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UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
Que s�tio para nos encontrarmos.
Sei que trabalha bem.
Que � discreto, meticuloso e conservador.
TR�S ANOS ANTES
Acabei de receber uma mensagem do Bernal.
Est�o a caminho.
Acabou o Agente H.
Anda, vamos l�.
De joelhos.
Mata-me.
Anda l�, cobarde, mata-me.
Est�s com medo?
Mata-me, sacana!
Se me vais matar, olha-me nos olhos, porque est�s a matar um homem.
Mata o teu irm�o e diz � Josefina o que fizeste.
Anda l�. Vai dizer � Josefina.
Achas que os homens que matei eram peixe mi�do?
S�o os mesmos sacanas que mataram a Ana.
Esqueceste-te da Ana, filho da puta? Esqueceste-te da Ana?
Mata-me! Mata-me, sacana, anda l�!
Mata-me, anda l�, filho da m�e! Mata-me!
Boa tarde. O seu telem�vel, por favor.
Bem-vinda.
Pode ir, a senhora est� � sua espera na sala. Por ali.
Por aqui.
�s meu irm�o?
Fizeste tudo mal.
Eu desgracei-me por ti.
Mas tu s� queres saber do poder.
Tornaste-te num deles. �s um criminoso. Um criminoso como eles.
�s pior do que eu.
Tu gostas de matar.
Eu tenho de te matar.
Se eu n�o te matar, os outros v�o faz�-lo.
Eu n�o me importo de morrer.
Mata-me.
Queres que eu te mate? �s meu irm�o!
N�o te posso matar!
Vai.
Desaparece. Vai.
Desaparece.
Est�s morto. Eu estou morto. N�o existo para ti. N�o existes para mim.
Vai.
Vai-te embora, por favor, vai!
Vai-te embora, merda!
- Lamento ter ficado tudo complicado. - Sim.
A verdade espalha-se rapidamente.
- Como te sentes? - Estranho.
� incr�vel como tudo volta. Voltam mesmo.
Aqui estamos n�s outra vez, tu e eu.
Depois de tantos anos, frente a frente.
Ela est� perfeitamente bem, n�o te preocupes.
Educaste-a muito bem.
Ela � forte.
E tamb�m sente a responsabilidade de n�o querer saber a verdade.
� assim. N�o � f�cil.
H� pessoas que n�o querem saber a verdade.
Passam a vida toda sem querer saber a verdade.
Fizeste o que tinhas de fazer.
Aquela mulher n�o era nada.
Claro, depois construiu um imp�rio.
E aquela filha...
Tenho a certeza que nem sequer sofreu.
Tu sabes que tu �s... �s um dos meus fantasmas.
�s vezes tenho pesadelos.
N�o sei. Deve ser um aviso.
Apareces sempre com um olhar inquiridor.
Como quando me deste a Rosario.
O passado
nunca tem rem�dio.
� melhor construir um futuro.
Um futuro bonito.
Espero que gostes de pudim de laranja.
Vou servir com um bom ch�.
O segredo do ch� � deix�-lo repousar.
Quando te via na televis�o e nas revistas, ficava sempre espantada.
Com o qu�?
Herdaste o meu olhar.
Bem,
tamb�m te pareces muito com a Isabel, porque ela � a tua m�e.
Eu sou apenas a mulher que te abandonou.
Posso saber porqu�?
Porque era a melhor coisa que eu podia fazer.
Pensei que vinha aqui para ouvir um pedido de desculpas.
N�o.
Isso � absurdo.
As pessoas normalmente perdoam da boca para fora.
N�o.
Est�s nesta casa porque...
... esta casa resume exatamente o que eu sou.
Nesta casa fui uma escrava.
Nesta casa eu conheci...
... o pior das pessoas.
Mas esta casa testemunhou o meu regresso,
viu-me a tornar-me na mulher que sou hoje.
E tu tiveste muito a ver com isso.
Porque...
... eu tive uma vida antes de tu nasceres,
e outra depois de ti. Um antes e um depois.
Tirei-a antes de te deixar nos bra�os da irm� Paula.
Fica com ela.
� tua.
Ent�o, a vida disse-te:
"Tens de a dar. � a melhor op��o."
- A vida � fodida, certo? - N�o.
