Sire. N�o obtivemos resposta.
Enviai-lhe um presente. O meu retrato,
com um mensageiro, juntamente com a ordem de acatar as nossas leis.
Ter� de fornecer a sua prova de nobreza ou sofrer as consequ�ncias,
consequ�ncias essas que ser�o testemunhadas por toda a Fran�a.
Um mensageiro do rei.
Trazendo presentes.
Qu�o am�vel.
Quereis champanhe?
Lu�s, o Grande, ordena a vossa presen�a na corte.
Sois obrigado, a seu pedido, a apresentar prova da vossa nobreza.
� mesmo?
Devo avisar-vos, Kobina.
O rei montou um entretenimento em nossa honra,
mas n�o estamos aqui para nos divertirmos.
Desde que partamos com vida, tanto me faz.
O Chevalier �, sem d�vida, muito mais influente do que pensei.
Mas estes aposentos s�o muito mais pequenos do que os anteriores.
- Sabeis o que mais me agrada aqui? - N�o. O que �?
O ru�do. Toda a agita��o da corte.
Que tal estou?
N�o ides sair assim, minha menina!
- M�e, por favor, n�o exagereis. - Exagerar?
Isto n�o � um jogo.
� a minha tarefa, garantir que sereis v�s a captar a aten��o do rei.
Agora olhai para o espelho.
O que vedes?
Vejo-me a mim.
Esta �poca n�o � das mulheres. � dos homens.
Mas at� o mais s�bio rei poder� tornar-se um tonto por algo t�o belo.
Podereis nunca ser uma rainha, mas com isto...
... podereis viver como uma.
Acredito mesmo
que sois a mais bela de todas.
Boa sorte a todos.
Adoro o vosso perfume.
N�o estou a usar perfume.
Deve ser dif�cil ser m�e sozinha.
Fa�o o que posso.
Deve ser dif�cil estardes t�o longe de vosso marido e de vossos filhos.
A aus�ncia s� � dolorosa se a ela se referirem.
Esse vestido � muito bonito e envolve uma criatura muito bela.
Muito obrigada!
O rei deseja sentar-se comigo para negociar.
- E sentar-vos-eis. - Negociamos em p�blico?
Mandar�eis todos para a cama?
Se for necess�rio.
Tendes mulher?
- A minha esposa vive em Paris. - Convosco?
Eu vivo com o rei.
- Agora estou confuso. - Durmo onde o rei dormir.
Daqui n�o passarei.
A sua cama deve ser muito concorrida.
Irm�o, n�o somos bem-vindos aqui. � melhor retirarmo-nos.
Irm�o, as negocia��es est�o a come�ar.
Por favor, marido, n�o brinqueis com ele desta forma.
Parece-me que sei jogar este jogo.
Pelos vistos, sim!
Infelizmente, a sorte hoje n�o nos bafeja a esta mesa.
Ora ent�o, joguemos!
O que estais a fazer?
A ganhar.
Tendes um ar entusiasmado.
E um grupo de rostos preocupados pela frente.
Vossa Majestade, assuntos urgentes requerem a vossa aten��o imediata.
Espero que o vosso rec�m-descoberto �xito vos leve depressa ao nosso leito.
Cassel respondeu � vossa mensagem, Sire.
"Eis a vossa prova: uma contribui��o para o vosso nobre projeto."
Posso responder-lhe pessoalmente, Sire?
- Aconselho conten��o. - Face a insol�ncia?
Se me permitir, Sire. Enviar tropas e prend�-lo poria fim ao vosso plano.
Se puserdes Cassel na pris�o, mais vale pordes todos os nobres,
porque seria esse o resultado final.
Ao menos deixai-me ferir-lhe o rosto por este insulto que vos devolveu.
Se se cortar uma cabe�a, outra tomar� o seu lugar.
Abat�-lo ser� pedir uma guerra civil,
e vimos como isso correu bem para os ingleses.
Marido, ainda n�o estou pronta.
N�o estou aqui por dever, mas por gratid�o,
por manterdes a vossa palavra
e por mostrardes tamanha hospitalidade ao nosso convidado.
Fostes muito �til e, por isso, estou-vos grato.
Desejo dar-vos um presente.
Aceito.
O presente � um segredo.
Ainda melhor.
- A vossa filha est� viva. - Meu Deus!
Irm�o!
Irm�o, acordai! O rei quer ver-vos.
Dizei-lhe que espere.
Dizei-lhe v�s mesmo.
Por favor, vesti-vos. N�o temos muito tempo.
- Aonde vamos? - Vereis.
Sire, soubemos que a fam�lia Parthenay chegar� hoje de manh�.
E a minha afilhada Charlotte vir� com eles?
Sim, Sire.
Um pequeno raio de sol.
Estamos quase l�, Mam�?
Ficai aqui.
O que achastes do meu vinho?
O que me oferecer�eis?
Os holandeses n�o t�m a vossa hospitalidade, claro,
mas t�m dinheiro.
Onde estamos?
Uma breve paragem.
O meu jardineiro encontrou este homem por acaso.
Era um nobre que lutou contra a minha fam�lia durante a revolta.
Ele julgava-se a salvo
aqui na floresta.
Meu Deus!
Os vossos valores, se n�o vos importardes.
Conhe�o essa voz! Montcourt!
N�o!
Por favor, n�o!
Matai-a.
F�-lo-ei.
Temos de ir!
Montcourt, vamos!
- N�o tardar� a escurecer! - Ela desapareceu!
Ela morrer�! Vamos!
Porque estamos aqui?
Os holandeses t�m dinheiro, mas n�o t�m poder.
N�s temos ambos.
- Porque me trouxestes aqui? - Para terminarmos de negociar.
- Ainda nem come��mos. - Aniaba, temos estado a negociar
desde o momento em que descestes da carruagem.
- Deixais-me pouca escolha. - Ofere�o-vos seguran�a
e um rendimento justo.
Tamb�m vos ofere�o uma canhoneira para proteger o vosso porto.
Estais h� muito longe de casa e os vossos inimigos avan�am para a capital.
O meu pai tratar� deles.
Vedes esta pequena vida barulhenta perante v�s?
Um amigo chegado disse-me que o pr�prio Deus trouxe-ma por uma raz�o.
S� agora a entendi.
A sua pr�pria exist�ncia suscita uma quest�o, porque em qualquer outro pa�s,
em Inglaterra, Espanha, nas rep�blicas holandesas,
h� muito estaria morta, bem como a sua m�e.
Por�m, aqui est� ela e aqui estais v�s.
De uma coisa podeis ter a certeza.
Podereis chegar a acordo com os holandeses, os ingleses, os espanh�is.
Sorrir�o e concordar�o,
depois levar�o os seus ex�rcitos, queimar�o as vossas terras,
matar�o as vossas fam�lias e levar�o tudo o que estimais.
- Disso podeis ter a certeza. - Far�eis o mesmo.
Eu n�o. E sugiro que decidais depressa.
Um pa�s sem rei devorar-se-� a si pr�prio na guerra.
Rei?
Fomos informados de que o vosso pai morreu.
Agora sois rei.
As minhas condol�ncias, Vossa Majestade.
Majestade...
Aben�oai-me, Padre, porque pequei.
Vamos embora.
Os venezianos t�m trabalhado arduamente num novo espelho, Sire.
Esperam que este seja mais do vosso agrado.
Est� melhor.
Queimai-o.
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