Eu era fodida.
Eu tomei a decis�o.
Mas isso � algo que n�o ser�s capaz de compreender.
- Queres a��car? - N�o, estou bem. Obrigada.
Irm�.
Amei a Isabel como n�o amei a mais ningu�m.
E amei-a de verdade. Sinceramente.
Teria deixado tudo por ela.
O meu trabalho, tudo. Ela era pior do que eu.
Ela n�o o teria feito. Ela n�o teria deixado o trabalho dela.
Ela n�o se teria sacrificado por mim nem pela nossa filha. Nem por ningu�m.
Vangloriamo-nos de sermos os melhores pais. Porqu�?
Porque morrer�amos pelos nossos filhos? Isso � mentira.
Eu n�o sou capaz de morrer por algu�m.
Sou incapaz. Pelo menos, eu n�o consigo.
Demorei algum tempo a decidir o que fazer.
Finalmente percebi que devia trazer-te aqui.
N�s que temos de sobreviver, temos de fazer coisas estranhas.
Suponho que j� tenhas feito algumas coisas estranhas. Verdade?
Nunca teria feito o que voc�s fizeram.
Porque todos temos o direito de saber quem s�o os nossos pais.
Mesmo que sejam criminosos.
E eu quero saber a verdade.
Est� bem.
O teu pai n�o foi o homem que me escravizou.
O teu pai foi um dos meus clientes.
Um homem que eu amei muito.
Demasiado, diria.
Foi um homem que me disse coisas bonitas, que me tratou bem.
E eu fiquei com esperan�as.
Depois percebi que ele era assim.
Ele tratava toda a gente bem.
Fazia parte da natureza dele.
Ele tinha uma prefer�ncia especial
pelas raparigas que escolhem este tipo de trabalho.
Elas n�o escolhem. Elas s�o for�adas.
Elas escolhem.
E quando ele soube de ti, veio por ti.
Levou-te para a mulher dele.
A modelo mais importante deste pa�s.
Porque � que ele nunca me contou?
N�o te posso responder a isso.
Mas acho que tu sabes a resposta.
Tu conhece-lo bem. Ou n�o?
- Ol�. - Finalmente, Bernal.
Calma, Rodr�guez. Disse � Garrido que ia viajar. Ela n�o te disse?
� por isso que queria falar contigo.
Est� bem, o que aconteceu? Fala.
A Garrido foi assassinada.
- O qu�? - Sim, eles mataram-na.
Parece que ela o encontrou e ele n�o hesitou.
Todos temos medo.
Mas o medo n�o impede alguns de n�s.
Fico feliz pela verdade ter sido finalmente revelada.
Irm�, o que posso fazer
para a Rosario me perdoar?
Come�a por pedir desculpa.
Vou para a�.
Em frente.
Sa�mos para a esta��o de televis�o daqui a 30 minutos. Ningu�m pode entrar
enquanto nos reunimos com os deputados.
- Est� bem. - Obrigado.
Gabinete da deputada Isabel Santa Cruz, como posso ajudar?
A deputada est� numa reuni�o neste momento.
Para uma entrevista, ligue na segunda ap�s ser nomeada presidente do partido.
Muito bem, obrigada.
Ent�o, tudo o que a Larissa me contou era mentira.
N�o, ela fez exatamente o que eu lhe disse para fazer.
Ela estava a seguir as minhas instru��es.
Era a �nica forma que eu tinha
de fazer-te vir aqui.
Tu sabias exatamente quem eu era, onde eu trabalhava.
Tu sabias como me encontrar. Porque arrastaste a Larissa para isto?
Querias prejudicar o meu pai.
O Alfredo n�o � nenhum santo, Rosario.
Sabes isso muito bem.
Eu tentei contactar-te.
N�o uma, mas muitas vezes.
H� certas perguntas que n�o deves perguntar-me a mim.
Pergunta ao teu pai.
Est� feito.
N�o te atrevas a mentir-me, Franco.
Onde est� ele?
� melhor que eu seja o �nico a saber.
Vou dar-te um conselho.
Chora.
Chora o que puderes. Deita essa merda toda para fora.
H� certas coisas...
... que n�o gostamos de fazer.
A Isabel?
Ela est� ao corrente.
E a Rosario?
Com a Teresa.
J� n�o nos resta muito tempo.
� o suficiente.
ASSASSINATO OU VINGAN�A?
Somos poucos os que percebem
que ainda somos animais.
Que n�o temos nada de divino.
Somos ca�adores.
Predadores por natureza.
� por isso que eu mato, destruo
e consumo o �ltimo f�lego das minhas v�timas.
At� hoje, matei 74 mulheres.
E em todas deixei a minha marca.
Passaram-se 35 anos
desde a primeira morte.
N�o me gabo.
N�o poderia ter orgulho em fazer o que tinha de ser feito.
Em cumprir o meu dever.
N�o quero esconder-me na simplicidade da abstra��o,
nem por detr�s do falso profissionalismo
desta fachada m�dica que adotei.
N�o h� nada a esconder.
A verdade,
como a morte, � implac�vel.
� por isso que os que v�m depois de mim
precisam de a conhecer,
de aprender com os meus sucessos e com os meus erros.
Est� na hora de me retirar de cena.
De passar o meu legado ao estudante mais promissor que tive.
Ele � o meu maior sucesso, o que me engrandece
e o que faz os meus erros parecerem insignificantes.
O homem ca�a o homem
porque os animais ca�am animais,
e n�s somos a vanguarda dessa realidade.
N�o existe sofistica��o.
Existe a tinta que perdura
sobre o corpo j� sem vida.
O cheiro nauseabundo do corpo em decomposi��o.
E, acima de tudo,
a certeza para todos n�s,
que convivemos com esta forma carnal
de exist�ncia,
de que a nossa tarefa � necess�ria,
poderosa
e eternamente inacabada.
A ti.
� tua loucura.
A esta vida bonita.
Quando quiseres.
Estou pronto.
Rulfo?
Rulfo?
Rulfo.
Rulfo!
"PEGADAS DE SANGUE" POR VICENTE RULFO
Est� na hora, Rosario.
Agora estou pronta.
Finalmente, vai haver justi�a para mim.
Est� na hora de qu�?
Eu agrade�o-te profundamente.
Agrade�o-te todo este tempo que me deste.
- Mas temos de ir. - Onde vamos? O que se passa?
Vai correr tudo bem. Toda a dor desaparece.
Isto dito por algu�m
que foi vendida pelo pr�prio pai por dinheiro.
N�o, espera, eu preciso de saber mais.
Preciso que me digas mais.
A tua investiga��o chegou ao fim, Rosario.
Gra�as a ti,
ao Franco Bernal e ao Agente H, finalmente
ser� feita justi�a comigo.
Eu devia-te. E vou pagar.
Eu saio primeiro.
Tu vens atr�s de mim.
Como deve ser.
Quero que o mundo saiba...
... que a tua dor e a tua luta...
... valeram a pena.
E fica calma. Sempre calma.
Vamos?
Vamos.
Vemos Teresa Garmendia a sair,
que, segundo Larissa Torres,
foi quem a raptou e a manteve prisioneira.
Acredita-se que ela faz parte
de uma rede internacional de tr�fico humano
com liga��es � Rom�nia, Rep�blica Checa, S�rvia e Espanha.
Atr�s dela vemos
a locutora e jornalista deste canal Rosario Santa Cruz,
que, juntamente com o Agente Franco Bernal,
liderou esta investiga��o importante.
As imagens falam por si.
N�o s�o necess�rios coment�rios.
Podemos apenas dizer que se fez justi�a.
N�o podemos ter neste pa�s
o menor rastro de escravid�o.
A justi�a caiu sobre Teresa Garmendia e Roque Carbone,
tal como ir� cair sobre todos
os que querem escravizar as nossas jovens.
Estas s�o as not�cias de hoje
sobre as quais decidimos informar-vos.
TR�S ANOS DEPOIS
Quero-os mortos.
Em plena luz do dia, � frente de toda a gente, juntos.
- Se poss�vel, abra�ados. - Considere-o feito.
Tamb�m vou precisar da sua ajuda,
mas n�o quero que seja t�o discreto e meticuloso.
Estou a planear um evento glorioso.
Garanto-lhe que ningu�m...
... ningu�m mesmo,
ser� capaz de o medir.
Legendagem: Paula Ribeiro
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